Por favor, abram em 2 Timóteo 1. Começaremos no versículo 8 e leremos até o versículo 12.
Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, Seu prisioneiro; antes, participa dos sofrimentos do evangelho segundo o poder de Deus;
Que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos;
Mas que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, Que aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho;
Para o qual fui constituído pregador, apóstolo e mestre;
Por essa causa também padeço estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em Quem tenho crido e estou persuadido de que Ele é poderoso para guardar o que Lhe confiei até aquele dia.—2 Timóteo 1:8-12
Por favor, abram também em Atos 26. Leremos do versículo 9 ao versículo 19.
Na verdade, eu pensava comigo mesmo que devia fazer muitas coisas contrárias ao nome de Jesus de Nazaré.
E assim fiz em Jerusalém: tendo recebido autoridade dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando eram mortos, dava o meu voto contra eles.
E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, procurava obrigá-los a blasfemar; e, enfurecido sobremaneira contra eles, perseguia-os até nas cidades estrangeiras.
Com esse propósito, indo eu a Damasco, com autoridade e comissão dos principais sacerdotes, ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, mais resplandecente que o sol, brilhando ao redor de mim e dos que viajavam comigo.
E, caindo todos nós por terra, ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que Me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão.
E eu disse: Quem és Tu, Senhor? E o Senhor disse: Eu sou Jesus, a Quem tu persegues.
Mas levanta-te e põe-te em pé; porque para isto te apareci: para te constituir ministro e testemunha tanto das coisas em que Me viste como daquelas em que ainda te aparecerei;
Livrando-te do povo e dos gentios, aos quais Eu te envio;
Para lhes abrires os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão dos pecados e herança entre os que são santificados pela fé em Mim.
Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.—Atos 26:9-19
Por fim, abram em Apocalipse 1, versículos 12 e 13.
E voltei-me para ver a voz que falava comigo. E, voltando-me, vi sete candeeiros de ouro;
E, no meio dos candeeiros, Alguém semelhante a um filho de homem.—Apocalipse 1:12-13
Querido Senhor, ao nos reunirmos aqui diante de Ti, nós Te louvamos e Te agradecemos por nos teres dado este privilégio de nos aproximarmos de Ti.
Nós Te agradecemos porque o caminho para o Santo dos Santos está aberto. Nós Te agradecemos porque podemos entrar na Tua própria presença, contemplar a Tua beleza e ouvir a Tua voz.
Ó querido Senhor, precisamos da Tua palavra. Sem a Tua palavra, somos como alguém morto. Mas a Tua palavra nos dá luz e nos dá vida. Tu nos transformarás e nos conformarás à Tua própria imagem.
E é isso que desejamos, não para nós mesmos, mas para o Teu testemunho. Por isso, olhamos para Ti nesta manhã. Vem a cada um de nós e fala uma palavra a cada um, para que sejamos libertos de toda escuridão e estejamos na plena luz da Tua verdade.
Nosso desejo mais profundo é sermos fiéis ao Teu testemunho. Oramos para que levantes hoje um povo que seja fiel a Ti, preparado e pronto para a Tua volta, para trazer de volta o Rei. Queremos dar-Te toda a glória.
Graças a Deus por nos reunir novamente nesta manhã.
Estamos considerando juntos este assunto tão importante: aquilo que Deus confiou à Sua igreja.
Penso que é algo extraordinário Deus confiar no homem. Deus é capaz de fazer tudo sozinho, e tudo o que Ele faz é perfeito. Mas o nosso Deus, tão perfeito, tão capaz, tão digno de confiança e tão fiel, ainda assim deseja confiar até mesmo no homem.
Não é porque Ele não sabe o que o homem é. Ele nos conhece tão bem e, mesmo assim, ousa confiar-Se a nós. Não é por causa do que somos; é por causa do que Ele é.
Ele conhece muito bem cada um de nós e, ainda assim, tem essa confiança. Ele crê que é capaz de nos transformar de tal maneira que nos tornemos dignos de confiança.
Portanto, é algo extraordinário Deus confiar a nós a Si mesmo. Esse depósito não é algo pequeno, nem parcial. É como se Deus confiasse a nós a Si mesmo — totalmente. Em outras palavras, Ele Se dá completamente a nós.
É um privilégio tão grande, mas também uma séria responsabilidade.
Já compartilhamos a respeito do que é esse depósito. Em primeiro lugar, é o testemunho de Jesus. Não há nada mais importante do que o testemunho de Jesus, porque esse testemunho nada mais é do que aquilo que Ele é e Quem Ele é.
É aquilo que Ele é aos olhos de Deus Pai. É tudo o que o Pai Lhe confiou; contudo, vemos que Ele entregou esse testemunho e o confiou à igreja, para que sejamos Suas testemunhas.
Também compartilhamos um pouco a respeito do que é o testemunho de Jesus. Ele mesmo disse:
Eu sou o primeiro e o último.
É isso que Ele é aos olhos do Pai.
Ele é o primeiro. Ele tem a preeminência em todas as coisas. Tudo deve começar com Ele, e somente aquilo que começa com Ele é aceitável.
Irmãos e irmãs, é isso que Ele é, e é isso que Ele espera ser para nós. Ele é o primeiro em nossa vida? Podemos dar este testemunho: que Jesus Cristo é o primeiro em nossa vida?
Ele é Quem dá início à nossa vida. Ele é Quem dá início a tudo em nossa vida. Isso significa que O honramos como o primeiro. Ele é incomparável. Não podemos compará-Lo com mais ninguém. Para nós, Ele ocupa tudo e está em tudo.
E Ele é o último. Ele é o nosso objetivo; Ele é o nosso fim. Tudo converge para Ele, tudo se resume Nele, e toda a glória, honra e louvor voltam para Ele.
Em outras palavras, Ele é tudo e está em todos. É isso que Ele é. Ele é Aquele Que vive. Ele é a vida; Ele é a ressurreição e a vida; Ele é a vida eterna. Ele vive sempre, intercedendo por nós, e é capaz de nos salvar completamente.
Por nossa causa, Ele morreu. Foi à cruz, levou os nossos pecados e derramou o Seu sangue para a remissão dos nossos pecados. Seu corpo foi partido, e Sua vida nos foi dada, para que recebêssemos vida — vida abundante.
Mas, graças a Deus, Ele não ficou retido no túmulo. No terceiro dia, foi ressuscitado dentre os mortos. É vida que emerge da morte, e essa é a vida que Ele nos deu.
Ele é vitorioso sobre tudo e tem em Sua mão as chaves da morte e do Hades. Irmãos e irmãs, esse é o testemunho que Ele confiou à igreja.
Portanto, encontramos nas Escrituras que aqueles que têm o testemunho de Jesus não apenas o conhecem, mas vivem por ele.
Em segundo lugar, o depósito que nos foi confiado são as boas-novas — o evangelho. O evangelho é muito mais do que jamais imaginamos. Hebreus fala de “tão grande salvação”. O evangelho é ninguém menos que o próprio Senhor Jesus. Ele é as boas-novas.
Também vemos que o depósito é a fé. Não se trata apenas de doutrina ou ensino; trata-se de toda a verdade, porque o próprio Cristo é a verdade.
Assim, queridos irmãos e irmãs, à igreja foi confiado um tesouro tão imenso. Nosso Senhor Jesus ousa confiar a nós a Si mesmo.
Nesta manhã, gostaríamos de falar sobre essa questão do depositário. O que é um depositário? Qual é a sua responsabilidade? Que tipo de pessoa um depositário deve ser?
Sabem, irmãos e irmãs, quando vocês constituem um depósito, procuram um homem ou uma mulher de valor — alguém em quem possam confiar — e nomeiam essa pessoa como depositária.
A responsabilidade do depositário é esta: ele conhece bem o depósito. Sabe o que lhe está sendo confiado e cuida para que tudo o que diz respeito a esse depósito seja fielmente cumprido.
Ele não tem liberdade para alterar o depósito, nem pode retê-lo. Precisa administrá-lo de acordo com a vontade de quem o constituiu. Portanto, o depositário é muito importante.
O que Deus confiou, e a quem Ele o confiou? É-nos dito que Deus o confiou à Sua igreja.
Irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, muitas vezes dizemos que Ele veio buscar e salvar o perdido. Isso é muito verdadeiro, porque nós somos os perdidos, e Ele veio nos encontrar e nos salvar.
Mas sabemos que o propósito de Sua vinda a este mundo vai além disso. Ele veio não apenas revelar o Pai, mostrar-nos Quem é o Pai e como Ele é; também veio a este mundo encontrar um povo a quem pudesse confiar a Si mesmo.
O que Ele encontrou? Sabem, é algo muito impressionante. Quando lemos os Evangelhos, vemos que nosso Senhor Jesus Se deparou com muitas pessoas cegas, surdas, aleijadas, fracas, doentes e até mortas.
Em outras palavras, quando Ele veio a este mundo encontrar um povo adequado a Ele, um povo a quem pudesse confiar a Si mesmo, o que encontrou foi exatamente o contrário.
Por isso, nosso Senhor Jesus, ao vir a este mundo, precisou criar um novo povo. Precisou criar um depositário.
Aqui vemos que Ele veio chamar pessoas — não apenas chamá-las para vir e crer Nele, mas chamá-las para serem Seus discípulos.
Vocês sabem o que realmente significa ser discípulo? Um discípulo é alguém que se coloca sob a autoridade de um mestre e aprende com ele. É mais do que ser apenas um aluno. É completamente diferente do aluno de hoje.
Um aluno de hoje paga pela educação, vai à escola e procura absorver e aprender todo o ensino dos professores. É só isso.
Mas a ideia bíblica de discipulado é a aprendizagem de um ofício. Antigamente, quando alguém queria aprender um ofício, precisava encontrar um mestre — alguém habilidoso naquela atividade.
O que você faria? Deixaria a sua própria casa e ficaria com o seu mestre. Passaria a ser como um membro da família dele.
Se você quisesse aprender a ser carpinteiro, no primeiro ano com o seu mestre talvez ele nem lhe ensinasse coisa alguma. Pediria que você ajudasse nas tarefas da casa.
Você teria de varrer o chão, servir ao mestre, ajudar a família, ajudar com as crianças e fazer todo esse trabalho humilde. Às vezes, talvez pensasse: “Para que isso? Eu vim aprender o ofício”.
Mas isso é muito importante, porque um aprendiz não está apenas aprendendo o ofício. Está aprendendo a ser uma pessoa. Está aprendendo com seu mestre como se comportar e como viver. Isso é ainda mais importante do que aprender a trabalhar.
Aos poucos, o mestre vai lhe revelar parte de sua habilidade. Depois de vários anos, ao concluir a aprendizagem, você não terá apenas a habilidade do mestre; terá também o modo de ser dele.
Às vezes, vemos que um aprendiz fala como seu mestre, e até seu jeito de andar se parece com o dele, porque aprendeu o modo de ser do mestre.
Irmãos e irmãs, enquanto nosso Senhor Jesus esteve na terra, além do Calvário, Sua obra mais importante foi chamar discípulos. Nos Evangelhos, vemos que Ele está continuamente chamando discípulos.
Quando responderam ao chamado para o discipulado, eles deixaram tudo e O seguiram. Viviam com Ele; estavam com Ele dia e noite.
Eles não apenas ouviam Suas palavras, nem apenas observavam como Ele trabalhava; observavam a maneira como Ele vivia. Irmãos e irmãs, Ele estava criando um novo povo — pessoas semelhantes a Ele, a quem pudesse confiar a Si mesmo.
Sabem, é muito interessante. Quando lemos João 2, vemos que nosso Senhor estava em Jerusalém. No fim do capítulo, está escrito que muitos creram Nele porque tinham visto os sinais que Ele fazia.
Mas, curiosamente, a Bíblia diz que nosso Senhor não Se confiava a eles, porque sabia o que havia no homem.
Essas pessoas creram Nele porque viram os sinais que Ele realizava. Mas será que realmente confiavam Nele? Nosso Senhor, Que conhecia o íntimo do coração humano, não Se entregava a elas.
Aos poucos, vemos que Ele chamou alguns discípulos para junto de Si. Durante os três anos e meio de Seu ministério público, uma das coisas a que deu maior ênfase foi a formação de Seus discípulos.
Durante esse período de formação, os discípulos não O compreendiam. Quantas vezes nosso Senhor dizia uma coisa, e eles pensavam que era outra! Ainda assim, nosso Senhor era paciente com eles.
Mesmo durante a última ceia, eles ainda discutiam entre si sobre quem era o maior. Até quando nosso Senhor disse: “Eu vou morrer”, Pedro respondeu: “Eu morrerei Contigo”, sem saber que negaria o Senhor três vezes.
Vocês acham que essas pessoas eram dignas de confiança? Mas, graças a Deus, no último discurso, depois da última ceia, nosso Senhor Jesus disse em João 15:
Mas, quando vier o Consolador, Que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, Que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim;
E vós também dareis testemunho, porque estais Comigo desde o princípio.—João 15:26-27
Mesmo naquela ocasião, Ele estava, aos poucos, procurando confiar a Si mesmo aos Seus discípulos.
Quando nosso Senhor foi preso, todos os Seus discípulos fugiram, e Pedro negou o Senhor três vezes. Mesmo depois de nosso Senhor ter ressuscitado, os dois discípulos no caminho de Emaús estavam tristes e falavam de Sua morte. Não sabiam de Sua ressurreição e, quando a notícia chegou, os discípulos demoraram a crer nela.
Contudo, irmãos e irmãs, quando nosso Senhor foi elevado ao céu, deu-lhes esta ordem: esperem em Jerusalém até receberem poder do alto, e vocês serão Minhas testemunhas — desde Jerusalém, passando pela Judeia e Samaria, até os confins da terra.
A Bíblia nos diz que, quando nosso Senhor ascendeu, havia, em certa ocasião, quinhentos irmãos e irmãs reunidos. Contudo, apenas cento e vinte O ouviram, voltaram para Jerusalém e oraram de comum acordo no cenáculo durante dez dias.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio sobre eles.
Irmãos e irmãs, qual é o significado de Pentecostes? O verdadeiro significado de Pentecostes encontra-se em 1 Coríntios 12:
Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo.
—1 Coríntios 12:13
Um corpo tem muitos membros, mas, embora os membros sejam muitos, o corpo é um só. Assim também é o Cristo.
Isso começa no dia de Pentecostes, quando cento e vinte crentes individuais foram batizados em um só corpo. Não creio que se possa encontrar uma congregação melhor do que aquela.
Entre aqueles cento e vinte estavam os apóstolos, Maria, os irmãos do Senhor e muitos crentes dedicados. Eles conseguiram reunir-se e orar de comum acordo durante dez dias.
Contudo, eram apenas cento e vinte cristãos individuais. Eram uma congregação, mas ainda não eram um corpo.
Quando se reuniam, estavam juntos. Quando não estavam reunidos, cada um seguia o seu próprio caminho. Um corpo é diferente. Um corpo é um só.
Pode haver muitos membros, mas cada membro não pode seguir o seu próprio caminho. Nenhum membro pode fazer seu próprio trabalho de maneira independente. Eles são um só corpo, e o testemunho de Jesus é confiado a esse corpo.
Irmãos e irmãs, hoje somos tão individualistas. Tudo é “eu, para mim, eu mesmo”.
Isso realmente aconteceu quando o pecado entrou no mundo. Quando o pecado entrou no mundo, cada um passou a viver para si mesmo. Adão pensou em si mesmo:
A mulher que Tu me deste por companheira, ela me deu da árvore.
A mulher disse:
A serpente me enganou.
Cada um passou a pensar em si mesmo. O pecado não apenas nos separa de Deus; ele nos separa uns dos outros. Tornamo-nos tão centrados em nós mesmos.
Mas nosso Senhor Jesus confia a Si mesmo não a um indivíduo, mas a um corpo. Por que é assim? Porque Ele é tão rico e tão abundante.
Toda a plenitude da Divindade habita corporalmente Nele. Não há um único indivíduo que tenha capacidade para ser preenchido com Sua plenitude. Ele precisa de um corpo para ser Sua plenitude.
É isso que diz Efésios 1:22-23:
E sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés e, sobre todas as coisas, O deu como cabeça à igreja;
A qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.—Efésios 1:22-23
É necessário um corpo para ser Sua plenitude, e é necessário um corpo para assumir a responsabilidade de administrar Suas riquezas.
Queridos irmãos e irmãs, sinto que provavelmente nos falta uma compreensão real do que é a igreja.
Para muitos de nós, o mais importante é a minha salvação. O mais importante é: “E quanto a mim? Quero ser uma pessoa espiritual. É algo entre o Senhor e eu”.
Às vezes, ouvimos pessoas dizerem: “Não me importo com mais ninguém. É só o Senhor e eu”. Quando ouvimos isso, parece muito espiritual, mas é uma espiritualidade exagerada.
Precisamos do corpo. O Senhor precisa do corpo. Muitas vezes, pensamos na igreja como algo adicional para nós.
“Posso muito bem ser um bom cristão sem a igreja. Pelo contrário, às vezes acho que a igreja me torna um mau cristão. É muito melhor me fechar no meu quarto e ser um cristão perfeito.”
Queridos irmãos e irmãs, esse não é o pensamento de Deus. Conheci pessoas que se afastaram da comunhão e se fecharam em suas próprias casas. Pensavam que esse era o caminho para a espiritualidade.
Essa não é a vontade de Deus. A igreja não é algo adicional; a igreja é fundamental. Precisamos ter uma compreensão clara do que é a igreja.
Ter uma compreensão clara do que é a igreja é quase tão importante quanto ter uma compreensão clara do que é o depósito. Se não soubermos o que é o depósito, não poderemos ser o depositário. Mas o próprio depositário é igualmente importante.
Posso fazer uma pergunta? Vocês realmente compreendem o que é a igreja? Estão realmente na comunhão da igreja? São realmente membros vivos e atuantes do corpo de Cristo? Onde vocês estão agora?
Lembrem-se, irmãos e irmãs, do que está escrito em 2 Timóteo 1:
Que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o Seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.
—2 Timóteo 1:9
Aqui vemos que Deus nos salvou. Graças a Deus, Ele nos salvou. Mas isso não é o fim. O versículo continua: “e nos chamou”.
Ele não apenas nos salvou, mas nos chamou com uma santa vocação. Esse chamado é segundo o Seu próprio propósito, e esse propósito foi estabelecido em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.
Não fomos apenas salvos; fomos chamados com uma santa vocação. Esse chamado é segundo o próprio propósito de Deus, e esse propósito foi decidido antes da fundação do mundo.
Vocês podem ver como esse propósito é importante. Se somos salvos, mas não conhecemos o propósito de Deus, então perdemos muito. Nós, que fomos salvos — para quê?
Somos chamados segundo o próprio propósito de Deus. Deus nos salva para nos chamar ao Seu propósito. Esse propósito foi decidido antes mesmo da fundação do mundo. Ele nos conecta à eternidade.
Como o chamado é importante! É por isso que nosso Senhor Jesus, enquanto esteve na terra, chamou discípulos.
Qual é o chamado? Se vocês lerem Efésios, verão que o chamado nos convoca a ser um só corpo, porque não há nada mais importante para nosso Senhor Jesus do que o corpo.
Para nós, ser salvos é importante; mas, para nosso Senhor Jesus, responder ao chamado é importante. Somente isso cumprirá o propósito de Deus.
Segundo Efésios, somos chamados para ser o corpo de Cristo. Como já mencionamos em Efésios 1:23, a igreja é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
O corpo é o corpo de Cristo, e cada um de nós é um membro específico desse corpo. Precisamos andar de acordo com o nosso chamado. Isso é a vida cristã. Isso é viver nossa vida como igreja.
Não posso viver sem meu Senhor, e não posso viver sem vocês. Vocês não podem viver sem o Senhor, e não podem viver sem mim, porque somos um só corpo.
É nesse único corpo que podemos experimentar as riquezas da Cabeça.
Muitas vezes, pensamos em nosso privilégio: que privilégio podermos receber todas as bênçãos celestiais em Cristo Jesus! Agora, se estamos no corpo, recebemos toda a plenitude de Deus e nos tornamos a plenitude Daquele Que enche tudo em todos.
Mas não temos apenas privilégio; temos também responsabilidade. Se recebemos o privilégio e não cumprimos a responsabilidade, então somos infiéis ao Senhor.
Precisamos enxergar o corpo. Deve haver um momento em que o Senhor abra nossos olhos para vermos que não somos meramente indivíduos. Somos membros de um só corpo e membros uns dos outros. Precisamos dessa revelação.
Pensem no apóstolo Paulo. Antes de conhecer o Senhor, seu nome era Saulo. Ele era um jovem extraordinário.
A maioria dos jovens busca as coisas deste mundo, mas ele era diferente. Mesmo quando era jovem, buscava a Deus. Infelizmente, porém, foi induzido ao erro.
Ele se dedicava de todo o coração, mas estava no caminho errado, seguindo a tradição dos pais. Pensava que Jesus era um impostor. Por isso, fez tudo o que pôde para destruir todos os que seguiam o Senhor Jesus.
Ele era zeloso, mas estava errado. Pensava que estava prestando um serviço a Deus, mas estava prestando o maior desserviço a Deus.
Deus conhecia seu coração e permitiu que ele fosse tão longe quanto pudesse. Ele estava se aproximando da cidade de Damasco, para onde ia a fim de prender os crentes e condená-los.
Ao meio-dia, de repente, uma luz mais brilhante que o sol do meio-dia resplandeceu sobre ele. Foi atingido por aquela luz e, nela, ouviu uma voz:
Saulo, Saulo, por que Me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão.
—Atos 26:14
Saulo disse:
Senhor, Quem és Tu?
Em outras palavras: “Eu não Te conheço, mas percebo uma coisa: Tu és Senhor. Sejas Tu Quem fores, Tu és Senhor. Já não sou meu próprio senhor; Tu és o Senhor”.
Naquela visão celestial, ele viu Jesus como seu Senhor. Jesus não era apenas seu Salvador; Jesus era seu Senhor. Jesus não apenas o salvaria; Jesus era seu Mestre.
Como sabemos disso? Porque sua pergunta seguinte foi:
Senhor, que queres que eu faça?
Ele havia se entregado completamente ao Senhor. Agora era um servo obediente, sob o jugo do Senhor, para fazer a obra do Senhor.
Irmãos e irmãs, vocês já viram Jesus como Senhor? Ele é o seu Salvador, e só isso? Ele salva vocês, e então vocês podem fazer o que quiserem porque o céu está garantido?
Se esse for o caso, vocês nunca enxergarão a igreja. Nunca enxergarão o corpo de Cristo. Não serão membros atuantes do corpo de Cristo, e Deus não terá confiado a vocês a Si mesmo.
Precisamos de uma visão para enxergar Jesus como nosso Senhor. Isso põe fim à vida que vocês vivem por conta própria. Isso os leva aos Seus pés, colocando-se aos Seus pés e permitindo que Ele dirija sua vida.
Não vivam mais para si mesmos; vivam para Ele. Esse é o propósito de Deus. Irmãos e irmãs, precisamos disso.
Depois que vocês enxergarem isso, verão também a igreja como o corpo de Cristo.
No caminho de Damasco, Deus não apenas mostrou a Saulo Quem é Jesus — que Ele é Senhor, Senhor de todos —, mas também lhe mostrou o que é o corpo.
Saulo havia sido formado como fariseu e conhecia todos os argumentos lógicos. Quando Jesus disse: “Por que você Me persegue?”, teria sido natural ele responder: “Quem és Tu? Nunca Te conheci. Como posso Te perseguir? Tu estás no céu, e eu estou na terra. Como posso fazer isso?”
Ele poderia ter argumentado dessa maneira. Isso é lógica. Mas seus olhos interiores foram abertos. Ele não ficou argumentando; imediatamente viu que tocar em qualquer crente é tocar em Cristo.
Quando você toca em um membro do corpo, toca na Cabeça. A Cabeça e o corpo são um.
Irmãos e irmãs, vocês enxergam isso? Têm uma visão do corpo de Cristo? É isso que a igreja é.
A igreja não é uma organização. A igreja é um organismo. Cristo é a Cabeça, e a igreja é o corpo. A Cabeça e o corpo são um; não podem ser separados.
Toda a plenitude da Cabeça repousa no corpo, e toda a beleza da Cabeça se manifesta por meio do corpo. O testemunho de Jesus é confiado ao Seu próprio corpo.
É por isso que, no início do livro de Atos, Lucas diz: “Escrevi o primeiro relato”, acerca de tudo o que Cristo começou a fazer e a ensinar.
Agora ele escreve o segundo relato para continuar mostrando como Cristo continua a fazer e a ensinar.
No Evangelho de Lucas, Cristo faz e ensina em Seu corpo encarnado. No livro de Atos, Cristo continua a fazer e a ensinar nesse corpo místico.
Assim, irmãos e irmãs, Romanos 12:1 diz:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
—Romanos 12:1
Sabem, “corpos” aqui está no plural, porque representa cada um de nós. Todos temos nosso próprio corpo. Por que o texto fala em “corpo”? Porque vivemos neste corpo e trabalhamos com este corpo. Na verdade, o corpo representa todo o nosso ser.
É somente quando apresentamos nossos corpos como sacrifício vivo que se segue, em Romanos 12:4-5, que não pensemos de nós mesmos além do que convém, porque somos membros do corpo.
O corpo é um só, embora haja diferentes membros. Nesse corpo, vocês devem exercer sua função. Aqui vemos que, nos versículos 4 e 5, “corpo” está no singular.
Em outras palavras, a menos que apresentem seu corpo como sacrifício vivo, vocês não conseguirão enxergar o único corpo de Cristo.
Quando vocês realmente se consagrarem, o Espírito Santo transformará sua mente. Ele iluminará sua mente e os fará enxergar o corpo de Cristo.
Sinto que muitos hoje não enxergam a igreja como o corpo de Cristo. Ela não é algo exterior; não é uma organização. É uma realidade interior e viva.
É o vaso ao qual Cristo confiou a Si mesmo. Isso é algo extraordinário. Muitos não enxergam isso porque seus corpos não foram colocados sobre o altar.
Queridos irmãos e irmãs, especialmente os jovens, permitam-me fazer um apelo. Vocês não foram apenas salvos, mas também foram chamados. Foram chamados segundo o propósito eterno de Deus.
Vocês precisam confessar Jesus como Senhor e se entregar no altar. Então Ele abrirá seus olhos para enxergar a igreja, o corpo de Cristo, e os tornará membros vivos e atuantes, capazes de assumir o depósito que Cristo confiou à igreja.
Sabem, quando abrimos em Apocalipse 1, vemos que o apóstolo João estava exilado na ilha de Patmos. Por qual motivo? Por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
No dia do Senhor, ele ouviu uma voz. Talvez estivesse sentado sobre as rochas, voltado para a Ásia Menor, onde estavam as igrejas entre as quais havia ministrado antes de ser exilado. Certamente estava pensando nelas e orando por elas.
Então ele teve a visão. Qual foi a visão? Ele ouviu uma voz e, ao se voltar para ver a voz, viu sete candeeiros de ouro e, no meio dos candeeiros, Alguém semelhante a um filho de homem.
Essa é a visão de Patmos. Ele viu os sete candeeiros, e nos é explicado que os candeeiros são as igrejas.
Aos olhos de Deus, uma igreja é um candeeiro de ouro. Agora, irmãos e irmãs, o que é um candeeiro?
Um candeeiro é um vaso que não apenas contém a luz, mas a coloca no alto, a eleva. Um candeeiro não é mera decoração; é muito prático, porque eleva a luz para que ela possa iluminar ao redor.
Ali vemos as sete igrejas na Ásia e, no meio delas, Alguém semelhante a um filho de homem.
Naturalmente, essa visão nos fala do ministério celestial de nosso Senhor Jesus. Pensamos no ministério celestial de nosso Senhor Jesus como nosso Sumo Sacerdote.
Quando pensamos Nele como nosso Sumo Sacerdote, muitas vezes pensamos de maneira pessoal. Ele vive sempre, intercedendo por nós, e é capaz de nos salvar completamente. Não podemos ser cristãos se não O conhecermos como nosso Sumo Sacerdote.
Mas aqui, em Apocalipse, vemos que o Sumo Sacerdote é o Sumo Sacerdote da igreja. Ali Ele está ministrando à Sua igreja.
Cristo é descrito em detalhes em Apocalipse 1, mas não há descrição dos candeeiros. Às vezes, podemos ir ao outro extremo: podemos enfatizar a igreja até acima de Cristo. Se fizermos isso, perderemos Cristo.
Cristo está em primeiro plano; a igreja está em segundo plano. A igreja não é a luz. A igreja não tem ensino nem doutrina próprios. O ensino e a doutrina são o próprio Cristo.
A igreja não é uma luz; ela é portadora da luz. Irmãos e irmãs, Cristo é a luz. Ele confia a Si mesmo ao candeeiro para que a luz brilhe intensamente e alcance a todos.
Esse é o depositário. Somos membros desse único corpo.
Então, irmãos e irmãs, o que Deus confiou à igreja? Ele confiou a Si mesmo à igreja, porque a igreja é o Cristo. Somente o Cristo é capaz de administrar os assuntos de Cristo.
Que o Senhor nos ajude. Vamos orar.
Querido Senhor, ficamos maravilhados por confiares a Ti mesmo a nós, a igreja.
Oramos para que abras nossos olhos, não apenas para Te vermos como o depósito, mas também para nos vermos como Teus depositários.
Querido Senhor, não queremos apenas o privilégio; estamos dispostos a assumir a responsabilidade.
Oramos para que, nesta manhã, nos dês o espírito de sabedoria e de revelação, para que possamos conhecer-Te. Abre nossos olhos, para que possamos compreender. Atrai-nos para junto de Ti, para que possamos glorificar-Te.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.