Que coisa maravilhosa.
Ao começarmos o estudo da Palavra de Deus, quero lembrar a vocês — e ao meu próprio coração — aquele princípio de estudo bíblico que é absolutamente indispensável: a dependência total do Espírito Santo de Deus.
Somente Deus pode revelar Deus. Ele tem prazer em fazê-lo. Ele prometeu que o faria. Ele deseja muito mais Se mostrar do que qualquer pessoa nesta sala deseja vê-Lo. Ele nos deu Sua Palavra, colocou Seu Espírito Santo em nosso coração e deseja Se revelar.
Antes de examinarmos juntos a Palavra, quero compartilhar um versículo bíblico e depois orar. É do livro de Atos — Atos 20.
Vocês se lembram da história de Êutico? Êutico era aquele irmão que estava sentado no parapeito de uma janela, ouvindo o apóstolo Paulo. Então, quando Paulo chegou mais ou menos à metade da mensagem, ele caiu para trás, pela janela, e morreu. Caiu de uma altura de três andares e morreu.
Então o apóstolo Paulo desceu e, pelo poder de Deus, o ressuscitou dentre os mortos, para que ele pudesse ouvir o restante da mensagem.
Bem, essa passagem ensina muitas coisas. Não acho que Deus a tenha registrado para Se manifestar contra pregadores que falam demais, nem para falar de preguiçosos que adormecem. Mas creio que uma grande verdade que podemos extrair dessa passagem é esta: se eu quiser ouvir a mensagem completa, preciso do milagre da ressurreição.
E, se vocês quiserem ouvir a mensagem completa do Senhor, também precisam do milagre da ressurreição. Ele quer nos dar essa mesma vida de ressurreição nesta tarde, para que possa nos comunicar tudo o que está em Seu coração, Sua mensagem completa. Então vamos nos curvar juntos e confiar que Ele fará isso por nós. Depois examinaremos juntos Sua Palavra.
Nosso Pai celestial, nós Te agradecemos tanto porque Tu não nos deixaste por nossa própria conta ao nos aproximarmos do estudo deste Livro precioso, ao nos aproximarmos de um tema tão grandioso como a filiação.
Tu colocaste em nosso coração um Mestre da Bíblia: a própria vida de Deus, o Espírito Santo, que nos capacita a clamar: “Aba, Pai”. Como bendizemos Teu nome por esse querido Espírito, Cujo prazer e ministério são lançar luz sobre nosso Senhor Jesus, retirar o véu e mostrá-Lo a nós.
Ainda nesta tarde, pedimos que faças isso por nós. Vivifica nosso coração, nós Te pedimos. Faze por nós o que fizeste um dia por Lídia: abre nosso coração para que seja receptivo ao Senhor Jesus.
Nós Te agradecemos, Senhor, porque Tu estás fazendo isso agora e continuarás a fazê-lo. Entregamos a Ti este breve encontro. Pedimos que Te manifestes ao nosso coração e, então, nos concedas graça para nos apropriarmos dessa revelação à medida que Te mostrares.
Oramos no nome incomparável de nosso Senhor Jesus. Amém.
Bem, é meu privilégio, neste fim de semana, participar deste tema maravilhoso. Como já ouvimos alguns dos irmãos, eles vão acompanhar esse tema glorioso até sua gloriosa conclusão. A partir de Efésios 1, Romanos 8, Gálatas e outras passagens, acompanharão esse tema até que a filiação seja vista em seu pleno florescimento, em seu fruto final e em sua maturidade.
A filiação é maravilhosa em todas as suas etapas. Mas sua consumação — quem pode compreendê-la plenamente? Aquela etapa de que o apóstolo Paulo fala, em que a criação geme em expectativa, esperando, ansiando, aguardando ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus: a redenção do nosso corpo.
É nessa etapa que nosso Senhor Jesus terá Seu propósito eterno cumprido e realizado para sempre; em que Cristo será manifestado em Seu povo, como Dana compartilhou conosco ontem à noite; e em que essa luz irradiará através da Nova Jerusalém. Um tema maravilhoso, maravilhoso, especialmente em sua consumação.
Mas ele também é maravilhoso em seu início. É meu privilégio colocar isso diante do coração de vocês e do meu próprio coração. Gostaria de examinar a filiação em sua etapa mais inicial: no princípio, bem no começo, exatamente quando ela começa.
Deixarei o desenvolvimento desse grande tema para os outros irmãos, que beberam tão profundamente da verdade de Deus e da presença do Senhor. Vou voltar bem, bem atrás, e examinaremos o mais básico de todos os princípios relativos à filiação.
Mesmo no início, ela é maravilhosa. É maravilhosa no fim; mesmo no início, é maravilhosa.
Tenho um querido amigo cristão lá em Newport, Rhode Island. Deus fez uma obra maravilhosa em seu coração. Esse amigo tem limitações sérias. Todos nós temos limitações, mas esse irmão tem limitações sérias. Digamos apenas que ele tem dificuldades acadêmicas.
Um dia, ele veio até mim e disse: “Ed, você pode orar por mim?”
“Pelo que devo orar?”
Ele disse: “Peça a Deus que me deixe ganhar na loteria”.
Eu disse: “Você comprou um bilhete?”
Ele disse: “Não. Eu nunca faria isso”.
Eu disse: “Então como você acha que pode ganhar na loteria?”
Ele disse: “Por um milagre. Deus pode fazer um milagre”. Essa é a fé simples dele.
Eu disse: “Se você ganhasse, quanto ganharia?”
Ele disse: “Ouvi no rádio: 130 milhões de dólares”.
Eu disse: “Irmão, o que você faria com 130 milhões de dólares?” Nunca vou me esquecer da resposta dele.
Ele disse: “Eu daria esse valor como entrada em um trailer”.
Esse irmão sonha em ter seu próprio trailer. E eu pensei: 130 milhões de dólares — como será esse trailer?
Sabem, lemos a respeito de uma herança. Nosso irmão se referiu a ela nesta manhã, em 1 Pedro: incorruptível, sem mácula e que não murcha, reservada nos céus para vocês. Mas também lemos a respeito de uma entrada, de um penhor.
Ouçam, por favor, enquanto cito Efésios 1:13-14:
NEle também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo também crido nEle, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;
O Qual é o penhor da nossa herança, até a redenção da propriedade de Deus, para louvor da Sua glória.
Isso é mais do que centenas de dólares e centenas de milhões de dólares. O Espírito Santo de Deus, a própria vida de Deus, nos é dado para habitar em nós. Somos abençoados com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo Jesus.
E isso é a entrada. Isso não é a herança. É uma antecipação. É apenas o começo, o penhor.
Assim, embora me caiba compartilhar algumas verdades sobre a filiação em seu início — no começo, ainda não desenvolvida, não em sua plena medida —, não vou ficar com o irmão Hail naquela montanha, olhando para o futuro. Meu coração vibra, mas minha cabeça gira.
Fico feliz porque os irmãos me deram liberdade para acompanhar esse tema e compartilhar aquilo com que consigo lidar. Vou lhes dizer: mesmo no início, isso vai tirar o fôlego de vocês. Mesmo em sua etapa mais inicial, essa verdade maravilhosa é magnífica.
Que Deus nos dê graça. Usarei Gálatas 3 e 4 como meu texto principal, especialmente a alegoria de Gálatas 4:21-31.
O apóstolo Paulo estava falando sobre a filiação e pensou em uma ilustração do Antigo Testamento que o ajudaria a comunicar essa verdade. Gostaria de usar a ilustração dele. Se Paulo achou que essa ilustração ajudaria a transmitir a verdade da filiação, talvez ela também nos ajude.
Como essa ilustração vem do Antigo Testamento, também farei referência ao relato histórico de Gênesis. Creio que lhes darei tempo para encontrar as passagens; mas, como isso abrange muita coisa, acho que simplesmente farei referência às passagens e contarei a história com minhas próprias palavras. Creio que vocês conseguirão acompanhar a sequência enquanto a examinamos.
Agora, comecem, por favor, em Gálatas 3. Quero destacar a ilustração de Paulo.
Gálatas 3:16 diz:
Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas; mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.
Depois, Gálatas 3:29:
E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa.
Mais uma vez: Abraão. E então Gálatas 4:21-22:
Dizei-me, vós que quereis estar debaixo da lei: não ouvis a lei?
Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da serva e outro da livre.
Acho que isso basta para mostrar que a ilustração de Paulo é Abraão. Ele vai usar a história redentora de Abraão para apresentar as primeiras etapas desse tema maravilhoso: a filiação.
Sua mensagem parece girar em torno de Gálatas 4:22:
Está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre.
A história trata de Abraão, de suas duas mulheres — Sara e Agar — e dos dois filhos, Ismael e Isaque. Seu argumento fica claro em Gálatas 4:24:
Essas coisas contêm uma alegoria: porque essas mulheres são duas alianças.
Como vocês sabem, Sara é a ilustração que Deus dá da aliança da graça, da promessa, daquilo que Deus faz — o sobrenatural. Agar é a ilustração que Deus dá da aliança das obras, ou da lei, ou daquilo que o homem faz.
Quando Abraão se uniu a Agar, a aliança das obras, produziu um tipo de fruto — um tipo de filho. Quando Abraão se uniu a Sara, que representa a aliança da graça, produziu outro tipo de filho.
Essas são as duas possibilidades. Posso viver como Abraão viveu e me relacionar com Agar, e o fruto dessa união sempre será Ismael. Ou posso viver como Abraão viveu e me relacionar com Sara, e o fruto dessa união sempre será Isaque.
Quando Paulo escreveu isso, muitos dos cristãos da Galácia não estavam vivendo à altura de sua herança em Cristo. Eram cristãos, mas os judaizantes e aqueles que traziam um espírito legalista haviam se infiltrado entre eles. Muitos estavam tentando acrescentar algo ao Senhor Jesus: Jesus mais alguma coisa, não somente Jesus.
Eles sabiam muito pouco sobre a verdadeira liberdade para a qual Deus os havia chamado. Basicamente, Paulo está dizendo aos gálatas: “Vocês, cristãos, estão agindo como crianças. Estão fazendo o que Abraão fez: estão se relacionando com Agar, e vejam o fruto na vida de vocês”.
“Vocês deveriam crescer e ser filhos, e fazer o que Abraão finalmente aprendeu a fazer: relacionar-se com Sara depois de um poderoso milagre de Deus, e observar o fruto que podem produzir.”
Agora, não estou me concentrando na gloriosa consumação da filiação. Nem sequer estou me concentrando no processo pelo qual Deus está nos conduzindo à filiação. Como nosso irmão compartilhou nesta manhã, isso é um processo. Há crescimento.
Mas gostaria que examinássemos, com a ajuda de Deus, o próprio início — o ponto de partida. Há uma transição entre ser criança e tornar-se filho. É isso que quero examinar. Pela graça de Deus, quero enxergar essa transição.
Se vocês olharem Gálatas 4:1:
Digo, pois, que, enquanto o herdeiro é criança, em nada difere de um escravo, embora seja senhor de tudo.
Esse versículo ensina claramente que há cristãos, filhos de Deus, que vivem como escravos. Isso está claramente declarado ali. Não queremos viver dessa maneira. Queremos deixar de ser crianças.
Oro para que, neste fim de semana, ao contemplarmos esse tema maravilhoso, Deus coloque em nosso coração um desejo ardente: “Não quero mais ser criança. Pela graça de Deus, quero entrar na filiação”.
Como posso sair disso? Como termina a infantilidade — esse tipo errado de ser criança? Como posso passar disso para a filiação? É tão frustrante viver como escravo quando você sabe para o que Deus o chamou.
Falar de liberdade e não ter liberdade; falar de vencer e não conseguir vencer; falar de vitória e não ter vitória; ter palavras sobre paz, alegria e descanso, e não desfrutar de fato dessas coisas.
Há tanto que poderíamos dizer sobre essa etapa infantil, mas quero chegar diretamente ao fim dela e perguntar: “Como se fecha a porta para isso? Como isso termina? E, então, como começa aquilo?”
É um processo, mas até o processo precisa começar em algum lugar. Como ele começa? É isso que queremos examinar: como começa?
Graças a Deus, alguns desses irmãos vão nos falar sobre o processo: como ele se desenvolve, como podemos crescer e amadurecer, prosseguir na filiação e nos tornar cada vez mais semelhantes ao nosso Senhor Jesus. Mas quero saber: como aquilo termina? Não quero mais ser criança. E quero saber como isto começa, para que eu possa começar a ser o filho que Deus, desde a eternidade passada, me predestinou a ser.
Estamos procurando chegar a Gálatas 4:7:
Assim, já não és escravo, mas filho; e, se és filho, também és herdeiro por meio de Deus.
É aí que queremos estar. Como deixamos uma condição e começamos a outra?
Para aqueles que gostam de uma conexão lógica, nesta tarde, com a ajuda de Deus, examinaremos essa primeira parte: como chego ao fim disso? Qual é a grande revelação que Deus dá e que inicia essa transição da infância para a filiação?
Depois, se o Senhor quiser, em nossa próxima lição, gostaria de mostrar como a filiação começa. Seu progresso é um assunto à parte. Você cresce na filiação, mas entra na filiação por um passo. Quero examinar esse passo. Depois que você dá esse passo, o processo começa.
Chamei a primeira lição de “Crianças em escravidão”, com base na parte inicial de Gálatas 4; e a segunda, de “Filhos libertos”. Que Deus, então, nos dê luz.
Vamos examinar, então, o fim da vida como crianças, para que possamos começar a viver como filhos de Deus. Acho que agora faria mais sentido se eu simplesmente fizesse o que Paulo fez e voltasse um pouco à história.
Para a maioria de vocês, tenho certeza de que esses fatos serão apenas uma revisão da história de Abraão. Não vou lhes contar nada novo. Tenho certeza de que já ouviram isso muitas, muitas vezes. Mas talvez seja novo para alguns; por isso, tenham paciência comigo, para que todos possamos avançar juntos, com o mesmo entendimento.
A história realmente começa em Gênesis 12, logo depois que Deus Se revelou a Abraão. No início, vemos que Deus está nos mostrando um homem que creu em Deus, e Deus lhe creditou isso como justiça.
Como nosso irmão disse nesta manhã sobre o apóstolo Paulo em Romanos 7, aquele “eu” e aquele “me” ali não são o ego rebelde, o “eu” orgulhoso que diz: “Quero fazer as coisas do meu jeito”. Não é nada disso. Paulo amava o Senhor. Amava a vontade de Deus. Odiava o pecado, mas não conseguia realizar o bem. Isso é Romanos 7.
Quando chegamos a Abraão, quero que comecemos sabendo isto: estamos olhando para um homem que não é rebelde, não está desviado, não é obstinado em fazer a própria vontade, não está apegado de maneira doentia às riquezas e não está tentando viver para este mundo.
Ele é peregrino em seu coração. Quer a vontade de Deus. Não quer viver para a carne. No mais profundo de seu coração, quer seguir o Senhor, mas não sabe como.
Nesse ponto, ele não sabe como. Deus vai ensiná-lo, trabalhar em sua vida e organizar as circunstâncias para lhe ensinar uma verdade com dois aspectos. Você precisa conhecer essa verdade. Nunca sairá da infância — eu nunca sairei da infância — se Deus não mostrar essas duas coisas.
Logo no início do relato, Deus havia dito a Abraão que ele seria abençoado e que, por meio de sua descendência, o mundo seria abençoado. Em Gênesis 12:10, lemos que houve fome na terra.
Tenho quase certeza de que Abraão pisou na bola nesse ponto. Vocês conhecem a história. Deus começaria a revelar a Abraão seu próprio coração. Sabemos que ele errou aqui porque essa é a história em que mentiu sobre sua mulher. Disse que ela era sua irmã e a colocou em uma situação grave, possivelmente uma situação em que ela seria violada.
Abraão não confiou em Deus naquele momento. A fome era uma prova, e ele não passou na prova. Confiou em um plano que ele e Sara haviam combinado e, no fim, foi mandado embora em desonra. Mas, quando foi mandado embora em desonra, também foi mandado embora rico em bens deste mundo.
Ouçam Gênesis 12:15-20:
E os príncipes de Faraó a viram e a elogiaram diante de Faraó; e a mulher foi levada para a casa de Faraó.
E ele tratou bem a Abrão por causa dela; e ele teve ovelhas, bois, jumentos, servos, servas, jumentas e camelos.
E o Senhor feriu Faraó e sua casa com grandes pragas por causa de Sarai, mulher de Abrão.
E Faraó chamou Abrão e disse: Que é isto que me fizeste? Por que não me disseste que ela era tua mulher?
Por que disseste: É minha irmã? Assim a tomei por mulher; agora, pois, eis a tua mulher: toma-a e vai-te.
E Faraó deu ordens aos seus homens a respeito dele; e eles o acompanharam em sua partida, a ele, à sua mulher e a tudo o que tinha.
Então ele saiu do Egito, mas saiu muito rico. Observem Gênesis 12:16: entre as coisas que levou consigo estavam servas.
Descobrimos mais tarde que uma dessas servas tinha um nome, e seu nome era Agar. Ele adquiriu Agar quando estava fora da vontade do Senhor. Dez anos depois, Abraão teve problemas com Agar.
Creio que devemos ter muito cuidado com aquilo que adquirimos quando estamos fora da vontade do Senhor. Essa coisa pode se levantar dez anos depois e nos morder. Não sei como aplicar isso a todos os casos, mas vejo aqui uma grande advertência.
A história de Abraão e de sua união com Agar, que resultou no nascimento de um filho escravo, gira em torno de duas verdades. Se você não compreender essas duas verdades, continuará sendo criança até compreendê-las.
Primeira: a promessa de Deus. Essa é a primeira verdade — a promessa de uma descendência, a promessa de uma descendência sobrenatural. Deus deu essa promessa a Abraão pela primeira vez quando ele tinha setenta e cinco anos. Segundo Gênesis 17:17, Sara era dez anos mais nova que Abraão, o que significa que tinha sessenta e cinco anos quando Deus deu essa promessa.
Deus não falou tudo de uma vez. Deus não simplesmente despejou Sua verdade sobre Abraão. Começou a comunicá-la aos poucos. Deu-lhe um pouco de luz, e era tudo o que Abraão tinha. Passaram-se meses, e Ele falou novamente, dando-lhe um pouco mais. Depois passou-se um ano, e Ele lhe deu um pouco mais.
Deus fala cinco vezes com Abraão. A primeira vez está em Gênesis 12:7, e tudo o que ele realmente aprende é: “Você terá uma descendência. Essa descendência se tornará uma nação. Todos serão abençoados por causa dessa descendência”. Mas é só isso que ele sabe.
Em Gênesis 12:7, Deus fala uma segunda vez e diz: “Acrescente a isso: você receberá uma terra”. Ele começa a lhe falar sobre a terra.
Deus fala uma terceira vez em Gênesis 13:16-18. Dessa vez, Ele diz: “Sua descendência será como o pó da terra”. Essa será a quantidade. Se você puder contar o pó, saberá quantos descendentes haverá.
Deus fala uma quarta vez, e dessa vez Abraão aprende algo muito importante. Em Gênesis 15:3-6, Deus lhe diz: “Você será o pai”. Ele ainda não sabe quem será a mãe.
Deus comunicou Sua verdade aos poucos ao longo de dez anos. Aos setenta e cinco anos, Abraão foi informado de que teria uma descendência; ela se tornaria uma nação; o mundo inteiro seria abençoado por meio dela; ele teria uma terra; e seria o pai. Isso é tudo o que ele sabe.
Agora Deus não falará novamente por mais quinze anos. Durante todo esse tempo, Deus está organizando as circunstâncias de Abraão para que ele chegue ao fim de sua infantilidade — do tipo errado — e se torne filho.
Queremos examinar a história de Abraão e Agar à luz dessa promessa maravilhosa. Mal sabiam eles, quando esperaram dez anos e nada aconteceu, que ainda não haviam chegado à metade do caminho. Achavam que eram pacientes: “Esperamos em Deus por dez anos”. Dez anos é muito tempo. Vinte e cinco anos é mais. É apenas matemática.
Esta é uma história sobre paciência e sobre a paciência da fé. Não pense que a paciência surge naturalmente. É um poderoso milagre de Deus.
Meu versículo favorito sobre paciência — por enquanto — é a oração que Paulo fez em Colossenses 1:11. É fácil de lembrar: Colossenses 1:11.
Fortalecidos com todo poder, segundo a força da Sua glória, para toda perseverança e longanimidade, com alegria.
Para que você precisa de todo o poder de Deus, segundo toda a Sua força gloriosa? Para alcançar perseverança e paciência. É disso que você precisa para ter paciência. É disso que eu preciso, e era disso que Abraão e Sara também precisavam.
Deus havia prometido um filho a Abraão e Sara. É claro que, quando falamos de Isaque no sentido plenamente desenvolvido, Ele está falando de Cristo. A figura é Isaque, mas Ele está falando de dar Cristo ao mundo. Essa é a grande promessa.
Essa é a primeira verdade: você precisa ver que Deus deve fazê-lo por aliança. É a promessa de Deus.
Aqui está a segunda verdade, e foi aqui que eles ficaram presos. É aqui que muitos cristãos ficam presos, e foi aqui que eu fiquei preso por sete longos anos: eles também precisavam ver o ventre estéril.
Não basta ver a promessa de Deus. Eles também precisam ver o ventre estéril. Gênesis 11:30:
Sarai era estéril; não tinha filhos.
Gênesis 16:2:
Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz.
Aqui está algo impressionante. Às vezes, simplesmente cremos na promessa de Deus: “Deus disse, eu creio, e isso encerra a questão. Basta reivindicar a promessa de Deus”. Você está indo bem — mas isso é apenas metade.
Graças a Deus se você consegue reivindicar a promessa de Deus. Mas é bom que também veja isto: Deus precisa fazer. Eu não posso fazer.
Esse é o elefante de que vocês estavam falando. Esse é o homem miserável. Essa é a erva do campo. Se você não enxergar isso, será criança para sempre.
A parte de Deus é cumprir Sua promessa. Minha parte é dizer que não posso fazer nada para ajudar. A tragédia dessa história é que a promessa ocupava um lugar muito grande aos olhos de Abraão e Sara. Era justamente aí que estava a diferença entre criança e filho: eles haviam abraçado a promessa de Deus.
Quando você pensa em crianças em Cristo, como encontramos em Coríntios, pensa naqueles que são carnais e vivem para este mundo, usando meios carnais para alcançar fins carnais. Mas não é isso que vemos aqui.
Eles estavam voltados para o Senhor. Queriam a vontade de Deus. Queriam a promessa de Deus. Não estavam usando meios carnais para alcançar fins carnais; estavam usando meios carnais para alcançar um fim espiritual.
Quando você usa meios carnais para alcançar um fim espiritual, produzirá filhos escravos. Isso é muito mais sutil. Eles estavam confiando em si mesmos para ajudar Deus.
Deixem-me percorrer essa história. Eles aceitaram a promessa de Deus. Amavam a promessa de Deus, mas tinham dificuldade com o ventre estéril. Por isso, continuavam tentando contornar o ventre estéril.
Mas Deus sempre tornará a Si mesmo indispensável. Ele nunca abrirá mão desse princípio. Não importa quanto tempo leve, nem quanto sejamos teimosos ou duros de cabeça, Deus continuará organizando nossa vida para tornar as coisas impossíveis, até que finalmente digamos: “Tu precisas fazer isso, Senhor. Eu não posso”.
Ele vai lhe mostrar que seu ventre é estéril. Essa é a parte com a qual eles tiveram tanta dificuldade.
Segundo Romanos 4:19:
E, sem enfraquecer na fé, considerou seu próprio corpo já como morto, tendo cerca de cem anos, e a condição morta do ventre de Sara.
O fato de Sara ser estéril não era coincidência. O fato de Deus esperar todos aqueles anos, até que eles envelhecessem e perdessem sua capacidade reprodutiva, não era coincidência. Era um plano deliberado.
Deus nos leva àquele lugar em que podemos clamar: “Miserável homem que eu sou!” Deus estava tornando a Si mesmo indispensável.
Por natureza, temos uma tendência tão forte a tentar ajudar Deus. Eles estavam sempre tentando ajudar o Senhor. Toda vez que tentamos ajudar Deus, fazemos isso da mesma maneira: tentamos substituir o sobrenatural pelo natural — o Espírito pela carne.
Recusamo-nos a crer que aquilo que Deus prometeu, Deus realizará.
Então Abraão apresenta esta sugestão. Em Gênesis 15:2-3, Abrão disse:
Ó Senhor Deus, que me darás, visto que continuo sem filhos, e o possuidor da minha casa é Eliézer de Damasco?
Eis que Tu não me deste descendência; e eis que um nascido em minha casa é meu herdeiro.
Isso parecia lógico para Abraão. “Tu prometeste que eu teria um filho. Isso não está acontecendo. Esperei muito tempo. Ainda não está acontecendo. Então devo ter entendido mal o que disseste. Tu deves ter querido dizer outra coisa.”
Mas Deus disse: “Não, não é Eliézer”. Então o levou para fora, mostrou-lhe as estrelas, renovou a promessa e encorajou seu coração.
Mesmo assim, ele não conseguia encarar a ideia de que Deus era indispensável e de que seu ventre era estéril. Então tentou novamente.
Gênesis 16:1-3 diz:
Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos; e ela tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.
E Sarai disse a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de dar à luz; entra, peço-te, à minha serva; talvez eu obtenha filhos por meio dela. E Abrão ouviu a voz de Sarai.
E Sarai, mulher de Abrão, tomou Agar, a egípcia, sua serva, depois de Abrão ter habitado dez anos na terra de Canaã, e a deu a Abrão, seu marido, por mulher.
Agar se tornou a solução de Abraão. Ele achava que a promessa de Deus o havia colocado em um aperto do qual não poderia sair a menos que ele mesmo ajudasse.
“Se Deus não aceita Eliézer de Damasco, seu servo fiel, talvez aceite o filho de uma mulher substituta.” Mais uma vez, recorreram à natureza para resolver a situação. “Deus precisa de ajuda, então vou tentar ajudá-Lo.”
Antes de sermos duros demais com Abraão e Sara, lembrem-se: quanto à luz que ele tinha, Deus ainda não lhe havia dito, naquele ponto, que Sara seria a mãe. Ele ainda não sabia disso. Portanto, não estava se rebelando nesse sentido.
Mas considerem como isso parece lógico e espiritual. Na verdade, se olharmos para Sara, parece ser um ato muito altruísta. Ela parecia ter em vista a promessa de Deus. Disse: “Deus prometeu que você teria um herdeiro, e eu estou no caminho. Sou estéril. Não consigo fazer isso. Talvez esta seja a solução de Deus”.
Ela fez essa proposta — que, na verdade, violentava o que há de mais profundo na condição feminina — de tomar Agar. Mas foi por amor, por desespero e em favor da vontade de Deus.
Aliás, fazendo um aparte, aqui também há uma grande advertência sobre a tentação que nos chega por meio de alguém amado — por meio da esposa, do marido, de alguém muito próximo, de um presbítero, de um amigo.
Parecia que Sara estava se sacrificando. Parecia tão espiritual. Não quero uma resposta em voz alta; não quero que respondam a esta pergunta retórica. Mas quantas vezes vocês ouviram ou disseram: “Esperamos pacientemente pelo Senhor. Deus não espera que façamos alguma coisa, que respondamos de algum modo?”
“A fé nem sempre é passiva; ela também é ativa. Deus é um Deus que usa meios. Ele espera que usemos a cabeça. Espera que façamos nossa parte. Deus não vai agir se ficarmos apenas sentados, esperando. Ele quer que ajamos, façamos, nos movamos, trabalhemos. Ele colocou coisas à nossa disposição.”
Você já disse isso? Já sentiu isso? Já ouviu outra pessoa dizer isso? Não parece a vontade de Deus?
Sara não estava usando meios carnais para alcançar um objetivo próprio; estava tentando fazer a vontade de Deus. Abraão não estava simplesmente indo para a cama com alguma prostituta para satisfazer a cobiça da carne. Não se tratava disso. Tratava-se de fazer a vontade de Deus.
Em seu coração, ele disse: “Deus prometeu, e quero obedecer a Deus. Creio na promessa de Deus”. Mas ainda não havia abraçado a verdade do ventre estéril. É isso que torna essa coisa tão sutil — tão próxima da verdade.
Tudo o que está próximo da verdade sem ser a verdade é mais perigoso. Isso é muito, muito perigoso. Eles ainda não haviam enxergado sua própria incapacidade.
O que Sara deveria ter dito era: “A natureza me falhou; portanto, somente o Senhor é meu único recurso. Confiarei no Senhor”. Mas, em vez disso, quando a natureza lhe falhou de uma forma, ela recorreu à natureza de outra forma para alcançar um fim espiritual.
Qual é a diferença entre a natureza em Sara e a natureza em Agar? Continua sendo carne.
Você diz: “Deus não quer que eu use a cabeça e faça o que é natural?” Não. Ele quer que você use a cabeça e faça o que é espiritual, não o que é natural. E o que é espiritual é confiar no Senhor. Isso é o espiritual.
Nosso irmão pediu desculpas nesta manhã por ser crítico, e eu vou pedir desculpas antecipadamente, mas vou ser crítico.
Sabem, parte o coração do povo de Deus ver cristãos usando meios carnais para alcançar um fim espiritual: meios carnais para financiar programas que chamamos de vontade de Deus; meios carnais para divulgar o evangelho, usando truques, sensacionalismo, dinâmicas de grupo e todo esse tipo de coisa.
Meios carnais para resolver problemas — correndo de um conselheiro para outro, e todo esse tipo de coisa. Meios carnais para ser espiritual.
“Vou ser espiritual. Vou ter meu momento devocional todos os dias.” Conversei com alguém, e ele me deu a dica de como ser espiritual: abrir mão da sobremesa.
Querem ser espirituais? Abram mão da sobremesa.
Um irmão veio me procurar — uma história muito triste. Ele estava profundamente escravizado à corrupção que habitava nele. Amava o Senhor, amava a vontade de Deus, mas não conseguia realizá-la.
Eu lhe disse: “Você se lançou sobre o Senhor, reconhecendo sua total incapacidade?”
Ele disse: “Sim, fiz isso. E vou jejuar por oito dias”.
Eu disse: “Você acha que isso vai ajudar?”
Ele disse: “Sim”.
Eu disse: “Então você não está reconhecendo sua total incapacidade. Se isso vai ajudar — se há algo que você acha que vai ajudar —, você não está reconhecendo sua total incapacidade”.
“Vou ser espiritual. Vou levantar cedo todas as manhãs e ter meu momento devocional das quatro e meia às seis.” Isso vai ajudar? Então você não está reconhecendo sua total incapacidade e está usando meios carnais para alcançar um fim espiritual.
Depois que Ismael nasceu, o problema não foi resolvido. Deus continuou tornando a Si mesmo indispensável, continuou organizando as coisas para que fossem impossíveis.
Em Gênesis 16, Agar concebe e então começa a zombar de Sara. Vocês se lembram desse relato. Não sei se ela zombava da esterilidade de Sara, se vangloriava de sua própria gravidez ou simplesmente usava sua condição para se esquivar de suas obrigações. Talvez se gabasse de estar gerando o herdeiro, ou insinuasse que Abraão a amava mais do que amava Sara. Não sei.
Sei que Provérbios 30 diz que há três coisas sob as quais a terra estremece, e uma delas é a serva quando toma o lugar de sua senhora. É isso que temos aqui.
Tudo o que sabemos é que Sara explodiu e expulsou Agar de casa. Não vou contar a história toda, mas a vida de Agar se tornou miserável. Quando fugiu, ela encontrou o Anjo do Senhor. Esse é o primeiro registro do Anjo do Senhor. Essa é a primeira mulher junto ao poço: Agar.
Ali, Deus — nosso Senhor Jesus — a encontrou. Se o Senhor quiser, vou relacionar isso com o assunto de amanhã, porque queremos chegar àquele ponto: “Lança fora a escrava e seu filho”. Mas alguns a expulsaram cedo demais.
Você precisa da escrava e de seu filho. Se expulsar a escrava cedo demais, Jesus a manda de volta. Foi isso que aconteceu aqui.
Entre as muitas coisas que o Anjo do Senhor disse a Agar naquele dia, Ele lhe deu a promessa de que ela também teria uma grande descendência: muitas gerações e nações.
Quando ela voltou, sei que contou isso a Abraão, porque Gênesis 16:15 diz que Abraão deu ao bebê o nome de Ismael. Como ele sabia que deveria fazer isso? Agar lhe contou.
Suponho que ela também lhe tenha contado: “Quando Jesus me encontrou, Ele me disse que terei uma descendência, e que ela será multiplicada como as estrelas”. Abraão teria entendido: “Ah, fizemos o certo. Essa é a descendência prometida. Foi exatamente o que Deus me disse, e agora Deus disse a você”.
Não leiam Gênesis 16:16 e Gênesis 17:1 depressa demais. Gênesis 16:16 diz que Abraão tinha oitenta e seis anos quando Agar deu à luz Ismael. Gênesis 17:1 diz que Abraão tinha noventa e nove anos quando o Senhor lhe apareceu.
Na prática, isso significa o seguinte: como tinha oitenta e seis anos quando seu bebê nasceu e noventa e nove quando Deus falou com ele, durante treze anos esteve firmemente estabelecido no engano: “Ismael é a descendência prometida. Fizemos a coisa certa”.
Não sei se ele percebeu que Deus havia parado de falar. Treze anos é muito tempo sem ouvir do céu. Eu morreria se Deus parasse de falar comigo. Eu iria querer morrer.
Não sei como Abraão lidou com isso, mas ele estava cada vez mais convencido de que o querido Ismael era a descendência prometida. Mas Deus não o deixará continuar nesse engano para sempre, e também não deixará você continuar nesse engano. Ele ama você demais para deixar que pense que pode fazer alguma coisa.
Ele o convencerá de que você tem um ventre estéril. Quando começar a ver a promessa de Deus e o ventre estéril, estará pronto para fechar a porta à infância, e estará muito perto da filiação. Ah, que Deus nos leve a esse lugar hoje.
Agora Deus vem a Abraão depois de treze anos. Ele fala novamente em Gênesis 17:15-16, e Abraão descobre pela primeira vez que Sara será a mãe.
Em outras palavras: “Você errou ao tentar Me ajudar a cumprir Minha promessa. Errou ao tentar contornar o ventre estéril. Errou ao pensar que o fruto da carne poderia Me satisfazer”.
“Durante treze anos e nove meses, você esteve errado — completamente errado. Os céus estiveram fechados para você durante todo esse tempo. Agora vou lhe dizer novamente a promessa. Veja se desta vez você entende, Abraão. Eu farei a promessa, e somente Eu posso cumpri-la. Você tem um ventre estéril. Você não pode fazer isso.”
Quando Deus fez isso, vocês sabem como Ele fez: deu vida àquele ventre morto pelo poderoso poder de Deus.
Quando Abraão ouviu que estivera errado durante treze anos — que Sara seria a mãe, embora seu ventre estivesse morto, e que Deus faria um milagre —, como ele respondeu?
Prostrou-se com o rosto em terra e deu graças, dizendo: “Finalmente, Senhor, eu Te louvo. Tu tornaste conhecida a Tua vontade. Bendito sejas, Deus, Tu me mostraste isso”?
Gênesis 17:17 diz:
Então Abraão caiu sobre o seu rosto, e riu, e disse em seu coração: A um homem de cem anos nascerá um filho? E dará à luz Sara, que tem noventa anos?
E Abraão disse a Deus: Oxalá viva Ismael diante de Ti!
Isso era resistência — uma resistência profundamente enraizada. Era uma queixa. Era a carne tentando tomar seu último fôlego: “Oxalá viva Ismael!”
Ele tinha tanta certeza de que Ismael era a descendência prometida. Durante treze anos, vivera nessa convicção: “Deus precisava da minha ajuda. Precisava da minha contribuição. Se eu quiser ser um filho de Deus, terei de ajudar”.
“Vai depender dos meus momentos devocionais, da minha mordomia, do meu estudo, de me reunir com os santos, do meu serviço, do meu ministério, disto ou daquilo que eu fizer.”
Abraão precisava enxergar que era um elefante e não podia voar. Deus arrancará de nós esse comportamento infantil. Ele continua colocando situações impossíveis diante de nós.
Abrão diz: “Eliézer, Senhor, que seja Eliézer”. Deus diz: “Não”. “Ismael, que seja Ismael.” Deus diz: “Não”. Será sobrenatural.
Quando Abraão se relacionou com Agar, ela gerou Ismael. De uma maneira distorcida, Ismael parece tudo, menos um escravo.
Gênesis 16:12 diz:
E ele será como um jumento selvagem entre os homens; sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará defronte de todos os seus irmãos.
Alguns chamariam isso de liberdade: independente, sem temer homem algum, indomável, governando a si mesmo, impaciente, ousado, sem precisar de ninguém, em guerra com todos os Isaques de Deus.
Para Agar, isso provavelmente soou como uma boa notícia, porque ela era escrava. “Ele será um homem como um jumento selvagem” significa: “Meu filho não vai crescer como escravo. Não vai levar desaforo de ninguém. Vai se sustentar sobre as próprias pernas”.
Jó descreve o jumento selvagem em Jó 39:5-8:
Quem deixou livre o jumento selvagem, ou quem soltou os laços do jumento veloz,
Ao qual dei o deserto por casa, e a terra salgada por morada?
Ele despreza o tumulto da cidade; não ouve os gritos do condutor.
A extensão dos montes é seu pasto, e anda à procura de tudo o que é verde.
Muitos cristãos pensam que são livres, mas não têm nada além da liberdade de Ismael. É a liberdade do jumento. Estão vivendo no deserto. Estão fazendo sua própria vontade. Estão separados do corpo; na verdade, estão em guerra com o corpo. Não servem a ninguém. Não estão debaixo de autoridade alguma.
Toda vez que tento ajudar Deus, necessariamente produzo um Ismael — um filho escravo. É o oposto do fruto do Espírito. Isso me torna mais confiante na carne. Coloca-me contra o corpo de Cristo. Torna-me arrogante, teimoso, independente, duro e incapaz de receber ensino.
Por mais espiritual que pareça ou por mais espiritual que soe, isso só produz filhos escravos.
Irmãos e irmãs em Cristo, precisamos ver que é somente Deus — a promessa de Deus. Mas também precisamos ver o ventre estéril.
Deixem-me encerrar com esta ilustração. Marcos 5.
Suponham que Jairo tivesse ouvido a palavra do Senhor Jesus:
Sua filha não está morta, mas dorme.
Então, de repente, ele dissesse: “Senhor, eu entendi. Eu entendi. Creio na Tua Palavra. Tu és o Deus todo-poderoso, e disseste que ela não está morta; está dormindo. Obrigado, Senhor Jesus. Vou embora agora mesmo porque tenho Tua promessa. Tu disseste, eu creio, e isso encerra a questão. Vou contar à minha esposa, e nós vamos subir e acordá-la”.
Imaginem Jairo e sua esposa com essa boa notícia. Eles têm a promessa. Olham para ela e, aos olhos da carne, ela parece morta. Está simplesmente deitada ali — pálida, imóvel. Mas ele crê em Deus.
“Deus disse que ela está apenas dormindo, e eu creio.” Jairo se aproxima, pega sua mão e diz:
Talita cumi; que, traduzido, significa: Menina, a ti te digo, levanta-te.
O que aconteceria?
Ele diz: “Bem, talvez precisemos dar um pequeno estímulo”. Ele a levanta e a põe de pé. O que aconteceria?
Então grita no ouvido dela: “Acorde! Sei que você está apenas dormindo. Jesus disse que você está apenas dormindo. Acorde, acorde, menina!” Depois a sacode. “Vamos, acorde, acorde. Querida, vá buscar água.” Ela busca água, e eles jogam água no rosto da menina.
Jesus fez a promessa, e somente Jesus pode cumpri-la. Jairo, não basta ter a promessa. Jairo precisa de Jesus para cumprir a promessa.
Romanos 7 — nosso irmão estava compartilhando sobre esse Paulo quando, finalmente, disse: “Você não precisa viver em Romanos 7, mas precisa passar por ele”. Romanos 7 está tão perto de Romanos 8 porque a infantilidade, no sentido errado, está tão perto da filiação. Romanos 7 e Romanos 8 estão bem juntos.
Como saio de Romanos 7 e entro em Romanos 8?
Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Você diz: “Ah, é tão difícil. Amo a Deus, odeio o pecado e não consigo realizar o bem. Que luta”. Deixem-me dizer, irmãos e irmãs em Cristo: é tão fácil sair da etapa de criança e entrar na filiação quanto sair de Romanos 7 e entrar em Romanos 8.
Como você sai? Dizendo: “Obrigado”. É assim que você sai.
Dou graças a Deus por Jesus Cristo.
É tão simples quanto dizer: “Obrigado”. Está tudo feito.
Toda essa ideia de que será uma luta, de que levará uma eternidade e de que nunca chegarei lá — há um processo depois que você começa, mas começar é um passo. Não é um processo.
A qualquer momento de sua vida, você pode ser o filho de Deus que Ele o redimiu e criou para ser. A qualquer momento da minha vida, posso ser o cristão que Deus quer que eu seja.
A qualquer momento de sua vida, você pode ser o marido que Deus quer que você seja. A qualquer momento de sua vida, pode ser a esposa que Deus quer que você seja. A qualquer momento de sua vida, pode ser o servo que Deus quer que você seja. A qualquer momento de sua vida, pode ser o irmão ou a irmã que Deus quer que você seja.
Aprenda a dizer: “Obrigado”. Estamos tão ocupados dizendo “Por favor”, pedindo a Deus que nos dê o que Ele já nos deu. Vamos aprender a dizer: “Obrigado”.
Saia de Romanos 7 e entre em Romanos 8. Deixemos que Ele abra nossos olhos. “Sim, vejo a promessa, mas também vejo o ventre estéril. O que Tu prometeste, Tu precisas realizar.”
Eu lhes prometo: se Deus fizer essa revelação raiar no coração de vocês, ouvirão uma porta se fechar com força para aquela velha vida e outra se abrir de par em par para a filiação e tudo o que ela significa.
Pai, muito obrigado por Tua Palavra — não pelo que pensamos que ela talvez signifique, mas por tudo o que Tu a inspiraste a significar. Opera isso em nosso coração, Senhor.
Sabemos que nosso ventre está morto. Não podemos fazer nada. Somos o elefante que não pode voar. Somos o homem miserável. Somos a erva que seca, a flor que murcha.
Mostra-nos, Senhor, como nunca vimos antes. Mostra-nos, para que possamos deixar esta vida de escravos — crianças em escravidão — e nos tornar filhos libertos.
Pedimos em nome de Jesus.