Por favor, abram em 2 Timóteo 1:8-14. Vamos ler os versículos de 8 a 14.
Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, Seu prisioneiro; mas participa das aflições do evangelho, segundo o poder de Deus;
Que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu próprio propósito e graça, que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos;
Mas que agora foi manifestada pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, Que aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorruptibilidade pelo evangelho;
Para o qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre.
Por essa causa também padeço estas coisas; contudo, não me envergonho, porque sei em Quem tenho crido e estou persuadido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até aquele dia.
Conserva o modelo das sãs palavras que de mim ouviste, na fé e no amor que há em Cristo Jesus.
Guarda o bom depósito que te foi confiado, pelo Espírito Santo que habita em nós.
Por favor, abram agora no livro de Atos 2:42.
E perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
E, por fim, no livro de Apocalipse 3:12-13. Vamos ler os versículos 12 e 13.
Ao que vencer, Eu o farei coluna no templo do Meu Deus, e de lá nunca mais sairá; e escreverei sobre ele o nome do Meu Deus, e o nome da cidade do Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do Meu Deus, e o Meu novo nome.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, ao nos reunirmos nesta manhã, nosso coração está cheio de gratidão, porque Tu és tão bom e bondoso para conosco. Foste Tu Quem começou esta conferência, e cremos verdadeiramente que és Tu Quem a encerrará.
Pedimos que, nesta última sessão de ministração, tudo o que ainda estiver incompleto seja completado pelo Teu Espírito. Oramos para que o Teu Espírito conduza a Tua Palavra a cada um de nós, segundo a Tua sabedoria, para que a Tua vontade se cumpra em todos nós.
E desejamos dar-Te toda a glória. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
Queridos irmãos e irmãs, somos realmente gratos ao nosso Deus, porque cremos que Ele começou esta conferência e também cremos que Ele a encerrará.
Sinto profundamente em meu coração que Lhe agrada encerrar esta conferência com a mesa do Senhor, porque a mesa do Senhor expressa, de maneira concreta, tudo o que compartilhamos em comunhão a respeito daquilo que Deus confiou à igreja.
Tudo isso está representado na mesa. Aqui vemos que nosso Senhor Jesus derramou Seu sangue por nós. Aqui vemos como Ele nos deu Seu corpo. Em outras palavras, vemos como Ele deu a Si mesmo — tudo o que Ele é — à Sua igreja.
Ele não reteve coisa alguma de nós. Ele Se derramou completamente por nós, para que pudéssemos ter comunhão com Ele, para que pudéssemos ter vida, e vida em abundância.
É somente com base nessa vida de Cristo que podemos dar esse testemunho. Estamos aqui para anunciar a morte de nosso Senhor. Estamos aqui para apresentar, não apenas ao mundo visível, mas também ao mundo invisível, o que Cristo significa para nós.
Estamos aqui para declarar a vitória de Cristo, e estamos aqui para aguardar Seu retorno. Sua glória encherá a terra como as águas cobrem o mar.
Esse é o nosso testemunho. É daí que vem o poder para dar testemunho. Não vem de nós mesmos; vem Daquele Que Se entregou a nós.
Por isso, realmente sinto que essa é a maneira certa de encerrar e também de começar os dias que temos pela frente. Temos compartilhado em comunhão sobre essa questão daquilo que Deus confiou à igreja.
Isso não é pouca coisa. Não é algo que possamos negligenciar. É algo que todo remido do Senhor precisa conhecer — e não apenas conhecer, mas também vivenciar.
Aquilo que Deus confiou à igreja é nada menos que o testemunho de Jesus.
Ele quer que vejamos Cristo como Ele O vê. Cristo é o Primeiro e o Último. Em outras palavras, Ele é tudo. Isso não é uma teoria; é uma verdade. É uma experiência. É a vontade de Deus que nós, que somos salvos, vejamos Jesus como o Primeiro e o Último de nossa vida.
Esse é o nosso testemunho ao mundo. Estamos aqui para testificar que Ele é Aquele Que vive, porque Ele vive em nós. Sua vida é uma vida vencedora. Sua vida é uma vida de amor. Irmãos e irmãs, esse é o testemunho que todos nós damos.
Graças a Deus, nosso Senhor Jesus morreu por nós. Ele entrou na morte para despojá-la de seu poder. Ele é a ressurreição e a vida, e quer que conheçamos o poder de Sua ressurreição em nosso andar diário, para que possamos manifestar o poder de Sua ressurreição.
Ele vive para todo o sempre. Ele vive em nós para manifestar Sua vida eterna. Ele tem em Sua mão as chaves da morte e do Hades.
Nós, os crentes, podemos adormecer, mas nunca morremos, porque Deus já tirou, em Cristo, o poder da morte. O Senhor Jesus disse, em Mateus 16:18:
Edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
E esse é o testemunho da igreja. Isso é o que Deus nos confiou. Não é admirável que Deus nos tenha confiado Seu Filho amado? Ele nos confiou as boas-novas.
Nosso irmão já nos explicou o que são essas boas-novas. São as boas-novas da vida que vence a morte. Elas nos falam de nosso Senhor Jesus: de que Ele é Aquele Que vive e vive para todo o sempre.
Aquilo que Deus nos confiou também pode ser chamado de todo o conselho de Deus. Todo o conselho de Deus, registrado na Palavra, nos foi confiado. Não devemos conhecer apenas o início do evangelho. Precisamos conhecer a sabedoria de Deus em mistério — aquilo que Ele propôs para nós em Cristo Jesus antes mesmo da fundação do mundo.
Esse é o depósito que Deus confiou à igreja.
Muitas vezes, percebemos que somos muito individualistas. É verdade que somos indivíduos, e não é a vontade de Deus que imitemos outras pessoas. Deus quer que imitemos somente Cristo.
Deus ama a diversidade. Você e todas as outras pessoas são diferentes. Mas, irmãos e irmãs, apesar de todas as nossas diferenças, Ele nos uniu como um só em Cristo Jesus.
Nosso Senhor Jesus é a plenitude da Divindade. Tudo o que vocês possam pensar a respeito de Deus — Seu amor, Sua justiça, Sua glória, Sua onipotência e Sua sabedoria — está além de nossa compreensão. Contudo, nosso Senhor Jesus é a plenitude da Divindade.
E essa plenitude deve encher o corpo. Nenhuma pessoa, sozinha, pode conter todas as riquezas de Cristo. Nenhuma pessoa, sozinha, pode manifestar a glória de Cristo. É necessário um corpo, um conjunto de pessoas.
É uma nova criação, uma nova humanidade. Aqueles que são remidos pelo Senhor tornam-se membros do corpo de Cristo, e a esse corpo é confiado o testemunho de Jesus.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, já compartilhamos em comunhão sobre a importância de termos a visão do que é a igreja, porque essa é a vontade de Deus. Esse é o único vaso que pode conter esse tesouro — não apenas conter o tesouro, mas também manifestar e expressar a luz desse tesouro.
A igreja é um candelabro. Ela é feita de ouro. Quando vocês leem o Antigo Testamento, quando Deus ordenou a Moisés que construísse o tabernáculo, havia apenas duas peças de mobiliário que eram de ouro puro — nada além de ouro.
Uma era o propiciatório, no Santo dos Santos, e sabemos que nosso Senhor Jesus é o propiciatório. Havia também outra peça de mobiliário que era de ouro: o candelabro.
Pensaríamos que a igreja é composta de todos nós e, no que diz respeito a nós mesmos, somos madeira. Contudo, vemos que naquele candelabro há somente ouro.
Agora, o que é a igreja? Dizemos que a igreja é a reunião dos salvos. Provavelmente pensamos que essa é a definição correta. Mas, quando todos os salvos se reúnem, pensamos que será um paraíso; contudo, descobrimos que é como um inferno.
Embora sejamos salvos e tenhamos Cristo em nós, nossa própria natureza e nosso próprio eu são muito fortes. Muitas vezes pensamos que nosso irmão ou nossa irmã tem um eu muito forte, sem perceber que o nosso é igualmente forte. Quando estamos juntos, entramos em choque uns com os outros.
Essa é a razão pela qual nos tornamos igreja no domingo de manhã, por uma hora. Reunimo-nos, temos algumas pessoas para nos entreter e, depois de uma hora, vamos embora. Quanto menos contato temos, melhor ficamos.
Não somos um só corpo. Não estamos unidos uns aos outros. Evitamos ficar próximos demais uns dos outros porque, embora sejamos salvos e tenhamos a vida de Cristo, nossa vida natural — nossa própria vida, nós mesmos — é forte. Essa vida natural é corruptível.
Portanto, dizer que a igreja é a reunião daqueles que foram chamados para fora é verdade. Mas, como lemos em Mateus 18:20:
Onde dois ou três estão reunidos em Meu nome, ali estou Eu no meio deles.
Em outras palavras, quando duas ou três pessoas se reúnem, isso não é necessariamente uma igreja. Duas ou três pessoas podem se reunir como um grupo social, mas precisam reunir-se em nome do Senhor Jesus.
Estar em nome do Senhor Jesus significa estar sob Sua autoridade como Cabeça. Quando nos reunimos e nos mantemos firmemente ligados à Cabeça, então encontramos a realidade da igreja.
Queridos irmãos e irmãs, o que é a igreja? Certa vez, eu estava conversando com o irmão Sparks. Sei que nosso querido irmão tinha muito receio de qualquer coisa que parecesse uma fórmula, porque acreditava que as coisas espirituais não têm fórmula.
Mas, naquele dia, pensei que, para ajudar os irmãos e as irmãs, precisava usar uma fórmula. Então, primeiro pedi perdão e depois propus esta pergunta: o que é a igreja?
Suponhamos que, neste mundo, tivéssemos apenas três cristãos: Pedro, Tiago e João. Não haveria cristãos melhores do que esses três. Agora, Pedro mais João mais Tiago é igual à igreja?
Se for assim, vemos que Pedro é alguém que quer ser o primeiro. Ele sempre toma a dianteira. Então, um dia, os dois filhos de Zebedeu passam à frente dele.
Quando nosso Senhor estava indo para Jerusalém, eles vieram com sua mãe, que era tia de nosso Senhor segundo a carne, e pediram ao Senhor: “Promete que nos darás tudo o que Te pedirmos”.
Acho que estavam envergonhados do que iriam pedir. Era como se Lhe entregassem um cheque e dissessem: “Basta assiná-lo”. Mas nosso Senhor era muito sábio. Ele disse: “O que vocês querem?”
A mãe deles disse: “No Teu reino, permite que meus dois filhos se assentem, um à Tua direita e outro à Tua esquerda”. Ficaram com tudo. Não é de admirar que os outros discípulos tenham ficado indignados.
Ora, é isso que acontece quando há uma disputa de poder na igreja. Isso é algo que nunca deveria acontecer. Isso não é a igreja.
Então, o que é a igreja? A igreja é o Cristo em Pedro, mais o Cristo em João, mais o Cristo em Tiago. Isso é igual à igreja.
Mas então descobrimos que, na igreja, não há apenas Cristo, mas também Pedro, João e Tiago. Enquanto esses elementos naturais estiverem na igreja, haverá problemas.
Então, o que é a igreja? A igreja é o Cristo em Pedro menos Pedro, mais o Cristo em João menos João, mais o Cristo em Tiago menos Tiago. Essa é a igreja.
O que isso significa? Significa que tudo é ouro. Não há madeira alguma nela. É isso que a igreja é.
Mas para que existe a igreja? A igreja não existe para si mesma. Ela é um candelabro. A igreja existe para conter e elevar a luz.
Nosso Senhor Jesus é a própria luz, e a igreja eleva essa luz. A igreja não fala de si mesma; a igreja fala de Cristo.
Irmãos e irmãs, o testemunho de Jesus foi confiado à igreja. Nenhum indivíduo pode dar esse testemunho sozinho. Precisamos de um corpo inteiro para exaltar a Cabeça.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de concluir com outra questão: a fidelidade de quem recebe um depósito. O depósito é Cristo, o testemunho de Jesus. A depositária é a igreja, o corpo de Cristo. Agora, a pergunta é: a igreja é digna de confiança?
Graças a Deus, Cristo confiou a Si mesmo inteiramente à igreja. É como se Ele estivesse disposto a permanecer de pé ou cair junto com a igreja. Ele confia Seu próprio destino à igreja. A igreja O exaltará ou O rebaixará? Essa é uma questão de fidelidade.
Nosso Senhor Jesus veio a este mundo não apenas para salvar os perdidos, mas para nos chamar com uma santa vocação. Esse chamado nos conduz ao propósito eterno de Deus. Esse chamado nos convoca a ser Seu corpo.
Esse é o chamado ao discipulado. O chamado ao discipulado é nada menos que ser como Ele, para que sejamos transformados e conformados à Sua imagem, para que sejamos ouro em vez de apenas madeira.
Esse é o nosso chamado.
Quando Ele estava no mundo, começou a chamar Seus discípulos. Contudo, vemos que, mesmo entre Seus discípulos, sempre que nosso Senhor Jesus procurava elevá-los da terra ao céu, sempre que tentava lhes falar de algo espiritual, em vez de natural, nem mesmo Seus discípulos conseguiam compreender.
Não apenas isso: era difícil demais; era demais para eles. Muitos dos discípulos O abandonaram. Irmãos e irmãs, isso não era verdade apenas quando nosso Senhor estava na terra; continua sendo verdade hoje.
Nosso Senhor Jesus voltou-Se para os doze e disse: “Vocês também querem ir embora?” O Senhor lhes deu liberdade para partir.
E vocês se lembram de como Pedro disse, em João 6:68-69:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.
E nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.
Em outras palavras, ali estava uma pessoa representando as demais. Ele havia sido conquistado pela visão do Senhor. Uma vez que alguém é conquistado assim, não há como escapar. Embora não compreendesse, ele confiava.
Queridos irmãos e irmãs, graças a Deus, Ele nos chamou para ser Seus discípulos. Graças a Deus, apesar de todas as nossas fraquezas, sabemos que Ele é o Filho de Deus e que tem as palavras da vida. Mesmo que Ele nos faça passar por dificuldades, permaneceremos com Ele.
Isso é algo muito importante para nós hoje. Não é porque existam algumas pessoas perfeitas ou fortes. Somos todos fracos. Mas, louvado seja Deus, se uma vez tivermos uma visão de Cristo, se uma vez virmos Quem Ele é, veremos que Ele não é apenas nosso Salvador, mas também nosso Senhor.
Ele nos conquistou, e não temos como escapar. Outras pessoas talvez tenham para onde ir, mas para quem iremos nós? Permaneceremos com Ele.
Isso é o que é necessário. Se o Senhor não tiver conquistado você, você não permanecerá. Mas, quando Ele o conquista, você permanece, mesmo sendo fraco e imperfeito. Pedro mostrou sua fraqueza repetidas vezes depois disso. Ele até negou o Senhor. Pode haver fraqueza maior que essa?
Mas esse não é o problema. A questão é: você foi conquistado pelo Senhor? Queridos irmãos e irmãs, que o Senhor realmente cative cada um de nós. Sim, Ele nos salvou. Ele nos chamou. Ele nos conquistou, e não há como escapar em nossa vida.
Podemos falhar, mas Ele nos levantará. E foi a pessoas assim que Ele confiou a Si mesmo.
No dia de Pentecostes, cento e vinte pessoas estavam reunidas naquele cenáculo e oravam. Essas são as pessoas conquistadas por Cristo.
Por ocasião da ascensão de nosso Senhor Jesus, mais de quinhentos irmãos O viram de uma só vez. Mas apenas cento e vinte Lhe obedeceram e permaneceram em Jerusalém. Eles esperaram pelo Espírito que Ele havia prometido. Oravam em unanimidade.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio, e em um só Espírito eles foram batizados em um só corpo. A esse corpo, Cristo, a Cabeça, confiou a Si mesmo.
Oh, irmãos e irmãs, quando vocês leem o livro de Atos, quando a igreja primitiva começou, de cento e vinte crentes ela passou a três mil. Mas todos esses membros do corpo perseveravam e permaneciam juntos no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Não apenas os cento e vinte, mas também os três mil e, depois, quatro mil — vemos que o corpo começou a crescer. Nesse corpo encontramos as riquezas da Cabeça habitando, e, por meio desse corpo, o testemunho de Jesus era dado.
É muito curioso. Hoje nos chamamos cristãos, mas o nome “cristão” não existia no início. É somente em Atos 11:26, na igreja em Antioquia, que encontramos o nome “cristão”.
Mas, mesmo sem um nome específico, vemos que todos os que criam no Senhor Jesus viviam da mesma maneira.
Os judeus tinham seu modo de vida judaico, e os gentios tinham seu modo de vida gentílico, assim como os americanos têm um modo de vida americano e os chineses têm um modo de vida chinês. Mas aqui encontramos um povo composto de judeus e gentios que vivia de outra maneira, com um modo de vida diferente.
Tudo parecia tão sobrenaturalmente natural: como viviam juntos, como amavam uns aos outros, como se elevavam acima de seu egoísmo, como estavam dispostos a compartilhar uns com os outros, como tinham comunhão uns com os outros e como, juntos, guardavam o ensino de Cristo.
Eles expressavam sua unidade no partir do pão, porque há um só pão. Tinham comunhão uns com os outros. Viviam para Cristo, e Cristo vivia neles.
Então, quando o mundo olhava para eles, perguntava: “Quem são essas pessoas?” No início do livro de Atos, vemos que chamavam essas pessoas de o povo do Caminho.
Em chinês, infelizmente, isso foi traduzido de maneira um pouco diferente, porque a palavra pode ser traduzida como ensino, verdade ou modo de vida. Mas, no livro de Atos, “o povo do Caminho” refere-se ao seu andar.
Em outras palavras, Cristo é o Caminho, e eles andavam seguindo o Caminho. Irmãos e irmãs, vemos que a igreja primitiva tinha um testemunho glorioso.
É verdade que a igreja primitiva tinha problemas. Mas os problemas eram oportunidades para eles. Não eram realmente problemas, porque, quando um problema é resolvido da maneira correta, ele se torna uma bênção.
Ao longo de trinta e sete anos, quando chegamos ao final do livro de Atos, encontramos Paulo preso em Roma por causa do testemunho de Jesus. Contudo, ele podia viver na casa que havia alugado, receber pessoas e lhes pregar a respeito de Cristo e do reino de Deus. Ele fazia isso sem impedimento algum.
Essa é a história da igreja primitiva. Ela nos mostra que nosso Senhor estava certo: Ele confiou a Si mesmo ao Seu corpo, e esse corpo era digno de confiança.
Mas, infelizmente, quando chegamos ao final do primeiro século, encontramos no livro de Apocalipse que João, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus, foi exilado na ilha de Patmos.
Ali ele teve uma visão. Viu sete candelabros de ouro, com Alguém semelhante a um Filho do Homem em pé no meio deles.
Nosso irmão já nos explicou que esses sete candelabros de ouro representam a igreja de todas as épocas. Vocês podem olhar para eles de maneira cronológica ou como situações contemporâneas entre si. Em qualquer época, encontrarão essas diferentes situações.
Ali encontramos nosso Senhor Jesus. Ele estava ali como o Sumo Sacerdote real, ministrando no verdadeiro tabernáculo.
O que Ele procurava? Curiosamente, no início de cada carta, Ele diz algo a respeito de Si mesmo. Em Apocalipse 1:13-16, encontramos uma descrição do Filho do Homem com dez características. Então, em cada carta, Ele comunica à igreja algo daquilo que Ele é.
Como havia sete igrejas locais, vemos que até a revelação de Si mesmo é parcial. Nenhuma igreja local contém toda a revelação de Cristo. Todas as igrejas locais se unem para compartilhar a plenitude de Cristo.
A cada igreja local foi confiado algo específico. Cada igreja local é diferente. Essa diferença existe porque Cristo confiou a Si mesmo de uma maneira específica.
É por isso que precisamos de comunhão. Precisamos compartilhar, para que possamos ter o testemunho completo.
O que o Senhor procura na igreja? Ele procura a Si mesmo. É como se dissesse: “Confiei a Mim mesmo a vocês. Posso encontrar a Mim mesmo em vocês?”
“Vocês podem ter muitas coisas boas, mas, se Eu não puder encontrar a Mim mesmo em vocês, vocês falharam em sua responsabilidade.”
Queridos irmãos e irmãs, quando vocês leem sobre as sete igrejas, com exceção da igreja em Filadélfia — e também de Esmirna —, o Senhor chama as outras igrejas ao arrependimento.
O arrependimento não é apenas por terem cometido determinadas coisas. Arrepender-se é voltar para Cristo.
Agora, irmãos e irmãs, vocês podem dizer: “A igreja falhou. Deus está errado. Como Ele pode confiar Seu Filho amado à igreja?” Os homens podem falhar, mas Deus nunca falha.
Por isso, encontramos a mensagem final às igrejas:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Depois, encontramos a expressão:
Ao que vencer.
Deus está chamando vencedores na igreja. Quem são esses vencedores? Os vencedores não são supercristãos. Os vencedores não são pessoas perfeitas. Esses vencedores, como dizemos, são cristãos normais.
O que é a normalidade de um cristão? Cristo deu a Si mesmo a ele, e ele vive segundo Cristo.
Quando a igreja, de modo geral, parece falhar e falha no testemunho de Jesus, vemos que o Senhor chama vencedores dentre a igreja para que permaneçam firmes por Seu testemunho.
O chamado aos vencedores é pessoal, mas o efeito dos vencedores é corporativo. Eles são as primícias, e as primícias sempre garantem a colheita.
Os vencedores não vencem para si mesmos. Os vencedores vencem pela igreja. O chamado é pessoal, mas a obra é corporativa.
Ao chamar os vencedores, Deus está voltando ao que havia no princípio. É dessa maneira que Deus demonstra que está certo. É dessa maneira que Deus cumprirá Seu propósito.
Agora, a pergunta é: quem pode vencer? Qual é o segredo dos vencedores? Ou, para dizer de outra maneira, como a igreja pode ser digna de confiança?
Vocês se lembram de 2 Timóteo 1:9:
Que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu próprio propósito e graça, que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.
Aqui fica claro para nós que ser digno de confiança não depende de nossas obras. Somos salvos e justificados não segundo as nossas obras, mas pela graça de Deus.
Da mesma forma, irmãos e irmãs, para sermos dignos de confiança, não dependemos de nossas obras. É pela graça que Deus nos deu em Cristo Jesus.
A questão é: dependemos de nós mesmos ou confiamos em Sua graça? Sempre que Deus tem um propósito, ao mesmo tempo Ele provê a graça correspondente.
Quando somos chamados com esse propósito, para dar o testemunho de Jesus, como podemos cumpri-lo? Não por nosso próprio esforço. Somente pela graça de Deus.
A graça está disponível. Sempre que há um propósito, há graça. Onde há um chamado, há graça. Aqueles que se tornam dignos de confiança são os que dependem da graça de Deus em Cristo Jesus.
Agora, o que é graça? Graça é algo dado gratuitamente. É o dom de Deus. Você não trabalha para obtê-la. Não é porque você seja digno; é porque você olha para Sua graça.
Irmãos e irmãs, se dependermos de nós mesmos, falharemos. Mas, se confessarmos que somos fracos, que Ele é forte, e olharmos para Sua graça, veremos que Sua graça é suficiente para nossas necessidades.
Agora, nosso irmão nos falou sobre isto: como podemos guardar o depósito? Temos o modelo das sãs palavras; nós o ouvimos. Como vamos guardá-lo? Nós o guardamos na fé e no amor que há em Cristo Jesus.
A fé aqui não é a minha fé. Vocês se lembram de Gálatas 2:20:
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim;
E a vida que agora vivo na carne, vivo na fé, a fé que há no Filho de Deus, Que me amou e Se entregou por mim.
Não temos fé em nós mesmos. Ele é o Autor e Consumador da fé. Olhamos para Ele, e Ele nos dá fé. Olhamos para Ele, e Ele aperfeiçoa essa fé.
O mesmo acontece com o amor. Não como Pedro: “Senhor, eu Te amo. Estou disposto a morrer Contigo”. Irmãos e irmãs, esse amor não funciona. Não é o amor de Deus.
Quando nosso Senhor disse: “Simão, filho de João, amas-Me?”, Pedro só pôde dizer: “Senhor, Tu sabes que tenho afeição por Ti”. Ele não ousou dizer: “Eu Te amo”, porque percebeu que o amor está em Cristo Jesus.
Isso é graça. Quer seja a fé, quer seja o amor, isso é graça. Tudo isso está disponível a todos nós.
Então, encontramos em 2 Timóteo 1:14:
Guarda o bom depósito que te foi confiado, pelo Espírito Santo que habita em nós.
Não pela nossa carne, mas pelo Espírito Santo. E esse é o Espírito da graça.
Irmãos e irmãs, o único caminho para sermos dignos de confiança não está em nós mesmos. Não podemos depender de nós mesmos. Confessamos que somos fracos. Precisamos Dele. Olhamos para Ele, e Sua graça é suficiente.
Vou contar uma história. Um servo de Deus, o senhor Webb-Peploe, amava o Senhor. Certa vez, ele levou seu filho consigo e foi descansar à beira-mar. Infelizmente, a criança morreu.
Então ele sepultou a criança e voltou para casa. Era sábado, e normalmente aos sábados ele preparava a mensagem que levaria às pessoas.
Em seu escritório, ele procurava algo, tentando encontrar o que dizer. Era um homem tão bom. Queria consolar a congregação. Contudo, por mais que procurasse, não conseguia encontrar um texto.
Ele estava triste. Como poderia consolar seu povo se ele mesmo não estava consolado?
Enquanto lutava com isso, aconteceu de levantar os olhos e ver algo acima da lareira. Era um versículo das Escrituras na parede, de 2 Coríntios 12:9:
A Minha graça te basta.
Ele disse: “Senhor, a Tua graça não basta. Estou triste. Não estou consolado”. Ele lutava com essa questão.
Então percebeu que, no texto, as palavras “A Minha graça te basta” estavam em uma cor diferente. Naquele momento, algo lhe foi revelado.
Ele vinha orando para que a graça de Deus se tornasse suficiente para ele. Mas agora o Senhor dizia: “Ela é suficiente”. Isto é, ela já lhe havia sido dada.
Ele creu na Palavra de Deus e foi consolado. Na manhã seguinte, quando foi pregar, simplesmente contou às pessoas o que havia acontecido com ele.
Irmãos e irmãs, vocês experimentam a graça de Deus? É difícil nos gloriarmos em nossa fraqueza, mas o poder Dele se aperfeiçoa em nossa fraqueza.
Queremos ser fortes. Pensamos que somente se formos fortes glorificaremos a Deus, cumpriremos nossa responsabilidade e daremos o testemunho de Jesus.
Mas, ao contrário, a verdade é que, quando confessamos que nada somos, que não podemos e que nem sequer tentamos por nós mesmos, mas olhamos para Ele — o Autor e Consumador da fé —, então Sua graça se manifesta.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, o que Deus nos confiou? É o testemunho de Jesus.
Qual é o vaso, o depositário desse depósito? É a igreja, o corpo de Cristo.
Quem nos torna dignos de confiança? É Cristo. Do princípio ao fim, é Cristo, porque essa é a vontade de Deus.
Um dia, todas as coisas serão reunidas em Cristo. Para onde quer que vocês olhem, verão Cristo.
Querido Senhor, nós Te adoramos. Tu não apenas nos salvaste; Tu nos chamaste com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o Teu próprio propósito e graça em Cristo Jesus.
Querido Senhor, somos tocados pelo Teu amor. Queremos nos entregar completamente a Ti.
Queremos agradecer-Te pelo depósito que nos confiaste. E queremos agradecer-Te porque Tu, Que nos confiaste esse depósito, és Aquele Que o guardará até aquele dia.
Como Paulo, sabemos em Quem temos crido e estamos plenamente persuadidos de que Tu és poderoso para guardar o depósito que Te confiamos até aquele dia.
Louvado seja Deus. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.