Ao nos prepararmos para examinar novamente a preciosa Palavra de Deus, lembro ao meu próprio coração, e lembro mais uma vez a vocês, aquele princípio indispensável de todo estudo bíblico: a dependência total do Espírito Santo de Deus.
É interessante que a Bíblia mencione apenas uma ocasião em que nosso Senhor Jesus Se alegrou em Seu espírito. Não estou dizendo que Ele nunca tenha Se alegrado além dessa ocasião, mas esse é o único registro que temos. Gostaria de ler esse versículo. Está em Lucas 10:21.
Naquela mesma hora, Ele Se alegrou grandemente no Espírito Santo e disse:
“Eu Te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos
e as revelaste aos pequeninos.
Sim, ó Pai, porque assim foi do Teu agrado.”
A única ocasião em que a Bíblia menciona que nosso Senhor Jesus Se alegrou em espírito — talvez, como disse um comentarista, tenha até girado de pura alegria — foi quando Ele pensou na maneira como a revelação acontece. Ele disse: “Vou revelar estas coisas aos pequeninos. Vou mostrar estas coisas às criancinhas”. Como isso alegrou Seu coração, e como isso alegra Seu coração nesta noite. Ele tem prazer em revelar estas coisas aos pequeninos.
Não há como vocês produzirem por si mesmos uma atitude de criança, nem como eu produzir essa atitude em mim. Isso é um dom do Senhor. Ele prometeu que, se nos achegássemos como pequeninos, como criancinhas, Ele nos revelaria estas coisas.
Isaías 41:17 diz:
Os aflitos e os necessitados buscam água, mas não há;
e a sua língua está ressequida de sede;
Eu, o Senhor, lhes responderei pessoalmente.
Não é um versículo maravilhoso? Quando estamos assim, sedentos e ressequidos: “Eu, o Senhor, lhes responderei pessoalmente”. Ele é o único que pode satisfazer essa sede.
Então, vamos nos curvar juntos diante do Senhor e, depois, examinaremos novamente Sua Palavra.
Nosso Pai, nós Te agradecemos tanto porque temos o Espírito Santo e porque Tu prometeste nos mostrar as coisas de Cristo. Tu prometeste desvendar o Senhor Jesus e nos dar a revelação dEle. Por isso, esperamos novamente nesta noite e oramos para que, mais uma vez, nossos olhos sejam abertos um pouco mais e tenhamos uma visão mais ampla de nosso Senhor Jesus Cristo.
Obrigado porque Tu assumiste a responsabilidade de responder a toda a nossa sede. Oramos para que comecemos a experimentar, de uma maneira nova nesta noite, tudo o que significa Cristo continuar vivendo em nós como uma fonte que jorra.
Entregamos esta meditação a Ti. Pedimos que protejas Teus filhos de tudo o que não procede de Ti; que ministres aquilo que procede de Ti; e que, mesmo independentemente deste instrumento, fales diretamente tudo o que desejares falar. Confiamos em Ti nesta noite para que ministres a nós, satisfaças nossa sede e reanimes Tua herança quando ela estiver ressequida. Pedimos em nome de Jesus. Amém.
Bem, mais uma vez, não faremos uma longa revisão, mas quero lembrá-los dos pontos principais: nosso Senhor Jesus declarou ser a água viva, declarou ser a resposta para toda a nossa sede e para a sede do mundo inteiro.
Gostaria de ler novamente aqueles versículos centrais, embora provavelmente já os conheçamos: João 4:13-14.
Jesus lhe disse: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede;
mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
pelo contrário, a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.”
Nossa ênfase nesse versículo em particular está na promessa de que haveria em nós um poço, uma fonte. O grego diz: “saltando, jorrando”, saltando para a vida eterna.
Depois, João 7:37-39:
No último dia, o grande dia da festa, Jesus Se levantou e clamou, dizendo:
“Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
Quem crê em Mim, como diz a Escritura,
do seu interior fluirão rios de água viva.”
Mas isso Ele disse a respeito do Espírito,
a Quem haviam de receber os que nEle cressem;
pois o Espírito ainda não havia sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado.
Como mencionei, há aqui um maravilhoso avanço em relação à verdade de João 4. Nas duas passagens, Ele Se identifica como Aquele que dá a água viva e como a própria água viva que Ele dá. Mas, em João 7, Ele nos leva um pouco adiante. Não é apenas em nós — um poço, saltando, borbulhando, jorrando para a vida eterna —, mas são rios através de nós, transbordando, jorrando. Essa vida flui para atender à sede do mundo.
Nesta manhã, procurei estabelecer o fundamento, examinando de maneira bem simples o que está por trás de toda essa grande promessa do Senhor. Apresentei dois princípios muito simples.
Foi o Senhor Jesus Quem procurou a mulher. Não foi a mulher quem procurou o Senhor. Ela respondeu a Ele, e é isso que significa buscar: responder ao fato de Ele estar buscando você. Ele é sempre o primeiro a buscar, e você responde a isso buscando por Ele.
Quando essa história começou, tenho quase certeza de que ela nem sequer sabia que tinha sede das coisas eternas, das coisas espirituais — não até Jesus aparecer. Mas Ele é fiel em aparecer. É Ele Quem aparece e Se revela aos mais culpados dos pecadores. Ele não Se esconde. Ele não nos evita.
Nós não merecemos receber a água viva mais do que ela merecia. Não a merecemos. Mas, em vez disso, Ele Se coloca deliberadamente no caminho pelo qual sabe que nossa sede nos levará, para poder Se sentar e ter uma conversa particular conosco sobre essa água viva. É Ele Quem toma a iniciativa.
Depois, vimos também que é Ele Quem convida. Ele disse: “Se você Me pedisse, Eu lhe daria esta água viva”. Basta pedir, e ela é sua. Basta recebê-la, e ela é sua. Assim que ela Lhe pediu, Ele disse: “Eu sou”, e Se revelou como o Messias. Sem demora. Ele tem prazer em Se revelar.
Não existe sequer a menor necessidade de vencer alguma relutância em Deus. Ele não tem relutância alguma. A realidade é que, pela fé, nos apropriamos de uma disposição infinita. Nenhuma relutância — toda a disposição —, e então Ele derrama a Si mesmo.
Quando encerramos nesta manhã, eu estava chamando a atenção para aquele maravilhoso paradoxo: ao satisfazer seu coração, Ele fica satisfeito. Nós Lhe damos prazer ao receber Seu dom. Se você quer alegrá-Lo, receba o que Ele está oferecendo, e isso é Sua vida inteira.
Toda vez que dizemos sim à vida de nosso Senhor Jesus Cristo, levamos alegria e satisfação indescritíveis ao Seu coração.
O que gostaria de meditar nesta noite é um desenvolvimento dessa maravilhosa verdade: o Senhor em nós como uma fonte que jorra para a vida eterna.
João 4:10 diz:
Jesus respondeu e lhe disse: “Se tu conheceras o dom de Deus
e Quem é o que te diz: ‘Dá-Me de beber’,
tu Lhe terias pedido,
e Ele te teria dado água viva.”
E, novamente, João 4:13-14:
Jesus respondeu e lhe disse: “Todo aquele que beber desta água tornará a ter sede;
mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
pelo contrário, a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água
que jorra para a vida eterna.”
Para colocar isso diante do coração de vocês, gostaria de compartilhar duas palavras simples, porque essa grande verdade gira em torno de apenas duas palavras desse texto.
A primeira está em João 4:11:
A mulher Lhe disse: “Senhor, Tu não tens com que tirar água, e o poço é fundo; de onde, pois, tens essa água viva?”
A palavra que quero que vocês observem em João 4:11 é poço. “O poço é fundo.” A palavra grega traduzida aqui como “poço” significa uma cova. Todas as vezes que essa palavra é usada no Novo Testamento, com exceção desta passagem, ela é traduzida como “cova”. É isso que essa palavra significa. A cova é funda.
Nós a chamaríamos de cisterna. Uma cisterna não é uma irmã cristã — vocês sabem, temos irmãos e irmãs. Não é isso. É um reservatório artificial para armazenar água. Uma cisterna pode ser um tanque. Uma cisterna pode ser um buraco no chão. A principal característica de uma cisterna é que ela não tem seu próprio suprimento de água. Precisa ser abastecida de fora. Pode receber chuva; pode receber neve derretida; mas precisa haver alguma coisa do lado de fora que encha a cisterna.
Nesse caso, a mulher disse: “A cova é funda. A cisterna é funda”. Qual era a profundidade? Não sabemos. Toda a informação que temos sobre o poço de Jacó vem de João 4. Ele não é mencionado no Antigo Testamento. Lemos que Abraão cavou poços. Lemos que Isaque cavou poços. Mas não há nenhuma passagem no Antigo Testamento que diga que Jacó cavou um poço. Supomos que ele tenha cavado porque temos aqui o poço de Jacó.
Se vocês forem à Terra Santa, o que lhes mostrarão como o poço de Jacó é muito antigo. Dizem que, originalmente, ele tinha mais de trinta metros de profundidade; hoje, dizem que tem cerca de vinte e três metros, talvez até menos. Originalmente, quando Jacó o cavou, dois mil anos antes desses acontecimentos, talvez ele fosse alimentado por uma nascente. Não sabemos. É uma possibilidade.
Quase nos parece que era assim, porque a mulher diz em João 4:12 que Jacó bebia dele, todos os seus filhos bebiam dele e todos os seus animais bebiam dele. Parece que havia ali um bom suprimento de água. Mas, quando chegamos ao Novo Testamento, não há dúvida: era uma cisterna. Ainda era chamado de poço, mas era uma cisterna. Não era alimentado por uma nascente. Dependia da água da chuva e da neve derretida — água que vinha de fora.
Aqui vai uma curiosidade interessante. Andrew Bonar, o pregador escocês, foi visitar o poço de Jacó no fim do século XIX. Ele estava muito interessado e colocou sua Bíblia bem ali, sobre a borda do poço. Inclinou-se para olhar lá embaixo, esbarrou na Bíblia, e ela caiu dentro do poço. Então, quando vocês forem ver o poço de Jacó, poderão dizer: “Eu sei de uma Bíblia que está lá embaixo — a Bíblia de Andrew Bonar”. Isso é só uma informação.
Uma cisterna é apenas uma cova para recolher água. Ela não tem uma fonte externa. Creio que a cova de Jacó — aquela cisterna — era uma espécie de espelho da vida dessa mulher, porque sua vida certamente era uma cisterna que não retinha água.
Sua história trágica de cinco maridos e o relacionamento adúltero em que ela vivia quando conversou com o Senhor Jesus eram, sem dúvida, a prova de que ela havia bebido de cisternas que tinham secado. Não há dúvida.
Ela precisava de algum tipo de fonte externa para sua própria sede e satisfação. É uma frustração terrível tentar satisfazer uma sede insaciável numa cisterna que frequentemente seca.
Aquilo deve tê-la abalado profundamente quando Jesus disse, em João 4:16:
Vai, chama teu marido.
Não sei o que passou pela mente dela naquele momento. Quando leio, procuro entrar nessas situações. Tenho uma imaginação muito fértil. Tento me colocar no lugar dessas pessoas e me pergunto se ela pensou no dia de seu primeiro casamento.
“Vai, chama teu marido.” Imagino que ela provavelmente fosse jovem naquela época. Como todas as jovens noivas, provavelmente tinha muitos sonhos: “Este vai ser um casamento maravilhoso, e nós vamos ser tão felizes juntos. Talvez tenhamos filhos”, e todos os sonhos que acompanham um primeiro casamento.
Depois, como aquela cisterna ficou seca. Imagino que, depois disso, ela tenha pensado: “Desta vez vai ser diferente. Este vai dar certo”. Então, secou outra vez. Depois, mais um: “Ah, desta vez vai ser tão diferente”. Vocês podem se colocar no lugar dessa pobre mulher enquanto ela bebia de cisterna em cisterna, até que, finalmente, ficou tão frustrada que disse: “Não vou nem tentar de novo”. Então, simplesmente foi morar com esse homem, ou ele foi morar com ela — seja como for.
Quando ela falou com o Senhor Jesus, havia, de maneira bem real, um vazio em seu estômago, porque ela tinha uma cisterna, uma cova, e ela secava constantemente.
Agora, à luz disso, observem João 4:14:
Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
mas a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água
que jorra para a vida eterna.
É uma pena que o inglês traduza essas duas palavras como “poço”. “O poço é fundo”, disse ela, e aqui: “Eu lhe darei um poço”. Mas não são, de modo algum, a mesma palavra grega.
A palavra em João 4:11 se refere a uma cova ou cisterna. A palavra em João 4:14 significa uma fonte. Jesus falou de uma fonte que saltaria — uma fonte borbulhante, que jorraria e nunca secaria. Uma fonte de água fresca, de água viva.
Em outras palavras, Jesus prometeu que colocaria no coração dela, no lugar de uma cisterna que frequentemente seca, essa fonte maravilhosa, que não dependia de nada externo para permanecer cheia ou para ter água.
Lembrem-se: tanto aqui, em João 4, como em João 7, Jesus está falando de uma Pessoa: “será em você uma fonte”. Quando Ele diz em João 4:10: “Se você conhecesse o dom de Deus, Ele lhe daria água viva”, estava falando de Si mesmo.
Ele deixa isso absolutamente claro em João 7:39. Depois de prometer que, através do crente, fluiriam rios caudalosos, Ele explica:
Isso Ele disse a respeito do Espírito,
a Quem haviam de receber os que nEle cressem.
É uma Pessoa. É a vida de Deus. Se vocês querem compreender o coração do Senhor, a fonte é uma Pessoa, e a água é Sua vida. É a vida de Deus jorrando, a vida de Deus borbulhando, a vida de Deus saltando para a vida eterna.
A promessa que o Senhor fez foi que Ele mesmo a libertaria das cisternas que precisavam de uma fonte externa e secavam constantemente. “Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede.” Essa expressão, “para a vida eterna”, é outra maneira de dizer: “que nunca secará”.
Em contraste com a cova, em contraste com a cisterna, em contraste com o poço ao qual ela ia, Ele estava prometendo uma vida que substituiria a vida dela. Uma vida dentro dela. Ela já tinha vida, mas agora teria uma nova vida. Essa nova vida se levantaria, saltaria e substituiria sua própria vida.
Isso não é nem de longe tão forte em inglês quanto no original. No grego, há uma tripla negativa. Em inglês, uma dupla negativa acaba tendo um sentido positivo. Se eu digo: “Não quero nenhum”, vocês sabem que, pela lógica dessas duas negativas em inglês, eu quero algum. “Não me dê nenhuma sobremesa” — bem, vocês sabem o que eu quero. Na verdade, gosto daqueles bolinhos chamados Devil Dogs. Vivo preso àqueles Devil Dogs. Provavelmente vocês já perceberam isso.
Mas, no grego, se temos uma dupla negativa, ela é forte. Se temos três negativas, é ainda mais forte. Se temos quatro negativas, é mais forte ainda. Se temos cinco — e esse é o maior número que aparece no Novo Testamento —, é tão forte quanto pode ser.
Há apenas uma passagem em que Deus reúne cinco negativas: Hebreus 13:5, quando promete nunca deixar você. Ele colocou cinco negativas juntas para que você conhecesse a força de Sua promessa.
Uma tradução apresenta assim:
Não, não deixarei de te sustentar e amparar.
Não, não, não te desampararei.
Outra diz:
Nunca, não, nunca; de modo algum, jamais te abandonarei.
É isso que está no grego. É algo muito poderoso.
Vocês têm esse tipo de força saindo dos lábios de Jesus enquanto Ele conversava com essa mulher: “Você nunca terá sede”. Ele usa uma tripla negativa para deixar isso bem claro.
Uma tradução de João 4:14 diz:
Aquele que beber da água que Eu lhe der
certamente não terá sede, não, nunca.
Ele fez questão de colocar tudo ali: “certamente não terá sede, não, nunca”. E a água que Eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna.
O Senhor Jesus está tão empenhado em comunicar Seu desejo de satisfazer completamente.
Aliás, foi esse versículo que me levou a fazer aquele estudo introdutório sobre a identificação da verdadeira sede, porque Ele disse: “Você nunca, nunca terá sede”. Eu tinha dificuldade com isso, porque estou sempre com sede. Sempre, sempre, sempre.
Mas então comecei a perceber que vocês nunca terão sede dessa maneira. Nunca precisarão ter sede em busca de satisfação. Mas, ah, louvado seja Deus, vocês podem ter sede a partir da satisfação.
Vocês nunca chegarão ao fim de 1 Pedro 2:2:
Como crianças recém-nascidas, desejai o leite puro da Palavra,
para que, por ele, cresçais.
E nunca chegarão ao ponto em que Mateus 5:6 deixe de ser uma realidade:
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,
porque serão fartos.
Sempre teremos sede, mas agora será a partir desta posição: a partir da satisfação.
Irmãos, conheço um pouco da trajetória de alguns de vocês. Vocês não são principiantes. Na verdade, no plano humano, fico intimidado quando sou convidado a compartilhar com vocês, porque sei que vocês têm bebido mais, caminhado mais perto e provado mais do Senhor do que eu. Eu reconheço isso.
O problema é que algumas dessas coisas simples podem se tornar muito familiares para vocês. Não estou lhes dando nada novo. Vocês já ouviram tudo isso sobre a vida do Senhor. Mas que Deus leve cada um de nós de volta à realidade empolgante do que nosso Senhor Jesus está prometendo aqui, porque milhares de cristãos se afastaram dessa verdade simples.
É fácil. É simples. É maravilhoso. Mas será que é a nossa experiência?
A vida do Senhor está saltando, dançando, borbulhando, jorrando na sua vida? Está enchendo você de tal maneira que não haja uma sede assim: “Tem que haver mais. Ainda não cheguei lá”? Há algo assim na sua vida? Esse é o plano de Deus para cada um de nós.
Eu lhes disse nesta manhã que todos os mandamentos de Deus são convites. Ele pediu a ela que Lhe desse de beber porque queria que ela Lhe pedisse de beber. Toda vez que Ele nos dá um mandamento, está esperando que vocês Lhe peçam exatamente aquilo que Ele lhes pediu que fizessem.
Quando permitimos que Ele responda a isso, quando permitimos que Ele nos dê aquilo que exige, isso é Sua vida. É o borbulhar. É a fonte.
Quando não preciso depender da minha força, da minha sabedoria, dos meus recursos, dos meus votos ou da minha força de vontade — mas Ele ama através de mim, Ele perdoa através de mim, Ele provê através de mim, Ele obedece através de mim e Ele fala através de mim —, isso é Sua vida. É o borbulhar de Sua vida, Sua vida substituindo a minha vida.
Quando Sua vida borbulha, essa é a fonte da qual Ele está falando. Haverá em vocês uma fonte, e ela é Sua vida. É outra maneira de dizer:
Vivo; não mais eu, mas Cristo vive em mim.
É a mesma coisa. Essa é a vida que borbulha quando é Sua vida que está vivendo.
Irmãos, essa é uma fonte que vocês podem levar para o trabalho, porque ela está no coração de vocês. Vocês podem levá-la consigo quando há palavrões por toda parte, quando sofrem injustiças, quando há egoísmo e pressão. Vocês têm uma fonte, que é Sua vida, e ela funciona no ambiente de trabalho.
Essa é uma fonte que vocês podem levar para a escola, onde há permissividade por toda parte, ausência de temor do Senhor, cola, mentira, histórias indecentes, comportamento desregrado e blasfêmia. Esse estudante que é cristão tem uma fonte dentro de si e não precisa mais viver por sua própria vida. É a vida do Senhor Jesus.
Essa é uma fonte que vocês podem levar ao hospital. Quando recebem aquele diagnóstico médico, quando há tristeza no plano humano, dor e medo, há uma fonte para lidar com tudo isso.
Essa é uma fonte que vocês podem levar à congregação. Às vezes, na congregação, vocês enfrentarão certas coisas. Às vezes há ciúmes, divisões, favoritismo, hipocrisia e, muitas vezes, carne não crucificada. Mas vocês têm uma fonte no coração. É a vida do Senhor Jesus, e vocês não precisam reagir com sua própria vida.
No meio da multidão, tenho uma fonte dentro de mim. Num mar tempestuoso, tenho uma fonte. No lugar secreto, tenho uma fonte. Na calmaria, tenho uma fonte. No dia da prosperidade, tenho uma fonte. No dia da adversidade, tenho uma fonte em meu coração.
É a vida de Cristo. Ele vive para viver. Ele vive para que possa viver em vocês e viver em mim.
Essa é uma fonte que vocês podem levar consigo para a velhice. Essa é uma fonte que vocês podem levar para a casa de repouso. É uma fonte que vocês levam consigo até o necrotério. Bendito seja Deus, isso é uma fonte. Isso é a vida do Senhor.
Não é uma cisterna em algum lugar lá fora que precisa de um suprimento extra. Está no coração de vocês e no meu.
Para tornar isso profundamente prático, podemos usar imagens e falar de fontes, de borbulhas e de todas essas coisas, mas o que significa, na prática, ter a vida de Deus vivendo em mim, borbulhando em mim, como uma fonte de água?
Vou ilustrar isso usando algumas imagens dessa história. Agora, não quero que vocês entendam mal. Não estou sugerindo que Deus tenha inspirado essas ilustrações, nem que o Espírito Santo tenha dado essas imagens e que seja exatamente isso que elas significam. Isso é um recurso de ensino. É um artifício. Estou tentando usá-lo como um auxílio à memória para ajudar vocês a se lembrarem.
As ilustrações são feitas pelo homem, mas os princípios são os princípios de Deus e estão de acordo com o equilíbrio das Escrituras.
Naquele dia, o Senhor libertou essa mulher e Se tornou nela uma fonte que jorra para a vida eterna. Aqui estão minhas três ilustrações:
João 4:15 diz:
A mulher Lhe disse: “Senhor, dá-me dessa água,
para que eu não tenha sede nem precise vir até aqui para tirá-la.”
João 4:28-29 diz:
Então a mulher deixou seu cântaro
e foi à cidade, e disse aos homens:
“Vinde, vede um Homem que me disse tudo quanto tenho feito;
não será Este o Cristo?”
Aquele recipiente de água não era de metal ou de lata, como um balde. Na verdade, era feito de pele de animal, geralmente pele de cabra. Colocavam três varetas atravessadas na parte superior para manter a boca aberta. Era um balde de pele.
O Senhor quer nos libertar dos baldes feitos de pele que precisam constantemente ser enchidos de novo. Ele também quer nos libertar das cordas.
Senhor, Tu não tens com que tirar água, e o poço é fundo; de onde, pois, tens essa água viva?
Ter Cristo vivendo em mim como uma fonte que borbulha significa que finalmente estou livre das cisternas; livre dos baldes feitos de pele que precisam ser enchidos novamente; e livre de puxar, de arrastar, das cordas, dos cabos, do trabalho e de todo o esforço para pegar meu balde de pele e enchê-lo numa cisterna que precisa de uma fonte externa e sempre seca.
Primeiro: essa mulher foi liberta das cisternas que precisavam de uma fonte externa e secavam constantemente. Essa é apenas outra maneira de dizer que somente Jesus satisfaz.
Não precisamos nos frustrar, correndo de uma cisterna para outra, tentando conseguir o que somente Jesus pode dar. Até que o Senhor abra nosso coração para vermos Cristo como essa fonte, como essa…