Pergunta: Você mencionou que nossas orações são lentas demais, e várias pessoas perguntaram o que isso significa. Estamos falando devagar demais ou baixo demais? Há silêncio demais entre as orações? É preciso que mais pessoas orem durante o tempo dedicado à oração? Precisamos passar rapidamente para o próximo assunto? O que você quer dizer?
Você também disse que isso tem alguma relação com o nosso fervor. Poderia explicar melhor? Outra pessoa perguntou: “Como podemos acrescentar mais fervor ou expressividade? Sinto mais do que expresso, mas talvez, por estarmos em um ambiente tão anglo-saxão, pareça constrangedor agir assim. Não queremos ser falsos nem artificiais, mas como chegamos lá?”
Bem, essa é parte da minha crítica geral aos nossos períodos de oração, talvez com exceção da quarta-feira à noite: falta-lhes fervor.
Não me incomoda tanto a lentidão da oração, nem o silêncio que às vezes há entre as orações. Mas a Palavra de Deus diz em Tiago 5:16, na última parte do versículo:
A súplica de um justo pode muito em sua atuação.
A versão mais antiga, assim como a New American Standard, diz “a oração fervorosa”. A palavra em grego significa, basicamente, a oração energizada de um justo.
Não se trata de energizar a sua carne, nem de sentimentalismo ou emoção. Mas há lugar para o fervor. Quando uma pessoa está desesperadamente necessitada e alguém ora de maneira muito tranquila, fico pensando em quanto esse alguém realmente se importa com ela.
Agora, não queremos o outro extremo, em que as pessoas se desfazem completamente em lágrimas e não adianta orarem, porque não conseguimos entender o que dizem entre os soluços. As lágrimas são uma coisa boa. Mas, se você vai conduzir a oração coletiva, precisamos ouvi-lo com clareza.
Vou dizer de outra maneira: precisamos do fogo de Deus em nosso ministério de oração. É simples assim.
Não precisamos de fogo estranho nem de fogo alheio. Precisamos do fogo de Deus. Não devemos ter medo desse tipo de fogo em nossa oração. Não queremos aquele tipo de oração que precisa gritar a plenos pulmões, como se isso fosse fervor. Satanás não tem o menor medo de pessoas que gritam ou fazem muito barulho. Isso não o assusta nem um pouco.
O que precisamos, ao que me parece, é do fogo de Deus. Quando esse fogo é aceso pelo Espírito Santo, ele é contagiante. Não é difícil acompanhar alguém que orou com fogo, se você está sensível ao Espírito, porque o seu espírito imediatamente se inflama.
É disso que estou falando quando me refiro à unção. A unção é o fogo de Deus. Uma vez que a unção está presente em um período de oração coletiva, você consegue acompanhá-la até o fim, porque ela é espiritualmente contagiante.
De alguma maneira, enquanto aquela pessoa ora, algo em você pega fogo, é aceso. Muitas vezes, enquanto alguém ora, essa pessoa praticamente ora as palavras que você está pensando. Esse é o sinal mais seguro de que o Espírito Santo está presente em nosso período de oração, porque se trata da harmonização que somente o Espírito Santo pode proporcionar.
Não é que você e eu combinemos de concordar e depois forcemos a mão de Deus, dizendo: “Tu tens de fazer isso, porque é tão extraordinário que, aqui nesta assembleia, nesta comunhão, dois ou três de nós tenham combinado de concordar. Portanto, agora Tu tens de fazer isso”.
Pelo contrário, é o Espírito Santo que produz essa concordância. Ele nos harmoniza.
Se eu fosse resumir outra vez: é o fogo de Deus. Não tenham medo do fogo.
Quando Norman Grubb estava morrendo, um dos meus amigos mais próximos foi visitá-lo. Eu conhecia Norman muito bem. Ele ia bastante a Halford, e eu vim ao Senhor por meio da biografia que ele escreveu de C. T. Studd, que também era um homem incrivelmente difícil. É curioso como o Senhor usa homens difíceis.
Mas o fogo de Deus estava em C. T. Studd. Até o fim de sua vida, quando morreu, trinta mil congoleses haviam vindo ao Senhor — a maioria deles, canibais. É uma história incrível.
Quando Norman estava morrendo, meu amigo lhe disse: “Muito em breve você verá o Senhor. Qual seria a principal coisa que você gostaria que nós, que ficaremos aqui, compreendêssemos?”
Norman pensou por alguns instantes e disse: “Nunca façam nada sem o fogo”.
Vocês me ouviram? Nunca façam nada sem o fogo.
Isso, creio eu, explica Norman Grubb. Explica C. T. Studd e explica toda a história da igreja. Onde houve fogo, a obra de Deus se realizou. Quando o fogo foi apagado, extinto ou abafado, tudo se tornou institucional, rotineiro e morto.
Pergunta: Nossa falta de fervor poderia ser falta de visão? Você percebe que somos guiados pelo Espírito, orando as orações dEle e em Sua unção, ou nos tornamos pessoas que se enriqueceram na oração coletiva depois de praticá-la durante vinte anos?
Tenho um respeito muito grande pelo que o Senhor fez nesta comunhão. Toda comunhão do povo de Deus tem falhas, deficiências e fraquezas sérias, e esta comunhão, naturalmente, tem algumas delas.
Mas tenho enorme respeito por qualquer grupo que se reúne de manhã cedo para orar, ou que se priva de algo de maneira correta — não como um exercício religioso — para buscar o Senhor em oração, juntos. Isso é precioso aos Seus olhos.
Isso me faz lembrar das palavras de Malaquias 3:16:
Então, os que temiam ao Senhor falavam uns com os outros;
E o Senhor atentava e ouvia;
E um livro de memória foi escrito diante dEle
Para os que temiam ao Senhor
E para os que meditavam no Seu nome.
É precioso para o Senhor quando as pessoas não apenas conversam umas com as outras, mas realmente perseveram em oração por algumas questões. A conversa que expressa o encargo e a preocupação do nosso coração se transforma em intercessão.
Eu não diria que vocês se tornaram ricos e de nada têm necessidade. Não diria que essa é a atitude de vocês. Mas também não diria, necessariamente, que toda a oração é guiada pelo Espírito. Parte dela expressa preocupação, mas saber se ela realmente procede do Espírito é outra questão.
Isto é muito importante: quando há visão, há fogo; e onde há fogo, há fervor.
Portanto, parece-me tremendamente importante que peçamos ao Senhor que nos dê visão, especialmente a vocês, os mais jovens. Vocês chegam como segunda ou terceira geração. Na verdade, precisamos orar para que não haja segunda nem terceira geração, mas para que todos sejam primeira geração, todos participando da visão e da compreensão originais.
Um problema com a visão é que colocamos nela nossas mãos pegajosas. Tomem a igreja como exemplo. Quase imediatamente, nossas queridas, doces e pequenas mãos espirituais pegajosas se apoderam dela, e nós a transformamos em uma coisa. Tudo o que não se enquadra nos parâmetros da igreja, conforme a entendemos, é imediatamente apagado.
Mas a verdadeira visão é ampla. Quando sentimos que precisamos proteger a visão, há algo errado. Deus é perfeitamente capaz de proteger a visão que Ele dá.
Vou a lugares onde nunca ouvi uma oração por uma pessoa não salva. Vou a lugares onde nunca ouvi uma oração pela cidade em que estão. Aparentemente, isso é político. No entanto, o Espírito Santo, por meio do apóstolo Paulo, nos instrui especificamente a orar pelos reis e por todos os que estão em autoridade.
Para mim, esse é um erro terrível. Fico pensando se a visão já morreu e agora precisamos protegê-la.
Devemos ser atalaias. Observamos o que o Senhor está fazendo e observamos o que o inimigo está fazendo. Somos guardiões, especialmente aqueles que são líderes em qualquer assembleia de Deus. Temos um chamado divino para proteger o rebanho de Deus.
Mas precisamos ter muito cuidado para não colocar nossas mãos pegajosas sobre algo de importância vital. Isso se torna o nosso bebê.
Uma das coisas mais incríveis que Deus fez com Abraão foi quando lhe disse:
Toma teu filho — teu único filho —, leva-o ao monte Moriá e sacrifica-o.
Abraão poderia facilmente ter argumentado que todo o propósito de Deus estava concentrado naquela criança. Poderia ter dito: “Isso é ridículo. Não pode ser o Senhor. Esperei todos esses anos pelo nascimento deste filho. Cometi um grande erro com Agar — que, aliás, permanece conosco até hoje”.
Mas ele refletiu e disse: “Está bem, Senhor. Se eu sacrificar meu filho, vou recebê-lo de volta pela ressurreição”.
Essa é uma expressão colossal de fé viva. Creio que, de tempos em tempos, Deus leva aqueles de nós que realmente viram alguma coisa ao ponto em que precisamos sacrificar aquilo que se tornou o nosso bebê. Sentimos que precisamos protegê-lo, guardá-lo, cercá-lo e abafá-lo. Se continuarmos assim, vamos matá-lo.
Nessa questão da visão, muitas vezes chega um momento em nossa experiência em que aquilo mesmo que Deus nos mostrou, e aquilo mesmo que Deus tem feito entre nós, precisa ser sacrificado ao Senhor — não a outras pessoas, mas ao Senhor. Então o Senhor nos devolve isso de uma nova maneira.
Vocês conhecem toda a história de como o carneiro foi encontrado preso no mato. Mas essa questão está na raiz de muitos dos nossos problemas.
Há quanto tempo vocês se reúnem? Quase quarenta anos? Vocês, os mais velhos, precisam ter muitíssimo cuidado para não entrar na meia-idade espiritual. Começamos a ganhar um pneu na cintura, temos dificuldade para nos mover e, de modo geral, ficamos acomodados. O fogo se foi — aquilo pertencia à juventude.
A visão precisa ser mantida viva. Eu nunca conseguiria enfatizar suficientemente a necessidade de ter visão.
Vocês conhecem a palavra de Provérbios 29:18:
Onde não há visão, o povo perece.
Essa é a versão antiga. Minha versão é:
Onde não há visão, o povo se desintegra.
O hebraico é muito interessante. A palavra para visão não se refere apenas a uma visão em êxtase — ver alguma coisa. Creio em visões; eu mesmo já as tive. Mas, mais importante do que ver um anjo ou ver o Senhor, é ter uma revelação profética.
A palavra é chazon. Significa ter uma compreensão profética. Onde não há compreensão profética do propósito de Deus, da obra de Deus e do objetivo de Deus, as pessoas se desintegram.
A palavra transmite a imagem de uma mulher com o cabelo trançado. Quando, à noite, ela desfaz a trança, o cabelo se solta. Daí vem a ideia de perecer: aquilo se desfaz e perece.
Onde não há compreensão profética do propósito e do objetivo de Deus, as pessoas, depois de algum tempo, começam a se desintegrar. Outra maneira de dizer isso é que elas se livram de toda restrição. Simplesmente vão para todos os lados.
Pergunta: Se alguém apresenta um assunto para oração ao qual eu nunca dei atenção pessoalmente, devo esperar conseguir participar da oração coletiva por esse assunto mesmo assim, ou devo simplesmente dizer amém e levar a questão para casa?
Essa pergunta mostra imediatamente que quem a fez não entende o que significa amém. Amém, em hebraico, significa simplesmente: “Assim seja”. Você precisa estar de acordo.
Uma pessoa nunca deve dizer amém a algo que não entende. Não é um exercício religioso. Amém vem do hebraico aman: “Eu creio; tenho fé”.
Quando alguém ora por alguma coisa e você diz “Amém”, está dizendo: “Tenho fé para isso. Creio nisso. Estou de acordo com isso. Digo sim a isso”.
Você deve ser capaz de participar da oração por uma questão que nunca considerou antes? Sim, absolutamente. Talvez você nunca tenha pensado nela, mas, se a pessoa que ora está espiritualmente viva, mesmo que você ainda não compreenda plenamente nem tenha entrado por completo naquele assunto, você também está espiritualmente vivo.
Se houver um testemunho em seu espírito, o Espírito Santo poderá muito bem conduzi-lo a concordar com aquela pessoa.
Existe uma ideia sobre a oração de que, se alguém ora por alguma coisa, isso basta. Mas tudo na Palavra de Deus é estabelecido pela boca de duas ou três testemunhas. Por isso é importante que, na oração, algo seja apresentado — às vezes quase a mesma coisa — duas ou três vezes.
Isso revela que o Espírito Santo está harmonizando as pessoas naquela questão, o que significa que temos a resposta.
Se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem,
Isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus.
Porque onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome,
Ali estou Eu no meio deles.
— Mateus 18:19-20
No momento em que há concordância e harmonização genuínas, isso pode ir além de dois ou três e alcançar todo um grupo. De alguma maneira, você sabe que está participando de um encargo que vem da destra de Deus, do coração do Senhor Jesus, pelo Espírito Santo, e que está sendo expresso na terra por diferentes membros do corpo.
É assim que sabemos que algo será respondido.
Minha experiência tem sido ouvir questões que eu nunca havia considerado e, enquanto estávamos juntos em oração, o Senhor abrir todo o assunto. A oração é uma das coisas mais incríveis.
Aprendi muito mais sobre as nações em conferências de líderes de intercessão, em diferentes partes do mundo, do que poderia ter aprendido apenas por meio de relatórios. O encargo que as pessoas carregavam em oração revelava o que estava na raiz dos problemas de suas nações.
Lembro-me de dois homens de Uganda. Eles faziam o lugar tremer com suas orações — homens pequenos, bem pequenos. Quando um deles se levantava e orava, era como se todo o lugar tremesse.
É disso que falo quando me refiro ao fervor. Não estou dizendo que todos vocês devam orar assim; não sei se a maioria conseguiria. Mas, quando você ouve alguém orando por seu país dessa maneira, de algum modo passa a compreender o problema que está na raiz daquele país.
Na oração, mesmo que você nunca tenha tido compreensão alguma, uma compreensão real pode lhe ser dada durante o período de oração. Talvez você não entenda tudo, mas recebeu algo do Senhor.
Pergunta: Como saber quando e como perseverar em oração por uma questão, e como saber quando parar — quando ela já foi concluída?
Essa é uma pergunta muito boa. Como saber quando perseverar em oração por uma questão? Como saber quando você a alcançou e ela está concluída?
Basicamente, todos nós somos aprendizes. Precisamos aprender a assumir uma questão, a prosseguir nela e, depois, a reconhecer quando o Espírito Santo diz: “Deixe isso”.
Às vezes, a questão fica concluída ali mesmo. Em outras ocasiões, somos conduzidos a orar por ela, deixá-la e, depois, ela volta em outra reunião de oração. Oramos por ela novamente e, então, a deixamos.
Lembro-me de um velho barracão horrível ao lado de Halford House. Ele havia sido construído ilegalmente durante a Primeira Guerra Mundial e era uma provação para nós. Estava em nosso terreno, mas não conseguíamos tirar os ocupantes de lá, porque eles tinham direitos de posse. A Cruz Vermelha o utilizava desde a Segunda Guerra Mundial, de modo que não se podia tomar uma medida judicial contra a Cruz Vermelha sem que todos ficassem horrorizados.
Era uma monstruosidade, e precisávamos desesperadamente daquele terreno. Não consigo dizer quantas vezes oramos por aquele barracão. Nunca acontecia nada.
Até a dirigente da Cruz Vermelha veio nos visitar. Era uma senhora maravilhosa, que conhecia o Senhor. Ela me disse: “A Cruz Vermelha nunca vai abrir mão dele. Posso pedir que façam isso, mas não vão abrir mão”.
Depois fui para Israel, e moro em Jerusalém desde 1973. Cinco ou seis anos depois de minha partida, a Cruz Vermelha procurou Halford House e perguntou: “Vocês teriam interesse em comprar o velho barracão?”
Todas aquelas orações que haviam subido ao longo dos anos foram respondidas. Os jovens costumavam dizer: “Por que estamos orando por aquele velho barracão? Nunca acontece nada”. No fim, aconteceu.
Às vezes, o Espírito Santo inspira um encargo, e você o assume. Então o Espírito Santo diz: “Agora deixe isso”, e você deixa.
Isso é bem diferente da ideia, própria da alma, de que, uma vez apresentada uma questão, você precisa orar por ela até chegar a uma conclusão. Muitas vezes, a oração por ela não chega à conclusão naquele momento. Todos ficam exaustos, porque, quando a sua alma se envolve demais, você fica exausto.
Certa vez, fui até T. Austin-Sparks e lhe disse que estava tendo dificuldades na oração. Eu estava orando por diferentes pessoas e por questões relacionadas à assembleia, mas me sentia completamente exausto.
Ele me disse, como só o senhor Sparks poderia dizer: “Você está envolvido demais nessa questão. É a sua alma. Você precisa soltar isso e relaxar, porque o Senhor vai fazer”.
Ele disse: “Outras pessoas lhe diriam para ir jogar golfe ou tênis, mas eu nem pensaria em lhe dizer isso. O que vou lhe dizer é que você mesmo está envolvido demais nisso. Solte isso, porque Deus está nessa questão”.
E eu soltei.
Vocês se lembram do Magnificat de Maria?
A minha alma engrandece ao Senhor;
E o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador.
— Lucas 1:46-47
O que começou no espírito chegou à alma. A alma tem seu lugar; a emoção tem seu lugar. Mas a adoração espiritual começa no espírito e depois chega à alma.
Vocês se lembram do salmista?
Aquieta-te, minha alma.
Quem está falando com quem? O espírito dele está falando com a alma.
Fiz calar e sossegar a minha alma;
Como uma criança desmamada junto de sua mãe,
Assim é a minha alma dentro de mim.
— Salmos 131:2
Sua alma pode se envolver em alguma coisa, chorar sem parar, ficar angustiada e se esgotar. Mas o espírito precisa falar à alma e aquietá-la.
Pergunta: Na oração coletiva, como se dá a consulta ao Senhor a respeito de uma questão? É um período de silêncio? Cada um consulta o Senhor enquanto outras orações acontecem, ou é algo diferente?
Consultar o Senhor acontece tanto dentro da reunião de oração quanto fora dela. Quando temos uma questão que preocupa a todos, começamos a buscar o Senhor para receber luz sobre ela. O que isso significa? Como o Senhor deseja que lidemos com essa questão?
Há uma diferença enorme entre conhecimento e sabedoria. O conhecimento tem a ver com os fatos, e os fatos são importantes. Sabedoria é saber como lidar com os fatos.
Você pode ter todos os fatos e não saber como lidar com eles. Infelizmente, as pessoas muitas vezes pensam que, depois de esclarecer os fatos, podem simplesmente entrar de qualquer jeito e fazer alguma coisa.
Quando fui salvo, como nunca havia lido a Bíblia, não conseguia entender por que Moisés e Arão estavam sempre se prostrando com o rosto em terra diante do Senhor. Eu pensava: “O que esses homens tolos estão fazendo? Por que continuam se prostrando com o rosto em terra?”
Eram os dois homens que conheciam os fatos. Por que não apresentavam a lei e diziam: “É isto que a lei diz. Agora obedeçam”? Em vez disso, prostravam-se com o rosto em terra diante do Senhor, repetidas vezes. Agora eu entendo: era a diferença entre conhecimento e sabedoria.
A Palavra de Deus diz:
E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus,
Que a todos dá liberalmente e não censura;
E ser-lhe-á dada.
— Tiago 1:5
Deus não o investiga nem o coloca sob inspeção. Se alguém tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, e ela lhe será dada, se pedir com fé, sem vacilar.
Eu tinha uma magnífica fúcsia conduzida em forma de árvore, do lado de fora do meu escritório em Halford House. Era da minha altura, com um grande tronco e uma enorme massa de pequenos ramos. Todo mês de maio, ficava carregada de flores.
Em certo ano, todos os botões apareceram, mas não se abriram e depois caíram em grande quantidade. Uma ou duas semanas depois, os botões surgiram novamente, e aconteceu a mesma coisa.
Tínhamos dois botânicos renomados na comunhão. Pedi a cada um, separadamente, que examinasse a planta. Eles examinaram as folhas, a casca e as raízes, e depois me deram uma palestra sobre a história da fúcsia. Mas, quando perguntei o que deveria fazer, disseram: “Você poderia fazer isto, ou aquilo, ou ainda aquela outra coisa”.
Então me lembrei de Dan Archer, o jardineiro que trabalhava atrás de Halford House. Ele era uma figura tão singular que serviu de inspiração para a série da BBC The Archers. Pedi que viesse examinar a fúcsia.
Ele a examinou de maneira muito semelhante e, então, disse: “Esta fúcsia precisa de uma dose de sal de Epsom”.
Eu ri e pedi que falasse sério. Afinal, o sal de Epsom serve para limpar o organismo; é um laxante. Mas ele disse: “Não é brincadeira. Dê uma colherada por dia a esse arbusto durante alguns dias, e, dentro de uma ou duas semanas, ele estará cheio de flores”.
Não consegui me convencer a fazer isso, porque pensei que toda a assembleia cairia na gargalhada se soubesse que eu estava dando um laxante à fúcsia. Então pedi a Margaret que fizesse.
Fielmente, ela deu ao arbusto uma colher de sopa de sal de Epsom por dia. Dentro de uma semana, ele começou a florescer outra vez e, em duas semanas, estava cheio de botões e florescendo lindamente. Ao que parece, o sal de Epsom contém magnésio.
Por que estou contando isso? Para mostrar a diferença entre conhecimento e sabedoria. Os dois botânicos tinham um conhecimento inacreditável. Podiam me contar toda a história do arbusto, mas não sabiam lidar com os fatos. Dan Archer tinha sabedoria. Em poucos instantes, disse-me como lidar com eles.
Quando chegamos à oração, não precisamos apenas dos fatos; precisamos de sabedoria. É isso que significa consultar o Senhor.
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
Que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
Para contemplar a beleza do Senhor
E consultar no Seu templo.
— Salmos 27:4
Há duas coisas extraordinárias aqui: contemplar a beleza do Senhor na adoração e consultar no Seu templo para a intercessão e a mediação. Os sacerdotes e os levitas se colocavam entre Deus e o povo.
Precisamos desesperadamente saber como consultar, e precisamos esperar que o Senhor responda.
Às vezes, uma reunião de oração pode precisar de um pouco mais de organização, como uma operação militar. Começamos de maneira muito semelhante à de vocês, mas, depois de algum tempo, sentimos que precisávamos reunir os diferentes encargos que as pessoas tinham.
Qualquer pessoa da comunhão podia telefonar para um dos três presbíteros e dizer pelo que sentia que deveríamos orar. Então, na reunião, dizíamos: “Parece haver um encargo entre várias pessoas para orar pela nação. Estamos considerando se devemos consultar o Senhor sobre o que exatamente devemos orar”.
Isso dava foco e direção.
Você não pode interceder antes de conhecer a vontade de Deus. Uma vez que sabe que algo é a vontade de Deus, pode orar de maneira eficaz.
Lembro-me de quando estava no Egito e havia recebido do Senhor que vários homens no quartel-general da RAF seriam salvos. Orei por eles com fervor. Então tive icterícia e fiquei confinado a uma cama de hospital em Fanara durante três semanas.
Fiquei profundamente deprimido, especialmente porque esperava falar com aqueles homens não salvos nas guarnições do Mediterrâneo.
Uma missionária idosa, a senhora Butler, costumava ir de bicicleta ao hospital todos os dias, sob o sol do meio-dia. Muitas vezes, ela simplesmente se sentava comigo em silêncio, mas era uma comunhão maravilhosa.
Um dia, ela disse: “Você parece mais deprimido do que de costume”. Eu lhe disse: “Senhora Butler, não entendo o Senhor”.
Ela disse: “Bem-vindo ao clube”.
Depois disse: “Já questionei o Senhor mil vezes. Sempre descubro que Ele está certo, mas muitas vezes não O entendo”.
Contei-lhe que havia orado por todos aqueles rapazes e que acreditava que o Senhor me mostrara que eles seriam salvos. Eu havia ido até lá para falar com eles, e então tive icterícia. “Por que o Senhor permitiu isso?”, perguntei. “Agora eles não virão ao Senhor”.
Ela disse: “É esse o problema?”
“Sim”, respondi. “Em poucas palavras, esse é o problema”.
Então ela disse: “Se levá-los ao Senhor é obra sua, ela vai fracassar, e todos nós louvaremos ao Senhor. Mas, se é obra do Espírito Santo, vai acontecer de qualquer maneira”.
Foi como se uma enorme pedra rolasse dos meus ombros. Pensei: “É claro. O que estou fazendo, carregando tudo isso como se dependesse de mim?”
Comecei a ser uma pessoa normal outra vez. Soltei minha intercessão por eles, limitando-me a dizer ao Senhor que acreditava que Ele podia fazer isso. Quando voltei, metade deles havia sido salva.
Precisamos consultar o Senhor. Sabemos, por exemplo, que o Senhor pretende preparar a Noiva, ao menos em um remanescente fiel. Por que precisamos orar para que isso se concretize? Porque, se não o fizermos, tudo se desintegra. É como se o Senhor dissesse: “Vocês compreendem isso e, sob Minha direção, como Meus cooperadores, nós faremos isso”.
Sabemos que Israel será salvo. Louvado seja o Senhor. Meu grande encargo é que vocês busquem o Senhor para descobrir o que Ele fará com os Estados Unidos.
A resposta à pergunta é simples: vocês precisam consultar o Senhor, seja antes do período de oração, seja durante ele.
Pergunta: Em Memphis, costumamos ter um período mais aberto, com um pouco menos de direção formal. Deveríamos considerar alguma mudança nisso?
Não creio que vocês devam mudar o princípio básico do sacerdócio de todos os crentes. Mas liderança é liderança. Deve haver o reconhecimento de que há entre nós aqueles que são líderes e são ungidos pelo Senhor para essa tarefa.
Devemos poder confiar neles para nos ajudar, especialmente na oração. Caso contrário, podemos passar muito tempo sem rumo até finalmente chegar aonde deveríamos estar. Às vezes, pergunto-me se não poderíamos saber disso logo no início e começar imediatamente.
Pergunta: Em uma reunião de oração coletiva, uma irmã pode mudar a direção da reunião? Se uma irmã tem uma percepção a respeito de uma situação, deve esperar até depois para falar com um irmão, ou deve apresentar o que percebeu, assim como um irmão faria durante o período de oração?
Bem, não quero ser linchado. Mas eu diria, antes de tudo, que não há desigualdade entre irmãos e irmãs. Deus criou o ser humano:
Macho e fêmea os criou.
Há igualdade total entre homens e mulheres em valor e qualidade.
Mas há uma diferença de função. Não desigualdade — diferença. Os homens precisam das mulheres, e as mulheres precisam dos homens. É isso que a Palavra de Deus diz. No ministério de oração, precisamos de ambos, e precisamos deles juntos.
Uma mulher deve mudar a direção da oração? Creio que a questão é o espírito com que a irmã muda essa direção.
Se for uma atitude impositiva e dogmática — “Estou aqui; façam exatamente o que eu digo” —, então está errado. Todos conhecemos aquele tipo de senhora que parece um tanque de guerra no meio de uma reunião, e, se não a seguimos, estamos em apuros.
Mas, se uma irmã começa a orar por uma questão que é um encargo para nós, e há unção ali, e está claro que o Senhor está nisso, não tenho problema algum em acompanhar essa oração. Louvado seja o Senhor.
Em todo lugar me perguntam por que a Palavra de Deus parece tão dura com as mulheres, especialmente nestes dias em que temos mulheres almirantes, mulheres generais, mulheres jogando rúgbi e mulheres lutadoras. Temos uma falsa igualdade e, naturalmente, ela se infiltra em toda a nossa mentalidade.
Por que vocês acham que Satanás foi primeiro atrás de Eva? Ela era tão tola que ele pensou que seria mais fácil enganá-la? Não creio. Acho que ele sabia que ela era a parte incrivelmente poderosa dos dois. “Se eu a conquistar, terei conquistado a ele”.
Satanás nem sequer se preocupou com Adão. Foi diretamente atrás de Eva.
As mulheres têm um poder enorme neste mundo. Se vocês olharem para a história, verão isso repetidas vezes. Por isso, a Palavra de Deus adverte as mulheres: “Tenham cuidado”.
Ouço pessoas dizerem que Paulo era misógino, que odiava as mulheres, e todo o resto dessa absoluta bobagem. Paulo era um defensor dos direitos das mulheres. O que ele temia era que as mulheres saíssem de seu chamado correto e deixassem sem cobertura não apenas a si mesmas, mas toda a igreja.
Na oração, não vejo por que uma mulher guiada pelo Espírito não possa mudar o tom da reunião. Se terminamos de orar por uma questão e uma irmã começa a orar por outra, desde que o espírito esteja correto e a unção esteja presente, eu diria: “Louvado seja o Senhor”.
O problema é a manipulação. As irmãs, especialmente as irmãs fortes, precisam ter muito cuidado para não manipular os irmãos nem pressioná-los, particularmente na oração.
Conheci duas mulheres notáveis, que eram extraordinárias na batalha espiritual. Elas trabalhavam com um irmão forte chamado Dennis Clark e o apoiavam quase como auxiliares. O trabalho deles se estendeu por toda a Grã-Bretanha.
Quando Dennis morreu, outro irmão, que não tinha a mesma força, sentia-se quase assombrado por aquelas duas mulheres. Elas não haviam se tornado mais fortes de repente; eram tão fortes quanto sempre tinham sido. Mas Dennis já não estava ali.
Às vezes, as pessoas reclamam de mulheres fortes na igreja, quando o verdadeiro problema é que os homens não são fortes o suficiente. Se os homens estivessem onde deveriam estar, talvez as mulheres funcionassem mais facilmente sob a liderança deles.
Não vejo problema em uma irmã mudar a direção de uma reunião de oração. Mas o espírito com que ela faz isso é extremamente importante.
As mulheres, por natureza, podem ser manipuladoras. Uma mulher de verdade concordará comigo. É uma característica natural que pertence à feminilidade e pode ser usada por razões erradas. É por isso que a Palavra adverte a respeito de ensinar e exercer autoridade.
No entanto, a história da igreja contém mulheres extraordinárias: Catherine Booth, Amy Carmichael, de Dohnavur, e outras. O que vocês vão fazer — dizer que essas mulheres deveriam ter ficado caladas e nunca exercido um ministério? É claro que não.
Se ao menos os homens estivessem onde deveriam estar, seria extraordinário. E as irmãs fortes precisam cuidar para não tentar manipular os irmãos nos bastidores, sob o pretexto da oração. Que o bom Senhor ajude a todos nós e nos salve.
Pergunta: Quando é apropriado dirigir a oração a uma situação ou obstáculo, ou exercer autoridade diretamente sobre eles, como ordenar a um monte que seja removido e lançado ao mar? Devemos dar ordens ao Senhor a respeito das obras de Suas mãos, como em Isaías 45:11? Se ambas as coisas forem apropriadas, devemos distinguir esses tipos de oração, ou simplesmente seguir a direção do Espírito Santo?
Todos vocês têm autoridade até o limite daquilo que lhes foi confiado. Deixem-me explicar o que quero dizer.
Se você é empresário e tem seu próprio negócio, tem autoridade diante de Deus por esse negócio. Quando o inimigo vem e tenta destruí-lo, você tem o direito de se posicionar contra o inimigo e de amarrá-lo. O mesmo princípio se aplica se uma mulher é dona de um negócio.
Tomem um lar como exemplo. Tanto o marido quanto a esposa receberam autoridade sobre seu lar e seus filhos. Quando o inimigo vem como uma inundação contra aquele lar, eles têm todo o direito de se posicionar contra essa obra das trevas em nome do Senhor Jesus.
Paulo fala de não ultrapassar a esfera sobre a qual Deus lhe deu autoridade. É um princípio do Senhor.
Se você é responsável pelas crianças em uma assembleia e vê o inimigo começando a causar problemas, tem pleno direito, diante do Senhor, de exercer autoridade. Você tem chaves para esse domínio menor.
Quando se trata de questões maiores, é a igreja. O problema surge quando as pessoas saem do corpo de Cristo e tentam agir como se fossem o corpo. Elas não são.
Dentro da igreja há ordem. Quando oramos por uma questão que preocupa a todos nós, a igreja pode ter autoridade diante do Senhor. Vocês oraram pelo projeto de um empreendimento ligado ao futebol nesta região, e parece que ele foi interrompido. Esse é um bom exemplo de autoridade.
A igreja tem autoridade para fazer coisas, mas muitas vezes há uma preparação antes do exercício dessa autoridade. Não basta uma irmã — ou qualquer pessoa — se levantar e dizer: “Eu te amarro, Satanás”, como se isso fosse suficiente.
Quase posso ouvir Satanás gargalhando ao fundo, dizendo: “Velha tola. Será que ela realmente pensa que pode me enfrentar?” Que Deus o ajude se você enfrentar Satanás por si mesmo. Ele o derrubará.
Não estamos lidando com um conto de fadas nem com uma imagem mental das trevas. Estamos lidando com coisas reais.
A Palavra diz que nem mesmo o arcanjo ousou proferir uma acusação injuriosa contra o diabo, mas disse:
O Senhor te repreenda.
— Judas 1:9
Não lidamos com Satanás insultando o diabo. Lidamos com ele louvando ao Senhor porque Ele é Senhor.
Quando você louva a Jesus porque Ele terminou a obra, a completou e Se assentou, Satanás treme. Quando vocês louvam e adoram ao Senhor juntos — porque Ele é Senhor e está à direita da Majestade nas alturas —, Satanás não pode fazer nada a respeito. Ele sabe que é verdade.
Permaneçam dentro da verdade. Se uma pessoa pensa que pode enfrentar Satanás insultando-o ou ordenando: “Satanás, saia daqui”, ele não vai ouvir simplesmente porque algum membro do corpo acha que pode lidar com ele. Isso é presunção.
Em seu lar, em seu casamento, com seus filhos e em seu negócio, você tem o direito de se posicionar contra o diabo. Mas, quando se trata de uma nação, de nações, do município ou de toda a localidade onde você vive, isso é uma questão da igreja.
É por isso que precisamos nos reunir em oração e conversar juntos: “Já é hora de usar as chaves?” Há algo maravilhoso em aprender a usar as chaves.
Pergunta: Qual é o papel do jejum na oração? Quanto tempo deve durar um jejum? Devemos jejuar de outras coisas além da comida? E quanto a marido e mulher se absterem da intimidade conjugal para orar?
O mais importante a respeito do jejum é que vocês não podem transformá-lo em um fetiche. É isso que aconteceu nos círculos religiosos. As pessoas o transformam em algo grandioso.
Derek Prince costumava jejuar uma vez por semana durante vinte e quatro horas. Seu jejum era espiritual, mas ele também o fazia por motivos de saúde. Tanto ele quanto Ruth, sua segunda esposa, jejuavam dessa maneira.
O jejum pode ser bom quando você quer perder peso, ou quando deseja parar por um tempo, meditar e ganhar clareza.
Há muitos anos, ouvi um rabino dizer algo que nunca me saiu da memória: “Você jejua quando tem um encargo tão grande que ele o consome, e você não tem tempo para comer”.
Creio que essa é a raiz da questão. Quando alguém está consumido por um encargo, como uma pessoa cujo ente querido está morrendo, pode quase se esquecer de comer. Quando as pessoas se apaixonam, muitas não comem. Algo maior afasta a coisa menor.
Se uma assembleia tem uma questão diante de si, pode ser muito bom dizer: “Não vamos comer”. Por quê? Porque comer e beber interrompem aquele período. Em Halford, tivemos dias de oração em que não bebíamos nem comíamos nada durante o dia inteiro. Foram momentos maravilhosos.
Em uma sociedade afluente, abster-se de comida e bebida pode parecer horrível. Mas, se você transforma o jejum em uma boa obra, impede o Senhor de responder à sua oração. Está dizendo: “Senhor, vê como sou bom. Fiquei sem comer por Ti”.
O Senhor diz: “Não é com base nisso que vou fazer isso. A base sobre a qual respondo à sua oração é a obra consumada do Senhor Jesus, não o seu jejum”.
O jejum é um sintoma de algo: um encargo espiritual gerado em você pelo Espírito Santo. Não é um meio de merecer uma resposta de Deus.
Pergunta: Você poderia nos apresentar questões mais claras e específicas no cenário internacional, ou à luz da eleição e das mudanças em nossa nação — algo que nos ajude a orar com mais precisão nos dias que virão?
Há palavras claras no Livro sobre o que devemos fazer nos últimos dias, especialmente na fase final da história mundial. Devemos prestar atenção ao que é dito sobre a oração.
Lucas 21 fala de súplica e oração. Mais uma vez, temos o rogo, o apelo e a consulta ao Senhor. Precisamos vigiar e orar. O Senhor disse isso repetidas vezes.
Não creio que a situação em que os Estados Unidos e o mundo se encontram vá melhorar. É perfeitamente possível que as enormes quantias levantadas para ajudar bancos e outras instituições adiem um colapso, mas elas não são a solução.
A verdadeira questão é se o Senhor está nisso, ou se é apenas a má administração humana. Creio que o Senhor está nisso. Creio que o Senhor está levando toda a sociedade como a conhecemos, e o sistema financeiro, em direção a um colapso para abreviar o tempo.
Creio que estamos no limiar da vinda do Anticristo. Um empresário na Grã-Bretanha disse recentemente: “Agora temos problemas sobre-humanos e precisamos de um ser sobre-humano para resolvê-los”.
Quando especialistas financeiros não salvos começam a falar assim, você entende o que o Livro diz sobre o Anticristo aparecer como a resposta a problemas enormes.
Não creio que haja uma solução de longo prazo para os problemas financeiros e econômicos. O sistema é construído sobre dívidas. Enquanto ele funciona, tudo parece bem. Mas, quando se joga uma ferramenta nas engrenagens — ou uma chave inglesa, como dizemos na Inglaterra —, a coisa toda começa a desmoronar.
Os Estados Unidos estão prestes a perder sua condição de superpotência. A Rússia gostaria muito de ver os Estados Unidos rebaixados. A China deve se tornar uma superpotência, assim como a Índia.
Há três grandes superpotências nos bastidores. Duas são pagãs e nunca tiveram um fundamento cristão e bíblico. A outra teve seu fundamento cristão destruído por setenta anos de marxismo ateu.
As potências que influenciam a sociedade mundial são cada vez mais pagãs.
Os Estados Unidos, com todas as suas falhas, fraquezas, pecados e muitas outras coisas, têm sido um freio extraordinário para uma sociedade sem Deus. Têm sido um protetor das minorias, sejam cristãs ou judaicas. Os cristãos na Indonésia, por exemplo, teriam enfrentado uma perseguição muito maior se não fosse a presença dos Estados Unidos.
A presença dos Estados Unidos no cenário mundial tem contido certas forças. Na minha avaliação, esse freio está em declínio.
Independentemente do que se pense do presidente Bush e de quaisquer erros que ele tenha cometido, ele foi corajoso ao lutar por princípios bíblicos impopulares a respeito do aborto, da prática homossexual, do casamento entre pessoas do mesmo sexo e da eutanásia.
Minha impressão é que as comportas se abrirão nos próximos um ou dois anos em todas essas áreas. Mas não creio que essas questões estejam na raiz do juízo divino sobre os Estados Unidos. Creio que seja a divisão da Terra Prometida.
A divisão da Terra Prometida é uma palha que mostra em que direção o vento está soprando. Se uma aliança solene feita por Deus pode ser descartada como politicamente incorreta, e se o presidente de uma superpotência pode supervisionar a divisão daquela terra em dois Estados soberanos, o que mais pode ser mudado?
A família pode ser redefinida. A sociedade pode voltar ao paganismo.
Acho extraordinário que a Igreja Católica muitas vezes tenha sido a única instituição disposta a falar sobre algumas dessas questões. Não sou defensor da Igreja Católica, mas João Paulo II apelou à Comissão Europeia para que reconhecesse o Evangelho e a Bíblia como fontes da civilização europeia. Eles se recusaram, afirmando que o helenismo era a fonte fundamental da civilização europeia.
Isso não é verdade. O que tornou o mundo ocidental poderoso foi a Bíblia na língua do povo e o Evangelho que mudou e transformou vidas, produzindo uma sociedade construída — apesar de toda a sua hipocrisia e de suas falhas — sobre princípios divinos.
Bento XVI retomou a causa depois da morte de João Paulo, mas a resposta foi rude: “Isso não tem absolutamente nada a ver com a civilização europeia”.
O Parlamento Europeu foi construído segundo o modelo de uma pintura da Torre de Babel, feita por Pieter Bruegel no século XVI. Do lado de fora da Comissão Europeia, em Bruxelas, há uma estátua representando Europa e o touro, Zeus. Ela se baseia na lenda grega em que Zeus se transformou em um touro e estuprou Europa.
Creio que essas coisas nos mostram para onde a situação está caminhando.
Os Estados Unidos preservaram uma consciência cristã e bíblica residual maior do que provavelmente qualquer outra nação. É isso que está evaporando.
Se o Senhor está julgando, o ser humano não pode simplesmente consertar as coisas. A Escritura diz, de Gênesis a Apocalipse, que, no fim, haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Quando os acontecimentos ultrapassarem este planeta, as pessoas entenderão que isso não é apenas obra humana.
Homens desmaiando de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo.
— Lucas 21:26
Considerem as abelhas. Sabemos que a abelha está no centro do ciclo da natureza. Tem ocorrido uma mortandade extraordinária de abelhas no mundo inteiro. Pode estar relacionada a inseticidas e pesticidas, mas as abelhas operárias, que sempre permaneceram com a rainha na colmeia, têm saído e não retornado.
Na China, cidades inteiras foram convocadas para usar longas varas de bambu com penas nas pontas e polinizar árvores frutíferas, porque não há abelhas.
Parece-me que Deus está nisso — como se, se me permitem dizer com franqueza, o Senhor estivesse farto da humanidade e da maneira como estamos nos comportando.
Do colapso financeiro, dos problemas econômicos, da turbulência e da confusão, virá o Anticristo. Está escrito no Livro.
Hitler nunca teria chegado ao poder na Alemanha se não fosse o colapso da República de Weimar. Houve um colapso financeiro e um desastre econômico. Um em cada dois alemães estava desempregado. Hitler surgiu como o salvador e libertador da Alemanha, aclamado pelos cristãos e eleito com seus votos.
Lembro-me de cristãos idosos dizendo: “Nós votamos nele”, apenas para descobrir tarde demais o que haviam feito.
Franco, na Espanha; Mussolini, na Itália; Lenin e Stalin, na Rússia; e Mao Tsé-Tung, na China — todos surgiram em meio à turbulência e à confusão.
Creio que estamos muito próximos da vinda do Anticristo. Essa é uma razão para sermos preparados. Precisamos estar prontos.
Não é verdade dizer que ninguém será salvo nos últimos dias. A profecia de Joel diz:
E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
— Joel 2:32
Mas eles precisam conhecer o nome dAquele a Quem devem invocar.
Não acho isso deprimente. Louvo ao Senhor. Talvez eu esteja vivo para ser arrebatado e estar com o Senhor, talvez não, mas ficaria muito feliz se estivesse. Que experiência seria!
Se alguém for colocado em um túmulo, isso não importa. Não ficaremos atrás daqueles que partiram antes. De qualquer maneira que se olhe para isso, iremos primeiro. Por que deveríamos ficar abatidos?
Se o seu tesouro está na terra, você está em apuros. Se o seu tesouro está no céu, pode sorrir.
Não quero entrar em questões políticas a respeito da eleição americana. Mas fico admirado que uma nação como os Estados Unidos eleja um homem que mal conhece.
Há muitas perguntas cujas respostas não sabemos. Devemos aceitar a declaração de conversão de uma pessoa, mas também precisamos ter discernimento a respeito das influências e convicções que moldam a liderança nacional.
Muitos cristãos votaram em Barack Obama. A palavra-chave foi “mudança”. Ela conquistou uma nação inteira, cansada da guerra, dos escândalos financeiros e de muitas outras coisas. Veremos.
Como vocês devem orar? Não adianta orar para que o Senhor não julgue os Estados Unidos se o juízo já estiver acontecendo. Pelo que devemos orar? Devemos orar por um despertamento de grandes proporções.
Devemos orar para que Deus, por Seu Espírito, incendeie muitos nesta nação e os traga a Si. Há anos digo que, mesmo que o Senhor julgue os Estados Unidos, a América do Norte pode se tornar o cenário de um dos maiores despertamentos da história da igreja.
Mas isso não virá de maneira casual. Exige sacrifícios vivos — pessoas dispostas a se entregar à oração e à intercessão. Isso custará tudo.
O desafio é enorme. Se entendo corretamente a minha Bíblia, o Anticristo reinará por sete anos. Isso não é maravilhoso? Sete anos podem parecer muito tempo quando se é jovem, mas, à medida que envelhecemos, o tempo parece voar.
Esses sete anos serão os sete anos mais terríveis da história humana, mas são apenas sete anos, divididos em três anos e meio e três anos e meio. Há coisas boas a lembrar em tudo isso. Louvado seja o Senhor.
Vocês devem orar pelo presidente Obama, porque somos instruídos a orar pelos reis e por todos os que estão em autoridade. Quando Paulo escreveu isso, alguns dos governantes eram pessoas demoníacas. Ainda assim, ele disse: “Orem por eles”.
Temos o dever de orar por Obama, pelas decisões que ele toma e pela equipe que forma, mesmo que nos sintamos deprimidos com tudo isso.
Quanto a Israel, essa é outra questão inteiramente diferente. Durante a eleição, muita atenção foi concentrada nos assuntos internos, enquanto o Irã continuava avançando com seu programa nuclear. Quando o Irã testar um artefato nuclear, isso mudará o sistema mundial em um dia.
Se uma guerra eclodir no Oriente Médio, haverá pouca perspectiva de paz. O Hezbollah acumulou dezenas de milhares de foguetes, muitos capazes de alcançar regiões bem distantes dentro de Israel.
Uma guerra no Oriente Médio poderia transformar a crise financeira em um colapso completo. Talvez baste um terremoto de grandes proporções ou uma guerra para levar a situação atual além do limite.
O Senhor tem uma controvérsia com as nações, e ela diz respeito, basicamente, a Israel.
Creio que estamos mais próximos da salvação espiritual de Israel do que nunca. Satanás está fazendo de tudo para erradicar o povo de Israel antes que esse milagre aconteça. Mas ele fracassará, assim como fracassou no Holocausto.
Israel foi recriado como nação a partir das cinzas do Holocausto. Parece-me que Israel nascerá de novo espiritualmente a partir das cinzas de alguma grande guerra. Posso estar errado, mas é assim que sinto.
Muito obrigado. Espero que tenhamos respondido a essas perguntas.