É uma alegria tão grande ver jovens aqui. Estamos muito felizes pelos jovens que estão aqui. Meu neto está aqui. É muito bom ter jovens conosco enquanto nos voltamos para a Palavra de Deus.
Lembro ao meu próprio coração, e lembro a vocês, um princípio absolutamente indispensável quando nos aproximamos para estudar a Palavra de Deus: a dependência total do Espírito Santo de Deus. Somente Deus pode revelar Deus, e Ele tem prazer em fazê-lo. Ele anseia por revelar a Si mesmo, mas somente Deus pode revelar o Senhor.
Antes de orarmos, deixem-me compartilhar um versículo muito conhecido de Apocalipse 5:5. Vocês conhecem toda aquela passagem em que João chorava ao contemplar a visão, e então veio a palavra:
Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.
Sabem, o Cordeiro era Aquele que era digno de remover os selos e abrir o livro. Durante anos, apliquei isso ao estudo da Bíblia. Eu me apresentava diante do Senhor e dizia: “Senhor, remove os selos. Rompe os selos”. Mas o que eu geralmente queria dizer quando orava assim era: “Ajuda-me a entender. Remove os selos; abre o livro ao meu entendimento”.
Mas, em Apocalipse 5, é mais do que isso. Quando Ele remove os selos, quando rompe os selos daquele rolo — o que é esse rolo já é uma questão à parte —, não é para que possamos entendê-lo. É para que Ele possa cumpri-lo.
Portanto, quando Ele remove os selos, é mais do que: “Ajuda-me a enxergar”. É: “Realiza isso”. E Ele é digno de remover os selos, de nos fazer entender e, então, de realizar.
Então, vamos pedir Àquele que é digno que remova os selos, retire o véu e nos mostre, de maneira viva, o nosso Senhor Jesus. Vamos orar.
Pai celestial, nós Te agradecemos tanto porque podemos confiar em Ti nesta noite para revelar, de maneira renovada, o Senhor Jesus aos nossos corações. Sabemos que há irmãos aqui que têm contemplado a Ti há vinte, trinta e quarenta anos. Ainda assim, sabemos que é da Tua vontade dar uma nova revelação do Senhor Jesus.
Oramos para que todos nós estejamos abertos a isso e para que, pela Tua misericórdia, Tu Te encontres conosco. Obrigado pela Tua preciosa Palavra e pelo Espírito Santo, que habita em nossos corações para voltar os nossos olhos para Jesus.
Oramos para que, neste fim de semana, de maneira especial, ao examinarmos este extraordinário livro de Hebreus, Tu realmente reveles Cristo aos nossos corações. Entregamos este fim de semana a Ti, e cada irmão a Ti. Realiza toda a Tua vontade. Encontra-nos onde estamos. Leva-nos aonde Tu queres que estejamos. Pedimos isso no nome incomparável de Jesus. Amém.
Bem, sejam todos muito bem-vindos a este fim de semana. Antes de entrar no que está em meu coração, acho que pode ser útil contar como cheguei a este tema. Talvez isso esclareça um pouco as coisas e ajude vocês a me acompanhar à medida que avançamos.
Em Rhode Island, onde moro, tenho o privilégio de compartilhar a Palavra toda semana, quando não estou viajando, com um pequeno grupo de crentes que têm muita fome espiritual. Já faz algum tempo que estamos estudando o Evangelho de João, e chegamos a João 17.
Tenho certeza de que vocês conhecem esse capítulo maravilhoso. Muitos o chamam de oração sacerdotal do Senhor Jesus. Enquanto meditava em João 17 e pensava em como essa oração passou a ser chamada de oração sacerdotal do Senhor Jesus, inclinei-me, juntamente com muitos comentaristas bíblicos, à ideia de que ali está o embrião do Seu ministério atual no céu.
Em outras palavras, a oração que Ele fez na noite em que foi traído, a oração que fez um dia antes de ir à cruz, era uma oração-modelo — uma amostra. Era um prelúdio do ministério que Ele subiria ao céu para exercer: a oração sacerdotal. Ele subiria ao céu para Se tornar o Sumo Sacerdote.
Agora, nesse sentido, não sou o primeiro a observar que Deus reservou isso para o livro de Hebreus. Até onde sei, não há outro livro no Novo Testamento que diga de maneira tão explícita: “Jesus é o nosso Sumo Sacerdote”. Deus reservou isso para o livro de Hebreus — somente para o livro de Hebreus.
Acho que Ele é retratado como sacerdote em outras passagens, mas, para declarar abertamente que Jesus é o Sacerdote, Deus nos deu o livro de Hebreus. Talvez, quando Ele purificou aquele leproso samaritano e deu a ordem: “Vai, mostra-te ao sacerdote”, e aquele leproso se prostrou diante Dele, houvesse ali alguma indicação de quem é o verdadeiro Sacerdote. Talvez, quando Ele purificou o templo e ensinou no templo, aquilo fosse uma sombra disso.
Estou bem certo de que, quando Ele ressuscitou e subiu ao céu, havia ali também uma pequena representação disso. Alguns que estudaram Apocalipse dizem: “Bem, o Sacerdote está ali mesmo, em Apocalipse 1”. Não apenas o Sacerdote — o Sacerdote real. Ele está coroado, e ali é Sacerdote. Pode ser; muitos pensam assim.
Alguns pensam que, mesmo na cruz, Ele era tanto Sacerdote quanto sacrifício. Não tenho certeza, por causa de Hebreus 8:4. O texto diz:
Se Ele estivesse na terra, nem sequer seria sacerdote.
Essa é uma passagem que merece um estudo à parte. Mas, para declarar isso de forma clara e explícita, Deus nos deu o livro de Hebreus. Há muitas outras referências que apresentam sombras dessa realidade.
Assim, à medida que me aprofundava cada vez mais naquela oração, fui levado ao livro de Hebreus: a oração sacerdotal, o livro de Hebreus. É ali que Ele é o Sumo Sacerdote.
Era dezembro e, como era dezembro, eu estava atento. É simplesmente um hábito santo que tenho: procuro um versículo para o ano e um livro para o ano. Todos os anos, procuro um versículo e um livro para o ano. Não quero fazer isso de maneira legalista, mas tem sido uma grande bênção em minha vida.
Como eu estava em João 17 e havia sido levado ao livro de Hebreus, decidi: “Esse será o meu livro do ano. Vou estudar Hebreus de maneira especial neste ano”.
Eu havia avançado dois capítulos no estudo e estava maravilhado com duas verdades:
Ele é o Deus-Homem. Todo o livro de Hebreus O apresenta como Sacerdote. O meu Sacerdote é o Deus-Homem. Deus está orando a Deus por mim. O que isso significa? O Homem está orando a Deus por mim. O que isso significa?
Foi até aí que cheguei. Eu estava maravilhado com essa verdade. Na providência de Deus, recebi um convite do irmão Holloway para compartilhar com vocês, irmãos, aqui em Easton. Ele me perguntou se o Senhor havia colocado alguma mensagem em meu coração.
Bem, eu estava me deleitando em Hebreus 1 e 2. Não hesitei nem por um instante. Respondi, contando como Deus vinha trabalhando em meu coração por meio de Hebreus 1 e 2: Deus está orando a Deus por mim; o Homem está orando a Deus por mim; o meu Sumo Sacerdote é o Deus-Homem.
Naquela ocasião, essa era toda a luz que eu tinha. Num ato de fé a sangue-frio, disse: “Sim, terei prazer em compartilhar com os irmãos. Diga a eles que vamos estudar Hebreus 1 e 2”. Portanto, tenham misericórdia de mim, irmãos.
Desde aquele dia de dezembro, passei muitas horas preciosas diante do Senhor meditando nesse tema maravilhoso. Ainda pretendo examinar Hebreus 1 e Hebreus 2, mas a mensagem é um pouco mais abrangente do que eu imaginava. É muito mais do que eu esperava.
Ainda vamos nos concentrar na beleza da verdade de que o Deus-Homem está orando por nós. Mas descobri que essa é apenas uma pequena parte do Seu ministério no céu.
O que vamos fazer neste fim de semana, com a ajuda de Deus, é dar uma introdução aos dois primeiros capítulos antes de examiná-los. Depois da introdução desta noite, gostaria de continuar introduzindo os dois primeiros capítulos amanhã de manhã — duas introduções aos dois primeiros capítulos. Então, com a ajuda de Deus, examinaremos esses capítulos maravilhosos.
É minha convicção que o cristão, de modo geral, está muito mais firmado na obra consumada do nosso Senhor Jesus Cristo — a obra que Ele realizou na cruz. Os cristãos sabem o que Ele fez ali: Sua obra passada, Sua obra consumada.
Quando digo “firmado”, não quero dizer apenas que conhecem os fatos. Pela graça de Deus, eles realmente se identificaram com esses fatos e entraram na realidade da Sua obra consumada. Acho que há muitos irmãos aqui que se identificaram com a Sua obra consumada, e vocês sabem o que significa ser crucificado com Cristo, ser sepultado com Ele, ser ressuscitado com Ele e estar assentado com Ele. Tudo isso se baseia na Sua obra consumada.
Mas é minha convicção — e uma convicção cada vez mais forte — que há uma grande nuvem de desconhecimento sobre o Seu ministério atual no céu, neste exato momento. O que Ele está fazendo agora?
Ele tem uma obra consumada, e estamos razoavelmente firmados nela. Há também uma obra ainda em andamento. O que Ele está fazendo no céu agora? Está apenas sentado ali, esperando o relógio profético dar a hora para que possa voltar?
Algumas pessoas respondem: “Ah, eu sei o que Ele está fazendo. Está preparando uma mansão para mim. Está preparando um lugar”. Há dois mil anos Ele está trabalhando na minha mansão. Ele levou sete dias para criar todo este universo, mas está trabalhando há dois mil anos na minha mansão. “Vocês precisam ver a minha mansão!”
Bem, acho que vocês deveriam ler o contexto de João 14:3, onde Ele disse:
Vou preparar-vos lugar.
No contexto, Ele está dizendo: “Vou à cruz preparar um lugar para vocês. Agora vou ao céu preparar um lugar para vocês”.
O que Ele está fazendo ali? O que está fazendo lá em cima neste momento? Sabemos que não é simplesmente um tempo ocioso. O que Ele está fazendo lá em cima?
Ele está ministrando. Como isso me afeta? Como isso nos afeta? Como isso afeta a igreja? Como isso afeta os Seus propósitos na terra?
Não vou fazer isso, mas fico pensando quantos, se percorrêssemos fileira por fileira, se identificaram com a Sua obra passada — Sua obra consumada. Quantos se identificaram com a Sua obra atual, neste momento, com o Seu ministério no céu?
Nesse sentido, conforme entendo, há uma relação real entre o livro de Romanos e o livro de Hebreus. Ambos são livros fundamentais.
O livro de Romanos, como vocês sabem, apresenta aos nossos corações tudo o que Ele já fez. É a obra consumada — Sua salvação. Depois, as epístolas que se seguem, as epístolas às igrejas, mostram como é essa vida.
Quando falamos das sete igrejas, não vão imediatamente a Apocalipse. Há sete igrejas nas epístolas às igrejas. Se entrei na verdade de Romanos, na Sua obra consumada, como será a minha vida? Ela será como o que vemos em Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses e Tessalonicenses. É assim que ela será.
Da mesma forma, Hebreus é um livro fundamental, com esta diferença: Romanos me diz o que Ele fez; Hebreus me diz o que Ele está fazendo agora.
É isso que vamos examinar neste fim de semana: o que Ele está fazendo agora? Por que tantos cristãos são fracos quanto aos livros do final do Novo Testamento? Porque não estão firmados no livro de Hebreus — naquilo que Ele está fazendo agora.
Se estou firmado em Romanos, minha vida será como o que vemos nas epístolas que vêm depois de Romanos. Se estou firmado no Seu ministério atual, minha vida será como o que vemos nas epístolas que vêm depois do livro de Hebreus. Deus organizou tudo isso. É um plano maravilhoso, maravilhoso.
Não respondam: que contribuição 2 Pedro, 2 João e 3 João deram à sua vida? Por que as pessoas são fracas nesse aspecto? Que contribuição Judas deu à sua vida? Esse livro alguma vez transformou sua vida? Pode transformar.
Deus quer abrir nossos olhos para a Sua obra em andamento tanto quanto abriu nossos olhos para a Sua obra consumada. Pela graça de Deus, irmãos, é isso que gostaria que examinássemos.
Gostaria de compartilhar o que será uma espécie de passagem-chave para nós: Hebreus 8:1-2.
Ora, a suma do que temos dito é esta:
Temos um Sumo Sacerdote tal,
Que Se assentou à destra do trono da Majestade nos céus;
Ministro do santuário,
E do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.
O versículo 1 diz que Ele é Sumo Sacerdote. O versículo 2 diz que Ele está ministrando. Ele é um Sumo Sacerdote que está fazendo alguma coisa. Está ministrando no verdadeiro tabernáculo.
Agora, irmãos, como vocês devem imaginar, não podemos examinar tudo neste fim de semana. Mas espero que possamos examinar alguma coisa. Precisamos examinar alguma coisa. É por isso que estamos aqui.
A ideia de que Ele é Sacerdote no céu — fiquei maravilhado quando comecei a estudar isso. Na verdade, já faz alguns anos que, de vez em quando, tenho me aproximado desse assunto do sacerdócio do Senhor Jesus, explorando-o um pouco. Mas nunca me dediquei de maneira sistemática a pedir a Deus que abrisse meu coração para essa revelação. É isso que estou orando para que Ele faça neste ano.
Portanto, vocês estão acompanhando apenas os estágios iniciais disso aqui. Estão recebendo minhas primeiras impressões de tudo isso. Mas o Seu sacerdócio é maior do que eu imaginava.
Lá em cima, Ele é o nosso Advogado, com tudo o que isso significa. Lá em cima, Ele é o nosso Precursor, com tudo o que isso significa. Lá em cima, Ele é o Mediador da nova aliança, com tudo o que isso significa. Lá em cima, Ele é o Intercessor, com tudo o que isso significa.
Não podemos examinar tudo isso neste fim de semana. Então, quero tomar uma pequena parte desse último aspecto: Cristo, nosso Intercessor.
O que significa dizer que Deus está orando a Deus por mim? O que significa dizer que o Homem está orando a Deus por mim? Vamos nos concentrar apenas nessa parte. Que Deus nos ajude.
Deixem-me apresentar algumas passagens das Escrituras, apenas para colocá-las diante do coração de vocês. Então, acho que ficará claro como desenvolveremos o assunto à medida que avançarmos.
Primeiro, gostaria de ler Hebreus 2:17-18.
Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos Seus irmãos,
Para ser misericordioso e fiel Sumo Sacerdote nas coisas concernentes a Deus,
Para fazer propiciação pelos pecados do povo.
Porque, naquilo que Ele mesmo, sendo tentado, padeceu,
Pode socorrer aos que são tentados.
Por favor, vejam Hebreus 4:14-16.
Visto que temos um grande Sumo Sacerdote,
Que penetrou os céus,
Jesus, o Filho de Deus,
Retenhamos firmemente a nossa confissão.Porque não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-Se das nossas fraquezas;
Porém Um que, como nós, em tudo foi tentado,
Mas sem pecado.Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça,
Para que possamos alcançar misericórdia,
E achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.
Mais uma passagem, por favor: Hebreus 7:24-25.
Mas Este, porque permanece eternamente,
Tem um sacerdócio imutável.
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus,
Vivendo sempre para interceder por eles.
Se Deus nos conceder Sua graça neste fim de semana, gostaria que examinássemos o ministério atual do nosso Senhor Jesus como Intercessor, especialmente em sua relação com Hebreus 1 e 2. Ele é Deus. Ele é Homem. Ele é o nosso Sacerdote. Ele é o Deus-Homem.
Deus está orando a Deus por você, e o Homem está orando a Deus por você. O que isso significa? Que Deus nos ajude.
Eu disse que nesta noite gostaria de fazer uma introdução. Hebreus é o único livro do Novo Testamento que chama Jesus de Sumo Sacerdote de maneira explícita. Ainda assim, há passagens das Escrituras que antecipam isso, prefiguram isso e servem como sombras do que temos em Hebreus.
Ah, como eu gostaria que tudo coubesse no nosso tempo disponível! Escolhi, entre várias ilustrações possíveis, duas grandes ilustrações que antecipam o ministério atual de Cristo. Não estou dizendo que existem apenas duas.
Todo o sacerdócio de Levi e Arão é uma figura. Melquisedeque e seu encontro com Abraão também são uma antecipação. A visão que Zacarias teve em Zacarias 3, de Josué, o sumo sacerdote, com suas vestes festivas, certamente é uma figura. Muitas das passagens sobre o parente remidor podem representar a mesma coisa.
A maneira como Moisés intercedeu pelo povo pode ser uma figura do sacerdócio do nosso Senhor Jesus. A coroação de Josué, o sumo sacerdote, no livro de Zacarias certamente faz parte dessa representação. Salmos 110, a profecia de Melquisedeque — é preciso incluir isso. Faz parte da representação, e assim por diante.
Acho que o livro do Novo Testamento que mais se aproxima de chamá-Lo de Sacerdote talvez seja 1 João, porque diz em 1 João 2:1:
Se alguém pecar, temos um Advogado.
Isso faz parte do sacerdócio. Pelo menos ali há uma indicação.
Enfim, escolhi duas passagens das Escrituras que antecipam e nos preparam para aquilo que Ele está fazendo agora. Vou pedir que vocês abram em Êxodo 28 para a primeira figura.
Êxodo 28 descreve as vestes de beleza e glória de Arão, o sumo sacerdote — as vestes com que ele ministrava no Dia da Expiação.
Quando vocês lerem o livro de Hebreus, verão repetidas vezes que o nosso Senhor Jesus é Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Em outras palavras, Seu ministério sacerdotal não segue, em primeiro lugar, o modelo de Arão.
Na verdade, é o contrário. O sacerdócio de Melquisedeque segue o modelo de Cristo, e o de Arão, em alguns aspectos, segue o modelo de Cristo. Mas, tendo dito isso, não cometamos o erro que alguns comentaristas bíblicos cometeram.
Alguns dizem que, por Seu sacerdócio ser semelhante ao de Melquisedeque, ele é, portanto, diferente do de Arão. É verdade que difere do de Arão em muitos aspectos. Arão era da tribo de Levi. Arão não era um sacerdote real. Arão teve princípio e fim. Arão teve um sucessor. Arão era pecador. Há muitos aspectos em que Cristo não é como Arão.
Mas leiam Hebreus 8 e 9. Ele também é como Arão. O sacerdócio do nosso Senhor Jesus é tão maravilhoso que não poderia ser representado por uma única figura. Em alguns aspectos, Ele é como Arão, e, em outros, não é como Arão. Principalmente, Ele é como Melquisedeque, mas não descartem Arão, dizendo que Ele não é como Arão em nenhum aspecto, porque há alguns aspectos em que é.
Às vezes, quando Deus dá uma figura, ela chega ao seu limite. Ele quer mostrar a ressurreição, então diz: “Observem Isaque. Observem-no subir o monte”. Depois diz: “Muito bem, Isaque, você terminou a sua parte. Olhem para o carneiro”. São necessárias duas figuras para representar a mesma coisa.
Quando Ele quer mostrar a provisão, diz: “Observem o maná, o maná, o maná”. Depois faz cessar o maná, e Canaã passa a ser a figura. Quando quer mostrar a direção, diz: “Olhem para cima. Sigam a nuvem, a nuvem, a nuvem”. Depois já não há nuvem, e Ele diz: “Agora sigam a arca, a arca, a arca”. Uma única figura não basta.
Então Ele diz: “Aqui está o tabernáculo, uma casa feita de peles que posso encher com a Minha glória”. Depois de algum tempo, Ele desmonta o tabernáculo e o coloca no templo, porque agora o templo é a figura. Uma única figura não é suficiente.
Portanto, vamos examinar as vestes de Arão em Êxodo 28, começando no versículo 2.
E farás vestes santas a Arão, teu irmão,
Para glória e ornamento.
Falarás também a todos os sábios de coração,
A quem Eu tenho enchido do espírito de sabedoria,
Que façam vestes a Arão para santificá-lo,
Para que Me administre o ofício sacerdotal.
Vestes santas para glória e beleza, porque elas vão comunicar algumas verdades gloriosas e algumas verdades belas.
Quero chamar a atenção para quatro partes dessa veste que, a meu ver, antecipam o ministério atual do nosso Senhor Jesus. A primeira são as pedras de ônix nos ombros do sumo sacerdote. Comecemos em Êxodo 28:7.
Terá duas ombreiras unidas às suas duas extremidades,
Para que seja unido.
E o cinto de obra esmerada, que estará sobre ele,
Será da mesma peça e conforme a sua obra;
De ouro, de azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido.E tomarás duas pedras de ônix,
E gravarás nelas os nomes dos filhos de Israel:
Seis dos seus nomes numa pedra,
E os nomes dos outros seis na outra pedra,
Segundo o seu nascimento.Conforme a obra do lapidador,
Como a gravura de um selo,
Gravarás as duas pedras,
Segundo os nomes dos filhos de Israel:
Engastadas em ouro as farás.E porás as duas pedras nas ombreiras do éfode,
Por pedras de memória para os filhos de Israel:
E Arão levará os seus nomes diante do Senhor sobre ambos os seus ombros,
Para memória.
Agora vejam Êxodo 28:15. A segunda peça é o peitoral do sumo sacerdote.
Farás também o peitoral do juízo,
De obra esmerada;
Conforme a obra do éfode o farás:
De ouro, de azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino torcido o farás.
Se vocês derem uma olhada em Êxodo 28:17-20, verão que naquele peitoral havia quatro fileiras de pedras preciosas: rubi, topázio, esmeralda, turquesa, safira, diamante, jacinto, ágata, ametista, berilo, ônix e jaspe — todas engastadas em ouro.
Aqui estamos só entre homens. Se nossas esposas estivessem aqui, elas adorariam todas essas joias.
O sumo sacerdote representava os filhos de Deus em dois lugares: nos ombros e sobre o coração. Havia seis tribos em cada ombro, e todas aquelas pedras preciosas representavam todo o povo de Deus.
Vejam Êxodo 28:29.
Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo,
Sobre o seu coração,
Quando entrar no santuário,
Para memória diante do Senhor continuamente.
Aquele belo peitoral era feito de ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido.
Quero que vocês usem a imaginação sob o controle do Espírito e procurem assimilar o que estava acontecendo aqui. Imaginem o sumo sacerdote, especialmente no Dia da Expiação, entrando para representar todo o povo de Deus.
Ele já havia oferecido o cordeiro sacrificial no átrio exterior, sobre o altar de bronze. Ao seguir pelo caminho determinado por Deus, figurativamente falando, ele avançava em direção à presença de Deus — à presença simbólica de Deus. Deus estava no Santo dos Santos. Estava no trono. A arca tinha a forma de um trono, e Ele era o Rei invisível.
O que Deus via quando o sumo sacerdote se aproximava? Que tipo de representação aquele sacerdote estava oferecendo?
Comecemos pelo ombro. Creio que as pedras nos ombros do sumo sacerdote indicavam que cada filho de Deus recebia uma representação igual diante do Deus santo.
Gosto muito da expressão de Êxodo 28:10:
Segundo o seu nascimento.
Evidentemente, as pedras estavam dispostas da mesma maneira que os filhos de Israel — os irmãos de José — foram dispostos ao redor da mesa: segundo o seu nascimento.
Chamo isso de representação igual porque todos nós nascemos de novo, segundo o nosso nascimento. Eu sou um ônix. Você é um ônix. Lutero era um ônix. Darby era um ônix. O apóstolo Pedro era um ônix. Todos nós somos pedras de ônix.
Li que o ônix da Bíblia não é exatamente o mesmo que imaginamos hoje. Ezequiel 28 fala do ônix como uma pedra preciosa e uma pedra brilhante. Não sei exatamente o que era, mas sei que era muito, muito precioso.
Mas Ele não nos dá apenas uma representação igual; Ele nos dá uma representação individual. Ele não apenas nos vê e sabe que somos todos iguais. Ele vê a mim e vê a você.
Às vezes olhamos para uma multidão e dizemos — é uma expressão —: “É um mar de rostos”. Geralmente, o que queremos dizer é que o indivíduo se perdeu na multidão. “Não vi ninguém em particular; só vi todo mundo. Vi um mar de rostos.”
Bem, irmãos, Deus nunca vê um mar de rostos. Nunca. Ele vê o indivíduo no grupo.
Nestes últimos dias, Deus abriu os olhos da Sua igreja para o corpo, e bendizemos a Deus por essa revelação. Mas talvez tenhamos perdido de vista o indivíduo por enxergarmos tanto o corpo.
Cada pessoa nesta sala tem uma representação individual por meio do seu Sumo Sacerdote. Não estou dizendo que Ele não vê o grupo. Certamente vê. Ele vê os ombros. Vê o grupo. Somos todos iguais. Ele vê a todos nós. Mas também vê cada um no grupo.
Nesse sentido, tenho certeza de que vocês conhecem Salmos 139:1-5.
Senhor, Tu me sondaste, e me conheces.
Tu conheces o meu assentar e o meu levantar;
De longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar e o meu deitar;
E conheces todos os meus caminhos.
Não havendo ainda palavra alguma na minha língua,
Eis que logo, ó Senhor, tudo conheces.
Tu me cercaste por detrás e por diante,
E puseste sobre mim a Tua mão.
Tal ciência é para mim maravilhosíssima;
Tão alta que não a posso atingir.
Toda vez que você se senta, irmão; toda vez que se levanta; toda vez que se deita na cama; toda vez que sai da cama — Deus sabe.
Hoje é 13 de março. Daqui a vinte e cinco anos, em 13 de março de 2034, se você ainda estiver vivo, estará pensando em alguma coisa nesta hora — às nove horas. Em que você estará pensando daqui a vinte e cinco anos, nesta mesma hora?
Essa passagem diz que Deus já sabe. Ele conhece de longe o seu pensamento. Antes que haja uma palavra na sua língua, Ele já a conhece.
Irmãos, às vezes o povo de Deus pode ficar saturado das verdades de Deus. As pessoas vêm às conferências, estudam, leem os livros, têm a biblioteca certa, ouvem as fitas certas e ficam saturadas.
Oro para que vocês não tenham vindo neste fim de semana apenas para saber mais sobre a Bíblia do que já sabem, ou para conhecer alguma teologia que ainda não ouviram. Vamos abordar verdades que dizem respeito à nossa vida, que dizem respeito à realidade.
Uma delas é esta: neste momento, irmão, cada pessoa nesta sala está sendo representada pelo seu grande Sumo Sacerdote. Você está sobre o Seu ombro. Você está sobre o Seu coração.
Essa é uma verdade gloriosa, gloriosa — maravilhosa de contemplar. Coloquem-se, por favor, no lugar do sumo sacerdote enquanto ele representava todos os filhos de Deus naquele Dia da Expiação.
Simbolicamente, Deus estava no Santo dos Santos. Imaginem o candelabro de ouro brilhando, com sua luz tremulando sobre o ouro entretecido nas vestes do sumo sacerdote. Ao entrar, o sacerdote caminhava em direção a Deus. Deus estava lá dentro, e Deus o observava entrar.
O que Deus via quando aquele sumo sacerdote entrava, ao passar por aquele candelabro de sete braços? Não seria uma visão deslumbrante ver todas aquelas joias cintilando na luz?
Não leiam isso de maneira superficial. Quem está representado por aquelas joias? Sem reservas, creiam nisso de todo o coração: é você, sou eu, somos nós.
Vocês podem olhar para mim e dizer: “Ed Miller, você não tem muito brilho. Está ficando mais velho, mais gordo, mais grisalho, com menos cabelo. Você simplesmente não tem muito brilho”.
Eu não acho que sou sem brilho. Ele também não. Ele não acha que você é sem brilho. Não há cristão sem brilho aos olhos de Deus.
Você está nos ombros do Sumo Sacerdote e está no peitoral do Sumo Sacerdote. Para Ele, você é uma safira. Para Ele, você é um diamante. Para Ele, você é uma joia. Para Ele, você é uma pedra preciosa. Creia nisso.
Essa é uma figura tão maravilhosa. Nenhum cristão é sem brilho aos olhos de Deus. Fico pensando nesta noite: aos olhos do Senhor, o que uma reunião como esta deve representar para Ele, enquanto somos representados pelo nosso Sumo Sacerdote — carregados em Seus ombros e carregados sobre o Seu coração?
Não pensem, nem por um único instante, que, por eu ter dito que vocês são pedras preciosas, vocês têm acesso a Deus por serem pedras preciosas. “Estou entrando na Sua presença porque sou uma joia.” Não, você não está entrando na Sua presença por ser uma joia.
Há apenas uma maneira de entrar na Sua presença: sobre os Seus ombros. Há apenas uma maneira de entrar na Sua presença: sobre o Seu coração. Não há outra maneira de entrar na Sua presença.
Não chegamos ali por sermos pedras preciosas ou joias. O fato de sermos joias preciosas não significa nada à parte do fato de estarmos sobre o Seu coração. Essa é a figura que Deus pintou em Êxodo. Agora Hebreus vai desenvolver isso.
Hebreus vai tomar essa verdade — que o governo está sobre os Seus ombros. O governo da sua vida, a responsabilidade pela sua vida, está sobre os Seus ombros. Hebreus vai desenvolver o fato de que você está sobre o Seu coração e de que todo valor precioso que você tem decorre de Ele carregá-lo sobre o Seu coração.
Mas garanto uma coisa: isso antecipa o que Ele está fazendo agora. Vamos examinar o que Ele está fazendo, mas isso é uma figura dessa realidade.
O que Ele está fazendo agora? Está dando a cada cristão uma representação igual. Está dando a cada cristão uma representação individual. Está dando a cada cristão uma representação gloriosa. Tudo isso está representado aqui. Está sendo antecipado.
Quero mostrar mais algumas coisas sobre a veste, e então chegaremos à segunda ilustração.
Não consigo ir tão longe quanto alguns, especialmente aqueles queridos escritores do movimento dos Irmãos. Não sei se vocês conhecem muitos desses escritores, mas eles conseguem mergulhar tão fundo, ficar lá embaixo por tanto tempo e voltar com tanta coisa. Eu mergulho e logo fico sem fôlego.
Às vezes não consigo assimilar pessoalmente tudo o que eles dizem. Não estou dizendo que aquilo não esteja lá. Eles enxergaram. Oro para que Deus abra meus olhos para enxergar cada vez mais. Não mergulho tão fundo. Eu meio que enxergo as coisas principais.
Ainda não estou pronto para dizer que, toda vez que vemos ouro, ele é uma figura da divindade; toda vez que vemos azul, é algo celestial; toda vez que vemos linho, é santidade; toda vez que vemos uma romã, é vida e fruto; e toda vez que vemos um querubim, é a criação ideal de Deus. Não sei se é ou não. Pode ser.
Vejo ouro, carmesim, púrpura e branco, e digo: “Cores reais”. Para mim, isso satisfaz o coração. Talvez haja mais, e talvez algum dia Ele me mostre isso.
Quando li essa passagem, vi que o éfode e o peitoral estavam ligados de maneira elaborada. Vou ser sincero com vocês: não sei o que significam aquelas duas argolas de ouro, o que significam aqueles dois cordões de ouro, nem o que significa a ordem de garantir que tudo esteja preso aos engastes de filigrana. Isso me deixa com a cabeça girando.
Não entendo muito bem como o cordão azul e o cinto de obra esmerada mantêm tudo unido. O que vejo é que há alguma ligação entre aquilo que está nos ombros e aquilo que está no coração. Então captei o princípio geral: existe uma relação ali. Sei que existe uma ligação ali.
Aqui estão dois detalhes sobre os quais acho que talvez tenha um pouco de luz. Um deles está em Êxodo 28:30.
Também porás no peitoral do juízo o Urim e o Tumim;
Para que estejam sobre o coração de Arão,
Quando entrar diante do Senhor:
Assim Arão levará o juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração,
Diante do Senhor continuamente.
Além de cada crente estar representado sobre o Seu coração, aquele peitoral tinha uma pequena bolsa. Na bolsa, sobre o Seu coração, estavam o Urim e o Tumim.
Vocês que estudam a Bíblia e já estudaram o Urim e o Tumim sabem como é difícil entender isso. Não estou aqui para ajudá-los a resolver essa dificuldade. Não sei como funcionava. Já li as teorias.
Alguns dizem que eram como pequenas pedras, uma positiva e outra negativa; se fosse a vontade de Deus, brilhariam, e, se houvesse algum desastre iminente, perderiam o brilho, ou algo assim. Não sei exatamente como funcionavam, mas sei duas coisas com certeza.
O Urim e o Tumim eram usados para descobrir a vontade de Deus. Isso eu sei. E sei, juntamente com os demais comentaristas bíblicos, o que essas palavras significam. As palavras têm significado.
A palavra Urim significa luz; significa brilhante. Na verdade, a palavra fogo vem dela. Significa brilhante como fogo. A palavra Tumim significa perfeito, perfeição, completude.
Luz perfeita: a vontade de Deus. Luz perfeita. Não sei se posso ir além disso, mas sei que isso é verdade.
Não sou a única coisa carregada sobre o Seu coração. A vontade de Deus também é preciosa para Ele e é carregada sobre o Seu coração. Todo cristão que faz jus ao nome e leva a sério as coisas do Senhor deseja conhecer e fazer a vontade de Deus.
Queremos conhecer a vontade de Deus. Vou dizer como muitos cristãos deixam de encontrá-la: muitos cristãos deixam de encontrar a Sua vontade justamente por correrem atrás dela. Tentam encontrar a Sua vontade e, por isso, acabam não a encontrando.
Você não vai encontrar a vontade de Deus correndo atrás da vontade de Deus. A vontade de Deus é uma consequência; não é o objetivo. Você não corre atrás da vontade de Deus. Você busca o Deus a Quem essa vontade pertence. É o próprio Senhor.
O mais fundamental na direção é o Guia. Acho que já contei esta história uma vez, mas vale a pena repetir.
Eu tinha um amigo querido cuja vida cristã ficou muito desordenada. Ele se mudou de Rhode Island para o Texas, e um dia recebi uma ligação: “Estou voltando para o Senhor. Estou voltando. Ore por mim. No caminho, vou parar na Carolina do Sul e encontrar o irmão Fulano. Ore por nós”.
Ele havia comprado uma pilha enorme de livros porque queria acertar sua vida com Deus. Levou todos aqueles livros à casa do nosso irmão e os colocou sobre a mesa. O irmão Bob perguntou ao irmão Bill: “O que você está fazendo com todos esses livros?”
Ele disse: “Vou descobrir a vontade de Deus”.
Então olhou para o outro irmão e perguntou: “Por onde devo começar?”
Ele respondeu: “Não sei. Por que você não começa pelo livro que está em cima?”
“Qual é?”
Ele disse: “A Bíblia Temática de Nave”.
Então ele perguntou: “O que devo procurar?”
O irmão respondeu: “Por que você não procura ‘direção’?”
Então ele procurou “direção”. Estava escrito: “Veja Deus”.
Ele se desfez de todos aqueles livros e voltou para o Senhor. Essa é uma maneira de encontrar direção. Se você O reconhecer em todos os seus caminhos, Ele endireitará as suas veredas. Você não pode errar o caminho se buscar o próprio Senhor.
O Urim e o Tumim pertencem ao Sacerdote, não a você nem a mim. O Sacerdote tem o Urim e o Tumim. Você tem o Sacerdote. Portanto, você tem luz perfeita — direção perfeita. Eu tenho direção perfeita.
Vocês se lembram de que havia uma relação entre a Sua obra consumada e a Sua obra em andamento. Antes que o sacerdote pudesse levar aquelas pedras diante do Senhor, precisava realizar a obra lá fora, no átrio exterior. Precisava matar o cordeiro. Aquele sangue precisava ser derramado. O Substituto precisava ser oferecido.
Então o sumo sacerdote entrava na presença de Deus e, segundo a Bíblia, trazia esta inscrição sobre a testa. Ouçam Êxodo 28:36-38.
Também farás uma lâmina de ouro puro,
E nela gravarás, como as gravuras de um selo:
Santidade ao Senhor.
E atá-la-ás com um cordão de azul,
De maneira que esteja na mitra;
Na parte dianteira da mitra estará.
E estará sobre a testa de Arão,
Para que Arão leve a iniquidade das coisas santas,
Que os filhos de Israel santificarem em todas as ofertas de suas coisas santas;
E estará continuamente na sua testa,
Para que tenham aceitação perante o Senhor.
Quando o sumo sacerdote terminava a obra consumada, começava sua obra em andamento. Ao entrar, Deus via: Santidade ao Senhor.
Digo a vocês, irmãos, que essa é uma figura extraordinária. E isso é apenas a figura. Aqui está a realidade: estamos nos apresentando diante de Deus purificados, com uma consciência pura e limpa diante de um Deus santo.
Não vou reservar tempo para procurar a passagem agora, mas encorajo vocês a ler a visão que Zacarias teve. Em uma única noite, ele teve oito visões. Aquela foi uma péssima noite para dormir. Ele teve oito visões numa só noite.
Em Zacarias 3, ele vê essa figura do sumo sacerdote. Ele estava vestido com roupas sujas; depois recebeu vestes festivas, e um turbante foi colocado em sua cabeça.
Em Zacarias 3:7, Deus diz que ele agora tem o mesmo acesso que os anjos que nunca pecaram. Vocês creem nisso nesta noite — que estão assim tão limpos, que têm o mesmo acesso a Deus que os anjos que nunca pecaram?
Essa não é a melhor parte da visão. A melhor parte é Zacarias 3:9. O texto diz que diante de Josué havia uma pedra com sete olhos. Vocês se lembram disso? A explicação de Deus sobre os sete olhos está em Zacarias 4:10: os sete olhos são os olhos do Senhor.
Deus tem sete olhos, e Josué, representando o povo, estava tão limpo que todos os sete olhos de Deus não conseguiam encontrar uma mancha. Isso, sim, é estar limpo.
Olho para a minha vida. Olho para o meu coração. Olho para alguns pensamentos que passam por esta cabeça tola — algumas das minhas motivações, meu serviço, tão fraco. E só consigo dizer: “Ah, meu Deus, como Deus me suporta sequer por um instante?”
Deus olha para mim com Seus sete olhos e diz: “Não vejo nenhuma mancha. Não vejo nada”. Meu Sumo Sacerdote entra. Estou sobre os Seus ombros. Estou sobre o Seu coração. Sou uma pedra preciosa. Sou glorioso. Estou cintilando. Deus olha para Ele e diz: “Santidade ao Senhor”.
Estou dizendo que nenhum livro declara que Ele é Sacerdote como Hebreus declara, mas alguns livros antecipam isso. Esse capítulo maravilhoso certamente antecipa.
Você está sobre os Seus ombros neste momento. Está sobre o Seu coração neste momento. É glorioso neste momento. Está recebendo a oferta de luz perfeita neste exato momento. É santo ao Senhor neste momento. Tudo isso faz parte do ministério do seu Sumo Sacerdote.
Mais uma pequena passagem sobre isso, e então chegaremos à próxima ilustração: Êxodo 28:33-35.
E nas suas bordas farás romãs de azul, e púrpura, e carmesim,
Ao redor das suas bordas;
E campainhas de ouro no meio delas ao redor:
Uma campainha de ouro e uma romã,
Uma campainha de ouro e uma romã,
Nas bordas do manto ao redor.
E estará sobre Arão quando ministrar:
E ouvir-se-á o seu sonido,
Quando entrar no santuário diante do Senhor,
E quando sair,
Para que não morra.
Êxodo 28:35 diz:
E estará sobre Arão quando ministrar;
E ouvir-se-á o seu sonido.
Enquanto aquele sumo sacerdote se movimentava representando o povo, as pessoas estavam do lado de fora, ouvindo. Podiam ouvi-lo andar porque havia pequenas campainhas: tilim, tilim, tilim, enquanto ele caminhava e exercia seu ministério.
Se aquelas campainhas parassem de tocar, era uma má notícia. Alguma coisa terrível havia acontecido. Há muitas histórias relacionadas a isso, mas, se aquelas campainhas parassem, só poderia ser uma má notícia.
Irmãos, o nosso Senhor Jesus tem um ministério no céu. Ele está Se movimentando. Está fazendo alguma coisa.
Lembram-se de Elias em 1 Reis 18:41? Ele disse:
Há ruído de abundante chuva.
Vocês dizem: “Bem, ele ouviu um trovão”. Não, ele não ouviu um trovão. Pela fé, ouviu o som de uma tempestade. Depois saiu e viu uma pequena nuvem, como a mão de um homem. Pela fé, ouviu a tempestade chegando.
Então pergunto a vocês, irmãos, nesta noite: vocês ouvem o tilintar? Ouvem o seu Sumo Sacerdote caminhando lá em cima? Pela fé, ouvem os Seus movimentos? Ouvem-no ministrar?
Vocês sabem que Ele está carregando vocês em Seus ombros? Sabem que está carregando vocês sobre o Seu coração? Sabem que está prometendo Sua luz perfeita, Sua vontade perfeita? Sabem que o Representante de vocês é santo diante do Senhor? Ouvem as campainhas?
Como disse antes, temo que muitos cristãos vivam dia após dia, semana após semana, mês após mês, talvez ano após ano, sem nunca pensar no que Ele está fazendo agora. Não ouvem as campainhas. Não sabem que Ele está fazendo alguma coisa. Não fazem ideia.
Continuam correndo de volta para a obra consumada, e, graças a Deus, não estou dizendo que não façam isso. Corram para essa obra consumada. Mas vocês também precisam estar firmados na obra em andamento do nosso Senhor Jesus, porque ela produz resultados na vida de maneira igualmente real.
Deixem-me apresentar rapidamente esta segunda figura, e encerraremos por esta noite. Há outra história que antecipa o Seu sacerdócio: Lucas 24. Por favor, abram nessa passagem.
Lucas 24:50-53:
E levou-os para fora, até Betânia;
E, levantando as Suas mãos, os abençoou.
E aconteceu que, abençoando-os Ele,
Se apartou deles e foi elevado ao céu.
E, adorando-O eles,
Tornaram com grande júbilo para Jerusalém;
E estavam sempre no templo, bendizendo a Deus.
Isso aconteceu quarenta dias depois de o nosso Senhor Jesus ressuscitar dentre os mortos. Essa é a Sua décima primeira aparição depois da ressurreição.
Deus nos deu quatro relatos da Sua ascensão ao céu — três nos Evangelhos e um em Atos. Digo quatro; quero dizer cinco, porque também há um em Hebreus, um relato da Sua ascensão ao céu.
Mateus apresenta esse relato; Marcos também; Lucas também. João não o menciona. Atos o apresenta, e ele está no livro de Hebreus.
Lucas é singular. O relato de Lucas é o único que nos mostra a postura física do Senhor Jesus quando Ele subiu ao céu.
Ouçam novamente Lucas 24:50-51:
E levou-os para fora, até Betânia;
E, levantando as Suas mãos, os abençoou.
E aconteceu que, abençoando-os Ele,
Se apartou deles e foi elevado ao céu.
Quando o nosso Senhor Jesus subiu ao céu, estava na postura do sumo sacerdote ao pronunciar a bênção. Com os braços estendidos para abençoar, Ele subiu ao céu.
Não acho que estou acrescentando algo ao relato ao sugerir que, quando Ele estendeu as mãos em bênção sacerdotal, eles viram as marcas dos pregos em Suas mãos. Estou bastante certo de que não estou acrescentando isso ao texto. Foi assim que Ele estendeu as mãos.
Deus nos informa as próprias palavras que o sumo sacerdote usava para abençoar. Tenho certeza de que vocês as conhecem. Estão em Números 6:22-27.
E falou o Senhor a Moisés, dizendo:
Fala a Arão e a seus filhos, dizendo:
Assim abençoareis os filhos de Israel;
Dir-lhes-eis:O Senhor te abençoe e te guarde;
O Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti;
O Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz.Assim porão o Meu nome sobre os filhos de Israel;
E Eu os abençoarei.
No Antigo Testamento, no Dia da Expiação, depois que o sacrifício era oferecido, enquanto o povo ouvia as campainhas, enquanto o sacerdote os representava nos ombros e sobre o coração, quando tudo terminava, ele saía e procurava um lugar elevado.
As pessoas que haviam oferecido o sangue estariam esperando do lado de fora, e o sacerdote levantaria as mãos e pronunciaria aquela bênção.
Não posso provar o que estou prestes a dizer, mas penso que foi assim. Posso estar errado. Mas acho que, quando o nosso Senhor Jesus subiu ao céu, Ele disse aquelas palavras de Números 6:24-25:
O Senhor te abençoe e te guarde;
O Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti.
Amo essas palavras. Não há nelas uma única palavra sobre pecado, vergonha, culpa ou qualquer coisa errada.
Sabemos, por Atos 1:9, que, por fim, uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos olhos deles. Continuaram olhando para cima. Ele subiu, subiu e subiu, e uma nuvem O recebeu, ocultando-O aos olhos deles.
Deixem-me perguntar uma coisa, irmãos, e quero respostas espirituais. Pensem: quando o nosso Senhor Jesus abaixou os braços? Foi quando passou daquela nuvem?
Sabem, mesmo que Ele tivesse subido à velocidade da luz, ainda estaria subindo, se usarmos a ciência e esse tipo de raciocínio. Ele partiu há cerca de dois mil anos. Se tivesse subido à velocidade da luz, num círculo de dois mil anos-luz de largura há cerca de oitenta milhões de estrelas. Mesmo dizendo que passou por vinte milhões de estrelas, Ele ainda estaria subindo.
Há bilhões de anos-luz. Se Ele viajasse à velocidade da luz, não seria de admirar que ainda não tivesse voltado — nem sequer teria chegado. Se pensarmos no céu nesses termos, Ele ainda estaria viajando. Mas Ele simplesmente entrou na eternidade. Há uma nova dimensão, e Ele estava imediatamente na presença de Deus.
Por que Ele subiu até a nuvem? Para que pudéssemos vê-Lo. Deus estava contando uma história. Precisávamos ver. Deus Se coloca ao nosso alcance e usa imagens para nós.
Houve um momento literal, não tenho dúvida, em que Ele abaixou as mãos. Mas, em princípio, Ele nunca abaixou as mãos. Aquilo foi um ato realizado uma única vez, mas ilustrou uma atitude eterna.
Mesmo agora, Suas mãos estão estendidas em bênção sacerdotal. Enquanto Ele nos representa no céu, enquanto nos carrega em Seus ombros, enquanto nos carrega sobre o Seu coração, enquanto faz operar Sua luz perfeita em nossa vida, enquanto nos apresenta como santos diante do Senhor, enquanto ministra e ouvimos as campainhas — Ele permanece com as mãos estendidas.
O Senhor te abençoe e te guarde;
O Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti.
Deus Se coloca ao nosso alcance. Somos criaturas de tempo e espaço, por isso Deus Se coloca ao nosso alcance e nos dá figuras. Eu disse que havia em Hebreus uma figura da Sua ascensão. Deixem-me apresentar essa figura.
Hebreus 8:2 nos diz que o tabernáculo era apenas uma figura em três partes. Vocês conhecem essas partes: havia um átrio exterior, um Lugar Santo e um Santo dos Santos. Foi assim que o tabernáculo, embora determinado por Deus, foi erguido pelo homem.
Ouçam Hebreus 4:14:
Visto que temos um grande Sumo Sacerdote,
Que penetrou os céus,
Jesus, o Filho de Deus,
Retenhamos firmemente a nossa confissão.
O primeiro céu é o que chamamos de atmosfera. Esse é o nosso primeiro céu. O segundo céu é a região das estrelas, que se estende além da estrela e da galáxia mais distantes. O terceiro céu é aquele ao qual Paulo foi arrebatado — à presença do Senhor.
Para formar uma figura, Deus criou todo o universo como um tabernáculo: o átrio exterior, o Lugar Santo e o Santo dos Santos.
O nosso Senhor Jesus não foi, como o sumo sacerdote na figura, de um pequeno recinto a outro. Ele passou da atmosfera, atravessou a região das estrelas e entrou na presença de Deus.
Quando Ele abaixou as mãos? Irmãos, Suas mãos continuam levantadas, e Ele quer nos abençoar.
Precisamos examinar essa figura maravilhosa daquilo que o nosso Senhor Jesus está fazendo agora. Espero que vocês percebam que isso antecipa essa realidade. Está nos preparando para ela. É o que Ele está fazendo, apresentado em forma de figura.
Amanhã de manhã, com a ajuda de Deus, iremos um pouco mais fundo e examinaremos o que Ele está fazendo, por meio dessas antecipações. Depois, com a ajuda de Deus, examinaremos as Escrituras e veremos o que Ele está fazendo.
Irmãos, Deus está orando a Deus por vocês neste momento, e em cada momento daqui até a hora em que vocês O virem face a face. Não há um único momento em que vocês não tenham toda a atenção Dele. Deus está orando a Deus por vocês.
Esse é um fato tão grandioso que não pode ter uma importância apenas comum. Ele precisa transformar a sua vida.
O Homem está orando a Deus por vocês. O Homem perfeito, o Homem que nos representa — o último Homem — está orando por vocês. Que Deus nos ajude a enxergar o Seu ministério atual.
Pai, nós Te agradecemos tanto porque nos deste estas pequenas imagens para preparar nossos corações. Oramos para que, neste fim de semana, como nunca antes, Tu tornes real aos nossos corações o que significa seres o nosso Sumo Sacerdote no céu, orando por nós e nos representando.
Tu estás assumindo a responsabilidade por nossas vidas sobre os Teus ombros e nos carregando sobre o Teu coração. Grava estas realidades profundamente em nossos corações, nós Te pedimos, no precioso nome de Jesus. Amém.
Obrigado, irmãos, pela atenção.