Vamos fazer mais uma oração.
Senhor, nós nos alegramos na Tua presença hoje. Senhor, não pertencemos a nós mesmos, mas somos Teus. Somos gratos porque fomos comprados por um preço, transferidos do reino das trevas e trazidos para o reino do Teu Filho amado, com um propósito grandioso e maravilhoso.
E, Senhor, ao continuarmos assentados aos Teus pés neste tempo, abrimos o nosso coração a Ti, para que o Teu Espírito Santo tenha plena liberdade nesta hora. Senhor, nós Te agradecemos porque ainda se chama hoje, porque Tu estás falando e trabalhando. E pedimos que tenhamos ouvidos para ouvir o que o Espírito diz à igreja nesta hora.
Em Teu precioso nome, amém.
Gostaria que voltássemos a 2 Coríntios 11. Compartilhei esses versículos há alguns meses, tratando deste pensamento: o Senhor deseja que voltemos e permaneçamos naquele lugar de simplicidade e pureza em nossa devoção a Ele.
Sabemos que esta hora e estes dias em que estamos vivendo são um tempo de grande confusão. Muitas coisas estão tentando entrar e nos roubar a nossa posição e as riquezas que temos no Senhor. Agradecemos ao Senhor porque, assim como Paulo tinha um coração tão voltado para aqueles queridos irmãos em Corinto, esse mesmo coração se estende a nós hoje.
Vamos ler 2 Coríntios 11:1-3:
Quisera eu que me suportásseis em um pouco de insensatez; mas, de fato, vós me suportais.
Porque zelo por vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só esposo, para vos apresentar a Cristo como uma virgem pura.
Mas receio que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, a vossa mente seja desviada da simplicidade e da pureza da devoção a Cristo.
Paulo usa algumas palavras intensas aqui, como zelo. Havia um anseio no coração de Paulo, porque ele havia passado bastante tempo — talvez um ano e meio, mais ou menos — com aqueles queridos irmãos em Corinto. Ele os amava muito, mas via algumas coisas se infiltrando.
A partir desse coração de amor, ele clama a eles: não compliquem tanto as coisas. Não se envolvam em tantas coisas. Uma só coisa é necessária. Voltem e permaneçam naquele lugar de simplicidade e pureza da sua devoção a Cristo.
Irmãos e irmãs, essa é uma lição fundamental que precisa se tornar muito real em nossa vida, especialmente nos dias em que estamos vivendo. Vemos tantas coisas sendo abaladas. Vemos coisas nas quais antes podíamos confiar, coisas nas quais antes tínhamos segurança. Tudo o que é exterior está se desgastando. Mas, louvado seja Deus, Ele permanece o mesmo para sempre.
Ele quer que conheçamos verdadeiramente esse lugar de descanso e segurança, porque nos colocou nele com um propósito. Enquanto eu examinava esses versículos, e mesmo enquanto orávamos pela conferência, isso se relacionou com o desejo de Pedro em 2 Pedro 3:11:
Que tipo de pessoas deveis ser em santo procedimento e piedade?
Há uma simplicidade e uma pureza que se manifestam na piedade e na santidade.
Paulo conhecia a si mesmo e conhecia bem aqueles irmãos. Ele clama a eles: “Isso está realmente no meu coração. Estou preocupado que vocês sejam desviados, que o inimigo entre e os desvie dessa simplicidade e pureza”.
Queremos que essas palavras também sondem o nosso coração — não de alguma maneira abstrata. Quando falamos de simplicidade e pureza, quando falamos de piedade e santidade, não estamos falando de algo abstrato. Deus deseja que isso se torne muito real.
Na verdade, piedade e santidade, simplicidade e pureza, são simplesmente a vida do nosso Senhor Jesus Cristo sendo vivida em nós. Como permanecemos em um lugar de simplicidade? Como permanecemos em um lugar de pureza? É dizendo não a nós mesmos e sim a Ele. É a Sua vida sendo expressa.
É quando nós interferimos que a falta de santidade entra. É quando nós interferimos que entram todas as complicações e toda a mistura. Por isso, oramos e agradecemos porque ainda temos tempo. Ainda se chama hoje.
Como fomos desposados com Ele e estamos aguardando o retorno glorioso do nosso Senhor, este é um tempo de nos mantermos puros. É um tempo de preparação. É um tempo de amadurecimento. É um tempo de crescimento no Senhor, para que sejamos até mesmo vasos que apressem a Sua volta.
Ah, como o Senhor anseia por voltar! A limitação não está do lado Dele. Ele deseja que a noiva se prepare. Seremos aqueles que voltam a esse lugar de simplicidade e pureza?
Agora, para compreendermos melhor o que isso significa em nossa vida diária, queremos olhar para o Antigo Testamento. Uma coisa é falar de simplicidade e pureza, mas o que isso realmente significa para nós?
Houve um período no Antigo Testamento em que aqueles queridos que haviam sido tirados do Egito e levados à terra prometida — àquele lugar da habitação de Deus, com todas as suas riquezas, beleza e glória — abandonaram a simplicidade de tê-Lo como o único Deus vivo. Começaram a servir aos próprios desejos e aos ídolos, e a mistura entrou.
Sabemos que o Senhor, em Seu juízo e em Sua misericórdia, os levou para a Babilônia. Mas, louvado seja Deus, mesmo no juízo o Senhor Se lembra da misericórdia, porque Ele tem um propósito e vai cumpri-lo.
O povo de Israel passou setenta anos na Babilônia. Como Bill compartilhou conosco, Babilônia significa balbúrdia ou confusão, o completo oposto da simplicidade e da pureza.
Vemos no mundo hoje, e no cristianismo de hoje, tanta mistura e tanta confusão. Um diz: “Este é o Cristo”. Outro diz: “Este é o Cristo”. Como podemos saber?
Aqueles que têm esse relacionamento íntimo com Ele conhecem a voz do Pastor. Conhecemos a voz do nosso Pastor? Estamos ouvindo as muitas vozes? Há uma só voz nos conduzindo adiante. Que o Senhor nos atraia de volta, para que nossos ouvidos estejam atentos à Sua voz nesta hora.
Depois daqueles setenta anos de cativeiro na Babilônia, o Senhor levantou o rei Ciro, que disse que qualquer pessoa do povo de Israel que desejasse voltar a Jerusalém para edificar a casa de Deus estava livre para ir.
Havia milhões no cativeiro naquela época, e todos receberam liberdade para voltar. Mas, tragicamente, apenas cerca de cinquenta mil escolheram retornar. Podemos ler a história desse período em Esdras, Neemias e Ester. Também temos três profetas associados àquele tempo: Ageu, Zacarias e Malaquias.
Quando o povo de Deus voltou a Jerusalém, reconstruiu o altar e começou a reconstruir a casa. Mas, depois de cerca de dois anos, parou. Durante quinze anos, aquela casa permaneceu desolada.
Eles haviam sido chamados de volta com um único propósito: edificar a casa de Deus. Ao fazerem isso, estariam preparando o caminho para a primeira vinda do nosso Senhor.
De maneira semelhante, irmãos e irmãs, fomos chamados de volta à simplicidade e à pureza da nossa devoção a Cristo. Fomos chamados com um propósito. Por que fomos chamados a Ele? Para que a Sua casa seja edificada; para que Ele tenha materiais que façam parte dessa casa e habitação; para que a Sua vida seja expressa entre o povo de Deus nesta hora.
Por meio disso, haveria a preparação para a Sua segunda vinda, e ela seria apressada. Mas, tragicamente, em Esdras, depois daqueles dois anos, eles pararam de edificar e ficaram quinze anos sem fazê-lo.
Então, voltaram a edificar por meio do ministério e das profecias de Ageu e Zacarias. O Senhor falou ao coração deles, e eles se levantaram e reconstruíram.
Mais tarde, perto do final de Neemias, eles estavam cumprindo muitas formas e rituais exteriores, mas haviam perdido o sentido do primeiro amor. Haviam perdido o espírito, o poder e a vida de Deus. Nessa situação, o Senhor levantou Malaquias.
Ao considerarmos como manter a simplicidade e a pureza da nossa devoção a Cristo, queremos olhar para esses três profetas e permitir que falem ao nosso coração e à nossa vida acerca das lições e das coisas que o Senhor lhes apontou. Depois, queremos permitir que isso se traduza em nossa vida e ver como nos afeta hoje.
O Antigo Testamento é uma figura, e há muitas coisas que podemos aprender com ele. Queremos aprender essas lições.
É importante perceber que cada um desses profetas tratou de uma questão abrangente: a questão do primeiro amor. Fosse Ageu dizendo: “Considerai os vossos caminhos”; Zacarias dizendo: “Voltai para Mim”; ou Malaquias dizendo: “Eu vos tenho amado” — havia uma questão de coração relacionada ao primeiro amor.
Havia uma simplicidade, uma pureza e uma devoção do primeiro amor que haviam se apagado durante aquele tempo. O Senhor usou esses três homens para despertar o povo e trazê-lo de volta ao lugar em que, no início, tinha um coração tão voltado para Ele que as outras coisas não importavam em sua vida. Sua única preocupação era buscar o coração e a mente do Senhor.
É bom lembrarmos que as pessoas em Jerusalém eram as pessoas certas. Eram o povo escolhido de Deus. Estavam no lugar certo — o lugar que Deus havia escolhido para colocar o Seu nome. Estavam em Jerusalém.
Eram as pessoas certas, no lugar certo, e estavam ali com o propósito certo: edificar a casa de Deus. Mas haviam parado.
Por isso, precisamos olhar para nós mesmos hoje. Irmãos e irmãs, somos as pessoas certas? Somos as pessoas certas não por causa de nós mesmos, mas porque fomos escolhidos. Fomos redimidos pelo sangue do Cordeiro e estamos em Cristo. Nele, temos todas as riquezas de Cristo. Fomos feitos as pessoas certas — os escolhidos.
Estamos no lugar certo? Não estamos falando de localização física aqui, mas estamos na casa de Deus, nessa casa espiritual de Deus. Portanto, estamos no lugar certo.
E estamos aqui com o propósito certo? Creio que todos concordaríamos que o desejo de Deus é que a Sua casa seja edificada.
A pergunta é esta: se somos as pessoas certas, no lugar certo, com o propósito certo e o coração certo, por que não há uma manifestação maior da vida de Cristo nesta hora? É isso que está diante de nós, e que esses profetas falem conosco.
Primeiro, vamos abrir no profeta Ageu. Ageu é o terceiro livro a partir do final do Antigo Testamento: Malaquias, Zacarias, Ageu. Você precisa saber onde ele está, porque pode passar direto. Na maioria das Bíblias, tem cerca de uma página e meia.
Enquanto vocês procuram, nesta semana surgiu uma dúvida sobre como pronunciar o nome dele em inglês. Segundo o dicionário Merriam-Webster, há duas formas: “Haggai” ou “Haggi”. Ambas são aceitáveis. Então, como quer que vocês pronunciem, está bem; e como quer que eu pronuncie, também está bem — do jeito que sair.
Quem era Ageu? Segundo a tradição, a maioria acredita — e podemos perceber isso nas Escrituras — que ele era um homem idoso. Provavelmente havia visto o templo quando criança em Jerusalém, visto aquele templo original, e depois fora levado ao cativeiro. Portanto, provavelmente tinha oitenta anos ou mais.
Em seus oitenta anos de vida, vocês sabem quanto tempo durou o ministério público de Ageu? Quatro meses. Quatro meses — da primeira profecia até o final. Oitenta anos de vida e quatro meses de ministério público.
Mas quanto tempo durou o seu ministério oculto? Quanto tempo durou a sua vida oculta com o Senhor? Ele era um vaso preparado.
Há um testemunho acerca de Ageu — e isso não é dito de nenhuma outra pessoa no Antigo Testamento — de que ele era um mensageiro do Senhor. Em Ageu 1:13, ele é chamado de “mensageiro do Senhor”.
Em algumas traduções, lemos que ele era o mensageiro do Senhor, que a mensagem estava nele e que ele estava na mensagem. Havia unidade entre o que ele dizia e a sua própria vida. Ageu era um homem de caráter.
Como isso é vital para nós nestes dias! Muitas vezes podemos nos concentrar em ter uma grande mensagem, mas qual é o caráter do mensageiro? O Senhor procura a mensagem, sim, mas também procura o caráter do mensageiro — que a Sua vida seja expressa no mensageiro. A mensagem surge como um transbordamento da vida.
Ageu era muito fiel. Poderíamos dizer que o seu andar e o seu falar eram iguais. Essa é uma das coisas mais assustadoras quando compartilhamos a Palavra de Deus, porque imediatamente nos sentimos desqualificados. Sabemos que aquilo que está escrito aqui ainda não se desenvolveu plenamente em nossa vida.
Mas, louvado seja Deus, em Sua misericórdia podemos ter um coração ensinável. Que o Senhor ensine a todos nós de uma maneira mais plena e profunda. Às vezes há uma diferença entre a nossa mensagem e o caráter do mensageiro, mas todos estamos em processo. É preciso conceder muita graça enquanto estamos nesse processo e aprendendo.
Qualquer pessoa que já tenha compartilhado — seja ensinando aos domingos pela manhã, nas noites de sexta-feira, em grupos de jovens ou aqui — geralmente aprendeu muito mais do que aquilo que compartilha. Às vezes pensamos que somos nós que estamos falando, mas, na verdade, aprendemos e vimos. É uma bênção.
Como o Senhor deseja que o Seu caráter seja desenvolvido entre o povo de Deus!
Ao examinarmos o livro de Ageu, há duas questões gerais a destacar. Ageu fala à condição do povo. Ele fala à sua vida interior. Em Ageu, não há referência às obras do inimigo ou do adversário.
Ele trata da vida interior deles. Sabemos que, às vezes, o inimigo está muito ativo. Em Zacarias, vemos o inimigo ali, acusando Josué de ser indigno. Existe esse aspecto. Mas, em Ageu, o Senhor Se concentra na vida interior — em Sua vida sendo expressa entre o povo de Deus, na condição da vida interior deles.
É isso que o Senhor procura nesta hora: a manifestação da Sua vida. Muitas vezes podemos culpar o inimigo. É verdade que ele faz muita coisa, mas a condição em que o povo de Deus se encontrava nos dias de Ageu não era um problema causado pelo inimigo. A origem estava dentro deles.
Muitos dos nossos problemas têm sua origem dentro de nós, e é disso que o profeta Ageu trata.
Também é interessante que, em Ageu, não há ensino ou correção de doutrina. Eles conheciam a doutrina. Tinham o conhecimento. Todos diziam: “Sim, a casa precisa ser edificada. Sabemos por que estamos aqui”.
Em Ageu 2, faz-se a pergunta: vocês conseguem distinguir entre o santo e o profano de acordo com a lei? Eles disseram que sim: “Isto é santo; isto é profano”. Conheciam o ensino. Tinham o conhecimento. Não era necessária nenhuma correção nesse aspecto.
A questão era que o coração deles não estava no lugar certo. Não era uma questão de conhecimento; era uma questão de coração. A vida interior não estava bem. Esses são os dois fatores predominantes que vemos ao longo do livro de Ageu.
Vamos abrir em Ageu 1. Estou lendo a New American Standard Bible.
No segundo ano do rei Dario, no primeiro dia do sexto mês, veio a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo:
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Este povo diz: Ainda não chegou o tempo, o tempo de se reconstruir a casa do Senhor.
Então veio a palavra do Senhor, por intermédio do profeta Ageu, dizendo:
É tempo de habitardes vós em vossas casas revestidas de madeira, enquanto esta casa permanece desolada?
Agora, pois, assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
Tendes semeado muito, mas colheis pouco;
comeis, mas não há o suficiente para vos saciar;
bebeis, mas não há o suficiente para vos embriagar;
vestis roupas, mas ninguém se aquece o bastante;
e aquele que recebe salário o recebe para colocá-lo numa bolsa furada.
Assim diz o Senhor dos Exércitos: Considerai os vossos caminhos.
Subi aos montes, trazei madeira e reconstruí o templo, para que Eu Me agrade dele e seja glorificado, diz o Senhor.
Esperais muito, mas eis que vem a ser pouco; quando o trazeis para casa, Eu o dissipo com um sopro. Por quê? — declara o Senhor dos Exércitos. Por causa da Minha casa, que permanece desolada, enquanto cada um de vós corre para a sua própria casa.
Por isso, por vossa causa, o céu reteve o seu orvalho, e a terra reteve a sua produção.
Chamei a seca sobre a terra, sobre os montes, sobre o cereal, sobre o vinho novo, sobre o azeite, sobre o que a terra produz, sobre os homens, sobre o gado e sobre todo o trabalho de vossas mãos.
Então Zorobabel, filho de Sealtiel, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, com todo o restante do povo, obedeceram à voz do Senhor, seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, conforme o Senhor, seu Deus, o havia enviado. E o povo demonstrou reverência pelo Senhor.
Então Ageu, o mensageiro do Senhor, falou ao povo por ordem do Senhor, dizendo: Eu estou convosco, declara o Senhor.
Assim, o Senhor despertou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e o espírito de Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e o espírito de todo o restante do povo; e eles vieram e trabalharam na casa do Senhor dos Exércitos, seu Deus, no vigésimo quarto dia do sexto mês, no segundo ano do rei Dario.
Essas queridas pessoas do povo de Deus estavam reunidas em Israel no primeiro dia do sexto mês. O primeiro dia do mês era sempre a celebração da lua nova. Durante quinze anos, nada havia acontecido com a casa de Deus. Ela permanecia desolada.
O Senhor vinha tentando falar com eles, mas, naquele dia específico, no tempo de Deus e por Sua iniciativa, Ele levantou o profeta Ageu. Não há referência ao povo de Israel clamando a Deus por ajuda. Na verdade, ocorre justamente o contrário.
Se vocês olharem Ageu 2:17, o Senhor diz, depois de descrever tudo o que vinha fazendo para chamar a atenção deles:
Contudo, não voltastes para Mim.
Ele vinha tentando falar com eles por meio de circunstâncias adversas, mas eles não compreenderam.
Deus, em Sua misericórdia e em Seu grande amor, enviou Ageu. Aquelas circunstâncias adversas haviam sido uma expressão do Seu amor, procurando atraí-los de volta a Si mesmo. Mas eles não estavam respondendo.
Eles continuavam apresentando as ofertas. Ageu 2:14 fala das suas ofertas. Sabemos, por Esdras, que, quando voltaram, restauraram o altar, mantiveram o holocausto contínuo e restabeleceram a Festa dos Tabernáculos. Estavam cumprindo as formas exteriores.
No entanto, com a vida e com os lábios, diziam: “Ainda não chegou o tempo de edificar a casa de Deus”. Tinham a intenção de edificar. Tinham o ensino correto acerca da edificação da casa de Deus. Sabiam que era isso que Deus queria. Mas ainda não era o momento. Não era conveniente.
Não era inconveniente por causa da oposição; era inconveniente por causa do coração deles e das suas prioridades na vida. O Senhor fala com eles, dizendo: “Olhem para a Minha casa. Ela está desolada”. Então, em Ageu 1:4, Ele diz que estavam ocupados construindo suas próprias casas revestidas de madeira — suas belas casas.
Eles não construíam apenas coisas simples. As casas revestidas de madeira falavam de uma vida de luxo, dos esforços nos quais estavam investindo tudo de si, enquanto a casa do Senhor permanecia desolada.
Também vemos suas prioridades expostas em Ageu 1:9:
A Minha casa permanece desolada, enquanto cada um de vós corre para a sua própria casa.
Para o que vocês correm? Vocês correm para as coisas que amam. Correm para aquilo a que desejam chegar. A casa de Deus estava desolada, enquanto eles corriam para as próprias casas. Esse era o coração deles e essa era a sua prioridade.
A letargia espiritual havia entrado, e eles haviam sido capturados por um espírito de materialismo e de satisfação dos próprios desejos. “Queremos isto. Vamos ter isto. Sim, nós sabemos. Posso falar sobre a casa de Deus. Posso falar sobre o propósito de Deus. Ele quer que esta casa seja reconstruída. Ele nos libertou da Babilônia. Ele nos trouxe de volta para cá.”
Eles tinham todo o ensino, mas a questão era a vida interior. Estavam ali, parados. Não estavam edificando a casa de Deus.
Eles estavam colocando todo o esforço em tentar satisfazer a si mesmos. Mas o que estava acontecendo? Ageu 1:6-7 diz que semeavam muito, mas colhiam pouco. Recebiam salário, mas era como se tivessem um buraco no bolso. Comiam, mas não ficavam satisfeitos. Bebiam, mas não havia satisfação.
Todos os seus esforços não produziam satisfação, e, ainda assim, eles não compreendiam. Isso não os despertava. Trabalhavam muito, mas realizavam pouco.
Vemos o amor e o cuidado terno de Deus expressos enquanto Ele tentava chamar a atenção deles. Em Ageu 1:9, Ele diz:
Esperais muito, mas eis que vem a ser pouco; quando o trazeis para casa, Eu o dissipo com um sopro.
Quem estava dissipando aquilo? Deus estava dissipando aquilo, a partir de um coração de amor: “Olhem, essas coisas não vão satisfazer vocês. Acordem”.
Ele chega a dizer mais adiante, em Ageu 1:11:
Eu trouxe a seca.
Irmãos e irmãs, às vezes, ao olharmos para este país e orarmos nas noites de quarta-feira, podemos culpar o inimigo por todos os desastres e por tudo o que está acontecendo. Mas será que Deus está tentando chamar a nossa atenção e nos despertar?
Louvado seja Deus, no juízo Ele tem misericórdia. Há sinais e coisas acontecendo nesta hora. O povo de Deus estava no lugar certo. Eram as pessoas certas, com o propósito certo, mas não estavam compreendendo, porque o coração deles não estava no lugar certo.
Eles não tinham aquela vida. Havia uma busca pelos próprios interesses. Estavam tentando realizar tudo à sua própria maneira. Mas, louvado seja Deus, em Sua misericórdia, Ele enviou a Sua Palavra.
Louvado seja Deus, irmãos e irmãs, ainda se chama hoje, e Deus está falando.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
O que Ageu diz ao povo de Deus? Ele diz: “Considerai os vossos caminhos”. Literalmente, isso significa: “Ponde o vosso coração”. Olhem para dentro do coração. Ponham o coração no caminho certo. Não se trata de fazer malabarismos mentais. Trata-se de direcionar o coração.
Voltem ao primeiro amor. Subam ao monte. Neguem a si mesmos. Busquem a madeira e tragam de volta o material para a casa de Deus.
O grande encorajamento foi que, quando o povo de Deus respondeu, quando ouviu a Palavra, quando saiu o chamado ao arrependimento e o chamado para voltar ao primeiro amor, eles responderam. Deus Se manifestou e disse: “Eu estou com vocês”. Houve grande alegria.
Como tudo isso se aplica a nós hoje? Será que dizemos, não tanto com os lábios, mas com a vida: “Ainda não é tempo de edificar”?
Pelas escolhas que fazemos, pelas coisas que fazemos e pelas coisas em que nos envolvemos, será que dizemos: “Não é tempo de edificar a casa”?
Sabemos o suficiente para nunca dizer isso com os lábios. Mas o que a nossa vida testemunha? Todos sabemos que é desejo de Deus edificar a Sua casa. Ninguém está questionando isso. Temos o ensino. Temos o conhecimento. Sabemos que é propósito de Deus ter um vaso preparado para a Sua volta.
Mas não é o momento. Temos outras prioridades em nossa vida.
Como John compartilhou acerca da comunhão, ela é muito ativa e acontece no presente, para que tenhamos vida e expressemos essa vida juntos. “O que vi, o que ouvi, o que toquei, isso compartilho com vocês.” Há uma realidade presente — uma vida em interação —, esse relacionamento que primeiro temos com Ele e depois uns com os outros.
No entanto, mesmo enquanto temos tido comunhão com os irmãos nas noites de domingo, uma palavra tem surgido: desconectados. De alguma forma, há uma desconexão. Ainda não é tempo de edificar.
Estamos sendo edificados juntos como uma santa habitação para o Senhor no Espírito? Ou a nossa vida está dizendo: “Ainda não chegou bem a hora”? É bom termos desejo, querermos isto e aquilo. Mas isso tem se concretizado?
Somos como aquele povo nos dias de Ageu, ocupados construindo nossas próprias casas, acumulando nossas próprias fortunas, estabelecendo nossa segurança nesta terra, buscando bens materiais e carreiras?
Muitas vezes fazemos escolhas e não vemos consequências imediatas. Podemos adiar. Podemos dizer: “Não vou fazer isso agora, mas daqui a uns seis meses, depois que terminar isto, poderei servir ao Senhor”.
Se adiamos e não vemos uma consequência imediata, há uma consequência eterna quando um dia é perdido. Ah, que o Senhor nos ensine a contar os nossos dias, para que cada dia conte para Ele e para que possamos viver diariamente em Sua presença.
Que o Espírito Santo tenha liberdade em nós para reajustar as nossas prioridades e nos trazer de volta.
Quando olhamos ao redor, o que todos os nossos esforços nos trouxeram? Ao buscarmos isto e aquilo, encontramos felicidade? Encontramos segurança? Encontramos contentamento?
No entanto, somos exatamente como o povo nos dias de Ageu. Tentamos cada vez mais, e Deus, em Sua misericórdia e amor, dissipa tudo com um sopro. Então nos esforçamos um pouco mais, e Ele dissipa tudo.
Dizemos: “Ah, não tenho tempo. Não posso estar com os irmãos. Preciso trabalhar essas horas a mais. Preciso compensar tudo isso”. Ele dissipa tudo.
Agora, eu sei que há ocasiões em que fazemos horas extras. Já trabalhei o suficiente na vida para saber disso. Essa não é a questão. A questão é o nosso coração. É uma questão de coração — aquilo a que o Senhor está falando e a maneira como Ele está tentando chamar a nossa atenção.
Quando passamos por situações, paramos e perguntamos: “Senhor, enquanto tudo isso é dissipado, Tu estás tentando me dizer alguma coisa? Talvez haja algo nisso que eu precise ouvir”. Ou será que nem sequer queremos ouvir?
Estamos desfrutando das coisas e simplesmente desfrutando dos nossos próprios caminhos e interesses? Estamos obtendo satisfação pessoal naquilo que fazemos e nas coisas com que nos envolvemos?
Seremos aqueles que realmente permitem que o Espírito Santo nos sonde? O que o Senhor está tentando nos dizer hoje?
Irmãos e irmãs, a Palavra do Senhor para nós hoje é a mesma: “Considerai os vossos caminhos”. Considerar significa pôr o coração. Ponham o coração no seu caminho. Quem é o seu caminho? Jesus é o caminho.
A resposta nesta hora é a mesma, tanto naquela época como agora: ponham o coração em Jesus.
Ponham o coração em Jesus. É aí que precisamos ter a vida restaurada, renovada, revigorada e avivada dentro de nós. À medida que o nosso coração se volta para Ele, o coração Dele se torna o nosso coração.
Jesus é a resposta em toda crise da vida. Vemos isso nas Escrituras. Qual foi a resposta no tempo em que aquelas cartas foram enviadas em Apocalipse? A resposta era considerar Jesus. Hebreus 3:1 diz:
Considerai Jesus.
Paulo escreve a Timóteo em sua segunda epístola, em 2 Timóteo 2:8:
Lembra-te de Jesus Cristo.
A resposta em toda crise em que nos encontramos é Jesus Cristo.
Irmãos e irmãs, pensem no nosso Senhor e em como Ele respondeu. Em meio à crise, Ele subiu ao monte e buscou a madeira — o material para a casa. Ele foi ao monte Calvário.
Nas Escrituras, do que a madeira fala? Ela fala da humanidade. Fala do ser humano. Fala de você e de mim. Nosso Senhor subiu ao monte, nos buscou e nos trouxe de volta. Agora Ele deseja que sejamos material de construção na casa de Deus, para que a Sua vida possa ser expressa.
Subir ao monte é o operar diário da cruz: “Não a minha vontade, não os meus desejos, mas, Senhor, o Teu desejo”.
Ao pormos o coração em Jesus, vemos Aquele que permaneceu firme nos negócios de Seu Pai. Ele não hesitou em subir ao monte — ao monte Calvário, pelo caminho da cruz. Não procurou outro caminho. Sabia que esse era o Seu propósito.
Irmãos e irmãs, se desejamos que a vida do Senhor cresça em nós, precisamos estar dispostos a seguir o caminho da cruz, para que o material da casa de Deus possa ser preparado.
Nosso Senhor fez isso no Calvário e, diariamente, deseja fazê-lo na vida de cada um de nós. Que respondamos e permitamos que Ele o faça.
O salmista disse, em Salmos 139:23-24:
Ó Senhor, sonda-me.
Prova-me.
Vê se há em mim algum caminho mau.
Quando paramos para considerar os nossos caminhos, não se trata da nossa própria avaliação de nós mesmos. Trata-se de nos colocarmos diante Daquele que nos amou primeiro.
Todos os Seus chamados, toda a Sua disciplina em nossa vida, todas as provações e as diversas coisas que experimentamos vêm do Seu coração de amor por nós e do Seu coração de amor pela edificação da Sua casa. Há um propósito em tudo isso.
Louvado seja Deus, Ele edificará a Sua casa, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Ao examinarmos Ageu, estamos realmente vendo apenas um retrato resumido. Há muitas outras lições. Eu encorajaria vocês a dedicar algum tempo a voltar e examinar as outras questões deste livro, porque há muitas riquezas e lições em cada uma das quatro profecias que Ageu compartilhou.
Ao examinarmos a segunda profecia, em Ageu 2, lemos que, no vigésimo primeiro dia do sétimo mês, a Palavra do Senhor veio por intermédio do profeta Ageu. Isso aconteceu no mês seguinte.
O Senhor os havia desafiado com as palavras: “Considerai os vossos caminhos”. Eles haviam respondido ao Senhor e dito: “Vamos reconstruir”. Ele disse: “Eu estou com vocês”.
O Senhor é tão misericordioso conosco. Sempre que Ele nos chama, nos atrai de volta, nos mostra algo e nos diz que está conosco, reforça isso com uma abundância que nos transborda.
Era o sétimo mês do calendário judaico. Entre a primeira e a segunda profecia ocorreram a Festa das Trombetas, o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos.
O primeiro dia do sétimo mês era a Festa das Trombetas. O sétimo mês marcava o início do novo ano civil. O décimo dia era o dia mais importante do ano, o Dia da Expiação — Yom Kippur —, quando se tratava do pecado e se restaurava a comunhão.
Depois, do décimo quinto ao vigésimo primeiro dia do mês, acontecia a Festa dos Tabernáculos, lembrando-lhes a provisão de Deus para eles no deserto.
No final da primeira profecia, o Senhor declarou: “Eu estou com vocês”. Em Sua grande misericórdia, por meio dessas celebrações e festas, era como se Ele dissesse: “Eu estou com vocês. Eu sou o seu novo começo. O passado está encerrado. Eu estou com vocês. Há uma provisão plena”.
Cada festa do Antigo Testamento fala de um aspecto da obra consumada do nosso Senhor Jesus Cristo. Todas elas nos mostram diferentes aspectos de tudo o que o nosso Senhor fez por nós.
Havia um tempo determinado pelo Senhor na perfeição da maneira como Ele estava trabalhando entre a primeira e a segunda profecia. Ele colocou estas coisas diante deles: “Eu estou com vocês. Considerem isto. Eu sou o seu novo começo. Considerem o passado encerrado. Considerem a provisão plena que fiz para vocês”.
Ageu 2:3 pergunta:
Quem dentre vós restou que tenha visto este templo em sua antiga glória?
E como o vedes agora?
Não parece aos vossos olhos como nada, em comparação?
Como vocês o veem? Qual é a sua perspectiva? Irmãos e irmãs, precisamos fazer a nós mesmos essa mesma pergunta. Como o vemos? Qual é a nossa perspectiva?
O Senhor diz: “Eu estou com vocês”. Vocês veem este templo, mas qual é a sua perspectiva acerca de tudo o que Eu estou fazendo? Como vocês o veem? Parece não ser nada aos seus olhos?
Então, em Sua misericórdia, em Ageu 2:4, Ele diz três vezes: “Sê forte”, ou: “Tem coragem”. Ele diz isso a diferentes pessoas e grupos, mas talvez, à luz das três festas que haviam acabado de celebrar, estivesse dizendo:
Há uma plenitude Dele mesmo na qual Ele quer que entremos e que enxerguemos. Por causa Dele, tenham coragem.
Irmãos e irmãs, nós entramos e enxergamos a provisão plena que temos no nosso Senhor Jesus Cristo? Não há falta. Há plenitude. Há um novo começo. Há nova criação e nova vida. O passado está encerrado, e fomos trazidos para esse lugar de comunhão — não de qualquer maneira, mas abundantemente —, para entrarmos em toda a bondade que Ele tem.
Ele lhes assegura: “Eu estou no controle. Abalarei os céus”. Então, em Ageu 2:9, Ele coloca toda a questão na perspectiva correta:
A glória posterior desta casa será maior do que a anterior, diz o Senhor dos Exércitos; e neste lugar darei a paz, declara o Senhor dos Exércitos.
A glória posterior desta casa é maior do que a glória anterior. O Senhor está nos revelando algo aqui. Quantas casas existem? Quantas casas de Deus existem?
O texto diz que a glória posterior de “desta casa” será maior do que a glória anterior de “desta casa”. Não é como se houvesse uma casa no passado, uma casa agora e uma casa no futuro. Há uma só casa.
Há uma só casa na qual o nosso Senhor está trabalhando. Há uma só casa que o nosso Senhor vem edificando. Ele tem um único propósito para o qual nos chamou.
Não temos uma casa de Deus em Richmond e uma casa de Deus em Washington. Há uma só casa de Deus, para a qual fomos trazidos. A glória posterior dessa casa será muito maior.
Qual é a sua perspectiva? Como você a vê com os seus olhos? Vemos simplesmente uma casa de Deus em Richmond? Esse é o limite do que estamos vendo? Ou realmente vemos que há uma só casa?
Há uma só casa, formada por todo o povo de Deus, para a qual fomos trazidos. Ele está fazendo uma grande obra, e a glória posterior dessa casa será muito maior por causa do nosso Senhor Jesus Cristo e da grande obra que Ele está realizando.
A profecia nos chama a ter uma perspectiva na qual não olhamos para o exterior, mas para a vida interior.
O Senhor não está interessado em números. Como o Senhor mede o crescimento? Ele mede o crescimento pelo número de pessoas que vocês têm, pelo número de obras ou pelo número de atividades? O Senhor mede o crescimento pelo aumento da vida do Seu Filho.
É isso que Ele procura. É por isso que Ele zela: uma expressão maior da vida de Deus.
Ele não dá a menor importância — se entendermos isso da maneira correta — a haver quinhentas pessoas reunidas. O que Ele observa é a expressão da vida do Seu Filho. Talvez haja dez ou quinze pessoas que expressem de maneira grandiosa a vida do Seu Filho. É por isso que Ele zela.
Nós zelamos por isso? Qual é a nossa perspectiva? Como isso parece aos nossos olhos? Estamos realmente permitindo que o Senhor nos ensine e nos mostre que Ele é um Deus de propósito?
Ele nos trouxe para esta casa e deseja que sejamos edificados juntos como uma santa habitação para o nosso Senhor no Espírito. Isso acontece por meio de uma expressão maior da Sua vida.
Ao chegarmos às duas profecias seguintes, começando em Ageu 2:10, devemos observar que, entre a segunda e a terceira profecia de Ageu, vem a primeira profecia de Zacarias:
Voltai para Mim, para que Eu volte para vós.
Se o Senhor permitir, na próxima vez, quando examinarmos Zacarias, trataremos disso.
A terceira mensagem de Ageu começa dois meses depois da profecia anterior. Ele apresenta uma pergunta especificamente aos sacerdotes.
Quantos sacerdotes há nesta sala hoje? Somos um sacerdócio santo, portanto não precisamos deixar de prestar atenção neste momento. Todos somos sacerdotes.
O Senhor diz em Ageu 2:11-13:
Pergunta agora aos sacerdotes a respeito da lei: Se alguém levar carne santa na dobra da sua veste e, com essa dobra, tocar em pão, em comida cozida, em vinho, em azeite ou em qualquer outro alimento, este se tornará santo?
E os sacerdotes responderam: Não.
Então Ageu disse: Se alguém que está impuro por ter tocado num cadáver tocar em alguma dessas coisas, ela se tornará impura?
E os sacerdotes responderam: Ela se tornará impura.
Há aqui uma comparação entre o santo e o profano. Se algo santo toca em algo impuro, torna essa coisa santa? Não. Mas, se algo impuro toca em algo santo, torna essa coisa suja? Torna-a impura? Sim, torna.
Novamente, quando o Senhor fala, Ele diz: “Considerai os vossos caminhos”. Em Ageu 2:15, Ageu 2:18 e Ageu 2:19, Ele diz três vezes: “Considerai”.
Há uma grande diferença entre essas três exortações a considerar e as duas de Ageu 1. Em Ageu 1, quando o Senhor disse: “Considerai os vossos caminhos”, era como olhar para trás. Olhem para as suas ações. Olhem para a maneira como têm agido e comparem isso com a maneira como o Senhor deseja que andemos em Cristo.
Mas, em Ageu 2, essas três exortações estão voltadas para a frente. Algumas traduções dizem: “Considerai deste dia em diante”. Há um prosseguir. Há um olhar para o alto e para a frente.
Considerem que podem prosseguir porque há um novo começo. Considerem que podem prosseguir e avançar para o alto porque o passado está encerrado. Considerem que podem avançar para o alto e prosseguir em Cristo por causa da provisão plena.
O Senhor lhes diz que, daquele dia em diante, abençoará. Por causa das suas ações anteriores, havia consequências. A bênção imediata do Senhor não veio sobre eles assim que começaram a edificar. Havia perdão, mas ainda havia consequências, treinamento e disciplina.
Então o Senhor diz:
Deste dia em diante, abençoarei.
Vocês podem entrar em toda a bondade que tenho para vocês.
Como sacerdócio santo, de que maneira essas coisas se aplicam a nós? O que isso significa para nós? Se algo santo toca em algo impuro, santifica o que é impuro?
Creio que, se olharmos para o cristianismo hoje, muitas vezes colocamos o nome cristão em alguma coisa e pensamos que isso a torna santa. Mas simplesmente colocar o nome cristão em alguma coisa não a torna santa.
O fato de tocarmos em certas coisas, só porque somos cristãos, não torna essas coisas santas. Mas há coisas por aí que podem nos contaminar. Há tanta mistura no cristianismo hoje que, quando as coisas do mundo e as coisas desta terra nos tocam, a contaminação pode vir sobre nós.
Há um antigo ditado que aparece em vários comentários e livros: uma pessoa saudável não torna uma pessoa doente saudável ao tocá-la. Se alguém está resfriado e você não está, você pode tocar nessa pessoa, mas ela não vai melhorar por causa disso.
Mas, se essa pessoa está resfriada — ou tem alguma doença grave — e você a toca, ela pode transmitir a doença a você. Há muita aplicação espiritual nisso, irmãos e irmãs.
Muitas vezes podemos nos envolver com certas coisas e, em nossa ingenuidade, pensar: “Ah, isso não vai me afetar”. Vocês sabem como isso é descrito? É o insensato em Provérbios, que vê o perigo adiante, vê o problema e simplesmente continua seguindo em frente.
É trágico. Precisamos despertar. Estes são dias de despertar para percebermos que as coisas com que nos envolvemos afetam a nossa vida.
Todos os dias, preciso perguntar a mim mesmo: por que me envolvo com as coisas com que me envolvo? Por que passo tempo fazendo as coisas que faço? Por que passei tanto tempo naquilo? Por que passei tanto tempo nisto?
Isso é realmente saudável? Por que estou comprando as coisas que compro? Por que estou gastando meu dinheiro para comprar isto ou aquilo? Acho que tudo isso é inofensivo e não tem nenhum impacto?
Há coisas com que nos envolvemos e que compramos sem perceber suas implicações. Por que lemos ou assistimos às coisas que lemos e assistimos? Abrimos a nossa mente a tantas coisas por meio do que lemos e do que assistimos. Podemos ser ingênuos e pensar que isso não nos afeta.
Em 2 Coríntios 11:3, quando se fala de Eva sendo enganada, isso aconteceu na mente. O inimigo chegou até ela e mudou a direção dos seus pensamentos. Hoje há uma grande batalha pela mente entre o povo de Deus.
Por que nos associamos a certas pessoas? Podemos ver em Esdras e Neemias que, quando estavam reconstruindo, certas pessoas vieram e se ofereceram para ajudá-los a edificar, mas eles disseram: “De jeito nenhum. Vocês não vão nos ajudar”.
Há certas pessoas com quem podemos nos envolver, certas coisas que podemos fazer e certas coisas que podem entrar em nossa vida e em nosso lar e produzir contaminação. Honestamente, pensamos que elas não terão nenhum efeito sobre a nossa vida santa?
Precisamos despertar. Em Sua misericórdia e em Seu grande amor, o Senhor diz: “Considerem os seus caminhos. Considerem essas coisas”.
Estamos apenas enganando a nós mesmos, porque muito daquilo que polui e contamina a nossa vida impede a edificação da casa de Deus. Impede e retarda a edificação da casa de Deus.
Que despertemos. Devemos ser um sacerdócio santo — um sacerdócio separado para Ele, um sacerdócio distinto, que carregue a preciosidade do Seu nome, da Sua vida e do Seu caráter.
Seremos aqueles que voltam à simplicidade e à pureza do Senhor Jesus em nossa vida?
Muitas vezes, quando percebemos que estamos gastando tempo fazendo certas coisas ou comprando certas coisas, precisamos perguntar: o Senhor Jesus é suficiente? Ou preciso também disto?
O Senhor Jesus é suficiente para nós? A Sua vida é suficiente? Ou preciso de alguma outra coisa para me satisfazer? Isso não satisfaz o verdadeiro anseio que há dentro de nós; satisfaz apenas os nossos próprios desejos.
Aqueles queridos nos dias de Ageu estavam tão absorvidos pelos próprios interesses e desejos que a casa permanecia desolada.
Irmãos e irmãs, nestes últimos dias, o Senhor está procurando intensamente nos despertar, nos trazer de volta àquele lugar de simplicidade e pureza da nossa devoção a Ele — para sermos realmente um povo de santo procedimento, um povo de piedade que expresse a Sua própria vida.
A quarta profecia começa em Ageu 2:20, no mesmo dia da terceira profecia. Ela é dirigida a Zorobabel, o governador.
Quantos reis há aqui? Somos reis e sacerdotes para Ele, portanto isso também fala a nós.
O Senhor diz em Ageu 2:22-23:
Derrubarei os tronos dos reinos e destruirei o poder dos reinos das nações; derrubarei os carros e os seus condutores, e os cavalos e os seus cavaleiros cairão, cada um pela espada do outro.
Naquele dia, declara o Senhor dos Exércitos, Eu te tomarei, Zorobabel, filho de Sealtiel, Meu servo, declara o Senhor, e farei de ti como um anel de sinete, porque Eu te escolhi, declara o Senhor dos Exércitos.
A Sua realeza — a realeza do nosso Senhor — prevalecerá. Não importa o que vejamos acontecendo exteriormente, a Sua realeza prevalecerá.
Zorobabel é um tipo de Cristo. Nosso Senhor conquistou a vitória. O Senhor conquistou uma grande vitória e, por causa da Sua vitória, o Seu selo foi colocado sobre nós.
O que é um anel de sinete? Um anel de sinete fala de testemunho. O anel de sinete em si não tem valor. O valor do anel de sinete está em quem ele representa.
Irmãos e irmãs, Ele colocou o Seu selo. Ele colocou o Seu sinete sobre nós. Temos o nosso Senhor Jesus Cristo. Fomos trazidos para Ele e devemos ser o testemunho de que somos Seus filhos.
Ele é o nosso Rei. Ele é o nosso Senhor. Ele é o nosso Mestre. O Seu reino virá, e a Sua vontade será feita.
Louvado seja Deus, o nosso Rei disse em Mateus 16:18:
Edificarei a Minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
Seremos os representantes adequados do nosso Senhor nesta hora?
Como estamos nestes últimos dias, para concluir, às vezes me pergunto, em minha própria vida, o que será necessário para me despertar. Eu oro por misericórdia.
O que será necessário para me despertar e me fazer perceber os dias em que estamos vivendo e a sua gravidade?
Nosso Senhor, ao falar por meio de Ageu, falou conosco acerca do primeiro amor. Falou conosco acerca da visão e da perspectiva: o que vocês veem? Qual é o seu alvo final?
Ele falou conosco sobre a questão da santidade. Na quarta profecia, falou conosco acerca da Sua realeza e do Seu senhorio em nossa vida e em nossa vida juntos.
Que sejamos aqueles que voltam à simplicidade e à pureza da nossa devoção a Ele.
Que realmente, nesta hora, permitamos que o Espírito Santo fortaleça o nosso relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor — uma vida do Senhor no Espírito, uma vida Nele.
É disso que precisamos. John mencionou aquele livro, Exercício espiritual. Ele trata de fortalecer a nossa vida com Ele — conhecê-Lo, ter comunhão com Ele, conhecer a Sua voz e ter aquela percepção íntima da Sua direção.
É ter consciência do que vem Dele e do que não vem.
Consideraremos os nossos caminhos? Colocaremos o nosso Senhor Jesus diante de nós e estaremos dispostos a subir ao monte nesta hora?
Grande parte do cristianismo nos mostrará muitos caminhos pelos quais não precisamos subir ao monte, mas isso não realizará nada no que diz respeito à edificação da casa de Deus.
Desejamos ser uma santa habitação para Deus no Espírito. Queremos ser edificados nessa habitação, para sermos o testemunho que Ele deseja que sejamos e para apressarmos a Sua volta.
Irmãos e irmãs, ao considerarmos isso, lembremos da plenitude da provisão que temos em Cristo. Por causa Dele, somos as pessoas certas. Estamos no lugar certo, em Sua casa espiritual, e estamos aqui com o propósito certo.
Que Ele tenha misericórdia de nós e nos conduza a uma expressão mais plena da Sua vida nesta hora.
Vamos orar.
Senhor, nosso irmão começou esta manhã falando da bondade de Deus. Senhor, eu Te agradeço pela Tua longanimidade comigo. Agradeço pela Tua perseverança com todos nós.
Agradeço porque o Teu amor por nós não depende do nosso amor por Ti.
Senhor, enquanto temos a oportunidade de parar, considerar os nossos caminhos e pôr o coração em Ti, que o Teu Espírito Santo fale à vida de cada um de nós.
Há coisas particulares, específicas, em nossa vida diária — coisas em que estamos envolvidos, coisas às quais estamos dedicando tempo — que estão impedindo a obra de edificação da casa de Deus?
Senhor, nós Te agradecemos porque não se trata de um exame de nós mesmos, mas da Tua luz de amor que brilha.
Tu és tão zeloso. Assim como Paulo zelava por aqueles coríntios, quanto mais Tu zelas por nós — para que a Tua casa seja edificada, para que o Teu reino venha e para que a Tua vontade seja feita.
Oramos em nome de Jesus. Amém.