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    Foundations Of Our Faith: The Cross © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Foundations Of Our Faith: The Cross
    Foundations Of Our Faith: The Cross
    Kaung, Stephen

    A Cruz como Fundamento de Cristo e da Igreja

    Por favor, abram no Evangelho segundo Mateus.

    Leituras Bíblicas

    Mateus 16:21-27

    Desde então, Jesus começou a mostrar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.
    E Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: Longe de Ti, Senhor; isso de modo algum Te acontecerá.
    Ele, porém, voltando-Se, disse a Pedro: Para trás de Mim, Satanás; tu Me serves de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.
    Então, disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
    Porque qualquer que quiser salvar a sua vida a perderá; e qualquer que perder a sua vida por Minha causa a achará.
    Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?
    Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.

    Por favor, abram também em 1 Coríntios.

    1 Coríntios 1:18

    Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.

    Vamos orar.

    Querido Senhor, nosso coração está cheio de gratidão, e Te agradecemos por tudo o que tens feito por nós. Senhor, queremos de fato exaltar o Teu nome, o nome que está acima de todo nome, e com alegria dobramos os joelhos diante de Ti, reconhecendo-Te como o Senhor da nossa vida.

    Querido Senhor, enquanto permanecemos em Tua presença, esperamos que nos fales mais uma vez pelo Teu Espírito, por meio da Tua Palavra, para que possamos realmente ouvir o que o Espírito diz às igrejas.

    Oramos para que a Tua Palavra seja implantada em nós de tal maneira que produza fruto para Ti. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.

    A Revelação Central de Mateus 16

    Creio que agora todos sabemos que, nesta ocasião, não estamos aqui falando de algo novo; estamos apenas revendo o que o Senhor nos mostrou. Espero que, ao revermos isso, possamos receber uma visão renovada e entrar em uma nova vocação para a glória de Deus.

    Penso que Mateus 16, embora seja tão conhecido, contém as maiores revelações que podemos encontrar em toda a Bíblia, porque estão todas ali.

    Ali encontramos a revelação do Pai a respeito de Seu Filho, e não há nada maior do que isso. Como o Pai deseja que conheçamos Seu Filho o máximo possível!

    O Pai conhece plenamente o Filho, e Seu desejo é que, à medida que Ele nos revela Seu Filho, nós O conheçamos cada vez mais. Conhecê-Lo não é apenas uma questão de conhecimento mental. O conhecimento mental é apenas saber a respeito Dele. É algo externo a nós e não glorificará a Deus.

    Mas conhecê-Lo em nosso espírito nos transformará. Quanto mais você O conhece, mais é conformado à Sua imagem. Este é o propósito eterno do Pai celestial a respeito de Seu Filho: que todas as coisas sejam reunidas sob a autoridade de Seu Filho, e que tudo expresse Seu Filho. Dessa maneira, o Pai é verdadeiramente glorificado.

    Portanto, queridos irmãos e irmãs, antes de tudo, precisamos prosseguir em conhecê-Lo e conhecê-Lo cada vez mais.

    Em segundo lugar, encontramos nesse mesmo capítulo que, depois de o Pai revelar o Filho a Simão, filho de Jonas, nosso Senhor Jesus começou a revelar o que estava em Seu coração.

    Ele disse: “Você é Pedro. Agora você mudou. Tornou-se uma nova criação. Você tem a Minha vida em si, e com essa vida em você, e em muitos, muitos outros como você, edificarei a Minha igreja”.

    Ele edificará Sua igreja sobre esta rocha, e essa rocha é o próprio Senhor Jesus. Ele é o único fundamento. Ele não é apenas o fundamento da igreja; é a pedra angular da igreja. Também é a pedra de remate da igreja. Em outras palavras, nosso Senhor Jesus é tudo para Sua igreja.

    A igreja é chamada de o Cristo. Na igreja não há judeu, nem gentio, nem escravo, nem livre. Na igreja há somente Cristo. Vemos Cristo uns nos outros e permitimos que a vida de Cristo seja expressa em nossas relações uns com os outros.

    E essa igreja que Ele edifica — as portas do Hades se opõem a ela, mas não podem prevalecer contra ela. Louvado seja o Senhor.

    Essas são duas das maiores revelações que encontramos na Palavra de Deus. Mas então a Bíblia diz que nosso Senhor Jesus começou a dizer aos Seus discípulos:

    Desde então, Jesus começou a mostrar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e, ao terceiro dia, ressuscitar.

    Em outras palavras, depois de o Pai nos mostrar o Filho, e depois de o Filho nos revelar a igreja, Ele começa a contar o segredo — o segredo de Cristo e o segredo da igreja.

    Esse segredo é a cruz.

    A Cruz e a Condição Messiânica de Cristo

    Como nosso Senhor Jesus pode ser o Cristo? Sabemos que Ele foi enviado por Seu Pai a este mundo para uma missão: ser o Cristo, cumprir o plano de Deus. Mas como Ele será o Cristo?

    O segredo é a cruz. Foi a cruz que comprovou Sua condição de Cristo, Sua condição de Messias.

    Vocês se lembram de que, depois que Ele morreu na cruz, foi sepultado, ressuscitou e ascendeu, Deus O fez Senhor e Cristo. Em outras palavras, isso foi comprovado.

    Nós realmente agradecemos ao Senhor porque nosso Senhor Jesus, Aquele que é Deus, igual a Deus, tendo a forma de Deus, a imagem de Deus, ainda assim esvaziou-Se a Si mesmo. Que amor há por trás disso!

    Ele veio a este mundo, assumindo a forma de servo. Era isso que o homem deveria ser quando Deus o criou: um servo de Deus.

    Aqui veio nosso Senhor Jesus, o Homem segundo o coração de Deus. Ele assumiu a forma de servo. Mais uma vez, dizemos que a forma não se refere à aparência exterior. Aqui, a forma se refere à qualidade interior, ao caráter interior.

    Assim, vemos que nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra como homem, sempre Se colocou na posição de servo de Deus. Ele disse:

    Nada posso fazer de Mim mesmo. Faço porque Meu Pai faz.
    Nada posso dizer de Mim mesmo. Falo porque ouvi Meu Pai falar.
    Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Durante toda a Sua vida, houve um princípio que a governou, e esse princípio era a vontade do Pai, porque Ele Se mantinha na posição de servo.

    Costumamos dizer que, depois de nosso Senhor Jesus viver nesta terra por trinta e poucos anos, depois de falar e fazer tantas coisas, um dia Ele levou três discípulos ao monte e ali foi transfigurado.

    Costumamos dizer que, nessa transfiguração, a glória começou, por assim dizer, a irradiar daquele corpo de carne. É a glória do Filho do Homem.

    Em outras palavras, Ele havia vivido uma vida que agradava a Deus em tudo. Ele nos mostrou como deve ser o homem que Deus criou. Viveu uma vida tão perfeita em obediência ao Pai que a glória moral que havia Nele se manifestou.

    Vocês se lembram de que Moisés e Elias apareceram. Sobre o que conversaram? Conversaram sobre o Seu êxodo.

    Em outras palavras, um dia o Verbo Se fez carne e entrou neste mundo para ser homem, para revelar Deus e para nos mostrar como deveria ser o homem que Deus criou no princípio. E Ele é perfeito.

    Mas Ele estava para partir deste mundo. Portanto, esse era o assunto da conversa deles: como nosso Senhor Jesus partiria deste mundo?

    Era um momento muito importante. Por quê? No que dizia respeito ao próprio Senhor Jesus, Ele havia vindo e demonstrado que era o Perfeito. Tinha todo o direito de partir daquele monte.

    Mas, graças a Deus, Ele não partiu daquele monte da transfiguração. Se tivesse partido, ainda hoje e por toda a eternidade haveria apenas um Homem no céu. Ele é o único digno de retornar.

    Mas nosso Senhor Jesus, por nossa causa, preferiu partir da cruz do Calvário. Graças a Deus por isso.

    A Obra Objetiva da Cruz

    Agora, irmãos e irmãs, a palavra da cruz é loucura para o mundo. Para os que não são salvos, é loucura. Mas, para os que são salvos, a cruz é a sabedoria e o poder de Deus.

    Se não houver cruz, irmãos e irmãs, não haverá Cristo. Foi a Sua cruz que O tornou o Cristo. Somente na cruz Ele cumpre tudo aquilo para o que Deus O enviou.

    Mas a cruz em si, do ponto de vista do mundo, é apenas loucura. Para os judeus, é uma ofensa, uma pedra de tropeço, porque a Palavra de Deus diz que os amaldiçoados são pendurados no madeiro. Para os gentios, é apenas loucura. É um sinal de vergonha, um sinal de derrota.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, aqui vemos a sabedoria e o poder de Deus, porque é a cruz que faz de nosso Senhor Jesus o Cristo.

    Satanás, de certo modo, sabia disso. É por essa razão que, desde o início da vida de nosso Senhor Jesus, tentou matá-Lo.

    Vocês se lembram de como Herodes tentou matar todos os meninos de dois anos para baixo em Belém, mas Deus levou Jesus para o Egito.

    Vocês também se lembram de que, depois de nosso Senhor Jesus ser batizado, foi levado pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo. Durante todo aquele tempo, a tentação do diabo era esta: “Se Tu és o Filho de Deus, não precisas passar por sofrimento algum. Não precisas ir à cruz. Podes fazer tudo e ter tudo sem a cruz”.

    Ele chegou a prometer ao nosso Senhor Jesus: “Se Tu me adorares, eu Te darei o mundo inteiro”. Sem cruz.

    Mas, graças a Deus, nosso Senhor Jesus estava disposto a ir à cruz, em vez de evitá-la.

    Aqui em Mateus 16, quando o Pai O revelou como o Cristo, o Filho do Deus vivo, quem tentou impedir nosso Senhor Jesus de ir à cruz?

    O Senhor estava nos contando Seu segredo: “Como posso ser o Cristo, o Ungido? Tenho de ir a Jerusalém. Tenho de morrer. Mas, ao terceiro dia, ressuscitarei”.

    Imediatamente, Simão Pedro, que acabara de confessar, por revelação do alto, que Jesus é o Cristo e o Filho de Deus, foi usado por Satanás. Ele segurou nosso Senhor Jesus — fico pensando se chegou a sacudi-Lo um pouco — e disse: “Senhor, nunca. Não vás à cruz. Cuida bem de Ti mesmo”.

    Satanás estava por trás disso. Nosso Senhor Jesus Se voltou e disse:

    Para trás de Mim, Satanás; porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens.

    Irmãos e irmãs, o inimigo tentou de todas as maneiras afastar nosso Senhor Jesus da cruz. Mas, curiosamente, quando percebeu que não conseguia afastá-Lo da cruz, porque nosso Senhor Jesus estava decidido a ir a Jerusalém e seguia para Jerusalém — seguia para o Calvário —, Satanás soube que não poderia impedi-Lo de ir à cruz.

    Então mudou sua tática e tentou tornar a cruz tão horrível quanto possível: “Agora, Tu queres ir à cruz? Muito bem. Vou torná-la tão horrível, tão insensata, tão fraca, que as pessoas jamais acreditarão que a salvação será realizada por meio da cruz”.

    Mesmo quando nosso Senhor Jesus estava na cruz, vocês se lembram de que os sacerdotes vieram e disseram: “Se Tu desceres da cruz, então creremos que és o Messias”. Era exatamente o contrário. Se nosso Senhor Jesus tivesse descido da cruz, não haveria Messias.

    Mas nosso Senhor Jesus preferiu sofrer na cruz do Calvário, e isso faz Dele o Cristo.

    Hoje, para nós que cremos no Senhor Jesus, a cruz é a sabedoria de Deus e o poder de Deus. Nós nos gloriamos na cruz de nosso Senhor Jesus.

    Sabemos quanto nosso Senhor Jesus realizou na cruz do Calvário?

    Sabemos que naquela cruz Ele levou nossos pecados em Seu corpo. Porque levou nossos pecados em Seu próprio corpo, Deus pode nos perdoar.

    Ele tirou nossos pecados. Aquele que não conheceu pecado Se fez pecado por nós. Pensem nisso. Ele nunca conheceu o pecado, porque toda a Sua vida agradou ao Pai.

    Mas, na cruz, Ele foi feito o próprio pecado — não apenas alguns pecados que você ou eu cometemos. Não, o pecado em sua totalidade. Nosso Senhor Jesus o levou em Seu corpo. Foi feito pecado aos olhos de Deus. Tornou-Se nosso substituto. Foi esmagado por Deus, que é justo.

    Ele tirou nossos pecados. Ele nos purifica com Seu sangue. Ele nos perdoou e até Se esquece dos nossos pecados. Irmãos e irmãs, que salvação! Mas isso é apenas o começo.

    Ah, o que a cruz de nosso Senhor Jesus fez por nós! Porque, na cruz, Ele fez muito mais. Ele não apenas levou nossos pecados, os atos pecaminosos, em Seu corpo; a Bíblia nos diz que, quando foi crucificado, levou Consigo o velho homem.

    Ele era o último Adão. Toda a raça adâmica, por assim dizer, estava Nele. Quando Ele morreu, essa raça adâmica teve seu fim. Ele era o segundo Homem e o último Adão. Quando ressuscitou dentre os mortos, tornou-Se o princípio de uma nova humanidade, de uma nova criação.

    Irmãos e irmãs, porque na cruz Ele levou Consigo toda a raça adâmica, quando cremos Nele somos libertos do poder do pecado. Não apenas todos os pecados que cometemos foram perdoados, mas Ele também nos deu poder para vencer o pecado, porque fomos crucificados e morremos Nele. Quando ressuscitamos, vivemos em novidade de vida. Foi isso que Ele fez.

    Tudo o que Ele fez na cruz do Calvário está consumado. Em outras palavras, não há nada a acrescentar. Você não precisa fazer mais nada. Tudo o que precisamos fazer é crer e receber. Só isso. Se você tentar fazer alguma coisa, estragará tudo.

    Portanto, quando pensamos na obra objetiva da cruz — isto é, na cruz do Calvário, naquilo que Cristo fez na cruz —, tudo está consumado. Nada mais deve ser acrescentado. Tudo o que precisamos fazer é crer e receber.

    Mas isso não é tudo. Vemos que, quando nosso Senhor Jesus morreu na cruz, houve muito mais do que isso. Quando lemos Gálatas 6:14, vemos que a cruz nos liberta do mundo. Para o mundo, estamos crucificados; e, para nós, o mundo está crucificado. A cruz se coloca entre nós e o mundo.

    Nosso Senhor Jesus, na cruz, nos libertou do mundo. Assim, todos os que creem Nele são libertos, chamados para fora do mundo e chamados para Ele, como Seu corpo.

    Podemos voltar ao mundo? Se tentarmos, veremos a cruz ali, separando-nos dele. A cruz nos liberta do mundo.

    Mas, se vocês lerem Colossenses, verão que, quando Cristo morreu na cruz, expulsou o deus deste mundo. Ele tomou todos os poderes das trevas e os expôs publicamente. Em outras palavras, na cruz há vitória completa.

    Ele esmagou a cabeça da serpente. Expôs publicamente todas as forças malignas deste mundo. Ele venceu e, por Sua vitória, irmãos e irmãs, nós vencemos.

    Vocês verão que, na cruz, o Senhor Jesus não apenas nos redimiu, resgatou e restaurou, mas até o mundo inteiro está sendo reconciliado.

    Em Colossenses, vemos que, pelo sangue da Sua cruz, Ele reconciliou todas as coisas Consigo mesmo. O fundamento, a base para a restauração de toda a criação, foi estabelecido na cruz de nosso Senhor Jesus.

    Portanto, a cruz de nosso Senhor Jesus é abrangente. Quanto mais compreendemos o que Ele fez na cruz, mais nossa fé é fortalecida. Tudo o que precisamos fazer, irmãos e irmãs, é receber isso pela fé. Não tentem acrescentar coisa alguma. Se fizerem isso, estragarão tudo.

    No que diz respeito à obra objetiva da cruz de nosso Senhor Jesus, tudo está feito. Nada resta a fazer.

    A Obra Subjetiva da Cruz

    É a cruz que faz de nosso Senhor Jesus o Cristo. Como é lamentável vermos hoje, no cristianismo, a pregação de um Cristo sem cruz.

    Quando você ensina Cristo sem a cruz, prega apenas uma ética cristã, por assim dizer. Isso apenas condena; jamais justifica.

    Infelizmente, mesmo nos círculos cristãos, encontramos pessoas que creem na cruz de nosso Senhor Jesus, mas pensam que, por ser tão completa a obra objetiva de Cristo na cruz, a cruz já não tem nada a ver conosco.

    Em outras palavras, encontramos pessoas pregando uma igreja sem cruz, uma vida cristã sem cruz. “Nosso Senhor Jesus sofreu tudo por nós. Não resta nenhum sofrimento para nós. Portanto, agora podemos viver em prosperidade.” Esse é o evangelho da prosperidade: sem cruz, sem sofrimento, porque Cristo fez tudo. Nada resta para nós.

    Lembro-me de um líder do movimento carismático. Se eu mencionasse seu nome, vocês o reconheceriam, mas não vou mencioná-lo.

    Creio que o movimento carismático da década de 1960 foi um mover de Deus. O cristianismo naquela época era tão formal, tão morto, que o Senhor levantou esse movimento carismático, e ele se espalhou pelo mundo. Não apenas entre os protestantes, mas também entre os católicos, muitas, muitas pessoas foram salvas.

    Mas, infelizmente, vemos que, depois de tudo o que Deus havia feito no começo, aos poucos começou a surgir muita confusão. Muitas misturas começaram a aparecer.

    Um dia, eu estava conversando com um dos mais conhecidos entre os carismáticos. Esse irmão idoso me disse: “Qual é o problema do movimento carismático? É que não pregamos a cruz”.

    Isso não significa que eles não preguem a cruz do Calvário. Em outras palavras, eles pregam a obra objetiva da cruz. Mas não pregam a obra subjetiva da cruz.

    A cruz já não é mencionada. Depois que você crê no Senhor Jesus, que morreu na cruz do Calvário, é só isso. Não há necessidade de nenhum crente sofrer. Podemos desfrutar de prosperidade.

    E o que esse ensino tem feito à igreja?

    Quando lemos Mateus 16, o que nosso Senhor Jesus disse? Ele disse: “Tenho de ir a Jerusalém. Serei morto. Ressuscitarei ao terceiro dia”.

    Mas, depois de dizer isso, encontramos em Mateus 16:24:

    Então, disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    Em outras palavras, irmãos e irmãs, foi a cruz que fez de Jesus o Cristo, mas também é a cruz que edifica a igreja.

    O Senhor disse: “Edificarei a Minha igreja”. Mas como Ele a edifica? Ele a edifica não apenas sobre a cruz do Calvário, mas também implantando essa cruz em nós. É assim que Ele edifica a igreja.

    Se não houver cruz, não haverá igreja.

    Penso que isso é muito, muito claro. Por que hoje encontramos aquilo que consideramos ser a igreja em tamanha confusão, com tantos problemas, tantas controvérsias, tantas lutas uns contra os outros? Por quê?

    É porque conhecemos a igreja e a cruz apenas de maneira objetiva. Não permitimos que essa cruz seja implantada em nós.

    Por isso, nosso Senhor Jesus nos diz que a cruz é necessária para Ele e para todos os que O seguirem. Você precisa negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-Lo.

    É verdade que há uma parte do sofrimento de Cristo que Ele suportou sozinho. Quando chegamos à questão da expiação, da morte vicária de nosso Senhor Jesus, Ele morreu pelos pecados do mundo. Sabemos que Ele pisou sozinho aquele lagar. Ninguém pode participar dessa obra de expiação. Ele fez tudo. Bebeu inteiramente aquele cálice que o Pai Lhe havia dado. Não temos participação nesse sofrimento.

    Mas a Bíblia nos diz que também temos comunhão com Seus sofrimentos: conhecê-Lo e conhecer o poder da Sua ressurreição, para que recebamos poder para participar de Seus sofrimentos.

    Que sofrimentos são esses? Esses sofrimentos que nosso Senhor Jesus suportou são sofrimentos não vicários. Em outras palavras, não têm relação com a expiação.

    Nosso Senhor Jesus sofreu por causa da justiça, e temos de participar desse sofrimento. Nós, que seguimos o Senhor, temos de sofrer por causa da justiça.

    Nosso Senhor Jesus sofreu por causa de Sua compaixão pelo mundo, e precisamos ter o mesmo espírito.

    Bem-aventurados os que choram; porque eles serão consolados.

    Temos de sofrer por causa do Seu nome. Isso é algo pelo qual precisamos passar.

    Portanto, irmãos e irmãs, ao lermos a Palavra de Deus, vemos que a cruz não é apenas para nosso Senhor Jesus. A cruz também é necessária para nós. É a cruz que edifica a igreja.

    A Igreja Edificada por Meio da Cruz

    A cruz de nosso Senhor Jesus estabeleceu esse fundamento. Vocês se lembram de que, depois de nosso Senhor Jesus morrer na cruz, os soldados vieram. Queriam ter certeza de que Ele estava morto.

    Os dois ladrões que estavam pendurados ao lado Dele ainda viviam, então os soldados quebraram suas pernas para apressar a morte. Mas, quando chegaram ao Senhor Jesus, viram que Ele já estava morto. Para se certificar, um soldado cravou sua lança no lado de nosso Senhor Jesus.

    A Bíblia diz que do Seu lado saíram sangue e água.

    Curiosamente, João, Seu discípulo amado, estava ali testemunhando aquilo. Se vocês lerem o Evangelho de João, verão que ele dá muita ênfase a isso. Ele disse: “Eu vi e dou testemunho, e meu testemunho é verdadeiro”. Isso é importante. Por quê?

    Porque do Seu lado saíram sangue e água. Sangue para expiar nossos pecados; a água fala de vida. Ele não apenas expiou nossos pecados, mas de Sua morte vem Sua vida. Por esse sangue e essa água, Ele edificou a igreja.

    Assim como no princípio, quando Deus disse:

    Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe corresponda.

    Como Deus fez isso? Fez Adão dormir e tirou algo do seu lado. No original, não aparece ali a palavra costela. É simplesmente algo tirado de Adão, e Deus fez Eva.

    Então, é claro, Adão acordou, e Deus trouxe Eva a Adão. Adão disse:

    Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne.

    Eles foram unidos em um só.

    Mas a operação cirúrgica de Adão foi indolor. A de nosso Senhor Jesus foi muito dolorosa. Uma grande gota de sangue teve de ser extraída. Por quê? Por causa do pecado. Quando o pecado entrou neste mundo, haveria dor.

    Mas nosso Senhor Jesus Se entregou para edificar esta igreja com a vida que derramou por nós.

    Foi assim que a igreja começou. Como a igreja deve ser edificada? Isso prossegue: aqueles que creem Nele precisam segui-Lo.

    Como O seguimos? Temos de tomar nossa cruz e segui-Lo, porque esse é o caminho que Cristo percorre, e esse é o caminho que precisamos percorrer.

    Portanto, irmãos e irmãs, quando o Senhor Jesus diz: “Se alguém quiser ser Meu discípulo”, esse é o caminho que você precisa seguir:

    Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.

    A cruz é o único caminho que fará você realmente negar a si mesmo. Em outras palavras, primeiro precisamos ter a disposição de negar a nós mesmos, e então Deus colocará a cruz sobre nós para tornar real essa disposição de negar o eu. Esse é o único caminho para segui-Lo.

    Irmãos e irmãs, esta é a obra subjetiva da cruz. Como diz um escritor, somente pelo poder da cruz do Calvário somos capazes de carregar nossa cruz diariamente.

    Graças a Deus, Ele nos deu uma nova vida. Mas, infelizmente, nossa velha vida ainda está presente.

    Costumamos dizer que, quando você crê no Senhor Jesus, tem duas vidas dentro de si. Em seu espírito está a vida de Cristo. O Espírito Santo é o Espírito da vida. O Espírito Santo está em seu espírito, cuidando para que essa vida cresça até a maturidade e seja conformada à imagem de Cristo.

    Mas, em nossa alma, quem habita? O eu. Essa vida adâmica caída se expressa em nossa carne.

    Portanto, você realmente tem duas vidas ali. Qual delas estará no controle?

    É a cruz que faz com que a vida de Cristo no espírito esteja no controle. É a cruz que leva à morte a vida do eu, a vida adâmica, a vida natural, a vida caída, a carne.

    É por essa razão, irmãos e irmãs, que a igreja precisa ser edificada exclusivamente com a vida de Cristo. Você não pode edificar a igreja com duas vidas. Haveria elementos estranhos, e eles não serão aceitos; serão rejeitados.

    É por isso que a cruz do Calvário precisa ser transplantada para nossa vida. Irmãos e irmãs, vocês veem a necessidade de carregar a cruz em sua vida?

    Se veem essa necessidade, estão dispostos a negar a si mesmos para que a cruz tenha oportunidade de trabalhar em vocês, removendo a vida do eu e substituindo-a, enchendo vocês com a vida de Cristo? Estão dispostos a isso?

    Consagração e Vida do Corpo

    É por essa razão que às vezes dizemos que, depois de ser salvo, você precisa consagrar sua vida a Cristo.

    Romanos 12:1

    Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.

    Por que é assim? Porque, se apresentamos nossos corpos como sacrifício vivo — e “corpos” aqui não significa apenas nosso corpo físico; representa todo o nosso ser —, estamos falando da vida diária. Você vive por meio do seu corpo, mas, na verdade, vive pela sua alma ou pelo seu espírito.

    Portanto, precisamos nos entregar totalmente ao Senhor e dizer: “Senhor, aqui estou. Faz comigo o que quiseres”.

    Sabe, consagração não é fazer algo para Deus. Consagração é deixar Deus fazer tudo por você, enquanto você coopera, se submete e obedece. Isso é consagração.

    Se vocês fizerem isso, lembrem-se de que, em Romanos 12:4-5, aparece outro corpo — não no plural, mas no singular. Depois que todos apresentamos nossos corpos, o corpo de Cristo começa a aparecer. Esse é o único caminho para edificar a igreja, e o processo é: tomar sua cruz e segui-Lo.

    Isso é algo que precisamos fazer individualmente.

    Nosso Senhor Jesus, em Mateus 10, nos diz que, se você ama seu pai e sua mãe mais do que a Ele, não pode ser Seu discípulo. Se ama seu marido, sua esposa ou seus filhos mais do que a Ele, não pode ser Seu discípulo. Se quiser salvar a vida da sua alma, você a perderá. Se estiver disposto, por amor a Ele, a perder a vida da sua alma, você a ganhará.

    Em outras palavras, nossa vida emocional precisa ser purificada.

    Não é que o Senhor não queira que amemos nosso pai e nossa mãe, porque o quinto mandamento diz, com uma promessa, que, se você honrar seu pai e sua mãe, terá vida longa. Deus quer que honremos nosso pai e nossa mãe.

    Mas, às vezes, quando a vontade de nosso pai e de nossa mãe é contrária à vontade de nosso Senhor, precisamos escolher. Ao escolher, você perderá seu amor natural para ganhar esse amor ágape.

    Somente depois que sua vida emocional for purificada você será capaz de amar como Cristo ama, porque é Ele Quem ama por meio de você, e não você mesmo.

    Muitas vezes, encontramos pessoas, mesmo entre o povo de Deus, dizendo: “Ah, eu amo você, eu amo você”. Mas como você ama? Ama com seu amor natural? Se for assim, esse amor não durará. Você passará a odiar.

    Às vezes, quem mais ama você será quem mais o odiará, porque esse é o amor natural. Mas o amor de Cristo é diferente. Seu amor é eterno. Ele ama não porque você seja amável, nem porque espera algo em troca. Ele ama porque esse é o amor de Deus.

    Irmãos e irmãs, vocês já experimentaram em sua vida a cruz trabalhando sobre sua vida emocional e purificando-a?

    Então, em Mateus 16, vemos que nossa mente precisa ser purificada. A mente de Pedro, do ponto de vista do mundo, era boa, porque ele não queria que seu Mestre sofresse. Isso deveria ser elogiado.

    Mas nosso Senhor Jesus disse que aquilo vinha de Satanás, porque era a mente do homem, não a mente de Deus. Em outras palavras, até nossa mente precisa ser purificada, e o único caminho para purificá-la é tomar a cruz e seguir o Senhor.

    É verdade que, quando você toma a cruz, há sofrimento, e esse sofrimento acontece em sua alma, porque você está perdendo a si mesmo. Mas, quanto mais você perde a si mesmo, mais espaço Cristo ganha em sua vida.

    Então, quando chegamos a Mateus 26, encontramos nosso Senhor Jesus no jardim do Getsêmani. Embora Sua vontade humana fosse perfeita — diferente da nossa vontade humana, que é imperfeita —, no jardim do Getsêmani até Sua vontade humana foi entregue à vontade de Deus.

    Ele é o Perfeito, sem pecado. Quando Deus quis que Ele Se tornasse pecado por este mundo, isso Lhe era quase insuportável.

    Se você é uma pessoa muito asseada, e acontece de quem divide o quarto com você ser uma pessoa extremamente indisciplinada, que joga as coisas por toda parte, você consegue suportar?

    Ah, o Senhor Jesus era tão limpo, tão puro, tão perfeito. Até o menor vestígio de pecado era terrível para Ele. Mas pensem: Ele seria feito pecado por todo o mundo, desde o princípio dos tempos.

    Ele recuou, por assim dizer, em Sua vontade humana. Por isso disse:

    Pai, se for possível, passe de Mim este cálice; contudo, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.

    Ele lutou. Ele orou. Seu suor saiu como grandes gotas de sangue. Mas disse:

    Seja feita a Tua vontade.

    Irmãos e irmãs, nossa vontade já foi quebrantada pelo Senhor? Insistimos em ter tudo conforme queremos? Estamos dispostos a entregar nossa vontade? Essa é a parte mais difícil.

    Lembrem-se sempre da oração de F. B. Meyer. F. B. Meyer tinha um amigo famoso. Deus estava exigindo algo de sua vida, e ele entregou tudo ao Senhor. Disse que era como se tivesse um molho de chaves para cada cômodo de sua vida, e o entregou ao Senhor. Mas guardou uma pequena chave, de um pequeno cômodo de sua vida.

    Ele disse que o Senhor Se recusou a receber aquele molho de chaves, porque o Senhor disse: “Se Eu não sou Senhor de tudo, não sou Senhor de coisa alguma”.

    O Senhor novamente Se afastou. Em desespero, F. B. Meyer clamou: “Torna-me disposto a estar disposto”.

    O Senhor voltou e tomou todo o molho, inclusive a pequena chave. F. B. Meyer disse que o Senhor passou algum tempo limpando cada cômodo. Não é de admirar que Deus o tenha usado poderosamente.

    Irmãos e irmãs, nossa vontade já conheceu a cruz?

    Graças a Deus, Ele está usando essa cruz para nos purificar. Por um lado, a vida da alma será purificada e salva; por outro, a vida do espírito crescerá e aumentará. Com essa vida do espírito, a igreja é edificada.

    Isso não é apenas pessoal e individual. Vemos que também opera de maneira coletiva.

    A Obra Coletiva da Cruz

    Deus nos reúne — um grupo estranho de pessoas. Todos temos personalidades diferentes, temperamentos, preferências e aversões, ideias e opiniões, amor e ódio, planos, tudo isso. Deus nos reúne e diz: “Vivam juntos em unidade”. Como isso pode acontecer?

    Se estamos distantes uns dos outros, podemos viver em paz. Mas, quando vivemos muito próximos, entramos em atrito. Não se trata apenas de uma hora no domingo. Se nos reunimos no domingo por uma hora, podemos nos cumprimentar, amar uns aos outros e, depois de uma hora, dizer adeus. Isso basta.

    Mas essa não é a vontade de Deus. Esse não é o corpo de Cristo. No corpo de Cristo, todos os membros estão ligados uns aos outros. Quer você goste, quer não, terá de sofrer.

    O sofrimento nos aperfeiçoa. Não a sua vontade, nem a minha vontade, mas que seja feita a vontade Dele. Não a sua ideia, nem a minha opinião, mas que se cumpra a Palavra Dele, o caminho Dele. Não se trata exatamente das suas preferências ou aversões; trata-se do que Ele quer.

    Irmãos e irmãs, o Senhor precisa nos esculpir, nos polir, retirar algo, acrescentar algo, tirar e dar. Quando lemos a Bíblia, quero dizer, é impressionante.

    Em Romanos 12, está escrito:

    Não pense de si mesmo além do que convém.

    Você precisa considerar seus irmãos e irmãs superiores a si mesmo. Então poderá ser membro uns dos outros.

    Se vocês lerem 1 Coríntios, encontrarão:

    Tenham o mesmo modo de pensar.
    Falem a mesma coisa.

    Agora, como podemos fazer isso?

    Se vocês lerem Colossenses ou Filipenses, verão que precisamos perdoar uns aos outros. Precisamos estar unidos. Precisamos preservar a unidade. Como podemos fazer isso?

    O único caminho é a cruz.

    Irmãos e irmãs, a cruz é o único caminho para edificar a igreja. A menos que todos estejamos dispostos a negar a nós mesmos, tomar nossa cruz e segui-Lo, a igreja não poderá ser edificada.

    Portanto, que o Senhor nos ajude. Nós realmente agradecemos ao Senhor, porque nós não somos capazes, mas Ele é capaz.

    É por isso que encontramos em Mateus 11:

    Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.

    Irmãos e irmãs, vocês estão dispostos a tomar sobre si o jugo Dele? Ele está sob o jugo da vontade do Pai. Vocês estão dispostos a colocar o pescoço nesse jugo duplo?

    É verdade: somos como animais selvagens, sem treinamento e sem ser domados, incapazes de ser realmente usados por Deus. Mas, sempre que tentamos seguir nosso próprio caminho, Ele é mais forte. Ele nos puxará de volta.

    Aos poucos, aprendemos Sua mansidão e Sua humildade de coração. Quando aprendemos isso, encontramos descanso para nossa alma.

    Portanto, que o Senhor tenha misericórdia de nós.