Queridos irmãos e irmãs, agradeço ao Senhor por me dar o privilégio de visitá-los novamente. É sempre um prazer.
Enquanto esperava no Senhor, pareceu-me muito estranho que Ele colocasse em meu coração algo para rever com vocês — não algo que vocês desconheçam, mas algo com que talvez estejam muito, muito familiarizados. Contudo, sinto um encargo de rever essas coisas básicas da nossa fé, coisas essenciais à nossa experiência espiritual.
Isso pode parecer simples, como se fosse para iniciantes. Mas, graças a Deus, essas coisas estão relacionadas ao propósito eterno de Deus.
Creio que não há nada mais importante hoje para o povo de Deus do que realmente ter uma percepção do propósito de Deus para todas as eras. Muitos crentes hoje vivem em função de suas necessidades. Eles vêm ao Senhor querendo que todas as suas necessidades sejam supridas; e, graças a Deus, Ele é Aquele que supre todas as nossas necessidades, e Ele é fiel.
Mas esse tipo de vida cristã está, na verdade, em um nível inferior. Quantos dentre o povo de Deus são centrados em si mesmos, até mesmo em seu relacionamento com o Senhor? Esse relacionamento é governado pelo eu.
Mas, na Palavra de Deus, encontramos que somos chamados segundo o propósito de Deus. Estamos aqui para viver em função do propósito de Deus. Precisamos ser orientados pelo propósito, em vez de pelas necessidades. Isso é viver em um plano mais elevado, viver segundo o coração e o desejo de Deus.
Assim, gostaria de compartilhar com vocês, durante estes dias, algo muito básico e simples, mas relacionado ao propósito de Deus. Se eu começar a ler a Escritura, provavelmente muitos de vocês poderão recitá-la de memória. Trata-se de Mateus 16.
Por favor, abram em Mateus 16. Leremos a partir do versículo 13.
E, chegando Jesus às regiões de Cesareia de Filipe, perguntou aos Seus discípulos, dizendo: “Quem dizem os homens ser Eu, o Filho do Homem?”
E eles disseram: “Uns dizem João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas”.
Disse-lhes Ele: “Mas vós, quem dizeis que Eu sou?”
E Simão Pedro, respondendo, disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas Meu Pai, que está nos céus.
E Eu também te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”.
Então ordenou Ele aos discípulos que a ninguém dissessem que Ele era o Cristo.
Desde então, começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que era necessário ir a Jerusalém, padecer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.
E Pedro, tomando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: “Longe de Ti tal coisa, Senhor: isso de modo nenhum Te acontecerá”.
Mas Ele, voltando-Se, disse a Pedro: “Para trás de Mim, Satanás: tu Me és pedra de tropeço: porque não cogitas das coisas de Deus, mas das coisas dos homens”.
Então disse Jesus aos Seus discípulos: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me.
Porque aquele que quiser salvar a sua vida a perderá: e aquele que perder a sua vida por Minha causa a encontrará.
Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?
Porque o Filho do Homem virá na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras”.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, nós Te louvamos e agradecemos, sabendo que a Tua presença está aqui conosco. Tu és sempre fiel ao que disseste; por isso, agradecemos pela Tua presença aqui. Agradecemos porque estamos aqui não para ouvir homens, mas para ouvir o que o Espírito diz às igrejas.
Querido Senhor, abre os nossos ouvidos. Abre os nossos corações, para que recebamos a Tua Palavra com perseverança e demos fruto — a trinta, a sessenta e a cem por um — para a Tua glória. Entregamos este tempo em Tuas mãos. Fala, Senhor, pois os Teus servos ouvem. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Se Deus permitir, gostaríamos de compartilhar juntos, nestas três sessões, sobre três temas distintos:
Vocês encontram essas três coisas na passagem que acabamos de ler. Elas são os fundamentos da nossa fé e estão no centro do propósito de Deus.
Assim, gostaríamos de rever essas questões e ver onde estamos. Espero, irmãos e irmãs, que busquemos o Senhor durante estes poucos dias, para que Ele nos dê revelação do alto.
Vocês podem perceber que essas três coisas estão intimamente relacionadas. Não é possível separá-las, e nenhuma delas pode ser compreendida, recebida e experimentada senão por revelação.
Ninguém conhece Cristo senão o Pai e aquele a quem o Pai O revelar. Ninguém conhece a igreja, a menos que Cristo a revele a essa pessoa. E ninguém conhece verdadeiramente a cruz, a menos que o Espírito Santo a revele.
Portanto, nessas três coisas, vemos que, humanamente falando, somos incapazes. Não pensem que podem conhecer Cristo por conta própria. Não pensem que podem conhecer a igreja apenas ouvindo ou lendo a respeito dela. E não pensem que podem realmente compreender e entrar na realidade da cruz sem a revelação do Espírito Santo.
Assim, que nossos corações estejam abertos, reconhecendo que, sem Ele, nada podemos fazer. Não pensemos que sabemos muito. Precisamos da mente de Cristo: humildade, reconhecendo que realmente nada somos e buscando Nele a revelação de Cristo, da igreja e da cruz.
Vocês sabem, quando nosso Senhor Jesus Se retirou para os limites de Cesareia de Filipe, Ele estava sendo rejeitado pelos fariseus, escribas e sacerdotes. Por isso, retirou-Se para os limites de Cesareia de Filipe, que era uma cidade gentílica.
Foi então que Ele começou a fazer uma pergunta aos Seus discípulos. Creio que essa é a pergunta de todas as eras. Essa é a pergunta que Deus faria a todos neste mundo — incrédulos e crentes — porque, com base nessa pergunta, decide-se a eternidade: se será vida eterna ou morte eterna.
Foi uma pergunta feita pelo próprio Senhor, e creio que hoje, pelo Espírito Santo, Ele ainda faz a mesma pergunta:
Quem dizem os homens ser Eu, o Filho do Homem?
Creio que Seus discípulos, por cortesia, responderam-Lhe com todos os bons comentários que haviam ouvido. Não Lhe deram os comentários ruins. Assim, disseram: “Bem, alguns dizem que Tu és João Batista. Outros dizem que Tu és Elias, o representante dos profetas. Outros dizem que Tu és Jeremias, porque Tu choras. E alguns outros dizem que Tu és um dos profetas”. Em outras palavras: “Tu és um homem especial”.
Ora, se as pessoas dissessem isso a vocês, vocês se sentiriam honrados e provavelmente diriam: “Bem, não sou digno”, apenas por educação. Mas nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito.
Essas eram pessoas que não O conheciam, embora O respeitassem e O exaltassem como se Ele fosse um grande educador, um grande reformador ou um grande revolucionário. Mas nosso Senhor Jesus não ficou satisfeito. Não é isso que Ele é.
Então Ele Se voltou para os Seus discípulos e disse, em essência: “É isso que o mundo diz a Meu respeito. Agora, quem vocês dizem que Eu sou? Vocês que Me seguiram, vocês que estiveram Comigo todo esse tempo, quem dizem que Eu sou?”
E, graças a Deus, Simão Pedro, o representante dos discípulos, tomou a palavra e disse: “Tu és o Cristo, o Ungido, o Messias, Aquele que foi prometido, enviado por Deus para uma missão especial; e Tu és o Filho de Deus”.
Então nosso Senhor Jesus disse:
Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas.
Simão era seu nome original; ele era filho de Jonas. “Você é bem-aventurado.” Por quê? Porque o Senhor disse: “Isso não é algo que a carne possa lhe dizer”.
O que a carne pode lhes dizer é que Jesus é semelhante a João Batista, Elias, Jeremias ou um dos grandes profetas. Isso é tudo o que a carne pode fazer. É Meu Pai, que está nos céus, Quem revela isso a vocês.
Assim, queridos irmãos e irmãs, vocês podem ver isso com muita clareza: conhecer Cristo está além da capacidade humana. Por sua própria investigação, ninguém pode encontrar Deus.
Nosso próprio Senhor Jesus disse em Mateus 11:27:
Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar.
Em outras palavras, dependemos inteiramente da revelação do alto no que diz respeito a Cristo.
Creio que a experiência de todos nós confirma isso. Nasci em uma família cristã. Meu pai amava o Senhor. Ele era pastor de uma igreja metodista, e tínhamos culto doméstico todas as noites.
Ele reunia os sete filhos na sala de jantar. Lia em uma Bíblia enorme; depois, todos nos ajoelhávamos, e ele nos conduzia em oração todos os dias antes do jantar.
Fui educado em escolas missionárias, do jardim de infância à faculdade. Fui recebido como membro da igreja metodista aos dezesseis anos, antes de ser salvo. Na verdade, eu pregava antes de ser salvo. Dirigia reuniões de oração antes de ser salvo.
Eu orava. Lia a Bíblia. Conhecia todas as histórias dos Evangelhos. Pensava que conhecia Deus, mas não O conhecia.
Como disse um irmão, minha oração era como orar a um sogro: muito formal, sem nada pessoal ou íntimo. Eu acreditava que Deus estava em algum lugar, mas não conseguia encontrá-Lo.
Mas, graças a Deus, um dia o Pai revelou o Filho a mim. E, quando isso aconteceu, mudou-me completamente. Imediatamente passou a existir um relacionamento vivo entre mim e Deus.
Ainda me lembro daquele dia. Eu podia levantar os olhos e chamá-Lo: “Aba, Pai”. A Bíblia imediatamente se tornou um livro novo. Ainda me lembro do capítulo que li: 2 Pedro 1. Ele realmente falou ao meu coração. A revelação havia chegado.
Porque, sem revelação, jamais podemos conhecê-Lo.
Mas, irmãos e irmãs, vocês acham que a revelação do alto é necessária apenas quando conhecemos o Senhor Jesus pela primeira vez, quando somos salvos? Depois de sermos salvos, ficamos por nossa própria conta? Podemos conhecer Cristo por nós mesmos?
Vocês acham que agora já não precisamos de revelação? Creio que isso é algo que precisamos considerar seriamente.
Por que pessoas do povo de Deus — aquelas que são realmente salvas e realmente conhecem o Senhor Jesus como seu Salvador — podem prosseguir durante vários anos e, ainda assim, não se vê nelas nenhum crescimento espiritual real? Isto é, não se vê que estejam crescendo no conhecimento vivo do Senhor Jesus.
Dito de outra forma, vocês começam a enxergar mais de Jesus do que quando foram salvos?
Muitos dentre o povo de Deus permanecem como crianças, no sentido de que não conhecem nada além de: “Jesus é meu Salvador”. Graças a Deus por isso. É uma grande revelação. Mas esse é o começo — o começo da revelação do Filho pelo Pai celestial a nós.
Ora, o que é crescimento espiritual? Crescimento espiritual não é simplesmente crescer no conhecimento intelectual sobre Cristo. Crescimento espiritual não é o aumento da nossa compreensão intelectual da Bíblia.
Crescimento espiritual não é medido por nossas atividades — as chamadas atividades cristãs. Essas coisas não constituem crescimento cristão. O verdadeiro crescimento cristão é um conhecimento íntimo, vivenciado, do nosso Senhor Jesus.
Quanto realmente conhecemos o Senhor Jesus? Não se trata de saber a respeito Dele — talvez saibamos muito a respeito Dele —, mas será que realmente O conhecemos? Sem revelação, não O conhecemos de fato; e não conhecê-Lo significa que não podemos crescer espiritualmente.
Vocês sabem, esse era o problema dos crentes de Corinto. Era também o problema que encontramos ao ler Hebreus. O escritor disse: “A esta altura, vocês já deveriam ser mestres, mas ainda são crianças. Vocês não estão crescendo”.
Eles tinham muito conhecimento, muitos dons e muitas atividades, mas tudo isso era exterior. Não havia nada real.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, nessa questão de conhecer nosso Senhor Jesus — conhecer Cristo —, precisamos continuamente da revelação de Deus.
É claro que toda a revelação de Deus está completa na Bíblia que temos. Não pode haver nenhuma suposta revelação inédita ou nova. Se houver alguma revelação que as pessoas afirmem ter hoje e que acrescente algo à Palavra revelada de Deus, esteja fora dela ou seja diferente dela, não acreditem. É falsa.
Mas isso não significa que a revelação seja algo do passado. A revelação é algo do presente, e precisamos dela todos os dias. Ainda hoje, precisamos dela.
Agradecemos a Deus pela Palavra de Deus, porque, sem a Palavra de Deus, como podemos conhecer Cristo? Mas podemos ler a Palavra de Deus e nos familiarizar com ela, e, ainda assim, ela pode ser apenas letra para nós. A letra mata; ela condena. A mera letra não opera em nossa vida.
Assim, graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, Deus já fez toda a provisão para nós. Ele não apenas nos deu vida — nova vida, Cristo como nossa vida —, mas também nos deu o Espírito Santo, o Consolador.
Ele é outro Consolador, da mesma natureza que nosso Senhor Jesus quando estava na terra. O Espírito Santo habita em todos os que creem no Senhor Jesus.
Ele está ali como o Guardião da nova vida em nós. Ele está ali para nos revelar Cristo dia após dia.
Assim, vemos que, de um lado, temos a Palavra de Deus e, do outro, temos o Espírito Santo dentro de nós. Pela operação conjunta desses dois, chegamos a um conhecimento vivo de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
O que Cristo é para vocês hoje? O que sabem a respeito Dele? O que realmente conhecem Dele de maneira real, viva e vivenciada em sua vida? Somente isso conta.
Posso dizer de outra forma? Conhecemos o Senhor Jesus da maneira como o Pai O conhece e deseja revelá-Lo?
É claro que sabemos que jamais poderemos conhecer Cristo em Sua plenitude. Nosso Senhor Jesus é Deus, e Deus é o maior mistério de todo o universo. Ninguém pode conhecê-Lo, a menos que Ele Se revele.
Mas, graças a Deus, Ele é o Deus que Se revela, e tem prazer em revelar Seu Filho.
Vocês sabem, em minhas viagens, quando vou a uma casa onde há um bebê recém-nascido, a primeira coisa que acontece ao entrar é que o anfitrião ou a anfitriã me mostra o bebê. Por quê? Porque aquele bebê é o tesouro de seu coração.
É assim também com nosso Senhor Jesus. É o prazer e a alegria de nosso Pai celestial revelar Seu Filho em nós.
Isso é algo que Ele faz continuamente pelo Espírito Santo, que habita em nós, e por meio da Palavra de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, aprendamos a ler a Palavra de Deus e, enquanto a lemos, busquemos o Espírito Santo para que ilumine Sua Palavra escrita, tornando-a viva e operante em nossa vida.
O que a Bíblia nos diz sobre Jesus Cristo, o Filho de Deus? Vamos abrir primeiro em Efésios 1:9-10.
Tendo-nos feito conhecer o mistério da Sua vontade, segundo o Seu beneplácito, que propôs Nele,
para a dispensação da plenitude dos tempos, de reunir todas as coisas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão na terra.
Aqui vocês encontram que, antes mesmo da fundação do mundo, antes de Deus criar qualquer coisa no tempo, na eternidade passada, Deus estabeleceu uma vontade.
Nosso Deus é Aquele que estabelece a maior e mais perfeita vontade. Ele estabeleceu uma vontade antes mesmo de o tempo começar. Estabeleceu essa vontade segundo o Seu beneplácito. Em outras palavras, não foi para agradar a vocês ou a mim; foi para agradar a Ele.
Segundo o Seu beneplácito, Ele estabeleceu uma vontade que Lhe daria grande prazer. Qual é essa vontade? Ele propôs em Si mesmo, para a administração da plenitude dos tempos, colocar todas as coisas sob a autoridade de Cristo, ou reunir todas as coisas Nele — as que estão nos céus e as que estão na terra.
Em outras palavras, Ele primeiro estabeleceu uma vontade e depois criou o tempo. Vocês sabem para que serve o tempo? O tempo serve para a realização da vontade de Deus. Deus usa o tempo para levar Sua vontade à plena realização. É para isso que o tempo existe.
Assim, na plenitude do tempo, quando o tempo tiver amadurecido, a vontade de Deus será cumprida. E qual é essa vontade? Reunir todas as coisas, colocá-las sob a autoridade de Cristo — as coisas nos céus e as coisas na terra.
Vocês veem como isso é grandioso. Não se trata apenas de Cristo ter vindo salvar um pobre pecador como eu. Graças a Deus, Ele me inclui, mas isso não é o propósito eterno de Deus. Eu não sou tão grande nem tão importante. Não sou nada.
O propósito de Deus diz respeito ao Seu Filho amado. Ele quer que Seu Filho encabece e reúna todas as coisas — as que estão nos céus e as que estão na terra.
Em outras palavras, todas as coisas foram criadas para Ele. Todas as coisas devem expressá-Lo e manifestar Sua glória. É por isso que todas as coisas foram criadas, as que estão nos céus e as que estão na terra. Esse é o propósito de Deus.
Hoje, porém, não vemos o propósito de Deus na criação. A criação está em ruínas. Mas Deus está trabalhando para restaurar e reunir todas as coisas — sem exceção, no céu e na terra — em Cristo Jesus.
Assim, vocês veem como Cristo é grande. Cristo é maior do que todas as coisas no céu e na terra juntas. Ele é maior do que todos, incluindo vocês e eu.
Deus quer que todas as coisas que criou expressem Cristo e manifestem Cristo. Essa é a grandeza de Cristo.
Quando vocês leem a Bíblia e chegam a esses versículos, podem lê-los e entendê-los. Talvez até sejam capazes de ensiná-los. Mas, se eles não operam em sua vida, não são nada — talvez sejam piores do que nada. Por quê? Porque irão condená-los em vez de justificá-los.
Quando Deus colocou essa Palavra no Livro, Seu propósito não era apenas que tivéssemos uma compreensão intelectual. É muito mais do que isso. É algo que Deus vai levar à plena realização, e vocês e eu estamos envolvidos.
Ele quer que isso se realize primeiro em vocês e em mim, que cremos Nele, e, por meio de nós, reconciliar todas as coisas Consigo mesmo.
Assim, a pergunta é: vocês recebem revelação do alto ao ler essas palavras? Essas palavras, por assim dizer, saltam da página e se tornam luz para vocês? Elas abrem seu entendimento humano, de modo que vocês imediatamente vejam onde estão em relação a Cristo?
Vocês cairão em arrependimento. Consagrarão novamente sua vida a Cristo. Dirão ao Senhor: “Senhor, isso é verdade em minha vida? Se isso não é verdade, então estou fora da Tua vontade”.
Irmãos e irmãs, é por isso que vocês percebem que, toda vez que há revelação do alto, as pessoas são, por assim dizer, derrubadas.
Vocês se lembram do que aconteceu com Saulo de Tarso no caminho de Damasco? Quando aquela luz celestial brilhou sobre ele, foi imediatamente atingido e caiu ao chão.
Como disse nosso querido irmão, quando vocês recebem revelação, há apenas um passo, não dois. Em outras palavras, quando recebem revelação, vocês não veem a luz, descem do cavalo, pensam um pouco e depois caem. Nunca acontece assim. É apenas um passo: quando a revelação vem, vocês caem.
Vocês se lembram de Daniel, o amado do Senhor. Quando viu o Senhor, caiu como morto. Ele disse:
Minha formosura se transformou em corrupção.
Vocês se lembram de Jó. Foi a mesma coisa. Um homem tão justo, mas, quando o Senhor Se revelou a ele, disse:
Eu Te conhecia só de ouvir;
Mas agora os meus olhos Te veem:
Por isso, abomino a mim mesmo,
E me arrependo no pó e na cinza.
Esse é o resultado da revelação. Isso acontece conosco? Em nosso relacionamento com Cristo, onde estamos? Somos completamente insensíveis a isso? Estamos nos consolando ao dizer: “Sou salvo; minha salvação está eternamente garantida”?
Qual é nossa reação? Nossa vida está realmente relacionada à vontade eterna de Deus? Fazemos parte dela? Estamos incluídos nela? Creio que é isso que a revelação realmente significa.
Agora abram em Colossenses 1. Em Colossenses 1:15, há uma revelação adicional de nosso Senhor Jesus.
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.
Deus é Espírito — invisível. Muitas vezes me lembro de quando o primeiro cosmonauta russo foi ao espaço. Ele voltou e disse: “Olhei ao redor e não vi Deus; portanto, Deus não existe”.
Que tolice. Deus é Espírito. Vocês não podem vê-Lo fisicamente, nem compreendê-Lo apenas com a mente. Precisam adorá-Lo em espírito e em verdade.
Deus é invisível, mas, graças a Deus, há Alguém que torna visível o Deus invisível, e esse Alguém é Cristo. Ele é a imagem do Deus invisível — a imagem exata.
Vocês se lembram de João 1:18:
Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, Ele O revelou.
Vocês se lembram de que nosso Senhor Jesus disse:
Quem Me vê a Mim vê o Pai.
Até mesmo durante a Última Ceia, Filipe disse:
Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta.
E isso realmente entristeceu o coração de nosso Senhor.
Filipe, há tanto tempo estás Comigo e não Me conheces?
Quem Me vê a Mim vê o Pai.
O Pai está em Mim, e Eu estou no Pai.
Em outras palavras, nosso Senhor Jesus nos revela o Pai. Ele é a imagem do Deus invisível.
A palavra traduzida como “imagem” é eikōn. Ela não significa uma representação exterior, como os ícones da igreja ortodoxa. Houve uma divisão entre as igrejas católica e ortodoxa por causa dessa questão das imagens. Os católicos tinham estátuas e coisas semelhantes, enquanto os ortodoxos orientais diziam: “Isso é adoração de ídolos. Nós não temos estátuas; temos pinturas”.
Mas a palavra eikōn não se refere à aparência exterior. Refere-se à qualidade interior, ao caráter, à natureza e à essência.
Em outras palavras, nosso Senhor Jesus é a substância e a essência daquilo que Deus é. Tudo o que Deus é, Ele também é — nada mais e nada menos. Ele é a imagem exata do Deus invisível.
E que gloriosa expectativa e vontade de Deus é essa. Em Romanos 8, vocês encontram que Ele nos predestinou para sermos conformados à imagem de Seu Filho. Pensem nisso.
Cristo é a imagem exata de Deus, e nós devemos ser conformados à Sua imagem. Aqueles a quem Ele justificou, Ele glorificará.
O que conhecemos de Deus hoje é por meio de nosso Senhor Jesus: a glória de Deus na face de Jesus Cristo. É a vontade de Deus que sejamos conformados a essa imagem. Isso não é maravilhoso? Não pode ser nada menos do que isso. É exatamente assim que Deus age.
E Ele é o primogênito de toda a criação. Infelizmente, entre o povo de Deus, há uma heresia por causa da palavra primogênito. Algumas pessoas dizem que, por Ele ser o primogênito de toda a criação, deve ter sido o primeiro a ser criado.
Blasfêmia.
Aqueles que realmente conhecem o grego nos dizem que a palavra primogênito nas Escrituras tem dois significados distintos. Um é o uso comum, medido pelo tempo. Em uma família, se você é o primeiro a sair do ventre de sua mãe, é o primogênito. Depois vem o segundo, e ele não é o primogênito; é o segundo filho. O primogênito tem privilégios.
Esse é o uso comum. Mas há um uso especial nas Escrituras. Não é medido pelo tempo; é medido pela qualidade. Significa soberania e prioridade.
Ele tem prioridade sobre toda a criação e soberania sobre ela. Nesse caso, trata-se de um uso especial dessa palavra: primogênito de toda a criação.
Isso é explicado à medida que vocês continuam a leitura. Por que Ele é o primogênito de toda a criação? Porque todas as coisas foram criadas Nele, por meio Dele e para Ele.
Em outras palavras, todas as coisas recebem Dele seu caráter. Todas as coisas são criadas por meio Dele, e todas as coisas são criadas para Ele, porque Ele é o Herdeiro de todas as coisas. Isso é ser primogênito.
Logo em seguida, Paulo diz:
Porque Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; todas as coisas foram criadas por meio Dele e para Ele.
Ora, “Nele” é muito importante. Significa que, quando Deus criou todas as coisas, todas foram criadas em Seu Filho. Seu Filho contém a concepção de todas as coisas. Seu Filho dá caráter a todas as coisas.
É como um arquiteto. Antes de construir uma casa, o arquiteto já tem a casa em sua mente. Essa casa corresponde ao seu caráter. Se ele é uma pessoa muito artística, pode construir uma casa bonita, embora talvez não seja prática. Se é muito prático, pode construir uma casa prática, mas talvez ela não seja bonita.
Tudo está primeiro em sua mente, e ele cria a partir do que tem em mente. Assim, todas as coisas foram criadas em Cristo.
Depois, quando o arquiteto tem a ideia e a coloca em uma planta, a casa é criada por meio dele. Cristo não é apenas o Arquiteto; Ele também é o Engenheiro. E Ele não é apenas o Engenheiro — é o Proprietário, porque essa casa é criada para Ele.
Esse é o significado de primogênito de toda a criação. Tudo é criado recebendo Dele seu caráter. Tudo é criado por meio Dele, e tudo é criado para Ele.
Ele tem prioridade. Ele tem soberania. A Bíblia diz que Ele tem a preeminência sobre todas as coisas — o primeiro lugar em todas as coisas. É isso que significa ser o primogênito.
E, graças a Deus, a igreja é a igreja dos primogênitos — não apenas dos que nasceram, mas dos primogênitos, porque somos conformados à Sua imagem. Isso não é maravilhoso?
Mais adiante, Paulo diz que Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem Nele. Todas as coisas são mantidas unidas por Ele.
Isso diz respeito à velha criação. Mas, quanto à nova criação, o corpo, a igreja, Ele é a Cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o Primogênito dentre os mortos, para que tenha o primeiro lugar em todas as coisas.
Portanto, irmãos e irmãs, esse é o nosso Senhor Jesus.
A pergunta agora é: quando lemos essas palavras, como elas se tornarão palavras vivas e operarão em nossa vida? Podemos tê-las lido muitas vezes, mas talvez não haja nenhum efeito real sobre nós.
Intelectualmente, nós as entendemos. Podemos até ensiná-las. Mas qual é o efeito delas sobre nossa vida?
Isso exige revelação. Quando a luz do alto vier sobre nós, algo acontecerá em nossa vida. Começaremos a ver qual é o propósito de Deus para nós.
Por mais insignificantes que sejamos, somos muito importantes no plano de Deus. Ele quer que Cristo tenha o primeiro lugar em nossa vida. Ora, isso é verdade a nosso respeito?
Há uma grande necessidade de nos humilharmos diante do Senhor. Não se trata apenas de doutrina ou ensino. É algo muito real e prático, algo que vocês podem experimentar, e isso realmente lhes proporcionará crescimento espiritual.
Agora abram em Hebreus 1. Vocês encontram a mesma coisa ali. Em Hebreus 1:2-4:
No fim destes dias, falou-nos Ele em Seu Filho, a Quem constituiu Herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez os mundos;
O Qual, sendo o resplendor da Sua glória e a imagem exata da Sua substância, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder, havendo feito a purificação dos pecados, assentou-Se à direita da Majestade nas alturas;
Tornando-Se tão superior aos anjos quanto herdou um nome mais excelente do que eles.
Novamente, vocês encontram a Palavra nos revelando que nosso Senhor Jesus é o Herdeiro de todas as coisas. Ele é o resplendor da glória de Deus. Ele é a expressão da substância de Deus — da essência de Deus.
Então, em obediência ao Pai, para realizar o propósito eterno de Deus, Ele Se dispôs a esvaziar-Se.
Ele deixou de lado toda a glória e honra que Lhe pertenciam. Não era algo de que precisasse Se apoderar. A Palavra nos lembra que, um dia, um arcanjo tentou apoderar-se dessa honra, porque ela não lhe pertencia. Quando tentou fazer isso, tornou-se Satanás, o adversário de Deus.
Mas, no que diz respeito ao nosso Senhor Jesus, isso não era algo de que Ele tivesse Se apoderado. Ele voluntariamente deixou essas coisas de lado. Esvaziou-Se e desceu para assumir a forma de um escravo.
Mais uma vez, “forma” não se refere à aparência exterior. A forma aqui se refere à essência interior. Antes disso, diz que Ele tinha a forma de Deus — tinha a essência de Deus. Mas agora, enquanto estava na terra, o que O caracterizava era a essência interior de um escravo.
Pensem nisso. Aquele que é igual a Deus agora vivia a vida de um escravo, de um servo. Essa era Sua disposição interior. Essa é a mente de Cristo.
Então Ele assumiu a aparência de um homem — isso é exterior. Tornou-Se obediente até a morte, sim, a morte de cruz.
Foi isso que Ele fez. Ele é o Filho de Deus, mas foi enviado por Deus: o Cristo, o Ungido. Ele veio a este mundo para realizar uma obra.
Essa obra é restaurar todas as coisas à plenitude de Deus. O homem caiu tão profundamente. Toda a criação se desviou. Mas Deus, por meio de Seu Filho amado, restaura todas as coisas e traz tudo de volta ao propósito original de Deus.
Esse é Cristo. Essa é Sua obra. Muitas vezes pensamos em Sua obra apenas em relação a nós mesmos, mas o que nosso Senhor Jesus fez vai muito além de nós.
Toda a criação foi afetada. Ele está trazendo tudo de volta aos pés de Deus, para que o propósito eterno de Deus seja cumprido.
Irmãos e irmãs, esse é o nosso Cristo. Esse é o Filho de Deus a Quem adoramos. Isso é o que o Pai nos revelou.
Quanto dessa revelação temos recebido? Creio que isso é algo que precisamos considerar.
Não creio que haja alguém que possa se vangloriar e dizer: “Eu sei tudo”. Pelo contrário, creio que cada um de nós deve ser humilde.
Mas, graças a Deus, isso não nos leva ao desespero. Pelo contrário, produz em nós uma paixão e um desejo interior de buscar Cristo.
Essa foi a experiência de Paulo. Em Filipenses 3, ele disse:
Mas o que para mim era ganho, isso considerei perda por causa de Cristo.
Sim, deveras, considero tudo como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.
Para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte;
Para ver se, de algum modo, posso alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Não que já tenha alcançado, ou que já seja perfeito: mas prossigo.
Esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão adiante,
Prossigo para o alvo.
Irmãos e irmãs, essa deve ser nossa atitude. Essa deve ser nossa maneira de pensar. Se pensamos de outra maneira, somos exortados a pensar assim. Que o Senhor nos ajude.
Vamos orar?
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, cremos que a Tua luz brilhará sobre nós. Oramos para que sejamos daqueles que são atingidos pela Tua luz, confessando nossas falhas, mas olhando para Ti, que és o Autor e Consumador da nossa fé, para que prossigamos em direção ao alvo.
Graças a Deus, Tu, que nos chamaste, és fiel e o farás, para o louvor do Teu nome. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.