Abram comigo no livro de Atos, capítulo 2.
Hoje à noite vou ler apenas um versículo: Atos 2:42.
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Agora abram em Atos 4:23.
E, tendo sido soltos, foram para os seus e contaram tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos lhes haviam dito.
E eles, ouvindo isso, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Ó Senhor, Tu que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há;
Que, pelo Espírito Santo, pela boca de nosso pai Davi, Teu servo, disseste:
Por que se enfureceram os gentios,
E os povos imaginaram coisas vãs?
Os reis da terra se levantaram,
E os governantes se ajuntaram,
Contra o Senhor e contra o Seu Ungido.
Porque, na verdade, nesta cidade se ajuntaram contra o Teu santo Servo Jesus, a Quem ungiste, tanto Herodes como Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel,
Para fazerem tudo o que a Tua mão e o Teu conselho predeterminaram que acontecesse.
Agora, pois, Senhor, olha para as suas ameaças; e concede aos Teus servos que falem a Tua palavra com toda a ousadia,
Enquanto estendes a Tua mão para curar; e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do Teu santo Servo Jesus.
E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e falavam a palavra de Deus com ousadia.
E a multidão dos que criam era de um só coração e uma só alma; e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua, mas tinham tudo em comum.
E, com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus; e sobre todos eles havia grande graça.
Agora, por favor, abram em Colossenses 4:2-4:
Perseverai na oração, vigiando nela com ações de graças;
Orando também por nós, para que Deus nos abra uma porta para a palavra, a fim de falarmos o mistério de Cristo, pelo qual também estou preso;
Para que eu o manifeste, como me convém falar.
E Efésios 6:17-20:
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;
Orando em todo tempo no Espírito, com toda oração e súplica, e vigiando para isso com toda perseverança e súplica por todos os santos;
E por mim, para que me seja dada a palavra ao abrir a minha boca, a fim de, com ousadia, tornar conhecido o mistério do evangelho,
Pelo qual sou embaixador em cadeias; para que nele eu fale com ousadia, como me convém falar.
Por fim, 1 Pedro 4:7:
Mas já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sede sensatos e sóbrios para a oração.
Como eu disse ontem, há uma unção disponível para todos nós. Não queremos que este tempo seja, de modo algum, vão ou inútil. Por isso, vou me colocar, pela fé, debaixo dessa unção para falar, e sugiro que vocês se coloquem, pela fé, debaixo dessa unção para ouvir, se querem que este tempo tenha significado para vocês.
Vamos orar juntos.
Senhor, quero reconhecer — todos nós queremos reconhecer — que, sem Ti, nada podemos fazer. Posso falar, e isso não resultar em nada. Podemos ouvir, e isso não resultar em nada. Mas, Senhor, Tu nos concedeste uma unção nesta noite, tanto para falar como para traduzir e ouvir.
E queremos, Senhor, pela fé, nos colocar debaixo dessa unção que está sobre o nosso Cabeça, o Senhor Jesus, e que o Espírito Santo torna uma realidade viva para cada um de nós. Recebemos essa unção pela fé para falar, traduzir e ouvir, Senhor, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, nesta minha pequena contribuição durante os dias que temos passado juntos, tenho me detido em Atos 2:42:
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Tenho ressaltado que há quatro características essenciais da vida da igreja, sem as quais essa vida, de uma forma ou de outra, fica comprometida. Vocês podem ter uma delas, podem ter duas, podem ter três; mas, se vocês e eu vamos realmente experimentar a verdadeira vida da igreja, precisamos das quatro.
Já tratamos da doutrina dos apóstolos. Não vou entrar nesse assunto nesta noite, a não ser para dizer simplesmente que ela é a Palavra de Deus. A doutrina dos apóstolos foi o coroamento de toda a revelação que Deus nos deu no cânon das Escrituras, nos sessenta e seis livros que compõem a nossa Bíblia.
É interessante que eles perseveravam na Palavra de Deus — no estudo da Palavra de Deus, na meditação na Palavra de Deus, na assimilação da Palavra de Deus, até que a Palavra de Deus se tornasse carne e sangue neles.
Ontem à noite tratamos da segunda característica: a comunhão. Examinamos o significado dessa palavra, comunhão. Essa é uma característica da vida da igreja — a verdadeira comunhão. É um compartilhar do Senhor Jesus de todas as maneiras. Somos todos diferentes, mas compartilhamos o mesmo Cristo.
Nesta noite não vou tratar do partir do pão. Farei isso amanhã. Vou passar para o último ponto e tratar da oração. Sinto que preciso fazer isso hoje à noite.
Então vou compartilhar com vocês, nesta noite, alguns dos pensamentos que o Senhor me deu sobre a oração. Acho muito interessante que essas características nas quais eles perseveravam comecem com a Palavra de Deus e terminem com a oração coletiva.
Bem, creio que não preciso dizer que a maioria de nós considera a oração coletiva o dever mais corriqueiro, mais entediante e mais temido do filho de Deus. Fazemos qualquer coisa, menos orar. Vamos a um estudo bíblico, passamos um longo tempo em comunhão, participamos de uma campanha ou cruzada evangelística; fazemos qualquer coisa, menos participar de uma reunião de oração.
Normalmente ficamos muito felizes quando temos uma desculpa para não ir à reunião de oração. É claro que precisamos admitir que quase nem precisamos do inimigo, por causa do que nós mesmos fizemos com o tempo de oração. Embora seja o inimigo quem tem atuado, nós mesmos, entregues a nós mesmos, reduzimos a reunião de oração ao encontro mais corriqueiro, entediante, pesado e monótono de toda a vida da igreja.
Não é de admirar que precisemos fazer um esforço para ir ao tempo de oração. E, no entanto, a oração coletiva é uma característica essencial da vida da igreja.
Não apenas petições, não apenas pedidos, não apenas compartilhar necessidades — embora tudo isso faça parte da oração coletiva —, mas oração com autoridade, gerada no coração do povo de Deus pelo Espírito Santo. A oração com autoridade é absolutamente essencial.
Tudo o que aprendemos sobre a Palavra de Deus, tudo o que conhecemos na comunhão e tudo o que conhecemos da obra expiatória do Senhor Jesus na cruz, no partir do pão, passa a ser exercitado de maneira prática e pertinente na oração coletiva.
De fato, vocês podem medir a temperatura de qualquer obra de Deus ou de qualquer comunhão do povo de Deus pela reunião de oração. Se a reunião de oração é monótona, toda a obra é monótona aos olhos de Deus. Se a reunião de oração é pesada, toda a obra é pesada. De uma forma ou de outra, ela está sobrecarregada por obras de morte.
Se a reunião de oração não tem direção — aqui alguém prega um sermão, ali há uma oratória maravilhosa e floreada, acolá uma grande eloquência, depois uma paráfrase do Sermão do Monte, um pequeno poema, então o joelho fraturado de alguém, a doença terminal de outra pessoa, mais um pouco de pregação e, por fim, uma volta ao mundo —, isso indica o que está errado naquela comunhão.
Se estamos sem direção, se não conseguimos discernir coletivamente a mente de Deus, se não sabemos entrar em harmonia uns com os outros, se não sabemos agir como uma unidade militar espiritual sob o nosso Comandante Supremo, se não sabemos travar a guerra do Espírito, isso indica que há algo doente, algo errado em toda aquela obra ou comunhão.
É um sintoma de que, embora as pessoas falem da vida da igreja, se gloriem na vida da igreja e estudem a vida da igreja, não estão experimentando a vida da igreja. Cada um continua sendo um indivíduo, e todos fazem o que bem entendem.
Na verdade, o conceito de reunião de oração é exatamente esse: ela é a reunião mais democrática da vida da igreja. Todos nós vamos para fazer o que queremos. Não temos ideia do que seja estar sob o governo de Deus — ou, se estamos, esse governo é meramente pessoal: “Estou com um encargo e vou garantir que todos os outros fiquem carregados com ele durante o tempo de oração”.
Essa é a reunião de oração normal.
Como era diferente o único exemplo claro que temos de uma reunião de oração coletiva no Novo Testamento. Primeiro, eles entenderam a situação. Segundo, colocaram-se diante de Deus e levantaram a voz em unanimidade.
Provavelmente, à maneira oriental, todos oraram ao mesmo tempo por um período — um grande clamor enquanto todos oravam juntos. Depois, à medida que o clamor diminuía, um orava, outro orava, e mais outro orava, em grande harmonia.
Temos aqui uma espécie de paráfrase da oração que finalmente chegou ao cerne da questão. Quem quer que a tenha feito, conduzindo todos em oração, firmou-se no Salmo 2. Deus, o Espírito Santo, aplicou a verdade do Salmo 2 ao que estava acontecendo com aquele grupo do povo de Deus em Jerusalém.
Eles se firmaram nessa palavra. Apelaram a Deus com base naquela palavra dada por Deus, que era a Palavra de Deus aplicada a uma situação local e específica. Nas mãos da igreja ali, ela se tornou a espada do Espírito.
Eles tomaram aquela palavra e, juntos, se firmaram nela. Pediram a Deus que os livrasse do medo e lhes desse força para pregar o Senhor Jesus, com sinais e prodígios acompanhando a pregação. E todo o lugar foi abalado.
Bem, acho muito revelador da nossa condição o fato de a maioria dos cristãos ficar terrivelmente empolgada porque o lugar foi abalado. “Ah”, dizem eles, “eu adoraria estar numa reunião de oração em que o lugar fosse abalado. Imaginem — tudo tremendo, tudo se movendo depois de orarmos. Que poder maravilhoso!”
Meu querido amigo, o abalo do lugar, francamente, é quase irrelevante. Deus pode abalar um lugar praticamente sem mover um dedo. Ele nem precisa olhar para nós lá do Seu trono para abalar um lugar. Basta dizer a um anjo: “Abale esse lugar”. Quero dizer, isso não é nada para Deus.
No entanto, os cristãos ficam tão empolgados com esse tipo de coisa sobrenatural. “Ah, eu adoraria estar em reuniões de oração em que o lugar inteiro fosse abalado.” Meus queridos amigos, esse não é o milagre. Isso é apenas um sinal.
Deus ficou tão satisfeito com aquela reunião de oração que quase abalou o lugar espontaneamente. O extraordinário foi que todos os que criam eram de um só coração e uma só alma. Esse é o milagre.
Se toda reunião de oração fosse abalada, onde quer que acontecesse, o que isso faria, senão nos levar a imaginar que essa é a nossa identidade? Tornaríamos-nos os “abaladores de casas” — a nova denominação. Meus queridos amigos, isso é tão ridículo.
O ponto principal é este: Deus respondeu à oração deles. Os apóstolos, com grande poder e autoridade, deram testemunho da ressurreição do Senhor Jesus Cristo, e multidões foram acrescentadas à igreja, se continuarmos lendo o relato.
E o mais maravilhoso de tudo — aquilo que estava no centro do propósito de Deus, aquele encargo no Espírito de Deus pelo povo de Deus — foi que eles eram de um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que o que possuía era seu, mas o mantinha à disposição da igreja, como algo que lhe fora confiado. Esse foi o resultado da oração coletiva.
Meus queridos amigos, suponham que esses queridos irmãos tivessem tido estudos bíblicos maravilhosos. Suponham que os apóstolos tivessem dito: “Vamos fazer um estudo bíblico todos os dias e estudar a comunhão. Vamos estudar as características da comunhão, o objetivo da comunhão, os fundamentos da comunhão, o poder da comunhão, o alcance da comunhão, os resultados e as consequências da comunhão”.
Ao fim daqueles dias, todos estariam tão conscientes da comunhão, mas não necessariamente teriam muita comunhão. O inimigo teria trabalhado, trabalhado e trabalhado para colocar este irmão contra aquele irmão e esta irmã contra aquela irmã. Não demoraria muito para surgirem todo tipo de facções e divisões.
Mas, meus queridos amigos, tivessem eles participado ou não de um estudo bíblico assim, transformaram aquilo que entendiam em oração com autoridade. Ao transformar o que entendiam da Palavra de Deus e do propósito de Deus em oração com autoridade, o lugar inteiro foi abalado, porque Deus disse: “Estou tão satisfeito. Eles entenderam a questão corretamente”.
Eles entenderam que essas verdades tremendas precisam ser trazidas à realidade por meio da oração. Elas não acontecem simplesmente. Em algum lugar, precisam ser trazidas à realidade pela oração. Algumas pessoas precisam pagar o preço nas dores de parto espirituais para que algo nasça.
Essa é a explicação de por que a maioria de nós está em comunidades que brincam de ser igreja, em vez de realmente sentirmos, em nosso espírito, que ali há algo nascido de Deus — algo coletivo que foi gerado pelo Espírito de Deus. Não consigo explicar; só consigo tentar encontrar palavras para isso. Mas sei, pela experiência, o que quero dizer.
Ninguém quer pagar o preço. Todos se gloriam na verdade, mas ninguém quer pagar o preço. Podemos falar até ficar sem fôlego sobre a cruz e a vida crucificada, mas a maneira como a vida crucificada se expressa, em última análise, é em vidas entregues à oração.
Porque a oração é o mais desprovido de romantismo, o menos glamoroso e o mais marcado pela guerra de todos os serviços e ministérios que podemos oferecer a Deus.
Que coisa extraordinária encontramos: Deus chama a igreja para orar. Existe entre muitos crentes a ideia de que somente os muito especiais vão às reuniões de oração. É preciso ser uma espécie de místico de nascença, tão voltado para o céu que não tenha nenhuma utilidade na terra; então podemos deixá-lo isolado na reunião de oração.
O empresário bem-sucedido nunca aparece numa reunião de oração. O profissional bem-sucedido nunca vem orar; está ocupado demais. Além disso, é um homem prático. A boa dona de casa não vem; está ocupada demais. A mãe de crianças não pode vir por causa de deveres urgentes e necessários. Então deixamos isso para o místico — aquele sonhador de olhar perdido.
Dizemos: “Ah, como deve ser maravilhoso ser como fulano, que pode se dedicar à oração”. Mas o que realmente estamos pensando é que fulano não serve para nada. Não seria capaz de lavar um chão, lustrar um móvel, cuidar de um bebê ou administrar uma empresa — mas, graças a Deus, pode ir à reunião de oração.
Por termos essa atitude em relação à oração, ela é a Cinderela de tudo. É a reunião menos importante da vida da igreja, e todo o resto tem prioridade em nossa vida pessoal e em nossa vida coletiva.
É por isso que vemos tão poucos resultados reais das verdades que tanto prezamos.
Acho muito interessante que o nosso Senhor Jesus tenha dito, citando o profeta Isaías:
A Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações.
Ele poderia ter dito: “A Minha casa será chamada casa de adoração para todas as nações”. Poderia ter dito: “A Minha casa será chamada casa de salvação para todas as nações”. Poderia ter dito: “A Minha casa será chamada casa de luz, casa de verdade, para todas as nações”.
Mas Ele disse:
A Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações; mas vós a transformastes em covil de ladrões.
Isso soa muito atual quando vemos o que aconteceu entre os da família da fé, até mesmo no continente norte-americano: um covil de ladrões em vez de uma casa de oração para todas as nações.
Penso na carta aos Efésios, amplamente reconhecida como o ponto culminante da revelação no Novo Testamento. O apóstolo abrange desde antes dos tempos eternos até os séculos vindouros. Ele fala do propósito eterno de Deus, que Ele estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Ele fala da maneira extraordinária pela qual vocês e eu fomos introduzidos nEle, feitos coerdeiros e coparticipantes. Depois passa a tratar de toda a questão da igreja crescendo em Cristo como Cabeça, para que se torne um homem plenamente desenvolvido.
Ele fala de todas as questões práticas relacionadas aos crentes entre si, aos maridos e às esposas, às esposas e aos maridos, aos filhos e aos pais, aos pais e aos filhos, aos empregadores e aos empregados, e aos empregados e aos empregadores.
Poderíamos imaginar que, depois de uma carta tão extraordinária e de tamanha revelação, o apóstolo finalmente dissesse: “Vamos ter muito cuidado para realizar conferências de aprofundamento da vida espiritual”. Mas ele não disse isso.
Não teria sido errado se ele tivesse dito: “Por fim, vamos cuidar do nosso ensino, para que ensinemos o que é vivo e verdadeiro”. Poderia ter dito: “Por fim, vamos sair e evangelizar, fazendo discípulos de todos os que estão ao nosso redor, até os confins da terra”. Poderia ter dito: “Vamos ter muito cuidado para viver de maneira piedosa e santa”. É claro que todas essas coisas são corretas.
Mas o que ele disse foi isto — estou parafraseando agora —, foi como se dissesse: “Meu querido amigo, se você entende o que eu disse, e se é filho de Deus e nascido do Espírito Santo, então foi introduzido num conflito enorme”.
Quer você goste ou não, está numa guerra enorme. Alinhados contra você não estão carne e sangue, mas principados, potestades, dominadores deste mundo de trevas e hostes de espíritos malignos nas regiões celestiais.
Ele nos diz que precisamos permanecer firmes em Cristo, resistir e, depois de termos feito tudo, continuar firmes. Ele nos diz que precisamos tomar a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e orar em todo tempo no Espírito pelos santos e por aqueles que estão na obra de Deus.
O que o apóstolo está tentando nos dizer? Está tentando dizer isto: se vocês e eu queremos ver o propósito eterno de Deus realmente alcançando vidas aqui na terra, se queremos ver algo da vida da igreja, se queremos ver na prática o que significa ser bem ajustados uns aos outros e crescer para ser um templo santo no Senhor, edificados juntos para habitação de Deus no Espírito, então teremos de permanecer firmes em Cristo, juntos.
Teremos de resistir aos principados e potestades, aos dominadores das trevas e às hostes de espíritos malignos. Isso não é uma questão individual, como algumas pessoas pensam. Vocês vão notar que tudo está no plural. Isso é uma questão da igreja.
Devemos permanecer firmes juntos, como igreja de Deus, com a armadura que nos foi dada, em Cristo. Como naquele exemplo de reunião de oração coletiva, precisamos experimentar o Espírito Santo nos dando a Palavra de Deus para nos firmarmos nela e usá-la como a espada do Espírito.
Devemos vigiar para isso com toda perseverança e súplica por todos os santos e por aqueles que estão envolvidos na obra de Deus. Meu querido amigo, você não acha que isso expõe a nossa verdadeira condição?
Será que realmente pensávamos que o apóstolo Paulo estava apenas dizendo: “Vamos realizar uma daquelas pequenas reuniões de oração normais e entediantes que, francamente, parecem mover tão pouco e avançar tão pouco, quando avançam”?
Esse é o desafio para nós.
É muito interessante que, quando o Senhor Jesus falou da Sua vinda — e, pessoalmente, não tenho muita dúvida de que estamos na fase final, não na fase finalíssima, mas na última hora, se vocês preferirem —, Ele tenha dito, não uma vez, mas repetidamente:
Vigiai e orai.
Só temos a nós mesmos para culpar se vemos a inundação do mal invadir nossas comunidades e destruí-las; se vemos todo tipo de facção e divisão entrar em nosso meio e nos sentimos impotentes para fazer alguma coisa; se vemos surgir todo tipo de circunstância e situação que destrói completamente o testemunho do Senhor Jesus entre nós.
Não temos ninguém a quem culpar, a não ser nós mesmos, se não aprendemos a vigiar e orar.
Bem, qual é o alcance da oração? Espero que vocês não considerem ofensivo ou difícil o que tenho a dizer nesta noite, mas isso precisa ser dito. O problema da maioria de nós é que não vamos ao tempo de oração, e todos temos desculpas legítimas — pelo menos desculpas que satisfazem a nós mesmos — para não ir.
Primeiro, gostaria de falar sobre as diferentes formas de oração. Vou dedicar apenas alguns momentos a isso; quero somente tocar no assunto. Encontramos isso em 1 Timóteo 2:1:
Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens.
Ele fala de quatro formas de oração: súplicas, orações, intercessões e ações de graças.
A palavra oração é a palavra que, no uso comum, empregamos para o conjunto de tudo isso. Na verdade, oração, no grego, significa um derramar. Talvez você não esteja pedindo segundo a vontade de Deus, mas está pedindo. E por que não? Nada tendes porque não pedis.
Essa é a forma mais simples de oração. Não entendo por que algumas pessoas precisam sempre ser tão espiritualmente corretas que não abrem a boca para orar até terem certeza de que estão certas. Por que não pedir?
É como quando eu era menino e ia à minha mãe pedir alguma coisa. Às vezes ela dizia não. Às vezes dizia: “Mais tarde”. De vez em quando havia um silêncio terrível. E às vezes ela dizia sim.
É exatamente assim com Deus. O nosso problema é que transformamos os nossos tempos de oração coletiva nesse tipo de tentativa ao acaso. Essa é a forma mais simples de oração. Derramamos o coração. Não é maravilhoso poder derramar o coração? Isso revela um belo relacionamento com o seu Pai, com o Senhor: você pode derramar o coração diante dEle.
Você não vai ficar magoado se Ele disser não. C. T. Studd disse certa vez: “Por que pedir um ovo ao Senhor, se você pode pedir um elefante?” Talvez vocês não entendam esse humor africano, mas o ponto era este: não peçam apenas coisas pequenas. Peçam qualquer coisa. Peçam ao Senhor; Ele lhes dará, se for certo.
Infelizmente, esse é o começo e o fim da maioria das orações feitas em comunhão. Basicamente, são desse tipo: derramar o coração, fazer pedidos, apresentar petições. Não há nada de errado nisso, mas é a forma menos profunda de oração.
Agora observem a palavra súplica. É uma palavra muito interessante. Nós a encontramos repetidas vezes no Novo Testamento. Ela vem de uma palavra grega que descreve alguém fazendo um apelo, um apelo suplicante, a um rei, magistrado ou governante.
Você vem com um apelo. Gosto especialmente da palavra inglesa inquiry, no sentido de buscar orientação. É um apelo suplicante: “Senhor, mostra-nos como orar nesta situação. Trazemos tudo diante de Ti. Expomos tudo diante de Ti. Não sabemos qual é a Tua vontade”.
Quem suplica procura sondar o governante. Está descobrindo o que ele concederá. Qual é o pensamento do governante? É por isso que acho interessante que a primeira dessas quatro formas de oração seja a súplica.
Na oração comum há simplesmente uma petição; em certo sentido, não importa se você conhece ou não a vontade de Deus. Mas, na intercessão, é preciso conhecer a vontade de Deus. Você não pode realmente interceder até conhecer a vontade de Deus.
A intercessão é a forma mais profunda de oração. Ela não exige apenas alguns minutos do seu tempo, algumas horas por semana, alguns dias por mês ou alguns dias por ano. A intercessão exige você — todo o seu espírito, alma e corpo; todo o seu tempo e tudo o que possui. Você não pode ser um intercessor se a sua vida não for uma vida entregue.
A intercessão começa com o conhecimento da vontade de Deus numa determinada situação. Quando o Senhor revelou a Abraão que iria destruir Sodoma e Gomorra, Abraão imediatamente começou a interceder: “Senhor, se houver ali cinquenta justos, não perdoarás?”
Depois ele reduziu o número para quarenta e cinco, quarenta, trinta, vinte e dez. É uma história extraordinária. Mas vocês conseguem perceber como a intercessão de Abraão começou com o conhecimento da vontade de Deus?
Vocês se lembram de como a grande oração de Neemias começou com o entendimento de que Deus queria reconstruir os muros de Jerusalém? Ele clamou ao Senhor, confessando o pecado do povo.
Vocês se lembram de Moisés? Quando o Senhor disse: “Afasta-te, Moisés. Vou destruir todo este povo. Eles pecaram, e farei de ti uma nação”, o Senhor o estava provando. Moisés não disse: “Ótimo. Já estou farto desse povo mesmo. Eles murmuram dia e noite. Começa tudo de novo comigo, Senhor”.
Não. Moisés disse: “Tu não podes fazer isso, Senhor. O que dirão os egípcios? O que dirão as nações — que tiraste este povo do Egito com o Teu braço grande e poderoso, com a Tua mão estendida, e agora o destróis no deserto?” O conhecimento daquilo que Deus pretendia fazer foi o começo da sua intercessão.
Como o Senhor deve ter Se alegrado ao ver o Seu próprio caráter em Moisés.
Lembrem-se da grande intercessão de Daniel em Daniel 9 e Daniel 10. Ela começou quando, em seu tempo a sós com Deus, lendo o livro de Jeremias, o Espírito Santo lhe revelou que os setenta anos de cativeiro determinados sobre Jerusalém estavam prestes a se completar. Então ele começou seu grande ministério de intercessão.
Eu poderia continuar e continuar. A intercessão é a forma mais profunda de oração, e é por isso que a súplica — aquele apelo suplicante — aparece primeiro. Vocês e eu nunca poderemos conhecer esse tipo de guerra em oração ou de dores de parto do Espírito, a menos que saibamos qual é a vontade de Deus.
Há certas coisas que sabemos. Já sabemos que a vontade de Deus é que a Sua casa seja edificada onde estamos. O Seu propósito foi revelado: que sejamos uma parte atuante do corpo do Senhor Jesus; que cada vida pela qual vocês e eu somos responsáveis cresça no Senhor e alcance maturidade no Senhor.
Sabemos que a vontade de Deus é que vocês e eu sejamos conformados à imagem do Seu Filho. Entendemos, por meio do nosso irmão Stephen, que Deus está buscando restaurar algo. Esse é um propósito revelado de Deus.
Portanto, quando o Senhor coloca esse encargo em nosso coração, estamos em terreno seguro. Sabemos qual é a Sua vontade. Talvez Ele precise aplicá-la à nossa situação, às nossas circunstâncias e às complexidades locais, mas pelo menos sabemos que temos a vontade de Deus como chão debaixo dos nossos pés.
O Espírito Santo pode tomar a Palavra de Deus e aplicá-la à nossa situação, de modo que, em nossas mãos, juntos, ela se torne a espada do Espírito.
Quatro formas de oração: súplicas, orações, intercessões e ações de graças. Dar graças não é apenas agradecer ao Senhor pelo que Ele fez. Muitas vezes é agradecer por aquilo que o Senhor é.
Vocês já descobriram isso? Que maneira maravilhosa de se aproximar do Senhor quando talvez tenham tido um dia terrível. Se somos realmente membros integrantes do corpo, em funcionamento, o inimigo procura garantir que, sempre que tivermos um tempo de oração, aquele seja o nosso pior dia.
Seja na Nova Zelândia, na Europa, em Israel ou na Escandinávia, sempre pergunto às pessoas, quando trato do assunto da oração: “Qual é o pior dia da sua semana?” Em alguns lugares é terça-feira, em outros quarta, em outros quinta, em outros sexta. Então digo: “Imagino que essa seja a noite da reunião de oração de vocês”. Elas sempre dizem que sim.
Não é extraordinário? Onde quer que se vá, no mundo inteiro, o inimigo procura garantir que, quando chega o tempo de oração, todos estejam desorientados. Então ele diz: “Você não pode ser agradecido. Teve um dia terrível. Não seja hipócrita”.
Então você fica ali sentado, debaixo de um peso, pensando que está sendo autêntico. Não faz ideia de que o inimigo fez isso com dois terços dos presentes. Todos estão ali sentados, sendo tão autênticos: “Ah, não posso louvar ao Senhor; tive um dia terrível”.
Como o inimigo é astuto. Achamos que o inimigo não tem inteligência. Ele é extremamente inteligente. Depois de Deus, é quem tem a maior inteligência. Tem observado os seres humanos há cerca de seis mil anos e aprendeu muita coisa.
Então ele procura garantir que você passe por dificuldades sempre que se aproxima o tempo de oração. Você não consegue agradecer ao Senhor. E, no entanto, o louvor é a chave para muita coisa na guerra em oração.
Se tentamos enfrentar as coisas antes de louvar ao Senhor, antes de expressar adoração e gratidão, uma espécie de peso vem sobre nós. Ficamos incapazes; não conseguimos ser mobilizados.
Mas, quando louvamos ao Senhor, como Josafá quando colocou o coro à frente do exército, as coisas mudam. Sei que muitas vezes desejei poder colocar o coro à frente do exército — mas, dessa vez, era um coro de verdade.
Ele os colocou à frente e disse: “Louvem ao Senhor”. Deu-lhes algo extraordinário para louvar ao Senhor. Eu teria imaginado que ele dissesse: “Agora, um bom cântico de guerra: ‘O Senhor é homem de guerra’. Cantem!”
Mas, em vez disso, disse: “Metade de vocês diga: ‘Porque a Sua misericórdia dura para sempre’, e a outra metade responda cantando: ‘Porque a Sua misericórdia dura para sempre’”. Parece um piquenique de escola dominical. Lá estavam eles, saindo com todos aqueles grandes exércitos ao redor, cantando como se não houvesse batalha.
Eles nem sequer deram atenção ao inimigo. Louvaram ao Senhor como se estivessem em casa, numa pequena reunião muito alegre. E, enquanto louvavam ao Senhor, todos aqueles inimigos foram derrotados.
Meus queridos amigos, se vocês e eu somos tão egocêntricos — espiritualmente egocêntricos — que não conseguimos louvar ao Senhor quando estamos passando por dificuldades, será que amadurecemos? Há muito tempo aprendi que, independentemente do que eu sentisse, podia ser honesto com o Senhor.
Às vezes digo: “Senhor, estou me sentindo péssimo. Estou me sentindo péssimo. Mas Tu continuas o mesmo. A Tua verdade permanece para sempre. O Teu trono não desabou. Por que, só porque acordei de mau humor, eu deveria pensar que o Senhor Jesus abdicou e que o céu inteiro está paralisado porque estou um pouco deprimido?”
É tão ridículo. É claro que não. O trono de Deus permanece. O nome do Senhor continua tão poderoso como sempre. A verdade de Deus permanece. O reino de Deus é eterno, esteja eu abatido ou não.
Quando começo a louvar ao Senhor enquanto estou abatido, Satanás fica muito perturbado. Ele diz: “Bem, eu o derrubei, e agora ele está louvando ao Senhor como se os seus próprios sentimentos não o afetassem. Não vou mais fazer isso”.
Assim o Senhor recebe mais, e isso é verdade. Quando você aprende a ser agradecido e encontra motivos para louvar ao Senhor que nada têm a ver com você, com os seus sentimentos ou com as suas circunstâncias, o inimigo passa a não mexer com as suas circunstâncias da mesma maneira. Isso traz mais glória ao Senhor e mais satisfação ao Senhor.
Aqui estão quatro formas de oração: súplicas, orações, intercessões e ações de graças. Todas são necessárias. A mais profunda é a intercessão, mas a súplica é essencial para aprendermos a interceder, e as ações de graças são o fundamento de todas.
Agora quero dizer algo sobre os assuntos da oração. Talvez vocês digam: “Bem, ele está nos tratando como crianças. Vai nos falar sobre assuntos para oração? Todos nós sabemos quais são”. Não — esperem um pouco. Não tenho tanta certeza.
Onde quer que eu vá, encontro pessoas muito piedosas e espirituais que nunca oram pelo presidente. Nunca oram pelo governo. São espirituais demais. São mais espirituais do que a Palavra de Deus.
O apóstolo diz claramente a Timóteo, em 1 Timóteo 2:1-4:
Exorto, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens;
Pelos reis e por todos os que estão em posição de autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda piedade e dignidade.
Isso é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador;
O Qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.
Não estou dizendo que a nossa reunião de oração deva ser política, que devamos apoiar um partido político contra outro. Mas a Palavra de Deus nos ordena, incentiva e exorta a orar pelo rei, pelo presidente ou por quem quer que ocupe essa posição.
Lembrem-se de que, quando Paulo disse isso a Timóteo e lhe pediu que transmitisse isso às igrejas, eles estavam sob reis ímpios. Estavam sob reis perversos. Mesmo assim, ele disse: “Orem pelos reis e orem pelos que estão em autoridade”.
Por quê? Não apenas por razões políticas. Para que haja lei e ordem, para que a igreja de Deus possa crescer, para que o evangelho avance, para que homens e mulheres cheguem ao conhecimento da verdade.
Oramos tendo em vista o reino de Deus. É por isso que oramos pelo presidente. É por isso que oramos pelo governo. É por isso que, às vezes, precisamos orar por situações internacionais, quando o Espírito de Deus coloca esse encargo sobre nós. Precisamos orar para que haja lei e ordem.
Queridos irmãos e irmãs, a igreja de Deus, a verdadeira igreja de Deus, o corpo do Senhor Jesus, deve ser uma força que sustenta a lei e a ordem pela oração no lugar secreto, com os olhos voltados para os interesses do reino de Deus.
O nosso Senhor nos ensinou na oração-modelo:
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome.
Venha o Teu reino.
Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.
Alguns me dizem que isso se refere apenas ao período depois da vinda do Senhor Jesus: “Que um dia venha o Teu reino; não sabemos quando, mas talvez um dia ele venha. Que um dia, num futuro distante, a Tua vontade seja feita na terra como é feita no céu”.
Não, meus queridos amigos. O nosso erro é este: como corpo do Senhor Jesus, unidos ao nosso Cabeça no céu e feitos um, de maneira prática e concreta, pelo Espírito Santo, devemos nos posicionar na terra e permitir que o reino de Deus influencie as coisas exatamente onde estamos.
Que a autoridade de Deus, que o trono de Deus, exerça influência sobre as condições locais, nacionais, pessoais e comunitárias. Que a Sua vontade seja feita. Somos guardiões da vontade de Deus.
Estamos aqui para que essa vontade de Deus seja feita — assim na terra como no céu — onde somos uma casa de oração para todas as nações.
A segunda área em que encontramos assuntos para oração é a igreja de Deus. Aqui, é claro, estamos num terreno em que todos concordam mais facilmente. Meu tempo está quase acabando, mas eu poderia apresentar uma lista inteira de passagens das Escrituras.
Penso no apóstolo Paulo. Este é um dos estudos mais extraordinários que eu poderia sugerir para um estudo bíblico em algumas das comunidades de vocês: examinem todas as referências às orações do apóstolo pelas igrejas.
É um dos estudos mais impressionantes e proveitosos. Ele começa quase todas as cartas — não todas, mas quase todas — revelando o seu encargo de oração: “Estou orando por vocês”. Depois lhes diz pelo que está orando.
Acho isso interessante porque os encargos de oração do apóstolo, embora às vezes certamente fossem bastante pessoais e voltados a diferentes pessoas com necessidades específicas, dizem respeito à edificação da igreja, aos membros do corpo alcançando maturidade e à multiplicação na obra de Deus.
Lembro-me de uma passagem em que o apóstolo fala de um daqueles servos e diz:
Ele luta intensamente por vós em suas orações.
Vocês já observaram Gálatas 4:19?
Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
Isso já chamou profundamente a atenção de vocês? Observem a expressão dores de parto. No grego, ela significa a agonia de dar à luz — as dores do trabalho de parto. É a ilustração mais forte e vívida que o apóstolo poderia usar, como se estivesse dizendo: “Todo o meu ser está consumido pelas dores de parto”.
Agora observem a pequena expressão de novo. Acho que ela revela um universo:
Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.
Parece que ele já havia sentido dores de parto por eles, para que nascessem de Deus. Em outro lugar, ele diz:
Ainda que tivésseis dez mil tutores, não teríeis muitos pais; porque, em Cristo Jesus, eu vos gerei pelo evangelho.
Queridos filhos de Deus, como precisamos desse ministério na igreja de Deus. Vocês encontram pessoas em dores de parto para que Cristo seja formado em outras? Parece que isso desapareceu da oração.
Em todas as reuniões de oração a que vou, as pessoas estão orando por alguma coisa na reunião das mulheres, na escola dominical, no tempo das crianças, pela doença de alguém e pela necessidade de outra pessoa — coisas que são todas boas. Mas nunca ouço alguém que esteja em dores de parto.
Não necessariamente isso apareceria num tempo de oração coletiva, porque parece ser algo mais pessoal. Mas quem dera houvesse na igreja pessoas em quem o Espírito Santo pudesse conceber encargos — encargos genuínos. Não me refiro a pessoas excêntricas, desequilibradas ou estranhas, mas àquelas em quem o Espírito Santo pudesse conceber o tipo de encargo que consome uma pessoa.
Há um pequeno prefixo nessa palavra formado, no grego. Ele significa “plenamente formado” — para que Cristo seja plenamente formado. Ele havia sentido dores de parto para que eles nascessem de Deus, e agora sente novamente dores de parto para que Cristo seja plenamente formado neles.
Esse é o ministério que falta na casa de Deus. É por isso que temos tão poucas pessoas crescendo em Cristo. É por isso que há tão pouca maturidade, mesmo onde encontramos tanto conhecimento — tanto conhecimento bíblico, tanto conhecimento correto.
As pessoas podem nos apresentar um ensaio sobre o propósito eterno de Deus. Podem nos explicar o corpo de Cristo. Podem nos falar sobre a base da igreja. Mas, quando se trata da igreja em ação e de pessoas crescendo em Cristo, não encontramos isso, porque não há dores de parto.
O apóstolo fala disso em todas as suas cartas, como se uma das maiores partes do seu ministério nos bastidores fosse ter um coração e um espírito nos quais o Espírito Santo pudesse experimentar essas dores de parto, nos quais o Espírito Santo pudesse conceber algo.
Quando algo é concebido, não há outra saída senão nascer. Mas você não pode conceber se for imaturo. Se me permitem falar assim do Senhor — que Ele me perdoe —, este é o dilema de Deus: onde estão as pessoas suficientemente maduras, com o mínimo de maturidade necessário, para poderem conceber esses encargos?
Outro assunto para oração é a obra do Senhor. Vejo que o apóstolo Paulo, em todas as suas cartas, e até mesmo o autor de Hebreus, quem quer que tenha sido, pede às pessoas: “Orem por nós”.
Paulo está sempre fazendo isso, e é bastante específico. Ele diz: “Orem para que eu tenha uma porta aberta para a palavra”. Ele diz: “Orem por mim, mesmo que eu esteja nestas cadeias. Sou um embaixador em cadeias. Não estou preso; sou livre no Senhor. Orem por mim, para que a Palavra de Deus corra e seja glorificada”.
Esses são os assuntos para oração.
Agora precisamos terminar. Mas vocês já começam a entender algo sobre a oração. O que significa orar no Espírito? Por que nos é dito, em Colossenses 4:2-4 e Efésios 6:18-19, “vigiando nela” e “vigiando para isso”?
Existe em alguns círculos a ideia de que orar no Espírito significa orar em línguas. Não tenho absolutamente nada contra as línguas. Creio firmemente nelas e acho maravilhoso adorar a Deus em uma língua. É a linguagem do espírito. Mas isso é orar com o espírito.
Orar no Espírito pode incluir isso, mas é algo muito maior. Orar no Espírito significa orar sob a soberania do Espírito Santo, orar sob o governo do Espírito Santo — orar na esfera do Espírito Santo.
O Espírito Santo inspira a sua oração. O Espírito Santo concebe o encargo. O Espírito Santo lhe dá a espada do Espírito para usar. O Espírito Santo lhe dá força para perseverar. O Espírito Santo o dirige em cada fase dessas dores de parto em oração, até que o próprio Espírito Santo finalmente as leve a produzir fruto.
Orando em todo tempo no Espírito. Por que vigiar nela e vigiar para isso? Porque precisamos vigiar. Para aqueles que conseguem me entender, precisamos estar atentos à unção.
Num tempo de oração, a unção vai se mover ao longo desse tempo. A vida e a saúde daquele momento dependerão de quantas pessoas estão atentas à unção e a acompanham.
Então somos integrados e harmonizados uns com os outros. Não precisamos fazer orações longas. Pode haver orações muito breves, mas nos movemos juntos sob a unção e com a unção.
Quando a unção deixa um assunto, seguimos para onde ela vai. Todos nós reconhecemos isso, mesmo que nos sintamos como crianças nesse assunto.
Numa reunião de oração, alguém pode orar, e a oração parecer comum e rotineira — não há muito nela. Então outra pessoa ora, e é quase como se o céu se abrisse e tudo ganhasse vida. Ela não grita; não se exalta emocionalmente. Mas ora, e toda a temperatura espiritual começa a subir.
Se alguém dá continuidade a isso, há mais vida e mais poder. Se uma pessoa dá continuidade, e outra também, de repente descobrimos que estamos seguindo algo juntos.
Todos nós reconhecemos isso. Então, de repente, alguém entra com um assunto completamente diferente, e é possível sentir tudo declinando. Mas, pela graça de Deus, outra pessoa entra, e voltamos a estar sob a unção. O Espírito Santo é tão gracioso nesse aspecto. Ele não nos põe todos para fora porque alguém introduziu algo errado.
O que precisamos é vigiar nela, vigiar para isso. Uma reunião de oração poderosa começa com a direção do Espírito Santo e termina com o Espírito Santo, mesmo que uma ou duas distrações, como costumamos dizer, tenham atravessado o caminho.
Espero que isso ajude vocês.
Jesus colocou isso de maneira muito simples:
Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por Meu Pai, que está nos céus.
Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, aí estou Eu no meio deles.
É interessante como poucas pessoas prestam atenção à declaração inteira. Já estive em reuniões em que alguém diz: “Alguém concorda comigo?” Uma pessoa responde: “Sim”. “Mais alguém?” Outra responde: “Sim”. “Agora somos três. Agora podemos fazer alguma coisa, porque o Senhor diz que, se concordarmos em concordar, Ele terá de fazer isso.”
A ideia é que o Senhor não quer realmente fazer aquilo, mas, se, por um milagre dos milagres, dois cristãos concordarem em concordar, podemos encurralar o Senhor e dizer: “Tu tens de fazer isso”. Vocês riem, mas não é esse o conceito?
A ideia é que o Senhor não quer salvar as pessoas, mas, se dois crentes concordarem em concordar, Ele diz: “Ah, meu Deus, vou ter de salvar as pessoas”. Ele não quer edificar a igreja, mas, se dois concordarem em concordar, Ele diz: “Bem, não quero fazer isso, mas agora vou ter de fazer”.
Esse é um conceito de oração em que a guerra em oração não é contra os poderes das trevas, mas contra Deus. Há um conceito de oração que diz que estamos guerreando contra Deus.
Isso vem, em parte, daquela história extraordinária que o Senhor contou sobre a pequena viúva judia e o juiz injusto. Ela insistiu, insistiu e ficou importunando o juiz, até que ele disse: “O que você quer, mulher?” Então ela lhe contou, e ele disse: “Você terá o que quer”.
O que o Senhor estava dizendo era isto: precisamos de uma fé que persevera e de uma fé que vence, exemplificadas naquela pequena mulher. Deus não é um juiz injusto. Ele não é insensível. Mas precisamos desse tipo de fé vitoriosa, constante e perseverante, que crê que o encargo é correto.
Quando começamos a perceber que orar não é arrancar de Deus aquilo que Ele não quer fazer, nem conseguir a atenção de Deus quando Ele não quer ouvir, mas trabalhar com Deus para o cumprimento dos Seus propósitos na terra, então o tempo de oração é transformado.
Ele se torna o tempo mais empolgante, mais vivo, mais instrutivo e mais poderoso da vida da igreja.
Lembro-me de que, anos atrás, na Grã-Bretanha, quando eu morava lá, tínhamos dúvidas sobre os jovens que tinham acabado de ser salvos. Algumas pessoas diziam: “Não os tragam para a reunião de oração. Eles vão orar por todo tipo de coisa, e será uma confusão terrível. Não conseguiremos nos dedicar às questões realmente importantes com eles ali”.
Esses jovens crentes tinham ouvido falar da reunião de oração e estavam fascinados com as histórias. Assim que eram salvos, queriam entrar na reunião de oração antes de entrar no estudo bíblico. Vocês conseguem acreditar?
Nós, os irmãos, ficamos pensando no que fazer. Deveríamos impedir que viessem? Não seria melhor sugerir que fossem ao estudo bíblico? Mas eles também estavam indo ao estudo bíblico. Então decidimos deixar as coisas como estavam.
Descobrimos algo maravilhoso: aqueles jovens crentes cresciam mais rapidamente na reunião de oração do que jamais haviam crescido no estudo bíblico, porque viam na reunião de oração a aplicação prática do estudo bíblico. Viam coisas acontecendo na reunião de oração.
Lembro-me de um rapaz que era viciado em televisão — daqueles que vivem plantados no sofá, como vocês dizem por aqui. Depois de um tempo de oração sobre uma grande questão nacional, ele apertou a minha mão e disse: “Preciso correr agora. Tenho de voltar para a televisão para ver se a nossa oração foi respondida”.
Ele realmente acreditava. Na verdade, naquela ocasião, isso aconteceu. Foi a famosa ocasião em que De Gaulle bloqueou a entrada da Grã-Bretanha no Mercado Comum.
Nunca vou me esquecer daquele jovem crente, convertido havia apenas um mês, mais ou menos. Ele estava tão empolgado. Não conseguia acreditar. Tinha participado de uma reunião de oração e orado contra aquilo tudo. Todos os políticos achavam que a Grã-Bretanha iria entrar.
Mas, naquela reunião de oração, Deus havia revelado algo. Aquele jovem viu um grupo de pessoas muito comuns e simples se firmando na vontade de Deus para o seu país. Correu para a televisão, ligou o aparelho, e lá estava a notícia. Virou-se para o pai e a mãe, que não eram salvos, e disse: “Acabamos de orar por isso”.
Não estou dizendo que isso sempre acontece dessa maneira. Mas, ah, como é empolgante, como é vivo, como é poderoso um tempo de verdadeira oração sob a direção do Espírito de Deus, quando temos consciência de que estamos entrando na sala do trono de Deus.
Quando temos consciência de que estamos numa audiência com o Rei dos reis e Senhor dos senhores, quando sabemos que estamos na presença do Altíssimo, que governa os assuntos dos homens, que transformação acontece no tempo de oração.
Isso é tudo o que podemos dizer. Só posso dar a vocês uma visão panorâmica disso.
Eles perseveravam nas orações.
Que Deus nos ajude, antes de tudo, a participar das orações. Depois, que Ele nos ensine a orar. Depois, que Ele nos ensine como orar. Depois, que Ele nos capacite a perseverar na oração.
Vamos orar.
Querido Pai celestial, nós nos entregamos agora a Ti. Falamos de um assunto tão vital, Senhor, e tão próximo do Teu coração.
Perdoa-nos, Senhor, porque tantas vezes desvalorizamos a oração. De alguma forma, Senhor, transformamos aquilo que deveria ser a experiência mais maravilhosa da Tua liderança, da Tua direção e do Teu poder capacitador em algo tão artificial, tão monótono e tão entediante que todos ficamos desejando que termine.
Perdoa-nos, Senhor. Revela-nos algo desse encargo que está no Teu coração. Pelo Teu Espírito Santo, concebe dentro de todos nós, até mesmo dos mais jovens aqui, uma fome e uma sede de Te conhecer em oração.
Senhor, se for possível, faz uma obra tão profunda que alguns, Senhor, a partir desta noite, se tornem candidatos à intercessão — não pessoas estranhas, não desequilibradas, mas crentes reais e vivos, prontos para serem ensinados e treinados por Deus para interceder.
Ó Senhor, faz essa obra, nós Te pedimos. Tu nos disseste, à luz da Tua vinda, que devemos vigiar e orar. Ajuda-nos a obedecer. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.