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    The Apostle's Teaching: Steadfast In Fellowship © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Apostle's Teaching: Steadfast In Fellowship
    The Apostle's Teaching: Steadfast In Fellowship
    Lambert, Lance

    A comunhão como característica essencial da igreja

    Abram comigo no livro de Atos, no segundo capítulo — Atos 2.

    Os que, então, receberam a Sua palavra foram batizados; e, naquele dia, foram acrescentadas cerca de três mil almas.
    E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
    E sobreveio temor a toda alma; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.
    E todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum;
    e vendiam suas propriedades e bens e os repartiam entre todos, conforme a necessidade de cada um.
    E, diariamente, perseverando unânimes no templo e partindo o pão em casa, tomavam o alimento com alegria e singeleza de coração,
    louvando a Deus e contando com o favor de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos.

    E em Atos 4:32-35:

    E a multidão dos que criam era de um só coração e alma; e nenhum deles dizia que coisa alguma do que possuía era sua, mas tinham tudo em comum.
    E, com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus; e grande graça estava sobre todos eles.
    Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o valor das coisas vendidas
    e o depositavam aos pés dos apóstolos; e se distribuía a cada um conforme a sua necessidade.

    E agora, na primeira carta do apóstolo Paulo à igreja em Corinto — 1 Coríntios 1:1-9:

    Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e Sóstenes, nosso irmão,
    à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
    Graça a vós e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
    Sempre dou graças ao meu Deus a vosso respeito, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus;
    porque, em tudo, fostes enriquecidos Nele, em toda palavra e em todo conhecimento;
    assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vós:
    de modo que não vos falta dom algum, enquanto aguardais a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo;
    o Qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    A unção compartilhada por todos os crentes

    O maravilhoso que precisamos compreender, antes de nos voltarmos à Palavra nesta noite, é que temos uma unção. Nosso irmão fez referência a ela em sua oração, e eu sempre reconheço essa unção antes de falar.

    Vocês conhecem a imagem de Salmos 133:2: o óleo sobre a cabeça, que desce pela barba e chega até a orla das vestes. Sempre penso nisso como uma imagem maravilhosa da unção que nos pertence.

    Essa unção pertence a todo filho de Deus que está em Cristo. Se você está em Cristo, essa unção é sua. É uma unção para quem fala e uma unção para quem ouve.

    Tudo o que precisamos fazer é assumir nossa posição. Não precisamos lutar para chegar lá; já estamos lá. Se você é salvo pela graça de Deus, está em Cristo, e essa unção é sua.

    Então, por um momento, vamos inclinar a cabeça e simplesmente nos colocar, pela fé, sob essa unção.

    Querido Senhor, queremos nos colocar, pela fé, sob essa unção que Tu nos deste em nosso Senhor Jesus. Ela vem de nossa Cabeça a cada membro do corpo e cobre a todos nós. Para falar e para ouvir, Senhor, nós Te agradecemos.

    Tu nos deste tanto graça como poder. Juntos, nós nos apropriamos disso pela fé, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, para este momento nesta noite. Amém.

    As quatro características essenciais da igreja

    Agora, vocês se lembrarão de que ontem à noite eu disse que sentia que o Senhor queria que eu desse minha pequena contribuição, nestes dias em que estamos juntos, concentrando-me nesta palavra de Atos 2:42:

    E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

    Eles perseveravam em quatro características essenciais da igreja de Deus. Não podemos ficar com três delas e omitir uma. Não podemos ficar com duas e omitir as outras duas. Precisamos das quatro características. Elas são fundamentais e essenciais.

    Qualquer obra do Senhor que deixe de lado uma dessas características essenciais acabará enfrentando problemas.

    Então, ontem à noite, falamos sobre a doutrina dos apóstolos. Não vou retomar isso hoje; caso contrário, não haverá tempo para falar sobre o assunto desta noite.

    A doutrina dos apóstolos é a Palavra de Deus — toda a Palavra de Deus. Você e eu precisamos perseverar na leitura da Palavra de Deus, na meditação da Palavra de Deus, na assimilação da Palavra de Deus: permitindo que a Palavra de Deus entre em nós, crie raízes em nós, cresça dentro de nós e produza fruto.

    Precisamos da Palavra de Deus. O Senhor Jesus disse a Satanás, em Mateus 4:4:

    Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

    Ai de nós se desvalorizarmos a Palavra de Deus, se a tornarmos menor do que ela é. Ai de nós se apenas enfatizarmos nossas passagens favoritas, se procurarmos manipular a Palavra de Deus, de modo que, em vez de ela ser a autoridade suprema em todas as questões relacionadas à vida e à conduta da igreja, façamos dela, por assim dizer, um veículo para nossos conceitos, nossas opiniões, nossos sistemas doutrinários ou qualquer outra coisa. Sempre teremos problemas se fizermos isso.

    Eles perseveravam na Palavra de Deus. Aparentemente, nunca chegou um momento em que essas pessoas achassem que já haviam alcançado tudo e sabiam tudo o que havia para saber. Elas perseveravam, descobrindo cada vez mais a plenitude de Deus em Cristo por meio da Palavra de Deus.

    A comunhão como participação comum em Cristo

    Agora, nesta noite, quero tratar da segunda dessas características essenciais e fundamentais: eles perseveravam na comunhão.

    Não há assunto em que precisemos perseverar mais do que na comunhão. A comunhão é justamente a área em que nos desentendemos uns com os outros. Até os maiores amigos acabam se desentendendo com o passar do tempo.

    Esse é um assunto em que realmente precisamos perseverar. Eu prevejo que, se não tomarmos consciência dos artifícios do inimigo e das estratégias dos poderes das trevas, daqui a vinte anos não haverá sequer dois dos crentes que estão aqui nesta noite que ainda permaneçam juntos.

    Teremos suspeitas uns dos outros, reservas uns em relação aos outros. Acharemos que o irmão fulano enfatiza demais isto, ou que o irmão fulano está errado naquilo; ou sentiremos que, por esse motivo, não podemos nos comprometer com o irmão fulano nem ter comunhão com a irmã fulana.

    Trata-se do ataque constante e contínuo do inimigo contra esta característica vital da obra de Deus: a comunhão.

    Agora, não creio que haja palavra mais desvalorizada do que a palavra comunhão. O que queremos dizer com comunhão?

    Naturalmente, encontramos essa palavra no grego. Ela aparece aqui em Atos 2:44:

    Tinham tudo em comum.

    A palavra comum é a raiz da palavra traduzida por comunhão. Encontramos a mesma coisa novamente em Atos 4:32:

    Tinham tudo em comum.

    Essa palavra, comum, é de onde vem a palavra comunhão: ter algo em comum.

    Compreensões equivocadas da comunhão

    Essa palavra, como eu disse, foi desvalorizada. Falamos da comunhão como se fosse informalidade. Se nos sentamos em fileiras assim, não estamos realmente tendo comunhão; mas, se nos sentamos em círculo, estamos tendo comunhão. Aparentemente, a maneira como organizamos as cadeiras determina se há comunhão ou não.

    Isso, é claro, não faz sentido. Não é uma questão de como organizamos as cadeiras.

    Em certos círculos da cristandade, algumas pessoas pensam que, se nos reunimos num prédio de igreja, isso não é comunhão; mas, se nos reunimos numa sala de estar ou numa cozinha com alguns crentes, isso é comunhão. É a mesma ideia: a comunhão é basicamente informalidade.

    Outras pessoas têm a ideia de que comunhão é uma espécie de bate-papo. Desde que você não esteja pregando um sermão para alguém, mas apenas conversando espontaneamente, isso é comunhão, entendem?

    Na verdade, algumas pessoas entendem comunhão como fofoca. Basicamente, basta uma boa conversinha sobre a vida alheia, e então fulano e eu tivemos um maravilhoso tempo de comunhão. É claro que não pensaríamos nesses termos, mas acabamos com a reputação de outro crente, investigamos sua situação, examinamos sua família, julgamos a maneira como cria os filhos, e tudo isso é comunhão. Tivemos comunhão.

    Agora, no outro extremo estão aqueles que acreditam que comunhão é dar uma palavra pesada a alguém. A ideia é que, se você consegue apresentar a alguém uma paráfrase do livro de Obadias, isso é comunhão. Se consegue condensar o Sermão do Monte numa preleção de meia hora, isso é comunhão.

    Lembro-me de um irmão que me abordou numa conferência, muitos anos atrás, em Honor Oak, e disse: “Quero ter um pouco de comunhão com você, irmão”. Ele me levou para um canto e, com a Bíblia assim, falou sem parar por meia hora, até que uma querida santa, por quem sempre agradecerei a Deus, me livrou daquele irmão.

    Senti que aquela querida irmã havia entrado na categoria dos que dão a outro santo um copo de água fria em nome do Senhor. Ela me livrou.

    Agora, isso é o oposto do bate-papo e da fofoca. É a ideia de que a comunhão precisa ser bíblica. Se você só fala da Bíblia, se só fala a linguagem de Canaã, se, de algum modo, aprendeu a terminologia correta, isso é comunhão. Qualquer outra coisa não é comunhão.

    Então surge essa atmosfera terrivelmente artificial entre alguns do povo de Deus, em que todos sentem que precisam ter comunhão com alguém. Torna-se uma atmosfera forçada, em que falamos uns com os outros numa espécie de linguagem de versículos, se vocês entendem o que quero dizer.

    Agora, quando isso vem de Deus, não há nada mais maravilhoso. A Palavra de Deus nos diz que devemos cantar melodias em nosso coração, que devemos cantar e ter comunhão uns com os outros dessa maneira. Quando é realmente de Deus, é algo maravilhoso — quando é a expressão de uma unidade genuína, genuína no Senhor Jesus.

    Mas, quando é forçado, não há nada mais terrível. É religião, pura e simples. O peso que isso traz faz a pessoa querer fugir o mais depressa possível daqueles que promovem esse tipo de comunhão.

    Também existe a ideia de que comunhão é camaradagem — apenas uma espécie de cordialidade, um sentimento de que somos companheiros. Isso se aproxima um pouco mais, mas não vai longe o suficiente.

    Todas essas são maneiras pelas quais a palavra comunhão é usada e, na maioria dos casos, seu significado é desvalorizado.

    O fundamento da comunhão

    O que significa comunhão? Significa que você e eu temos algo em comum, e aquilo que temos em comum é o fundamento de nossa comunhão. É o fundamento de nosso relacionamento, de nosso avanço juntos e de nosso serviço.

    Agora, o que temos em comum? É uma boa pergunta.

    Não podemos dizer que seja o sexo, porque alguns são mulheres e outros são homens. Embora não vejamos nisso nenhuma desigualdade, o fato é que existe uma diferença. Portanto, não é isso que temos em comum.

    O que mais não temos em comum? A raça. Vocês podem ser caucasianos; eu posso ser semita. Portanto, somos diferentes nesse aspecto. A cor de nossa pele também pode ser algo que não temos em comum. Alguns de nós são brancos, alguns têm a pele amarelo-pêssego, alguns são da cor do café e outros são negros. Portanto, não temos isso em comum.

    E a nacionalidade? Não, podemos descartar essa possibilidade. Temos muitas nacionalidades diferentes.

    Todos nós poderíamos estar sentados juntos numa reunião, com nossas diferentes cores de pele, origens raciais, formações culturais, sexos diferentes e tudo o mais. Mas o que é que você e eu temos em comum?

    Bem, não temos o temperamento em comum, porque alguns de nós são muito fleumáticos e outros são muito expansivos. Somos bastante diferentes em temperamento, e esse provavelmente é o problema básico na comunhão.

    Temperamento e espiritualidade

    Os que são fleumáticos acreditam que isso é a coisa mais espiritual do mundo. Parecer morto é ser espiritual — pelo menos é assim que os latinos e os judeus veriam isso.

    Lá estão eles, sentados como se estivessem num cemitério. Mal se mexem. Nunca levantam as mãos; nunca as abaixam; ficam com as mãos juntas. São muito quietos, inclinam a cabeça e quase não dizem “amém”. Quando cantam, nunca é muito alto, porque é indecente cantar com toda a força dos pulmões.

    Então vocês têm outras pessoas que são expansivas — bem diferentes. Elas gritam: “Amém!”, e todos os fleumáticos acham que deveriam ficar caladas.

    “Por que ele precisa gritar ‘amém’? Ele é extrovertido. É exibicionista. Não pode ficar quieto? O Senhor pode ouvi-lo quando diz isso no coração; então, por que nós precisamos ouvi-lo?”

    Os expansivos sempre pensam: “Ah, se ao menos o Espírito de Deus viesse sobre os fleumáticos e, de alguma maneira, os fizesse se mexer!”. Os fleumáticos sempre pensam: “Ah, se ao menos o Espírito do Senhor disciplinasse os expansivos!”. Somos muito diferentes.

    Em muitos grupos denominacionais, somos atraídos de acordo com nosso temperamento. Os mais quietos são atraídos por certas denominações porque essa é a ênfase espiritual. Os muito expansivos são atraídos por outros tipos de denominação porque ali tudo é muito mais expansivo. A ênfase está nisso, como se isso, por si só, fosse espiritual.

    O temperamento continuará sendo temperamento ao longo de toda a nossa vida. Há excessos de nosso temperamento que o Espírito de Deus irá moderar, ajustar e equilibrar; mas permanece o fato de que você e eu continuamos sendo, em termos de temperamento, aquilo que somos.

    No entanto, tantas vezes tentamos manipular uns aos outros, mudar uns aos outros e fazer com que uns se conformem aos outros — especialmente a liderança, porque, muitas vezes, a liderança na obra de Deus acredita que seu próprio temperamento é, de fato, a lei e a própria obra de Deus.

    Assim, se vocês têm alguém expansivo, em alguma ocasião ou lugar ele diz a todos: “Subam nas cadeiras e levantem as mãos”, como se isso fosse algo espiritual, como se o simples ato de subir numa cadeira e levantar as mãos fosse libertá-los.

    Então vocês têm o outro tipo de pessoa, que acha que, de alguma forma, deveríamos ficar num silêncio absoluto. Isso me surpreende: dizem que, para sermos espirituais, não deveríamos ter instrumentos musicais — somente o Espírito. É algo muito estranho. Essas pessoas cantam usando a língua e as cordas vocais, o que é algo muito físico.

    São muito estranhas essas doutrinas que temos, todas elas seguindo nossa disposição ou posição temperamental — o tipo de pessoa que somos.

    Bem, receio que não sejamos um nesse aspecto. Não temos isso em comum.

    É claro que podemos fundar uma denominação. Se alguém quiser se juntar a mim, podemos fundar uma denominação e baseá-la no meu temperamento. Que o Senhor ajude vocês! Podemos começar com algo que corresponda ao meu jeito de ser. Diremos: “Esta é a obra do Senhor. É isto que o Senhor quer. Todos precisam ser como eu. Precisam agir como eu e ser do mesmo tipo…”. Não seria terrível?

    No entanto, essa é a maldição da obra de Deus. Eu lhes digo: viajo por toda parte. Antigamente, eu conseguia dizer a que denominação uma pessoa pertencia pela maneira como apertava a mão — e isso não é brincadeira. É realmente verdade.

    Eu poderia lhes dar uma lista inteira de denominações e do tipo de aperto de mão que tinham. Exatamente da mesma forma, eu conseguia dizer a que denominação uma pessoa pertencia pela maneira como pregava. Havia um tom e uma maneira de pregar característicos de diferentes denominações.

    Louvado seja o Senhor, no grande mover do Espírito nas últimas duas décadas, muito disso foi nivelado. Ainda assim, é uma indicação de como o temperamento tem sido usado como se fosse espiritual em si mesmo.

    Cristo como fundamento comum

    Mas não temos o temperamento em comum. Somos bastante diferentes uns dos outros nesse aspecto. Embora existam grandes categorias de temperamento, de modo que possamos nos agrupar neste ou naquele tipo, permanece o fato: nem todos os crentes têm o mesmo temperamento.

    Então, o que você e eu temos em comum? O Senhor Jesus.

    O Senhor Jesus é Aquele que todos nós temos, se nascemos de Deus, se somos salvos pela graça de Deus — o mesmo Senhor Jesus.

    Ele é o único fundamento sobre o qual Deus edifica Sua casa espiritual. Ele é o único fundamento sobre o qual Deus está edificando Seu templo, sobre o qual Deus está edificando Sua igreja.

    Agora, eu estou em Cristo. Deus me colocou ali. Não cheguei ali por minhas próprias obras, por minhas próprias forças ou mesmo por meus próprios desejos. Quando confessei que era pecador e não podia salvar a mim mesmo, e depositei minha confiança na obra salvadora do Senhor Jesus no Calvário, naquele momento o Espírito de Deus me colocou em Cristo.

    Desde então, somente pela graça de Deus, tenho estado em Cristo. Aos olhos de Deus, estou em Cristo. Isso não é maravilhoso?

    Ouçam uma passagem muito conhecida, 2 Coríntios 5:21:

    Àquele que não conheceu pecado, Ele O fez pecado por nós; para que Nele nos tornássemos justiça de Deus.

    Jesus tornou-Se meu pecado — Ele, que não conheceu pecado — para que eu me tornasse justiça de Deus Nele; não à parte Dele, mas Nele. Isso não é extraordinário? É aí que estou.

    Agora, eu estou aí. Você está aí? Será que tenho um Senhor Jesus diferente do seu? É claro que não. Tenho apenas o mesmo Senhor Jesus que você tem. Ele é tão grande. Você está no mesmo Cristo em que eu estou.

    Agora, você diz: “Ah, não, espere um pouco — há uma diferença. Cristo está em mim. Ele vive em mim”. E o outro diz: “Pela graça de Deus, Ele também vive em mim”.

    Agora temos uma unidade dupla. Eu estou em Cristo; você está em Cristo — o mesmo Cristo. O mesmo Cristo está em mim, e o mesmo Cristo está em você.

    Agora temos este Senhor Jesus, este mesmo Senhor Jesus, em comum. Agora podemos, em certo sentido, ser nós mesmos. Podemos dar nossa própria contribuição real e genuína.

    Não preciso tentar ser como você, e você não precisa tentar ser como eu. O que ambos precisamos é ser conformados à imagem do Filho de Deus. É aí que a mudança precisa acontecer.

    As fraquezas, as falhas e os desequilíbrios em mim precisam ser corrigidos. O pecado precisa ser tratado. Preciso ser levado a uma condição em que Ele possa me instruir, ensinar, educar e fazer com que eu cresça Nele — e você também.

    Mas o maravilhoso é isto: você continuará sendo você, e eu continuarei sendo eu. Seremos, cada um à sua maneira, bastante diferentes, e podemos legitimamente ser nós mesmos.

    Então, quando você e eu permanecemos juntos por causa do Senhor Jesus, há uma plenitude. Posso contribuir com minha experiência do Senhor Jesus, e você contribui com sua experiência do Senhor Jesus. Contribuo com a revelação que tenho do Senhor Jesus; você contribui com a revelação que tem do Senhor Jesus. Eu tenho meu dom; você tem seu dom. Você tem sua função; eu tenho minha função. E, assim, há uma plenitude.

    A comunhão do Filho de Deus

    Agora, é exatamente isso que o apóstolo disse em 1 Coríntios 1:9:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Não é como algumas versões modernas traduzem — e acho isso muito lamentável:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão com Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Acredito que, literalmente, seja:

    À comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Agora, é maravilhoso ser chamado à comunhão com Seu Filho. Vocês conseguem pensar em algo mais maravilhoso, em um privilégio maior, em algo mais benéfico do que ser chamado à comunhão com o Filho de Deus — conhecê-Lo, experimentá-Lo, desfrutar das insondáveis riquezas de Deus Nele? Meu querido amigo, isso é tremendo.

    Mas eu digo que há algo mais nesta declaração de 1 Coríntios 1:9:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Essa palavra, que significa ter em comum, pode ser traduzida de várias maneiras, e de fato é assim no Novo Testamento. Pode ser traduzida como parceiros, participantes juntos, companheiros ou compartilhar. Essa é a palavra de que mais gosto.

    Então, deixem-me colocar desta maneira e vejam se isso lhes toca de um modo novo:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados a compartilhar Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Ah, isso não lança uma nova luz sobre o assunto? Não lhes abre uma nova janela para seu significado? Você e eu fomos chamados a compartilhar o Filho de Deus, Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Ele é tão grande que não pode ser contido em nenhum de nós individualmente. Não pode ser expresso em nenhum de nós individualmente. Ele precisa de todos os santos, e de muitos outros, para que Sua plenitude seja expressa.

    Agora, você e eu O estamos compartilhando. Tenho algo Dele para expressar. Você tem algo Dele para expressar. É o mesmo Senhor Jesus.

    Pensem por um momento — pensem por um momento — em como isso é maravilhoso. Que chamado! Não é interessante que isso seja introduzido por estas palavras: “Fiel é Deus”?

    Deus é fiel, apesar de todo o conflito em torno dessa questão da comunhão, apesar de todos os artifícios de Satanás. Deus é fiel.

    Basta que você e eu perseveremos. Se desistirmos, se formos embora, se nos dividirmos, se rompermos nossos vínculos, se nos afastarmos uns dos outros, então ficaremos fora disso — não no sentido de perdermos nossa salvação.

    Mas nos recusamos a aprender a lição que deveríamos aprender. Isso significa que podemos ficar vagando num deserto por quarenta anos, mas Deus não nos fará avançar até aprendermos a lição que nos recusamos a aprender. Muito simples — muito simples.

    Toda a cristandade está cheia de pessoas que deixam esta comunhão por aquela, este grupo por aquele e esta igreja por aquela. Às vezes, é compreensível, mas, com muita frequência, é apenas incompatibilidade.

    Deparamos com alguma coisa e não estamos dispostos a enfrentá-la. Em vez de enfrentá-la, dizemos: “Creio que Deus está me chamando para outro lugar. Adeus”. E lá vamos nós para outra ilusão, até descobrirmos — porque Deus é fiel — que, mais cedo ou mais tarde, ainda que leve anos, deparamos com exatamente a mesma incompatibilidade.

    Então, vejam, parece-me muito melhor experimentar a fidelidade de Deus, permanecer juntos e aprender a lição. É impressionante o que Deus pode nos ensinar quando permanecemos juntos.

    No mínimo, Ele pode nos ensinar o que não devemos ser, observando uns aos outros; mas há muito mais do que isso.

    A comunhão e a restauração da igreja

    Tomo 1 Coríntios 1:9 e o encontro logo no início desta carta. Agora, deixem-me dizer: se vocês acham que têm problemas com a comunhão, digo-lhes imediatamente — até onde sei, vocês não têm estes problemas.

    Essa igreja tinha um membro que estava dormindo com a mulher de seu pai. Essa igreja tinha pessoas levando outros membros do corpo aos tribunais e processando-os.

    Essa igreja tinha pessoas embriagadas à mesa do Senhor — não uma única vez, mas aparentemente com regularidade —, de modo que o apóstolo precisa dizer, em 1 Coríntios 11: “Não fiquem embriagados à mesa do Senhor”.

    Essa igreja havia se dividido em facções. Havia a facção de Pedro, a facção de Apolo, a facção de Paulo e os exclusivistas. Estes diziam: “Nós somos de Cristo. Não nos misturamos com as outras três facções desta comunhão. Somos de Cristo. Somos os fiéis — e, a propósito, os superiores”.

    “Só para que vocês entendam, não tocamos na sujeira que há nos outros. Somos puros. Somos os santos que continuam avançando. Nós nos separamos inteiramente dos outros. Não chegaríamos perto deles nem com uma vara de três metros.”

    Meu querido filho de Deus, não importa quem você seja: duvido muito que esteja numa comunhão com problemas como esses. Não estou falando de algo baseado num fundamento falso; não estou falando de algo quase morto; não estou falando de algo em que dois terços das pessoas nem sequer nasceram de Deus, mas estão no rol de membros.

    Não estou falando desse tipo de coisa chamada igreja. Estou falando de uma comunhão viva do povo de Deus, baseada em Cristo, sobre o fundamento de Cristo. Você pode ter problemas, meu querido irmão, minha querida irmã, mas duvido muito que tenha os problemas que algumas dessas pessoas em Corinto tinham. Pensem nisso.

    Logo no início desta carta, quando ele vai tratar de imoralidade, de processos diante de juízes não salvos, de embriaguez à mesa do Senhor, de divisão e de facções entre os filhos de Deus naquela comunhão específica, ele diz:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Poderíamos imaginar que ele lhes diria: “Vocês estão completamente fora disso. Vocês perderam qualquer condição de serem ouvidos em Cristo. Não têm lugar nem chamado. Os que se embriagaram estão fora. Os que são imorais estão fora. Os que promovem facções e divisões estão fora. Os que processam uns aos outros em tribunais de não salvos estão completamente fora disso”.

    Não. Ele diz: “Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor”. Isso é restauração.

    Mas não pode haver restauração se as pessoas não estiverem dispostas a perseverar. Se o Senhor vai perseverar em Sua obra de restauração, Ele precisa colocar em nós a mesma determinação.

    Nas dificuldades e nas alegrias, na tempestade e no sol, permaneceremos fiéis ao Senhor Jesus.

    A descoberta de Cristo uns nos outros

    É nesta mesma carta que o apóstolo Paulo disse, em 1 Coríntios 2:2:

    Porque determinei nada saber entre vós, senão Jesus Cristo, e Este crucificado.

    Será que ele conseguiria encontrar o Senhor Jesus crucificado em alguns desses membros do corpo do Senhor Jesus em Corinto?

    Alguns deles não gostavam de Paulo. Isso diz muito a favor de Paulo. Havia ali uma facção que seguia Paulo, e a maioria dos grandes pregadores — certamente os que constroem impérios — teria ficado entusiasmada com isso.

    Eles teriam dito: “Agora, vocês que viram o que eu vi, preciso elogiá-los. Vocês são, sem dúvida, os fiéis. A facção de Pedro é apenas uma facção. São todos superficiais; tudo para eles é campanha evangelística e evangelização. É só isso. Basta ler suas cartas para ver o tipo de padrão”.

    “E os seguidores de Apolo? Só ensino. O ensino de Apolo é alexandrino — muito refinado, muito sofisticado, mas com poucas consequências práticas. Também não gosto daqueles exclusivistas. Mas vocês, vocês que enxergam o que Deus me deu e são fiéis a isso — vocês são a igreja em Corinto.”

    Agora, como servo de Deus, sei que é muito difícil estar entre pessoas quando você sabe que algumas não o reconhecem, não aceitam aquilo que você tem e, às vezes, acham que você está errado. É uma experiência humilhante estar entre pessoas quando você sente que elas dizem: “Algumas coisas que ele diz são muito boas, mas certas outras… é preciso recebê-las com reservas”.

    Há uma espécie de atmosfera. É algo muito difícil. Então, o que você faz? Pode se fechar em si mesmo e decidir: “Bem, deixem que continuem assim”.

    Mas não o apóstolo Paulo. Ele diz: “Determinei nada saber, senão Jesus Cristo”. Portanto, ele iria encontrar Jesus Cristo, e Este crucificado, na facção de Pedro, na facção de Apolo, na facção dos exclusivistas e na facção de Paulo.

    Ele faria questão de que o fundamento de toda a sua comunhão fosse o compartilhar do Senhor Jesus.

    Sabem, às vezes, querido irmão, querida irmã, depois que passamos a nos conhecer bem, leva muito tempo para enxergarmos além do temperamento, além da personalidade, além das fraquezas, além das falhas, e vermos o Senhor Jesus numa pessoa.

    Mas, quando vamos além do exterior, além da falha e, às vezes, até além do pecado, e encontramos o Senhor Jesus naquela pessoa, aprendemos uma lição da qual nunca nos arrependeremos.

    Agora vocês chegaram ao fundamento mais profundo da comunhão. Não importa o que descubram sobre seus irmãos e irmãs; pelo menos têm este fundamento sólido e definitivo: Jesus Cristo, e Este crucificado.

    Agora vocês podem deixar o Senhor realizar uma obra em vocês por meio de seus irmãos e irmãs, por meio das falhas e dos pecados deles — coisas das quais vocês não participarão, mas pelas quais se entristecerão, chorarão e, ainda assim, continuarão a amá-los.

    Ao observarem algumas dessas coisas e a maneira como eles se comportam, vocês são ensinados por Deus a não se comportar da mesma maneira. Quanto Deus pode nos ensinar na comunhão! As dificuldades que temos com as pessoas produzem em nós os maiores tesouros.

    Então, queridos irmãos e irmãs, aqui temos, no início desta carta extraordinária — com todo o seu pecado, todas as suas falhas e fracassos, todas as suas transgressões, falta de amor e divisão —, uma declaração maravilhosa:

    Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.

    Os limites da fidelidade à comunhão

    Agora, para que ninguém me entenda mal: não estou dizendo que devemos permanecer fiéis quando algo se desviou do caminho, quando deixou de ser igreja, quando adquiriu características de seita, quando um espírito falso, doutrinas de demônios e espíritos enganadores estiveram atuando.

    Nesse caso, nos tornamos fiéis àquilo, e não ao Senhor Jesus.

    Mas permitam-me mais uma palavra relacionada a esta digressão. Sempre digo isso porque, por onde vou hoje, encontro pessoas de um grupo ou de outro que ficaram profundamente desiludidas e saíram. Sempre encontro pessoas que vêm conversar comigo sobre seus problemas e tudo o mais.

    Sempre encontro a mesma coisa: todos nós somos incrivelmente orgulhosos. Não admitimos que fomos enganados. Então culpamos o irmão fulano. “O irmão fulano me enganou. O irmão fulano me iludiu. Fui por este caminho e por aquele, e ele fez isto, isto, isto e isto.”

    Então passamos o tempo difamando o irmão fulano ou, às vezes, a irmã fulana. Difamamos seu nome. Agora, todas as coisas que você diz sobre aquele irmão ou aquela irmã podem ser absolutamente verdadeiras, mas o fato permanece: isso não ajuda você.

    Você foi enganado porque havia algo em você que podia ser enganado. A única maneira de sair disso é por meio do arrependimento. Você e eu precisamos nos arrepender. Então, e somente então, poderemos estar seguros.

    Aceitem essa pequena palavra.

    Agora, eu me lembro dos Irmãos Exclusivos na Grã-Bretanha. Ah, que tragédia atingiu aquela obra! De todos os irmãos e irmãs de antigamente, na Europa e na Grã-Bretanha, os mais profundos eram os Irmãos Exclusivos — os mais sóbrios, os mais sérios, os mais bem ensinados.

    Quando toda aquela imoralidade entrou no meio deles, e toda aquela divisão, passavam reuniões de uma hora e meia no que chamavam de rir no Espírito. Não tenho problema algum em dar uma boa risada de vez em quando. Mas, acreditem, os Irmãos Exclusivos podiam passar uma hora e meia inteira numa risada histérica. Era inacreditável.

    Ainda assim, todos permaneceram fiéis, até encontrarem o líder na cama com a esposa de um dos presbíteros. Depois descobriram que ele era alcoólatra. Então passaram a difamá-lo por todos os lados. Todos difamavam seu nome, como se ele fosse um arquidemônio e um arquivilão.

    Mas, na verdade, o que estavam tentando dizer era: “Eu sou bom, e ele é mau”.

    Eu sempre dizia àquelas pessoas: “Como vocês permaneceram nisso por tanto tempo? Nada lhes mostrou que havia algo errado?”. Se você pode ser enganado uma vez, pode ser enganado de novo, e de novo, e de novo.

    Somente quando nos arrependemos — quando verdadeiramente nos arrependemos diante de Deus — é que Deus começa a nos tornar seguros, para que nunca mais sejamos enganados ou iludidos daquela maneira.

    Bem, meus queridos amigos, quando falo de comunhão, não estou falando de algo que se chama igreja, mas não é igreja. Não estou falando de algo que é o mundo vestido de igreja. Não estou falando de algo que um dia foi um verdadeiro movimento do Espírito, mas adquiriu características de seita, no qual foram introduzidas doutrinas de demônios.

    Estou falando de comunidades em que, apesar de todas as suas falhas, fraquezas e muitos pecados pessoais, os crentes se reúnem em Cristo, e somente em Cristo.

    Agora, o que fazemos? Porque, depois que encontramos esse tipo de comunhão, não devemos deixá-la, a menos que mudemos de endereço. Bem, essa é uma maneira de contornar a situação. Se você mora aqui em Santa Barbara e quer mudar, saia daqui — vá para Nova York; então poderá mudar.

    Mas, se você mora aqui em Santa Barbara e faz parte de uma pequena comunhão assim — ou em algum outro lugar; perdoem-me, vocês que moram aqui em Santa Barbara, não quero apontar especificamente para vocês —, sabem o que quero dizer.

    Não há ninguém aqui de Las Vegas. Bem, eu digo: se você está em Las Vegas, reunindo-se com crentes em Cristo, e agora deparou com problemas, vai fugir mil e seiscentos quilômetros deles? Vai espiritualizar isso e dizer: “Estão todos errados. Não aguento mais. Não consigo encontrar o Senhor”?

    Na verdade, você pode encontrar o Senhor até no mais obtuso e menos inteligente dos santos, se olhar com profundidade suficiente e por tempo suficiente. Aprenderá suas maiores lições ao descobrir Cristo até nos santos mais obtusos e menos inteligentes. Descobrirá que Deus às vezes tem um tesouro numa dessas vidas.

    O corpo de Cristo como ilustração da comunhão

    Bem, preciso ficar atento ao tempo. Comunhão. Vejo que o apóstolo ilustra isso depois de tratar da maioria dos problemas e deixá-los para trás. Então ele chega a 1 Coríntios 12:12-14 e diz:

    Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, constituem um só corpo, assim também é Cristo.
    Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
    Porque o corpo não é um só membro, mas muitos.

    Então ele continua falando de como o olho não pode dizer ao ouvido: “Não preciso de você”, e de como um membro não pode dizer a outro: “Não preciso de você”, porque todos foram colocados juntos no corpo por um motivo.

    De alguma maneira maravilhosa, todos funcionam juntos e precisam uns dos outros para a saúde do todo, para o funcionamento do todo. Precisam uns dos outros.

    Agora, isso não é uma ilustração maravilhosa do compartilhar do Senhor Jesus?

    Penso no meu corpo. Olhem para o de vocês; não precisam olhar para o meu. Olhem para o próprio corpo. Pensem por um momento em como esse corpo é extraordinário.

    Meus dedos não se parecem com minhas orelhas, não é? Olhem para os de vocês. Não são parecidos. Quando voltarem para casa, podem se olhar no espelho por algum tempo. Vejam como cada parte de vocês é diferente. É tudo tão diferente.

    No entanto, se minhas orelhas dissessem que queriam ser meus dedos, o que eu faria? Ficaria surdo. E, se ficasse surdo — imaginem só —, alguns de vocês louvariam o Senhor: eu ficaria mudo. Quando uma pessoa é totalmente surda, ela é muda. Vejam como esse corpo está interligado!

    Suponham que meus dedos dissessem: “Não gosto de ser dedo. Preferiria ser o nariz”. O que eu faria sem minhas mãos? Como levantaria minha Bíblia? Melhor ainda, como comeria? O que faria sem minhas mãos? Pensem nisso.

    Suponham que meus pés dissessem: “Ah, não gostamos de ficar aqui embaixo. Somos criaturas tão malcheirosas e humildes aqui embaixo, sempre em contato com a terra. Preferiríamos ficar no alto, muito obrigado”. O que aconteceria com meu corpo se eu não tivesse pés? Como poderia andar?

    Seu corpo é uma maravilha. Tem tantos membros e, ainda assim, todos esses membros estão interligados uns aos outros.

    Suponham que meu dedo dissesse: “Não gosto daquela orelha. Tem um formato tão estranho — não se parece em nada comigo. Vejam só aquela coisa esquisita, como uma meia-lua com um buraco”. Meu dedo mínimo diz: “Acho que não quero mais ter nada a ver com aquela orelha”.

    Então, com o tempo, a paralisia entrará nesse corpo.

    É exatamente isso que o apóstolo está dizendo em 1 Coríntios 12. Ele diz que cada uma dessas partes precisa da outra para a saúde do todo, a integridade do todo e o funcionamento do todo.

    Agora, meus queridos amigos, que coisa maravilhosa: há um só corpo, mas muitos membros. Embora haja muitos membros, nem todos temos a mesma função. Não somos todos dedos, pés, orelhas ou bocas. Somos todos diferentes.

    De algum modo, cada um de nós precisa ficar tranquilo quanto a isso. Cada um precisa ser quem é no Senhor e oferecer aquilo que tem do Senhor.

    A comunhão como instrumento de formação divina

    Agora, não quero gastar muito tempo com isso, porque quero passar ao lado prático antes de terminar. Mas quero dizer: tudo bem afirmar que você pertence ao Senhor Jesus. Tudo bem afirmar que foi salvo pela obra do Senhor Jesus. Mas você compreende o que Deus fez com você?

    Ele colocou você em Seu Filho. Agora, quer você goste ou não, há muitos outros em Seu Filho. Nem sempre podemos escolher a pedra que está ao nosso lado.

    De repente, descobrimos que estamos aqui, em Cristo, colocados junto a outras pedras, e Deus sabe exatamente o que está fazendo.

    Muitos de nós somos tão enganosos. Alguns prefeririam fugir mil e seiscentos quilômetros a encarar o problema.

    Mas a maneira de Deus nos moldar, de nos disciplinar, é por meio uns dos outros. Se não perseverarmos na comunhão, descobriremos que a obra do Senhor em nossa vida foi prejudicada — mais do que prejudicada: foi interrompida.

    Cresceremos em conhecimento. Cresceremos no conhecimento da Bíblia, mas essa Palavra do Senhor não estará arraigada em nós. Não será implantada.

    Como é interessante que o Senhor Jesus tenha usado uma palavra tão severa quando nos ensinou a grande oração-modelo:

    Pai nosso, que estás nos céus.

    Ao final, Ele disse, em Mateus 6:15:

    Porque, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas.

    Não é interessante que essa seja a única coisa que o Senhor Jesus enfatizou em toda a oração-modelo? Como se estivesse dizendo: “Se vocês não conseguem permanecer juntos, se não conseguem perdoar uns aos outros, se não conseguem superar as diferenças, tudo fica interrompido”.

    Isso é bastante sério.

    É claro que o Senhor Jesus reforçou isso de outras maneiras. Ele disse, em Mateus 5:23-24:

    Se vieres ao altar com uma oferta e souberes que um irmão tem algo contra ti, vai a teu irmão e acerta a situação; depois vem e apresenta tua oferta.

    Era um assunto sério, porque o Senhor Jesus nos mostra que essa questão da comunhão pode determinar se tudo será edificado ou arruinado.

    A disciplina das comunidades menores

    Preciso lhes dizer, por experiência própria, que é muito mais fácil estar numa comunhão grande do que numa pequena. Quando se tem uma comunhão grande — de preferência, com pelo menos mil pessoas —, quem estiver fugindo deve escolher uma comunhão com pelo menos mil pessoas.

    Entre numa comunhão com mil ou duas mil pessoas. Ali você pode ser você mesmo e não ser disciplinado. Pode ir, cantar, adorar, levantar as mãos, inclinar a cabeça. Não precisa ir à reunião de oração. Pode naturalmente pensar: “Não sentiriam falta de mim se eu não viesse no próximo domingo”.

    Vocês entendem o que estou tentando dizer?

    Mas aqui vocês têm uma pequena comunhão de trinta ou quarenta pessoas, e cada integrante — cada membro do corpo ali — é tão importante. Basta uma pessoa chegar com a cara fechada, e todos se perguntam o que há de errado.

    Então surge uma pequena incompatibilidade, e você não consegue escapar dela. Quando são poucas pessoas, como pode escapar? Não pode ir sentar do outro lado para não ver a irmã fulana; você está ali, olhando diretamente para ela.

    Nessas pequenas comunhões nos lares, ficamos sentados ao redor da sala, olhando uns para os outros. Não dá para escapar. É quase como estar nu. Todos podem ver exatamente quem você é. Muito difícil.

    A comunhão com a Cabeça

    No entanto, essa questão da comunhão é tão importante. Quanto à comunhão, lembrem-se disto: há várias direções.

    Antes de tudo, a comunhão é com a Cabeça. Se primeiro tentarmos encontrar comunhão uns com os outros e manter a unidade do corpo, descobriremos que, às vezes, nos desentendemos com o Senhor.

    Em outras palavras, se toda a obra sair dos trilhos, iremos junto com ela, porque estamos nos apegando uns aos outros, e não à Cabeça. Vocês entendem o que estou tentando dizer?

    É por isso que Efésios 4:15-16 diz algo tão extraordinário, ao falar do corpo e de seu funcionamento na medida em que cada junta é uma junta que fornece suprimento:

    Cresçamos em tudo Naquele que é a Cabeça, Cristo;
    de Quem todo o corpo, bem ajustado e unido por aquilo que cada junta supre…

    Não é interessante que toda essa questão do crescimento do corpo, de seu aumento e de sua edificação em amor seja introduzida pelo crescer Naquele que é a Cabeça?

    Agora, minha principal preocupação na comunhão é manter a comunhão com o Senhor Jesus absolutamente clara, absolutamente pura, absolutamente aberta. Isso é o mais vital.

    Não posso encontrar meus irmãos e irmãs antes de encontrar o Senhor. Vocês entendem o que estou tentando dizer?

    Em Colossenses, isso é expresso de maneira ainda mais notável. Colossenses 2:19 diz:

    E não se apegando à Cabeça, de Quem todo o corpo, suprido e unido…

    Apegar-se à Cabeça — que palavra maravilhosa! Precisamos nos apegar firmemente.

    Às vezes, você e eu podemos discutir. Podemos ficar irritados um com o outro. Na discussão e na irritação que temos um com o outro, perdemos a Cabeça de vista. Naquele momento, não nos apegamos à Cabeça.

    Só enxergamos um ao outro, e a questão vai ficando maior, maior e maior, até que, no fim, nos dividimos e rompemos nossos vínculos.

    Como é importante apegar-se à Cabeça! Se você se apega à Cabeça, não há como fazer isso sem decidir descobrir Jesus Cristo, e Este crucificado, no irmão ou na irmã com quem está discutindo. É impossível. É impossível.

    Agora, sei que isso expõe a todos nós, porque todos somos seres humanos. Mas como é importante que você e eu saibamos que toda essa questão da comunhão é uma questão de crescer em Cristo, a Cabeça. É uma questão de apegar-se à Cabeça.

    Não posso encontrar meus irmãos e irmãs da maneira correta antes de encontrar a Cabeça e me apegar firmemente à Cabeça. Então encontro meus irmãos e irmãs. Se todos nos apegarmos à Cabeça, não sairemos dos trilhos.

    É somente quando não nos apegamos à Cabeça e confiamos que o irmão fulano o faça que ele sai dos trilhos, e todos nós vamos junto com ele.

    Mas é interessante que todos os membros devam se apegar à Cabeça. Então descobrem o corpo.

    A comunhão nas relações de responsabilidade

    Agora, a comunhão tem algumas direções bastante exigentes. Uma delas é para cima. Estou falando do relacionamento humano com aqueles que estão acima de nós. Sei que algumas pessoas não gostariam que eu falasse em “para cima”, mas é para cima.

    A comunhão com a liderança espiritual

    Ouçam isto, em Hebreus 13:17:

    Obedecei aos que vos governam e sujeitai-vos a eles; pois velam por vossas almas, como aqueles que hão de prestar contas; para que façam isso com alegria, e não com tristeza, porque isso não vos seria proveitoso.

    Aqui temos um relacionamento de comunhão com os que estão acima de nós. Não seria maravilhoso se todos os que exercem liderança fossem absolutamente perfeitos?

    Até o apóstolo Paulo tinha tantas falhas que, aparentemente, as igrejas da Ásia se afastaram dele. Não tenho dúvida de que, se conversássemos com as igrejas da Ásia e perguntássemos: “Por que vocês se afastaram desse homem maravilhoso, desse apóstolo?”, elas diriam: “Você deveria ver a maneira como ele tratou fulano. Deveria ver o que disse sobre tal assunto”.

    Não tenho dúvida de que o apóstolo Paulo, sendo um ser humano, tinha muitas fraquezas. Basta ler suas cartas. Em sua segunda carta aos Coríntios, ele diz: “Vocês me levaram a me gloriar”.

    Alguém diria: “Bem, em nossos grupos, especialmente nos grupos de que participei na comunhão de Honor Oak, não se deveria dizer esse tipo de coisa. Isso não é o Espírito do Senhor: ‘Vocês me levaram a me gloriar’”.

    Então, em outro lugar, ele diz, numa referência um tanto repugnante: “Eu gostaria que fossem até além da circuncisão”. Você pensa: “Será mesmo que isso é o Espírito do Senhor?”. Tudo isso é Escritura.

    Portanto, dá para entender que essas igrejas dissessem: “Bem, ele não é espiritual o suficiente. Precisa mesmo ser elevado a um nível mais alto”.

    Não importa com qual servo de Deus, ou com quais servos do Senhor, você esteja: se conviver com eles por tempo suficiente, conseguirá fazer uma lista de suas falhas e fraquezas. Estou falando sério.

    Agradeço a Deus por toda a minha experiência com nosso irmão Austin-Sparks. Mas lhes digo: vi algumas falhas e fraquezas em nosso irmão. E posso acrescentar que ele viu muitas mais em mim.

    Vi essas coisas nele e, muitas vezes, fui tentado a pensar: “Vou deixar esse irmão. Não vou continuar. Não vou me envolver nisso”.

    Mas o fato é que aquele homem foi uma voz profética para toda uma geração, ungido por Deus, levantado por Deus. Parecia que todo o inferno despejava sua fúria sobre ele e seu ministério. Sou tão grato por, de minha parte, nunca ter me separado dele.

    Certa vez, perguntei à irmã Elizabeth Fischbacher, quando eu era bem jovem e a conheci pela primeira vez — estava tão entusiasmado com o ministério do irmão Nee —: “Irmã, o irmão Nee tinha alguma falha?”.

    Ela olhou para mim com aqueles grandes olhos azul-acinzentados, de ar místico, como se eu fosse completamente louco. Nunca esqueci sua observação; ela permaneceu comigo desde então. Disse, de sua maneira característica: “O irmão Nee era um homem muito grande em Deus, com falhas muito grandes”.

    Nunca me esqueci disso.

    Assim acontece com todo servo do Senhor. Vocês se lembrarão de que Pedro foi levado pelo grupo judaizante, e ele e Paulo tiveram uma discussão pública.

    Então Pedro chega a dizer numa de suas cartas: “Nosso amado irmão Paulo escreveu coisas muito difíceis de entender”. A gente pensa: por que ele colocou isso numa carta? Não fazia ideia de que os cristãos estudariam aquilo por todos os milênios seguintes.

    No fim das contas, irmãos e irmãs, a Palavra de Deus é clara. Aprendemos muito com as fraquezas e falhas daqueles que Deus colocou em posição de autoridade. Descobriremos que temos mil vezes mais.

    Então precisamos olhar além das fraquezas e dos desequilíbrios para o Senhor Jesus, ver o que Ele está fazendo neles, para o que os chamou, o ministério que lhes deu, e estar com eles, apoiá-los, fortalecê-los e seguir com eles até o fim.

    Autoridade é autoridade. Não existe liderança perfeita aqui na terra. Esperamos que o Senhor esteja realizando uma obra em todos nós, mas não existe liderança perfeita. Bem, aceitem essa pequena palavra.

    A comunhão uns com os outros

    Então, naturalmente, há a questão da comunhão uns com os outros — o nível horizontal da comunhão. Já falamos bastante sobre isso.

    Como é interessante que o apóstolo Paulo dedique tanto espaço em suas cartas — Colossenses 3, Efésios 4 e 5 — para falar sobre os relacionamentos horizontais dentro da família de Deus.

    Ele fala de como não devemos mentir uns aos outros, de como não devemos defraudar uns aos outros, de como não devemos ficar irados uns com os outros; e, se ficarmos irados, não devemos deixar o sol se pôr sobre essa ira. Em outras palavras, busquem o perdão. Não deixem isso passar de um dia para o outro.

    Ah, quanto há nessa questão da comunhão, e quanto aprendemos ao manter a unidade do Espírito!

    A comunhão no cuidado espiritual

    Então, naturalmente, há a comunhão para baixo — isto é, a relação daqueles de nós que têm alguma responsabilidade, seja ela qual for. Somos responsáveis por outras vidas.

    O que a Palavra de Deus diz sobre isso? Ouçam 1 Pedro 5:2-3:

    Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, exercendo a supervisão, não por constrangimento, mas voluntariamente, segundo a vontade de Deus; nem por lucro vergonhoso, mas de boa vontade;
    nem como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas tornando-vos exemplos para o rebanho.

    Aqui há algo sobre a comunhão para baixo, se vocês entendem o que quero dizer. Você tem responsabilidade por outras vidas na obra de Deus, na família de Deus, no rebanho de Deus.

    Então você deve ser alguém que cuida do rebanho. Como são poucos os irmãos que cuidam do rebanho! Gostamos da posição de liderança, gostamos da aura de autoridade, mas pouquíssimos irmãos cuidam do rebanho.

    Sabem, as ovelhas são criaturas extraordinárias. Aprendi isso ao longo dos anos em que tenho vivido em Israel. As cabras só precisam ser examinadas uma vez por semana, porque não são propensas a doenças, mas as ovelhas precisam de atenção todos os dias.

    É por isso que o pastor passa a conhecer cada ovelha individualmente. Não é uma questão sentimental. É porque ele precisa examinar cada uma das ovelhas. Conhece a vulnerabilidade de certas ovelhas a determinadas doenças.

    Todos os dias, ele vai verificar se está surgindo podridão nos cascos, se há alguma úlcera na pele, se há carrapatos causando problemas à ovelha. Não é à toa que Deus chamou os membros da igreja de ovelhas.

    Os pastores devem cuidar. Devem vigiar o rebanho, identificar doenças, identificar perigos e agir a tempo. Cuidem do rebanho voluntariamente — não por obrigação, não por algum senso compulsivo e pesado de dever, achando que precisam fazer isso porque são líderes desse rebanho —, mas voluntariamente.

    Então ele diz: “Não imponham sua autoridade, mas sejam exemplo”.

    Isso expõe a todos nós, posso lhes dizer. Sejam exemplo. Não adianta dizer ao povo de Deus: “Precisamos orar”, se não somos os primeiros na oração. Não adianta dizer às pessoas que contribuam, se nós não contribuímos.

    Não adianta exortar os outros a entregar a vida, se não estamos dispostos a entregar a nossa. Não adianta dizer a todos que precisamos ser quebrantados, quando é evidente que não somos quebrantados. Precisamos ser exemplo.

    A perseverança na comunhão

    Isso nos expõe em toda essa questão da comunhão. Ah, há tantas outras coisas sobre as quais poderíamos falar: comunhão no evangelho, comunhão na obra do Senhor, comunhão no sofrimento — tantas coisas em toda essa área da comunhão.

    Mas aqui está: ela é uma característica essencial da igreja de Deus e de qualquer obra de restauração que o Senhor esteja realizando. Aqui está algo mais que é essencial:

    Eles perseveravam na comunhão.

    E você?

    Vamos orar.

    Senhor, de uma maneira ou de outra, cada um de nós é exposto diante de Ti em toda essa questão da comunhão e da perseverança nela. Senhor, há pessoas com quem conseguimos nos dar bem, e há muitas com quem não conseguimos.

    Senhor, oramos juntos para que Tu nos desafies profundamente por Teu Espírito nesta noite, em toda essa questão da comunhão e da perseverança nela — não procurando apenas manter algo humano e social, mas perseverando em compartilhar o Senhor Jesus com outros crentes.

    Ah, nosso Pai, terás misericórdia de nós? Onde devemos pedir perdão, ajuda-nos a pedir perdão. Onde devemos conceder perdão, ajuda-nos a concedê-lo.

    Senhor, onde devemos nos humilhar, ajuda-nos a nos humilhar. Onde precisamos ser ensináveis e mansos, Senhor, coloca esse espírito de brandura e mansidão em todos nós, qualquer que seja nossa posição entre os santos.

    Senhor, ajuda-nos a perseverar na comunhão. Ajuda-nos a estimular uns aos outros ao amor e às boas obras, em vez de à depressão e à desilusão.

    Ajuda-nos, Senhor, a realmente inspirar esse tipo de amor uns nos outros. Desperta-o, Senhor, e faz com que, por assim dizer, muitas boas obras tenham início.

    Pedimos isso juntos, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.