Bem, bom dia.
Gostaria que vocês abrissem no Evangelho de João, capítulo 1. Vamos ler várias passagens das Escrituras. Primeiro, leremos o que João Batista disse a respeito do Senhor Jesus, começando em João 1:29-34.
No dia seguinte, ele vê Jesus vindo ao seu encontro e diz: Eis o Cordeiro de Deus, Que tira o pecado do mundo.
Este é Aquele de Quem eu disse: Depois de mim vem um Homem Que tem precedência sobre mim, porque existia antes de mim.
E eu não O conhecia; mas, para que Ele fosse manifestado a Israel, vim batizando com água.
E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como uma pomba, e Ele permaneceu sobre Jesus.
E eu não O conhecia; mas Aquele Que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer, Esse é o Que batiza com o Espírito Santo.
E eu vi e dei testemunho de que Este é o Filho de Deus.
Depois, mais adiante no mesmo Evangelho, em João 20, após o Senhor ter ressuscitado e sido glorificado, vamos examinar alguns versículos: João 20:19-22.
Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, por medo dos judeus, Jesus veio, pôs-Se no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco.
E, tendo dito isso, mostrou-lhes Suas mãos e Seu lado. Os discípulos, portanto, alegraram-se ao ver o Senhor.
Jesus lhes disse novamente: Paz seja convosco. Assim como o Pai Me enviou, Eu também vos envio.
E, tendo dito isso, soprou neles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo.
Abram no livro de Atos, capítulo 1. Pouco antes de nosso Senhor ser elevado à glória, lemos o seguinte, começando em Atos 1:1.
Compus o primeiro relato, ó Teófilo, acerca de todas as coisas que Jesus começou tanto a fazer como a ensinar, até o dia em que, tendo dado ordens pelo Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado; aos quais também Se apresentou vivo, depois de ter padecido, com muitas provas, sendo visto por eles durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.
E, estando reunido com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes; porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias.
Em Atos 2:1-4, temos uma passagem conhecida a respeito do Pentecostes.
E, ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos juntos no mesmo lugar.
E veio de repente do céu um som como de um sopro violento e impetuoso, ou de uma forte respiração, e encheu toda a casa onde estavam assentados.
E apareceram-lhes línguas repartidas, como de fogo, e uma pousou sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.
Vamos abrir em Atos 10. Isso acontece na casa de Cornélio, na casa de um gentio: Atos 10:44-47.
Enquanto Pedro ainda falava estas palavras, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a palavra.
E os fiéis da circuncisão, todos os que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que também sobre as nações fosse derramado o dom do Espírito Santo.
Pois os ouviam falar em línguas e engrandecer a Deus.
Então Pedro respondeu: Pode alguém impedir a água, para que não sejam batizados estes que receberam o Espírito Santo como nós?
Depois, em Atos 11:15-18, Pedro explica esse acontecimento, mais tarde, em Jerusalém.
E, quando comecei a falar, o Espírito Santo caiu sobre eles, como também sobre nós no princípio.
E lembrei-me da palavra do Senhor, de como Ele disse: João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo.
Se Deus lhes deu o mesmo dom que também a nós, quando cremos no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para poder impedir a Deus?
E, ouvindo estas coisas, calaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Assim, pois, Deus concedeu também às nações o arrependimento para a vida.
E, nas epístolas, há um versículo de extrema importância a respeito desse assunto: 1 Coríntios 12:13.
Pois também, no poder de um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
Agora, vamos orar.
Senhor, nós Te agradecemos pela Tua Palavra. Agradecemos porque Tu nos dizes que as Tuas palavras são espírito e vida. Por isso, mais uma vez, pedimos que sopres sobre a Tua Palavra.
Nós Te dizemos, como Pedro disse:
Só Tu tens as palavras de vida eterna. Para quem iremos? Não há outro.
Se Tu não falares, nosso tempo será desperdiçado. Mas, quando Tu falas, somos ajudados. Por isso, olhamos para Ti, para que nos vivifiques pelo Espírito Santo, para que ouçamos o que o Espírito diz às igrejas e para que nossos olhos sejam abertos.
Que possamos contemplar coisas na Tua Palavra que nunca vimos. Que possamos conhecer-Te e glorificar-Te com nossa vida. Pois pedimos isso no precioso e digno nome de Jesus. Amém.
Bem, acho que quase todos sabem que este é o primeiro domingo do novo ano. É também o primeiro domingo do mês. Acho que, a esta altura, todos vocês já deveriam saber o que fazemos no primeiro domingo de cada mês.
Há algum tempo, estamos estudando uma série sobre os fundamentos, considerando diferentes aspectos fundamentais que são vitais para a vida cristã. A série começou com este título: “Examinando as Escrituras para Crescermos em Cristo”.
Isso vem de 2 Pedro 3:18:
Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Essa era a preocupação que tínhamos no coração quando começamos esta série sobre os fundamentos, algum tempo atrás. Agora, acho que todos sabem que não se trata apenas da ministração da Palavra. O título, “Examinais as Escrituras”, vem daquela palavra a respeito dos crentes de Bereia, em Atos 17:11.
Eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque não apenas receberam a palavra, mas examinavam diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim.
Portanto, nossa preocupação nesta série sobre os fundamentos é, primeiro, que recebamos a Palavra e, ao recebê-la, cresçamos em Cristo. Segundo, que examinemos as Escrituras como fizeram os crentes de Bereia e, assim, no conhecimento do Senhor Jesus, cresçamos em Cristo.
Por fim, o terceiro componente diz respeito à comunhão. Temos incentivado — e, para aqueles de vocês que não participam, nunca é tarde demais — que tenhamos comunhão sobre o que aprendemos, ouvimos e recebemos quando nos reunimos em grupos, às sextas-feiras, para a comunhão em torno da Bíblia.
Irmãos e irmãs, sentimos que precisamos ouvir a Palavra de Deus. Cremos que precisamos examinar as Escrituras para ver o que a Palavra de Deus diz. Então teremos uma base real para a comunhão em Cristo, para crescermos juntos no conhecimento e na graça de nosso Senhor Jesus Cristo.
Espero que vocês me permitam essa pequena explicação, porque às vezes as pessoas encontram essas mensagens e começam a acompanhá-las mais tarde, sem ter ideia do que estamos fazendo. Aliás, espero que isso não ofenda muita gente, mas talvez alguns de vocês ainda não tenham ideia do que estamos fazendo.
Por isso, é bom retomarmos o assunto, concentrarmos nossa atenção e relembrarmos uns aos outros qual é a nossa preocupação ao nos reunirmos uma vez por mês para o estudo do mês. Não é simplesmente adquirir algum conhecimento sobre um assunto. É que, por meio desse conhecimento, ao recebermos a Palavra, possamos crescer em Cristo Jesus.
Podemos ser fortalecidos com todo poder no homem interior e crescer no Senhor, até chegarmos à maturidade em Cristo. Por meio disso, temos uma base real para a comunhão.
É isso que temos feito. Para aqueles de vocês que não sabem, que talvez não se lembrem ou que estejam ouvindo esta fita, começamos focalizando a vida cristã individual. Passamos algum tempo examinando a vida cristã individual.
Aprecio a exortação que foi dada naquela ocasião: é muito difícil separar a vida individual da vida corporativa. Mas, ultimamente, temos nos concentrado na vida corporativa e considerado os aspectos essenciais dessa vida.
Agora, para alguns de vocês, essa expressão, vida corporativa, talvez ainda soe estranha, como se fôssemos a General Motors ou alguma grande corporação. Se fôssemos, estaríamos todos em apuros. Mas a vida corporativa, quando vocês examinam as Escrituras, diz respeito à vida da igreja. É simplesmente outra maneira de explicar a vida da igreja.
Trata-se de um vaso corporativo, um corpo unido. A igreja é o vaso corporativo que Deus usa para expressar Seu testemunho na era da igreja.
Ultimamente, temos nos concentrado nessa questão da vida corporativa. Examinamos alguns aspectos essenciais: a cruz, Cristo como Cabeça, o sacerdócio de todos os crentes e várias outras coisas.
Embora esses assuntos não esgotem o tema, pensamos que o último aspecto essencial, antes de entrarmos nas questões práticas, seria examinar o Espírito Santo.
Creio que todos nós, como crentes, sabemos em nosso coração que o Espírito Santo é absolutamente essencial. Vocês não podem viver a vida cristã sem o Espírito Santo. Da mesma forma, não podem viver a vida corporativa sem o Espírito Santo.
Foi por isso que pensamos em concentrar nosso último assunto sobre esses aspectos essenciais no Espírito Santo.
Agora, acho que existe uma tendência — e isso é algo que pesa no meu coração. Se vocês não guardarem mais nada, por favor, entendam esta parte da minha preocupação. Quando olhamos para o Espírito Santo, nossa primeira reação é vê-Lo como algo pessoal: poder pessoal, capacitação pessoal, unção pessoal.
Todas essas coisas são essenciais. Sem poder pessoal, capacitação pessoal e unção pessoal, vocês não podem viver a vida cristã. É impossível.
Mas o assunto em que estamos nos concentrando neste mês é o Espírito Santo e a vida corporativa. Da mesma forma, sem o Espírito Santo, particularmente como demonstrado no livro de Atos, vocês não podem viver a vida corporativa.
Vocês podem tentar viver a vida da igreja. Podem tentar aguentar por algum tempo. Mas, se não conhecerem algo da capacitação do Espírito Santo, da unção do Espírito Santo, do enchimento do Espírito e do recebimento do Espírito, se não conhecerem algo dessa grande profundidade, vocês não podem e não irão viver a vida cristã.
Não podemos sequer começar a vida cristã sem o Espírito Santo. Vocês se lembram da história de Nicodemos em João 3, daquela visita noturna, quando Nicodemos foi ao Senhor Jesus à noite.
O Senhor Jesus disse:
Se não nascerdes do Espírito, não podeis ver o reino de Deus.
Não podemos começar sem o Espírito Santo. Ele é essencial. Depois, o Senhor prosseguiu, dizendo em João 3:5:
Se não nascerdes do Espírito, não podeis entrar no reino de Deus.
Como o Espírito Santo é essencial à vida do crente! Não podemos viver essa vida sem o Espírito Santo.
Penso, de fato, que este é um problema real: tendemos a olhar para tudo à luz do indivíduo. Há uma frase que gostaria de gravar no coração de vocês, algo que o Senhor me deu há algum tempo e que continua vivo em mim.
Sem a vida individual, a vida cristã é impossível. Mas, sem a vida corporativa, a vida cristã é incompleta.
Às vezes, tudo gira em torno do que eu recebo do Senhor, de como o Senhor me ajuda e do que o Senhor me supre. Nunca entramos no propósito pleno do Senhor a respeito de Sua igreja. Se agirmos assim, perderemos tudo o que diz respeito ao propósito de Deus.
Isso é tão importante, tão básico e tão vital que precisamos enfatizá-lo repetidamente: sem a vida individual, a vida cristã é impossível; sem a vida corporativa, ela é incompleta.
Outro assunto introdutório que gostaria de reforçar é que, quando tratamos do Espírito Santo, tendemos a vê-Lo de maneira impessoal. O que quero dizer com isso? Tendemos a olhar para o Espírito Santo como uma coisa: como um poder, uma força, algo que emana de Deus, uma capacitação ou uma unção.
O Espírito Santo se torna uma coisa, e acho que isso é um perigo real. O que precisamos ver é que o Espírito Santo é uma Pessoa. Ele é a Pessoa da Trindade com Quem temos a comunhão mais próxima.
Ele é a Pessoa da Trindade Que vive em nós e habita em nós. Ele é a Pessoa da Trindade Que assume a responsabilidade de nos conduzir ao pleno propósito de Cristo.
Nós O vemos de maneira impessoal: como uma coisa, e não como uma Pessoa. Em minhas leituras, encontrei uma citação que significou tanto para mim, anos atrás, que a guardei em minhas anotações. Era do livro A Pessoa e a Obra do Espírito Santo:
Uma fonte frequente de erro e fanatismo a respeito da obra do Espírito Santo é a tentativa de estudar e compreender Sua obra sem antes conhecê-Lo como Pessoa.
Milhares podem testemunhar da bênção que veio à sua vida quando passaram a conhecer o Espírito Santo não apenas como uma influência graciosa, que emana, é verdade, de Deus, mas como uma Pessoa real, tão real quanto o próprio Jesus Cristo: um Amigo amoroso, sempre presente, e um poderoso Auxiliador, Que não apenas está sempre ao seu lado, mas habita em seu coração todos os dias e a toda hora, e Que está pronto para agir em seu favor em qualquer emergência.
Agora, vocês veem o Espírito Santo como uma coisa? Se não O virmos como uma Pessoa, não compreenderemos Sua obra e nunca entraremos em Seu propósito.
As pessoas ficam confusas a respeito do Deus triúno. Elas perguntam: “Você pode explicar o Deus triúno?” Não posso explicar o Deus triúno, mas posso dizer isto: há algumas coisas simples que me ajudaram a compreender como a Trindade opera.
Primeiro, quanto ao Pai: Deus é por nós. Vocês se lembram de Romanos 8:31:
Se Deus é por nós, quem será contra nós?
Na verdade, na minha versão, a palavra é foi acrescentada para facilitar a compreensão. É simplesmente: “Se Deus por nós”. Isso não é poderoso? Deus Pai é por nós.
Segundo, quando chegamos ao Filho: Deus está conosco. Vocês se lembram da profecia em Isaías, repetida depois em Mateus 1:23:
E chamarão o Seu nome Emanuel, que, traduzido, é: Deus conosco.
O Senhor Jesus vem e está conosco. Por fim, quando pensamos em Deus Espírito Santo: Deus está em nós.
Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus, em Seu último discurso aos discípulos, em João 14, disse:
Irei ao Pai, e Ele dará outro Consolador da mesma natureza.
Ele estará convosco e estará em vós.
Deus em nós. Isso não é extraordinário? Para mim, essa é a definição mais simples do que a Trindade significa: Deus é por nós, Deus está conosco e Deus está em nós.
Que grande provisão Ele fez, e como isso deveria, por fim, nos tornar adoradores!
Hoje vamos examinar três coisas:
Muitas vezes, vemos a obra do Espírito Santo, mas deixamos de ver o propósito do Espírito Santo. Isso faz diferença na vida corporativa.
Segundo, queremos examinar o batismo com o Espírito. Talvez só os tolos se aventurem onde os anjos ousam ir, mas há tanta controvérsia a respeito do batismo com o Espírito Santo que precisamos dar alguma atenção a isso. É um componente vital da vida corporativa, e precisamos compreendê-lo.
Não consigo pensar em nenhum assunto que tenha dividido mais a igreja do que esse único assunto: o batismo com o Espírito Santo.
Por fim, examinaremos o enchimento do Espírito Santo. Se compreendermos essas três coisas, talvez possamos apreciar como o Espírito Santo é vital, significativo e importante para a vida corporativa.
Vamos começar com o propósito do Espírito Santo. As obras do Espírito Santo são múltiplas. Acho que todos podemos concordar com isso. São numerosas, e não temos tempo para nos aprofundar em todas as Suas obras. Precisaríamos de uma conferência de um mês inteiro e, mesmo assim, não abordaríamos todas as obras do Espírito Santo.
Mas precisamos mencionar algumas delas. Por meio do Espírito Santo, recebemos a regeneração. Quando nascemos de novo, nascemos do Espírito; somos regenerados. Essa é a obra do Espírito Santo.
O Espírito Santo convence os homens do pecado, da justiça e do juízo. Ele é o grande Convencedor. Passei muitos dos meus primeiros anos como cristão tentando convencer as pessoas do pecado, da justiça e do juízo. Graças a Deus, é obra do Espírito Santo convencer os homens do pecado, da justiça e do juízo.
Isso não significa que não devemos testemunhar. Devemos testemunhar. Mas, quando o Espírito Santo convence, as pessoas ficam convencidas.
O Senhor Jesus disse, em João 16, que Ele nos guiará a toda a verdade. Ele é nosso Mestre. Não apenas isso: o Senhor disse que Ele nos anunciaria o que está por vir e nos faria lembrar de todas as coisas que o Senhor disse.
Suas obras são múltiplas. Não se pode sequer começar a contabilizar todas elas. Se vocês tivessem um grande livro de registros e pudessem contabilizar todas as obras do Espírito Santo, veriam que são muitas. São múltiplas. São grandiosas.
Não apenas isso: os nomes do Espírito Santo também são múltiplos. Espero que vocês examinem isso durante o mês, ao estudar a Palavra. O Espírito Santo tem pelo menos vinte e cinco nomes na Bíblia, e talvez vocês encontrem mais.
Ele é chamado de Espírito de Deus, Espírito do Senhor Jesus, Consolador, Óleo de Alegria, Espírito de Vida, Espírito da Verdade e Espírito de Juízo. Poderíamos continuar indefinidamente.
Ele habita em nós. Ele nos vivifica. Ele nos fortalece no homem interior. Ele vivifica nosso corpo mortal, como diz Romanos 8. Ele nos ensina a orar. Ele intercede por nós segundo a vontade de Deus.
Ele nos torna adoradores, porque o Senhor Jesus disse à mulher junto ao poço que Deus procura aqueles que adoram em espírito e em verdade.
O Espírito Santo Se manifesta de inúmeras maneiras. Quando estudarem neste mês, observem as maneiras pelas quais Ele Se manifesta: como vento, sopro, fogo, óleo, pomba, selo e até mesmo penhor.
Irmãos e irmãs, isso é apenas a introdução àquilo que pesa em meu coração. Embora Suas obras sejam muitas, Seu propósito é um só.
Muitas vezes, como crentes, concentramos nossa atenção nas muitas e variadas obras do Espírito Santo. Olhamos para esta obra e para aquela. Enfatizamos esta atividade e aquela. Mas perdemos completamente de vista aquilo que é supremo em toda a Palavra de Deus: o propósito do Espírito Santo.
As obras do Espírito Santo são muitas. O propósito do Espírito Santo é um só.
Fui levado de volta a Gênesis 1. Acho que todos vocês conhecem a história, mas é assim que a Bíblia começa, e isso é significativo. Gênesis 1:1-2:
No princípio, Deus criou os céus e a terra.
E a terra era desolada e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo.
E o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas.
A palavra Deus é Elohim. É Deus no plural, a Divindade suprema: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. No princípio estava Deus.
Desde o princípio, o Espírito Santo está presente, pairando, como quem choca a criação, esperando que algo no coração de Deus seja realizado. Esse é o propósito do Espírito Santo.
O Espírito Santo está pairando e chocando. Não usamos muito essa palavra, chocar, nos Estados Unidos de hoje, mas é como quando uma galinha se assenta sobre os ovos, esperando que os pintinhos nasçam.
O Espírito Santo tem apenas um propósito. Ele vela sobre o caos, sobre a criação, para assegurar que o propósito de Deus seja realizado. Esse é Seu único foco.
Quando vocês chegam ao fim da Bíblia, começam a ver as duas extremidades que a enquadram. Abram comigo em Apocalipse, no último capítulo, Apocalipse 22:17:
E o Espírito e a noiva dizem: Vem.
No princípio, vemos o Espírito Santo esperando, pairando e chocando a criação, aguardando a realização daquilo que Deus deseja. No fim, vemos o encerramento da Bíblia e o Espírito Santo unindo-Se à noiva, dizendo:
O Espírito e a noiva dizem: Vem.
Esse é o propósito do Espírito Santo. É obter um vaso corporativo. É encontrar uma noiva para Cristo.
Em toda a criação de Deus, tudo o que foi feito tinha, por fim, o objetivo de constituir esse vaso corporativo, apresentado ao Seu Filho amado, para ser Sua companheira e Sua auxiliadora por toda a eternidade. Esse é o propósito do Espírito Santo.
Quando vocês começam a ler, em Gênesis 1 e Gênesis 2, sobre como o propósito e o plano de Deus eram fazer o homem à Sua própria imagem, começam a ver que esse homem era um homem corporativo. Era homem e mulher; não se tratava de indivíduos isolados. Desde o princípio, Ele buscava um vaso corporativo.
Quando isso é desenvolvido em Gênesis 2, começamos a ver que esse homem corporativo é, na verdade, uma esposa. Vemos isso em Adão e Eva, mas, quando vamos a Efésios 5 e chegamos ao fim da Bíblia, começamos a compreender que toda a prefiguração presente na criação apontava para que Cristo tivesse uma esposa.
Esse era o grande propósito de Deus, e é o propósito único do Espírito Santo.
Espero que isso ajude, porque realmente acho que esse é um problema na igreja hoje. Olhamos para tudo em relação a nós mesmos. Perguntamos: “Ele vai me ungir? Vai me dar poder? Vai me dar dons? Vai me tornar completo?” O interesse está sempre voltado para nós, quando o interesse do Espírito Santo é que o Pai tenha aquilo que procura.
Esse propósito do Espírito Santo é maravilhosamente ilustrado em Gênesis 24. Sei que nosso irmão Jerry está falando sobre a vida de Abraão; então, irmão, prometo não roubar a cena. Se a sua próxima mensagem seria sobre Gênesis 24, peço desculpas.
Em Gênesis 24, toda a história gira em torno de um pai amoroso, Abraão; de um filho que era o prazer do coração do pai, em quem ele havia investido tudo; e de um servo fiel.
O único propósito daquele servo fiel era ir e encontrar uma esposa para o filho amado daquele pai. Esse é o propósito do Espírito Santo.
O servo administrava todos os assuntos da casa do pai Abraão. Abraão o enviou ao seu próprio povo e disse: “Traga-me uma esposa para meu filho”. Essa era sua única incumbência; esse era seu único propósito.
Quando o servo encontrou Rebeca junto ao poço, ele havia orado, e ela fez exatamente aquilo pelo que ele havia orado. Ele sabia que Rebeca era a auxiliadora para o filho de seu senhor. Ele sabia disso. “Isso vem de Deus” é uma expressão nessa grande história.
Então, é claro, ele foi à família, e eles disseram: “Vamos perguntar a ela”. Chamaram Rebeca e lhe disseram, como registra Gênesis 24:57-58:
Irás tu com este homem?
Eu irei.
Essas palavras são tão preciosas para mim. É isso que Deus procura. Ele procura alguém que responda a Ele e que simplesmente diga, no fim: “Eu irei”.
Isso me parece ser o propósito do Espírito Santo — todo o Seu propósito. Essa prefiguração em Gênesis se cumpre no Novo Testamento, quando chegamos a ver aquele homem corporativo preparado como noiva para o nosso Cristo.
Esse é o propósito do Espírito Santo. Está no começo da Bíblia. Está no fim da Bíblia. Era o que estava no coração do pai Abraão, prefigurando o propósito de Deus, e é o que está no coração do Espírito Santo.
Portanto, irmãos e irmãs, espero, em primeiro lugar, que, ao pensarmos no Espírito Santo, não pensemos Nele como uma coisa, mas como uma Pessoa. Espero que não pensemos Nele apenas em termos de muitas coisas diferentes — poder, unção ou capacitação —, mas que vejamos o Espírito Santo com um único propósito em Seu coração.
Todas essas outras coisas estão incluídas nesse único propósito: trazer ao Senhor Jesus aquela companheira eterna. Esse é o propósito do Espírito Santo.
Agora, em segundo lugar, vamos examinar o batismo com o Espírito — o batismo com o Espírito Santo. Creio que tenho aqui uma possibilidade real de ofender algumas pessoas; então, por favor, perdoem-me de antemão.
Não vou esconder minha formação, porque sei que alguns de vocês acham que vou me apresentar como carismático e aproveitar esta oportunidade para impor meu ensino a vocês. Talvez, no fim, vocês vejam que é diferente.
Fui salvo na Assembleia de Deus. Quando fui salvo, há mais de trinta anos, qualquer pessoa que fosse salva e demonstrasse potencial, eles queriam logo mandar para o seminário e fazer dela um ministro.
Eu estava convencido de duas coisas. Primeiro, que nunca poderia me filiar à igreja porque, pela obra do Senhor Jesus, eu já estava na igreja. Segundo, que não havia necessidade de ir para o seminário.
Agora, se vocês estudaram em um seminário, não se ofendam. Mas o lugar de formação dos crentes é o vaso corporativo: é a igreja. Vocês podem aprender mais estando com os santos e sendo edificados com eles do que jamais aprenderão indo estudar longe.
Por isso, meu irmão e eu seguimos caminhos diferentes. Ele foi para Lakeland, na Flórida, para servir na Assembleia de Deus, perguntando-se por que eu não havia ido. Eu fiquei em Richmond, e sou muito grato porque o Senhor me trouxe para cá, para estar com vocês, os santos.
Aqui aprendi algo sobre o vaso corporativo. Aqui aprendi algo sobre o propósito de Deus que nunca teria aprendido de outra maneira. Aqui comecei a compreender aquela paixão do Espírito Santo e aquele desejo do Pai: que Deus tivesse uma esposa para Seu Filho.
Minha formação é carismática. Fui salvo no Movimento de Jesus, no começo dos anos setenta. Estou revelando minha idade, e peço desculpas. Houve um verdadeiro mover do Espírito Santo no Movimento de Jesus, apesar de todos os seus excessos.
Então o Senhor me trouxe para cá. Nunca vou esquecer a primeira vez em que estive aqui com os santos. Stephen falou sobre Atos 2. Já contei essa história antes.
Stephen, na verdade, me ofendeu um pouco, porque pisou no ensino que eu havia recebido. Como bom carismático, eu via toda a questão do batismo com o Espírito Santo sob outra perspectiva.
A ênfase do nosso irmão estava no final de Atos 2, quando Jesus foi exaltado. Minha ênfase estava na experiência do Espírito Santo e no falar em línguas. Nunca lhe disse isso naquela noite. Eu tinha respeito demais para chegar até ele e dizer: “Você pisou em todo o ensino que eu recebi”.
Mas algo do propósito do Senhor me alcançou naquela noite. Algo entrou em mim. Algo que ouvi me disse: “Embora você veja isso de outra maneira, este é o propósito de Deus”. Nunca vou esquecer.
Desde aquela noite de outubro de 1972, tenho estado com vocês, os santos, durante todos esses anos, aprendendo sobre o vaso corporativo. Vou dizer isto, e talvez vocês não entendam ou sequer apreciem, mas esta é minha maior alegria: estar com os santos e conhecer o Senhor Jesus.
Disse tudo isso apenas para explicar que alguns de vocês talvez pensem que tenho uma intenção oculta quando trato do batismo com o Espírito Santo. Não tenho. O que eu pensava foi virado de cabeça para baixo e, graças a Deus, creio que o Senhor, em Sua misericórdia, me trouxe equilíbrio.
Agora vejo esse batismo com o Espírito Santo de uma maneira que considero mais plena, de uma maneira que toca no propósito de Deus. O batismo com o Espírito Santo é um elemento vital para a realização do propósito de Deus.
Sem o batismo com o Espírito Santo, não poderíamos ser introduzidos no propósito de Deus. Seria impossível. Não poderíamos ter esse propósito do Espírito Santo cumprido sem o batismo com o Espírito Santo.
Essa questão é tão vital que é enfatizada no início e no fim do ministério terreno do Senhor: tanto quando Ele entra em cena quanto quando sai de cena.
Já lemos João 1:32-34. João deu testemunho:
Vi o Espírito descer do céu como uma pomba, e Ele permaneceu sobre Jesus.
Olhando para trás, para o início da criação, o Espírito Santo estava pairando e chocando sobre o caos. Quando chegamos ao Novo Testamento, vemos o Espírito Santo finalmente encontrando Seu lugar para pousar. É sobre o Senhor Jesus.
O Espírito Santo encontra repouso. Aquela pomba inquieta, que vinha chocando, percorrendo a criação e procurando o cumprimento do propósito de Deus, encontra Seu lugar de descanso no Senhor.
João disse:
Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer, Esse é o Que batiza com o Espírito Santo.
E eu vi e dei testemunho de que Este é o Filho de Deus.
Na apresentação do Senhor Jesus, essa era a questão. Quando Ele veio para ser batizado por João no Jordão, foi dito: “Ele é Aquele Que batizará com o Espírito Santo”.
Essa questão aparece nos três Evangelhos Sinóticos. Em Mateus e Lucas, diz-se que Ele batizará com o Espírito Santo e com fogo. Em Marcos 1:8, diz-se que Ele batizará com o Espírito Santo.
Mas, irmãos e irmãs, isso não aparece apenas no início do ministério do Senhor. Aparece também no fim de Seu ministério, quando Ele sai de cena.
Em Atos 1:4-5, o próprio Senhor diz:
Estando reunido com eles, ordenou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse Ele, de Mim ouvistes; porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias.
O batismo com o Espírito Santo é de extrema importância quando se trata da vida corporativa. A vida corporativa não pode começar sem o batismo com o Espírito Santo.
Parece haver dois ensinos a respeito do batismo com o Espírito Santo. É aqui que talvez eu esbarre no ensino que vocês receberam.
O ensino pentecostal ou carismático afirma que se trata de uma operação distinta da regeneração e adicional a ela, que deve ser buscada e recebida pelo crente, sendo geralmente acompanhada pelo sinal de línguas. Eu me sentia muito à vontade com esse ensino.
Em segundo lugar, há o ensino fundamentalista. Ele afirma que o batismo é um acontecimento simultâneo ao recebimento de Cristo, que nunca deve ser repetido nem buscado.
Espero que vocês percebam que essas são duas opiniões divergentes. Talvez, quando terminarmos de estudar esse assunto neste mês, tenhamos uma visão mais equilibrada do que esses dois extremos. Essa é minha esperança, e é o que pesa em meu coração.
Não precisamos ver o que o homem diz. O que precisamos fazer neste mês é ver o que a Palavra de Deus diz. Precisamos examinar as Escrituras. Precisamos ver se essas coisas são assim. Se fizermos isso, cresceremos na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo.
A primeira coisa a respeito do batismo é que ele não é do Espírito Santo. Se vocês forem como eu e tiverem crescido em um ambiente pentecostal, sempre falávamos do batismo do Espírito Santo.
Essa expressão não aparece na Palavra de Deus. É sempre o batismo com o Espírito Santo.
Qual é a diferença? Vocês podem pensar: “Irmão, você está procurando pelo em ovo na teologia”. Bem, nem tenho muito pelo para procurar! Mas pensem assim: o batismo do Espírito Santo pode se tornar uma coisa. O batismo com o Espírito Santo envolve sempre uma Pessoa.
Vocês podem estar com alguém. Acho que transformamos o batismo com o Espírito Santo em uma coisa.
A segunda coisa que confunde muita gente é a questão do batismo e do enchimento do Espírito Santo. Muitas pessoas dizem que o batismo com o Espírito Santo, o enchimento do Espírito Santo e o estar cheio do Espírito Santo são a mesma coisa.
Acho que, se estudarmos a Palavra de Deus, descobriremos não apenas que são duas coisas diferentes, mas também duas ênfases diferentes. É errado usar esses termos como se fossem intercambiáveis.
Isso pisa com muita força em parte da minha antiga teologia. Perguntávamos constantemente às pessoas, independentemente de Cristo ter sido formado nelas ou de terem realmente avançado com o Senhor: “Você recebeu o batismo do Espírito Santo?” Tudo estava bem se esse único elemento estivesse presente.
Mas, quando chegamos ao enchimento do Espírito, começamos a ver que ele é contínuo. Acontece mais de uma vez. Pode acontecer repetidamente.
Há apenas duas ocasiões no livro de Atos em que se emprega a expressão batismo com o Espírito Santo. Primeiro, no Pentecostes, em Atos 2, precedido pelas palavras do Senhor em Atos 1. Foi quando os judeus foram introduzidos no propósito de Deus.
Depois, novamente, a palavra batismo é empregada após Atos 10, em Atos 11, quando Pedro se apresentou em Jerusalém e explicou o que havia acontecido com os gentios na casa de Cornélio.
Esses são os únicos lugares no livro de Atos em que se emprega a expressão batismo com o Espírito Santo. Há uma importância nisso. Há um significado.
Há um versículo em toda a Bíblia que explica isso: 1 Coríntios 12:13.
Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo.
Esse é o batismo com o Espírito Santo. Para explicar de maneira mais sucinta: não é uma experiência individual; é uma experiência corporativa.
Quando cremos no Senhor Jesus, pelo menos duas coisas acontecem conosco. Primeiro, o Espírito Santo passa a habitar em nós. Usando um termo geral que abrange tanto o enchimento quanto o batismo, recebemos o Espírito Santo.
Vocês se lembram de quando o Senhor Jesus estava com Seus discípulos naquele aposento, onde estavam por medo dos judeus. Ele veio até eles, soprou neles e disse:
Recebei o Espírito Santo.
Quando cremos no Senhor Jesus e nascemos do Espírito, a primeira coisa que acontece é que recebemos o Espírito Santo. Ele habita em nós.
Mas há uma segunda coisa maravilhosa: quando cremos no Senhor Jesus e nascemos do Espírito, somos introduzidos no corpo de Cristo. Somos batizados com o Espírito Santo.
Isso é significativo. Aqueles que dizem que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência que precisa esperar até mais tarde estão dizendo que vocês não fazem parte do corpo até o dia em que recebem esse batismo.
Todos nós fomos batizados por um só Espírito em um só corpo.
A importância e o significado do batismo com o Espírito Santo — e a razão de ele ser mencionado apenas duas vezes no livro de Atos — é que ele é o nascimento do corpo e a formação do vaso corporativo.
A razão de acontecer no Pentecostes é que foi quando os judeus foram introduzidos no corpo. Os gentios ainda não haviam sido introduzidos. A razão de acontecer pela segunda vez em Atos 10 é que foi quando os gentios — Cornélio, sua casa e seus amigos — foram introduzidos.
Por isso, 1 Coríntios 12:13 diz: “Judeus e gregos”. O batismo com o Espírito é um acontecimento histórico no qual entramos posteriormente, quando somos salvos.
Quando nascemos do Espírito, recebemos o Espírito. O Espírito Santo vem para dentro de nós e habita em nós. Quando nascemos do Espírito, entramos naquele vaso corporativo. Somos batizados com o Espírito em um só corpo e nos tornamos parte daquele vaso corporativo.
Somente por causa do batismo com o Espírito Santo a vida corporativa é possível.
Agora, o enchimento do Espírito é nosso último assunto. O enchimento do Espírito ocorre sete vezes — o número perfeito — no livro de Atos. Ou se fala do enchimento do Espírito, ou se diz que as pessoas foram cheias do Espírito.
Isso ocorre repetidamente. Pode representar uma experiência individual do Espírito Santo e, às vezes, representa um contexto corporativo. Vocês veem o enchimento do Espírito Santo acontecer no contexto corporativo.
Pode acontecer às mesmas pessoas mais de uma vez, como lemos no livro de Atos. Como isso é possível? É algo distinto e diferente do batismo com o Espírito Santo, e vocês podem entrar nessa experiência agora ou mais tarde.
Talvez isso ajude a esclarecer as coisas. O enchimento do Espírito Santo, na verdade, nos é dado quando nascemos de novo. Agora, é aqui que todos os carismáticos saem correndo. Não façam isso comigo. Apenas me acompanhem por um momento, e talvez compreendam.
Na verdade, ele nos é dado em um pacote completo. Quando vocês compram um carro novo, recebem um pacote. Não estou nos incentivando a apoiar a GM nesta manhã, embora vocês possam ter essa impressão automaticamente.
Quando chegamos ao Senhor Jesus e nascemos de novo, recebemos o Espírito Santo, somos batizados pelo Seu Espírito e, na verdade, temos o enchimento do Espírito naquele momento.
Por que, então, há sete ocasiões ao longo do livro de Atos, se tudo acontece de uma só vez? É aqui que nos complicamos. Embora tudo nos seja dado no Senhor Jesus quando nascemos de novo, talvez não entremos em tudo isso naquele momento.
Talvez não ativemos a atuação do Espírito Santo naquele momento. Algumas pessoas, como Moody, entraram mais tarde em uma experiência do enchimento do Espírito Santo. Finney entrou no enchimento do Espírito quando nasceu de novo. Eu também, quando nasci de novo — não quando nasci, mas quando nasci de novo —, entrei no enchimento do Espírito.
O desejo do coração de Deus é que conheçamos o enchimento do Espírito desde o princípio. Mas, às vezes, por causa de nossa condição, de nossa constituição ou porque estamos cheios de outras coisas, não estamos cheios do Espírito Santo.
Um irmão, o Dr. Erdman, da Filadélfia, explicou a diferença entre o batismo e o enchimento desta maneira simples:
Um só batismo, muitos enchimentos.
Vocês não devem ter apenas um enchimento do Espírito Santo. Aqueles que estavam no Pentecostes estavam orando em Atos 4, e foram cheios do Espírito Santo novamente.
Há muitos enchimentos. Na verdade, Efésios 5:18 diz:
Enchei-vos do Espírito Santo.
Isso significa: “Sede continuamente cheios”, ou: “Continuai sendo cheios do Espírito Santo”.
O batismo com o Espírito Santo é aquilo em que entramos no novo nascimento, quando passamos a fazer parte daquele vaso corporativo e nascemos no corpo de Cristo. O enchimento do Espírito Santo é aquilo que nos é dado no novo nascimento, embora talvez não nos apropriemos dele naquele momento. Podemos ativá-lo mais tarde, à medida que o Senhor opera em nós.
A expressão enchimento do Espírito Santo é completamente diferente da expressão batismo com o Espírito Santo. São duas palavras gregas diferentes. Uma significa enchimento interior, e a outra significa enchimento exterior.
O Espírito Santo nos enche interiormente para que a vida de Cristo esteja em nós. É o enchimento para a vida. Significa encher até o alto, até a borda, encher completamente. Precisamos de vida.
O ensino de Keswick enfatiza a vida que habita em nós. Essa é a primeira palavra grega. Os carismáticos estão sempre enfatizando poder, serviço e expressão exterior. Essa segunda palavra é o enchimento exterior, e é o enchimento para o serviço. É para o exercício de uma função.
Quando chegamos a essa questão do enchimento do Espírito Santo, temos duas coisas: o enchimento interior e o enchimento exterior. Precisamos de ambos, e precisamos ser continuamente cheios, por dentro e por fora.
Há um restaurante na Costa Oeste ao qual fui anos atrás: In-N-Out, “dentro e fora”. Pensei no Espírito Santo. Ótimos hambúrgueres. Acho que eles são cristãos; têm um versículo em todos os copos e nas embalagens de batatas fritas. Se vocês me conhecem, sabem como gosto de batatas fritas; por isso, comi muitas.
Precisamos ser cheios do Espírito Santo interiormente e exteriormente. Não podemos viver essa vida como cristãos sem o enchimento do Espírito Santo. Não podemos servir sem o enchimento do Espírito Santo.
Vocês não acham curioso que, no primeiro problema da igreja em Atos, quando as viúvas helenistas estavam sendo negligenciadas, a solução para servir às mesas tenha sido encontrar homens cheios do Espírito Santo?
Vocês pensariam que qualquer pessoa poderia servir às mesas. Reduzimos o padrão para o serviço a tal ponto que dizemos: “Se você tem um corpo vivo e um pulso, pode servir ao Senhor”.
Mas, desde os primeiros dias no livro de Atos, até aqueles que serviam às mesas eram cheios do Espírito Santo. Que diferença!
Ainda nos perguntamos por que a vida corporativa era tão forte? Essa é a razão. Eles conheciam algo do enchimento interior para a vida e conheciam algo do enchimento exterior para o serviço.
Deixem-me responder apenas a algumas perguntas, e então vou encerrar. Provavelmente já cansei vocês, mas essas perguntas são vitais.
Por que não tenho experimentado o enchimento do Espírito continuamente? Uma razão é que não se pode encher algo que já está cheio. Vocês podem estar cheios de outra coisa.
Creio que nosso irmão Nee e aqueles queridos irmãos na China aprenderam uma grande lição ao verem os excessos relacionados ao Espírito Santo: o Calvário precede o Pentecostes.
Isso não é apenas uma explicação histórica. A cruz precisa realizar uma obra em nós, para que não estejamos cheios de nós mesmos e possamos ser cheios de toda a plenitude do Espírito Santo.
Em segundo lugar, haverá um sinal específico? Ah, eu costumava crer nisso. Embora amasse e respeitasse o querido Stephen, eu discordava completamente de sua explicação.
Quando vocês olham para Atos 2:2, houve uma forte respiração que precedeu o acontecimento. Em Atos 2:4, houve línguas. Em Atos 4:8, quando Pedro confrontou o sumo sacerdote, foi-lhe concedida a capacidade de falar.
Em Atos 4:31, quando foram cheios após a oração corporativa, foi-lhes concedida ousadia. Quando vocês olham para Saulo em Atos 9:17, seus olhos foram abertos: esse foi o sinal.
Quando vocês olham para Atos 13:9, quando Saulo se voltou contra o mágico Barjesus, foi-lhe concedido discernimento. Em Atos 13:52, Paulo e Barnabé foram cheios de alegria.
Aos meus queridos amigos do movimento carismático, embora talvez vocês não me reconheçam como um dos seus, não creio que haja um único sinal. As Escrituras não sustentam essa posição.
Terceira pergunta: isso exige a imposição de mãos? É uma boa pergunta, porque, quando vocês olham para os samaritanos em Atos 8:17, Pedro e João impuseram as mãos sobre eles antes que recebessem o Espírito.
Esse era um caso especial, porque aqueles samaritanos não eram nem judeus nem gentios; eram uma mistura. Em certo sentido, esse é um caso especial de batismo, porque eles não queriam ter nada a ver com os judeus.
O Senhor agiu sobre eles para que houvesse um só corpo, um só vaso corporativo em Cristo. Pedro e João impuseram as mãos sobre eles.
Se olharmos para os discípulos de João em Atos 19, Paulo impôs as mãos sobre eles. Esse era um versículo que eu usava com frequência, porque diz:
Recebestes o Espírito Santo depois que crestes?
Usávamos isso para reforçar nosso argumento de que o Espírito Santo vem depois.
Mas, se vocês lerem com atenção, verão que eram discípulos de João. Eles nem sequer haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Até Apolo havia sido instruído apenas no ensino de João.
Paulo impôs as mãos sobre eles. Mas, se vocês olharem para o Pentecostes, ninguém impôs as mãos sobre eles. Se olharem para Atos 4:31, naquela reunião corporativa, ninguém impôs as mãos sobre eles.
Acho que devemos ter cuidado e levar a sério esta advertência, ao estudarmos neste mês: não transformar em regra algo que as Escrituras não estabelecem como regra.
Nós, que vemos o propósito do Senhor, podemos entrar no enchimento do Espírito Santo sem a ajuda de homem algum. Vocês podem estar em seu quarto, em uma reunião ou em oração, mas Deus pode enchê-los até transbordar com Seu Espírito.
Bem, esse é o assunto que temos no coração para este mês. Espero que vocês o estudem. Espero que reúnam todas as passagens das Escrituras a respeito do Espírito Santo e meditem nelas.
Espero que pensem nisso, mesmo que desafie a experiência de vocês. Espero que considerem que é melhor conhecer o que a Palavra diz do que fazer o que o homem diz.
Graças a Deus, toda a provisão foi feita para que Cristo esteja em nós pelo Espírito Santo. Podemos receber o Espírito Santo. Somos batizados com o Espírito nesse vaso corporativo.
Somos cheios do Espírito para que possamos viver essa vida dentro do corpo e servir com a plenitude do Espírito. É isso que creio ser o ponto central a respeito do Espírito Santo na vida corporativa.
Há um pequeno poema:
Pai, por este bendito enchimento,
Habita Tu mesmo em nós, nós Te pedimos.Nós estamos esperando;
Tu estás operando.
Nós estamos esperando;
Tu estás operando.Enche-nos
De Ti mesmo.
Senhor, quero pedir-Te que nos ensines neste mês a respeito do Espírito Santo. Ensina-nos os Teus caminhos, Senhor. Mostra-nos o Teu propósito.
Conduze-nos a tudo o que foi provido em Cristo Jesus. Enche-nos com o Teu Espírito, para que possamos viver juntos como aquele vaso corporativo que, por fim, será a noiva de Cristo.
Queremos dizer, com o Espírito de Deus, naquela última menção ao Espírito Santo:
O Espírito e a noiva dizem: Vem.
Pois pedimos isso no precioso nome de Jesus. Amém.