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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Paul's Passion © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Paul's Passion
    Paul's Passion
    Pittman, Kenny

    A paixão exclusiva por Cristo

    Bem, bom dia. Vou ver se minha voz aguenta esta manhã. Já avisei ao Fontaine que talvez ele precise aumentar um pouco o volume do microfone; e, se vocês puderem suportar esse incômodo, vamos confiar que o Senhor tenha algo para nós.

    Abram em Filipenses 3. Vamos examinar Filipenses 3:1-15. Leremos esses versículos para compreender o contexto e, depois, nos concentraremos principalmente em Filipenses 3:12-15.

    Leitura bíblica: Filipenses 3:1-15

    Filipenses 3, começando em Filipenses 3:1:

    Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor.
    Escrever-vos as mesmas coisas não me é penoso, e para vós é seguro.
    Acautelai-vos dos cães, acautelai-vos dos maus obreiros, acautelai-vos da mutilação;
    porque nós somos a circuncisão, os que adoramos pelo Espírito de Deus, nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne.
    Embora eu também tenha motivos para confiar na carne. Se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais:
    quanto à circuncisão, fui circuncidado ao oitavo dia; da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu;
    quanto ao zelo, perseguidor da assembleia; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.

    Filipenses 3:7:

    Mas as coisas que para mim eram lucro, essas considerei perda por causa de Cristo.
    E, certamente, considero também todas as coisas como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por Quem sofri a perda de tudo e considero tudo como imundície, para que possa ganhar a Cristo,
    e ser achado Nele, não tendo a minha justiça, que seria segundo o princípio da lei, mas aquela que é pela fé em Cristo — a justiça que vem de Deus mediante a fé.

    Filipenses 3:10:

    Para conhecê-Lo, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte;
    se, de alguma maneira, eu puder alcançar a ressurreição dentre os mortos.

    Ou, como diz a versão de 1901, a “ressurreição para fora dentre os mortos”.

    Filipenses 3:12:

    Não que eu já tenha obtido o prêmio ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo, para ver se também posso tomar posse daquilo para o que também fui tomado por Cristo Jesus.
    Irmãos, não considero que eu mesmo já tenha tomado posse; mas uma coisa: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e estendendo-me para as que estão adiante, prossigo,
    olhando para o alvo, para o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.
    Portanto, todos quantos somos perfeitos, tenhamos esse mesmo pensar; e, se pensais de outra maneira, também isso Deus vos revelará.

    Oração inicial

    Vamos orar.

    Senhor, voltamos a Ti depois de termos lido a Tua Palavra e, mais uma vez, dizemos a Ti o quanto dependemos de Ti e o quanto desejamos que nos fales nesta manhã. Sem as Tuas palavras, não podemos viver.

    E dizemos a Ti, mais uma vez, a mesma coisa que Pedro respondeu naquele dia em que falaste com ele:

    Para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna.

    Fala, Senhor. Esperamos em Tua presença. Amamos a Tua voz e buscamos a Tua face. Pedimos que nos fales o que está nestes versículos, para que possamos correr após Ti. Pois pedimos isso no precioso e digno nome de Jesus. Amém.

    Filipenses como uma epístola do coração

    Acho que esta é uma passagem das Escrituras conhecida pela maioria de vocês. Na verdade, ela está em meu coração há bastante tempo. Não sei; talvez alguns de vocês até se lembrem de como, no ano passado, no encerramento da conferência da família, concluí com alguns pensamentos desses versículos. Desde então, não consegui me afastar deles, especialmente de Filipenses 3:12-15, e tenho meditado neles repetidamente.

    Recentemente, nosso irmão Stephen compartilhou uma palavra muito poderosa sobre:

    O zelo da Tua casa me consumiu.

    Na verdade, eu deveria estar de prontidão para substituí-lo, então esta é a mensagem que eu teria compartilhado. Agora, hoje, estou me perguntando quem está de prontidão para me substituir. Mas, de qualquer maneira, pela graça de Deus, vou tentar compartilhar com vocês aquilo que creio que o Senhor colocou em meu coração.

    Recentemente, enquanto meditávamos, orávamos e pensávamos na conferência da família de 2008, esses versículos vieram à tona novamente. Vários irmãos e irmãs que tinham esse mesmo encargo confirmaram que esse seria o tema apropriado para a conferência da família de 2008.

    O título que surgiu foi Rumo ao alvo, a partir desses versículos de Filipenses 3. Lembro-me de uma jovem irmã que estava naquela reunião de planejamento e disse: “Irmão, tenho orado sobre qual deveria ser o tema. Eu não sabia qual deveria ser. A única coisa a que conseguia chegar — e que me vinha à mente repetidamente — era Filipenses 3:10”:

    Para que eu possa conhecê-Lo.

    Creio que isso está no coração do Senhor para nós neste ano, enquanto nos preparamos para a conferência. Compartilho sobre isso hoje com certa relutância, mas os irmãos acharam que eu deveria seguir em frente, então é o que farei.

    Penso que Filipenses ocupa um lugar de destaque entre as epístolas de Paulo. Acho que todos vocês sabem que há treze epístolas de Paulo — pelo menos a maioria de vocês provavelmente sabe disso. Ela é a décima na ordem.

    O lugar de destaque que ela ocupa — e acho isso significativo; portanto, se vocês tiverem paciência comigo enquanto apresento um pouco do contexto, creio que isso dará o tom — é o de ser a última carta dirigida a uma igreja. Agora, alguns de vocês talvez queiram discutir e digam: “Irmão, houve outras cartas”. Mas, se vocês pensarem em 1 Timóteo, que veio depois, em Tito e em 2 Timóteo, essas foram cartas dirigidas a indivíduos. De fato, elas tratam da igreja, mas esta carta aos Filipenses foi dirigida especificamente à igreja em Filipos.

    Nesse sentido, penso que essa última carta à igreja tem um significado muito importante. Quando vocês leem essa carta, começam a perceber o tom dela. Um irmão disse: “Esta é uma carta de amor”. Acima de tudo, esta é uma carta de amor.

    Quanto à igreja em Filipos, acho que alguns de vocês conhecem, pelo livro de Atos, algo sobre o seu início. Vocês conhecem a história do carcereiro de Filipos. Conhecem a história de quando Paulo buscava o Senhor e o Espírito Santo o impediu de ir aonde pretendia. Aquele homem macedônio apareceu a ele e disse: “Venha para cá. Venha para cá”. Esse foi o começo da igreja em Filipos.

    Ele foi e encontrou Lídia e aquelas mulheres que oravam tão fervorosamente, buscando o Senhor. Vocês se lembram de como elas se reuniam, de como foram salvas e de como o Senhor começou uma grande obra entre elas. Depois houve o carcereiro de Filipos, quando ele viu o milagre da libertação que Deus realizou com Paulo e Silas naquela prisão, em Atos 16.

    Os filipenses permaneceram fiéis a Paulo até o fim. Eles amavam Paulo. Sustentavam Paulo. Quando vocês leem em Timóteo:

    Todos os da Ásia me abandonaram.

    Pensem nisso. Como isso deve ter partido o coração de Paulo!

    Mas, em Filipos, a igreja permaneceu fiel e continuou a sustentá-lo. Enviaram ajuda até o fim. Por isso, nessa última de suas cartas à igreja, ele abriu o coração. Compartilhou essa carta de amor e, na verdade, penso que compartilhou seu segredo e sua paixão. Creio que esse é o coração de Filipenses 3.

    O professor Finley — li isso há muito tempo, e realmente falou comigo — disse: “Esta é uma epístola do coração”. Não pensem nela apenas como ensino. Esta é uma epístola do coração, uma verdadeira carta de amor, cheia de amizade, gratidão e confiança.

    Quando Graham Scroggie escreveu sobre esse terceiro capítulo de Filipenses, disse que era uma digressão. Bem, penso que talvez seja uma digressão. É uma digressão entre o compartilhar de seu amor, de sua alegria e de suas lembranças com a igreja em Filipos e o chamado à unidade.

    Acho que todos vocês sabem como ele disse:

    Pensai a mesma coisa.

    Ele falou daquelas duas irmãs, dizendo que deveriam ter o mesmo pensar. Pode ser uma digressão, mas penso que é uma digressão divina. Creio que, nessa digressão, vemos o coração do Senhor.

    Há mais algumas coisas. Observem o tom. Abram comigo em Filipenses 4:1. Este é o tom que percorre toda a carta:

    Portanto, meus irmãos, amados e desejados, minha alegria e coroa, permanecei assim firmes no Senhor, amados.

    Espero que, com isso, vocês percebam o sentido da carta, o sentido dessa carta de amor.

    Meus irmãos, amados e desejados, minha alegria e coroa.

    Esse era o tom dessa carta.

    A alegria em meio ao sofrimento extraordinário

    Outra coisa se destaca nessa carta: ela foi escrita em circunstâncias de sofrimento extraordinário. São raras as circunstâncias que alguém teve de suportar que se comparem às que o apóstolo Paulo suportava quando escreveu essa carta. Ele estava em uma prisão romana.

    Muitos de nós nos lembramos da conclusão do livro de Atos, em Atos 28:30-31, durante aquela primeira prisão. Vemos como ele tinha uma casa alugada e podia receber todos os que vinham, compartilhando com eles sobre o reino de Deus livremente e sem impedimento. Não era assim nessa prisão em Roma.

    Há quem nos diga, e a tradição afirma, que Paulo ficava acorrentado a um guarda romano vinte e quatro horas por dia. Sofrimento extraordinário. Sofrimento extraordinário.

    Suas circunstâncias não anulam o tom da carta, pois, quando a lemos, as palavras-chave que aparecem repetidamente são alegria e regozijai-vos. Agora, irmãos e irmãs, penso que isso é uma mensagem para nós.

    Com muita frequência, nossas circunstâncias determinam nossa alegria. Acho que isso é verdade para a maioria de nós. O que nos acontece nos traz felicidade. É assim que vejo isso. Se as coisas vão bem, ficamos felizes. Se não vão bem, não ficamos felizes. Se tudo está certo, temos alegria. Se tudo está sombrio, não há alegria.

    Mas esse homem — essa carta — é diferente. Isso me impressionou: eram experiências profundas e sombrias, mas, dessas experiências profundas e sombrias, exalava um aroma de Cristo, e uma fragrância do Senhor Jesus chegava àqueles a quem ele amava. Isso deve tê-los tocado profundamente. Eles sabiam o que ele estava enfrentando; no entanto, daquele grande sofrimento veio uma grande alegria.

    Acho que há uma lição a aprender. Nós, que acreditamos que a alegria depende das circunstâncias, não conhecemos a alegria do Senhor. Que o Senhor nos ajude a enxergar as coisas como o apóstolo enxergava.

    A paixão do apóstolo Paulo

    Bem, essas eram as circunstâncias. Então, quando chegamos ao capítulo 3 — essa santa digressão, como penso que seja —, começamos a ver algo que considero a própria paixão de Paulo. Vemos aquilo que o movia. Vemos aquilo que o motivava. Na verdade, vemos aquilo que fez do apóstolo o homem de Deus que ele foi.

    Irmãos e irmãs, penso que precisamos compreender algo sobre essa paixão. Para a maioria de nós, paixão se tornou uma palavra negativa. Não sei se vocês percebem isso, mas muitas palavras que eram inofensivas e até belas em seu uso antigo se tornaram palavras com um sentido sujo, um sentido ilícito.

    Quando pensamos em paixão hoje, às vezes nossos pensamentos vão aonde não deveriam ir. Vocês não precisam levantar a mão para confirmar isso. Mas sabem qual era a definição mais elevada de paixão nos dicionários antigos? Tenho um dicionário enorme — mais ou menos deste tamanho. Nos dicionários antigos, não sei quanto aos mais recentes, a definição mais elevada de paixão é o sofrimento do Senhor Jesus.

    A paixão — e a maneira como ela é apresentada nos Evangelhos.

    Penso que o que precisamos hoje é de algo da paixão de Paulo. Precisamos de algo assim para nos agarrar e tomar conta de nós. Penso que, se tivermos essa paixão, ela fará toda a diferença. O que tantas vezes me parece estar faltando é justamente isso.

    Sabem, podemos ser apaixonados por tudo o mais, e parece que não há problema. Alguns de vocês sabem que sou torcedor dos Redskins. Sei que alguns não gostam disso. Geralmente, isso me faz sofrer bastante.

    Recentemente, quando fui a um jogo, havia ali uns torcedores muito apaixonados. A temperatura estava quase no ponto de congelamento, e eles estavam sem camisa. Tinham pintado o corpo como se estivessem usando uma camisa do time, e estavam cheios de paixão. Ninguém estranhava. Eram torcedores.

    Havia um grupo — não tenho visto esse grupo ultimamente — que andava pelo estádio usando mantos de discípulos, em dourado e vinho: discípulos dos Redskins. Apaixonados. Apaixonados pela coisa errada.

    Fico na oitava fileira, atrás do time — lugares muito bons, aliás, para aqueles de vocês que já foram comigo —, e me sento atrás de homens vestidos com roupas femininas, usando focinhos de porco e barbas, cheios de paixão. Todo mundo quer tirar uma foto com esses sujeitos. Eles são chamados de Hogettes.

    Agora, tenham paciência com a minha insensatez. Vocês podem ser apaixonados por muitas coisas, e ninguém acha nada demais. Mas aqui está a diferença: o apóstolo Paulo compartilhou sua única e exclusiva paixão, e ela era por Cristo.

    Vocês se lembram de que, em 1 Coríntios 4:10, ele disse:

    Nós somos loucos por amor de Cristo.

    Agora, garanto a vocês: se eu tivesse me levantado do meu lugar e começado a pregar sobre João 3:16 naquele estádio, teriam achado que eu estava louco. Teriam dito: “Seu maluco, sente-se”. Eles podiam demonstrar paixão.

    Agora, tudo o que quero fazer é compartilhar com vocês essa necessidade. Isso deveria marcar os crentes. Isso deveria formar os crentes. Isso deveria motivar os cristãos. Essa deveria ser a característica distintiva daqueles que conhecem o Senhor: que tenham, de fato, uma paixão exclusiva pelo próprio Senhor Jesus.

    Era isso que, a meu ver, marcava o apóstolo Paulo.

    O prêmio, o prosseguimento e a posse

    Agora, vamos compartilhar algumas coisas hoje. Vou usar a aliteração de Darby. Para aqueles que não sabem o que isso significa, são palavras que começam com a mesma letra. Vamos compartilhar apenas três coisas.

    Primeiro, o prêmio. É absolutamente vital que saibamos qual é o prêmio.

    Segundo, o prosseguimento. Se vocês vão ter essa paixão exclusiva por Cristo, é absolutamente vital que prossigam em busca Dele. Absolutamente vital.

    Por fim, a terceira coisa em que queremos tocar é a posse. É absolutamente vital, no fim, que avancemos para tomar posse de tudo o que Cristo é. Esse é o fim. Esse é o prêmio. Essa é a síntese de tudo.

    Foi isso que Paulo compartilhou quando abriu seu coração nessa carta de amor: o que deveria ser essa posse.

    O prêmio: o próprio Cristo

    Vamos começar com o primeiro ponto: o prêmio. Abram em Filipenses 3:12.

    Não que eu já tenha obtido o prêmio ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo.

    Filipenses 3:13, começando no meio do versículo:

    Mas uma coisa: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e estendendo-me para as que estão adiante, prossigo,
    olhando para o alvo, para o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.
    Portanto, todos quantos somos perfeitos, tenhamos esse mesmo pensar.

    Duas vezes ele fala sobre o prêmio. Agora, na verdade, há duas palavras quando vocês leem esse pequeno trecho de Filipenses 3:12-15. Elas podem parecer semelhantes. Vocês podem pensar que são a mesma coisa e, em alguns aspectos, são; mas, em outro aspecto, são diferentes. Essas palavras, em Filipenses 3:14, são alvo e prêmio.

    Quanto ao que as torna semelhantes, ambas têm a ver com visão. Ambas têm a ver com aquilo que vemos. Esse é o ponto mais importante quando ele trata dessa paixão: precisamos ter visto alguma coisa. Aquilo que vimos precisa ter causado um impacto em nós, nos tomado e mudado todo o nosso foco e nossa direção.

    Tanto o alvo como o prêmio têm a ver com aquilo que vemos. Em outras palavras, ambos têm a ver com essa questão da visão.

    Recentemente, contei a vocês essa história, ou parte dela. Hoje vou contar outra parte. Há pouco tempo, recebi uma multa de trânsito por avançar o sinal vermelho. Sinceramente, não vi o sinal vermelho, mas, para o policial, isso parecia não fazer diferença.

    Ele disse: “O senhor sabe o que fez?”. Respondi: “Não, senhor, não sei o que fiz”. Ele perguntou: “O senhor viu o sinal vermelho?”. Respondi: “Não, senhor, não vi o sinal vermelho”.

    Perguntei: “Onde fica o sinal vermelho?”. Ele disse: “No cruzamento da College com a Broad”. Perguntei: “Onde fica a College com a Broad?”. Percebi que todas aquelas respostas deviam estar erradas. Ele disse: “Espere um momento, já volto”.

    Quando fui ao tribunal de trânsito, o juiz teve misericórdia de mim. Disse: “Vou permitir que o senhor faça um curso de direção, e essa infração será retirada definitivamente do seu histórico”. Achei uma ótima proposta.

    Então fui ao curso de direção. Uma das coisas que os instrutores fazem nesses cursos — todos precisam passar na prova, senão a infração permanece no histórico — é apresentar o que chamam de momentos de aprendizado. Eles enfatizam esses momentos e dão pistas para que vocês prestem atenção neles.

    Isso é bom, porque o rapaz ao meu lado dormiu durante metade da aula. Minha tarefa, minha única tarefa, era dar uma cotovelada nele e mantê-lo acordado. A instrutora prometeu que, se ele ficasse acordado, poderíamos ir embora mais cedo. Ele não ficou acordado.

    Mas, no primeiro momento de aprendizado, ela disse: “Escutem. Todos, escutem. Vocês precisam saber disto se vão dirigir e querem dirigir com segurança: dirigir é oitenta e cinco por cento visão”.

    Estamos colocando jovens de dezesseis anos nesses mísseis guiados, dando a eles um pequeno cartão com sua foto, e eles ficam olhando para todo lado — assim como alguns de nós; eu, especialmente naquele dia. Mas dirigir é oitenta e cinco por cento visão.

    Imediatamente, minha mente saiu daquele curso de direção. Pensei: “Senhor, o que eu vejo de Ti?”.

    Se essa coisa tão importante chamada direção é oitenta e cinco por cento visão, quanto mais a paixão por Cristo? Que o Senhor nos mostre o alvo. Que o Senhor nos revele o prêmio, para que possamos correr após Ele.

    A perfeição como maturidade espiritual

    Agora, essa passagem começa — e deixem-me fazer uma breve digressão, porque penso que algumas pessoas leem isso e imediatamente ficam presas a uma dificuldade. Paulo começa dizendo:

    Não que eu já tenha obtido o prêmio ou já tenha sido aperfeiçoado.

    Depois, conclui essa passagem dizendo:

    Portanto, todos quantos somos perfeitos, tenhamos esse mesmo pensar.

    Penso que alguns de nós dizem: “Ah, isso não é para mim. Essa questão da perfeição — eu não sou perfeito. Então, talvez essa paixão seja boa para Paulo, mas não poderia se aplicar a mim, porque não sou perfeito”.

    Bem, em primeiro lugar, deveria encorajar vocês o fato de Paulo dizer:

    Não que eu já tenha sido aperfeiçoado.

    Nem mesmo o grande apóstolo era perfeito. Acho que às vezes ficamos presos a essa dificuldade porque temos essa ideia de perfeição sem pecado.

    Não há ninguém, a não ser um único Homem, o Senhor Jesus, que seja perfeito e sem pecado. Precisamos tirar essa ideia da cabeça. Se vocês abrirem em 1 João 1:8-9, está escrito:

    Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos.
    Mas o sangue de Jesus nos purifica de toda injustiça.

    Não se trata de perfeição sem pecado. Essa paixão não é apenas para o apóstolo Paulo. Não é apenas para os perfeitos; é para vocês e para mim.

    Penso que o que me ajudou foi isto: fiz uma pequena pesquisa sobre essa palavra, e perfeito, aqui, na verdade significa completo ou plenamente desenvolvido. Não significa perfeito e sem pecado.

    Na verdade, significa aquilo que Paulo declarou em Efésios 4:13: como crescemos até chegar àquele homem plenamente desenvolvido. A passagem fala da unidade da fé e de como crescemos para dentro Dele. “Homem plenamente desenvolvido” é a expressão que Darby usa. A expressão usada na Versão Autorizada, a versão King James, é “homem perfeito”. É a mesma palavra.

    Portanto, essa questão da paixão, do prêmio, do prosseguimento e da posse não tem a ver com perfeição sem pecado. Tem a ver com o coração. Tem a ver com maturidade. Tem a ver com crescimento. Na verdade, significa ser completo.

    Nossa completude acontece quando entramos na plenitude de tudo o que o Senhor Jesus é. É isso que significa.

    Penso em outra definição de perfeição nas Escrituras. Talvez vocês saibam que ela está no Antigo Testamento. Penso em Davi, com todas as suas falhas — e ele tinha muitas. Está escrito que ele tinha um coração perfeito para com Deus.

    Agora, sendo esta uma carta do coração, penso que talvez isso faça parte do significado de perfeição. É prosseguir em Cristo para tomar posse de tudo o que Ele é e crescer em Cristo, em maturidade. Mas creio que também é aquela perfeição de coração pela qual, como Davi, mesmo com todas as nossas falhas, temos um coração perfeito para com Deus.

    Acho que muitos de vocês sabem que esse era o critério pelo qual os reis eram avaliados no Antigo Testamento. Vou dar apenas alguns exemplos. Falando de Salomão, em 1 Reis 11:4, está escrito:

    E o seu coração não era perfeito para com o Senhor, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai.

    A respeito de Jeroboão, em 1 Reis 15:3, está escrito:

    E andou em todos os pecados que seu pai havia cometido antes dele; e o seu coração não era perfeito para com o Senhor, seu Deus, como o coração de Davi, seu pai.

    Ah, penso que é isso que Deus procura: algo de um coração perfeito.

    Vocês se lembram de quando Davi falou de sua afeição pela casa de Deus, em 1 Crônicas 29? Ele falou de sua afeição pela casa de Deus e de como havia preparado uma oferta de seus próprios bens. Incentivou o povo a se oferecer voluntariamente.

    Em 1 Crônicas 29:9, está escrito:

    E o povo se alegrou porque ofertaram voluntariamente; pois, com coração perfeito, ofertaram voluntariamente ao Senhor.
    E o rei Davi também se alegrou com grande alegria.

    Irmãos e irmãs, é isso que Deus procura. Vocês não são perfeitos. Nunca serão perfeitos. Alguns de nós ficamos tão presos a essa dificuldade porque não somos perfeitos. Deus procura um coração perfeito. Isso é paixão. Isso é paixão.

    Que o Senhor nos dê esse coração perfeito.

    O alvo e o prêmio

    Essa questão do alvo e essa questão do prêmio: o alvo fala do presente. É algo que vemos agora. É um alvo. Se vocês não têm um alvo, estão andando sem rumo. Muitos crentes não têm um alvo verdadeiro.

    Aliás, muitas pessoas neste mundo não têm um alvo. Vou dizer isto como empresário: se vocês não têm um alvo, não vão muito longe na vida. É preciso ter um alvo. Isso é absolutamente essencial.

    Mas, o que é mais importante, se vocês não têm o alvo certo como cristãos, nunca irão muito longe no Senhor Jesus. Isso é absolutamente essencial.

    O prêmio, no que se diferencia do alvo, fala do futuro. Ele prosseguia para que, um dia, pudesse tomar posse do prêmio. Esse é o pensamento.

    Deixem-me explicar, porque algumas pessoas podem ficar confusas com essas palavras. O alvo tem a ver com o escopo. Essa é a palavra grega: o escopo.

    Não sei se muitos de vocês conhecem o conceito de escopo, mas lido com ele todos os dias. Na construção civil, tudo o que faço tem a ver com o escopo. Se está dentro do escopo, eu faço. Se está fora do escopo, não fazemos. Precisa estar dentro do escopo definido, que abrange toda a esfera do que fazemos em um projeto.

    Temos algo que chamamos, em nosso setor — e que acaba com nossas empresas —, de scope creep, a ampliação descontrolada do escopo. Agora, se vocês já ouviram essa expressão, não estou chamando ninguém de creep, de sujeito esquisito. Não se ofendam. É scope creep.

    Isso significa que, de alguma maneira, abraçamos tudo. De alguma maneira, incluímos tudo. De alguma maneira, estamos abertos a tudo. Seja o que for que o cliente diga, respondemos: “Ah, sim, vamos fazer isso”. “Gostaria que vocês acrescentassem isto.” “Ah, claro, vamos fazer isso.”

    No começo, não parece muita coisa. Vocês podem dizer: “Ah, claro, vamos acrescentar isso. É só uma coisinha. Não representa muita coisa. Vamos incluir isso em nossos serviços”. Antes que percebam, isso acontece repetidamente. Quando chegamos ao fim de um projeto, a ampliação descontrolada do escopo fez nossos custos dobrarem naquele projeto.

    Agora, Paulo conhecia o escopo. Ele disse:

    Para que eu possa ganhar a Cristo.

    Disse:

    Para que eu possa conhecê-Lo no poder da Sua ressurreição, na comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte; para que eu possa alcançar a ressurreição para fora dentre os mortos.

    Ele conhecia o escopo. O escopo, o alvo, era Cristo e somente Cristo. Penso que, para muitos de nós, crentes, o problema é exatamente esse. Abraçamos qualquer coisa que tenha o rótulo de cristã.

    Você diz: “Eu sou do Senhor”. Bem, então você é dos meus. Se você é do Senhor e diz que isso está bem, então está bem. Isso é ampliação descontrolada do escopo. É ampliação descontrolada do escopo nas coisas divinas. Não façam isso.

    Ao compartilhar sua paixão, Paulo mostrou que todo aquele escopo era definido pelo conhecimento do Senhor Jesus. Ele disse:

    Tudo o que ganhei, considero perda, por causa da excelência do conhecimento do Senhor Jesus Cristo, por Quem perdi todas as coisas.

    Ele continuou dizendo — usou uma palavra que a maioria de vocês, bons cristãos, não ousaria usar:

    É esterco.

    Posso parar por aqui, sem explicar mais? É esterco diante da excelência do conhecimento do Senhor Jesus.

    Esse era o seu escopo, e seu prêmio também era o Senhor Jesus: conhecê-Lo em toda a Sua plenitude. É curioso, mas Paulo viu mais do que qualquer um de nós provavelmente jamais verá, e nunca achou que tivesse visto o suficiente.

    Ele chegou a esta conclusão. Disse:

    Não que eu já tenha sido aperfeiçoado, não que eu já tenha alcançado, não que eu já tenha chegado.

    Mas esse é o prêmio. É isso que estou buscando. Essa é a recompensa. Esse é o fim.

    Essa paixão exclusiva era o alvo que o orientava e o prêmio em cuja busca prosseguia. Então, espero que isso ajude. Penso que, às vezes, andamos sem rumo.

    A necessidade de uma primeira visão e de uma visão renovada

    Dana compartilhou, em nossa reunião de planejamento, um encargo pelos jovens que encontrou confirmação no coração dos santos que estavam reunidos ali. Ele disse: “Sabem do que eles precisam?”. Estava falando dos nossos jovens.

    Quer dizer, eu poderia apontar o dedo para nossos jovens. Poderia apontar o dedo para mim e para os adultos nesta sala. Mas ele disse: “Sabem do que eles precisam? Precisam daquela primeira visão”.

    Eles cresceram ouvindo essas coisas. Cresceram ouvindo essas palavras. Mas aquela visão que os detém, aquela visão que os conquista, aquela visão que muda toda a direção de sua vida, de alguma maneira está ausente.

    Orem por essa primeira visão. Penso que alguns de nós, que somos mais velhos, nos desviamos e precisamos de uma visão renovada. Sei que preciso de uma visão renovada.

    Esta será a minha oração: “Senhor, dá-me uma visão renovada de Ti”.

    Bem, aquele hino — eu não quis cantá-lo naquele momento —, mas, enquanto preparava estas palavras, estava pensando no hino de Robert Robinson, “Vem, Tu, Fonte de Toda Bênção”. Não consigo cantar a terceira estrofe desse hino sem lágrimas. Penso que ela descreve muitos de nós. Escutem:

    Oh, quão grande devedor à graça
    A cada dia sou levado a ser!
    Que a Tua bondade, como um grilhão,
    Prenda a Ti meu coração errante.
    Inclinado a me desviar, Senhor, eu sinto,
    Inclinado a deixar o Deus que amo;
    Eis meu coração, oh, toma-o e sela-o,
    Sela-o para as Tuas cortes celestiais.

    Não sei se vocês conhecem alguma coisa sobre Robert Robinson. A maioria de nós não conhece. Ele nasceu em 1735, na Inglaterra. Enfrentou circunstâncias difíceis. Seu pai morreu quando ele tinha oito anos. Sua mãe o mandou embora para ser aprendiz de barbeiro e, de alguma maneira, ele se tornou pregador, um tanto conhecido.

    Quando era pregador, essa foi uma de suas estrofes famosas, que ainda cantamos e da qual ainda recebemos vida. Ela realmente marcou sua vida. Realmente descrevia como ele era, porque, no fim, ele se desviou para o unitarismo.

    Há uma história sobre ele que considero tão preciosa. Um dia, estava em uma diligência na Inglaterra, e havia ali uma querida senhora idosa que folheava um hinário. Ela cantarolava esse hino conhecido.

    Ela se voltou para o senhor Robinson e perguntou: “O que o senhor acha desse hino?”. Isso deve tê-lo atingido profundamente naquele momento. Ele disse: “Minha senhora, sou o pobre e infeliz homem que escreveu esse hino há muitos e muitos anos”.

    “Eu daria mil mundos, se os tivesse, para desfrutar dos sentimentos que tinha naquela época.”

    Inclinado a me desviar, Senhor, eu sinto.

    Você precisa de uma visão renovada? Precisa de uma visão renovada? Precisa de uma primeira visão? Que Deus tenha misericórdia de nós e nos conceda isso.

    Paulo sabia qual era o alvo e sabia qual era o prêmio. Ele simplesmente disse, em Filipenses 3:10, ao compartilhar a paixão secreta de seu coração:

    Para que eu possa conhecê-Lo.

    Esse era o escopo, e isso era tudo.

    O prosseguimento: avançar em direção a Cristo

    Que o Senhor realmente faça isso em nós. A segunda palavra sobre a qual gostaria que pensássemos nesta manhã é esta pequena palavra: prosseguimento. É a segunda palavra essencial que Paulo compartilha ao falar de sua paixão.

    Vocês perceberão que essas palavras são repetidas duas vezes. Ele as apresenta no início e depois parece apresentá-las novamente, numa ordem um tanto inversa. Mas creio que há uma mensagem nesse fato simples: isso era tão importante, estava tão presente no coração do apóstolo, que ele não podia deixar de repetir, para que eles compreendessem de uma vez por todas.

    É a palavra “prossigo”, em Filipenses 3:12:

    Não que eu já tenha obtido o prêmio ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo.

    Esse era o seu testemunho: não que eu já tenha ganhado o prêmio, ou obtido o prêmio, ou já tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo. Esse era o seu testemunho.

    Depois, em Filipenses 3:13, está escrito:

    Mas uma coisa: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e estendendo-me para as que estão adiante, prossigo.

    Então, penso que podemos dizer que o testemunho de Paulo estava nestas duas pequenas palavras: eu prossigo.

    Sabem, eu me pergunto. Enquanto orava, meditava e refletia sobre isso, fiquei me perguntando. Disse: “Senhor, vi algo de Ti. Isso mudou minha vida. Pode ser pouco em comparação com o que Tu tens visto, mas é real”.

    Mas precisei dizer: “Senhor, estou prosseguindo em busca de Ti de todo o meu coração?”. Esse era o testemunho de Paulo.

    Agora, não quero dizer com isso que vocês se tornem eremitas. Não quero dizer que deixem o emprego. Não vou deixar meu emprego amanhã — a não ser que o Senhor diga: “Deixe seu emprego amanhã”.

    Não penso que isso signifique abandonar a família e tudo o que vocês fazem. Mas creio que uma coisa é certa: é isso que está faltando no povo de Deus hoje. É esse prosseguimento exclusivo em busca do Senhor Jesus.

    Que o Senhor nos dê aquele coração que o apóstolo Paulo tinha. Irmãos e irmãs, vou colocar assim: ver não é suficiente. Há pessoas que podem ficar sentadas, falar com eloquência e discorrer sobre o que viram; mas, quando vocês olham para a vida delas, não veem esse prosseguimento.

    Na verdade, vocês veem uma busca por muitas outras coisas, mas não veem essa devoção exclusiva e esse prosseguimento exclusivo. Agora, creio que, em todas as outras coisas que fazemos, essa pode ser nossa única busca. Eu creio nisso. Podem me chamar de louco; eu creio nisso.

    Neste mundo tão ocupado, penso que isso pode ser possível. Mas é uma questão do coração. Que o Senhor nos ajude.

    A corrida com perseverança

    Ver não é suficiente. Vou ler Hebreus 12:1-2 para vocês. Creio que isso é, essencialmente, o que se diz em Hebreus 12:

    Portanto, também nós, tendo tão grande nuvem de testemunhas ao nosso redor, deixemos todo peso e o pecado que tão facilmente nos enreda, e corramos com perseverança a carreira que está diante de nós,
    olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o Qual, em vista da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-Se à direita do trono de Deus.

    Até o Senhor Jesus tinha o prêmio em vista. Até o Senhor Jesus via o alvo. Mesmo em Sua maior agonia, Ele via o alvo, que era estar novamente junto ao Pai, à Sua direita, em Sua presença: comunhão sem limites, comunhão ininterrupta.

    Por causa daquele prêmio e daquele alvo, Ele prosseguiu com todo o Seu vigor. Assim foi o Senhor Jesus, e esse é o encorajamento que o autor de Hebreus nos dá. Não devemos estar enredados neste mundo.

    De alguma maneira, este mundo encontra um jeito de nos enredar. Escutem, compreendo a situação de todos nesta sala. Sei o que são agendas. Sei o que são compromissos. Sei o que são exigências. Mas deixem-me dizer isto: para o crente, essa é a coisa essencial.

    Que o Senhor, acima de tudo, nos dê esse prosseguimento exclusivo.

    Em 1 Coríntios 9:24-27, Paulo diz:

    Não sabeis que os que correm no estádio, todos correm, mas um só recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
    E todo aquele que disputa um prêmio é moderado em todas as coisas. Eles, de fato, para receber uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.
    Eu, portanto, corro, não como quem não tem direção; assim combato, não como quem bate no ar.
    Mas esmurro o meu corpo e o mantenho cativo, para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.

    Na semana passada, nosso irmão Sonny falou sobre aquelas vozes mansas e suaves, aqueles sussurros de Deus. Não consigo dizer a vocês quantas vezes a parte final desse versículo sussurrou para mim:

    Para que, depois de ter pregado a outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.

    Ah, que tivéssemos um espírito que prossegue! Irmãos e irmãs, que o Senhor nos conceda isso.

    A disciplina necessária ao prosseguimento

    Há algumas coisas que precisamos saber. Muitos de nós temos alvos. Muitos talvez até vejamos algo do prêmio, mas muitos de nós não estamos prosseguindo.

    Estamos prestes a chegar ao início do ano, e garanto que muitas pessoas nesta sala farão uma resolução de Ano-Novo. Vocês terão um alvo. Mas, se forem como eu, não levarão isso adiante e não prosseguirão.

    Outro dia, eu estava na ACAC. Alguns de vocês sabem que essa é a academia perto de onde moro. Sou membro. Pago há anos e quase nunca fui lá. Deveria receber uma dedução no imposto. Certamente, é uma doação.

    Recentemente, tenho feito vários projetos para eles e estava com o arquiteto da ACAC. Eu disse: “Escute, quero que saiba que sou membro aqui, mas nunca venho. Isto é lindo, mas nunca venho. Sou seu melhor cliente, porque não desgasto seus equipamentos”.

    Agora, tenho alvos, mas nunca os levo adiante. Ele disse: “Esse é o nosso segredinho inconfessável. Você é o tipo de cliente de que gostamos”.

    As academias adoram o início do ano. Se alguém aqui é gerente de uma academia, peço desculpas — fica essa ressalva. Elas adoram o início do ano. Todo mundo comeu peru demais, e todo mundo se matricula. Em fevereiro, já dá para encontrar uma esteira livre. Ele disse: “É o nosso segredinho inconfessável”.

    Temos o alvo? Vemos o prêmio? Estamos prosseguindo com vigor?

    Uma vida moderada, correr a carreira, escolher o que é certo, estabelecer nossas prioridades. Nem tudo pode entrar. Gosto muito daquela declaração do apóstolo quando disse:

    Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm.

    Vocês não podem fazer tudo.

    Que o Senhor nos ajude.

    O esquecimento das coisas que ficam para trás

    Outro segredo que ele compartilha é esquecer as coisas que ficam para trás. Para quantos de nós o problema é o passado? Penso que isso se aplica a muitos de nós.

    Mas, ao compartilhar sua paixão secreta, Paulo disse:

    Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para o alvo, para o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

    Era isso que ele fazia. Esse foi um dos segredos que compartilhou: esquecer o que fica para trás. Penso que muitos de nós não conseguimos esquecer o passado.

    Vou dizer a vocês: tenho lutado muito com isso. Tremendamente. Creio que a palavra do Senhor é: “Deixe isso”. Esquecer o que fica para trás.

    Há pecados do passado. Há fracassos do passado. Há decepções do passado. Há coisas do passado em nossa vida com as quais alguns de nós lutamos tanto que parece que não conseguimos soltá-las.

    Soltem isso. Esse é o segredo para prosseguir: esquecer o que fica para trás.

    Vocês não conseguem acertar tudo. Essa é a lição que aprendi. Podem tentar, com toda a sua energia, acertar tudo; mas, nesta era, não conseguem acertar tudo. Por isso, o apóstolo disse, em Romanos 12:

    Tanto quanto possível, tende paz com todos os homens.

    Isso está no contexto do corpo de Cristo, a igreja.

    Esquecer o que fica para trás — essa carreira, esse prosseguimento, essa corrida — é, na verdade, uma corrida de obstáculos. Vocês descobrirão que há muitos obstáculos. De fato, as ofensas: a palavra para ofensas, em grego, significa pedra de tropeço. É isso que significa: pedra de tropeço.

    Muitos cristãos tropeçaram em alguma ofensa e já não se levantam para correr a carreira. Algo os impede de avançar. Às vezes, é uma coisinha tola, mas não conseguimos abrir mão dela. Não conseguimos deixá-la.

    Paulo disse em Colossenses — escutem esta ênfase; não é minha ênfase, são as palavras:

    Se alguém tiver queixa contra outro, perdoe-lhe, assim como Cristo vos perdoou.

    Vocês podem ter se decepcionado. Seu ministério talvez não tenha prosperado como imaginavam. O reconhecimento que receberam talvez não tenha sido o que esperavam. Alguém pode ter falado com vocês de uma maneira que consideraram inadequada. Acreditem, na igreja isso acontece o tempo todo.

    Mas vocês são instruídos a fazer uma coisa: esquecer o que fica para trás e prosseguir para o alvo, para o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus. Ah, penso que esse é um verdadeiro segredo.

    A centralidade de uma única coisa

    Outra coisa que, a meu ver, é claramente um segredo é que ele disse: “Uma coisa”. Uma coisa. Acho linda essa expressão na Bíblia: “uma coisa”. Quero incentivar vocês a estudá-la.

    Imediatamente, meu coração se volta para Davi, em Salmos 27:4. Abram ali comigo. Acho que vocês conhecem o versículo, mas o verão na tela daqui a pouco.

    Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei:
    que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida,
    para contemplar a beleza do Senhor
    e para consultá-Lo no Seu templo.

    Uma coisa.

    Vocês se lembram da história de Maria e Marta, em Lucas 10. Há duas expressões que dizem tudo sobre essas duas irmãs tão amadas — o Senhor as amava muito. Uma é que Marta está distraída, dependendo da sua versão, com muitas coisas. Sobre Maria, diz simplesmente que ela escolheu a única coisa boa, que não lhe será tirada.

    Irmãos e irmãs, não sei se este encargo que tenho está claro para vocês, mas que o Senhor nos dê esse coração voltado para uma única coisa. Penso que nós, cristãos, estamos nos esforçando demais para fazer várias coisas ao mesmo tempo.

    Vocês sabem o que quero dizer. Alguns de vocês — Stephen diz que é alérgico a computadores, então provavelmente não sabe o que quero dizer —, mas realizar várias tarefas ao mesmo tempo é fazer vinte coisas de uma só vez.

    Creio que o segredo de Paulo era que, mesmo em tudo o que fazia, era sempre uma única coisa.

    A posse: tomar posse de Cristo

    A última palavra sobre a qual quero que pensemos por alguns momentos é esta: posse. Agora, não vou falar de possessão demoníaca. Quero falar com vocês sobre outro tipo de posse.

    Filipenses 3:12:

    Mas prossigo, para ver se também posso tomar posse daquilo para o que também fui tomado por Cristo Jesus.

    E, em Filipenses 3:13:

    Irmãos, não considero que já tenha tomado posse.

    Vimos alguma coisa? Você teve aquela primeira visão? Teve aquela visão renovada? Está prosseguindo em busca de uma única coisa?

    A última pergunta vital é: realmente tomamos posse de algo de Cristo? Estamos avançando para tomar posse de mais de Cristo? Esse é o segredo. Essa é a paixão.

    Lembro-me de anos atrás, quando começamos a nos reunir, e o Senhor, creio eu — e todos os que estavam aqui também creem —, nos falava uma palavra profética. Ouvíamos mensagens sobre Josué por meio do nosso irmão Stephen.

    A expressão da qual não consigo me afastar e da qual nunca me esqueci — embora talvez tenha esquecido a maior parte do que nosso irmão disse — foi esta: tomar posse da nossa possessão.

    Agora, se vocês não compreendem essa expressão, não compreendem o livro de Josué. Se não compreendem essa expressão, então não compreendem a paixão de Paulo. Porque essa única expressão contém aquilo que devemos estar fazendo. Esse é o nosso fim.

    Lembro-me de como aquela palavra nos mudou aqui. Lembro-me de ter lido, recentemente, Deuteronômio 8, que descreve aquela terra de plenitude. Quero incentivar vocês — não temos tempo de ler hoje — a ler Deuteronômio 8:7-10.

    Há essa terra de abundância. Há essa terra de plenitude. Há essa terra de completude da qual somos chamados a tomar posse. Essa terra não é outra senão o próprio Cristo.

    Todas essas ilustrações do Antigo Testamento são exatamente isso: ilustrações de algo maior. Quando vemos essa abundância, quando Deus, de alguma maneira, abre nossos olhos para Quem Cristo é nessa abundância, surge aquele desejo exclusivo de tomar posse de mais Dele.

    É essencialmente disso que trata esse pensamento de “tomar posse das nossas possessões”.

    Em Josué 1:10-11, ele disse:

    Para que entreis e tomeis posse da terra que vos dou para possuirdes.

    “Sê forte e de bom ânimo”, diz ele em Josué 1:18. “Sê forte e corajoso”, pois esse era o chamado dos filhos de Israel.

    A graça para tomar posse

    A última coisa nessa questão de tomar posse, que recebo como uma palavra tão encorajadora, é esta: Deus fornece toda a graça necessária para que possamos tomar posse Dele plenamente.

    Vocês não poderão comparecer diante do Senhor da glória e dizer: “Senhor, não havia graça suficiente para mim”. Vocês se lembram de que, por causa do espinho de Paulo na carne, a única palavra que veio a ele foi:

    A Minha graça te basta.

    Absolutamente toda a graça de que precisamos para correr essa carreira, ver esse alvo, conhecer esse prêmio, prosseguir com um único propósito e tomar posse em plenitude — toda essa graça foi disponibilizada para nós.

    Sabem, em certo sentido, não somos nós que tomamos posse de alguma coisa primeiro. Amo o testemunho de Paulo. Ele disse que queria tomar posse porque havia sido tomado por Cristo Jesus. Isso é graça.

    Ali estava aquele homem que certamente era a esperança de Israel, esse aluno de Gamaliel. Ele deve ter sido a esperança. Escutem suas credenciais em Filipenses 3. No entanto, um dia, no caminho de Damasco, Deus apareceu a ele e mudou seu mundo.

    Quando aquela luz, como a do sol ao meio-dia, brilhou, mudou seu mundo. Ele foi tomado.

    Este é o segredo: não foi apenas Paulo que foi tomado; também vocês, que viram o Senhor — algo aconteceu, e vocês foram tomados. Isso mudou toda a sua vida. Mudou todo o seu foco.

    Vocês conseguem perceber a ausência disso nas pessoas quando têm comunhão com elas, nas pessoas que não conhecem essa experiência.

    Mas prossigo, para ver se também posso tomar posse daquilo para o que também fui tomado por Cristo Jesus.

    Então, ele termina com Filipenses 3:15. Isso me encorajou. Que graça!

    Portanto, todos quantos somos perfeitos, tenhamos esse mesmo pensar; e, se pensais de outra maneira, também isso Deus vos revelará.

    Isso não é graça? Isso é graça. Algumas pessoas podem achar isso difícil, mas, no fim, ele diz:

    Se pensais de outra maneira, Deus vos revelará até mesmo isso.

    Isso é graça. No fim, tudo será pela graça. Mas, durante a carreira, tudo diz respeito à resposta.

    Exortação final e oração

    Que o Senhor nos ajude. Bem, esse é o encargo que está em meu coração há algum tempo. Recentemente, voltei a ler um livro que mudou minha vida nos primeiros anos, A busca de Deus, de A. W. Tozer. Já não ouço ninguém falar desse livro.

    Mas o versículo-tema é Salmos 42:1:

    Como a corça anseia pelas correntes das águas,
    assim a minha alma anseia por Ti, ó Deus.

    Creio que isso é Filipenses 3.

    Ele disse isto, e eu anotei e sublinhei. É minha oração e minha conclusão. Ele disse:

    Outros antes de mim foram muito mais longe nesses santos mistérios do que eu;
    mas, se o meu fogo não é grande, ainda assim é real.
    E talvez haja aqueles que possam acender sua vela.

    Senhor, nós nos achegamos a Ti. Queremos ser daqueles com quem, como Paulo, Tu podes compartilhar os Teus segredos.

    Agradecemos pela maneira como nos amas. Tu amas a Tua igreja. Entregaste a Ti mesmo por ela.

    Agora, Senhor, simplesmente oro, em nome de Jesus, para que, de alguma maneira, essas coisas, que podem parecer tão misteriosas, tão vagas e tão elevadas, se tornem práticas e simples em nossa vida.

    Seja alguém que acaba de vir a Ti, seja alguém que já caminha Contigo há muitos anos, concede-nos novamente aquela visão renovada, aquela primeira visão.

    Então, nós também seremos marcados pela paixão exclusiva do apóstolo Paulo. Não será uma história que lemos em nossos estudos bíblicos, mas uma vida vivida no presente.

    Ó Deus, acende nossa vela. Envia o Teu fogo e, mais uma vez, dá-nos essa única coisa. Pois pedimos isso no precioso nome de Jesus. Amém.