Por favor, abram em 1 Tessalonicenses 5.
Vamos ler 1 Tessalonicenses 5:23-24.
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente;
e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
Fiel é O que vos chama, O Qual também o fará.
Agora, por favor, abram no livro de Hebreus 4:12-13.
Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes;
e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas;
e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
E não há criatura alguma encoberta diante Dele;
antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos Daquele com Quem temos de tratar.
Querido Senhor, ao nos reunirmos em Tua presença, oramos e Te agradecemos por estares conosco.
Abrimos o nosso coração hoje. Fala a cada um de nós. Oramos e Te agradecemos porque Tu nos conheces tão bem.
E é Teu desejo conduzir-nos a tudo o que predestinaste para nós. Que o Teu Espírito trabalhe hoje. Conduze-nos à Tua verdade, e que a Tua verdade nos liberte.
Damos a Ti todo o louvor e toda a glória. Em nome de nosso Senhor Jesus, oramos. Amém.
Desta vez, queremos compartilhar juntos sobre essa questão do exercício espiritual.
Por que queremos falar sobre esse assunto? Por que o exercício espiritual é tão necessário e importante para a nossa vida espiritual?
Uma das principais razões é esta: essa é a vontade eterna de Deus para cada um dos Seus remidos.
Tudo o que está relacionado ao propósito eterno de Deus vale a pena. Tudo o que está fora do propósito eterno de Deus para nós é vaidade.
Vocês se lembram de Romanos 8:29. Está escrito:
Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho;
a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Graças a Deus porque Ele nos chamou, e o Seu chamamento é segundo o Seu propósito. Seu propósito é nada menos do que sermos conformados à imagem de Seu Filho amado — sermos semelhantes a Ele, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
Então, em outras palavras, o propósito de Deus para cada um dos Seus remidos é que sejamos semelhantes a Cristo. E isso não se refere à aparência exterior. Refere-se à Sua imagem, isto é, ao Seu caráter.
Por essa razão, Ele nos deu Sua própria vida. O propósito dessa vida é que sejamos transformados e conformados à imagem de Cristo Jesus.
Essa é a vontade de Deus para cada um de nós. Graças a Deus, fomos remidos. Graças a Deus, temos Sua vida em nós.
Para que essa vida seja realmente conformada à imagem do Filho amado de Deus, Ele fez toda a provisão necessária. Mas, da nossa parte, há a necessidade de exercício espiritual.
Em outras palavras, essa vida dentro de nós precisa ser exercitada.
Mencionamos ontem que exercitar-se não é apenas estar ativo. Nossa vida espiritual precisa ser exercitada, mas esse exercício deve ser segundo o Espírito Santo. O Espírito Santo nos guia e nos dirige.
Mencionamos ontem que o primeiro exercício espiritual é a consagração. Por que a consagração é tão importante no exercício espiritual?
Não é apenas porque a consagração é o primeiro exercício espiritual. Ela também é o fundamento de todos os exercícios espirituais.
Se alguém não se consagrou, sua vida espiritual ainda não cresceu. Não podemos avançar para nenhum outro exercício espiritual. Todos os exercícios espirituais se fundamentam na consagração.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, é muito importante que cada um de nós entre pela porta da consagração.
Como fomos constrangidos pelo amor de Deus, não há outro caminho senão nos consagrarmos a Ele.
Agora, depois de nos consagrarmos a Ele, há um caminho de consagração que precisamos percorrer. O Espírito Santo nos guiará e nos conduzirá ao exercício espiritual. Ele tornará real a nossa consagração, para que entremos em uma vida consagrada.
E é isso que Deus deseja.
Agora, nesta tarde, gostaríamos de passar à próxima lição, ao próximo exercício espiritual. Trata-se da divisão entre espírito e alma.
Creio, irmãos e irmãs, que todos nós conhecemos a constituição do ser humano. Embora existam diferentes escolas teológicas, queremos simplificar a questão. Vamos apenas ao que diz a Palavra de Deus.
Segundo a Palavra de Deus, se vocês lerem 1 Tessalonicenses 5:23, encontrarão estas palavras:
E o próprio Deus de paz vos santifique inteiramente.
Que todo o seu ser — espírito, alma e corpo — seja santificado.
Assim, irmãos e irmãs, vemos aqui que a Palavra diz que todo o nosso ser é composto de três partes: espírito, alma e corpo. O espírito, a alma e o corpo constituem o ser humano completo.
Essas três partes podem ser distinguidas, mas não podem ser separadas, porque as três constituem um único ser. Quando falamos das três partes do ser humano, não estamos falando de três seres. Estamos falando de um único ser com essas três partes.
Nosso espírito nos dá consciência de Deus. Como Deus é Espírito, para nos comunicarmos com Deus, precisamos usar o nosso espírito.
Vocês se lembram de que, muitos anos atrás, os astronautas russos foram ao espaço e disseram: “Olhamos ao redor e não vimos Deus algum”. Isso é uma tolice, porque Deus é Espírito. Como vocês podem ver um espírito a olho nu? Se querem entrar em contato com Deus, precisam usar o seu espírito.
E nossa alma nos dá consciência de nós mesmos. Sei que existo porque sou uma alma. Ela nos dá consciência de nós mesmos.
E nosso corpo nos dá consciência do mundo. Como conheço o mundo ao meu redor? Por meio dos cinco sentidos do meu corpo.
Todos nós conhecemos este corpo porque ele é visível. É feito de matéria; é físico. Portanto, não temos dificuldade com o corpo. Mas, às vezes, temos dificuldade com o espírito e a alma, porque são imateriais. São espirituais.
Por isso, às vezes podemos ter alguma dificuldade. Conhecemos nosso espírito e nossa alma por suas funções.
As funções da nossa alma são principalmente três:
Essas são as três principais funções da nossa alma. Sei que existo porque sinto, porque penso e porque quero.
Cada pessoa é diferente, porque a maneira como você sente é diferente da maneira como eu sinto. A maneira como você pensa é diferente da maneira como eu penso. E a sua maneira de querer é diferente da minha. É isso que nos torna indivíduos.
Deus ama a variedade. Por isso, ninguém é igual a outra pessoa. Não apenas fisicamente — até no caso de gêmeos, os pais sabem a diferença. O mesmo acontece com a nossa alma. Cada alma é um indivíduo. Todos nós temos nossa individualidade.
Mas também temos o nosso espírito. Como sabemos que temos um espírito?
Vocês sabem, depois da queda do homem, o entendimento comum é que somos alma e corpo. O espírito parece desaparecer.
Quando eu era jovem, havia uma senhora americana que morava com a nossa família. Ela era missionária. Veio à China durante a dinastia Qing e levou meu pai ao Senhor.
Depois de se aposentar, ela se recusou a voltar para os Estados Unidos. Queria ficar na China, então ficou conosco. Nós a chamávamos de vovó.
Sempre que ficava exasperada, ela exclamava: “Ah, minha alma e meu corpo!” Vocês sabem, essa é uma expressão americana. Onde está o espírito?
Assim, as pessoas deste mundo não sabem que têm um espírito. Por que isso acontece? Porque, quando Deus criou o homem, Ele o criou com espírito, alma e corpo.
Vocês se lembram de que Deus usou a terra vermelha para formar um corpo. Os elementos do nosso corpo são os mesmos da terra vermelha: viemos do pó e voltamos ao pó. Mas o corpo nos dá consciência do mundo.
Então, vocês se lembram de que Deus soprou Seu fôlego nas narinas do homem. Esse fôlego de Deus é aquilo que procede Dele no âmbito da vida natural. Quando entrou nesse corpo, tornou-se o espírito do homem.
Deus criou o homem segundo Sua imagem. Isso é o mais maravilhoso. Deus nunca havia criado coisa alguma segundo Sua imagem, exceto o homem. Somente o homem Deus criou segundo Sua própria imagem, porque Deus tem um propósito por trás disso.
Deus é Espírito, e Ele soprou Seu fôlego no homem. Esse fôlego tornou-se o espírito do homem, e, com esse espírito, o homem pode comunicar-se com Deus, Que é Espírito.
Quando o espírito entrou em contato com o corpo, houve uma reação. Por isso, a Bíblia diz que o homem se tornou alma vivente. Essa é a maravilha da nossa criação.
Então Deus colocou o homem no jardim do Éden. No jardim, Deus plantou todo tipo de árvore frutífera.
No centro do jardim, Ele plantou a árvore da vida. Ao lado dela, colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Havia três tipos de árvores. Havia alimento para o corpo. A árvore do conhecimento do bem e do mal era alimento para a alma. A árvore da vida era alimento para o espírito.
Mas Deus ordenou ao homem, dizendo:
De todas as árvores do jardim podes comer livremente;
exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Por que isso? Porque o propósito de Deus é que nosso espírito cresça. Não é propósito de Deus que apenas nossa alma cresça. Se a alma cresce sozinha, sem o espírito, então algo acontece.
O propósito de Deus é que o homem coma da árvore da vida, porque esse é o alimento do seu espírito. Se ele comer da árvore da vida, receberá a vida divina em seu espírito.
Com essa vida em seu espírito, ele pode ser conformado à imagem do Filho amado de Deus. Essa árvore foi colocada no centro do jardim, como se Deus estivesse sugerindo: “Você deve comer dela”.
A outra árvore era a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus disse:
Se comeres dela, morrerás.
E, infelizmente, nosso antepassado escolheu o fruto errado. Ele foi tentado pelo tentador.
O tentador disse: “Se você comer dessa árvore do conhecimento do bem e do mal, será como Deus. Não precisará mais de Deus. Poderá viver sua vida independente. Saberá o que é bom e o que é mau”.
Mas ele não lhe disse que você pode conhecer o bem e, ainda assim, praticar o mal. E, por causa disso, você é condenado.
O homem queria ser independente de Deus. E ali estava a árvore do conhecimento do bem e do mal. No dia em que o homem comesse daquele fruto, Deus havia dito:
Morrerás.
Adão morreu? A partir daquele dia, ele ainda viveu centenas de anos. Seu corpo continuou vivo por centenas de anos.
E quanto à sua alma? Ele teve muitos filhos e muitas filhas. Sua alma era muito ativa.
Seu espírito morreu naquele dia. Agora, o que isso significa? A morte não significa que você deixa de existir.
Cientificamente falando, a morte é a cessação da comunicação com o ambiente que lhe é próprio. O que significa a morte do nosso corpo? É quando deixamos de nos comunicar com o mundo. Essa é a morte do corpo.
O que é a morte do espírito? Não significa que o espírito, como órgão, deixe de existir. Significa que ele perdeu a comunicação com o ambiente que lhe é próprio, que é Deus.
Deus é o ambiente próprio do espírito. Portanto, quando o homem pecou, o espírito ficou morto para Deus, mas o espírito, como órgão, ainda estava ali.
Como sabemos disso? Você não consegue se comunicar com Deus, mas consegue se comunicar com espíritos malignos. Isso prova que o órgão ainda estava ali, mas estava morto para Deus.
E essa é a razão pela qual as pessoas deste mundo conhecem apenas alma e corpo: seu espírito está morto para Deus.
Mas, irmãos e irmãs, graças a Deus, temos o novo nascimento. Nascemos do alto.
O que significa nascer do alto? Em João 3:6, lemos:
O que é nascido do Espírito é espírito.
A primeira palavra, “Espírito”, é o Espírito de Deus — o Espírito Santo. A segunda, “espírito”, é o espírito humano.
Em outras palavras, quando cremos no Senhor Jesus, o Espírito Santo entra em nós e regenera nosso espírito morto. Nosso espírito se torna um novo espírito, e o Espírito Santo vem habitar nele.
Essa é a razão pela qual, quando você crê no Senhor Jesus, o primeiro sinal é levantar os olhos e clamar: “Aba, Pai”.
Seu espírito nasceu de novo.
Portanto, irmãos e irmãs, o propósito de Deus é que nosso espírito ocupe o lugar mais elevado em nossa vida, porque é ele que se comunica com Deus.
Nossa alma ocupa o lugar central, porque representa o “eu”. E nosso corpo ocupa o lugar mais baixo.
Nosso querido irmão Watchman Nee usou este exemplo. Ele disse que nosso espírito é como o senhor, nossa alma é o mordomo e nosso corpo é o servo.
Nosso espírito está em contato com Deus, Que é Espírito, e dá ordens à nossa alma. Nossa alma é como um mordomo e manda nosso corpo executar essas ordens.
Essa, portanto, é a ordem divina de espírito, alma e corpo.
O exercício espiritual acontece em nosso espírito, mas também afeta todo o nosso ser.
Agora, permitam-me lembrá-los: quando nascemos de novo, é nosso espírito que nasce de novo. Nosso espírito é salvo.
Muitas vezes perguntamos: “Você é salvo?” Mas o que queremos dizer? Se vocês olharem para mim exteriormente, ainda sou aquele velho “eu”. Não mudei — talvez apenas superficialmente.
Porque, quando você crê no Senhor, seu rosto comprido se torna um rosto redondo. Mas isso é muito superficial. Ainda é seu velho corpo.
E quanto à sua alma? Sua alma é salva? Bem, você dirá: talvez um pouco. Por quê? Porque o que é arrependimento? Arrependimento é uma mudança de mente, e a mente pertence à nossa alma.
Assim, com o arrependimento, parece que sua alma mudou. Mas, novamente, essa mudança é muito superficial.
A rigor, o que foi salvo foi seu espírito.
Por isso, a Bíblia diz que fomos salvos, estamos sendo salvos e seremos salvos. A salvação do nosso espírito ocorreu no momento do nosso novo nascimento.
Agora há a salvação da nossa alma. Se vocês lerem 1 Pedro 1:9, encontrarão esta expressão:
Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
A salvação da alma é um processo que está acontecendo hoje. Depois que nosso espírito foi salvo, começamos o processo de salvação da alma.
E quanto ao corpo? Se vocês abrirem em Romanos 8:23, encontrarão:
E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito;
também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.
Este nosso corpo será salvo na ressurreição. Isso é algo futuro.
Esses três estão juntos. Todo o nosso ser — espírito, alma e corpo — será salvo. Esses são fundamentos.
Estamos falando sobre exercício espiritual. No exercício espiritual, a próxima lição depois da consagração é a divisão entre alma e espírito.
Para um incrédulo, não existe essa experiência, porque ele vive como alma e corpo. Mas, para os que creem, depois que são salvos, o Espírito Santo começa a trabalhar.
Agora, deixem-me acrescentar algo. Para um crente que não se consagrou, essa questão da divisão entre alma e espírito não acontece.
Ou talvez eu possa dizer de outra maneira: se você tem uma ideia equivocada da consagração, então a divisão entre alma e espírito não será sua experiência.
Por que digo isso? O que é consagração? O que você consagra? O que acontecerá depois que você se consagrar?
Dissemos, como em Romanos 12:1:
Apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo.
Você se entregou ao Senhor. Para quê?
Antes, você servia ao mundo. Agora, consagra-se para servir a Deus.
Por isso, frequentemente ouvimos as pessoas dizerem: “Se você tem talento para a música, deve servir a Deus com sua música. Se tem talento como executivo, deve ser presbítero na igreja. Você deve servir a Deus com seu próprio talento”.
Agora, o que vocês querem dizer com isso? Que você deve servir a Deus com sua alma. Deve servir a Deus com sua emoção, com sua mente e com sua vontade natural.
Aquilo que você era antes, usava para si mesmo. Agora usa para Deus.
Irmãos e irmãs, posso lhes fazer uma pergunta? Vocês estão servindo a Deus com a alma ou com o espírito?
Deus é Espírito. Se você quer adorar, precisa adorar em espírito. Pode adorar a Deus com sua alma ou com seu corpo? Não, não pode.
É por isso que encontramos muitas pessoas que podem dizer: “Senhor, expulsei demônios em Teu nome. Senhor, preguei o evangelho. Senhor, até entreguei meu corpo para ser queimado”. Mas o Senhor diz:
Não vos conheço.
Como isso é triste. No cristianismo de hoje, mesmo nessa questão da consagração, pode haver um eu consagrado.
Vocês se lembram da história da senhora Penn-Lewis? Ela foi muito usada por Deus. Buscava a Deus para receber poder. Entregou-se totalmente a Deus.
Mas, certo dia, quando buscava poder do alto, ela já estava sendo usada por Deus. Já havia levado muitas pessoas ao Senhor. Mas não estava satisfeita, por isso buscava intensamente o poder do alto.
Deus lhe disse: “Você está consagrada?” Ela respondeu: “Sim, eu me consagrei”. Mas Deus disse: “É o eu consagrado. Ainda é o seu próprio eu”.
“Você está usando sua energia. Está usando sua sabedoria. Está usando sua maneira de fazer as coisas. Está Me servindo. Parece estar consagrada a Mim, mas tudo é o eu.”
“Você precisa ir à cruz. A menos que a cruz opere, não há verdadeira consagração.”
E a senhora Penn-Lewis foi muito usada por Deus. Portanto, irmãos e irmãs, há a necessidade da divisão entre alma e espírito.
Agora estou falando a vocês, queridos irmãos e irmãs, que conhecem o significado da consagração. Vocês não estão tentando se consagrar e servir a Deus por si mesmos, para fazer algo para Deus.
Em vez disso, vocês se consagram para que Deus faça tudo em vocês.
Se esse é o seu entendimento, lembre-se da sua experiência passada. Quando você foi salvo, quando estava no primeiro amor por Deus, parecia estar totalmente obediente e rendido a Deus.
Parecia que você era uma pessoa transformada. Não havia nada que Deus lhe pedisse que você não estivesse disposto a entregar a Ele. Então começou a sentir que agora era uma pessoa transformada.
Mas, gradualmente, quando seu primeiro amor começou a esfriar, você começou a perceber que seus velhos hábitos, seus velhos pensamentos e sua própria maneira de agir estavam voltando.
Você começa a se perguntar se realmente é salvo. Se é salvo, deveria estar transformado. Mas parece que a mudança dura apenas um breve período.
Então, você é salvo? Deixe-me explicar.
Quem habita em seu espírito? Cristo habita em seu espírito. Como diz Colossenses 1:27:
Cristo em vós, esperança da glória.
Quando cremos no Senhor Jesus, temos Cristo. Temos o Espírito Santo habitando em nós. Mas onde Ele habita? Em nosso espírito.
Quem habita em nossa alma? Cristo ainda não habita ali. É o seu velho eu que está ali.
Porque, quando você é salvo, trata-se da salvação do seu espírito; não da salvação da alma. Seu eu — aquilo que você chama de “eu”, de “mim” — ainda é a vida da sua alma.
Então você começa a perceber que há uma dualidade em você, porque dentro de você existem duas vidas. Em seu espírito vive Cristo. Em sua alma vive o “eu”.
No primeiro amor, o “eu” parece se aquietar, de modo que tudo é Cristo. Mas, quando seu amor começa a esfriar, você percebe que a velha alma levanta a cabeça.
Vocês se lembram de que Martinho Lutero disse: “Não tenho medo do papa e de todos os cardeais fora de mim, mas tenho medo do papa dentro de mim”.
E seu companheiro, Filipe Melanchthon, disse: “O pequeno Filipe não é páreo para o grande Adão dentro de mim”.
Você começa a perceber que, embora seja salvo, seus velhos hábitos começam a assumir o controle. Seus velhos pensamentos, sua velha maneira de viver, até suas próprias ideias e opiniões começam a governar sua vida.
O Espírito Santo está alertando você. Ele é santo. Por isso, sempre que aquilo que é velho volta, o Espírito Santo toca você. Ele toca sua consciência.
E você percebe que há conflito. A alma e o espírito lutam um contra o outro. A alma combate o espírito.
Dentro de você, você sabe o que é certo. Sabe o que é santo. Mas não consegue fazê-lo, porque a vida da sua alma é muito forte. Você luta e luta.
Agora, pergunto-me se essa é a sua experiência. Se você é uma pessoa verdadeiramente consagrada, eu diria que isso deve começar no primeiro ano depois da sua salvação.
Você descobrirá que há uma guerra civil dentro de você. O espírito e a alma estão lutando um contra o outro. A vida de Cristo e a minha vida estão em conflito.
Você percebe que seu espírito, na maior parte do tempo, é fraco, porque a vida de Cristo em você é jovem, mas a vida do eu em você é forte, porque Adão é muito velho.
Você não consegue fazer o que quer fazer. Faz aquilo que não quer fazer.
E não apenas isso; há outro problema. Agora você é salvo. Em seu espírito, quer agradar a Deus. Mas, de alguma maneira, percebe que é difícil saber qual é a vontade de Deus.
Será que é minha própria vontade? Posso fazer isso? Se eu fizer isso, farei a partir de Cristo ou de mim mesmo? Você tem esse tipo de experiência? Isso pode deixá-lo muito nervoso.
Costumo dizer que cristãos nervosos são bons cristãos. Se você não fica nervoso, tome cuidado.
Você não sabe a diferença entre alma e espírito, e o resultado será que a maior parte do que faz procede da alma.
Assim, você percebe que, no exercício espiritual, a próxima lição é começar a reconhecer, gradualmente, que existem duas vidas dentro de você e que elas estão em conflito. Você é fraco.
Mas não apenas isso: você percebe que, muitas vezes, é muito difícil discernir o que é do espírito e o que é da alma — o que é de Cristo e o que é de mim.
Por que isso acontece? Porque as faculdades da alma funcionam de maneira muito semelhante às faculdades do espírito.
A consciência está em seu espírito. O Espírito Santo toca sua consciência, e você sente isso. Agora, em sua alma há uma faculdade chamada sentimento.
Portanto, tudo envolve sentir. É muito difícil distinguir se é a percepção da consciência ou os sentimentos da sua alma. E a alma tem a capacidade de imitar.
Por isso, você fica muito confuso.
O mesmo acontece com a intuição. Dizemos que o espírito tem a faculdade da intuição.
Em outras palavras, o conhecimento em nosso espírito é direto. Não é algo que você recebe como informação vinda de fora. O Espírito Santo o instrui diretamente. Portanto, é um conhecimento direto.
Já o nosso pensamento é algo indireto. Você recebe informações, analisa-as e chega a uma conclusão. Mas, muitas vezes, essas coisas se misturam.
O mesmo acontece com a adoração e a nossa vontade. Em Colossenses 2:23, encontramos a expressão “culto de si mesmo”, uma adoração que procede da própria vontade. Assim, você não sabe se sua adoração está na vontade ou no espírito.
Quando você está nessa condição espiritual, o que faz? Tenta analisar a si mesmo. Tenta perguntar: “Isso é do espírito? É de Cristo? É de mim mesmo?”
Mas, irmãos e irmãs, a autoanálise é uma atividade da alma. Por isso, não ajuda. Quanto mais você tenta fazer isso, mais fica espiritualmente paralisado.
É por isso que, quando você acaba de ser salvo, é muito fácil compartilhar o evangelho com as pessoas.
Mas, quando isso acontece, você se pergunta: “Estou falando no espírito ou na alma? Não quero falar na alma. Quero falar no espírito”. Então começa a analisar e fica paralisado.
Gosto muito daquela história. Havia uma centopeia. Uma centopeia tem cem pés e se move muito depressa.
Certo dia, a centopeia disse a si mesma: “Qual dos meus cem pés será que se move primeiro?” Ficou ali, pensando em qual pé se movia primeiro, e não conseguia se mover. Desistiu.
Vocês sabem, essa é a nossa experiência espiritual. Ficamos paralisados.
O espírito e a alma precisam ser divididos. Se não forem divididos, nunca poderemos crescer espiritualmente.
Mas como podem ser divididos? A Bíblia nos mostra o caminho. Graças a Deus por Sua Palavra.
Isso está em Hebreus 4. Por favor, abram em Hebreus 4:12.
Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes;
e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas;
e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
Que o Senhor abra nossos olhos interiores, capacitando-nos a ver essa imagem. Vocês sabem, esse versículo nos apresenta uma imagem.
Qual é a imagem? É a de um sacrifício.
Agora, quem é o sacrifício? O que você faz consigo mesmo? Não faz nada. Algum sacrifício amarrado sobre o altar tenta ficar se movendo? Não. O sacrifício está ali, morto sobre o altar.
Então vem um sacerdote. Um sacerdote é um açougueiro treinado. Se vocês me pedirem para matar uma galinha, será uma confusão. Mas o sacerdote é treinado e sabe como cortar corretamente.
Ele usa uma espada afiada de dois gumes. Penetra e divide. Divide a alma e o espírito; divide o osso e a medula.
Aqui encontramos três coisas: a alma, o espírito e o osso com a medula, que representam o corpo. Mas aqui ele não está apenas tentando nos dizer que somos constituídos de três partes.
Ele está usando uma relação existente no corpo para falar da relação entre a alma e o espírito.
Temos os ossos, que são a estrutura do corpo. Mas dentro dos ossos há medula. A medula está dentro do osso. Não pode ser vista.
Mas a medula é aquilo que dá vida, porque produz glóbulos vermelhos. O osso é apenas uma estrutura exterior. O importante é a medula.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, nossa alma está no corpo, e nosso espírito está na alma. A alma é como o osso, e o espírito é a medula.
Assim, é necessário penetrar e depois dividir. Então a medula será vista. Essa é uma ilustração da divisão entre nosso espírito e nossa alma.
O caminho de Deus é usar Sua Palavra, porque a Palavra de Deus é o sopro de Deus. Ela é viva e eficaz.
Quando a Palavra de Deus é colocada no papel, torna-se letra.
A letra mata, mas o Espírito vivifica.
Por isso, quando lemos a Bíblia, podemos entender o que ela significa, mas parece que ela não opera.
Por exemplo, nosso velho Adão foi crucificado com Cristo. Estou crucificado? Mas eu digo: “Não”, porque estou muito vivo.
A Palavra de Deus é viva e eficaz. É como uma espada afiada de dois gumes. Ela penetrará; ela dividirá.
Como isso acontece? Depende de quem a está usando. Se eu estiver usando a Palavra de Deus, farei uma confusão com os cortes.
Vocês sabem, muitas pessoas usam a Palavra de Deus para cortar as outras e fazem uma confusão. Ah, não. Nós não sabemos usar a Palavra de Deus. Não fomos treinados.
É o Espírito Santo. O Espírito Santo toma a Palavra de Deus em Suas mãos.
E, quando Ele nos revela a Palavra de Deus, ela penetra. Então você percebe que todos os pensamentos e intenções do seu coração são expostos. Suas intenções e sua vontade ficam inteiramente expostas.
Porque tudo está nu diante dos olhos de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, qual é a nossa experiência? Se você fica lutando e tentando, fracassa.
Mas, se permanece ali quieto, permitindo que o Espírito Santo vivifique a Palavra de Deus em seu coração, então perceberá que ela opera.
Então você pode ver que a alma e o espírito são divididos. E não apenas são divididos: isso também lhe dá poder para vencer.
Portanto, irmãos e irmãs, precisamos descansar em Cristo, permitindo que o Espírito Santo trabalhe em nossa vida.
Como sacrifício vivo, você diz ao Senhor: “Não estou lutando. Não estou tentando. Estou deitado aqui, esperando que o Teu Espírito Santo use a Palavra viva para dividir a alma e o espírito”.
Em outras palavras, você não precisa ficar paralisado. Não precisa analisar a si mesmo. Apenas coloque-se no Senhor, e Ele fará a obra.
Esse é o caminho da divisão entre alma e espírito.
Esse é um exercício espiritual que precisamos praticar. Vocês podem perceber com muita facilidade que isso é algo diário.
Sempre que o Espírito de Deus, usando a Palavra de Deus, penetra e divide, você, por estar consagrado, cede e se rende para fazer a vontade de Deus.
Como diz o Salmo 131:2, é como uma criança desmamada descansando junto à sua mãe.
Essa é a nossa situação. Que o Senhor nos ajude.
Vamos orar?
Querido Senhor, colocamos estas poucas palavras em Tuas mãos. Se elas vêm do Senhor, usa-as para nos conduzir a esse exercício espiritual.
Tira-nos da nossa própria luta e leva-nos a confiar em Tua obra.