Já estivemos considerando nesta manhã o amor de Cristo, e foi em um casamento que conheci este hino. Acabei de agradecer ao Senhor por esse maravilhoso testemunho. É uma confissão alegre, como diz o hino: eu pertenço ao Senhor.
Ao nos reunirmos nesta manhã, com tanta gratidão a Ele, esse é um testemunho precioso: eu pertenço ao Senhor. Nesta manhã, reunidos como os remidos do Senhor, há um assunto que gostaria que considerássemos ao iniciar este mês de dezembro — o tema do mês em nossa Série Fundamentos. É a questão da consagração.
Só de dizermos essa palavra, consagração, provavelmente não há ninguém nesta sala que nunca tenha ouvido uma mensagem sobre consagração. Portanto, temos diante de nós um grande impedimento, uma grande barreira: o desafio da familiaridade com todo esse assunto. Já ouvimos muito a respeito. Algumas coisas que ouvimos são verdadeiras; outras talvez estejam um pouco distorcidas.
Durante nosso tempo juntos nesta manhã, e ao longo deste mês, enquanto examinamos as Escrituras individualmente e também juntos nas noites de sexta-feira, queremos que o Senhor toque nosso coração de maneira nova e torne essa questão da consagração muito real para nós. Em nossa vida cristã, essa é uma das áreas mais vitais — uma das transações mais importantes que teremos com o Senhor em nosso caminhar com Ele.
Por isso, oramos para que o Espírito Santo nos capacite nesta manhã a considerar esse assunto de maneira nova. Como foi anunciado, temos perguntas disponíveis aqui e na livraria para nossos momentos pessoais de estudo e comunhão, e para os dois encontros que teremos nas noites de sexta-feira durante este mês.
Que todos nós, juntos, neste mês, conheçamos o coração do Senhor nessa questão da consagração. Que isso não seja apenas um tema ou simplesmente um assunto, mas que se torne vida.
Achei muito apropriado que, durante nossa adoração nesta manhã, tenhamos falado tanto sobre o amor de Cristo, porque o verdadeiro coração, a essência e a motivação de toda essa questão da consagração são Seu grande amor por nós e nossa resposta a esse amor.
Vamos começar com algumas passagens das Escrituras. Por favor, abram em 2 Coríntios 5:14-15. Este é o testemunho de Paulo sobre o que governava sua vida.
Porque o amor de Cristo nos constrange;
tendo concluído isto: que Um morreu por todos, logo todos morreram;
e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos,
mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.
O amor de Cristo nos governa. Algumas traduções dizem que o amor de Cristo nos constrange.
Tendo concluído isto: que Um morreu por todos, logo todos morreram;
e Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos,
mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou.
Agora abram em Romanos 12:1-5. Mais uma vez, são versículos conhecidos que tratam de toda essa questão da consagração.
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus,
que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo e santo, agradável a Deus,
que é o vosso culto espiritual.
E não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a vontade de Deus,
aquela que é boa, agradável e perfeita.
Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós
que não pense de si mesmo além do que convém;
mas pense de modo a ter bom senso,
conforme a medida de fé que Deus repartiu a cada um.
Pois, assim como temos muitos membros em um só corpo,
e nem todos os membros têm a mesma função,
assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo,
e, individualmente, membros uns dos outros.
Senhor, nós Te agradecemos pelo grande privilégio que temos de voltar a Ti, na simplicidade de nossa vida, e dizer: “Obrigado”. Palavras simples, mas tão profundas e tão abrangentes. Nós Te bendizemos por isso, Senhor.
Senhor, ao nos aproximarmos da Tua Palavra, queremos começar com gratidão, porque Tu não nos deixaste desamparados. Tu nos deste a Tua Palavra, nos deste a Tua vida e nos deste o Espírito Santo. Senhor, queremos realmente nos apropriar daquilo que desejaste, em Teu coração, nos apresentar durante este tempo.
Sabemos que há muitas coisas que se opõem a este tempo, e dizemos não a tudo isso e sim à vitória de nosso Senhor Jesus Cristo. Em Cristo, podemos entrar em toda a plenitude das riquezas que estão Nele.
Senhor, nós Te agradecemos por Tuas riquezas, pela bênção e pela provisão para este tempo. Pela fé, nós nos apropriamos delas. Em nome de Jesus, amém.
Ao tratarmos da consagração nesta manhã, gostaria que a considerássemos em quatro pontos:
O significado diz respeito ao que é a consagração. A motivação diz respeito ao motivo pelo qual a consideramos. A maneira diz respeito a como nos consagramos. A marca diz respeito ao fruto ou à evidência da consagração em nossa vida.
Quando chegamos ao significado da consagração, o que ela é? Há muitas definições diferentes. Creio que isso é algo que o Senhor terá de tocar em nosso coração. Talvez, ao examinarmos as Escrituras, o Senhor dê a cada um de nós um testemunho pessoal: o que é essa questão da consagração para você e para mim?
Para mim, uma definição simples de consagração é resolver, de uma vez por todas, quem está no comando de minha vida — resolver quem é o Senhor de minha vida. Max ainda está no comando, ou o Senhor está no comando? Quem vou colocar nesse lugar de autoridade sobre minha vida?
É interessante que, no Antigo Testamento, a palavra usada para consagração tem o sentido de estar com as mãos cheias. Vemos em Levítico 8 e Êxodo 29 que os sacerdotes, ao serem consagrados, tinham as mãos cheias de várias coisas preciosas para o Senhor. Olhando retrospectivamente, vemos que cada uma delas falava de um aspecto de Cristo, e eles as ofereciam ao Senhor nessa questão da consagração.
Se pensarmos naquilo de que nossas mãos estão cheias hoje, o desejo do Senhor é que estejam cheias do Senhor Jesus. Se nossas mãos estiverem cheias de Cristo, não haverá espaço para outras coisas.
Mas o que observamos tantas vezes em nossa vida é que a maioria de nós tem um lugar nas mãos para Cristo. Esse não é o problema na vida de muitos de nós. Temos um lugar nas mãos para Ele, mas também temos espaço para algumas outras coisas.
Não estou necessariamente falando de pecado. Estou falando de outras coisas — do bom sendo inimigo do melhor. Nosso Senhor quer que estejamos tão ocupados com Ele que, ao buscarmos primeiro o reino de Deus, todas as outras coisas nos sejam acrescentadas. É uma questão de Ele ocupar Seu devido lugar em nossa vida.
Dissemos anteriormente que essa questão da consagração é uma das coisas mais vitais e decisivas em toda a nossa caminhada cristã. Podemos até dizer que a maioria dos problemas que temos na vida, se não todos, está relacionada à consagração. Damos crédito demais ao inimigo.
A maioria dos problemas que você e eu enfrentamos no dia a dia, enquanto seguimos a rotina e a caminhada desta vida, pode ser ligada a essa questão da consagração: não permitir que Ele seja Senhor em certas áreas de nossa vida; pensar que podemos lidar com determinadas coisas; ficar um pouco confiantes demais; e pensar que até mesmo nossa experiência com o Senhor pode substituir Seu socorro bem presente nas horas de dificuldade.
Há um socorro presente à nossa disposição quando consideramos essa questão da consagração — Alguém que está sempre ali, a cada momento, conduzindo-nos adiante para nos mostrar cada vez mais de Si mesmo.
Muitas vezes, quando pensamos em consagração, pensamos que significa nos entregar ao Senhor para fazer alguma coisa por Ele. Ouvimos: “Veja tudo o que Deus fez por você. Olhe para esta mesa. Veja tudo o que Jesus fez por você. Agora faça alguma coisa por Ele”. Isso é consagração?
Ah, irmãos e irmãs, por causa de tudo o que Ele fez por nós, cedemos a Ele os direitos sobre nossa vida para que Ele possa viver em nós. Consagração é nos entregar a Ele para que nos use e viva por nosso intermédio como desejar — não apenas fazer alguma coisa por Ele.
Tantas vezes temos dentro de nós esse impulso de fazer alguma coisa para Deus, de provar a Ele o quanto O amamos. Mas Ele não está interessado nisso. Está interessado em que entreguemos nossa vida a Ele, permitindo que expresse e viva Sua vida por nosso intermédio em todas as circunstâncias da vida.
O testemunho de Paulo era:
Para mim, o viver é Cristo.
Essa é outra definição de consagração. Nosso testemunho é:
Para mim, o viver é Cristo.
Cristo vivendo em nós, sendo expresso e manifestado; não apenas saber a respeito Dele, mas permitir que Sua vida seja vivida em nós. Esse era o testemunho de consagração de Paulo:
Para mim, o viver é Cristo.
Ah, que precioso! Não é por isso que o Senhor anseia?
Muitas vezes, quando falamos de consagração, usamos a expressão “render nossa vida a Ele”. Até o hino que acabamos de cantar falava de rendição, e eu aprecio esse pensamento. Sempre usei esse pensamento também.
Recentemente, eu estava lendo Madame Guyon. Embora ela apreciasse a ideia de rendição, dizia que, em certo sentido, quando realmente pensamos no amor de Cristo, rendição é um termo de guerra. É como ser derrotado e vencido e, por isso, finalmente ceder.
Bem, sei que, às vezes, em minha vida, fui tão teimoso que o Senhor precisou me levar a um ponto em que finalmente cedi e me rendi. Louvado seja Deus, Ele Se agrada quando nos rendemos.
Mas Madame Guyon usava outra palavra. Ela dizia que, por amor a Cristo, abandonamos nossa vida a Ele. Abandono, em vez de rendição. Abandonei todos os meus direitos. Abandonei o controle de minha vida. Vejo Seu grande amor e Suas misericórdias, e me abandonei totalmente a Ele. Abri mão de tudo e permiti que minha vida ficasse sob Seu controle.
Não precisamos nos prender à diferença semântica entre rendição e abandono. As duas palavras contêm verdade. Contudo, ao considerá-las, podemos ter uma compreensão mais completa do que estamos examinando em toda essa questão.
Uma coisa que precisamos entender sobre consagração é esta: para quem é a consagração? Tantas vezes podemos cair na armadilha de pensar: “Sou apenas um crente comum. A consagração é para aqueles que estão saindo para servir ao Senhor. Eles são as pessoas especiais. São eles que realmente precisam se consagrar”.
Em muitos círculos religiosos, a expressão os consagrados é tão mal utilizada que transmite uma impressão falsa. É bom pararmos para considerar quem é chamado à consagração.
Irmãos e irmãs, sob um aspecto, a consagração é apenas para os servos de Deus. É apenas para os sacerdotes de Deus. Mas então precisamos perguntar: quantos servos de Deus temos nesta sala? Vocês podem levantar a mão. Todos deveriam estar com a mão levantada agora. Vou dar a resposta para vocês.
A consagração é apenas para os servos de Deus, mas cada um de nós é servo de Deus. A consagração é apenas para os sacerdotes de Deus. Quantos sacerdotes há nesta sala? Estamos aprendendo — aprendemos rápido.
Sim, a consagração é para cada um de nós enquanto seguimos nesta vida cristã. Em certo sentido, é para um grupo especial, porque todos nós somos especiais. Temos um Pai que olha para todos nós e diz: “Eis os Meus filhos”. Cada um é especial. Cada um de nós é tão especial que Ele morreu por nós.
Ele morreu por cada um de nós. Sim, a consagração é para um grupo muito especial: os filhos de Deus, cada um de nós. Não caiamos na armadilha de pensar que ela é para outra pessoa.
Em termos simples, essa questão da consagração é para cada um de nós hoje, não apenas para alguns. Não está relacionada à idade. Não importa se somos jovens ou idosos. É algo em que somos chamados a entrar.
A segunda área que queremos considerar é a motivação da consagração. Essa é uma das coisas essenciais que precisamos entender: qual é a motivação?
Em Romanos 12:1, Paulo diz:
Rogo-vos, pois, irmãos.
Ou: “Suplico a vocês”, ou: “Peço encarecidamente a vocês”. Há uma súplica no coração de Paulo para que respondamos às misericórdias de Deus. Não é uma ordem.
Paulo não está dizendo: “Eu ordeno a vocês”. Nosso Senhor, que nos comprou e nos redimiu, tem o direito, sob certo aspecto, de ordenar que nos consagremos. Mas, em Seu grande amor, Ele não nos dá uma ordem. Não nos pressiona. Não nos força. Não tenta nos fazer sentir culpados.
Ele não diz: “Você tem de se consagrar. Tem de fazer isto. Tem de fazer aquilo quando Eu exigir, se quiser prosseguir na vida cristã. Eu exijo, Eu ordeno e vou obrigá-lo a finalmente ceder nessa questão da consagração”. É isso que Paulo está dizendo?
Paulo diz: “Suplico a vocês. Estou implorando. Vocês querem prosseguir no Senhor? Há um grande segredo. Há algo em que vocês podem entrar. Estou clamando a vocês com um coração cheio de amor para que, pelas misericórdias de Deus, se apresentem como sacrifício vivo”.
Irmãos e irmãs, conhecemos as misericórdias de Deus? Essa é a motivação da consagração. A motivação não é obrigação. Não é dever. Não é o “farás” do Antigo Testamento. É por causa das misericórdias de Deus.
Ao escrever Romanos 12, Paulo olha para tudo o que veio antes, em Romanos 1-11. Ah, as grandes misericórdias de Deus! Vejam Seu grande amor. Durante a adoração nesta manhã, muitos versículos vieram desse livro de Romanos.
Paramos para considerar as misericórdias de Deus? Uma salvação tão grande. O evangelho de Deus, do qual somos encorajados a não nos envergonhar. Toda essa questão de Ele nos justificar, nos santificar e nos conduzir à glorificação Nele. As belas riquezas desse evangelho glorioso nos foram apresentadas.
Vemos em Romanos 5:8 Seu grande amor:
Sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós.
Em Romanos 8, Ele testifica que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo Seu propósito. Por isso, não há absolutamente nada que possa nos separar do amor de Cristo.
Ah, irmãos e irmãs, conhecemos as misericórdias de Deus? A consagração é simplesmente uma resposta às misericórdias de Deus. É uma resposta ao Seu grande amor. É enxergar, ainda que de maneira limitada, tudo o que Ele fez e Seu grande amor por nós. Por causa disso, nós nos oferecemos livremente a Ele.
Cantamos, como testemunhamos naquele hino: “Eu pertenço ao Senhor”. Eu pertenço ao Senhor é nosso testemunho de consagração. Ele viverá Sua vida em nós à medida que respondermos voluntariamente a Ele.
Nosso Senhor realmente esperaria que entregássemos nossa vida a Ele se não O conhecêssemos? Você entregaria alguma coisa a alguém que não conhece ou em quem não confia? O Senhor manifesta Seu grande amor, Suas grandes misericórdias e a ternura com que, sendo nós ainda pecadores, Ele morreu por nós.
Ele não apenas morreu por nós, mas nós morremos com Ele. Ah, a preciosa identificação que temos considerado recentemente na questão do batismo — como fomos crucificados com Cristo e agora temos uma nova vida para viver. Ah, essas misericórdias de Deus! Conhecemos as misericórdias de Deus?
Será que temos simplesmente prosseguido porque sentimos que é nosso dever ou nossa obrigação, ou porque alguém nos disse: “Você tem de fazer isso”? Irmãos e irmãs, precisamos parar. Precisamos voltar e refletir sobre as misericórdias de Deus.
Permitamos que aconteça o que diz aquele belo hino:
Jesus, Senhor, Tua beleza me cativou;
a Ti abro inteiramente o meu coração.
Agora livre de todo dever religioso,
permite apenas que em Ti eu permaneça.
Esse é um hino de consagração: uma resposta ao amor de Cristo que toca o coração. É a resposta ao amor e às misericórdias de Deus — de alguém que viu essas grandes misericórdias e então diz: “Senhor, eu sou Teu”.
Ao considerarmos toda essa questão da motivação, oro para que as misericórdias de Deus — Seu grande amor por nós — nos toquem de maneira renovada, com frescor e novidade, para que possamos realmente entrar naquilo que Ele disse.
Se não conhecemos as misericórdias de Deus, então precisamos simplesmente parar. Ele está ali, bem presente, e deseja tanto nos mostrar Sua misericórdia. Agradecemos ao Senhor por podermos participar da mesa toda semana. Ela nos lembra das misericórdias de Deus e do amor de Cristo. Isso continua novo para nós?
Se não conhecemos as misericórdias de Deus, agradecemos ao Senhor porque, diariamente, Ele nos dá a oportunidade de considerar Seu grande amor de maneira renovada. Que essa seja a motivação de nossa resposta a Ele em toda essa questão da consagração.
Ao sermos tocados pela motivação — o porquê — da consagração, qual é a maneira de nos consagrar? Como entramos nisso?
Romanos 12 diz:
Apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo.
Vocês estão se colocando à disposição Dele. Um sacrifício é algo de que você abre mão; já não lhe pertence. No Antigo Testamento, você tinha um cordeiro que era seu, mas então o oferecia. Você abria mão dele por completo. Já não lhe pertencia.
É isso que estamos fazendo: apresentando-nos a Deus. Estamos apresentando nosso corpo. Mas o que estamos consagrando ao Senhor? Precisamos ter clareza sobre isso. O corpo aqui fala de todo o nosso ser. Todo o nosso ser está sendo entregue a Ele.
Estamos entregando a Deus nossos talentos? Estamos entregando a Ele todas as nossas capacidades e nosso zelo para que os use? Quantas vezes dizemos: “Se fulano se convertesse, como Deus poderia usá-lo! Esse irmão tem tanta eloquência natural; se Deus o salvasse, ele poderia ser um grande pregador. Esse irmão é um administrador tão bom; se Deus o salvasse, poderia realmente ajudar a colocar as coisas em ordem. Aquele é um músico tão bom; se Deus o salvasse, veja como poderia conduzir a adoração”.
Deus está interessado em nossos talentos naturais? Estamos entregando nossos talentos naturais a Ele? O que as Escrituras dizem que devemos apresentar a Ele? Vamos voltar a Romanos 6.
Romanos 6:13 fala de apresentar os membros de nosso corpo:
Não continueis a apresentar os membros do vosso corpo ao pecado
como instrumentos de injustiça;
mas apresentai-vos a Deus como vivos dentre os mortos,
e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça.
O que costumávamos fazer, consciente ou inconscientemente, era apresentar nosso corpo ao pecado. Mas, graças ao Senhor, por Sua grande misericórdia e salvação, agora podemos nos apresentar a Deus como vivos dentre os mortos, e nossos membros a Deus como instrumentos de justiça.
Novamente, Romanos 6:19 diz:
Assim como apresentastes os vossos membros como escravos da impureza e da iniquidade,
resultando em mais iniquidade,
assim apresentai agora os vossos membros como escravos da justiça,
resultando em santificação.
Irmãos e irmãs, estamos nos apresentando como vivos dentre os mortos. Não estamos apresentando nosso velho homem. Não estamos apresentando nossa carne a Ele e dizendo: “Senhor, conserta isso e melhora”. Isso está morto. Isso está sepultado.
Esse é um dos problemas que temos hoje com muitos ensinos dentro do cristianismo. Pegam aquilo que era seu velho homem, tentam deixá-lo bonito e dizem: “Vá servir a Deus”. Irmãos e irmãs, esse velho homem foi crucificado.
Agora temos uma escolha: queremos uma pessoa morta no comando de nossa vida, ou queremos Aquele que vive no comando de nossa vida? Com muita frequência, colocamos a pessoa morta no comando de nossa vida, e isso só produz mais morte. Então dizemos: “O que aconteceu?”
Não, estamos nos apresentando como vivos dentre os mortos. O Senhor nos salvou. Ele nos deu vida em Cristo. Dizemos: “Senhor, agora que estou vivo em Cristo, quero me render a Ti para que essa vida dentro de mim — o próprio Espírito Santo que habita em mim — tenha plena liberdade para expressar essa vida”.
O que o Senhor deseja em cada um de nós? Ele simplesmente deseja que Sua vida seja expressa e vivida. Quando nascemos de novo, uma vida é colocada dentro de nós. Na semana passada, ouvimos sobre o zelo do Senhor. Há uma vida de zelo dentro de nós, desejando transbordar, mas tantas vezes nós a apagamos.
O Senhor deseja que essa vida se manifeste sob Sua direção e Seu governo — para expressar Cristo. Ele deseja que Sua vida seja manifestada entre o povo de Deus.
Esse é o maravilhoso testemunho em Atos. Quando as pessoas olhavam para aqueles crentes em Antioquia, não sabiam como chamá-los, mas sabiam o que estavam vendo. Viam Cristo e diziam: “Esses são semelhantes a Cristo. Esses são cristãos”.
Como o Senhor deseja que esse mesmo testemunho se manifeste em nós hoje! Ao nos consagrarmos a Ele e nos rendermos a Ele, entregamos a Ele o governo. Permitimos que Sua vida realmente se manifeste. Somos aqueles que estão vivos dentre os mortos, e estamos vivos dentre os mortos com um propósito: apresentar nossos membros a Ele para que os use e dirija como desejar.
Quanto à maneira de nos consagrar, temos outra pergunta: a consagração é um acontecimento único? A resposta é sim e não.
Sim, há um momento em nossa vida cristã em que resolvemos a questão de uma vez por todas: “Estou me rendendo. Estou respondendo às misericórdias de Deus. De agora em diante, desejo que Tua vida tenha o controle sobre mim e que eu seja Teu servo, Teu escravo por amor”. Há um momento definido.
Mas, irmãos e irmãs, assim como nossa salvação é apenas o começo de nossa entrada em uma salvação tão grande, aquele momento de consagração também é apenas o começo. Toda essa questão da consagração é contínua e progressiva.
Quanto mais prosseguimos com o Senhor, mais Ele continua a nos chamar e a nos mostrar Suas grandes misericórdias, e mais nós respondemos. Essa é uma das razões pelas quais muitos de nós tropeçam na vida cristã. Pensamos: “Eu me consagrei ao Senhor. Eu me entreguei ao Senhor. No entanto, ainda ajo assim, ou faço isto, ou faço aquilo”.
Podemos perguntar: “Quando nos consagramos?” “Bem, foi há três anos.” Mas Romanos 12 fala de um sacrifício vivo. É a mesma figura que vemos no templo e no tabernáculo: diariamente há uma oferta ao Senhor, um aroma agradável a Ele.
Sim, há uma oferta inicial de nós mesmos a Ele, uma apresentação de nosso corpo a Ele. Mas, a cada manhã, quando nos levantamos — perdoem-me por fazer uma recomendação do tempo devocional matinal —, enquanto nos preparamos para viver o dia, nós nos apresentamos a Ele.
Dizemos: “Senhor, desejo que vivas Tua vida por meu intermédio neste dia. Nessa questão da consagração, estou Te dando permissão para conduzir minha vida de tal maneira que lides com as coisas que precisas tocar em mim”.
O Senhor, em Sua grande misericórdia, não realiza Sua obra completa instantaneamente. Há uma progressão. Estamos sempre prosseguindo. Há um avanço contínuo e uma obra cada vez mais profunda.
Foi assim também com a nação de Israel. Temos a bela figura do Antigo Testamento em que o Senhor lhes diz, antes de entrarem na terra prometida: “Não expulsarei o inimigo de uma só vez. Enviarei Meus vespões. Expulsarei o inimigo, mas não será instantaneamente. Será pouco a pouco, dia após dia”.
O Senhor estaria realizando uma obra. Por meio dessa obra diária, pouco a pouco, Ele expulsou o inimigo, e eles puderam possuir a terra. É trágico que não tenham expulsado completamente o inimigo e tenham sofrido as consequências. Mas é isso que Ele está fazendo dentro de nós todos os dias.
Ele deseja viver um pouco mais de Sua vida em nós, e tocará em diferentes coisas. Às vezes, penso que a vida cristã é como uma cebola. Ele tira uma camada, e ela parece tão brilhante. Então diz: “Vou tirar outra camada”. Ele continua retirando uma camada após outra, até chegar bem ao coração.
Há uma progressão na vida cristã. Há uma obra diária que Ele deseja realizar à medida que continuamos a nos oferecer a Ele. Sim, todo dia é um dia de consagração.
Ao nos consagrarmos todos os dias, damos a Ele permissão para realizar essa obra de retirar as camadas, para que nós diminuamos e Ele cresça em nós.
Há dois aspectos da consagração. Há uma consagração geral, na qual entregamos todo o nosso ser a Ele, mas ela também é muito específica. Há uma entrega geral, uma rendição a Ele, mas Ele também deseja tomar cada aspecto de nossa vida.
Há aquela maravilhosa história antiga, muitas vezes contada, sobre F. B. Meyer. Ele percebeu que estava enfrentando dificuldades em sua vida, embora fosse um querido servo do Senhor e estivesse sendo grandemente usado.
Na versão resumida, como no Reader’s Digest, o Senhor o convenceu de que, entre todas as chaves de sua vida, havia uma que ele estava retendo. O Senhor disse: “Você precisa entregar todas as chaves de sua vida. Precisa entregar cada aspecto de sua vida”.
Depois que o Senhor tocou F. B. Meyer dessa maneira e ele entregou aquela chave, entrou em uma nova experiência da maravilhosa fidelidade do Senhor.
Quando o Senhor toca em áreas de nossa vida, nós respondemos? Muitas vezes, é como acontece com nosso corpo físico. Há certas áreas em que, se houver um corte, um hematoma ou alguma fragilidade, dizemos: “Não toque aí”. Cai alguma coisa no seu olho: “Não toque no meu olho”. Você se corta: “Não toque nisso”. Tudo fica sensível.
Quando o Espírito Santo está trabalhando em nós, isso deveria ser um sinal de alerta. Se o Senhor quer tocar em determinada área e dizemos: “Não toque nisso. Não estou pronto”, talvez esse seja o dia em que Ele queira nos libertar daquilo.
Há áreas em nossa vida em que dizemos: “Senhor, não toques nisso. Trata de todas essas outras coisas. Senhor, ajuda-me aqui. Ajuda-me a lidar com minha maneira de me vestir. Não quero ser tão mundano, mas também não quero ficar tão fora de moda. Ajuda-me na música. Ajuda-me a Te servir. Mas, Senhor, há esta área aqui”?
Talvez, para alguns de nós, sejam os esportes: “Não toques nos meus esportes. Em tudo o mais, Senhor, tens liberdade para tocar”. Mas uma das coisas belas em nosso Senhor, e um dos grandes contrastes entre o Senhor e o inimigo, é que o inimigo aceita uma pequena porcentagem, mas o Senhor só fica satisfeito com cem por cento.
Ele sabe que aquela pequena porcentagem que retemos acabará sendo nossa ruína.
É como ter um terreno que você pretende vender. No meio desse terreno está seu pequeno lugar favorito de pesca. Vamos incluir uma história de pesca aqui.
Você vende o terreno, mas diz ao novo proprietário: “Enquanto eu estiver vivo, quero ter o direito de entrar e pescar naquele pequeno lago”. O novo proprietário concorda. Isso se chama servidão de acesso. Enquanto estiver vivo, você mantém o direito de entrar naquele pequeno lago de pesca.
O antigo proprietário tem o direito de acessar aquele pequeno lago, embora a propriedade esteja em nome de um novo dono. Irmãos e irmãs, em nossa vida espiritual, a propriedade de nossa vida foi transferida. Estamos sob um novo Dono.
Mas será que ainda estamos concedendo ao antigo dono uma servidão de acesso a alguma área de nossa vida que não estamos dispostos a entregar completamente ao novo Dono?
Vocês não acham que nosso novo Dono, nosso Senhor Jesus, sabe o quanto gostamos de pescar? Ele cuidará disso. Ele nos conhece. Sabe o que é melhor para nós.
Contudo, há áreas em nossa vida nas quais ainda não conhecemos as misericórdias de Deus e Seu grande amor. Se há alguma coisa em nossas mãos da qual não estamos dispostos a abrir mão, isso indica que não conhecemos o amor de Cristo e as misericórdias de Deus naquela área específica. O problema está do nosso lado, não do lado Dele.
Ao pararmos para considerar essas áreas, o Senhor e o Espírito Santo teriam liberdade para tocá-las em nossa vida? Poderíamos ver e conhecer todas as Suas misericórdias para conosco?
Pode haver áreas em nossa vida das quais Ele tratará daqui a um ano, se demorar a voltar. Tudo o que Ele procura hoje é isto: “Mac, estou tratando com você nesta área. Não se preocupe com as outras áreas de sua vida. Estou tratando com você nesta agora. O que você está fazendo? Está se rendendo a Mim nisso, permitindo que Eu trabalhe nessa área?”
O Espírito Santo conduzirá nossa caminhada e nosso processo de libertação à medida que nos rendermos a Ele.
É interessante a maneira como essa apresentação de nosso corpo é descrita:
O vosso culto espiritual.
Pensamos na consagração como adoração — como uma rendição a Ele?
Muitas traduções, em vez de “culto espiritual”, dizem “culto racional”, “serviço razoável” ou “serviço inteligente”. É um esforço consciente. É uma resposta consciente ao amor de Cristo.
Quando respondemos a Ele, nosso Senhor vê nossa resposta como aquele aroma agradável de adoração a Ele. Quando Deus está em Seu devido lugar e nós estamos em nosso devido lugar, isso é adoração — reconhecer Quem Ele é e reconhecer quem nós somos.
Muitas vezes, nossa adoração está invertida, porque estamos tomando um lugar acima Dele. Mas, quando descemos aos Seus pés, esse é o lugar mais alto. É para isso que Ele está nos chamando nesta hora.
Depois de considerarmos o significado, a motivação e a maneira de nos consagrar, qual é a marca? Qual é o fruto? Qual é a evidência da consagração?
Isso pode ser resumido em uma palavra: Cristo.
Quando Cristo é visto em nós, essa é a evidência, a marca e o fruto da consagração: a vida de Cristo sendo manifestada em nós; Cristo sendo vivido; a vida de Cristo sendo expressa de maneira bela em nossa vida juntos.
Romanos 12:2 diz:
Não vos conformeis com este mundo,
mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,
para que experimenteis qual seja a vontade de Deus,
aquela que é boa, agradável e perfeita.
A marca da consagração é uma mente que está sendo renovada. É a mente de Cristo habitando em nós. Mais uma vez, isso é um processo: Sua mente, Seu desejo e Seu coração governando nossa vida — não nossos próprios pensamentos, nem nossa antiga maneira de fazer as coisas nos governando, mas Seu Espírito Santo nos conduzindo e guiando.
Consagração é dar ao Espírito Santo permissão para realizar essa grande obra de transformação. Nosso Senhor Jesus nunca Se impõe a nós. Não haverá uma transformação automática.
Mas, ao nos rendermos, damos permissão ao Espírito Santo: “Senhor, estou Te dando o direito de realizar essa obra de transformação. Estou cansado de minha mente estar tão conformada a este mundo e ao espírito desta era. Isso é escravidão. Quero ser liberto disso. Quero que a mente de Cristo habite ricamente em mim”.
Estamos dando ao Espírito Santo permissão para começar essa grande obra. A maravilhosa transformação que o Senhor realiza começa por dentro e atua para fora.
A conformidade com este mundo é algo colocado por fora. Tentamos fazer tudo parecer bonito. Tentamos agir exteriormente como cristãos. Outra expressão usada em algumas traduções de Romanos 12:2 é moldados segundo esta era. Podemos ficar tão envolvidos com os padrões e o espírito desta era.
A. B. Simpson falou sobre ser conformado ao mundo, seguir os padrões desta era e ser transformado. Ele disse que temos um grande desafio, porque em boa parte do cristianismo de hoje não há separação entre o mundo e o povo de Deus. Está tudo misturado, e nos fundimos em uma coisa só.
O Senhor deseja realizar essa obra de transformação em um povo que verdadeiramente seja peregrino e estrangeiro — um tesouro precioso e um testemunho para o mundo e para a era em que estamos vivendo.
Mais uma vez, não se trata apenas de mudar a maneira de se vestir. Trata-se de permitir que Sua vida opere em nós, para que não sejamos atraídos, impelidos e arrastados pela era em que vivemos. Em vez disso, sejamos constrangidos pelo amor de Cristo, governados pelo amor de Cristo, como Paulo testemunhou.
Ao olharmos para esse maravilhoso livro de Romanos, os capítulos 1-8 poderiam constituir um livro completo. É um livro completo para o indivíduo caminhar nesta vida.
Mas há outra marca da consagração: uma consciência do corpo de Cristo.
Em Romanos 1-8, temos indícios da obra coletiva que o Senhor está realizando. Mas, em essência, esses capítulos tratam de nossa vida individual. Romanos 9-11 mostram o grande chamado, o propósito e a fidelidade do Senhor para com um povo infiel, Israel, e como isso nos encoraja.
Mas, quando chegamos a Romanos 12, ocorre nos primeiros cinco versículos uma transação que muda toda a natureza e o caráter do livro.
Depois de passarmos por esses primeiros versículos de Romanos 12, em certo sentido, o indivíduo sai de cena. O que se vê é o corpo de Cristo — a vida coletiva sendo vivida em conjunto.
Vejam Romanos 12-16. É a vida juntos: amar uns aos outros, aceitar uns aos outros, não ofender uns aos outros, não colocar pedras de tropeço diante uns dos outros e aprender a viver juntos, mesmo quando uma pessoa tem convicção sobre algo e outra não. É relacionamento. É aprender a viver juntos.
Até em Romanos 16 vemos a expressão de amor a muitos crentes. Há uma mudança completa.
Quando começamos hoje, lemos Romanos 12:1-5. Muitas vezes, ao falarmos de consagração, olhamos apenas para Romanos 12:1-2. Os versículos 3-5 podem até parecer estranhos. Por que estão ali? Qual é o elo que falta entre a primeira parte de Romanos, os versículos 1 e 2 do capítulo 12 e o restante do livro?
A marca da consagração é que experimentemos a vontade de Deus — aquilo que é bom, agradável e perfeito. A vontade de Deus: a única vontade de Deus, Seu coração e Seu propósito.
À medida que nossa mente é renovada e nos entregamos a Ele, nossos olhos se abrem para ver essa grande vontade de Deus: Ele deseja uma companheira eterna para Seu Filho amado. Nossos olhos se abrem para que já não estejamos ocupados com nossos próprios interesses, mas com os interesses de nosso Pai.
O zelo pela casa de Deus nos consumirá, como ouvimos na semana passada. Quando enxergamos e passamos a conhecer essa única vontade de Deus, nossos olhos se abrem.
Há muitas expressões individuais da vontade de Deus — em nosso trabalho e em nossa família —, mas todas procedem da vontade de Deus. À medida que nos entregamos a Ele e deixamos de estar ocupados conosco mesmos, à medida que nossa mente é renovada, começamos a ver que há mais nesta vida do que apenas eu.
Sim:
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito.
E agora estou salvo. Louvado seja Deus porque, quando eu ainda era pecador, Ele me salvou. Mas então começamos a ver por que Ele fez isso: porque fomos introduzidos em um relacionamento.
Romanos 12 usa o exemplo do corpo. Em outras passagens, as Escrituras falam da casa de Deus ou da noiva. Aqui, é o corpo. Nós, como corpo de Cristo, fomos reunidos.
É maravilhoso ver que Romanos 12:1 diz:
Apresenteis os vossos corpos.
No plural. Mas, quando chegamos a Romanos 12:4-5, é um só corpo. O foco já não está nos corpos individuais.
Pela renovação de nossa mente e ao entrarmos em Sua vontade, vemos: “Ah, um só corpo. Sou apenas uma parte desse único corpo”.
Mas vejam Romanos 12:5. Não somos apenas parte de um só corpo. Quando todos nos apresentamos ao Senhor e somos introduzidos nessa realidade:
Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo,
e, individualmente, membros uns dos outros.
Individualmente, somos membros — mãos, pés, dedos dos pés, ouvidos, seja qual for a descrição —, e fomos introduzidos em um relacionamento.
Essa é a marca da consagração: enxergar o coração e o propósito de Deus para o corpo de Cristo e para a casa de Deus.
Irmãos e irmãs, se ainda não entramos nisso, precisamos voltar a considerar as misericórdias de Deus, considerar Seu grande chamado e permitir que Ele trabalhe de maneira tão maravilhosa que possamos entrar em tudo o que está em Seu coração.
Somos gratos por tudo o que acontece em Romanos 1-8, mas sou grato porque o livro não termina ali. Se terminasse ali, de certa maneira, seria perfeito. Teríamos sido salvos, justificados, santificados e recebido a certeza de que nada poderia nos separar do amor de Cristo. Que posição maravilhosa!
Mas Deus tem mais — mais em que deseja que entremos. Ele continua e diz: “Portanto, por essas misericórdias, há uma razão e um propósito para os quais Eu chamei vocês”.
Esse propósito é que conheçamos a realidade de fazer parte desse corpo de Cristo. Que o Senhor abra nossos olhos! Que vejamos isso como a marca e a evidência da consagração!
Olhamos para nossos irmãos e irmãs como membros uns dos outros, individualmente? Há alguns de quem pensamos poder prescindir? Há alguns que gostaríamos que estivessem de fora? Ah, que o Senhor nos convença, para que vejamos Cristo uns nos outros e a grande obra que Ele está realizando.
Se desejamos viver nestes dias, irmãos e irmãs, a batalha só está se intensificando. Não vai ficar mais fácil.
O Senhor nos deu uma chave. Se vamos caminhar com Ele de maneira triunfante nessa batalha, Ele simplesmente deseja que, a cada dia, nos apresentemos a Ele como sacrifício vivo, para que possa realizar essa grande obra de transformação, conformando-nos à imagem de Seu Filho.
Então poderemos cuidar dos interesses de nosso Pai. Esse é o chamado que Ele tem para nós.
É uma salvação tão grande. Há um desejo tão profundo em meu coração, porque sei que sou meu próprio pior inimigo. Tenho sido tão abençoado. Tenho recebido tanto. Há riquezas que me foram dadas.
No entanto, olho para onde estou. Mas, louvado seja Deus, não preciso parar olhando para onde estou. Há Alguém para Quem olhamos, e contemplamos as misericórdias de Deus. Ele nos conduz adiante e encoraja os Seus.
Assim como Cristo era por nós há dois mil anos, Ele é por nós hoje. Sabemos o quanto Cristo é por nós? Conhecemos Suas grandes misericórdias em nossa vida, desejando que Sua vida seja manifestada em nós?
É assim que chegamos até o fim.
Apocalipse fala daqueles que são vencedores. Esses vencedores não são supercristãos. São cristãos normais vivendo em tempos anormais.
Eles venceram pela palavra de seu testemunho. Tinham uma palavra que testificava que Jesus Cristo era Senhor — isso fala de consagração. Não amaram a própria vida até a morte. Renderam-se a Ele.
E qual era o terceiro elemento? O sangue do Cordeiro. Como é possível esquecer isso? Mas vocês veem por que precisamos nos lembrar toda semana: podemos rapidamente deixar de lado o sangue do Cordeiro.
Agradeçam ao Senhor todos os dias. Irmãos e irmãs, à medida que prosseguimos nesta vida, o sangue do Cordeiro se torna muito mais precioso para nós a cada dia. Experimentamos Seu grande amor por nós quando Ele perdoa todos os nossos pecados.
Ao considerarmos essa questão da consagração durante este mês, simplesmente desejamos que, de maneira renovada, possamos enxergar que a consagração é uma transação de amor.
Ele nos amou e, por causa desse grande amor, respondemos a Ele em amor.
Irmãos e irmãs, o que nos sustentará até o fim é Seu amor por nós.
Vou encerrar com uma última história. Hudson Taylor, o grande missionário na China, entrevistava os candidatos que desejavam ir para a China. Ele sempre lhes perguntava: “Por que vocês querem ir?”
Muitas vezes, eles diziam: “O Senhor diz:
Ide por todo o mundo e pregai o evangelho.
Estavam indo por obediência a uma ordem. Ele dizia: “Isso é bom”.
Outros diziam: “Temos um encargo tão grande pelos perdidos”. Ele dizia: “Isso também é bom”.
Outros diziam: “Amo tanto o Senhor. Só quero servi-Lo”. Ele dizia: “Isso também é bom”.
Mas ele dizia: “Há uma coisa que sustentará vocês até o fim”. São aqueles versículos que lemos no início, em 2 Coríntios 5: ser governado pelo amor de Cristo.
Irmãos e irmãs, nosso amor por Ele não nos levará até o fim. Mas Seu amor por nós nos sustentará, não apenas até o fim desta era, mas por toda a eternidade.
Que conheçamos Seu amor nos constrangendo! Que respondamos a esse amor, para que possamos enxergar cada vez mais!
Essa questão da consagração é tão decisiva nesta hora, porque é por isso que tantas de nossas vidas individuais são fracas: há áreas às quais ainda estamos nos agarrando.
É triste dizer, mas é por isso que nossa vida coletiva também é tão fraca. Há falta de consagração em nossa vida.
Oro para que o amor de Cristo nos toque de tal maneira que, no frescor desse amor, possamos prosseguir Nele diariamente.
Desperdiçamos muitas oportunidades. Há um versículo nos Profetas Menores que tem sido um grande consolo para mim recentemente. Ele fala de tudo o que os gafanhotos devoraram e de todo o dano que o gafanhoto causou.
O profeta tinha uma oração: “Senhor, restaura o que o gafanhoto devorou”. A história não termina com o gafanhoto devorando. A história termina com: “Restaura o que os gafanhotos devoraram”.
Irmãos e irmãs, embora tenhamos desperdiçado muitos dias, muitos momentos e muitas oportunidades, agradecemos ao Senhor porque, em Seu grande amor, podemos orar para que Ele restaure o que foi devorado e para que prossigamos triunfantemente Nele, por causa de Seu amor que nos atraiu.
Ao encerrarmos, vamos orar em silêncio. Essa questão da consagração é uma transação individual para cada um de nós.
Se nunca enxergamos verdadeiramente as misericórdias de Deus, se não conhecemos as misericórdias de Deus, vamos orar para que o Senhor nos mostre Suas misericórdias de maneira renovada?
Se houve um momento em que consagramos nossa vida, mas não temos renovado essa consagração dia após dia, vamos chegar ao ponto de nos oferecer novamente neste dia?
Se há áreas em nossa vida que o Senhor deseja tocar — áreas cujas chaves ainda estamos segurando, nosso pequeno lago favorito de pesca —, vamos permitir que o Senhor nos torne dispostos, neste dia, a abrir mão delas?
Vamos orar em silêncio, cada um tratando com o Senhor em quietude. Então, daqui a alguns minutos, encerraremos cantando o hino que cantamos no início.