Bom dia.
Gostaria de pedir que vocês abrissem comigo em Cântico dos Cânticos, aquele pequeno livro que vem depois de Eclesiastes no Antigo Testamento — Cântico dos Cânticos. Vamos ler todo o primeiro capítulo e uma parte do segundo.
Procurem assimilar algumas dessas palavras enquanto lemos. Creio que elas terão mais significado à medida que avançarmos. O livro começa assim:
Cântico dos cânticos, que é de Salomão.
Beije-me Ele com os beijos da Sua boca;
Porque melhor é o Teu amor do que o vinho.
Suaves são os aromas dos Teus ungüentos;
O Teu nome é como ungüento derramado;
Por isso, as virgens Te amam.
Atrai-me; correremos após Ti.
O Rei me introduziu nas Suas câmaras.
Em Ti nos alegraremos e regozijaremos;
Do Teu amor nos lembraremos mais do que do vinho.
Com razão Te amam.
Sou negra, porém formosa,
Ó filhas de Jerusalém,
Como as tendas de Quedar,
Como as cortinas de Salomão.
Não olheis para mim por eu ser negra,
Porque o sol me queimou.
Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim;
Puseram-me por guarda das vinhas;
A minha própria vinha, porém, não guardei.
Dize-me, ó Tu, a Quem ama a minha alma,
Onde apascentas o Teu rebanho,
Onde o fazes repousar ao meio-dia;
Pois por que seria eu como uma mulher coberta com véu
Junto aos rebanhos dos Teus companheiros?
Se não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres,
Sai pelas pisadas do rebanho
E apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.
Eu te comparo, ó Minha amada,
A uma égua dos carros de Faraó.
Formosas são as tuas faces entre as tranças,
O teu pescoço com os colares de joias.
Faremos para ti tranças de ouro
Com incrustações de prata.
Enquanto o Rei está à Sua mesa,
O meu nardo exala a sua fragrância.
O meu Amado é para mim um feixe de mirra;
Ele passará a noite entre os meus seios.
O meu Amado é para mim como um cacho de flores de hena
Nas vinhas de En-Gedi.
Eis que és formosa, Minha amada;
Eis que és formosa; os teus olhos são pombas.
Eis que és formoso, meu Amado, sim, agradável;
Também o nosso leito é verdejante.
As vigas da nossa casa são cedros,
E os nossos caibros são ciprestes.
Vamos ler os primeiros sete versículos de Cântico dos Cânticos 2:
Eu sou a rosa de Sarom,
O lírio dos vales.
Como o lírio entre os espinhos,
Assim é a Minha amada entre as filhas.
Como a macieira entre as árvores do bosque,
Assim é o meu Amado entre os filhos.
À Sua sombra tenho êxtase e me assento,
E o Seu fruto é doce ao meu paladar.
Ele me levou à Sua casa do vinho,
E o Seu estandarte sobre mim é o amor.
Sustentai-me com bolos de passas,
Confortai-me com maçãs;
Porque estou enferma de amor.
A Sua mão esquerda está debaixo da minha cabeça,
E a Sua mão direita me abraça.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
Pelas gazelas ou pelas corças do campo,
Que não desperteis nem acordeis o meu Amado,
Até que Ele o queira.
Depois, veremos no mesmo capítulo uma frase de Cântico dos Cânticos 2:16:
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
Agora, vamos orar.
Senhor, mais uma vez, ao lermos a Tua Palavra, essas coisas não terão significado para nós se não forem iluminadas pelo Espírito Santo. Mas cremos que a Tua Palavra escrita é vida, porque o Novo Testamento diz que as Tuas palavras são espírito e vida.
E, Senhor, Tu és o único a Quem podemos recorrer. Não há mais ninguém. Como Pedro disse naquele dia:
Só Tu tens as palavras da vida eterna.
Olhamos para Ti, Senhor, para que sopres sobre estas palavras que Salomão escreveu há tantos anos — há milhares de anos — e as tornes vivas, cheias de vida e atuantes, capazes de abrir os nossos olhos para contemplarmos as coisas celestiais.
Pois confiamos que Tu farás isso, no precioso nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, creio que vocês sabem sobre o que estamos falando: o Cântico de Salomão. Alguns de vocês talvez se lembrem de que, no fim de fevereiro, dei uma mensagem sobre Cântico dos Cânticos, e eu realmente pensei que minha participação nesse assunto terminaria ali.
Na verdade, uma irmã veio até mim e disse: “É só isso? Pensamos que você faria uma série”. E eu disse: “Bem, não, é só isso”. E pensei mesmo que fosse só aquilo.
Mas os irmãos recentemente me pediram para compartilhar e, enquanto eu estava diante do Senhor, pensando no que compartilhar, sempre voltava a esse assunto. Aquilo de que eu não conseguia me afastar era Cântico dos Cânticos. Era isso que continuava a me impressionar.
Então, gostem ou não, não é só isso. Vamos compartilhar mais algumas vezes sobre Cântico dos Cânticos.
Antes, para aqueles que talvez se lembrem, compartilhei algumas coisas que considero muito aplicáveis ao que ouvimos recentemente na conferência. Falei sobre o amor apaixonado, o amor que busca e o amor que aperfeiçoa.
Recentemente, quando estávamos na conferência, ouvimos este tema de Filipenses 3:10-15: rumo ao alvo. Jamais esquecerei a impressão que ficou em nós: precisamos buscar a Deus apaixonadamente.
Agora, parece-me que, como povo de Deus, temos certa clareza das coisas no nível do entendimento. Mas, no fim das contas, o entendimento só nos leva até certo ponto. Precisamos que algo aconteça em nosso coração — algo que nos tome, algo que nos conquiste.
Então, como Paulo, podemos prosseguir para o alvo da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Ele disse:
Procuro alcançar aquilo para o que também fui alcançado em Cristo Jesus.
Creio que esse é o sentido deste pequeno livro, Cântico dos Cânticos.
Enquanto pensava e orava sobre isso, pareceu-me apropriado examinarmos mais amplamente essa segunda parte: o amor que busca. Então, vou apresentar o esboço agora, e veremos como será. Veremos se ficamos por aqui ou se vamos adiante.
Hoje, queremos considerar essa questão do amor despertado. Enquanto eu orava e estava diante do Senhor, creio, irmãos e irmãs, que algo precisa acontecer em nós para despertar um amor por Cristo.
Antes de vocês poderem buscá-Lo, parece-me que algo precisa ser despertado. Não é possível buscá-Lo sem que isso aconteça. Depois, creio que este livro, em toda a sua parte central, trata do amor refinado.
A jovem passa por muitos tratamentos, e o Senhor está sempre refinando esse amor e levando-a a uma condição em que esse amor seja mais puro. Muitas vezes, no início, quando o amor de Cristo enche o nosso ser, tudo é muito centrado em nós mesmos. Tudo é para mim.
Como lemos naquela frase de Cântico dos Cânticos 2:16:
O meu Amado é meu.
Essa é toda a nossa ênfase. Tudo é para mim. Tudo é para mim.
E eu sou Dele.
Mas parece que o Senhor quer nos levar adiante e nos conduzir a um amor refinado. Por fim, creio que o Senhor quer nos conduzir a um amor maduro.
Essas são as coisas que abordaremos nas próximas ocasiões, quando o Senhor nos der tempo. Mas hoje vamos examinar um pouco mais o amor que busca.
Agora, irmãos e irmãs, a razão pela qual creio que o Senhor me deu novamente esse encargo vem de Hebreus 12:25. Vamos olhar esse texto por um momento.
Parece-me que o Senhor está falando conosco. Ele falou conosco na conferência aqui em Longwood. Também ouvimos relatos de como Ele falou aos irmãos e às irmãs na Costa Oeste, na WCC e depois na WCCC, se isso não confundir vocês.
Ao orarmos sobre essas palavras, percebemos que o Senhor está falando. Nosso desejo é entrar mais plenamente nessas coisas e nos apropriar daquilo que Ele falou.
Este é o versículo que pareceu me impressionar enquanto orávamos na última quarta-feira à noite, Hebreus 12:25:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram quem os advertia na terra,
Muito menos escaparemos nós, se nos desviarmos Daquele que nos adverte dos céus.
Agora, pensem nisso. Essa foi uma daquelas grandes advertências de Hebreus:
Vede que não rejeiteis Aquele que fala.
Na última quarta-feira à noite, estávamos orando juntos sobre a palavra que o Senhor havia falado em Longwood, sobre a palavra que o Senhor havia falado a respeito de avivar a Sua obra na WCC e sobre a palavra que o Senhor havia falado na WCCC acerca de confiar a outros as coisas que Ele havia confiado à igreja.
Esta impressão veio sobre mim: não somos tão diferentes do povo de Deus do Antigo Testamento. Vocês se lembram da acusação que o Senhor Jesus fez ao povo de Deus do Antigo Testamento. Ele enviou profetas ao Seu povo e disse: “Vocês são os que matam os profetas”.
Vocês se lembram de quando Ele foi a Jerusalém e disse:
Ó Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes Eu quis te ajuntar debaixo das Minhas asas, mas tu não quiseste.
Vocês matam os profetas.
Creio, queridos irmãos e irmãs, que o Senhor nos falou uma palavra profética. De acordo com Hebreus 12:25, precisamos ter cuidado. Precisamos levar isso de volta ao Senhor em oração e cuidar para não rejeitarmos Aquele que fala.
Agora, vocês sabem, é possível fazer isso educadamente. Na verdade, a nota de Darby sobre esse versículo diz que o significado é simplesmente recusar.
Às vezes, as pessoas nos oferecem alguma coisa. Alguém poderia me oferecer um caracol, e eu diria: “Não, obrigado. Não, obrigado. Está tudo muito bonito, mas não me dê isso”. Você pode ser educado. Você pode recusar.
Às vezes, penso que descartamos educadamente aquilo que o Senhor Jesus está nos falando no Espírito e, por isso, a palavra não produz o efeito pretendido.
Cuidem para não rejeitá-Lo. Ah, podemos nos desculpar. Não sei quantas vezes ouvi pessoas dizerem: “Bem, o Senhor não está falando isso comigo”. Vocês já ouviram isso?
“Isso não importa. O Senhor não está falando isso comigo.” Simplesmente nos desculpamos: “Essa não é a palavra do Senhor para mim”.
Mas creio que, enquanto estivemos juntos, houve uma impressão — ouvi isso ser compartilhado repetidas vezes — de que o Senhor está nos chamando a compreender e a entrar nesse amor que busca. No fim, é isso que fará a diferença.
Lembro-me de quarta-feira à noite, quando estava tão impressionado com essa questão de rejeitar Aquele que fala, de não ouvir os profetas. Eu estava esperando uma oportunidade para orar, e uma irmã orou exatamente o que estava no meu coração.
Houve uma confirmação no meu espírito de que o Senhor está nos dizendo: “Escutem o que estou dizendo. Ouçam a palavra do Senhor. Façam disso um assunto de oração perseverante”.
Que não apenas a ouçamos, e que não seja meramente um entendimento adquirido, mas uma verdade da qual nos apropriamos e na qual entramos. Esse parece ser o encargo que o Senhor imprimiu em mim.
Creio que em Cântico dos Cânticos está o segredo da busca. Creio que há vários segredos em Cântico dos Cânticos, mas este é o segredo para buscar. É por isso que creio ter sido conduzido de volta a este livro.
No início de Cântico dos Cânticos, no primeiro versículo, está o título do qual o livro recebe o seu nome:
Cântico dos cânticos, que é de Salomão.
Esse é um versículo interessante. Se vocês olharem em 1 Reis 4:32, verão que Salomão proferiu três mil provérbios. Talvez vocês não soubessem disso. E os seus cânticos foram mil e cinco.
Aqui está a diferença: somente este recebe o título de “Cântico dos Cânticos”. Vocês entendem a ênfase do Espírito Santo? Este é o Cântico dos Cânticos.
De todos os mil e cinco cânticos, nenhum tem o significado que este Cântico dos Cânticos tem. Como povo de Deus, se vamos entrar nesse amor que busca, creio que precisamos entender o que há em Cântico dos Cânticos.
Agora, da última vez, falei a vocês sobre Bernardo de Claraval, aquele famoso místico. Aposto que muitos aqui não leram muita coisa de Bernardo de Claraval. Ele pregou oitenta e seis mensagens sobre o primeiro e o segundo capítulos — oitenta e seis.
Vocês podem louvar a Deus porque serão poupados disso. Não receberão tudo isso. Mas, pelo menos, ali estava alguém que compreendeu a beleza deste cântico, que se apegou a Ele, e isso fez diferença. Isso o levou a ser alguém que buscou apaixonadamente até o fim.
Esse é o meu encargo. Que um pouco do efeito daquilo que nosso irmão viu seja impresso em nós, e que o Senhor nos ajude.
A primeira coisa que queremos considerar é essa questão do efeito do amor despertado.
Como eu disse, antes que vocês possam buscar, algo precisa ser despertado em vocês. Não é uma inclinação natural. Dizendo de outra maneira: vocês não têm essa capacidade. Não buscarão o Senhor Jesus apaixonadamente por conta própria. Não podem.
Deus precisa fazer algo no espírito de vocês. Ele precisa despertar algo no coração de vocês, e aquilo que Ele desperta no coração os capacita, pelo Seu Espírito, a prosseguir e buscar.
Esta é a primeira coisa: parece-me que precisamos ser despertados pelo Seu amor.
Há um versículo, 1 João 4:10, que diz:
Nisto está o amor.
Creio que vocês sabem o restante. Provavelmente o memorizaram. O que ele diz?
Não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou primeiro.
Esse é o começo. Ele é a origem. Ele é o princípio. Ele é a centelha. Se algum dia houver no Seu povo esse amor apaixonado que busca, então Ele precisa acender uma centelha no Seu povo.
Creio que esse é o começo do amor que busca. Algo em mim e algo em vocês precisa ser despertado.
Eu estava lendo A. W. Tozer. Já disse isso a vocês muitas vezes: o irmão Tozer causou um impacto muito grande em mim. Nos meus primeiros anos, li À Procura de Deus, de A. W. Tozer.
Se vocês não leram esse livro, ele é bem pequeno. Por favor, leiam esse livro. Não recebo direitos autorais por ele, então não me importo de recomendá-lo com insistência.
Lembro-me do impacto que ele causou nos meus primeiros anos como cristão. Pareceu-me que o Espírito Santo abriu meus olhos para começar a enxergar: é isso que Tu desejas — despertar em mim uma verdadeira busca por Deus. É isso que Tu queres.
Essa tem sido minha oração ao longo desses anos. Recentemente, eu estava lendo outro livro de A. W. Tozer, Seguindo Intensamente a Deus, e ele disse: “Antes que o homem possa buscar a Deus, Deus precisa primeiro ter buscado o homem”.
Isso não é encorajador? Antes que o homem possa sequer começar a buscar a Deus, Deus precisa primeiro ter buscado o homem. Não começa com você. Você não acendeu o fogo. Você nem sequer tinha a chama para acender o fogo. Foi o próprio Deus Quem acendeu o fogo.
Ele continuou: “Antes que um homem pecador possa ter um pensamento correto sobre Deus, é necessário que uma obra de iluminação tenha sido realizada nele”.
Precisamos disso, irmãos e irmãs. Sei que algumas pessoas reagem a certas palavras, acham que são palavras antigas e querem palavras novas. Às vezes, quando dizemos “revelação”, metade do grupo adormece.
Mas parece-me que precisa haver uma iluminação do alto; caso contrário, vocês jamais poderão buscar.
Parece ser isso que o irmão Tozer disse. Ouçam: “Por mais imperfeita que seja, ainda assim é uma obra verdadeira, e a causa secreta de todo desejo, de toda busca e de toda oração”.
Por mais imperfeita que seja. Vocês acham que a busca de vocês é imperfeita? Bem, irmãos e irmãs, eu acho que a minha é. Um dia estou quente, no dia seguinte estou frio e, no terceiro dia, estou morno.
Mas, embora seja imperfeita, quando Deus acende esse fogo, ele produz algo. Tozer continuou: “O impulso de buscar tem sua origem em Deus”.
Acho isso encorajador. Tenho feito desta a minha oração todos os dias: “Senhor, Tu me darias esse impulso? Despertarias em mim essa inclinação?”.
Ela não é minha por natureza. Tu me conheces. Hoje vou Te buscar; amanhã vou me esquecer de Ti. Mas parece-me que, quando Ele coloca esse impulso dentro de nós, há algo do alto que é real.
O impulso tem sua origem em Deus, mas o desenvolvimento desse impulso é seguirmos intensamente após Ele. Foi daí que veio o título do livro.
Durante todo o tempo em que estamos buscando, já estamos em Suas mãos. Algo precisa ser despertado em nós. Precisa haver um amor despertado.
Irmãos e irmãs, se eu puder encorajá-los, precisamos orar desta maneira: que não sejamos apenas um povo que adquire mais conhecimento; que não sejamos apenas um povo que vai a conferências e ouve uma palavra; que não sejamos apenas um povo que ouve mensagem após mensagem aos domingos.
Que sejamos, de fato, um povo em quem Ele possa encontrar um amor despertado e em quem Ele possa colocar um amor despertado. Essa me parece ser a mensagem deste livro.
Voltem ao primeiro capítulo. É exatamente isso que a jovem quis dizer quando falou em Cântico dos Cânticos 1:4:
Atrai-me; correremos após Ti.
Irmãos e irmãs, ela não disse primeiro: “Correremos após Ti”. Sua oração, seu pedido — ela compreendia que não podia correr. Compreendia que essa inclinação natural não era dela.
Por isso, ela disse:
Atrai-me, e correremos após Ti.
Acho que essa é uma boa oração. Acho que é uma oração que devemos fazer repetidas vezes. Esse me parece ser o começo do amor que busca.
Se Ele atrair você, você correrá. Se Ele não atrair você, não apenas deixará de correr — você retrocederá. Portanto, cabe a Ele nos atrair.
O impulso começa com Ele. Nossa corrida, nossa busca, é simplesmente uma resposta a Quem Ele é. É sempre uma resposta.
Lembro-me de que, há vários anos, o Senhor pareceu tornar viva para mim essa palavra: resposta. A Bíblia inteira pode ser compreendida em duas coisas, de duas maneiras. Gosto de coisas simples, então isso me ajudou.
Primeiro, há a ação de Deus. Segundo, há a resposta do homem. Vocês podem ler a Bíblia inteira sob essa perspectiva.
Primeiro, Deus é soberano. Se Ele não agir e não Se mover, nada acontece. Sem Ele, não há esperança. Ele é Quem dá origem a tudo. Ele é soberano.
Mas, se não houver uma resposta, fica incompleto. Sem o Seu mover, é impossível. Sem a nossa resposta, é incompleto.
É disso que trata o Cântico de Salomão. Aqui está Alguém — o Rei — que falou a essa jovem, e ela responde com o mais apaixonado abraço.
Alguns dos homens provavelmente querem ir assistir ao futebol nesta tarde, em vez de ouvir palavras sobre paixão e abraço, mas tenham paciência comigo. Há algo espiritual aqui, até para nós, homens. Talvez eu acrescente algumas coisas sobre caminhonetes; quem sabe isso faça vocês ficarem e se sentirem melhor.
Mas isso é algo que Deus quer fazer no Seu povo. Nessa jovem, Ele encontrou uma resposta. Pergunto-me se encontrará essa resposta em nós.
Já contei esta história a vocês. Há algumas histórias que repito, vocês entendem. Não sou tão repetitivo quanto Lance, então vocês me perdoarão, mas repito algumas histórias.
Quando fiz aquele curso sobre a história e a estética do jazz, lembro-me do professor Toomey ao teclado. Ele disse que a influência inicial no jazz era africana, e que toda a influência no jazz — o nascimento do jazz — se resumia a uma única coisa: chamado e resposta.
Vocês sabem, como eu, vocês cresceram assistindo a Tarzan. Alguns de vocês nem sabem o que é Tarzan, mas era aquele Tarzan em preto e branco: “Eu Tarzan, você Jane”.
Naqueles programas antigos, na África, ouviam-se tambores em uma colina distante e, depois, uma resposta ao longe. Era um som idêntico. Havia uma resposta. Havia um chamado, e havia uma resposta.
Vocês podem compreender a Bíblia nesses dois termos: Deus está sempre chamando, e o homem deve estar sempre respondendo. É disso que trata o Cântico de Salomão.
Qual é o efeito do amor despertado? É bem simples. Não é tão difícil. O efeito do amor despertado é uma paixão exclusiva pelo próprio Deus.
Ouçam novamente estes versículos, Cântico dos Cânticos 1:2-3. Talvez isso seja demais para alguns de vocês, mas ouçam outra vez:
Beije-me Ele com os beijos da Sua boca;
Porque melhor é o Teu amor do que o vinho.
Suaves são os aromas dos Teus ungüentos;
O Teu nome é como ungüento derramado;
Por isso, as virgens Te amam.
Irmãos e irmãs, isso é amor apaixonado. O efeito do amor despertado é uma paixão exclusiva por Cristo.
Vocês se lembram de Paulo. Compartilhamos sobre Filipenses na conferência. Abram novamente em Filipenses 3. Creio que, a esta altura, vocês já memorizaram esses versículos; pelo menos, espero que sim.
Filipenses 3:8-10:
Mas certamente considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por Quem sofri a perda de todas as coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo;
E ser achado Nele, não tendo a minha própria justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus pela fé:
Para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte.
Esse é o efeito do amor despertado. Havia um amor exclusivo pelo próprio Deus.
Acho que jamais esquecerei aquelas mensagens que nosso irmão Stephen compartilhou na conferência. Pelo menos, espero não esquecer. Quando ele compartilhou sobre o próprio Cristo, isso me lembrou de que essa é exatamente a coisa que Deus nos falou naqueles primeiros anos e que nos tem sustentado até hoje.
O irmão Jim Bogg veio até mim há algumas semanas. Jim me disse: “Irmão, eu não estava aqui nos primeiros dias, quando o Senhor fez nascer esta assembleia. O que foi? Qual é a única coisa que Deus chamou você a manter viva na memória de todos?”.
É claro que ele estava pensando nas mensagens de Dana na conferência. Ele disse: “Não, você não precisa me responder agora. Pense nisso”.
Enquanto eu orava sobre isso, e enquanto essas mensagens estavam no meu coração, este único efeito, esta única coisa, era a resposta: uma paixão exclusiva pelo próprio Senhor Jesus.
Foi isso que fez a diferença.
Observem: ela disse:
Beije-me Ele.
Ah, era um foco exclusivo.
Irmãos e irmãs, tenho receio de que, de alguma maneira, abandonemos esse foco exclusivo. Paulo tinha esse receio. Iremos atrás de outras coisas.
Creio que esse é o coração do apóstolo Paulo, e creio que esse é o coração do nosso irmão Stephen, quando aquele querido homem idoso se levantou ali e derramou o seu coração. Ele disse: “Podemos ir atrás das coisas de Cristo, mas é o próprio Cristo que faz a diferença”.
Esse era o testemunho da virgem.
Vocês se lembram da preocupação do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 11:2-3:
Porque zelo por vós com zelo de Deus; pois vos desposei com um só Esposo, para vos apresentar como virgem pura a Cristo.
Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, de algum modo os vossos pensamentos sejam corrompidos e se afastem da simplicidade e da pureza para com Cristo.
Essa palavra, simplicidade, não significa doutrina sobre Cristo Jesus. Significa o próprio Cristo.
Creio que é a isso que somos chamados. Creio que esse é o efeito do amor despertado. É despertado no seu ser um amor pelo Senhor Jesus que você não produziu, mas que Ele colocou ali.
É o mais apaixonado abraço. Você descobre que já não pode viver sem Ele, assim como não pode viver sem respirar, ou mesmo sem água.
A sulamita diz:
Por isso, as virgens Te amam.
Espero que o Senhor nos renove com esse pensamento sobre o amor despertado. Confio que o Senhor Jesus esteja falando de uma maneira mais clara do que, ao que me parece, tem falado nos últimos anos.
Essa palavra, esse chamado que ouvimos na conferência, creio que está no coração do Senhor. Creio que devemos fazer dele nossa oração central: que esse efeito do amor despertado seja o nosso testemunho; que esse amor por Cristo seja tão real e tão claro que, quando alguém entrar em contato conosco, entre em contato com o Senhor Jesus vivo.
Agora, sei que vocês já experimentaram isso. Estive na presença de algumas pessoas — pessoas pequenas como eu, apenas pessoas pequenas —, mas, quando entrei em contato com elas, não entrei em contato com uma pessoa pequena. Entrei em contato com o Cristo vivo.
Esse Cristo vivo — esse aroma, essa fragrância, essa beleza, esse Nome — era como ungüento derramado.
Lembro-me de que, antes de ser salvo, eu tinha o terrível hábito de falar palavrões. Talvez vocês não soubessem disso, e fico feliz que não soubessem. Mas eu tinha uma boca suja.
Aquele nome, Jesus, era um palavrão para mim. Eu o usava com frequência, e o dizia muitas vezes.
Mas um dia, quando Ele despertou em mim um amor por Si mesmo, algo aconteceu. Algo aconteceu.
O Teu nome é como ungüento derramado.
Não consigo dizer a vocês o que aconteceu. Só sei que o amor de Deus despertou em mim o desejo de conhecê-Lo antes de tudo e acima de tudo.
Lembro-me de que aconteceu uma coisa muito estranha. Eu andava com pessoas que tinham o mesmo tipo de linguagem “refinada”. Quando elas usavam aquele Nome da maneira como eu o havia usado, aquilo doía.
Creio que esse é o efeito do amor despertado.
Há outro efeito do amor despertado. Creio que é o amor nupcial. Não é uma paixonite.
Ainda se diz “paixonite”, ou sou tão antigo que essa expressão já ficou para trás? Vocês já tiveram uma paixonite. Acho que todos nós tivemos, em algum momento.
Mas esse amor de que se fala em Cântico dos Cânticos é amor nupcial. Há uma enorme diferença.
É a noiva sendo preparada para o seu Esposo. É o amor mais intenso, mais apaixonado e mais elevado. É o amor nupcial.
Todos sabem como o Senhor Jesus nos chamou para este propósito mais elevado e grandioso: sermos Sua noiva. É quase inacreditável.
Preciso ter cuidado ao usar essa palavra. Lembro-me de quando estava no Brasil, e um irmão estava traduzindo para mim. Os tradutores precisam tomar as palavras literalmente. Eu ficava dizendo: “É inacreditável”. Ele disse: “Irmão, você está falando sobre fé. Não fale de incredulidade”.
É quase grandioso demais para assimilar. Mas, se não for despertado em vocês algo que seja amor nupcial, vocês não prosseguirão rumo ao alvo. Essa é a diferença.
Há outro grupo neste livro. Não há muitos personagens neste pequeno livro. Há o Rei, a jovem sulamita, as filhas de Jerusalém e a irmã pequena que ainda não se desenvolveu. Vou deixar por aí.
Quem são as filhas de Jerusalém? Creio que essas filhas de Jerusalém pertencem ao Senhor, mas creio que a grande diferença é que elas não têm amor nupcial.
Elas têm alguma inclinação para as coisas de Deus. C. A. Coates disse que elas são salvas — salvas por pouco —, mas aquilo que elas não têm, aquilo que está ausente no seu ser, aquilo que lhes falta, é essa questão do amor nupcial.
Essa era a diferença. Ela está sempre falando às filhas de Jerusalém. Quando descobri isso, comecei a fazer desta a minha oração: “Senhor, não permitas que eu seja uma filha de Jerusalém”.
Não quero apenas saber a Teu respeito. Não quero simplesmente ser salvo. Não quero apenas apreciar as coisas que Tu me dás, as coisas que fizeste por mim, as Tuas bênçãos e todos os Teus muitos privilégios, que são tão grandiosos.
Mas quero ser alguém que tenha amor nupcial.
Essa é a mensagem. Esse é o efeito do amor despertado. Que o Senhor nos ajude e nos leve a esse ponto de amor nupcial.
Vocês leem isso ao longo de todo este livro. Quando chegam ao fim deste pequeno livro, veem essa noiva. Olhem o último versículo, Cântico dos Cânticos 8:14:
Apressa-Te, meu Amado,
E sê como a gazela ou como o filho dos cervos
Sobre os montes de especiarias.
Agora, isso é amor nupcial. A única vez em todo o Novo Testamento em que ouvimos a voz da noiva é no fim de Apocalipse.
Se a noiva é tão importante, e se o amor nupcial é tão importante, por que ouvimos a sua voz apenas uma vez? Porque essa única vez é suficiente. Ela tem uma palavra.
Alguém sabe qual é essa palavra? “Vem.” Vem, Senhor Jesus.
Está escrito em Apocalipse 22:17:
E o Espírito e a noiva dizem: Vem.
Isso é amor nupcial. Se vamos prosseguir nesse amor que busca, então precisaremos desse amor nupcial.
Precisamos passar ao segundo ponto. Não precisamos apenas compreender o efeito do amor despertado; precisamos ver quais são as evidências do amor despertado.
Creio que este livro nos mostra certas coisas que indicam que há amor despertado no Seu povo. É nisso que precisamos prestar atenção nesta segunda parte: as evidências do amor despertado.
Primeiro, abram em Cântico dos Cânticos 1:5. É a jovem quem está falando, e ela diz:
Sou negra, porém formosa, ó filhas de Jerusalém.
Alguns de vocês talvez não achem que isso seja uma evidência muito boa, mas eu acho que é uma evidência excelente. Algumas pessoas poderiam dizer que isso é uma confissão negativa. Não fazemos confissões negativas por aqui.
Mas isso é uma evidência de que vocês viram o Rei. Quando virem o Rei, começarão a descobrir duas coisas: a beleza Dele e a negrura de vocês.
Sei que algumas pessoas ficam incomodadas com isso. Elas dizem: “Ah, irmão, você é sempre tão negativo”. Mas, quando vocês virem o Cristo vivo, quando esse amor for despertado em vocês, começarão a enxergar: “Sou negra”, mas também começarão a enxergar: “Sou formosa”.
Essas duas coisas andam juntas.
Pensem em Isaías 6. No ano em que morreu o rei Uzias, Isaías viu o Senhor assentado sobre o trono. Ele fala dos serafins com seis asas, voando ao redor do trono e dizendo:
Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos:
Toda a terra está cheia da Sua glória.
Qual foi o resultado disso? Isaías disse:
Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros.
Então o Senhor, em Sua misericórdia, tocou-o com uma brasa do altar, e ele foi purificado da sua iniquidade.
Essa é a primeira evidência. Se vocês virem o Senhor Jesus, se virem o Rei, verão algo da própria negrura. Verão.
Penso em Pedro, no lago de Genesaré. Vocês se lembram de que o Senhor Jesus estava falando à multidão, e a multidão era tão grande que Ele entrou no barco e falou de dentro dele.
Depois que o Senhor Jesus terminou de falar, disse: “Pedro, lança a tua rede de arrasto”. Pedro, sendo um homem sábio, disse: “Senhor, pescamos a noite inteira e não apanhamos coisa alguma. Tu não entendes”.
Acho que, muitas vezes, essa é a nossa palavra ao Senhor: “Tu não entendes. Não entendes minhas circunstâncias. Não entendes minha fraqueza. Não entendes com quem eu vivo”. Essa é a fala de Linda — não, ela nunca diz isso. Uma doce mulher cheia de graça.
Mas, quando lançaram a rede de arrasto, recolheram tantos peixes que, segundo o texto, a rede se rompeu. A pesca foi tão grande que chamaram o segundo barco. Você sabe que a situação ficou séria quando diz: “Mandem o barco número dois”.
Trouxeram o segundo barco e encheram ambos com os peixes, a ponto de começarem a afundar.
Acho que a maioria de nós teria dito: “Uau! Que grande milagre!”. Teríamos cantado um coro de aleluias ali mesmo, na proa, em cima dos peixes.
Mas Pedro — querido Pedro, tantas vezes aprendendo, raramente compreendendo, sempre transparente — disse:
Senhor, afasta-Te de mim; porque sou um homem pecador.
Aqui está alguém que viu o Rei.
Ah, penso em Paulo. Saulo talvez fosse o maior luminar do judaísmo — esse homem instruído aos pés de Gamaliel, esse homem tão bem ensinado. Seu próprio nome significa “pedido a Deus”: Saulo.
Mas, quando viu o Senhor Jesus naquele dia na estrada de Damasco, algo aconteceu. Ao lermos suas cartas, vemos uma progressão descendente, e isso não é errado.
Em suas primeiras cartas, ele escreveu aos coríntios que não era inferior aos mais eminentes apóstolos. Mas depois, em 1 Timóteo 1:15, disse que era o principal dos pecadores.
Aqui está uma evidência de que vocês viram o Rei. Vocês verão algo em si mesmos. Verão que a sua condição natural os desqualifica.
Mas então, na misericórdia de Deus, há esta segunda frase: “Porém sou formosa”. Isso não é belo?
Irmãos e irmãs, não consigo entender por que as pessoas têm dificuldade com a Palavra de Deus. Como ela é equilibrada:
Sou negra, porém formosa.
Ela fala dos filhos de sua mãe, que estavam indignados com ela. Fala de não ter guardado a própria vinha. É isso que ela é em sua condição natural. Ela é negra, queimada pelo sol.
Mas aquilo que somos em Cristo está além de qualquer descrição. Uma das minhas frases favoritas em todo o Novo Testamento vem de Gálatas 2:20:
Não eu, mas Cristo.
Sou negra, porém formosa. Essa é a evidência de que vocês viram o Rei. Essa é a evidência do amor despertado.
Nunca pensei em fazer uma tatuagem, mas, se algum dia fizesse uma, essa talvez fosse uma opção que eu consideraria. Então, se um dia vocês me virem com uma tatuagem, talvez ela diga apenas: “Não eu, mas Cristo”. Não se preocupe, Linda. É uma ameaça vazia.
Há mais evidências. Ouçam Cântico dos Cânticos 1:7. Esta é a voz da jovem:
Dize-me, ó Tu, a Quem ama a minha alma,
Onde apascentas o Teu rebanho,
Onde o fazes repousar ao meio-dia;
Pois por que seria eu como uma mulher coberta com véu
Junto aos rebanhos dos Teus companheiros?
Irmãos e irmãs, creio que isso é uma evidência. É despertado em nós um anseio de natureza coletiva.
Sei que há pessoas para quem toda a vida cristã é uma vida individual. Alguns dos meus amigos mais queridos são assim. Mas ouçam: o que vocês veem nessa jovem é o início de uma apreciação pelo rebanho de Deus.
Ela diz:
Dize-me, ó Tu, a Quem ama a minha alma, onde apascentas o Teu rebanho.
Se vamos ter esse amor despertado, precisa haver evidências. Creio que parte dessas evidências é que amaremos os irmãos e amaremos o Seu rebanho.
Não será um rebanho qualquer. Não serão apenas os rebanhos dos Seus companheiros. Algumas pessoas se contentam com menos, mas aquela que foi despertada pelo amor de Deus disse: “Mostra-me onde Tu apascentas o Teu rebanho”.
Isso é uma evidência do amor despertado.
Jamais esquecerei a frase que nosso irmão Stephen disse na conferência. Ele disse que essa busca é intensamente pessoal. Mas depois disse outra coisa: ela é profundamente coletiva.
Muitas vezes, conseguimos viver sem os irmãos. Conseguimos passar sem o rebanho. Mas isto é uma evidência de que esse amor foi despertado em vocês:
Dize-me, ó Tu, a Quem ama a minha alma, onde apascentas o Teu rebanho.
Se eu pudesse acrescentar minhas próprias palavras: é ali que quero estar.
Creio que esta é outra evidência. Vejam Cântico dos Cânticos 1:12:
Enquanto o Rei está à Sua mesa,
O meu nardo exala a sua fragrância.
Quando lemos 1 Reis 4:22-23, 27, encontramos a descrição da mesa de Salomão. É a isso que o texto se refere: à mesa de Salomão.
Lemos sobre a abundância, e a descrição termina com esta frase:
Não deixavam faltar coisa alguma.
A mesa de Salomão era um lugar de absoluta abundância.
Quando vocês leem sobre todas as coisas fornecidas em um único dia, tudo na mesa de Salomão fala de provisão completa e abundância absoluta. Era por esse lugar que ela ansiava.
Aqui está a evidência do amor despertado: algo é despertado em nós, de modo que passamos a desejar estar à Sua mesa.
Temos uma mesa que supera em muito a mesa de Salomão. A mesa de Salomão é a maior mesa da Bíblia em termos de abundância — pelo menos no Antigo Testamento. Nada pode superar sua abundância.
Mas, quando lemos 1 Coríntios 10, o texto fala da mesa do Senhor. Essa refeição, tão escassa aos olhos de alguns, é o lugar da abundância.
Deus, em Seu Filho, nos deu tudo, esgotou tudo, tomou tudo e reuniu tudo em uma única coisa — Seu Filho — e nos deu o Seu Filho. No Seu Filho está a abundância.
Então, chegamos a essa mesa em que temos prazer e dizemos: “Senhor, este é o nosso lugar”. Isso é uma evidência do amor despertado.
Vocês amam a mesa? Ou dizem, como alguns: “Bem, vamos fazer isso apenas uma vez por trimestre. Está ficando um pouco trabalhoso demais”?
Mas, quando olhamos para a igreja primitiva, vemos que isso a caracterizava. Eles partiam o pão de casa em casa. Quando lemos que Paulo foi a Trôade, o texto diz:
No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão.
Era por isso que se reuniam. Era um testemunho. Talvez não seja um testemunho para aqueles que não compreendem, mas é, pelo menos, um testemunho para os céus, e é um testemunho para aqueles que compreendem que essa mesa é o nosso lugar — o lugar da Sua provisão e o lugar da Sua abundância.
Há mais coisas que poderíamos examinar, mas não temos tempo. Por um momento, quero falar sobre a finalidade do amor despertado.
Abram em Cântico dos Cânticos 2. No início do capítulo 2, primeiro ouvimos a jovem falar. Algumas pessoas pensam que é o Rei quem está falando, mas não é. É a jovem.
Ela diz:
Eu sou a rosa de Sarom,
O lírio dos vales.
Depois, ouvimos o Rei falar:
Como o lírio entre os espinhos,
Assim é a Minha amada entre as filhas.
Então, a jovem fala novamente:
Como a macieira entre as árvores do bosque,
Assim é o meu Amado entre os filhos.
Essa é a dificuldade com Cântico dos Cânticos. As pessoas ficam confusas, e acho que algumas não o leem porque não entendem quem afinal está falando.
Mas, à medida que trocam essas expressões de amor, essa comunhão e esse afeto nupcial, vocês começam a ver a plenitude desse relacionamento.
Depois, está escrito em Cântico dos Cânticos 2:4:
Ele me levou à Sua casa do vinho,
E o Seu estandarte sobre mim é o amor.
Algumas das versões de vocês dizem:
Ele me levou à Sua casa do banquete,
E o Seu estandarte sobre mim é o amor.
Essa é a minha versão favorita desse trecho.
Vejam o fim de Cântico dos Cânticos 2:3. Voltem um pouco:
À Sua sombra tenho êxtase e me assento.
É assim que esse amor despertado é intenso. Nas palavras da jovem:
À Sua sombra tenho êxtase e me assento.
Agora, para a maioria de nós, “arrebatamento” é um acontecimento. Mas, para a jovem, esse êxtase, esse arrebatamento, era uma Pessoa. Vocês perceberam a diferença?
Tantas pessoas ficam confusas e presas à questão do arrebatamento. Têm todas essas perguntas: quem, quando, onde, como? Estou dizendo a vocês: se simplesmente tiverem esse arrebatamento, tudo o mais se resolverá.
Vocês não precisam se preocupar com quem, como ou quando. Quando Ele é o seu arrebatamento, tudo isso se resolve por si só.
Lembro-me de quando fomos salvos, no Movimento de Jesus. Alguns de vocês, mais jovens, talvez nem saibam o que foi o Movimento de Jesus. Talvez pensem que sou tão velho que isso aconteceu quando o Senhor andava sobre a terra, mas garanto que não foi assim.
Lá nos anos sessenta e setenta, Deus Se moveu pelo Seu Espírito. Vocês ouviram Dana falar sobre isso na conferência.
Lembro-me de que só se falava em arrebatamento. Costumávamos conversar sobre isso: “Arrebatamento hoje? Será hoje?”. Uma vez, eu precisava sair para evangelizar e fui encontrar alguns dos irmãos com quem estava, mas não consegui encontrá-los. Eles não estavam onde haviam dito que estariam.
Pensei: “Meu Deus, perdi o arrebatamento. Eles me deixaram aqui”. Que pânico!
Lembro-me de que eu tinha um pequeno Renault Dauphine. Felizmente, esses carros desapareceram para sempre. Não era muito mais do que uma bolha movida a elástico.
Aquele pequeno Renault tinha adesivos por toda parte. Eu tinha um que dizia: “Jesus para presidente”. Acho que deveríamos trazer esse de volta para esta época.
Depois, havia outro: “Em caso de arrebatamento, este carro ficará sem motorista”. O arrebatamento era tudo.
Mas, se vocês puderem ouvir o encargo que o Senhor colocou no meu coração:
À Sua sombra tenho êxtase.
Que diferença! Essa é a finalidade do amor despertado.
Há outra coisa. Uma pequena frase aparece duas vezes em Cântico dos Cânticos: no fim de Cântico dos Cânticos 2:5 e novamente, creio, em Cântico dos Cânticos 5:8:
Porque estou enferma de amor.
Algumas das versões de vocês talvez expressem isso de maneira um pouco diferente. Não significa: “Estou farta e cansada do amor”. Não significa algo como: “Estou farto e cansado de bolo de carne”.
Significa que ela está tomada pelo amor. Essa é a finalidade do despertamento. Ela está tomada pelo amor. Está enferma de amor.
Dizendo de outra maneira: ela sofre de amor. Essa é uma boa enfermidade. Se vocês quiserem ficar enfermos, orem para ficarem enfermos de amor.
Estou enferma de amor.
Essa era a jovem. Essa era a finalidade do amor despertado. Esse era o seu testemunho.
Diante disso, ela concluiu:
O meu Amado é meu, e eu sou Dele.
Vocês conseguem dizer isso de todo o coração? “O meu Amado é meu.” A esse que conquistou vocês — conseguem dizer isso de volta a Ele? Essa é a finalidade do amor despertado.
Esse é o encargo que o Senhor colocou no meu coração nesta primeira mensagem.
O irmão Coates, em seu livro sobre Cântico dos Cânticos — e eu o recomendo —, disse que o significado de este cântico ser o Cântico dos Cânticos está em termos os olhos abertos para ver a excelência suprema de Cristo e amá-Lo.
Esse é o verdadeiro começo daquilo que dá prazer a Deus.
A. W. Tozer, falando sobre a condição da igreja, disse: “Cristo pode ser recebido sem que isso produza algum amor especial por Ele”.
Muitas vezes dizemos: “Você recebeu o Senhor?”, como se Ele fosse um pagamento. “Você recebeu o Senhor?”
Talvez vocês se sintam ofendidos pelo fato de o irmão Tozer não ter essa expressão em alta conta. Ele disse: “Cristo pode ser recebido sem que isso produza algum amor especial por Ele na alma daquele que O recebe”.
Ele disse: “Quero encorajar deliberadamente esse poderoso anseio por Deus”.
Se há uma coisa de que precisamos, é disso que precisamos. Isso nos capacitará a prosseguir rumo ao alvo.
Sua primeira reação talvez seja: “Impossível”. Gosto do que li no livro do irmão Nee. Ele disse: “Em nós mesmos, temos uma medida insuficiente de força para essa busca árdua”.
Mas, assim como no caso do jovem rico, lembrem-se da palavra que nos foi recordada na conferência:
Impossível para os homens; possível para Deus.
Levem isso desta mensagem.
É para isso que somos chamados: afeto nupcial, amor despertado. Impossível para vocês, mas possível com Ele.
Que o Senhor desperte em nós esse mesmo amor e essa mesma resposta.
Senhor, entregamos estes pensamentos a Ti. Não queremos ser apenas aqueles que adquiriram conhecimento a Teu respeito ao longo dos anos, mas queremos ser aqueles que estão tão cativados pela Tua beleza, tão cativados pelo Teu amor, que não conseguem viver sem Ti.
Tu és tudo para nós. Oramos para que faças nascer em nós esse amor despertado e para que encontres em nós um povo com essa resposta.
Somente isso Te agradará. Foi para isso que Tu vieste. Foi por isso que Tu deste tudo. Oramos para que faças isso em nós, no nome do Senhor Jesus. Amém.