Vocês poderiam abrir comigo em algumas passagens das Escrituras? Na verdade, apenas um versículo aqui e outro ali. Evangelho de João 17:17:
Santifica-os na verdade: a Tua palavra é a verdade.
Efésios, a carta do apóstolo Paulo aos efésios, capítulo 6. Vamos ler Efésios 6:10-18:
Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas do diabo.
Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Permanecei, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade e vestido a couraça da justiça,
e calçado os pés com a preparação do evangelho da paz;
tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus:
com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e vigiando para isso com toda perseverança e súplica por todos os santos.
Depois, na segunda carta do apóstolo Paulo aos coríntios, 2 Coríntios 10:3-5:
Porque, embora andemos na carne, não guerreemos segundo a carne;
pois as armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas diante de Deus para a destruição de fortalezas;
derrubando os raciocínios e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.
Vamos orar mais uma vez.
Amado Senhor, somos gratos por estarmos aqui, reunidos em Tua presença nesta noite. Cremos, Senhor, que Tu responderás à nossa oração, para que sejamos renovados e vivificados no corpo, na mente e no espírito.
Senhor, Tu nos capacitarás a realmente assimilar o que for dito nesta noite? Nós Te agradecemos, Senhor, pela unção que conquistaste para nós no Calvário e tornaste uma realidade viva na pessoa do Espírito Santo. Queremos nos firmar pela fé nessa unção, nessa graça e nesse poder, tanto para falar a Tua Palavra como para ouvi-la.
Que este seja um tempo em que nos encontremos Contigo, Senhor, tanto agora, no ministério da Tua Palavra, como daqui a pouco, quando buscarmos a Tua face em oração. Pedimos tudo isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Quero falar nesta noite sobre um assunto tão importante quanto qualquer outro de que eu poderia tratar a respeito da oração coletiva: a Palavra de Deus.
Se você vem para um tempo de oração sem a sua Bíblia, é como entrar numa guerra desarmado — sem as suas armas.
O mais importante na questão da oração, quer você saiba disso ou não, é conhecer a Palavra de Deus e ser capaz de usá-la à medida que o Espírito Santo a aplica às situações.
A Palavra de Deus não é apenas teologia. Não é apenas uma verdade distante e impessoal. É a única arma que o Senhor nos deu na guerra em que nos encontramos.
Agora, se você não sabe nada a respeito dessa guerra, bem, fico espantado. Até o mais novo dos crentes já nasce em meio à guerra.
Pensando bem, isso não é tão absurdo quanto parece. Este mundo jaz no maligno; está em guerra contra Deus e contra o Seu Messias. Cada vez mais, começamos a ver aquelas nações que antes tinham um fundamento bíblico — princípios bíblicos na raiz da vida nacional — começarem a contradizer e abandonar esses princípios.
O resultado é que a própria atmosfera em que nós, crentes, nos encontramos está se tornando cada vez mais hostil. Não quero dizer que as pessoas sejam necessariamente mais hostis. Quero dizer que existe uma hostilidade na própria atmosfera.
O evangelho fez coisas extraordinárias. Onde quer que tenha chegado — por exemplo, na Europa, na Escandinávia, na Grã-Bretanha —, ele purificou toda a atmosfera. Embora houvesse muitas coisas erradas, malignas e sombrias, ele purificou a própria atmosfera.
Fez exatamente o mesmo no continente norte-americano. Purificou a própria atmosfera. Isso agora está se perdendo, e as forças das trevas estão ocupando suas posições onde antes o evangelho havia purificado o terreno. Por isso, estamos muito conscientes da hostilidade na atmosfera.
Só posso lhes dizer que, quarenta ou cinquenta anos atrás, quando eu era um jovem crente, não havia essa mesma atmosfera de hostilidade no ar. Comecei a percebê-la há uns dez ou quinze anos, e passei até a dizer às pessoas: “Vocês não sentem essa hostilidade no ar?”
Eu me perguntava se aquilo que se diz em 2 Tessalonicenses 2, sobre ser removido o que detém, significava que aquilo que detém o mal estava sendo removido. Talvez seja porque agora estou mais velho. À medida que você envelhece, se continua caminhando com o Senhor, torna-se mais sensível às coisas do Senhor.
Lembro-me de anos atrás, quando estava me recuperando de uma enfermidade na bela casa de Lady Ogle, com vista para a floresta de Ashdown, no sul da Inglaterra. Era um daqueles dias que raramente acontecem na Grã-Bretanha. Não havia uma nuvem no céu. O sol brilhava, os pássaros cantavam, e cobras-de-colar tomavam sol nas cercas-vivas de teixo. Era um dia incrivelmente bonito. Dava para enxergar a quilômetros de distância.
Ouvi alguém chamar meu nome e vi Lady Ogle. Ela estava sentada numa cadeira de balanço suspensa e disse: “Você quer tomar um chá?” Bem, pensei, esse é sempre um convite maravilhoso para mim. Então fui imediatamente até ela e me sentei ao seu lado.
Estávamos tomando chá quando, de repente, ela me disse: “Você não sente uma guerra colossal na atmosfera?” Quase caí da cadeira. Era um dia dos mais esplêndidos. Guerra e batalha eram as últimas coisas em que eu estava pensando.
Gaguejei por alguns instantes e disse: “Bem, na verdade…” “Sim”, disse ela, “você não sente?” Fiquei sem saber o que dizer. Então ela continuou: “Levantei-me às cinco horas nesta manhã para o meu momento devocional e senti isso. Perguntei ao Senhor: ‘Senhor, o que é essa guerra terrível?’ E o Senhor me disse: ‘É algo relacionado ao Oriente Médio’”.
Ela disse: “Você e eu vamos ouvir o noticiário das seis”. Às seis horas, ligou o grande rádio que havia em sua maravilhosa casa, e a primeira notícia foi o assassinato da família real no Iraque — o assassinato das crianças da família real e o assassinato da preceptora, que era uma crente maravilhosa e uma amiga pessoal muito próxima de Lady Ogle.
Isso me ensinou uma lição extraordinária. Pensei: “Será que algum dia serei sensível a esses movimentos no mundo invisível?” Eu não achava que fosse possível. Mas penso que, à medida que envelhecemos, realmente nos tornamos um pouco mais sensíveis. Se continuamos caminhando com o Senhor, tornamo-nos mais sensíveis às coisas que estão acontecendo.
Há algo acontecendo na atmosfera, e as forças das trevas estão, pouco a pouco, procurando assumir o controle desta terra como a conhecemos.
É por isso que creio que o declínio dos Estados Unidos é tão importante. Esse grande baluarte, com todas as suas falhas, fraquezas, pecados e desobediência, tem sido o guardião das minorias no mundo — minorias cristãs, minorias judaicas.
A própria presença dos Estados Unidos tem impedido a China, por exemplo, de impor seu poder muito mais do que já impõe, no que diz respeito aos crentes. O mesmo vale para a Rússia, a Índia, a Indonésia e vários outros países que eu poderia mencionar. A Grã-Bretanha foi a guardiã no mundo durante muitas centenas de anos; depois, os Estados Unidos se levantaram no lugar do Reino Unido.
Você e eu precisamos conhecer a nossa Bíblia. É uma tragédia quando um filho de Deus desconhece a Palavra de Deus.
Esta Bíblia que você tem nas mãos chegou até nós em nossa língua materna a um custo enorme. Jan Hus, ou John Hus, o reformador boêmio, foi queimado na fogueira por sugerir que a Palavra de Deus não deveria estar em latim, mas em tcheco.
William Tyndale morreu na Bélgica, em Antuérpia, primeiro estrangulado e depois queimado. Por quê? Porque ele disse: “Vivi para ver a Palavra de Deus nas mãos de cada lavrador da Inglaterra, na língua que ele entende”.
Ao morrer, clamou: “Ó Deus, abre os olhos do rei da Inglaterra”. Dentro de um ano, Deus abriu os olhos de Henrique VIII, e ele promulgou um decreto real determinando que aquela Bíblia, principalmente obra de William Tyndale e Coverdale, fosse acorrentada a um atril em cada igreja paroquial da Inglaterra e do País de Gales, para uso das pessoas comuns.
Você e eu temos pouca ideia da batalha que houve em torno deste livro que chamamos de Bíblia. Uma batalha enorme foi travada para produzir este livro numa língua que todos pudessem entender.
Mas, se estamos tão acostumados com ele que frequentemente o deixamos fechado, ou nos detemos apenas em nossas passagens favoritas, nunca chegamos a conhecer o livro.
Este livro não é apenas palavras ou pensamento. É vivo e eficaz, e mais afiado do que qualquer espada de dois gumes. Ele separa alma e espírito e realmente expõe as forças e os fatores que motivam o ser humano. É extraordinário.
Para aqueles de vocês que gostam de literatura — não sei quantos americanos gostam —, lembro-me de que duas das senhoras americanas mais cultas que já conheci foram a senhorita Saunders e sua irmã Bella. Nunca me esqueci delas.
Elas conseguiam citar de memória Thackeray, Dickens e discursos inteiros de Shakespeare. Nunca me esquecerei do tempo que passei com aquelas duas senhoras extraordinárias. Elas redimiram os Estados Unidos aos meus olhos. Pensei: “Pelo menos existe alguma cultura nos Estados Unidos”.
Sempre me lembrei de como uma delas me disse: “Você acha que Henrique IV assassinou aqueles dois menininhos na Torre de Londres?” Pensei: “Do que elas estão falando?” Elas disseram: “Você sabia que um dos seus principais detetives escreveu todo um estudo documental sobre isso — mostrando que não poderia ter sido o rei corcunda, mas outra pessoa?”
Bem, não vou continuar com isso. Não tem muito a ver com o assunto. Mas o fato é este: Shakespeare era um gênio. Goethe era um gênio. Schiller era um gênio. Dante era um gênio.
Mas nunca vi um alcoólatra ser liberto do álcool, um dependente de drogas ser liberto das drogas, um casamento desfeito ser restaurado ou uma vida à beira do suicídio ser resgatada por qualquer coisa que Shakespeare ou Schiller tenham escrito. Nem mesmo A Megera Domada fez alguma coisa para salvar um casamento do naufrágio.
Mas este livro — uma única frase pode saltar de suas páginas, pelo Espírito Santo, expor as intenções e os fatores que motivam um ser humano, lançar luz diretamente em seu coração e salvar, libertar, redimir e transformar.
Você e eu temos nas mãos algo absolutamente extraordinário: este livro, esta Bíblia, com seus sessenta livros. Cada parte dela é relevante. Cada parte dela é inspirada. Cada parte dela tem autoridade.
Ficamos tão acostumados a ter esta Bíblia nas mãos que alguns de nós quase nunca a abrimos. Só fazemos isso quando alguém prega e, por acaso, estamos com uma Bíblia. Nós a abrimos para ver de onde a pessoa está começando a mensagem.
Esta Palavra de Deus é a única arma que o Espírito Santo nos dá na oração coletiva.
É muito importante que você e eu compreendamos isso. O Senhor Jesus disse em João 17:17:
A Tua palavra é a verdade.
Agora, às vezes pensamos na verdade apenas como doutrina. Isso não está errado, mas posso usar outra palavra para traduzir essa palavra grega? A Tua Palavra é realidade.
Este livro é realidade. Jesus expressou isso de maneira tão simples em João 17:17:
Santifica-os na verdade.
Separe-os. Torne-os especiais por meio da verdade.
Em outras palavras, este livro é vivo. É criador; é ativo. Assim como, quando Deus falou, tudo se fez — quando Deus disse, em Gênesis 1:3:
Haja luz.
E houve luz. Quando Deus criou todo este universo do nada por Sua Palavra, tudo foi por meio da Sua Palavra.
Assim, esta maravilhosa Palavra de Deus é ativa e criadora. É mais afiada do que uma espada de dois gumes.
Não há como enfatizar demais esse pequeno e simples fato. Quando o apóstolo Paulo chega ao fim dessa carta aos efésios, com a tremenda revelação que recebemos nela, ele diz: “Vejam, se vocês não aprenderem a permanecer firmes em toda a armadura de Deus, a resistir e, havendo feito tudo, a permanecer firmes, perderão tudo”.
Se olharmos para a história da igreja, foi exatamente isso que aconteceu repetidas vezes. Quando houve algum grande mover do Espírito Santo, milhões de pessoas foram salvas e sociedades inteiras de várias nações foram mudadas e transformadas pelo evangelho, tudo isso acabou se perdendo. É exatamente o que está acontecendo agora nos Estados Unidos.
Agora, quando chegamos à oração coletiva, o apóstolo diz pelo Espírito de Deus, em Efésios 6:11:
Revesti-vos de toda a armadura de Deus.
Ele diz isso várias vezes e depois define o que é essa armadura. Essa armadura é o Senhor Jesus.
Se você está em Cristo, está na armadura de Deus. Deus não trouxe você à existência como filho Seu, nascido do Seu Espírito, para depois lançá-lo num mundo maligno e sombrio. Ele fez algo extraordinário. Desde o momento em que você nasceu, Ele providenciou uma armadura.
Ele providenciou exatamente aquilo de que todo filho de Deus precisa, não apenas para estar seguro, mas para ver o propósito de Deus cumprido, seja em nossa vida pessoal, em nossa vida familiar ou na vida da igreja.
A maneira de vermos qualquer coisa se cumprir é permanecendo firmes. Não recuamos, não avançamos, não nos desviamos para um lado: permanecemos firmes.
Em outras palavras, compreendemos qual é o propósito de Deus. Compreendemos a obra consumada do Senhor Jesus e permanecemos firmes nela. O Senhor Jesus expressou isso de maneira simples em João 15:4:
Permanecei em Mim.
A palavra é permanecer. Permaneçam em Mim.
Você não precisa lutar para chegar a essa posição em Cristo. Essa é a sua posição se você nasceu de Deus. Você já está posicionado Nele, e Nele está a armadura. Ele é a armadura.
Pensem por um momento. Há apenas uma única arma de ataque. Todo o restante é defensivo: a couraça, o capacete, a proteção dos lombos, os pés, o escudo — tudo é defensivo.
Com uma única exceção: a espada do Espírito. Essa espada do Espírito é a Palavra de Deus em sua totalidade — não as partes que você escolheu, aquelas de que gosta, mas todas as suas partes. Essa Palavra de Deus é a espada do Espírito.
Essa espada curta era o instrumento dado ao soldado para acabar com o inimigo. Era a única arma de ataque. Aqui estamos nós, em oração coletiva, e o que precisamos aprender é como estar seguros no Senhor Jesus, como assumir nossa posição Nele. Então estamos prontos para a guerra.
Nessa guerra, não recuamos nem avançamos. Simplesmente permanecemos firmes até que o propósito se cumpra. É uma posição de fé absoluta. Mas você precisa da espada.
Agora, prestem atenção: não se trata apenas de uma aplicação geral dessa questão à Palavra de Deus como um todo — a Palavra de Deus que é a espada do Espírito. A meu ver, isso significa que o Espírito Santo precisa tirar deste livro maravilhoso, desta Bíblia de sessenta livros, alguma frase, alguma promessa, alguma revelação da mente e do propósito de Deus, e aplicá-la na oração coletiva, para que você e eu possamos usá-la.
É isso que tantas vezes falta em nossa oração coletiva. Pedimos e pedimos; suplicamos e suplicamos; permanecemos firmes juntos para que as coisas sejam feitas; mas não há uso da Palavra de Deus.
Mas, quando a Palavra de Deus é usada, um poder tremendo é liberado. Vocês entendem o que estou tentando dizer?
Isso significa que vocês, jovens, precisam conhecer a sua Bíblia.
Não adianta muito ler três capítulos por dia e pegar no sono enquanto fazem isso. Depois, tudo aquilo fica passando pela cabeça, e a ideia é terminar a Bíblia inteira em um ano. Não tenho certeza de que essa seja sempre a melhor maneira de conhecer a sua Bíblia.
Sou totalmente a favor de ler a Bíblia inteira, de Gênesis a Apocalipse. Sugiro que vocês adquiram uma versão moderna; isso pode ajudar muito.
Lembro-me de quando A Bíblia Viva foi publicada pela primeira vez, e todos fizeram tanto alvoroço por causa dela. Não achavam que fosse boa. Meu entendimento de A Bíblia Viva é que ela está muito próxima do hebraico.
Eu disse: “É maravilhoso. Onde se diz que Isaque começou a se alegrar, ela diz: ‘Ele deu uma festa’. É exatamente isso que significa. Isaque deu uma festa — ou foi Abraão quem deu a festa? Mas, de qualquer modo, ele deu uma festa”.
Depois há outra passagem muito boa, quando Elias falava a todos os sacerdotes de Baal: “Onde está o deus de vocês? Talvez tenha saído em viagem. Quem sabe esteja dormindo”. Na edição americana de A Bíblia Viva, está escrito: “Talvez esteja sentado no vaso sanitário”. Os britânicos acharam aquilo demais e mudaram a frase na edição britânica.
É exatamente o que o hebraico diz: “Ele se retirou”. Uma bela expressão. O que significa retirar-se? Significa ir ao banheiro. Pelo menos isso faz com que esta Bíblia ganhe vida para algumas pessoas.
Vocês precisam ler a Bíblia. Também precisam memorizar a Bíblia. Procurem conhecê-la; memorizem-na.
Quando você guarda a Palavra de Deus no coração, descobre que a sua mente é purificada. Quando guarda a Palavra no coração, descobre que não peca contra o Senhor. Há um freio dentro de você.
Toda essa questão de conhecer a Palavra de Deus é extremamente importante. Mas, na oração coletiva, precisamos estar em sintonia com o Espírito Santo, tomando de fato uma porção da Palavra — uma promessa, uma frase, uma declaração — e aplicando-a a uma situação.
Quando isso acontece e alguém lê aquela Palavra, outra pessoa pode confirmar que recebeu a mesma Palavra. Agora temos a arma para esse tempo de oração.
Lembro-me muito bem de quando, na assembleia em Richmond, Surrey, na Inglaterra, onde eu estava, passamos uma semana inteira em oração a respeito da entrada da Grã-Bretanha na União Europeia. Isso foi há muitos anos. Ah, como buscamos o Senhor! Noite após noite, clamamos ao Senhor.
Então um de nossos queridos irmãos mais velhos, que era professor de Cambridge, estudioso do grego e um dos principais artistas da Comunidade Britânica de Nações, disse: “Creio que o Senhor me deu uma palavra”, e leu Provérbios 16:33:
A sorte se lança no regaço;
mas toda a decisão vem do Senhor.
A princípio, não conseguimos entender. O que aquilo poderia significar? Então sentimos que o Senhor estava nos dizendo que já havia ocorrido reuniões não oficiais nos bastidores, e já estava acertado que a Grã-Bretanha entraria na União Europeia.
Mas permanecemos firmes nessa Palavra e tivemos um tempo glorioso. O que havia sido um tempo de clamor e súplica se transformou num tempo de louvor triunfante e adoração, e todos fomos para casa.
As notícias eram muito desanimadoras. O país inteiro estava pronto para entrar na União Europeia, mas, à meia-noite, o presidente de Gaulle — que o Senhor o abençoe — vetou a entrada. A Grã-Bretanha não entrou.
A sorte havia sido lançada, mas a decisão veio inteiramente do Senhor.
Bem, muitos anos depois voltamos à mesma questão, e dessa vez o Senhor nos disse muito claramente, por meio de uma palavra profética: “Não Me peçam para mantê-los de fora. Vocês vão entrar por causa da incredulidade e das concessões, mas usarei a entrada de vocês para fazer surgir um exército de crentes de dentro da União Europeia”.
Foi exatamente isso que aconteceu. É extraordinário o que aconteceu em Portugal, na Espanha. Tantas pessoas vieram ao Senhor. É tão empolgante. Penso na Bulgária, na Hungria e na Polônia. As coisas que estão acontecendo agora dentro da União Europeia ampliada são extraordinárias.
Mas o que estou tentando dizer é que precisamos da Palavra de Deus. Precisamos aprender a usar a Palavra de Deus na oração coletiva.
Não estou pedindo que as pessoas façam exposições, pequenos sermões e todo esse tipo de coisa, que é a ruína de qualquer reunião de oração. Quando as pessoas acham que, de algum modo, precisam ler uma passagem inteira das Escrituras e depois quase fazer uma exposição dela — bem, uma reunião de oração não é para isso. Uma reunião de oração é para orar.
Mas o que precisamos é da Palavra de Deus relacionada, por assim dizer, ao encargo que nos preocupa.
Agora, preciso ficar de olho no tempo, mas vou mencionar apenas isto. Escutem: suas palavras iradas, suas palavras apaixonadas, suas palavras fervorosas não significam nada para Satanás.
Você pode chorar. Pode estar cheio de zelo. Pode gritar a plenos pulmões. Isso não significa nada para Satanás; ele está acostumado com isso.
Mas, no momento em que você usa a Palavra de Deus, ela é a verdade, e isso despedaça os poderes das trevas. Seu choro, sua emoção, seu zelo não farão nada.
Você pode ser como os profetas de Baal — pular para cima e para baixo e se cortar até sangrar. Satanás vai gostar. Ele dirá: “Só fogos de artifício nesta noite. Estão fazendo um espetáculo de fogos de artifício”. Mas isso não fará nada.
Mas, no momento em que, pelo Espírito Santo, vocês se firmam na Palavra de Deus em oração coletiva, ela despedaça os poderes das trevas. Ela os paralisa.
A única coisa que os poderes das trevas não suportam é a verdade. Por quê? Porque precisam aceitá-la. Não podem fazer outra coisa.
Eles sabem, como eu disse nesta manhã, que Jesus venceu. Sabem que não podem destronar o Senhor Jesus. Sabem que não podem, de maneira alguma, diminuir ou comprometer a obra consumada do Senhor Jesus. Ela está completa e é a base para a vitória total dos santos na terra.
Essa é a importância da Palavra de Deus na oração coletiva. Gostaria de conseguir explicar isso com mais clareza, mas é vital.
Satanás sabe que perdeu quando o Espírito Santo coloca a Palavra de Deus nas mãos dos filhos de Deus em oração coletiva. Ele é o pai da mentira. Toda a estrutura da autoridade e do reino de Satanás está edificada sobre mentiras, e, quando a verdade entra, ela paralisa.
Será que vocês perceberam aquela passagem que lemos em 2 Coríntios 10:3-5? É muito interessante. Em 2 Coríntios 10:4, lemos:
As armas da nossa milícia não são carnais, mas poderosas por meio de Deus.
Essa é a tradução habitual. A tradução que uso diz: “poderosas diante de Deus”. Mas a melhor maneira de entender é esta: as armas da nossa milícia são poderosas na presença de Deus.
Em outras palavras, a Palavra só pode ser usada na oração coletiva na presença de Deus. Isso se dá sob a direção do Espírito Santo, pela capacitação do Espírito Santo. Quando a Palavra é usada dessa maneira, algo acontece.
Não quero insistir demais nisso, mas considero algo tremendo. Essas são as únicas armas de que a Bíblia fala.
Vocês se lembram do que Davi disse em seu maravilhoso Salmo 18? Ele disse: “Senhor, Tu ensinaste as minhas mãos; treinaste os meus dedos para a guerra”. Vou ler como está em Salmos 18:28-30:
Pois Tu acenderás a minha lâmpada:
o Senhor, meu Deus, iluminará as minhas trevas.
Pois Contigo avanço contra uma tropa;
e com o meu Deus salto uma muralha.
Quanto a Deus, o Seu caminho é perfeito:
a palavra do Senhor é provada.
Isso às vezes significa que as coisas não acontecem imediatamente. A Palavra do Senhor nos é dada, e ela é provada antes de se cumprir. Herdamos as promessas por meio da fé e da paciência. Lembrem-se disso.
Quando os filhos de Israel chegaram ao rio Jordão, ele estava em plena cheia. Mas o Senhor lhes havia dito muito claramente, em Josué 1:3:
Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, Eu vo-lo tenho dado.
Essa era a Palavra do Senhor. Quando os pés dos sacerdotes desceram através das águas da cheia da colheita e tocaram o leito do rio, imediatamente houve um bloqueio do rio mais acima. O rio inteiro secou, e eles atravessaram em terra seca.
A maioria dos cristãos quer que seja assim. Quer algo instantâneo. No momento em que ordenamos alguma coisa, no momento em que tomamos posse de alguma promessa, no momento em que nos firmamos numa promessa de Deus, queremos ver o Senhor agir.
Há ocasiões em que o Senhor faz exatamente isso. Num único instante, quando nos firmamos numa promessa, está feito, e louvamos ao Senhor.
Mas, quando chegaram a Jericó, tiveram de dar uma volta ao redor de Jericó por dia, durante seis dias, no calor. No sétimo dia, acreditem ou não, sete voltas.
Se você fosse um dos filhos de Israel, poderia muito bem perguntar: “O que há de errado com o Senhor? Ele está dormindo? Temos de andar ao redor destas muralhas uma vez por dia, no calor, durante seis dias, e sete vezes no sétimo dia, enquanto Ele toma impulso para derrubá-las?”
Ou poderiam ter pensado: “O que há de errado com Josué? Talvez ele tenha pecado. Talvez tenha sido desobediente. O que há de errado com os nossos líderes?”
“Certamente, quando atravessamos o rio Jordão, no momento em que nossos pés desceram ao rio, tudo aconteceu. Com certeza, basta ficarmos aqui diante das muralhas de Jericó e dizer: ‘Senhor, derruba estas muralhas’, e elas cairão.”
Agora, não havia uma psicologia divina nisso quando o Senhor disse: “Não falem”? Eles não podiam dizer uma única palavra. Sabem por quê? Porque todos nós desanimamos uns aos outros no momento em que começamos a falar.
Damos a volta e dizemos: “Olhem para aquelas muralhas. Elas nunca vão cair. Estão vendo a força dessas muralhas? Estão aí há uma eternidade. Não vão cair”.
Mas, no momento em que, ao fim da sétima volta, tocaram a trombeta de shofar, as muralhas caíram — no tempo certo, por um ato de Deus.
Isso nos ensina alguma coisa. Por que o Senhor fez isso? Ele poderia ter feito logo no começo. O Senhor pode fazer qualquer coisa. Poderia ter poupado a todos aquelas longas caminhadas ao redor das muralhas, olhando para elas e ouvindo as pessoas dizerem: “Vocês são turistas do Egito? O que estão fazendo, andando ao redor das muralhas todos os dias?”
O Senhor poderia ter dispensado tudo aquilo, mas não dispensou. Por quê? Porque há coisas que levam sete dias e há coisas que levam centenas de anos.
Eles poderiam ter tomado Jerusalém, mas não o fizeram até que as plantas dos pés dos grandes guerreiros de Davi fossem colocadas dentro do poço que subia até a cidade dos jebuseus. No momento em que os pés deles tocaram o fundo daquele poço, Jerusalém tornou-se deles. Isso levou centenas de anos.
Há coisas que acontecem num instante; há coisas que acontecem em semanas; há coisas que acontecem em meses; e há coisas que levam anos. Mas o Senhor sempre honra a Sua Palavra.
Hebreus 6:12 diz:
Não sejais indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.
Você não precisa apenas de fé; precisa de paciência.
A palavra grega para paciência é um pouco diferente da palavra inglesa. Normalmente, paciência significa que você suporta alguém, é muito paciente e tolerante, e simplesmente aguenta aquela pessoa. Mas a palavra grega significa, na verdade, que você persevera. Não é apenas paciência; você persevera.
As duas ideias andam juntas. É por meio da fé e da paciência perseverante que você herda as promessas.
Bem, acho que está na hora de eu me calar. Mas, quando olhamos para algumas dessas maravilhosas passagens das Escrituras sobre a Palavra de Deus, elas são muito empolgantes. Como devemos usar a Palavra de Deus?
Em primeiro lugar, qual é o propósito de Deus? Qual é o propósito de Deus? Muitos de vocês compreendem o que é a igreja, o que já é muito mais do que muitos crentes compreendem. A Palavra de Deus tem algo a dizer sobre isso? Sim.
Ela diz em Apocalipse 19:6-7:
Aleluia: pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso.
A noiva já se preparou.
Portanto, sabemos pelo Livro que, pelo menos num remanescente dos fiéis, a noiva se preparará. Podemos nos firmar nisso quando vierem tempos difíceis e o Espírito Santo trouxer essa Palavra até nós. Essa é a visão mais ampla, o horizonte mais abrangente.
O Senhor diz alguma coisa sobre Israel? Certamente diz. Ele diz em Romanos 11:26:
E assim todo o Israel será salvo.
Essa não é uma promessa maravilhosa? Quer os Estados Unidos, a União Europeia, o Reino Unido ou o Japão abandonem Israel, isso não importa. O Senhor não a abandonará. O maior acontecimento de todos será a salvação do povo judeu. Está escrito no Livro.
Deixem Satanás fazer uma dança de guerra. Não importa. Ele só vai se cansar, porque Deus cumprirá a Sua Palavra. Aqui está algo que vocês podem usar em oração.
Conheci um homem — preciso me conter agora — chamado W. S. B. Burton. Ele foi um dos grandes missionários pioneiros do sul do Congo. Levou muitos canibais a Cristo.
Era um homem extraordinário. Eu costumava me admirar com a quantidade de pessoas com doenças terminais sobre as quais ele impunha as mãos e que eram curadas. Mas ele dizia: “Todos os meus sucessos foram com pessoas não salvas, e todos os meus fracassos foram com crentes”.
Ele acreditava que, de alguma maneira, aquilo era o evangelho. Era a maneira como o Senhor abria caminho entre aquelas tribos de canibais. Algumas histórias de suas peripécias entre os canibais eram de morrer de rir, e ele já era um homem com um enorme senso de humor.
Eu costumava me perguntar: “Qual é o segredo do ministério de Willie Burton?” Eu era jovem naquela época, e ele era idoso.
Lembro-me de que, em certa ocasião, ele me disse: “Sabe, passei a vida inteira reduzindo palavras longas do inglês, com muitas sílabas, a apenas uma ou duas sílabas. Peguei todo tipo de palavra em inglês e a tornei muito simples, para que as pessoas pudessem entender”.
“Mas”, disse ele, “há duas palavras cujo número de sílabas não consegui reduzir de modo algum. Uma é reconciliação, e a outra é imutabilidade.”
Ele disse: “Não consigo simplificar essa palavra”. Naquela noite, pregou sobre reconciliação. Mas foi para junto do Senhor antes de chegar a pregar entre nós sobre imutabilidade.
De repente, compreendi: é isso. Em Hebreus 6:17, está escrito:
A imutabilidade do Seu conselho.
Era isso que o havia tomado por inteiro.
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre. Seu conselho é imutável — isto é, impossível de mudar, impossível de transformar em outra coisa. É imutável.
Isso é algo de que devemos nos lembrar quando estamos na batalha em oração coletiva: a imutabilidade do Seu conselho. O Senhor não diz uma coisa num dia e outra no dia seguinte. Seu conselho é imutável.
Espero que o que tive a dizer nesta noite possa ser de alguma ajuda.
Quando Deus lhe der uma passagem, compartilhe-a. Não é necessário que você mesmo ore com base nela. Veja se outra pessoa pode retomá-la e orar com base nela.
Acho triste quando alguém compartilha uma passagem das Escrituras e depois sente que precisa orar com base nela, porque isso destrói a percepção de que o Espírito Santo é o regente.
Se Deus lhe der algo, leia. Apenas apresente a promessa e veja se outra pessoa não vai retomá-la e se firmar nela. Se ninguém fizer isso, você pode voltar a ela e se firmar nela.
Há algo maravilhoso no corpo de Cristo. Uma pessoa tem a Palavra; outra se firma nela; então outra a retoma; depois outra a desenvolve; então a oração vai um pouco mais longe; e, de repente, vem ao nosso coração a certeza: está feito. Está feito.
Não temos nenhuma evidência disso, mas já quase podemos começar a louvar ao Senhor. É exatamente o que o apóstolo Paulo disse em 1 Timóteo 2:1:
Súplicas, orações, intercessões e ações de graças.
Quando a intercessão é realmente poderosa, a ação de graças é o elemento final que a sela. É o testemunho do povo de Deus: o Senhor venceu. Nessa questão, Ele venceu.
Que o Senhor nos ajude nessas coisas. Essa questão não é simples. Mas lembrem-se de Daniel: todo o seu ministério em favor do retorno do povo judeu à Terra Prometida estava baseado na Palavra de Deus.
Ele se colocava diante do Senhor três vezes ao dia, de acordo com a palavra que Deus havia dado ao rei Salomão: que, mesmo estando no exílio, se vocês abrirem as janelas na direção de Jerusalém e orarem voltados para o lugar onde Deus fez habitar o Seu nome, Deus perdoará o pecado de vocês, os trará de volta e os restaurará à terra.
Foi sobre essa base que Daniel permaneceu firme. Ele permaneceu firme e resistiu, e, havendo feito tudo, permaneceu firme. Satanás ficou tão furioso que preparou uma cova de leões para ele.
As pessoas foram até o sultão e disseram: “O senhor percebe que Daniel está infringindo a lei? Ele está orando, quando a única pessoa a quem se pode dirigir uma oração é o próprio senhor”. Quando ficou comprovado que ele abria as janelas e que podiam ouvi-lo orar, foi entregue aos leões.
Então o Senhor teve um problema: deveria levar Daniel para casa por meio dos leões ou deveria fechar a boca dos leões?
O Senhor disse: “Daniel é a pessoa mais importante para Mim na face da terra. Ele está firme Comigo para que o Meu propósito se cumpra, firmado na Palavra”. As bocas dos leões foram fechadas.
Foi Moody quem disse que eles se tornaram como grandes gatos, ronronando, enquanto Daniel ajeitava um deles para servir de travesseiro, deitava a cabeça sobre ele e ia dormir.
Querido filho de Deus, não estamos brincando. Temos batalhas tremendas pela frente, e sabemos que Jesus venceu.
Que Ele tome estas palavras e as coloque em seu coração. Mesmo que você seja a pessoa mais jovem neste lugar nesta noite, deixe o Espírito Santo fazer algo em você. Deixe a Palavra de Deus entrar em você. Aprenda a usá-la.
Obrigado.