Abram comigo em Atos 2:42 e, depois, em Atos 2:46-47.
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
E, perseverando diariamente, unânimes, no templo, e partindo o pão de casa em casa, tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração;
louvando a Deus e tendo o favor de todo o povo.
Agora, no Evangelho de Lucas, a partir de Lucas 22:14.
E, chegada a hora, assentou-Se à mesa, e com Ele os apóstolos.
E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer;
pois vos digo que não a comerei até que ela se cumpra no reino de Deus.
E, recebendo um cálice, havendo dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós;
porque vos digo que, de agora em diante, não beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.
E, tomando o pão, havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o Meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de Mim.
Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é a nova aliança no Meu sangue, que é derramado por vós.
Agora, abram na primeira carta de Paulo aos Coríntios, no capítulo 11. Já lemos parte dessa passagem anteriormente, mas vamos ler a partir de 1 Coríntios 11:23.
Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
e, havendo dado graças, partiu-o e disse: Isto é o Meu corpo, que é por vós; fazei isto em memória de Mim.
Semelhantemente, também tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é a nova aliança no Meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de Mim.
Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
Portanto, qualquer que comer o pão ou beber o cálice do Senhor de maneira indigna será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice.
Porque quem come e bebe, come e bebe juízo para si, se não discernir o corpo.
Por esta causa, há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos dormem.
Mas, se nos discerníssemos a nós mesmos, não seríamos julgados.
Mas, quando somos julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.
Vamos fazer mais uma oração? Coloquemo-nos juntos, pela fé, sob essa unção que nos foi concedida para falar e ouvir nesta noite.
Senhor, queremos agradecer a Ti, pois nesta noite Te adoramos ao redor da Tua mesa, no partir do pão. Nós Te agradecemos, Senhor, por cada nova visão de Ti mesmo, por cada nova revelação do Teu amor, da Tua graça, da Tua misericórdia e da Tua fidelidade para conosco. Só queremos Te agradecer, Senhor.
E agora, Senhor, ao nos voltarmos à Tua Palavra, precisamos de ajuda especial nesta noite, e nos colocamos incondicionalmente sob o Teu governo como Cabeça. Nós Te agradecemos, Pai, pela unção que está sobre a Cabeça, nosso Senhor Jesus, e que o Espírito Santo torna uma realidade viva para cada membro do corpo.
Queremos nos firmar, pela fé, nessa unção, nessa graça e nesse poder para o ministério da Tua Palavra: para que eu fale, para que haja a tradução e para que todos nós ouçamos. Ó Senhor, que o Teu propósito para esta noite seja cumprido, nós Te pedimos. Daremos a Ti todo o louvor e toda a glória, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Tenho falado nestes encontros noturnos, durante o tempo que me foi concedido, com base em Atos 2:42:
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Como eu disse, essas são as quatro características essenciais da vida da igreja. Não se pode dispensar nenhuma delas. Precisamos das quatro, em equilíbrio, para ter uma vida saudável como igreja ou, se vocês preferirem outra expressão, uma vida corporativa saudável. Se realmente vamos conhecer algo do Espírito do Senhor edificando a Sua casa espiritual entre nós, essas quatro características essenciais precisam estar presentes.
Já falamos sobre a doutrina dos apóstolos, a Palavra de Deus, e não vou voltar a esse assunto. Falamos sobre a comunhão como outra característica essencial, e também não vou retomá-la. Ontem à noite, falamos sobre a última delas, as orações. Falamos bastante sobre oração.
Nesta noite, quero falar sobre o partir do pão. Estou um pouco apreensivo ao falar desse assunto. Receio pisar nos calos de algumas pessoas aqui — calos espirituais, quero dizer — e incomodá-las. Mas sinto que preciso ser fiel ao Senhor em tudo isso.
Por favor, realmente não tenho nenhum desejo de incomodar ninguém aqui, e o pior que vocês podem fazer é não me convidar de volta. Portanto, procurarei, tanto quanto possível, cumprir a minha responsabilidade.
Quero falar sobre três aspectos relacionados ao partir do pão:
Nesses três aspectos, chegamos a compreender o significado do partir do pão e por que aqueles primeiros crentes perseveravam no partir do pão — por que isso era tão importante para eles.
Não quero me alongar, por isso começarei diretamente com o testemunho da mesa do Senhor. Em 1 Coríntios 11:26, está escrito:
Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
Vocês anunciam a morte do Senhor. Vocês declaram a morte do Senhor. Na verdade, a palavra é “evangelizar”, “proclamar como evangelho”. Vocês de fato anunciam a morte do Senhor como evangelho. Fazem uma espécie de proclamação no mundo invisível — aos principados e às potestades — e também à terra, às forças visíveis, de que a morte de Jesus é a coisa mais poderosa em nossa vida.
Quando partimos o pão, estamos dizendo que Deus fez algo em nossa vida que jamais pode ser retirado: a morte do Senhor Jesus na cruz. Estamos proclamando o evangelho, o coração do evangelho. Estamos anunciando a morte do Senhor como evangelho.
O querido irmão Sparks sempre se referia ao partir do pão, assim como ao batismo, como um testemunho. Ele considerava essa palavra mais bela, significativa e expressiva, em inglês, do que a palavra ordenança.
É claro que a mesa do Senhor é uma cerimônia. Isso é evidente, não é? Seja qual for a maneira como a celebramos, há um pouco de cerimônia nela. Mas será que é apenas uma cerimônia? É claro que é um ritual. Não o desprezem. É algo que fazemos regularmente — muitos de nós, pelo menos uma vez por semana; outros, talvez com menos frequência; e alguns, com frequência ainda maior.
Portanto, é um ritual; é um rito. Não usamos bolo em uma semana, leite na seguinte, água na outra, suco de uva na próxima e vinho fermentado depois. Temos um determinado ritual que observamos. Mas será que é apenas um ritual?
A mesa do Senhor é uma ordenança porque nosso Senhor nos disse que fizéssemos isso em memória Dele. Ele nos ordenou fazê-lo. Mas será que é apenas isso — uma ordenança? É por isso que a palavra testemunho é tão bela. É mais do que uma cerimônia, mais do que um ritual e mais do que algo ordenado. É mais do que uma ordenança: é um testemunho.
Quando partimos o pão, quando tomamos aquele pão e bebemos o cálice, estamos testemunhando juntos de alguma coisa — alguma coisa viva. Você não pode testemunhar de algo que não faz parte da sua experiência. Precisa ser algo vivo. Se você é testemunha de alguma coisa, precisa vê-la com os próprios olhos e tocá-la com as próprias mãos. Caso contrário, não pode ser testemunha.
Um testemunho nasce de uma experiência viva, de algo de que você participa. Você está envolvido nisso, e juntos damos esse testemunho.
Com que frequência devemos fazê-lo? É interessante que, no livro de Atos, descobrimos que eles partiam o pão de casa em casa, diariamente. Todos os dias, na igreja em Jerusalém, celebravam a mesa do Senhor por toda a cidade.
Eles distribuíram aquela grande multidão de três mil cento e vinte pessoas por pequenas casas, espalhadas por toda a cidade, e partiam o pão em todas essas casas. Era extraordinário. Era algo diário na igreja primitiva.
Mas, posteriormente, em Atos 20:7, lemos sobre a igreja em Trôade:
E, no primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o pão, Paulo discorria com eles.
Segundo a contagem judaica, esse primeiro dia da semana provavelmente era o sábado à noite, de modo que acertamos em cheio nesta noite. Os primeiros crentes costumavam se reunir no sábado à noite, depois de encerrado o sábado judaico, para que os escravos gentios pudessem participar. Suas reuniões muitas vezes se estendiam até tarde da noite.
Não fiquem preocupados com isso. Não significa que vocês precisem celebrar no sábado à noite para estar corretos. A igreja em Jerusalém fazia isso todos os dias, e nem sequer sabemos em que horário do dia. A igreja em Trôade fazia isso no primeiro dia da semana, embora não tenhamos certeza de quando exatamente.
Uma coisa podemos afirmar: não existe mandamento que determine se devemos fazê-lo semanalmente, diariamente, a cada três meses, a cada seis meses ou uma vez por ano. Precisamos partir o pão conforme o Senhor nos conduzir e da maneira que seja mais significativa para aquele grupo específico de filhos de Deus, sob a direção do Espírito de Deus.
Agora, tendo dito isso, quero dizer outra coisa. É aqui que talvez entremos em terreno delicado. Esse partir do pão surgiu de um costume que existe entre o meu povo há cerca de quatro mil anos.
Começou com Abraão — na verdade, com Melquisedeque. Nós o chamamos de Kiddush, que significa simplesmente santificação. É uma pequena cerimônia em que temos vinho, um cálice de vinho, pão e sal.
Quando Melquisedeque encontrou Abraão, vocês se lembram, ele trouxe pão e vinho. Até hoje, todo presidente, governante, primeiro-ministro ou grande líder nacional que chega a Jerusalém é recebido pelo presidente nos limites da cidade com um cálice de vinho, pão e sal.
Toda refeição de sábado começa com esse Kiddush. A família inteira se reúne. Primeiro, o cálice de vinho passa de pessoa em pessoa à mesa. Depois, coloca-se sal sobre o pão, dão-se graças por ele, e todos nós partimos o pão juntos.
Fazemos isso no início das festas, dos sábados e até quando recebemos um convidado especial. Se um amigo especial vem à sua casa e você quer tornar a ocasião especial, celebra o Kiddush. Você dá graças por ele. É algo especial.
Tem havido uma enorme discussão entre os estudiosos cristãos sobre a origem do partir do pão. Alguns dizem que veio do Kiddush e que esse partir do pão em todas as casas era a maneira judaica natural de começar uma refeição, só que agora transformada em uma lembrança do Senhor no início da refeição. Outros dizem: “Não, não, não; veio da Páscoa”.
Na verdade, essa discussão entre os estudiosos cristãos existe porque eles não compreendem o costume judaico. A Páscoa é um Kiddush ampliado e mais solene. Em vez de um cálice de vinho e pão, na Páscoa há quatro cálices de vinho, que todos precisam beber por inteiro, e três ocasiões em que se parte o pão.
É nesse contexto que o apóstolo diz:
O cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo?
O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?
Pessoalmente, creio que o partir do pão veio da Páscoa, mas ainda era o Kiddush. Isso significa várias coisas para mim.
A respeito de Lucas 22, alguns estudiosos liberais dizem: “Vejam, era tudo uma confusão. Lucas estava muito confuso. Ele começa com o cálice, depois passa ao pão e então volta ao cálice. O que devemos fazer? Tomar primeiro o cálice e depois o pão? Ou primeiro o pão e depois o cálice? Ou tomar o cálice, dizer alguma coisa sobre ele, passar ao pão e então tomar o cálice propriamente dito?”.
Mas o mal-entendido surge porque Lucas está falando no contexto da Páscoa. O Senhor Jesus provavelmente já havia tomado o segundo cálice e dado graças por ele. Ele havia introduzido o assunto de que aquela seria Sua última ocasião com eles e de que não voltaria a comer a Páscoa até que ela se cumprisse no reino de Deus.
Então Ele diz a respeito do pão:
Isto é o Meu corpo.
Depois toma o terceiro cálice e diz:
Este cálice é a nova aliança no Meu sangue.
Isso é importante para mim, porque revela que o pão que nosso Senhor tomou era pão sem fermento, e que o cálice que Ele tomou era um único cálice. O vinho que estava nele era vinho fermentado.
Sei que isso causa muita discussão, especialmente entre os cristãos americanos. Há grandes movimentos inteiros fundamentados nessa questão. Eles tomam a expressão “fruto da videira” e dizem: “Vocês não entendem? O fruto da videira não é vinho; é suco de uva”.
Mas não entendem que, até hoje, em nosso costume e em nossa liturgia milenares, dizemos: Baruch atah Adonai, Eloheinu Melech ha-olam, borei p’ri ha-gafen — “o fruto da videira”. Essa é a expressão semítica para vinho, vinho fermentado.
Além disso, na Páscoa sempre se usa o melhor vinho fermentado. Pela lei rabínica, é permitido acrescentar cinquenta por cento de água, porque é preciso beber quatro grandes cálices de vinho. É por isso que não temos alcoolismo entre os judeus. A maioria de nós cresceu sem gostar de álcool porque, quando éramos crianças, tínhamos de beber esses copos de vinho, embora fossem menores e se acrescentasse água. Isso nos fez perder o gosto por ele para o resto da vida.
No entanto, estou apenas tentando apresentar o contexto de uma questão. Muita coisa sem sentido foi dita sobre que tipo de líquido havia no cálice. Algumas pessoas perguntam: “Isso importa?”. Não, dizem elas, não importa realmente.
Eu mesmo tenho uma forte afinidade com a maneira quacre de pensar sobre essas coisas. Acho que o principal é ter a experiência. Mas então penso: importa se aspergimos as pessoas com água no batismo? Importa se pegamos uma jarra de água e a derramamos sobre elas, ou um balde de água? Ou é mais importante que as mergulhemos na água?
Se isso não importa, o que vamos fazer? Vamos adotar qualquer coisa? Vocês entendem o que estou tentando dizer? Se celebramos a mesa do Senhor, não é importante procurar voltar exatamente ao que o Senhor instituiu? Cada detalhe tem significado.
Ele tomou pão sem fermento porque esse pão falava da Sua ausência de pecado. Era o período dos pães sem fermento. Todo judeu precisava retirar de casa qualquer vestígio de fermento. Isso é absolutamente verdade; passamos dias inteiros retirando-o de casa antes de celebrar a Páscoa.
Mas o que alguns irmãos não sabem é que a lei referente ao fermento não se aplica aos líquidos. O vinho era uma figura da alma do Senhor Jesus derramada até a morte.
Se desejamos ser corretos, usamos pão sem fermento, que nos lembra imediatamente que Ele era sem pecado:
Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós; para que Nele nos tornássemos justiça de Deus.
Certa vez participei da mesa do Senhor na Alemanha, e tínhamos água e bolo. Estive em outro lugar — não vou dizer onde — em que tínhamos leite e biscoitos. Quero dizer a vocês que essas ocasiões foram muito preciosas. O Senhor estava muito presente.
Pessoalmente, tenho dificuldade em tomar bolo e água e me lembrar do Senhor, porque sinto, no meu coração, que Ele me deixou algo. Quero poder olhar para aquele pão sem fermento e me lembrar de que Jesus era sem pecado. Não havia pecado Nele. Ele nasceu sem pecado. Foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Quando foi à cruz por mim, levou o meu pecado em Seu corpo sobre o madeiro.
Quando tomo aquele cálice de vinho, quero pensar na alma do nosso Senhor Jesus — tão bela, tão criativa, tão artística — derramada até a morte.
Depois de tocar nesses assuntos controversos, vou deixá-los de lado. Qual é o testemunho da mesa do Senhor? Anotei sete pontos. Vou apenas abordá-los brevemente.
No partir do pão, testemunhamos que a morte expiatória do Senhor Jesus é o único caminho pelo qual você e eu podemos ser salvos. Ela é o fundamento de toda a nova criação de Deus, de todo o novo homem de Deus, de tudo o que Deus fará.
Toda vez que nos reunimos para partir o pão, testemunhamos que eu só posso ser salvo, e você só pode ser salvo, por meio da morte expiatória do Senhor Jesus. Não há outro caminho — nenhum outro caminho — para que você e eu sejamos reconciliados com Deus.
Penso, então, no Seu ser perfeito, no Seu corpo sem pecado e na Sua alma derramada até a morte. Essa é a primeira parte do testemunho.
Toda vez que partimos o pão, testemunhamos que, para viver espiritualmente, precisamos comer e beber do Senhor Jesus. Em João 6:53, 55-57, Jesus disse:
Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.
Porque a Minha carne é verdadeiramente comida, e o Meu sangue é verdadeiramente bebida.
Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim, e Eu nele.
Assim como o Pai, que vive, Me enviou, e Eu vivo por causa do Pai; assim também quem de Mim se alimenta viverá por causa de Mim.
Não se trata de recebermos Jesus uma vez e, depois, não precisarmos mais nos relacionar com Ele. Ele me salvou, e pronto. Não; descubro que preciso me alimentar do Senhor Jesus. Preciso beber do Senhor Jesus. Preciso beber, beber e beber novamente; e preciso comer, comer e comer.
Em alguns círculos, essa verdade quase foi levada a extremos sectários, como se o Senhor Jesus fosse uma mercadoria, e não uma Pessoa. Mas o fato permanece: a única maneira de permanecermos no Senhor Jesus é recebendo o Senhor Jesus. A única maneira de eu permanecer na plenitude do Espírito Santo é beber do Espírito do Senhor Jesus. A única maneira de crescer é comendo e bebendo.
Toda vez que venho a esta mesa, testemunho desse fato: quero crescer no Senhor? Quero me tornar um homem ou uma mulher plenamente amadurecidos no Senhor? Quero que a igreja cresça até ser um homem plenamente amadurecido no Senhor? Quero que os santos cheguem à maturidade? Quero que a noiva seja formada?
Então preciso conhecer o Senhor Jesus. Todos os dias preciso receber mais Dele. Preciso beber mais profundamente Dele. Toda vez que venho a esta mesa, ela me lembra disso: esse é o testemunho da mesa do Senhor.
O terceiro aspecto dessa mesa é que somos um só corpo. Encontramos isso em 1 Coríntios 10:16-17:
O cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo?
O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?
Porque nós, sendo muitos, somos um só pão, um só corpo.
Parece-me claro que, no tempo de Paulo, eles realmente tinham um pão inteiro e o partiam. É assim também conosco no Kiddush. Jamais pensaríamos em cortar um pão em pequenos cubos. Partimos o pão para que todos possam vê-lo sendo partido. Depois, os pedaços são distribuídos ou, em nossa tradição sefardita, coloca-se o pão sobre a mesa, todos põem a mão sobre ele e, depois de darmos graças, todos o partimos juntos.
Este é o testemunho: não somos apenas indivíduos; somos um só corpo. Somos um só corpo porque compartilhamos um cálice e porque partimos um só pão. Todos comemos do pão; todos bebemos do mesmo vinho.
Este é meu último ponto controverso nesta noite. Creio que o cálice individual é a ilustração perfeita de um cristianismo sem caráter de igreja. Cada um é um indivíduo. Cada um tem sua pequena porção do Senhor e não consegue realmente se unir ao outro. Cada um tem seu próprio cálice porque pode pegar alguma coisa de outra pessoa.
É claro que, quando se tem vinho não fermentado, é preciso ter cálices individuais. Tudo isso surgiu há um século, com o movimento de temperança. É perfeitamente natural, e agora todos estão lutando até a morte por causa disso.
Isso me parece estranho. Em uma família, compartilhamos um cálice. Sei que há dificuldades nisso. Quando há três mil pessoas, como ter um único cálice? É preciso ter alguns cálices. Mas o ponto é que se compartilha o cálice.
Em certo sentido, isso não é o mais importante, porque, se temos a realidade, tudo bem. Mas, toda vez que vejo todos aqueles cálices individuais, sinto um mal-estar por dentro. Quando fui salvo, foi entre os batistas, de modo que estou acostumado a esses cálices individuais. Sinto assim: “Ali está o irmão Stephen tomando seu cálice individual, e agora vou tomar o meu. Ele tem o seu Cristo, e eu tenho o meu, e os dois jamais se encontrarão”.
Para mim, isso é triste. Eu preferiria tomar um cálice e transmitir AIDS a ele, ou que ele transmitisse AIDS a mim, porque, em uma família, é exatamente isso que se faz. Não se vive o tempo todo com medo do que se pode pegar do irmão fulano ou da irmã fulana.
O apóstolo coloca isso de maneira muito simples: “Vocês são um só pão, um só cálice”. Meus queridos amigos, sei que alguns talvez se sintam incomodados por eu levantar essas questões, mas pertencemos àqueles que têm procurado recuperar a verdade. Vamos jogá-la fora?
Qual é a importância dos detalhes? Se vamos dizer que não são importantes, então sejamos tão claros a respeito do batismo quanto somos a respeito da mesa do Senhor. Vamos aspergir. Não há problema algum nisso. Não importa, desde que a pessoa receba água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Mas vocês todos estão dizendo: “Ah, não! Nunca, nunca!”. Posso ouvir todos se levantando. Sabem por quê? Não estou querendo ser indelicado, mas é porque se trata de água, e não de vinho. Se estivéssemos batizando em vinho, todos diriam: “Asperjam”.
Cada um de nós diria: “Não, todo o simbolismo do batismo é que você é sepultado com Cristo. Você fica inteiramente debaixo da água. Não queremos deixar nem um cachinho de fora — totalmente debaixo da água! Queremos ter certeza de que cada um foi devidamente sepultado com o Senhor. Então são ressuscitados para andar em novidade de vida”.
Somos muito cuidadosos com o simbolismo do batismo porque cremos que ele é importante e precioso. Penso que também deve ser assim com a mesa do Senhor. Mas essa é a minha convicção pessoal.
No entanto, quer vocês usem cálices individuais — e eu preciso superar isso — ou pequenos pedaços de pão sem fermento, lembrem-se disto: somos um só corpo. Somos a família da fé e testemunhamos, nesse partir do pão, que pertencemos uns aos outros no Senhor. Há um só Cristo. Há um só corpo. Esse é o testemunho.
Em quarto lugar, toda vez que tomamos esse pão e esse vinho, testemunhamos que, para conhecer a vida e o poder da ressurreição, também precisamos conhecer a morte da cruz.
Quando tomo aquele pão, lembro a mim mesmo: esse pão já foi trigo. Ele foi esmagado, moído e assado até se tornar o pão que estou comendo. Esse vinho já foi uva. Ela foi rompida, esmagada e deixada nesse estado até fermentar.
Então me lembro das palavras do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 4:10-11:
Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
Porque nós, os que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
Não podemos conhecer o poder da Sua ressurreição ou a plenitude da Sua vida de ressurreição se não estivermos dispostos a conhecer a morte da cruz. Se não estivermos dispostos a ir com Ele à cruz, não poderemos experimentar o poder da Sua ressurreição.
É tão simples. Toda vez que venho a esta mesa, lembro a mim mesmo: estamos testemunhando disso. Lembrem-se: quanto mais profundamente vocês morrerem, mais abundante será a ressurreição que conhecerão. Quanto mais forem quebrantados, mais conhecerão o poder de Deus sobre vocês. Quanto mais conhecerem o que é ser crucificado com Cristo, mais conhecerão o que é andar em novidade de vida.
Em quinto lugar, isso é somente até que Ele venha.
Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
Acho que isso é algo maravilhoso no partir do pão. Fico tão triste — não aqui, graças ao Senhor — porque, em algumas comunidades, parece uma cerimônia fúnebre. Todos cantam terrivelmente devagar, como se estivéssemos nos lembrando de alguém que morreu e nunca voltou à vida.
Os hinos são tocados pelo menos duas vezes mais devagar do que o normal, e aquilo se torna uma cerimônia fúnebre. Mas, meus queridos amigos, que coisa maravilhosa é, quando partimos o pão juntos, lembrar que Ele triunfou. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Esse Jesus está à direita do Pai e está voltando — voltando muito mais cedo do que imaginamos.
Que alegria pode encher nosso coração ao partirmos o pão juntos e pensarmos que Jesus não voltou a comer desse pão nem a tocar nesse cálice, e não o fará até aquele dia em que Se assentar conosco no reino de Deus manifesto.
Que dia será aquele! Conseguem imaginar? Que banquete maravilhoso será, quando todos estiverem lá. Paulo estará lá, João estará lá, Mateus estará lá. Todos os santos de todas as épocas estarão lá — pessoas que conhecemos e que partiram antes de nós durante a nossa própria vida. Elas estarão lá. Que coisa maravilhosa é pensar: “Até que Ele venha”.
Em sexto lugar, quando partimos o pão e bebemos esse cálice, testemunhamos que o Senhor fez conosco uma nova e eterna aliança. Pensem nisso. Ele realmente Se comprometeu com você para sempre.
Este cálice é a nova aliança no Meu sangue.
Deus não diz apenas: “Eu amo você”. Poderíamos ficar com medo e dizer: “Ele disse que me amava ontem. Será que dirá isso na semana que vem? Talvez encontre em mim alguma coisa que Lhe desagrade”. Como se Deus não tivesse descoberto tudo a nosso respeito antes mesmo de nos salvar! No entanto, sempre pensamos: “Talvez Ele esteja decepcionado comigo hoje”.
Mas o Senhor fez uma aliança conosco — uma aliança juridicamente vinculante, nascida do Seu amor e da Sua graça. Isso significa que Ele nunca abandonará você. Nunca.
O sangue e o corpo do Senhor Jesus são os sinais do Seu compromisso. Ele salvará você plenamente. Seja o que for que esteja pela frente, seja qual for a morte, sejam quais forem as circunstâncias ou as situações, Ele sempre permanecerá fiel, porque Se vinculou a você por uma aliança.
Há uma bela palavra no Antigo Testamento que não pode realmente ser traduzida para o inglês — nem, de fato, para a maioria das outras línguas. É a palavra hebraica hesed. Às vezes, ela é traduzida como “misericórdia” na versão King James; nas versões revisadas e na American Standard Version de 1901, como “amor bondoso”; e, nas versões modernas, como “amor constante”.
Essa palavra, hesed, significa amor firmado em aliança. É graça, misericórdia, favor e amor unidos à fidelidade em uma aliança de casamento. É como se o Senhor nos dissesse: “É isto que estabeleço em aliança com vocês: esse tipo especial de amor constante”.
Há uma última coisa da qual testemunhamos. Ouçam com atenção. Não quero que ninguém entre em profunda depressão por causa disso, mas ouçam com atenção. O último testemunho que damos no partir do pão é que precisamos sempre, toda vez que partimos o pão, examinar a nós mesmos diante de Deus.
Encontramos isso em 1 Coríntios 11:28:
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice.
Meus queridos amigos, não pensem que, só porque o pão e o vinho são símbolos, só porque são sinais, você e eu podemos tratá-los de maneira irreverente, de modo indigno. A Palavra de Deus deixa muito claro que, se você e eu não tivermos temor do Senhor diante dos nossos olhos na maneira como tomamos o pão e o vinho, comemos e bebemos juízo para nós mesmos.
O que isso significa, já que somos justificados e não há condenação? Significa o seguinte: se você e eu temos uma discussão com outro irmão ou irmã e não resolvemos essa discussão — pelo menos da nossa parte; aliás, são necessárias duas pessoas para haver uma divisão —, então, se eu comer desse pão e beber desse cálice, não trago vida para mim mesmo. Trago morte para mim mesmo.
Se estou trapaceando nos negócios, se sou um fraudador ou desonesto nas relações comerciais, e tomo aquele pão e aquele vinho, não estou ministrando a vida de Cristo a mim mesmo. Estou ministrando morte.
Se estou envolvido em algum tipo de perversão imoral — algum homem se envolvendo com a esposa de outro homem dentro da comunhão, ou alguma esposa tentando seduzir o marido de outra irmã — e tomo aquele pão e aquele vinho, não ministro vida a mim mesmo. Ministro morte.
Se alguém pensa que estou apenas tentando criar dificuldades, veja o que a Palavra diz:
Por esta causa, há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos dormem.
Tenho o privilégio de ver muitas pessoas adormecerem nas minhas reuniões, mas não é isso que significa. Não significa que você fica com sono à mesa do Senhor. Significa que você morre.
Alguém diz: “Isso é impossível. Deus é um Deus de misericórdia. Deus é um Deus de graça. Você está tentando nos dizer que, à mesa do Senhor, podemos realmente provocar a nossa própria morte?”. Sim, exatamente. É exatamente isso que quero dizer. Conheci pessoalmente casos assim. Estive envolvido em situações em que pessoas morreram sob a mão de Deus porque não queriam confessar alguma coisa ou enfrentar alguma questão, e continuavam participando da mesa do Senhor.
Deixem-me dizer mais uma coisa. Talvez isso explique por que muitos pequenos grupos de comunhão se tornam fracos, doentes, divididos e parecem se desfazer. Vocês não acham que, às vezes, pode ser porque não compreendemos essa questão da mesa do Senhor? Há coisas acontecendo por baixo da superfície, e todos seguem em frente como se a mesa do Senhor não tivesse realmente importância.
Precisamos examinar a nós mesmos. Toda vez que venho a esta mesa, digo: “Senhor, não tenho direito de estar aqui. Meu único fundamento é o nome do Senhor Jesus e a obra do Senhor Jesus”.
Digo: “Senhor, Tu sabes que sou indigno em mim mesmo, que não há bem algum em mim, isto é, na minha carne. Tu és Aquele que me salvou, e venho a esta mesa porque, até onde sei, não há nada de errado que eu esteja praticando”.
Vocês começam a compreender como é maravilhoso ter a mesa do Senhor? Ela nos mantém com as contas em dia. Toda vez que celebramos a mesa do Senhor, cada um de nós examina a si mesmo antes de participar dela.
É por isso que digo: não cheguem atrasados à mesa do Senhor. Cheguem um pouco antes, se puderem. Esperem em silêncio. Certifiquem-se de que o coração de vocês está correto diante de Deus. Não entrem simplesmente com aquele espírito desleixado, descuidado, disperso, que diz que isso não importa realmente.
Vocês estão lidando com algo que está no próprio coração de Deus: a morte do nosso Senhor Jesus. Ai de nós se, tendo sido salvos pela graça de Deus, abusarmos dessa graça. Todos somos indignos, mas não precisamos vir à mesa do Senhor de maneira indigna.
Essa mesa maravilhosa, esse partir do pão, é uma lembrança e uma expressão supremas de amor.
Fazei isto em memória de Mim.
Lembro-me de que, muitos anos atrás, quando fui salvo, um irmão idoso e piedoso, um servo de Deus, disse: “Você sabe o que isso significa? Significa: ‘Façam isto, trazendo-Me amorosamente à memória’”. Ao longo de todos esses anos, isso permaneceu comigo.
Toda vez que vamos à mesa do Senhor, fazemos isso trazendo-O amorosamente à memória. Não coisas, não a verdade, mas Ele.
Então essa mesa se torna uma lembrança suprema do amor divino. Toda vez que me sento à mesa do Senhor, penso: “Estou diante de uma história de amor divino. Estou na presença do amor de Deus”.
Quem teria me amado como Ele me amou? Quem teria perseverado comigo como Ele perseverou comigo? Quem teria sido tão fiel a mim como Ele tem sido? Toda vez que venho a esta mesa, sou confrontado com uma história de amor divino.
Ele me amou e a Si mesmo Se entregou por mim.
Que coisa maravilhosa é o partir do pão, quando se torna uma lembrança de um amor assim. Em toda a agitação da vida, em todas as circunstâncias urgentes e cheias de pressão, na correria da vida e nas viagens que preciso fazer, posso me sentar por um momento à Sua mesa e me lembrar: Ele me ama e Se entregou por mim.
Nessa mesa, nos sentamos na presença do amor divino. Era isso que o Senhor Jesus realmente queria dizer. Ele disse: “Tragam-Me à memória. Conheço a tendência de vocês de se esquecerem de Mim. Sei que, mesmo com a melhor das intenções, vocês estarão tão ocupados com seus problemas, empregos, trabalho, negócios, números, filhos, tarefas e tudo o mais. Compreendo tudo isso. Mas, toda vez que vierem a esta mesa, sentem-se e lembrem-se de Mim”.
Vocês começam a compreender por que é tão ofensivo quando as pessoas entram correndo, atrasadas? Vocês sabem muito bem que elas não estão pensando no Senhor. Para elas, é apenas um pequeno ritual, uma cerimônia, e nada mais. Ficamos ali sentados, meio entorpecidos, esperando o tempo acabar para podermos cumprimentar alguns amigos. Aqui estão os elementos.
Se realmente víssemos isso como uma lembrança do amor divino, não seríamos muito cuidadosos? Não viríamos? É como uma renovação do vínculo de amor. É como um lugar de encontro amoroso. É um momento em que nos reunimos e dizemos: “Senhor, Tu me amas. Eu Te amo?”.
É por isso que essa mesa é tão preciosa. É por isso que o Senhor Jesus disse àquela maravilhosa igreja em Éfeso — uma igreja que deixa a maioria dos nossos grupos de comunhão muito para trás:
Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.
O primeiro amor não é uma questão de tempo; é uma questão de qualidade. O primeiro amor não é simplesmente o tipo de amor que você tinha quando se apaixonou pela primeira vez. É uma qualidade de amor.
Quando as pessoas estão apaixonadas, caminham quilômetros para ver a pessoa amada, e isso não as incomoda. Anos depois, não dirigiriam nem por dois minutos. Ninguém vai à pessoa amada e diz: “Ah, estou tão cansado e desgastado de ter vindo ver você”.
Não, o amor é algo extraordinário. Ele renova seus membros, sua mente e seu espírito. Assim que você vê a pessoa que ama, esquece o cansaço, os problemas e tudo o mais, simplesmente por ver a pessoa amada. Esse é o primeiro amor.
Você pode ter toda a perseverança, o trabalho, o conhecimento, o discernimento do erro e o discernimento dos falsos apóstolos. Mas, se não tiver o primeiro amor, o Senhor remove o candeeiro.
Dizemos: “Senhor, isso é muito severo da Tua parte. Olha o nosso trabalho, o nosso esforço, a nossa perseverança e como julgamos aqueles que estão no erro”. Mas o Senhor diz: “Isso não significa nada para Mim sem essa qualidade de amor”. É inútil.
Na própria história do meu povo está gravada a palavra que Jesus transmitiu de maneira tão maravilhosa na nova aliança:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
E ainda dizem que a antiga aliança é lei, como se não houvesse amor nela. Logo no início, Deus disse ao Seu povo escolhido: “Vocês devem Me amar de todo o coração, de toda a alma e de toda a força”.
Quando um bom fariseu veio a Jesus e disse: “Mestre, Rabi, qual é o maior mandamento?”, Jesus disse:
Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor:
e amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
E o segundo é semelhante a este:
Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Desses dois dependem toda a lei e os profetas. Amor. Não é de admirar que o apóstolo João diga:
Deus é amor.
Não é de admirar que Paulo, no meio de uma carta a uma igreja que era uma completa confusão, fale de um caminho mais excelente: o amor.
Você pode entregar seu corpo para ser queimado. Pode ter toda a fé para remover montanhas. Pode conhecer todos os mistérios. Mas, se não tiver amor, não é nada.
Toda vez que venho a esta mesa, sou lembrado deste único fato fundamental, absolutamente simples: Ele me amou e espera que eu O ame.
Meus queridos amigos, eu poderia continuar falando sobre isso, mas preciso ficar atento ao tempo. A mesa do Senhor não é o lugar para oração. Não é o lugar para pedidos. Não é o lugar para pregação. Não é o lugar para ensino. A mesa do Senhor é o lugar para o amor.
É a única reunião dos filhos de Deus, na vida habitual da igreja, em que deixamos de lado a oração, os pedidos, as petições, o ensino e a pregação, e todos expressamos nosso amor por Ele.
Que lugar maravilhoso a mesa do Senhor pode se tornar quando é assim. É como o céu na terra, quando entramos em uma atmosfera de amor em que todos compreendem isso.
Algumas pessoas dizem: “Ah, mas é preciso poder orar. É egoísmo entrar na presença do Senhor e não orar pelos perdidos”. Mas deve haver algum momento na vida da igreja em que passemos uma hora inteira, ou mais, orando pelos perdidos, pelas necessidades dos demais santos e por tudo o mais.
Não pode haver uma reunião, em toda a vida da igreja, na qual deixemos de lado tudo o que pedimos ao Senhor e apenas demos ao Senhor? Uma única reunião em que, em vez de sermos espiritualmente egocêntricos, possamos estar totalmente centrados em Cristo?
Pensem somente Nele. Pensem somente em Quem Ele é e no que Ele é. Às vezes, quando entramos na presença do Senhor — e isso não é errado, mas está em um nível mais pobre —, tudo o que conseguimos fazer é agradecer ao Senhor pelo que Ele fez por nós.
Só conseguimos dizer: “Obrigado, Senhor, Tu me salvaste. Obrigado, Senhor, por teres sido fiel a mim. Obrigado”. Ah, que possamos ir além disso e dizer: “Senhor, eu Te amo pelo que Tu és — não pelo que fizeste, mas pelo que Tu és”.
Há níveis de serviço que você e eu nunca alcançamos aqui à mesa do Senhor. Assim, chego ao último ponto que quero apresentar nesta noite: o serviço mais profundo que você e eu podemos prestar ao Senhor é a adoração.
Uma das razões pelas quais agradeço abertamente a Deus pelo que chamamos de renovação carismática, com todas as suas falhas e todos os seus defeitos, é que ela restaurou a adoração.
Quando fui salvo, conheci aquilo que chamavam de adoração. Tínhamos um hino, uma oração, um hino, uma leitura, um hino, uma coleta de ofertas, a mensagem para as crianças, os avisos, um hino e, depois, o sermão. Isso era chamado de adoração.
À mesa do Senhor, como já disse, era um culto in memoriam. Você realmente sentia que alguém havia partido. Ele estava longe, muito longe. Era assim quando fui salvo.
Pergunto-me se realmente já chegamos a experimentar a adoração. Adorar é mais do que louvar. Você pode louvar ao Senhor e ainda assim não adorar.
O Senhor Jesus disse, a respeito do Seu Pai, que Ele procura aqueles que O adorem em espírito e em verdade.
Você e eu fomos criados. Fomos constituídos por Deus para adorar. Todo ser humano adora alguma coisa. Adora o dinheiro. Adora a si mesmo — isso é o mais comum. Adora outra pessoa. Adora uma ideologia. Todo ser humano é constituído de tal maneira que precisa adorar.
Na verdade, você e eu fomos criados e constituídos para adorar a Deus. Nunca conheceremos a verdadeira realização enquanto não adorarmos, porque fomos criados para adorar a Deus. Somente quando adoramos a Deus com todo o nosso ser encontramos realização.
Alguns de vocês provavelmente já experimentaram uma adoração assim em algum momento da sua experiência espiritual e sabem exatamente do que estou falando. Depois que você adora ao Senhor dessa maneira, nunca mais é o mesmo.
Sempre digo às pessoas: se você já experimentou uma expressão da casa de Deus, nada mais o satisfará. Pelo resto da vida, estará sempre procurando essa casa de Deus. Você experimenta algo do corpo, algo da verdadeira comunhão, e nunca mais é o mesmo.
Assim também é com a adoração. Depois que você experimenta aquele tipo de adoração em que já não estamos conscientes uns dos outros, já não estamos conscientes do lugar, mas somente do Senhor — em que sentimos como se estivéssemos na própria presença de Deus —, nunca mais é o mesmo.
É o privilégio mais maravilhoso, a maior dádiva que o Senhor poderia nos conceder, quando a mesa do Senhor se torna um lugar de adoração. Todos vêm com o coração voltado para Deus, e todos estão prontos para contribuir conforme o Senhor os conduzir, em uma grande sinfonia de louvor, ações de graças e adoração.
Querido filho de Deus, não é interessante? Todos queremos encontrar algum tipo de realização, mas Deus fez o ser humano de tal maneira que você e eu não podemos encontrar realização enquanto não adorarmos ao Senhor.
No fim das contas, isso é um serviço, um ministério ao Senhor. Na vida da igreja, podemos ter muitos outros ministérios em diferentes momentos. Podemos alcançar os não salvos, trabalhar com crianças, trabalhar com jovens e fazer todo tipo de coisa.
Mas há um lugar na vida da igreja que precisa ser preservado. Ele é para o Senhor. É o partir do pão.
Vocês começam a compreender por que está escrito que eles perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações?
Vocês têm a Palavra de Deus e perseveram nela. Têm a comunhão: compartilhar juntos o Senhor Jesus, edificar uns aos outros, cuidar uns dos outros, estimular uns aos outros ao amor e às boas obras. Precisamos perseverar nisso.
Vocês têm a oração, o ministério de oração da igreja, quando oramos para que a vontade e o pensamento de Deus se concretizem em nossa própria região. Em sua forma mais profunda, o Espírito do Senhor pode gerar um encargo dentro de nós, que produz dores de parto no espírito até que, por fim, o propósito de Deus seja cumprido.
Mas também precisamos perseverar no partir do pão — não como um ritual, não como uma ordenança, mas como um testemunho. Toda vez que participamos, ele nos lembra de quanto o Senhor nos amou e de quanto Ele procura, em nosso coração, amor por Ele.
Isso me revela como sou. Não sei se revela você também. Não seria maravilhoso se, antes de nos reunirmos novamente para partir o pão, muitas coisas fossem acertadas em nossa vida?
Quando nos reuníssemos em nossos pequenos grupos de comunhão para partir o pão, que isso se tornasse um lugar de encontro amoroso — um lugar de adoração, reverência e amor. Isso não faria algo por todos nós? Não seríamos elevados juntos a outra dimensão? Creio que sim.
Que o Senhor opere dessas maneiras maravilhosas no coração de todos nós. Perdoem-me se pisei nos calos de algumas pessoas. Sei que vocês têm firmeza suficiente para resistir a mim, de modo que não tenho receio algum nesse sentido.
Mas, se for o Senhor, ouçam-No. Sejam como os bereanos. Examinem as Escrituras para verificar se essas coisas são assim.
Vamos orar.
Ó Pai, cada um de nós percebeu, quando falamos desse tipo de amor e desse tipo de adoração, que precisamos dizer em nosso coração: “Senhor, não Te amamos como deveríamos, e certamente não amamos uns aos outros como deveríamos”.
Senhor, tem misericórdia de nós. Precisamos ser renovados no primeiro amor, naquela qualidade de amor que faz com que não falemos o tempo todo das aflições, dos problemas, do cansaço, do esforço e de tudo o mais, mas estejamos tão apaixonados por Ti que essas coisas quase se desfaçam em um primeiro amor renovado.
Querido Pai, somente o Teu Espírito pode renovar o amor dentro de nós. Faz isso, Senhor, no coração de cada um de nós, nós Te pedimos. Nestes dias, em que se diz que o amor de muitos esfriará, que isso não seja verdade a respeito de nenhum de nós. Que nosso amor cresça cada vez mais, até a vinda do nosso Senhor Jesus.
Ouve-nos enquanto nos entregamos a Ti. Senhor, Tu disseste que procuras adoradores em espírito e em verdade. Faz de nós esses adoradores, Senhor. Dá-nos uma experiência de adoração como nunca tivemos antes. Faz com que nada menos do que isso nos satisfaça.
Que esse partir do pão venha a significar, para cada um de nós, algo mais precioso do que jamais significou. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.