Abram suas Bíblias em Romanos 8. Vamos ler dois versículos que conhecemos bem: Romanos 8:28-29.
E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Agora abram em Jeremias 18. Talvez estes versículos não sejam tão conhecidos. Começaremos em Jeremias 18:1.
A palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, dizendo:
Levanta-te e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as Minhas palavras.
Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas.
Como o vaso que ele fazia de barro se estragou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu.
E outro versículo, talvez não tão conhecido, é Gálatas 4:19. Paulo está falando à igreja da Galácia:
Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós.
Vamos, então, fazer uma oração.
Senhor, mais uma vez Te agradecemos pela Tua Palavra. Nós Te dizemos que não podemos viver sem a Tua Palavra. As Tuas palavras são espírito e vida.
E agora, Senhor, mais uma vez, como Pedro, precisamos dizer: “Senhor, se Tu não falares, não há nada”. Como ele disse naquele dia em que desafiaste os Teus discípulos, perguntando:
Quereis vós também retirar-vos?
Ele respondeu:
Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.
Por isso, invocamos o nome do Senhor. Pedimos que abras a Tua Palavra e nos reveles Cristo de maneira mais clara e plena, para que não sejamos os mesmos depois de ouvir a Tua Palavra, mas que ela fique gravada em nós e realize a obra que desejas fazer no Teu povo. Pois pedimos isso no precioso e digno nome de Jesus. Amém.
Agora, há cerca de dois meses — acho que foram sete semanas, se minhas contas estiverem certas, mas não confiem muito nisso —, comecei a compartilhar um encargo baseado em Romanos 8:28-29: sermos conformes à imagem de Seu Filho. Alguns de vocês talvez se lembrem, talvez se lembrem do começo.
Naquela primeira parte, estávamos considerando a semelhança planejada. Em outras palavras, o grande propósito de Deus por trás de tudo tem a ver com o Senhor Jesus. Tudo o que diz respeito ao propósito de Deus está centrado no Senhor Jesus.
Mas, ao mesmo tempo, esse grande propósito de Deus também nos inclui. Nesse grande mistério, Deus, que tem tudo para o Seu Filho, deseja uma companheira para Ele — alguém que se pareça com Ele, que seja conforme à Sua imagem, que seja feita semelhante a Ele —, para que, por toda a eternidade, haja o Filho e Sua companheira.
Esse é o grande presente de Deus para o Seu Filho amado. É a razão por trás de toda a Sua obra. Se vocês examinarem tudo, do começo ao fim da Bíblia, verão que tudo diz respeito ao que Deus está fazendo para o Seu Filho. Se lerem a Bíblia sob essa perspectiva, creio que isso os ajudará muito a compreender o que está sendo dito.
Há vários meses, esse encargo começou a germinar em mim, porque parecia que o Espírito Santo estava sussurrando repetidamente esta pequena expressão: transformados à Sua semelhança. Sei que esse é o título de um livro, mas não li esse livro recentemente nem tirei nada dele. Contudo, a expressão continuava voltando à minha mente, vez após vez: transformados à Sua semelhança.
A partir disso, o Espírito Santo me conduziu a Romanos 8:28-29. Na primeira parte, consideramos a semelhança planejada. Hoje, estamos considerando a semelhança produzida.
Isso é muito importante, irmãos e irmãs. Deus não está interessado apenas em algum grande tema. Ele não se limita a escrever sobre temas ou, como algumas pessoas fazem, a defender teorias. Deus está empenhado em fazer com que a Sua vontade se concretize na terra e no Seu povo.
Tudo o que Ele planeja, Ele está determinado a produzir. Vocês precisam se lembrar disso. Se olharmos apenas para a semelhança planejada e não pensarmos na semelhança produzida, estaremos vendo apenas metade do quadro.
Na primeira mensagem, consideramos aquele grande propósito divino: todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito. Então, quando lemos o restante, descobrimos a razão:
Aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Esse é o grande propósito divino.
Também consideramos isso como uma lei divina. Em Gênesis, vimos a lei de Deus e o Seu propósito estabelecidos desde o princípio: a vida gera vida exatamente da mesma espécie. Essa é a lei divina. A vida produz uma vida correspondente.
Essa é toda a mensagem de Gênesis no relato da criação. As pessoas ficam tão presas à discussão sobre o que o relato da criação diz e o que não diz, mas a única coisa que ele afirma de maneira absoluta, repetidas vezes, é que a vida deve produzir vida segundo a sua espécie. Isso é o que ele diz.
Consideramos a imagem divina e vimos como o Senhor Jesus é essa única imagem. Pensem em 2 Coríntios 4:4: Cristo, que é a imagem do Deus invisível. Não poderia ser mais claro. Há apenas uma imagem. Não há diferentes imagens entre as quais possamos escolher.
Deus, em Seu grande propósito, está nos criando, nos conformando e nos transformando segundo uma única imagem: a imagem de Seu Filho amado. Vocês se lembram de que, há dois meses, usei a ilustração do padrão-ouro e de como Deus, em Sua misericórdia, tem um padrão que jamais violará. Esse padrão é o Seu padrão-ouro, e é segundo esse padrão que Ele está trabalhando entre o Seu povo.
Depois, consideramos o processo divino. Como o nosso Deus é grande! Ele nos dá tudo de que precisamos para que possa fazer isso acontecer. Ele é o Artífice divino. Ele concede poder divino pelo Espírito Santo e nos dá aquelas grandíssimas e preciosas promessas, para que possamos ser participantes da natureza divina.
Esse propósito está sempre claro em toda a Palavra de Deus. Essa foi, então, a primeira mensagem. Hoje estamos considerando esta questão: como isso é produzido?
Vocês provavelmente já saíram muitas vezes de uma mensagem ou de uma exposição de um tema, assim como eu, dizendo: “Que coisa maravilhosa”. Mas, irmãos e irmãs, não se trata apenas de uma coisa maravilhosa. Acho que alguns de nós conhecemos palavras. Acho que alguns de nós temos impressões. Mas me pergunto quantos de nós estão sendo conformados à imagem do Filho de Deus.
No fim, é isso que Ele busca. Penso em Gálatas. Amo aquele versículo. Para mim, ele torna toda a carta aos Gálatas compreensível; torna tudo compreensível. Paulo disse:
Meus filhinhos, por quem sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós.
Irmãos e irmãs, esse é o objetivo final. Não sei se vocês usam essa expressão, mas o “jogo final”, suponho, tem algo a ver com o xadrez, quando a maioria das peças já foi retirada do tabuleiro. No fim, há um plano; no fim, há uma jogada final. A finalidade de tudo é que Cristo seja formado em nós.
É isso que estamos considerando hoje. Tive dificuldade em decidir como compartilhar isso, porque acho que é um assunto enorme. Muitas pessoas poderiam compartilhar muitas coisas de muitas maneiras diferentes. Se continuássemos semana após semana, poderíamos ter um irmão diante de nós apresentando, em grandes detalhes, como somos conformados à imagem de Seu Filho.
Mas escolhi tratar disso em uma única mensagem. Espero que vocês não se sintam prejudicados, e não tentem me convencer a dar outra mensagem. Gostaria de considerar isso de maneira sucinta. Às vezes, quando examinamos algo de forma sucinta, entendemos um pouco melhor; depois podemos ir à presença do Senhor, examinar com mais detalhes e deixar que Ele fale conosco.
Enquanto orava sobre isso, veio à minha mente a história da casa do oleiro, em Jeremias 18. O Senhor disse a Jeremias:
Desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as Minhas palavras.
Acho que essa é uma declaração muito forte.
Creio que, nessa história da casa do oleiro, o Senhor está dizendo: “Vá, e ali você ouvirá as Minhas palavras”. Pensem no oleiro por um momento. Vocês precisam usar a imaginação. Talvez alguns nunca tenham visto como se faz um vaso de barro. Talvez isso não faça sentido para vocês. Vocês vão à Pottery Barn ou ao Walmart e acham que os vasos simplesmente aparecem nas prateleiras das lojas.
Mas, no método antigo, o oleiro estava realizando uma obra. É disso que trata toda a história. Deus está realizando uma obra, e o texto diz que Ele está realizando uma obra sobre a roda. Toda a história pode ser descrita por esta única expressão: Deus está realizando uma obra sobre a roda. Isso é toda a história.
Enquanto meditava sobre a fabricação de um vaso de barro, pensei em como o oleiro coloca a mão sobre o barro e gira a roda. Vocês já viram isso, pelo menos em fotografias. Alguns talvez tenham assistido a algo assim no Discovery Channel.
O oleiro coloca a mão na parte externa do barro, com muita delicadeza e de maneira amorosa. Ele não simplesmente pega o barro e o esmaga, formando uma grande bola. Com sua mão amorosa e com o mínimo de atrito, ele dá àquele vaso a forma que deseja.
Essa é a obra sobre a roda: a conformação externa daquele vaso à imagem que Deus busca. Ao considerar isso, pensei que somos conformados pelas nossas circunstâncias. São coisas externas, coisas que Deus usa. Com Sua mão amorosa, Ele nos conforma à imagem de Seu Filho.
Mas o oleiro não coloca a mão apenas do lado de fora do vaso. Ele põe a mão dentro dele e, de dentro, aplica amorosamente a pressão que lhe dá forma. Com pressão externa e pressão interna, Ele está formando aquele vaso para que seja útil ao serviço do Senhor.
Do que fala essa pressão interior? Creio que fala da obra interior do Espírito Santo. Somos conformados pelo Consolador.
A missão do Espírito Santo é tomar o povo de Deus — matéria-prima, por assim dizer; barro, por assim dizer; o pó da terra, por assim dizer — e moldá-lo. Pela pressão externa e amorosa da mão de Deus, pela obra sobre a roda e pela pressão interna e amorosa da obra do Espírito Santo, somos moldados em um vaso útil a Ele.
Então há uma terceira coisa. O texto diz que o barro se estragou na mão do oleiro. Sabemos que essa história fala de Israel. O Senhor está contando a Jeremias uma história sobre Israel.
Enquanto pensava nisso, perguntei: “Senhor, o que isso significa? Como isso se aplica a sermos conformados à Tua imagem?”. Creio que isso nos fala da nossa necessidade de sermos maleáveis, submissos e de nos deixarmos trabalhar. Ele precisa poder nos tomar e moldar. Se nos endurecermos, vamos nos estragar em Suas mãos.
Parece-me que isso nos diz que somos conformados pela cruz. Sem a cruz, vocês não podem ser conformados à imagem de Cristo. Se forem obstinados, se estiverem dispostos a seguir seu próprio caminho, se insistirem nas suas próprias coisas, se não disserem:
Não se faça a minha vontade, mas a Tua.
Vocês vão se estragar em Sua mão.
Mas aqui está a graça nessa história: Ele não simplesmente jogou o barro fora. Não desistiu dele. Aliás, Ele também não vai simplesmente jogar Israel fora. Louvado seja o Senhor por Romanos 9–11.
Ele toma o barro e o refaz em outro vaso, um vaso apropriado para o Senhor. Creio que esse outro vaso fala especificamente da igreja, e creio que esse outro vaso é feito à imagem do Senhor Jesus.
Então vamos considerar três coisas. Entenderam? Estão me acompanhando? Geralmente tenho um esboço. Quando as pessoas vêm falar comigo e não sabem o que eu disse, fico tão desanimado. Penso: “Será que fui tão pouco claro assim?”.
Três pontos em uma história. Só isso:
Há muito que se poderia dizer, mas creio que essas três coisas pelo menos começam a nos dar uma impressão do que Ele busca.
Não sei se vocês reconhecem o valor das suas circunstâncias. Muitos de nós não reconhecemos. Mas, nos versículos que servem de tema, Romanos 8:28-29, está escrito que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito.
Irmãos e irmãs, creio que nessa declaração, todas as coisas, estão incluídas todas as nossas circunstâncias. Creio que esse é o cerne da questão. Tudo o que nos acontece enquanto permanecemos aqui nesta terra, tudo o que nos acontece como povo de Deus, é a obra sobre a roda e a nossa conformação à Sua imagem.
Nossas circunstâncias certamente são uma grande parte disso. Li algo de Oswald Chambers que dizia o seguinte sobre as circunstâncias:
Não somos responsáveis pelas circunstâncias em que estamos, mas somos responsáveis pela maneira como permitimos que elas nos afetem.
Podemos permitir que elas nos dominem ou podemos permitir que nos transformem naquilo que Deus deseja que sejamos.
Irmãos e irmãs, esse é o valor das circunstâncias. Podem ser coisas que Deus permite ou coisas que Ele traz especificamente. Mas, seja algo que Ele permite em nossa vida, seja algo que Ele traz à nossa vida por Sua vontade divina, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito.
Nossas circunstâncias podem nos dominar, como frequentemente acontece, ou podemos vencer. Parece que essa é a alternativa. Nossas circunstâncias podem nos tornar amargos, como tantas vezes vemos nas pessoas, ou podem nos tornar melhores. Essas são as escolhas.
Creio, queridos, que nossas circunstâncias são a mão amorosa e delicada de Deus, formando o vaso à Sua imagem. Elas são a pressão externa.
Chambers disse outra coisa: “Uma das últimas coisas que aprendemos é que Deus organiza as nossas circunstâncias”. Vocês ouviram pessoas testemunharem sobre isso recentemente. Não cremos que Ele faça isso, mas dizemos que cremos.
Ele disse: “Nunca procure causas secundárias. Se fizer isso, estará errado. Cometemos um erro quando consideramos nossas circunstâncias como algo secundário”.
Irmãos e irmãs, louvado seja o Senhor. Ele sabe exatamente o que está fazendo em nossas vidas. Tudo o que Ele faz em nossas vidas tem uma única finalidade: nos conformar à imagem de Cristo. No fim, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é. Louvado seja o Senhor, pois Ele conhece tudo pelo que passamos, e todas essas coisas estão cooperando para essa única finalidade.
Penso nos filhos de Israel. Eles estavam sempre buscando livramento. Mas precisamos aprender uma lição com eles. Está escrito que entristeceram o Senhor no deserto. Ele os levou ao deserto e, imediatamente, quando as coisas não estavam acontecendo como queriam, começaram a clamar: “Dá-nos água! Estamos morrendo!”.
Quando Ele lhes deu maná, disseram: “Dá-nos carne! Tu nos trouxeste aqui para morrer!”. Eu me pergunto se isso não se parece muito com os cristãos.
Deus realmente livra. Louvado seja o Senhor, Ele livra. Paulo disse, creio que em 2 Coríntios:
Ele nos livrou e nos livrará; nEle temos esperado que ainda continuará a livrar-nos.
Louvado seja o Senhor, Ele livra.
Mas o que está no coração de Deus nem sempre é nos livrar das nossas circunstâncias. Às vezes, o que está em Seu coração é permitir que as próprias coisas pelas quais passamos na vida realizem uma obra em nós — uma obra sobre a roda que não poderia ser feita de outra maneira.
Penso naqueles que estavam no barco com o Senhor Jesus. O Senhor estava dormindo no barco, as ondas se levantaram e o barco estava sendo inundado. Eles disseram:
Senhor, salva-nos! Perecemos!
O Senhor, em Seu modo amoroso de agir, acordou e os repreendeu:
Homens de pequena fé.
Então acalmou os ventos e as ondas.
Vocês podem discordar de mim nisso, mas não creio que aquele milagre fosse o que estava no coração do Senhor. Creio que o verdadeiro milagre teria sido eles saberem: “Estou no barco com o Senhor. Nenhuma onda, nenhum vento pode me separar dEle”. Pensem no que o apóstolo Paulo disse: nada pode nos separar do amor de Cristo. Essa era a verdadeira lição a ser aprendida.
O Senhor, em Sua misericórdia, realizou o milagre e, louvado seja o Senhor, eles viram algo dEle. Disseram:
Até os ventos e o mar Lhe obedecem.
De alguma forma, creio que essa não era a verdadeira lição.
O Senhor usa as circunstâncias para nos livrar, e poderíamos pensar em muitos exemplos ao longo do Antigo e do Novo Testamento. Recentemente, temos ouvido sobre Abraão. Vemos algo de como Abraão foi conformado: ele começou a pensar como Deus, a interceder, a compreender os Seus caminhos.
Depois vemos outra pessoa, Ló. Tudo o que vemos de Ló é que ele é livrado. Agora, não sou contra o livramento. Se vocês saírem daqui dizendo: “Aquele irmão, aquele irmão sem-vergonha, é contra o livramento”, saibam que não sou absolutamente contra o livramento.
O salmista disse que Ele nos livra de todas elas. Louvado seja o Senhor. Muitas vezes vocês devem buscar o Senhor e dizer: “Senhor, livra-me destas circunstâncias”. Mas há uma lição valiosa que o povo de Deus precisa aprender. Se não a aprender, jamais será conformado à imagem de Seu Filho amado.
Essa lição é a formação do caráter por meio das circunstâncias. Acho que essa é a lição da mão amorosa que trabalha na parte externa do vaso de barro.
Pensem em Davi. Um dos meus versículos favoritos sobre Davi é Salmos 4:1:
Na angústia, Tu me deste largueza.
Talvez esse não seja um dos seus versículos favoritos, mas é um dos meus. Acho que a vida é pressão. Essa é a minha definição. Davi disse: “Na pressão, Tu me deste largueza”. Deus realizou uma obra que não poderia realizar de outra maneira, a não ser na panela de pressão.
Aquele homem se tornou tão semelhante ao seu Senhor que ficou conhecido como um homem segundo o coração de Deus. Isso não é ser conformado à imagem do Filho de Deus?
Anos atrás, quando eu era mais jovem — acho que ainda sou jovem, dependendo do padrão de vocês; não tão jovem quanto Sid —, lembro-me de que esse encargo se tornou vivo para mim: “Na pressão, Tu me deste largueza”.
Quando nos casamos, Linda tinha uma panela de pressão. Imagino que muitos de vocês já não usem panelas de pressão, com os micro-ondas e todas as comodidades modernas. Mas Linda colocava uma peça de carne naquela panela de pressão, e ela ficava pronta. O sabor ficava retido, e a carne se transformava. Aquela carne simplesmente se desmanchava; bastava um garfo.
Os feijões cozidos nela pareciam tão frescos e encorpados. Parece-me que há um princípio aqui: sob pressão, o Senhor realiza uma conformação que não poderia realizar de outra maneira.
Linda me pediu que atualizasse minha velha e batida ilustração, então vou dar a ela o crédito por esta. Fomos ao Tuscan Rio — seja lá qual for o nome — Grill. Pedi frango sob um tijolo. Nunca tinha entendido o que isso significava. Fiquei procurando o tijolo. Não havia tijolo nenhum.
Mas ela me explicou que o tijolo aplica pressão. Ele retém o sabor, e o frango cozinha de uma maneira que jamais cozinharia de outro modo. Há uma obra realizada pela pressão que não poderia ser realizada de outra maneira.
Queridos irmãos e irmãs, vocês reconhecem suas circunstâncias como a mão amorosa de Deus? Vocês sabem disso? Se não souberem, não serão conformados à imagem do Filho de Deus.
Pensem em Jó. Quando eu era recém-convertido, muitas vezes pensava: “Senhor, por que tiveste de falar ao inimigo sobre Jó? Se fosse eu…”. O Senhor diz:
Observaste o Meu servo Jó?
Sempre penso: “Ah, não. Espero que Ele nunca faça isso comigo”.
Mas parece-me que o Senhor ia realizar uma obra em Jó. Ele permitiria que o inimigo o atingisse no mais profundo do seu ser. Vocês conseguem imaginar? Esse é um Deus amoroso?
No fim, vemos que é. Jó, que havia ouvido falar do Senhor pelo ouvir dos ouvidos, no fim viu o Senhor com seus próprios olhos. Ele disse:
Porque eu sei que o meu Redentor vive,
E por fim Ele Se levantará sobre a terra.
Algo foi realizado naquele homem por meio de uma situação extraordinária que o Senhor permitiu em sua vida. Acho que essa é a lição da mão externa.
Vocês poderiam pensar no apóstolo Paulo. As circunstâncias de Paulo foram extraordinárias. Leiam 2 Coríntios 11. Pensem em seus naufrágios, seus jejuns, perigos de salteadores, perigos entre as nações, no fato de ter sido apedrejado e deixado como morto. Pensem em tudo pelo que o apóstolo passou.
Lembrem-se do início da sua vida de salvo. Paulo era um vaso escolhido. Quando ele foi salvo, o Senhor apareceu a Ananias, que não queria chegar perto de Paulo. Em Atos 9, o Senhor disse:
Este é para Mim um vaso escolhido para levar o Meu nome perante os gentios e os reis, bem como perante os filhos de Israel;
Pois Eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo Meu nome.
Eu me pergunto se Paulo, ao ouvir isso, recuou e pensou: “Senhor, por que tiveste de dizer isso?”. Mas creio que ele conhecia aquela mão que aplica pressão. Ele sofreu grande aflição. A palavra grega para aflição significa pressão. É isso que ela significa.
Voltando à ilustração de Linda, vocês todos são frangos sob um tijolo. Sabiam disso? Algo está sendo feito, fixando uma imagem, um sabor, um gosto que não poderia ser produzido de outra maneira.
A compreensão de Paulo sobre as circunstâncias foi revolucionada. Ele disse em 2 Coríntios 11:29-30:
Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei nas coisas que dizem respeito à minha fraqueza.
Que diferença! Vocês ouvem cristãos falando assim?
Romanos 5:3 diz:
Também nos gloriamos nas tribulações.
Ele não apenas as mencionava; ele se alegrava nelas. Creio que esse é alguém que compreendia a obra de conformação e os caminhos de Deus.
Ele disse em 2 Coríntios 4:17-18:
Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação;
Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem.
Irmãos e irmãs, quero que vocês pensem. Da próxima vez, antes de simplesmente dizerem: “Senhor, livra-me”, talvez haja uma maneira diferente de abordar a situação. Talvez devam dizer: “Senhor, será esta a mão amorosa de Deus me pressionando, me formando, me moldando à Tua imagem?”.
Creio que é assim que somos conformados à Sua imagem, até mesmo por meio das nossas circunstâncias. Que o Senhor, em Sua misericórdia, nos dê essa perspectiva de Paulo.
Pedro disse em 1 Pedro 1:6-7:
Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações,
Para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, mesmo provado pelo fogo, seja achada em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
Esse é o fim: sermos conformados à Sua imagem. Ele usa as circunstâncias.
A segunda coisa em que quero tocar brevemente é que o Senhor não apenas usa nossas circunstâncias, mas também tem aquela mão interior que nos forma.
Quando o Senhor Jesus estava prestes a deixar os Seus, em João 14–17, Ele fez a promessa do Pai. Disse:
Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador.
A palavra grega traduzida como outro significa alguém exatamente da mesma espécie: “Exatamente como Eu”.
Ele disse:
Ele habita convosco e estará em vós.
Vocês conseguem imaginar? O Espírito Santo de Deus entra em nós para estabelecer residência permanente, com uma única missão: nos transformar e nos conformar à imagem do Senhor Jesus.
Que Deus amoroso! Às vezes, tudo o que vemos é a pressão externa, mas vocês sabem que, por dentro, para que o vaso não desabe sobre si mesmo, há outra mão? Enquanto Ele está trabalhando por fora para conformar vocês à Sua imagem, está trabalhando por dentro para transformá-los de dentro para fora.
Dentro daquele vaso está essa outra mão amorosa, essa mão que molda, essa mão que conforma. Essas duas coisas trabalham em harmonia e fazem do vaso aquilo que Ele deseja. É isso que quero dizer com sermos conformados pelo Consolador.
Ouçam 2 Coríntios 3:17-18. Esse texto conta toda a história:
Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.
Mas todos nós, com o rosto desvendado, contemplando como por espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.
Irmãos e irmãs, a Pessoa responsável pela obra de transformação de vocês não é outra senão o Senhor, o Espírito. Quando o Senhor estava prestes a partir, disse, em essência: “Vou fazer o impensável. O próprio Deus, Deus Espírito Santo, será enviado em uma missão”.
Essa missão é conformar vocês ao Senhor Jesus, a Ele mesmo. Então a promessa do Pai de dar ao Filho aquela companheira será concretizada. O Espírito não vai apenas visitar vocês nos feriados ou uma vez por ano. Ele estabelecerá residência permanente em vocês.
Vocês conseguem imaginar? É quase inconcebível. A promessa do Pai, como é chamada em Atos 1:4, é quase inconcebível. Mas é exatamente isso: a mão amorosa de Deus vindo habitar em nós, para nos conformar, nos ensinar, nos convencer e sussurrar para nós: “Isso não é semelhante a Cristo. Sabe o que você acabou de fazer? Isso não é semelhante a Cristo”.
Hoje, acho que todos nós gostaríamos de ficar em casa de pijama e trabalhar remotamente. Enfrento isso no meu escritório. Meu sócio mais velho é totalmente contra. Os jovens que entendem de informática dizem: “Bem, posso fazer a mesma coisa em casa”.
Não sou contra o trabalho remoto, mas duvido que, enquanto aquele sujeito estiver por lá, tenhamos muito disso. O Espírito Santo não trabalha remotamente.
O argumento dele é este: vocês precisam estar juntos. Precisam estar frente a frente. Precisam estar unidos e envolvidos uns com os outros. Claro, vocês podem trocar informações. Vejo algumas pessoas da área de informática me olhando feio, então esqueçam essa ilustração se ela não ajudar em nada.
A questão toda é que, quando estamos juntos, algo acontece. O Espírito Santo não apenas nos visita de vez em quando e nos atualiza sobre o que foi feito. Ele vem e estabelece residência permanente em nós.
É assim que somos conformados à imagem do Senhor Jesus. É responsabilidade dEle nos convencer. É responsabilidade dEle falar conosco. É responsabilidade dEle, como disse o Senhor Jesus, nos lembrar das coisas que Ele disse e falar dEle.
Graças a Deus, Ele nos deu o Seu Espírito Santo. Vocês acham que existe uma única possibilidade de serem conformados à imagem do Senhor Jesus sem o Espírito Santo dentro de vocês? É impossível. Vocês não conseguiriam.
Mas graças a Deus, Ele enviou o Seu Espírito Santo como o Residente permanente, em tempo integral, para nos fazer à Sua imagem.
Em 1 Coríntios 6:19, Paulo diz:
Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Irmãos e irmãs, essa é a maior promessa. De alguma forma, Deus tomou todas as providências — até mesmo o próprio Deus, Deus Espírito Santo — para entrar em nós, assumir esse projeto e garantir que ele seja concluído.
No meu ramo de trabalho, dizemos que o andamento de um projeto depende de quem é o gerente do projeto. Você é o gerente do projeto ou o Espírito Santo é o gerente do projeto? Percebem a diferença? Isso faz toda a diferença.
Aquele que é o próprio Deus assume a responsabilidade e começa a realizar uma obra sobre a roda, nos transformando e nos conformando, de dentro para fora, à própria imagem do Senhor Jesus Cristo. O Espírito Santo é o selo — a garantia de que a obra será realizada. Para mim, esse é o maior encorajamento.
Há duas coisas que podemos fazer que impedem essa obra de conformação. A primeira se encontra em Efésios 4:30:
E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no Qual fostes selados para o dia da redenção.
Muitos de nós precisamos confessar que temos entristecido o Espírito Santo de Deus. Você faz alguma coisa e simplesmente sente isso. Às vezes, é quase audível. Você percebe como se lhe faltasse o ar.
Acho que o Espírito Santo é um Cavalheiro divino. Ele nunca Se impõe. Nunca prende você até que peça rendição e diz: “Vou fazer você ser assim, quer goste, quer não”.
Mas o Cavalheiro divino está sempre trabalhando, sempre sussurrando, sempre falando, nos conformando àquela imagem. Tantas vezes podemos entristecer o Espírito Santo. Lembrem-se de quando o Senhor disse em Hebreus, referindo-Se à geração no deserto:
Fiquei indignado com aquela geração.
Vocês podem entristecer a Deus.
Um dia, quando estivermos diante do tribunal de Cristo como filhos de Deus, acho que uma das perguntas será: “Você entristeceu o Espírito Santo ou permitiu que o Espírito Santo realizasse a Sua obra?”. Para mim, essa é uma pergunta muito importante.
O segundo versículo é 1 Tessalonicenses 5:19:
Não apagueis o Espírito.
Às vezes, talvez não entristeçamos o Espírito Santo, mas Ele está falando e nós O apagamos. Jogamos água sobre a obra do Espírito Santo. Nós O ignoramos. Ficamos ali dizendo: “Não estou ouvindo. Não estou ouvindo”.
Irmãos e irmãs, se Cristo há de ser formado em vocês, há duas coisas que não devem fazer de maneira habitual, contínua e persistente. Vocês as farão em algumas ocasiões. Já fiz coisas e soube imediatamente que havia apagado a ação do Espírito Santo. Vocês também.
Já fiz coisas e soube imediatamente que havia entristecido o Espírito Santo. Vocês também passarão por isso. Mas, se ouvirmos a voz do Espírito e permitirmos que aquela mão interior realize sua obra de conformação, não deveremos entristecer nem apagar o Espírito Santo.
Vocês se lembram do profeta: todo aquele vento, todo aquele barulho, todas aquelas coisas extraordinárias, e ele não viu o Senhor nelas. Mas, na voz mansa e suave, ele ouviu. Esse é o Espírito Santo, Aquele que está conformando vocês à imagem de Seu Filho.
O terceiro ponto é este: somos conformados pela cruz. Acho interessante que o barro tenha se estragado na mão do oleiro. Quantas vezes eu me estraguei em Sua mão!
Mas encontro grande encorajamento na parte final dessa história. Ele não desiste. A história poderia ter terminado assim: “O barro se estragou em sua mão” — fim da história. “Mais barro, por favor.” Mas Ele não desiste.
Ele o refez. Refez o barro em outro vaso, um vaso melhor, que expressaria plenamente Quem Ele era e como Ele era. Creio que isso fala da igreja.
Muitas vezes não gostamos da mensagem da cruz. Quando falo da cruz, vocês sabem o que quero dizer? A cruz é um termo tão amplo. Poderíamos dar mensagens e mais mensagens sobre a cruz.
Estou falando do aspecto prático, vivido, de tomar a sua cruz. Há a cruz que nos salva dos nossos pecados: a morte substitutiva do Senhor Jesus. Muitas vezes, quando falamos com os crentes, é isso que eles entendem por cruz.
Há também a cruz na qual o velho homem, Adão, está incluído na morte do Senhor Jesus — o aspecto inclusivo de Sua morte —, em que o velho homem é crucificado com Cristo. É sobre isso que Sid vai testemunhar hoje.
Depois há esta coisa extraordinária. O Senhor disse em Mateus 10, e novamente depois da falha de Pedro em Mateus 16, e também em Lucas:
Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me.
Sei que há pessoas nesta sala que se endurecem quando ouvem uma mensagem sobre a cruz. Não se endureçam. Foi isso que o barro fez. Tudo o que isso significa é permanecer maleável. Tudo o que significa é permanecer submisso.
Tudo o que significa é dizer: “Não eu, mas Cristo”. Tudo o que significa é dizer: “Sim, Tu és o Oleiro; eu sou o barro. Tu fazes a obra; eu me submeterei”. É só isso que significa.
Muitas vezes, porém, nos endurecemos. Sem a cruz, vocês não podem ser conformados à imagem de Cristo. Sem a experiência da cruz, não podem ser conformados. O Senhor disse:
Quem não toma a sua cruz e vem após Mim não é digno de Mim.
Para aqueles que estão começando a entrar em pânico e a respirar fundo, não se preocupem: isso não tem a ver com a sua salvação. Mas tem a ver com a entrega voluntária e de boa vontade de si mesmos para serem barro nas mãos do Oleiro.
A palavra inglesa conformed ocorre apenas três vezes no Novo Testamento. Primeiro, em Romanos 8:29: somos conformados à imagem do Filho de Deus. Segundo, em Romanos 12:2:
E não vos conformeis com este mundo.
Isso simplifica as coisas para mim. Há duas escolhas. O livre-arbítrio está envolvido. Não é como Henry Ford: você pode ter qualquer cor, desde que seja preta. Vocês têm uma escolha nesta vida.
Ou vocês vão se colocar sobre a roda e ser conformados, ou vão se estragar em Sua mão. Se pertencem ao Senhor e se endurecem, vão se estragar em Sua mão. Há apenas duas escolhas.
Mas então a palavra aparece uma terceira vez. Paulo está falando à igreja de Filipos, a igreja que ele amava e que o amava. Perto do fim de sua carta, ele está compartilhando seu segredo:
Para O conhecer, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, conformando-me com a Sua morte.
O que é a Sua morte? É a cruz. Se vocês não estão dispostos, se são obstinados e se endurecem, e se não vão ao Senhor e dizem: “Senhor, estou disposto”, então a obra é impedida. É só isso que Ele quer que vocês digam: “Estou disposto”.
Não consigo contar quantas vezes houve questões em que eu quase começava a suar, porque o Senhor estava me convencendo e tratando de certas coisas, e eu não estava disposto. Não estava nem um pouco disposto.
Mas me lembro de uma questão específica — não vou dizer qual era. Foi um grande dia quando eu disse: “Senhor, estou disposto a me tornar disposto”.
Não quero Te chamar de Senhor sem que Tu sejas Senhor. Não quero dizer “Senhor Jesus” enquanto eu estiver no trono. Não quero ser aquele que se endurece em Tua mão, que não é maleável, moldável nem se deixa trabalhar.
Quero fazer como Tu dizes: “Se você vai ser Meu discípulo, tome a sua cruz e siga-Me”.
É um estranho paradoxo. Acho que as pessoas recuam diante da mensagem da experiência da cruz porque preferem ouvir sobre bênçãos. Acham que ela é negativa, talvez até legalista. Mas, quando olhamos para a Palavra do Senhor, ela é tudo menos isso. É o maior ganho.
Quando fui salvo, tinha minha pequena Bíblia Good News for Modern Man, com aqueles desenhos de bonequinhos. Enquanto a lia, estes versículos se tornaram vivos para mim:
Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á;
E quem perder a sua vida por amor de Mim achá-la-á.
Pensei: “É isso que tenho feito durante todos estes vinte e tantos anos — tentando salvar minha vida. Tudo gira em torno de mim”. Mas aquele que perde sua vida por amor a Cristo a encontrará.
Queridos amigos, isso é ser conformado pela cruz. Vocês estão dispostos? Estão dispostos a ser maleáveis? Estão dispostos a resolver, de uma vez por todas, essa questão do senhorio?
Ele diz que, se não fizerem isso, não podem ser Seus discípulos. Paulo sabia disso. Paulo disse:
Cada dia morro.
Paulo disse:
A morte opera em nós, mas a vida, em vós.
Vocês acham que isso era negativo? Não, era absolutamente positivo.
Paulo conhecia o princípio de que a operação da cruz no homem interior produz alguém conformado à imagem do Senhor Jesus. Essa pessoa é conduzida a um lugar espaçoso.
Acho que é assim que a semelhança é produzida, pelo menos é assim que eu expressaria isso. Quero nos desafiar, irmãos e irmãs, a pensar nessas coisas. Não se trata de um tema. Vamos deixar de apenas ter temas. Sejamos um povo que leva a sério ser a obra sobre a roda.
Desejemos que Ele, com Sua mão externa e amorosa, nos molde e nos forme. Desejemos que Ele, por Sua extraordinária provisão do Espírito Santo, nos conforme. Desejemos, por fim, viver de maneira submissa diante dEle, dizendo: “Não eu, mas Cristo”.
Penso muitas vezes em Pedro. Pedro é um sujeito danado com quem todos podemos nos identificar. Ele se parece conosco, age como nós e fala como nós. É impulsivo e rude, e está sempre metendo os pés pelas mãos. Alguns de vocês são um pouco mais refinados; estou falando principalmente de mim mesmo.
Ele está sempre dizendo a coisa errada na hora errada. Parece que está sempre sendo tratado, corrigido e repreendido pelo Senhor. Tem o temperamento explosivo. Basta pensar na orelha de Malco.
Mas o Senhor estava conduzindo Pedro por um processo de formação. Quando o chamou pela primeira vez — e depois o chamou novamente em João 21 —, o Senhor estava realizando uma obra que explica toda a vida de Pedro.
Quando o Senhor o chamou pela primeira vez, em Mateus 4:19, disse:
Vinde após Mim, e Eu vos farei pescadores de homens.
Essas palavras simples. No fim, depois que Pedro havia sido tratado por meio de muitas circunstâncias, depois que havia sido convencido e persuadido por meio de muitas dificuldades, o Senhor fez o mesmo chamado em João 21: “Pedro, segue-Me”.
Observem que já não há mais o “Eu vos farei”. Irmãos e irmãs, toda a vida de Pedro foi um processo de formação. Essa é a obra sobre a roda.
Vocês, como Pedro, estão sendo transformados. Olhem para Pedro no fim. No livro de Atos, ele se levanta, apresenta aquela mensagem e três mil pessoas são salvas. Ele é um homem transformado, não é?
De alguma forma, parece-me — e deveria parecer a vocês — que o Senhor escolhe o caso mais difícil como exemplo. Ele diz: “Não vou usar João para ilustrar isso, sempre recostado em Meu peito, sempre tão sensível. Todos nós achamos que somos como João. A maioria de nós é Pedro”.
Ele diz: “Vou mostrar a vocês o que posso fazer com a pessoa mais impossível, se vocês Me permitirem — se vocês se submeterem, se permitirem que as circunstâncias realizem sua obra, se permitirem que o Espírito Santo trabalhe em vocês e manifeste o Meu caráter”.
“Se tomarem a sua cruz, se resolverem essa questão do senhorio, então não precisarei dizer: ‘Eu vos farei’, porque a obra de formação estará concluída.”
Ele realizou uma obra sobre a roda. É isso que significa ser conformado à imagem do Filho de Deus.
Senhor, entregamos estes pensamentos a Ti. Pedimos que realizes essa obra em nós segundo o Teu grande propósito.
Como cristãos, não queremos ser aqueles que Te decepcionam e se estragam em Tua mão. Não queremos ser aqueles que estão sempre Te pedindo que mudes nossas circunstâncias quando, em Tua misericórdia, às vezes desejas usar justamente essas coisas.
Assim como estávamos lendo em Salmos 84, aqueles que passam pelo vale de Baca fazem dele um lugar de fontes.
Senhor, pedimos que nos tomes. Queremos ser barro em Tua mão. Queremos ser maleáveis. Queremos ser moldáveis. Não queremos nos endurecer.
Queremos dizer: “Não eu, mas Cristo”. Queremos, por fim, que Cristo seja visto e que o Teu propósito se realize plenamente.
Entregamos todas essas coisas a Ti, para que, de fato, em nossas vidas, todas as coisas cooperem para o bem daqueles que são chamados segundo o Teu propósito, daqueles que amam a Deus, para que sejamos conformados à imagem do Filho de Deus. Amém.