Vamos abrir juntos em algumas passagens das Escrituras. O tema do nosso encontro neste ano é “Venha o Teu reino”, e o assunto que me cabe é o evangelho do reino — as boas-novas do reino.
Gostaria de dirigir a atenção de vocês para algumas passagens do Evangelho de Mateus: Mateus 4:23; Mateus 9:35; e Mateus 24:14.
E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e toda sorte de enfermidades entre o povo.
E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e toda sorte de enfermidades.
E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Vamos nos inclinar juntos para uma palavra de oração?
Senhor, somos tão gratos por podermos nos reunir desta maneira simples em Tua presença. Agradecemos a Ti porque não estamos nos reunindo, acima de tudo, em torno de um lugar, nem, acima de tudo, em torno de um povo, mas estamos nos reunindo em torno de Ti mesmo.
E, Senhor, ao nos encontrarmos aqui em Tua presença nesta noite, queremos pedir que, por Tua graça, nos concedas o Espírito Santo, tanto no falar como no ouvir. Precisamos de Ti, Senhor.
Podemos ouvir muitas verdades, podemos sistematizar verdades, podemos aprender muito academicamente. Mas, Senhor, o que precisamos nestes dias é nos encontrar Contigo. Precisamos que a Tua palavra venha habitar ricamente em nós, em toda a sabedoria.
Precisamos dessa palavra implantada, dessa palavra que criará raízes em nós, crescerá e dará muito fruto. Para esse fim, Senhor, agradecemos a Ti porque nos providenciaste tudo de que precisamos para esta conferência e para este momento inicial juntos.
Pela fé, nos firmamos nessa unção, tanto para o meu falar como para o nosso ouvir, para que, Senhor, supras de maneira maravilhosa, profunda e plena todas as nossas necessidades nesta noite. Manifesta-Te em nossa fraqueza — minha fraqueza ao falar e nossa fraqueza ao ouvir — para que, Senhor, seja a Tua palavra que se fale e a Tua palavra que se ouça e se receba.
Nós nos entregamos novamente a Ti. Em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Gostaria de entrar imediatamente neste assunto do reino de Deus. Há muitos erros sendo propagados atualmente a respeito do reino de Deus — muitas coisas que devem trazer tristeza e dor a nós que amamos o Senhor e que desejamos, acima de tudo, que venha o Seu reino.
Nós, mais do que qualquer outra pessoa — nós que nascemos de Deus —, deveríamos ter uma experiência do reino de Deus. Para nós, o reino de Deus já chegou. Ele veio ao nosso coração. Trouxe-nos à união com Deus por meio do Messias, Jesus. Trouxe-nos a uma experiência maravilhosa da vida eterna e a uma descoberta cada vez mais profunda das insondáveis riquezas do Senhor Jesus, dessa plenitude de Deus que não tem fundo.
Mas, é claro, há um reino que virá exteriormente. Antes de tudo, ele precisa vir interiormente a nós, como indivíduos e como igreja de Deus. Precisamos conhecer, em nossa experiência, o governo de Deus. Precisamos conhecer o reinado do Senhor Jesus. Precisamos ser verdadeira e genuinamente guiados pelo Espírito de Deus.
Mas está chegando o dia em que o reino de Deus virá literalmente, e em que o reino deste mundo se tornará o reino de Deus e de Seu Messias para sempre.
Não sei a que distância estamos desse dia. Suspeito que estamos muito perto dele. Todos os sinais, de todos os lados, parecem apontar para a vinda definitiva do reino de Deus.
É um reino literal que está vindo. É um Rei literal que está vindo. É o mesmo Jesus que andou nesta terra durante trinta e três anos, cujos pés voltarão a pisar nesta terra.
Muito tristemente, entre muitos cristãos, por querermos ser verdadeiramente espirituais e conhecer o Senhor espiritualmente, quase transformamos o Senhor Jesus no Espírito de Deus — como se Ele fosse, permitam-me dizer isso com reverência, alguém sem rosto; como se Ele não tivesse forma humana; como se Ele nunca mais fosse andar como ser humano.
Mas o Senhor Jesus é o Filho do Homem para sempre. Ele é o Messias de Deus. E um dia Ele voltará literalmente. Vocês realmente O verão. Ele será um ser humano, até mesmo com as marcas em Suas mãos, em Seu lado e em Seus pés. É o mesmo Jesus.
É maravilhoso considerar isso, porque, se o Senhor Jesus está literalmente voltando como o Filho do Homem, como o Messias, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, como Rei dos judeus, Rei de Israel e Cabeça da igreja, então o reino que vem com Ele é um reino literal.
Ele estenderá esse governo de Deus até os confins da terra, e todas as nações estarão sob o Seu governo e sob a retidão, a justiça e a misericórdia do Seu governo.
Agora, quando começamos a entender isso, podemos começar a falar de uma série de outras questões. O que significa essa palavra, reino?
Bem, preciso dizer logo de início — e não quero pisar no calo de ninguém — que, aqui nos Estados Unidos, não tenho muita certeza de que haja uma compreensão do que é um reino. Se eu pudesse dizer: “A república de Deus está para vir”, acho que talvez vocês entendessem um pouco melhor.
É muito difícil para pessoas que foram criadas na tradição republicana. Não estou dizendo que isso seja errado; esse é um assunto completamente diferente, e não vou entrar nele. O fato é que um reino é um reino, e é muito difícil para algumas pessoas que vivem em uma república entender o que é um reino.
O que é essa palavra usada repetidas vezes — não apenas em todo o Novo Testamento, mas em todo o Antigo Testamento? Para onde quer que vocês se voltem, ouvem falar do reino de Deus e da proclamação desse reino. Todos os profetas falaram desse reino de Deus.
A Davi, em particular, foi prometido que esse reino seria um reino eterno. A Daniel, em um dos maiores impérios — e na capital daquele que era o maior império do mundo naquela época —, Deus falou de um reino eterno. Viria o dia, disse o Senhor por meio de Daniel, em que os santos possuiriam o reino.
Ah, nós o encontramos em toda parte na palavra de Deus. Mas o que essa palavra significa?
Para algumas pessoas, é uma questão de território. Elas pensam no reino simplesmente como algo relacionado a um território, delimitado por fronteiras. Assim como falamos do Reino Unido, que não inclui a República da Irlanda: Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Seu nome oficial é Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
No momento em que vocês ouvem falar desse Reino Unido, pensam em território. Ele não está no continente norte-americano, nem no continente asiático, nem no continente africano. É o Reino Unido. Mas esse é apenas um aspecto da palavra reino.
Não podemos entender que, toda vez que Deus usa a palavra reino, Ele esteja falando apenas de território, como se estivesse simplesmente dizendo:
Do Senhor é a terra e a sua plenitude.
Há muito mais no reino do que mero território. Não se trata simplesmente do território sobre o qual o Rei governa, sobre o qual o trono tem autoridade absoluta. Esse é um aspecto — um aspecto muito importante e fundamental — da palavra reino.
Mas a palavra reino pode ser entendida de outra maneira: é o trono. Quando falamos do reino, estamos falando do trono — não apenas de um rei. É claro que, no nosso contexto, trata-se de o Rei, e do único Rei.
Quando falamos de um reino como o Reino Unido, ele pode ter sido governado por toda sorte de reis e rainhas ao longo dos anos. Contudo, estamos falando de todo o princípio de autoridade, de todo o princípio de governo, de uma política nacional, de um caráter nacional, de uma constituição nacional, se preferirem. Isso é o reino.
Portanto, quando falamos e lemos na palavra de Deus sobre a vinda do reino, não estamos falando apenas de território ou de extensão. Estamos falando do governo de Deus. Estamos falando do reinado de Deus. Estamos falando daquela constituição de Deus, por assim dizer — aquela constituição produzida por Seu propósito, Sua palavra e Sua vontade.
O senhor Sparks — Theodore Austin-Sparks — sempre preferia outra palavra para isso, e devo dizer que ela me ajudou mais do que qualquer outra coisa. Ele costumava substituir a palavra reino por realeza.
Porque, no grego, ela não significa apenas e exclusivamente território, nem mesmo governo. É uma combinação de ideias. Por isso, ele costumava dizer: “Venha a Tua realeza”.
Ele costumava falar daquela passagem:
Não temas, ó pequeno rebanho; porque agradou a vosso Pai dar-vos o reino.
Nesse sentido, ele dizia: “Dar-vos a realeza”.
Bem, acho que, se vocês começarem a entender dessa maneira, de repente muitas coisas começarão a se encaixar:
Buscai primeiro a realeza de Deus e a Sua justiça; e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Para mim, essa não é a melhor palavra em todos os sentidos, mas pelo menos nos leva muito mais perto do cerne do significado da palavra reino: realeza — o governo e o reinado de Deus, e o caráter de Deus em Seu reinado e governo, bem como tudo aquilo sobre o que Ele reina.
Quando começamos a enxergar isso, temos então o começo — o primeiro vislumbre, por assim dizer — de uma compreensão de toda essa questão do reino.
Porque vocês verão imediatamente que, se eu e vocês temos uma contenda com a realeza do Senhor Jesus, podemos falar do reino de Deus até perdermos o fôlego, mas, na verdade, estamos vivendo em contradição.
Se eu e vocês não estamos dispostos a nos render à realeza de Deus, se não estamos dispostos a entregar, incondicionalmente e sem reservas, tudo o que somos e tudo o que temos a essa realeza, não adianta falar do reino vindouro.
Não adianta dizer: “Ah, como será maravilhoso quando o reino vier”, se a realeza de Deus não tiver vindo primeiro a nós — se eu e vocês não tivermos nos colocado literal, concreta e praticamente sob a Sua realeza.
Se vocês me acompanharam até aqui, gostaria de passar a um segundo ponto. Essa questão da realeza de Deus — do reino de Deus — está na raiz da história mundial.
Na verdade, toda a história mundial, de maneira negativa ou positiva, está relacionada à realeza de Deus.
A história registrada é o registro de um desafio à realeza de Deus — um desafio satânico à realeza de Deus. Isso explica a história. Explica por que o homem, com toda a sua genialidade e criatividade, sempre fica aquém.
Toda vez que o homem parece estar trazendo uma nova era de ouro, uma nova utopia, ela se transforma em cinzas em suas mãos e se torna uma prisão, uma masmorra.
De Gênesis 1 a Apocalipse 22, encontramos essa questão de domínio, autoridade, realeza e reino.
Quando Deus criou Adão e Eva, quase as primeiras palavras que lhes disse foram:
Tende domínio.
No Salmo 8, aquele salmo extraordinário, temos quase uma revelação profética de Deus a respeito de todo o Seu propósito para o homem.
Que é o homem, para que Te lembres dele?
E o filho do homem, para que o visites?
Pois o fizeste pouco menor do que Deus,
E de glória e de honra o coroaste.
Fazes com que tenha domínio sobre as obras das Tuas mãos;
Tudo puseste debaixo de seus pés.
Logo no início da história mundial, logo no início, por assim dizer, da criação do universo, encontramos no coração de Deus um propósito para a humanidade. Não é apenas que eu e vocês nos coloquemos sob a realeza de Deus, mas que exerçamos a realeza de Deus.
Mas outro entrou em cena. Esse outro desafiou Deus e envenenou a humanidade, e o desafio é inteiramente contra a realeza de Deus.
Para onde quer que nos voltemos, encontramos esse inimigo de Deus. De Gênesis 3 até Apocalipse 20, encontramos a história desse grande adversário de Deus, desse grande inimigo de Deus.
Naquela extraordinária palavra profética de Isaías 14:13-14, é assim que isso é expresso. Esta é a profecia a respeito de Lúcifer:
E tu dizias no teu coração:
Eu subirei ao céu,
Exaltarei o meu trono acima das estrelas de Deus;
Assentar-me-ei no monte da congregação, nas extremidades do norte;
Subirei acima das alturas das nuvens;
Serei semelhante ao Altíssimo.
Aqui, então, quaisquer que sejam as dificuldades acadêmicas de vocês, temos uma revelação de Deus de que, logo no início, um veneno entrou na humanidade. Como isso aconteceu, como foi permitido e por quê, é outra questão. Mas permanece o fato de que entrou neste mundo um veneno e um desafio à realeza de Deus.
Para onde quer que nos voltemos em toda a Bíblia, encontramos o registro desse desafio. Pensem, por exemplo, em Colossenses 1:13:
Ele nos libertou do poder das trevas,
E nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Que palavra: o poder das trevas — a autoridade das trevas — e ser transportado para o reino do Filho amado de Deus.
Nascemos dentro desse poder das trevas, nascemos com vínculos com esse poder das trevas, nascemos com correntes que nos prendem a esse poder das trevas. Somente pela graça de Deus, quando algo acontece conosco e somos salvos pela graça de Deus, somos libertos desse poder das trevas e transportados para o reino do Filho amado de Deus.
Ou penso naquelas outras palavras misteriosas. Jesus Se referiu, não uma vez, mas repetidas vezes, ao “príncipe deste mundo”. Esse é um título muito interessante: o príncipe deste mundo. Ele não o chamou simplesmente de impostor. Disse: “O príncipe deste mundo”.
Isso fala de alguma autoridade, de algum tipo de posição. É um desafio.
Penso em outra palavra de outro apóstolo, pelo Espírito de Deus. João, em 1 João 5:19, disse palavras cujo significado certamente deve ser quase insondável, mas que explicam tanta coisa na história mundial:
O mundo inteiro jaz no maligno.
O mundo inteiro jaz no maligno.
Não sei se vocês estão achando isso pesado demais para a primeira noite, mas, para mim, é extraordinário. Aqui estamos eu e vocês — é aqui que todos nós começamos. Não importa quem vocês sejam, o que sejam ou de que tipo de família tenham vindo — judeus, gentios, seja o que forem. O fato é que todos nós começamos aqui.
Todos nós começamos nessas trevas. Todos nós começamos nessa escravidão. Todos nós começamos aqui, até que Deus, por Sua graça, resplandeceu em nosso coração, nos libertou desse poder das trevas e nos transportou para o reino de Seu Filho amado.
Há tantas outras coisas. Penso naquela maravilhosa proclamação no livro de Apocalipse. Qualquer que seja a interpretação que lhe demos, que proclamação maravilhosa é essa em Apocalipse 11:15:
O reino do mundo se tornou o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo;
E Ele reinará para todo o sempre.
E depois, Apocalipse 12:10:
Agora vieram a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do Seu Cristo;
Porque foi lançado fora o acusador de nossos irmãos, que os acusa diante do nosso Deus dia e noite.
Aqui nos encontramos, eu e vocês, tão pequenos. Somos introduzidos em um conflito que mal compreendemos. Porque, pela graça de Deus, fomos salvos, fomos lançados, por assim dizer, em um enorme conflito.
Mal compreendemos as dimensões desse conflito. Mal compreendemos exatamente do que se trata, a não ser que, no momento em que uma pessoa é salva pela graça de Deus, ela encontra toda sorte de coisas se levantando contra ela. Todo tipo de coisa tentará fazê-la tropeçar.
Por que isso acontece? Vocês ficaram do lado de Deus. Certamente tudo deveria ser um mar de rosas. Tudo deveria estar absolutamente certo. Vocês deveriam ser levados, no maior conforto, para o reino de Deus.
Mas não. Parece que o mundo inteiro está contra nós. Isso é expresso de outra maneira:
Por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.
Por que essa tribulação? Por que toda essa oposição? Por que esse antagonismo? A não ser que o inimigo não suporte ninguém que tenha sido transportado.
Ele não suporta a ideia de que vocês foram tirados de sua autoridade e colocados sob a autoridade de Deus e de Seu Messias.
Quando vocês começam a entender isso, todo o conflito passa a fazer sentido — um conflito de uma era, um conflito que atravessa as eras.
Considerem o Salmo 2. Aqui temos, logo no início do Saltério, um salmo que todos — tanto rabinos como estudiosos da igreja — têm chamado de salmo messiânico.
Por que se enfurecem as nações,
E os povos meditam coisas vãs?
Os reis da terra se levantam,
E os governantes se reúnem em conselho,
Contra o Senhor e contra o Seu Ungido, dizendo:
Rompamos as Suas ataduras,
E lancemos de nós as Suas cordas.
Aquele que está sentado nos céus Se rirá;
O Senhor zombará deles.
Contudo, Eu estabeleci o Meu Rei
Sobre o Meu santo monte de Sião.
Que salmo! É uma janela para um conflito que atravessa as eras, começando em Gênesis e terminando no livro de Apocalipse. Eu e vocês estamos nele pela graça de Deus.
Se estamos nele — não porque sejamos alguma coisa em nós mesmos, mas porque pertencemos ao Senhor Jesus —, então a vitória está assegurada, se tão somente nos colocarmos sob a Sua realeza.
Somos invencíveis se nos colocarmos sob a realeza de Deus. Mas, se temos uma contenda com a realeza de Deus, se temos uma contenda com a realeza do Senhor Jesus, descobriremos que, embora sejamos salvos, perdemos tudo.
Não chegamos ao trono. Não chegamos à realeza em nossa própria vida. Perdemos nossa herança, mas não nossa salvação.
Meus queridos amigos, acho esse salmo inacreditável. O que ele significa? Por quê? Não é de admirar que o salmista tenha perguntado:
Por que se enfurecem as nações?
Por que os povos imaginam coisas vãs?
Vivo em uma parte do mundo em que isso é exatamente verdade. Ao nosso redor, são inacreditáveis em sua vaidade, gritando coisas que não fazem sentido e que não têm relação alguma com a verdade. O que há de errado com eles?, perguntamos. Por que toda essa agitação? Por que todo esse conflito?
Mas isso tem algo a ver com a realeza de Deus. Tem algo a ver com o reino de Deus. Tem algo a ver com o Rei de Deus — o Rei que Deus estabeleceu, o Messias de Deus.
Não é maravilhoso que o Senhor ria? Eu amo isso. Nós ficamos tão perturbados e preocupados. Achamos que deveríamos construir abrigos subterrâneos e estocar alimentos e tudo mais por causa das coisas que estão por vir. Mas o Senhor ri. Ele zomba deles.
Contudo, Eu estabeleci o Meu Rei sobre o Meu santo monte de Sião.
O propósito de Deus está estabelecido. O Rei — o Rei de Deus — está em Seu lugar. Nada pode alcançá-Lo, tocá-Lo ou derrubá-Lo.
Estamos no cortejo de Seu triunfo. Como somos tolos — como somos tolos —, em vez de percebermos que estamos no cortejo do triunfo do Messias de Deus, que está à direita da Majestade nas alturas.
Contestamos o tempo todo. Precisamos ser arrastados para dentro da vontade de Deus. Deus precisa recorrer às maneiras mais extraordinárias de nos conduzir para conseguir que façamos até mesmo coisas simples que são a Sua vontade. Isso não é triste? Vocês não acham?
E, se vocês estão pensando em outra pessoa, por que não pensam em si mesmos? Porque isso é verdade a respeito de todos nós. Ficamos sentados e dizemos: “Ah, espero que fulano esteja ouvindo isso. Ele precisa disso. Ele precisa disso”.
Mas, na verdade, todos nós somos tolos quando se trata disso. Passamos nosso tempo discutindo com o Senhor, interpretando mal o propósito e a palavra de Deus para nós, compreendendo mal o Seu caminho para nós, compreendendo mal os Seus motivos ao nos conduzir.
É impressionante como o inimigo é astuto, por ter injetado em nós um veneno do qual precisamos ser purificados, mas que tantas vezes permitimos que permaneça em nossa vida, em nossas circunstâncias, em nosso lar e em nossos relacionamentos.
Assim, Satanás encontra espaço — ao contrário do que acontecia com o Senhor Jesus, que disse:
Vem o príncipe deste mundo, e ele nada tem em Mim.
Quem dera pudéssemos dizer algo assim: “Ele não tem espaço em mim”.
Vocês podem me acompanhar por mais um ou dois momentos nesse assunto, antes de eu chegar ao terceiro e último ponto?
Tudo — ouçam com atenção —, cada coisa no programa divino está, neste momento, dentro do prazo. Não está nem um minuto atrasada, nem um minuto adiantada. Está tudo no tempo certo.
Acho isso extraordinário. Acho absolutamente extraordinário. Isso me dá um enorme consolo em uma época em que poderíamos estar muito confusos, e em que sei que muitos crentes estão ainda mais confusos do que eu.
Não há confusão com o Senhor. Tudo o que está acontecendo neste mundo está no tempo certo. Está absolutamente de acordo com o programa divino. Louvado seja o Senhor.
Isso me dá coragem para crer que, quando chegar a hora — que ninguém conhece, nem os anjos, nem mesmo o Filho, mas somente o Pai —, quando chegar aquele momento em que o Filho iniciará Sua jornada de volta com o reino de Deus, será no tempo certo. Nem um minuto antes, nem um minuto depois. Será absolutamente no tempo certo.
Quanto à atual situação mundial, ao movimento em direção a um governo mundial, não tenho dúvida alguma sobre isso. Sei que muitas pessoas estão confusas com o que aconteceu na União Soviética. Sempre pensaram que o Kremlin era o Anticristo e que, de uma maneira ou de outra, aquele era o poder que dominaria toda a terra pela força militar e levaria a perseguição da Rússia, da Europa Oriental e da China ao mundo inteiro.
Agora, de repente, tudo está se desintegrando. Muitos crentes me escrevem e telefonam, dizendo: “Você não acha que isso é uma fraude? Não acha que o senhor Gorbachev está apenas enganando todo mundo e que, de repente, vai atacar os Estados Unidos?”.
É possível. É possível porque o senhor Gorbachev, pensem vocês o que pensarem a respeito, ainda é comunista, e um comunista dedicado.
Mas o fato é este: a União Soviética não tem dinheiro. Não tem dinheiro algum. Não tem condições.
Vocês acham que eles queriam sair da Europa Oriental? Acham que queriam sair do Afeganistão? A questão é que Deus, de Sua maneira maravilhosa, assim como no caso de Nabucodonosor, pronunciou a palavra, e tudo está em processo de desintegração.
Agora os crentes estão todos confusos. “E o Anticristo? De onde virá o Anticristo?” Bem, o Anticristo pode vir de um lugar e de uma origem que surpreendam vocês.
Não sei de onde virá o Anticristo. Tenho algumas suspeitas. Sei que outros talvez sejam mais especialistas nesse assunto do que eu, mas tudo o que sei é isto: o que aconteceu em poucos meses é notável.
De repente, começou na Polônia. Da Polônia passou à Hungria, da Hungria à Bulgária, da Bulgária à Alemanha Oriental, da Alemanha Oriental à Tchecoslováquia e da Tchecoslováquia à Romênia. De repente, toda a Europa estava livre.
Pela primeira vez na história, a Romênia transmitiu pela televisão um culto inteiro de véspera de Natal para toda a nação. Pela primeira vez em setenta e um anos, o Kremlin permitiu que um culto cristão fosse transmitido pela televisão para toda a extensão da União Soviética na véspera do Natal ortodoxo, e permitiu que os sinos do Kremlin tocassem anunciando o Ano-Novo.
Agora, meu querido amigo, o que estamos testemunhando é algo extraordinário, porque isso avançará em direção a um governo mundial. O que acontecerá é que o mundo ocidental terá de fazer alguma coisa, de uma maneira ou de outra, para trazer algum tipo de paz ao mundo e impedir a possibilidade de guerra.
Não sei. Seria insensato fazer previsões. Mas de uma coisa tenho plena certeza: o programa de Deus está no tempo certo.
Não tenho dúvida alguma de que já começou a ascensão da CEE, o Mercado Comum, como a maior força unificada do mundo. A grande questão é se a Europa Oriental será incluída — se a Hungria, a Tchecoslováquia, a Polônia e a Iugoslávia serão incluídas nesses gigantescos novos Estados Unidos da Europa.
É impressionante ver tudo o que está acontecendo. De um lado, pela primeira vez, o evangelho está sendo pregado nas ruas de Praga. Vocês sabem que o presidente em Praga é amigo de um dos meus amigos? Quando estiveram presos juntos, ele orava todos os dias com meu amigo durante a hora de exercício no pátio da prisão. Ele é crente.
Vocês sabem que o primeiro-ministro da Polônia é um católico praticante, comprometido com sua fé? É inacreditável o que está acontecendo.
Preciso ter cuidado, porque acabaremos nos desviando para todo esse assunto, e não quero me desviar. Quero me ater ao ponto. Mas o fato é que isso é realmente extraordinário.
Havia duas nações neste mundo que, no início da década de 1930, foram fortalecidas e inspiradas por um espírito pagão. Uma era o Japão, e a outra era a Alemanha.
Ambas falavam de uma nova ordem mundial: o Japão para a Ásia, a Alemanha nazista para a Europa. Ambas procuraram, por meios militares, fazer surgir essa nova ordem mundial — Adolf Hitler com seu Reich de mil anos, e o Japão com sua raça superior.
Ambas eram pagãs. Ambas foram derrotadas. Então testemunhamos algo extraordinário: elas se tornaram praticamente as maiores potências econômicas no período posterior à Segunda Guerra Mundial.
Agora parece que essas duas nações estão novamente preparadas — não para conquistar o mundo por meios militares, nem mesmo para ser nacionalistas —, mas o mesmo espírito pagão as está permeando para tentar influenciar toda a sociedade mundial.
É muito interessante que, quando os Estados Unidos não puderam sustentar financeiramente a Europa Oriental e a União Soviética, por causa de sua fraqueza nesse aspecto, recorreram à Alemanha para fazê-lo. Mas a Alemanha não pôde fazê-lo porque estava mais interessada na reunificação com a Alemanha Oriental.
Então a Alemanha chamou o Japão. Quando o primeiro-ministro do Japão veio, passou primeiro por Bonn, antes de ir a todas as capitais da Europa Oriental. Fez um discurso extraordinário que, nos dias futuros, provavelmente será um daqueles discursos que marcam uma virada histórica. Disse: “Estamos à beira de uma nova ordem mundial”.
Meu querido amigo, posso estar errado em muito do que disse, mas pelo menos acho que estou certo nisto: algo está acontecendo, como uma enorme convulsão em toda a sociedade mundial — tanto na Ásia como na Europa, em toda parte.
Vemos a agitação da sociedade e, como sempre acontece com essas grandes convulsões, esses grandes abalos, esses grandes tumultos, deles surgirão bestas. Sempre foi assim na história do mundo. Por quê? Porque é um desafio satânico.
É o homem caído que quer estabelecer, inspirado por Satanás e demonizado, uma utopia, uma era de ouro, sem o Messias de Deus.
Ainda que eu esteja errado nos detalhes dessa questão, acho que posso ser absolutamente categórico quanto a isto: esse é o desafio.
Agora, meus queridos amigos, há muito mais sobre o que eu poderia falar em todo esse assunto. Acho que uma das coisas mais extraordinárias — vou mencioná-la apenas de passagem — é que, de repente, em meio a toda essa agitação, convulsão e mudança, outra coisa está acontecendo.
Observem: quando estive aqui no ano passado — o que demonstra que não sou profeta —, não fazia ideia de que qualquer uma dessas coisas aconteceria. Imagino que a maioria de vocês também não, portanto estamos todos juntos nisso. Todos nós fomos pegos de surpresa por tudo isso — o mundo inteiro.
Venho de uma pequena nação com enormes problemas, que enfrenta crises imensas. Em meio a isso, no momento mais inoportuno, no momento em que tudo, humanamente falando, deveria anular qualquer possibilidade assim, está acontecendo a maior imigração de nossa história.
Um milhão cento e quinze mil judeus soviéticos solicitaram vistos para vir a Israel. Mas não é só isso. De repente, dez mil judeus etíopes solicitaram vistos, dez mil judeus romenos solicitaram vistos e duas mil famílias francesas solicitaram vistos.
É como se, de repente, Deus estivesse soprando sobre todos os judeus da diáspora — talvez não sobre os da América, mas sobre os que estão espalhados pelo mundo inteiro. Ele está soprando sobre eles, e de repente algo está acontecendo: eles estão voltando para casa.
É inacreditável. Não temos moradias para eles. Não temos empregos. Nossa economia está em uma situação absolutamente impossível. Temos uma burocracia cujo espírito é o da Europa Oriental.
Se vocês me tivessem perguntado: “Quando acontecerá esse êxodo?” — vocês sabem que a Bíblia diz que virá um dia em que o êxodo da terra do norte eclipsará o êxodo do Egito —, eu teria dito: “Ainda não”.
Temos este problema, aquele problema e mais outro problema. Temos uma economia sem perspectivas. Temos um governo muito fraco. Temos ameaças do presidente do Iraque de nos incinerar e atacar com gás. Eu teria dito: “Este não é o momento”.
E Deus ri nos céus. Ele tem toda a situação em Suas mãos. Pronuncia a palavra, diz ao norte:
Entrega.
E ele entrega; ao sul:
Não retenhas.
E eles não retêm. Tudo acontece.
Certamente isso significa apenas uma coisa: o reino de Deus deve estar próximo. Tudo no programa divino está no tempo certo. Isso não é um engano.
Conheci crentes — cristãos, não judeus — que foram à União Soviética tentando convencer essas pessoas a vir, e era como bater a cabeça contra uma parede. Elas não queriam vir.
Estão tão assimiladas que a maioria dos homens nem sequer é circuncidada. Em Jerusalém, estão sendo circuncidados — sessenta por semana. Não sabem nem o básico sobre a identidade judaica, a Páscoa ou qualquer outra coisa. Não entendem do que estamos falando. Nunca quiseram voltar.
Se queriam ir para algum lugar, queriam vir para cá — para os Estados Unidos. Esta era a terra prometida. Mas então Deus soprou sobre isso. De repente, tudo acontece, meus queridos amigos.
Só pode ser Deus agindo nisso.
Agora, voltemos a toda essa questão: o evangelho do reino. Falei de um desafio à realeza de Deus. Dissemos algo sobre o significado da palavra reino. Mas agora considerem as boas-novas.
Sabem, essa palavra evangelho sempre me deixa um pouco triste. Ou a associamos a um tipo de música soul, ou muitas pessoas que não foram criadas em círculos cristãos a associam a pregadores espalhafatosos ou a pregadores fraudulentos que pregam o evangelho e depois passam a bandeja de ofertas.
Ou pensamos nela como algo que não está muito certo. Mas evangelho significa boas-novas.
As boas-novas da realeza de Deus. As boas-novas da realeza de Deus, do reino de Deus.
O que são essas boas-novas? Vou apenas tocar no assunto, porque, na próxima vez em que falar sobre o evangelho, quero abordá-lo mais plenamente. Portanto, vou apenas tocar nele.
Deus nunca desistiu de Seu propósito original: ter o Seu Rei em Seu lugar, o Seu reino na terra. Vocês ouviram isso?
Deus nunca desistiu de Seu propósito original para o Seu Rei e para o Seu reino. Não importa se o mundo inteiro está demonizado, não importa se todas as nações se tornam uma fúria de antagonismo, Deus nunca desistiu.
Mas agora ouçam isto: Ele também não desistiu de Seu propósito original de que o homem participe dessa realeza.
Ele não ficou desiludido. Não viu a confusão em que a humanidade se encontra e desistiu por causa das dificuldades que tem com os crentes. Meus queridos amigos, cada um de nós dá trabalho.
Sempre tive a maior simpatia por Moisés. Um dia direi a Moisés: “Sou tão grato porque o Senhor escolheu você para conduzir o povo de Deus pelo deserto, e não a mim. Eu não teria quebrado apenas a vara; tenho certeza de que teria quebrado a rocha também”.
Às vezes fico tão irritado com o povo de Deus. Sei que dou trabalho, e preciso me lembrar continuamente de que dou trabalho a Deus. É extraordinário para mim que o Senhor ame tanto a mim e a vocês que nos salvou — com todo o trabalho que damos.
Vamos deixar isso bem claro. Apesar desse tipo moderno de pregação do evangelho, que quase parece dizer que vocês estão fazendo um favor ao ficar do lado de Deus — sabem, é como uma espécie de campanha eleitoral: “Por favor, votem no Senhor, pelo prazer” —, trata-se de algo frouxo, superficial.
Não é o evangelho que encontramos aqui no Livro, que proclamava que Deus era Rei e que a única maneira correta de se aproximar de Deus era com humildade e arrependimento.
Mas, apesar dessa ideia de que estamos fazendo um grande favor ao Senhor ao ficar do lado Dele — de que Ele deveria ficar tão satisfeito e Se desdobrar para fazer tudo por nós, porque abrimos mão de tudo para acompanhá-Lo —, não é assim, amados.
Meus queridos amigos, que diferença daquela pregação do evangelho de antigamente, na qual as pessoas choravam durante horas por seu pecado, choravam por sua condição perdida e, em meio às lágrimas, entravam na realeza de Deus.
Deus fazia uma obra tão profunda em sua vida que, de uma maneira ou de outra, eram libertas do orgulho logo no início de sua vida cristã — quebrantadas desde o começo, entendendo que era a graça, a misericórdia e o favor do Senhor que as haviam salvado.
Ao nos salvar, o Senhor apenas trouxe para Si uma carga de problemas.
Qualquer filho de Deus que pense estar fazendo um grande favor ao Senhor por segui-Lo não sabe nada sobre o evangelho do Rei.
Permitam-me dizer isso claramente mais uma vez. Deus não desistiu de Seu propósito original — não apenas de ter o Seu Rei, não apenas de ter o reino, mas de compartilhar essa realeza com outros.
Ele pretende estabelecer o Seu reino, o Seu Rei e aqueles que reinarão com Ele. Isso não é maravilhoso? Eu acho que é, de qualquer maneira.
Penso em passagens maravilhosas das Escrituras. Não voltarei a elas; talvez alguns dos outros irmãos voltem. Mas penso na palavra que já citamos:
O reino do mundo se tornou o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo;
E Ele reinará para todo o sempre.
Então penso naquele pequeno e maravilhoso capítulo de Isaías. Quando fui salvo, disseram-me algo de que sempre me lembrei. Eu tinha apenas doze anos, nunca havia lido minha Bíblia e nunca havia estado em um lugar de culto. Disseram-me: “Se a Bíblia repete alguma coisa, isso é muito significativo”.
Esta maravilhosa passagem de Isaías 2 diz:
E acontecerá nos últimos dias
Que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes,
E será elevado acima das colinas;
E a ele afluirão todas as nações.
E irão muitos povos e dirão:
Vinde, e subamos ao monte do Senhor,
À casa do Deus de Jacó;
E Ele nos ensinará os Seus caminhos,
E andaremos nas Suas veredas:
Porque de Sião sairá a lei,
E de Jerusalém, a palavra do Senhor;
E Ele julgará entre as nações,
E decidirá a respeito de muitos povos;
E converterão as suas espadas em relhas de arado,
E as suas lanças em podadeiras;
Uma nação não levantará a espada contra outra nação,
Nem aprenderão mais a guerra.
Essas palavras são repetidas, palavra por palavra, em Miqueias 4. Este é o propósito de Deus: estabelecer o Seu reino na terra.
É um reino literal que está vindo. Ele decidirá a respeito das nações. Não se trata apenas dos salvos; trata-se também das nações da terra. Deus, por fim, vindicará a Sua verdade diante de todas as nações.
Penso em outra pequena passagem das Escrituras, realmente notável a meu ver, em Isaías 11:
E sairá um rebento do tronco de Jessé,
E um renovo das suas raízes dará fruto.
E repousará sobre Ele o Espírito do Senhor,
O espírito de sabedoria e de entendimento,
O espírito de conselho e de fortaleza,
O espírito de conhecimento e de temor do Senhor.
Este é o Senhor Jesus. Este é o Rei de Deus. Agora ouçam o restante:
E o lobo habitará com o cordeiro,
E o leopardo se deitará com o cabrito;
E o bezerro, o leão novo e o animal cevado estarão juntos;
E uma criança pequena os guiará.
E a vaca e a ursa pastarão;
Suas crias se deitarão juntas;
E o leão comerá palha como o boi.
E a criança de peito brincará sobre a toca da áspide,
E a criança desmamada porá a mão na cova da víbora.
Não farão mal nem destruirão em todo o Meu santo monte;
Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor,
Como as águas cobrem o mar.
Que perspectiva! É isso que Deus tem o propósito de estabelecer.
Agora, meus queridos amigos, aqui estão as boas-novas: Deus já tem o Seu Rei. Esse Rei é Jesus.
O Rei messiânico de Deus, nascido da linhagem real, nascido, segundo a profecia, em Belém Efrata:
Mas tu, Belém Efrata,
Pequena entre os milhares de Judá,
De ti Me sairá Aquele
Que há de governar em Israel;
Cujas origens são desde os tempos antigos, desde a eternidade.
Aqui, então, está o Rei de Deus. Ele nasceu Rei dos judeus. Magos vieram do Oriente perguntando:
Onde está Aquele que nasceu Rei dos judeus?
Vocês conhecem a história.
Às vezes, as pessoas falam do Senhor Jesus de maneira bastante equivocada quando tratam de Sua humanidade. Falam Dele como um camponês, como uma espécie de artesão. É verdade que Ele era carpinteiro. Cresceu em circunstâncias muito humildes e sob muitas pressões. Mas não havia uma gota de sangue em Suas veias que não fosse real.
Ele era o Rei.
Quando Ele Se apresentou para o Seu ministério messiânico público, foi aclamado em toda parte. Não sei se a maioria das pessoas que lê a Bíblia sem conhecer seu contexto entenderia isso. Vocês se lembram do cego Bartimeu. Lembram-se do que ele disse?
Filho de Davi, tem misericórdia de mim.
Por que “Filho de Davi”? Por que não “Filho do Homem”? Por que não “Rabi”? Por que “Filho de Davi”?
Isso acontecia repetidas vezes. As pessoas diziam: “Filho de Davi”. Era como se estivessem dizendo: “Coroem-No! Coroem-No!”. Sabiam que era Jesus. Sabiam que Ele era da linhagem real, que pertencia à tribo de Judá, que era da casa real de Davi, que era o Filho maior do grande Davi.
Eu poderia dizer muito mais sobre esse assunto, porque os registros genealógicos existiam naquela época. Se os principais sacerdotes e aquela máfia eclesiástica realmente quisessem destruir Jesus, poderiam ter dito às pessoas: “Venham ao registro, e provaremos a vocês que este homem não é de sangue real. Ele não é da linhagem real. Temos todos os registros genealógicos disponíveis”.
Nunca mencionaram isso, nem uma vez. O que disseram a Pilatos foi: “Ele diz que é Rei”.
Quando Jesus foi crucificado, havia apenas um título pregado acima de Sua cabeça. Poderiam ter escrito: “Jesus de Nazaré, o Salvador do mundo”. Estaria certo, mas não o fizeram.
Poderiam ter dito: “Jesus de Nazaré, Príncipe da Paz”, mas não o fizeram. Poderiam ter escrito toda sorte de coisas, como: “Jesus de Nazaré, Ele disse que era Rei dos reis e Senhor dos senhores”, mas não o fizeram.
Escreveram:
Jesus de Nazaré, o Rei dos judeus.
Quando Deus O ressuscitou, vindicou Sua condição de Messias e Sua realeza. Isso significa que, à direita de Deus, está o Rei — Cabeça da igreja, Rei dos reis e Senhor dos senhores, soberano dos reis da terra e ainda Rei de Israel.
É por isso que Ele volta a Jerusalém. Meu querido amigo, nunca recebi uma explicação adequada de por que Jesus voltará a Jerusalém, onde, atualmente, há menos crentes do que em quase qualquer capital do mundo.
Bem, aqui estamos. Deus tem o Seu Rei. Isso é uma boa notícia, no que me diz respeito. É uma boa notícia porque esse Rei é um Salvador.
Esse Rei não é algum grande rei exibindo Sua majestade real, exibindo Seu poder real, vestido com todas as insígnias, querendo ser admirado e observado. Algumas pessoas deste lado do Atlântico imaginam os reis dessa maneira.
Imaginam: “Eu adoraria ser rei, sentado ali sem nada para fazer, com um orbe em uma mão e uma coroa na cabeça”. As pessoas ficaram com a ideia de que será assim quando o reino vier: um orbe em uma mão, um cetro na outra, uma coroa na cabeça, quase sem poder se mover, apenas sentado em algum trono enquanto todos os anjos as admiram.
Ah, meu querido amigo, isso é tão tolo. A ideia bíblica de realeza é serviço. É a condição de servo. O Rei é o Servo do Senhor. Esse é o caráter da realeza.
Quando eu e vocês começamos a ver Jesus dessa maneira, descobrimos que Ele não é apenas algum potentado, algum personagem majestoso cercado por uma aura de mistério.
Este é Aquele que lavou os pés de Seus discípulos. Este é Aquele que os amou até o fim. Este é Aquele que sabia que Judas era um trapaceiro e ainda assim o amava.
Este é Aquele que amou vocês e Se entregou por vocês. Meu querido amigo, não há ninguém em todo o mundo mais digno de Se sentar no trono de Deus.
Aqui está um caráter de realeza que significa completa humildade, completo quebrantamento e serviço absoluto.
Deus tem o Seu Rei. Louvado seja o Seu santo nome.
Poderíamos dizer muitas outras coisas, mas vou apenas tocar nisto. Aqui está a segunda coisa: Deus pretende compartilhar essa realeza de Jesus com outros.
Quero inserir aqui uma palavra de advertência. Jesus é único. A meu ver, Ele é único. Já O conheço há muitos anos, e considero o Senhor Jesus absolutamente único.
Não quero diminuir o Senhor Jesus. Às vezes estremeço quando ouço falarem do Senhor Jesus como uma coisa, como se Ele fosse apenas uma vida, um poder, um agente ou um instrumento.
Meus queridos amigos, esse maravilhoso Senhor Jesus é uma Pessoa. É extraordinário conhecê-Lo, andar com Ele, ouvi-Lo. Este Jesus — Ele é único.
Contudo, Deus ainda pretende compartilhar Sua realeza com outros. É dito a respeito de Jesus, na carta aos Hebreus, que Ele conduzirá muitos filhos à glória.
Sim, meus queridos amigos, fomos feitos reis e sacerdotes para Deus — um reino de sacerdotes para Deus. Isso não é maravilhoso?
Precisamos terminar, mas vocês percebem que é quase difícil terminar, não é, depois que começamos a falar disso? Porque, para mim, isso é uma boa notícia. Acho absolutamente maravilhoso.
Aqui estou eu, um pequeno encrenqueiro desprezível, no que diz respeito a Deus. Não acho que eu procure causar problemas para vocês, mas, no que diz respeito a Deus, sou eu quem causa problemas. Estou sempre Lhe dando trabalho. Pobre Senhor, sinto tanta pena Dele.
Eu O compreendo mal. Entendo mal o que Ele diz. Interpreto-O mal. Ele precisa me levantar. Às vezes precisa me dar uma boa correção com Sua vara. Quanto trabalho dou a esse maravilhoso Senhor.
Mas, meu querido amigo, Ele pretende que eu seja rei. Mal consigo acreditar. Mal consigo acreditar. Ele quer que eu chegue ao Seu trono. Isso não é extraordinário?
Compartilhar Seu trono, sentar-me com Ele no trono — não, como eu disse, para ser admirado de alguma maneira, mas para administrar com Ele o propósito e a vontade de Deus nas eras vindouras.
Querido, querido filho de Deus, acho isso extraordinário.
Gostaria de parar e falar sobre a cidade de Deus. É a última coisa em toda a Bíblia, não é? Uma capital tem tudo a ver com governo, autoridade e execução da política nacional. Essa Noiva é a cidade. Isso não é extraordinário?
Aqui descubro que, no final da Bíblia — a Bíblia começa com um casamento, Adão e Eva; termina com um casamento, o Cordeiro e a esposa do Cordeiro; e no meio dela há dois pequenos livros que a maioria das pessoas não entende de verdade.
Os teólogos liberais chamam um deles de uma canção de amor obscena. Um se chama Eclesiastes, e o outro se chama Cântico dos Cânticos. Abram a Bíblia no meio, e o que vocês encontram? Cântico dos Cânticos e Eclesiastes.
Em Eclesiastes, se entendemos e aceitamos a tradição judaica, Salomão fez de tudo, e tudo o que disse foi:
Vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
“Vazio, vazio, tudo é vazio. Inutilidade, inutilidade, tudo é inutilidade.”
Alguns cristãos dizem: “Não acho que esse livro deveria estar no Livro”. É um livro extraordinário. Ele diz: “Não seja justo demais e não seja perverso demais, porque, no fim, você vai morrer de qualquer maneira”.
Vocês pensam: “Ah, isso não é como o restante do Livro. Está errado”. Até mesmo os rabinos discutiram, discutiram e discutiram sobre o pequeno livro de Eclesiastes: deveria ser incluído ou não? Por fim, disseram que deveria ser incluído.
Mas o Cântico de Salomão é completamente diferente. Se entendemos a tradição judaica, foi uma visão que Deus deu a Salomão do amor entre Deus e o povo de Sua aliança.
Tudo isso é uma formação. Deus toma aquela moça, a liberta e a leva a um relacionamento Consigo mesmo. Então ela se acomoda, e Ele a deixa. Ela sai para procurá-Lo, e então O encontra. Agora está em um nível mais profundo. Depois Ele a deixa novamente, e ela sai e, no fim, estão juntos para sempre.
“Vaidade, vaidade, tudo é vaidade. Inutilidade, inutilidade, tudo é inutilidade.” Esse é o livro de Eclesiastes. Salomão devia saber. Construiu parques, tinha zoológicos, tinha jardins botânicos, tinha fazendas, tinha palácios e tinha mil esposas. Devia saber do que estava falando.
Mas, quando chegamos ao Cântico dos Cânticos, é valor, valor, tudo tem valor; propósito, propósito, tudo tem propósito.
Aqui, no coração da Bíblia de vocês, a Bíblia começa com um casamento, termina com um casamento e, no meio da Bíblia, há um casamento. Do que se trata tudo isso, a não ser do desejo de Deus de que eu e vocês cheguemos ao trono do Cordeiro?
É como se Ele desejasse intensamente que eu e vocês participássemos da realeza de Jesus, que fôssemos aqueles que podem reinar com Ele. Meu querido amigo, isso é uma boa notícia. Isso é uma boa notícia.
Aqui está o último ponto: isso é uma boa notícia. Como podemos chegar lá? Não por nossas obras, não por nosso zelo, não por nossa devoção, não por nosso conhecimento religioso, mas por Sua graça.
Essas são as boas-novas do reino. Esse Cordeiro Se entregou por nós. Esse Rei Se tornou Aquele que levou o pecado. Esse Jesus é Aquele por meio de Quem eu e vocês somos justificados aos olhos de Deus, declarados justos e recebemos um fundamento eterno para que possamos nos tornar reis com Ele.
Isso é uma boa notícia. Ele não apenas nos salvou, mas também nos providenciou os recursos — o poder, a sabedoria, a graça — para que eu e vocês não apenas sejamos salvos, mas cheguemos ao trono de Deus.
Aqui, então, estão as boas-novas do reino. Jesus foi a toda parte pregando essas boas-novas do reino. Ele virou de cabeça para baixo o mundo que conhecia.
É interessante que, naquele grande discurso sobre Sua segunda vinda, se diga que este evangelho do reino será pregado em todas as nações, no mundo inteiro, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim.
Meu querido amigo, não é extraordinário que eu e vocês tenhamos sido salvos? Acho que é um grande privilégio, nestes dias de confusão, agitação e convulsão — com tanta coisa acontecendo —, que eu e vocês, pela graça de Deus, tenhamos sido salvos.
É a graça de Deus. Então nos colocamos em Sua presença. Entramos na corrida. Entramos em Sua escola. Entramos em Sua formação, em Sua disciplina. Isso é uma boa notícia, no que me diz respeito.
Que o Senhor torne isso uma realidade para todos nós.
Vamos ter uma palavra de oração?
Amado Senhor, amado Senhor, precisamos que nos seja concedido esse Espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento do Senhor Jesus.
Estivemos considerando toda essa questão do evangelho do Teu reino. Senhor, faz com que esse raio de luz divina brilhe diretamente em nosso coração.
Leva-nos a uma nova compreensão dessa extraordinária posição à qual nos conduziste, dessa extraordinária condição que nos concedeste. Tu nos salvaste com uma salvação eterna. Tu nos justificaste aos Teus olhos por meio da obra do Senhor Jesus no Calvário.
Querido Pai, para nós, isso é uma boa notícia. Agora, Senhor, torna isso uma realidade no íntimo de cada um de nós, para que comecemos, de uma nova maneira, a entender o que isso significa neste mundo tão cheio de ideias contrárias à Tua verdade e à Tua palavra.
Leva-nos a um novo patamar de compreensão e leva-nos, Senhor, a uma nova experiência da Tua realeza.
Senhor, ajuda-nos. Somos tão tolos. Discutimos Contigo, nos rebelamos contra Ti e muitas vezes Te compreendemos de maneira completamente equivocada.
Senhor, trata conosco em amor e misericórdia, para que sejamos aqueles que se colocam inteiramente sob a Tua realeza, especialmente nestes dias.
Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.