Vocês poderiam abrir comigo na profecia de Isaías, capítulo 62?
Vamos ler a partir de Isaías 62:1:
Por amor de Sião, não Me calarei,
e, por amor de Jerusalém, não descansarei,
até que a sua justiça saia como um resplendor,
e a sua salvação, como uma lâmpada que arde.
E as nações verão a tua justiça,
e todos os reis, a tua glória;
e serás chamada por um novo nome,
que a boca do Senhor designará.
E serás uma coroa de beleza na mão do Senhor,
e um diadema real na mão do teu Deus.
Isaías 62:6-7:
Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus atalaias;
jamais se calarão, nem de dia nem de noite:
vós que fazeis o Senhor lembrar-Se, não descanseis,
e não Lhe deis descanso,
até que Ele estabeleça Jerusalém e a faça
um louvor na terra.
Agora, abram comigo no livro de Daniel, capítulo 9, a partir de Daniel 9:1:
No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,
no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros o número dos anos de que falara a palavra do Senhor ao profeta Jeremias, para o cumprimento das desolações de Jerusalém: setenta anos.
E dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para O buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinzas.
E orei ao Senhor, meu Deus, e fiz confissão, e disse: Ó Senhor, Deus grande e temível, Que guardas a aliança e a misericórdia para com os que Te amam e guardam os Teus mandamentos:
pecamos, procedemos perversamente, praticamos a iniquidade e nos rebelamos, desviando-nos dos Teus preceitos e das Tuas ordenanças.
E não demos ouvidos aos Teus servos, os profetas, que falaram em Teu nome aos nossos reis, aos nossos príncipes, aos nossos pais e a todo o povo da terra.
A Ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, a vergonha do rosto, como neste dia;
aos homens de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo o Israel, aos que estão perto e aos que estão longe, em todas as terras para onde os lançaste, por causa da transgressão que cometeram contra Ti.
Daniel 9:20:
E, estando eu ainda falando, orando e confessando o meu pecado e o pecado do meu povo Israel, e apresentando a minha súplica perante o Senhor, meu Deus, pelo santo monte do meu Deus;
estando eu ainda falando em oração, o homem Gabriel, que eu havia visto na visão ao princípio, veio voando rapidamente e tocou-me à hora da oferta da tarde.
E instruiu-me, e falou comigo, e disse: Ó Daniel, agora vim para dar-te sabedoria e entendimento.
No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim para te declarar; porque és muito amado: considera, pois, a palavra e entende a visão.
Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade.
Vamos parar aqui. Gostaria também de acrescentar uma passagem do Novo Testamento. Abram na carta aos Gálatas, em Gálatas 4:19:
Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
Vamos fazer uma breve oração.
Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos em Tua presença nesta manhã e por sermos lembrados, mais uma vez, daquele grande preço que pagaste com alegria para nos salvar.
Senhor, entregamos agora a Ti o ministério da Tua Palavra. Concede uma unção tanto sobre quem fala quanto sobre quem ouve. Em nossa fraqueza, Senhor, que o Teu poder e a Tua força se manifestem.
Toca o nosso coração, Senhor, pelo Teu Espírito. Não permitas que esta seja apenas mais uma mensagem, mais um sermão; mas, Senhor, faze dela uma palavra viva, vinda de Ti para o nosso coração. Ouve-nos, Senhor. Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus, e teremos o cuidado de Te dar todo o louvor, toda a glória e toda a gratidão pela resposta. Amém.
Quero falar nesta manhã sobre um assunto que talvez seja o mais custoso e o mais precioso aos olhos de Deus. Quero falar sobre intercessão.
Há várias expressões e palavras bíblicas que foram totalmente desvalorizadas ao longo destes últimos anos. Uma delas é “nascido de novo”. Ouvimos falar de presidentes nascidos de novo, apenas para descobrir que não nasceram de novo. Ouvimos falar de pessoas que nasceram de novo e descobrimos que não nasceram de Deus. Elas se desviam tão depressa quanto chegaram.
Outro termo é intercessão. Viajo pelo mundo inteiro e muitas vezes ouço as pessoas dizerem: “Sou intercessor”. Sei muito bem que, quando alguém diz que é intercessor, não é.
Ainda não conheci um verdadeiro intercessor que afirmasse ser um. Todos são aprendizes. Não acham que já chegaram lá. Não acham que alcançaram esse lugar.
Lembro-me das minhas muitas visitas à obra de Rhys Howells, no País de Gales, e da comunhão que tive com Samuel, seu filho, e com outras pessoas ali — Gladys Roberts, Kitty Morgan, todas com ele durante os anos da guerra, naqueles períodos tremendos de intercessão; o Dr. Rees e os demais.
Nunca ouvi nenhum deles afirmar que era intercessor. No entanto, eram os intercessores mais poderosos que eu já havia conhecido.
Acho que comecei a entender o que era um intercessor quando fiquei doente no Egito. O Egito é… bem, é muito fácil ficar doente no Egito.
Tive icterícia e, depois que me recuperei, fui enviado para passar a convalescença com duas missionárias idosas. Elas deveriam estar aposentadas, mas não acreditavam que os servos de Deus se aposentassem.
Elas tinham um apartamento em Port Said, e outros missionários haviam me advertido: “Olhe, tome cuidado com elas”. Eu era muito arrogante. Tinha dezenove anos — era incrivelmente arrogante. Por causa da família em que fui criado, estava acostumado a dizer o que pensava, o que não é exatamente a coisa certa a fazer quando se trata de certas questões.
Lembro-me de os missionários me advertirem: “Cuidado com o seu comportamento. Elas são as pessoas mais santas do Egito. Vão ficar horrorizadas com você”.
Fui, então, para ser cuidado por aquelas duas missionárias idosas. Lembro-me de que, logo no início, quando surgiu um assunto sobre a cruz, elas me fizeram uma pergunta. Eu tinha apenas dezenove anos e acabara de ter uma experiência do que significava ser crucificado com Cristo.
Fiquei muito nervoso quando me perguntaram: “O que você entende por isso?”. Quando comecei a lhes contar, nunca me esqueci do sorriso que surgiu no rosto delas. Disseram: “De agora em diante, Deus vai começar a fazer algo com você”.
Bem, acho que já contei essa história a vocês. Eu não conseguia acreditar. Fiquei ali por duas semanas e meia, e não conseguia acreditar que aquele pequeno apartamento em Port Said parecia uma CIA espiritual. Era como o Pentágono, só que em uma versão espiritual.
Aquelas duas senhoras — vocês mais jovens provavelmente nem teriam prestado atenção nelas — pareciam duas ameixas secas e enrugadas. Quero dizer, vocês não teriam imaginado, nem por um instante, que alguma coisa estava acontecendo ali.
Mas ouvi chegarem telefonemas de Argel, de Marrakech, de Casablanca, de Bagdá, de Beirute; e vi cartas serem abertas na minha presença, vindas de outros lugares — de Luxor, de Damanhur e assim por diante.
Observei como elas conversavam entre si. É claro que eu estava proibido de me envolver naquilo. Deveria estar convalescendo, e não sei se elas tinham receio de que eu pudesse estragar os períodos de intercessão.
Sempre me lembro de que, quando chegava um telefonema, a tia Smith dizia: “Alex, sala de intercessão”. A porta se abria e a tia Alex saía. As duas iam para aquela sala e fechavam a porta.
Eu morria de vontade de entrar naquela sala, porque, cada vez que elas entravam ali, de algum modo havia um telefonema naquela noite. Eu ouvia uma delas dizer: “Sim, alcançamos a vitória em tal horário. Sabíamos que estava resolvido”.
Bem, isso nem sempre acontecia. Havia algumas coisas pelas quais elas ainda estavam orando quando deixei o Egito. Mas, para mim, aquelas duas senhoras eram algo extraordinário.
Então, um dia, elas me disseram: “Você gostaria de se juntar a nós na intercessão?”. Assumi o meu jeito mais inglês e disse: “Ah, seria muito agradável”. Mas, na verdade, eu estava morrendo de vontade de entrar ali.
Quando entramos, meus olhos estavam arregalados como os registros de um órgão, observando tudo. Meus ouvidos eram como um radar, captando cada detalhe.
Nunca me esqueci daquilo. Elas compartilharam o conteúdo de uma carta e de um telefonema, e então uma disse à outra: “Você tem alguma coisa na Palavra para isso?”.
A outra respondeu: “Sim. Creio que Deus me deu algo em Obadias ontem à noite”. Bem, acho que eu nunca tinha lido Obadias. Nem sequer sabia onde ficava. Sabia que estava no Antigo Testamento, mas não fazia ideia de onde.
Para minha surpresa, aquelas duas irmãs idosas se ajoelharam e tomaram aquele versículo de Obadias. Só consigo descrevê-lo assim: se algum de vocês já viu aqueles antigos cinejornais da Pathé sobre a Segunda Guerra Mundial — os grandes navios, os grandes encouraçados e os homens de capacete girando as torres dos canhões —, vocês sabem do que estou falando.
Era aquela a atmosfera. Era como se disparassem munição, uma após a outra.
Então uma delas dizia à outra: “Você acha que já concluímos?”. Eu achava que elas já tinham concluído havia muito tempo, sabe? Mas a outra dizia: “Ainda não”. Então voltavam àquilo outra vez.
Finalmente, uma delas dizia: “Louvado seja o Senhor! Creio que o Senhor ouviu a nossa oração”, e a outra respondia. Depois se voltavam para mim e diziam: “Você não acha que já concluímos?”.
Bem, é claro que eu não entendia absolutamente nada daquilo. Apenas murmurei: “Sim, acho que sim”. Mas aquela foi a minha introdução à intercessão.
Eu já havia sido apresentado à oração. Alan Redpath nunca faltava à reunião de oração de segunda-feira, a menos que estivesse em uma campanha evangelística. Minhas primeiras e duradouras lembranças de Alan Redpath eram dele de joelhos, em um velho salão de igreja, sujo e empoeirado, durante uma hora e meia, todas as segundas-feiras à noite.
Havia outros também que conheciam algo sobre oração e exerceram grande influência sobre mim. Mas aquelas duas irmãs idosas mudaram a minha vida. É tudo o que posso dizer.
O que é intercessão? A intercessão começa com o conhecimento da vontade de Deus.
Você não pode interceder até saber o que o Senhor está planejando fazer. Vocês se lembram de Moisés, quando o Senhor lhe disse: “Afaste-se. Vou destruir esta nação e farei de você uma nova nação. A partir de você, começarei de novo”.
Então Moisés começou a interceder. “O Senhor Se lembra? Não podes fazer isso. Se fizeres isso, estaremos em sérias dificuldades. O que as nações dirão? Que tiraste este povo de lá e depois o destruíste?”
Vocês se lembram de Abraão. O Senhor disse: “Ocultarei esta informação do Meu amigo Abraão?”. O Senhor lhe disse: “Vou destruir Sodoma e Gomorra”.
Então Abraão começou sua extraordinária intercessão. Muitas vezes me perguntei o que teria acontecido se Abraão tivesse chegado a cinco. Vocês se lembram? Ele negociou no verdadeiro estilo judaico.
“Bem, Senhor, se houver cinquenta, o que dizes? Ainda assim destruirias?” “Sim”, disse o Senhor, “se houver cinquenta, não farei isso”. Então ele foi descendo até dez, mas parou ali.
Muitas vezes me perguntei o que teria acontecido se ele tivesse descido mais. Mas, de qualquer forma, Sodoma e Gomorra foram destruídas. A intercessão começou com o conhecimento da vontade de Deus.
Daniel é o caso mais extraordinário. Daniel era eunuco. Haviam feito dele um eunuco; ele havia sido castrado, pois todos os jovens tirados de famílias nobres para trabalhar como funcionários no Império Babilônico eram automaticamente feitos eunucos.
Isso era algo terrível, porque Daniel se lembrava da Palavra do Senhor: um eunuco não poderia servir na casa do Senhor até a terceira ou quarta geração.
Isso torna ainda mais notável o fato de Daniel ter se recusado a comer alimentos que não eram kosher. O que ele teria a ganhar com isso? O que haviam feito com ele? Poderia ter ficado amargurado e pensado: “Bem, vou comer qualquer coisa. Que diferença faz? O Senhor permitiu que isso acontecesse comigo”.
Mas ele não fez isso. Pelo contrário, não tocava em nada que não fosse kosher, e o Senhor o honrou por isso. Todos vocês conhecem a história de Daniel: como ele passou de um cargo a outro, e a outro, e a outro, até se tornar a maior autoridade depois do imperador daquele grande império.
Quando sua mesa estava cheia de assuntos de governo, nada podia ser executado até ser autorizado — até ter o selo dele, além do selo do imperador. Esse era o poder de Daniel.
É extraordinário que Deus o tenha levado a tal posição de poder. Tudo estava relacionado com o capítulo que lemos. Ele descobriu nos livros — portanto, estudava os livros.
Aqui está a primeira característica do intercessor: ele estuda a Palavra de Deus. Aqui está a segunda: ele dependia do Espírito Santo para receber revelação.
Não se tratava apenas de estudar os livros. O Espírito Santo lhe revelou quando os setenta anos haviam começado. Quando entendeu que os setenta anos não haviam começado com Zedequias, o último rei de Judá, mas com Joaquim, um ou dois reis antes, percebeu de repente, com sua mente perspicaz: “Estamos perto do fim dos setenta anos”.
Agora, se ele fosse um bom carismático, teria dito a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego: “Vamos fazer uma grande festa. Teremos um tempo de louvor. Faremos um banquete. Estamos quase lá. Vai acontecer porque o Senhor disse isso a Jeremias, e é a Palavra do Senhor e o propósito do Senhor”.
Mas, em vez disso, para nossa surpresa, Daniel se lembrou da oração de dedicação do rei Salomão: se vocês estiverem em qualquer lugar, na parte mais distante da terra, e orarem voltados para este lugar onde Deus fez habitar o Seu nome — e que, naquele momento, estava em ruínas —, Ele ouvirá e responderá, fará vocês voltarem do exílio e os trará de volta.
Por isso Daniel abria as janelas três vezes por dia e orava em voz alta, aparentemente, pois os espiões que o observavam relataram que o rei havia decretado que ninguém deveria orar a qualquer pessoa além do imperador, e Daniel estava orando ao Deus de Israel.
Assim, Daniel acabou na cova dos leões.
Parece-me que Satanás sabia que precisava destruir Daniel. Se não destruísse Daniel, o propósito de Deus seria cumprido, o povo judeu voltaria à Terra Prometida e o Messias viria.
Acho que isso é algo tremendo, mesmo que o consideremos por apenas alguns instantes: Daniel, sem perceber, foi envolvido em toda a engrenagem espiritual e divina do cumprimento do propósito de Deus.
Foi por isso que li a última parte de Daniel 9. Aquelas setenta semanas estão inteiramente relacionadas com a vinda do Messias. Era quase como se o Senhor dissesse: “Daniel, querido Daniel, como Eu amo você. Você entendeu que não se trata apenas de reconstruir o templo em Jerusalém, reconstruir Jerusalém, reconstruir as cidades e levar o povo para lá. De algum modo, você tocou o coração do propósito de Deus: um Salvador, um Redentor, o Messias”.
Bem, isso me ensina algumas coisas sobre intercessão. A primeira é esta: a verdadeira intercessão está sempre ligada ao Senhor Jesus.
Ela sempre diz respeito à Sua glória. Sempre diz respeito ao cumprimento do propósito de Deus para Ele e para os Seus.
Outra coisa que aprendemos: Daniel se vestiu de pano de saco, pôs cinzas sobre a cabeça e jejuou. Não estou sugerindo que vocês façam isso, mas foi o que ele fez.
Então temos uma amostra do seu ministério de oração. Esse ministério de oração o levou à cova dos leões.
Quando Satanás entendeu o que ele estava fazendo, disse: “Este homem é o homem mais perigoso sobre a face da terra. Precisamos nos livrar dele”.
E o Senhor disse: “Daniel é o homem estrategicamente mais importante sobre a face da terra. Precisamos livrá-lo”.
Nisso começamos a entender o que é intercessão. Já disse isso algumas vezes. Deixem-me dizer novamente: vocês nunca se tornarão intercessores a menos que primeiro encarem o mistério essencial da intercessão.
Por que o Senhor precisaria que orássemos por algo que Ele já disse que vai acontecer? Por que precisaria que orássemos para que isso viesse a existir?
É uma boa pergunta. Ele não poderia fazer isso sozinho? Realmente precisa de nós? Depende de nós? É claro que não.
O Senhor poderia fazer isso muito mais facilmente sem você e sem mim. Nós damos um trabalho enorme. Não sei se você já descobriu isso a respeito de si mesmo, mas provavelmente já descobriu a respeito de outros membros da comunhão.
Damos um trabalho enorme. É um grande avanço quando finalmente reconhecemos: eu dou um trabalho enorme ao Senhor e aos meus irmãos e irmãs.
O Senhor poderia fazer isso muito mais facilmente sem nós, mas escolheu não fazer. É realmente um mistério. É quase como se o Senhor dissesse: “Daniel, se você não orar para que isso se concretize, Eu não o farei. Encontrarei outra pessoa que fique na brecha”.
Quando vocês leem a paráfrase da oração de Daniel, percebem que ele ora como se não tivesse lido Jeremias. Continua dizendo ao Senhor: “Não Te demores, Senhor. Sabemos que estás irado, mas pensa neste povo”.
“Não Te demores. Não adies. Não permitas que os pecados deles, por assim dizer, obscureçam tudo. Lembra-Te do Teu propósito e lembra-Te do Messias.”
Acho isso extraordinário.
Se vocês vão orar por esta nação, precisam se lembrar disso. Aqui está outro ponto: Daniel ora como se o pecado fosse dele.
Não se trata de “eles” — vocês sabem, os outros. “Eles pecaram. Eles fizeram isso. Eles trataram mal os profetas. Eles contrariaram a Tua aliança. Eles fizeram isso. Eles fizeram aquilo.”
Ele diz: “Senhor, nós pecamos. Nós agimos perversamente. Nós contrariamos a Tua aliança”.
Aqui está algo que Rhys Howells compreendeu: a identificação com aqueles por quem vocês estão orando, por quem estão intercedendo. Vocês estão se colocando no lugar deles.
Agora, algumas pessoas levaram isso longe demais. Lembro-me de um homem relativamente jovem — tinha cerca de trinta e cinco anos — que veio falar comigo no final de uma reunião aqui nos Estados Unidos, não aqui no Tennessee, mas mais ao norte.
Ele disse: “Irmão, gostaria que pudesse me ajudar”. Eu disse: “Bem, como posso ajudá-lo?”. Ele respondeu: “Minha esposa diz que é intercessora”.
“Ah, é mesmo?”, eu disse. Mas ele respondeu: “Não acho que ela seja”.
Perguntei: “Por que você acha que ela não é?”. Ele disse: “É estranho. Chego em casa à noite. As crianças não tomaram banho, não comeram e estão correndo por toda parte, sem controle. Ela e a amiga estão no armário de vassouras, gritando”.
“Quando perguntei o que estavam fazendo, disseram: ‘Isto é sofrimento vicário. Estamos assumindo o sofrimento das pessoas ao nosso redor’. O que o senhor acha disso?”
Eu disse: “Acho que é um absurdo. Em primeiro lugar, se ela é dona de casa e mãe, sua primeira prioridade é ser dona de casa e mãe”.
Ser intercessor é muito importante, mas abandonar suas prioridades enquanto as crianças estão imundas, sem comer e correndo por aí, malcuidadas, e enquanto o marido precisa voltar de um dia de trabalho, dar banho nelas, alimentá-las e colocá-las na cama — e depois ouvir da esposa: “Bem, veja, eu sou intercessora” —, isso não está certo.
Conheci alguns desses intercessores. Que o bom Senhor nos livre. São malucos.
Ora, Jerusalém atrai malucos. Também traz verdadeiros peregrinos e coisas preciosas, mas, nossa, como atrai malucos!
Pela contagem atual, temos três Virgens Marias, dois Jeremias, três Elias e um João Batista. Para mim, é inacreditável. Temos tantas pessoas dizendo ser uma das duas testemunhas que daria para encher uma catedral.
Vocês sabiam que temos um hospital psiquiátrico nos arredores de Jerusalém, com duas alas inteiras chamadas “Síndrome de Jerusalém”?
Quando conversei com um dos especialistas, ele disse: “As pessoas são perfeitamente normais. Chegam aqui, a esta terra, e de repente se veem como um personagem bíblico da escola dominical. É uma condição mental. Quando vão embora, voltam imediatamente ao normal”.
Lembro-me muito bem: havia um Elias que passava pela minha cozinha três vezes por dia com uma pasta executiva. Nela estava escrito, em hebraico, árabe e inglês: “Elias”.
Quando um bom amigo meu, que é pastor em Jerusalém, foi chamado pela polícia para lidar com ele — porque a polícia o havia colocado em uma cela por uma noite —, disse-lhe: “Mas você é o Ernie, do Wyoming. Como pode se chamar Elias?”. Então ele caiu em prantos.
Isso é muito triste. Precisamos ser livres dessas coisas. Mas, por outro lado, precisamos de intercessores.
Agora, deixem-me voltar um pouco. Para ser intercessor, você precisa ser salvo. Não é simples?
Para ser intercessor, você precisa ter nascido do Espírito de Deus. Aqui está a segunda coisa: precisa ter um mínimo de maturidade.
O apóstolo Paulo usa aquela expressão extraordinária em Gálatas 4:19:
Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até que Cristo seja plenamente formado em vós.
Acho isso muito interessante, porque essa expressão, dores de parto, no original grego, diz respeito simplesmente à agonia de dar à luz. Portanto, não era algo pequeno o que o apóstolo estava passando.
Quem dera houvesse pessoas que orassem assim pelos jovens cristãos, em vez de simplesmente criticá-los por seu mundanismo, suas roupas, seu desleixo e isso, aquilo e tantas outras coisas.
Se ao menos houvesse aqueles que realmente orassem e sofressem dores de parto no lugar secreto — a agonia de dar à luz.
Vocês perceberam a pequena expressão de novo?
Meus filhinhos, por quem de novo sofro as dores de parto.
É evidente que ele já havia sofrido dores de parto pelo nascimento espiritual deles. Agora sofria dores de parto novamente: a agonia de dar à luz para que Cristo fosse formado neles.
Isso é tão estranho ao cristianismo moderno: Cristo formado em nós.
Parece que pensamos que tudo o que é necessário é tomar uma decisão pelo Senhor, e então Ele fará o resto. Ele vai arrumar a nossa bagunça, cuidar de nós, dar-nos um bom lar, uma boa esposa ou um bom marido, filhos pequenos, abençoados e doces, e tudo o mais.
O Senhor está ali para nós. Não há ideia alguma de servirmos. Não há ideia alguma de negar a si mesmo, tomar a própria cruz e segui-Lo.
De qualquer modo, voltando ao assunto, é preciso haver um mínimo de maturidade.
Não sei se é correto falar do Senhor assim, mas Ele entende. O que é o dilema divino? É possível que Deus tenha um dilema, visto que sabe tudo, é infinito, todo-poderoso, onipotente?
Aqui está o dilema divino: para que o Seu propósito seja cumprido, Ele precisa de pessoas. Precisa de pessoas que sigam o Senhor Jesus até o fim.
Precisa de pessoas que se tornem sacrifícios vivos, a partir dos quais o corpo de Cristo possa ser formado.
De modo geral, a igreja hoje está cheia de bebês espirituais — pessoas com trinta anos em Cristo, vinte anos em Cristo, dez anos em Cristo; algumas com quarenta anos em Cristo, outras com ainda mais —, e nunca cresceram nem um centímetro.
Há algo muito bonito na fase de bebê. Quando um bebê é um bebê, é maravilhoso. Todos nós o enchemos de brinquedos, cantarolamos, fazemos sons carinhosos, falamos em linguagem de bebê e tudo o mais. Nós mesmos quase viramos bebês também.
Mas não há nada mais assustador do que uma pessoa de vinte anos que ainda é um bebê. Então não sabemos como lidar com isso. É constrangedor. Vocês entendem?
Deus tem uma casa cheia de bebês que, a esta altura, deveriam ser adultos. Deveriam ser soldados do Senhor Jesus Cristo. Deveriam ser pessoas capazes de sofrer dores de parto em oração.
Deveriam ser pessoas capazes de combater o bom combate da fé e tomar posse da vida eterna, para a qual fomos chamados. Deveriam ser pessoas capazes de edificar os outros. Deveriam ser pessoas capazes de cuidar dos outros.
Aqui está o dilema divino. Temos um evangelho que não nos chama a nos entregarmos inteiramente ao Senhor. Se o faz, é para consagrarmos os nossos dons, como se isso fosse ajudar o Senhor.
Watchman Nee disse, muitos anos atrás: “A igreja sofre mais com os talentos e os dons de seus membros do que jamais sofreu com os pecados deles”. É absolutamente verdade.
Todos vocês já ouviram alguém cantar, e tudo o que ouviram foi aquela pessoa. Todos vocês já ouviram outra pessoa cantar, e ouviram o Senhor.
Todos vocês já ouviram alguém tocar piano ou outro instrumento musical e ficaram com o pensamento: “Como essa pessoa é talentosa!”. Então outra pessoa toca um instrumento, e vocês têm um encontro com o Senhor.
É a mesma coisa com a pregação. Quando o Senhor fala por meio de alguém, nós sabemos. Quase nos esquecemos da pessoa — embora, no meu caso, devo dizer, seja muito difícil esquecer de mim, porque sou tão excessivamente dominado pela alma; suponho que essa seja a expressão.
Mas, quando as pessoas realmente ouvem o Senhor, esquecem-se do vaso.
Às vezes penso que Paulo deve ter tido muitos defeitos bastante evidentes. Não sei como todas as igrejas da Ásia se afastaram dele.
Dê-me esse livro. Foi assim que vim ao Senhor. Este homem, C. T. Studd — vim ao Senhor lendo este livro. Foi o primeiro livro cristão que li.
Eu estava com quase treze anos e nunca havia lido a Bíblia, nem um livro cristão. Havia sido dispensado de todas as aulas de ensino cristão na escola.
Então esse livro chegou às minhas mãos. A única razão pela qual o li foi porque parecia que me haviam negado o livro. Precisei ir pedi-lo ao homem que estava dando livros a todos os outros garotos.
Aliás, eles eram terríveis. Soltavam bombas de mau cheiro na escola dominical. Não estou dando ideias a nenhum de vocês mais jovens. Mas eles eram terríveis, e eu me achava muito bom, e nunca ganhava um livro. Acho que ele tinha medo da minha mãe. Essa é a minha convicção pessoal.
Li aquele livro em uma semana e, ao terminar, tornei-me um filho de Deus.
C. T. Studd era exatamente esse tipo de pessoa. Tinha tantas fraquezas e tantos defeitos, mas ardia por Deus.
Tornou-se intercessor, principalmente pela África Central. Isso lhe custou tudo, mas ele nunca olhou para trás.
Preciso dizer que eu não estaria aqui se não fosse por ele. Foi preciso alguém tão inflamado, tão radical, tão inteiramente entregue ao Senhor, tão obediente ao que via na Palavra de Deus, para levar alguém como eu ao Senhor.
Essa questão de ser intercessor é muito importante. É preciso haver um mínimo de maturidade.
Posso dizer algo a vocês mais jovens e a alguns de vocês mais velhos que desperdiçaram metade da vida? Vou dizer com toda a clareza: se vocês simplesmente recomeçarem agora, hoje, Deus condensará em um período muito curto aquilo que normalmente levaria anos.
Deus é o Deus Que restitui o que o gafanhoto devorou — a lagarta, o pulgão e todos os outros insetos. Louvado seja o Senhor! Ele pode fazer isso, e o faz de maneira milagrosa. Mas você precisa estar cem por cento entregue ao Senhor.
Muitas vezes, quando eu falava sobre intercessão, as pessoas me diziam depois: “Ouvindo o senhor, acho que nunca serei intercessor”.
Eu sempre respondia: “Você está disposto a ser um candidato?”. Se diziam que sim, eu citava um provérbio chinês: “Uma jornada de mil milhas começa com um passo”.
Essa jornada levará você ao trono de Deus e à glória de Deus, mas você precisa dar o primeiro passo.
Então, quanto a essa questão de um mínimo de maturidade: por que se conformar com o padrão e ser tão patético, quando você deveria ser um adulto no Senhor?
Vocês mais jovens, por que não começam? Eu comecei aos quatorze anos. Entreguei-me ao Senhor. Tomei para mim aquelas palavras de C. T. Studd: “Se Ele fez tudo isso por mim, não há nada grande demais para eu dar a Ele”.
Vocês perceberam aquelas palavras em Isaías 62? Perceberam que aquelas primeiras palavras não eram palavras de Isaías? São as palavras do Messias.
Deixem-me ler novamente para vocês, em Isaías 62:1-2:
Por amor de Sião, não Me calarei,
e, por amor de Jerusalém, não descansarei,
até que a sua justiça saia como um resplendor,
e a sua salvação, como uma lâmpada que arde;
e as nações verão a tua justiça,
e todos os reis, a tua glória.
Quem está falando? Isaías? Não, não creio. Quem está falando? É o Messias.
Agora temos uma janela para o ministério de intercessão do Senhor Jesus neste momento. Ele não descansará.
Quer vocês entendam Sião e Jerusalém como as terrenas — o povo judeu, Israel —, quer as vejam como a igreja, ou, melhor ainda, como ambas, o fato é este: o Senhor não descansará até completar e cumprir o Seu propósito para a igreja, para Israel e o povo judeu, e para cada crente individualmente.
Precisamos de intercessores. Precisamos de pessoas capazes de orar, e de orar pela energia do Espírito Santo.
Precisamos deles em favor dos jovens entre nós, para que cresçam no Senhor e se tornem soldados do Senhor Jesus.
Precisamos de intercessores que possam orar pela igreja — não apenas aqui entre nós, mas pela igreja no mundo. Graças a Deus pelo que o Senhor está fazendo no Terceiro Mundo. Aqui no Ocidente, é uma tragédia. É uma igreja de Laodiceia.
Mas não precisamos parar por aí. Por que não haveríamos de orar? A Palavra de Deus é muito clara.
Ela nos diz que a noiva se preparará. Amo isso, porque não diz que o Senhor a preparará, embora isso de fato seja verdade. Mas diz que a noiva se preparará.
Ela se apropriará da graça de Deus e do poder de Deus, e, por essa graça e esse poder, haverá um remanescente fiel que se preparará. Vocês não prefeririam fazer parte dele?
Ou vão esperar até que toda a sociedade dos Estados Unidos se desintegre e entre em colapso, até que tudo vá por água abaixo, até que haja desemprego por toda parte e seja uma confusão?
Quer estejamos agora no início disso, quer não, isso virá.
Sempre existe a tentação: “Não se entregue inteiramente ao Senhor ainda. Você é jovem. Pode aproveitar a vida por um tempo”, e assim por diante. Mas não seria melhor entregar-se inteiramente ao Senhor desde o início e permitir que Ele use todos os anos que você tem para desenvolver algo em você?
Aqui está outra coisa maravilhosa. O Senhor diz: “Não Me calarei nem descansarei até fazer isso por Sião e Jerusalém”. Depois diz, em Isaías 62:6:
Sobre os teus muros, ó Jerusalém, pus atalaias;
jamais se calarão nem descansarão, de noite ou de dia.
Vós que fazeis o Senhor lembrar-Se.
Essa é a minha versão, e acho que é uma tradução maravilhosa.
O Senhor tem memória ruim? Por que precisa de pessoas que O façam lembrar-Se? Mas é exatamente isso que está escrito. A palavra em hebraico é uma palavra às vezes usada para escrivães, para secretários.
Vocês que são os escrivães do Senhor; vocês que são os secretários do Senhor.
Não sei quantos secretários e secretárias estão aqui nesta manhã, mas todos vocês sabem que, quando se tem um chefe, é preciso dizer a ele: “Você tem um compromisso em tal horário”, ou: “Você está com a tarde livre”, ou: “Em tal horário, você vai se encontrar com o senhor Fulano”. Entendem o que quero dizer? Esse é o trabalho de um bom secretário.
Por que o Senhor precisa de pessoas? É uma pergunta muito boa.
Vocês que são os secretários do Senhor estão dizendo a Ele: “Senhor, tens um compromisso com o povo judeu. Precisas cumpri-lo. Não há como escapar disso”.
“Tens um compromisso com um remanescente fiel. Não podes escapar dele, Senhor.” Vocês entendem?
Vocês poderiam muito bem me perguntar: “O Senhor não poderia fazer tudo isso sem nós?”. Já disse isso — duas ou três vezes. É claro que poderia. Só posso crer que seja uma questão de comunhão.
O Senhor quer cooperadores.
Há uma pequena expressão muito bonita no Antigo Testamento. Moisés disse ao Senhor: “Senhor, a Tua presença irá conosco?”. O Senhor disse:
A Minha presença irá contigo, e Eu te darei descanso.
Moisés disse:
Se a Tua presença não for conosco, não iremos.
No hebraico, não há “conosco”.
Não sei se vocês conseguem captar isso, mas, se eu puder traduzir literalmente — o que não seria possível em bom inglês —, o Senhor disse: “A Minha pessoa irá, e Eu te darei descanso”. Moisés estava dizendo: “Senhor, se a Tua presença não for, nós não iremos”.
Não se trata de o Senhor ficar atrás de nós, ajudando-nos e apoiando-nos. Trata-se, antes, de o Senhor nos conduzir. Entenderam?
É o que o apóstolo Paulo diz:
Somos cooperadores de Deus.
Não somos trabalhadores para o Senhor; somos trabalhadores com o Senhor.
Há uma diferença enorme entre ser um trabalhador para o Senhor — você está fazendo as coisas à sua maneira e pedindo ao Senhor: “Abençoa isso, providencia os recursos, dá-nos apoio; precisamos de Ti” — e ser um cooperador.
Quando você é um cooperador, o conceito é diferente. Outra Pessoa é o chefe. Isso significa que precisamos ouvir o que Ele está dizendo e estar com Ele no cumprimento do Seu propósito.
Vou realmente encerrar aqui, mas deixem-me dizer o que sinto. Não sou cidadão americano. Acho que vocês têm uma responsabilidade enorme.
Basicamente, foi a igreja que permitiu que essa confusão se desenvolvesse, porque não foi nem luz, nem sal, nem uma cidade situada sobre um monte que não pode ser escondida.
Pela primeira vez, todos estão começando a sentir um arrepio: o que virá? Como tudo vai acontecer?
Não precisamos temer. O Senhor está nisso. Estamos recebendo um reino que não pode ser abalado, mas precisamos ter esse Rei e esse reino inabaláveis dentro de nós.
Portanto, precisamos realmente nos entregar de novo ao Senhor.
Minhas palavras têm sido muito pobres — não apenas nesta manhã, mas ao longo destes dias. Tenho plena consciência disso.
Mas, se deste período surgisse um grupo de pessoas disposto a perseverar em oração até que o propósito de Deus fosse cumprido nesta nação, creio que o Senhor ouviria.
A responsabilidade é de vocês. Não adianta apenas culpar a igreja: “A igreja aqui é de Laodiceia”, e isso, aquilo e tantas outras coisas. Se você é crente, tem uma responsabilidade.
A pergunta é: vocês estão preparados para o preço? O preço é colossal. O preço é a vida do seu eu.
Se vocês estão dispostos a ser um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, então creio que o Senhor poderia usá-los para fazer algo tremendo na América do Norte, trazendo milhares para o reino.
Não sei o que acontecerá com a estrutura geral dos Estados Unidos. Isso deixamos com o Senhor, porque a Palavra de Deus não fala de nenhum lugar como refúgio, exceto um. Seria muito interessante se fossem os Estados Unidos.
Mas, pessoalmente, não faria nenhum outro comentário sobre isso. O que considero ser a maior necessidade é que vocês respondam ao desafio do Senhor.
Você pode achar que é tão jovem que isso chega a ser ridículo. Essa não é a questão. Não permita que o inimigo o prenda nisso. Isso é uma tolice.
Por que você não começa? Isso significa que, no ano que vem, terá avançado um ano, em vez de ficar agora zanzando e dizendo: “Bem, não, não, sou tão jovem. Não entendo muito bem as coisas”.
Por que você simplesmente não diz: “Senhor, eis-me aqui. Envia-me”?
Por que você simplesmente não permite que o Senhor faça algo em você? Não tenho dúvida alguma de que Ele fará.
Lembro-me de uma pequena história, e com ela encerro. Quando eu era menino, uma história cativou o meu coração. Minha mãe me contou a história de um menininho holandês que costumava brincar nos grandes diques que impedem o mar de invadir as terras baixas.
Todos naquela região — nas cidades e nas aldeias — sabiam que, se alguma vez vissem água, precisariam agir imediatamente.
Um dos problemas naquela época eram os coelhos, que haviam cavado tocas nos diques. Eles viam os diques como um território dado por Deus, algo que o Senhor havia providenciado para os coelhos. Cavavam buracos por toda parte e tinham redes inteiras de tocas.
Aquele menininho estava chutando uma bola quando ouviu água. Deu a volta para olhar e encontrou água jorrando por um daqueles buracos de coelho. Era água salgada.
Ele não sabia o que fazer. A cidade ficava longe demais; as pessoas mais próximas estavam longe demais. Então enfiou o braço no buraco e o tapou.
Encontraram-no dois dias depois. Ele havia salvado toda aquela parte da Holanda, mas isso lhe custara a vida.
Isso é intercessão.
Se Deus o chamar, é como colocar o braço no buraco. Vai lhe custar algo.
Mas esse preço não será nada comparado com a glória que virá depois. O Senhor não fica devendo a ninguém.
Você nunca poderá se apresentar diante de Deus e dizer em voz alta, na frente de todos: “Fiz isso, isso e isso por Ti. Tornei-me um sacrifício vivo por Ti”.
Você ficará tão tomado pela visão da beleza do Senhor, da glória do Senhor e do poder do Senhor que estará simplesmente maravilhado por estar ali.
Não estará dizendo: “Lembra-Te de todas as coisas que fiz por Ti, Senhor — dos sacrifícios que fiz”. Isso não é nada.
Por que não inclinamos a cabeça em oração? Em silêncio, vamos ficar quietos por alguns instantes e responder, em nosso coração, ao desafio.
Você será um intercessor? Fará parte de um grupo de intercessores? Não sei como o Senhor conduzirá. Isso cabe ao Senhor: a maneira como Ele fará e como conduzirá os irmãos que são seus líderes.
Mas o que sei é que isso não é algo que podemos adiar. Vamos orar?
Um ou dois instantes de silêncio. Deixe o Senhor falar ao seu coração. Você está pronto? Está pronto para dar o primeiro passo nessa jornada de mil milhas?
Está pronto para ser um sacrifício vivo? Está pronto para o que será necessário para ser um intercessor verdadeiro, genuíno?
Querido Senhor, Tu conheces a resposta em cada coração. Vem verdadeiramente ao nosso encontro.
Que estes poucos dias, Senhor, sejam de algum modo usados por Ti para trazer um novo poder na oração e uma nova compreensão da intercessão.
Senhor, no juízo, lembra-Te da misericórdia. Lembra-Te desta nação. Lembra-Te de seus fundadores, daqueles primeiros Pais Peregrinos. Senhor, tem misericórdia de nós.
Transforma o que está acontecendo neste continente no meio pelo qual ocorrerá um grande despertamento espiritual.
Pedimos tudo isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Quantos de vocês estão dispostos, custe o que custar, a seguir o Senhor? Gostariam de se levantar, apenas como um sinal diante de Deus e dos que estão aqui, de que estão levando a sério o seu compromisso com o Senhor?
Levantem-se silenciosamente em Sua presença.
Nosso Senhor, Tu vês cada vida que está levando a sério o compromisso Contigo. Faze algo, Senhor. Custará muito, mas haverá alegria, haverá poder e haverá um toque de glória.
Agora, Senhor, ajuda estas pessoas queridas que salvaste — todos nós. Ajuda-nos, Senhor. Estamos nestas grandes encruzilhadas da história.
Faze algo nessa questão da intercessão, Senhor. Livra-nos do que é estranho, radical e exagerado; e guarda-nos para aquilo que é verdadeiramente intercessão.
Ouve agora esta nossa oração. Pedimos em nome do Senhor Jesus.
Só uma observação final. Kate deu aquela biografia a Richard. Há três dias, completaram-se sessenta e cinco anos desde que fui salvo, em 27 de novembro de 1943.
Sou grato por uma vida que foi entregue. Quaisquer que tenham sido os defeitos e as falhas naquela vida, foi uma vida entregue.
Que a sua seja assim nesta geração e, se o Senhor tardar, na próxima.