Não somos estranhos a isso. Acho que já tivemos um desses grandes apagões neste auditório e, se me lembro bem, naquela ocasião não se apagaram apenas todas as luzes do púlpito, mas também todas estas aqui, se vocês se lembram.
Já passei por três enchentes. Certa vez, um rio chegou até o local da reunião — não aqui, mas em outro lugar. Já passei por um terremoto — dois terremotos, na verdade — durante reuniões. Então, isto realmente não é nada.
Agora, meu verdadeiro problema é conseguir enxergar as Escrituras. A mensagem está no meu coração, mas a dificuldade é abrir as Escrituras e enxergá-las. Por isso, quero ler para vocês em Mateus 13. Não vou ler o capítulo inteiro; vou ler apenas uma parte.
A partir de Mateus 13:10:
E, aproximando-se Dele os discípulos, disseram-Lhe: Por que lhes falas por parábolas?
E Ele, respondendo, disse-lhes: A vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.
Porque àquele que tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
Agora, passem, no mesmo capítulo, para Mateus 13:24:
Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo;
mas, enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, semeou também joio entre o trigo e retirou-se.
Quando, porém, a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.
E os servos do dono da casa, aproximando-se, disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, então, lhe vem o joio?
E ele lhes disse: Um inimigo fez isso.
E os servos lhe disseram: Queres, então, que vamos arrancá-lo?
Ele, porém, disse: Não; para que, ao arrancardes o joio, não arranqueis também o trigo com ele.
Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar; mas recolhei o trigo no meu celeiro.
Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo;
o qual é, na verdade, menor do que todas as sementes; mas, depois de crescido, é maior do que as hortaliças e torna-se uma árvore, de modo que as aves do céu vêm e se abrigam nos seus ramos.
Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.
Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas.
Vamos parar por um minuto.
Agora, se pudermos voltar a Mateus 13, vou ler a partir de Mateus 13:34:
Todas estas coisas disse Jesus às multidões por parábolas; e sem parábolas nada lhes dizia;
para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta:
Abrirei a Minha boca em parábolas;
Proferirei coisas ocultas desde a fundação do mundo.
Então Ele deixou as multidões e entrou em casa; e os Seus discípulos aproximaram-se Dele, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
E Ele, respondendo, disse: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem;
o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno;
o inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.
Assim como o joio é ajuntado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo.
O Filho do Homem enviará os Seus anjos, e eles ajuntarão do Seu reino tudo o que causa tropeço e os que praticam a iniquidade;
e os lançarão na fornalha de fogo: ali haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.
O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem encontrou e escondeu; e, em sua alegria, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo.
Também o reino dos céus é semelhante a um negociante que procura boas pérolas;
e, tendo encontrado uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e a comprou.
Também o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolheu de toda espécie;
e, quando ficou cheia, puxaram-na para a praia; e, assentando-se, recolheram os bons em recipientes, mas lançaram fora os ruins.
Assim será no fim do mundo: sairão os anjos e separarão os maus dentre os justos;
e os lançarão na fornalha de fogo: ali haverá choro e ranger de dentes.
Entendestes todas estas coisas? Disseram-Lhe: Sim.
E Ele lhes disse: Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do reino dos céus é semelhante a um dono de casa que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.
Vamos fazer mais uma breve oração?
Querido Senhor, queremos agradecer-Te porque nos devolveste a luz e a energia e tornaste as coisas muito mais fáceis para nós. Agradecemos-Te por isso, Senhor.
Ao nos aproximarmos da Tua Palavra nesta noite, queremos dizer-Te, querido Senhor, que mais uma vez dependemos inteiramente de Ti para receber aquela graça e aquele poder que providenciaste para nós, tanto para que eu fale quanto para que nós ouçamos.
Querido Senhor, toma o pouco que tenho de Ti, abençoa-o, parte-o e multiplica-o, para que todos nós recebamos alguma coisa nesta noite. Querido Senhor, entregamo-nos a Ti ao voltarmos mais uma vez a este capítulo, com ações de graças, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, acho que ninguém aqui desconhece que o tema desta semana é “O Rei Está Vindo”. Minha responsabilidade são as parábolas de Mateus 13.
Tive certa impressão, no meu espírito, de que poderia haver algum problema nesta noite. Fiquei pensando nisso porque, quando quero falar sobre os mistérios do reino, tenho tanta consciência da grandeza do assunto e do pouco que tenho para comunicar.
Sinceramente, eu gostaria que o irmão Stephen tivesse ficado com estas parábolas. Entretanto, ele tem seus próprios problemas com Mateus 24 e Mateus 25. Cada um precisa carregar seu próprio fardo, e eu tenho o meu. Portanto, no plano humano, vocês vão ter de me aguentar.
O Senhor, porém, é maior do que eu, e creio que Ele pode tomar meus poucos cinco pães e dois peixes e abençoá-los para cada um de nós.
Estas sete parábolas estão divididas em uma parábola introdutória e fundamental, seguida de dois grupos de três. Esses grupos, por sua vez, também se subdividem.
Um grupo é composto de uma parábola mais duas, e a primeira é interpretada ao final das três, como se pudesse ser a chave para as três. Já o segundo grupo é composto de duas mais uma, e a última é interpretada como se pudesse muito bem ser a chave para as outras duas.
Ontem falei sobre a palavra do reino, e não vou acrescentar mais nada a esse respeito, a não ser indicar uma passagem das Escrituras que talvez resuma todo o assunto em uma frase melhor do que qualquer coisa que eu pudesse dizer. Está em Salmos 138:2:
Pois engrandeceste a Tua palavra acima de todo o Teu nome.
Acho essa afirmação extraordinária. Como o Senhor pôde dizer que engrandeceu Sua Palavra acima de todo o Seu nome, eu não sei. Mas certamente significa simplesmente isto: se não tivéssemos a Palavra de Deus claramente definida, ficaríamos à mercê de qualquer experiência emocional — algumas poderiam ser falsas, outras falsificadas, e outras genuínas.
Mas, porque temos a Palavra de Deus, toda experiência que temos pode ser conferida pela Palavra de Deus. Podemos voltar à Palavra. É nesse sentido que o Senhor diz que engrandece Sua Palavra acima até mesmo do Seu nome, porque, no aspecto prático, a Palavra de Deus é absolutamente fundamental. É absolutamente essencial.
Falamos da autoridade da Palavra de Deus, da inspiração da Palavra de Deus, da exatidão da Palavra de Deus e da relevância da Palavra de Deus.
A Palavra de Deus tem autoridade absoluta. Não devemos manipulá-la, controlá-la ou forçá-la a se encaixar em nosso próprio sistema de interpretação, como tantos fazem — tentando fazê-la dizer aquilo que achamos que deveria dizer.
Isso não é a Palavra de Deus. A autoridade da Palavra de Deus significa que me aproximo dela como alguém que deseja aprender, alguém que deseja se submeter ao seu poder, alguém que deseja experimentar seu poder, alguém que deseja que toda a sua vida e seu comportamento sejam moldados pela Palavra de Deus.
A inspiração da Palavra de Deus, no meu entendimento, começa em Gênesis e termina em Apocalipse. Cada parte dela é inspirada, até mesmo as partes obscuras, até mesmo algumas daquelas longas genealogias e linhagens. Todas são inspiradas.
Eu, pessoalmente, não tenho nenhuma dificuldade com essa questão. Sei que muitos têm, mas eu não. Creio que a Palavra de Deus é inspirada. Não cabe a nós decidir o que é inspirado e o que não é.
O Espírito Santo definiu muito claramente para nós aquilo que chamamos de cânon das Escrituras. Nestes sessenta e seis livros, temos aquilo que o Espírito Santo inspirou e nos deu.
Isso nos leva à terceira questão: a Palavra de Deus é exata. Não posso acreditar que o Novo Testamento seja mais exato do que o Antigo Testamento.
Algumas pessoas me dizem que o Novo Testamento é mais exato do que o Antigo Testamento, e eu sempre lhes digo: “Isso, evidentemente, significa que Deus foi ficando mais exato à medida que envelhecia” — o que, naturalmente, é um absurdo.
Como se, de algum modo, Deus tivesse passado a conhecer os seres humanos, descoberto como eram astutos e difíceis e decidido que precisava ser mais exato. Então, quando chegou ao Novo Testamento, Ele foi absolutamente exato; mas o Antigo Testamento seria algo que não se pode realmente dizer que seja exato. Não posso aceitar isso.
Se Deus falou há quatro mil anos, se Deus falou há seis mil anos, se Deus falou há dois mil anos — se é Deus Quem está falando —, tem de ser exato. Não tenho nenhuma dificuldade com isso.
Não vejo por que alguém haveria de imaginar que alguns escribas judeus fossem mais distraídos e estúpidos do que os escribas cristãos sob a nova aliança. Quer dizer, isso me parece tão tolo. Se eram verdadeiros crentes e andavam com o Senhor, então, obviamente, o Espírito Santo estaria velando por eles enquanto transmitiam a Palavra de Deus em forma escrita.
Mas não devo passar tempo demais nisso. Quero prosseguir com o outro assunto. Direi uma última coisa: a Palavra de Deus é relevante.
Sei que alguns de vocês se perguntam como aquelas linhagens e genealogias tão longas poderiam ser relevantes para vocês. Mas, meus queridos amigos, elas são relevantes. Talvez vocês não compreendam isso. Talvez só compreendam quando finalmente estiverem sentados na presença do Senhor e Ele lhes explicar. Mas compreenderão que cada parte dela é relevante.
Porque a Palavra de Deus é um todo. E, por ser um todo cujas partes estão interligadas, cada parte dela, no fim, é necessária ao conjunto. Não há nenhuma parte que eu possa dizer que seja irrelevante.
Ora, para mim, isso é a palavra do reino. Nesta noite, quero falar sobre os mistérios do reino.
Em Mateus 13:11, Jesus respondeu e lhes disse:
A vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.
Os mistérios do reino dos céus. Há vários mistérios na Palavra de Deus. Apenas como exemplo, existe o mistério do evangelho.
Até que Deus abra os seus olhos e os meus, o evangelho parece um grande absurdo. É loucura. É insensatez. Como é que a vida de alguém pode ser transformada pela pregação desse evangelho?
Mas, uma vez que os olhos do seu coração são tocados para contemplar o Cordeiro de Deus, o evangelho se torna a sabedoria de Deus e o poder de Deus em Cristo. É a boa notícia a respeito do Filho de Deus. É chamado de mistério do evangelho.
Depois há o mistério de Cristo — o mistério de Deus feito carne. Isso é chamado de mistério.
Não importa quantos teólogos cristãos se reúnam e tentem expressar em palavras o mistério da encarnação. Ele continua sendo um segredo. Para aqueles a quem não é revelado, é um completo absurdo.
Mas, quando seus olhos são abertos, ele se torna aquilo em que você se gloria:
O Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai.
É um mistério até que Deus o revele a nós.
Depois há o mistério da igreja. Ah, que confusão fizemos da igreja, simplesmente porque nunca compreendemos o mistério.
O mistério do corpo de Cristo, o mistério de sermos membros de Cristo e membros uns dos outros — institucionalizamos tudo isso, reduzimos tudo a uma organização humana, transformamos tudo em um clube mundano, com todas as regras normais de uma associação mundana.
No entanto, essa igreja revelada no Novo Testamento é chamada de mistério de Cristo. É pertencer a Ele, ser um com Ele: Ele em nós, e nós Nele. É um mistério até que Deus o revele a nós.
Há o mistério de Israel. Existem cristãos que, por mais que tentem, não conseguem compreender que Deus tenha algum propósito futuro para o povo judeu.
No entanto, em Romanos 11:25-26, o apóstolo Paulo diz:
Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que um endurecimento parcial sobreveio a Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios;
e assim todo o Israel será salvo.
É um mistério até que Deus o revele. Quando Deus o revela, então ele faz sentido. Torna-se algo tão extraordinário, tão maravilhoso.
Esses são alguns dos mistérios. Há outros: Babilônia, a misteriosa, o mistério do mal e toda espécie de coisas chamadas de mistérios.
Isso me leva imediatamente a perguntar: o que é um mistério? O que é um mistério?
A palavra mistério, no Novo Testamento, não é usada no sentido popular de hoje. Se digo que alguma coisa é um mistério, quero dizer que é complexa, difícil, mística, misteriosa, algo realmente impossível de compreender. É um mistério.
Essa é a maneira popular como usamos a palavra hoje. Mas, no Novo Testamento, essa palavra era usada de uma maneira muito especial. Não era usada para algo complexo, insondável ou impossível de compreender.
Era usada para um segredo que Deus deliberadamente ocultava daqueles a quem decidia não revelá-lo. Em outras palavras, deixem-me dizer de outro modo, se isso não os confundir: é um segredo revelado aos iniciados.
Se você é um iniciado — se é alguém introduzido em determinado círculo, em determinado grupo —, esse segredo lhe é revelado. Ele é seu. É seu direito de nascimento. Cabe a você compreendê-lo, e compreendê-lo em sua totalidade.
Mas, se você não está dentro desse círculo, se não pertence a esse grupo, então ele permanece um segredo. Continua sendo algo fechado. É assim que o Novo Testamento usa a palavra mistério.
Em outras palavras, Jesus disse isso de maneira muito simples. Ouçam novamente:
A vós é dado conhecer os mistérios do reino.
Isso me leva a destacar outra coisa, se vocês ainda estão me acompanhando e não estão cansados depois deste começo um tanto estranho. Quem é o iniciado? Quem está apto a receber esse conhecimento dos mistérios do reino?
Aqui fazemos uma descoberta maravilhosa. É imediata. Primeiro: qualquer pessoa — por mais estúpida que seja, e há muitos de nós assim —, por mais estúpida, por mais ignorante, por mais simples, por menos instruída que seja, que tenha nascido do Espírito de Deus.
Se você, pela graça de Deus, nasceu de novo — se nasceu do Espírito de Deus —, então é um iniciado. Você está apto a conhecer os mistérios do reino.
Você está dentro do círculo. Foi introduzido no grupo. Está dentro da família de Deus. Está dentro do círculo da aliança de Deus, e Ele deseja que você compreenda os mistérios.
Esses mistérios do reino são seu direito de nascimento. Pertencem a você. São seus para que os compreenda em sua totalidade. Você não precisa ter títulos acadêmicos junto ao seu nome — e, Deus nos livre, nem mesmo títulos em teologia — para compreender esses mistérios.
O curioso é que muitos teólogos não compreendem esses mistérios, enquanto pessoas simples, nascidas do Espírito de Deus, compreenderam algo desses mistérios do reino que mudou todo o rumo de sua vida.
Mas não basta nascer de novo. Há mais duas características daqueles que são iniciados — que estão aptos a receber esse conhecimento.
A segunda é esta: você precisa ser um discípulo. Ah, isso explica por que tantos cristãos não compreendem os mistérios do reino.
Somos nascidos de Deus, mas não somos disciplinados. Somos nascidos de Deus, mas não estamos sob disciplina. Somos nascidos de Deus, mas não estamos dispostos a pagar o preço. Somos nascidos de Deus, mas não estamos dispostos a seguir o Senhor até o fim.
Se você e eu queremos estar aptos a compreender e conhecer os mistérios do reino, não devemos apenas nascer de Deus; devemos ser discípulos. Isto é, estamos sob a disciplina do Espírito Santo. Estamos sob o treinamento do Espírito Santo. Estamos sendo instruídos pelo Espírito Santo. Estamos sendo discipulados pelo Senhor Jesus.
Aqui está a terceira coisa, que decorre disso, mas que acrescento como um terceiro ponto para maior clareza. A terceira característica é que você precisa ser ensinável.
Como o irmão Ernie disse outro dia: “Bem-aventurados os mansos; bem-aventurados os ensináveis”. Fiquei tão contente e tão entusiasmado ao ouvir isso.
Especialmente nesse tipo de sociedade machista, existe a ideia de que mansidão é fraqueza. Quem quer ser manso? Ora, vejam só — falta de firmeza, indefinição, uma personalidade diluída, sem vigor, tudo o que é anêmico. Consideramos isso mansidão.
Uma pessoa precisa quase não ter sangue nas veias para ser mansa. Precisa praticamente não fazer sombra para ser mansa. Precisa ser uma espécie de verme para ser mansa.
Mas, meus queridos amigos, Moisés foi chamado de homem mais manso de toda a terra. Sabemos, por fontes externas à Bíblia — embora isso seja sugerido e esteja implícito na Palavra de Deus —, que Moisés foi o grande herói da campanha da Líbia e o grande herói da campanha da Etiópia, condecorado mil vezes pelo faraó.
Quando viu aquele homem lutando com um hebreu, ele o matou. Que mansidão! Ali estava um homem que era manso.
Conheço um pouco os pastores de rebanhos; eles estão por toda parte ao meu redor. Notei uma coisa sobre os pastores de cabras e ovelhas: eles não são homens fracos. Vivem ao ar livre. Podem ser magros e musculosos — quero dizer, não têm a aparência de um Mister Universo —, mas são fortes, mais fortes do que eu.
Moisés foi pastor no deserto durante quarenta anos, e, no entanto, Deus disse que ele era o homem mais manso da face da terra. O que Ele quis dizer? Quis dizer isto: Moisés era ensinável.
A nenhum homem que não seja ensinável é concedido compreender os mistérios de Deus. Se você e eu não estamos prontos para ser ensinados pelo Senhor, se não estamos dispostos a consultar o Senhor, se não estamos dispostos a buscar o Senhor, nunca compreenderemos esses mistérios.
Vejam, por exemplo, Isaías 66:2:
Porque a Minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas vieram a existir, diz o Senhor; mas para este olharei: para o pobre e contrito de espírito, e que treme diante da Minha palavra.
Vejam Isaías 66:5:
Ouvi a palavra do Senhor, vós que tremeis diante da Sua palavra.
Agora voltem à parábola do semeador. Quando a semente caiu em boa terra, o que Jesus disse? Ele disse:
Este é o que ouve a palavra e a compreende.
É exatamente a mesma coisa.
Você só ouve verdadeiramente o Senhor quando tem esse espírito contrito, esse espírito quebrantado. Um espírito arrogante, um espírito orgulhoso, um espírito altivo — um espírito que diz: “Vou compreender isso, vou dominá-lo, vou analisá-lo, vou desmontá-lo e vou montá-lo de novo” — deixa esse tipo de pessoa com sistemas, doutrina bíblica e interpretação, mas ela nunca compreende os mistérios do reino dos céus.
Deus sempre toma aquele que tem um espírito ensinável, um espírito manso, como Moisés, que se prostrava com o rosto em terra diante do Senhor repetidas vezes. Apesar de tudo o que o Senhor lhe havia mostrado, apesar de toda a lei que Deus lhe havia dado, sempre que surgia um problema ele se prostrava diante do Senhor, como se dissesse: “Não sei como aplicar isso, Senhor. Sei tudo; Tu me usaste para escrevê-lo. Mas não compreendo como aplicá-lo. Ajuda-me a aplicá-lo, ó Senhor”.
Penso, no Novo Testamento, em João 7:17. Ah, o que isso significou para mim! Vocês se lembram de que mencionei ontem aquela tia sueca. Este é um versículo que ela me deu logo no início, quando fui salvo, e ele marcou meu coração como fogo.
Ouçam isto:
Se alguém quiser fazer a vontade Dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus.
Não sei se isso significa alguma coisa para vocês, mas, quando eu tinha apenas doze anos de idade, essa palavra marcou meu coração como fogo. Compreendi que, se Deus vai revelar alguma coisa a você, você precisa estar disposto a fazer a vontade Dele, seja qual for o custo da revelação que Ele lhe der, seja qual for o custo da luz que Ele lhe confiar.
Se você não estiver disposto a fazer a vontade de Deus, nunca saberá se Deus está realmente dizendo alguma coisa. Mas, uma vez que esteja pronto para fazer a vontade de Deus, então os mistérios do reino lhe serão concedidos. Então o mistério da igreja lhe será revelado. Então o mistério de Israel lhe será revelado. Então o mistério do evangelho lhe será revelado.
Então poderá haver toda uma sequência em sua instrução pelo Espírito de Deus, enquanto você mantiver essa disposição de fazer a vontade de Deus.
Deixem-me acrescentar mais uma passagem, se isso está fazendo algum sentido para vocês: Tiago 1:5. Esta é a outra passagem que aquela querida tia sueca me deu.
Não é interessante? Não sei por que ela está recebendo tanto destaque agora. Imagino que o Senhor lhe contará que estamos falando disso aqui embaixo. Mas parece que ela está tendo seu momento.
Ouçam; esta é outra passagem que ela me deu:
Se, porém, algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, Que a todos dá liberalmente e não censura; e ser-lhe-á dada.
Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando.
Pelo visto, ela achava que eu era estúpido. E eu estava realmente disposto a aceitar que era, porque nunca havia lido a Bíblia quando tinha doze anos. Não tinha aquela atitude: “Bem, já sei tudo. Frequentei a escola dominical. Enfiaram isso na minha cabeça desde o primeiro dia de vida. Eu já sei”.
Nunca tive nada disso. Então, quando ela deu a entender que talvez me faltasse sabedoria nessas coisas, eu a compreendi.
Eu costumava pedir ao Senhor todos os dias, quando era menino, dos doze aos quinze anos. Todas as manhãs, sem exceção, citava essa passagem, firmando-me nela: “Senhor, não tenho sabedoria alguma. Por favor, dá-me essa sabedoria que dizes que darás em Tiago 1:5”.
Ora, isso não está certo? Não é maravilhoso? Ouçam a Palavra novamente. Deixem-me repetir: se alguém tem falta de sabedoria… Você tem falta de sabedoria?
Você pode ter frequentado um seminário teológico e ainda assim ter falta de sabedoria. Pode ter concluído todo um curso em uma escola bíblica e ainda assim ter falta de sabedoria. Pode ser membro de uma igreja há muitos e muitos anos e ainda assim ter falta de sabedoria.
Se alguém tem falta de sabedoria — sabedoria do alto —, peça-a a Deus, Que dá a todos liberalmente e não censura, e ela lhe será dada, se pedir com fé, sem vacilar.
Um espírito ensinável — um espírito ensinável.
Quando o Senhor disse a Salomão: “O que você quer, Salomão?”, Ele conhecia todos os problemas que Salomão enfrentava. Havia rivalidades dentro da família, toda espécie de irmãos e antepassados ambiciosos, todos querendo meter a mão nos assuntos, toda espécie de problemas no reino. Seu pai havia morrido.
Deus veio a ele durante a noite e lhe apareceu, dizendo: “Salomão, de que você precisa? Peça-Me”.
Salomão poderia ter dito: “Senhor, preciso de poder — poder, imponência e autoridade — para que eu possa sufocar toda rebelião”. Poderia ter dito: “Senhor, preciso de riquezas para impressionar essas pessoas, para que vejam minha pompa e minha riqueza”. Poderia ter dito: “Senhor, quero que sustentes minha posição, para que todos vejam que sou Teu servo ungido, Teu rei ungido. Preciso disso para o Teu serviço, Senhor”.
Ele poderia ter dito mil e uma coisas, mas disse: “Senhor, quero sabedoria”. E Deus — posso me expressar de maneira irreverente? — não Se conteve de entusiasmo. Ele disse: “Salomão, porque você pediu sabedoria, não lhe darei apenas sabedoria, mas lhe darei autoridade, poder, riquezas, posição, paz — lhe darei tudo, porque você pediu sabedoria”.
Um espírito ensinável. Aos que são nascidos de Deus, que são discípulos, por mais fracos e falhos que sejam, e que têm um espírito ensinável — a esses é dado conhecer os mistérios do reino dos céus.
Agora, posso levar esse assunto um passo adiante, se vocês ainda estão me acompanhando? Quero destacar a necessidade de revelação.
Ontem falei sobre estudar a Bíblia, ler a Bíblia, conhecer a sua Bíblia. Tudo isso é absolutamente importante. Mas hoje quero acrescentar algo mais.
Você precisa de iluminação. Precisa de revelação. Precisa, para usar outra palavra que empregamos com frequência em nossos círculos, de visão.
Agora, não estou falando de visões. Não tenho nada contra visões. Mas estou falando de entendimento: dos olhos do coração abertos para contemplar o Senhor, para compreender o Senhor. Olhos do coração que realmente enxergam com clareza. Há uma visão única; não há visão dupla.
Não é interessante o que encontramos na carta aos Efésios, naquelas palavras bem conhecidas de Efésios 1:17-18? O apóstolo Paulo está ditando essa carta.
A maioria dos comentaristas bíblicos diz que Efésios é o ponto mais alto, o ápice da revelação no Novo Testamento. Nem todos concordariam, mas a maioria dos comentaristas diz isso.
Nessa única carta está condensada toda a revelação do propósito eterno de Deus, de eternidade a eternidade. Ali está o apóstolo: ele está acorrentado; está preso, em prisão domiciliar, se preferirem, e está ditando para um secretário fiel.
Então, de repente, ele diz: “Acho que deveríamos fazer uma breve oração”. Ele para e diz: “Você não acha que deveríamos orar por essas pessoas?”.
Talvez o secretário — aquele querido irmão, ou quem quer que fosse — tenha dito: “Orar por quê?”. Tenho uma imaginação muito fértil.
Talvez o apóstolo dissesse: “Veja, tenho tanto receio de que isso se torne apenas material para sermões. Tenho tanto receio de que permaneça apenas no campo da doutrina — do nosso ensino”.
“Vamos orar para que lhes seja dado um espírito de sabedoria e revelação, sendo iluminados os olhos do coração deles, para que conheçam qual é a esperança do seu chamamento.”
Não para que saibam a respeito disso, mas para que o conheçam diretamente. A Palavra, por assim dizer, salta para dentro deles. Ela lhes traz luz divina. Na luz Dele, verão a luz, como diz o salmista.
Que diferença faz quando nos é dado um espírito de sabedoria e revelação. Podemos conhecer alguma coisa durante toda a vida e, então, quando o Senhor a revela a nós, ela se torna nossa.
Talvez seja algo relacionado à obra e à Pessoa do Espírito Santo. Cantamos sobre o Espírito Santo, lemos sobre o Espírito Santo, estudamos sobre o Espírito Santo e ouvimos mensagens sobre o Espírito Santo.
Mas nada nos acontece até o dia em que vemos que, quando Jesus ascendeu, Ele recebeu a promessa do Pai e derramou o Espírito. No momento em que enxergamos com os olhos do coração, entramos naquilo que é nosso, e a mais gloriosa experiência do Espírito se torna nossa.
Tomem a questão da cruz. Podemos saber que Paulo disse:
Fui crucificado com Cristo; e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, Que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim.
Podemos saber disso. Podemos saber que ele diz que nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que o corpo do pecado fosse desfeito, a fim de que pudéssemos andar em novidade de vida.
Podemos saber tudo isso, mas, ah, quando esse espírito de sabedoria e revelação nos é dado, e naquele dia enxergamos de repente que, quando Jesus morreu, eu morri; que Nele, na cruz, eu morri; e, quando Ele foi sepultado, eu fui sepultado; e, quando Ele ressuscitou, eu fui ressuscitado para andar em novidade de vida — isso se torna minha própria experiência.
Pela primeira vez, posso me considerar verdadeiramente morto para o pecado, mas vivo para Deus por meio de Jesus Cristo. Até então, é faz de conta.
Ah, lembro-me de quando eu era mais novo no Senhor e tinha tanta dificuldade comigo mesmo. Não sabia como vencer aquilo e fui procurar um irmão. Ele disse: “Belisque-se”.
Eu tinha quinze anos. Achei que ele estivesse louco. Ele disse: “Vamos, belisque-se”. Eu me belisquei. “Você sente alguma coisa?” “Sim.” “Agora”, ele disse, “finja que está morto.”
Olhei para ele. Ele disse: “Você precisa se considerar morto. Belisque-se todas as vezes; sempre que sentir, diga: ‘Não, eu estou morto’”.
Mas não funcionou, meus queridos amigos. Não funcionou.
Sempre conto a vocês sobre Bob Mumford, que disse ter tido uma experiência com o Espírito Santo e pensado que havia morrido com Cristo, até descobrir que tinha apenas desmaiado.
Meu querido amigo, isso não funciona. É faz de conta. É fingimento, uma tentativa de convencer a si mesmo de que está morto. Algumas pessoas entendem “considerai-vos mortos” como se fosse preciso, à maneira da Ciência Cristã, fazer a mente dominar a matéria e ir se esmagando até, por fim, ficar completamente insensível.
Mas, meu querido amigo, isso não funciona. Digo por experiência própria. Porém, no dia em que o Senhor me revelou isso, quando eu estava de joelhos, em uma situação inteiramente diferente, Ele me mostrou. Ele me disse: “Quando Meu Filho foi crucificado, você foi crucificado com Ele”.
Aquilo entrou no meu coração. Eu nunca tinha ouvido algo assim. Sabia que havia lido aquilo, mas nunca tinha conhecido algo assim.
Levantei-me. Pela primeira vez, pude contar com aquilo. Eu sabia que Jesus havia morrido. Sim, Jesus havia morrido. Quando Ele morreu? Há dois mil anos. Portanto, aos olhos de Deus, eu morri com Ele há dois mil anos, e podia contar com isso. Veio a mim como uma revelação. Então se tornou meu.
Vocês compreendem o que estou tentando dizer? Estou apenas tentando dizer que você pode, como um bom budista, aprender as Escrituras. Sou inteiramente favorável a que você memorize as Escrituras e aprenda a verdade; foi sobre isso que falei ontem.
Mas agora quero dizer que as Escrituras nunca se tornarão carne e sangue em você até que lhe seja concedido o espírito de sabedoria e revelação. Naquele momento, quando esse espírito de sabedoria e revelação lhe for concedido, você não saberá apenas a respeito de alguma coisa, mas a conhecerá.
Você conhecerá o mistério do reino. Conhecerá o mistério de ser crucificado com Cristo. Conhecerá o poder e a Pessoa do Espírito Santo, o mistério da Sua obra. Essas coisas serão suas. Ninguém jamais poderá tirá-las de você. Serão suas para sempre.
Assim, vocês começam a compreender a importância vital, à luz da vinda do Rei, de ter essa visão, esse entendimento, essa revelação.
Se compreendo alguma coisa da Palavra profética, compreendo que estes últimos dias, nos quais estamos entrando, estarão cheios de inúmeras vozes cristãs nos dizendo uma coisa e outra — marcando datas, dizendo que isto acontecerá neste dia e aquilo acontecerá naquela data.
Alguns nos dizem que teremos grande riqueza e prosperidade. Outros nos dizem que teremos muita guerra, tribulação e empobrecimento. Alguns dizem isto; outros dizem aquilo. Alguns nos dizem que o Senhor não voltará por mais mil anos, que a igreja precisa cristianizar o mundo inteiro antes que o Rei venha.
E assim continua: esta voz, aquela voz, esta voz, aquela voz — milhares de vozes, todas dizendo: “Ele está aqui. Ele está ali. Ele está acolá. Ele está aqui”. No fim, todos estarão tão confusos.
Não é de admirar que nos afastemos da profecia. Não é de admirar que digamos: “Vamos deixar tudo isso de lado; é uma confusão”.
Meu querido amigo, precisamos de revelação. Precisamos de entendimento.
Não seremos dogmáticos na interpretação dos acontecimentos proféticos, exceto naquelas questões sobre as quais podemos realmente ser dogmáticos. Mas estaremos preparados, porque a revelação sempre nos leva à preparação.
Toda vez que vejo o Senhor, sei que há áreas da minha vida que precisam ser corrigidas, áreas da minha vida que precisam ser tratadas, áreas em que preciso ser fortalecido, áreas em que preciso de uma nova fé para tomar posse.
Antes de falar sobre estas parábolas, há uma terceira questão. Nosso Senhor disse algo que tem perturbado tanto alguns cristãos:
Porque àquele que tem, ser-lhe-á dado, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
Ora, vejam só. Algumas pessoas ficam tão perturbadas com isso que acham que é capitalismo. “Que coisa é essa? Quem tem recebe mais, e quem não tem perderá até aquilo que tem. O que Ele quis dizer?”
Ele quis dizer isto: se você é nascido de Deus, tem o direito de compreender os mistérios do reino. Quando essa revelação lhe for dada, você terá mais e mais e mais e mais.
Você entrará na terra, por assim dizer, e tomará posse dela cada vez mais. Quanto mais tiver, mais tomará; e, quanto mais tomar, mais lhe será dado.
Querido filho de Deus, esse assunto é importante.
Agora vamos olhar para esses mistérios do reino. Antes de tudo, não acho que tenhamos todos os mistérios do reino. Essa é minha opinião. Talvez seja apenas minha opinião pessoal. Acho que há muitos outros, mas nosso Senhor nos deu certos entendimentos fundamentais, básicos, nessas sete parábolas.
O primeiro, segundo entendo, está na parábola do semeador. É o que chamo de mistério da Palavra de Deus.
Tudo começa com a Palavra de Deus e termina com a Palavra de Deus. Tudo.
Sua salvação começou com a Palavra de Deus:
Assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo.
O apóstolo fala daqueles que saem para pregar essa boa notícia. Foi assim que tudo começou. Mesmo que nunca tivéssemos conhecido a Bíblia, mesmo que nunca tivéssemos lido a Bíblia, mesmo que não tivéssemos ouvido muita coisa, ainda assim tudo começou com a Palavra de Deus.
Tudo em sua vida continua com a Palavra de Deus. Não é verdade? Tomem toda a área da santificação. Só posso tocar de passagem nessas coisas, vocês compreendem, mas tomem toda a questão da santificação. Não está tudo relacionado à Palavra de Deus?
Certamente está. Quando algo na Palavra de Deus nos é revelado, então entramos nessa realidade e, naquele momento, experimentamos aquilo que lemos. A Palavra de Deus.
Na verdade, se olharmos em uma escala maior, tudo o mais, em escala universal, começa e termina com a Palavra de Deus. Este universo veio a existir pela Palavra de Deus. Lemos isso repetidas vezes: Deus disse, e assim foi. Foi a Palavra de Deus.
Pedro diz em sua carta que todo este mundo veio a existir pela Palavra de Deus. Ele fala do dilúvio pela Palavra de Deus. Depois diz que virá um fogo que consumirá tudo, e que tudo está reservado para ele pela Palavra de Deus.
É um grande consolo para mim saber que tudo na história está relacionado à Palavra de Deus. Começa com a Palavra de Deus, prossegue com a Palavra de Deus e terminará com a Palavra de Deus: um novo céu e uma nova terra, nos quais habita a justiça, pela Palavra de Deus.
Satanás, no fim, será reduzido a nada pela Palavra de Deus. Está escrito em 2 Tessalonicenses 2:8:
A quem o Senhor Jesus matará com o sopro da Sua boca.
Uma só palavra, disse Martinho Lutero, o derrubará. Ah, acho isso muito empolgante. Tudo isso começa com a Palavra de Deus; termina com a Palavra de Deus.
Pensem na obra de redenção de Deus. Ela não começa com a Palavra de Deus? Pensem no Senhor Jesus. Vocês se lembram do que o anjo do Senhor disse a Maria quando lhe apareceu?
Depois de falar do Espírito Santo, ele disse:
Porque nenhuma palavra de Deus será desprovida de poder.
Penso na obra de nossa redenção na cruz. Jesus pronunciou sete palavras na cruz. Mas há uma palavra que, para mim — e é uma só palavra tanto em hebraico quanto em grego —, Jesus proferiu ao final de Seu sofrimento na cruz.
Ao final das três horas de abandono e trevas, quando o Cordeiro de Deus Se tornou a serpente levantada, quando aquela serpente e seu veneno entraram na pureza do Cordeiro de Deus e Deus O feriu, de Seu coração torturado e angustiado vieram as palavras:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Toda a terra escureceu. Pessoas que não compreendem essas coisas nos dizem que foi um eclipse, porque sempre precisam encontrar alguma explicação científica para essas coisas. Não sei o que há de errado com elas, mas sempre precisam encontrar algo que possa ser explicado em termos do entendimento humano da ciência.
Mas nenhum eclipse poderia durar três horas. É impossível.
Algo aconteceu naquele momento em que Jesus Se fez pecado, algo que trouxe horror Àquele em Quem todas as coisas subsistem. Naquele momento, foi como se a própria luz do universo vacilasse, como se o próprio Deus estremecesse.
Nunca compreenderemos isso, a não ser que, naquele momento, Jesus conquistou para nós uma salvação eterna. Nunca compreenderemos. Não importa quanto tempo vivamos; por toda a eternidade nunca compreenderemos plenamente, porque somos criaturas finitas. Nunca seremos infinitos.
Então Jesus deu um grande brado. Não foi um grito de tortura. Não foi um grito de agonia. Não foi, como algumas pessoas pensam: “Está inacabado”. Foi uma voz de triunfo:
Está consumado.
Naquele exato momento, o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo. Ora, o Talmude nos diz que o véu do templo tinha sete palmos de espessura.
Vocês conseguem imaginar os sacerdotes e levitas que estavam de serviço naquele dia? Não é de admirar que um grande número de sacerdotes tenha crido, como diz o livro de Atos. Imagino que tudo tenha começado com os que estavam de serviço naquele dia, em seus turnos, ocupados em polir o bronze e fazer todas as demais tarefas no santuário. De repente, levantaram os olhos.
Ah, blasfêmia! Blasfêmia! Para qualquer judeu, ver o véu do templo rasgado — não de baixo para cima, mas de cima para baixo. O caminho foi escancarado. O caminho para a presença de Deus foi aberto para o homem pecador.
A obra consumada do Senhor, meu querido amigo: uma palavra, uma palavra proferida pelo Senhor Jesus — a Palavra de Deus em Sua boca. Ela atravessou todo o universo como um toque de trombeta, como um chamado claro e poderoso: salvação eterna para todos os que colocarem sua confiança em Deus por meio Dele.
Eu poderia continuar e continuar. Poderia falar sobre a redenção do nosso corpo. Isso acontecerá pela Palavra de Deus, não é?
Quando o Senhor descer com um brado — ah, eu gostaria tanto de saber: o que Ele vai bradar? Apenas a palavra que estará em Sua boca —, quando os mortos em Cristo ressuscitarem primeiro, e depois nós, os que estivermos vivos e permanecermos, formos arrebatados para estar com eles e ficar para sempre com o Senhor.
Quando, num piscar de olhos — pensem nisso; vocês já viram um olho piscar? —, num piscar de olhos nossos corpos forem transformados, e o corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o mortal, de imortalidade.
Um brado do Messias ressurreto, do Rei glorificado, do Rei que vem: um brado, uma palavra, e nossos corpos transformados em um instante. Os mortos cujos corpos se tornaram pó, decompostos há milhares de anos, em um instante ressuscitados incorruptíveis.
Como algumas pessoas dizem: “Bem, não acredito nisso. Deve haver uma explicação científica. O Senhor não pode simplesmente recompor corpos dessa maneira”.
Meus queridos amigos, segundo o meu evangelho, Deus falou, e todo este universo veio a existir. Se Deus falou, e houve luz; se Deus falou, e houve água, e houve um firmamento entre as águas de cima e as águas de baixo; se Deus falou novamente, e o sol e a lua vieram a existir; se Deus falou novamente, e surgiu vegetação na terra; se Deus falou novamente, e seres começaram a voar nos céus e a nadar no mar; se Deus falou novamente e criou Adão, e criou você e eu como seres humanos — se Ele pôde fazer tudo isso por Sua Palavra, não pode, com uma única palavra, redimir nosso corpo? É claro que pode. É uma coisa pequena.
Ele fez todo o resto com uma palavra. Um brado! Ele descerá do céu com um brado e com a trombeta de Deus, e os mortos em Cristo ressuscitarão.
Bem, preciso tomar cuidado. Não estou dizendo que, se o Senhor bradasse agora, não haveria mais necessidade de eu explicar a vocês os mistérios das parábolas.
Quero dizer a vocês que toda essa questão da restauração da igreja, ainda que em um pequeno remanescente nos últimos dias, está relacionada à Palavra de Deus.
Cada grande movimento do Espírito na história da igreja começou com uma redescoberta da Palavra de Deus — da autoridade da Palavra de Deus, da exatidão da Palavra de Deus e da relevância da Palavra de Deus.
Em cada um desses grandes movimentos do Espírito, foi a medida em que a Palavra de Deus recebeu seu devido lugar que determinou por quanto tempo aquele mover do Espírito continuou em poder e pureza.
Assim que a Palavra de Deus se torna, por assim dizer, algo meramente familiar, ela passa a ser uma Escritura sagrada formal; torna-se liturgia. O mover do Espírito termina.
Parece-me muito claro que esse mistério da Palavra de Deus tem uma mensagem para nós nos últimos dias, quando haverá tanta apostasia. Precisamos compreender a Palavra de Deus, ser testemunhas da Palavra de Deus, bem como guardar o testemunho de Jesus.
Creio também que, com Israel, acontece o mesmo. Porque Deus pronunciou uma palavra a respeito do meu povo: “Eu os ceguei”. E Ele fez isso muito bem.
Ao longo dos anos, com exceção de uns poucos aqui e ali, nosso povo tem lido as Escrituras, estudado Isaías 53, estudado Salmos 22, estudado Zacarias 12, e nunca visto o Messias.
Às vezes, descreveram o Messias em termos que fazem você pensar que estão falando de Jesus, e, no entanto, nunca O viram. Foi uma palavra. Foi uma palavra do Senhor. Deus os cegou.
Paulo se debate com todo esse grande problema. Ele diz:
Porventura tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum; mas, pela sua queda, a salvação veio aos gentios.
Não vou me deter nisso, a não ser para dizer o seguinte: virá um dia em que a Palavra de Deus voltará àquele povo em poder e em vida. Então o endurecimento parcial que lhes sobreveio será derretido, o véu sobre a mente será rasgado, e a cegueira que veio sobre seus olhos será transformada em uma visão radiante.
Para mim, isso é como o nosso José maior. Ele foi vendido como escravo por Seus próprios irmãos, rejeitado por eles, e foi para o Egito. Desceu à masmorra, desceu o mais baixo que podia, e então Deus O levantou e O tornou Salvador dos egípcios, de modo que Ele Se tornou Aquele por meio de Quem todos os gentios foram salvos.
No entanto, Seu próprio povo não O conheceu. Quando vieram a Ele sob a pressão da fome e da escassez, Ele ocultou deles Sua identidade. Estavam diante Dele, e Ele era um egípcio. Vestia-Se como egípcio, falava como egípcio, culturalmente era egípcio, Sua esposa era egípcia e Ele tinha um palácio egípcio. Nunca viram seu irmão.
Nem em suas imaginações mais ousadas pensaram, por um único momento, que aquele fosse seu irmão José.
Então Ele os cercou. A história é longa demais, mas Ele os cercou pouco a pouco, deixou-os sem saída. É isso que Ele está fazendo hoje. É por isso que estamos em tamanha dificuldade. Ele está nos encurralando.
Ele colocou o dinheiro no saco e nos fez responder por aquilo. Colocou o cálice de prata no saco. Está mantendo Seu Benjamim como refém. Aqueles de nós que são judeus e encontraram o Senhor são Seu Benjamim, mantidos como reféns até que os demais venham.
Virá um dia em que Ele dirá: “Façam todos os egípcios sair da casa”, e lhes dirá em hebraico: “Eu sou José, a quem vocês venderam”. Não sei quando será esse dia, mas será pela Palavra de Deus. Isso é tudo o que sei.
Quando esse dia chegar, se a rejeição deles foi a reconciliação do mundo, que será sua aceitação, senão vida dentre os mortos?
Mas preciso prosseguir. Há mais dois grupos de três. Vamos examiná-los muito rapidamente.
Aqui está o primeiro grupo. Temos uma parábola: o joio e o trigo. Depois ela é seguida pela do grão de mostarda que cresceu e se tornou uma árvore. Depois vem a da mulher que colocou fermento em três medidas de farinha.
É interessante que nosso Senhor interprete a parábola do joio, como se ela fosse também a chave para as outras duas parábolas.
Esse joio é aquilo que chamamos de joio barbado. O joio barbado é exatamente como o trigo. Enquanto cresce, parece trigo, até atingir certa altura. Só nos estágios finais fica claro que é joio.
Aqui está outro problema: o joio barbado tem um sistema de raízes muito forte, e o trigo não tem um sistema de raízes tão desenvolvido. Por isso, o joio penetra nas raízes do trigo e se entrelaça por toda parte. É por isso que não se pode arrancar o joio; se fizer isso, arrancará o trigo junto.
Se você compreende um pouco dessa parábola, então começa a compreender a interpretação do Senhor: o semeador é o Filho do Homem; a boa semente são os filhos do reino; a semente ruim são os filhos do maligno.
O que o Senhor está dizendo aqui? Ele está tratando de um problema com o qual todo filho de Deus já se debateu, particularmente aqueles que passaram por sofrimento.
Por que Deus não arranca o joio? Por que Ele deixa pessoas más em posições de poder? Por que permite que as trevas, as ideologias malignas, as pessoas e as personalidades continuem agindo?
Agora, meu querido amigo, isso não é a igreja. Você compreende isso, não é? Já ouvi tantos interpretarem isso como sendo a igreja: o Senhor estaria dizendo para deixar os não salvos e os salvos crescerem juntos na igreja.
O Senhor Jesus disse:
O campo é o mundo.
Não a igreja. Ele está tratando de todo o problema do bem e do mal interagindo e se opondo um ao outro.
Só posso imaginar que nossos irmãos e irmãs que sofreram na Rússia, no Leste Europeu, na Mongólia e na China devem ter pensado muitas vezes: “Por que Deus não resolve isso?”.
Quando você ouve falar de pessoas enterradas vivas — conheço uma pessoa que foi crucificada e levou três dias para morrer —, você se pergunta: por quê? Por que Deus não fulmina essas pessoas, especialmente quando descobre que aqueles que fazem isso morrem tranquilamente em suas camas, anos depois?
Você se pergunta: onde está a justiça em tudo isso? Por que Deus não age? Mas precisamos nos lembrar de Romanos 8:28:
E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito.
Portanto, meu querido filho de Deus, creio que estamos tratando de algo que não compreendemos plenamente. Por que Deus permite um Stalin? Por que permite um Hitler? Por que permite um Mao Tsé-Tung? Por que permite essas pessoas más?
Por que permite que cresçam como grandes árvores? Por que permite que façam tanto mal? Por que quase conseguem extinguir a obra de Deus? De alguma maneira extraordinária, Deus está usando o mal para aperfeiçoar o bem.
Nunca compreenderemos isso. Mas, no fim, tudo será resolvido. Quando vier a colheita, aqueles que são nascidos de Deus e andaram com Deus resplandecerão como o sol no reino. Aqueles que foram o joio serão reunidos em feixes e queimados no fogo eterno.
Não sei se isso significa alguma coisa para vocês, porque nos Estados Unidos vocês não enfrentam exatamente o mesmo problema. Talvez ele venha.
Essa parábola do joio não significa nada para pessoas que vivem em uma sociedade organizada, onde há pessoas más ao redor e elas se perguntam por que essas pessoas prosperam, mas não são perseguidas. Em geral, não perdem a vida por causa delas.
Mas, quando você está frente a frente com esse tipo de mal, e ele parece triunfante, universal e todo-poderoso; quando, de algum modo, todo o inferno se solta; quando chega uma hora de mal que atinge até mesmo os filhos de Deus — então você pode ficar cheio de um milhão de perguntas.
Deus está interessado em uma colheita, e não arrancará o joio, prejudicando o trigo. Ele está preparando pessoas para o serviço eterno.
Agora há outras duas parábolas. Há a do grão de mostarda e há a do fermento. Preciso dizer-lhes desde já que tenho grandes dificuldades com o grão de mostarda. Espero muito que me convidem para falar novamente.
Tenho enormes dificuldades com o grão de mostarda porque, vivendo em Israel, temos uma pequena semente que é a menor de todas. É tão pequena que, quando você a tem na mão — poderia ter até cem delas ali —, as pessoas da primeira fila mal conseguiriam enxergá-las.
Essa pequena semente cresce e se torna uma árvore. Elas crescem por toda parte ao redor de onde moro. É chamada de árvore de mostarda. Chega a quatro metros e vinte de altura, normalmente três metros, mas cresce.
Agora, o que Jesus quis dizer? Uma interpretação é esta: todos vocês, no Ocidente, conhecem a mostarda que só cresce até certa altura. Então, como um grão de mostarda se torna uma árvore ou um arbusto? Vocês dizem: “Bem, isso tem de ser anormal”.
Então a interpretação é que algo aconteceu com a igreja. A igreja institucional não é aquilo que Deus plantou. Alguma coisa deu terrivelmente errado. Depois nos dizem que todas as aves do céu, que na Bíblia seriam sempre um símbolo dos poderes das trevas, vêm se abrigar nos ramos.
Agora, tenho uma dificuldade. As pessoas que creem nessa interpretação dizem que essa árvore de mostarda não existia aqui na terra de Israel no tempo de Jesus; dizem que ela vem de Madagascar.
Disseram a mesma coisa sobre a macieira. Agora encontramos sementes perto de En-Gedi, em uma antiga caverna do tempo de Bar Kokhba, de modo que sabemos que havia macieiras no tempo de Jesus, de acordo com Cântico dos Cânticos, vocês se lembram. Todos diziam que era um damasqueiro; não podia ser uma macieira. Alguns ainda dizem essas coisas diante da verdade.
Agora quero explicar uma coisa. Quando Jesus deu a interpretação do joio, é óbvio, para mim, que ela é a chave para esse grupo de três.
Quero dizer-lhes o que é anormal. Vocês não precisam aceitar o que digo, porque há muitos outros que dão uma interpretação diferente. Mas o que é anormal na árvore de mostarda é as aves se alojarem em seus ramos.
Nunca vi um ninho em uma árvore de mostarda. Nunca, jamais, vi aves sequer pousando para descansar em uma árvore de mostarda.
Todos vocês sabem que tenho muito interesse por aves. Tenho duas cacatuas, dois papagaios. Mantemos algumas aves do lado de fora da janela e mil outras coisas, de modo que sempre me interesso por aves. Nunca vi aves em uma árvore de mostarda.
É assim que compreendo isso. Deus está falando de algo que cresceu, e dentro disso entraram os poderes do príncipe do ar, os poderes das trevas. Eles se alojaram nessa realidade. Não deveriam estar ali. Não pertencem àquilo. Não têm nada a ver com aquilo, mas estão ali.
Se vocês lerem Efésios 2:2:
Nos quais outrora andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência.
Não precisamos dizer, quando olhamos para a história da igreja, que vemos isso repetidas e repetidas vezes? O espírito que opera nos filhos da desobediência vindo se alojar entre os filhos da luz. Algo está terrivelmente errado.
Quando chegamos à parábola do fermento, aí temos clareza. Em qualquer lugar que você examine no Novo Testamento e no Antigo Testamento, o fermento é um símbolo do mal. É um símbolo do pecado.
Se vocês abrirem suas Bíblias, vejam, muito brevemente, Mateus 16:6:
Acautelai-vos e guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.
Os fariseus e os saduceus são muito interessantes. Muito raramente esses grupos são compreendidos nos círculos cristãos. Os fariseus são sempre vistos como hipócritas, e, no entanto, os fariseus eram puritanos.
A própria palavra, em hebraico, significa puritano. Simão, o Justo, que os fundou, foi um dos homens mais piedosos dos quatrocentos anos de silêncio entre Malaquias e Mateus.
Se não fossem os fariseus, toda a obra de Deus entre Seu povo teria sido assimilada pelo helenismo. Eram pessoas maravilhosas, pessoas piedosas. Voltaram à essência da questão. Eram fundamentalistas.
Criam na autoridade da Palavra de Deus. Criam em um reino que viria. Criam em um Messias.
Muito diferentes dos saduceus. Os saduceus eram acadêmicos, da classe alta, teólogos liberais. Não criam na vida após a morte. Não criam na inspiração dos profetas. Tinham dúvidas sobre a Palavra de Deus.
Aqui está o fermento. Qual é o fermento dos fariseus? O legalismo.
Ora, isso diz alguma coisa sobre a história da igreja, não diz? Cada mover do Espírito Santo terminou em legalismo, não é?
Não importa para onde você olhe. Em toda a história da igreja, cada mover do Espírito, depois de algumas gerações, tornou-se uma aparência exterior, um sistema.
E a teologia liberal — ora, isso é fermento. O que ela tem feito dentro do reino de Deus e ao reino de Deus!
Eu poderia dar a vocês muitas outras passagens sobre esse assunto. Penso nas palavras do apóstolo Paulo, por inspiração do Espírito:
Um pouco de fermento leveda toda a massa.
Expurgai o fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois sem fermento. Porque também Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado.
Não é interessante? Há uma pequena visão muito interessante em Zacarias, de uma mulher que esconde fermento em um efa. Um efa era a medida da oferta de cereais, e nunca era permitido colocar fermento nela.
Curiosamente, a última imagem que temos dessa mulher é que ela se torna duas mulheres e voa com asas de cegonha para a Babilônia. Acho isso muito interessante.
Martinho Lutero falou sobre o cativeiro babilônico da igreja. Pergunto-me se aqui, nesta pequena parábola, temos algo desde o início: alguma coisa foi escondida ali dentro.
Vocês sabem que, em cada movimento do Espírito de Deus na história da igreja, quase desde o seu começo, um inimigo introduziu fermento? O fermento foi agindo, agindo e agindo até tomar conta do todo.
Sempre digo que a tarefa dos pastores é cuidar para que nenhum fermento entre em uma obra de Deus, porque, uma vez que entra, é muito difícil tirá-lo.
Bem, deixo essas três parábolas. Sinto que só tenho meus cinco pães e dois peixes — apenas um pouco para vocês.
Aqui está o último grupo de três. Jesus contou essas últimas três parábolas em particular, e acho isso interessante.
Uma delas é sobre um homem que encontrou um tesouro. É uma pequena história muito interessante. Ele simplesmente contou a história: um homem encontrou um tesouro e o escondeu, depois foi e comprou o campo.
Bem, sabemos alguma coisa sobre isso. Ele foi esperto. Encontrou um tesouro muito valioso, escondeu-o e depois foi comprar o campo inteiro para poder ficar com o tesouro.
Outro homem era um negociante que procurava pérolas, e encontrou uma pérola de qualidade inacreditável. O preço era colossal. Ele deve ter se debatido com aquilo por algum tempo e, por fim, vendeu tudo o que tinha para comprar aquela única pérola.
Jesus não interpreta nenhuma dessas duas, mas depois nos conta uma história bem diferente. Ele diz que o reino dos céus é como uma rede de arrasto lançada ao mar, e nela ficou presa toda espécie de coisas — peixes, garrafas e todo tipo de coisas estranhas.
Puxaram tudo: peixes bons, peixes ruins e lixo. Sentaram-se e começaram a separar tudo. Colocaram os peixes bons em barris e jogaram fora os ruins, normalmente usados como adubo.
Então Ele interpreta a última. Agora, se vocês compararem comigo por um momento, e já vou terminar: há uma diferença enorme entre peixes — até mesmo peixes bons — e tesouro e pérola, não acham?
Não é uma associação estranha reunir tesouro, pérola e peixes bons?
Entendo que esse é o mistério do amor e da graça perseverantes de Deus. Ele procura recolher tudo na rede, com a maior abrangência possível, para conseguir os peixes bons.
Mas, meus queridos amigos, esse não é o fim da história. O que Ele realmente procura é tesouro. Ele procura pérola.
Agora, será fantasioso da minha parte mostrar a vocês que a cidade de Deus, a noiva, a esposa do Cordeiro, é feita de tesouro — pedra preciosa e pérola?
Isso não significa que o Senhor Jesus entregou Sua vida por todos para obter a noiva? Ele comprou o campo inteiro apenas para obter aqueles que iriam até o fim com Ele e se tornariam o tesouro.
Tesouro, vocês sabem, não é algo automático. Acho que vocês sabem disso. Jesus disse à igreja em Laodiceia:
Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo, para que te enriqueças.
O que Ele quis dizer? Esse ouro da Sua natureza, esse ouro da Sua vida, nos foi dado por Sua graça como um presente gratuito. Então por que Ele diz: “Aconselho-te que compres”? O preço é a experiência — uma experiência custosa.
Esse ouro da vida de Cristo nunca se torna nosso até que experimentemos coisas profundas. Às vezes, isso nos custa tudo.
Ah, querido filho de Deus, pense nisso por um momento. Aqui você tem o amor e a graça perseverantes do Senhor Jesus. Ele é esse negociante que procura aquela pérola, e encontra essa pérola de qualidade extraordinária. Custou-Lhe tudo obter aquela pérola.
Aqui está o Senhor Jesus, e Ele encontra esse tesouro que vinha procurando, por assim dizer, ao longo de Sua vida. Ele o esconde e compra o campo inteiro para obter aquele tesouro. Custou tudo ao Senhor Jesus.
Agora, estou errado ao sugerir a vocês que, se vão se tornar esse tesouro, com o qual Ele construirá a cidade, com o qual formará a noiva — se vão se tornar essa pérola, da qual serão formadas as portas daquela cidade —, isso lhes custará tudo?
Aqui está o mistério do reino dos céus.
Lembro-me de um antigo hino dos meus primeiros dias como crente, e ele tinha um pequeno verso que sempre ficou comigo:
Os que Nele confiam inteiramente O encontram inteiramente fiel.
Não sei quanto tesouro há em você, quanta pérola há. Só sei isto: a pedra preciosa é formada nos lugares mais escuros da terra, por enorme fogo, calor e pressão.
Só sei isto: uma pérola é formada por um pequeno grão sem valor que cai na parte mais macia da ostra, e toda a vida da ostra se mobiliza para expulsá-lo.
A cada vez, uma camada envolve o grão — uma camada, e outra camada, e outra camada —, até que há uma pérola.
Querido filho de Deus, para obter essa pedra preciosa, esse ouro, esse tesouro e essa pérola, Deus às vezes usa o joio. Às vezes, Ele usa o mal para nos levar a compreender como nossa vida é sem valor à parte Dele, e como nossa vida é breve.
Para nos levar a compreender aquela palavra:
Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?
E esses são os mistérios do reino.
Eu gostaria que vocês tivessem tido outra pessoa que pudesse interpretar essas parábolas de maneira mais completa e mais poderosa do que eu. Só posso lhes dar o pouco que recebi do Senhor sobre elas — aquilo que chamo de meus cinco pães e meus dois peixes.
Sei que o Senhor pode abençoar esses cinco pães e dois peixes, parti-los, multiplicá-los e fazer algo em todas as nossas vidas que seja inteiramente para a Sua glória.
Vamos orar?