Esta admoestação te dirijo, meu filho Timóteo, segundo as profecias que anteriormente foram feitas acerca de ti, para que, por elas, combatas o bom combate;
conservando a fé e uma boa consciência; a qual alguns, tendo rejeitado, naufragaram no que diz respeito à fé.
Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua; mas por obra e em verdade.
Nisto conheceremos que somos da verdade e diante Dele asseguraremos o nosso coração:
porque, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas.
Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança para com Deus;
e qualquer coisa que Lhe pedirmos, Dele a receberemos, porque guardamos os Seus mandamentos e fazemos o que é agradável à Sua vista.
Vamos fazer uma oração.
Nosso Pai, nós nos curvamos e Te adoramos. Sabemos que Tu nos amas até o fim. Nós Te louvamos por nos salvares e Te agradecemos porque desejas nos salvar completamente. Pelo Teu poder, Tu nos conformarás à imagem do Teu Filho.
Para isso, nós nos reunimos diante de Ti. Queremos abrir o nosso coração a Ti. Pedimos que nos ensines com a palavra da vida, que a Tua palavra se torne vida em nós e nos transforme à imagem do Teu santo Filho.
Nós Te damos toda a honra e toda a glória. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo, amém.
Irmãos e irmãs, agradecemos ao Senhor por termos mais uma oportunidade de nos reunir diante Dele.
Ontem, expliquei às irmãs que não pretendo apresentar doutrinas a vocês hoje. Tenho certeza de que vocês já ouviram muitas mensagens. Quero simplesmente aproveitar esta oportunidade para compartilhar o que está no meu coração — o encargo que tenho no coração.
Minha oração a Deus é que a Sua palavra seja plantada profundamente em nosso coração e produza o fruto da vida para glorificá-Lo.
A Bíblia diz:
O exercício corporal para pouco aproveita.
Isso não significa que, por ser de pouco proveito, não devamos exercitar o corpo. Essa afirmação é uma comparação com outro tipo de exercício.
Se o exercício corporal fosse o único exercício, então seria o mais importante. Por isso, as pessoas do mundo dão muita atenção ao exercício do corpo.
Lembro-me de que, quando eu era jovem, na China, nunca via pessoas correndo pela manhã. Mas aqui, no Canadá ou nos Estados Unidos, logo cedo vocês veem pessoas correndo. Para as pessoas deste mundo, um corpo saudável é o mais importante. Se você quer ter uma boa vida, precisa ter um corpo saudável.
Mas nós, cristãos, que fomos salvos pelo Senhor, sabemos que existe outro exercício mais importante. Quando o exercício corporal é comparado à piedade, ele é de pouco proveito.
Por quê? Porque, mesmo que você exercite o corpo, o benefício é limitado no tempo. Ainda que viva até os cem anos, isso já é algo raro. Um dia, este corpo passará.
Mas, graças a Deus, temos um exercício chamado exercício da piedade. Esse exercício não diz respeito ao que é exterior. Trata-se de ser semelhante a Deus — de ter o caráter de Deus expresso em nós.
Deus já nos deu a Sua vida. Portanto, não podemos simplesmente manifestar a vida do velho Adão. Isso é contrário ao testemunho de um cristão.
Agora que fomos salvos pela graça, temos a vida de Cristo em nós. É da vontade de Deus que vivamos segundo a vida que está dentro de nós. Para aprender a viver essa vida, expressá-la e crescer, precisamos de exercício.
A piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.
Essa promessa de vida é para o presente e para o futuro. A vida mencionada aqui não é apenas a vida física; é também a vida espiritual que está dentro de nós.
Essa promessa não se manifesta apenas nesta vida presente. Ela também se manifestará na vida que há de vir. Em outras palavras, essa vida é eterna. Desde o momento em que você crê no Senhor até a eternidade, essa promessa pertence a todos os que se exercitam na piedade.
Portanto, o exercício da piedade é tremendamente importante.
Este corpo pode ser visto, mas o espírito não é material e não pode ser visto com os olhos físicos. Contudo, embora não possamos vê-lo com os olhos físicos, o Senhor Deus nos deu um novo espírito, e o Seu Espírito Santo habita em nós.
O Espírito Santo não habita apenas em nosso corpo físico, nem habita em nossa alma. Ele habita em nosso espírito.
O Espírito Santo habita em nosso espírito e influencia nossa alma e nosso corpo. Não devemos dizer que algo não existe simplesmente porque não podemos vê-lo com os olhos físicos.
Tudo o que podemos ver é temporal; aquilo que não podemos ver é eterno. A importância do nosso espírito é muito maior do que a do nosso corpo físico. Portanto, precisamos dar atenção ao exercício do espírito.
O que significa exercitar o espírito? Nós o exercitamos de acordo com suas funções. Deus nos deu um espírito para que possamos ter comunhão espiritual com Ele.
Há três funções importantes do espírito:
Do ponto de vista de Deus, a maior função do nosso espírito é a comunhão, porque podemos ter comunhão com Deus. Mas, de acordo com a nossa experiência, a evidência mais clara da função do espírito é a consciência.
Nesta manhã, vamos considerar um pouco como exercitar essa função.
A consciência é algo muito delicado. Quando Deus nos criou, Ele não apenas formou nosso corpo do pó da terra, mas também soprou o Seu próprio sopro em nossas narinas. Por ser Espírito, Ele nos deu um espírito.
Assim, quando Deus nos criou, tornamo-nos uma alma com um espírito. A alma é o centro do homem. Às vezes, a Bíblia usa a palavra alma para representar o homem. Por exemplo, setenta almas desceram ao Egito.
A Bíblia não usa a palavra homens nesse caso, mas almas, porque a alma é o centro pelo qual temos consciência da nossa existência. Contudo, a parte mais importante não é a alma; é o espírito.
A alma nos permite conhecer a nós mesmos, mas o espírito nos permite conhecer a Deus. Na ordem estabelecida por Deus, o homem vive segundo o espírito e tem comunhão com Deus.
Quando Adão estava no jardim do Éden, Deus descia e tinha comunhão com ele. Mas, quando o homem pecou, seu espírito entrou, podemos dizer, em coma. O espírito permaneceu, mas a comunhão com Deus foi interrompida.
A Bíblia nos diz que, quando Adão ouviu os passos de Deus, escondeu-se. Por quê? Porque havia pecado, e a consciência em seu espírito o acusava.
Quando o homem peca, há um problema com sua consciência. Inicialmente, ele tinha liberdade para ter comunhão com Deus. Mas, depois que pecou, sua consciência o acusou e condenou. Ele teve medo de ver a face de Deus, e houve separação entre ele e Deus.
Espiritualmente falando, isso é morte.
Todos os que descendem de Adão têm um espírito. Nesse aspecto, o homem é o mais elevado de toda a criação. Uma montanha tem uma forma física, mas não tem espírito nem alma. Os animais têm um corpo físico e uma alma, mas não têm espírito. Somente o homem tem um espírito dentro de si.
Infelizmente, por causa do pecado, a função apropriada do nosso espírito em relação a Deus foi interrompida. Embora ainda tenhamos consciência, ela não é confiável.
Um homem pode cometer um assassinato e ainda dizer: “Faço isso de acordo com a minha consciência”. Até pessoas não civilizadas podem comer carne humana e pensar que estão agindo de acordo com a consciência. Por que isso acontece?
Porque o padrão da consciência — o próprio Deus — desapareceu. Então, a cultura e os costumes tornam-se o padrão da consciência.
De modo geral, ainda temos consciência, mas ela não é confiável. Às vezes, quando uma pessoa está perto da morte, sua consciência se torna muito ativa e começa a falar claramente com ela.
Lembro-me de que, quando estava no ensino médio, tinha um colega cujo pai era pastor. Quando esse colega ficou gravemente doente e estava prestes a morrer, compartilhamos o evangelho claramente com ele mais uma vez. Agradecemos a Deus porque ele partiu para estar com o Senhor em paz.
As pessoas do mundo podem afirmar que agem de acordo com a consciência, mas essa consciência não é confiável.
Mas, quando cremos no Senhor, a Bíblia diz que a consciência do nosso coração foi purificada. A consciência que antes nos acusava e condenava foi purificada pelo sangue do Senhor Jesus, que lavou todos os pecados e todas as iniquidades que pesavam sobre ela.
Uma consciência purificada agora tem Deus como seu padrão. Podemos chamar Deus de nosso Pai celestial, ter comunhão com Ele e viver a vida cristã.
Portanto, os crentes não podem negligenciar a consciência. Antes de crermos no Senhor, confiávamos na consciência e pensávamos que, se agíssemos de acordo com ela, não haveria problema. Não percebíamos que nossa consciência não era confiável.
Mas hoje nossa consciência foi purificada, e o próprio Deus tornou-Se o nosso padrão. Portanto, o padrão da nossa consciência é diferente do padrão da consciência do mundo.
Depois de crermos no Senhor, precisamos renovar nosso entendimento da função da consciência. O fato de a consciência não ser confiável antes da salvação não significa que agora devemos ignorá-la. Depois de crermos no Senhor, a consciência ainda tem sua função apropriada.
Por meio da função do espírito, podemos ter justiça e viver segundo Deus.
Considerem a experiência de Paulo. Originalmente, Paulo se chamava Saulo. Ele era um judeu típico.
Desde a juventude, foi para Jerusalém e recebeu instrução aos pés de Gamaliel. Desde jovem, observava as regras e as leis da tradição judaica. Quanto à justiça da lei, era irrepreensível.
Mas, naquela época, ele ainda estava nas trevas. Havia sido instruído na tradição judaica e pensava que Jesus Cristo era um rebelde contra essa tradição. Por isso, decidiu perseguir todos os que seguiam Jesus.
Um dia, tendo recebido autoridade do sumo sacerdote para ir a Damasco e prender cristãos, Saulo encontrou uma luz vinda do céu, mais brilhante que o sol do meio-dia.
Ele foi derrubado por aquela luz e ouviu uma voz do céu:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Essa não era uma voz de ira. Era uma voz cheia de misericórdia e amor. O Senhor estava lhe dizendo: “Por que você Me persegue? O que você está fazendo só vai ferir você”.
Os jovens talvez não entendam a expressão “recalcitrar contra os aguilhões”. Antigamente, antes do uso de tratores, os agricultores aravam com cavalos ou bois sob um jugo.
Se o animal era indomável e queria seguir seu próprio caminho, o agricultor não conseguia arar a terra adequadamente. Ele usava um instrumento chamado aguilhão, com uma ponta na extremidade. Quando o animal dava coices contra ele, o aguilhão feria sua pata.
Depois de se machucar algumas vezes, o animal aprendia a lição. O Senhor estava dizendo a Saulo: “É isso que você está fazendo”.
Toda pessoa que vem a este mundo está sob a vontade de Deus. Somos Seus servos, criados para fazer a Sua obra. Mas, muitas vezes, pensamos que somos os senhores e queremos agir à nossa maneira.
Deus usa as circunstâncias ao nosso redor para tocar nossa consciência. Mesmo que a consciência de uma pessoa não seja sensível, ela ainda está ali. Deus a toca para que nos arrependamos. Mas, muitas vezes, não ouvimos; recalcitramos contra os aguilhões. Contudo, quanto mais somos feridos, mais podemos aprender a obedecer.
Essa foi a experiência de Saulo. Quando Estêvão foi apedrejado até a morte, Saulo guardava as vestes daqueles que o apedrejavam.
O rosto de Estêvão era como o rosto de um anjo. Ele viu os céus abertos e o Senhor Jesus em pé à direita de Deus, recebendo-o. Quando morreu, orou: “Perdoa-lhes”.
Vocês acham que a consciência de Saulo não foi tocada? Ele era um homem sério e zeloso. Ao ver tudo isso, sua consciência certamente deve ter sido tocada.
No entanto, a Bíblia diz que ele passou a perseguir os cristãos ainda mais severamente. Por quê? Ele estava tentando silenciar sua consciência.
Mas, graças a Deus, Deus conhecia seu coração. Saulo agia por ignorância, e a graça de Deus veio sobre ele.
Como podemos ser salvos? A Bíblia nos fala de um semeador que saiu a semear. A semente é lançada no solo do coração das pessoas. No Antigo Testamento, a palavra consciência não aparece como no Novo Testamento, mas a realidade está presente.
Vocês se lembram de como Davi cortou um pedaço do manto de Saul. Seu coração o condenou. Aquilo era a ação da consciência.
No Novo Testamento, em 1 João 3:21-22, ainda se usa a palavra coração. Se o seu coração não o condena, então você tem confiança diante de Deus, e sua oração é aceita por Ele.
Há algo dentro do nosso coração que é importante, e isso se chama consciência. Depois de crermos no Senhor, devemos fazer tudo de acordo com a consciência.
Isso significa que simplesmente agimos de acordo com a nossa própria mente? Não. Deus é o nosso padrão. O Espírito Santo fala à nossa consciência.
Quando o Espírito Santo fala à nossa consciência, sabemos o que é certo e o que é errado. Sem Ele, não sabemos o que Deus condena nem o que Deus considera justo.
O Espírito Santo recebe de Deus e nos ensina. Ele toca nosso coração para que entendamos o que é certo e possamos viver diante de Deus. Portanto, a função da consciência tem uma relação direta com a justiça.
No final de 1 João 2:29, está escrito que Deus é justo e que todo aquele que pratica a justiça é nascido Dele. Como podemos praticar a justiça? Como sabemos o que é certo e o que é errado? Onde está o padrão?
A consciência de um cristão recebe a instrução de Deus. Portanto, podemos dizer que a consciência de um cristão é a voz de Deus recebida dentro de nós.
Às vezes, a consciência nos condena; em outras ocasiões, ela nos absolve. Essa é a sua função. Portanto, a consciência é muito importante.
Paulo diz a Timóteo que devemos conservar a fé e uma boa consciência. Alguns, tendo rejeitado essas coisas, naufragaram no que diz respeito à fé.
Um navio navega de um lado para outro no oceano. O mundo é como esse oceano, e nós somos como navios navegando nele. Caminhamos de acordo com duas coisas: a fé no Senhor e uma consciência limpa.
Se um cristão perde uma consciência limpa, é como um navio que naufraga. Vocês podem ver como uma consciência limpa é importante.
Precisamos manter uma consciência limpa e irrepreensível. Por isso, precisamos exercitá-la.
Desde o dia em que você creu no Senhor até hoje, pense no que passou: você tem exercitado sua consciência? O Espírito Santo tem falado à sua consciência? Creio que sim. A questão é: como você tem respondido?
Você está cooperando com o Espírito Santo ou está se rebelando contra Ele? Se você se rebela e não coopera com Ele, sua vida espiritual será afetada. Mas, se cooperar, sua vida espiritual crescerá.
A Bíblia nos dá muitos ensinamentos sobre esse assunto. Diante de Deus e diante dos homens, devemos manter uma consciência limpa e irrepreensível.
Quando Paulo foi julgado diante do conselho judaico em Jerusalém, testemunhou:
Irmãos, até ao dia de hoje tenho vivido diante de Deus com toda a boa consciência.
Esse também deve ser o nosso testemunho. Caso contrário, não somos diferentes das pessoas do mundo.
O Espírito Santo nos ensina dia e noite. O Senhor está no céu intercedendo por nós, e o Espírito Santo, dentro de nós, continuamente nos dá a conhecer a vontade do Senhor.
Ele nos conduz a uma consciência limpa e irrepreensível, para que possamos estar diante de Deus e diante dos homens, e Deus seja glorificado.
A experiência de cada pessoa é diferente. Deus trabalha em nós de acordo com nossas diferentes situações. Mas há certos exemplos na Bíblia pelos quais podemos examinar a obra do Espírito Santo.
Antes de apresentar esses exemplos, quero esclarecer algo. Como o Espírito Santo fala em nossa consciência? Alguns talvez digam: “Deus nunca falou comigo. Nunca ouvi uma voz dizendo: ‘Por que Me persegues?’”
O Espírito Santo está em nosso espírito, e Ele fala à nossa consciência por meio do espírito. Quando Ele fala, é como uma voz mansa e suave.
Lembrem-se da história de Elias em 1 Reis 19:1-13. Elias havia procurado, com coragem, trazer toda a nação de volta a Deus. Mas, depois que Jezabel o ameaçou, ele fugiu para o monte Sinai.
Houve um forte vento, mas Deus não estava no vento. Depois houve um grande terremoto, mas Deus não estava no terremoto. Depois houve fogo, mas Deus não estava no fogo.
Depois dessas coisas, veio uma voz mansa e suave:
Que fazes aqui, Elias?
Quando o Espírito Santo fala em nossa consciência, é uma voz suave. Muitas pessoas não conseguem ouvi-la porque há barulho demais do lado de fora. Elas ouvem isto e aquilo, mas não conseguem ouvir o que está dentro.
Precisamos ficar quietos diante de Deus; então poderemos ouvir essa voz suave.
Quando o Espírito Santo fala, é muito claro. Seu falar não é confuso. Ele não apenas nos acusa; Ele nos encoraja e nos lembra. Seu falar é específico.
Não é como um vento impetuoso que derruba você, nem como um grande terremoto que o apavora. O Espírito Santo é suave dentro de nós.
A acusação de Satanás é diferente. Quando Satanás acusa, pode parecer que uma montanha está caindo sobre você. Tudo fica obscuro e confuso, e você se sente miserável, sem saber o que fazer.
Quanto mais você confessa sob a acusação de Satanás, pior pode se sentir, porque o propósito dele é confundir você. Mas essa não é a obra do Espírito.
Os irmãos vencem Satanás por causa do sangue do Cordeiro. Quando Satanás nos acusa, devemos declarar o sangue do Cordeiro, e ele se afastará de nós.
Precisamos discernir o Espírito Santo. Precisamos de uma consciência sensível, não de uma consciência fraca.
Às vezes, o Espírito Santo nos lembra de assuntos do passado. Podemos nos perguntar: “Todas as coisas do passado já não foram perdoadas? Por que Ele as traz à memória novamente?”
Há movimentos no cristianismo que dizem aos crentes que se lembrem de tudo o que fizeram de errado, tragam à tona todo o lixo antigo e confessem cada detalhe. Isso não está certo. O sangue do Senhor já lavou o passado.
Mas, às vezes, o Espírito Santo nos lembra de um assunto porque algo precisa ser acertado. Talvez, antes de se tornar cristão, você devesse dinheiro a alguém e nunca o tenha devolvido. O Espírito Santo pode dizer: “Isso não é justo. Você precisa pagar essa dívida”.
Ou talvez você tenha ofendido alguém antes de se tornar cristão e nunca tenha pedido desculpas. Qual é o seu testemunho se você afirma ser cristão, enquanto aquela pessoa o considera um hipócrita?
A Bíblia ensina tanto a confissão quanto a restituição. No Antigo Testamento, havia a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa. A oferta pela culpa dizia respeito à ofensa contra Deus, mas também ao mal cometido contra outras pessoas.
Quando ofendemos a Deus, o sangue do Cordeiro nos purifica. Quando ofendemos as pessoas, devemos fazer restituição. Isso é justiça.
O Senhor Jesus ensinou que, se você estiver apresentando sua oferta e se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deve primeiro se reconciliar com seu irmão. Depois poderá voltar e apresentar sua oferta. Isso é uma questão de justiça e de testemunho.
Deus usa esses assuntos para nos dar uma consciência limpa.
Deixem-me contar sobre um irmão que veio a crer no Senhor. Sua família era cristã exteriormente, mas, quando sua mãe foi salva, ela se firmou no Senhor e desejou realizar reuniões em sua casa.
Um dia, depois de reunir os filhos para o culto doméstico e ir até o piano para orar, o Espírito Santo falou com ela: “Você precisa reparar o que fez ao seu filho”.
Na família, havia duas irmãs mais velhas, e o filho muitas vezes levava a culpa. Um dia, um vaso precioso foi quebrado. A mãe presumiu que esse filho o havia quebrado e bateu nele. Daquele dia em diante, o filho passou a odiar a mãe.
Quando a irmã estava prestes a orar, o Espírito Santo falou novamente: “Você precisa acertar isso com seu filho”.
Na China, isso não era algo que normalmente acontecia. Os pais eram sempre considerados certos. Mesmo quando estavam errados, ainda se pensava que estavam certos. Os pais não confessavam suas faltas nem pediam perdão aos filhos.
Mas o Espírito Santo não a deixava em paz. Graças a Deus, ela se levantou, foi até o filho, abraçou-o e disse: “Filho, perdoe-me”.
Isso tocou profundamente aquele irmão. Não era apenas uma questão pessoal; era pelo testemunho do Senhor e pela preservação de uma consciência limpa.
Quando eu era jovem, depois de recebermos o Senhor, escrevíamos muitas cartas confessando nossos erros. Hoje não vemos isso com muita frequência.
Evan Roberts foi um servo muito usado por Deus. Ele perguntava às pessoas: “Quando foi a última vez que você confessou algo errado que fez?” Ele usava isso como uma medida da condição espiritual de um cristão.
Irmãos e irmãs, desde o dia em que cremos no Senhor, nossa consciência deve ser exercitada. Não vamos esperar três ou cinco anos. Se esperarmos tanto, isso se tornará muito mais difícil.
Quando somos salvos, precisamos tratar dessas questões de maneira clara e completa. Então poderemos estar diante dos homens e diante de Deus.
Quando o Espírito Santo habita em nós, Ele toca em muitos hábitos antigos. Deixem-me dar um exemplo da minha própria vida.
Embora eu fosse filho de um pastor, gostava de assistir a filmes. Quando o jornal chegava, a primeira coisa que eu lia era a programação dos cinemas.
Naquela época, eu não ousava ir ao cinema aos domingos, mas aos sábados tinha muitas oportunidades. Algumas pessoas eram donas de cinemas, e eu podia entrar de graça. Naquele tempo, vinte centavos compravam um ingresso, então eu assistia a filmes o tempo todo.
Depois que fui salvo, continuei indo assistir a filmes. Mas, enquanto assistia, sentia-me desconfortável. Pensei: “Está bem, não vou assistir a filmes ruins. Vou assistir a filmes religiosos”. Mesmo assim, meu coração ainda não se sentia bem.
Eu disse ao Senhor: “Vou tentar não assistir mais”. Não contei a outras pessoas, porque tinha medo de ser criticado. Passaram-se alguns meses sem que eu assistisse a nenhum filme.
Então alguém me deu ingressos para um bom filme religioso, em um cinema muito bom. Pensei: “Qual é o problema de ir? É um filme religioso”. Então fui.
Posso testemunhar, irmãos e irmãs, que, durante aquelas duas horas, meus olhos assistiam, mas meu coração travava uma batalha. Eu desejava que o filme terminasse, mas, ao mesmo tempo, queria assisti-lo até o fim.
Depois que saí, nunca mais fui ao cinema. O Senhor me tocou.
Talvez vocês tenham hábitos diferentes dos meus, mas o Espírito Santo sabe como exercitar a consciência de vocês.
Conheço algumas irmãs que, depois de crerem no Senhor, foram iluminadas pelo Espírito Santo a respeito de suas roupas. Conheço outras a quem o Senhor iluminou a respeito de seus relacionamentos com outras pessoas.
Depois de crermos no Senhor, temos um novo grupo de amigos. Isso não significa que simplesmente abandonamos todos os nossos antigos amigos, mas certas amizades não podem continuar a crescer da mesma maneira, porque o crente e o incrédulo não podem estar em jugo desigual.
Deixem-me contar algo sobre o irmão Lee. Ele se tornou cristão aos dezessete anos, amava profundamente o Senhor e logo começou a compartilhar mensagens.
Ele era muito próximo de uma jovem chamada Charity. Suas famílias se conheciam havia gerações, e os dois haviam crescido juntos. Eram amigos tão próximos que as pessoas presumiam que se casariam quando fossem mais velhos.
Depois que o irmão Lee creu no Senhor, quis compartilhar o evangelho com Charity, mas ela não creu. Ela disse: “Podemos conversar sobre qualquer coisa, menos sobre o cristianismo”.
Um dia, quando o irmão Lee estava indo a uma reunião para compartilhar, pareceu-lhe que o Senhor queria que ele falasse com base em Salmos 73:25:
A quem tenho eu no céu senão a Ti?
E na terra não há quem eu deseje além de Ti.
O Espírito Santo o iluminou: “Na terra, além de Mim, você ainda tem alguém a quem ama”.
Ele lutou com o Senhor. Disse: “Senhor, se Tu me permitires continuar a amá-la, irei aonde quer que Tu me envies”. Mas Deus não negocia com o homem.
Depois de muito conflito interior, ele disse: “Ó Senhor, se é a Tua vontade, estou disposto a abrir mão disso”. Vestiu suas roupas velhas, pegou um balde de cola e alguns folhetos evangelísticos, e saiu para colá-los nos muros.
Ele abriu mão do próprio desejo para obedecer ao Senhor. O Espírito Santo já trabalhou dessa maneira em nossa consciência? Ele já nos levou a exercitar nossa consciência para que tivéssemos uma consciência limpa diante dos homens e diante de Deus?
Tenho muitas histórias que poderia compartilhar, mas nosso tempo está acabando. Isso não é apenas doutrina; é um exercício.
Se não tivermos esse exercício, não teremos um viver espiritual. Mas, se vivermos sob a direção do Espírito Santo e aprendermos a obedecer-Lhe, a estatura da nossa vida espiritual crescerá. Esse é o verdadeiro viver cristão.
O Espírito Santo trabalha dentro de nós por meio da purificação da consciência.
O fim do mandamento é o amor.
De onde vem esse amor? Ele vem de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida. Se não tivermos uma consciência assim, pura, não poderemos ser cheios do amor de Deus.
Que Deus tenha misericórdia de nós.