Por favor, abram no livro de Romanos. Apenas um versículo: Romanos 8:2.
Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, enquanto permanecemos em Tua presença, aguardamos para ouvir de Ti. Que o Teu Espírito nos abra a Tua Palavra e nos conduza a toda a verdade. Nós nos entregamos a Ti nesta manhã.
Permite que o Teu Espírito Santo nos ilumine, nos transforme e nos conduza a Cristo. Nós Te damos toda a glória. Em Teu precioso nome, amém.
Nosso irmão Kenny, há duas semanas, nos falou sobre esta questão do Espírito Santo. Esta será a lição que vamos colocar em prática durante todo este mês.
Sinto que este assunto é tão tremendamente importante que não podemos simplesmente deixá-lo de lado. Por isso, gostaríamos de continuar nesta manhã com este assunto do Espírito Santo.
Gostaria de fazer algumas perguntas. Primeira: qual é o seu conceito, o seu entendimento, do Espírito Santo? Para você, Ele é um poder ou é uma Pessoa?
Nós nos lembramos de que há uma promessa do Pai, e essa promessa é que seremos revestidos de poder do alto. Mas o Espírito Santo é apenas um poder, uma força, uma influência em sua vida — poderosa, mas impessoal? Ou o Espírito Santo é uma Pessoa, uma Pessoa divina, uma das Três Pessoas da Divindade, digna de igual honra e igual glória?
A razão pela qual faço esta pergunta é que o nosso conceito determina a nossa atitude. Se você pensa que o Espírito Santo é apenas um poder, um poder maravilhoso para você usar, então você está no comando: você usa o Espírito Santo.
Por outro lado, se o seu conceito é que o Espírito Santo é uma Pessoa viva e divina — Deus —, então é Ele Quem deve usar você. Vejam a grande diferença. É uma diferença entre o céu e a terra. O que você pensa a respeito do Espírito Santo determina como você trata o Espírito Santo.
É verdade que a Bíblia nos diz que o Espírito Santo é o poder de Deus, mas Ele é mais do que apenas um poder impessoal. Ele é uma das Pessoas da Trindade.
Lembramos que, no final de 2 Coríntios, o apóstolo Paulo pronuncia uma bênção. Nessa bênção, ele diz:
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.
Deus nos abençoa com o amor do Pai. Deus nos abençoa com a graça de nosso Senhor Jesus. E Deus nos abençoa com a comunhão do Espírito Santo.
O amor do Pai planeja tudo. A graça do Filho prepara tudo, deixa tudo pronto. Mas é o Espírito Santo Quem comunica, Quem traz a nós o amor de Deus e a graça de nosso Senhor Jesus.
Se você tiver apenas o amor de Deus, sem a graça de nosso Senhor Jesus e a comunhão do Espírito Santo, o amor de Deus estará lá, mas não teremos parte nele.
Se temos o amor de Deus e a graça de nosso Senhor Jesus, então tudo está preparado. Mas quem poderá desfrutar disso? É pela comunhão, pela participação do Espírito Santo. Ele é Quem traz o amor de Deus e a graça de nosso Senhor Jesus a cada um de nós.
A salvação não será completa sem a comunhão do Espírito Santo.
Curiosamente, temos alguma ideia de Deus como Pai porque temos uma imagem correspondente. Temos o nosso pai terreno, e isso, de alguma forma, torna mais fácil entendermos que Deus Pai é uma Pessoa.
Também parece ser mais fácil crermos que o Senhor Jesus é uma Pessoa, porque Ele Se tornou homem. Mas o Espírito Santo nos parece um pouco abstrato. Não temos uma imagem correspondente a Ele, e essa é a razão pela qual, muitas vezes, tratamos o Espírito Santo como mero poder.
Queremos o Seu poder, mas não O queremos.
Se Deus é uma Pessoa e nosso Senhor Jesus é uma Pessoa, então, certamente, o Espírito Santo também é uma Pessoa — Três em Um.
O que é uma pessoa? Uma pessoa é alguém que tem personalidade. É alguém capaz de se expressar.
Ao lermos a Bíblia, vemos que o Espírito Santo fala. Ele ordena. Ele deve ser obedecido. Ele pode ser entristecido. Um poder não pode se entristecer. Ele pode ser adorado.
Portanto, se examinarmos a Bíblia, creio que ficará muito claro para nós que o Espírito Santo é uma Pessoa divina.
Vocês se lembram de nosso Senhor Jesus durante a Sua última ceia com os discípulos. Ele estava prestes a deixá-los, e os discípulos estavam tristes. Então nosso Senhor Jesus os consolou e disse: “Eu vou, mas, se Eu for, enviarei outro Consolador, assim como Eu”.
Não é outro de uma espécie diferente; é outro da mesma espécie. Em outras palavras, assim como Cristo Jesus era para os discípulos, assim o Espírito Santo é para nós.
A única diferença é que nosso Senhor Jesus disse que podia estar com eles, mas os deixaria. Porém, o Espírito Santo virá, habitará neles e nunca os deixará nem os abandonará.
Consolador — esse termo, no inglês antigo, significa “aquele que fortalece”. Ele é Quem fortalece. Ele é Quem vem para estar ao nosso lado, e até mesmo dentro de nós. E Ele é Quem tem a responsabilidade de nos conduzir à plenitude de nosso Senhor Jesus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, penso que, antes de tudo, temos de resolver esta questão em nosso coração. Você considera o Espírito Santo apenas um poder? Você quer o Seu poder e, se tiver o Seu poder, torna-se poderoso: você O usa.
E é isso que encontramos no cristianismo hoje. As pessoas buscam poder do alto e, se têm esse poder, tornam-se poderosas. Em vez de obedecerem ao Espírito Santo, é como se o Espírito Santo e o Seu poder lhes obedecessem. E que confusão isso criou no cristianismo!
Se realmente cremos que o Espírito Santo é outro Consolador, se realmente cremos que Ele é a Pessoa divina que habita em nós, então quanto respeito devemos ter por Ele! Devemos dar a Ele o mesmo respeito que damos a Deus Pai e a Deus Filho.
Mas estamos fazendo isso? Se consideramos nosso dever obedecer ao Pai, se entendemos que devemos obedecer ao Filho, então o que dizer do Espírito Santo? Nós realmente Lhe obedecemos? Porque Ele não é outro senão Deus.
Portanto, penso que esta é a primeira pergunta que gostaria de fazer. E realmente espero no Senhor que cada um de nós tenha o entendimento correto, porque isso é extremamente importante para nós.
Sabem, o Espírito Santo é o Guardião da vida de Cristo. Ele é chamado de Espírito de vida.
Graças a Deus, quando cremos no Senhor Jesus, Ele nos deu vida — uma nova vida. Esta é a vida do próprio Senhor Jesus, uma vida divina.
Mas quem deve cuidar dessa vida divina? Quem é responsável por garantir que essa vida divina cresça até a maturidade? Não somos vocês nem eu, nem qualquer outra pessoa. Ninguém está apto. Somente o Espírito Santo.
Ele é o único que está apto e é capaz de cuidar dessa vida de Cristo em nós. Sem o Espírito Santo, não pode haver vida espiritual.
Falamos de vida espiritual, mas o que é vida espiritual? Se não fosse pelo Espírito Santo, por Sua atuação em nós, por Ele trazer Cristo a nós, ensinar-nos a respeito de Cristo e glorificar Cristo, como poderíamos ter alguma vida espiritual da qual falar?
Então vocês veem a importância disso? Mas, de alguma forma, infelizmente, nosso entendimento, nosso conceito e nossa atitude em relação ao Espírito Santo são tão inadequados.
Espero que o Senhor realmente grave isso profundamente em cada um de nós. Mas, é claro, a razão pela qual não damos ao Espírito Santo o devido lugar em nossa vida é que não O entendemos. Não O conhecemos de verdade. Temos pouca experiência com Ele — ou talvez nenhuma, embora eu espere que não seja assim.
Portanto, não basta apenas saber que, segundo a Palavra de Deus, o Espírito Santo é outro Consolador, responsável pela vida de Cristo em nós. Precisamos conhecê-Lo pessoalmente.
Então, minha segunda pergunta é: como podemos conhecer o Espírito Santo? Como Ele é Espírito, de que maneira podemos conhecê-Lo? Nós O conhecemos por Sua atuação.
O Espírito Santo que habita em nós está vivo e atuante. Ele não está dentro do nosso espírito simplesmente como um espírito adormecido. Ele, que habita em nosso espírito, é muito vivo, muito ativo.
Não é apenas que Ele nunca nos deixará nem nos abandonará; pelo contrário, vocês descobrirão que Ele é o Mestre mais diligente, Aquele que atua com a maior diligência. Ele nunca cessa; trabalha continuamente em nós.
Mas lembrem-se: Ele está em nosso espírito. Portanto, Ele trabalha em nosso espírito, e é em nosso espírito que podemos conhecê-Lo.
Um dia, enquanto eu meditava, de repente me veio esta expressão:
A lei do Espírito de vida.
Como conhecemos o Espírito de vida? Conhecemos o Espírito de vida por Sua lei.
Agora, aqui a palavra “lei” não está em contraste com a graça. Não significa os Dez Mandamentos. Aqui, lei significa simplesmente princípio.
O Espírito Santo atua segundo a Sua própria lei, o Seu próprio princípio. É claro que sabemos que Ele é Deus. Ele pode fazer tudo o que quiser. Mas vocês se lembram de que a Bíblia diz que Ele não pode negar a Si mesmo?
Em outras palavras, todas as Suas ações estão de acordo com a Sua própria natureza. Ele nunca fará nada contrário à Sua própria natureza. Ele não pode negar a Si mesmo. Fará tudo de acordo com aquilo que Ele é, e essa é a Sua lei, o Seu princípio de atuação.
Ora, se pudermos conhecer o princípio, a lei do Espírito de vida, então teremos a chave para conhecê-Lo.
Nesta manhã, não vou desenvolver os vários aspectos da lei do Espírito de vida. Em vez disso, quero deixar isso com vocês, para que examinem a Bíblia e meditem a respeito.
Mas vou apresentar cinco aspectos diferentes, ou a lei do Espírito de vida em seus cinco aspectos.
Primeiro: a base, ou esfera, da atuação do Espírito Santo.
Quando o Espírito Santo atua, Ele tem uma base. Ele tem um lugar específico; tem um âmbito, uma esfera, na qual trabalha. E qual é?
Bem, Romanos 8:2 diz:
A lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus.
Em outras palavras, o Espírito Santo trabalha somente em Cristo Jesus. Fora de Cristo Jesus, Ele não trabalha.
Toda a Sua obra se baseia na obra consumada de Cristo. Ele está formando Cristo em nós. Ele está nos introduzindo em Cristo. Ele está trazendo Cristo para dentro de nós. Portanto, toda a Sua obra é em Cristo.
Se não é Cristo Jesus, então não é a atuação Dele; é obra do homem. Se o resultado dessa obra não é exaltar Cristo, mas exaltar o homem, exaltar o eu, então vocês sabem que isso não é obra do Espírito Santo, porque Ele nunca faria isso.
Há muito sobre o que meditar, e quero deixar isso com vocês.
Segundo: o meio, ou a estratégia, do Espírito Santo.
Qual é o meio que Ele usa quando procura formar Cristo em nós? Muito claramente: a cruz.
Onde não há cruz, não há Cristo. Onde não há cruz, não há a obra do Espírito Santo.
Certamente, no cristianismo de hoje, há muitas obras, muitas atividades, mas não há sinal nem marca da cruz. Se a cruz está ausente, vocês sabem que isso não é obra de Deus.
Pensem nisso. Creio que há muito sobre o que precisamos meditar.
Terceiro: a condição, ou limitação, do Espírito Santo.
O Espírito Santo só trabalha sob certas condições definidas. Embora Ele seja Deus, pensaríamos que Deus não tem limites. De fato, Ele não tem, mas Sua atuação é limitada por nós.
Se não O limitarmos, Ele fará muito mais. Mas muitas de Suas obras são limitadas por nossa causa. Ele não pode realizá-las porque não cremos.
Portanto, vocês veem que há uma condição para a atuação do Espírito Santo, e essa condição é a consagração: nossa consagração, nossa apresentação do corpo como sacrifício vivo, nossa entrega a Ele do direito sobre nossa vida.
Porque o Espírito Santo nunca nos forçará. Ele sempre respeita a nossa vontade. Ele nos criou com livre-arbítrio, e o respeita. Se você não quiser, Ele não poderá fazer nada. Ele é todo-poderoso, mas você pode limitá-Lo.
Essa é a condição, e essa é a razão pela qual vemos o Espírito Santo tão limitado em Sua obra hoje. Essa é a nossa responsabilidade. Pensem nisso. Meditem nisso. Há muita necessidade de arrependimento aqui.
Quarto: a concordância, ou confirmação, do Espírito Santo.
Quando o Espírito Santo trabalha, Sua obra deve estar de acordo com as Sagradas Escrituras. As Sagradas Escrituras são sopradas por Deus, inspiradas pelo Espírito Santo, e Ele não pode contradizer a Si mesmo.
Portanto, essa é a salvaguarda. Como sabemos que se trata da atuação do Espírito Santo? Examinem as Escrituras. Se estiver de acordo, deem graças a Deus por isso. Se não estiver ali, ou até contradisser a Palavra de Deus, então é um sinal seguro de que não é obra do Espírito Santo.
Quinto: o objetivo, ou propósito, do Espírito Santo.
Nosso irmão já mencionou isso. No âmbito pessoal, o objetivo da atuação do Espírito Santo é levar cada um de nós a ser conformado à imagem de Cristo. Qualquer coisa aquém disso fica aquém da obra do Espírito Santo.
No âmbito coletivo, Ele deve edificar a igreja como o Corpo de Cristo, para que ela se torne a noiva de Cristo. E o Espírito Santo sempre tem esse objetivo em Sua obra. Portanto, qualquer coisa que esteja fora disso, vocês sabem, está fora da obra do Espírito Santo.
Assim, deixarei apenas estes cinco pontos diante de vocês, queridos irmãos e irmãs. Espero que não os deixem simplesmente de lado, mas que realmente examinem as Escrituras, meditem nelas e aprendam esta lei do Espírito de vida.
Se fizerem isso, será de grande ajuda para conhecerem o Espírito Santo de maneira viva.
Terceira pergunta: como experimentamos o Espírito Santo? Vocês têm alguma experiência com o Espírito Santo?
Se você não tem nenhuma experiência com o Espírito Santo, será que é salvo? Eu realmente creio que todo aquele que nasceu do Espírito experimentará algo da atuação do Espírito Santo em sua vida.
Já ouvi pessoas me dizerem: “Por que as pessoas dizem: ‘Eu ouço o Espírito Santo’, mas eu nunca ouvi? O que há de errado? Qual é o problema?”
Bem, se você está pensando em ouvir o Espírito Santo assim como ouve um amigo — de modo audível, com seus ouvidos naturais —, então talvez procure em vão.
É verdade que, nos tempos do Antigo Testamento, quando o Espírito Santo falava, as pessoas podiam ouvir, porque o Espírito Santo ainda não havia vindo habitar em nosso espírito. Então, onde você pode ouvir o Espírito Santo? Em seu espírito, não com o corpo, não com seus ouvidos naturais.
Às vezes, a Sua voz pode ser tão forte que você a ouve como se alguém estivesse realmente falando com você. Você já teve uma experiência assim? Mas, na maior parte do tempo, é uma voz mansa e suave.
Vocês se lembram de Elias? Ele se retirou para o monte Sinai, e o Senhor veio. Ele aguardava para ouvir o Senhor: um vento poderoso, um grande fogo — nada. Então, uma voz mansa e suave: “Por que estás aqui?”
É assim que o Espírito Santo fala. Quando o Espírito Santo fala em seu espírito, geralmente Sua voz é mansa, suave, clara, mas delicada; persistente, mas terna.
Quando o espírito maligno fala, geralmente é algo avassalador, opressivo, nunca claro. Você não sabe realmente o que ele está dizendo, mas se sente tão oprimido, como se estivesse sob um peso enorme, impelindo você a fazer aquilo imediatamente. Mas não é assim que o Espírito Santo fala.
Por que não O ouvimos falar? Porque não estamos quietos. Na verdade, o Espírito Santo fala todos os dias em seu espírito, mas você não O ouve porque está ocupado demais, envolvido demais. Você não está quieto.
Você ouve vozes demais e está escutando as vozes de fora, em vez de aprender a ouvir o Espírito Santo falando em seu espírito.
Irmãos e irmãs, precisamos nos exercitar. Precisamos nos colocar em condição de ouvi-Lo.
Não é verdade que, depois de sermos salvos — graças a Deus —, quando cremos no Senhor Jesus, todos os nossos pecados são purificados? Eles se foram.
Mas isso não significa que o pecado cesse completamente. Ainda temos muitas trevas, muitas coisas das quais não temos consciência. E, por isso, podemos continuar pecando sem saber.
Em outras palavras, temos alguns velhos hábitos que precisam ser mudados, mas ainda nos apegamos a eles. Não temos ideia de que, para um filho de Deus nascido de novo, isso é tão diferente de nosso Senhor Jesus. É pecaminoso aos olhos de Deus e precisa ser tratado. Mas não sabemos disso.
Irmãos e irmãs, a única maneira de experimentar o Espírito Santo é por meio de Seu tratamento diário. Ele tratará conosco, e nós responderemos a Ele. E isso é uma questão diária, ao longo de toda a nossa vida.
De fato, isso continuará acontecendo, porque Ele procura nos transformar e nos conformar à imagem de Cristo.
Então, talvez a primeira coisa que você perceba, depois de crer no Senhor Jesus, seja que Ele tratará de toda essa esfera do pecado. Ele conduzirá você à justiça, porque Deus é justo.
Você pode ter o hábito de exagerar as coisas. Mas, depois de crer no Senhor Jesus, você percebe que, quando está exagerando, Alguém dentro de você o detém e pergunta: “Você está exagerando? Isso é verdade?”
Você tem uma experiência assim? Se tem, esse é o Espírito Santo. Ele está tratando com você, iluminando você. Ele está conduzindo você à justiça na prática.
Examine sua experiência de vida. Observe sua vida diária — como o Espírito Santo, incansavelmente, constantemente, nas pequenas coisas do início de sua vida cristã, procura corrigir você, ajustá-lo e tirá-lo dessas coisas.
Qual é a sua reação? Se quiser ignorá-Lo, você pode. Se quiser entristecê-Lo, você pode. Se quiser apagá-Lo, você pode. Mas onde ficará a sua vida espiritual?
É nessas pequenas coisas da vida diária que podemos andar diante de Deus, ouvindo, obedecendo e cooperando com o Espírito Santo.
Creio que qualquer pessoa que tenha lido A Vida Cristã Normal conhece a história que o irmão Nee contou. É uma história verdadeira. Eu conheço a pessoa.
Havia um eletricista no monte Kuling. Ele foi salvo.
No inverno, ele continuava na montanha. Os missionários e as outras pessoas tinham ido embora. E ele tinha um hábito: quando sentia frio, queria beber vinho.
E não apenas bebia vinho, mas também tinha o hábito de ficar bêbado toda vez que bebia.
Então, o tempo estava frio, e ele pediu à esposa que aquecesse o vinho. Na China, sabem, é isso que costumam fazer: aquecer o vinho. Assim, o vinho foi aquecido e colocado à mesa.
Então o irmão disse: “Bem, fui salvo, por isso precisamos agradecer ao Senhor por isso”. Eles abaixaram a cabeça, mas ele não conseguia orar.
E isso aconteceu algumas vezes. Então sua esposa perguntou: “Um cristão deve beber?” Ele disse à esposa: “Pegue o Livro. Vamos procurar”, porque o irmão Nee lhe havia dado uma Bíblia.
Mas eles mal sabiam ler, e o Livro era tão grosso. Onde poderiam encontrar aquilo? Felizmente, não precisaram procurar tanto. O Senhor lhe mostrou.
Então a esposa disse: “Bem, o vinho está esfriando. Beba e, quando o pregador subir aqui no ano que vem, perguntaremos a ele”. Isso parecia razoável. Então ele começou a orar, mas não conseguia.
Por isso, disse à esposa: “Tire isso daqui”. E, no ano seguinte, quando nosso irmão foi à montanha, ele lhe perguntou: “Um cristão pode beber?”
E o irmão Nee disse: “Por que você faz essa pergunta?” Então ele explicou o que havia acontecido. Como não conhecia muito bem a Bíblia, não conhecia o termo “Espírito Santo”. Ele disse: “Meu patrão que mora aqui dentro não me permite”.
Graças a Deus, você tem um Patrão que mora aí dentro — não apenas por oito horas, mas por vinte e quatro horas; não apenas no escritório, mas em toda parte. E Ele está conduzindo você à justiça.
Todos esses velhos hábitos precisam ir embora. Essas velhas coisas precisam ir embora. Bem, esse é o começo.
Então você começa a perceber que Ele passa a tratar com você em toda a questão do mundo. Não me diga que você não ama o mundo. Nós amamos.
E você verá que o Espírito Santo começa a apontar o dedo para as coisas do mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
Irmãos e irmãs, o Espírito Santo já apontou o dedo para a maneira como vocês se vestem? O Espírito Santo já apontou o dedo para o relacionamento de vocês com o mundo?
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há.
Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Você já foi tratado dessa maneira?
Quero contar um segredo a vocês. Antes de ser salvo, uma coisa que eu amava eram os filmes.
A primeira coisa que eu procurava no jornal eram as notícias de cinema. Muitas vezes, passava os sábados no cinema. Eu era filho de um pregador. Não ousava ir ao cinema no domingo. Pelo que consigo lembrar, fui apenas uma vez; a tentação era tão grande.
Depois que cri no Senhor Jesus, ainda amava os filmes. Continuei indo ao cinema.
Mas aquela voz mansa e suave começou a dizer: “Você acha que deve fazer isso?”
Eu dizia: “Senhor, filmes bons, filmes religiosos — isso não deve ter problema”. Mas, ainda assim, minha consciência não me absolvia.
Então eu disse: “Senhor, está bem. Vou tentar. Vou tentar”. Tentei por alguns meses. Isso foi uma grande façanha.
Então apareceu um filme religioso, e me deram um ingresso. Sabem, eu podia ir ao cinema sem pagar nada, porque tinha amigos que eram donos do cinema.
E fiquei debatendo comigo mesmo: “É um filme religioso. Não deve ter problema”. Então fui.
Durante duas horas, fiquei sentado ali sob a mesma convicção de que estava errado. Mas eu não queria sair. Continuei sentado ali. Porém, aquilo foi o fim. O Senhor me libertou.
Talvez você não tenha uma experiência assim, mas, nessa questão do mundo, qual é o seu relacionamento com o mundo? Você ama o mundo? Se ama, o amor do Pai não está em você.
Então você percebe que o Espírito Santo passa a tratar com o seu eu. A questão do mundo está ligada à santificação, à santidade, à separação. Mas, depois, você percebe que o Espírito Santo trata com você na questão de si mesmo, de sua carne.
Agora Ele está indo mais fundo, e isso visa à glorificação. O que é glorificação? Somente Cristo, somente Deus, é glória. Ser glorificado significa simplesmente ser semelhante a Cristo.
E esse eu, essa carne, é o oposto de Cristo. Até mesmo o que há de bom em sua carne é contrário a Cristo. E o Espírito Santo precisa tratar pacientemente conosco nessa área, diariamente, incessantemente, para nos libertar de nós mesmos.
O eu é a última coisa a ir embora.
Ele também tratará conosco de acordo com Seu princípio e Seu objetivo. Em outras palavras, Ele tratará de nosso relacionamento com os irmãos e irmãs. Ele sondará nosso coração.
Ouvi alguém me dizer: “Quando foi a última vez que você disse: ‘Perdoe-me’?” Isso é uma medida de sua condição espiritual.
Você acha que é tão perfeito que, em seu relacionamento com os irmãos e irmãs, ou em seu relacionamento com as pessoas da família, nunca precisa dizer: “Eu estou errado. Perdoe-me”?
Há apenas uma Pessoa, nosso Senhor Jesus, que não precisa dizer: “Sinto muito. Perdoe-Me”.
Onde está o seu orgulho? Onde está o seu eu? Está morto ou está muito vivo?
O Senhor começará a tratar de nosso relacionamento uns com os outros, especialmente quando trabalhamos juntos de perto.
Você já foi ignorado? Se é mal compreendido, se é rejeitado, qual é a sua reação?
Não é de admirar que algumas pessoas digam que os cristãos são como borboletas. Voam de um lado para o outro — não como abelhas, que entram bem fundo e recolhem o mel, mas como borboletas.
Vocês entendem, irmãos e irmãs? É por meio desse tratamento em nossa vida diária. Não pensem que são as pessoas que estão tratando com vocês. Todas as nossas circunstâncias são organizadas pelo Espírito Santo.
É o Espírito Santo Quem está tratando com você, procurando conformá-lo à imagem de Cristo. Não interprete mal e não culpe seus irmãos e irmãs. Essas coisas não acontecem por acaso. O Senhor permite. O Espírito Santo organiza.
E, se ao menos pudermos aprender, quanta santidade! É assim que chegamos a experimentar o Espírito Santo.
Queridos irmãos e irmãs, a experiência com o Espírito Santo é uma questão diária. Vocês nunca se formarão.
Portanto, enquanto todos aprendemos esta lição do Espírito Santo, espero que não apenas enchamos a mente de conhecimento, mas que aprendamos diariamente a conhecê-Lo.
Quanto mais você aprende, mais O respeita. Você percebe que Ele é divino. Ele é Deus. O padrão Dele é muito mais elevado do que o nosso.
Mas tenham ânimo, porque Ele é o poder que nos conduz à plenitude de Cristo. Podemos depender Dele. Lancemo-nos sobre o Senhor, e Ele nos sustentará e nos conduzirá. Vamos orar.
Querido Senhor, queremos Te agradecer porque nos deste a conhecer o Pai. Também nos enviaste o Espírito Santo, para que, por meio Dele, possamos conhecer a Ti e conhecer o Pai.
Senhor, esta é a oração profunda de nosso coração: queremos conhecê-Lo e, por meio Dele, conhecer a Ti e ao Pai. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.