Gostaria de convidá-los a abrir na passagem que examinamos ontem à noite. Creio que ela seja bem conhecida pela maioria de vocês aqui: a Epístola aos Efésios, capítulo 6.
Vou ler a partir de Efésios 6:10.
Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas, ou os estratagemas, do diabo.
Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Permanecei, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade e vestido a couraça da justiça,
e calçado os pés com a preparação do evangelho da paz;
tomando, além de tudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno.
Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus:
com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e, para isso, vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos,
e por mim, para que me seja dada a palavra ao abrir a minha boca, a fim de tornar conhecido, com ousadia, o mistério do evangelho,
pelo qual sou embaixador em cadeias; para que nele eu fale com ousadia, como me cumpre falar.
Podemos fazer uma breve oração?
Amado Senhor, temos desfrutado de estar aqui em Tua presença e de tomar o vinho e o pão, lembrando-nos de Ti e de tudo o que fizeste por nós. Queremos adorar-Te, Senhor, mais uma vez.
Queremos agradecer-Te porque, ao chegarmos agora ao ministério da Tua palavra, Tu não nos deixas entregues aos nossos próprios talentos, dons ou forças. Tu nos concedes uma unção — uma unção não apenas para falar a Tua palavra, mas também para ouvi-la.
Vivemos em uma época em que as pessoas não ouvem e, quando ouvem, ouvem aquilo que querem ouvir. Pedimos que essa unção esteja de tal maneira sobre o nosso ouvir que possamos ouvir, além da voz humana, aquilo que Tu estás procurando dizer.
Senhor, toma este pobre vaso que vai falar e faz com que a Tua voz seja clara e forte por meio dele. Ouve-nos, Senhor.
Tu disseste em Tua palavra:
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Senhor, vivemos em uma nação que caminha rapidamente para o juízo, e somente Tu podes preparar o Teu povo para estes dias que estão por vir.
Ouve-nos, Senhor. Nós nos entregamos a Ti e teremos todo o cuidado de dar-Te toda a adoração e todo o louvor do nosso coração por responderes a esta nossa oração, que fazemos em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.
Foi com aquela pequena expressão de Efésios 6:11 que começamos ontem à noite:
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas, ou os estratagemas, do diabo.
Não vou repetir tudo o que disse ontem à noite, mas acho bastante notável — extraordinária — a maneira como o apóstolo, pelo Espírito Santo, conclui esta carta.
A maioria dos teólogos e professores da Bíblia que não são liberais dirá que este é o ponto culminante da revelação. É o próprio coração e a própria mente de Deus articulados — “verbalizados”, como vocês dizem no inglês americano —, expressos em palavras.
São insondáveis. Se vocês tomarem apenas o primeiro capítulo de Efésios, em poucos instantes estarão mergulhados em suas profundezas. Expressão após expressão brota do coração e da mente do apóstolo enquanto ele descreve essa convergência de todas as coisas no Messias Jesus.
Quando ele fala de nós como a herança de Deus, quando fala da suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, poder que Ele operou em Cristo, o Messias Jesus, quando O ressuscitou dentre os mortos e O fez assentar-Se à Sua direita — esta carta é simplesmente incrível. Cada parte dela, para onde quer que vocês olhem, é extraordinária.
No Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor;
no Qual também vós sois juntamente edificados para habitação de Deus no Espírito.
Quem poderia ter concebido uma verdade tão profunda e expressá-la em palavras tão simples?
Quando chega à conclusão, ele não diz que precisamos ser cheios do Espírito — é claro que já havia dito isso nesta carta. Não diz que precisamos conhecer o caminho da cruz, embora tenha enfatizado repetidas vezes que precisamos ser sacrifícios vivos.
Ele não fala do aprofundamento da vida espiritual nem da formação do caráter espiritual, embora essas coisas sejam absolutamente essenciais. Não fala nem mesmo da evangelização, que é absolutamente essencial.
Em vez disso, ele diz:
Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas, os ardis ou os estratagemas do diabo.
Em outras palavras, se vocês e eu não aprendermos a permanecer firmes em toda a armadura de Deus — se não compreendermos e experimentarmos o que significa revestir-nos de toda a armadura de Deus e resistir no dia mau —, perderemos muito. Seremos saqueados. Ficaremos comprometidos. Terminaremos com muito menos do que imaginávamos que teríamos.
O inimigo paralisará a obra de edificação da casa de Deus. Fará tudo o que estiver ao seu alcance para comprometer o povo de Deus: colocá-lo de lado, desviá-lo do caminho, distraí-lo, enredá-lo, dividi-lo, fragmentá-lo em facções e fazer com que uns se voltem contra os outros.
É por isso que ele conclui, pelo Espírito de Deus, dessa maneira extraordinária. Quatro vezes ele usa a expressão permanecer firmes.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas ou os ardis de Satanás.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau.
E, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Permanecei, pois, firmes.
É quase como se ele quisesse que compreendêssemos esta mensagem: clara, simples, direta ao ponto. Se vocês e eu não permanecermos naquilo que Deus providenciou para nós, se não estivermos no lugar que Deus nos deu, corremos o risco de perder quase tudo.
Acabaremos cantando hinos sem experimentar aquilo que cantamos. Acabaremos fazendo estudos bíblicos sem experimentar nada daquilo em nossa vida comunitária, pessoal ou familiar. Simplesmente nos tornaremos pessoas religiosas — pessoas cristãs — que professam verdades extraordinárias e quase nada experimentam delas na prática.
Desde o princípio, Satanás tem sido ladrão. Tem sido enganador. Tem sido mentiroso. Tem sido destruidor. Desde o princípio — e continua fazendo isso, com milhares de anos de experiência.
Nenhum grupo de filhos de Deus — não importa quem vocês sejam ou o que sejam — pode pensar que é tão sábio a ponto de, de alguma maneira, por sua própria força, seu próprio conhecimento da Bíblia e sua compreensão do propósito de Deus, escapar da atenção de Satanás. Ele é astuto demais para todos nós juntos.
A história da igreja é uma longa história do Espírito Santo tomando a iniciativa e, depois, dos homens destruindo o que o Espírito fez, cedendo terreno a Satanás, de modo que o próprio Satanás entra e, de uma maneira ou de outra, consegue frustrar o propósito de Deus naquela geração.
Nós também não escaparemos, a menos que aprendamos esta pequena e simples lição. Por que o apóstolo Paulo não escolheu todas aquelas outras coisas essenciais? Por que escolheu apenas esta: permanecer firmes?
Ontem à noite, falei sobre estas perguntas: “Em que permanecemos firmes?” e “Sobre o que permanecemos firmes?”. Na verdade, deveríamos dizer: “Em Quem permanecemos firmes?”. Essa armadura não consiste em coisas. Não consiste apenas em verdades. É uma Pessoa. A armadura é o Senhor Jesus.
Nos versículos seguintes, ele descreve as diferentes partes da armadura, e todas elas dizem respeito ao Senhor Jesus. Seja a couraça da justiça, sejam os lombos cingidos com a verdade, trata-se da verdade como ela está em Jesus.
É a fé do Filho de Deus, Que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim, gerada em meu coração pelo Espírito Santo. Esse é o dom de Deus. Seja o capacete da salvação — Seu próprio nome, Yeshua, significa salvação em hebraico —, seja o evangelho da paz, de Quem é esse evangelho? É o evangelho do nosso Senhor Jesus.
Para onde quer que vocês olhem, essa armadura é o Senhor Jesus. Portanto, quando ele diz: “Permaneçam firmes”, quer dizer: permaneçam onde Deus os colocou. Não deixem o inimigo atraí-los para fora. Não deixem que ele os empurre para trás, fazendo-os recuar. Permaneçam onde Ele os colocou.
Mesmo que a tempestade seja colossal e poderosa, não fujam.
Isso me faz lembrar de quando estive na Grécia neste verão, durante aqueles terríveis incêndios. Não é impressionante o que está acontecendo no mundo? Quatrocentos incêndios ao mesmo tempo na Grécia. Ninguém conseguia dar conta deles. Regiões inteiras, imensas, foram destruídas.
Pensei naquela querida mãe que entrou em pânico. Pegou o carro, colocou seus quatro filhinhos dentro dele e partiu em direção ao que julgava ser um lugar seguro. Mas uma grande árvore em chamas caiu diante do carro e, quando ela deu marcha a ré, outra árvore caiu atrás.
Ela tirou os quatro filhos do carro e fugiu, e a encontraram morta, com os braços ao redor dos quatro filhos. Impressionante.
É isso que Satanás faria com vocês. Ele trará uma tempestade tão grande que vocês entrarão em pânico e fugirão. A tragédia foi que a casa que ela havia deixado permaneceu intacta. Se tivesse ficado em casa, ela e seus filhos teriam sobrevivido.
Precisamos aprender esta lição. Satanás é muito astuto. Ele desenha imagens diante da nossa mente e é um mestre nisso. Usa nossa imaginação e a inflama até ficarmos tomados pelo pânico. Então recuamos, ou corremos para um lado, para outro, ou para qualquer direção.
Não façam isso. Essa não é a chave. A chave é: permaneçam firmes. Permaneçam no lugar que Deus lhes deu.
Qual é o lugar que Deus lhes deu? O Senhor Jesus. Aqui está a nossa fortaleza. Aqui está a nossa torre elevada. Aqui está o nosso abrigo profundo. Cada imagem do Senhor Jesus fala de cobertura, de proteção. A própria palavra expiação, em hebraico, significa cobertura.
Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo
À sombra do Onipotente descansará.
Qual é o esconderijo do Altíssimo? O Senhor Jesus. Onde Deus colocou vocês, se nasceram de Deus? Ele os libertou do poder das trevas e os transferiu para o reino do Seu Filho amado. Vocês têm uma nova posição. Essa posição é em Cristo.
É por isso que o Senhor Jesus disse:
Permanecei em Mim.
Permaneçam. Ele não disse: “Esforcem-se para entrar” ou “Lutem para entrar”. Disse: “Permaneçam. Habitem. Fiquem onde Deus os posicionou”.
É por isso que essa carta extraordinária termina falando de permanecer firmes em toda a armadura de Deus e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Não se trata apenas do Senhor Jesus; trata-se do Senhor Jesus e de Sua obra consumada. Estivemos considerando isso nesta manhã, à mesa do Senhor. É a obra consumada do Senhor Jesus — completa, absoluta.
Quando o Senhor Jesus concluiu aquela obra no Calvário, Ele tomou os poderes das trevas e os deixou completamente enredados. Ele os prendeu. Ele os paralisou.
Vocês não acreditam em mim? Lembrem-se da maravilhosa palavra de Hebreus 2:14:
Por meio da morte, Ele reduziu a nada aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo.
Não é uma palavra maravilhosa? Vocês creem nisso? Creem mesmo?
O Senhor Jesus, por meio da morte, reduziu a nada aquele que tem o poder, ou a autoridade, da morte. Esse é o diabo. Acho isso extraordinário. Não sou matemático, mas sei de uma coisa: zero é zero; nada é nada. Não importa quantas vezes vocês multipliquem o nada — o resultado é nada.
Vocês realmente creem que Satanás, todo o seu poder, cada arma que possui, cada possibilidade de derrotá-los — tudo o que está em seu arsenal — está paralisado e neutralizado pela obra consumada do Senhor Jesus? Vocês creem no Livro?
É fácil cantar a respeito disso. É fácil orar. Mas é outra coisa quando enfrentamos problemas, quando parece que todo o inferno foi solto, quando parece que tudo em que tocamos é demoníaco.
São essas as passagens das Escrituras sobre as quais falávamos ontem à noite, a respeito da espada do Espírito. Quando Satanás está rugindo ao redor de vocês como um leão — faminto, esfomeado, à espera de uma refeição —, aqui está uma palavra maravilhosa. Não o provoquem, mas aqui está a sua segurança absoluta.
Vocês podem dizer: “Senhor Jesus, estou em Ti e, por meio da Tua obra consumada, Tu reduziste a nada este leão que está rugindo ao meu redor, à espera de uma refeição”.
Às vezes as pessoas me dizem: “Ele não tem dentes”. Não acho isso. Acho que ele tem muitos dentes e muita fome, mas está neutralizado. Não consegue fazer o que pretende.
Quando eu era menino, tornei-me o santo protetor dos melros na casa onde morava, em Richmond, na Inglaterra. Aqueles melros travessos criavam uma ninhada após a outra e me consideravam seu santo guardião.
As mães vinham, pousavam na janela do meu quarto e gritavam como se o mundo estivesse acabando, até que eu me levantasse e saísse. Havia um gato dormindo debaixo da árvore, com um olho aberto, esperando que algum filhotinho caísse para fazer uma boa refeição. Por isso, eu estava sempre resgatando os filhotes.
Nunca me esqueci de um gato malvado. Minha mãe o chamava de Willem. Era um gato grande, preto e branco, de pelo comprido, com um apetite feroz. Certo dia, ele subiu ao meu quarto e se sentou na janela enquanto eu tentava ler.
Ouvi um som que só posso descrever como um bater de dentes. O pássaro estava do lado de fora da janela, e o gato queria uma refeição, mas não conseguia alcançar o pássaro porque havia um vidro entre os dois. Os dentes dele realmente batiam de fome ao pensar em uma refeição tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.
É exatamente assim que Satanás fica quando se aproxima de vocês — se vocês permanecerem onde Deus os colocou. É a graça do Senhor que se interpõe entre vocês e Satanás. Quando vocês se lembram da obra consumada e completa do Senhor Jesus, toda obra das trevas está neutralizada.
Que posição! Não é de admirar que Paulo tenha dito que essa é a chave. Se a igreja em Éfeso não aprender a permanecer firme em toda a armadura de Deus, perderá tudo. Se não aprender a resistir no dia mau, perderá muito.
Conhecemos a história de Éfeso. Sabemos que abandonaram seu primeiro amor. Sabemos que a vida da igreja se tornou mais exterior. Conhecemos a história dessas igrejas, registrada na palavra — obras extraordinárias de Deus, plantadas pelo próprio Senhor, edificadas pelo Espírito Santo —, e elas perderam tudo.
O melhor exemplo, é claro, é Laodiceia. A maioria das pessoas pensa na igreja de Laodiceia como algum tipo de igreja nominal, institucional, tradicional, denominacional. Não era nada disso.
Era uma igreja maravilhosa em um dos centros médicos de toda aquela região — próspera, sofisticada, instruída. Eles tinham a mesa do Senhor. Tinham estudos bíblicos, não tenho dúvida. Tinham reuniões evangelísticas, não tenho dúvida. Criam em sua Bíblia. Cantavam os salmos e os cânticos.
Não faziam ideia de que o Senhor Jesus estava do lado de fora de tudo aquilo. Uma igreja evangélica — verdadeira, sincera. Achavam que estavam vestidos, que eram ricos e que não precisavam de nada, e o Senhor os descreveu como miseráveis, cegos e nus.
Ele estava de fato do lado de fora, batendo à porta. Creio que a palavra mais dolorosa do Senhor Jesus já registrada na Bíblia seja esta:
Se alguém ouvir a Minha voz.
Não consigo acreditar: uma igreja de pessoas convertidas, nascidas de novo, e o Senhor diz:
Se alguém ouvir a Minha voz.
Vocês acham que isso poderia acontecer com vocês?
Se examinarmos a história da igreja, isso aconteceu repetidas e repetidas vezes. É por isso que o apóstolo disse:
Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais permanecer firmes contra as ciladas do diabo.
Acho realmente maravilhoso que vocês tenham essas passagens das Escrituras que se tornam a espada do Espírito e que podem usar. Não importa qual seja a situação. Quando o Espírito Santo toma Sua palavra e a aplica a uma determinada situação — pessoal, familiar, nos negócios, na vida cotidiana, na igreja ou na obra do Senhor —, isso é algo extraordinário.
Aqui está outra passagem sobre a qual frequentemente me firmo: Colossenses 2:15.
Tendo despojado os principados e as potestades, Ele os expôs publicamente, triunfando sobre eles nela.
Gosto da tradução de Conybeare e Howson:
Ele despiu completamente os principados e as potestades, expondo-os publicamente, triunfando sobre eles em Sua cruz.
Gosto muito disso.
Isso significa que, por meio da cruz do Senhor Jesus, por meio da obra consumada do Salvador, Ele despiu completamente os principados e as potestades.
Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.
Isso é um conto de fadas ou é verdade? Significa que nós, embora sejamos criaturas do tempo e dos sentidos, realmente vivemos em um mundo espiritual — que o mundo invisível ao nosso redor, que graças a Deus não podemos ver, está cheio de seres espirituais?
É exatamente isso que o apóstolo Paulo diz. Onde há uma reunião de oração que tenha alguma compreensão desse tipo de coisa? Não quero que vocês comecem a provocar o diabo, a insultá-lo ou a tratá-lo com desprezo. Já vi isso repetidas vezes, e vi o que acontece com as pessoas que fazem isso.
Vocês não podem fazer isso. Sua segurança está no testemunho, não em tentar fazer Satanás parecer pequeno. Isso não funciona.
Sua vitória está na palavra do seu testemunho. Quando vocês dizem: “Senhor, Tu me salvaste, e estou absolutamente seguro em Ti”, Satanás sabe que isso é verdade. Aquele vidro se interpôs entre vocês e o inimigo.
Os dentes dele podem bater. Ele pode insultá-los e dizer o que fará com vocês, de uma maneira ou de outra, mas não pode nem sequer tocá-los sem a permissão de Deus.
O que estou dizendo sobre resistir, tomar a espada do Espírito e orar no Espírito não significa apenas falar em línguas. Eu mesmo não tenho problema algum com as línguas — nenhum mesmo. Não creio que tenham desaparecido com o fechamento do cânon das Escrituras; elas reapareceram em muitos momentos da história da igreja.
Mas orar no Espírito em todo tempo não significa apenas falar em línguas. Significa orar sob o governo do Espírito Santo, no poder do Espírito Santo, sob a unção do Espírito Santo e com a graça perseverante do Espírito Santo, até que a questão seja resolvida.
Isso é orar no Espírito. As línguas podem fazer parte disso, mas, em certo sentido, esse não é o ponto decisivo. O que é essencial nesse tipo de oração é estar sob o governo do Espírito Santo e seguir a unção do Espírito Santo.
Quando vocês têm um grupo de pessoas capaz de seguir a unção do Espírito de Deus em um tempo de oração, vocês chegam a algum lugar.
Com muita frequência, nas reuniões de oração, ouço alguma pessoa querida — muitas vezes uma irmã — levantar-se quando mal começamos e repreender Satanás. Não sei se é minha imaginação, mas sinto que ouço uma espécie de gargalhada satânica: “Quem ela pensa que é?”.
Quando vocês lidam com esse tipo de coisa, trata-se da oração da igreja. As chaves do reino, que representam a autoridade de maneira tão importante, não são dadas a Pedro nem ao papa; são dadas à igreja.
Mas vocês não podem simplesmente deixar qualquer pessoa pegar as chaves e sair abrindo e fechando assim. Isso traz problemas. Precisa acontecer por meio da oração conjunta, na qual aprendemos e chegamos a um ponto em que irmãos entre nós se unem em favor de toda a igreja e trancam alguma coisa.
Lembro-me muito bem de uma semana de oração e estudo bíblico em Jerusalém, anos atrás — pelo menos vinte e sete anos atrás. Naquela época, havia uma comunidade messiânica de língua hebraica em Jerusalém.
Durante aquele tempo de oração, o querido irmão Dennis Clark veio até mim e disse: “Irmão, você acha que poderíamos agir contra o islã?”. Todos nós havíamos dito que o islã em Jerusalém era como uma cobertura de bronze sobre toda a cidade.
Os períodos de oração haviam sido absolutamente maravilhosos — pessoas se movendo juntas sob a unção, não disparando coisas para todos os lados, mas realmente juntas. Dennis disse: “Acho que talvez tenhamos chegado a esse ponto”.
Por fim, os irmãos disseram às pessoas reunidas — cerca de duzentas: “Vamos todos nos levantar. A primeira coisa que faremos será nos esconder no Senhor e ter absoluta certeza de que estamos ali. Depois, vamos orar juntos. Vamos girar a chave sobre o islã em Jerusalém”.
E assim fizemos. Algo aconteceu na atmosfera. Mais tarde, uma querida irmã me disse: “Foi naquele dia que alguma coisa aconteceu”. Hoje há quatorze congregações de língua hebraica em Jerusalém.
Não importava o que os missionários ou qualquer outra pessoa fizessem, nada acontecia até que a chave fosse girada. Quando a chave foi girada, algo se rompeu. Como a querida irmã Florence me disse: “Foi como se os céus se abrissem”.
Esse é outro tipo de batalha em oração. Qual é o seu objetivo final? O objetivo não é apenas que sejamos salvos ou convertidos. O objetivo é que a casa de Deus seja edificada, que a noiva se prepare. O objetivo de tudo isso tem a ver com o propósito de Deus.
É extraordinário.
Nenhum crente, individualmente, pode enfrentar esses principados e potestades, esses dominadores das trevas, ou mesmo hostes de espíritos malignos nas regiões celestiais. Para isso, é necessária a oração da igreja. Precisamos aprender a estar juntos.
Às vezes as pessoas me dizem: “Ensine-nos a orar”. Não se pode ensinar as pessoas a orar. A oração é uma doença — você pega.
Quando vocês estão na presença de pessoas que sabem orar, quase espontaneamente são contagiados.
Aprendi isso na primeira vez em que vi o pastor da minha igreja batista, um jogador de rúgbi grande e forte, ajoelhado no chão de madeira todas as segundas-feiras à noite, durante uma hora e meia. Algo me contagiou: a devoção daquele irmão, sua dedicação de todo o coração e sua compreensão de que a oração muda as coisas.
Havia também outras pessoas naquela mesma igreja batista — muito denominacional, devo dizer — que tiveram influência sobre mim. Mas foi no Egito que realmente conheci pessoas que sabiam orar: a tia Kathleen e a tia Lillian Smith. Elas eram incríveis.
Eu as ouvia orar. Nunca recebi ensino; simplesmente peguei. Elas usavam a Bíblia na oração de maneira tão espontânea e natural. Para mim, era impressionante que todo o Oriente Médio parecesse ser governado a partir daquele pequeno e peculiar apartamento na rua principal de Porto Said.
Um dia, elas me convidaram a juntar-me a elas. Ajoelharam-se para orar, e uma disse à outra: “Vamos contar ao Lance qual é o problema?”. Contaram-me algo relacionado a Argel e depois disseram: “E agora, o que vamos fazer? Você tem alguma passagem das Escrituras?”.
A tia Kathleen olhou para a tia Lillian e disse: “Sim, tenho um versículo em Obadias”. Fiquei perplexo. Pensei: “Acho que nunca li Obadias. Como um versículo em Obadias pode ter alguma coisa a ver com Argel?”.
Mas as duas disseram: “É isso”. Para mim, elas eram como pessoas operando um canhão, virando-o e disparando. Então uma dizia: “Você acha que chegamos lá?”. A outra respondia: “Ainda não”. E voltavam à oração.
Então, de repente, uma delas começou a louvar o Senhor, depois a outra também louvou, e naquela noite veio um telefonema de Argel: “Está tudo resolvido”. “Sim”, disseram elas, “nós sabíamos. Já sabíamos nesta manhã”.
Então pensei: “Eu participei disso?”. Foi ali que peguei essa infecção. Nunca mais fui o mesmo.
A oração não se ensina. Pega-se por contágio.
Que o Senhor nos abençoe. Que Ele nos ensine a permanecer firmes em toda a armadura de Deus, a revestir-nos de toda essa armadura e a resistir no dia mau; e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
Que o Senhor realmente fale conosco e nos ensine. E, seja o que for que esteja por vir para este país e este estado, que o Senhor nos ensine a alcançar essas situações em oração, por amor ao Seu nome.
Obrigado.