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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Questions And Answers With Young People On Serving The Lord © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Questions And Answers With Young People On Serving The Lord
    Questions And Answers With Young People On Serving The Lord
    Kaung, Stephen

    Perguntas e respostas sobre o discipulado cristão

    Bem, este é um momento de comunhão. Espero, irmãos e irmãs, que vocês não sintam que estamos em uma reunião formal. Não me considerem velho demais; na verdade, estou vivendo minha segunda infância, então sou um de vocês.

    Sintam-se à vontade para compartilhar uns com os outros o que estiver no coração de vocês — seja algo que gostariam de compartilhar e que possa beneficiar a todos nós, seja alguma pergunta que os tem inquietado diante do Senhor e que gostariam de ter a oportunidade de fazer.

    Não tenho a pretensão de responder a todas as perguntas. Mas agradeço ao Senhor porque o nosso Senhor Jesus é a resposta para todas elas. Então, vamos buscar o Senhor juntos, deixar que Ele nos responda e descobrir que, certamente, Ele é a resposta para todos os nossos problemas.

    O princípio da separação do mundo

    Pergunta: Nesta manhã, o senhor falou sobre assistir a filmes. Entendo que talvez a maioria dos jovens aqui ainda assista a filmes. Qual é, de fato, o seu ponto sobre isso?

    É verdade que, entre o povo de Deus hoje, encontramos, por assim dizer, uma grande liberdade em nossa vida diária e em nossa caminhada com o Senhor.

    No meu tempo, quando eu era jovem, ir ao cinema e assistir a filmes não era considerado algo que um cristão deveria fazer. Hoje, a maneira de pensar sobre essas coisas está se tornando cada vez mais permissiva. Mas, quando eu era jovem, de modo geral, entre o povo de Deus, entendíamos que deveríamos estar separados do mundo.

    Não se trata de algo com que procuramos criar uma lei entre o povo de Deus. Isso cabe ao Senhor — se Ele quer tratar conosco nessa questão.

    Por trás disso há um princípio: somos separados do mundo para o Senhor. A interpretação do que é o mundo varia de pessoa para pessoa. À medida que vocês avançam com o Senhor, sua compreensão do que é o mundo começa a mudar.

    Quanto a assistir a filmes no cinema, algumas pessoas não sentem que haja algo errado nisso. Se o Espírito Santo não levantou essa questão com vocês e vocês não são viciados nisso, então, como diz a Bíblia, todas as coisas são lícitas — mas não permitimos que coisa alguma nos domine.

    Quando eu era jovem, era viciado em filmes. Para mim, era mais do que simples diversão; eu sentia que aquilo era quase a minha vida. Eu adorava e ia ao cinema com frequência. Mesmo nos círculos cristãos, eu não ousava ir aos domingos.

    Para mim, era um hábito que realmente interferia no meu crescimento espiritual e na minha vida com o Senhor. Por isso, o Senhor tratou comigo.

    Então, nessa questão de assistir a um filme, eu não diria ao povo de Deus: “Vocês não devem ir”, ou: “Vocês devem ir”. Não é uma questão de lei. É uma questão do relacionamento de vocês com o Senhor.

    À medida que vocês buscam o Senhor, Ele começa a revelar o que o mundo significa. Se um filme se torna o mundo para vocês, então é algo com que precisam lidar diante do Senhor. Se isso os afasta do Senhor, em vez de ajudá-los a se aproximar Dele, então é um problema na vida de vocês.

    O Espírito Santo tocará a consciência de vocês. Se o Espírito Santo tocou a consciência de vocês nessa questão, então é algo que precisam tratar com o Senhor. Se não fizerem isso, interferirá no crescimento espiritual de vocês e se tornará um obstáculo à sua vida com o Senhor.

    O princípio é este: se nos tornamos amigos do mundo, tornamo-nos inimigos de Deus. Essa é uma afirmação bem bíblica. Na Bíblia, vocês podem ver o princípio, mas a aplicação desse princípio cabe ao Espírito Santo. Todos nós somos pessoas vivas, e o Espírito Santo trata com cada pessoa viva de maneira viva.

    Se algo se torna um problema para a vida espiritual de vocês, o Espírito Santo levantará essa questão. Quando Ele a levantar, vocês terão de tomar uma atitude, porque estarão numa encruzilhada: continuar de fato com o Senhor ou seguir pelo outro caminho.

    Então, eu não diria aos jovens que não devem ir ao cinema. Eu não diria isso. Na verdade, nunca digo isso.

    Tudo o que faço é nos lembrar de que nós, como povo de Deus, fomos separados para Ele mesmo. O mundo está aí, mas a cruz está entre o mundo e mim.

    Como Paulo diz em Gálatas 6:14, quando o mundo olha para mim, estou crucificado para o mundo; e, quando olho para o mundo, o mundo está crucificado para mim. Portanto, não há amizade com o mundo. Nossa amizade é com Deus.

    Nós, que fomos redimidos pelo Seu precioso sangue e separados do mundo para Ele mesmo, somos chamados a viver uma vida santa. Nas Escrituras, santo significa simplesmente separado para Deus.

    Estamos separados para Deus? Em João 17:14-16, na oração do nosso Senhor Jesus, Ele disse que estamos no mundo, mas não somos do mundo. Essa é a nossa posição. Ainda estamos no mundo; precisamos viver e ter contato com as pessoas. Mas não somos do mundo. Não seguiremos o caminho do mundo.

    Somos um povo separado para Deus, e é isso que santidade significa. Uso os filmes como ilustração, não como uma lei imposta aos jovens.

    Uma ilustração pessoal

    Quando o Espírito de Deus começou a me tocar nessa questão, Ele me questionou. Ao ir ao cinema, eu estava apoiando pessoas ímpias. O Senhor me perguntou: “Você vai continuar apoiando essas estrelas de cinema — pessoas ímpias? É assim que você deve viver?”

    Minha resposta foi: “Eu não deveria fazer isso”. Mas, como gostava tanto de filmes, continuei. Contudo, Deus não me deixou em paz.

    Depois da minha última ida ao cinema, o Senhor cortou aquilo da minha vida. Graças a Deus, depois que aquilo foi cortado, não senti que tivesse perdido coisa alguma.

    Eu tinha uma tia que havia voltado dos Estados Unidos e era diretora de uma escola normal. Um dia, ela disse: “Por que você não vai ao cinema? Você é um jovem. Se não vai ao cinema, sua vida fica tão sem graça. Se precisa de dinheiro, eu lhe dou. Vá e divirta-se”.

    Como ela era minha tia, eu não ousava falar com muita firmeza. Mas, no meu coração, eu disse: “A senhora não entende. Não perdi coisa alguma. Não sinto que, por não ir ao cinema, tenha perdido alguma coisa”.

    Tenho minha vida com o Senhor, e Ele me deu muito mais em troca. Não quero ir. É assim que me sinto, humanamente falando. Graças a Deus, é graça; não é lei.

    O Espírito Santo e a formação de novos hábitos

    Não se trata apenas de filmes. Uso isso como ilustração porque aconteceu comigo. Pode ser alguma outra coisa.

    Por exemplo, se vocês leram A Vida Cristã Normal, talvez se lembrem de uma ilustração que aparece ali. Um irmão foi para a montanha de Kuling, na China, por questões de saúde. Era um local de veraneio onde os missionários tinham casas e passavam o verão.

    Esse irmão ficou hospedado com uma família chinesa. O chefe da família era eletricista, o único eletricista da montanha de Kuling. Durante sua estadia, o irmão pregou o evangelho a ele, e aquele homem foi salvo.

    Quando o verão terminou, o irmão foi embora. O inverno na montanha era muito frio. Esse irmão recém-convertido tinha o hábito de beber vinho, e, toda vez que bebia, ficava embriagado.

    Quando o inverno chegou e o tempo esfriou, sua esposa aqueceu um pouco de vinho para o jantar. Na China, era comum aquecer o vinho e tomá-lo com a comida. Antes de comerem, o irmão disse: “Vamos orar”.

    Ao começar a orar, ele parou de repente e olhou para a esposa. Perguntou: “Um cristão pode beber?”

    Sua esposa disse: “Não sei”. Então ele disse: “Pegue o Livro”. O irmão Nee havia deixado uma Bíblia com eles. Tentaram descobrir se a Bíblia dizia que os cristãos podiam ou não podiam beber vinho.

    Eles ainda não tinham lido a Bíblia inteira, então não sabiam onde encontrar uma passagem assim. Graças a Deus, não encontraram a passagem que diz:

    Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.
    — 1 Timóteo 5:23

    A esposa disse: “Pode beber. No próximo verão, quando o senhor Nee vier, perguntaremos a ele se um cristão deve beber”. Isso parecia razoável.

    Então o irmão disse: “Vamos orar de novo”. Mas, quando começou a orar, parou outra vez. “Um cristão pode beber?” Ele não conseguia continuar a oração. Depois que isso aconteceu algumas vezes, disse: “Tire o vinho daqui”.

    No verão seguinte, o irmão Nee foi à montanha. O homem lhe perguntou: “Um cristão pode beber?” O irmão Nee perguntou por que ele estava fazendo aquela pergunta, e o homem lhe contou a história.

    O irmão Nee perguntou: “Você bebeu?” O homem disse: “Não”. “Por que não bebeu?” Ele respondeu: “Porque o meu chefe aqui dentro não me permitiu”.

    Ele nem sequer sabia o nome do Espírito Santo. Simplesmente O chamava de “o chefe aqui dentro”. Mas o Espírito Santo havia tocado sua consciência.

    O Senhor não permitia que ele bebesse porque ficava embriagado toda vez. A Palavra de Deus diz:

    E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito.
    — Efésios 5:18

    No caso daquele irmão, era preciso tratar com o velho hábito. Para mim, beber não era um problema. Eu nunca havia bebido. Uma vez, num avião, não sabia que uma bebida era champanhe; tomei um pouco, e meu rosto ficou muito vermelho. Para mim, aquilo não era um problema espiritual, mas físico.

    Mas, em algumas pessoas, encontramos velhos hábitos com os quais o Espírito Santo vai tratar, para que novos hábitos possam ser cultivados. Os cristãos devem ter novos hábitos.

    Vocês devem cultivar o hábito de estudar a Bíblia. Isso deve se tornar um novo hábito. Não é ler dez capítulos num dia e depois passar dez dias sem ler. Não; vocês devem ter o hábito de ler todos os dias.

    Os cristãos devem desenvolver novos hábitos, e os velhos hábitos devem ser abandonados. É assim que crescemos espiritualmente.

    Irmãos e irmãs, jovens, vocês acham que não há nada no passado de vocês com que o Espírito Santo precise tratar? Vocês são tão santos e tão puros que não há absolutamente nada com que o Espírito Santo precise tratar? Pensem nisso.

    O chamado de uma nova geração

    Sinto que, entre os jovens de hoje, por falta de uma vida real e íntima com o Senhor, parece que eles podem seguir à vontade, sem que o Espírito Santo toque sua consciência.

    Se me permitem dizer uma coisa, isso pesa muito no meu coração. Há vários anos venho orando, pedindo ao Senhor que levante uma nova geração para levar adiante a tocha do testemunho de Jesus.

    Na minha geração, graças a Deus, quando éramos jovens, o Senhor nos tocou. Mas hoje viajo para muitos lugares ao redor do mundo, e uma coisa se tornou muito rara.

    É muito raro encontrar jovens no fim da adolescência ou com pouco mais de vinte anos que tenham sido realmente conquistados pelo Senhor e tenham um coração tão voltado para Ele. Isso se tornou uma raridade. No meu tempo, era muito comum.

    Hoje, quando olhamos para jovens que já têm trinta anos, dizemos: “Bem, eles são jovens demais”. No meu tempo, os jovens de vinte anos já estavam no campo de trabalho. O Senhor me chamou quando eu tinha vinte anos.

    Hoje, estamos procurando uma nova geração: jovens que tenham se dedicado totalmente ao Senhor, estejam dispostos a pagar o preço e O sigam. Estamos orando por isso.

    Graças a Deus, tenho visto alguns, mas é uma raridade. Oro para que o Senhor conquiste cada um de vocês. É uma bênção ser conquistado pelo Senhor enquanto se é jovem, porque assim vocês escapam de muitos pecados e de muitas tentações.

    Cristo como modelo perfeito

    Pergunta: No Novo Testamento, Timóteo tinha Paulo, e Marcos tinha Barnabé. Vemos um padrão semelhante no Antigo Testamento, com Josué e Moisés. Paulo disse:

    Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo.
    — 1 Coríntios 11:1

    O problema de muitos jovens hoje é encontrar alguém para imitar. Ainda precisamos caminhar e prosseguir, mas Paulo morreu. Quem devemos imitar?

    É verdade que é uma grande ajuda quando aqueles que vieram antes de nós nos dão um exemplo que podemos imitar, assim como eles imitam a Cristo. Mas vocês precisam se lembrar de uma coisa: Paulo não disse: “Imitem-me”, e ponto final.

    Ele disse: “Imitem-me, assim como eu imito a Cristo”. Em outras palavras, há um modelo perfeito diante de nós — melhor do que Paulo, melhor do que qualquer outra pessoa. O próprio Cristo é o nosso modelo. Ele está sempre presente.

    Se, pela graça de Deus, Ele lhes der alguém como Paulo para ajudá-los a imitar a Cristo, agradeçam a Deus por isso. Mas, se Deus não lhes der uma pessoa assim, isso não significa que vocês não possam imitar a Cristo. Vocês ainda podem.

    Na verdade, talvez seja melhor. Olhem para Paulo. Quem ele imitou? No início, ele foi ajudado por Barnabé, mas Paulo foi além de Barnabé porque olhava para Cristo.

    Paulo disse que considerava todas as coisas como perda pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus. É bom termos irmãos e irmãs mais experientes que possamos imitar, chegando assim a Cristo; mas, se não tivermos essas pessoas, isso não significa que não possamos imitar a Cristo.

    Há também um perigo. Se houver alguém que vocês admirem, podem olhar para essa pessoa em vez de olhar, por meio dela, para Cristo. Se essa pessoa cair, a fé de vocês pode se desintegrar e ficar em pedaços.

    Esse é o perigo. Nós, como cristãos, devemos sempre olhar para Cristo. Não olhem para mim. Podemos imitar aquilo que outros aprenderam de Cristo, mas não os imitamos simplesmente como homens.

    Se vocês seguirem um homem, um dia cairão. Paulo disse que alguns afirmavam: “Eu sou de Paulo”, e outros: “Eu sou de Apolo”. Mas Paulo disse: “Não, sou apenas um servo. Sigam a Cristo. Não me sigam”.

    O discipulado bíblico

    No cristianismo de hoje, há um grande problema em relação ao discipulado. Vocês se lembram de Mateus 28:19-20. Nosso Senhor Jesus disse que devemos ir às nações, fazer discípulos de todas as nações, batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensiná-los a observar tudo o que Ele ordenou.

    Essa é a Grande Comissão. O cristianismo a tem compreendido mal por muitos séculos. Muitos pensam que a Grande Comissão é simplesmente ir às nações e evangelizar. A evangelização está incluída, mas a comissão é mais abrangente do que isso.

    A ordem do Senhor é ir às nações e discipulá-las — não apenas levar as pessoas à salvação, mas conduzi-las ao discipulado de Cristo. Essa é a Grande Comissão.

    O discipulado na Bíblia segue a antiga maneira de discipular. Não diz: “Vão às nações e façam delas estudantes”. Os estudantes de hoje e os discípulos são duas coisas diferentes.

    Talvez vocês estejam na faculdade, ou talvez já tenham terminado. Vocês pagam as mensalidades, assistem às aulas e procuram absorver tudo o que seus professores sabem. Mas não os seguem. Eles lhes transmitem conhecimento intelectual, mas não são seus mestres que lhes ensinam como viver e como ser um homem ou uma mulher.

    Antigamente, não havia escolas como as que temos hoje. Como alguém aprendia um ofício? Tornava-se discípulo de um mestre.

    Se você quisesse aprender carpintaria, procurava um mestre carpinteiro e fazia um contrato com ele. Precisava sair de casa e morar com seu mestre.

    Durante o primeiro ano, talvez ele nem permitisse que você tocasse numa ferramenta. O que você fazia? Servia a ele como um empregado. Se ele tinha filhos, você cuidava deles. Quando ele comia, você enchia sua tigela de arroz. Na casa, você varria o chão.

    No primeiro ano, ele não permitia que você sequer tocasse numa ferramenta de carpintaria. Você poderia pensar que era uma perda de tempo. Não; essa era a antiga maneira de discipular.

    Talvez, depois de um ano, ele permitisse que você tocasse nas ferramentas e lhe ensinasse um pouco. Alguns anos depois, você se tornava um mestre carpinteiro.

    Ao sair dali, você não tinha aprendido apenas a habilidade; tinha aprendido a maneira de viver do mestre. Muitas vezes, andava como ele andava. Falava como ele falava. Até seu tom de voz se tornava semelhante ao do mestre. Isso é discipulado.

    É isso que a Bíblia quer dizer. Nós, que cremos no Senhor Jesus, O ouvimos dizer:

    Segue-Me.

    Deixamos tudo e O seguimos.

    Quando o Senhor começou a pregar, viu Pedro e seu irmão André lançando uma rede, pois eram pescadores. O Senhor disse:

    Vinde após Mim.

    Eles deixaram tudo e O seguiram.

    Então Ele foi um pouco mais adiante, junto ao mar da Galileia, e viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Eles estavam consertando suas redes. O Senhor disse:

    Vinde após Mim.

    Eles deixaram o barco, deixaram a família e seguiram o Senhor. Isso é discipulado.

    É claro que hoje talvez vocês não precisem fazer isso fisicamente, mas, espiritualmente, é isso que fazem.

    Hoje, muitas vezes se faz uma separação entre crentes e discípulos. Mas, nos primeiros tempos, não havia essa divisão. Ser crente era ser discípulo.

    Como crentes, vocês creem Nele como seu Salvador e recebem o benefício. Mas, ao mesmo tempo, O reconhecem como seu Senhor e Mestre — e Ele os recebe. Isso é uma coisa só, não duas coisas.

    Watchman Nee e o senhorio de Cristo

    Se vocês leram Contra a Maré, que conta a história de vida de Watchman Nee, talvez se lembrem de como ele foi tocado por meio de sua mãe. Sua mãe lhe pediu que fosse ouvir a doutora Dora Yu, que a havia levado ao Senhor.

    O irmão Nee achou que alguém capaz de mudar sua mãe merecia ser ouvido. Então foi. Na primeira noite, foi convencido do pecado. Sabia que Jesus era o Salvador do mundo. Sabia que era pecador. Sabia que deveria crer no Senhor Jesus. Mas não creu.

    Por quê? Porque era um aluno brilhante. Já havia planejado seu futuro e era uma pessoa que poderia ter sucesso em qualquer área.

    Ele lutou por vários dias. Sabia, em seu coração, que, se cresse em Jesus e O aceitasse como Salvador, teria de entregar sua vida a Ele e recebê-Lo como Senhor. Não conseguia fazer isso. Queria ser seu próprio senhor e planejar seu próprio futuro.

    Mas sabia que, se cresse no Senhor Jesus, precisaria abrir mão dessas coisas e deixar Jesus ser seu Senhor. Lutou com isso por alguns dias, até que, um dia, estava orando em seu quarto.

    Sei disso porque ouvi o irmão Nee dar esse testemunho em 1936. Ele disse que, enquanto orava, Deus lhe mostrou a negrura de seu pecado e, ao mesmo tempo, o vermelho do sangue de Jesus.

    Ele ficou profundamente tocado pelo amor de Cristo, que derramou Seu sangue para lavar seus pecados. Foi tão constrangido e tocado que, finalmente, se rendeu. Creu e entregou sua vida ao Senhor.

    Foi assim que ele foi salvo. Como foi salvo dessa maneira, o caminho da vida espiritual se tornou muito claro.

    A vida cristã não começa simplesmente no momento em que vocês creem no Senhor. A verdadeira vida cristã começa quando vocês O aceitam como seu Senhor. É aí que começa a verdadeira vida cristã de vocês.

    Antes disso, embora sejam salvos, talvez ainda estejam vivendo sua própria vida. Não se pode chamar isso de vida cristã. Somente depois que vocês se rendem, se consagram e se colocam nas mãos do Senhor é que começa sua verdadeira vida cristã.

    A vida cristã é Cristo vivendo Sua vida em vocês. Espero que vocês, jovens irmãos e irmãs, percebam que isso não é algo barato ou fácil. É algo real, que custa muito, mas vale a pena.

    Isso é discipulado. Esse é o começo do discipulado. Por que Ele chama discípulos? Porque deseja moldá-los e formá-los segundo a Sua imagem.

    Esta é a Palavra de Deus: aqueles a quem Ele justificou, Ele santificou; aqueles a quem Ele santificou, Ele glorificou. Essa é a vontade de Deus. É algo maravilhoso, admirável, belo e glorioso. É isso que um cristão é.

    É por isso que não nos envergonhamos de ser cristãos. É tão glorioso. Não há nada melhor do que o caráter que Ele forma.

    Um testemunho da graça de Deus

    Posso testemunhar. Cri no Senhor Jesus quando tinha quinze anos. Agora tenho noventa e quatro.

    Comecei a servir ao Senhor imediatamente depois de ser salvo. No meu último ano do ensino médio e durante os anos de faculdade, eu O servi. Depois de me formar, em 1935, juntei-me ao irmão Nee e servi ao Senhor com ele.

    Depois de todos esses anos servindo ao Senhor, uma coisa posso dizer: sou um servo indigno. Ele é tão bom. Tudo é pela Sua graça. Então, graças a Deus por isso.

    A fonte da perseverança espiritual

    Pergunta: Como alguém pode ser conquistado pelo Senhor de modo tão permanente que caminhe com Ele de forma constante e O sirva com fervor? Como andar no Espírito? Como permanecer cativado pelo Senhor para não ficar mais vagando?

    Graças a Deus, a iniciativa vem Dele. Se dependesse de nós tomar a iniciativa, seria muito difícil.

    Quando vocês leem Cânticos, encontram o primeiro clamor do coração da noiva:

    Leva-me Tu; correremos após Ti.
    — Cânticos 1:4

    Não é que corramos após Ele com nossas próprias forças. É Ele quem nos atrai, para que possamos correr após Ele.

    Como podemos ser realmente conquistados pelo Senhor? Isso precisa vir Dele. Romanos 12:1 diz:

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
    — Romanos 12:1

    Precisamos ser constrangidos pelo amor de Cristo. Esse é o poder que nos capacita a correr após Ele. Não vem de nós; vem Dele.

    Mas há algo pelo qual somos responsáveis. A noiva diz: “Atrai-me, para que eu corra após Ti”. Há um coração voltado para Ele: “Eu O quero. Eu O valorizo. Mas não tenho forças. Tu precisas me atrair, para que eu possa realmente correr após Ti”.

    Se vocês têm esse desejo e essa confissão — se sabem que são fracos, mas realmente O desejam —, Ele fará isso. Realmente vem de Deus.

    Um testemunho pessoal de salvação

    Talvez eu possa dizer algo sobre como fui salvo. Fui criado numa família cristã. Meu pai era pastor.

    Quando meu pai creu no Senhor Jesus, ainda era o período da dinastia Manchu. Meu avô achou que aquilo era uma vergonha para a família, porque, naquele tempo, se pensava que os chamados cristãos recebiam ajuda dos missionários estrangeiros.

    Meu avô havia enviado meu pai a uma escola missionária para que aprendesse inglês e o ajudasse nos negócios. Ele era um empreiteiro que fazia negócios com ocidentais e ajudou a construir a primeira escola americana em Xangai.

    Mas meu pai foi salvo. Quando meu avô descobriu isso, tirou-o da escola. Contudo, a fé do meu pai era real, e muitas orações eram feitas por ele.

    Meu avô decidiu enviá-lo para trabalhar como aprendiz. Um contrato foi assinado, e, na manhã seguinte, meu pai seria mandado para longe de casa, para morar com um mestre.

    Naquela noite, meu avô, minha avó e meu pai não conseguiram dormir. Graças a Deus, depois da meia-noite, minha avó disse: “Deixe-o voltar para a escola”.

    Meu pai concluiu os estudos na escola missionária. Quando quis estudar na faculdade, meu avô se recusou a sustentá-lo. Meu pai precisou trabalhar durante oito anos para obter seu diploma. Naquele ano, foi o único formando do Seminário Teológico da Universidade de Soochow.

    Graças a Deus, nasci numa família cristã. Tínhamos culto doméstico todas as noites. Meu pai reunia todos nós — éramos sete irmãos — na sala de estar, antes do jantar. Ele lia uma Bíblia grande, e todos nos ajoelhávamos enquanto ele nos conduzia em oração.

    Estudei em escolas missionárias desde o jardim de infância. Conhecia a Bíblia, as histórias bíblicas e tudo mais. Antes de ser salvo, eu até pregava e dirigia estudos bíblicos. Mas não era salvo.

    A razão era que eu sabia que Jesus era o Salvador do mundo, mas achava que era bom demais para precisar de salvação. Pensava: “Que Ele salve outras pessoas. Eu não preciso disso”.

    Mas, graças a Deus, o Espírito de Deus começou a trabalhar na minha vida. O Evangelho de João diz que, quando o Espírito Santo vier, Ele convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.

    O Espírito Santo começou a trabalhar em mim, convencendo-me do pecado. Do ponto de vista do mundo, eu achava que era perfeito. O que um estudante poderia fazer de errado, além de talvez colar um pouco? Todo mundo fazia isso.

    Mas o Espírito Santo colocou Sua mão sobre mim e tocou minha consciência. Fiquei tão convencido do pecado que senti que não havia nada de bom em mim, da cabeça aos pés. Eu era um grande pecador.

    Comecei a buscar o Senhor. Conhecia a Bíblia, então O busquei, mas, estranhamente, não conseguia encontrá-Lo. Durante um ano inteiro, busquei-O com sinceridade.

    Sempre que havia uma reunião de avivamento, ou quando pregadores famosos vinham a Xangai, eu estava lá. Mas nada acontecia. Fui à frente, ao altar, várias vezes e chorei, mas, depois, nada mudava. Isso continuou por um ano inteiro.

    Naquele verão, houve uma conferência, e decidi participar porque queria ser salvo. Havia reuniões de manhã, à tarde e à noite. A conferência era dirigida por três jovens que tinham acabado de se formar na Faculdade Asbury, no Kentucky, juntamente com um pastor chinês.

    Alguns dias se passaram, mas não recebi nada. O que eles pregavam, eu já sabia. Eu mesmo poderia pregar aquilo. Contudo, não me tocava. Via outras pessoas sendo salvas, mas eu não era.

    Uma manhã, eu estava no meu quarto, falando comigo mesmo. Disse: “Deus, por que outras pessoas são salvas com tanta facilidade? Por que é tão difícil para mim?”

    Então me lembrei da expressão “endurecido pelo evangelho”. Pensei: “Talvez eu esteja endurecido pelo evangelho. Já ouvi demais”. Então disse a Deus: “Se Tu queres me salvar, salva-me agora. Se não, adeus. Não vou mais insistir”.

    Naquela tarde, o senhor Kirkpatrick falou sobre João 3:16. Eu conhecia tão bem aquela passagem, e nada me tocou. Depois de falar, ele pediu que todos se ajoelhassem e orassem. Um pastor negro se ajoelhou ao meu lado e me pediu que fosse à frente, ao altar.

    Eu já tinha ido ao altar muitas vezes e achava que era inútil. Mas, por cortesia, fui. Ajoelhei-me diante do altar e chorei, mas, depois, nada aconteceu.

    A reunião terminou, e comecei a sair. Havia centenas de pessoas ali, mas o pastor chinês me deteve. Perguntou sem rodeios: “Você é salvo?”

    Precisei ser honesto. Disse: “Quero ser salvo”. Todos os outros foram embora, e ficamos apenas nós dois.

    Ele perguntou: “Você crê que a Bíblia é a Palavra de Deus?” Desde a infância, eu não tinha dificuldade com isso. Ele abriu a Bíblia em 1 João 1:9 e me pediu que lesse.

    Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
    — 1 João 1:9

    Ele disse: “Coloque seu nome no texto e leia”. Li duas vezes. Ele disse: “Você confessa, e Deus é justo. Deus é fiel. Ele perdoará e purificará”.

    Então ele disse: “Vamos orar”. Eu sabia orar, então comecei a confessar meus pecados segundo a Palavra. Confessei, um após outro, tudo de que conseguia me lembrar. Depois disse ao Senhor: “Há muitos pecados de que me esqueci, mas Tu os conheces”.

    Enquanto eu orava, algo aconteceu no meu coração. Disse: “Senhor, fiz a minha parte, confessando meus pecados. Agora cabe a Ti. Tu és fiel? Tu és justo? Se és fiel e justo, perdoarás meus pecados e me purificarás de toda injustiça”.

    Quando orei com esse tipo de fé, de repente todo o meu fardo desapareceu. Durante um ano inteiro, eu estivera debaixo de um fardo pesado, e ele foi tirado. Senti uma paz tão grande no coração.

    Levantei-me, e o pastor perguntou: “Você é salvo?” Eu disse: “Sou”. Ele perguntou: “Como você sabe?” Eu disse: “O fardo desapareceu. Há paz no meu coração”.

    Ele disse: “Não”. Ele era muito sábio. Mas, quando disse não, entendi por dentro o que ele queria dizer. Eu disse: “Porque Deus diz”.

    Ele disse: “Isso mesmo. Sua fé precisa estar baseada na Palavra de Deus, não no que você sente. Seus sentimentos podem mudar, mas a Palavra de Deus é eterna”.

    Aquilo mudou toda a minha vida.

    Consagração e serviço

    No último dia da conferência, houve o que chamavam de reunião de consagração. Naqueles dias, muitas vezes se entendia a consagração como dedicar a vida para se tornar pregador, no caso dos homens, ou obreira bíblica, no caso das mulheres. Essa era a ideia que tinham de consagração.

    Ainda consigo ver aquilo com muita nitidez. Havia um enorme mapa da China pendurado na plataforma. O pregador disse: “Agora o Senhor salvou vocês. Vocês precisam servi-Lo. Aonde querem ir para servi-Lo? Podem escolher. Subam à plataforma e apontem no mapa o lugar para onde irão”.

    Pensem nisso: eu tinha quinze anos, acabara de ser salvo e estava profundamente tocado pela graça de Deus. Disse a mim mesmo: “Preciso ir ao lugar mais distante, ao lugar mais difícil, para demonstrar meu amor pelo Senhor”.

    Então subi decidido à plataforma e coloquei o dedo sobre a Mongólia. E estava falando sério.

    Durante meu último ano do ensino médio, procurei conseguir todos os livros que pudesse encontrar sobre a Mongólia. Procurei me preparar para ir à Mongólia. Aquilo era real para mim.

    Pela graça de Deus, alguns de nós fomos salvos naquela época e organizamos reuniões na escola. Um terço dos alunos vinha às nossas reuniões. Muitos foram salvos. Íamos à zona rural pregar o evangelho.

    Eu estava decidido a não ir para a faculdade. Achava que seria uma perda de quatro anos. Queria ir para uma escola bíblica e me preparar para ir à Mongólia.

    Quando terminei o ensino médio, disse ao meu pai que não iria para a faculdade e que havia escolhido uma escola bíblica. Achei que ele certamente ficaria contente, porque amava o Senhor. Mas meu pai disse não.

    Ele disse: “Você vai para a faculdade. Não há uma boa escola bíblica na China. Depois que terminar a faculdade, vou mandá-lo aos Estados Unidos para estudar teologia”. Fiquei muito decepcionado. Achei que todo o meu plano havia sido destruído.

    Então entrei numa faculdade metodista, onde os professores eram missionários vindos dos Estados Unidos. Quando cheguei, fui morar no alojamento estudantil e imediatamente mergulhei nas atividades cristãs.

    Mas, para minha surpresa, comecei a perceber que havia algo errado. Aqueles professores missionários não criam na Bíblia como a Palavra de Deus. Nem sequer criam que Jesus era o Filho de Deus. Só falavam de ética, política, questões sociais e coisas assim.

    Foi uma grande surpresa para mim. Quando me deparei com aquela situação, soube, em meu coração, que precisava me afastar de todas aquelas atividades cristãs. Eu me sentia muito sozinho.

    Éramos três pessoas no mesmo quarto do alojamento, mas eu estava desesperado. Sabia que minha única tábua de salvação era minha vida pessoal com o Senhor. Se ela não fosse mantida, eu estaria acabado.

    Então passava muito tempo no meu quarto, lendo a Bíblia e orando. Não me importava se os estudantes entravam e saíam, falando alto. Não me importava, porque não conseguia viver sem aquela vida com o Senhor.

    Enquanto fazia isso, o Senhor começou a abrir meus olhos para Watchman Nee. Eu já o havia ouvido antes. Sabia que o que ele dizia era bom, mas não estava pronto. Naquela época, comecei a ler seus escritos, e eles realmente tocaram meu coração.

    O Senhor me mudou completamente. Na minha faculdade, o Senhor levantou um testemunho para Si mesmo. É Ele quem faz isso.

    Começaram a vir pessoas não apenas da minha faculdade, mas também de outras escolas e hospitais. Tínhamos reuniões, mas éramos muito perseguidos — não pelo mundo, mas por obreiros cristãos.

    Durante os últimos dois anos da minha vida universitária, estive muito próximo do Senhor. Orava sem cessar. Aqueles foram os melhores anos. Eu estava aprendendo a servir.

    Como eu era o mais novo, era quem abria a porta para as pessoas entrarem. Recebia as pessoas, limpava a casa, conduzia a oração, tocava o órgão, pregava, despedia-me delas, fechava a porta e fazia visitas. Eu era muito ocupado, mas, humanamente falando, era muito feliz.

    Graças a Deus, meu pai compreendeu. Quando terminei a faculdade, o irmão Nee me convidou para me juntar a ele. Senti que não estava pronto. Queria ficar onde estava, porque uma reunião já havia sido estabelecida, e eu queria mais tempo para estudar a Palavra e aprender.

    Mas o Senhor, de maneira milagrosa, me fez sair dali. Foi por isso que, depois de me formar, comecei a servir ao Senhor junto com o irmão Nee.

    Não à minha maneira, mas à maneira Dele. A maneira Dele era mais difícil — muito mais difícil —, mas melhor, muito, muito melhor. Graças a Deus, pela graça de Deus, ainda estou aqui. Ele é fiel.

    Exortação final

    Queridos jovens irmãos e irmãs, se Deus pode ser tão misericordioso com uma pessoa como eu, creio que o Senhor pode fazer algo muito melhor na vida de cada um de vocês.

    Que o Senhor coloque Suas mãos sobre vocês e os levante para sustentar a tocha do testemunho antes que Ele volte. Sua volta está próxima. Não há tempo a perder.

    Minha oração por vocês é que o Senhor conquiste cada um de vocês. Agora, podem continuar.

    Acho que é hora de encerrar. Não quero prolongar demais a reunião e não quero que os irmãos fiquem muito cansados. Vamos pedir a dois ou três irmãos que nos conduzam em oração. Por fim, posso pedir ao irmão Alfred que dê a palavra final?