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    Lambert, Lance

    O Prêmio da Soberana Vocação de Deus

    Vocês poderiam abrir comigo a carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, capítulo 3? Quero ler a partir do versículo 8.

    Sim, na verdade, considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor;
    por Quem sofri a perda de todas as coisas e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo
    e ser achado nEle, não tendo justiça própria, aquela que procede da lei,
    mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus pela fé;
    para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, tornando-me conforme à Sua morte;
    para ver se, de algum modo, posso alcançar a ressurreição dentre os mortos.
    Não que eu já tenha alcançado ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo, para ver se posso alcançar aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus.
    Irmãos, não considero que eu mesmo já o tenha alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,
    prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    —Filipenses 3:8-14

    E gostaria de ler o último livro da Bíblia, Apocalipse, capítulo 21, a partir do versículo 1.

    E vi um novo céu e uma nova terra; porque o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
    E vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu esposo.
    E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis o tabernáculo de Deus com os homens; Ele habitará com eles, e eles serão os Seus povos, e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus;
    e Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima; e a morte já não existirá; nem haverá mais luto, nem pranto, nem dor: as primeiras coisas passaram.
    E Aquele que está sentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
    E disse-me: Estão cumpridas. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tem sede darei gratuitamente da fonte da água da vida.
    Aquele que vencer herdará estas coisas; e Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    —Apocalipse 21:1-7

    Agora, Apocalipse 21:9:

    E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, cheias das sete últimas pragas, e falou comigo, dizendo: Vem cá; mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.
    E levou-me, em espírito, a um grande e alto monte, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, tendo a glória de Deus;
    o seu brilho era semelhante a uma pedra preciosíssima, como uma pedra de jaspe, transparente como cristal;
    tinha uma grande e alta muralha, com doze portas, e, junto às portas, doze anjos; e havia nomes escritos sobre elas, os nomes das doze tribos dos filhos de Israel;
    ao oriente havia três portas; ao norte, três portas; ao sul, três portas; e ao ocidente, três portas.
    E a muralha da cidade tinha doze fundamentos, e sobre eles os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.

    —Apocalipse 21:9-14

    Oração

    Amado Senhor, não seríamos tão insensatos a ponto de pensar que podemos falar sem a unção, ou traduzir sem a unção, ou ouvir a Tua Palavra sem a unção.

    Senhor, não estamos confiando nem dependendo dos nossos talentos, dons, energia natural, capacidade de compreender ou capacidade intelectual. Precisamos de Ti, Senhor. Precisamos de Ti de maneira muito real, para que, Senhor, na unção haja uma revelação do nosso Senhor Jesus.

    Querido Pai, nós Te louvamos pelo Senhor Jesus. Agradecemos porque nEle tudo está centrado, tanto agora como por toda a eternidade.

    E queremos, Senhor, de maneira muito simples, entregar-nos a Ti e firmar-nos pela fé nessa graça, nesse poder e nessa sabedoria da unção que nos foram concedidos por meio da obra consumada do nosso Senhor Jesus, e que se tornam realidade e experiência vivas na Pessoa do Espírito Santo.

    Firmamo-nos pela fé nessa graça e nesse poder, para que fique manifesto que isso não vem de nós mesmos, mas que tudo vem de Ti. Pedimos que uses este breve tempo nesta manhã para alcançar o nosso coração com maior entendimento e maior revelação de Ti mesmo.

    Pedimos tudo isso em nome do nosso Senhor Jesus, o Messias. Teremos todo o cuidado, Pai, de Te dar todo o louvor e toda a gratidão por responderes a esta nossa oração. Amém.

    O Testemunho do Apóstolo Paulo

    Bem, creio que todos vocês sabem que temos tratado dessa passagem da carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, na qual seu testemunho está registrado, em Filipenses 3.

    Já disse, na última vez em que falei, que considero esse testemunho, de longe, o mais notável de todo este Livro. É claro que há testemunhos notáveis por todo este Livro, de Gênesis a Apocalipse. Mas me parece que esse testemunho do apóstolo Paulo é o mais extraordinário de todos.

    Minha responsabilidade tem sido esta pequena palavra: o prêmio.

    Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    O alvo, isto é, a meta, o objetivo, a finalidade.

    Mencionei que, evidentemente, esse prêmio tem algo a ver com o Senhor Jesus. É o prêmio tal como se encontra no Messias, Jesus. Além disso, tem algo a ver com a soberana vocação de Deus.

    Quando começamos a compreender isso, creio que muitas coisas se encaixam. Falamos de recompensas. Lembro-me de que, quando fui salvo, ouvia as pessoas falando sobre como iriam governar regiões da terra, sobre isso, aquilo e tantas outras coisas — mil e uma coisas que iriam fazer, como iriam desfrutar de tudo e de todos os prazeres que haveria no reino vindouro.

    Aquilo me parecia um tanto egocêntrico. Entendo como todos nós nos cansamos da vida aqui embaixo e como ansiamos por aquilo que diz o hino: “Ali descansarei para sempre”. Não estou tão certo de que vamos descansar para sempre, se com isso vocês querem dizer ficar deitados, numa vida de conforto, por toda a eternidade.

    O Propósito Eterno de Deus

    Parece-me que Deus tinha um propósito ao criar este universo, ao criar os mundos ao nosso redor, os planetas e tudo o que diz respeito a eles; e, acima de tudo, um propósito em relação a este pequeno planeta e à humanidade. Ele nunca abandonou esse propósito.

    Esse era o Seu propósito original. É o que a Palavra de Deus chama de o propósito eterno de Deus. Poucos cristãos têm algum entendimento desse propósito eterno. Parecem pensar que o propósito eterno de Deus é que você seja salvo.

    É claro que você não pode participar do propósito eterno de Deus sem ser salvo. Isso é verdade. Há um sentido em que até mesmo o chamado de Deus tem algo a ver com ser salvo, pois essa é a introdução, o acesso, a porta de entrada para o propósito eterno de Deus.

    Mas esse propósito eterno de Deus tem algo a ver com o Senhor Jesus. Está centrado nEle. Está focalizado nEle. Não há um único aspecto do propósito eterno de Deus que não esteja centrado na Pessoa do Senhor Jesus.

    NEle, tudo está centrado. Assim, vocês compreendem aquelas palavras sobre as quais nosso querido irmão Stephen falou ontem de manhã: conhecê-Lo. Como alguém poderia alcançar ou obter o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus sem conhecê-Lo?

    Conheço cristãos que não conhecem o Senhor. Ah, eles O conhecem na conversão. Conhecem-No de maneira inicial, e nunca foram além disso. Não conhecem o Senhor. Não conseguem falar do Senhor como Alguém que realmente conhecem.

    Cristo como a Revelação de Deus

    É inacreditável para mim que o Senhor Jesus esteja muito mais interessado em que nós O conheçamos do que nós estamos em conhecê-Lo. Ele fará tudo para Se revelar, para Se manifestar, para Se fazer compreender.

    Ele é o Alfa e o Ômega. Isto é, Ele é o alfabeto de Deus. Ele é a linguagem de Deus. Ele é o meio pelo qual Deus Se dá a nós. Deus Se revela a nós. Jesus é a linguagem de Deus.

    É por isso que o apóstolo João, provavelmente o mais próximo do Senhor Jesus entre todos os apóstolos, em espírito, coração e mente, usou aquela incrível palavra grega: Logos.

    No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
    E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória, glória como a do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

    —João 1:1, 14

    Logos. Tentem explicar isso. Logos é inteligência articulada. Entenderam? Logos é uma palavra grega que significa muito mais do que simplesmente uma palavra. Significa aquilo que está na mente e no coração, expresso, articulado de uma maneira que você possa compreender.

    Agora pensem no Senhor Jesus. Ele é o coração e a mente de Deus articulados. Ele é a mente e o coração de Deus, para usar um americanismo terrível, verbalizados. Ele é o coração e a mente de Deus tornados explicáveis, compreensíveis.

    Vocês conseguem imaginar um filho de Deus que não queira conhecê-Lo?

    Esse maravilhoso testemunho do apóstolo Paulo — se há uma coisa com a qual todos nós certamente devemos concordar, é esta: ele está consumido pelo desejo de conhecer o Senhor. Ele anseia pela excelência do conhecimento do Messias Jesus. Anseia por avançar, avançar e avançar.

    Para algumas pessoas, o Senhor Jesus é tão pequeno que praticamente se torna um ídolo que podem carregar consigo. Ele só pode dizer o que elas dizem. Só pode pensar o que elas pensam. Só pode ir até o limite do entendimento que elas têm das coisas. Esse não é o Senhor Jesus.

    Deus não tem princípio nem fim. Ele é a inteligência suprema, e Jesus é o meio pelo qual Ele nos alcança. Ele articula a Sua mente. Ele articula o Seu coração. Esse é o Senhor Jesus.

    É de admirar que o apóstolo Paulo diga:

    Para que eu O conheça.

    E também:

    Considero todas as coisas como perda. Considero-as como refugo, para que possa ganhar a Cristo, para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos.

    O Conhecimento de Cristo por Meio da Comunhão

    Em outras palavras, para compreender o propósito eterno de Deus, você precisa conhecer o Senhor Jesus — não apenas de maneira inicial. Precisa conhecê-Lo cada vez mais: Quem Ele é e o que Ele é.

    Só podemos colocar isso em linguagem de escola dominical: é como conhecer uma pessoa. Você precisa andar com Ele. Precisa estar ligado a Ele pelo mesmo jugo. Precisa aprender dEle. Precisa ouvi-Lo. Precisa obedecer-Lhe.

    Foi isso que conquistou esse incrível apóstolo Paulo. Em certo sentido, isso o desfez. Vocês me entendem? Isso o deixou sem chão. Desfez-o e depois, pelo Espírito de Deus, tornou a recompô-lo.

    Então ele diz, nestas palavras:

    Não considero que eu mesmo já o tenha alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo.

    Ou para a meta.

    A palavra grega é muito interessante: skopos. Dela vem a palavra inglesa scope, “escopo”. “Prossigo para o objetivo, para a finalidade que o Senhor tem em vista, para a meta que Deus estabeleceu, para o alvo.” Essa palavra é frequentemente usada em relação a uma corrida. É a meta no fim, o alvo no fim, a linha de chegada.

    “Prossigo para a linha de chegada. Prossigo para aquilo que não é apenas uma linha de chegada, mas o escopo de tudo o que Deus deseja.”

    Por isso eu disse que, no meu entendimento, trata-se de alcançar a noiva de Jesus. Ele é seu, em todos os sentidos, pelo dom gratuito e pela graça de Deus; mas todas essas recompensas se encontram nEle e por meio dEle. Não há recompensa à parte dEle. Trata-se de ganhá-Lo, de conhecê-Lo.

    O Casamento como o Alvo da Salvação

    Poderia haver algo mais extraordinário do que o fato de a Bíblia — esses sessenta e seis livros, cuja escrita abrange cerca de mil e duzentos anos de história, em diferentes épocas, diferentes contextos e diferentes regiões, parte no Egito, parte na Babilônia e a maior parte na Terra Santa — terminar com um casamento?

    Consigo entender o mundo olhando para nós e dizendo: “Ah, isso é um conto de fadas. É só isso. É um conto de fadas”.

    Mas Deus usa linguagem de escola dominical — uma linguagem que a pessoa mais simples do mundo, a pessoa mais sem instrução do mundo e a pessoa mais brilhante academicamente podem compreender. Todos entendem um casamento. Todos entendem uma festa de casamento.

    O que Deus está dizendo? Que, de alguma forma, nossa salvação é um meio para um fim. Ela visa nos trazer de volta ao Seu propósito original para o universo, ao Seu propósito original para esta terra.

    Pela graça que Ele coloca à nossa disposição, pelo poder que Ele coloca à nossa disposição, por meio das coisas que sofremos, estamos sendo preparados para essa finalidade que o Senhor tem em vista.

    Aquelas palavras maravilhosas:

    Para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos.

    Creio que nosso irmão falou amplamente sobre esse assunto ontem de manhã. Tudo o que quero dizer é isto: não há como chegar à finalidade que o Senhor tem em vista, ao alvo da nossa salvação, e obter o prêmio sem conhecer o Senhor Jesus.

    Essa é a obra do Espírito Santo. Nunca tenham medo do Espírito Santo. É a bendita obra do Espírito Santo desvendar o Senhor Jesus diante de nós por meio da Palavra, como ouvimos ontem à noite — de alguma maneira nos alcançar com uma revelação dEle, para que nos apaixonemos, para que fiquemos completamente arrebatados pelo amor de Deus por nós, pela graça de Deus para conosco e pela misericórdia que nos foi demonstrada.

    É esta palavra maravilhosa:

    Para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição.

    Ninguém jamais chegará ao alvo e obterá o prêmio sem o poder da Sua ressurreição, pois tudo de que você precisa está nessa vida de ressurreição do Senhor Jesus.

    E ninguém jamais chegará àquele trono, jamais chegará àquela glória, se não estiver disposto a participar da comunhão dos Seus sofrimentos. Podemos ser alegres, podemos rir, podemos ter bom humor, mas sempre teremos tribulação.

    Se formos fiéis ao Senhor Jesus, haverá uma participação nos Seus sofrimentos. Estamos num mundo que nos é estranho. Estamos num mundo que O odeia e, portanto, nos odeia. Estamos enfrentando poderes — poderes satânicos, principados, potestades, dominadores deste mundo de trevas, hostes de espíritos malignos nas regiões celestiais — que odeiam qualquer pessoa que leve o nome do Senhor Jesus.

    Concepções Equivocadas sobre o Estado Eterno

    Acho realmente um tanto triste que a maioria dos cristãos não tenha ideia desse propósito eterno de Deus.

    A ideia geral é que você e eu nos convertemos. Depois de convertidos, devemos orar pelo menos uma vez por dia, durante alguns minutos. Devemos ler uma passagem da Bíblia pelo menos uma vez por dia, por menor que seja. Devemos ir, pelo menos uma vez por semana, a uma reunião com outros cristãos, igualmente convertidos, igualmente dedicados à oração e igualmente leitores da Palavra.

    Se formos radicais, exagerados, uns loucos extremistas, tentaremos ganhar outros para o Senhor. Então, um dia, depois de tantos anos — normalmente, uma vida de setenta anos —, sairemos flutuando para algum lugar na atmosfera.

    Ninguém sabe muito bem onde, mas iremos para algum lugar na atmosfera e ali, com uma espécie de camisola glorificada e uma harpa, tocaremos músicas para todo o sempre.

    Não é de admirar que o mundo nos ridicularize. Não é de admirar que o mundo diga: “Vocês querem dizer que Deus enviou o Seu Filho ao mundo para salvá-los, a fim de que pudessem ficar sentados numa nuvem úmida, tocando harpa para todo o sempre, com uma espécie de camisola glorificada?”

    Agora, não me entendam mal. Há harpas; elas são mencionadas na Palavra. Há essas espécies de vestes, nas quais eles estão vestidos de linho branco. Está tudo lá. Mas parece que ninguém entende o significado disso.

    Vocês querem me dizer que tudo o que interessa a Deus é um coro eterno de aleluias, para todo o sempre — não apenas por mil anos, mas por dez mil anos; não apenas por dez mil anos, mas por um milhão; não apenas por um milhão, mas por um bilhão; para todo o sempre, sem fim? Um coro?

    Agora, não quero aborrecer os músicos entre nós. Não tenho dúvida de que fomos feitos para adorar e de que teremos momentos extraordinários de adoração. Mas pensar que o propósito eterno de Deus se resume a uma espécie de coro eterno cantando “Aleluia” — e, além disso, que tipo de Deus seria esse, interessado apenas em que as pessoas O adorassem? Não, não, não.

    Este mundo, em seu estado desfigurado, poluído e deteriorado, ainda revela a inteligência de Deus e a beleza do Seu caráter. De alguma forma, pelo menos como eu vejo, isso é apenas o começo. Foi arruinado pelo pecado, arruinado pela queda do homem.

    Ninguém tem ideia do que Deus tem reservado para nós. Deus não Se aposentou. Não é como se Ele tivesse ficado tão velho, como eu, que agora desejasse Se aposentar de vez e vegetar tranquilamente em algum cantinho.

    Ficamos com a ideia de que Deus Se esgotou ao criar este universo, depois ao criar a humanidade e, em seguida, ao suportá-la depois que caiu em pecado. Agora acabou tudo. Não há mais nada. Ele esgotou tudo.

    Querido filho de Deus, você não tem ideia do que está reservado para os santos, para aqueles que nasceram de Deus. O apóstolo Paulo se refere a isso quando diz, nas minhas próprias palavras: “Ninguém tem ideia do que está reservado para nós”.

    Não sei o que acontecerá quando esta criação natural, sujeita a um ciclo de futilidade e corrupção, for libertada disso. O que ela se tornará quando o conhecimento da glória de Deus cobrir a terra como as águas cobrem o mar? Vocês conseguem imaginar algo mais extraordinário?

    Tudo isso se resume numa festa de casamento. É quase como se o Senhor estivesse dizendo: “Não fiquem quebrando a cabeça com o que vão vestir, ou se vão reconhecer uns aos outros, ou se vão comer e como vão preparar a comida. Não fiquem quebrando a cabeça com todas essas pequenas tolices”.

    Basta vocês saberem que há um casamento, uma festa de casamento, e que esse é o alvo da sua salvação. Haverá também outras recompensas; não tenho nenhuma dúvida disso. Mas, em primeiro lugar e acima de tudo, esse alvo está ligado ao Senhor Jesus.

    A Herança do Vencedor

    Vocês notaram aquelas palavras extraordinárias em Apocalipse 21:7?

    Aquele que vencer herdará estas coisas; e Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    Agora, o que são essas coisas? Se vocês examinarem atentamente essa visão, a última visão registrada no livro de Apocalipse, ficará perfeitamente claro que se trata da cidade santa, da noiva, da esposa do Cordeiro.

    Aquele que vencer herdará estas coisas.

    Vocês perceberão que esse extraordinário capítulo, essa visão, começa com um novo céu e uma nova terra. Também nos é dito que todo um conjunto de coisas desapareceu para sempre. O Senhor diz, do trono:

    Eis que faço novas todas as coisas.

    Um novo céu, uma nova terra onde habita a justiça, uma nova Jerusalém, um novo homem.

    É simplesmente extraordinário quando começamos a olhar dessa maneira. Está tudo lá. Esse novo céu e essa nova terra, essa nova criação, têm no seu centro uma capital. Essa capital é a cidade santa, a nova Jerusalém. Ela desce do céu, tendo a glória de Deus.

    Agora, sempre me fazem perguntas quando se fala sobre isso. “Bem, é uma cidade literal, não é?” Sim, haverá — não tenho dúvida disso — uma cidade literal. Mas há uma coisa sobre a qual, pessoalmente, tenho muita clareza, e lembro que o senhor Sparks também tinha: essa cidade não é uma cidade literal tal como está descrita aqui.

    Ela tem mil e quatrocentas milhas de comprimento, mil e quatrocentas milhas de largura e mil e quatrocentas milhas de altura, e tem apenas uma rua. Agora, alguns me dizem que há uma espiral, aquela coisa que vai subindo. Como é que se chega às coisas no centro da cidade se há essa espiral dando voltas? Doze portas.

    Ao que parece, é evidente que isso é simbólico. É um cubo. Agora ouçam com atenção: se vocês se lembram do tabernáculo, o Santo dos Santos era um cubo. Lembram-se do templo? O Santo dos Santos era um cubo.

    E aqui está: Deus habitará entre os homens. Em outras palavras, essa cidade é o coração de uma nova criação, de um novo céu e de uma nova terra onde habita a justiça.

    Seja qual for a nossa compreensão do milênio, seja qual for a nossa compreensão das eras eternas que virão depois, permanece o fato de que, no centro de tudo, está essa cidade. Essa cidade é uma capital e, ao mesmo tempo, é descrita como a noiva, a esposa do Cordeiro. Duas vezes nos é dito que ela está adornada como uma noiva para o seu esposo.

    Quando Ele disse: “Aquele que vencer herdará estas coisas”, se lermos Romanos 8:16-17, encontraremos estas palavras maravilhosas:

    O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus;
    e, se filhos, também herdeiros; herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se de fato sofremos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados.

    —Romanos 8:16-17

    Essa é a mesma palavra que encontramos em outro lugar, onde o apóstolo diz:

    Se sofrermos, também reinaremos com Ele.

    Ou: “Se perseverarmos”. Agora, há um se nisso. Vocês notaram?

    Se de fato sofremos com Ele, para que também com Ele sejamos glorificados.

    Para mim, isso é extraordinário. Herdeiros de Deus — como é possível? Coerdeiros com Cristo? É quase como se Deus nos incluísse como iguais: coerdeiros com Cristo.

    Sabemos, por Hebreus 1, que Cristo é o herdeiro de todas as coisas. O Senhor Jesus é o herdeiro de todas as coisas. Aqui nos é dito que nós também, se o Espírito de Deus foi derramado em nosso coração, com esse relacionamento pessoal com Ele — “Aba, Pai” —, somos herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.

    Isso significa que o destino dEle é o nosso destino. Significa que também participaremos de tudo o que Deus propôs para Ele. Inacreditável.

    A Visão Transformadora de Cristo

    Foi isso que conquistou o apóstolo Paulo. Ele não é apenas um teólogo. Não é simplesmente um pregador. Não é nem mesmo apenas um apóstolo. Ele captou algo. Ele viu algo.

    O que ele viu, como eu disse há pouco, o desfez. Será que alguém realmente viu o Senhor e continuou sendo o mesmo? Não conheço ninguém.

    Quando Jacó viu o Senhor, quando viu a face de Deus, nunca mais foi o mesmo. Ele disse:

    Vi a face de Deus e continuei vivo.

    Isso é verdade a respeito de cada filho de Deus ao longo da história do Seu agir.

    O apóstolo Paulo viu algo. Querido filho de Deus, se, de alguma maneira, você está cego para isso, por que não se humilha simplesmente no seu coração e diz: “Senhor, estou completamente cego nesse assunto. Sou salvo. Sou convertido. Não tenho entendimento do Teu propósito eterno”?

    Creio que o Senhor está muito interessado em revelar algo de Si mesmo a você, para que você venha a conhecê-Lo de maneira profunda e plena.

    Bem, considero isso uma graça extraordinária. Eu poderia acreditar que Deus tomaria uma pessoa como eu e a faria Seu herdeiro? Pensem nisso. Vocês percebem como isso é extraordinário? Pensem que Deus tomou vocês e os fez herdeiros — herdeiros dEle.

    Tudo o que pertence a Deus — você é herdeiro dEle. Tudo o que foi conferido ao Senhor Jesus como herdeiro de todas as coisas — você é coerdeiro com o Messias.

    Como é incrivelmente triste quando, de alguma forma, ficamos presos à pequenez do nosso entendimento. É necessária uma visão como a que o apóstolo Paulo teve para nos inflamar, redirecionar e transformar.

    Filiação, Maturidade e Crescimento Espiritual

    Mencionei que aqui nos são ditas duas coisas a respeito de herdar. Acho isso muito interessante. Deus diz:

    Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    Agora, Ele não disse: “Eu serei o seu Pai, e ele será Minha criança”. Ele disse:

    Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    O senhor Sparks se meteu em muita dificuldade ao dizer que havia uma diferença entre a palavra grega para “crianças” e a palavra para “filho”. Ele costumava dizer que a condição de filho tem a ver com maturidade, e que ser criança é ser um bebê — estar no jardim de infância.

    Escreveram livros contra ele, escreveram panfletos contra ele e disseram todo tipo de coisa. Talvez, às vezes, isso tenha sido levado um pouco longe demais, porque, em grego, não se pode fazer uma grande distinção entre essas duas palavras. Ainda assim, há uma diferença.

    Um bebê nunca pode assumir os negócios da família. Um bebê é um bebê. Ele tem um relacionamento com o pai, mas ele — ou ela — nunca pode assumir os negócios da família. Se os herdasse, não saberia o que fazer com eles.

    É preciso um filho. Um filho continua sendo filho.

    Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    Há nisso uma implicação muito interessante de maturidade, de crescimento, de seguir em frente, de prosseguir, de esquecer as coisas que ficaram para trás e avançar para as que estão adiante.

    Tudo isso está contido nestas palavras:

    Eu serei o seu Deus, e ele será Meu filho.

    A Sede da Água da Vida

    De maneira belíssima, isso é precedido por estas palavras:

    A quem tem sede darei gratuitamente da fonte da água da vida.

    Isso não tem algo a ver com conhecer o poder da Sua ressurreição? É a mesma ideia.

    Pensem: se você e eu vamos crescer, como isso acontecerá? Somente saciando nossa sede nEle. Vocês sabem que a condição mais abençoada para um filho de Deus é ter fome e sede?

    Porque o Senhor disse:

    Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça; porque serão fartos.

    —Mateus 5:6

    Quando uma pessoa não tem sede nem fome, há uma doença ali. Toda pessoa saudável tem sede. Toda pessoa saudável tem fome.

    Você avança quando tem sede. O Senhor é maravilhoso nisso. Ele saciará a sua sede. Ele virá ao seu encontro de maneiras maravilhosas. Mas depois, por meio das circunstâncias, dos relacionamentos, de todo tipo de problema, dificuldade e tribulação, Ele fará com que você chegue ao ponto de ter sede novamente.

    Para então saciar a sua sede:

    Aquele que tem sede, beba gratuitamente da fonte da água da vida.

    Não há restrição alguma. Você pode beber o quanto quiser.

    A Cidade Santa como Capital

    Havia duas coisas nas quais eu queria me deter antes de terminar. A primeira é uma capital.

    Uma capital, como eu disse na outra noite, é o centro de governo e administração. É o lugar onde as políticas nacionais são definidas e executadas. Washington. Londres. Pequim. Moscou. Paris. Poderíamos continuar indefinidamente. Uma capital.

    O que o Senhor está tentando nos dizer quando fala dessa cidade santa que desce do céu, dessa nova Jerusalém que tem a glória de Deus? Quando fala de Si mesmo habitando entre as nações do mundo?

    Essa cidade é, por assim dizer, o Santo dos Santos. Não há templo ali. Não há capela ali. Não há sinagoga ali. Não há um lugar de adoração, pois a cidade inteira é o templo. Ela é a habitação, a habitação eterna de Deus.

    A partir dessa capital, todos os propósitos de Deus para um céu e uma terra renascidos, recriados, serão administrados e cumpridos. Talvez até além disso — preciso ter cuidado, porque isso é especulação —, mas não creio que o Senhor vá parar por aí.

    Será que Ele criará novos universos, novos mundos? Não é do feitio do Senhor parar. O Senhor não Se cansa nem Se fatiga como eu e você. Ele não precisa Se deitar, tirar férias, fazer uma viagem ou parar um pouco para recuperar o fôlego. Ele é energia suprema.

    Fico imaginando o que Ele tem em mente. De qualquer maneira, deixem isso de lado. Voltem a isto: no coração de tudo está essa cidade.

    O que essa cidade significa, senão que Deus está procurando candidatos para governar? Ele está procurando candidatos que possam reinar com Ele nas eras vindouras.

    Misericordiosamente, Ele não nos disse o que essas eras vindouras contêm, a não ser que haverá glória: sem pecado, sem morte, sem luto, sem pranto.

    Mas Ele está procurando candidatos agora. Ele salvou você com um chamado. O chamado não era apenas para que você fosse salvo. O chamado era para que você reinasse com o Seu Filho.

    A Preparação para Reinar com Cristo

    Agora, não quero ser leviano, mas que Deus nos ajude se o cristão comum chegar a reinar. Ele não consegue reinar. A maioria das pessoas não consegue vencer coisa alguma. Apenas vem e se senta nos bancos, nos assentos, nas cadeiras. Você vem, senta, ouve e vai embora. Vem, senta, ouve e vai embora.

    De vez em quando, ouvimos uma palavrinha de vocês. Talvez participem de alguma coisa. Às vezes, ouvimos outra palavrinha, e talvez vocês digam algumas palavras na adoração. De vez em quando, conseguimos algo melhor: alguém talvez se abra e faça um pedido por alguma necessidade. Mas é mais ou menos até aí que vamos.

    Algumas pessoas não conseguem cuidar da própria casa. A cozinha é uma bagunça e, se a cozinha não está uma bagunça, os quartos certamente estão. Não conseguem nem controlar seus animais de estimação. Algumas pessoas não conseguem administrar seus negócios.

    Vocês querem me dizer que um dia todos nós vamos reinar com Cristo? Isso não seria uma receita para o desastre? Não teríamos o mesmo tipo de confusão que temos agora aqui nos Estados Unidos — sem falar em outros lugares? Não sou americano, então não devo dizer mais nada sobre a confusão em que acho que vocês estão, nem sobre a confusão ainda maior que acho que está chegando.

    Mas deixem-me dizer simplesmente isto: o cristão comum é totalmente incapaz de reinar. Será que pensamos que reinar significa apenas ficar sentado com o Senhor, fazendo uma bela figura?

    Sabem, será que tudo o que Ele quer é alguém sentado ao Seu lado como uma marionete, um robô, um autômato? A pessoa simplesmente fica ali, como um troféu da Sua graça, como aqueles que os antigos caçadores penduravam nas paredes, com seus chifres. Eles diziam: “Abati esse; peguei aquele; aquele é mais antigo, aquele é mais recente, e este acabei de pegar”.

    Vocês realmente acham que os crentes serão troféus da Sua graça? Não, claro que não. O fato é este: somos chamados para reinar.

    Qualquer pessoa chamada para governar — seja um presidente, um rei, um primeiro-ministro ou quem quer que seja — precisa ser treinada. Precisa haver educação. Precisa haver disciplina. Precisa haver treinamento.

    Antigamente, o príncipe herdeiro passava por uma disciplina inacreditável a fim de reinar. De maneira especial, o príncipe herdeiro era separado para tarefas especiais, disciplinas especiais, treinamento especial e educação especial — tudo com uma única coisa em vista: reinar.

    Isso explica muita coisa na Palavra de Deus, quando o Espírito Santo fala da necessidade de crescermos no Senhor. Para reinar com o Senhor, precisamos daquilo que chamamos de vencer. Falarei sobre isso amanhã à noite, mas estou apenas dizendo que vencer é algo tremendo.

    No fundo, todos nós temos certo receio disso. Pensamos: “Ah, isso é para gente especial”. Bem, vou deixar isso para amanhã.

    Mas vejam, deixem-me colocar de outra maneira: não há como você e eu reinarmos com Cristo se continuarmos sendo bebês ou crianças de jardim de infância. Não podemos nem mesmo reinar com Cristo se formos adolescentes espirituais.

    Vocês conseguem imaginar um adolescente se tornando presidente dos Estados Unidos? Não direi mais nada. Conseguem imaginar o que acontecerá se adolescentes ocuparem o lugar dos governantes? Então teremos uma confusão.

    Não que isso signifique que as pessoas mais velhas sejam melhores, porque muitas pessoas mais velhas ainda são adolescentes aos sessenta anos. É uma questão de treinamento, uma questão de educação, uma questão de disciplina.

    Não há como você e eu reinarmos nas eras vindouras se não formos treinados, disciplinados e educados. Será que me fiz entender com clareza suficiente? Acho que sim.

    Discernimento e Intercessão

    A capacidade de governar não é apenas uma questão de ter uma série de princípios na ponta dos dedos, um livro de regras pelo qual se orientar. Deus quer pessoas que possam governar com Ele, que tenham aprendido a discernir a Sua vontade e a Sua mente nas circunstâncias deste mundo caído.

    É por isso que muitas vezes tenho dito que os intercessores são aqueles que estão sendo treinados por Deus para governar. Sei que a intercessão foi desvalorizada — o próprio significado dela —, assim como o novo nascimento foi desvalorizado.

    Como se algumas orações aqui e ali constituíssem intercessão, ou como se ficar todo agitado fosse intercessão. Mas a verdadeira intercessão exige a capacidade de compreender a mente de Deus, de discernir a vontade de Deus em determinada situação e, então, de se colocar ao lado dEle para que ela seja feita.

    Isso é aprender a conhecê-Lo.

    Caráter Espiritual e Disciplina Divina

    Todos nós sabemos o que é ter pessoas em posições de autoridade que não têm caráter. O caráter espiritual é essencial nessa questão de reinar com Cristo.

    Não existe caráter espiritual instantâneo, como se o Senhor pudesse passar uma varinha sobre você e, imediatamente, você se tornasse cheio de caráter espiritual. Um caráter espiritual plenamente desenvolvido não pode ser produzido dessa maneira.

    O caráter espiritual se forma de maneira profunda e difícil: por meio de circunstâncias difíceis, relacionamentos desagradáveis e de todas as formas pelas quais Deus nos põe à prova e nos ensina a discernir a Sua vontade e a Sua mente, e a perseverar.

    São pessoas assim que o Senhor levará ao trono.

    Agora, se vocês ficaram assustados com o que eu disse, por favor, lembrem-se de que Deus é extraordinariamente gracioso.

    Se você simplesmente disser: “Aqui estou, Senhor. Toma-me”, Ele o tomará. Você pode estar em péssimo estado, ser impossível de lidar, estar completamente desorganizado — um material muito improvável para governar e reinar com Cristo.

    Mas, se você simplesmente disser ao Senhor: “Senhor, este sou eu. Sou uma bagunça. Mas Tu me salvaste. Sou uma bagunça salva. Sou uma bagunça convertida. Por favor, poderias tomar conta de mim? Poderias me treinar a partir de hoje?” — o Senhor começará a sua educação hoje mesmo.

    Ele está tão interessado em candidatos para essa cidade, para essa capital, que tomará você em Suas mãos. Não se surpreenda com algumas das coisas que acontecerem com você. Você dirá: “Bem, não sei por que aconteceu isto, e aquilo, e aquela outra coisa”.

    Não, não fique surpreso de maneira nenhuma. Você pediu ao Senhor que tomasse você em Suas mãos, e é exatamente isso que Ele está fazendo.

    A Noiva como Expressão de Amor

    Aqui está a segunda coisa que quero dizer. Não é apenas uma capital; é uma noiva. Aqui há algo que não associamos a uma capital.

    Não associamos uma capital a uma noiva, a uma esposa. Qual é a ideia? Simplesmente esta: Deus não está interessado numa burocracia eterna, num funcionalismo público eterno.

    Essas pessoas podem conhecer todas as regras, todos os princípios, todas as leis e saber como aplicá-los. Podem fazer isso metodicamente, sem coração, sem compaixão e sem amor. Deus quer que as pessoas que reinam com o Seu Filho tenham coração.

    E aquilo de que uma noiva fala, acima de tudo, é o primeiro amor: união e comunhão, serviço sensível.

    Acho isso extraordinário. Por que Deus diz, desde o princípio, que devemos amá-Lo? Você não pode dizer a alguém: “Você tem de me amar”. Já tentou?

    Você diz a alguém: “Você tem de me amar. Sou seu pai. Ame-me”. Não se consegue amor dessa maneira.

    Por que isso está consagrado na tradição judaica?

    Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, é um só Senhor;
    e amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força.

    —Deuteronômio 6:4-5

    Creio que é porque Deus ama o Seu povo. O amor nunca se satisfará com serviço. O amor nunca se satisfará com conhecimento. O amor nunca se satisfará com coisa alguma que não seja amor.

    Quando o Senhor falou na segunda promulgação da lei — Deuteronômio, como chamamos, a segunda entrega da lei —, Ele disse:

    O Senhor não vos escolheu porque éreis grandes entre os outros povos, porque éreis isto, aquilo ou qualquer outra coisa. O Senhor, vosso Deus, vos escolheu porque vos amou.

    Não se pode explicar o amor. Sempre me surpreendo com quem ama quem. Penso: “O que será que fulano vê em sicrana?” Mas, para ele, aquela pessoa anda nas nuvens. O amor é algo extraordinário.

    Vocês não podem me dizer por que Deus ama esse povo. É extraordinário. Só há uma resposta: Deus ama porque ama.

    Por que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito? Ele não recebeu muita coisa deste mundo. É extraordinário quando pensamos nisso.

    O Caráter do Primeiro Amor

    Primeiro amor. Ontem à noite, Dana, naquela mensagem extraordinária que o Senhor o capacitou a transmitir, falou do primeiro amor como estar envolvido pelo amor de Deus. Pode muito bem ser isso. Nunca havia pensado nisso antes.

    Mas o que sei é isto: o primeiro amor é o tipo de amor em que você nunca pensa nos problemas, nas dificuldades, no tempo ou em qualquer outra coisa.

    Quando está apaixonado, você percorre cem milhas, gasta toda aquela gasolina — ao preço de hoje — e nem sequer comenta isso. Você não chega ao destino e diz: “Gastei tanto em gasolina para vir aqui hoje”, não é?

    Não. Primeiro amor é fazer tudo isso sem sequer pensar no assunto. É um prazer. Você quer fazer. Primeiro amor significa que você irá a qualquer lugar. Suportará qualquer disciplina. Suportará qualquer problema. Aguentará todo tipo de coisa simplesmente para estar com a pessoa que ama.

    Isso é primeiro amor. Primeiro amor não é uma paixãozinha juvenil. Primeiro amor é uma qualidade de amor. Quando você tem essa qualidade de amor, todo o restante se encaixa.

    É isso que o Senhor procura mais do que qualquer outra coisa: esse tipo de amor. Não o seu serviço por dever, não o seu serviço responsável, não apenas tudo o que você suporta, não o seu conhecimento.

    O que o Senhor procura, acima de tudo, é alguém que O ame. Escutem: vocês querem me dizer que acreditam que haverá uma noiva ao lado do Senhor Jesus que só estará ali por aquilo que pode receber?

    Ela está ali para desfrutar da glória dEle. Está ali para receber a plenitude. Está ali para receber a expansão das coisas. Está ali para receber tudo o que acompanha o casamento com o Rei. Jamais.

    Por que temos Cântico dos Cânticos, com toda a disciplina pela qual aquela pequena pastora passou para chegar ao ponto de finalmente pensar nos outros? Por quê? Porque o amor sempre gerará amor.

    Vocês querem me dizer que tudo o que o Senhor deseja é um povo ao Seu lado que se pareça com alguma estrela de Hollywood — cabelos bonitos, cílios maravilhosos, sobrancelhas bonitas, unhas maravilhosas, unhas dos pés lindamente pintadas — e que fique ali sentado, com uma bela silhueta e nada entre as orelhas?

    É esse o tipo de noiva que o Senhor Jesus — que o Pai — quer para o Senhor Jesus? Uma mulher de cabeça vazia? Tudo o que ela sabe fazer é tagarelar, ficar sentada e parecer bonita? Jamais.

    Ele quer alguém que esteja crescendo. Ele não aprova casamento infantil. Quer aqueles que cresceram no Senhor e que podem se casar com o Rei dos reis.

    Ele não quer apenas pessoas que possam reinar, que possam administrar o Seu reino, que possam administrar o Seu governo. Quer pessoas que tenham coração, que estejam cheias de amor. Elas estão ali porque estão apaixonadas por Ele e nunca deixaram de estar.

    Essa é a noiva.

    A Restauração ao Primeiro Amor

    Todos nós, em algum momento da nossa experiência, nos afastaremos do primeiro amor. Nunca conheci alguém que tenha permanecido no primeiro amor durante toda a vida, durante todo o seu serviço.

    Mas graças a Deus pelo Espírito Santo, que compreende a todos nós e organiza as coisas de tal maneira que ficamos tão secos que ansiamos por um toque do Senhor.

    Assim é: essa noiva, essa esposa do Senhor, também precisa crescer. Também precisa chegar à maturidade espiritual.

    O Senhor Jesus expressou isso de maneira tão bela quando os fariseus tentaram pô-Lo à prova. Perguntaram: “Qual é o maior mandamento?” Ele disse:

    Ouve, ó Israel: o Senhor, nosso Deus, é um só Senhor;
    e amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de toda a tua força.
    O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    —Marcos 12:29-31

    Vocês sabem o que Ele disse em seguida, conforme registrado em Mateus? Ele disse:

    Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

    Em outras palavras, tudo na lei de Deus, na Palavra de Deus e na interpretação profética da lei é explicado e resumido nestes dois mandamentos:

    Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua força, e de todo o teu entendimento;
    e amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Será que já entrou no seu coração, no meu coração, o que isso significa? Significa que qualquer outra coisa não significa nada.

    Ah, vocês dizem: “Essa afirmação é extrema demais”. Não, é exatamente o que, pelo Espírito de Deus, o apóstolo Paulo disse naquela passagem que todos conhecemos tão bem:

    Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, tornei-me como bronze que soa ou como címbalo que retine.
    E, ainda que eu tenha o dom de profecia, e conheça todos os mistérios e todo o conhecimento; e, ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de remover montanhas, se não tiver amor, nada sou.
    E, ainda que eu distribua todos os meus bens para alimentar os pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

    —1 Coríntios 13:1-3

    O primeiro amor se resume nesta mesma passagem:

    O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
    O amor nunca falha.

    —1 Coríntios 13:7-8

    União e Comunhão com Cristo

    União e comunhão são uma imagem da noiva — pelo menos, daquilo que a Bíblia entende por noiva. Duas pessoas se tornam uma, e dessa unidade, dessa união, nasce a comunhão.

    Em relação ao nosso Senhor Jesus, isso significa simplesmente que você e eu nos tornamos um com Ele, e dessa união nasce a comunhão. É uma vida compartilhada, um destino compartilhado, um propósito compartilhado.

    Bem, que o Senhor nos ajude em tudo isso. Eu só queria voltar a essa sensibilidade no serviço. Acho muito interessante que o Senhor poderia ter deixado tudo na imagem da cidade santa, da nova Jerusalém, da grande capital. Isso teria sido maravilhoso.

    Mas Ele fala de uma noiva, da esposa do Cordeiro, como se dissesse: “Não estou interessado numa grande burocracia cheia de conhecimento. Quero alguém que esteja ali porque Me ama”.

    O Exemplo de C. T. Studd

    Dana mencionou C. T. Studd. Eu cheguei ao Senhor por meio de C. T. Studd. Nem sei bem como explicar — foi o primeiro livro cristão que li. Nunca havia lido nada assim, nunca havia lido um livro cristão, nunca havia lido a Bíblia.

    Foi o primeiro livro que li, e a única razão pela qual o li foi que o velho professor da escola dominical deu um livro a cada um dos meninos e não deu nenhum a mim. Por isso, depois tive de ir até ele e perguntar por que não o tinha dado a mim.

    Ele disse: “Desculpe, esqueci”. Não acredito nisso de maneira nenhuma. Acho que ele tinha medo da minha mãe e pensou que teria um grande problema se me desse um livro cristão.

    Eu o li simplesmente porque me foi negado. Li o livro inteiro em uma semana e, ao fim daquela semana, toda a minha vida havia sido transformada por um homem que as pessoas consideravam autoritário e incrivelmente difícil de conviver: C. T. Studd.

    Por essa razão, sempre acreditei que o fogo de Deus é o elemento mais importante no serviço.

    C. T. Studd era, como disse o médico ao negar-lhe qualquer possibilidade de ser missionário, “um museu de doenças”. Ainda assim, C. T. Studd foi primeiro para a China, com os Sete de Cambridge; depois para a Índia, onde esteve com a família Groves — Anthony Norris Groves —; e, por fim, para o Congo. Nunca mais voltou à Grã-Bretanha.

    Ele mudou todo o meu conceito de cristianismo e, acima de tudo, de Cristo. Eu achava que Cristo era algum rebelde esquisito. Eu até costumava dizer aos meninos da escola que faziam parte do grupo Crusaders: “Não acredito nem que Ele tenha existido. Acho que é um mito”.

    Mas aquela única vida me transformou. O que foi que conquistou C. T. Studd? Foi a mesma coisa que conquistou o apóstolo Paulo.

    Ele entregou a vida por completo. Quando chegou a hora de morrer, Norman Grubb me contou que, enquanto estava à beira da morte, ele disse: “Bem, tive muitas falhas e muitas fraquezas que todos os meus companheiros de trabalho tiveram de suportar, mas há uma coisa que posso dizer: de tudo o que Ele me mandou fazer, fiz cada uma das coisas”.

    Essa é uma maneira maravilhosa de morrer. É a evidência do amor. É a evidência do fogo do amor que pode consumir um ser humano.

    Desde então, vi isso várias vezes em diferentes pessoas que realmente tiveram esse mesmo tipo de experiência. Que o Senhor nos ajude.

    Oração Final

    Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás, avanço para as que estão adiante. Prossigo para o objetivo, a meta, o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Vamos orar?

    Senhor, pedimos que escrevas estas palavras no nosso coração. Nenhum de nós aqui está à altura desse padrão de amor, dessa capacidade de reinar ou governar. Todos nós somos material fraco, Senhor.

    Mas, querido Senhor, Tu nos salvaste, e somos tão gratos por pertencermos a Ti. Senhor, sabemos que é plenamente possível que Tu nos tomes e faças uma obra em cada um de nós que assegure que obtenhamos o prêmio da Tua soberana vocação em nosso Senhor Jesus.

    Oh, toca o nosso coração pelo Teu Espírito, Senhor. Dá-nos uma nova revelação do Senhor Jesus — da Sua beleza, da Sua graça, da Sua glória. Revela-Te a nós, Pai, nEle.

    E, de alguma maneira, Senhor, faze com que não consigamos mais nos contentar com nada menos do que o Teu melhor. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.