Para conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, tornando-me conforme à Sua morte;
se, de algum modo, puder alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Não que eu já tenha alcançado, ou que já seja perfeito: mas prossigo, para ver se alcanço aquilo para o que também fui alcançado por Cristo Jesus.
Irmãos, não julgo que eu mesmo já o tenha alcançado: mas uma coisa faço, esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão adiante,
prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Querido Senhor, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, o clamor do nosso coração é que não haja nada entre nós e Ti. Oramos para que a Tua luz nos sonde e remova toda escuridão que ainda possa estar em nosso coração.
Ó Senhor, resplandece — resplandece sobre nós. Que a glória do Senhor não apenas encha este lugar, mas também encha o nosso coração. Senhor, queremos ver a Tua glória; livra-nos de tudo o que não seja Tu mesmo. Tu és o nosso tesouro, o único a Quem buscamos.
Ó Senhor, enche-nos. Glorifica a Ti mesmo. Entregamos este tempo em Tuas mãos amorosas. Oramos para que o Teu Espírito nos abra a Tua Palavra viva e fale a cada um dos nossos corações.
Senhor, ansiamos por ser Teus, inteiramente Teus, pertencer a Ti mesmo. A Ti seja a glória. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Estamos compartilhando sobre essa questão de buscar com fervor. É verdade que a nossa vida é uma busca, mas é muito importante sabermos o que estamos buscando.
Durante muito tempo, temos buscado as coisas debaixo do sol. Pensamos que essas coisas vão satisfazer a nossa vida. Mas, graças a Deus, aos poucos descobrimos, como disse Salomão:
Vaidade de vaidades; tudo é vaidade.
Não há nada permanente, nada eterno, nada real, nada que dure para sempre. Todo o nosso trabalho é vaidade.
Mas, graças a Deus, por Sua graça, Ele abre os nossos olhos. Saulo de Tarso, a caminho de Damasco para perseguir a igreja, pensava estar servindo a Deus. Pensava estar edificando a sua própria justiça, para que um dia, ao comparecer diante de Deus, fosse aprovado.
Mas, graças a Deus, no caminho de Damasco, uma grande luz resplandeceu sobre ele. Essa luz cegou os seus olhos naturais, mas abriu os seus olhos interiores. Ele viu o Senhor da glória.
Aquela visão o libertou e mudou a sua direção: em vez de buscar as coisas debaixo do sol, passou a buscar verdadeiramente as coisas do céu.
Ele mesmo nos contou que, quando essa luz resplandeceu sobre ele e essa revelação lhe foi dada, começou a considerar todas as coisas como perda. Aquilo que antes considerava ganho em sua história de vida, agora via como perda — pior do que perda. Era refugo.
E tudo isso por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus. A partir daquele momento, começou a buscar Jesus com verdadeiro fervor.
Depois de sua longa experiência de buscar a Cristo, Paulo nos dá o seu testemunho. Ele compartilha conosco sua experiência: aquilo pelo que passou, o que descobriu e sua experiência de Cristo Jesus. É sobre isso que gostaríamos de compartilhar juntos nesta manhã.
Encontramos em Filipenses 3:8:
Sim, na verdade, considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor: por Quem sofri a perda de todas as coisas e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo.
Por que ele fez isso? Ele disse:
Para que possa ganhar a Cristo.
Como o nosso irmão mencionou ontem à noite, Paulo acrescentou uma expressão que esclarece o que ele queria dizer. O que significa ganhar a Cristo?
E ser achado Nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, mas aquela que vem pela fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, pela fé.
Em outras palavras, quando Paulo começou a ver o Senhor, ele ganhou a Cristo. Aquilo que considerava seu próprio ganho — a justiça que havia acumulado ao longo dos anos, guardando a lei, a letra da lei — agora era visto sob uma luz diferente.
Por meio de Cristo Jesus, ele recebeu a verdadeira justiça. Sua própria justiça, como diz a Bíblia, era como trapos de imundícia. Não podia cobrir a sua nudez.
Às vezes, pensamos estar bem vestidos e cobertos diante de Deus. Mas, na verdade, à luz de Deus, tudo isso não passa de trapos. Não pode cobrir a nossa nudez diante de Deus.
Ao ganhar a Cristo, Paulo ganhou a justiça por meio de Cristo Jesus. Em outras palavras, diríamos que ele foi salvo.
Assim que foi salvo, ele imediatamente colocou diante de si um objetivo, um alvo. E o alvo era conhecê-Lo. Essa era a busca daquele jovem: conhecer a Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, esse é, de fato, um passo importantíssimo. Quando somos salvos, o que conhecemos de Cristo?
Conhecemos Cristo Jesus como nosso Salvador. Sabemos que Ele morreu por nós, que perdoou os nossos pecados e que nos deu a Sua própria vida — a vida eterna. Sabemos que somos salvos. Nós O ganhamos.
O que Ele fez na cruz do Calvário nos trouxe benefício, e somos eternamente gratos por isso. Quando nos lembramos do dia em que viemos ao Senhor Jesus, lembramos que viemos como pecadores, destinados à morte, sem esperança e sem Deus.
Mas, quando viemos a Ele, olhamos para o Calvário. Vimos que ali Ele morreu. Derramou o Seu sangue para a remissão dos nossos pecados. Todos os nossos pecados foram perdoados, e o pesado fardo que estava sobre nós desapareceu.
A paz reinou em nosso coração. Nosso relacionamento com Deus foi restaurado. Pudemos levantar a cabeça e dizer: “Aba, Pai”.
Conhecemos a obra do nosso Senhor Jesus. Foi a Sua obra na cruz do Calvário que nos salvou, nos libertou da morte eterna e nos deu vida.
Mas, irmãos e irmãs, mesmo depois de sermos salvos, em nossa maneira de pensar ainda se trata de Cristo para nós. Ainda estamos centrados em Sua obra e em Sua morte.
Agora, não queremos minimizar a Sua obra nem desprezar a Sua morte, porque a Sua obra é o fundamento e a base da nossa salvação. Somos eternamente gratos pelo que o nosso Senhor Jesus fez por nós.
Mas há um perigo. O perigo é que, por termos vindo a Ele por meio de Sua obra, olhemos para a Sua obra em vez de olhar para Ele mesmo.
Queremos que Ele faça isto e aquilo por nós — que supra todas as nossas necessidades. Olhamos para Ele para que nos abençoe. Ainda somos tão centrados em nós mesmos, como se até o próprio Cristo girasse ao nosso redor. Ao mesmo tempo, buscamos as Suas bênçãos.
Tudo se baseia em Sua obra, sem dúvida, e damos graças a Deus por isso. Ele fez todas as coisas por nós. Mas, se fizermos de Sua obra o objetivo da nossa busca, o que acontecerá com a nossa vida cristã?
Seremos como os cristãos de Corinto. Aqueles cristãos eram moralmente corrompidos e mundanos. Contudo, por meio de Jesus Cristo, e Este crucificado, foram redimidos e salvos.
Mas, depois de salvos, tudo o que buscavam de Cristo era a Sua obra: “Faça isto por mim. Faça aquilo. Dê-me isto. Dê-me aquilo. Supre as minhas necessidades. Sustenta-me. Abençoa-me”. Era só isso que desejavam.
Por causa disso, permaneceram como bebês em Cristo.
Vocês sabem, um bebê sempre atrai a atenção de todos — não apenas dos pais, especialmente dos avós, mas de todo mundo. Todo bebê é bonito; todo bebê é adorável.
Mas precisamos lembrar que um bebê depende dos outros para tudo. Colocando isso de uma maneira pouco lisonjeira, um bebê é a pessoa mais egoísta do mundo. Tudo é para mim. Todos existem para mim. E ele não pode esperar, como se tivesse direito a tudo.
Irmãos e irmãs, muitos cristãos hoje não são assim? Olhamos para Cristo Jesus e cremos Nele, mas qual é a nossa atitude para com Ele? “Faça isto por mim. Não posso esperar. Agora mesmo. Eu sou a pessoa importante.”
Se seguirmos esse tipo de busca, continuaremos sendo cristãos egoístas. Continuaremos sendo bebês em Cristo. Seremos cristãos carnais.
Graças a Deus, somos cristãos; mas somos cristãos carnais. Ainda vivemos segundo a carne. Vivemos para nós mesmos, e Cristo existe para nós. Graças a Deus, Ele é por nós.
Precisa chegar o dia em que, em vez de buscar e depender apenas da obra de Cristo, tão centrados em nós mesmos, comecemos a perceber que queremos conhecê-Lo.
Por Sua obra, somos introduzidos na salvação; e, por Sua obra, queremos conhecê-Lo — não apenas desfrutar do que Ele fez por nós, mas desejar conhecê-Lo: que tipo de Pessoa Ele é, que tipo de Deus servimos, Seu caráter, Seu próprio ser.
Queremos segui-Lo. Queremos ser semelhantes a Ele. Queremos cumprir o Seu desejo e o Seu propósito em nós. Irmãos e irmãs, esse será um grande dia.
Vocês se lembram de João 6. Nosso Senhor Jesus era cheio de compaixão e amor. Ele usou cinco pães e dois peixes para alimentar cinco mil pessoas, porque teve compaixão delas.
Por causa disso, as pessoas O procuravam. Mas o nosso Senhor Jesus disse, em essência: “Vocês não vêm a Mim por causa de Mim. Vêm a Mim por causa do pão”.
Trabalhai, não pela comida que perece.
Então, o nosso Senhor começou a lhes falar. Disse que os seus antepassados haviam comido o maná do céu. Ele fora dado por Deus, mas eles ainda assim morreram.
Mas, se vocês comerem Dele e beberem Dele, terão vida eterna. Nunca morrerão.
Quando as pessoas começaram a ouvir isso — não apenas as pessoas, mas até muitos dos Seus discípulos —, começaram a dizer: “Dura é esta palavra. Não entendemos isso”. E O deixaram.
Então, o nosso Senhor Se voltou para os Seus doze discípulos, a quem havia chamado especialmente para Si, para estarem com Ele e serem preparados por Ele. O Senhor disse:
Quereis vós também retirar-vos?
Eles eram livres para fazer isso.
Graças a Deus por Simão Pedro. Ele disse:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.
E nós temos crido e sabemos que Tu és o Santo de Deus.
Irmãos e irmãs, precisa chegar o dia em que vocês percebam que não se trata apenas do que Ele faz por vocês, mas Dele mesmo.
Ele tem as palavras de vida eterna. Ele é o Filho de Deus. Cremos Nele. Não temos a quem mais recorrer, nem a quem mais seguir. Somos Dele para sempre. Somos Dele.
A. B. Simpson, fundador da Aliança Cristã e Missionária, escreveu um hino chamado “Ele mesmo”. Ele disse:
Antes era a bênção,
Agora é o Senhor;
Antes era o sentimento,
Agora é Sua Palavra;
Antes eu queria o Seu dom,
Agora acolho o Doador;
Antes eu buscava a cura,
Agora somente Ele mesmo.
Então, queridos irmãos e irmãs, estamos sempre buscando alguma coisa do nosso Senhor Jesus — algo de Suas obras, algo de Sua bênção sobre nós? Ou estamos buscando a Ele mesmo?
Queremos conhecê-Lo. Conhecê-Lo é vida eterna. Conhecê-Lo é conhecer o Seu caráter. Conhecê-Lo é ser transformado e conformado à Sua imagem. Conhecê-Lo é segui-Lo.
Queremos realmente conhecê-Lo? Fazemos Dele o nosso objetivo, o nosso alvo? É a Ele que buscamos com fervor?
Não nos desviaremos. Estamos dispostos a considerar todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Jesus Cristo.
Quando esse desejo é gerado em nosso coração — conhecê-Lo —, somos colocados no caminho certo. Esse é o começo de uma verdadeira vida cristã.
O apóstolo Paulo, por meio de sua longa vida seguindo o Senhor, compartilha conosco sua própria experiência: como, passo a passo, um passo de cada vez, buscou a Cristo para ganhá-Lo.
Ele disse:
Para conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição.
A primeira coisa, ao conhecê-Lo, é conhecer o poder da Sua ressurreição.
Agora, irmãos e irmãs, muitas vezes pensamos que o que precisamos conhecer é a Sua morte. É a Sua morte na cruz do Calvário que nos introduz na família de Deus.
Se o nosso Senhor Jesus tivesse vindo a este mundo, vivido trinta e três anos e meio na terra, levado uma vida perfeita, demonstrado a nós como Deus é e depois retornado ao céu sem passar pela morte, o que teria acontecido conosco?
Ainda hoje haveria apenas um Homem no céu, e para sempre haveria apenas um Homem. Mas, graças a Deus, Ele desceu do monte da transfiguração. Dirigiu-Se resolutamente para Jerusalém. Foi ao Calvário, e ali morreu por nós.
É a Sua morte que nos redime. É a Sua morte que nos introduz na família de Deus. Por isso, nossa ênfase muitas vezes recai mais sobre a Sua morte.
Mas, irmãos e irmãs, ao ler o Novo Testamento e abrir o livro de Atos, vocês veem que, quando Pedro e os onze pregaram pela primeira vez o evangelho de Jesus Cristo, a ênfase deles estava na ressurreição.
A ênfase deles era esta: “Saiba toda a casa de Israel que Aquele a Quem vocês crucificaram, Deus ressuscitou dentre os mortos, e agora Ele está coroado e ungido como Senhor e Cristo”.
Em outras palavras, não somos chamados explicitamente apenas a crer na morte do Senhor Jesus para sermos salvos, embora Sua morte seja essencial e verdadeira. Somos chamados a crer em Sua vida de ressurreição.
Quando os primeiros apóstolos pregavam o evangelho, sua ênfase estava sempre na ressurreição do nosso Senhor Jesus.
Vocês se lembram de Romanos 10:9:
Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Somos salvos ao crer que Deus O ressuscitou dentre os mortos e ao confessar com a nossa boca. Por que é assim? Porque, se o nosso Senhor Jesus tivesse ido ao Calvário e morrido, mas nunca tivesse ressuscitado, como saberíamos que Deus havia aceitado o Seu sacrifício?
O evangelho enfatiza a ressurreição do nosso Senhor Jesus. É por Sua ressurreição que recebemos vida.
A primeira coisa que precisamos conhecer a respeito do Senhor Jesus, depois de termos recebido o benefício de Sua morte, é o poder da Sua ressurreição.
O próprio Senhor nos diz:
Eu sou a ressurreição e a vida.
O Calvário é a Sua obra. Sua morte é a Sua obra. Mas, quanto a Ele mesmo, Ele é vida.
Ele disse:
Eu sou o primeiro e o último, e Aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.
O próprio Senhor não é morte; a morte foi a Sua obra. O próprio Senhor é vida. Ele é vida eterna. Ele é vida de ressurreição.
Ele entrou na morte, tirou dela o seu poder e saiu vitorioso. Esse é o poder da Sua ressurreição.
Graças a Deus, irmãos e irmãs, nós, que cremos no Senhor Jesus, temos a Sua vida em nós. Não é uma vida de morte; é vida eterna.
Essa vida é poderosa. Não há nada mais poderoso do que a vida de ressurreição, porque ela vence até mesmo a morte.
Quem pode vencer a morte? Uma vez que alguém é tragado pela morte, nunca mais sai dela. Mas o nosso Senhor Jesus entrou na morte, venceu-a e saiu vitorioso. Ele tem as chaves da morte e do Hades.
A vida que Deus nos deu em Cristo Jesus é uma vida vencedora. É uma vida que está acima de tudo. Não há nada que possa vencer essa vida.
Esse poder da vida de ressurreição está em cada um de nós que crê. Portanto, a primeira coisa, ao conhecer o próprio Senhor Jesus, é experimentar o poder da Sua ressurreição.
Estamos vivendo neste mundo hostil. Antes, pertencíamos a este mundo e, por pertencermos a ele, era fácil. Mas agora não pertencemos a este mundo. Pertencemos ao nosso Deus e ao nosso Senhor.
Viver neste mundo ao qual já não pertencemos e nadar contra a corrente não é uma tarefa fácil. Como podemos, sendo cristãos, viver neste mundo hostil? Precisamos de poder — o poder da vida de ressurreição.
Se o nosso Senhor Jesus nos tivesse deixado nesta terra apenas para lutar com nossas próprias forças, não teríamos nenhuma chance. Mas, graças a Deus, Ele nos deu a vida de ressurreição dentro de nós.
Ele está nos demonstrando que Sua vida em nós é mais do que suficiente para vencer todo obstáculo, toda provação e toda tribulação. Nenhum cristão pode viver nesta terra por si mesmo.
A única maneira de vivermos nesta terra é pelo poder da Sua ressurreição. Isso não é verdade em nossa própria experiência?
Depois que cremos no Senhor Jesus, tentamos vencer as tentações. Nós nos esforçamos muito. Até oramos com muito empenho. Mas, quanto mais tentamos e oramos, menos conseguimos vencer. Por quê?
Porque nenhum cristão pode viver a vida cristã por si mesmo. É hora de despertarmos e percebermos que não podemos viver a vida cristã.
Mas, graças a Deus, podemos, porque temos o poder da Sua ressurreição em nós. Se verdadeiramente nos voltarmos para Ele em todas as coisas, não haverá nada acima de nós; todas as coisas estarão debaixo dos nossos pés.
A primeira coisa, ao conhecê-Lo, é conhecer a Sua vida. Isso é conhecê-Lo — não apenas conhecer o Seu ensino.
Às vezes, nós, que somos cristãos há anos, já ouvimos muita coisa. Já lemos muita coisa. Sabemos muita coisa. Mas isso não nos ajuda. Isso não nos faz crescer em Cristo.
Somente quando experimentamos a Sua vida, o poder da Sua vida de ressurreição, começamos realmente a conhecê-Lo.
Creio que, em maior ou menor medida, cada um de nós que creu no Senhor Jesus já experimentou, de alguma pequena maneira, o poder da ressurreição em sua vida. Mas, infelizmente, ainda nos apoiamos em nós mesmos, e esse é o nosso problema.
Se ao menos pudéssemos conhecer o poder da Sua ressurreição — e precisamos conhecê-lo pela experiência. Talvez, depois de muitos fracassos, quando a tentação chega, sabemos que aquilo é errado. Tentamos lutar contra ela, empregamos toda a nossa força e oramos com muito empenho. Mas isso não funciona.
Depois de muitos fracassos, começamos a lembrar que temos dentro de nós uma vida que é capaz. Conhecer o poder da Sua ressurreição é conhecê-Lo, porque Ele é vida.
O segundo passo é conhecer a comunhão dos Seus sofrimentos.
A palavra sofrimentos está no plural. Em outras palavras, há vários tipos de sofrimento. Para simplificar, existem dois tipos de sofrimentos de Cristo.
Um deles é o sofrimento vicário, isto é, em nosso lugar. Isso aconteceu quando o nosso Senhor Jesus levou os nossos pecados em Seu corpo e foi crucificado na cruz.
Ele foi ao lagar, por assim dizer, inteiramente sozinho. Suportou sozinho a ira de Deus contra o pecado. Por causa do que Ele fez por nós, nossos pecados foram expiados, e fomos redimidos e salvos.
Ninguém pode participar desse tipo de sofrimento. Ninguém está qualificado para ter qualquer parte nele. Nós apenas colhemos o fruto desse sofrimento. Graças a Deus por isso.
Mas existe outro tipo de sofrimento, que podemos chamar de sofrimento não vicário. Esse é o sofrimento no qual Ele nos chama a ter comunhão com Ele.
Comunhão significa simplesmente compartilhar a mesma coisa com Ele. Assim como Ele sofreu, também sofreremos com Ele.
Quando o nosso Senhor Jesus veio a este mundo, uma das coisas que Lhe trouxe sofrimento foi a obediência ao Seu Pai. Ele era um Homem e tinha Sua própria vontade. Embora fosse sem pecado, tinha Sua própria vontade.
Mas, ao longo de Sua vida, o nosso Senhor Jesus nunca, nem por um momento, seguiu a Sua própria vontade. Estava sempre esperando pela vontade do Pai e era obediente a ela.
Ele mesmo nos disse: “Não posso fazer nada por Mim mesmo. Não posso dizer nada por Minha própria iniciativa. Meu tempo não é Meu”. Tudo era segundo o Pai que O enviou.
Ele veio para fazer a vontade do Pai. Tudo o que o Pai dizia, Ele dizia. Tudo o que o Pai fazia, Ele fazia. Qualquer que fosse o tempo do Pai, esse era o Seu tempo.
Vocês acham que isso é fácil? É muito difícil para nós sermos obedientes a Deus. Queremos isto e queremos aquilo. Queremos ser livres. Queremos ter nossa própria opinião e seguir nosso próprio caminho. Fazemos nossas próprias escolhas.
A obediência envolve sofrimento. A sua carne vai sofrer. Você precisa negar a si mesmo, conter a si mesmo e fazer morrer o seu eu para poder ser verdadeiramente obediente.
Nosso Senhor Jesus foi obediente ao Pai até a morte, sim, até a morte de cruz.
Vocês se lembram de como Ele orou quando estava no jardim do Getsêmani:
Pai, se queres, passa de Mim este cálice: contudo, não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Para o Homem perfeito, o Homem sem pecado, o Homem mais puro da terra, ter sobre Si todos os pecados do mundo e toda a sua contaminação era insuportável do ponto de vista da natureza humana. Mas Ele disse:
Não se faça a Minha vontade, mas a Tua.
Ele bebeu o cálice até o fim.
Irmãos e irmãs, esse é um tipo de sofrimento que Ele nos chama a compartilhar com Ele. Vocês acham difícil negar a própria vontade e fazer a vontade de Outro?
Nosso orgulho não fica ferido? “Quem sou eu para ter de obedecer? Posso fazer tudo o que quiser.” Mas, irmãos e irmãs, a vida cristã é uma vida de obediência.
O Senhor Jesus disse:
Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-Me.
E Ele disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim; porque sou manso e humilde de coração: e achareis descanso para as vossas almas.
O Senhor quer que tenhamos comunhão com Ele.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, o cristianismo de hoje muitas vezes nos diz que Cristo sofreu por nós; portanto, não precisamos sofrer. Sofrimento é quase uma palavra estranha para os cristãos de hoje.
Pensamos que, se crermos no Senhor Jesus, não haverá sofrimento, apenas bênção. Mas, se vocês lerem a Palavra de Deus, verão que não é assim. A Palavra de Deus está cheia de sofrimento.
Assim como o nosso Senhor Jesus sofreu pela vontade de Deus, nós também precisamos sofrer.
Esse pensamento, essa maneira de pensar, já nos ocorreu? Por que nos rebelamos contra Deus? Lembrem-se de que Deus é Deus.
Não queremos sofrer; queremos ser abençoados. Pensamos que cremos no Senhor Jesus por este motivo: Ele sofreu tudo, para que não precisemos mais sofrer.
Irmãos e irmãs, não se trata daquele tipo de sofrimento. Trata-se do sofrimento da obediência a Deus.
Vocês já sofreram por obedecer à vontade de Deus? Se já sofreram, vocês O conhecem. É assim que Ele é. Esse é o Seu caráter. Essa é a Sua vida.
Não apenas isso: quando o nosso Senhor Jesus estava na terra, Ele sofreu por causa da justiça. O mundo é perverso. O mundo está cheio de injustiça.
Se você quiser viver uma vida justa neste mundo injusto, terá de sofrer.
É por isso que o nosso Senhor Jesus sofreu tanto enquanto estava na terra. Ele sofreu a oposição dos escribas, dos fariseus e das autoridades perversas, porque Se recusava a fazer qualquer coisa que não fosse correta aos olhos de Deus.
Nós alguma vez sofremos com Ele por causa da justiça? Ou estamos tomando o caminho mais fácil, tentando nos misturar com o mundo e escapar de qualquer sofrimento?
Essa é uma verdadeira provação para os cristãos de hoje. Mas, se você quiser conhecê-Lo, terá de conhecer a Sua justiça e sofrer por ela.
Quanta incompreensão, quanta perseguição — até a morte — vieram sobre o nosso Senhor Jesus. O mesmo acontecerá com aqueles que O seguem e aprendem Dele.
Há muitas coisas que o nosso Senhor Jesus sofreu por causa da igreja. Como Ele passou por dores de parto! Como do Seu lado saíram sangue e água para edificar a igreja!
Nós, que seguimos o Senhor, como disse o apóstolo Paulo, precisamos passar por dores de parto pela igreja, para vê-la sendo edificada. Sofremos por isso, ou pensamos que a igreja é apenas um lugar de prazer?
Nosso Senhor Jesus também sofreu por causa de Sua sensibilidade, de Seu ardor e de Sua compaixão pelo mundo. Sempre que uma pessoa sofria, Ele sofria.
Somos assim? Assumimos verdadeiramente o caráter do nosso Senhor Jesus? Isso é conhecer a Cristo.
Às vezes, nos perguntamos por que a primeira coisa que conhecemos é o poder da Sua ressurreição, e depois conhecemos a comunhão dos Seus sofrimentos. Creio que agora sabemos.
A menos que conheçamos o poder da Sua ressurreição, não temos como participar dos Seus sofrimentos. Graças a Deus, Ele já fez a provisão.
A vida cristã não é uma vida na qual somos deixados por nossa própria conta. A vida cristã é um chamado e, com esse chamado, Ele já supriu o poder.
Pelo poder da Sua vida de ressurreição, somos capazes de compartilhar com Ele os Seus sofrimentos.
Hoje, as pessoas veem o sofrimento como algo estranho aos cristãos. Os cristãos, dizem elas, não deveriam sofrer. Que tipo de cristianismo temos hoje?
O caminho da cruz é estreito. Vocês o encontraram, mas ele conduz à vida. Irmãos e irmãs, esse é o verdadeiro cristianismo. Isso é realmente conhecer a Cristo. Estamos prontos para isso?
Então encontramos:
Tornando-me conforme à Sua morte.
Sua morte já nos trouxe vida. É por Sua morte que nossos pecados são expiados. É por termos morrido com Cristo na cruz que hoje vivemos em Cristo.
Mas aqui encontramos que devemos ser conformados à Sua morte.
Vocês se lembram de Romanos 12:2:
E não vos conformeis com este mundo: mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Antes, éramos conformados a este mundo. O mundo é como um molde, e todos nós éramos moldados nele. Desse molde, saíamos todos iguais.
Mas Deus nos libertou deste mundo e nos transferiu para o reino do Filho do Seu amor. A morte do nosso Senhor também é um molde.
É mais do que simplesmente o fato de Ele ter morrido por nós. É um molde, e devemos ser conformados a esse molde. O que isso significa?
Significa uma coisa: Sua morte fez morrer tudo o que está fora de Deus.
Não é verdade que, em nossa vida, mesmo depois de crermos no Senhor, ainda existem muitas coisas em nós que não são de Deus? Algumas podem ser pecado, outras podem ser do mundo, outras podem ser de nós mesmos, e algumas podem até vir do inimigo.
Tudo o que não é de Deus morreu na morte de Cristo. Devemos ser conformados a essa morte. Somente depois de sermos conformados à Sua morte seremos transformados e conformados à imagem de Cristo.
Como diz o apóstolo Paulo:
Morro diariamente.
A morte opera em nós, para que a vida opere nos outros. Esse é o caminho da vida cristã.
O apóstolo Paulo prosseguia em sua busca, passo a passo, experimentando todas essas coisas. Mas, mesmo assim, ele disse:
Se, de algum modo, puder alcançar a ressurreição dentre os mortos.
Ele não parece estar seguro de si nem ser presunçoso. Ele diz: “Se, de algum modo, puder alcançar a ressurreição para fora do meio dos mortos”.
Irmãos e irmãs, precisamos lembrar que a palavra traduzida aqui como “ressurreição” não é simplesmente a palavra usual para ressurreição. No grego original, é ressurreição para fora.
A Bíblia nos diz que todos os que creem no Senhor Jesus e morreram serão ressuscitados na vinda do Senhor, quando a trombeta soar e o Senhor retornar.
Todos os mortos que morreram no Senhor Jesus serão ressuscitados, transformados, revestidos de incorruptibilidade e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. Essa é a ressurreição dos justos.
A ressurreição dos injustos aguardará até mil anos depois. Mas aqui encontramos a ressurreição para fora dentre os mortos.
O Senhor Jesus disse:
Eu sou a ressurreição e a vida: quem crê em Mim, ainda que morra, viverá.
Não há nada de incerto quanto à ressurreição dos cristãos. Ela é certa. Por que, então, Paulo disse que poderia alcançar essa ressurreição para fora do meio dos mortos?
Porque a Bíblia nos fala de uma ressurreição chamada a primeira ressurreição. Vocês encontram isso em Apocalipse 20.
A primeira ressurreição é a ressurreição para fora dentre os mortos. Não é outra ressurreição, porque todos os justos serão ressuscitados juntos. Mas, dentre os que participam da ressurreição dos justos, haverá alguns cuja ressurreição será essa ressurreição para fora.
Qual é a diferença? Aqueles que tiverem parte nessa ressurreição para fora reinarão com Cristo por mil anos. Vocês encontram isso em Apocalipse 20.
Era isso que Paulo buscava. Quem chegará a essa ressurreição para fora? Somente aqueles que O conhecem, que conhecem o poder da Sua ressurreição, a comunhão dos Seus sofrimentos e a conformidade com a Sua morte.
Essas são as pessoas que poderão alcançar a ressurreição para fora do meio dos mortos. É o momento de receber o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
Irmãos e irmãs, até o apóstolo Paulo disse: “Não digo que já cheguei”. Ele escreveu essa carta enquanto estava em uma prisão romana, e ainda assim disse: “Não digo que já cheguei”.
“Esqueço-me das coisas que ficam para trás e me estendo, com todo o meu esforço, em direção ao alvo. Prossigo.”
Ó irmãos e irmãs, essa deve ser a nossa atitude. Não cheguem ao ponto de se sentar e dizer: “Já basta. Já cheguei. Já alcancei”.
Somente quando Paulo escreveu 2 Timóteo, antes de seu martírio, ele teve esta certeza:
Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé:
desde agora, a coroa da justiça me está reservada, a qual o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a Sua vinda.
Irmãos e irmãs, estamos esperando a volta do Senhor? Estamos prontos para a Sua volta?
Se buscarmos com fervor, pela graça de Deus, Ele nos capacitará a alcançar. Mas, se abusarmos da graça de Deus, teremos de chorar nas trevas exteriores.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós.
Querido Senhor, Tu nos mostraste o caminho para Te conhecer. Nós Te agradecemos e Te louvamos, porque nos mostraste que esse caminho é o caminho da cruz.
Nós Te agradecemos porque já preparaste e providenciaste para nós a vida de ressurreição — Cristo em nós, a esperança da glória.
Ó, nós Te agradecemos pelo mistério do evangelho. Oramos para que cada um de nós aqui, por Tua graça, prossiga nessa busca, avançando em direção ao alvo, até ouvirmos a Tua voz:
Bem está, servo bom e fiel; entra no gozo do teu Senhor.
Nós Te damos glória em Teu precioso nome. Amém.