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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Spiritual Excercise: Our Will © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spiritual Excercise: Our Will
    Spiritual Excercise: Our Will
    Kaung, Stephen

    A santificação da vontade humana

    Leituras bíblicas

    Romanos 7:15-25

    Porque não compreendo o que faço: pois não pratico o que quero, mas faço o que aborreço.
    E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa.
    Agora, porém, já não sou eu quem faz isto, mas o pecado que habita em mim.
    Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: pois o querer está presente em mim, mas o realizar o bem não está.
    Porque não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.
    Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.
    Acho, então, esta lei: quando quero fazer o bem, o mal está presente comigo.
    Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
    mas vejo nos meus membros outra lei, que guerreia contra a lei da minha mente e me leva cativo à lei do pecado que está nos meus membros.
    Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?
    Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim, eu mesmo, com a mente, sirvo à lei de Deus; mas, com a carne, à lei do pecado.

    João 12:24-28

    Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
    Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.
    Se alguém Me serve, siga-Me; e, onde Eu estiver, ali estará também o Meu servo: se alguém Me servir, o Pai o honrará.
    Agora está a Minha alma perturbada; e que direi? Pai, salva-Me desta hora. Mas para isto vim a esta hora.
    Pai, glorifica o Teu nome. Então veio uma voz do céu, dizendo: Já o glorifiquei, e outra vez o glorificarei.

    Mateus 26:36-46

    Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos Seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou ali orar.
    E, levando Consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se muito.
    Então lhes disse: A Minha alma está profundamente triste, até a morte: ficai aqui e vigiai Comigo.
    E, indo um pouco adiante, prostrou-Se sobre o Seu rosto e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice: todavia, não como Eu quero, mas como Tu queres.
    E voltou aos discípulos e os encontrou dormindo, e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vigiar Comigo?
    Vigiai e orai, para que não entreis em tentação: o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.
    Novamente, pela segunda vez, retirou-Se e orou, dizendo: Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade.
    E, voltando, encontrou-os outra vez dormindo, porque os seus olhos estavam pesados.
    E, deixando-os novamente, retirou-Se e orou pela terceira vez, dizendo outra vez as mesmas palavras.
    Então voltou aos discípulos e lhes disse: Dormi agora e descansai: eis que a hora está próxima, e o Filho do homem é entregue nas mãos dos pecadores.
    Levantai-vos, vamos: eis que está próximo aquele que Me trai.

    Oração inicial

    Querido Senhor, queremos agradecer-Te por nos reunires aqui nesta manhã. Somos gratos pelo Teu amor, pela Tua graça e pela Tua misericórdia sobre nós.

    Mesmo nesta última hora, Senhor, Tu Te lembras de nós. Tu queres falar conosco; Tu queres nos levar para onde Tu estás.

    Nós nos curvamos agora e Te adoramos. Queremos abrir nossos corações a Ti, ó Senhor, e oramos para que a Tua palavra caia em boa terra, para que produza fruto para a Tua glória.

    Pedimos isto em Teu precioso nome. Amém.

    A santificação da alma e do corpo

    Graças a Deus por nos reunir novamente nesta manhã. Temos considerado esta questão de como o exercício espiritual afeta nossa alma e nosso corpo.

    Sabemos que o propósito de Deus é nos santificar inteiramente — não apenas nosso espírito, mas também nossa alma e nosso corpo. Cremos que Ele nos aperfeiçoará. Ele é capaz de nos guardar e de nos salvar plenamente.

    Na semana passada, consideramos juntos como o exercício espiritual afeta a emoção da nossa alma. Sabemos que a emoção é a função mais ativa da nossa alma. Mas nossa emoção está sob o controle da velha vida adâmica. Em vez de expressar Cristo, nossa emoção expressa a nós mesmos.

    Portanto, nossa emoção precisa ser purificada e moldada. Graças a Deus, é por meio do exercício espiritual que nossa emoção está sendo santificada. Em vez de expressarmos a nós mesmos, Cristo pode ser expresso por meio da nossa emoção.

    Não há nada de errado em ser emotivo. O problema é: quem está sendo expresso? Será que conseguimos amar aquilo que Deus ama e odiar aquilo que Deus odeia? Ou simplesmente amamos o que nós amamos e odiamos o que nós odiamos? É aqui que a emoção da nossa alma precisa de salvação.

    Também abordamos como nossa mente precisa ser salva. Precisamos da renovação da nossa mente. Precisamos ter a mente de Cristo. Como podemos chegar a isso? Encontramos na palavra de Deus que isso também acontece por meio do exercício espiritual.

    A vontade como faculdade central da alma

    Agora, nesta manhã, gostaríamos de entrar nesta questão da nossa vontade.

    Sabemos que, entre todas as funções e faculdades da nossa alma, a emoção é a mais ativa, a mente é a mais influente, mas a vontade é a parte principal, central.

    John Bunyan, em A guerra santa, diz que nossa mente é o campo de batalha, mas nossa vontade é a cidadela; é o castelo. A batalha parece acontecer em torno da nossa mente, mas o objetivo, o alvo da batalha, na verdade, é a vontade. Quem conquista a vontade vence.

    Portanto, nesta manhã, pela graça de Deus, gostaríamos de considerar juntos esta questão da salvação, ou santificação, da nossa vontade humana.

    Agradecemos a Deus por nos dar este dom da vontade. Nosso Deus é a vontade suprema no universo. Sua vontade representa Sua dignidade. Sua vontade comprova Sua supremacia. Ele pode fazer tudo o que quer, e faz todas as coisas segundo o Seu beneplácito.

    Mas, graças a Deus, quando Ele criou o homem, criou-o à Sua própria imagem. Por isso, deu ao homem uma vontade livre. Deus é uma pessoa livre; Ele faz tudo o que quer. E agora também dá ao homem uma vontade livre.

    A vontade é um grande dom de Deus. Ela representa a dignidade do homem. O que seria o homem se não tivesse vontade? Seria apenas um robô. Mas, graças a Deus, fomos criados seres humanos. Temos uma maravilhosa vontade livre. Isso faz parte da imagem de Deus. Como seria se não houvesse escolha?

    A queda e a escravidão da vontade

    Depois de criar o homem, Deus o colocou no jardim do Éden. O jardim do Éden é o jardim do prazer. Deus criou todas as árvores frutíferas do jardim para alimentar o homem.

    No meio do jardim, Ele colocou a árvore da vida. Ela representa a vida de Deus. Mas, ao lado da árvore da vida, Ele plantou a árvore do conhecimento do bem e do mal.

    Já dissemos que a árvore do conhecimento do bem e do mal, em si, não era uma árvore ruim. Era uma árvore muito melhor do que as outras árvores frutíferas. Mas a árvore do conhecimento do bem e do mal — aquilo que é melhor — é inimiga daquilo que é o melhor de tudo.

    O propósito de Deus era que o homem comesse da árvore da vida, para que fosse unido a Deus em Cristo Jesus, vivesse pela vida de Cristo e fosse conformado à imagem do Filho amado de Deus. Esse é o propósito de Deus. Que propósito glorioso!

    Mas, se você não quer a vida de Deus e prefere a árvore do conhecimento do bem e do mal, você quer desenvolver a vida da sua alma. Você mesmo quer ser Deus. Você declara independência de Deus. Então, isso significa morte.

    Conhecimento sem vida produz morte. Deus deu aos nossos primeiros pais a possibilidade de escolher. Havia dois caminhos de vida diante do homem. Você pode depender de Deus, viver por Deus e cumprir o propósito de Deus; ou pode declarar independência de Deus e viver pela sua própria sabedoria e mente.

    Um caminho conduz à vida eterna, e o outro o conduzirá à morte eterna. Mas, infelizmente, nossos primeiros pais escolheram comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Por causa disso, sua vontade caiu em escravidão.

    Deus criou o homem e lhe deu uma vontade livre. Mas, depois que o homem caiu, sua vontade caiu na escravidão do pecado e da morte. Portanto, quando nascemos neste mundo, não temos uma vontade livre. Temos uma vontade caída — uma vontade escravizada.

    Efésios 2:1-3

    E Ele vos vivificou, estando vós mortos em vossas transgressões e pecados,
    nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência;
    entre os quais também todos nós outrora vivíamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e da mente, e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.

    Irmãos e irmãs, éramos filhos da ira. Por quê? Porque estávamos sob a escravidão do pecado e da morte. Estávamos sob o domínio da autoridade do ar — daquele espírito, Satanás. Não éramos livres de modo algum. Estávamos escravizados. Havíamos nos tornado inimigos de Deus; havíamos nos tornado pecadores. Isso era o que éramos.

    Mas, graças a Deus, Ele veio nos salvar. Não tínhamos como nos libertar de tal escravidão. Somente Deus é capaz de nos salvar. Por isso, agradecemos a Deus porque, um dia, Sua salvação chegou até nós.

    Livre-arbítrio e eleição divina

    Antes de prosseguir, gostaria de mencionar outra coisa. Vocês sabem, no cristianismo há duas correntes de pensamento. Uma diz: “Temos livre-arbítrio. Podemos escolher o que quisermos”. A outra diz: “Nossa vontade está escravizada. Nada depende da nossa vontade. Tudo acontece segundo a eleição de Deus”.

    Há dois mil anos, entre o povo de Deus, existem essas duas correntes de pensamento. Os arminianos, os metodistas e os pentecostais geralmente creem no livre-arbítrio. Os batistas, os reformados e os que seguem a tradição calvinista creem na eleição.

    O reformador Martinho Lutero escreveu um grande livro chamado Da vontade cativa, porque essa foi sua experiência. Ele tentou alcançar a salvação. Queria ser salvo. Deixou seu cargo de professor e bateu à porta de um mosteiro agostiniano. Procurou maltratar a si mesmo, quase até a morte. Tentou de tudo para ser salvo. Por fim, reconheceu a escravidão da vontade.

    João Calvino cria na predestinação. Tudo é predestinado. Deus predestinou todas as coisas — não pela sua vontade, não pelas suas obras, mas pela eleição de Deus.

    Essas duas correntes de pensamento são opostas entre si. Se você crê no livre-arbítrio, como os metodistas e os pentecostais, pode querer ser salvo e também pode deixar de ser salvo. Os batistas e os reformados dirão: “Uma vez salvo, salvo para sempre”.

    Eles têm lutado uns contra os outros, e lutam até hoje. Agora, irmãos e irmãs, a qual corrente vocês pertencem? Vocês creem no livre-arbítrio ou creem na eleição? Como vão conciliar essas duas correntes?

    As pessoas têm tentado conciliá-las, mas isso enfraquece ambas. Bem, graças a Deus, Ele trabalha com dois opostos. Você não precisa enfraquecer nenhum deles. Deus é capaz de fazer de dois opostos uma unidade. Como Ele faz isso?

    Cremos que nossa vontade estava escravizada. Mas, graças a Deus, Sua graça é capaz de penetrar nessa vontade escravizada e libertá-la.

    A eleição e o livre-arbítrio em Romanos 9 e Romanos 10

    Leiam Romanos 9 e Romanos 10. Romanos 9 fala da eleição divina. Em Romanos 9:11, está escrito:

    Para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por obras, mas por Aquele que chama.

    Somos apenas barro; Deus é o Oleiro. Ele tem todo o direito de fazer de nós o vaso que quiser. Esse é Seu direito soberano. Você não pode questioná-lo. É eleição divina. Ele quer mostrar misericórdia a quem mostra misericórdia. Tudo depende do próprio Deus.

    Mas, quando você lê Romanos 10, tudo é livre-arbítrio. Em Romanos 10:13, ele diz:

    Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

    Seja você quem for, se invocar o nome do Senhor, será salvo. Isso é livre-arbítrio.

    Será que Paulo se distraiu? No capítulo 9, ele falou uma coisa e, no capítulo 10, falou o contrário? Não creio. Mesmo que Paulo estivesse distraído, Deus não está distraído. Deus coloca esses dois opostos diante de nós. Humanamente, é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis, e Ele faz essas duas coisas operarem juntas.

    A libertação pela graça

    O grande evangelista D. L. Moody certa vez realizou uma reunião na qual somente ateus podiam entrar para ouvi-lo. O local estava cheio de ateus e agnósticos, e ele pregou o evangelho com poder.

    Quando terminou, um ateu se levantou. Ele estava realmente tocado, mas se levantou e disse: “Eu não posso”.

    Moody disse: “Não é que você não possa; é que você não quer”.

    Ele tinha outra ilustração que considero muito boa. Dizia que, quando você chega à porta da salvação, vê escrito nela: “Todo aquele que quiser”. Quem quiser pode entrar. Você diz: “Todo aquele que quiser — eu estou incluído”. Então você entra.

    Depois de atravessar a porta da salvação, você se vira e vê escrito do outro lado: “Você é escolhido do Senhor”.

    Essa é a maravilhosa obra de Deus. De alguma maneira, uma vontade tão escravizada pode ser libertada pela graça de Deus.

    Queridos irmãos e irmãs, nós que cremos no Senhor Jesus já não temos nossa vontade sob a escravidão do pecado e da morte. Nossa vontade foi libertada.

    Há uma história dos primeiros tempos da escravidão neste país. Num lugar onde se vendiam escravos, uma menina estava sobre a plataforma para ser vendida. Várias pessoas davam seus lances, e aquela menina chorava. Discretamente, ela erguia os olhos para ver quem eram aquelas pessoas que ofereciam lances por ela. Não pareciam pessoas muito acolhedoras, e ela estava profundamente triste.

    De repente, um senhor chegou e pagou o preço mais alto. Ele comprou aquela menina. Depois de comprá-la, pediu que viessem quebrar as correntes.

    Então disse à menina: “Eu comprei você para libertá-la. Pode seguir seu caminho”. Depois se virou e foi embora.

    Ela esperou um pouco. Então levantou as mãos e correu em direção àquele senhor, dizendo: “Quero ser sua serva”.

    Isso é exatamente o que Deus fez por nós. Ele veio nos libertar. Temos uma vontade livre. Podemos escolher a quem servir.

    A fraqueza da vontade liberta

    Mas aqui está o problema. Depois de sermos libertados, nossa vontade é livre; mas lembrem-se: nossa vontade é fraca. Estivemos sob escravidão por tanto tempo que não é fácil realmente saber como viver em liberdade.

    Descobrimos que continuamos sendo presos por hábitos e por toda espécie de coisas. É disso que trata Romanos 7.

    Em Romanos 7, você tem uma mente renovada e uma vontade liberta, ou emancipada, porque pode querer fazer o bem. Antes, você nem sequer podia querer fazer o bem, porque não sabia o que era o bem. Mas agora sua mente foi iluminada, e sua vontade foi libertada.

    Então você pode dizer: “Quero fazer a vontade de Deus”. Segundo meu homem interior, amo a lei de Deus. Na minha alma, na minha vontade, quero cumpri-la. Mas encontro um problema: o querer está em mim, mas o realizar não está.

    De alguma maneira, você percebe que o antigo senhor ainda está tentando retomar seu domínio sobre você. Como esteve sob seu domínio por tanto tempo, de alguma forma você descobre que não consegue resistir a ele. Então encontra dentro de si aquilo que chamamos de guerra civil.

    O querer está em mim, mas o realizar não está. Faço o que não quero fazer, mas não consigo fazer o que quero. É uma vontade fraca em meio à luta. Irmãos e irmãs, creio que todos nós temos essa experiência.

    A questão é: como nossa vontade pode ser fortalecida? Como essa nossa vontade liberta pode ser santificada, para que não apenas queiramos, mas também tenhamos o poder de realizar?

    O exercício espiritual e o fortalecimento da vontade

    Agora, irmãos e irmãs, é aqui que entra o exercício espiritual. Você não pode tratar diretamente da vontade em si. Precisa tratar da sua vontade por meio do exercício espiritual.

    É aquilo que Deus está operando no seu espírito que fortalecerá e afetará sua vontade fraca.

    A palavra viva e operante de Deus

    Vocês se lembram de Hebreus 4:12:

    Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração.

    A palavra de Deus é viva. Ela é operante. Muitas vezes dizemos que a Bíblia é a palavra de Deus, e isso é muito verdadeiro. Ela é o Logos. É a palavra de Deus. É verdadeira. É eterna.

    Mas esse Logos precisa se tornar Rhema — isto é, aquilo que Deus disse anteriormente precisa ser dito diretamente a você. Então a palavra se torna viva e operante.

    É por isso que precisamos ler a Bíblia. Precisamos conhecer aquilo que Deus disse. Mas você pode ler a Bíblia cem vezes e descobrir que parte do que está escrito ali não opera em sua vida.

    Mas, graças a Deus, enquanto lemos a Bíblia, às vezes o Espírito Santo começa a iluminá-la. Conforme sua necessidade naquela hora, Ele subitamente faz um versículo se destacar. Ele se torna vivo para você. Quando essa palavra se torna uma palavra viva, ela opera; ela age.

    Creio que todos nós já experimentamos algo assim, em maior ou menor medida. Há um exemplo quase clássico na experiência de Watchman Nee.

    Depois de ser salvo, Watchman Nee descobriu que estava lutando com a questão de vencer o pecado. Ao ler Romanos 6, descobriu que nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Tudo o que precisamos fazer é nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus.

    Parecia muito fácil. Então ele começou a considerar-se assim: “Cristo já levou nosso velho homem à cruz. Quando Ele morreu, nós morremos. Portanto, posso me considerar morto para o pecado. Eu me considero vivo para Deus”.

    Muito simples. Mas, quanto mais ele se considerava morto, mais descobria que sua própria vida estava muito ativa em tudo. Vocês têm essa experiência? Creio que sim.

    A palavra de Deus não é verdadeira? A obra de Cristo não está consumada? Claro que está. Mas por que ela não opera? Porque é a palavra, mas não a palavra viva. É Logos, mas precisa se tornar Rhema para você.

    O Espírito Santo tornará a palavra viva. Ele abre seu entendimento e, de repente, você compreende o segredo.

    Um dia, enquanto Watchman Nee lia Romanos, ele conhecia muito bem aquelas palavras. Mas, ao lê-las, de repente uma luz veio até ele: “Você morreu com Cristo porque estava em Cristo”.

    Quando percebeu isso, correu escada abaixo e encontrou um irmão ali. Segurou o irmão e disse: “Você sabe que eu estou morto?” Ora, isso assustou o irmão! Ele não entendeu.

    Mas, irmãos e irmãs, essa é a palavra viva e operante. Quando a palavra de Deus chega até você, ela discerne os pensamentos e as intenções do coração. Ela não apenas ilumina seu entendimento obscurecido, mas também revela a intenção — a vontade — do seu coração e o conduz à realidade de Cristo.

    A disciplina do Espírito Santo

    Quando o Espírito de Deus começa a operar em sua vida, e sua vontade fraca está lutando, Ele usa duas coisas para fortalecê-lo, libertá-lo e santificá-lo. Ambas estão relacionadas ao exercício espiritual.

    Já dissemos que o Espírito Santo ilumina sua intuição enquanto você tem comunhão com Deus. O Espírito Santo ilumina sua intuição e, então, torna isso uma realidade viva.

    Mas, ao mesmo tempo, você descobre que Ele organiza as circunstâncias ao seu redor. Chamamos isso de disciplina do Espírito Santo. Ele usa suas circunstâncias para que correspondam à Sua revelação.

    Em outras palavras, a obra do Espírito Santo tem dois aspectos: um interior e outro exterior. O interior é a revelação do Espírito Santo, que penetra em sua intuição. O exterior é a disciplina do Espírito Santo, ou aquilo que podemos chamar de tratamentos do Espírito Santo.

    Ele usa toda espécie de circunstâncias em que vivemos para tratar conosco. Usa todas essas coisas para quebrantar a vida do ego em nossa alma, e usa isso para nos conduzir à santificação.

    O quebrantamento da vontade de Saulo

    Vocês se lembram de quando Saulo estava no caminho de Damasco. Ele era uma pessoa em completas trevas. Não era apenas um intelectual, mas também uma pessoa de vontade forte. Tinha um temperamento de liderança.

    Ele perseguia os que criam em Cristo. Pensava estar prestando um grande serviço a Deus. Enquanto estava no caminho de Damasco, de repente uma luz mais brilhante que o sol do meio-dia resplandeceu sobre ele, e ele caiu com o rosto em terra.

    O Senhor disse:

    Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.

    Era uma voz suave, compassiva, triste. O Senhor estava dizendo: “Você está ferindo a si mesmo. Não sabe o que está fazendo. É como um boi selvagem que dá coices contra um aguilhão”.

    Antigamente, quando um agricultor arava, não tinha um trator. Usava um cavalo, uma mula ou um boi. Com uma mão segurava o arado, e na outra segurava um instrumento chamado aguilhão. Ele guiava o animal enquanto este arava o campo.

    Mas esses animais têm suas próprias ideias; também têm sua própria vontade. Quando veem alguma coisa ao redor, tendem a se desviar. O agricultor usa o aguilhão para tocar a perna do animal. Não quer feri-lo, mas apenas lembrá-lo de que tem um senhor e de que está fazendo o trabalho do seu senhor.

    O animal precisa ser obediente, mas é selvagem, então dá coices. Quando dá coices, se machuca. Depois de se machucar muitas vezes, aprende.

    O que isso significa? O Senhor estava dizendo a Saulo: “Você não é livre. Tem um Senhor. Nasceu neste mundo para fazer a obra de Deus. Ele é seu Senhor, mas você não sabe disso. Pensa que é seu próprio senhor, fazendo o que quer, mas, na verdade, está prestando um desserviço a Deus”.

    O Senhor havia advertido Saulo muitas vezes com o toque do aguilhão, mas ele reagia com coices. Quando Estêvão estava morrendo, tinha o rosto de um anjo. Viu o céu aberto e o Filho do homem em pé junto ao trono. Ele orou:

    Senhor, não lhes imputes este pecado.

    Saulo, um fariseu, deve ter sido tocado. Mas intensificou sua perseguição. Entrava nas casas, levando homens, mulheres e crianças. Será que sua consciência não o incomodava? Mesmo assim, redobrou seus esforços. Estava dando coices contra os aguilhões. Por quanto tempo continuaria? Estava destruindo a si mesmo.

    Então a vontade obstinada do fariseu foi quebrantada. Ele disse:

    Senhor, que queres Tu que eu faça?

    “Eu me rendo. Já não sou meu próprio senhor. Tu és meu Senhor. Quero fazer a Tua vontade.”

    Queridos irmãos e irmãs, essa é a experiência de Paulo.

    O quebrantamento e a rendição da vontade

    Muitas vezes, descobrimos que a velha vida em nossa alma é como um animal selvagem. Ela precisa ser quebrantada. Mesmo neste mundo, a vontade de uma criança precisa ser quebrantada.

    Como se quebranta a vontade de uma criança? Toda criança tem sua própria vontade e insiste em fazer o que quer. Por isso, os pais procuram discipliná-la. Em Hebreus, a disciplina significa a formação de uma criança. O que significa formar uma criança? Significa que a vontade da criança precisa ser quebrantada, para que ela queira aquilo que você quer.

    Quanto mais necessário isso é no âmbito espiritual! Irmãos e irmãs, todos nós temos uma vontade, e nossa vontade pode ser tão forte quanto a de um animal obstinado. Não há nada de errado com a vontade. Deus não quer um homem ou uma mulher sem vontade; seria uma pessoa inútil.

    Mas quem está por trás da sua vontade? Nossa carne está tentando recuperar o controle. Ela precisa ser quebrantada. Esse quebrantamento acontece por meio do exercício espiritual.

    O jugo de Cristo

    Mateus 11:29 diz:

    Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim; porque sou manso e humilde de coração: e encontrareis descanso para as vossas almas.

    Aqui encontramos nosso Senhor Jesus. Quando nosso Senhor Se fez carne, tinha um corpo humano, assim como nós. Tinha uma alma, assim como nós. Tinha Sua própria mente, Sua própria vontade e Sua própria emoção.

    Mas, quando você olha para nosso Senhor Jesus, descobre que Sua mente, Sua emoção e Sua vontade estavam todas sob o controle de Deus Pai. Isso foi expresso especialmente quando Ele chegou ao jardim do Getsêmani.

    Ali você vê como Ele estava triste até a morte, e ali você vê que Ele tinha Sua própria vontade. Foi a maior prova de toda a Sua vontade.

    Ao longo de Sua vida, Ele negou Sua própria vontade. Essa era Sua vida. Vocês se lembram de João 12, quando até os gregos queriam vê-Lo. Parecia que o mundo inteiro estava indo atrás Dele. Aos olhos do mundo, aquele era Seu momento glorioso.

    Nosso Senhor disse:

    É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado.

    Mas o que Ele queria dizer? Ele disse:

    Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.
    Quem ama a sua vida perde-a; e quem odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.

    No Getsêmani, Ele orou:

    Se é possível, passe de Mim este cálice.

    Mas também disse:

    Para isto vim a esta hora.

    Em outras palavras, você vê a intensa luta da Sua vontade em relação à vontade de Deus.

    Não é de admirar: Aquele que não conheceu pecado haveria de ser feito pecado pelo mundo. Ele não podia suportar aquilo. Estava lutando. Tinha Sua própria vontade.

    Isso continuou no jardim. Ele orou:

    Se é possível, afasta-o de Mim.
    Todavia, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Sua vontade estava inteiramente rendida. Então Ele foi para a cruz.

    Irmãos e irmãs, aqui encontramos nosso Senhor Jesus. Ele quer que estejamos unidos a Ele sob o mesmo jugo. Somos pessoas ainda não quebrantadas, e precisamos estar sob o jugo com nosso Senhor Jesus e aprender Dele, para que encontremos descanso em nossa alma.

    É por meio do exercício espiritual, daquilo que acontece em nosso espírito, que experimentamos a palavra viva e operante de Deus. Quando o Espírito Santo organiza nossas circunstâncias, começamos a aprender a ser quebrantados, para que possamos render nossa vontade a Deus e tomar Sua vontade como nossa vontade. Então nossa vontade é santificada.

    A rendição plena da vontade

    Há uma oração famosa associada a Henry Varley. Ele já era um pastor conhecido em Edimburgo. Um dia, um dos Sete de Cambridge, antes de ir à China como missionário, visitou várias igrejas para pregar.

    Bem cedo pela manhã, Henry Varley viu uma luz no quarto do visitante. Ficou um pouco preocupado e se perguntou se alguma coisa havia acontecido com C. T. Studd. Era muito cedo, então esperou. Mas a luz continuava acesa, e ele não conseguiu se conter. Foi até lá e bateu à porta.

    C. T. Studd estava ali lendo a palavra de Deus. Ele disse: “Eu amo o Senhor. Estava examinando as Escrituras em busca dos Seus mandamentos”.

    Henry Varley disse: “Nós buscamos Suas promessas”. C. T. Studd disse: “Você tem algo que eu não tenho. Como posso ter o que você tem?”

    Ele perguntou: “Você já examinou tudo em sua vida e entregou a Cristo? Já fez isso?”

    Então Henry Varley procurou fazê-lo. Começou a orar e entregou ao Senhor tudo em sua vida. Disse que o Senhor estava diante dele. Entregou ao Senhor um molho de chaves — as chaves de todos os cômodos da sua vida.

    Mas o Senhor disse: “Se Eu não sou Senhor de tudo, não sou Senhor de nada”. Henry Varley argumentou com o Senhor: “Este é apenas um pequeno cômodo. Eu Te amo e farei tudo o que quiseres, mas este cômodo, não”.

    Em seu desespero, ele clamou com a famosa oração: “Faz-me disposto a estar disposto.”

    “Não estou disposto, mas Tu podes me tornar disposto.” Depois que fez essa oração, o Senhor voltou e levou todas as chaves. Com o tempo, Ele pôs tudo em ordem.

    Não é de admirar que Deus tenha usado Henry Varley tão grandemente.

    Andrew Murray tem um livro, A mensagem de Andrew Murray, no qual há uma história sobre Margaret E. Barber. A senhorita Barber tinha uma vontade muito forte. Certa vez, quando Deus tinha uma vontade a respeito dela, ela estava lutando com Deus.

    Mas, enquanto lutava, orou: “Senhor, não desistas. Espera. Eu vou mudar de atitude”. E o Senhor esperou.

    Irmãos e irmãs, nossa vontade precisa ser quebrantada. Quebrantamento não significa perder a vontade. Significa que você está livre da escravidão do velho homem, e sua vontade está inteiramente rendida a Deus.

    Essa é uma vontade santificada: ter uma só vontade com Deus. A mais elevada união com Cristo é a união da vontade.

    Salmos 131 e a alma santificada

    Estou pensando em Salmos 131. Creio que ele descreve uma vontade santificada.

    Senhor, o meu coração não é soberbo, nem os meus olhos são altivos;
    não me ocupo de grandes assuntos,
    nem de coisas maravilhosas demais para mim.
    Certamente fiz calar e sossegar a minha alma;
    como uma criança desmamada junto de sua mãe,
    assim é a minha alma dentro de mim, como uma criança desmamada.

    Esta é uma alma santificada. Qual é a diferença entre uma vontade obstinada e uma vontade santificada?

    Você encontra muitos santos de Deus que amam tanto o Senhor que podem parecer muito obstinados. Qual é a diferença entre uma vontade obstinada e uma vontade santificada?

    A diferença é: quem está por trás dela? Se é você mesmo, é uma vontade obstinada, e precisa ser quebrantada. Se é Cristo, é uma vontade santificada.

    Que tipo de vontade temos? A salvação de Deus está disponível. Você está disposto a passar por esse processo? Que o Senhor nos ajude.

    Oração final

    Querido Senhor, queremos agradecer-Te porque Tu queres nos conduzir à plenitude da Tua vontade.

    Oramos, Senhor, para que realmente quebrantes a velha vida em nossa vontade e santifiques nossa vontade, para que tenhamos uma só vontade Contigo.

    Embora isso seja impossível para os homens, Tua graça nos basta. Nós nos lançamos sobre Ti. Estamos dispostos.