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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    The Apostle's Teaching: Steadfast To The Word Of God © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Apostle's Teaching: Steadfast To The Word Of God
    The Apostle's Teaching: Steadfast To The Word Of God
    Lambert, Lance

    A perseverança no ensino dos apóstolos

    É um privilégio estar com vocês novamente, e gostaria de convidá-los a abrir no livro de Atos 2.

    O livro de Atos 2:41-47:

    Os que receberam a sua palavra foram batizados; e, naquele dia, acrescentaram-se a eles cerca de três mil almas.
    E perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
    E sobreveio temor a toda alma; e muitos prodígios e sinais eram realizados por meio dos apóstolos.
    Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum;
    vendiam as suas propriedades e bens e os repartiam entre todos, conforme a necessidade de cada um.
    E, diariamente, perseverando unânimes no templo e partindo o pão em casa, tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,
    louvando a Deus e tendo o favor de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava, dia após dia, os que eram salvos.

    Vamos nos curvar para mais uma palavra de oração?

    Senhor, queremos agradecer-Te porque, quando nos aproximamos da Tua Palavra, Tu não nos deixaste entregues aos nossos próprios talentos, às nossas energias ou aos nossos recursos. Senhor, Tu nos concedeste uma unção plenamente suficiente de graça e poder, tanto para quem anuncia a Tua Palavra como para quem ouve a Tua Palavra.

    E, Senhor, queremos nos valer dessa unção que nos deste por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus e que tornaste uma realidade para nós na Pessoa do Espírito Santo.

    Pai, concede que esta minha palavra esteja sob essa unção e que também o nosso ouvir esteja sob essa unção, para que, Senhor, todo este tempo seja um encontro Contigo.

    Agora, Senhor, livra-nos de toda a agitação e do cansaço dos preparativos para estarmos aqui, das viagens e dos deslocamentos, e de tantas coisas que poderiam tornar difícil absorvermos de fato o que Tu estás dizendo.

    Recolhe-nos à Tua presença. Reaviva-nos, renova-nos, vivifica-nos, Senhor, nós Te pedimos, para que este seja um tempo redimido pela Tua presença e pela Tua atuação. Pedimos em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    As quatro características essenciais da vida coletiva

    Quero que vocês se voltem para um versículo da breve passagem que lemos juntos, Atos 2:42:

    E perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

    Sinto que o Senhor deseja que minha contribuição neste período se concentre nessa afirmação simples, mas fundamental, que aparece no início desse extraordinário relato da igreja primitiva. Eles perseveravam em quatro coisas:

    • O ensino dos apóstolos
    • A comunhão
    • O partir do pão
    • As orações

    Essas são as quatro características absolutamente essenciais e fundamentais de tudo o que Deus faz coletivamente entre o Seu povo. Não há como o povo de Deus se contentar com apenas um, dois ou três desses elementos. Os quatro são absolutamente essenciais e fundamentais em qualquer obra de restauração na qual o Espírito de Deus esteja envolvido em nossos dias.

    E é muito interessante observar que, em todo o mundo, há um ataque justamente contra essas coisas. Às vezes encontramos um, dois ou até três desses elementos, mas nem sempre os quatro; e, no entanto, os quatro estão interligados.

    Sinto um grande peso no coração para que eu possa, ao menos na parte que me cabe, comunicar a vocês algo da importância disso. É muito simples — mas todas as coisas realmente profundas são simples. Muitas vezes são tão simples que nós, procurando alguma grande complexidade, deixamos de perceber o que Deus está dizendo.

    O ensino dos apóstolos

    Nesta noite, quero tratar do primeiro desses elementos: o ensino dos apóstolos.

    E perseveravam no ensino dos apóstolos.

    Agora, o que é o ensino dos apóstolos? É algo específico? Algo, digamos, diferente do Antigo Testamento? É algo diferente dos Evangelhos? O ensino dos apóstolos seria, por exemplo, algo a que os apóstolos de hoje se dedicam e que, portanto, talvez não tenha nada a ver com a Palavra de Deus? Seriam interpretações que eles consideram revestidas de sua autoridade apostólica? O que significa dizer que eles perseveravam no ensino dos apóstolos?

    Parece-me bastante claro que o ensino dos apóstolos é a obra culminante do Espírito Santo na revelação que temos nos sessenta e seis livros da Bíblia. Assim como os quatro Evangelhos são, por assim dizer, o ponto de convergência de todo o Antigo Testamento, também todo o ensino dos apóstolos — que, na verdade, inclui os quatro Evangelhos — é a obra culminante do Espírito Santo nessa revelação que Ele nos deu e que passamos a chamar de Bíblia.

    Cristo como a interpretação das Escrituras

    Se examinarmos, por exemplo, algumas passagens das Escrituras, creio que isso ficará bastante claro. A partir daí, podemos dizer muito mais. Abram em Lucas 24:27:

    E, começando por Moisés e por todos os profetas, interpretou-lhes, em todas as Escrituras, as coisas referentes a Si mesmo.

    Depois, em Lucas 24:44:

    E disse-lhes: Estas são as Minhas palavras, que vos falei estando ainda convosco: importava que se cumprisse tudo o que de Mim estava escrito na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos.

    A lei de Moisés corresponde aos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Os profetas constituem outra grande seção na organização judaica, incluindo tanto o que os cristãos chamam de livros históricos como os livros proféticos. Os Salmos é a maneira judaica de se referir aos escritos. Portanto, temos aqui todo o Antigo Testamento, e o Senhor Jesus interpretou, em todos esses trinta e nove livros, as coisas referentes a Si mesmo.

    Quando nos voltamos, é claro, para o restante do Novo Testamento, descobrimos que o ensino dos apóstolos tem tudo a ver com isso. Quero dar apenas alguns exemplos, mas tomem a carta aos Romanos e a declaração inicial de Paulo, em Romanos 1:1-6:

    Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,
    que Ele antes prometera por intermédio dos Seus profetas nas Sagradas Escrituras,
    acerca de Seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,
    que foi declarado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor,
    por meio de Quem recebemos graça e apostolado, para a obediência da fé entre todas as nações, por amor do Seu nome;
    entre as quais sois também vós, chamados para pertencerdes a Jesus Cristo.

    Depois, tomem Romanos 16:25-27:

    Ora, Àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio desde os tempos eternos,
    mas agora manifestado e, pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para a obediência da fé;
    ao único Deus sábio, por meio de Jesus Cristo, seja a glória para todo o sempre. Amém.

    Bem, creio que isso pelo menos nos dá alguma ideia do ensino dos apóstolos. Não é algo diferente do restante da Palavra de Deus. Inclui tudo o que veio antes e é, por assim dizer, a exposição culminante, a revelação culminante, a interpretação culminante do propósito de Deus para este universo.

    Em 1 Coríntios 10:11, temos algo semelhante:

    Ora, estas coisas lhes aconteceram como exemplo e foram escritas para nossa advertência, de nós sobre quem os fins dos séculos têm chegado.

    Se abrirmos em Hebreus 1:1-2, lemos:

    Deus, havendo antigamente falado aos pais pelos profetas, em diversas porções e de diversas maneiras,
    nestes últimos dias nos falou em Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por meio de Quem também fez os mundos.

    Qual é o ponto? Creio que deveria ficar claro para qualquer pessoa com um equilíbrio espiritual razoável que o ensino dos apóstolos, na verdade, tem tudo a ver com a Bíblia, como a chamamos hoje.

    Quando vocês examinam os vinte e sete livros do Novo Testamento, tomem as epístolas, desde Romanos até Judas: temos praticamente apenas escritos apostólicos. Não temos certeza quanto a Hebreus. Não sabemos quem escreveu Hebreus. Já houve algumas sugestões muito interessantes: alguns acreditam que foi Apolo, outros acreditam que foi Estêvão e, naturalmente, a opinião tradicional mais comum é que foi Paulo. Mas não vamos entrar nesse assunto.

    O fato é que temos, até Apocalipse — o último livro do Novo Testamento —, escritos apostólicos, ensino apostólico. Tomem os quatro Evangelhos: Mateus era apóstolo, João era apóstolo, e isso nos deixa apenas Marcos e Lucas. Sabemos que o Evangelho de Marcos é a voz de Pedro e a mão de Marcos. Sabemos que o Evangelho de Lucas, na verdade, está inteiramente ligado a Paulo e ao ensino de Paulo, e sabemos que Atos também está.

    Portanto, temos os vinte e sete livros do Novo Testamento, que podem ser descritos, de maneira plenamente legítima, correta e precisa, como o ensino dos apóstolos. Esses vinte e sete livros se baseiam nos trinta e nove livros do Antigo Testamento, na interpretação que Jesus deu desses trinta e nove livros.

    A meu ver, encontramos aqui a igreja primitiva, logo em seu início, com todo aquele poder do Espírito Santo, toda a multiplicação que estava acontecendo e toda a vida vibrante e o poder do Senhor Jesus ressurreto sendo expressos e manifestados. E descobrimos que a primeira característica essencial e fundamental era que eles perseveravam na Palavra de Deus.

    Eles perseveravam na maneira pela qual o Espírito Santo estava usando os apóstolos para levar à sua culminação toda a revelação que Deus nos deu no Senhor Jesus e por meio Dele.

    As Escrituras como meio de amadurecimento espiritual

    Eles perseveravam no ensino dos apóstolos. Nós precisamos, meus queridos irmãos e irmãs, perseverar.

    Fico estarrecido com a ignorância que existe entre muitos dos filhos de Deus a respeito da Palavra de Deus. De modo geral, as pessoas que conhecem o Senhor conseguem falar sobre certas passagens da Bíblia. Essas elas conhecem bem; são páginas bastante manuseadas. Mas, quando se trata de outras partes da Palavra que não conhecem, ficam perdidas. É como estar na parte funda da piscina: elas simplesmente se debatem.

    Não fazem ideia do que aquilo é ou de que assunto trata, e sentem tanto medo que rapidamente nadam de volta para o que conhecem e permanecem nas áreas que conhecem. Mas o texto diz que eles perseveravam no ensino dos apóstolos.

    Os escritos sagrados

    Abram em 2 Timóteo, naquela declaração tão conhecida do apóstolo Paulo a Timóteo, em 2 Timóteo 3:15-17:

    E que, desde a infância, conheces os escritos sagrados, que podem tornar-te sábio para a salvação mediante a fé que há em Cristo Jesus.
    Toda Escritura inspirada por Deus é também proveitosa para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça;
    para que o homem de Deus seja completo, plenamente equipado para toda boa obra.

    Agora, creio que vale muito a pena pararmos um pouco para examinar isso. O apóstolo não faz rodeios. Aqui ele tem um jovem apóstolo; aqui ele tem alguém que vai assumir o seu lugar. Ele acredita que esse jovem é o sucessor designado e ordenado por Deus. Abre-lhe o coração e compartilha com ele os seus segredos.

    Ele poderia facilmente ter dito: “Agora, meu querido Timóteo, meu filho na fé, você já cresceu tanto; já experimentou tantas coisas. Você não precisa da Palavra de Deus. Precisa de êxtases mais profundos. Precisa de experiências maiores. Como apóstolo nesses dias que virão, você precisa ser arrebatado, como eu fui, ao terceiro céu e ouvir coisas que não deve repetir”.

    “Porque, assim, você sempre terá algum tipo de vara com a qual bater no povo de Deus. Poderá dizer a eles que há mais coisas que você não pode, de modo algum, contar, mas que conhece porque teve experiências que nem sequer estão no Livro.”

    Ele não diz isso. Ele diz: “Você conhece os escritos sagrados”. Parece muito legalista — os escritos sagrados que podem torná-lo sábio para a salvação. Ah, quem dera todo filho de Deus fosse sábio para a salvação!

    Uma coisa é ser salvo; uma coisa é ser convertido. Mas somos sábios para a salvação? Estamos descobrindo toda a extensão da nossa salvação? Estamos descobrindo todo o poder que há na nossa salvação? Estamos encontrando o propósito de Deus em sermos salvos? Estamos avançando para o alvo da nossa salvação?

    Esses escritos sagrados podem nos tornar sábios para a salvação — não apenas um evangelho simples, mas nos tornar sábios quanto a todo o propósito de Deus ao nos salvar. Qual é o alvo da sua salvação?

    Depois ele prossegue e diz:

    Toda Escritura inspirada por Deus é também proveitosa para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a instrução na justiça;
    para que o homem de Deus seja completo, plenamente equipado para toda boa obra.

    Meus queridos amigos, isso me parece muito legalista. Parece mesmo. Ele não menciona o Espírito Santo. Não menciona o Senhor Jesus. Agora, será que ele quer dizer que não precisamos do Espírito Santo? Claro que não. Será que quer dizer que não precisamos do Senhor Jesus? Claro que não. Então, por que não diz isso?

    Ele não está lidando com uma criança do jardim de infância. Não está lidando com alguém convertido há dois dias. Está lidando com um homem que tem um ministério apostólico e que vai assumir o seu lugar. Por que lhe diz com tanta clareza, como se isso fosse absolutamente fundamental: “Esses escritos sagrados podem torná-lo sábio para a salvação”? O homem de Deus pode ser completo por meio dessas Escrituras; pode ser plenamente equipado para toda boa obra.

    A dependência do Espírito Santo

    É perfeitamente correto entendermos que simplesmente estudar a Bíblia como um livro sagrado não nos levará a lugar algum, a menos que sejamos suficientemente humildes e quebrantados para depender do ministério do Espírito Santo.

    O próprio Jesus disse que o Espírito da verdade nos guiaria a toda a verdade. E Tiago diz, em Tiago 1:5-6:

    Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura; e ser-lhe-á dada.
    Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando.

    Em outras palavras, se você e eu sabemos que não podemos compreender, pelo nosso próprio intelecto ou pela nossa própria inteligência, essa revelação que Deus nos deu, então entenderemos que não podemos simplesmente tomar essas Escrituras e, de alguma forma, dominá-las, analisá-las, investigá-las, compartimentá-las, sistematizá-las e tudo o mais.

    O Espírito Santo é o único que pode desvendar a revelação contida nessas preciosas palavras de Deus. Se entendermos que não temos o tipo de sabedoria do alto necessário para compreender o que Deus está dizendo por meio desses escritos, então, na dependência do Espírito Santo e dessa sabedoria que Deus dá liberalmente — sem discutir conosco, sem nos dar sermões nem ficar nos importunando —, podemos tomar este Livro.

    E este Livro pode se tornar, pelo Espírito Santo, por meio do Senhor Jesus, o poder de Deus para transformar nossa vida. Este Livro pode se tornar o meio pelo qual você e eu somos unidos a Deus em Cristo. Descobrimos que este Livro se torna vivo para nós. Ele nos forma, nos transforma, nos corrige, nos encoraja e nos instrui.

    Especialmente aqueles de nós que tiveram alguma experiência carismática — e eu não sou, de modo algum, contra experiências carismáticas — provavelmente diriam: “Agora, espere um pouco. Há algo muito errado aqui. Acho que esse deve ter sido um daqueles dias em que Paulo não estava bem”.

    “Porque ele disse que, por meio dessas Escrituras, o homem de Deus poderia se tornar completo. Ora, eu não concordo com isso. É somente pelo Espírito Santo, ou por um encontro pessoal com o Senhor Jesus, que o homem de Deus pode se tornar completo.”

    “Não concordo. Como é que é? Ele deve ter ido dormir de mau humor. O Espírito e o Senhor não estavam com ele quando escreveu essa coisa específica. É pura religião. É legalismo, nem mais, nem menos.”

    “Como é possível que as Escrituras tornem o homem de Deus completo? Como a mera Escritura pode equipar plenamente o homem de Deus para toda boa obra? Isso é um absurdo. Somente o Cristo ressurreto pode equipar plenamente o homem de Deus para toda boa obra. Somente o Espírito do Senhor vindo sobre uma pessoa e habitando nela pode fazer com que esse homem de Deus seja plenamente equipado para toda boa obra.”

    Meus queridos amigos, é bastante evidente, por tudo o mais que o apóstolo disse, que ele acredita de maneira muito clara que precisamos conhecer o Senhor Jesus — não saber a respeito Dele, mas conhecê-Lo. Está perfeitamente claro que o apóstolo disse em outro lugar que devemos conhecer diretamente, em nossa própria experiência — não de segunda ou terceira mão —, o poder da Sua ressurreição e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformados à Sua morte.

    Mas também me parece muito claro que o Senhor Jesus só nos dá esse conhecimento de Si mesmo por meio da Palavra de Deus. É a Palavra de Deus que o Espírito Santo torna viva para nós, e então algo acontece dentro de nós.

    A Palavra viva e implantada

    Se começássemos a compreender isso, nossa maneira de encarar a Bíblia mudaria profundamente. Eles perseveravam no ensino dos apóstolos.

    Eles realmente estudavam a Palavra de Deus, mas não apenas com sua capacidade e habilidade mental. Aproximavam-se dela na dependência do Espírito Santo, e o Senhor podia tornar este Livro vivo para eles.

    À medida que começo a compreender isso, muitas outras coisas começam a se encaixar. Descubro que é por meio da fé. Ele diz aqui, em 2 Timóteo 3:15:

    E que, desde a infância, conheces os escritos sagrados, que podem tornar-te sábio para a salvação mediante a fé que há em Cristo Jesus.

    Portanto, agora temos a Palavra de Deus, temos o Senhor Jesus e temos a fé viva. A única maneira de compreender, descobrir e experimentar nossa tão grande salvação é por meio das Escrituras, quando exercemos uma fé viva.

    Hebreus 4:2 diz que a mensagem não trouxe proveito aos que estavam no deserto porque a pregação das boas-novas acerca da terra prometida não foi acompanhada de fé neles. Como não foi acompanhada de fé, não produziu efeito.

    Quantas vezes você e eu percebemos que a Palavra de Deus simplesmente não faz nada em nós porque não há fé viva em nós. Como não há fé viva, a Bíblia continua sendo um livro religioso. Continua sendo apenas a Sagrada Escritura — nem mais, nem menos.

    Fico maravilhado quando começo a examinar isso. Encontro, por exemplo, em Colossenses 3:16, a palavra inspirada do apóstolo:

    Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros.

    Ele não diz: “Que a Palavra de Cristo instrua vocês”. Isso já seria muito bom. Ele não diz: “Que a Palavra de Cristo abençoe vocês”. Isso já seria maravilhoso. Ele não diz: “Que a Palavra de Cristo desafie vocês”. Bem, isso é necessário. Ele diz: “Que a Palavra de Cristo habite em vocês”.

    Agora, como este Livro pode habitar em mim? Como esta Escritura pode sair da página e viver em mim, a não ser pelo Espírito de Deus? A não ser que seja o Senhor Jesus ressurreto que traga este Livro para dentro de mim e comece a torná-lo carne e sangue?

    Encontro a mesma coisa em Tiago, na carta de Tiago, que muitos consideram a mais legalista das cartas do Novo Testamento. Mas ele diz, em Tiago 1:21-22:

    Portanto, despojando-vos de toda impureza e da abundância de maldade, recebei com mansidão a palavra implantada, que pode salvar as vossas almas.
    Sede, porém, praticantes da palavra e não somente ouvintes.

    Ora, essa é uma expressão maravilhosa: a Palavra implantada. Em outras palavras, essa Palavra realmente entra em você e cria raízes em sua vida. Germina em você, cria raízes, cresce e produz fruto.

    Isso é exatamente o que Jesus disse nas parábolas. Em Mateus 13:1-23, Ele falou da parábola do semeador. Em determinado ponto, Ele nos diz que a semente é a palavra do reino. Mas depois usa uma expressão extraordinária. Repetidas vezes, embora a semente seja a palavra do reino — a Palavra de Deus —, Ele diz: “Aquele que foi semeado”.

    É como se essa Palavra de Deus se tornasse tão unida à pessoa que Deus salva que ela própria fosse a Palavra de Deus. A Palavra entra nela e começa a realizar uma obra em seu interior. Começa a conformá-la à imagem do Filho de Deus. Começa a lhe trazer revelação. Inunda o seu ser com luz divina. Muda todo o rumo de sua vida.

    A Palavra como espada que discerne

    Penso em Hebreus 4:12:

    Porque a palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes; penetra até a divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração.

    Ah, irmãos, como precisamos que as forças que nos motivam sejam reveladas a nós! Quantos de nós, na verdade, não fazem ideia de qual é a força que motiva o nosso cristianismo? Seria um choque terrível descobrir que é o nosso próprio eu.

    Vejam a divisão entre nós. Vejam as facções entre nós. Vejam toda essa rivalidade que existe. Aqui está o escritor de Hebreus — se for o apóstolo Paulo — falando da Palavra de Deus como viva, eficaz e mais cortante do que uma espada de dois gumes. Ele fala dela como algo vivo e criador, como uma espada de dois gumes que divide.

    Isso não parece uma Sagrada Escritura empoeirada, escritos sagrados. É quase como se estivesse viva.

    Por que, para alguns cristãos, a Bíblia é completamente morta, enquanto, para outro cristão, a Bíblia é viva, criadora e está sempre fazendo alguma coisa dentro dele? Não é interessante?

    Creio que precisamos examinar profundamente toda essa questão. Aqui, na igreja primitiva, nenhum deles queria tentar ser o chefe, em certo sentido. A Palavra de Deus estava fazendo alguma coisa dentro deles.

    Isso não significa que não temos liderança, que não temos autoridade. Mas significa o seguinte: muitas das nossas pequenas comunidades se tornam palcos para as pessoas demonstrarem seu poder — pequenos reinos mesquinhos e ditadores ainda mais mesquinhos.

    Pouquíssimas pessoas chegaram a enxergar as forças motivadoras por trás disso, porque a Palavra de Deus nunca fez a divisão entre alma e espírito. Nunca se permitiu que ela discernisse os pensamentos e as intenções do coração.

    Todos têm alguma ambição. Os que dizem que não têm são mentirosos. Todos têm algum tipo de ambição, mas a diferença está em saber disso.

    Se você sabe que tem essas ambições e sabe de onde elas vêm — nem sempre do Espírito do Senhor, mas de algo egocêntrico, interessado em si mesmo, em sua própria promoção e em sua própria glória —, então, pela primeira vez, você clamará ao Senhor para que o liberte. Mas, quando não tem consciência disso, continua batendo no povo de Deus, continua explorando as ovelhas.

    O poder transformador da Palavra

    Por isso, creio que essa questão de perseverar no ensino dos apóstolos é de tremenda importância. Essa Palavra, da qual acabei de falar como habitando em nós, como sendo a Palavra implantada ou enraizada em nós — na primeira carta de Pedro, em 1 Pedro 1:23, é isto que ele diz:

    Tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, por meio da palavra de Deus, que vive e permanece.

    Ele diz que você e eu nascemos de Deus por meio da Palavra de Deus, que é capaz de nos trazer à vida. Deus usa a Sua Palavra para nos fazer nascer.

    Na verdade, não conheço ninguém que tenha nascido de Deus — verdadeiramente nascido de Deus, e não nesse sentido esvaziado em que tantas vezes se fala disso aqui na América do Norte —, mas verdadeiramente nascido de Deus, a quem não tenha chegado, de alguma forma e com poder, a Palavra do Senhor, por mais simples que fosse.

    De repente, percebem que são pecadores, ou percebem que estão caminhando para uma eternidade de perdição. Percebem, como dizem, que Jesus é o único; ou veem o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo. Algo novo se torna claro para eles.

    É impressionante para mim que possa existir uma literatura extraordinária, de inspiração humana, mas eu nunca soube de uma frase de Shakespeare que tenha libertado um alcoólatra da bebida. Nunca soube sequer de algo em A Megera Domada que tenha restaurado um casamento desfeito.

    Mas tenho visto que este Livro entra nas pessoas, e é impressionante o que faz com elas. Onde quer que eu vá nestes dias, em que há tanto divórcio e tanta infelicidade doméstica, ouvem-se, graças a Deus, relatos de pessoas a quem a Palavra do Senhor chegou e curou um casamento, curou um lar, tirou alguém das drogas, tirou alguém da delinquência juvenil, tirou alguém do alcoolismo e transformou sua vida.

    Uma ilustração de Bornéu

    Para mim, uma das coisas mais empolgantes do mundo é ir ao Sudeste Asiático e a Bornéu e me sentar entre todos aqueles caçadores de cabeças. Às vezes, também acho isso muito engraçado. Levaram-me a uma das casas comunais, e eu não conseguia parar de olhar para aqueles sacos de crânios pendurados.

    Um dos irmãos — naquela época, eles tinham acabado de conhecer o Senhor — me disse: “Não se preocupe, eram todos japoneses”. Eram todos soldados japoneses, coitados, que tinham saído de trás de uma árvore para fazer suas necessidades e nunca mais foram vistos; suas cabeças estavam nas casas comunais.

    Mas isso me impressiona. Essas pessoas não podiam se casar: um rapaz não podia se casar com uma moça a menos que trouxesse uma cabeça em uma sacola de cordas. Ora, isso acontecia apenas uma geração atrás. Era assim que ele precisava fazer.

    Ele trazia um troféu, e sua futura noiva examinava a cabeça para ver se era de um velho de setenta anos ou de um octogenário — caso em que ela achava que ele não valia grande coisa — ou se era de um rapaz. Com base nisso, ela dizia sim ou não.

    E agora, quando vou lá, vejo aqueles belos rostos resplandecendo com a beleza de Deus — transformados. Isso se espalhou por toda aquela floresta tropical. Alguns levam dois dias para chegar às reuniões, com bebês carregados em sacos debaixo dos braços, e ficam ali sentados, ouvindo por duas ou três horas. Simplesmente não querem ir embora.

    O que acho tão bonito são os seus rostos. Ninguém pode me dizer que isso não é o poder da Palavra de Deus. Ela tomou pessoas selvagens, pessoas que se gloriavam no assassinato, pessoas que acreditavam que fazia parte de seu ciclo de vida tirar a cabeça de um homem de seus ombros e pendurá-la como troféu no novo lar.

    E agora encontramos essas pessoas tão amáveis. Preciso tomar cuidado — estou me desviando do assunto. Mas uma das coisas mais belas aconteceu quando vieram falar comigo em Bandar, na capital do pequeno reino de Brunei, e disseram: “Temos uma oferta e queremos enviá-la às viúvas e aos órfãos israelenses”.

    Essas pessoas, por toda a floresta tropical, tinham arrecadado dinheiro. Eu não queria ficar responsável por ele, então lhes disse que deveriam levá-lo a Singapura, à embaixada de Israel, e entregá-lo lá, porque existe um fundo para isso.

    Mas preciso dizer a vocês: achei isso extraordinário. Ali estavam justamente as pessoas que produziam viúvas e órfãos, arrecadando dinheiro para viúvas e órfãos. Não é impressionante? Agora me digam o que a Palavra de Deus faz.

    A Palavra de Deus na história

    Quando William Tyndale compreendeu pela primeira vez que a Palavra de Deus não precisava ficar encoberta em alguma língua sagrada que ninguém pudesse entender — na época, era o latim —, disse que viveria até o dia em que pudesse colocar nas mãos de cada rapaz que trabalhava com o arado as Escrituras em sua língua materna, de uma maneira que ele pudesse compreender.

    Aquele homem foi estrangulado em Antuérpia por causa de seu trabalho, e seu corpo foi queimado. Mas, ao morrer, clamou: “Ó Deus, abre os olhos do rei da Inglaterra”. E, dentro de um ano, o rei que havia ordenado sua execução decretou que, em todo o reino da Inglaterra e do País de Gales, em cada igreja paroquial, um exemplar das Escrituras em inglês fosse preso por uma corrente a um púlpito de leitura, e qualquer pessoa que soubesse ler teria liberdade para lê-lo ao povo.

    Conta-se que grandes multidões se reuniam nas igrejas paroquiais, dando as costas ao pregador. Isso está registrado na história. Os vigários e sacerdotes reclamaram ao rei que, em consequência de seu decreto, eles pregavam no púlpito enquanto todos lhes davam as costas e ouviam um dentre eles ler as Escrituras.

    Porque achavam as Escrituras muito mais interessantes do que o pregador.

    E o que aconteceu foi que as Escrituras realizaram uma obra em todas aquelas ilhas que, no fim, é claro, também chegou aqui. Era a Palavra de Deus. Os Pais Peregrinos — suas vidas foram moldadas pela Palavra de Deus.

    O poder deste Livro, quando somos humildes, quando dependemos do ministério do Espírito Santo, quando buscamos a Deus por revelação — o poder deste Livro para transformar não apenas vidas, mas comunidades inteiras, não apenas comunidades, mas nações inteiras — está claramente demonstrado na história.

    A Palavra de Deus como purificação e formação

    Ah, meus queridos amigos, acho isso tão empolgante, tão maravilhosamente empolgante. Desejo de todo o coração que você e eu tenhamos essa mesma atitude em relação a isso.

    Este Livro não apenas nos faz nascer. Este Livro não apenas vem habitar em nós. Este Livro não apenas nos transforma; também nos é dito que somos purificados por meio dele. Jesus disse, em João 15:3:

    Vós já estais limpos por causa da palavra que vos tenho falado.

    E Efésios 5:26 nos fala da purificação pela lavagem de água por meio da Palavra. Este Livro faz algo extraordinário.

    O antigo salmista disse, em Salmos 119:9:

    Como purificará o jovem o seu caminho?
    Observando-o segundo a Tua palavra.

    Não há como tirar pensamentos impuros da mente de um jovem, ou todo um desejo por algo que não deveria estar ali, a não ser pela Palavra de Deus. Purificados pela Palavra de Deus.

    Agora, creio que começamos a compreender de uma maneira nova uma declaração como esta: para que o homem de Deus seja completo, plenamente equipado para toda boa obra.

    Um testemunho pessoal

    Sou tão grato por este Livro. Sempre sou grato porque, bem no início da minha vida cristã, quando eu nunca havia lido a Bíblia, quando tinha doze anos — na verdade, eu estava quase com treze quando tive uma Bíblia, porque, durante o primeiro ano, só tínhamos um pequeno Evangelho de João, e ninguém pensou em nos dar uma Bíblia.

    Achavam que todos na Grã-Bretanha tinham uma Bíblia, mas na minha família não tínhamos uma. Lembro-me da empolgação com que comecei a ler a Palavra pela primeira vez.

    Sou tão grato por algumas daquelas pessoas piedosas que talvez não compreendessem tudo o que compreendo hoje, mas que eram tão cheias de um espírito de graça, amor e fé. Lembro-me de que uma delas me disse: “Não se aproxime deste Livro com um espírito orgulhoso, exigindo que ele lhe revele o seu segredo. Peça sabedoria a Deus, e Ele a dará a você”.

    Foi isso que fiz. Nunca abria a Bíblia sem pedir ao Senhor: “Por favor, ajuda-me a compreender o que está aqui neste Livro”. Descobri que essa era uma das coisas mais empolgantes de toda a minha vida: a Palavra de Deus.

    Fui criado com a ideia de que a Bíblia era uma coleção de mitos, imprecisões e lendas, e que, basicamente, não era confiável. Lembro-me da empolgação com que descobri, quando estava, creio eu, no fim da adolescência, que os primeiros capítulos da Bíblia correspondiam aos últimos capítulos da Bíblia.

    Fiz uma descoberta incrível. Percebi que os três primeiros capítulos e os três últimos capítulos correspondiam minuciosamente uns aos outros. Então fiz uma descoberta ainda mais notável: percebi que, se retirássemos o terceiro capítulo de Gênesis e o vigésimo capítulo de Apocalipse, teríamos o início e o fim de uma carta — primeiro, algo apresentado; depois, algo concluído — sem pecado, sem a queda.

    Bem, senti como se tivesse levado um choque elétrico, como se, de alguma forma, tivesse colocado o dedo em um fio energizado. Foi um choque tão grande para mim. Pensei: “Todas essas pessoas falam das imprecisões e da irrelevância da Bíblia, e isso não pode ser verdade”.

    Então tentei descobrir: quando Apocalipse passou a ser o último dos sessenta e seis livros da Bíblia? Fiz outra descoberta extraordinária. Descobri que houve um enorme debate sobre o livro de Apocalipse por quase quatro séculos, até que finalmente ele ocupou o último lugar. Às vezes era colocado junto a Lucas, às vezes junto às cartas de João, mas só ficou na última posição no quarto século, quando finalmente foi reconhecido universalmente como parte da revelação divina.

    O casamento como tema bíblico

    Então pensei comigo mesmo: isso é realmente extraordinário. A Bíblia começa com um casamento e termina com um casamento. Começa com um casamento humano; termina com um casamento divino. Começa com o casamento de Adão e Eva; termina com o casamento do Cordeiro e da esposa do Cordeiro.

    Para mim, essa descoberta foi de deixar a cabeça girando. Depois encontrei outra coisa que me deixou atônito. Li que, se você pegar sua Bíblia — desconsiderando qualquer dicionário que possa haver no final — e a abrir literalmente no meio, onde chegará? Em Cântico dos Cânticos.

    Cântico dos Cânticos tem sido chamado por teólogos liberais de uma cantiga obscena. Alguns chegaram a dizer que é pornografia na Bíblia. Mas, na verdade, a tradição rabínica a respeito de Cântico dos Cânticos, que pessoalmente acredito estar absolutamente correta, era que se tratava de uma alegoria dada ao rei Salomão em uma visão. Era uma alegoria do amor de Deus pelo Seu povo redimido, o povo da aliança.

    Aqui encontrei outra coisa extraordinária: a Bíblia começa com um casamento, termina com um casamento e, no coração da Bíblia, há outro casamento. É uma história impressionante.

    Comecei a examinar Cântico dos Cânticos e descobri que havia ali uma série de maneiras pelas quais o noivo começava, por assim dizer, a educar — ou, se preferirem, a instruir — sua noiva. Vocês se lembram? Ela estava tão orgulhosa por tê-lo conquistado. Deixava as mãos penderem, perfumadas, estava adornada e se entregava ao conforto.

    Quando ele veio bater à porta, ela disse: “Ah, estou descansando”. Ele bateu mais um pouco. “Bem, é melhor eu me levantar.” Mas ele já estava cansado dela e tinha ido embora. Vocês se lembram?

    Começa com uma declaração característica de boa parte do nosso cristianismo tão superficial, em Cântico dos Cânticos 2:16:

    O meu Amado é meu, e eu sou Dele.

    Sabem, muitos dos nossos hinos são assim: “Oh, isso será glória para mim”. Glória para mim — é maravilhoso. Um grande hino antigo, mas toda a ênfase está em mim. Há outro que tem um refrão: “Meu, meu, meu, eu sei que Ele é meu”.

    É maravilhoso, mas é verdade. É um determinado tipo de cristianismo. É válido, genuíno; mas toda a ênfase está em: “O meu Amado é meu, e eu sou Dele”.

    Depois de lidar com ela por algum tempo, ele se afastou dela. Ela saiu e o procurou por toda parte, até que finalmente o encontrou de novo. Então, dessa vez, depois de mais tratamento, ela diz, em Cântico dos Cânticos 6:3:

    Eu sou do meu Amado, e o meu Amado é meu.

    Essa é uma ênfase diferente. Agora já não é: “Ele é meu; eu sou Dele”. Mas ela ainda não está pronta, e ele precisa continuar lidando com ela. Então, quase no final daquela pequena revelação, ela diz, em Cântico dos Cânticos 7:10:

    Eu sou do meu Amado, e o Seu desejo é para mim.

    Já não aparece a ideia de “meu” ou “é meu”: “Eu sou do meu Amado”. Então, curiosamente, o noivo se volta para ela e diz: “Temos uma irmãzinha. Ela é imatura demais, jovem demais; não pode se casar. O que faremos com ela?”.

    Acho isso extraordinário. Aqui temos uma Bíblia. As pessoas falam de todas essas lendas, mitos, falta de confiabilidade e imprecisões, e agora descobrimos que ela começa com um casamento, termina com um casamento e tem um casamento no centro. O que tudo isso significa, a não ser que haja aqui algo de tremenda importância — uma correspondência?

    Adão, Cristo e a noiva

    Então começo a compreender tudo. Descubro que, no início da Bíblia, há esse casamento humano, que, segundo nos é dito, é uma espécie de figura do divino. Foi instituído para revelar algo eterno, não apenas para o tempo, mas para a eternidade.

    Alguns de vocês já me ouviram dizer isso, mas se lembrarão de como tudo é apresentado em Gênesis 2:18-25. Começa assim: não se encontrou para Adão uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Em hebraico, isso significa que não havia ninguém que refletisse Adão. Não havia ninguém que lhe correspondesse — não no sentido de alguém que lhe retrucasse, mas alguém que de fato lhe correspondesse, em quem ele pudesse ver a si mesmo.

    Então o Senhor disse que traria todos os animais diante de Adão para que ele lhes desse nomes. A maioria de nós pensa: “Ah, que historinha interessante!”. Toda aquela história dos animais vindo diante de Adão, e ele dando nome a cada um, um após o outro.

    Quando li a Bíblia pela primeira vez, não conseguia entender isso. Pensei: “Bem, é uma coisa muito tola para o Senhor fazer. Por que Ele fez isso? Ele havia criado os animais. Por que não disse: ‘Agora, Adão, essa coisa enorme que vem chegando, com essas orelhas imensas — isto é um elefante’?”

    Adão teria dito: “Elefante. Sim, Senhor”. Depois: “Aqui vem uma girafa, essa criatura comprida aí. Isto é uma girafa”. Mas não, o Senhor não fez isso.

    O texto diz que não se encontrou para Adão uma auxiliadora que lhe fosse idônea, e Deus disse: “Agora, o que é isto, Adão?”. Adão olhou e disse: “Um elefante. Vou chamá-lo de elefante”. O Senhor disse: “É um elefante”, e assim continuou.

    “Aqui, isto é uma girafa.” “Está bem, Adão, é uma girafa.” “E isto?” “É um gato, Senhor.” “E isto?” “Bem, isto é um porco-espinho, Senhor.” “Está bem, porco-espinho.” “E isto é um cachorro, Senhor.” “Um cachorro.”

    Não tenho certeza de que todos os animais tenham simplesmente passado por ele. Talvez o gato tenha vindo e ficado com ele, ou o cachorro tenha vindo e se sentado ao seu lado. Mas o que o Senhor estava tentando fazer? No final, o texto diz: “Não se encontrou para Adão uma auxiliadora que lhe fosse idônea”.

    Mais tarde, quando comecei a compreender, isso ficou perfeitamente claro para mim. Deus não queria dizer a Adão: “Agora, Adão, você é apenas metade. Sua outra metade não está aqui. Você ainda não está completo”. Ele traria os animais diante dele. Se houvesse alguém com quem Adão pudesse viver, tudo bem.

    Adão vê o elefante: “Muito interessante, Senhor, mas eu não poderia viver com ele”. Depois, a girafa: “Não, Senhor, eu não poderia viver com ela”. O gato: “É um animal de estimação, mas não posso viver com ele”. O cachorro: “Senhor, seria um amigo maravilhoso — o melhor amigo do homem —, mas eu não poderia viver com ele”.

    Então vem o orangotango, que significa, em malaio, “o homem da floresta”. Acho que Adão provavelmente parou por um momento e pensou: “Bem, esse é o mais parecido comigo”. Mas depois disse: “Não, Senhor, isso é um orangotango”. O Senhor disse: “É um orangotango”, e ele se foi.

    Então o Senhor o fez dormir, abriu o seu lado, retirou carne e osso e criou uma mulher. Quando Adão acordou, não disse: “Ah, e agora, o que é isto?”. Adão disse: “Isto sou eu”.

    Em hebraico, homem é ish; mulher é ishah. Em outras palavras, ele disse: “Isto sou eu. Isto corresponde a mim. Agora vejo a mim mesmo. Isto é bem diferente de todos os outros. Esta e eu, nós dois podemos viver juntos. Podemos compartilhar a vida. Podemos nos complementar”.

    Acho impressionante quando chegamos ao Calvário. João, o apóstolo — aqui estamos de volta ao ensino dos apóstolos —, João, que compreendeu mais profundamente do que todos os outros o verdadeiro significado da Pessoa e da obra do Senhor Jesus, nos diz que, em determinado momento na cruz, depois da escuridão que havia coberto toda a face da terra por tantas horas, Jesus deu um grande brado.

    Em grego e em hebraico, uma palavra: “Consumado”. O véu do templo foi rasgado em dois, de alto a baixo.

    Então João nos diz — e isso parece ter para ele um significado imenso, uma importância tremenda — que, quando um soldado veio verificar se Jesus estava morto, cravou uma lança no Seu lado, e do Seu lado saíram sangue e água. Depois João diz que aquele que dá testemunho disso tem um testemunho verdadeiro, como se isso fosse de tremenda importância.

    Escrevendo em uma de suas cartas, João diz, em 1 João 5:8:

    E três são os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue; e os três concordam em um.

    Agora, o que João quis dizer? Alguém diz: “Bem, é a nossa salvação, não é?”. Mas espere um pouco. Nossa salvação já havia sido completada. Quando Jesus Cristo disse: “Consumado”, não havia mais nada a acrescentar. Então, por que o soldado precisou perfurar o Seu lado, como se ainda houvesse algo a fazer pela nossa salvação?

    Não, meus queridos amigos, foi o Senhor Jesus, como o último Adão, que morreu na cruz, e agora o segundo Homem. Seu lado foi aberto. Ele estava dormindo — colocado para dormir, por assim dizer, por Deus —, e agora Seu lado é aberto.

    Do Seu lado, Deus toma sangue e água e, pelo Espírito de Deus, cria a noiva. Quando Jesus ressuscita dentre os mortos, é como se estivesse dizendo: “Isto sou Eu”.

    Naquele dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado sobre os cento e vinte, foi como se o Espírito tivesse trazido a água e o sangue — o sangue da obra expiatória do Senhor Jesus, a água da Sua vida — para dentro daqueles cento e vinte, formando-os como um corpo, formando-os como uma entidade orgânica e apresentando-os ao Senhor Jesus.

    Era como se Jesus dissesse: “Isto sou Eu. Nós dois estaremos juntos para sempre”.

    Não é de admirar, então, que no final da Bíblia encontremos, em Apocalipse 22:17:

    E o Espírito e a noiva dizem: Vem.

    A habitação do Espírito Santo

    A primeira imagem que temos do Espírito do Senhor, naqueles três primeiros capítulos, é a do Espírito de Deus pairando sobre o caos e a ausência de forma.

    Novamente, em hebraico, a palavra é usada para uma águia ou uma grande ave de rapina procurando um lugar para fazer seu ninho, para se alojar. Ela não consegue encontrá-lo. O Espírito Santo não encontra nada que possa chamar de lar, nada que possa chamar de Seu ninho, nada que possa chamar de Sua habitação.

    Ao longo de todas as páginas da antiga aliança, encontramos o Espírito Santo usando, abençoando, capacitando, inspirando, instruindo e dirigindo, mas nunca habitando — até que Jesus nasce.

    Quando Jesus nasce, o Espírito Santo está ali. Quando Jesus é batizado, o céu se abre e Deus diz: “Este é o Meu Filho amado, em Quem Me comprazo”. O Espírito Santo desce sobre Ele em forma de pomba e habita, permanece, sobre Ele.

    Pela primeira vez, o Espírito Santo encontrou um lar. E, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo veio fazer Sua morada em cento e vinte membros do corpo do Senhor Jesus.

    Ao longo de toda a história da igreja, desde aquele dia de Pentecostes até hoje, cada mover sucessivo do Espírito Santo, cada novo derramamento, por assim dizer, novamente manifestado na história da igreja, tem sido o Espírito Santo encontrando, na primeira geração, um lar onde habitar — para revelar o Senhor Jesus, para expressar o Senhor Jesus, para tornar o corpo do Senhor Jesus uma realidade viva nesta terra.

    Portanto, quando chegamos ao último capítulo da Bíblia, quase ao último versículo, lemos estas palavras maravilhosas em Apocalipse 22:17:

    E o Espírito e a noiva dizem: Vem.

    É como se o Espírito Santo já não estivesse pairando, procurando um ninho, procurando um lar. Ele o encontrou.

    A Palavra de Deus e a restauração espiritual

    Portanto, meus queridos amigos, aqui está um elemento constitutivo do povo de Deus, de tudo o que o Senhor queira fazer em restauração em nossos dias e em nossa geração. É uma característica. É um elemento essencial. Eles perseveravam no ensino dos apóstolos — na Palavra de Deus.

    Creio que corremos um grande perigo, nesta parte final do século XX, de desvalorizar a Palavra de Deus. Já é muito raro encontrarmos estudos bíblicos de verdade, como se isso fosse algo antigo, algo tedioso. É claro que conheço a maneira como alguns deles são conduzidos: são tediosos. Mas não precisam ser.

    Se vocês examinarem qualquer mover do Espírito de Deus na história da igreja, descobrirão que ele começou com uma redescoberta da Palavra de Deus e uma redescoberta do poder da Palavra de Deus.

    Cada mover avançou na medida em que a Palavra de Deus foi a autoridade suprema e se tornou viva para as pessoas. Quando ela passa a ser apenas Escritura sagrada, apenas mera doutrina, de alguma forma, então esse mover do Espírito morre.

    Por isso, oro para que Deus torne isso uma realidade viva para todos vocês nestes dias.

    A Palavra de Deus e o testemunho de Jesus

    Uma última coisa, e eu termino. Quando chegamos ao livro de Apocalipse, encontramos uma expressão que é exclusiva desse livro, e a encontramos repetidas vezes:

    A palavra de Deus e o testemunho de Jesus.

    É como se esse fosse o ponto central de todo o conflito. Como se, ao longo de toda a grande batalha que tem sido travada em torno dessa questão do propósito de Deus e de seu cumprimento, tudo estivesse concentrado na Palavra de Deus e no testemunho de Jesus.

    Mas me parece que temos aqui uma indicação de que, na última parte da história do mundo, o ponto central de toda a batalha que enfrentaremos será a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus.

    É por isso que você e eu precisamos permitir que Deus faça agora a obra que precisa fazer em nós. É por isso que, enquanto temos liberdade, devemos estudar a Palavra de Deus, memorizar a Palavra de Deus e meditar na Palavra de Deus.

    O povo de Deus sempre foi ensinado a meditar nessa Palavra do Senhor dia e noite; a trazê-la entre os olhos, atá-la aos braços e colocá-la nos umbrais dos portões e nas portas; quer estivessem sentados, quer se levantassem, quer andassem pelo caminho, deveriam sempre ter essa Palavra do Senhor diante de si.

    Que o Senhor torne isso uma realidade viva para cada um de nós. Não há outra maneira de nos tornarmos completos. Não há outra maneira de sermos plenamente equipados para toda boa obra. Não há outra maneira de sermos guardados do engano, da ilusão e de todas as obras das trevas que abundarão no fim desta era, a não ser pela Palavra de Deus tornada viva para nós pelo Espírito Santo.

    Vamos orar?

    Senhor, Tu sabes que realmente honramos a Tua Palavra. Oramos, Senhor, para que nenhum de nós caia nessa armadilha de deixar isso para quando tivermos tempo.

    Ó Deus, faz a Tua obra em todos nós, a obra que somente Tu podes fazer — uma obra, Senhor, pela qual possas, de alguma forma, fazer com que a Tua Palavra viva em nós.

    Nós nos entregamos agora a Ti, Senhor, querido Senhor, em toda a nossa fraqueza e em toda a nossa necessidade. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.