Testimony Ministry LogoChristian Testimony MinistryCTM
  • Home
  • Speakers
  • Venues
  • Topics
  • Scripture
  • Fellowship Finder
THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
About CTMContact CTMPrivacy PolicyRelated Ministries
    How Did The Lord Satisfy The Woman At The Well © 2026 Christian Testimony Ministry
    0:00
    How Did The Lord Satisfy The Woman At The Well
    How Did The Lord Satisfy The Woman At The Well
    Miller, Ed

    Cristo como a Água Viva

    O Senhor nos concedeu mais um dia de vida, para que pudéssemos conhecer um pouco mais e descobrir algumas das possibilidades da nossa união com Ele. Bendito seja o Senhor.

    As Dimensões Humana e Divina das Escrituras

    Ao nos voltarmos para a Palavra de Deus, lembro ao meu próprio coração, e quero lembrar a vocês, aquele princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável.

    Nossa Bíblia é como nosso Senhor Jesus: é humana e divina. Há dois lados. Assim como quando nosso Senhor andou na terra, a maioria das pessoas enxergava apenas o lado humano: “Este é o filho de José. Este é o filho de Maria. Conhecemos Seus irmãos. Sabemos onde Ele foi criado. Ele é de Nazaré. Sabemos quem Ele é”.

    E, quando Deus abriu os olhos de Pedro e ele enxergou o outro lado — “Tu és o Cristo” —, nosso Senhor Jesus disse:

    Não foi carne e sangue que te revelou isso, mas Meu Pai, que está nos céus.

    Quando Ele estava na terra, era necessária uma revelação do Espírito Santo para enxergar o lado divino da Palavra viva. E agora temos a Palavra escrita, e há dois lados. Há um lado humano; por isso, precisamos estudar, precisamos ler, e temos os recursos acadêmicos.

    Mas também há um lado divino, e somente Deus pode revelar Deus. No fim das contas, nós nos apresentamos como criancinhas diante do Senhor e dizemos: “Senhor, até onde sei, fiz o trabalho acadêmico. Cuidei do lado humano. Agora revela o Senhor Jesus ao meu coração”.

    E Ele tem prazer em fazer isso. Ele nos deu Sua Palavra para que pudéssemos conhecê-Lo.

    Oração e o Salmo 36

    Antes de orarmos juntos, deixem-me compartilhar esta passagem do Salmo 36. Salmos 36:8-9:

    Fartam-se da abundância da Tua casa;
    E Tu lhes dás de beber do rio das Tuas delícias.
    Porque em Ti está a fonte da vida:
    Na Tua luz veremos a luz.

    “Fartam-se.” Isso tem a ver com capacidade, porque a quantidade necessária para saciar você pode ser maior do que a necessária para me saciar, e a de outra pessoa pode ser maior do que a de nós dois. Mas todos bebem até se fartar, de acordo com sua capacidade.

    Ele sabe que há mais do que podemos suportar, e não nos dará isso. Mas Sua revelação sempre aguarda nossa capacidade; e, na medida em que estamos dispostos a receber, Ele está disposto a dar. Portanto, Ele tem prazer em fazer isso.

    Vamos nos curvar juntos, entregar nosso tempo a Ele e orar para que Ele realmente revele o Senhor Jesus ao nosso coração.

    Nosso Pai, nós Te agradecemos mais uma vez nesta manhã por estas grandes verdades: que Tu não nos deixaste sozinhos ao nos aproximarmos deste precioso Livro, Tua Palavra inspirada. Tu nos deste Tua vida. Tu nos deste o Espírito Santo, o Mestre da Bíblia que habita em nós, o Qual pode acender a luz e colocar nosso Senhor Jesus na luz, e então nos conceder graça para andar na luz, assim como Ele está na luz.

    Senhor, oramos para que cada irmão nesta manhã beba até se fartar da Tua abundância. Pedimos em nome de Jesus. Amém.

    A Fonte Interior e os Rios que Flu em para Fora

    Vou pedir que abram suas Bíblias, por favor, em João 4. Deixem-me colocar diante do coração de vocês, mais uma vez, a título de uma breve revisão, aquilo que está no meu coração para compartilhar. Ficaremos principalmente no Evangelho de João. Amanhã de manhã, há outra passagem que quero examinar em conexão com João 4.

    Mas vamos olhar os dois textos que são, por assim dizer, textos-chave. O primeiro é João 4:13-14:

    Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;
    Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
    Mas a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

    Quero que observem especialmente essa pequena expressão, “nele”, porque este primeiro aspecto de Cristo como a água viva tem a ver com a promessa de que Ele será em nós uma fonte, uma nascente que salta para a vida eterna.

    Guardem isso e olhem, por favor, João 7:37-39:

    E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-Se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim e beba.
    Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.
    E isto disse Ele do Espírito, que haviam de receber os que Nele cressem; porque o Espírito ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

    Sugeri que, de várias maneiras, mas pelo menos desta maneira, João 7 representa um avanço em relação a João 4. A promessa em João 4 é que Ele seria uma fonte, uma nascente em mim, saltando para a vida eterna.

    A promessa em João 7 é que essa mesma vida que brotou em mim agora fluirá através de mim como rios — no plural —, torrentes impetuosas de água viva, porque há um mundo sedento lá fora.

    O que está no fundo do coração de Deus é que Seu coração abrange o mundo inteiro. Toda verdade é uma verdade missionária. Toda verdade é redentora. Deus trabalha em nós para trabalhar através de nós, a fim de que essa água viva alcance os confins da terra.

    Portanto, é isso que queremos examinar juntos. O que significa Ele ser uma fonte em mim, saltando para a vida eterna? O que significa Ele ser torrentes impetuosas através de mim, derramando-Se sobre outros que estão sedentos? Espero que, ao final, tenhamos respondido a essas perguntas.

    A Realidade Objetiva da União com Cristo

    Agora, o propósito de Deus para nós em Cristo Jesus é que esses dois aspectos sejam verdadeiros em minha vida. E aquilo que é verdadeiro para o indivíduo sempre tem aplicação para o corpo.

    É da vontade de Deus que Cristo — a vida de Cristo na pessoa do Espírito Santo —, a vida do Senhor Jesus, brote em você, encha você e sacie sua sede. Essa é a vontade de Deus.

    Também é da vontade de Deus para nós, individual e coletivamente, que sejamos esse canal de redenção para o mundo, e que a vida do Senhor Jesus flua através de nós, individual e coletivamente.

    Como dissemos ontem à noite, espero que estejamos todos na mesma página: estamos falando daquela sede que vem da fonte, e não de uma sede pela fonte. O que queremos dizer com isso é que o Senhor Jesus já nos satisfez. Ele já entrou em nosso coração. A fonte já está ali. Não precisamos procurar o rio. Não precisamos procurar a fonte. Ela já está ali.

    Quero começar por aí, porque, quando Ele fala dessa fonte que brota dentro de nós e desse rio impetuoso que passa através de nós, está falando de uma manifestação prática da nossa união com o Senhor Jesus Cristo.

    Estou convencido, como sugeri ontem à noite, de que o inimigo da nossa alma adoraria que transformássemos um ponto de partida em uma meta. E, se ele não conseguir fazer isso, tentará desviar nossos olhos para os resultados secundários, em vez de mantê-los na meta. Ele faz isso o tempo todo.

    Sei que parece espiritual pensar lá adiante, no futuro: algum dia, mais à frente, com o passar do tempo, algum dia descobrirei que sou completo Nele. Algum dia entrarei naquele descanso de que os cristãos falam. Consigo ver chegando o dia em que serei cheio do Espírito de Deus.

    E quando eu estiver totalmente consagrado, totalmente rendido, crucificado, morto para mim mesmo — puxa, mal posso esperar por esse dia. Mas ele está sempre no futuro. Está sempre mais adiante. Talvez algum dia entremos nisso, quando falamos dessas coisas.

    Mas precisamos começar aqui, irmãos. Não é mais adiante. É agora. Cristo está em seu coração. Você é um crente em Cristo. E, quando Ele entrou, entrou como uma fonte para brotar. É por isso que Ele está aí. Ele entrou para fazer isso.

    Cristo vive em você. Você é completo em Cristo. Você foi crucificado com Cristo. Essas coisas são realidade. Sua vida está escondida com Cristo em Deus. Você foi ressuscitado com Ele nas regiões celestiais.

    A partir dessa posição, que Deus crie em nós sede e apetite para conhecer mais disso e entrar mais plenamente nisso. Não estamos tentando alcançar o momento em que teremos uma nascente brotando. Esse é o ponto de partida. Você tem uma nascente brotando.

    Que Deus nos capacite a deixar de lado todas as reservas e crer nisso de todo o coração, porque então vamos experimentar isso. Primeiro você reconhece; depois, pode experimentar. Mas não pode experimentar primeiro. Você precisa reconhecer.

    Isso é objetivamente verdadeiro. O que Cristo tornou objetivamente verdadeiro por Sua morte e ressurreição, o Espírito Santo torna subjetivamente real quando você se apropria disso pelo simples passo da fé. Portanto, não corra atrás da experiência: “Ó Senhor, quero que isso seja real”. Saiba o que é verdadeiro, e Deus o tornará real em sua experiência.

    A Mulher Junto ao Poço como Ilustração da Plenitude

    Dito isso, vamos olhar esta preciosa história em João 4 e ilustrar alguns desses maravilhosos princípios de vida.

    Tenho certeza de que, se você chegar assim, meio despreocupado, a João 4, a esses primeiros quarenta e dois versículos, dirá: “Esta mulher junto ao poço é uma maravilhosa ilustração de alguém que vem a Jesus pela primeira vez”. Em outras palavras, ela ilustra como ser salvo, como vir ao Senhor Jesus pela primeira vez.

    Aqui está um retrato de um pecador encontrando a salvação, tomando o primeiro gole e entrando em um relacionamento com Cristo.

    Acho que todos nós — não estaríamos aqui, creio eu, se não tivéssemos tomado aquele primeiro gole. Estou partindo do princípio de que todos estamos aqui conhecendo o Senhor. Eu disse a vocês ontem à noite que, para mim, foi há muitos anos, em 1958, em Hartford, Connecticut, quando o Senhor Se revelou a mim. Que glória!

    Às vezes fico desanimado. Penso: “Cinquenta anos — eu não deveria estar mais adiante no caminho?”. Olho para meu próprio coração e, às vezes, fico me perguntando. Mas, para outros, talvez não tenham sido cinquenta anos — talvez trinta, vinte ou menos que isso.

    Uma das coisas que abençoam meu coração é ver vocês, jovens, aqui. Louvado seja Deus por vocês virem a uma conferência como esta. Isto não é só para homens idosos em casas de repouso. Louvado seja Deus, é para eles também. Mas, ah, se Deus puder alcançar você ainda jovem, entregue-se cedo ao Senhor. Ele salvará sua vida, além de sua alma.

    Louvado seja Deus por esses jovens que estão aqui. Mas, enfim, sem dúvida essa história ilustra a primeira vez que se bebe, o primeiro gole, o primeiro sorvo. Contudo, embora ilustre isso, ela vai além.

    Aqui está tudo reunido numa só história, todos os ovos numa única cesta. Olhem João 4:10:

    Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e Quem é O que te diz: Dá-Me de beber; tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva.

    Certamente, isso é vir a Cristo pela primeira vez. Mas então vêm os nossos versículos, João 4:13-14:

    Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;
    Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
    Mas a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

    Seu convite vai além daquele primeiro sorvo, além daquele primeiro gole, e a conduz até a fonte interior — a fonte que brota para a vida eterna. Portanto, é mais do que ser salvo. É chegar ao ponto em que você experimenta a plenitude dessa fonte.

    Mas não para por aí. A continuação dessa história é tão maravilhosa quanto o começo. Olhem, por favor, João 4:28-30:

    Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:
    Vinde, vede um homem Que me disse tudo quanto tenho feito; porventura, não é Este o Cristo?
    Saíram, pois, da cidade e iam ter com Ele.

    Vejam como ela larga o cântaro e corre para a cidade. Qual foi o resultado disso? Ouçam o que Jesus disse aos Seus discípulos em João 4:35:

    Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa?
    Eis que Eu vos digo: Levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.

    Vamos retomar esse ponto específico em outra conexão mais adiante. Quando Jesus disse: “Ainda há quatro meses, e então vem a ceifa”, alguns comentaristas entendem que isso pode ter sido literal. Em outras palavras, faltavam quatro meses para a colheita. Talvez estivessem em fevereiro, porque então teriam a colheita da primavera no início de junho.

    Ou talvez, quando Ele estava falando com ela, fosse junho ou início de julho, e Ele estivesse falando da colheita do outono. “Levantem os olhos. A colheita está chegando.”

    Alguns entendem essa expressão, “Quatro meses, e então vem a ceifa”, como um provérbio — um ditado que circulava naquela época. Isso é possível.

    Fazemos isso quando alguém morre. Alguém me conta que um santo morreu, e eu conheço aquele santo. Quase sempre respondo com estas palavras: “Mais algumas horas, e estaremos todos lá”. Bem, isso é uma figura de linguagem. Podem ser algumas horas. Pode ser literal. Podem ser alguns minutos. Não sei. Mas, quando digo: “Mais algumas horas, e estaremos todos lá”, quero dizer apenas que falta pouco tempo.

    Portanto, quando Jesus disse: “Vocês dizem: ‘Ainda há quatro meses, e então vem a ceifa’”, alguns acham que “vocês dizem” significa que esse era um ditado naquela época. É isso que vocês dizem: “Quatro meses, e então vem a ceifa”.

    Alguns entendem desta maneira, e é possível: naquele momento, como a mulher havia ido à cidade, os samaritanos estavam vindo para onde Jesus estava, junto ao poço. Os samaritanos, segundo os autores que li, usavam vestes brancas. Tinham um pano branco enrolado em volta da cabeça.

    Alguns sugerem que Jesus disse aos Seus discípulos: “Olhem ali”. Lá vinha um grande grupo de samaritanos, com as cabeças se movendo, e aquilo parecia um campo de trigo. Ele simplesmente disse: “Agora vem a colheita”. Pode ter sido algo assim. Eu tendo a pensar que talvez tenha sido algo assim.

    Mas o ponto que estou destacando é este: vejam até onde essa história vai. Sim, é o primeiro gole. Mas ela chega ao ponto em que a fonte está brotando no coração. Depois vem o transbordamento. Ela chega a mostrar esses rios fluindo para fora.

    João 4:39-42:

    E muitos dos samaritanos daquela cidade creram Nele pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito.
    Indo, pois, ter com Ele os samaritanos, rogaram-Lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias.
    E muitos mais creram por causa da Sua palavra;
    E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos O temos ouvido e sabemos que Este é verdadeiramente o Salvador do mundo.

    E, se você não parar por aí, quantas pessoas estarão no céu por causa de João 4? Vejam como a vida dessa mulher se tornou um canal de redenção. Dezenas de milhares de pessoas provavelmente estarão no céu porque rios impetuosos de água viva fluíram através dessa mulher.

    É, de fato, o primeiro sorvo, mas é uma história que também fala da fonte que brota dentro de nós. É também uma história que fala dos rios impetuosos de vida que fluem através de nós e produzem uma colheita maravilhosa, maravilhosa.

    A Vida de Cristo que Habita em Todo Crente

    Geralmente pensamos: “Se alguém consegue chegar tão longe — aqui está um cristão que tem Cristo, Sua vida, como uma fonte brotando dentro dele, e não tem sede —, nossa, quem dera um dia eu pudesse ser esse cristão”.

    Isso parece coisa de um daqueles grandes expoentes espirituais. Alguém fala de rios impetuosos, no plural, de água fluindo através da minha vida. “Não, eu não sou missionário. Não sou pregador. Não sou professor. Sou apenas uma pessoa comum, e isso não pode acontecer comigo.”

    “Isso é para o pessoal da vida mais profunda. A pessoa precisa saber hebraico para ter isso, ou saber grego, aramaico ou alguma coisa assim. Consigo entender a primeira parte. A mulher é um retrato de um pecador, e Jesus veio até aquele pecador e ofereceu água viva. Até aí eu consigo ir.”

    Mas, de alguma maneira, sentimos que essa outra parte é para a elite, para pessoas especiais, para cristãos de vida mais profunda, aqueles que são realmente espirituais. “Eu nunca serei assim.”

    Irmãos em Cristo, a vida de Cristo que habita em nós é para todo cristão.

    Agora, enquanto desenvolvo isso nesta manhã, você é a mulher. Nesta manhã, eu sou a mulher. Vamos examinar isso. Todo cristão tem a vida de Cristo — todo cristão.

    O cristão mais espiritual tem Cristo em sua vida. Não estou incentivando isso, mas o cristão mais carnal tem Cristo em sua vida. O cristão mais inteligente tem Cristo em sua vida. O cristão menos inteligente tem Cristo em sua vida. O cristão mais perspicaz tem Cristo em sua vida. O cristão mais lento para entender tem Cristo em sua vida.

    Precisamos começar por aí. Isso não está longe. Não é apenas para Andrew Murray, Hudson Taylor, Spurgeon, Austin-Sparks, Watchman Nee e alguns desses grandes nomes. É para todo crente. É para você. É para mim.

    Eu costumava ensinar que todos os cristãos têm vida, mas nem todos têm vida abundante. Puxa, não ensino mais isso. Não ensino isso, e vou dizer por que não ensino: porque a vida é uma Pessoa.

    Todos os cristãos têm vida. A vida abundante também é uma Pessoa. É Cristo. Todos os cristãos têm vida abundante. Agora, nem todos estão bebendo até se fartar. Isso já é outra história. Mas todos nós temos o Senhor Jesus.

    Cada um de nós é a mulher de Samaria. Portanto, aquilo que será verdadeiro a respeito dela agora, ao examinarmos esses princípios, é verdadeiro a respeito de todo crente.

    A Fé para a Salvação e para a Vitória

    Enquanto eu aprendia alguns dos caminhos do Senhor, houve estradas acidentadas e caminhos escuros. Nós nos perguntávamos se aquilo algum dia ficaria claro para nós. Outros davam testemunho disso, e você ficava ali dizendo: “Por que Ele passa por mim sem parar? Por que não entro em um pouco dessa plenitude?”.

    Lembro-me de passar por algumas dessas lutas. Vocês percebem isto? Não é mais difícil viver satisfeito em Jesus do que foi ser salvo no princípio. É a mesma fé. A fé para a salvação é a fé para a vitória.

    Assim como recebestes Cristo, andai Nele. É exatamente a mesma fé. Você diz: “Tenho fé para ser salvo, mas não tenho fé suficiente para viver em vitória sobre a corrupção que habita em mim”. Isso não faz sentido.

    Quando você aprender o que significa essa fonte brotar, terá toda essa vitória que deseja.

    A Iniciativa de Cristo em Relação à Alma Sedenta

    Muito bem, vamos então a esta primeira parte. Nosso Senhor Jesus é a água viva, é claro, nesta passagem, e Ele fala de entrar em nós para ser uma fonte de água viva.

    Quero examinar nesta manhã, apenas como introdução — hoje à noite vamos desenvolver isso mais —, esta primeira parte: o que significa Cristo entrar como uma fonte para brotar em minha vida?

    Vou estabelecer o fundamento nesta manhã e, hoje à noite, com a ajuda e o auxílio de Deus, vamos desenvolver o que significa ter Cristo como a fonte em meu coração. Todos nesta sala são essa mulher.

    Quero mostrar agora os fundamentos. Como o Senhor encontrou essa mulher e saciou sua sede? Não há nada profundo nesta manhã. É muito simples. Tudo está na superfície. Que Deus grave isso profundamente em nosso coração.

    Quero que observem, antes de tudo, nesta história, que nosso Senhor Jesus tomou a iniciativa em tudo. Isso está bem na superfície, mas, ah, como é básico, como é fundamental, como é importante! Nosso Senhor Jesus é Quem toma a iniciativa.

    Em outras palavras, o que estamos dizendo é que tudo é pela graça. Foi Ele Quem fez isso. Ela não veio a Ele. Ele veio a ela. Ele foi procurá-la.

    João 4:9:

    Disse-Lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?
    Porque os judeus não se comunicam com os samaritanos.

    Quero me deter por alguns instantes nessa última frase, nessa expressão entre parênteses: “Os judeus não se comunicam com os samaritanos”. Nesta história, creio que isso é uma ilustração, e a realidade é sempre maior do que aquilo que a ilustra.

    Quando estamos falando de Cristo, a realidade é infinitamente maior. Portanto, quanto maior a figura, maior a realidade. Esta é uma figura: os judeus não se relacionavam com os samaritanos.

    Agora vamos levar isso a um plano mais elevado. Creio que, nessa história, à parte da atuação de Cristo, os judeus não se relacionavam com os samaritanos. À parte de Cristo — entendam o que estou dizendo, irmãos —, Deus não Se relaciona conosco; de modo algum, à parte do Senhor Jesus Cristo.

    Quanto mais claramente você enxergar a ruptura entre o samaritano e o judeu, multiplique isso pelo infinito, e saberá que Deus jamais deveria ter Se relacionado com você. Deus jamais deveria ter Se relacionado comigo. Ele não deveria ter nos encontrado junto ao poço. Mas encontrou. Encontrou.

    Fora de Cristo, nenhum relacionamento conosco. Portanto, quero examinar essa ilustração apenas para mostrar a vocês como aquela divisão era profunda. Então, que Deus nos mostre a realidade e como Ele Se relaciona conosco em Cristo Jesus. Nosso Senhor atravessou todo aquele preconceito e aquela parede de separação.

    A Divisão Histórica entre Judeus e Samaritanos

    Imagino que vocês provavelmente conheçam a história, mas há alguns aqui que talvez não a conheçam. Vamos todos partir do mesmo ponto, e vou simplesmente fazer de conta que nenhum de nós conhece a história. Começaremos com palavras simples.

    Que ruptura era essa? Por que os judeus não se relacionavam com os samaritanos?

    Quando você lê o relato pela primeira vez, quase parece que a mulher é judia. Em João 4:12, ela chama Jacó de “nosso pai”. Em João 4:19, chama Jesus de profeta. Em João 4:20, diz: “Nossos pais adoraram neste monte”. Em João 4:25, fala sobre esperar o Messias: “Quando o Messias vier”.

    Ela parece judia, mas não é, e sabe disso. Em João 4:9, ela diz:

    Como, sendo Tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?
    Porque os judeus não se comunicam com os samaritanos.

    Ela sabia que Ele era judeu e que ela era samaritana. Como sabia disso? Alguns dizem que talvez fosse pela linguagem — talvez houvesse um dialeto ou um tom de voz. Alguns dizem que talvez fosse pela aparência. Os judeus se vestiam de maneira diferente?

    Sabemos que eles usavam vestes brancas, e os samaritanos também usavam vestes brancas; mas nos dizem que os samaritanos tinham franjas azuis na parte inferior de suas vestes brancas, e os judeus tinham franjas brancas na parte inferior das suas. Talvez ela tenha visto isso. Talvez houvesse alguma característica, quem sabe o corte da barba ou um nariz de aparência judaica — quem sabe?

    Mas sei que ela sabia: “Tu és judeu. Eu sou samaritana”. Ela ficou espantada por Ele querer ter qualquer contato com ela, ou até mesmo conversar com ela.

    Essa história remonta a muitos anos. Na verdade, acho que começou quando Acabe e Jezabel construíram o primeiro templo para Baal. Eles o construíram em Samaria.

    Mas, mais tarde, quando Deus estava julgando Israel por seus pecados e usou a Assíria como Sua vara de disciplina, Samaria volta a ocupar um lugar de destaque. Essa história está em 2 Reis 17, e vocês podem ler os detalhes.

    Naqueles dias, após uma conquista, era costume a nação conquistadora deportar da terra conquistada todas as pessoas importantes. Eles retiravam os militares mais fortes, todos os artífices e artesãos e todas as pessoas instruídas.

    É por isso que vocês leem sobre Daniel, os três hebreus e Ezequiel sendo levados cativos, porque se destacavam um pouco dos demais; eram mais inteligentes e sábios. Então deixavam as pessoas comuns — o agricultor, as pessoas simples.

    Depois, para que não voltassem a se fortalecer, enviavam estrangeiros para aquela mesma região e, de certa forma, a colonizavam. Foi isso que os assírios fizeram.

    Havia alguns judeus que haviam ficado em Samaria. Os assírios, segundo 2 Reis 17, pegaram um grupo de babilônios e um grupo de outro país que haviam conquistado e colocaram todos em Samaria.

    Portanto, havia ali essa mistura de pagãos com os judeus que tinham restado. É claro que os pagãos trouxeram sua idolatria e sua religião. Serviam a todo tipo de deuses. Como seria de esperar, depois de algum tempo houve casamentos entre eles.

    Eles já não eram judeus de ascendência pura; agora eram mestiços, ou tinham ainda menos ascendência judaica. Depois se voltaram para a idolatria.

    Alguns dos judeus no cativeiro reclamaram e disseram: “Aqueles judeus lá estão sendo desviados pelos pagãos”. Os assírios foram muito gentis e disseram: “Está bem, vamos fazer o seguinte: enviaremos alguns sacerdotes para lá. Eles vão colocá-los no caminho certo”.

    Enviaram alguns sacerdotes para lá, e eles começaram a lhes falar do verdadeiro Deus. O resultado foi o que lemos em 2 Reis 17:33:

    Temiam o Senhor e serviam a seus próprios deuses.

    Foi nisso que deu. Era uma mistura. Temiam o Senhor e serviam a seus próprios deuses.

    Agora, não eram apenas mestiços — judeus e gentios —; havia também uma mistura religiosa. Serviam ao verdadeiro Deus, mas Ele não era o único. Era um entre muitos, e eles tinham muitos deuses.

    Isso já era ruim o bastante, mas a gota d’água veio nos dias de Esdras, quando estavam reconstruindo o templo.

    Os samaritanos souberam disso e disseram: “Somos judeus. Deixem-nos ajudar vocês. Queremos participar da construção do templo porque somos judeus”.

    Esdras e os outros não sabiam o que fazer, então fizeram o que se deve fazer: convocaram uma reunião de anciãos. Todos os anciãos se reuniram e tomaram uma decisão. Esdras 4:3:

    Porém Zorobabel, e Jesua, e os demais chefes das casas paternas de Israel lhes disseram: Não convém que vós e nós edifiquemos casa a nosso Deus.

    Eles votaram: não, vocês não podem ajudar. Bem, aquilo foi o limite. Ficaram profundamente ofendidos. “Somos judeus, e agora vocês estão nos dizendo que não podemos construir um templo?”

    A propósito, eles aceitaram algum dinheiro deles, mas eles não participaram da construção do templo.

    Josefo, o historiador da Igreja, nos conta que eles foram embora e construíram um templo rival. Disseram: “Está bem, construiremos nosso próprio templo”. Foram para o monte Gerizim. Há uma história por trás disso, mas não vou gastar tempo com ela.

    Construíram o próprio templo. Uma ação como essa — construir um templo rival em um monte rival, em vez do monte Sião — equivalia a uma traição contra o verdadeiro Deus.

    Os judeus passaram a considerar os samaritanos idólatras grosseiros: pagãos, contrários ao Senhor, nunca do lado de Deus. E os samaritanos tinham o mesmo tipo de opinião a respeito dos judeus. Diziam: “Esses judeus são apenas hipócritas orgulhosos, arrogantes e cheios de justiça própria. Acham que são tão espirituais que podem fazer tudo sozinhos. Não queremos nada com eles”.

    Tudo isso está por trás desta pequena expressão em João 4:9: “Os judeus não se comunicam com os samaritanos”. Eles não mantinham relacionamento algum. Aquela ruptura estava muito, muito consolidada e era irrevogável.

    Os samaritanos continuaram e estabeleceram sua própria religião. Tinham seu próprio templo. Tinham seu próprio monte. Precisavam de sacerdotes, então estabeleceram seu próprio sacerdócio.

    Precisavam de uma Bíblia, então disseram: “Está bem, vamos ficar com os primeiros cinco livros da Bíblia judaica — nada mais”. O Pentateuco se tornou sua Bíblia.

    Não consigo enfatizar o suficiente como era profunda essa ruptura entre judeus e samaritanos. Não creio que, em nosso país, com todo o preconceito que já houve aqui, tenhamos chegado perto disso, mesmo nos piores momentos: “Os judeus não se comunicam com os samaritanos”.

    O comentarista Trapp nos conta que, se um samaritano esbarrasse acidentalmente em um judeu na rua, procuraria o lugar com água mais próximo e pularia dentro, com roupa e tudo, simplesmente porque havia sido contaminado. Pularia na água apenas para se purificar.

    Edersheim diz que, se um judeu, mesmo por acidente, comesse um pedaço de pão assado por um samaritano, teria de passar pelas mesmas cerimônias que passaria se tivesse comido carne de porco. Vocês sabem o que isso significava para os judeus, por causa dessa ruptura.

    O maior insulto que as pessoas podiam dirigir a Jesus aparece em João 8:48. Os fariseus ficaram tão irados com o Senhor Jesus que disseram:

    Não dizemos nós bem que Tu és samaritano e que tens demônio?

    Eles não conseguiam pensar em nada pior para dizer. Disseram a Jesus: “Tu és samaritano e estás possuído por um demônio”. Esse era o maior insulto que podiam dirigir a Ele.

    Foi daí que Tiago e João receberam seu famoso apelido, Filhos do Trovão. Está registrado em Lucas 9. Jesus passou por Samaria, e eles O rejeitaram. Tiago e João vieram a Jesus e disseram: “Queres que mandemos descer fogo do céu e simplesmente os fritemos?”. Foi daí que receberam o apelido de Filhos do Trovão.

    Essa divisão entre judeus e samaritanos era muito forte. Deixem-me dar mais uma ilustração dessa divisão. Se vocês olharem um mapa bíblico — eu tive de fazer isso; Lillian me ajudou. Estou dizendo a vocês: eu me perco até ao passar por uma porta de vaivém. Estou sempre me perdendo.

    Ela me mostrou, e eu tracei o percurso. Se você tentasse ir da Judeia para a Galileia e fosse em linha reta, teria de passar por Samaria.

    Mas o preconceito era tão grande que, em vez de fazer isso, os judeus atravessavam o rio Jordão duas vezes apenas para contornar Samaria. Não queriam ir a Samaria.

    Atravessavam para a Pereia, seguiam para o norte pela Decápolis e então atravessavam o rio Jordão novamente para entrar na Galileia. Davam toda essa volta.

    Somos informados de que a rota mais comum da Judeia para a Galileia contornava Samaria, em vez de atravessá-la diretamente.

    A Compaixão de Cristo pelos Excluídos

    Não foi apenas essa mulher que se admirou de Jesus querer ter algum contato com ela. Lembram-se de quando os discípulos voltaram? Eles também se admiraram. Ouçam João 4:27:

    E nisto vieram os Seus discípulos e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum disse: Que buscas? Ou: Por que falas com ela?

    Ela não era apenas samaritana. Isso os chocou. “Ele está conversando com uma mestiça.” Mas ela também era mulher. Eles tinham regras a respeito das mulheres também.

    Os rabinos eram proibidos de falar com mulheres em lugares públicos — nem mesmo com a irmã, nem mesmo com a mãe. Não podiam sequer conversar com a própria esposa em um lugar público.

    Era uma samaritana, e Ele estava conversando com ela. Era uma mulher, e Ele estava conversando com ela. Acrescentem a isso: ela era uma mulher de má reputação, conhecida por sua conduta. Era uma mulher imoral.

    É bem possível, se vocês olharem João 4:6, que tenha sido por isso que ela veio ao poço à hora sexta.

    Se vocês têm a New American Standard, há uma nota de rodapé na margem. Ela diz que, se fosse o horário romano, a hora sexta seria às seis da tarde. Se fosse o horário judaico, então, naturalmente, seria ao meio-dia.

    Há grandes discussões: João usa o horário romano ou o horário judaico? Alguns diriam, com base em João 19, que ali aparece a mesma expressão, “a hora sexta”, e Pilatos tomou Jesus à hora sexta e O apresentou aos judeus. Sabemos que isso aconteceu pela manhã, então dizem: “Estão vendo? Horário romano”.

    Bem, acho que há uma explicação. Não quero entrar nisso agora. Acho que há uma explicação para aquele versículo, mas me surpreenderia se João usasse o horário romano, enquanto Mateus, Marcos e Lucas sempre usam o horário judaico.

    Quando você vê o que acontece depois disso, ela larga o balde, corre para Samaria, fala com os homens, eles voltam, e Ele diz: “Levantem os olhos. Os campos estão brancos”. Não haveria tempo se fossem seis da tarde. Eles levantariam os olhos para os campos, mas não os veriam brancos. Não seria possível enxergar os campos. Estaria escuro.

    Enfim, acredito que era o horário judaico. O ponto é que o fato de essa mulher estar sozinha junto ao poço me diz que ela veio em um horário incomum. A maioria dos comentaristas acredita que ela veio ao meio-dia.

    As outras mulheres, segundo Gênesis, vinham ao poço no frescor da tarde. Era um momento para as mulheres fofocarem, terem comunhão e conversarem — conversa de mulheres e esse tipo de coisa. Mas ela não veio naquele horário.

    Há uma boa possibilidade de que isso se devesse ao fato de ela ser uma excluída. Era uma mulher de má reputação, tentando, creio eu, evitar os olhares de desprezo e os comentários: “Lá está aquela mulher”, e assim por diante. Ela era alguém com quem ninguém queria ter contato.

    Ao que parece — estou apenas inferindo isso, mas suponho —, ela provavelmente era um pouco mais velha. Mas não sei. Olhando para Hollywood, eles trocam de marido muito depressa; então, talvez ela não fosse mais velha. Não sei.

    Mas me parece que a primavera de sua vida já havia passado e, certamente, àquela altura, seus afetos estavam desgastados. Puxa, quando você lê essa história e entra nela, vê que o caráter dela estava destruído.

    Cinco homens haviam entrado em sua vida, em um momento ou outro, e partido seu coração. Não sabemos todos os detalhes; Deus não nos conta. Mas tenho certeza de que entraram e brincaram com seus sentimentos, e seu coração foi partido muitas, muitas vezes. Agora, um sexto homem estava fazendo a mesma coisa.

    Eles viviam em um relacionamento adúltero quando Jesus falou com essa mulher. Estou sugerindo a vocês, irmãos, que toda essa história — essa mulher — conta a história de um pecador que está sozinho, que fez uma enorme confusão de sua vida, que está quebrantado, endurecido, desiludido, muito insatisfeito, rejeitado e evitado.

    As pessoas atravessam um rio apenas para não ter contato com ela. Não se relacionam com ela. Este é o pecador nas ruas de qualquer cidade. Este é você. Este sou eu. Nós somos essa mulher.

    Por tudo o que é justo, o Senhor não deveria ter relacionamento algum conosco — absolutamente nenhum.

    O Encontro Determinado na Eternidade em Samaria

    Mas o que encontramos? Olhem João 4:4:

    E era-Lhe necessário passar por Samaria.

    Gosto da maneira como a King James diz: “Era-Lhe necessário passar por Samaria”. Era-Lhe necessário passar por ali. Então faço a pergunta: por que era necessário?

    Não era uma necessidade geográfica. Essa não era a rota que eles faziam. Davam a volta; portanto, não era uma necessidade geográfica.

    Li esta maravilhosa citação de C. I. Scofield, da Bíblia Scofield. Ele disse que Deus Pai havia marcado, na eternidade passada, um encontro com Deus Filho para falar com essa mulher samaritana junto ao poço de Sicar.

    É por isso que Lhe era necessário passar por Samaria. Ele estava cumprindo o encontro marcado por Deus Pai na eternidade passada.

    É maravilhoso perceber que Jesus tinha sede dessa mulher antes que ela sequer soubesse que tinha sede do Senhor Jesus. Ele é Quem toma a iniciativa. Cristo sabia a respeito dela — sabia tudo a respeito dela. Vocês sabem disso ao lerem a história. Ele é Quem toma a iniciativa.

    No mundo natural, a sede procura água. É assim que funciona. Você está com sede e tenta encontrar algo para beber.

    No mundo espiritual, a água procura a sede. Que coisa gloriosa: você não buscou o Senhor primeiro. Ele buscou você. Ele veio atrás de você.

    Era-Lhe necessário passar por Samaria, e a água estava à procura da sede. É isso que vocês veem aqui.

    Se essa história ensina alguma coisa, ensina que, embora Deus, por direito, sendo um Deus santo, não devesse ter relacionamento algum conosco, em Cristo acontece o contrário. Ele vem nos buscar.

    A Bíblia apresenta dezenove conversas pessoais de nosso Senhor Jesus com indivíduos. Esse é um estudo maravilhoso. Mas, de todas essas conversas, acho que nenhuma entusiasma tanto minha alma quanto esta conversa com a mulher de Samaria.

    O Senhor Jesus sentou-Se sobre as pedras do poço de Jacó, que havia sido cavado dois mil anos antes, e conversou com essa mulher solitária, essa mulher sedenta. Isso me toca porque conheço minha vida e, pela leitura, conheço a vida dela. Ela estava consumida pela paixão.

    O Senhor Jesus passou por ali e sentou-Se naquele poço. Lembro-me daquele dia em minha vida em que a maior Pessoa do universo não me evitou, não tentou me contornar e não tentou passar para o outro lado da rua.

    Vocês provavelmente já tiveram essa experiência. Eu já fiz isso e já fizeram isso comigo. Às vezes vemos alguém vindo e pensamos: “Puxa, não, não, essa pessoa não. Não quero conversar com ela”. E simplesmente damos um jeito de desviar.

    Talvez a pessoa seja esquisita, talvez seja acanhada. Há um sujeito querido, mas ele fica perto demais quando fala e tem mau hálito. Simplesmente não quero conversar com ele.

    Alguns são um tanto repulsivos. Há outro que vive me procurando, e ele tem uma doença venérea. Meu coração se compadece, mas ainda assim me pego tentando me esconder quando ele está na sala ou passando por perto. Não quero conversar com ele.

    Alguns falam alto, alguns são espalhafatosos e alguns são muito falantes. Sei que, se me pegarem, estarei preso pelos próximos quarenta e cinco minutos. Aquela pessoa vai ficar falando, falando, falando, e eu vou ter de ouvir.

    Ou então me fazem sentir culpado: “Por que você não veio à reunião? Não era para você entrar em contato com alguém?”. Sinto-me culpado. Ou talvez eu deva dinheiro a eles e simplesmente tente escapar. Vocês entendem o que estou dizendo? Estamos sempre tentando evitar uns aos outros.

    Olho para o Senhor Jesus, e Ele não faz isso comigo. Tenho certeza de que, espiritualmente, tenho mau hálito, mau cheiro e sou alguém com quem ninguém quer ter contato. Ele deveria dar uma grande volta para me evitar. Mas, irmãos, Ele não faz isso.

    Vejo alguém vindo por determinado corredor do supermercado — o corredor dos cereais — e vou para o corredor da ração de cachorro, na esperança de escapar. Jesus nunca Se esconde quando vê você chegando. Jesus nunca Se esconde quando me vê chegando.

    Na verdade, Ele vai Se sentar bem no caminho que sabe que você vai percorrer, porque quer ter uma conversa particular com você sobre a água viva. Ele nunca evita Samaria. Ele precisa passar por Samaria.

    Antes de Cristo, Deus não Se relacionava comigo — nada, zero, coisa nenhuma. Agora, todo o relacionamento de Deus comigo acontece por meio de Cristo, e todo o relacionamento de Deus com você acontece por meio de Cristo.

    Irmãos, merecemos que Ele dê toda a volta para nos evitar e não tenha nada a ver conosco.

    Tenho certeza de que, quando aquela mulher acordou naquela manhã, não fazia ideia do rumo que aquele dia tomaria. Não tinha a menor ideia. Levantou-se como todos os dias. Escovou os dentes, tomou café da manhã, fez algumas tarefas e chegou ao poço antes das outras mulheres para poder voltar logo.

    Ela não fazia ideia de que seu destino seria determinado naquele dia. Quando acordou, não fazia ideia de que algum dia seria um canal de redenção, por meio do qual dezenas de milhares de pessoas viveriam para sempre na presença do Senhor. Não fazia ideia disso.

    Jesus toma a iniciativa. Irmãos, é possível que haja alguém nesta sala como ela. Você acordou nesta manhã e não faz ideia do que Deus está planejando para você neste dia. Eu não faço ideia do que Deus está planejando para mim neste dia.

    É possível que o Senhor tenha visto você vir a este poço e esteja presente para ter uma conversa particular com você sobre a água viva, uma conversa que mudará sua vida para sempre.

    Ele quer falar sobre Seu relacionamento com você. O Senhor nunca evitará você. O Senhor virá buscar você. Ele nunca Se esconderá atrás de um balcão quando vir você chegando.

    O espanto daquela mulher quando Jesus começou a falar com ela é uma ilustração muito pequena de como deveríamos ficar espantados por Deus querer ter qualquer relacionamento conosco.

    Se eu pudesse escolher, não teria nada a ver comigo mesmo. Mas Ele tem.

    Naquele dia, havia realmente apenas duas pessoas nesta história: o Senhor Jesus e aquela mulher necessitada. Não sei quantos irmãos estão aqui, mas a realidade é que há apenas dois. Apenas dois. É você e Jesus. São esses que estão aqui.

    Não estou dizendo isso para fazer você se sentir importante. Estou dizendo porque você é importante. Você é importante para nosso Senhor Jesus Cristo.

    É bem possível que Deus Pai, na eternidade passada, tenha marcado um encontro com Deus Filho para este exato fim de semana: sentar-Se e ter uma conversa particular com você. Você está pronto para isso?

    Essa mulher não fazia ideia disso.

    O Convite de Cristo para Receber a Água Viva

    Antes de encerrar, quero chamar a atenção para mais uma coisa. João 4:23:

    Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade;
    Porque o Pai procura a tais que assim O adorem.

    Deus não apenas toma a iniciativa. Ele vem ao nosso poço. Não nos contorna para nos evitar. Ele toma a iniciativa, mas depois nos convida.

    João 4:10:

    Se tu conheceras o dom de Deus e Quem é O que te diz: Dá-Me de beber; tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva.

    O que Ele está dizendo é: “Tenho algo, e é seu; basta pedir. Se você pedisse, Eu daria”. Essa é outra indicação de Sua infinita disposição para receber pecadores.

    Alguns têm entendido de maneira equivocada João 4:7:

    Veio uma mulher de Samaria tirar água; disse-lhe Jesus: Dá-Me de beber.

    Por que Jesus pediu algo para beber? Alguns dizem — e fico um tanto espantado de alguns dos meus comentários dizerem isso, alguns de nomes respeitados; não vou falar mal deles — que Ele estava usando psicologia para evangelizar, para abrir uma porta.

    Dizem que Ele estava tentando deixá-la à vontade e colocá-la em dívida. Se ela Lhe desse alguma coisa, então ficaria, de certa forma, devendo uma escuta. Ele não usou psicologia. Sua sede era real. Pediu algo para beber porque estava com sede. Ele é humano. Estava com sede. Não é psicologia.

    Um dos meus comentaristas desenvolve tudo isso: Abraão era peregrino, então Deus veio a ele como peregrino. Josué era militar, então Jesus veio a ele como um homem com uma espada na mão. Pedro era pescador, então Ele disse: “Segue-Me, e farei de vocês pescadores de homens”.

    Essa mulher estava junto ao poço, então Ele disse: “Eu sou a água viva”, como se estivesse tentando encontrar um ponto de interesse. Foi isso que me ensinaram na aula de evangelismo: encontre um ponto de interesse. Eles têm filhos? Netos? Gostam de arte? E a motocicleta deles? Encontre um ponto de interesse e depois introduza Jesus discretamente na conversa.

    Não é assim que Ele evangeliza. Ele não está tentando abrir uma porta e encontrar uma oportunidade para introduzir Jesus discretamente na conversa. Não é isso, de maneira nenhuma, que Ele está fazendo.

    Ele pediu a ela algo para beber. Entendam isto, porque contém um princípio: Ele pediu a ela algo para beber porque queria que ela Lhe pedisse algo para beber.

    Isso não é apenas um fato. Sim, Ele estava com sede, mas é mais profundo do que isso. É um princípio bíblico: Ele pede a você aquilo que quer que você peça a Ele.

    Na verdade, está no imperativo. Ele disse: “Dá-Me de beber”. Não foi propriamente um pedido; é uma ordem. “Dá-Me de beber.” Ele ordena porque está convidando.

    Vocês percebem isto, irmãos? Todo mandamento na Bíblia é um convite. Toda vez que Deus ordena que você faça alguma coisa, Ele quer que você Lhe peça para lhe dar exatamente aquilo que Ele está pedindo.

    Todos os Seus mandamentos são convites. Não demora muito, ao prosseguir na vida cristã, para perceber que não há em você a capacidade de obedecer a Deus. Quero dizer, há, porque você tem Cristo; mas, em si mesmo, você não pode obedecer a Deus.

    Tudo o que Deus já ordenou neste Livro é impossível de cumprir por nós mesmos. Ele ordena para que você possa Lhe pedir exatamente aquilo que Ele lhe ordenou.

    Garanto a vocês: se não entenderem isso, nunca andarão em obediência. Queremos andar em obediência. Mas, enquanto você tenta obedecer a Deus por si mesmo, está entupindo a fonte.

    Estamos falando da água, da vida de Deus, que capacita, que brota, que permite a você obedecer ao Senhor.

    Quando Ele ordena que você O ame, vou lhe dizer como obedecer. Você diz: “Senhor, dá-me o amor para Te amar”.

    Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela.

    Você não tem isso em si mesmo, e é melhor ir ao Senhor e dizer: “Senhor, dá o que ordenas e então ordena qualquer coisa que queiras ordenar”.

    É isso que Ele está fazendo aqui. Ele é Quem está com sede, e Sua sede é suprir a necessidade dela, saciar a sede dela.

    Observem como Ele respondeu prontamente em João 4:25-26:

    A mulher disse-Lhe: Eu sei que o Messias, Que Se chama o Cristo, vem; quando Ele vier, nos anunciará tudo.
    Jesus disse-lhe: Eu O sou, Eu Que falo contigo.

    Assim que ela pergunta, Ele Se identifica. Vocês percebem isto? É algo tão extraordinário. Esta é a declaração mais clara de Sua natureza e de Seu ofício em todo o registro dos Evangelhos.

    Ele diz abertamente: “Eu sou o Messias”. Não disse isso aos fariseus. Não disse isso aos escribas. Não disse isso aos sacerdotes. Mas, para essa mulher junto ao poço, assim que ela pergunta, Ele está ali e declara Quem é.

    Ele deseja intensamente dar-Se a conhecer aos pecadores mais profundamente manchados pelo pecado, e ela é uma ilustração disso.

    No Antigo Testamento, Ele fez a mesma coisa. Muitas, muitas vezes — dezessete vezes no Antigo Testamento —, nosso Senhor Jesus apareceu como o Anjo do Senhor.

    Vocês sabem qual foi a primeira vez em que Ele apareceu como o Anjo do Senhor? Também foi a uma mulher junto a um poço. Agar, exatamente. Agar.

    Ela era uma escrava literal. No Novo Testamento, esta é uma escrava espiritual que precisa ser libertada.

    A Iniciativa e o Convite de Cristo

    O ponto é este: na verdade, só disse duas coisas nesta manhã. Ele toma a iniciativa e Ele convida. Foi só isso que eu disse. Usei muitas palavras para dizer isso, e espero não ter obscurecido o caminho.

    Não merecemos, mas Ele vem nos buscar. Então nos convida a beber dessa água viva.

    Senti que precisava começar por aqui antes de começarmos a falar da fonte que brota, porque tudo é pela graça. Não merecemos nada, e tudo vem por convite. É o desejo Dele.

    A Satisfação da Sede de Cristo

    Deixem-me fazer esta pergunta: nosso Senhor Jesus chegou a receber o que pediu para beber?

    Ouçam João 4:31-34:

    E, entretanto, os discípulos Lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.
    Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.
    Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-Lhe, porventura, alguém de comer?
    Jesus disse-lhes: A Minha comida é fazer a vontade Daquele Que Me enviou e realizar a Sua obra.

    Por que Jesus disse: “Dá-Me de beber”? Porque queria que ela dissesse: “Dá-me de beber”. Quando ela disse isso, Ele recebeu o que precisava para saciar Sua sede.

    Irmãos, não sei o que está acontecendo no coração e na vida de vocês. Sei apenas estas grandes coisas: o Senhor entrou em sua vida para ser uma nascente brotando em você e rios impetuosos fluindo através de você. Sei que isso é cem por cento verdadeiro.

    Mas também sei, pela minha própria vida, que pode haver resistência a isso. Não sou obrigado a dizer sim. Ele não vai forçar. Ele não coage ninguém.

    Não se trata de você, nem de mim.

    O Senhor Jesus está com sede neste fim de semana. O Senhor Jesus está com sede.

    Você diz: “Por que devo me render totalmente ao Senhor?”. Você diz: “Bem, isso vai mudar sua vida”. Sim, isso é verdade.

    “Vai afetar sua família.” Sem dúvida. “Vai afetar aqueles filhos preciosos.” Sim. Mas não é por isso que você deve se render a Jesus.

    “Vai deixar meu chefe feliz.” Provavelmente. Mas não é por isso que você deve se render a Jesus. “Vai afetar minha vizinhança.” Talvez afete. Mas não é por isso.

    Você sabe por que deve se render totalmente ao Senhor Jesus? Porque essa é a vontade de Deus para sua vida.

    Não se trata de você. Não se trata da sua sede. Trata-se Dele. Trata-se da sede Dele. É da vontade de Deus que você entregue tudo ao Senhor Jesus.

    Como essa mulher, se você disser sim, a sede Dele será satisfeita. “Tenho uma comida para comer que vocês não conhecem.” Fui satisfeito porque tive o privilégio de satisfazer a Ti.

    Conclusão e Oração

    Então vamos encerrar aqui. Examinamos apenas duas coisas nesta manhã: nosso Senhor Jesus toma a iniciativa. Ele deveria ter dado a volta para nos evitar. Não deveria ter tido nada a ver conosco. Mas, em vez disso, cumpriu o encontro marcado na eternidade passada.

    Sentou-Se junto ao poço. Sabia que passaríamos por ali. Nós nem sequer sabíamos que estávamos com sede. Ele nos encontrou.

    Ele não nos impôs nada à força. Convidou-nos. “Se você Me pedir, Eu lhe darei água viva.” Se você disser sim, alegrará Seu coração. Trata-se do coração Dele. Vamos alegrá-Lo neste fim de semana. Vamos orar.

    Pai, muito obrigado por Tua preciosa Palavra. Obrigado por não Te esconderes nem saíres do caminho quando passamos, mas, em vez disso, Te colocares em nosso caminho para que pudéssemos encontrar-Te e ter uma conversa sobre a água viva.

    Senhor, vem ao nosso encontro neste fim de semana, nós Te pedimos, para que possamos conhecer, em toda a plenitude do significado que Tu inspiraste, o que significa ter uma fonte de água brotando em nós e rios impetuosos fluindo através de nós.

    Faze isso por nós, nós Te pedimos, por amor ao nosso Senhor Jesus e para satisfazer Seu coração. Pedimos em nome de Jesus. Amém.