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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    What Are You Thirsting For? © 2026 Christian Testimony Ministry
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    What Are You Thirsting For?
    What Are You Thirsting For?
    Miller, Ed

    A sede que nasce da satisfação em Cristo

    É uma alegria estar com vocês, e eu estava ansioso por este privilégio que me foi concedido. Tenho certeza de que muitos, muitos irmãos já tiveram esse privilégio e poderiam vir aqui compartilhar. Mas sou muito grato pela oportunidade de apresentar ao coração de vocês um Salvador pleno, e sei que vocês vieram para contemplar um Salvador pleno.

    Ao nos prepararmos para examinar a Palavra de Deus, há um princípio absolutamente indispensável — um princípio para a vida e para o estudo da Bíblia —, que é a dependência total do Espírito Santo de Deus. A Palavra é Dele, e somente Deus pode revelar Deus; e Ele tem prazer em revelar a Si mesmo.

    Este versículo de 1 João 5:20 diz:

    Sabemos que já o Filho de Deus é vindo,
    e nos deu entendimento
    para conhecermos Aquele que é verdadeiro.

    O Filho de Deus veio e, por Sua graça, nos deu uma medida de luz e entendimento para que pudéssemos conhecê-Lo. A maneira como a Bíblia usa essa preciosa palavra, conhecer, expressa intimidade. Adão conheceu sua mulher, e ela concebeu. Abraão conheceu sua mulher. A palavra fala de toda a intimidade do vínculo matrimonial.

    Ele nos chamou para conhecê-Lo. Que o Senhor, neste fim de semana, nos conduza a um conhecimento mais profundo no coração — a uma união íntima com nosso Senhor Jesus Cristo.

    Oração inicial

    Então, irmãos, vamos orar juntos e entregar nosso tempo a Ele.

    Nosso Pai, nós Te agradecemos porque o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos Aquele que é verdadeiro, a Quem conhecer verdadeiramente é a vida eterna.

    Ao nos reunirmos neste fim de semana, pedimos que Tu, Senhor, faças aquilo que tanto está em Teu coração e nos reveles o Senhor Jesus de maneira nova e viva. Nós Te agradecemos, Senhor, porque isso não depende de nós, mas de Ti e do Teu Espírito Santo.

    Por isso, pedimos que Tu unjas a Tua Palavra, nossos olhos e nossos corações, para que possamos contemplar o Senhor Jesus. Nós Te agradecemos por cada passagem da Palavra de Deus e, de maneira especial nesta noite, pelos Salmos. Pedimos que Tu, Senhor, abras nosso coração e nos prepares para aquilo que queres que vejamos neste fim de semana.

    Queremos acrescentar fé a esta oração, dizendo: “Amém”. Em nome de Jesus.

    A promessa da água viva

    Permitam-me apresentar ao coração de vocês aquilo que está em meu coração para compartilhar. Acho que a maneira mais simples é citar dois versículos diferentes do Evangelho de João. O primeiro está em João 4. Por favor, abram em João 4.

    Esta passagem faz parte da conversa de nosso Senhor com a mulher junto ao poço. João 4:13-14:

    Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;
    mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
    porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

    Nosso Senhor Jesus promete aqui que, se alguém beber da água que Ele oferece, nunca mais terá sede. Essa água se tornará nele um poço, uma fonte, que jorra para a vida eterna.

    Além de tudo o que é prometido nessa preciosa passagem, quero que vocês observem, em João 4:14, a pequena expressão nele: “se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna”. Guardem esse pensamento e, então, abram em João 7.

    João 7:37-38:

    E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-Se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a Mim, e beba.
    Quem crê em Mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva.

    Em João 7, essa verdade avança em alguns aspectos além daquilo que foi apresentado em João 4. Neste momento, vou me concentrar em apenas um desses aspectos.

    As duas passagens apresentam nosso Senhor Jesus como a água viva — não somente como Aquele que dá a água viva, mas como a própria vida de Deus. João explica isso em João 7:39:

    E isto disse Ele do Espírito.

    Ele está falando de Sua própria vida.

    Mas João 7 vai além de João 4. Em João 4, a promessa era de uma fonte em mim, jorrando para a vida eterna. A promessa em João 7 não é de uma fonte de água em mim, jorrando para cima, mas de rios de água fluindo através de mim, para fora.

    Não é rio. Teria sido algo maravilhoso se o Espírito Santo tivesse usado o singular e simplesmente dito: “um rio”. Mas Ele não disse “rio”; disse “rios”. Ele usou o plural.

    Dizem que a palavra grega usada ali é muito forte. É a palavra potamos, e não se trata apenas de um rio. É uma inundação. É uma torrente impetuosa. É um rio que transborda — não apenas uma fonte borbulhando em meu coração, mas rios, torrentes, inundações saindo da minha vida.

    Tanto em João 4 quanto em João 7, o Senhor Jesus é Aquele que satisfaz por meio de Sua vida que habita em nós. Mas uma dessas passagens trata de saciar a sede pessoal: em mim, uma fonte borbulhando. Depois, através de mim, rios — torrentes impetuosas — fluindo para fora: a vida de Deus fluindo para fora.

    O Senhor Jesus não apenas sacia a sede em meu coração; Ele quer saciar a sede do mundo. Em mim, através de mim — é isso que eu gostaria que examinássemos. Não apenas como Ele satisfaz minha sede, como Ele é uma fonte borbulhando em meu coração, mas também como Sua vida flui através de mim para o mundo.

    A natureza da sede espiritual

    Para a maior parte dos princípios que quero compartilhar, vamos permanecer em João 4. Vamos conversar sobre o grande diálogo que nosso Senhor teve com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó. Mas, como há tantas passagens na Bíblia sobre sede, água e rios, também vou tomar a liberdade de ir a algumas delas para usá-las como ilustração.

    Agora, quero me concentrar nisto, e é isso que está em meu coração neste fim de semana: o que significa ter uma fonte borbulhando dentro de nós? E o que significa ter rios jorrando para fora? Esse é o ponto central, e é para isso que vamos caminhar ao longo deste fim de semana.

    Mas, primeiro, quero tratar de uma pequena questão que nos preparará para isso. Quando vocês olham para a promessa em João 4, à primeira vista, o Senhor criou um problema por causa de Sua bondade. Falo como um insensato, mas, por causa da maravilha dessa promessa, Ele de fato criou um problema. Ele resolve o problema, mas permitam-me apresentá-lo novamente.

    Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;
    mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede;
    porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

    É aquela pequena expressão: “nunca terá sede”. Ele promete que, se vocês beberem, nunca mais terão sede. O que Ele quis dizer com isso?

    Alguns de vocês confiaram no Senhor Jesus há muitos, muitos anos. Neste mês de janeiro, completei cinquenta anos. Quando confiei no Senhor pela primeira vez, não sei havia quanto tempo Ele já estava trabalhando em meu coração; mas, até onde sei, foi há cinquenta anos que confiei no Senhor.

    Posso dizer que, nesses cinquenta anos, nunca tive sede, nem uma única vez? Bem, não posso dizer isso, e não sei se vocês poderiam. O que significa? Ele fez uma promessa: se vocês cressem Nele, nunca teriam sede.

    No entanto, vocês sabem que existe uma maneira correta de ter sede. A Bíblia nos incentiva a ter fome e sede. Como crianças recém-nascidas, desejem o leite puro da Palavra, para que, por ele, cresçam, e assim por diante. Então, como devemos entender Sua maravilhosa promessa de que, em nós, Ele será uma fonte borbulhante, removendo toda sede, e, através de nós, rios impetuosos, saciando a sede dos sedentos ao nosso redor?

    Quero estar absolutamente livre do tipo de sede que Ele não quer que eu tenha, e quero ter o tipo de sede que Ele quer que eu tenha. Por isso, quero tratar disso primeiro.

    Sei que o que Ele está dizendo é: “Quem crê em Mim nunca, nunca terá sede desta maneira”. Vejam, preciso saber que maneira é essa. Não se trata de nunca ter sede, mas de nunca ter sede dessa maneira. Porém, quem crê em Mim terá sede desta outra maneira. Então, preciso saber qual é o tipo de sede que Ele prometeu que nunca mais precisarei ter, e qual é o tipo de sede que Ele vai produzir em mim.

    A realidade da sede e da provisão

    Vou ler este versículo de Isaías. Eu o retirei de seu contexto porque ele é uma imagem muito expressiva, mesmo fora do contexto. Em seu contexto, é muito forte, mas não precisamos do contexto agora. Quero apenas que vocês ouçam este versículo: Isaías 29:8.

    Será também como o faminto que sonha, e eis que come;
    mas, acordando, sente a sua alma vazia;
    ou como o sedento que sonha, e eis que bebe;
    mas, acordando, eis que ainda está desfalecido, e a sua alma tem sede.

    Essa é uma ilustração muito forte, porque existe uma sede que é apenas um sonho. Não é real; é falsa. E existe uma água que é apenas um sonho. Ela não é real; é falsa.

    O Senhor Jesus deseja nos dar água viva de verdade e atender a uma sede real — não a um sonho. Sei que vocês, irmãos, não separaram este fim de semana de suas vidas, nem gastaram de maneira irresponsável o dinheiro do Senhor para vir aqui ouvir falar de algum sonho sobre o que Deus poderia fazer por alguma sede imaginária que vocês têm, apenas para despertar no final e voltar da mesma maneira que vieram — ainda com sede e desfalecendo.

    Não queremos isso, porque o Senhor está falando de realidades. Existe uma sede real e uma provisão real.

    Sou sempre grato quando tenho a oportunidade de apresentar o Senhor Jesus a pessoas famintas. Escolhi um texto conhecido: a mulher junto ao poço. Quantas vezes vocês já o leram? Quantas vezes o estudaram? Quantas vezes ensinaram sobre ele? Quantas vezes ouviram outros ensinarem sobre ele? É um texto conhecido.

    As verdades que vamos examinar não são novidade. Vocês já ouviram tudo isso antes. Suspeito que não tenho nada a dizer neste fim de semana que vocês ainda não tenham ouvido, e imagino que já tenham ouvido essas coisas com muito mais clareza do que serei capaz de comunicá-las. Precisamos que o Senhor nos vivifique para algumas verdades muito antigas e preciosas.

    Fiquei feliz quando cantamos “Tal qual estou”, porque essa é a simplicidade. Uma das coisas pelas quais tenho orado para este fim de semana é que Deus nos leve de volta à simplicidade — àquela primeira vez em que provamos daquela água viva e Ele de fato satisfez nosso coração. Queremos voltar àquele ponto.

    Dois pressupostos fundamentais

    Agora, irmãos, quero partir de dois pressupostos ao começarmos. O primeiro, realmente vou tomar como certo. Quanto ao segundo, acho que serei um pouco ingênuo se o tomar como certo, mas provavelmente vou fazer isso mesmo assim. Deus nos ajudará nisso.

    Adipsia espiritual

    O primeiro é este: estou partindo do pressuposto de que ninguém aqui sofre de adipsia espiritual. Vocês conhecem essa palavra? Adipsia. É uma doença real. É rara. Vocês podem pesquisar no Google, ou fazer o que se faz para pesquisar essas coisas.

    É quando uma pessoa não tem a sensação de sede — quando está com sede, mas não sabe. É uma doença real, rara e terrível, em que esse mecanismo da sede deixa de funcionar.

    As pessoas que sofrem de adipsia precisam beber água seguindo o relógio. Precisam medir tudo. Precisam verificar quanto já beberam. Pelo que li, a taxa de sobrevivência das pessoas com adipsia é muito, muito baixa, porque elas ficam desidratadas e nem sequer sabem disso. Em pouco tempo, simplesmente secam e morrem. Elas nem sabem quando estão com sede.

    Essa é uma doença terrível no plano físico. E é terrível demais quando a trazemos para o povo de Deus: adipsia espiritual — pessoas que não sabem quando estão com sede. É algo mortal, mortal.

    Mas Hebreus 6:9 diz:

    Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação.

    Então, é isso que esperamos de vocês. Sei que vocês não estariam aqui se não tivessem algum tipo de sede.

    O tipo correto de sede

    A segunda coisa que eu gostaria de tomar como certa é que todos vocês têm sede, e espero que todos tenham o tipo correto de sede. Essa é a parte que não tenho certeza de que posso tomar como certa para todos.

    Conhecendo meu próprio coração e tendo convivido com outros cristãos nos últimos cinquenta anos, existe a possibilidade de que algum irmão talvez não tenha o tipo correto de sede. Se esse for o caso, é por isso que quero começar aqui, porque precisamos partir do mesmo entendimento.

    Se vocês querem compreender a fonte borbulhando em seu coração, se querem compreender os rios impetuosos, isso é uma resposta ao tipo correto de sede. Portanto, é importante identificar qual é o tipo correto e qual não é.

    Um nível mais elevado de fé

    Vou me aproximar desse ponto um pouco devagar; por isso, abram no Salmo 56. Esta é apenas uma ilustração que nos levará ao Salmo 42.

    Salmos 56:3:

    No dia em que eu temer,
    hei de confiar em Ti.

    Se esse fosse o único versículo que vocês tivessem, não diriam que isso é bom? Isso é espiritual. “Quando eu tiver medo, confiarei no Senhor.”

    Se vocês lerem o salmo, verão que os homens têm pisado o salmista da manhã até a noite. Ele diz, em Salmos 56:5-6, que eles distorcem suas palavras, seus pensamentos contra ele são maus, eles o atacam, ficam à espreita, observam seus passos e esperam para lhe tirar a vida. Ninguém que leia isso pode culpar esse cristão por estar com medo.

    Mas vejam Salmos 56:11:

    Em Deus tenho posto a minha confiança;
    não temerei;
    que me pode fazer o homem?

    Isso é um pouco melhor, não é? “Quando eu tiver medo, confiarei em Jesus.” Ou: “Confiarei em Jesus e não terei medo”. Qual vocês prefeririam? Entrem na minha linha de raciocínio. A segunda é, de certa forma, uma fé mais elevada.

    Eu preferiria estar numa posição em que confio em Jesus e não tenho medo. Mas, graças a Deus, quando a outra situação acontece em minha vida, quando estou com medo, posso confiar no Senhor. Não estou dizendo que isso não é espiritual. Estou apenas dizendo que existe um nível mais elevado.

    O mesmo que vocês veem ali também é verdadeiro quanto à sede. Existe uma sede, e existe uma sede mais elevada. Quero que comecemos por aí, como ponto de partida para o fim de semana.

    O contraste entre os Salmos 42 e 63

    Agora, vamos examinar duas passagens. Abram no Salmo 42 e também no Salmo 63. Se puderem marcar esses lugares de alguma forma, vamos alternar entre o Salmo 42 e o Salmo 63.

    Embora o Salmo 42 não apresente uma referência histórica no título, os comentaristas geralmente concordam que ele foi escrito para descrever a experiência de Davi quando fugiu de Absalão. Eles chegam a essa conclusão a partir de Salmos 42:6, que menciona a terra do Jordão, os montes do Hermom e assim por diante, porque, quando ele fugiu de Absalão, era ali que estava.

    Agora, o título nem sequer diz que esse é um salmo de Davi. Não temos cem por cento de certeza se ele foi escrito pelos filhos de Corá, para os filhos de Corá, a respeito dos filhos de Corá, ou se Davi o entregou aos filhos de Corá para que lhe dessem uma melodia.

    É quase cem por cento certo que o Salmo 63 diz respeito a Davi quando fugiu de Absalão. O título diz que foi escrito “quando estava no deserto de Judá”, e eles dizem que isso praticamente esclarece quando foi escrito.

    A semelhança que quero destacar não depende tanto de ser Davi ou de o salmo tratar de sua fuga de Absalão. Isso não é importante. O importante é que, seja quem for — mesmo que sejam duas pessoas diferentes —, há uma experiência semelhante.

    A sede do Salmo 42

    Salmos 42:1-2 diz:

    Como o cervo brama pelas correntes das águas,
    assim suspira a minha alma por Ti, ó Deus!
    A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo;
    quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?

    Se vocês tivessem apenas isso nesse salmo, somente esses dois versículos, acho que teriam de concluir que o salmista tinha um grande anseio pelo Senhor. Usando a figura da sede, ele descreve seu anseio pelo Senhor como um cervo que suspira pelas correntes das águas. Quem pode criticar uma sede assim? Ele está ansiando pelo Deus vivo.

    A sede do Salmo 63

    Agora, vejam Salmos 63:1:

    Ó Deus, Tu és o meu Deus;
    de madrugada Te buscarei;
    a minha alma tem sede de Ti;
    a minha carne Te deseja muito
    em uma terra seca e cansada, onde não há água.

    Vocês têm a mesma coisa: um anseio intenso pelo próprio Senhor. Em um salmo, a ilustração é um cervo que suspira pelas correntes das águas; no outro, a ilustração é um deserto, uma região desolada onde não há água.

    Ambos falam de sede. Ambos buscam o Senhor, e ambos apresentam uma ilustração forte para mostrar a intensidade daquela sede. Literalmente, no Salmo 63, a carne está ansiando; está desfalecendo pelo Senhor.

    Se vocês tivessem apenas os dois primeiros versículos de cada salmo, diriam que são iguais. Alguém está em dificuldades. Alguém está com sede de Deus — uma sede como a do cervo, outra como a de uma terra seca e sedenta onde não há água. São duas ilustrações fortes que mostram uma profunda intensidade de sede.

    Estou sugerindo, como no caso dos versículos do Salmo 56, que o Salmo 42 é um salmo de sede e o Salmo 63 é um salmo de sede. Mas eis o que estou sugerindo: o Salmo 63 apresenta uma sede mais elevada do que o Salmo 42, e estou orando para que cheguemos ao Salmo 63.

    A angústia do Salmo 42

    Voltem ao Salmo 42. Quero me concentrar em várias expressões poéticas. Na linguagem da poesia, ele está dando um testemunho. Está falando de sua vida. Talvez não saibamos os detalhes — se está fugindo de Absalão ou o que está acontecendo —, mas podemos perceber que ele enfrenta algum tipo de dificuldade.

    Além de sua alma que suspira, vejam Salmos 42:3:

    As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite,
    enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

    Entendo, a partir desse versículo, que isso provavelmente já está acontecendo há algum tempo. Dia e noite, suas lágrimas têm sido seu alimento. Ou isso significa que ele está tão triste que perdeu o apetite, ou significa que comeu tristeza no café da manhã, no almoço, no lanche e no jantar. Ele simplesmente está triste.

    Suas lágrimas têm sido seu alimento o dia inteiro porque as pessoas estão zombando dele. Evidentemente, Deus não está agindo em sua vida de maneira visível, e elas dizem: “Onde está o seu Deus? Você está passando por isso agora — onde está o Senhor? Você diz que confia no Senhor; onde Ele está?”

    O salmista diz que isso o está afetando. Ele tem chorado o dia inteiro e a noite inteira. Essa é sua experiência.

    Então, em Salmos 42:4, ele descreve suas lembranças dolorosas:

    Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma;
    pois eu havia ido com a multidão,
    e a conduzia à casa de Deus,
    com voz de alegria e louvor,
    uma multidão que festejava.

    Evidentemente, seja o que for que ele esteja enfrentando, está se lembrando da comunhão. Está se lembrando da adoração coletiva. Lembra-se de quando podia ir à casa de Deus com o povo de Deus, mas algo aconteceu em sua vida, e agora ele não pode fazer isso. Ele realmente sente falta.

    Está tentando se consolar lembrando-se dos bons tempos — lembrando-se de quando podia se reunir com o povo de Deus, adorar o Senhor junto com eles e louvar a Deus juntos. Essa lembrança agora é dolorosa para ele, porque não pode mais fazer isso.

    Então, vocês encontram este refrão em Salmos 42:5 e Salmos 42:11:

    Por que estás abatida, ó minha alma,
    e por que te perturbas em mim?
    Espera em Deus,
    pois ainda O louvarei
    pela salvação da Sua face.

    Vocês não podem ler isso sem enxergar fé, porque ele está direcionando seu coração para o Senhor. Está dizendo a si mesmo: “Espera em Deus”. Mas ele usa uma palavra forte: “Por que você está em desespero?” A palavra é afundada. Ele tem uma alma afundada.

    Salmos 42:7 descreve suas circunstâncias:

    Um abismo chama outro abismo, ao ruído das Tuas cachoeiras;
    todas as Tuas ondas e as Tuas vagas têm passado sobre mim.

    É uma imagem muito vívida. Sei que muita coisa já foi escrita sobre “um abismo chama outro abismo”, mas, neste contexto, trata-se simplesmente dessas ondas incessantes passando sobre sua vida e sua situação. Uma onda chega e o derruba.

    Não sei se vocês já estiveram num mar com ondas grandes. Onde moro, em Rhode Island, não temos ondas muito grandes, mas eu não me saio bem nem com as pequenas. Lembro-me de uma vez em que quase me afoguei. O Senhor me salvou. Fiz uma coisa estúpida. Estávamos enfrentando um furacão, e decidi que aquela era uma boa hora para entrar no mar, porque gosto de águas agitadas.

    Entrei no mar com meu filho David, meu primogênito, e fui apanhado por uma correnteza que estava me puxando para longe da praia. Se não fosse pelo Senhor, que enviou uma onda… Eu não sei pegar onda com o corpo, mas naquele dia peguei. Uma onda me levou diretamente para a praia. Pensei que tudo estava acabado. Acenei para meu filho, me despedindo.

    Mas, antes de começar a ser arrastado para longe, uma onda veio, bateu meu rosto contra o fundo e me derrubou. Tentei me levantar, mas aquela onda falou. Aquilo era um abismo, e ele disse: “Venha, abismo”. Um abismo chamou outro abismo. Outra onda veio, me derrubou, e eu fiquei rolando. Não conseguia firmar os pés.

    Tentei me levantar, e veio outra onda, e depois mais uma. A segunda onda chamou a terceira, e a terceira chamou a quarta. Um abismo chamou outro abismo, e eu continuava afundando, afundando. Finalmente consegui me levantar, mas então comecei a ser puxado para longe, e Deus me salvou. Aquilo foi um milagre do Senhor, e louvo a Deus por isso.

    Mas é isso que está acontecendo na vida dele. Ele está falando daqueles momentos em que um golpe vem depois do outro, em que uma desgraça nunca vem sozinha. Vocês conhecem essas expressões. Dizem que os infortúnios não vêm em fila indiana, mas marcham em batalhões. Ele está enfrentando uma coisa depois da outra e diz: “Todas as Tuas ondas e as Tuas vagas têm passado sobre mim”.

    Juntem tudo isso. Em seu coração, ele diz: “Estou ofegante como um cervo procurando água. O dia inteiro, não faço nada além de chorar. Esse é meu alimento, dia e noite. Todos zombam de mim, dizendo: ‘Onde está o seu Deus?’ Deus parece tão distante. Tudo vem, uma coisa depois da outra, me derrubando e me fazendo rolar. Um abismo chama outro abismo. Todas as Tuas ondas e todas as Tuas vagas têm passado sobre mim”.

    “Minha alma está em desespero. Estou desanimado. Estou afundado.” Ele está descrevendo sua situação.

    Então, acrescentem Salmos 42:9:

    Direi a Deus, minha Rocha: Por que Te esqueceste de mim?
    Por que ando de luto por causa da opressão do inimigo?

    Ele se sente abandonado por Deus. O inimigo está vencendo. Ele está derrotado. Reconheço algo a seu favor: ele chama Deus de sua Rocha. Isso é bom. Ele vê Deus como sua Rocha. Mas ainda pergunta: “Por que Tu Te esqueceste de mim?”

    Não é possível ler o Salmo 42 de maneira honesta e objetiva sem perceber que esse homem está vivendo uma vida que eu não quero viver. Ele tem problemas, tudo está acontecendo em sua vida, Deus parece muito distante, e isso faz com que fique deprimido, desanimado e em desespero.

    Nunca quebrei um osso do meu corpo. Nunca tive uma fratura. Certa vez, sofri uma entorse grave numa partida violenta de tetherball, aquele jogo de bola presa a um poste, mas foi só isso. Ouçam a descrição dele em Salmos 42:10:

    Como com uma espada nos meus ossos, os meus adversários me afrontam,
    enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

    É como se ele estivesse procurando imagens poéticas para descrever sua situação e dissesse: “Todos os meus ossos estão despedaçados”. Não sei como seria sentir todos os ossos despedaçados, mas, espiritualmente, era nesse ponto que esse homem estava.

    Não se esqueçam: este não é um homem que se afastou da fé. Esse homem não está em rebelião contra o Senhor. Ele ama o Senhor. Está ansiando pelo Senhor. Está com sede do Senhor. Seu coração busca o Senhor.

    Ele se lembra com carinho da comunhão do povo de Deus. Quando derrama sua alma, é diante do Senhor. Quando tem sede, é sede do Senhor. Em Salmos 42:5-11, ele chega a aconselhar a si mesmo. Começa a conversar consigo mesmo.

    Essa é uma passagem tremenda, em que sua natureza superior começa a repreender sua natureza dominada pelas emoções, e ele começa a pregar para si mesmo. Não gosta do que está acontecendo em sua vida. Ele vê a situação.

    Vocês já chegaram àquele ponto em que estão passando por alguma coisa e têm todas as respostas aqui na cabeça? Sabem exatamente o que fazer. Sabem a resposta. Se alguém viesse até vocês, vocês o fariam sentar e diriam: “Deixe-me lhe dizer: aqui está o seu problema, e aqui está o que deve fazer”. Mas então aquilo acontece em sua própria vida.

    Vocês têm todas as respostas certas, e é nesse ponto que ele está. Ele diz: “Por que você está desanimada, ó minha alma? Espere em Deus. Pare de ser tão tola. O que está acontecendo aqui?” Ele começa a gritar consigo mesmo e a conversar consigo mesmo. Seu eu superior está se dirigindo ao seu eu inferior: “Reaja. Por que você está tão inquieto? O que há de errado com você?”

    “Como você pode ser tão tolo? Deus tem sido tão fiel. Olhe para sua vida. Você já enfrentou o leão e o urso. Não se preocupe com Golias. Você sabe que Ele pode fazer isso.” Ele está pregando um sermão ao próprio coração.

    Salmos 42:8 diz:

    Contudo, o Senhor mandará a Sua misericórdia de dia,
    e de noite a Sua canção estará comigo,
    uma oração ao Deus da minha vida.

    Vocês veem fé nessa oração. Ele sabe que, algum dia, isso vai passar. Algum dia, vai cantar novamente. Algum dia, as ondas vão parar de bater em sua cabeça. Algum dia, o luto e a tristeza serão substituídos por um cântico. Um dia, poderá se reunir novamente com o corpo de Cristo e adorar o Senhor na adoração coletiva.

    Ele aconselhou a si mesmo a esperar em Deus. Sabe que isso vai acontecer, mas está frustrado ao extremo. Não sei se vocês já estiveram numa situação como essa, mas eu já estive. É tão frustrante ter as respostas aqui na cabeça e não saber como trazê-las para o coração.

    Vocês sabem que poderiam confiar no Senhor. Sabem que devem entregar tudo ao Senhor. Sabem que é tolice se preocupar. Sabem que Deus está em Seu trono. No entanto, lá estão vocês: “Por que estás em desespero, ó minha alma? Por que te perturbas em mim? Espera em Deus”.

    Ele continua chamando a si mesmo a confiar no Senhor, mas, em vez disso, está desanimado, angustiado, inquieto, com medo, abandonado, derrotado, solitário e sobrecarregado. Irmãos, é difícil para mim dizer que é assim que vocês devem ter sede. Acho que existe uma maneira melhor.

    A sede satisfeita do Salmo 63

    Abram no Salmo 63. Este é um salmo de Davi quando estava no deserto.

    Não tenho motivo para acreditar que as circunstâncias do Salmo 63 sejam diferentes das circunstâncias do Salmo 42. Podem ser exatamente as mesmas. Estou inclinado a pensar que talvez os dois salmos descrevam Davi na mesma situação, mas, seja como for, ouçam novamente Salmos 63:1:

    Ó Deus, Tu és o meu Deus;
    de madrugada Te buscarei;
    a minha alma tem sede de Ti;
    a minha carne Te deseja muito
    em uma terra seca e cansada, onde não há água.

    Observem a diferença neste salmo. Ele ainda se lembra com carinho da comunhão dos santos, mas, ao percorrer o salmo, não o vejo chorando dia e noite. Não vejo sua alma derramada porque não há adoração coletiva. Não vejo seu testemunho de desespero, de estar literalmente afundado.

    Não o vejo reclamando de ondas incessantes que o derrubam e não permitem que firme os pés. Não há a sensação de ter sido esquecido ou abandonado pelo Senhor. Não há lamento porque o inimigo está levando vantagem.

    Os dois salmos começam com sede. Os dois começam com sede do Deus vivo. Os dois começam com uma ilustração forte de como tudo está seco. Mas, por favor, ouçam e acompanhem. Espero que vocês percebam o tom de vitória e vejam o contraste neste salmo.

    Salmos 63:1-11 diz:

    Ó Deus, Tu és o meu Deus;
    de madrugada Te buscarei;
    a minha alma tem sede de Ti;
    a minha carne Te deseja muito
    em uma terra seca e cansada, onde não há água.

    Assim Te contemplei no santuário,
    para ver a Tua força e a Tua glória.
    Porque a Tua benignidade é melhor do que a vida,
    os meus lábios Te louvarão.

    Assim eu Te bendirei enquanto viver;
    em Teu nome levantarei as minhas mãos.
    A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura;
    e a minha boca Te louvará com alegres lábios;
    quando me lembrar de Ti na minha cama,
    e meditar em Ti nas vigílias da noite.

    Porque Tu tens sido o meu auxílio;
    então, à sombra das Tuas asas me regozijarei.
    A minha alma Te segue de perto;
    a Tua destra me sustenta.

    Mas aqueles que procuram a minha alma para a destruírem
    irão para as profundezas da terra.
    Cairão à espada;
    serão uma ração para as raposas.

    Mas o rei se regozijará em Deus;
    qualquer que jurar por Ele se gloriará;
    porque se tapará a boca dos que falam a mentira.

    Vocês veem alguma diferença entre o Salmo 42 e o Salmo 63 no que diz respeito à vitória? No entanto, ambos começam com sede — sede do Deus vivo.

    Estou sugerindo que existe uma sede aqui, e não a estou condenando. Não duvido de que ele tenha tido aquela sede. Não acho que esteja recomendando essa sede; ele está simplesmente dando seu testemunho. Ele a teve. Mas está dizendo que existe outra sede.

    Creio que Salmos 63:5 é a chave:

    A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura;
    e a minha boca Te louvará com alegres lábios.

    Vejam, no Salmo 63, o salmista está com sede do Senhor, mas, enquanto tem sede, ao mesmo tempo, já está satisfeito. “Minha alma está satisfeita.”

    Ele não está buscando satisfação. Está buscando a partir da satisfação. Sua sede nasce do descanso; não é uma sede em busca de descanso. Deus não está ausente neste salmo. Não há nenhuma sugestão de que ele tenha sido abandonado pelo Senhor.

    Há inimigos no Salmo 63? Com certeza. Vejam Salmos 63:9. Mas não há desespero em sua vida. Não há desânimo, não há uma alma afundada, não há lamento dia e noite, nem lágrimas da manhã até a noite como alimento no café da manhã, no almoço e no jantar.

    Ele não está dizendo: “O que há de errado com você, homem tolo? Espere em Deus”. O que está dizendo? Salmos 63:8:

    A minha alma Te segue de perto;
    a Tua destra me sustenta.

    Vocês veem a diferença? Ele não está com sede de algo que não possui. Ele já possui, e agora tem uma sede legítima por mais.

    Ele não está com sede de algo que não possui. Salmos 63:7 diz:

    Porque Tu tens sido o meu auxílio;
    então, à sombra das Tuas asas me regozijarei.

    Ele não está esperando até que as coisas melhorem. Existe uma diferença entre a sede do Salmo 42 e a sede do Salmo 63. Acho que uma é sede em busca de algo, e a outra é sede a partir de algo.

    Um está com sede de alegria, contentamento, paz e descanso. O outro diz: “Encontrei meu descanso. Encontrei minha alegria, minha paz e meu contentamento. Tenho sede do Deus vivo a partir da satisfação, não em busca dela”. Ele não está procurando essas coisas. Ele as tem no Senhor.

    A sede que nasce do descanso, em vez de buscá-lo

    Sei que há um cântico que cantamos e que nos incentiva a ter sede do Senhor como o cervo suspira pelas correntes das águas. Entendo o coração do autor do cântico. Sei o que ele quis dizer com isso.

    Ele apresentou dois grandes princípios, e concordo com ambos. Primeiro, o objetivo de toda sede espiritual deve ser a Pessoa: ter sede de Deus. Segundo, seu propósito ao mencionar o cervo é a intensidade. Vocês devem ter sede de Deus com a intensidade de um cervo que procura água.

    Então, não tenho nenhum problema com o cântico. Acho que o Senhor deve ser nosso único desejo:

    Quem tenho eu no céu senão a Ti?
    E na terra não há quem eu deseje além de Ti.

    Acho que nossa sede deve ser intensa. Enquanto vocês não amarem o Senhor, seu Deus, como Marcos 12 ensina, de todo o coração, alma, entendimento e forças, sua intensidade ainda não será suficiente. Vocês devem ter sede com grande intensidade.

    Mas creio sinceramente que o autor do cântico, seja quem for, foi além da figura apresentada no salmo. O salmista estava vivendo essa experiência. Não sei se ele viu um cervo, mas viu algo que ilustrava sua agonia.

    Assim como Paulo estava preso em Roma, viu o guarda romano usando armadura e o usou como ilustração do cristão com a armadura de Deus, esse homem estava em agonia e com sede. Estava sofrendo. Estava deprimido. Estava em desespero. Sua alma estava afundada. Então, viu aquele pobre cervo desidratado e disse: “É assim que me sinto em meu coração”. Foi por isso que mencionou o cervo.

    Fiquei impressionado com alguns comentários que descrevem isso. Nenhuma destas palavras é minha; são citações de vários comentários.

    “O sangue ressecado após a exaustão, no homem e no animal, não pede apenas umidade, alívio para a sede, água; em agonia, clama por ela, na medida em que o palato ressequido ainda permite — um clamor com a garganta rouca e um gemido em voz audível.”

    Outro comentarista diz: “O cervo exausto, já incapaz de suportar seus sofrimentos, geme em desespero por puro impulso da natureza. A ponto de cair no chão, sem conseguir mais ficar sem água, rompe o ar com seu grito agonizante por água e logo sucumbirá, a menos que a encontre”.

    Outro diz: “Após uma longa seca, a corça desfalecida anseia pelo riacho. O cervo perseguido procura instintivamente a corrente de água para banhar seus flancos fumegantes e escapar dos cães”.

    Outro diz: “Aqui está a imagem de um cervo desidratado após uma longa perseguição”. Outro diz: “Uma sede como esta, como a do cervo, é terrível, insaciável, clamorosa, mortal”.

    A palavra traduzida como “cervo” aqui está ligada a um verbo no feminino; portanto, trata-se de uma corça, uma fêmea. A palavra traduzida como “suspira” é, literalmente, “respira”. Ela brama. Ela geme. É esse gemido intenso da corça clamando por alguma água.

    Estou citando tudo isso não para estragar esse belo cântico. Espero que vocês continuem cantando e continuem desejando buscar o Senhor. Não estou dizendo o contrário. Mas estou dizendo que, considerando a maneira como o salmista usou a imagem do cervo, vocês orariam: “Senhor, não permitas que eu tenha sede de Ti como o cervo suspira pela água”, porque ele não a tinha.

    Não é como as imagens que vocês veem de um cervo que encontrou o riacho. Essa é uma bela imagem, mas o cervo do salmo não havia encontrado o riacho. Ele ainda estava procurando a corrente de água e buscando-a como alguém que não a possuía.

    Não acho que devamos suspirar pelo Senhor dessa maneira. Lembro-me de uma vez em que conversei com um pastor, e ele disse: “Quando batizo alguém, eu gostaria de mantê-lo debaixo da água até quase morrer, e então ele subiria buscando o ar desesperadamente. Depois, eu lhe diria: ‘Quando você tiver fome do Senhor dessa maneira, quando tiver sede do Senhor dessa maneira, como estava procurando aquela respiração…’”

    Deus não quer que vocês vivam dessa maneira, como um cervo desidratado prestes a cair morto. Isso não é a vida cristã. Não foi para isso que Cristo morreu. Sua morte nos introduziu em algo muito melhor do que isso.

    Essa ideia de se esticar em direção às correntes das águas e nunca conseguir encontrá-las — como Satanás gosta de transformar um ponto de partida em um objetivo a ser alcançado! Ele está sempre tentando colocá-lo no futuro.

    Nunca estamos suficientemente entregues. Nunca estamos suficientemente mortos. Nunca somos suficientemente espirituais. Nunca estamos suficientemente crucificados. Nunca estamos suficientemente envolvidos. Nunca estudamos o suficiente. Nunca oramos o suficiente.

    Estamos sempre com sede disso, como se estivesse em algum lugar distante. “Algum dia, mal posso esperar. Algum dia, serei cheio do Espírito. Algum dia, vou conhecer Cristo em Sua plenitude. Algum dia, Deus vai me usar, como rios fluindo do meu coração.”

    Não está em algum lugar distante. Não é algum dia. É agora. Nós já temos isso. Tenham sede a partir do descanso, não em busca dele. Vocês já o têm em Cristo. Vocês têm essa fonte dentro de si, e eu também. Agora podemos ter sede da maneira correta.

    Jesus disse: “Se vocês crerem em Mim, nunca terão sede como o cervo suspira pelas correntes das águas”. É isso que Ele está dizendo. Vocês não terão sede dessa maneira, porque já possuem aquilo que buscam.

    Conheço cristãos que se sentem culpados porque não estão gemendo, suspirando e agonizando o tempo todo, clamando pela presença do Senhor. Sentem-se quase inferiores se não estão buscando Deus com desespero e clamando sempre por avivamento.

    Por que, afinal, vocês querem avivamento? Vocês deveriam estar avivados. Algumas pessoas só precisam de vida; não precisam de reavivamento. Precisam simplesmente tê-la, para começar.

    Não tenho dúvida de que o Salmo 42 descreve a condição real do salmista, mas não acho que ele a esteja recomendando. Está descrevendo essa condição porque esse é seu testemunho. Mas não está descrevendo o que deveria ser, o que poderia ser ou o que Cristo prometeu. Está descrevendo o que era verdade em sua vida.

    Houve um tempo em sua vida em que ele perdeu as correntes das águas. Perdeu a fonte. Perdeu o riacho. Não o tinha. Conhecia a resposta aqui na cabeça, mas não sabia exatamente como chegar a ela. Estava buscando aquilo como se não o possuísse.

    Ele não estava vivendo em vitória. De maneira prejudicial, dependia de seus sentimentos, da adoração coletiva e de circunstâncias favoráveis. Como essas coisas lhe foram negadas, disse: “Deus me deixou. Deus me abandonou”. Ele perdeu a percepção da presença de Deus.

    Acho que fez a coisa certa quando começou a chamar a si mesmo de volta à fé, quando começou a pregar para si mesmo e disse a si mesmo que esperasse em Deus. Mas não creio que Deus queira que tenhamos sede do Senhor dessa maneira. Vocês não podem viver nesse grau de tensão. Ficariam loucos. Esse não é o homem espiritual.

    Leiam o Salmo 42 e me digam: essa é a vida vencedora? É assim que Ele os conduz diariamente em Seu triunfo? Essa é a vida escondida com Cristo em Deus? Essa é a vida assentada com Ele nas regiões celestiais? Esse é alguém que é mais que vencedor em todas essas coisas por meio Daquele que nos amou? Essa é a vida mais abundante?

    Vejam, não é. Ter sede de Cristo, depois de já ter encontrado Cristo, é buscar uma mentira. Não é real. Vocês vão despertar e estar com sede novamente.

    Irmãos, não quero que vocês me entendam mal. Não estou sugerindo que deixem de ter sede do Senhor. Oro para que vocês tenham uma sede insaciável Dele enquanto descansam no Cristo que já possuem.

    Ele está em seu coração. Já está ali para ser essa fonte borbulhante. Vocês não precisam ir à procura dela. Ela está ali. É Ele.

    Agora, busquem-No a partir do descanso, da satisfação, do contentamento. Ele não os abandonou. O inimigo não está vencendo. Vocês não precisam lamentar o dia inteiro.

    Quando Deus ordena as circunstâncias e permite que Suas ondas e vagas passem sobre vocês, Ele tem um propósito sábio e amoroso. Se Ele fosse apenas amor, as vagas não viriam. Mas, como também é sábio, pode permitir aquilo que odeia.

    É por isso que, quando vocês passam por provações, Ele não disse que orassem por força; disse que pedissem sabedoria, porque Deus é sábio naquilo que permite. Vocês já são vitoriosos.

    Vocês não precisam viver como tantos cristãos vivem. Alguém pergunta: “Como vão as coisas?” E respondem: “Sinto como se todos os meus ossos estivessem despedaçados”. Essa não é a vida cristã vitoriosa.

    Nós temos as correntes das águas, irmão. Precisamos partir do mesmo entendimento. Queremos começar com essa sede — uma sede que nasce da realidade de tudo o que temos em Cristo, satisfeitos em Cristo, contentes em Sua obra consumada.

    Tudo o que está em Cristo já é nosso. Temos sede do Deus vivo. A fonte borbulhante dentro de nós existe para que nunca mais precisemos ter sede dessa maneira. Mas agora podemos ter sede da maneira correta.

    A oração por luz e verdade

    Quero encerrar com mais uma passagem. Abram no Salmo 43.

    Vou ler um versículo do Salmo 43, e vamos ver se ele parece conhecido. Salmos 43:5:

    Por que estás abatida, ó minha alma,
    e por que te perturbas dentro de mim?
    Espera em Deus,
    pois ainda O louvarei,
    a Ele, que é a salvação da minha face e o meu Deus.

    Isso se parece com alguma coisa no Salmo 42? A razão pela qual chamo a atenção para isso é que o mesmo refrão de Salmos 42:5 e Salmos 42:11 aparece agora em Salmos 43:5.

    Originalmente, esses salmos eram um só. Há quarenta e seis manuscritos que não apresentam os Salmos 42 e 43 como salmos separados; apresentam um único salmo. Eles estavam juntos.

    Fico feliz que o Espírito Santo os tenha separado, porque, enquanto pregava para si mesmo, ele encontrou a resposta no Salmo 43. Quero encerrar com a resposta que ele encontrou, caso haja aqui algum irmão que esteja com sede daquilo que já possui. Que Deus nos livre disso.

    Salmos 43:3-4 é a chave:

    Oh, envia a Tua luz e a Tua verdade;
    que elas me guiem;
    que me levem ao Teu santo monte,
    e aos Teus tabernáculos.

    Então irei ao altar de Deus,
    a Deus, que é a minha grande alegria;
    e com a harpa Te darei graças,
    ó Deus, meu Deus.

    Salmos 43:3 não começa com as palavras: “Envia a Tua luz e a Tua verdade”. Começa com esta palavra: “Oh”. Não se esqueçam do oh.

    “Oh, envia a Tua luz e a Tua verdade.” Acho que, às vezes, nos esquecemos desse oh apaixonado. Esse é o clamor interior do coração: “Oh, Senhor, salva-me. Oh, aproxima-Te da minha alma. Oh, quem me dera ter asas como uma pomba. Oh, que meus caminhos sejam firmados diante de Ti. Oh, visita-me com a Tua salvação”.

    Não percam o oh. Isso é importante. Vejam o que ele pede. Ele diz: “A única maneira de sair desta situação é receber uma revelação”. Então, diz: “Oh, envia a Tua luz e a Tua verdade”.

    Agora, suponhamos que Deus responda a essa oração. Para onde essa luz e essa verdade vão levá-lo? Basta olhar para os versículos. “Envia a Tua luz e a Tua verdade; que elas me guiem.” Para onde? Ao Teu santo monte. À Tua habitação.

    Depois, em Salmos 43:4:

    Então irei ao altar de Deus.

    Finalmente:

    A Deus, que é a minha grande alegria.

    Ou: a alegria da minha alegria.

    Vocês veem o que ele está dizendo? “O que há de errado comigo? Por que não consigo confiar? Oh, Deus, envia uma revelação.” Essa revelação me levará à presença de Deus. A presença de Deus me levará ao altar de Deus. O altar de Deus me levará a Deus, minha grande alegria.

    Ele conhece a resposta, e essa é a nossa resposta. Se há alguém aqui — espero que não haja —, mas, se vocês têm buscado aquilo que já possuem e querem começar a buscar a partir da satisfação, vamos todos partir do mesmo entendimento nesta noite.

    Peçam a Deus que coloque essa oração em seu coração: “Oh, envia a Tua luz e a Tua verdade. Que elas me conduzam à Tua presença. Então irei ao altar. Isso não será um problema. Então irei ao altar e, depois, ao próprio Deus, minha grande alegria”. É Dele que tenho sede.

    Que Deus nos ajude, nesta etapa inicial da série, a começar com o tipo correto de sede, para que possamos aprender o que significa o Senhor Jesus Cristo, Sua vida em mim, ser uma fonte borbulhante. O que isso significa? E Sua vida através de mim ser rios impetuosos. O que isso significa? Mas tudo precisa começar aqui.

    Oração final

    Vamos orar.

    Oh, envia a Tua luz e a Tua verdade, e que elas me guiem. Que me levem à presença de Deus. Então irei ao altar e a Deus, minha grande alegria. Então louvarei.

    Senhor, realiza isso em nosso coração, nós Te pedimos. Oro para que, independentemente de como cada irmão tenha chegado a este fim de semana, todos nós possamos sair com uma sede que nasce de nossa união com Cristo.

    Pedimos em nome de Jesus. Amém.