Gostaria de ler algumas passagens das Escrituras, começando pelo tema desta conferência.
Em Filipenses 3, vou ler apenas dois versículos: Filipenses 3:13-14.
Irmãos, quanto a mim, não julgo que já o tenha alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Depois, gostaria de ler um único versículo do Evangelho de João, João 16:33.
Tenho-vos dito estas coisas, para que em Mim tenhais paz. No mundo tendes tribulações; mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Agora, em Apocalipse, o último livro da Bíblia, Apocalipse 21:7:
Quem vencer herdará estas coisas; e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho.
No mesmo livro, Apocalipse 3:21-22:
Ao que vencer, concederei que se assente Comigo no Meu trono, assim como Eu também venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Amado Senhor, somos tão gratos por estarmos aqui em Tua presença nesta noite. Agradecemos novamente por estas crianças e pelo que recebemos por meio delas ao ouvi-las cantar — pela bênção que isso foi, Senhor. Nós Te agradecemos.
Pedimos que abençoes essas crianças. Faz delas verdadeiros Daniéis, Senhor, nos anos que estão por vir. Oramos por nós mesmos, Senhor. Estamos entrando em um período de turbulência sem precedentes no mundo e também neste país. Senhor, pedimos que tenhas misericórdia de nós e nos concedas ser também Daniéis em tempos de muitas dificuldades e problemas.
Senhor, chegamos a esta última ocasião de ministração, nesta noite, e queremos louvar-Te, Senhor, porque providenciaste uma unção para nós: para falar, para traduzir e para ouvir. Pela fé, firmamo-nos nessa graça e nesse poder.
Nós Te louvamos porque é por meio da obra consumada do Cordeiro que essa unção nos é dada na Pessoa do Espírito Santo. Agora, juntos, olhamos para Ti, pedindo uma plena medida dessa unção, Senhor, para que possamos ouvir-Te e ver-Te neste momento. Toca o nosso coração, Senhor.
Pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Bem, nesta última noite de ministração, não preciso dizer a vocês que o tema desta conferência tem sido:
Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Ou, como também se pode dizer, da vocação que vem do alto.
Minha responsabilidade tem sido tratar do prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo. Não creio que vou retomar o que já dissemos até aqui, por meio da voz de nós três. Creio que a verdade foi comunicada de maneira viva.
Nesta noite, quero falar sobre um assunto vital, estratégico, importante — especialmente à luz do período da história mundial no qual estamos entrando rapidamente.
Preciso dizer que acredito que os Estados Unidos enfrentarão um período de turbulência sem precedentes nestes próximos anos. Agora, posso estar errado e, se estiver, tenho certeza de que todos vocês vão me lembrar disso. E ficarei muito feliz em estar errado.
Mas minha leitura da situação é que a condição dos Estados Unidos como superpotência chegou ao fim. E isso significará problemas colossais para as minorias em todo o mundo, especialmente para a obra do Senhor em toda a nação.
Não precisamos temer. O Senhor está conosco. Outros impérios surgiram e desapareceram, e a obra do Senhor permaneceu ao longo de todos eles. Uma coisa sabemos de coração: a Palavra de Deus vive e permanece para sempre.
Essa questão de vencer, porém, é estratégica. É de importância vital. Por isso, creio que é importante sublinhar e enfatizar o fato de que precisamos que o Espírito Santo toque o nosso coração.
Não devemos ficar desmoralizados nem deprimidos pelas coisas que começam a acontecer. Pelo contrário, devemos olhar para o Senhor Jesus e conhecer em nossa vida a Sua graça e o Seu poder para vencer.
Preciso chamar a atenção de vocês para aquelas palavras maravilhosas sobre as quais falei ontem de manhã:
Quem vencer herdará estas coisas.
Agora, há uma condição aqui. Se vocês observarem cuidadosamente, “estas coisas” são a capital, a Nova Jerusalém, a cidade santa; a esposa, a noiva de Cristo, a esposa do Cordeiro.
Quem vencer herdará estas coisas.
Não se trata de salvação. Como nosso irmão disse nesta manhã, não cremos que alguém possa perder a salvação. Mas você pode perder a sua herança.
Há uma condição aqui, que o Espírito Santo colocou de maneira amorosa, clara e incisiva nesta declaração:
Quem vencer herdará estas coisas.
Em outras palavras, a natureza estratégica de vencer é enfatizada nesta única declaração, que reúne tudo em si: a esposa do Cordeiro, a noiva de Cristo, a Nova Jerusalém, a capital de Deus nas eras vindouras — não apenas no milênio, mas nas eras vindouras.
Essa cidade não é uma cidade comum. Não há nela um lugar de adoração; ela é, em sua totalidade, um lugar de adoração. É a morada do Todo-Poderoso. É o tabernáculo do Todo-Poderoso. É o Santo dos Santos, no qual Ele habita para sempre.
A partir dessa cidade, Ele realizará tudo o que planeja e propõe para as eras que ainda virão.
Quem vencer herdará estas coisas.
O que é vencer? Boa pergunta. O que é vencer?
Há tantos mal-entendidos sobre essa questão. Algumas pessoas têm a ideia de que os vencedores são uma elite, uns poucos selecionados, escolhidos por Deus.
Algumas pessoas têm a ideia de que ser vencedor é pertencer a uma categoria superior de filhos de Deus: uma espécie de pessoa extraordinária — não normal, mas anormal.
Anos atrás, Angus Kinnear reuniu uma série de mensagens do nosso irmão Watchman Nee e deu ao livro o título A Vida Cristã Normal. Para muitos, muitos cristãos, aquilo era uma vida cristã anormal.
Eles viviam em derrota. Tinham vivido uma vida de fachada, muitas vezes apenas uma rotina religiosa. Descobrir de repente um livro que de fato chamava de normal ouvir o Senhor, obedecer ao Senhor, experimentar a vida do Senhor, saber o que é morrer para ser frutífero e viver no poder da Sua ressurreição — descobrir que isso deveria ser normal foi espantoso para muita gente.
Lembro-me de um presbítero da congregação na qual conheci o Senhor, um homem muito respeitado, que me disse: “Não consigo entender uma palavra do que ele escreveu. Está além da minha compreensão”.
Quando a vida cristã normal está além da compreensão de um diácono de uma igreja batista, a gente naturalmente coça a cabeça.
O que é vencer? Temos a ideia de que ser vencedor é ser alguém esquisito, alguém radical, alguém que passa dos limites, alguém que, de alguma forma, está tão voltado para as coisas do céu que não tem nenhuma utilidade na terra.
O que é vencer? A palavra grega significa simplesmente obter a vitória, superar, prevalecer. Agora, “prevalecer” é uma palavra muito boa. Acho que talvez soe um pouco antiquada para os americanos. É um pouco incomum, não sei, mas “prevalecer” é uma palavra muito boa porque traz consigo a ideia de perseverar e, por fim, sair vitorioso.
Na verdade, a maneira mais simples de entender essa palavra, “vencer”, é dizer que significa sair vitorioso. Superar; sair vitorioso.
Anos atrás, perguntei ao sr. Sparks, em sua casa, que naquela época ficava na Escócia: “O que é vencer?” Lembro-me de que ele olhou para o fogo da lareira e depois levantou os olhos. Olhou para mim por alguns instantes e então voltou a olhar para o fogo.
Então ele disse: “Vencer é estar na corrida, dentro da vontade de Deus, no final”. Nunca me esqueci disso.
É estar na corrida, dentro da vontade de Deus, no final. Você pode ter caído; pode ter fraquezas e falhas muito reais. Mas tem buscado persistentemente o alvo, o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Se posso colocar dessa maneira — espero não ser mal compreendido —, é levar consigo suas falhas e até mesmo os pecados que tanto o assediam, até que o Senhor o liberte, mas sempre prosseguindo para o alvo.
Daqui a pouco, vou dar sustentação a isso com outras coisas que tenho a dizer. Mas tudo o que quero dizer logo de início é isto: o que é vencer? Muito simplesmente, não haverá ninguém que faça parte da esposa do Cordeiro, da noiva de Cristo, que não tenha vencido.
Não haverá ninguém que faça parte da capital de Deus, a Nova Jerusalém, e reine com Cristo nas eras vindouras, que não tenha sido vencedor. Não é algo tão anormal que apenas uns poucos sejam vencedores. É algo que pertence a todo filho de Deus.
Quero fazer outra declaração e procurar explicá-la à medida que avançamos: Deus concedeu toda a graça necessária para que você e eu sejamos vencedores.
É por isso que o Senhor parece ser tão rigoroso nessa questão, como se somente o vencedor fosse herdar essas coisas. Por que Ele é tão severo? Porque providenciou toda a graça necessária para ser vencedor.
Se você não se vale dessa graça, não pode culpar Deus. Não pode dizer que Ele é severo. Você não se valeu daquilo que custou ao Senhor Jesus o sangue da Sua própria vida para prover.
Não é apenas graça que foi providenciada; poder também foi providenciado. Você precisa da capacidade divina para viver a vida cristã? Precisa da capacidade divina para ser transformado à imagem, à semelhança, do Senhor Jesus?
E, o que é muito mais interessante, você precisa da capacidade divina para morrer? Muitas vezes as pessoas vêm a mim e dizem: “Você poderia me dizer qual é a chave da vida cristã?” A chave da vida cristã, na verdade, não é viver. A chave da vida cristã é morrer.
Se você morrer, a vida cuida de si mesma. No momento em que você morre em determinada situação, o poder da Sua ressurreição assume o controle. É espontâneo. Você não precisa produzi-lo. Não precisa orar por ele. Isso acontece no momento em que você morre em determinada situação. A ressurreição acontece imediatamente, de forma espontânea. Você morre; você vive.
A chave para viver a vida cristã é saber como morrer. Você tem o poder divino, a capacidade, para morrer em qualquer situação?
Você conhece aquele relacionamento que considera tão difícil. Conhece aquela situação na igreja que parece impossível. Conhece aquelas circunstâncias que o estão abatendo. Conhece os problemas que considera insolúveis.
A chave de tudo é conhecer a cruz do Senhor Jesus. Pois, quando sabemos o que é morrer, Ele cuida da vida.
No fim das contas, essa questão de vencer é tão simples quanto isso. Agora vou dizer algumas coisas sobre esse assunto. Essa verdade está presente em toda a Bíblia.
Sabe, há dois ou três grandes temas na Bíblia. Um desses temas é a redenção: o Redentor, a obra da redenção, os redimidos. É como um cordão de três dobras que percorre a Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Está em toda parte. É um grande tema da Bíblia.
A questão da salvação está nos primeiros capítulos do primeiro livro da Bíblia e está nos últimos capítulos do último livro da Bíblia. Ao longo de toda ela, você vê o processo da salvação. Está em toda parte. Esse é um grande tema.
Agora, aqui está outro grande tema, tão importante quanto aquele: o propósito eterno de Deus. A redenção de Deus, Sua obra redentora, a salvação de Deus, não é um fim em si mesma. É um meio para um fim.
É o meio — um meio glorioso, um meio poderoso. Uma graça insondável providenciou esse meio pelo qual Deus toma você, um pecador sem esperança, cheio de distorções, complexo, basicamente sem solução, salva você e o coloca de volta no propósito eterno de Deus.
Você está de volta à corrida. Antes, nem sequer estava na corrida. A salvação, por si só, pode apenas fazer você começar a corrida. Mas ali está você: no percurso, na corrida, guardando a fé.
Sua salvação é um meio para um fim: levá-lo ao alvo, levá-lo ao prêmio da soberana vocação de Deus no Messias, Jesus.
Para onde quer que você olhe, encontrará esse grande tema. Ele está em cada um dos sessenta e seis livros da Bíblia. Começa em Gênesis; termina em Apocalipse. Falei sobre isso na primeira noite em que ministrei, por isso não vou retomar o assunto.
Mas o que quero dizer é isto: vencer é um importante tema de apoio a esse tema do propósito eterno de Deus.
Você encontrará o tema de vencer em toda parte, de Gênesis até Apocalipse. Não importa para onde se volte. As palavras simples que Deus usou logo no princípio, quando disse “dominai”, têm tudo a ver com vencer.
Quando Ele disse “enchei a terra”, empregou uma palavra muito interessante, que também pode trazer a ideia de tornar a encher. Não vou entrar nisso porque acho que poderíamos cair em muita especulação. Mas o que o Senhor quis dizer com “tornai a encher a terra”? Por que ela precisava ser novamente preenchida? Muito interessante.
Será que isso significava que Adão e Eva, embora sem pecado, em um mundo que era bom aos olhos de Deus, criado por Deus, estavam ainda em meio a uma exuberância de vida? Tendemos a pensar que tudo estava em seu devido lugar. Não havia doença. É claro, isso está certo.
Não havia ervas daninhas, embora nossos bons amigos de Halford House, que eram botânicos eminentes, sempre me repreendessem quando eu usava a expressão “erva daninha”. Eles diziam: “Não existe erva daninha. Toda erva daninha é uma planta. Quando uma planta está no lugar errado, ela é uma erva daninha”.
Essa é uma observação muito interessante. Mas, voltando ao nosso assunto: o que Adão e Eva deveriam fazer?
Vocês não acham que, quando Deus criou uma área de cultivo — Ele criou um jardim em meio àquela exuberância de vida — e lhes disse “agora cultivem-no; guardem-no”, Seu propósito original era que eles acrescentassem uma área de cultivo, depois outra, depois outra, até que, no fim, tivessem preenchido toda a terra? Talvez isso seja especulação.
O que sabemos é isto: havia a necessidade de vencer desde o princípio. Para onde quer que você vá a partir dali, encontrará esse tema.
Deixem-me ler isso em poucas palavras. Quando Deus escolheu a descendência de Abraão para ser uma nação especial, Ele disse, em Deuteronômio 28 — vou ler a parte final de Deuteronômio 28:12-13:
E emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado. E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás por cima, e não por baixo; se obedeceres aos mandamentos do Senhor, teu Deus, que hoje te ordeno.
Não é interessante? Você será cabeça, não cauda. Estará por cima, e não por baixo — somente por cima. Não é uma declaração interessante?
Esse capítulo começa com isto: vocês serão uma nação como nenhuma outra. Esse é o pensamento de Deus. Trata-se de vencer. Vocês estarão por cima, e não por baixo. Serão cabeça, e não cauda. Emprestarão, mas não tomarão emprestado. Não estarão comprometidos. Não estarão nas mãos do mundo nem daqueles que não conhecem a Deus.
Para onde quer que você se volte neste Livro, encontrará essa questão de vencer. Quando chega ao livro de Apocalipse, tudo é resumido nos três primeiros capítulos — em Apocalipse 2 e Apocalipse 3.
O Messias ressurreto e glorificado está no meio de sete igrejas. A cada uma dessas igrejas, Ele diz a mesma coisa:
Ao que vencer.
E repete o mesmo refrão:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Antes de chegar a todas as outras grandes visões e a todo o panorama da história mundial, especialmente aos últimos acontecimentos desta era, você encontra essas sete igrejas. No meio delas está o Messias ressurreto e glorificado: a Cabeça da igreja, o Salvador do corpo.
Ele está falando àquelas sete igrejas, que representam toda a igreja de Deus na terra, no tempo e no espaço. Quer você entenda isso historicamente, quer entenda simplesmente que Ele está falando a toda a igreja de Deus ao longo do tempo e em todos os lugares da terra, Ele diz a mesma coisa:
Quem vencer.
Quando chega ao final do livro de Apocalipse, você encontra exatamente a mesma coisa:
Quem vencer herdará estas coisas; e Eu serei seu Deus, e ele será Meu filho.
No meio do livro de Apocalipse, em Apocalipse 12:11, encontramos estas palavras:
E eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro, e por causa da palavra do seu testemunho; e não amaram a sua vida até a morte.
Portanto, toda essa questão é resumida, como seria de esperar, no último livro da Bíblia. Ela é tão estrategicamente importante que o Espírito Santo retoma todo o assunto no final e não deixa ninguém escapar.
Ninguém jamais vencerá Satanás e suas obras a não ser pelo sangue do Cordeiro. É a obra consumada do Senhor Jesus — não nossas boas obras, não nossa devoção, não nosso conhecimento, nenhuma dessas coisas. É pelo sangue do Cordeiro.
Essa foi a única maneira pela qual o anjo da morte foi vencido quando Deus visitou o Egito e tomou o primogênito de cada família. Foi pelo sangue do Cordeiro.
Mas há também a palavra do nosso testemunho. A palavra “testemunho” é usada de maneira peculiar no livro de Apocalipse: o testemunho de Jesus. Está em toda parte — a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus.
Aqui, é quase como se essas coisas fossem reunidas: a palavra do seu testemunho. É claro que isso não significa exatamente o mesmo que a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus, mas significa o seguinte: você só vence quando confessa com seus lábios aquilo que é a verdade absoluta.
Quando as pessoas ficam hesitando — quando tudo é “pode ser”, “talvez” e “ah, será que Tu poderias?” —, não há vitória. Mas, no momento em que você diz “sou salvo pela graça de Deus”, há um testemunho em seu espírito, pelo Espírito Santo: você é filho de Deus.
Quando você diz:
Tudo posso em Cristo, Que me fortalece.
Há um testemunho em seu espírito, juntamente com o Espírito Santo, de que você pode todas as coisas em Cristo. É quando você dá esse passo de fé.
Não é ficar hesitando: “Ah, por favor, por favor, ajuda-me, ajuda-me. Não tenho jeito”. Todos nós sabemos que você não tem jeito. Quero dizer, quem tem?
Vocês percebem que o Espírito Santo leva anos para nos fazer chegar ao ponto de perder toda a esperança em nós mesmos? Sei que há muitíssimo sobre esperança na Palavra de Deus, mas o Espírito Santo trabalha, trabalha e trabalha para levar um filho de Deus ao lugar em que ele não confia em sua capacidade, não confia em sua origem, não confia naquilo que é.
Esse é o testemunho do apóstolo Paulo:
Circuncidado ao oitavo dia, da tribo de Benjamim, fariseu dos fariseus.
E há toda aquela lista que ele apresenta. “Eu sabia que aquilo não era nada”, disse ele.
Tenho considerado tudo como refugo, para que possa ganhar o Messias.
A palavra do seu testemunho — prestem atenção nisso. Toda vez que você transforma as promessas de Deus em uma declaração, o Espírito Santo começa a cumpri-las. Talvez você precise de paciência e fé — fé e paciência para herdar as promessas. É uma necessidade divina.
Gostaria de poder dizer muito mais sobre isso, mas acho muito interessante. Temos duas coisas: eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do seu testemunho.
Então vem essa pequena palavra, que faz parte da declaração, dessa única frase, e não é apresentada da mesma maneira. Não diz: “E porque não amaram a sua vida”. Diz:
E não amaram a sua vida até a morte.
Em outras palavras, na base de tudo está uma decisão deliberada, tomada a sangue-frio, de abrir mão da vida do eu. Entregue-a. Abra mão dela. Diga adeus a ela.
E não amaram a sua vida até a morte.
A palavra “vida” aqui, em grego, é psuchē, que significa a vida do eu, a vida da alma: você, aquilo que é em si mesmo. Não vou entrar em tudo isso — espírito, alma e corpo —, mas trata-se da vida do eu.
Todo o nosso problema está na vida do eu: nossa ambição, nossos ciúmes, nossas rivalidades, nossa maledicência, nossa capacidade de, de alguma maneira, diminuir os outros para nos exaltar. Tudo isso faz parte da vida do eu: a promoção da vida do eu, a edificação da vida do eu, a proteção da vida do eu.
Isso não é impressionante? O que é vencer? Querido irmão, querida irmã, querida família de Deus: vencer a vida do eu é o maior problema individual que qualquer filho de Deus enfrenta.
É o problema que explica por que a vida cristã não é vivida. É o problema que impede alguém de ser transformado à semelhança do Senhor Jesus. É o problema que está na raiz de milhares de divisões na vida da igreja — facções e muitas outras coisas que poderíamos mencionar.
É o problema que está na raiz da obra cristã quando aquilo que começou no Espírito termina na carne. Tudo tem a ver com a vida do eu: uma vida do eu retida, abraçada, amada, preservada.
Vocês acham isso demais?
A vitória começa no momento em que você e eu abrimos mão dessa vida do eu. Nesse momento, pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo, você se tornou vencedor: pelo sangue do Cordeiro, pela palavra do seu testemunho e porque não ama a si mesmo — você entregou essa vida do eu à morte.
Agora você me diz: “Ah, você está estabelecendo um padrão tão elevado. Por que precisávamos ouvir isso na última noite? Precisávamos de algo mais consolador, de algo que nos mimasse um pouco. Não gostamos de usar essa palavra, mas você poderia ser um pouco mais bondoso conosco nessa questão”.
Você poderia dizer: “Atravessamos estes dias, e eles têm sido muito abençoados até agora; conseguimos lidar com a verdade até aqui. Mas falar dessa maneira sobre vencer é realmente… Como assim, você quer dizer que nem uma única pessoa neste auditório, nesta noite, está dispensada de se tornar vencedora?”
Sim, é isso que quero dizer. Nem uma única pessoa. A menos, é claro, que haja aqui nesta noite pessoas que ainda não são salvas. Mas toda pessoa neste auditório, nesta congregação — como vocês preferirem chamar — que foi salva pela graça de Deus e nasceu do Espírito de Deus, nenhum de vocês está dispensado de vencer.
O chamado para vencer está incorporado à sua salvação. O chamado para vencer está incorporado à própria vida que chamamos de vida cristã — a vida de Cristo que lhe foi dada.
Você pode transformar a vida de Cristo em uma condição de morte espiritual se não aprender a morrer. Então, como eu disse antes, a vida cristã floresce.
Quando olhamos para este Livro, este Livro incrível que chamamos de Bíblia, esta revelação do coração e da mente de Deus, encontramos, em um único capítulo de um livro chamado Carta aos Hebreus, uma lista inteira de vencedores.
É Hebreus 11. Por incrível que pareça, todos nessa lista venceram pela fé dada por Deus: fé viva, fé ativa, fé operante, fé que os uniu ao Senhor.
Tendemos a pensar que esses heróis estão muito além de nós. Abraão — mas ele não estava além de nós. Vocês sabem que ele aparece aqui como um dos grandes vencedores dessa lista? E sabem que ele mentiu duas vezes? Mentiu deliberadamente sobre sua esposa, Sara.
Agora, na primeira vez, podemos desculpá-lo, mas na segunda? Sabemos que Sara era muito bonita. É incrível. Abraão era um vencedor.
Em nossa tradição judaica, entendemos que Abraão vinha de uma das grandes famílias aristocráticas governantes de Ur dos caldeus — o complexo de cidades de Babel. Sua família era responsável pelo negócio de fabricação de ídolos, um negócio muito lucrativo. Segundo a tradição judaica, Abraão era um dos melhores vendedores.
Até o dia em que o Deus vivo Se revelou a ele. Naquele momento, seu negócio morreu, e ele morreu. Nunca mais foi o mesmo.
Quando viu o Deus da glória, viu, no Deus da glória, o Messias da glória. Não apenas viu o Messias da glória; viu também a cidade da glória. Toda a sua vida tomou outra direção. Nunca mais foi o mesmo.
Em vez de um grande vendedor, tornou-se um nômade, de modo que os teólogos liberais podem chamá-lo de um pastor beduíno malcheiroso, analfabeto e sem higiene. Saiu sem saber para onde ia. Era um vencedor.
Tudo o que tinha era uma visitação de Deus, a Palavra de Deus e fé viva. E tornou-se vencedor. Mas não pensem, nem por um instante, que isso significa que ele pertencia a uma categoria superior de elite. Ele caiu.
A primeira vez em que caiu, no episódio com o faraó, é compreensível — Sara era muito bonita. Acho, sinceramente, que Abraão gostou de voltar ao suntuoso palácio do faraó, ao padrão de vida ao qual estivera acostumado antes. Não queria criar dificuldades.
Então disse a Sara: “Olhe, você é minha meia-irmã, por isso vamos dizer apenas que é minha irmã”. Conheço o restante da história. Mas, na segunda vez, com Abimeleque — Abimeleque! —, quero dizer, isso é algo que não conseguimos explicar. Ele fez tudo de novo.
Ainda assim, está no Livro como vencedor. Entendo que ele confessou, arrependeu-se e está ali como vencedor.
Agora, eu poderia continuar e continuar. Poderia falar de Jacó. O nome Jacó significa “enganador”. Ele era um enganador — um extraordinário enganador. Sabia exatamente como manipular todos os que apareciam. Tinha esse tipo de habilidade para os negócios. Sabia identificar uma oportunidade e aproveitá-la.
Não deu nenhuma chance ao pobre irmão gêmeo. Aliás, por que estava preparando um ensopado que sabia que o irmão gostava? Muito interessante, não é? Será que sabia que o irmão estava por perto? Sabia que ele poderia chegar? Não sei. Isso não está na Palavra; isso também é especulação.
Mas o que sei é isto: ele enganou o irmão e lhe tirou o direito de primogenitura; mais tarde, enganou o irmão e lhe tirou a bênção. Enganou seu velho pai, que estava quase cego.
Bem, não vou contar toda a história de Jacó, mas a coisa maravilhosa é esta: foi Jacó quem apareceu na lista como vencedor. Esse homem, de quem menos esperaríamos que algum dia visse a face de Deus, porque o Senhor Jesus disse:
Os puros de coração verão a Deus.
É impressionante que esse homem, tão, tão ligado a este mundo, tivesse esse problema dentro de si. Deus o levou ao fim de si mesmo. A Escritura diz de maneira tão simples:
E Jacó ficou só.
Quando Jacó finalmente ficou sozinho, o Senhor o encontrou e lutou com ele. Vocês não acham que o Senhor poderia tê-lo derrubado com um único golpe? É claro.
Vocês realmente acreditam que Jacó levou a melhor sobre o Senhor? Ah, como o Senhor é maravilhoso. Ele Se fez fraco para que Jacó pudesse derrubá-Lo e mantê-Lo preso em um abraço de luta, sem deixá-Lo ir. O próprio Senhor precisou dizer:
Deixa-Me ir. Deixa-Me ir.
Como se o Senhor precisasse de Jacó! Um único golpe, e Jacó teria ficado cego, paralisado, acabado.
Em vez disso, Deus tocou no ponto de força de sua perna, e ele mancou pelo resto da vida. Era um vencedor. Ele disse:
Vi a face de Deus, e minha vida foi preservada.
Isso não é impressionante? Devo continuar? Quero dizer, a lista não tem fim.
Sabem qual é, em meu entendimento, uma das imagens mais belas de Jacó? É quando ele chegou ao Egito, e o maior soberano da maior superpotência daquela época viu em Jacó algo que nunca tinha visto em outro ser humano e disse: “Abençoe-me”.
Jacó abençoou o faraó. Quando Jacó morreu, foi decretado um funeral de Estado. Até hoje, o lugar onde aconteceu esse funeral de Estado de Jacó ainda é chamado de Abel-Mizraim, o campo do Egito. Vencedor — vocês conseguem acreditar?
Se há alguém aqui cheio de distorções, imagino que haja vários. Alguém aqui cheio de distorções — você tem problemas com isso, não consegue evitar, tenta reprimir, e quanto mais reprime, mais isso aparece.
Isso não é impressionante? Jacó tinha um grande desejo: fome espiritual. Apesar de todas as suas distorções, Deus finalmente o transformou.
Ou pensem em José. José era tão puro, tão diferente de seu pai, Jacó. Mas tinha um problema que não sei se Jacó tinha: era arrogante.
Ele se gabava dos sonhos que tivera, nos quais tudo se curvava diante dele. É claro que os sonhos estavam absolutamente certos e vinham de Deus. Essa é a parte interessante.
Vocês conhecem a história: seus próprios irmãos o venderam como escravo, ele foi parar no Egito e acabou em uma masmorra. Ali, no Salmo 105 — acho que é 105 ou 103; não, acho que é 105, mas vocês mesmos podem conferir —, está escrito:
Até ao tempo em que se cumpriu a sua palavra, a palavra do Senhor o provou. Feriram-lhe os pés com grilhões; ele foi posto em cadeias de ferro.
Acho que essa é uma percepção profética extraordinária do que aconteceu no interior de José. O que significa “a palavra do Senhor o provou”? Era a palavra que Deus lhe dera, da qual ele havia se gabado: que seria grande, que tudo se curvaria diante dele e que se tornaria, por assim dizer, o libertador e salvador de todos.
A palavra do Senhor o provou. Vocês não acham que Satanás veio a ele naquelas horas, naqueles meses na masmorra, e disse: “Bem, aí está o resultado daquela palavra que você recebeu e achou que vinha do Senhor. Seus irmãos tinham razão. Você não passava de um presunçoso”.
E o ferro entrou em sua alma. Em hebraico, é exatamente isso: o ferro entrou em sua alma.
Vocês conhecem o restante da história. Ele ascendeu e se tornou o grande, o maior, o mais poderoso homem de todo o Egito depois do faraó. Tornou-se o salvador do Egito e o salvador de seu próprio povo. Que história impressionante.
Eu poderia continuar e continuar. Poderia falar de Moisés, de como foi salvo. Ele foi tirado da água. Era vencedor desde o princípio. Vocês conseguem acreditar nisso? Seu próprio nome, Moisés, significa “tirado”. Era vencedor desde o princípio.
O mais impressionante é que, quando chegou à idade adulta — no final da adolescência ou no início dos vinte anos —, recusou-se a ser chamado neto do faraó, escolhendo antes sofrer aflição com o povo de Deus. Era um vencedor.
Não sei para onde mais me voltar. Todos eles estão aqui no Livro. Bem, alguém diz: “Esses de quem você falou não são tão ruins assim”. Ah, então vou lhes dar um exemplo: Sansão.
Que pessoa deplorável era Sansão. Ah, fisicamente ele era extraordinário, mas, moral e eticamente — o que era Sansão? Ainda assim, está nessa lista de vencedores. Pela graça de Deus, por meio da fé, tornou-se, no fim, vencedor.
Ou penso em Davi, o suave salmista de Israel. Como Davi era extraordinário, e como foi profunda a sua queda. De todos os vencedores, ninguém caiu tão profundamente quanto Davi.
Ele planejou o assassinato de um servo fiel para ficar com a esposa desse servo. Ainda assim, Davi também é vencedor.
Bem, é melhor eu parar. Penso nas crianças. Elas cantaram para nós sobre Daniel. Penso em Daniel com frequência. Estamos vivendo em condições muito semelhantes. Não é interessante que estejamos vendo aquilo que ele viu? Estamos realmente vendo isso tomar forma diante dos nossos olhos. Impressionante.
Vocês sabem que era costume tomar os filhos da nobreza e da realeza e castrá-los para que pudessem entrar no serviço imperial? Isso significava que Daniel era eunuco. É por isso que não temos registro de esposa ou filhos.
Incrível. E ali, na Palavra, está escrito que um eunuco não entraria na casa do Senhor até a terceira ou quarta geração. Fico pensando se, às vezes, Satanás vinha a Daniel e dizia: “Você é amaldiçoado. Não adianta tentar ser alguma coisa”.
Ainda assim, o extraordinário em Daniel é que ele se recusou a fazer concessões. Manteve-se fiel à alimentação kosher em meio a todas as provações e passou de uma posição para outra, depois para outra, até que, no fim, estava ao lado do sultão — do imperador, o homem mais poderoso do Império Persa.
Por causa dessa fidelidade e da graça e do poder para vencer, Daniel pôde supervisionar o retorno dos judeus a Jerusalém. Ele viveu mais dois anos depois do retorno deles. Seu túmulo ainda está na Pérsia, no Irã, até hoje.
Por que ele não voltou com eles? Porque esse homem amado, que era tão vencedor, entregou sua vida ao longo de todo o caminho e se recusou a contrariar qualquer parte da lei de Deus. Em minha avaliação, ele queria garantir que, quando eles voltassem à terra, não surgisse nenhum problema.
Vencedores — isso significa, querido filho de Deus, que você não tem desculpa. Eu não tenho desculpa. A mesma graça está disponível para você como estava para eles, e o mesmo poder está disponível para você como estava para eles. Todos nós somos indesculpáveis.
Isso me leva adiante — e preciso me controlar. Sei que disseram que eu poderia continuar por mais tempo, mas imagino que vocês estejam mais cansados.
Vocês não acham impressionante o que eu disse sobre essas diferentes pessoas? Acho isso encorajador.
Ainda mais notáveis são as palavras do nosso Senhor Jesus. “Em Mim” — ouçam com atenção:
Em Mim tenhais paz. No mundo tendes tribulações; mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Agora, acho isso muito interessante por várias razões. Aqui está a primeira: vocês perceberam que Ele diz “para que em Mim tenhais paz”? Isso significa que há uma escolha. Alguns cristãos nem sequer encontram a paz. Ela está ali, disponível Nele.
“Vocês podem ter paz.” Quanto ao mundo, Ele não disse: “Talvez vocês tenham tribulação”. Disse: “Vocês têm tribulação”. Isso é uma certeza. No mundo vocês têm tribulação, mas Nele podem ter paz.
Anos atrás, hospedei-me com uma senhora que possuía um título de nobreza na Grã-Bretanha. Alguns de vocês a conhecem: Lady Ogle — Daisy, Lady Ogle. Era uma irmã e serva do Senhor extraordinária.
Eu estava me recuperando de uma enfermidade em sua bela casa, com vista para a Floresta de Ashdown, no sul da Inglaterra. Vi na parede, em um pequeno pedaço de madeira com casca — um pedaço de galho polido de um lado, mas ainda com a casca ao redor —, estas palavras pintadas de azul:
A Minha paz vos dou.
Pensei comigo mesmo — vejam só como eu era arrogante: “Que banal. ‘A Minha paz vos dou.’ Será que ela não poderia ter encontrado um texto melhor para colocar na parede?”
Fiquei olhando para aquilo por algum tempo, pensando que havia tantas passagens maravilhosas das Escrituras que poderiam ser colocadas na parede, e ali estava aquele pedaço de madeira desgastada naquela bela casa.
Pouco depois, ela entrou no cômodo e disse: “Espero que você esteja se sentindo em casa”. “Sim, estou”, respondi, “mas tenho uma pergunta”. “Sim”, disse ela, “qual é?”
Eu disse: “Não entendo por que você colocou esse texto na parede”. Agora, ela era muito bondosa, e eu era muito arrogante.
Ela disse: “Ah, esse é um trabalho de Amy Carmichael — Amy Carmichael, de Dohnavur, no sul da Índia. Foi ela mesma quem pintou”.
“Mas”, continuou, “ela o pintou porque esse pequeno versículo tem um significado tremendo para mim. Passei por um período terrível de tribulação. Não conseguia encontrar paz. Sabia que o Senhor é paz, mas não conseguia encontrá-la.”
“Em meu desespero, clamei ao Senhor”, disse ela, “mas Ele não me respondeu. Naquela noite, porém, estas palavras vieram claramente ao meu coração:
Deixo-vos a paz. A Minha paz vos dou.”
Ela disse: “Num instante, eu vi. A paz que Ele nos deixa não é a paz Dele; Ele nunca precisou dela. É a paz de ter os pecados perdoados. Eu precisava dessa paz”.
“Mas, de repente”, disse ela, “entendi:
A Minha paz vos dou.
A mesma paz que Ele tinha no Getsêmani, quando foi provado ao extremo e disse:
Não seja como Eu quero, mas como Tu queres.”
“A mesma paz”, disse ela, “que Ele teve na cruz, quando, depois de clamar:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Ele disse:
Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito.”
Ela disse: “Naquele momento, a paz Dele inundou todo o meu ser, e nunca mais fui a mesma”.
Sabem, eu me senti péssimo. Nunca lhe contei — agora, na glória, ela deve saber —, mas nunca lhe contei o que eu havia pensado sobre aquele pequeno texto na parede, como o havia considerado banal.
Pensei: “Vou lhe dizer quem é banal: você. Sou eu. Eu é que sou banal”. Como pude pensar “isso é tão banal”? Eu não sabia o que havia por trás daquilo.
Paz.
Em Mim tenhais paz.
Você pode se agarrar ao seu problema, à sua agonia e a tudo o mais, mas, se quiser a paz Dele, ela está ali.
Em Mim tenhais paz. No mundo tendes tribulações.
Essa é a primeira coisa. Aqui está a segunda:
Mas tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Agora, mais uma vez, preciso dizer que às vezes há arrogância em meu coração. Pensei comigo mesmo: “Bem, por que o Senhor disse isso? Quero dizer, é quase como se agora estivesse zombando de nós: ‘Tende bom ânimo; Eu venci o mundo’”.
Mas esse não é o ponto. Somos nós. Nós é que devemos vencer o mundo. Por que Ele disse “Eu venci o mundo”? Ele nunca disse: “Eu venci o mundo; portanto, vocês também podem vencer o mundo”. Nunca disse isso. Apenas disse:
Tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Por que Ele disse isso? Por que não disse: “Olhem para Mim, e vocês se tornarão vencedores”? Não. Ele disse:
Tende bom ânimo; Eu venci o mundo.
Num instante, eu vi. Não é maravilhoso quando o Espírito Santo abre os olhos do nosso coração, e aquilo que não conseguimos entender, em um único instante, entendemos?
No momento em que Ele abriu meus olhos, eu vi: Ele é o Vencedor, não eu. Quando Ele entra em mim, e eu obedeço à lei do Espírito da vida em Cristo Jesus, torno-me vencedor. Vocês entendem? Digo: isso não é maravilhoso?
A chave para vencer está no hino que Ben leu para nós nesta noite: “Deixem entrar o Vencedor, e Ele vencerá em nós”.
O Senhor Jesus venceu muito mais do que você e eu jamais teremos de vencer. Todos os poderes das trevas e do mal, todas as hostes de Satanás, concentraram-se em destruí-Lo e frustrar o propósito de Deus que Ele deveria cumprir.
Você e eu nunca teremos de enfrentar nada semelhante ao que o Senhor Jesus enfrentou. Ele venceu. E, em nós, Ele pode ser o Vencedor.
Há uma pequena expressão em Efésios, na Carta aos Efésios, em Efésios 3:20. Deixem-me lê-la para vocês:
Ora, Àquele Que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós.
Acho que a maioria de nós fica tão entusiasmada com isto:
Ora, Àquele Que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos.
Que não presta atenção à expressão seguinte:
Segundo o poder que opera em nós.
Segundo o poder que opera em nós. Aqui está o Vencedor. Ele é o Vencedor. Ele é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós.
Você percebe que o Vencedor está em você? Percebe que esse poder está ali para operar em você? Sabe que o Senhor pode fazer infinitamente mais do que tudo o que você pediu ou até mesmo pensou, segundo esse poder que opera em você?
Bem, deixem-me levá-los um passo adiante. Se olharem na mesma Carta aos Efésios, em Efésios 1:19-23, leremos estas palavras maravilhosas:
E qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder, que Ele exerceu em Cristo, quando O ressuscitou dentre os mortos e O fez assentar à Sua direita nos lugares celestiais, muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só nesta era, mas também na vindoura; e sujeitou todas as coisas debaixo dos Seus pés e O deu à igreja como Cabeça sobre todas as coisas, a qual é o Seu corpo, a plenitude Daquele Que a tudo enche em todas as coisas.
Ouçam por um momento. Se você estava dormindo, acorde um pouquinho. Pense nisto por um momento:
A suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos.
Você crê?
Suprema grandeza. O que é essa suprema grandeza? Ela não deve ser medida por suas pobres circunstâncias ou pelas minhas, mas pelo fato de que Ele ressuscitou Jesus dentre os mortos quando todo o reino das trevas estava empenhado em mantê-Lo morto.
Quando Ele O levantou para Se assentar à direita de Deus, muito acima de todo principado e autoridade e de todo nome que se nomeia — acho isso impressionante —, fez Dele Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu corpo, colocando tudo em sujeição debaixo dos Seus pés.
Onde você está? Você está Nele. Se posso dizer isso de maneira um tanto rudimentar, você está entre a Cabeça e os pés.
Tudo está debaixo dos Seus pés, e Ele foi constituído Cabeça sobre todas as coisas para a igreja, que é o Seu corpo. Você está no corpo. Você está Nele.
Digo que isso é realmente impressionante quando pensamos a respeito. Então ele continua. Vejam, temos capítulos e versículos que, na verdade, às vezes nos impedem de compreender a sequência do pensamento.
Ele continua e diz, em Efésios 2:6, que Deus:
Nos ressuscitou juntamente com Ele e nos fez assentar com Ele nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
O que é um vencedor? Um vencedor é alguém que, apesar de toda a atividade do inimigo e de todos os problemas e fraquezas que enfrentamos, tanto fora como dentro de nós, sabe que o Senhor Jesus é o Vencedor.
Acho que já contei esta história a muitos de vocês, mas vou contá-la novamente por causa dos jovens.
Anos atrás, o sr. Sparks me contou que, quando era jovem, tinha uma dúvida sobre qual caminho seguir. Uma das pessoas que significavam muitíssimo para o sr. Sparks em sua juventude era o dr. F. B. Meyer.
Ele perguntou ao dr. F. B. Meyer se poderia marcar uma conversa com ele. Muito gentilmente, o doutor disse: “Sim, esteja em minha casa em tal horário”.
Quando o sr. Sparks chegou, a senhora da casa abriu a porta e disse: “Ah, entre, por favor. O dr. Meyer está esperando você, mas terá de aguardar um pouco. Infelizmente, ele se atrasou”.
Ela o levou ao escritório do dr. F. B. Meyer e lhe indicou uma cadeira. Ele se sentou ali. Era apenas um jovem e começou a olhar todos os livros ao redor, porque estava bastante interessado.
“Quais livros ele tem lido? O que o tornou tão grande? O que lhe deu essa percepção?”
Então, de repente, sobre a lareira, viu um pedaço de madeira com algumas palavras gravadas. A inscrição era dourada, de modo que as palavras brilhavam: “Olhe para baixo”.
Ainda jovem, o sr. Sparks pensou consigo mesmo: “Olhe para baixo? Certamente isso não está certo. Não deveria ser ‘Olhe para cima’?”
Enquanto pensava nisso, a porta se abriu, e o dr. F. B. Meyer entrou. O dr. Meyer o cumprimentou e então disse: “Vejo que aquela frase sobre a lareira chamou um pouco a sua atenção”.
“Sim”, disse o sr. Sparks, “mas não deveria ser ‘Olhe para cima’?”
O dr. F. B. Meyer disse: “Tudo depende da sua posição. Se você está debaixo do problema, precisa olhar para cima. Mas, se está assentado com Cristo nos lugares celestiais, olha para baixo”.
O sr. Sparks nunca se esqueceu daquela conversa. Isso é vencer.
É estar de tal maneira unido ao Senhor Jesus que você olha para baixo. Você está assentado com Ele em meio a cada problema.
Vocês poderiam observar uma coisa naquela grande lista da qual acabei de mencionar um ou dois nomes? Perceberam que, de cada um deles, se diz que viveu “pela fé”?
Não uma fé morta, não uma fé acadêmica, não uma fé religiosa: fé viva, operante, ativa.
Essa é a diferença entre religião e vida espiritual. A diferença é que, quando você recebe fé viva, ativa e operante, ela o une ao Senhor.
Quando você foi criado em um lar cristão, pode estar completamente morto no que diz respeito às coisas espirituais. Sabe tudo. Ouviu tudo desde a infância.
Pode cantar o que eles cantam. Pode orar quase o que eles oram. Pode quase dizer o que a pessoa que vai pregar dirá. Quero dizer, você sabe tudo desde o primeiro leite que bebeu. Tem tudo isso.
Mas a fé viva faz a diferença. Quando a fé viva é concedida a um ser humano, naquele momento ele é unido ao Senhor.
Eles o venceram por causa do sangue do Cordeiro.
Como? Pela fé viva na obra consumada do Senhor Jesus.
Pela palavra do seu testemunho, eles realmente declararam, em fé, aquilo que era verdadeiro. E não amaram a sua vida até a morte.
Ninguém pode abrir mão da vida do eu se não tiver fé viva, ativa e operante. É realmente tão simples quanto isso.
Não é interessante que essas sete igrejas estejam longe de ser perfeitas e belas? Acho que apenas duas se aproximam disso, e mesmo essas têm problemas.
Há nicolaísmo em algumas, clericalismo em outras. Há Jezabéis ensinando as profundezas de Satanás. Há todo tipo de problema terrível.
O que você faz? É em meio a essas circunstâncias. Essas eram igrejas reais. Não eram igrejas denominacionais nem igrejas institucionais — eram igrejas reais.
O que fazemos? Essas igrejas se tornam o canteiro de obras do Espírito de Deus. É ali que a obra de edificação acontece. É ali que tudo é posto à prova.
É ali que precisamos aprender a conhecer Cristo crucificado — Cristo, e Ele crucificado — uns nos outros. É ali que precisamos aprender a lavar os pés uns dos outros.
Mesmo quando há alguns que vão negar o Senhor, ou quando, pior ainda, há um Judas, Jesus lavou os pés deles e disse:
Eu vos deixei o exemplo, para que façais assim uns aos outros.
A vitória é submetida à prova final em circunstâncias assim. Quando tudo vai bem e você tem uma congregação maravilhosa — todos no mesmo espírito, todos crescendo, todos buscando o Senhor, todos centrados no Senhor —, quase não há necessidade de vencer.
Mas, quando você está em uma congregação normal, há toda a necessidade de vencer.
Bem, somente o Senhor pode transformar tudo isso em experiência. Mas essa questão de vencer — estamos enfrentando agora dias, creio eu, como já disse no início, de enorme turbulência e dificuldade —, somente o Espírito de Deus poderá nos conduzir através deles.
Posso citar o sr. Sparks apenas mais uma vez nesta noite? Lembro-me de outra história que ele me contou.
Em sua primeira visita aos Estados Unidos, quando ainda estava no final da adolescência ou no início dos vinte anos, ele foi ver A. B. Simpson.
Quando finalmente se encontraram — é claro, ele era apenas um jovem, e Simpson já era um homem mais velho —, conversaram sobre o que estava acontecendo e sobre o que o sr. Sparks esperava fazer com a própria vida.
Então o sr. Sparks disse ao sr. Simpson: “Sou um homem jovem, e o senhor é um homem idoso. O senhor vê alguma coisa sobre o fim desta era?”
A. B. Simpson pensou por um momento e então disse: “Sim. No fim desta era, haverá uma nova descoberta e revelação da Pessoa e da obra do Espírito Santo”.
Não tenho absolutamente nenhuma dúvida de que A. B. Simpson acertou em cheio. Não há como sermos vencedores sem o Espírito Santo.
É por isso que o Senhor Jesus disse sete vezes às igrejas:
Ao que vencer.
E depois disse:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Vocês estão me entendendo? A chave para vencer é ouvir o que o Espírito está dizendo. Não me refiro àquelas coisas fantasiosas que algumas pessoas dizem que o espírito está falando. Refiro-me ao que o Espírito Santo realmente está dizendo.
Quando Ele toma a Palavra de Deus e a torna viva; quando aplica a Palavra de Deus às nossas situações; quando nos dá entendimento dos tempos em que vivemos; quando o Espírito Santo nos capacita, por meio de ouvi-Lo, a conhecer a Palavra de Deus que habita em nós — precisamos do Espírito Santo.
Será:
Não por força, nem por poder, mas pelo Meu Espírito.
É assim que a obra do Senhor será realizada, que a casa do Senhor será edificada e concluída, e que todo o propósito de Deus chegará ao seu cumprimento final.
Bem, que Ele nos ajude — vencedores, cada um de nós, destinados, pelo nascimento espiritual, a ser vencedores.
Cada um de nós, com o mesmo Salvador e Senhor habitando em nós — o Vencedor.
Cada um de nós tendo à disposição a graça e o poder para ser vencedor nas pequenas coisas e nas grandes coisas.
Somente o Senhor pode fazer isso. Que Ele o faça. Amém.