Bem, abram comigo no Evangelho de Mateus — Mateus 24.
E, estando Ele assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a Ele os discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas? E qual será o sinal da Tua vinda e do fim do mundo?
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane.
Porque muitos virão em Meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos.
E ouvireis de guerras e de rumores de guerras: vede que não vos perturbeis; porque é necessário que essas coisas aconteçam; mas ainda não é o fim.
Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares.
Mas todas essas coisas são o princípio das dores.
Então vos entregarão à tribulação, e vos matarão; e sereis odiados por todas as nações por causa do Meu nome.
E então muitos tropeçarão, e se entregarão uns aos outros, e se odiarão uns aos outros.
E levantar-se-ão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.
E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Vamos nos inclinar juntos para uma palavra de oração.
Pai, queremos Te agradecer nesta manhã porque estamos reunidos aqui em Tua presença e porque já percebemos que Tu nos tens acolhido. E agora, Senhor, nos aproximamos da Tua Palavra e queremos simplesmente confessar em Tua presença que, sem Ti, nada podemos fazer.
Eu posso falar; nós podemos ouvir. Mas, Senhor, nada de valor real e eterno resultará desta manhã, a menos que Tu, Senhor, sejas a nossa graça e o nosso poder. Tu és a nossa unção.
Portanto, Senhor, porque Tu tão graciosamente providenciaste essa unção, queremos, pela fé, nos apropriar dela, tanto para quem fala quanto para quem ouve.
Querido Senhor, poderias, de alguma maneira, escrever algo em nosso coração e falar ao nosso espírito de tal modo que isso se torne carne e sangue, que se torne a nossa própria vida, o nosso próprio ser?
Senhor, nós nos entregamos a Ti agora, com ações de graças, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, não é preciso lhes dizer que o tema desta conferência tem sido “Venha o Teu reino”. Tenho certeza de que todos sabem disso; e, se não sabem, fico me perguntando o que vocês têm feito nos últimos dias.
Alguns cristãos são inacreditáveis, pela maneira como dormem de olhos abertos — especialmente nas reuniões. É uma espécie de processo evolutivo impressionante que ocorreu particularmente entre os cristãos.
Mas tenho certeza de que, aqui nesta conferência, vocês conhecem bem o tema destes dias, e acho que a maioria sabe que a minha responsabilidade tem sido tratar deste evangelho do reino.
Quero apenas destacar este versículo, Mateus 24:14:
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Quero destacar, em primeiro lugar — por causa do tempo, não quero me demorar mais na introdução —, estas palavras: “Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo.”
Há uma ordem do Rei: que você e eu preguemos o evangelho em todo o mundo. É uma ordem imperativa.
Ninguém — nenhum filho de Deus, nenhum líder cristão, nenhum teólogo — tem o direito de contradizer essa ordem do Senhor Jesus.
Uma das últimas coisas que Ele disse antes de ser elevado aos céus foi:
Toda a autoridade Me foi dada no céu e na terra.
Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos ordenei;
e eis que Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
Em outras palavras, não temos um “se”, nem uma possibilidade, mas uma comissão — uma ordem — que foi praticamente a última coisa que o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos, àqueles que seriam Seus seguidores, à Sua igreja, aos Seus remidos. Deveríamos ir a todo o mundo e pregar este evangelho.
Marcos 16:15 expressa isso assim:
Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criação.
Acho essa expressão interessante. É claro que, em certo sentido, ela se refere à terra habitada, mas é interessante que essa seja a expressão usada. Não há como escapar disso.
Não devemos ficar na América do Norte. Não devemos ficar na Europa. Não devemos ficar em algum grupinho santo e aconchegante, em algum lugar onde as coisas sejam um pouco mais agradáveis — exceto pelos atritos que temos uns com os outros. Devemos sair por todo o mundo com este evangelho do reino.
Agora, há um ensino que relegou este evangelho do reino ao milênio. Ele estabeleceu uma divisão entre o evangelho do nosso Senhor Jesus, o evangelho da graça e o evangelho do reino. Afirma que o evangelho do reino só deve ser pregado no milênio.
Eu acho — e não vou me demorar nisso —, pessoalmente, acho isso tão ridículo. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso precisa apenas comparar as palavras do Senhor Jesus em um Evangelho com as palavras do Senhor Jesus em outro, e descobrirá que aquilo que em alguns é chamado de evangelho do reino de Deus, em outros é chamado de evangelho do reino dos céus.
E, naturalmente, temos o evangelho do Senhor Jesus e este evangelho do reino.
Agora, aquilo em que creio é muito simples. Trata-se deste evangelho do reinado de Deus; deste evangelho acerca do Rei de Deus; deste evangelho acerca da graça abundante de Deus, pela qual Ele nos dá entrada neste reino e nos restitui a possibilidade de chegar ao trono de Deus somente pela graça de Deus.
Este evangelho da glória de Deus, este evangelho do nosso Senhor Jesus — este evangelho foi confiado aos seguidores do Senhor Jesus para ser pregado em todo o mundo.
Não temos o direito de nos desligar desta comissão. Quero dizer isso da maneira mais enfática: é possível ao povo de Deus não se envolver, de modo prático e efetivo, na pregação do evangelho deste reino em todo o mundo — e isso é pecado e transgressão.
Agora, às vezes não sei o que há de errado conosco, mas somos pessoas tão limitadas, e não tenho dúvida de que o Senhor entende isso. Por alguma razão estranha, somos incapazes de manter em nossa mente mais de uma verdade de cada vez.
Uma vez que compreendemos essa verdade da obra do evangelho, como a chamamos, não queremos saber de conferências nem de qualquer coisa relacionada ao aprofundamento da vida espiritual. Ficamos inteiramente concentrados em campanhas evangelísticas, evangelização, trabalho missionário, em ir ao encontro das pessoas e em tudo o mais. Achamos que não temos tempo para aqueles que simplesmente ficam em casa estudando a Bíblia e falando sobre aprofundamento da vida espiritual e maturidade.
Mas, da mesma forma, aqueles que enxergam algo a respeito da igreja muitas vezes se desligam completamente da obra do evangelho, como se enxergar o propósito de Deus, como se enxergar o objetivo de Deus, automaticamente nos desqualificasse. Como se isso automaticamente nos isentasse da obra do evangelho.
Meu querido amigo, isso não existe. Essas duas questões vitais precisam andar de mãos dadas.
A igreja precisa ser edificada, como nosso irmão disse ontem à noite, com pedras vivas. De onde vêm as pedras vivas? Nós as surrupiamos de outros galinheiros? Quero dizer, de onde elas vêm?
De onde vêm essas pedras vivas? São pessoas salvas pela graça de Deus em nosso meio. São pessoas que, por meio da nossa vida e do nosso testemunho conjunto como povo de Deus, passam a conhecer o Senhor: por meio do nosso testemunho, da nossa vida em comum, de sermos conformados à imagem do Filho de Deus.
Não temos o direito de ignorar esta comissão do nosso Rei ressurreto e glorificado.
Há aqueles que a ignoram e acham que têm o direito de fazê-lo porque estão se dedicando ao que consideram assuntos mais importantes — relacionados à noiva, à cidade de Deus, ao fim e ao objetivo do Senhor. Por isso, sentem-se isentos. Podem ignorar essa questão e deixá-la para outros.
Agora, não estou dizendo que todos nós achamos que os outros estão no jardim de infância, que são uma espécie de inferiores. Mas existe certa atitude que surge, simplesmente porque somos seres humanos comuns: depois de enxergarmos algo mais, pensamos: “Vamos deixar isso para aqueles que enxergam algo menos”.
E assim deixamos toda a questão do evangelho para aqueles que, na verdade, consideramos crianças. Eles são superficiais, sabem — rasos. Não enxergam realmente essa questão do trono de Deus, da noiva de Deus, do corpo do Senhor Jesus.
Então, nós somos líderes. Podemos ignorar esta comissão porque precisamos nos dedicar a uma questão muito mais importante. Meu querido amigo, não podemos ignorar essa questão, nem podemos contorná-la, como se, ao nos concentrarmos em algo essencial no propósito de Deus, pudéssemos deixar de lado outra coisa igualmente essencial e igualmente fundamental.
Se ignoramos, contornamos ou anulamos esta comissão do Rei, isso é desobediência. E a desobediência traz uma armadilha e uma escravidão sobre qualquer vida. Traz uma armadilha e uma escravidão sobre qualquer comunhão do povo de Deus, qualquer assembleia do povo de Deus.
Esta ordem é bastante clara. Espero já ter destacado isso; praticamente não preciso repeti-lo. Ele deve ser pregado em todo o mundo — não necessariamente apenas em nossa própria terra natal. É o mundo inteiro.
Agora, isso não significa que todos nós possamos ir ao mundo inteiro. Esta comissão não pretende nos transformar em viajantes internacionais, saltando de um lugar para outro. Não é isso que o Senhor quer dizer.
Mas devemos ter uma visão mundial. Ela não se limita a uma localidade ou a uma nação; seu horizonte é mundial. É uma visão mundial.
Devemos orar por aqueles que estão na linha de frente da batalha. Devemos orar pela obra do Senhor nessas regiões do mundo onde se trata, por assim dizer, de um trabalho pioneiro.
Devemos orar para que o Senhor nos ajude a não apenas orar; às vezes, devemos contribuir financeiramente. Às vezes, há muitas outras maneiras pelas quais podemos nos envolver nisso.
Agora, quero que vocês observem — e destaco isto; voltarei a esse ponto daqui a pouco — que é até o fim desta era.
Nosso Senhor fez uma promessa específica àqueles que cumprem esta ordem:
E eis que Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.
Em outras palavras, até que este evangelho do reino alcance seu objetivo, até que se cumpra sua pregação em todo o mundo, o Senhor nos dá uma promessa específica de que Sua presença estará conosco.
Ou seja, toda a Sua graça estará conosco. Todo o Seu poder estará conosco. Toda a Sua sabedoria estará conosco. Todos os Seus recursos estão à nossa disposição. O Senhor fez uma promessa específica.
Ouço essa promessa ser reivindicada por todo tipo de pessoa que nunca saiu de casa. Mal saiu da própria cadeira para ganhar outra pessoa para o Senhor. Mas essa promessa é condicional.
Devemos ir e fazer discípulos de todas as nações, e:
Eis que Eu estou convosco todos os dias, até o fim desta era.
Isso não significa que o Senhor não esteja com você quando você não está necessariamente envolvido na obra do evangelho. Mas o que estou dizendo é o seguinte: temos uma promessa específica de que o coração do Senhor está tão envolvido nessa questão que Ele promete estar pessoalmente conosco, na pessoa do Espírito Santo.
Ele promete estar conosco com toda a Sua graça, todo o Seu poder, toda a Sua sabedoria, todos os Seus dons e todos os Seus recursos, até que esta comissão seja cumprida.
Quero que vocês observem que não é algum tipo de evangelho simplificado que deve ser pregado — apenas o evangelho que proclama que você está perdoado, que Jesus morreu. É o evangelho do reino. Essa é a descrição mais completa que temos do evangelho.
Isso inclui não apenas a graça salvadora de Deus, mas também o propósito do Senhor e o objetivo final do Senhor.
Não é muito interessante que nosso Senhor, na versão de Mateus, diga: “Ide, portanto”? Não: “Ide, portanto, e pregai o evangelho em todo o mundo”. Não. Não: “Ide, portanto, e convertei todas as nações”. Não. Não: “Ide, portanto, e fazei membros da igreja”. Não.
Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
ensinando-os a guardar todas as coisas que vos ordenei.
Em outras palavras, aí vocês têm todo o significado da cruz. Têm todo o significado da vida abundante pelo Espírito de Deus, no significado e no testemunho do batismo, ensinando-os a guardar todas as coisas que lhes ordenei.
Este não é um evangelho pequeno. Não é um evangelho que pede apenas alguma decisão, que alguém levante a mão ou assine um papelzinho.
Não quero desvalorizar nem desprezar os muitos que passaram a conhecer o Senhor dessa maneira tão simples. Mas, meus queridos amigos, preciso lhes dizer uma coisa.
Acho que essa expressão, “nascido de novo”, tem sido usada de qualquer maneira, especialmente na mídia norte-americana, a ponto de desvalorizar todo o conceito do novo nascimento.
Temo muito que haja milhares e milhares dentro das igrejas evangélicas, e até mesmo, às vezes, em outros grupos fundamentalistas, que não nasceram verdadeiramente de Deus. Acolheram alguma ideia, sem jamais procurar tornar firme a sua vocação.
Eu poderia dar exemplos disso, mas isso me afastaria do que realmente quero dizer nesta manhã.
Temos aqui uma ordem imperativa, e isso deixa alguns de nós muito desconfortáveis. Não temos o direito de deixar de obedecer.
Mas agora quero dizer mais uma coisa. Vocês acham que nosso Senhor está interessado apenas em contar cabeças? Que tudo o que Ele quer é colocar números no reino? Que Ele quer algum tipo de reconhecimento para Si mesmo, como se isso fosse tudo o que Lhe interessa?
Meu querido amigo, por que o Senhor Jesus disse: “E eis que Eu estou convosco todos os dias, até o fim desta era”, se não fosse porque Seu coração está nessa questão? Se não houvesse algo tão presente em Seu coração nessa questão que Ele quisesse compartilhar conosco?
Meus queridos amigos, sei que isso está além da nossa compreensão. É quase inacreditável para nós.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito.
Parece quase banal dizer que Deus ama este mundo. Para mim, é muito difícil imaginar que, da mesma maneira que o Senhor me ama, Ele ama cada um dos milhões e milhões de indianos. Vocês entendem o que estou tentando dizer?
Bem, deixem-me colocar de outra maneira. Há centenas de milhões de indianos no subcontinente indiano, e cada um deles é amado por Deus e conhecido por Deus.
Há quase um bilhão de chineses na China continental, e cada um deles é amado por Deus e conhecido por Deus.
Agora, digo que isso me deixa sem palavras. Eu penso: “Bem, o Senhor não consegue fazer isso. Ele não tem um computador grande o suficiente. Não é capaz, por assim dizer, de armazenar todas as informações sobre cada pessoa — sua vida, seu nascimento, sua história genética, seu temperamento, sua personalidade, a maneira como nasceu, seus sentimentos, seus anseios”.
Mas não há uma só pessoa neste mundo que não seja amada por Deus: o judeu orgulhoso, o terrorista, os britânicos, os alemães, os russos, os marxistas, os capitalistas — não há uma só.
Vejam, não conseguimos assimilar isso. Há algo em nós que diz: “É claro que o Senhor me conhece. Eu sou especial. Quero dizer, eu chamei a atenção Dele”.
“Ora, ora, ora, vejam só. Há alguém ali muito especial. Preciso Me interessar por ele. Vou Me interessar por ela. Ela tem uma personalidade marcante, um talento. Chamou a Minha atenção.”
Vejam, temos essa ideia — essa ideia islâmica — de um Deus distante. De vez em quando, imparcial e impessoal como Ele é, Sua atenção é atraída por um lampejo de cor ou uma pequena explosão em algum lugar deste cenário humano, e Ele olha para baixo e diz: “Tragam-Me o Meu telescópio”.
Então Ele, por assim dizer, fixa Sua atenção naquela pessoa e a estuda com muito cuidado. Diz: “Ora, ora, ora, acho que vou salvar essa pessoa. É uma pessoa muito interessante”.
Essa é uma ideia islâmica de Deus. Não é o Deus da revelação. Não é o Deus de Abraão, de Isaque, de Jacó — o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus.
Está além da nossa capacidade compreender que Deus conhece cada ser humano, independentemente de sua cor, de sua raça, de sua origem, de suas condições. E o Senhor Jesus entregou a Si mesmo por cada ser humano.
Meus queridos amigos, quando o Senhor Jesus, nos últimos momentos antes de subir aos céus, disse: “Ide, portanto, e fazei discípulos de todas as nações”, não estava simplesmente dizendo: “Agora, vejam, quero que vocês façam isso porque, para Mim, é um dever. Quero que o céu fique cheio de troféus. Quero poder Me vangloriar deste, daquele e daquele outro”.
“Quero todos esses tipos de pessoas no céu como uma espécie de glória para Mim.” Meus queridos amigos, longe de nós tal pensamento.
O Senhor Jesus ama este mundo. Ele o amou tanto que veio a este mundo, nasceu em Belém e viveu por trinta e três anos, suportando a oposição e a contestação dos pecadores, para que, ao final, pudesse oferecer a Si mesmo na cruz pelo mundo.
Para que pudesse salvar todos aqueles que creem, sejam quem forem, sejam o que forem.
Uma das últimas coisas que Ele disse foi: “Vão. Vão com este amor que está em Meu coração e que pode estar no coração de vocês. Vão e façam discípulos de todas as nações”.
Preguem o amor de Deus. Preguem a graça de Deus. Preguem o evangelho que é o poder de Deus para a salvação. Que eles não apenas entrem no reino de Deus, mas descubram o Meu coração. Que descubram o Meu propósito. Que saibam que Eu quero que venham ao Meu trono.
Ah, como temos falhado nessa questão.
Quero que vocês se lembrem de mais uma coisa relacionada a isso. Havia um profeta — um profeta hebreu, um profeta judeu. Era um homem fiel, um bom homem. Conhecia sua Bíblia. Conhecia a aliança que Deus fez com nosso povo. Seu nome era Jonas.
Certo dia, provavelmente em seu momento devocional, Deus lhe disse: “Vá a Nínive”.
E Jonas disse: “Nínive? Tu deves ter Te enganado, Senhor. Querias dizer Nazaré. Não, não, não. Nínive? Nunca, nunca, nunca!”
Ele não esperou para perguntar mais nada. Fugiu da presença do Senhor. Desceu a Jope e comprou uma passagem num barco que ia na direção oposta a Nínive.
É uma história impressionante. Vocês conhecem a história, não conhecem?
Mas o Senhor entendia o coração do Seu servo. Esse querido Jonas se tornou, para mim, um retrato de mim mesmo e um retrato do povo de Deus em qualquer momento da história.
Vejam, os assírios eram os mais cruéis de todos os povos. Eram odiosos, cheios da mais abominável idolatria. Seus ídolos eram monstruosos. Mas muito mais terrível do que seus ídolos monstruosos era a maneira como assassinavam pessoas de outras raças e nações.
Foram os primeiros a crucificar — não pregando numa cruz, mas empalando uma pessoa numa estaca.
Ah, Jonas estava interessado em uma única coisa. O Senhor falou de juízo, mas, em seu coração, Jonas conhecia um pouco o Senhor. Por isso, pensou: “Não, eu conheço o Senhor. Se eu começar a falar de juízo e aquelas pessoas demonstrarem o menor sinal de arrependimento, Ele vai perdoá-las”.
“E não estou interessado em que sejam perdoadas. Só estou interessado em que sejam eliminadas.”
Agora, meus queridos amigos, nós rimos, mas isso chega muito perto de nós. Quando vocês sofreram, como alguns de nós, por causa de outras nações e outros povos, às vezes é exatamente assim que nos sentimos.
Não estamos interessados em que sejam salvos. Estamos interessados em que o juízo de Deus caia sobre eles.
Jonas comprou essa passagem num navio mercante de carga que ia na direção oposta a Nínive, e Deus providenciou uma tempestade.
A tempestade ficou cada vez mais violenta. Todos os marinheiros e o capitão clamaram aos seus ídolos, e nada aconteceu. Por fim, alguém disse: “Há um homem aqui. Parece conhecer o próprio Deus, e acho que ele pode ser o problema”.
O capitão foi até ele e disse: “Você sabe alguma coisa sobre esta tempestade?”
Jonas disse: “Sim. É o Deus de Israel”.
O capitão disse: “Bem, o que você fez?”
Jonas disse: “A única maneira de vocês se livrarem desta tempestade é me jogar ao mar”. Pelo menos ele foi honesto — muito mais honesto do que alguns de nós.
Mas o Senhor não havia preparado apenas uma tempestade; havia preparado um peixe. Quando Jonas foi lançado ao mar, foi engolido pelo peixe. Eu creio nisso. Já vi milagres suficientes na minha vida para acreditar que Deus poderia facilmente providenciar um peixe. Sem problema.
Mas então temos uma das coisas mais impressionantes de todo o Antigo Testamento — na verdade, de toda a Bíblia. Temos uma reunião de oração dentro do estômago de um peixe.
Há algumas reuniões de oração impressionantes em diferentes ocasiões: reuniões de oração em masmorras, reuniões de oração entre leões, reuniões de oração em fornalhas ardentes. Mas nunca, em lugar algum, ouvimos falar de uma reunião de oração dentro do estômago de um peixe.
Mas aqui está outra coisa muito impressionante. Jonas se lembrou da palavra do Senhor ao rei Salomão:
Se vos voltardes para o lugar onde fiz habitar o Meu nome, e confessardes os vossos pecados, então ouvirei, e perdoarei, e vos trarei de volta.
Como Jonas sabia em que direção ficava Jerusalém, dentro da barriga do peixe, eu não sei. Deve ter dito: “Agora, Senhor, talvez eu esteja virado para a direção errada, mas, por favor, considera que estou voltado para Jerusalém”.
Ele orou: “Senhor, ouve isto. Pequei contra Ti”. E o Senhor deu ao pobre peixe uma dor de estômago, e ele expeliu Jonas na areia.
O Senhor disse: “Jonas, você está pronto para ir a Nínive?” E Jonas disse: “Sim”.
Agora Jonas disse: “Bem, Senhor, não vou perguntar mais nada. Não vou perguntar o que Tu vais fazer, nem coisa alguma. Vou a Nínive e vou pregar este evangelho de juízo a Nínive de tal maneira que todo o meu coração e todo o meu ser estarão nisso”.
E foi o que ele fez. Então aconteceu a coisa mais impressionante. Jonas nunca tinha visto nada parecido em todos os seus anos em Israel.
Ele havia pregado o juízo de Deus. Havia pregado a ira de Deus. Pregou a aliança de Deus, e em momento algum os israelitas haviam se arrependido.
Mas, em Nínive, desde a família real até os mais humildes, a cidade inteira — a aristocracia, a nobreza, o povo da cidade — jejuou e se arrependeu. Até colocaram pano de saco e cinzas nas vacas e nos cavalos.
E o Senhor disse: “Não posso fazer isso. Vou perdoá-los”.
Então Jonas ficou muito aborrecido. “Senhor”, disse ele, “Tu me mandaste vir até aqui e tiveste todo esse trabalho. Quero ver esse povo julgado. São pessoas perversas”.
Vocês conhecem toda a história, não conhecem? Sabem como Jonas saiu dali numa depressão terrível, daquelas em que muitos de nós caímos quando descobrimos que nossos conceitos teológicos não estão certos.
De repente, descobrimos que toda essa teologia que sustentamos durante anos não está inteiramente certa, e entramos numa depressão profunda, profunda. Ele saiu dali e ficou amuado.
Então cresceu uma aboboreira. E havia aquele terrível vento oriental — se vocês sabem alguma coisa sobre o vento oriental, imagino que Jonas tenha sofrido com ele. Muitos de nós, inclusive eu, sentimos certo tipo de dor de cabeça quando esse hamsin, ou esse sharav, esse vento do leste, sopra com força. Jonas não foi exceção.
Então essa aboboreira cresceu, estendeu-se sobre ele e lhe deu abrigo. Seu verde e seu aspecto agradável o encantaram. Depois, um pequeno verme entrou na raiz e, de repente, ela morreu.
Jonas ficou muito aborrecido. “Senhor, Senhor! Tu és perfeitamente capaz de matar aquele verme. Por que deixaste aquele verme entrar nesta aboboreira?”
Então o Senhor disse: “Jonas, você está tão preocupado com essa aboboreira, que cresceu num dia e morreu num dia, e não se importa nem um pouco com toda esta nação”.
“Como Eu poderia julgar esta nação, com todas essas criancinhas que não sabem distinguir a mão esquerda da direita, quando seus adultos se arrependeram? E quanto aos animais domésticos?”
Eu sugiro que esse foi o maior choque que Jonas já teve: o Senhor conhecia as criancinhas de Nínive. Ele realmente sabia tudo a respeito delas.
Foi um choque terrível para Jonas. Ele achava que o Senhor só tinha tempo para o povo da Sua aliança. Que Ele só conhecia as criancinhas das famílias do povo da Sua aliança.
Ele sabia que o Senhor havia dito coisas sobre como tratar seu jumento, seu asno e seu camelo. Tudo isso estava na Palavra de Deus. Mas era para o povo da aliança.
Nunca imaginou que o Senhor conhecesse os animais domésticos de uma cidade perversa como Nínive, que não tinha absolutamente nada a ver com a terra prometida.
Agora, meus queridos amigos, muitas vezes esse é o retrato de vocês e de mim. Quando começamos a enxergar as coisas mais profundas, quando começamos a enxergar algo do propósito de Deus, então, de uma forma ou de outra, muitas vezes nos tornamos exclusivistas e excluímos da nossa mente todo esse mundo que sofre além do nosso círculo.
Como se Deus estivesse interessado apenas em nós e em nossas reuniões. Como se fôssemos os únicos destinatários do Seu amor. Como se Ele nunca tivesse amado mais ninguém.
Para nós, quanto mais cedo o Senhor vier e condenar o mundo, melhor. Que seja julgado. Que seja destruído. Que tudo se perca, desde que nós sejamos salvos.
Mas, meu querido amigo, este evangelho do reino deve ser pregado em todo o mundo porque Deus ama este mundo.
Ele o ama tanto que deu Seu Filho unigênito por ele. O Senhor Jesus veio a este mundo porque amava este mundo.
Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou Seu Filho para ser a propiciação pelos nossos pecados.
Meus queridos amigos, quando começamos a entender isso, muitas coisas se encaixam.
Mas preciso ficar de olho no tempo, porque estamos com pouco tempo. Quero passar a outro ponto. Quero que vocês observem esta expressão: “para testemunho a todas as nações”. Acho isso muito interessante.
Este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações.
Essa pregação é mais do que palavras. É mais do que a definição da verdade. É mais do que a exposição da verdade ou da doutrina. É um testemunho.
Agora, o que é um testemunho? Um testemunho precisa ser de primeira mão. Não pode ser de segunda, terceira ou quarta mão. Você só pode dar um testemunho, só pode ser uma testemunha, se viu algo pessoalmente, se esteve envolvido diretamente de alguma maneira.
Você esteve pessoalmente envolvido num acidente ou em alguma coisa que aconteceu. Então pode ser uma testemunha. Então pode dar um testemunho. Você precisa estar vivo para dar um testemunho. Ele precisa ser de primeira mão.
Agora, o que isso significa? Ouçam com atenção. Acho que significa a pregação e a presença do reinado de Deus — não apenas a pregação, mas a presença.
Em outras palavras: “Eis que Eu estou convosco até o fim desta era”. Não se trata apenas de pregar, de expor a verdade, de apresentar teologia, ainda que seja sã doutrina e uma verdade absolutamente correta.
A presença do próprio Rei precisa estar ali, de modo que, com a pregação do evangelho, haja não apenas uma declaração do reinado de Deus, mas uma manifestação do reinado de Deus.
Colocando de outra maneira: a pregação deste evangelho do reino deve ser autenticada pela presença do Rei. Vocês estão ouvindo isso?
Vejam, muitas vezes temos a ideia de que evangelizar é simplesmente pregar algum tipo de mensagem. Deveria haver uma manifestação da presença do Senhor, uma demonstração, se quiserem, da presença do Rei.
Agora, não me importa de que maneira essa manifestação ocorre. Vou dizer mais alguma coisa sobre isso daqui a pouco. Mas me importa que haja milagres.
O que quero dizer é o seguinte: que haja vidas arrancadas do poder das trevas, libertas da escravidão demoníaca e transferidas para o reino do Filho amado de Deus; que haja alcoólatras que não desejem mais uma gota de bebida e que possam até estar diante dela sem sentir desejo algum.
Que haja vidas despedaçadas sendo restauradas — esses são os milagres e os sinais mais essenciais de todos.
Onde quer que o evangelho seja pregado, não esperamos cem por cento de sucesso, como se todos os que o ouvem fossem crer. Ele deve ser pregado para testemunho a todas as nações.
Nosso trabalho é declarar o reinado de Deus. Nosso trabalho é apresentar a graça de Deus. É obra do nosso Senhor ressurreto, pelo Espírito de Deus, salvar aqueles que creem.
Agora, meu querido amigo, quero levar isso um passo adiante. Espero sinceramente que vocês me perdoem, os que têm convicções fortes sobre esse assunto, mas quero levá-lo um passo adiante.
Vejam, na minha avaliação, há um ensino que deixou toda essa questão paralisada — a pregação do evangelho do reino. Esse ensino diz que nunca devemos esperar ver o Senhor agir para autenticar a pregação do evangelho.
Temos de pregar o evangelho; as pessoas devem se converter. Conduzimos isso como uma empresa de vendas norte-americana, com toda a pressão psicológica, todas as técnicas de venda e toda a parafernália que as acompanha.
Meus queridos amigos, dou graças a Deus porque há sinais e maravilhas que acompanham a pregação da Palavra de Deus. Pessoalmente, não creio que tenham cessado com o fechamento do cânon do Novo Testamento. Nunca cri nisso e nunca crerei.
Talvez seja porque sou judeu, mas simplesmente não consigo aceitar isso. Quando olho para a história da igreja, vejo que, onde quer que este evangelho do reino tenha sido pregado, sociedades inteiras foram viradas de cabeça para baixo. Nações foram influenciadas permanentemente — ou pelo menos por muito tempo, por séculos e séculos — pela pregação desse evangelho.
Os criminosos foram salvos. Os marginalizados sem esperança foram salvos.
Ah, eu poderia parar e contar história após história dos primeiros tempos da Reforma, dos huguenotes. Poderia contar histórias dos primeiros quakers, quando transformaram toda a sociedade britânica de dentro para fora e de cabeça para baixo.
Quando dois terços dos pregadores quakers estavam presos ao mesmo tempo, sabem o que fizeram? Tantos presos foram salvos que as prisões se tornaram escolas bíblicas, e essas prisões se tornaram os seminários bíblicos dos pregadores quakers.
Quando foram libertados, saíram aos milhares para pregar o evangelho. Meus queridos amigos, vocês não fazem ideia do que aconteceu ao longo de toda a história da igreja: os primeiros metodistas, os primeiros Irmãos, os primeiros pentecostais. Onde quer que vocês olhem, encontram a mesma coisa.
Meus queridos amigos, vocês têm uma autenticação desta pregação do evangelho do reino.
Marcos expressa isso desta maneira, em Marcos 16:15, 17-18:
Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda a criação.
E estes sinais acompanharão os que crerem: em Meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas;
pegarão em serpentes, e, se beberem alguma coisa mortífera, de modo algum lhes fará mal; imporão as mãos sobre os enfermos, e eles serão curados.
Não creio que essas sejam apenas coisas que o Senhor deu como exemplos maravilhosos. Sei que há grupos que, em suas reuniões, têm cobras e as pegam com as mãos. Dá para acreditar? Qual é o sentido disso?
Houve casos nas montanhas dos Apalaches em que pessoas beberam veneno e morreram. Elas não compreenderam o sentido disso.
O que o Senhor está dizendo? Está dizendo o seguinte: quando o evangelho é pregado, há um impacto da presença do Rei. É disso que se trata.
Você pode tomar veneno e tentar o Senhor. Não se trata de ver uma cobra e dizer: “Agora vou pegá-la em nome do Senhor”. Quero dizer, isso é estupidez.
O fato é o seguinte: quando você é colocado numa situação em que pode confiar no Senhor, Ele estará com você, porque disse: “Eis que Eu estou convosco até o fim”.
Meu querido amigo, eu poderia passar muito tempo nesse assunto. Poderia falar do apóstolo Paulo e de como, repetidas vezes, ele diz:
Minha pregação não foi apenas em sabedoria, mas em demonstração do Espírito e do poder de Deus.
Autenticação.
Acho que a coisa mais maravilhosa está em Atos 1:1. Sei que a maioria de vocês já teve sua atenção chamada para esta pequena expressão:
Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar.
Agora, aqui está Lucas novamente. Ele escreveu Atos pelo Espírito de Deus. Também havia escrito o Evangelho de Lucas. Agora nos conta algo impressionante.
Aqui está Jesus à direita da Majestade nas alturas, e aqui estão cento e vinte membros do Seu corpo, cheios da vida e do poder da ressurreição do Senhor Jesus por meio da pessoa do Espírito Santo. De repente, tudo começa novamente.
Tudo o que Jesus havia feito, a igreja primitiva faz. Há milagres, há sinais, há coisas maravilhosas acontecendo. Agora, não me entendam mal.
Há Tiagos que são decapitados, e Pedros a quem anjos vêm, destrancam todos os portões e os levam para fora. Nunca compreendemos a soberania do Senhor nessa questão.
Mas o fato é o seguinte: ao lermos o livro de Atos, descobrimos que o corpo é realmente o corpo do Senhor Jesus. O Cabeça continua agindo por meio do Seu corpo na terra — virando o mundo de cabeça para baixo, confrontando as pessoas com o reinado de Deus, confrontando-as com o reino de Deus, confrontando-as com o poder de Deus, confrontando-as com a verdade de Deus.
Este é o evangelho, meu querido amigo.
De onde veio essa ideia de que a pregação do evangelho acontece numa reunião evangelística em que simplesmente pregamos um evangelho simples?
Agora, por favor, não me entendam mal nessa questão. Dou graças a Deus pelo evangelho onde quer que seja pregado. Dou graças a Deus pela maneira como o Senhor usa as pessoas.
Penso em Charles Haddon Spurgeon, que, quando era menino, entrou numa pequena capela de uma pequena vila em algum lugar de Essex, na Ânglia Oriental, e ouviu um homem que mal conseguia falar um inglês correto. Ele pregou o evangelho mais simples.
Spurgeon disse: “Eu conseguia contar cada erro que ele cometia”. Então o poder de Deus veio sobre Spurgeon, e o grande Haddon Spurgeon foi salvo.
Eu não desprezaria algum querido irmão pregando com simplicidade, do fundo do coração, pelo poder de Deus. Mas de onde veio essa ideia de que a obra do evangelho está, de alguma maneira, restrita a uma reunião evangelística? De onde ela vem? Certamente precisamos sair.
Bem, preciso ficar de olho no tempo. Há outra expressão neste versículo que quero apenas destacar: “Então virá o fim”.
Agora, quero que vocês observem isto:
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Em outras palavras, a pregação do evangelho do reino, para testemunho a todas as nações, continua em vigor até o fim.
Não temos o direito de dizer que não conseguiremos fazê-lo, ou que não devemos nos preocupar com isso porque agora estamos nos últimos dos últimos dias. Até o fim, este evangelho do reino deve ser pregado.
Isso deve se cumprir em meio a enormes abalos e tumultos, em meio a muita perseguição, tribulação e aflição — à hostilidade da sociedade ao nosso redor. Este evangelho do reino precisa ser pregado como testemunho a todas as nações.
Em que ponto desta era estamos? Naturalmente, se olharmos para Mateus 24, temos muitos sinais que nosso Senhor nos deu: reino se levantando contra reino, nação contra nação, fomes, terremotos, epidemias e perseguição.
Temos de dizer — e não vou entrar nisso em detalhes; quero apenas tocar no assunto — que este último século viu duas guerras mundiais e uma ou duas gerações que viveram cercadas por rumores de guerra.
Foi literalmente apenas no último ano que a situação começou a se amenizar um pouco, e isso é apenas mais uma etapa no cumprimento da Palavra profética de Deus.
O fato é que nunca vimos guerras como as que vimos neste século. Nunca vimos tamanha turbulência. Nunca vimos tamanhos abalos.
Junto com isso, houve terremotos, e ainda haverá mais. Houve fomes, e ainda haverá muitas mais. A razão é que, ecologicamente, provavelmente danificamos a terra a ponto de não haver recuperação até que o Senhor Jesus volte para colocá-la em ordem.
Grandes epidemias? Bem, estamos vendo o começo dessas coisas. Perseguição? Houve algum século, em toda a história da igreja e de Israel, em que mais pessoas se tornaram mártires pelo nome do nosso Senhor Jesus do que neste último século?
Em meio a tudo isso, a figueira está de volta ao seu próprio solo. A figueira julgada e ressequida, a figueira que desapareceu completamente do seu solo, de repente está de volta ao seu solo, cheia de vida.
Tentaram matar essa figueira repetidas vezes nos últimos quarenta anos, e não fizeram nada além de torná-la mais vigorosa e mais poderosa.
Querido amigo, o que podemos dizer? Pensamos nas palavras do Senhor:
Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se cumpram.
Não vou entrar na política envolvida nisso. Apenas digo que essas são as palavras do Senhor, seja o que for que pensemos sobre a política, seja o que for que sintamos a respeito da situação no Oriente Médio.
O fato é que vocês têm ali uma nação judaica pela primeira vez em mil anos. Essa figueira está de volta ao seu solo, e Jerusalém já não é pisada por não judeus. Essas são as palavras.
Em que ponto desta era estamos? Devemos estar perto da vinda do reino. Temos de estar.
Se olharmos agora para a nossa situação atual, de repente descobrimos, para nossa surpresa, que algo acontece no mundo marxista que é absolutamente inacreditável.
Acontece na Polônia. Vai da Polônia para a Hungria, da Hungria para a Bulgária, da Bulgária para a Alemanha Oriental, da Alemanha Oriental para a Tchecoslováquia e da Tchecoslováquia para a Romênia. É inacreditável.
De repente, toda uma região do mundo que esteve sob uma escravidão de ferro é libertada. Estão realizando reuniões ao ar livre em Varsóvia, reuniões ao ar livre em Budapeste. As pessoas receberam permissão para se reunir livremente. Podem realizar estudos bíblicos, reuniões de oração, distribuir literatura, imprimir Bíblias.
É a coisa mais inacreditável que aconteceu. Um homem que conhece o Senhor chegou à presidência do povo tchecoslovaco. Outro homem, pelo menos um católico comprometido e praticante, tornou-se primeiro-ministro de outro desses países.
Como é que alguém como eu nem sequer sabia disso? No ano passado, eu não sabia que isso estava tão próximo. Não teria sido maravilhoso se eu pudesse ter dito: “Sabem de uma coisa? Daqui a alguns meses, isso vai acontecer”?
Vocês teriam dito: “Bobagem”. Então teria acontecido, e eu nem precisaria lhes dizer: “Estão vendo?” Eu teria ficado quieto, e vocês teriam vindo até mim e dito: “Sabe, você disse isso no ano passado. Foi extraordinário”.
Mas eu estava tão cego quanto qualquer outra pessoa nessa questão.
Pensem no Kremlin. Quem imaginaria que o Kremlin permitiria que um culto cristão fosse transmitido pela televisão para toda a União Soviética na véspera do Natal ortodoxo? É inacreditável.
Não estou dizendo que tudo é maravilhoso. É claro que não. Ainda há marxistas no comando do Kremlin. Mas o que está acontecendo? Algo inacreditável está acontecendo.
Estamos no limiar de uma liderança mundial única e de um governo mundial único, porque todo o Ocidente agora precisa fazer alguma coisa para sustentar essas nações, e até mesmo a União Soviética, para que não voltem a um totalitarismo muito pior.
Estamos muito perto disso. Não queremos isso. Muitas nações do Ocidente, inclusive os Estados Unidos, não querem isso. Mas creio que haverá uma renúncia voluntária à soberania por parte de muitas, muitas nações, em nome da paz mundial e da prosperidade mundial.
Estamos tão perto disso, querido amigo. Penso na Alemanha. Penso no Mercado Comum Europeu.
De uma maneira absolutamente inacreditável, quando fui salvo, uma tia sueca idosa me disse: “O Sacro Império Romano será reavivado como o Sacro Império Romano”.
Fiquei interessado nisso porque tinha alguns parentes ligados a famílias aristocráticas dos Habsburgos. Eu disse: “Você precisa me contar mais”.
“Ah, sim”, disse ela, “vai se estender por toda esta região e, naturalmente, vai incluir isto e incluir aquilo.” Isso foi em 1944.
Meus queridos amigos, é impressionante o que está acontecendo na Europa, especialmente se a Hungria entrar nisso, e a Tchecoslováquia, como certamente acontecerá, e a Alemanha Oriental, e provavelmente parte da Iugoslávia, possivelmente até parte da Polônia.
Então temos algo extraordinário: o crescimento de um bloco de nações na Europa destinado a ser o fator mais poderoso, mais rico e mais influente da história mundial em sua etapa final.
Agora, meus queridos amigos, deixem-me colocar isso de outra maneira. Não quero entrar demais nesse assunto. Quero passar a um último ponto e terminar.
Meu ponto é simplesmente este: se vocês têm ouvidos para ouvir isto, não precisam aceitá-lo.
No início do período final dos anos trinta, havia duas nações neste mundo governadas por um principado pagão, um principado demoníaco e pagão. Uma era a Alemanha, e a outra era o Japão.
Ambas falavam incessantemente de uma nova ordem mundial. Falavam e falavam até perder o fôlego sobre essa nova ordem mundial que trariam ao mundo.
Os nazistas a levariam a toda a Europa no grande Reich que duraria mil anos e se estenderia do Atlântico aos Urais. Os japoneses achavam que toda a Ásia — China, Manchúria, todo o Sudeste Asiático — entraria nesse grande império do Japão sob o deus-sol.
Tentaram fazer isso por meios militares e fracassaram.
É interessante que essas duas nações tenham se tornado os grandes milagres econômicos do período após a Segunda Guerra Mundial.
Agora, de repente, descobrimos que, com o declínio dos Estados Unidos — que considero quase irreversível —, a Alemanha vai se reunificar, não ao longo de anos, mas praticamente em semanas, até primeiro de julho, com uma moeda comum e uma administração comum.
Não há dúvida alguma de que a Alemanha será o maior e mais influente fator individual no Mercado Comum Europeu.
Não é interessante? Quando a Europa Oriental pediu ajuda aos Estados Unidos, e estes se sentiram incapazes de ajudar plenamente como queriam, os Estados Unidos pediram que a Alemanha fizesse alguma coisa. A Alemanha disse: “Não podemos fazer nada porque estamos tentando sustentar a Alemanha Oriental”.
Então a Alemanha recorreu ao Japão, e o primeiro-ministro japonês veio diretamente a Bonn. Ele fez um discurso inacreditável, que, creio eu, marcará, nos dias futuros, um dos novos pontos de virada da história mundial. Disse: “Estamos à beira de uma nova ordem mundial”.
Queridos amigos, não tenham medo. Isso é muito empolgante. Significa que vocês e eu estamos exatamente no cenário de Apocalipse 13. Nós, vocês e eu, estamos de fato aqui, em Mateus 24.
Agora, ouçam isto. Aqui está o lado positivo: temos uma comissão para pregar o evangelho do reino em todo o mundo, como testemunho a todas as nações.
Não sabemos quanto tempo temos, mas não tenho dúvida de que há uma colheita a ser recolhida. Vocês e eu precisamos estar envolvidos nela.
Portanto, preciso terminar. Disso surge um desafio inevitável, e o desafio é este: Quanto você, e quanto eu, estamos envolvidos na pregação deste evangelho do reino em todo o mundo?
À medida que envelhecemos, refletimos mais. Se eu pudesse viver tudo de novo, daria uma ênfase muito maior ao apoio àqueles queridos servos de Deus nos lugares mais distantes.
Tenho tido o privilégio de viajar por muitos lugares — florestas tropicais, desertos. Às vezes tive de me retirar sozinho para o meu quarto porque fiquei profundamente comovido ao ver alguns dos fiéis servos de Deus.
Eu poderia manter vocês aqui por uma hora, falando de diferentes pessoas pelo nome — daqueles que deram a vida, das tribos que sofreram de maneira inacreditável, que viveram com recursos mínimos, que quase não foram conhecidas aqui no Ocidente, por quem quase não se orou, muito menos se ofereceu apoio.
Se eu pudesse viver tudo de novo, com a compreensão que tenho — a pouca que tenho — da igreja, a pouca que tenho do propósito de Deus, a pouca que tenho da necessidade absoluta de estarmos juntos e ligados uns aos outros, eu me colocaria sem reservas ao lado dessas pessoas.
Lembro-me de uma ocasião em que uma senhora idosa se aproximou de mim. Vestia-se de determinada maneira e tinha certa aparência, porque não estava acostumada ao Ocidente. Ficou a certa distância de mim, com a cabeça baixa.
Eu lhe disse: “A senhora quer dizer alguma coisa?” “Sim”, respondeu ela.
Perguntei: “De onde a senhora é? É da Indonésia?” “Indonésia?”, disse ela. “Não sou da Indonésia. Sou de Nagaland.”
Eu disse: “A senhora sabe onde fica Nagaland?” Ela respondeu: “Bem, eu sei”. Eu lhe disse exatamente onde ficava, e um grande sorriso se abriu em seu rosto.
Então ela me disse: “Querido irmão, quero lhe dizer que oramos pelo senhor em todas as nossas assembleias. Oitenta e cinco por cento do povo naga passou a conhecer o Senhor Jesus. Oramos pelo senhor em toda parte. Se o senhor pudesse nos visitar algum dia…”
Graças a Deus por quem quer que tenha levado o evangelho pela primeira vez.
Em outra ocasião, uma pessoa se aproximou de mim em outro lugar. Eu não sabia quem era, mas evidentemente pertencia a um dos povos tribais.
Perguntei: “De onde você vem?” “Venho da fronteira com a Birmânia”, disse ele. “A que povo você pertence?”, perguntei. Ele disse: “Lisu”.
“O senhor não faz ideia de quanto nós, do povo lisu, amamos Israel, de quanto oramos por Israel. Cremos que o propósito de Deus para o Senhor Jesus está, de alguma maneira, relacionado ao que Deus está fazendo naquela nação.”
“Sim”, eu disse. Sabem, lembrei-me da doutora Isobel Kuhn, que trabalhou entre os lisu. Lembrei-me da grande batalha de oração, de como agonizaram em oração por aquele povo lisu. Por fim, Deus salvou a primeira família.
É impressionante o que aconteceu com os lisu. Três quartos deles passaram a conhecer o Senhor Jesus.
Meus queridos amigos, eu poderia continuar, mas preciso terminar. O fato é que, para mim — ah, o desafio, o desafio! Penso comigo mesmo: “Onde tenho estado? O que tenho feito?”
Quando fui salvo, naquele tempo eu acreditava que o Senhor estava me chamando para a China. Por isso, meus estudos seguiram nessa direção. Fui aceito por certa missão e inscrito em seus registros.
Lembro-me de que, em meus estudos na universidade, precisei estudar a Mongólia, o Tibete, a Coreia e vários povos. Meu encargo foi crescendo cada vez mais. Eu era jovem.
Lembro-me de que, um dia, fui para o meu quarto e disse ao Senhor: “Senhor, gostaria de ter dez vidas, porque daria uma ao Tibete, uma à Mongólia, uma à Manchúria e uma à Coreia”.
Então minha saúde falhou. Depois, a China se tornou comunista. Parecia que eu não conseguiria chegar ao lugar para onde o Senhor me havia chamado. Por que Ele colocou esse encargo em meu coração?
Alguns anos atrás, quando eu estava indo me deitar — àquela altura já estava envolvido na obra, mas com um profundo encargo —, ouvi uma voz atrás de mim dizer: “Volte para o seu próprio povo”.
Pensei comigo: “Quem é o meu próprio povo?” Não eram os ingleses. Pensei: “Quem?” Então fui me deitar. Como o Senhor foi gracioso; Ele não insistiu comigo.
Três ou três meses e meio depois, eu estava indo me deitar novamente. Exatamente a mesma coisa: uma voz atrás de mim disse: “Volte para o seu próprio povo”.
Dessa vez, pensei por um momento: “Ah, uma irmã mahotiana, obrigado, senhor”. Ah, ela receberá uma recompensa.
Lembro-me com muita clareza. Dessa vez, fui me deitar, fiquei ali e pensei: “Sei que é o Senhor. Mas como posso me afastar desta obra em que tenho estado envolvido por todos esses anos? Não posso simplesmente abandoná-los. Não sei como isso vai acontecer”.
Como o Senhor é gracioso. Ele não insistiu comigo. Deixou passar mais alguns meses. Na vez seguinte em que eu estava indo me deitar, aconteceu a mesma coisa. Ouvi essa voz atrás de mim: “Volte para o seu próprio povo”.
Agora, dessa vez, eu disse: “Sim, eu sei, Senhor. Sei de quem Tu estás falando. Sei desde o princípio. Não queria encarar isso”.
Então eu disse: “Agora, Senhor, não fiques irado. Não fiques irado comigo. Já tenho idade suficiente para não precisar de sinais nem de confirmações. Sei que Tu falas”.
“Senhor, Tu sabes que ninguém vai me entender. Porque sou uma pessoa que passará por uma agonia. Senhor, não fiques irado. Dá-me um lar em Jerusalém, e saberei que Tu estás nisso.”
Bem, o próprio Senhor fez isso. Aconteceram as coisas mais inacreditáveis. Voltei para o meu próprio povo.
Milagrosamente, recebi a cidadania e, depois, uma posição bastante honrosa, com muito contato com muitas pessoas em cargos de grande poder.
Então, de repente, em vez de ficar preso às Ilhas Britânicas e à Europa, comecei a viajar. E comecei a descobrir coisas.
Quando estive em Bornéu, quando estive na Tailândia, quando estive na Indonésia, quando estive em muitos desses lugares para ver o que Deus está fazendo, o encargo em meu coração cresceu cada vez mais.
Ah, como eu gostaria — como eu gostaria, de todo o coração — que tivéssemos um coração voltado para o mundo.
Quando vi pela primeira vez aquelas pessoas nas Filipinas, nos lixões, nunca havia imaginado pessoas naquelas circunstâncias: feitas à imagem de Deus, amadas por Deus, e ninguém se importando.
Mas mulheres filipinas têm se tornado empregadas domésticas por todo o mundo, e ninguém se importa.
Meu querido amigo, não se esconda no propósito eterno Dele. Não se esconda na verdade acerca do corpo do nosso Senhor Jesus, nem no coração de Deus.
Lembrem-se: temos uma comissão. Não podemos simplesmente sair; o amor de Deus precisa ser derramado em nosso coração. Isso nos levará a um ponto em que talvez nos envolvamos nesta pregação do evangelho do reino em todo o mundo, para testemunho.
De cada tribo, de cada língua, de cada família, de cada nação, virá um tesouro para a cidade de Deus.
Que o Senhor coloque isso em seu coração. Que você nunca mais consiga relegar o evangelho a segundo plano. Que o Senhor grave isso com fogo em seu espírito, como oro para que Ele o grave no meu, e nos dê um coração semelhante ao Dele.
Vamos orar?
Senhor, elevamos nosso coração a Ti. Perdoa-nos, Senhor, porque tantas vezes não temos tempo algum para o mundo e suas nações.
Senhor, farás alguma coisa em nosso coração? Senhor, Tu nos colocarás face a face com esta Tua comissão: pregar o evangelho a toda a criação?
Ajuda-nos, Senhor. Ajuda-nos a começar onde Tu queres que comecemos. Abre estes nossos corações, Senhor.
Assim como Tu transformaste Jonas, de modo que ele pudesse contar a história contra si mesmo, assim, Senhor, trata o nosso coração.
Para que tenhamos um coração de amor e um coração de compaixão, um coração cujo horizonte seja o mundo inteiro.
Senhor, coloca em nosso espírito essa paixão que Tu tens — essas dores de parto que Tu tens —, para que, de cada língua, família, povo e nação, venha um tesouro para a Tua cidade.
Tu estás chamando um povo para fora. Senhor, Tu nos ajudarás a estar envolvidos de maneira prática e efetiva?
Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus.