Por favor, abram em 2 Pedro 3:12 — apenas a primeira parte:
Aguardando e apressando a vinda do dia de Deus.
Depois, Atos 1:9-11:
E, tendo Ele dito estas coisas, enquanto eles olhavam, foi elevado às alturas; e uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Ele subia, eis que dois homens vestidos de branco se puseram ao lado deles; os quais também disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido no céu, há de vir assim como O vistes ir para o céu.
E depois, no Evangelho segundo Lucas, Lucas 21:36:
Vigiai, pois, em todo tempo, fazendo súplicas, para que possais escapar de todas estas coisas que hão de acontecer e estar em pé diante do Filho do Homem.
Finalmente, Apocalipse 22:20:
Aquele que testifica estas coisas diz: Sim, venho sem demora. Amém; vem, Senhor Jesus.
Vamos ter uma palavra de oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos nesta manhã em Teu precioso e glorioso nome, temos a certeza de que Tua presença está aqui conosco. Reconhecemos, Senhor, que estamos em solo santo. Tiramos os nossos calçados, permanecendo diante de Ti como Teus servos, olhando para Ti e ouvindo a voz do nosso Mestre.
Fala, pois os Teus servos ouvem. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Queridos irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor por nos reunir neste momento tão crítico. Sentimos que é por Sua graça e misericórdia que Ele nos concede o privilégio, mesmo nesta hora tão avançada, de termos a oportunidade — talvez a última — de ser preparados para o iminente retorno de nosso Senhor.
A oração do nosso coração é que essa questão de aguardar e apressar o retorno de nosso Senhor não seja apenas um tema que consideramos juntos. Nossa oração é que isso seja uma realidade e produza efeito em cada um dos que foram redimidos pelo Senhor.
Nesta manhã, queridos irmãos e irmãs, gostaríamos de considerar juntos a perspectiva de Sua segunda vinda.
Todos nós sabemos que, na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho a este mundo, nascido de mulher, nascido sob a lei, para nos libertar da escravidão da lei e para que recebêssemos a filiação. Como nós O louvamos e Lhe agradecemos! Como somos gratos pelo que Ele fez por nós há mais de dois mil anos!
Ele veio. O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade.
Em Sua primeira vinda a este mundo perverso e corrompido, Ele veio, antes de tudo, revelar Seu Pai. Em João 1:18, lemos:
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Graças a Deus, Ele veio revelar Seu Pai — mostrar-nos Quem Deus realmente é: como Ele é cheio de compaixão, cheio de amor, disposto a perdoar e disposto a salvar.
Ele veio a este mundo para anunciar o evangelho aos necessitados, aos pobres e aos mansos. Em Isaías 61, lemos como Deus O ungiu para anunciar o evangelho aos mansos, libertar os prisioneiros e proclamar o dia do jubileu.
Isso se cumpriu literalmente quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo. Quando Ele começou Seu ministério em Nazaré, entrou na sinagoga. Segundo o costume daquele tempo, deram-Lhe o rolo de Isaías. Ele o abriu, encontrou a passagem de Isaías 61 e leu como havia sido ungido do alto, como viera anunciar o evangelho aos pobres, libertar os prisioneiros e proclamar o dia do jubileu — o dia da libertação.
Mas, graças a Deus, Ele não terminou a frase. Parou na proclamação do jubileu, sem prosseguir até o dia do juízo, o dia da vingança. Enrolou o livro e disse:
Hoje se cumpriu esta Escritura.
Como nós Te louvamos e Te agradecemos por termos o evangelho! Ele veio salvar os perdidos. Veio nos libertar, para que fôssemos redimidos.
E então Ele foi para a cruz. Foi crucificado em nosso lugar. Aquele que não conheceu pecado foi feito pecado por nós, para que nos tornássemos justiça de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, quando revemos o que nosso Senhor Jesus realizou por nós em Sua primeira vinda, como devemos a Ele a nossa própria vida, tudo o que somos e temos! Somos gratos. Agradecemos a Ele porque, na cruz do Calvário, levou nossos pecados em Seu corpo.
Como Ele sofreu — não apenas pelas mãos dos homens e pelos ataques das trevas, mas, mesmo naquelas últimas horas, foi abandonado pelo Pai por nossa causa. Antes de morrer, clamou:
Está consumado.
Queridos irmãos e irmãs, como é doce ouvir essas palavras:
Está consumado.
Tudo aquilo que Seu Pai O encarregara de fazer em Sua primeira vinda foi cumprido. Está feito.
E isso é comprovado por Sua ressurreição dentre os mortos e Sua ascensão ao céu. Agora Ele está assentado com Seu Pai naquele trono nas alturas. Está assentado porque a obra foi concluída.
Irmãos e irmãs, no que diz respeito à obra da nossa redenção, no que diz respeito à primeira vinda de nosso Senhor Jesus a este mundo, Ele fez tudo. Tudo está consumado. Somos os beneficiários de Sua obra consumada. Já não há condenação. Fomos redimidos. Tornamo-nos filhos de Deus. Louvado seja Deus — Ele realizou tudo isso.
Então, irmãos e irmãs, a pergunta é: se está consumado, se em Sua primeira vinda Ele fez tudo o que precisava ser feito e o cumpriu, por que deveria vir novamente?
Já pensamos nessa pergunta? Por que nosso Senhor Jesus, que concluiu Sua missão em Sua primeira vinda, deveria voltar uma segunda vez? Por quê?
A única resposta está nessa questão do propósito eterno de Deus. Irmãos e irmãs, antes mesmo da fundação do mundo, antes mesmo de existir o tempo, naquele passado eterno, Deus Pai tinha um propósito.
Ele o propôs em Si mesmo. Propôs segundo o Seu beneplácito — aquilo que Lhe agrada. Tudo o que Ele fez, está fazendo ou fará é segundo esse propósito. Qual é esse propósito?
Em outras palavras, antes mesmo da fundação do mundo, Deus estabeleceu um propósito e, ao longo do tempo, tem trabalhado para realizá-lo. Ele nunca Se desviou dele. Está trabalhando em direção a esse propósito até que seja cumprido.
Portanto, irmãos e irmãs, o importante é compreendermos esse propósito. Se não compreendermos o propósito eterno de Deus, que governa tudo o que Ele faz, nunca seremos capazes de conhecer verdadeiramente a Deus, de conhecer Seu coração, e nunca seremos capazes de cooperar com Ele.
Encontramos isso em Efésios 1:9-11:
Fazendo-nos conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs Nele, para a dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão na terra; Nele, digo, em Quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados segundo o propósito Daquele que opera todas as coisas conforme o conselho da Sua vontade.
Antes mesmo de existir o tempo, Deus tinha um propósito em Seu coração, e esse propósito diz respeito ao Seu Filho amado. Nosso Deus tem um Filho amado. Todo o Seu amor está centrado nesse Filho, e Ele ama tanto Seu Filho que deseja dar-Lhe tudo.
Nesse propósito, Ele deseja que Seu Filho reúna todas as coisas — as que estão nos céus e as que estão na terra. Deseja reunir tudo no céu e na terra, tudo o que vocês possam imaginar, para que Seu Filho encabece e reúna todas as coisas.
Em outras palavras, tudo declarará a glória de Seu Filho. Tudo será entregue e submetido ao Seu Filho amado. Foi de acordo com esse propósito eterno que Ele começou a criar.
Irmãos e irmãs, hoje já vemos todas as coisas debaixo dos pés de nosso Senhor Jesus? É verdade que Ele ascendeu às alturas e está assentado à direita de Seu Pai, mas ali está esperando até que tudo Lhe seja submetido.
Portanto, irmãos e irmãs, há algo que ainda não está concluído. Embora em Sua primeira vinda Ele tenha concluído tudo o que Seu Pai O enviara para fazer e tenha lançado o fundamento de tudo, no que diz respeito ao cumprimento do propósito eterno de Deus, ainda há algo pendente.
No propósito eterno de Deus, o homem está incluído, pois Deus criou o homem à Sua própria imagem e conforme a Sua própria semelhança. Podemos nos perguntar por que, dentre toda a criação, incluindo os anjos, somente o homem foi criado à imagem de Deus e conforme a Sua semelhança.
Isso acontece porque Ele deseja que o homem seja a noiva de Seu Filho. O homem foi destinado a ser o companheiro de vida de Seu Filho. Ele sabe que Seu Filho deseja compartilhar com alguém tudo o que o Pai Lhe deu. Esse é o coração do Filho — um coração de amor. Por isso, Ele criou o homem de acordo com esse propósito.
Mas, queridos irmãos e irmãs, observem a condição do homem. Quando Ele veio pela primeira vez, segundo o Evangelho de João, veio como um Noivo à procura de Sua noiva. João Batista era o amigo do Noivo, preparando Seu caminho. Mas, quando nosso Senhor Jesus veio à procura de Sua noiva, o que encontrou?
Se lermos os Evangelhos, parece que todos os que Ele encontrava eram pessoas enfermas, surdas, coxas, aleijadas, paralíticas, leprosas, moribundas e mortas. Como poderia o homem, nessa condição, ser a noiva do Filho amado de Deus, que é santo, justo, puro, glorioso e cheio de amor?
Irmãos e irmãs, podemos nos perguntar por que, nos Evangelhos, quando nosso Senhor estava na terra, por onde quer que fosse, encontrava pessoas pobres, enfermas, fracas e moribundas. Essa é a condição do homem. É por isso que Ele veio: para salvar os perdidos, resgatar-nos, tornar-nos adequados a Ele, transformar-nos e conformar-nos à Sua própria imagem, para que pudesse nos ter como Sua noiva.
Se lermos Efésios 5, veremos que a Bíblia nos diz como Ele amou a igreja e Se entregou por ela; como a lava com a água da Palavra e procura torná-la sem mancha, sem ruga, nem coisa semelhante — santa e irrepreensível — para que esteja apta a ser Sua noiva. Esse é o propósito de Deus.
Irmãos e irmãs, isso já se cumpriu? É verdade que nosso Senhor Jesus veio, morreu na cruz e levou nossos pecados. Fomos redimidos, fomos salvos e temos a vida eterna. Mas onde estamos hoje? Temos sido transformados? Temos assumido a imagem de nosso amado Senhor, ou ainda permanecemos em nosso velho eu, na vida adâmica?
Irmãos e irmãs, algo precisa ser feito. Algo precisa se tornar realidade antes que o propósito de Deus para a igreja possa ser cumprido.
Olhem para o mundo hoje. O mundo está melhorando? Não, está piorando. Encontramos pecado, violência e iniquidade por toda parte.
Em Colossenses 1:20, lemos:
E, por meio Dele, reconciliar Consigo mesmo todas as coisas, havendo feito a paz pelo sangue da Sua cruz; por meio Dele, digo, quer as coisas que estão na terra, quer as que estão nos céus.
Em outras palavras, nosso Senhor Jesus, na cruz, pelo sangue de Sua cruz, reconciliou todas as coisas Consigo mesmo. A expressão “Consigo mesmo”, se vocês lerem o antecedente, refere-se à Sua plenitude.
Um dia, toda a criação — todas as coisas no céu e na terra — será reconciliada e restaurada. Estamos entrando na plenitude de Cristo. Isso significa que tudo manifestará Cristo. Todos os animais manifestarão Cristo. Todas as aves manifestarão Cristo, cantando Seus louvores.
Irmãos e irmãs, isso já aconteceu? É verdade que Ele reconciliou pelo sangue de Sua cruz. O fundamento já foi lançado, mas a obra ainda não está concluída. Deus continua trabalhando em direção a esse propósito.
Pensem em Israel, o povo escolhido de Deus. Deus fez uma aliança com eles por meio de Abraão, Isaque e Jacó.
Vejamos Isaías 2:1-4:
A palavra que Isaías, filho de Amoz, viu a respeito de Judá e Jerusalém. E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes e se elevará acima dos outeiros; e a ele afluirão todas as nações. E muitos povos irão e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó; e Ele nos ensinará os Seus caminhos, e andaremos nas Suas veredas: porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. E Ele julgará entre as nações e decidirá a respeito de muitos povos; e converterão as suas espadas em relhas de arado e as suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.
Agora, irmãos e irmãs, a aliança de Deus com Seu povo escolhido está cumprida hoje?
Vamos a Romanos 11:25-27:
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que um endurecimento parcial sobreveio a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios; e assim todo o Israel será salvo; como está escrito: De Sião virá o Libertador; Ele afastará de Jacó a impiedade; e esta será a Minha aliança com eles, quando Eu tirar os seus pecados.
Agora, irmãos e irmãs, todo o Israel já foi salvo? Ainda há algo aguardando conclusão.
Agora olhem para Satanás e seus poderes malignos. O que aconteceu com eles? Nosso Senhor Jesus disse em João 12 que, quando Ele fosse levantado, Satanás, o deus deste mundo, seria expulso. Em Colossenses 2, lemos que Ele despojou os principados e potestades, expôs publicamente esses poderes e triunfou sobre eles pela cruz.
Em outras palavras, quando Cristo morreu na cruz, Ele não apenas perdoou nossos pecados e reconciliou o mundo, mas também expulsou Satanás. Em vez de continuar sendo o deus deste mundo, ele foi expulso, e todos os seus poderes malignos foram levados cativos. Deus já os expôs publicamente por meio da cruz.
Mas, irmãos e irmãs, se vocês olharem para o mundo hoje, nesse mundo invisível encontrarão Satanás ainda trabalhando muito ativamente. Suas forças parecem dominar o mundo. O que aconteceu? Ele está travando sua última luta.
Está chegando o dia em que ele será lançado no lago de fogo. Mas ainda há algo sendo realizado.
Agora, à luz de todas essas coisas no propósito eterno de Deus, podemos ver muito claramente que, embora na primeira vinda de nosso Senhor Jesus Ele tenha de fato concluído a obra que fora enviado para fazer, Ele apenas lançou o fundamento. No que diz respeito ao cumprimento do propósito eterno de Deus, ainda há algo mais a ser feito.
E, irmãos e irmãs, é por isso que encontramos na Palavra de Deus duas etapas da vinda de nosso Senhor Jesus. Há dois mil anos, na plenitude do tempo, Ele veio lançar o fundamento. Depois, novamente na plenitude do tempo, Ele virá para reunir em Si mesmo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra.
Sua volta é indispensável.
Quando o povo judeu lia o Antigo Testamento, os fariseus e rabinos o conheciam muito bem. Ficamos envergonhados, porque, quando o rei Herodes lhes perguntou onde nasceria o Salvador, o Messias, eles responderam imediatamente, sem consultar uma concordância, que Ele nasceria em Belém. Isso está registrado nos Profetas Menores.
Mas uma coisa os deixava perplexos. Quando liam Isaías 53, encontravam Alguém que tomou sobre Si nossas dores e levou nossas iniquidades, Alguém que foi esmagado até mesmo por Deus, Alguém que sofreria de maneira tão intensa e tão completa. No entanto, Ele deveria ser o Messias.
Os fariseus e escribas não conseguiam acreditar nisso. Não conseguiam entender por que o seu Messias, por Quem esperavam, teria de ser um Messias sofredor. Isso estava além de sua compreensão. Não queriam acreditar, por isso procuravam outras maneiras de explicar a passagem. Seria Israel, ou seria outra coisa? Mas não queriam reconhecer que essa era uma profecia a respeito de seu Messias.
A passagem em que se alegravam não era Isaías 53, mas Isaías 63. Em Isaías 63, lemos sobre o Messias conquistador:
Quem é Este que vem de Edom, com vestes tingidas de Bozra? Este que é glorioso em Sua vestidura, marchando na grandeza da Sua força? Sou Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelha a Tua vestidura, e as Tuas vestes como as daquele que pisa no lagar? Eu sozinho pisei no lagar; e dos povos não houve homem algum Comigo; sim, Eu os pisei na Minha ira e os esmaguei no Meu furor; e o seu sangue salpicou as Minhas vestes, e manchei toda a Minha vestidura. Porque o dia da vingança estava no Meu coração, e o ano dos Meus redimidos é chegado.
Os judeus daquela época acreditavam em um Messias conquistador — um Messias que viria e os redimiria, um Messias que viria e faria deles a primeira entre as nações. Como conciliar esses dois aspectos do mesmo Messias?
Novamente, vocês leem o Salmo 22, e ali encontram Davi falando de Alguém que sofreria tanto. Era um sofrimento desconhecido naquele tempo, pois a crucificação foi inventada pelo Império Romano. No entanto, há uma profecia sobre Alguém que sofreria, e o sofrimento ali descrito não corresponde a nenhum outro tipo de sofrimento, senão à crucificação.
Mas, ao mesmo tempo, no Salmo 2, encontramos o Rei conquistador:
Por que se enfurecem as nações, e os povos meditam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os governantes conspiram juntos contra o Senhor e contra o Seu Ungido. Aquele que está assentado nos céus Se rirá; o Senhor zombará deles. Eu, porém, estabeleci o Meu Rei sobre o Meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o Senhor Me disse: Tu és Meu Filho; Eu hoje Te gerei. Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança, e os confins da terra por Tua possessão. Tu os quebrarás com uma vara de ferro; Tu os despedaçarás como um vaso de oleiro.
Portanto, mesmo no livro dos Salmos, encontramos esses dois aspectos. No Salmo 2, temos o Rei conquistador, mas no Salmo 22, temos o Messias sofredor. No Antigo Testamento, há muitas profecias a respeito não apenas da primeira vinda de nosso Senhor Jesus, mas também de Sua segunda vinda.
Quando nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele gostava de falar por parábolas. Isso se devia à incredulidade do homem. Mas, graças a Deus, àqueles que creem Ele explica Suas parábolas e mostra as profundezas de Seu segredo.
Conhecemos bem a parábola dos talentos em Mateus 25. O senhor chamou seus servos e lhes deu talentos segundo a capacidade de cada um: a um, cinco; a outro, dois; e a outro, um. Então o senhor partiu.
Quando ele voltou, seus servos vieram e prestaram contas. Aquele que recebera cinco talentos ganhou mais cinco; o que recebera dois ganhou mais dois; mas o que recebera um enterrou seu talento. Mesmo nessa parábola, o Senhor estava nos mostrando que partiria e que, durante Sua ausência, aqueles que são Seus servos deveriam se ocupar diligentemente de Seus negócios.
Encontramos a mesma coisa na parábola das minas, em Lucas 19. O senhor ia se ausentar por muito tempo e entregou seus bens a dez servos, uma mina a cada um. Mas, depois de muito tempo, ele voltou, e todos vieram prestar contas.
Portanto, irmãos e irmãs, nas parábolas encontramos várias indicações de que Ele virá novamente. Sua volta é muito, muito importante, porque será a conclusão de tudo.
Então nos lembramos do discurso no monte das Oliveiras. Antes de Sua morte, certo dia Ele e Seus discípulos estavam saindo de Jerusalém, depois de terem visitado o templo. Ao saírem, Seus discípulos mostraram ao Senhor como aquele templo era belo e glorioso. Mas nosso Senhor Jesus disse tranquilamente:
Virá o dia em que não ficará pedra sobre pedra.
Quando os discípulos ouviram isso, creio que ficaram chocados, porque, para os judeus, o templo era eterno. Era a morada de Deus. Como poderia ser destruído, completamente destruído, sem ficar pedra sobre pedra? Isso era inacreditável, mas eles não ousaram dizer nada.
Depois que nosso Senhor Jesus os levou ao monte das Oliveiras e Se assentou, quatro de Seus discípulos mais próximos se aproximaram discretamente e Lhe perguntaram quando essas coisas aconteceriam. Em Mateus 24–25, Ele proferiu o discurso no monte das Oliveiras e, durante esse discurso, falou-lhes de Sua vinda — Sua parousia.
Como foram os dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem.
A palavra “vinda” ali é parousia. Em grego, parousia significa “presença”.
Naquele momento, Ele sabia que em breve estaria ausente. Deixaria Seus discípulos e voltaria para Seu Pai, mas prometeu que viria novamente.
Como foram os dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem.
Como aconteceu nos dias de Ló, assim será a vinda do Filho do Homem.
Parousia significa presença, e a palavra “presença” indica um período de tempo que inclui uma série de acontecimentos. A parousia não é apenas um acontecimento; não é algo que ocorre em um único instante. Ela abrange um período de tempo e inclui uma série de acontecimentos. A parousia tem um início, e a parousia tem um fim.
Queridos irmãos e irmãs, é por isso que as pessoas hoje ficam tão confusas quando falamos da segunda vinda de nosso Senhor Jesus. Nos séculos anteriores, os compositores de hinos escreviam que um dia a trombeta soaria, haveria um brado e a voz de anjos, e nosso Senhor Jesus viria em glória com miríades de anjos.
Esse é o dia pelo qual esperamos. Mas, irmãos e irmãs, falando com toda franqueza, isso já é um pouco tarde demais. Isso choca vocês? Não, porque a parousia é um período de tempo. Ela inclui vários acontecimentos.
Lembrem-se de Atos 1. Nosso Senhor Jesus estava com Seus discípulos no monte das Oliveiras. Ali eles viram nosso Senhor Jesus ser elevado às alturas. Todos os olhos dos galileus estavam voltados para cima, olhando para cima, vendo-O subir gradualmente. Então veio uma nuvem. Ele foi elevado numa nuvem, e já não podiam vê-Lo. Mas continuavam olhando para cima.
Atos nos diz que dois homens vestidos de branco apareceram e disseram:
Varões galileus, por que estais olhando para o céu? Não sabeis que Aquele que foi elevado voltará da mesma maneira?
Em outras palavras, quando nosso Senhor Jesus foi elevado, Sua ascensão ocorreu em duas etapas. A primeira foi do monte das Oliveiras até a nuvem — visível. A segunda foi da nuvem até o trono — invisível.
Como sabemos que Ele chegou ao trono? Aqueles que não creem podem dizer, como disseram os filhos dos profetas a respeito de Elias: “Talvez Deus O tenha levado e lançado em algum monte”. Irmãos e irmãs, não. Ele chegou ao trono. Como sabemos? Onde está a prova? Há duas provas.
Primeiro, o Espírito Santo desceu no dia de Pentecostes. Como isso aconteceu? Porque, quando nosso Senhor Jesus foi elevado ao Pai, a Bíblia nos diz que Ele foi ungido para ser Senhor e Cristo.
É como o óleo que caiu sobre a cabeça de Arão e desceu, cobrindo todo o corpo. Irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus ascendeu ao trono, o Pai derramou o Espírito Santo sobre Ele e O ungiu como Cabeça de todas as coisas. Então, no dia de Pentecostes, esse óleo fluiu para o corpo e continua fluindo para cada membro do corpo de Cristo. Graças a Deus por isso. Essa é a prova.
Segundo, se vocês lerem Apocalipse 5, encontrarão o Cordeiro, recém-morto, em pé diante do trono. Ele tomou o livro da mão de Deus e abriu os selos para reivindicar o mundo para Si e colocar todas as coisas debaixo de Seus pés. Portanto, sabemos que Ele chegou.
Irmãos e irmãs, vocês se perguntam por que encontramos dois sinais de Sua vinda? Em Mateus 24:27, nosso Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que, quando as pessoas disserem: “Cristo está aqui”, não creiam. Pois, quando Ele vier, virá como o relâmpago que brilha do oriente ao ocidente. Todos o verão.
Esse é o cumprimento do que Ele disse: virá em glória com Suas miríades de anjos e virá para julgar o mundo. Virá como um relâmpago. Todos o verão.
Mas, no mesmo capítulo, no versículo 37, Ele diz que vem como um ladrão. Dois podem estar dormindo, dois podem estar moendo o grão, e dois podem estar trabalhando no campo. Um é levado, e o outro é deixado.
Vigiai, pois não sabeis quando virá o ladrão.
Se vocês vigiarem, então saberão. Irmãos e irmãs, posso lhes perguntar: um ladrão, antes de vir, toca a trombeta e diz: “Estou chegando”? Curiosamente, o ladrão parece sempre saber quando vocês não estão vigiando. Ele virá e levará — não o seu lixo, mas o seu tesouro.
Portanto, irmãos e irmãs, vemos que a parousia tem um início e um fim. No início, Ele virá como um ladrão — de repente.
Em todo o mundo, porque a terra é redonda, para alguns será meia-noite e estarão sonolentos; para outros será de manhã cedo e estarão moendo o grão; e para outros será meio-dia e estarão trabalhando no campo. Os dois representam os santos que estarão vivos na ocasião da vinda do Senhor.
Ao longo dos séculos, mesmo no primeiro século, irmãos e irmãs, aqueles que amavam o Senhor esperavam por Sua vinda. Durante o primeiro e o segundo séculos, quando os cristãos eram perseguidos, eles se saudavam e encorajavam uns aos outros dizendo: “O Senhor está vindo”. Mas Ele não veio.
Em cada século, em cada geração, aqueles que amavam o Senhor esperavam por Sua vinda. Ele poderia ter vindo no primeiro século. Poderia vir no século XX. Poderia vir a qualquer momento. Se a plenitude do tempo chegou, se Sua noiva está pronta, o Noivo virá.
Queridos irmãos e irmãs, estamos vivendo neste tempo crítico. É o tempo mais perigoso — quase meia-noite. É difícil permanecer acordado, mas Ele está vindo.
Um dia — que seja hoje —, de repente, pela graça de Deus, todos nós aqui desapareceremos, levados ao trono. Isso é Apocalipse 12, o filho varão.
Irmãos e irmãs, hoje o dragão, o inimigo, não se importa com o chamado cristianismo. O que realmente o preocupa é se o filho varão vai nascer. Ele quer devorar esse filho varão, porque esse filho varão marca o início de seu fim.
Graças a Deus, quando o filho varão nasce, imediatamente é levado ao trono. É com isso que realmente nos preocupamos, irmãos e irmãs. Estamos aguardando e apressando a vinda do Senhor?
É por isso que estamos aqui. Não estamos aqui buscando glória ou recompensas. Não. Buscamos ser aqueles que preparam Sua vinda.
Assim como nos dias de Sua primeira vinda, havia Zacarias e Isabel, um casal idoso. Havia José e Maria. Havia Simeão e Ana. Aqui e ali, apenas alguns — mas estavam esperando pelo Messias.
Oh, que estejamos entre essas pessoas! O que devemos fazer?
Em 1 Tessalonicenses 1:10, aqueles crentes tessalonicenses abandonaram seus ídolos. Creram no Senhor Jesus e aguardavam Sua vinda.
Não foi Ele que nos libertou da adoração aos ídolos? Qualquer coisa que rivalize com o Filho é um ídolo. Não foi Ele que nos salvou e nos redimiu para Si mesmo? Estamos aguardando Sua vinda?
Oh, que vigiemos como uma virgem pura à espera de seu amado! Oh, que vigiemos! Ou estamos tão ocupados com todas as coisas, com tantas coisas deste mundo, que nosso coração se deixa seduzir?
Como diz Lucas 21:36:
Vigiai e orai.
Para que sejamos livres de todas essas coisas e estejamos diante da presença de nosso amado Senhor.
Queridos irmãos e irmãs, a pergunta urgente é esta: teremos o privilégio de ser o povo, a comitiva de boas-vindas, por assim dizer, para a vinda do Senhor? Teremos de ser deixados para trás?
Que o Senhor nos prepare. Vamos orar.
Ó Deus, nosso Pai, ficamos maravilhados com Teu glorioso propósito, que estabeleceste antes mesmo da fundação do mundo. Tu nunca Te desviaste dele.
Agradecemos a Ti por teres enviado Teu Filho a este mundo há dois mil anos para lançar o fundamento. E, Senhor, sabemos que estás voltando para concluir a obra.
Tem misericórdia de nós, para que não sejamos servos descuidados, sonolentos, preguiçosos e infiéis. Ó querido Senhor, toca o nosso coração.
Capacita-nos a deixar de lado todo peso e o pecado que tão facilmente nos envolve. Volta o nosso coração inteiramente para Ti, Senhor.
Ó Amado, vem. Estamos esperando. Toma-nos, Senhor, para Ti mesmo. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.