Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Todo-Poderoso descansará.
Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio e a minha fortaleza;
Meu Deus; nEle confiarei.
Pois Ele te livrará do laço do passarinheiro
E da peste mortal.
Ele te cobrirá com Suas penas,
E debaixo de Suas asas te refugiarás:
A Sua verdade é escudo e broquel.
Não temerás o terror da noite,
Nem a seta que voa de dia;
Nem a peste que anda na escuridão,
Nem a destruição que assola ao meio-dia.
Mil poderão cair ao teu lado,
E dez mil à tua direita;
Mas ela não chegará a ti.
Somente com os teus olhos contemplarás
E verás a recompensa dos ímpios.
Porque fizeste do Senhor, que é o meu refúgio,
Do Altíssimo, a tua habitação;
Nenhum mal te sucederá,
Nem praga alguma chegará à tua tenda.
Pois Ele dará ordens aos Seus anjos a teu respeito,
Para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas suas mãos,
Para que não tropeces com o teu pé em alguma pedra.
Pisarás o leão e a víbora:
Calcarás aos pés o leão novo e a serpente.
Porque ele pôs em Mim o seu amor, Eu o livrarei:
Eu o colocarei em lugar elevado, porque conheceu o Meu nome.
Ele Me invocará, e Eu lhe responderei;
Estarei com ele na angústia:
Eu o livrarei e o honrarei.
Com longa vida o satisfarei
E lhe mostrarei a Minha salvação.— Salmos 91:1-16
Vamos fazer uma oração.
Querido Senhor, queremos agradecer-Te mais uma vez pelo Teu amor eterno. Verdadeiramente, Tu nos amaste até o fim — até o extremo. Tudo o que somos, mesmo agora, é por causa do Teu amor.
Senhor, como somos gratos por nos teres dado a Tua Palavra para nos consolar, nos encorajar e nos chamar a seguir-Te. Por isso, Senhor, pedimos que sopres sobre a Tua Palavra nesta manhã e a tornes viva e atuante na vida de cada um de nós.
Cria em nós confiança, uma firme confiança em Ti, ó Senhor. Como prometeste, Tu nos guardarás até aquele dia em que veremos a Tua face. E tudo isso é para o louvor da Tua glória. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Provavelmente vocês estão se perguntando por que li o Salmo 91. Na verdade, o primeiro versículo do Salmo 91 tem sido a minha oração quase diariamente nestes últimos meses:
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Todo-Poderoso descansará.
Como precisamos dessa oração.
Sabemos que o Salmo 90 foi escrito por Moisés porque esse salmo tem uma inscrição, um título: “Oração de Moisés, homem de Deus”. Mas o Salmo 91 não tem inscrição; não tem título.
Segundo o costume, quando um salmo tem uma inscrição, mas o seguinte não tem título, geralmente o autor é a mesma pessoa. Além disso, quando vocês leem o Salmo 90 e o Salmo 91, percebem uma grande semelhança. O espírito é o mesmo. É muito claro que é o espírito de Moisés em ambos os salmos.
O conteúdo, na verdade, é o mesmo. Eles descrevem praticamente a mesma coisa: o que aconteceu aos filhos de Israel quando atravessaram aquele grande e terrível deserto, embora os resultados tenham sido muito diferentes.
Até a estrutura — a maneira como esses dois salmos foram escritos — é exatamente a mesma forma de composição dos salmos. Há uma proclamação logo no início, uma resposta à proclamação, uma descrição dos perigos do deserto e do que aconteceu ali, e depois encontramos uma oração.
Como é possível atravessar aquele terrível deserto?
Vocês conhecem a história dos filhos de Israel. Eles eram escravos no Egito. Não apenas escravos, mas estavam destinados a morrer. Aquele povo seria inteiramente exterminado, porque Faraó, o rei do Egito, ordenara que todo bebê do sexo masculino fosse afogado no rio Nilo. O povo de Israel seria completamente aniquilado.
Eles estavam numa situação desesperadora. Mas, graças a Deus, em Sua misericórdia e por causa de Sua fidelidade, Ele enviou Moisés ao Egito para libertar o Seu povo da escravidão.
Mas não se tratava apenas de libertá-los do Egito e da escravidão. Tratava-se, sobretudo, de conduzi-los à terra prometida, à terra que mana leite e mel.
É sempre assim que Deus age. Ele nunca faz nada pela metade. Ele nunca faz nada que seja meramente negativo. Sua vontade é sempre positiva. Portanto, Seu propósito ao libertar os filhos de Israel era tirá-los do Egito e levá-los a Canaã, à terra prometida. Esse é o propósito de Deus.
Mas Deus tem um caminho intimamente ligado ao Seu propósito. Ele tem um caminho para realizar esse propósito. Ele conduziu os filhos de Israel para fora do Egito, mas não pela rota habitual que as pessoas usavam para viajar do Egito a Canaã — o caminho dos filisteus.
Os filisteus eram originalmente do Egito, da África, mas migraram para Canaã por terra. Quando os filhos de Deus foram libertos do Egito, porém, Ele não os conduziu pelo caminho comum, por terra. Pelo contrário, Ele os levou ao mar Vermelho.
Por quê? Porque Deus conhecia o Seu povo. Deus disse: “Se Eu os conduzir pelo caminho dos filisteus, por terra, eles encontrarão guerra e inimigos. Quando encontrarem seus inimigos, desejarão voltar ao Egito, porque terão como voltar”.
Então, para que não houvesse retorno, Deus os conduziu ao mar Vermelho, à margem do mar Vermelho. Os egípcios pensaram que eles haviam perdido o caminho.
Vocês se lembram de como Faraó e seus carros avançaram contra eles, pensando que seriam completamente destruídos porque não havia escapatória. Mas, graças a Deus, Ele abriu o mar Vermelho e permitiu que os filhos de Deus passassem por terra seca.
Mas, quando Faraó e seus carros os seguiram, as águas voltaram, e todos afundaram no mar. Esse é o caminho de libertação de Deus.
Depois que os filhos de Israel atravessaram o mar Vermelho, ainda não estavam na terra prometida. Considerando a maneira como as pessoas viajavam naquela época, teriam levado cerca de dois anos. Mas, infelizmente, vemos que os filhos de Israel passaram quarenta anos peregrinando pelo deserto.
Depois de peregrinarem por quarenta anos, pela misericórdia de Deus, finalmente chegaram ao lado oriental do Jordão, à terra de Moabe. Foi nessa ocasião que Moisés escreveu o Salmo 90 e, cremos, também o Salmo 91.
Portanto, se vocês realmente querem entender o Salmo 91, precisam conhecer o Salmo 90. Precisam conhecer os dois salmos. O Salmo 90 e o Salmo 91 são reflexões de Moisés quando ele tinha cerca de cento e vinte anos.
Ele estava com os filhos de Israel na fronteira da terra prometida. Antes que eles entrassem, Moisés refletiu; olhou para trás, para a experiência daqueles quarenta anos no deserto. Foi nesse espírito que escreveu esses dois salmos.
Agora vocês dirão: “Por que dois salmos? Por que não apenas um?” A razão está no deserto. Os filhos de Israel atravessaram o mesmo deserto, mas, ao passarem por ele, vemos que toda aquela geração morreu no deserto. Em outras palavras, o deserto os engoliu. Todos morreram no deserto.
Mas, graças a Deus, dois daquela geração conseguiram atravessá-lo e entrar na terra prometida. Quem eram eles? Se vocês conhecem a Bíblia, sabem que eram Josué e Calebe.
Assim, o Salmo 90 fala daquela geração dos filhos de Israel que morreu no deserto, e o Salmo 91 fala de Josué e Calebe, que venceram o deserto e entraram na terra prometida. Em linhas gerais, é disso que tratam esses dois salmos.
A Bíblia nos diz que o deserto atravessado pelos filhos de Israel era grande e terrível. Não havia estrada. Não se podia plantar nada. Não havia alimento nem água. Havia serpentes e escorpiões, calor, escuridão e frio — nenhum abrigo, nenhuma proteção.
Às vezes, havia inimigos, como Amaleque, que vinha atacá-los no deserto. No deserto havia pragas, pestes e todo tipo de perigo que vocês possam imaginar.
E, ainda assim, Deus permitiu que atravessassem aquele deserto. Durante aqueles quarenta anos, Deus supriu todas as suas necessidades.
Eles não tinham alimento; clamaram por alimento, e Deus lhes deu maná — alimento dos anjos, vindo do céu. Chegaram a desejar carne, e Deus lhes enviou codornizes para supri-los de carne.
Eles não tinham água. Murmuraram, e da rocha jorrou água. O rio os acompanhou por todo o caminho através do deserto.
Não havia estrada, mas o próprio Deus — na coluna de nuvem e na coluna de fogo — lhes indicava o caminho.
Depois de quarenta anos no deserto, os pés deles não incharam, e suas roupas não se gastaram. Vocês conhecem o deserto. Vejam como Deus foi fiel. Deus os protegeu. Deus supriu todas as suas necessidades. Deus fez tudo por eles.
Com quanto amor, com quanta ternura Deus os tratou. Não havia problema algum da parte de Deus. Mas encontramos um grande problema da parte do povo, porque eles não criam.
Depois de atravessarem o mar Vermelho, vocês poderiam dizer que a fé deles certamente havia chegado ao céu e nunca mais desceria. Contudo, sempre que encontravam uma pequena dificuldade, murmuravam, rebelavam-se e questionavam se Deus estava com eles. “Onde estava Deus? Por que Ele não vinha?”
Eles eram como bebês. Quando um bebê está com fome, ele chora, não importa se é de manhã, à noite ou à meia-noite. Se está com fome, você precisa alimentá-lo imediatamente. Ele não vai esperar por você. Essa era a situação dos filhos de Israel no deserto.
Para entrar na terra prometida, é preciso algum crescimento, alguma maturidade. Não é um lugar para bebês. A herança é para filhos, não para bebês. Assim, de certa maneira, Deus usou o deserto para prová-los.
Vocês encontram isso em Deuteronômio 8. Ali nos é dito por que Deus os conduziu pelo deserto: porque Deus os conhecia, mas eles não conheciam a si mesmos. Haviam sido salvos do Egito. Haviam atravessado o mar Vermelho. Pensavam que não havia nada que não pudessem fazer. Esqueceram-se de que fora Deus Quem fizera tudo, não eles mesmos.
Eles ainda viviam na sua velha carne. Confiavam mais em si mesmos do que em Deus. Por isso, Deus usou o deserto para prová-los, para revelar o que havia no coração deles — não porque Deus não soubesse o que havia ali, mas porque queria que eles soubessem o que havia no próprio coração.
Mesmo enquanto os provava, Deus era paciente. Deus continuava suprindo suas necessidades. Deus continuava cuidando deles.
Mas, ainda assim, depois de dois anos, chegaram à fronteira sul da terra prometida, a Cades-Barneia. Deveriam entrar na terra prometida. Mas tudo parou. Por quê? Porque não creram em Deus.
Enviaram espias para examinar a terra. Os espias voltaram depois de quarenta dias, trazendo frutos abundantes da terra para mostrar como ela era fértil. Era, sem dúvida, uma terra que manava leite e mel.
Contudo, disseram: “Vimos que as cidades têm muralhas que chegam até o céu” — um exagero. “Os habitantes são anaquins. Essas pessoas são gigantes. Aos olhos deles, somos como gafanhotos. Não podemos ir para lá; seremos devorados.”
Eles não quiseram crer em Deus e entrar na promessa. Por isso, depois de terem tentado a Deus dez vezes, Deus disse: “Basta. Esta geração terá de morrer”. Assim, peregrinaram pelo deserto durante quarenta anos, até que toda aquela geração morreu.
Somente Josué e Calebe tinham um espírito diferente. Eles criam em Deus. Disseram: “É verdade, encontramos gigantes ali. As cidades eram altas e fortes. Mas Deus está conosco. Podemos subir. Eles serão o nosso alimento. Não os temam”.
Mas o povo não creu. Quiseram apedrejá-los. Contudo, Deus preservou aqueles dois, e eles entraram em Canaã. Esse é o contexto desses dois salmos.
Agora, lembremos que tudo o que está escrito na Bíblia, no Antigo Testamento, é para a nossa admoestação. Em outras palavras, não são apenas relatos históricos para lermos. Por trás da história, há uma lição espiritual que Deus deseja que aprendamos.
Irmãos e irmãs, creio que todos sabemos que os filhos de Israel eram o povo terreno de Deus. Tudo o que lhes acontecia era físico. Até as promessas de Deus para eles eram físicas, e as bênçãos de Deus para eles eram físicas.
Se vocês guardassem os mandamentos, se temessem a Deus, teriam muitos filhos e muitas filhas. Mas, se desobedecessem a Deus, poderiam não ter filho algum. Porém, isso não se aplica ao Novo Testamento.
No Novo Testamento, todos nós somos o povo celestial de Deus, e todas as bênçãos de Deus são bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo. O princípio é o mesmo, mas a aplicação é diferente.
Não estou dizendo que, se vocês têm muitos filhos, não são abençoados por Deus. O que estou dizendo é que, quer tenham muitos filhos, quer não tenham nenhum, todos nós somos abençoados por Deus. Deus sabe.
De qualquer forma, vocês verão que a história dos filhos de Israel nos dá um vislumbre da história espiritual do povo espiritual de Deus. Nós, que somos salvos pela graça de Deus, somos Seus filhos espirituais.
Quando nascemos nesta terra, éramos como os filhos de Israel naquele tempo. Nascemos com uma sentença de morte sobre nós.
No caso dos filhos de Israel, os bebês do sexo masculino tinham de ser lançados no rio Nilo e afogados. Mas, no nosso caso, todos os que nascem neste mundo estão destinados à morte eterna. Ninguém é exceção.
Em Adão, todos morrem.
— 1 Coríntios 15:22
Sem exceção.
Na verdade, no momento em que você nasce, já está caminhando para a morte — não apenas a morte física, mas a morte eterna, o inferno — porque todos nós nascemos pecadores.
Mas, graças a Deus, Ele nos ama. Ele enviou Seu Filho unigênito, nosso Senhor Jesus, a este mundo para ser homem como nós, porém sem pecado. Ele, Que não tem pecado, está qualificado para ser nosso substituto.
Lembrem-se: quando nosso Senhor Jesus foi crucificado, não foi por Si mesmo. Não havia razão para Ele ser crucificado ou morrer. Mas Ele estava ali representando toda a humanidade. Ele tomou toda a humanidade em Si mesmo e morreu.
Esse é o Cordeiro pascal que foi morto. Mas Ele não apenas morreu por nós para nos salvar da morte eterna; na verdade, também nos tirou do mundo como sistema.
Porque, como vocês se lembram, em Colossenses 1:13 nos é dito:
Ele nos libertou do poder das trevas
E nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.
Portanto, irmãos e irmãs, nós que cremos no Senhor Jesus não apenas temos nossos pecados perdoados, e a morte eterna passou por nós sem nos atingir, de modo que nunca morreremos; também fomos libertos deste mundo. Saímos dele.
Isso é tipificado pelo batismo. A travessia do mar Vermelho é o batismo. Os filhos de Israel, ao atravessarem o mar Vermelho, foram batizados em Moisés. Mas nós, que somos batizados em nome do Senhor Jesus, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, somos batizados em Cristo.
Em outras palavras, o mundo ficou para trás. Pertencemos a Cristo e agora caminhamos em direção ao nosso lar eterno, a Nova Jerusalém. Essa é a nossa salvação.
Mas o caminho de Deus é sempre mais elevado do que o nosso. Sabem, às vezes penso: “No momento em que fui salvo, por que Ele não me arrebatou para o céu? Como seria bom!”
Eu não precisaria viver nem mais um dia na terra. Não precisaria enfrentar tentações, todas as provações, os sofrimentos e as coisas que acontecem no mundo e me afetam. Às vezes, tropeço e caio repetidamente, e me arrependo repetidamente.
Por que Deus fez assim? Se Ele me amava, por que não me levou imediatamente depois de me salvar? Então não haveria problema algum. Vocês já pensaram nisso?
Ah, os caminhos de Deus são sempre mais elevados. Seus pensamentos são mais elevados do que os nossos. Ele não quer encher os céus de bebês. Somente os que cresceram têm o privilégio da herança. A herança é para filhos e filhas, não para bebês.
Portanto, sabem, a maneira como o Senhor lida conosco é a mesma como lidou com os filhos de Israel. Ele nos salvou do mundo, mas nos deixa no mundo. Temos de viver no mundo.
Mas lembrem-se: não somos moradores permanentes. Somos estrangeiros. Somos peregrinos. Somos viajantes. Estamos apenas de passagem.
O mundo ficou para trás. No que diz respeito ao mundo, estou crucificado com Cristo; e, no que diz respeito a mim, o mundo está crucificado. É isso que Paulo diz.
Estamos no mundo, mas não somos dele. Temos de passar por ele, não como moradores permanentes nem como cidadãos da terra, porque a nossa cidadania está nos céus. Estamos atravessando.
Portanto, o mundo, para nós hoje, é um deserto. Muitos jovens talvez pensem que o mundo é um paraíso — é Hollywood. Ah, irmãos e irmãs, o mundo é um grande e terrível deserto.
Os filhos de Israel atravessaram o deserto, e vemos, até mesmo no Salmo 90 e no Salmo 91, como ele era terrível. No deserto, há o laço do passarinheiro. Há a peste destruidora. Há o terror da noite e a seta que voa de dia.
Há a peste que anda na escuridão, a destruição que assola ao meio-dia, o leão, a víbora e o dragão — todos esses perigos e problemas. Não há nada ali para sustentar o seu homem natural, carnal.
Sabem, às vezes penso: o que é o laço do passarinheiro? Se você quer pegar um pássaro, o que faz? Prepara uma armadilha. Coloca alimento na armadilha para atrair o pássaro. Quando o pássaro entra e aciona o mecanismo, a armadilha se fecha.
Costumamos dizer — este é um provérbio chinês —: “O pássaro morre por cobiçar alimento; o homem morre por cobiçar dinheiro”. É um provérbio chinês.
Sabem, o mundo está cheio de tentações. Não é verdade? A tentação é assim: cheia de atrativos.
A Bíblia nos mostra o que é o mundo:
A concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.
— 1 João 2:16
Essa é a isca.
No mundo, vocês encontram tantas coisas bonitas, tantas coisas atraentes. “Eu preciso ter isso.” Aquilo desperta o seu desejo carnal. Parece capaz de satisfazer a sua vida. Atrai seus olhos; você não consegue esquecer. Alimenta seu ego. “Se eu tivesse isso, seria alguém.”
Vocês sabem quem está por trás da armadilha? Satanás está por trás da armadilha. Se você se deixa seduzir, fica preso. É isso que o mundo é.
Perdoem-me por dizer isso. Como sou mais velho do que vocês, já passei por muita coisa. Então, de certa forma, entendo um pouco.
E há também a peste destruidora, que chega à noite e destrói durante o dia. O que é isso? Penso que, para os cristãos, é o falso ensino.
Vocês se lembram de que os apóstolos, no final, em suas epístolas, todos nos advertiram de que, nos últimos dias, haveria falsos ensinos, falsos mestres, falsos profetas, falsos apóstolos — tudo falso.
Mas eles são tão astutos que conseguem enganar as pessoas. Se você conta uma mentira que é cem por cento mentira, ninguém acredita. Mas, se mistura metade de mentira com metade de verdade, as pessoas podem acreditar. Isso é o falso ensino.
Estamos vivendo numa época em que falsos ensinos se espalham por todo o mundo cristão. Se vocês têm coceira nos ouvidos, aquilo soa agradável. Mas, se realmente querem ouvir a Deus, voltem à Palavra de Deus.
Como esses falsos ensinos são perigosos. Soam bem. Parecem funcionar. Mas para onde levarão vocês? Se os afastam de Cristo, são falsos ensinos. Se os levam de volta a Cristo, graças a Deus pela verdade.
Portanto, irmãos e irmãs, isso é apenas uma ilustração. Hoje vivemos neste mundo, e é um mundo cheio de perigos por toda parte. Se vocês forem descuidados, se não vigiarem, facilmente serão engolidos por ele.
Se você vive para si mesmo, ficará preso no laço. Se tirar os olhos do Senhor, sucumbirá. Você saiu do Egito, mas ainda não está em Canaã.
O que isso significa para nós hoje? Irmãos e irmãs, graças a Deus, Ele nos tirou do lodo e colocou nossos pés sobre a rocha firme. Graças a Deus, somos salvos. Ele não apenas nos salvou dos nossos pecados; Ele nos salvou do mundo. Pertencemos a Ele.
Graças a Deus, Ele nos colocou no caminho, e esse caminho leva à Nova Jerusalém, à habitação de Deus. Mas enfrentamos tantas coisas todos os dias, a cada hora. Elas acontecem de dia; acontecem à noite.
Agora, como vocês vão atravessar esse deserto e alcançar esse objetivo? É disso que trata o Salmo 91.
No primeiro versículo, Ele nos diz:
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Todo-Poderoso descansará.
Ah, como amo esse versículo. Precisamos permanecer à sombra do Todo-Poderoso. Não é verdade? Como vamos atravessar este mundo? Precisamos estar abrigados sob o Todo-Poderoso.
Se você está sob a Sua sombra, Ele está protegendo você. Então conseguirá atravessar. Se depender apenas de si mesmo, cairá. Se tentar viver a vida cristã por conta própria, fracassará.
Mas, se viver a vida cristã à sombra do Todo-Poderoso, por mais perigos que haja ao seu redor, você estará seguro.
Sabem, a palavra Todo-Poderoso aparece na Bíblia pela primeira vez em Gênesis 17:1, quando Abraão tinha noventa e nove anos. Deus Se revelou a ele e lhe falou.
Sendo Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda diante de Mim e sê perfeito.
— Gênesis 17:1
Como você pode ser perfeito? Como pode ser maduro? Ande diante do Senhor, diante dAquele Que é o Deus Todo-Poderoso.
A palavra Todo-Poderoso, em hebraico, é Shaddai. Significa Aquele Que tudo possui, abundante e plenamente suficiente. Em outras palavras, Deus é Aquele Que é plenamente suficiente, capaz de suprir todas as suas necessidades.
É como o seio de uma mãe. Essa é a imagem por trás da palavra. O seio da mãe é todo-poderoso para o bebê. Tudo de que o bebê precisa vem daquele seio. É como se você estivesse repousando no seio de Deus. Esse é o significado de Todo-Poderoso.
Portanto, se você está à sombra do Todo-Poderoso, essa sombra significa abrigo, cobertura.
Vocês sabem que nosso Senhor Jesus, na última vez que foi a Jerusalém, olhou para a cidade e clamou:
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados!
Quantas vezes quis Eu ajuntar os teus filhos,
Como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas,
E tu não quiseste!— Mateus 23:37
Irmãos e irmãs, esse é o coração de Deus. Ele é como uma galinha com seus pintinhos. Quando ela vê o perigo, chama os pequenos: “Venham para debaixo das minhas asas, e vocês serão protegidos. Estarão seguros”.
Às vezes, um pintinho é muito teimoso, confia em si mesmo. Então vem um gavião, desce e o pega. Ah, precisamos estar à sombra do Todo-Poderoso.
Você precisa ser coberto pelo Deus Todo-Poderoso em sua vida diária? Consegue, por um instante, viver sem Ele, por conta própria? Penso que a resposta é evidente.
A razão pela qual Calebe e Josué conseguiram atravessar o terrível deserto e entrar na promessa não foi serem melhores do que os outros. Em si mesmos, eram iguais aos demais.
Mas havia uma diferença: eles criam em Deus. Depositavam sua confiança em Deus, sem depender de si mesmos.
Irmãos e irmãs, todos nós que somos salvos pela graça de Deus — nenhum é melhor do que o outro. No que diz respeito a nós mesmos, somos tão corrompidos quanto qualquer outra pessoa, tão fracos quanto qualquer outra pessoa. Não há diferença.
A vida é a mesma: a vida de Cristo. Então, por que alguns cristãos se tornam vencedores? Eles vencem o mundo e entram no reino quando Cristo volta, enquanto outros, por assim dizer, caem no deserto?
Não é que eles não sejam salvos. Eles não perdem a vida eterna. Mas não podem governar e reinar com Cristo durante aqueles mil anos. Essa é a questão.
Então, o problema é: como posso habitar? Como posso permanecer à sombra do Todo-Poderoso? Quero estar sob a Sua sombra. Como posso fazer isso? Como entro nesse abrigo?
A Bíblia diz:
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Todo-Poderoso descansará.
Em outras palavras, há algo pelo qual somos responsáveis. Da parte de Deus, tudo está pronto. Tudo está aberto. Ele é como uma galinha que estende as asas e diz: “Aqui, entrem”. Não há problema algum da parte de Deus. O problema está em nós.
Você está disposto a correr para essa sombra e permanecer ali?
O esconderijo — “aquele que habita no esconderijo” — significa que você precisa habitar no esconderijo do Altíssimo. Se é ali que você vive, automaticamente está sob a sombra.
O título de Deus como Altíssimo aparece pela primeira vez em Gênesis 14. Vocês se lembram de quando Abraão lutou contra os quatro reis e libertou Ló e sua família.
Quando ele voltou, Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, foi ao seu encontro e lhe deu pão e vinho. Ele disse, em essência: “Isso é obra de Deus. Você pensa que foi obra sua?” E Abraão reconheceu o Altíssimo.
Melquisedeque é sacerdote do Deus Altíssimo. A palavra Altíssimo, no hebraico original, significa o Ser supremo, Aquele Que está acima de todos.
Quanto ao nosso Senhor Jesus, Deus Lhe deu um nome acima de todos os nomes. Depois que Ele realizou a obra, Deus O exaltou soberanamente, acima de tudo, para ser o Cabeça de todas as coisas, especialmente o Cabeça do Seu Corpo, a igreja.
O que é o esconderijo? No Antigo Testamento, há uma ilustração. Vocês se lembram do tabernáculo. No tabernáculo, há três partes.
A primeira parte é o átrio, o pátio externo. Todos podem entrar no átrio, porque o altar estava ali. Depois, há o Lugar Santo. Somente os sacerdotes podem entrar ali e ministrar a Deus.
Então, atrás de um véu — um véu pesado —, há o Santo dos Santos. No Santo dos Santos, há apenas a arca, com o propiciatório sobre ela. É ali que Deus habita, e Deus fala ao Seu povo entre as asas dos querubins.
Essa é uma representação do esconderijo do Altíssimo. Somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, no Dia da Expiação, com sangue e incenso, podia entrar atrás do véu e fazer expiação pelos filhos de Israel naquele ano.
Em outras palavras, naquela representação, o caminho para o Santo dos Santos ainda não havia sido aberto. Ninguém podia entrar. Quem pode habitar com Deus?
Deus é luz. Ele habita em luz inacessível. Se você tentar se aproximar dEle, será imediatamente ferido de morte. Ele é tão justo. Quem pode comparecer diante dEle? Ninguém pode.
Quando Moisés disse ao Senhor: “Mostra-me a Tua glória”, Deus disse: “Ninguém pode ver a Minha face e viver. Você pode ver as Minhas costas, mas não a Minha face”.
Então, quem pode habitar no esconderijo? Há um véu pesado ali. Mas vocês se lembram de quando nosso Senhor Jesus foi crucificado fora da porta de Jerusalém? Antes de morrer, Ele clamou:
Está consumado.
— João 19:30
Quando Ele clamou isso, o pesado véu do templo em Jerusalém se rasgou de alto a baixo. O caminho para o Santo dos Santos foi aberto.
Irmãos e irmãs, graças a Deus. Hoje não apenas podemos entrar no esconderijo do Altíssimo, mas podemos até habitar ali e fazer dele a nossa residência permanente. Que privilégio! Que bênção!
Isso é maravilhoso. Mas parece que pouquíssimos cristãos conseguem apreciar esse privilégio e habitar no esconderijo do Altíssimo.
Em João 15, nosso Senhor Jesus disse:
Permanecei em Mim, e Eu em vós.
Como o ramo não pode dar fruto de si mesmo, se não permanecer na videira;
Assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
[…] Sem Mim nada podeis fazer.— João 15:4-5
O Senhor também disse:
Já não vos chamo servos; tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi vos tenho dado a conhecer.
— João 15:15
Nosso Senhor está nos contando Seus segredos. Está nos contando tudo o que há em Seu coração.
Vocês ouviram? Entendem? Ou estão tão longe que não conseguem ouvir? Se vocês habitam no esconderijo do Altíssimo, conhecem os segredos de Deus.
Portanto, aquilo de que precisamos é muito simples. Precisamos habitar no esconderijo do Altíssimo — todos os dias, a cada hora. Aprendam a ir para lá. Não se afastem.
Vocês conhecem Josué. Quando os filhos de Israel adoraram o bezerro de ouro, Moisés desceu e quebrou as duas tábuas dos Dez Mandamentos.
Então, vocês se lembram do que a Bíblia diz: Moisés retirou a tenda do acampamento e a colocou do lado de fora. Ela se tornou a tenda da congregação. Sempre que ele queria encontrar-se com Deus, saía do acampamento e ia àquela tenda, e Deus descia.
Mas Josué — a Bíblia diz — permanecia ali. Ele habitava no esconderijo. Por isso conseguiu atravessar o terrível deserto e tomar posse de sua herança.
Sim, irmãos e irmãs, esse caminho está aberto a todos. Nosso Senhor Jesus abriu um novo e vivo caminho através do Seu corpo, da Sua carne. Quando Sua carne foi ferida na cruz, o véu se rasgou.
Então, hoje, onde está o nosso lar? Onde está o nosso descanso? Em Cristo. Ele é o nosso esconderijo.
Que todos nós vivamos no esconderijo do Altíssimo. Então permaneceremos à sombra do Todo-Poderoso. Não há perigo algum, nada que possa nos impedir de entrar na plenitude, nas riquezas e em tudo o que há em Cristo.
Assim, o Senhor colocou em meu coração o desejo de fazer esta oração:
Querido Senhor, Tu sabes como somos fracos. Mas Tu és o Todo-Poderoso. Tu és capaz de nos conduzir até o fim.
Se assim quiseres, leva-nos à plenitude das riquezas de Cristo, até mesmo a participar com Cristo do reino vindouro.
Senhor, concede-nos disposição para abrir mão de tudo, correr para o esconderijo do Altíssimo e habitar ali.
E isso não é por nossa causa; é para a Tua glória. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus.