Vocês poderiam abrir comigo no Evangelho de João? Vamos começar no final de João 2 e ler até João 3:21. É uma história muito conhecida, que trata dessa questão do novo nascimento.
O título desta mensagem, o encargo que está em meu coração, foi simplesmente extraído da Versão Autorizada: “Necessário vos é nascer de novo.”
A maioria das pessoas não começa no final de João 2, mas creio que, à medida que avançarmos, vocês compreenderão melhor. Vamos começar em João 2:23.
E, estando Ele em Jerusalém, na Páscoa, durante a festa, muitos creram no Seu nome, vendo os sinais que Ele fazia.
Mas Jesus não Se confiava a eles, porque conhecia a todos;
e porque não necessitava de que alguém desse testemunho acerca do homem; pois Ele mesmo sabia o que havia no homem.Ora, havia um homem dos fariseus, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus;
este veio a Ele de noite e Lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele.Jesus respondeu e lhe disse: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Disse-Lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?
Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.
Não te maravilhes de Eu te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito.Nicodemos respondeu e Lhe disse: Como podem ser estas coisas?
Jesus respondeu e lhe disse: Tu és o mestre de Israel e não entendes estas coisas?
Em verdade, em verdade te digo: Nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos; e vós não recebeis o Nosso testemunho.
Se vos falei de coisas terrenas, e não credes, como crereis, se vos falar das celestiais?
E ninguém subiu ao céu, senão Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado;
para que todo aquele que crê tenha Nele a vida eterna.Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porque Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para julgar o mundo; mas para que o mundo fosse salvo por Ele.
Quem Nele crê não é julgado: quem não crê já está julgado, porquanto não creu no nome do Filho unigênito de Deus.
E este é o julgamento: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.
Porque todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.
Vamos orar.
Pai, devolvemos a Ti a Tua Palavra. Dizemos novamente, da mesma maneira que Pedro Te declarou naquele dia em que tantos ficaram escandalizados e tantos ficaram confusos, quando falaste a respeito do Teu corpo e do Teu sangue — aquilo que acabamos de celebrar:
Só Tu tens as palavras da vida eterna.
Senhor, essa é a posição que devemos sempre assumir quando nos aproximamos da Tua Palavra. Dependemos inteiramente de que o Espírito Santo fale e manifeste as coisas de Cristo, tornando-as vivas e reais.
Senhor, livra-nos de meras palestras. Concede-nos conhecer o que o Espírito diz às igrejas. Pois, juntos, pedimos isso naquele nome poderoso, naquele nome acima de todo nome, naquele nome: o Senhor Jesus. Amém.
Bem, acho que vocês sabem que este é o primeiro domingo do mês — ou deveriam saber; talvez alguém precise lhes dizer. No primeiro domingo do mês, estamos dando continuidade a uma série, uma série sobre os fundamentos.
Enquanto estávamos diante do Senhor, buscando discernimento em Sua presença, sentimos uma verdadeira necessidade de que os santos estivessem enraizados e fundamentados e conhecessem mais profundamente a Palavra de Deus; de que essa mesma Palavra, a respeito da qual o Senhor disse, se tornasse real para nós:
As Minhas palavras são espírito e são vida.
Assim, há apenas três meses, começamos uma série chamada Examinais as Escrituras, ou talvez Examinando as Escrituras, com o subtítulo Para crescer em Cristo. Este é o terceiro mês.
Estávamos considerando especialmente o relato de Atos sobre os crentes de Bereia: como receberam a Palavra com toda a disposição e não apenas a receberam, mas examinavam diariamente as Escrituras. Diariamente, consultavam a Palavra para ver se eram verdadeiras aquelas coisas que lhes haviam sido anunciadas.
O texto diz que eles eram mais nobres do que os de Tessalônica porque faziam isso. Esse é o legado deles. Não sabemos muito sobre os bereanos. Há apenas outra menção a Bereia nas Escrituras do Novo Testamento, a respeito de um homem que acompanhou Paulo em uma de suas viagens missionárias: fulano de Bereia. Essa é a única outra menção.
Mas eles deixaram um legado. Eles tinham, talvez tomando emprestada a palavra, uma reputação. Fizeram algo digno de nota. Em meio a tudo o que está escrito no livro de Atos, esse grande legado é colocado diante de nós, e cremos que deve servir de modelo para todos os que creem.
Então começamos esta série há alguns meses e dissemos que abordaríamos uma mensagem no início de cada mês. Agora, todos nós que temos alguma responsabilidade de falar concordamos: isso não é suficiente. Concordamos que não é suficiente.
Ainda assim, se vocês nos ajudarem e se nós mesmos nos disciplinarmos, seguiremos esse caminho de uma mensagem no início de cada mês, porque não pensamos que tudo se resume à pregação. Isso deixará tempo para que outros irmãos venham compartilhar o que o Senhor lhes deu, assim como ouvimos na semana passada.
Mas o segundo componente que fez os bereanos se destacarem, e do qual precisamos absolutamente nos apropriar, é que eles examinavam diariamente as Escrituras. Não apenas recebiam de Paulo a Palavra de Deus. Não era somente uma questão de ministério; era uma busca específica nas Escrituras para ver o que o Senhor tinha a dizer.
Esse é o segundo componente. Por isso estamos encorajando os santos — isso pode ser novidade para alguns de vocês, mas pelo menos tenham paciência comigo nesta breve introdução — a tomar a Palavra de Deus e buscar nela, para que não sejamos um povo que só recebe tudo de colher na boca.
Além disso, vivemos em comunhão uns com os outros. Pensamos que deveríamos trazer para a comunhão esse componente de ouvir a Palavra de Deus, receber a Palavra de Deus e examinar as Escrituras, porque, no fim das contas, somos chamados à comunhão: a participar de Deus Pai e de Deus Filho.
Estamos unidos nessa grande comunhão, como temos ouvido. Também pensamos que seria apropriado, quando nos reunimos nas noites de sexta-feira, compartilhar em comunhão o que vimos nas Escrituras.
É isso que temos feito. Vocês já sabem sobre o primeiro mês. No mês passado, nosso irmão Maury compartilhou conosco, e neste mês o assunto é “Necessário vos é nascer de novo”, como eu disse. Isso vem daquela expressão da Versão Autorizada.
Ouvimos sobre a importância de examinar as Escrituras. Ouvimos sobre o evangelho. E lhes digo, queridos santos, que eu sempre fui como muitos: quando penso no evangelho, quando penso nas boas-novas, quando penso na boa notícia, imediatamente penso nos perdidos.
Mas uma coisa que descobrimos ao examinar as Escrituras foi como esse assunto do evangelho é vasto. Ele é tanto para os crentes quanto para os incrédulos. É nesse glorioso evangelho que Deus nos transforma em filhos segundo a Sua própria imagem.
Hoje temos o terceiro assunto. Creio que precisamos dizer uma coisa logo de início: quando pensamos em João 3, não há muitos capítulos semelhantes a ele nas Escrituras.
Basta pensar: a chave para toda a compreensão das Escrituras está em João 3. Todos conhecem o versículo, João 3:16:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Esse é o contexto de João 3. Esse capítulo nos mostra o coração de Deus como nenhuma outra passagem das Escrituras. Finalmente, de uma só vez, em um único versículo, ele nos diz qual era a motivação de Deus e como é o Seu coração.
É nesse contexto que vemos João 3. Agora, quero que abordemos três coisas hoje, e espero que vocês me acompanhem. Espero que permaneçam comigo nestas três coisas:
Em primeiro lugar, vamos considerar a necessidade do novo nascimento. É uma necessidade absoluta. Vocês precisam nascer de novo.
Se perderem esse ponto, se perderem essa ênfase em João 3, perderão tudo. Perderão tudo o que está ali, porque, ao longo de toda essa história de Nicodemos, há essa impressão, repetidas vezes, da absoluta necessidade do novo nascimento.
Você não pode viver como crente sem ele. Fomos encorajados a pensar em perguntas para o nosso tempo de comunhão, então vou intercalá-las ao longo da mensagem. A primeira pergunta sobre a necessidade do novo nascimento é esta: Por que precisamos nascer de novo?
A segunda coisa que abordaremos é a natureza do novo nascimento. O novo nascimento é, antes de tudo, a introdução de uma nova natureza. Se não compreendermos isso, teremos um cristianismo de alguma forma distorcido e virado de cabeça para baixo, com uma ênfase completamente errada.
Não precisamos apenas compreender a necessidade do novo nascimento; precisamos compreender plenamente a sua natureza. A pergunta que parece estar em meu coração é esta: O que significa nascer de novo?
São perguntas simples, mas, se não compreendermos a natureza, não saberemos o que significa nascer de novo. Como é isso? O que significa? Qual é a natureza? O que acontece quando alguém nasce de novo?
Em terceiro lugar — e esta é uma palavra que talvez vocês não usem muito, mas conhecem meu gosto pela aliteração —, o nexo do novo nascimento.
Alguém aqui, além de alguns de nós — e já é um milagre um engenheiro conhecer uma palavra —, entende o que significa “nexo”? As pessoas me olham sem entender. Significa simplesmente a ligação.
Como chegamos ao novo nascimento? Qual é o processo? Se vocês são como eu e gostam de política — o que é uma maldição para minha esposa —, ouvem as pessoas tentando explicar o que resulta em quê, e elas usam essa palavra com frequência. Dizem: “Qual é o nexo aqui?”
O que isso significa? Como ligamos o ponto A ao ponto B? Como passamos daquilo que somos em nosso estado natural para esse novo estado? Qual é a ligação? É isso que nexo significa.
Então, se vocês não aprenderem mais nada hoje, aprenderam uma palavra nova: nexo. A pergunta é: Como nascemos de novo?
Vocês podem compreender a necessidade. Podem até conhecer alguma coisa sobre a natureza. Mas, se não soubermos como nascer de novo, se não soubermos como nos ligar a isso, como ser introduzidos nisso, então não adianta. É apenas ensino.
No fim das contas, precisamos compreender a ligação. O esboço está claro para todos? Muito bem, entendemos. Então vamos prosseguir.
Eu amo João 3. Como disse, não creio que exista algo semelhante nas Escrituras. Acho lindo. A grandeza disso, quando o coração de Deus para o homem é revelado e o caminho de Deus para o homem é revelado, não tem paralelo nas Escrituras.
Vocês se lembram de que compartilhei uma mensagem assim há vários anos. Na verdade, foi por isso que os irmãos me pediram para abordar esse assunto novamente em nossa série. Criei uma expressão, e o título daquela mensagem foi O encontro que mudou a humanidade.
Não usaremos novamente esse título, mas creio que esse é o sentido de João 3. Aqui está um encontro entre dois indivíduos: Nicodemos e o Senhor Jesus. Aqui está um encontro entre o filho de Adão e o Filho do Homem.
O resultado é que a humanidade foi transformada para sempre pelo que aconteceu naquela visita noturna, naquele encontro à noite. O que foi colocado diante deles foi o coração de Deus, a condição do homem e o caminho para o homem — tudo naquele único encontro.
É algo lindo. Eu me lembro… Bem, vou cansar vocês com uma ilustração semelhante à que usei da outra vez. Vocês sabem como gosto de ilustrações.
Houve um encontro de grande importância na história, do qual quase nenhum de nós se lembra mais. Na época, foi um acontecimento extraordinário. Foi um encontro entre Napoleão Bonaparte, da França, e o czar Alexandre I, em um pequeno lugar chamado Tilsit, na Prússia, em 25 de junho de 1807.
A história registra esta expressão marcante: foi um encontro que mudou o destino da humanidade. Extraordinário. Uma expressão extraordinária.
Eles se encontraram à noite, assim como neste encontro. Esses dois grandes governantes mundiais se reuniram no meio do rio Niemen. Eu nem sei onde fica o rio Niemen. Encontraram-se em uma pequena balsa preparada para isso, no meio da noite, e ali discutiram os destinos da Europa e da Prússia.
O relato diz que o destino da humanidade, nesses aspectos, foi decidido. Agora, não deem importância demais a esse encontro; pensem nele apenas como uma ilustração. Eles elaboraram um acordo de paz que durou apenas quatro anos; assim vocês entendem a natureza do homem.
Mas aqui quero apenas que vocês percebam o sentido disso antes de nos aprofundarmos de verdade. No encontro desses dois indivíduos — o filho de Adão e o Filho do Homem —, algo extraordinário mudou para sempre.
O coração de Deus foi revelado para sempre. A avaliação de Deus a respeito do homem foi exposta. O caminho de Deus para o homem foi iluminado para sempre. Esse caminho foi aberto. Esse é, pelo menos para mim, o sentido daquele encontro.
Vamos começar a falar sobre a necessidade do novo nascimento. O novo nascimento é essencial à vida espiritual. Vocês podem achar isso simples demais, e talvez seja. Mas, assim como o nascimento natural é essencial à vida natural, o novo nascimento é essencial à vida espiritual.
Não se pode ter uma coisa sem a outra. Não se pode pular essa etapa do nascimento. Para ter vida natural, é preciso passar pelo processo do nascimento natural. É simples assim.
Mas, para entrar na verdadeira vida espiritual, é preciso passar pelo processo do nascimento espiritual. Não há alternativas. É uma necessidade absoluta.
Agora, eu gosto de opcionais e fico preso a eles. Ainda sou um bobo para certas coisas, admito. Toda vez que vou comprar um aparelho eletrônico, mostram aquele com todos os opcionais. Dizem: “É disso que você precisa.”
De repente, aqueles opcionais se tornam necessidades, e eles me convencem. Devem revirar os olhos e pensar: “Que trouxa!”
Opcionais não são necessidades. Descobri que podemos viver com muito menos. Mas há certas coisas sem as quais não podemos viver. É disso que trata a necessidade do novo nascimento.
Creio que, para começar a compreender a necessidade do novo nascimento, vocês precisam entender um pouco sobre esse homem, Nicodemos. Ele é uma pessoa extraordinária.
Tudo começa em João 2, aparentemente depois daquela grande festa de casamento em Caná da Galileia, quando o Senhor transformou a água em vinho. Todos vocês conhecem essa história, e o texto diz que esse foi o primeiro sinal que o Senhor Jesus realizou.
Depois, durante a festa, Ele foi a Jerusalém e realizou outros sinais. Aparentemente, Nicodemos ficou sabendo daqueles sinais, ouviu falar deles ou talvez até os tenha presenciado, porque mais adiante, em João 3, diz: “Rabi, ninguém pode fazer esses sinais se não vier de Deus.”
Portanto, foram os sinais que lhe chamaram a atenção. No final de João 2, o texto diz que, embora muitos tivessem crido, o Senhor não Se confiava a eles, pois Ele mesmo sabia o que havia no homem.
Agora prestem atenção nesta expressão: Deus conhece o homem. Você pode achar que conhece o homem. Você não conhece o homem. Ele sabe o que há no homem e sabe exatamente qual é a sua necessidade.
Neste capítulo, Ele coloca diante do homem essa necessidade absoluta e única. Esse é, pelo menos, o sentido de João 3.
Há três versículos que preparam o caminho para compreendermos a necessidade do novo nascimento. Primeiro, João 3:1 diz:
Ora, havia um homem dos fariseus.
É assim que sabemos que essa passagem é uma continuação de João 2.
Pensem nisso. Essa era a mais elevada ordem espiritual da vida judaica. Esse homem, Nicodemos, era um dos fariseus. Ele pertencia à seita mais rigorosa de todo o judaísmo.
Em segundo lugar, o mesmo versículo diz que ele era “um dos principais dos judeus”. Passamos por esses versículos sem prestar atenção. Não significam nada para nós. Mas isso quer dizer que ele pertencia ao grupo governante.
Ele não apenas pertencia ao grupo governante; era uma das setenta e uma pessoas que tinham assento no Sinédrio, o órgão que governava todo o judaísmo. Era um grupo de elite. Nada era decidido no judaísmo sem esse órgão governante.
Ele não apenas era fariseu, mas também membro do Sinédrio. Vocês se lembram daquela discussão em João 7, quando eles conversavam entre si. No Novo Testamento, esse órgão muitas vezes é chamado simplesmente de “o conselho”.
Estavam falando de Jesus, e o querido Nicodemos meteu os pés pelas mãos — ou assim parece. Ele disse:
Porventura, a nossa lei julga um homem sem primeiro ouvi-lo e saber o que faz?
Imediatamente, aquele grupo da classe governante lhe disse: “Você também é da Galileia? É um deles?”
Ele pertencia àquele grupo governante. Era um dos principais. Então, em terceiro lugar, em João 3:10, o Senhor diz algo extraordinário, e acho que tendemos a passar por isso sem prestar atenção.
Nicodemos está perplexo com as coisas que o Senhor está dizendo, e o Senhor Jesus olha para ele e diz:
Tu és o mestre de Israel e não entendes estas coisas?
Agora vocês entendem? Essa não é apenas uma expressão comum, sem nada de especial. No grego, a ênfase está no artigo: “Tu és o mestre de Israel.” E não sabe essas coisas.
Ele não apenas era fariseu, e não apenas fazia parte do Sinédrio — o órgão governante diante do qual até o Senhor Jesus compareceu em Seu julgamento —, mas foi chamado pelo Senhor Jesus de “o mestre de Israel”.
Impressionante. Que credenciais! Que currículo! É um currículo extraordinário, quando pensamos nisso.
Mas havia um homem: Nicodemos. É isso que todas essas expressões nos mostram. Além disso, vemos que ele era alguém que buscava. Veio ao Senhor Jesus e disse:
Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus.
Prestem atenção nessa expressão, porque ele é considerado o mestre de Israel e, antes de tudo, chama Este de “Mestre”. Além disso, humilha-se e diz:
Tu és Mestre vindo de Deus.
Ele faz uma distinção. Provavelmente está pensando em si mesmo. Há até um tom messiânico nisso, se vocês quiserem. Esse judeu está dizendo: “Tu és o Enviado, Aquele que veio de Deus.”
Ele era alguém que buscava. Era humilde. Vejam como se humilhou. Era sincero.
Algumas pessoas dão enorme importância ao fato de ele ter vindo à noite. Ora, isso é coar mosquitos. Elas diminuem a sinceridade dele. Cada palavra que ele pronunciou e cada palavra que o Senhor lhe dirigiu mostram que ele era inteiramente sincero.
Ele veio sem as distrações da multidão. Veio à presença do Senhor, esperando encontrar esse Filho do Homem a sós, esperando fazer-Lhe as perguntas essenciais.
É assim que vejo esse homem, Nicodemos. Minha conclusão se resume a uma frase: Isso é o melhor que o homem pode oferecer.
É o melhor, absolutamente. Se você pertencesse à mais elevada classe espiritual, se fosse um dos principais de Israel, participando dos julgamentos de tudo o que acontecia em Israel, se até o Senhor Jesus o chamasse de “o mestre de Israel”, se fosse sincero e humilde, você pensaria que isso seria suficiente.
Temos uma expressão no mundo dos negócios: “Está bom assim.” Você já disse isso? Eu digo o tempo todo no trabalho, porque concluo que nunca conseguimos deixar tudo perfeito. Muitas vezes dizemos — que todos vocês, funcionários municipais, me perdoem —: “Para serviço público, está bom assim.”
O Senhor nunca disse a respeito dessa pessoa especial: “Está bom assim.” Aqui está o melhor dos filhos de Israel, e, ainda assim, o Senhor diz: “Não é suficiente.”
Essa é a necessidade do novo nascimento. Pensamos no assassino e dizemos: “Perverso.” Pensamos em quem abusa de crianças e dizemos: “Mau.” E todos concordaríamos.
Mas aqui está o que tenho no coração: Deus olha para o melhor e diz: “Arruinado.” Vocês entendem? De alguma forma, pensamos que ser bom é suficiente.
Mas, se vocês lerem Romanos 3, o resumo de Deus sobre toda a humanidade é que não há ninguém bom — nem um sequer. Nem um sequer.
Romanos 3:9-12 nos dá esse resumo. Que resumo! A primeira coisa que me vem à mente a respeito dessa necessidade do novo nascimento é que creio que vemos o melhor dos filhos de Adão, mas o melhor não é suficiente.
Há pessoas boas neste mundo. Vocês podem ficar zangados comigo por dizer isso. Há pessoas melhores do que muitos cristãos, inclusive eu. São exemplares. São bondosas. Parecem fazer tudo certo. Parecem sempre dizer a coisa certa.
Mas a conclusão do Senhor sobre a condição do homem é: Não é suficiente. É necessário algo mais. Você precisa nascer de novo.
Tudo o que você é e toda a sua bondade — mesmo tomando o melhor de todos — não são aquilo que Ele procura.
Vou além. Isso pode ofender alguns de vocês. Na avaliação de Deus, não apenas não somos bons o suficiente; estamos mortos.
É difícil ficar pior do que morto. Vocês percebem que cresci assistindo àqueles velhos filmes de faroeste. Todos ficam em volta de alguém, olhando, e perguntam: “Ele está morto?”
Morto é o fim. Morto significa acabado. Morto significa que terminou. Morto não tem utilidade.
Agora, se vocês acham que estamos falando no sentido natural, estão perdendo o ponto. Você está tão morto quanto Lázaro no túmulo. Sabia disso? Talvez não esteja cheirando mal, mas está igualmente morto.
Espiritualmente, o homem, em sua condição, está morto. Quando vocês leem Efésios 2:1-2, o texto diz que estamos mortos em nossos delitos e pecados. Estar morto é ruim.
Já usei essa ilustração antes. Alguns de vocês já a ouviram. Você pode contestar e dizer: “Não estou morto. Estou vivo. Estou respirando. Estou andando. Reajo ao que acontece. Não me enquadro em nenhum dos seus critérios.”
Mas gosto muito daquela ilustração do mundo das prisões: um morto caminhando. Acho que fizeram um filme. Não sei nada sobre o filme. Nem gosto do Sean Penn, está bem? Isso eu sei, por muitas razões.
Mas sei disto: lembro-me de assistir a um documentário no Discovery Channel que tratava da pena de morte. Falava de alguém condenado à morte e mostrava o processo: como a pessoa é retirada do corredor da morte e faz aquela caminhada solitária até o local da execução.
Lembro-me da impressão que aquilo me causou enquanto assistia. Os guardas entraram e, com vozes solenes, repetiam esta frase: “Um morto caminhando.”
Um morto caminhando. É isso que somos. Você pode estar andando. Pode estar vivo. Pode estar respirando. Pode até ter pulsação. Mas é um homem morto.
Em sua condição natural, sem o novo nascimento, você é um homem morto. Essa é a avaliação de Deus sobre esse que representa o melhor dos filhos de Israel.
Isso explica a necessidade do novo nascimento. Nicodemos veio, e tenho certeza de que estava cheio de perguntas. Tenho certeza de que esse mestre de Israel queria estar com o Senhor, com Aquele que ele percebia ser um Mestre vindo de Deus, Aquele que havia sido enviado — tenho certeza de que ele tinha perguntas.
Ele começa a se aproximar Dele, faz sua introdução e diz: “Rabi, ninguém pode fazer esses sinais que Tu fazes se não for um mestre vindo de Deus.” Exatamente naquele momento, o Senhor Jesus o interrompe.
Nem permite que ele chegue à pergunta. Não deixa que ele chegue ao ponto, porque o Senhor Jesus conhece perfeitamente a necessidade do homem. Está dizendo: “Vamos deixar tudo isso de lado, Nicodemos. Sua necessidade é nascer de novo.”
“Sua necessidade é uma mudança inteiramente abrangente em sua vida. Há algo errado em sua natureza. A questão é você entrar naquilo que está no coração de Deus. Há um caminho para você.”
“Vamos deixar tudo isso de lado e permita-Me dizer-lhe:
Em verdade, em verdade te digo.”
Agora, essas são palavras fortes. Três vezes em João 3, o Senhor diz:
Em verdade, em verdade te digo.
Devemos prestar atenção a essa repetição.
Se vocês examinarem os outros Evangelhos, os Sinóticos, verão que o Senhor frequentemente usa a expressão “em verdade” quando fala, mas, em todos os Evangelhos Sinóticos, ela aparece uma única vez em cada declaração.
De alguma forma, esse discípulo a quem o Senhor amava, esse discípulo que se reclinou sobre o peito do Senhor, ouviu com outros ouvidos a urgência daquilo que o Senhor estava dizendo. Somente no Evangelho de João essa expressão é repetida:
Em verdade, em verdade.
Essa é a necessidade do novo nascimento. Ele diz novamente em João 3:11:
Em verdade, em verdade te digo.
Ele diz em João 3:5:
Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
Agora observem João 3:3. Quando Ele diz isso pela primeira vez:
Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Observem a diferença entre João 3:3 e João 3:5.
No primeiro caso, sem esse novo nascimento, não podemos sequer ver o reino. Entendam o contexto. Aqui está alguém que espera pelo reino.
Provavelmente sua principal pergunta — aquela que o Senhor nunca o deixou fazer — era: “Quando virá o reino? Tu és o Messias? És o Rei que está vindo? És Aquele que foi prometido? Quando ele virá?”
O Senhor Se antecipa a ele e diz:
Em verdade, em verdade te digo: se não nasceres de novo, não podes sequer ver o reino de Deus.
Então Ele diz:
Em verdade, em verdade te digo: se não nasceres de novo, não podes entrar no reino de Deus.
Essa é a necessidade do novo nascimento. Excluídos desde o início. Não há entrada, a não ser por esse único caminho.
Lembro-me de um versículo que sempre significou muito para mim. Paulo disse em 1 Coríntios 9:16:
Porque me é imposta essa necessidade; e ai de mim, se não anunciar o evangelho.
Uma necessidade me é imposta. Charles Haddon Spurgeon disse: “A regeneração é a necessidade universal da humanidade.” Essa é uma declaração marcante.
A regeneração é a necessidade universal da humanidade.
Deixem-me lhes fazer esta pergunta. Alguns de vocês podem estar sentados aqui nesta manhã sem ter nascido de novo. Sabem alguma coisa sobre o Senhor, mas nunca experimentaram o novo nascimento, quando foram feitos uma nova criação.
Vocês nunca abriram verdadeiramente o coração e confessaram Jesus como Senhor e Salvador. Sem isso, não há começo. Você pode ser tão bom quanto Nicodemos. Pode ser melhor do que Nicodemos. Mas, sem isso, não pode ver o reino nem entrar no reino.
Esse é o primeiro ponto. Espero ter saturado vocês com essa palavra: necessidade. Espero que não a esqueçam.
A segunda coisa é a natureza do novo nascimento. Há três aspectos sobre os quais precisamos falar, mas a pergunta é: O que significa nascer de novo?
Se não compreendermos a natureza do novo nascimento, talvez compreendamos sua necessidade, mas nunca conseguiremos chegar à última parte: como entramos no novo nascimento, o que nos liga a ele.
Há todo tipo de entendimento equivocado sobre o novo nascimento. Estas palavras me parecem esclarecer muito bem a questão.
Em primeiro lugar, a palavra grega tem o sentido de nascer do alto. Creio que a maioria de nós sabe disso, mas lembrem-se: estamos tratando de questões fundamentais, então não se ofendam por acharem que já estão muito além disso.
A palavra grega tem o sentido de nascer do alto. Para mim, isso é incrivelmente encorajador, porque me diz Quem tomou a iniciativa.
Não fomos nós que tomamos a iniciativa. Não fomos nós que buscamos a Deus. Não fomos nós que mudamos nossos caminhos. De alguma forma, do alto veio a ordem; do alto, o Senhor veio à terra.
Lemos essas palavras gloriosas naquele nome, Emanuel: Deus está conosco.
Nunca é a iniciativa do homem. É sempre a iniciativa de Deus. Temos uma expressão no mundo dos negócios, no meio militar e provavelmente em qualquer outro lugar. Quando queremos saber a origem de uma ordem, perguntamos: “De onde vem isso?”
Se eu disser alguma coisa, talvez não prestem atenção. Mas a resposta simples que chama a atenção de todos é esta: “Vem de cima.”
É isso que significa. A iniciativa é de Deus. Nascemos do alto. Ele tomou a iniciativa. Ele viu nossa condição.
Ele veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam; mas todos os que O receberam — João 1:12-13 diz:
Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no Seu nome;
os quais nasceram, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
É nascer do alto. Não é o que você faz; é o que Ele faz. Para mim, de imediato, isso é o mais encorajador a respeito de nascer de novo.
Imaginem se, em questões espirituais, ficássemos presos àqueles velhos ditados e disséssemos: “Erga-se puxando as próprias botas.” As alças das suas botas não são compridas o suficiente, e sua força é insuficiente.
Por isso Deus, em Sua misericórdia, desceu até nós. Do alto: nascemos do alto. Vocês entendem? A iniciativa é Dele.
Não é o aperfeiçoamento do homem. É a iniciativa Dele. Muitas vezes penso que consideramos o cristianismo uma espécie de reabilitação. Não é reabilitação.
Você pode ir a algum lugar e passar por uma reabilitação, mas o cristianismo não é reabilitação. Se pensa assim, não compreende a natureza do cristianismo. Não compreende a natureza do novo nascimento.
É algo inteiramente novo. Vem de uma fonte diferente, do alto, e chega à terra. Porque Ele fez isso, podemos nascer de novo e entrar em tudo o que Ele é.
Nascer do alto: esse é o primeiro aspecto da natureza que aparece. A palavra também significa de novo, no sentido de algo novo. Na minha versão, João 3:3 diz:
Se alguém não nascer de novo.
O grego significa de novo. É algo completamente novo. Não é apenas do alto — a iniciativa Dele, um nascimento celestial vindo do alto —, mas é inteiramente novo. É totalmente novo.
Essa palavra, novo, é usada em excesso e, às vezes, penso que, se simplesmente usamos a expressão de novo, perdemos a profundidade da natureza do novo nascimento.
Significa nascer de uma fonte de vida inteiramente nova. Irmãos e irmãs, isso é vital para compreender a natureza do cristianismo. Não é você aperfeiçoado. Não é você reabilitado.
Não se trata simplesmente de Deus fazer alguma coisa em você e então nos tornarmos isso. É uma fonte de vida inteiramente nova. Vocês entendem? Isso é absolutamente crucial.
A vida cristã não consiste, de modo algum, em nós vivermos. Acho que muitos de nós temos uma compreensão equivocada da vida cristã. A vida cristã é Cristo vivendo.
Quando compreendemos o sentido essencial no grego, vemos que se trata de uma fonte inteiramente nova. É uma fonte de vida inteiramente nova. Você recebe a própria fonte da vida.
Creio que isso tem um significado enorme. A palavra cristão provavelmente veio dos inimigos. Vocês se lembram de Antioquia: olharam para aquelas pessoas que eram semelhantes a Cristo e disseram: “Olhem para elas. Parecem Cristo. Falam como Cristo. Andam como Cristo. São cristãos.”
Assim receberam esse nome. Acho que deveríamos adotar outro nome. Estou propondo, pela primeira vez, que adotemos um nome diferente. É um pouco estranho, mas, ainda assim, é um bom nome, porque creio que expressa a natureza do novo nascimento.
Deveríamos nos chamar Cristo-em. Entenderam? Em vez de cristão, chame a si mesmo de Cristo-em. É isso que somos. Não sou eu.
O novo nascimento é uma fonte de vida inteiramente nova. Ela desce do alto e é totalmente nova. Entra em nós: uma nova natureza. Agora temos uma nova natureza.
Não é a nossa própria natureza. É uma natureza diferente. É uma fonte de vida diferente. Nessa fonte de vida, somos capazes de viver a vida cristã. Isso é o novo nascimento.
Serei para sempre Cristo-em. Não me importa se alguém entende, mas essa é a vida cristã. Leiam o livro de Colossenses:
Cristo em vós, a esperança da glória.
O apóstolo Paulo formulou essa expressão e a usa repetidas vezes: em Cristo e Cristo em mim. Observem na Palavra; vocês verão isso repetidas vezes.
Lembro-me de quando era um crente jovem — e, como todo crente, tinha, e ainda tenho, muitas lutas. Lembro-me de pensar sobre essa vida cristã: você tem esta regra, aquela regra e mais esta outra; precisa fazer isto certo e precisa fazer aquilo certo.
Se não acerta, é condenado. Isso se tornou pesado demais para mim. Eu era uma pessoa simples demais.
É a mesma coisa. Já contei esta história: certa vez fui fazer aulas de golfe. Aquela profissional realmente me atrapalhou. Ora, eu já sou um péssimo jogador de golfe, mas ela me atrapalhou de verdade porque me fez pensar em tudo o que eu deveria estar fazendo.
Ela dizia: “Mantenha a cabeça na posição correta. Fique na postura certa. Segure as mãos assim. Mantenha os olhos na bola. Não tire os olhos da bola. Complete o movimento do taco. Não levante o olhar.”
No final daquelas instruções, eu estava um desastre. Ela arrancou o taco da minha mão e disse: “Quem é você?” Eu disse: “Não sei.” Ela disse: “Você está todo atrapalhado.”
Eu não conseguia acertar a bola de jeito nenhum. No começo da aula: pá! Aquela tacada com o ferro sete foi linda. Vocês deveriam ter visto. A melhor tacada com ferro sete que já dei.
Ela disse: “Pode largar seu emprego. Isso foi uma beleza.” No final da aula, a bola só ia aos trancos, aos trancos, aos trancos.
Ah, o cristianismo não é acertar tudo. Ouçam o que está no meu coração: não é acertar tudo. É Cristo em mim. É uma nova fonte de vida.
Há aquele versículo maravilhoso em Pedro: por meio de Suas grandíssimas e preciosas promessas, tornamo-nos participantes da natureza divina. Essa é a vida cristã.
Vocês entendem a diferença? Bebemos profundamente dos poços da salvação e nos tornamos participantes da própria natureza Dele. Isso torna o cristianismo uma realidade viva.
Essa é a natureza da vida cristã.
Bem, espero que vocês estejam me acompanhando. É algo novo. Não é apenas novo; é de novo — outra vez.
Nicodemos teve dificuldade com isso. Ele disse:
Como pode um homem entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer de novo?
Como podem ser estas coisas?
É de novo. É a segunda vez.
Nunca me esquecerei de um pregador famoso. Li uma história sobre ele. Alguém lhe perguntou: “Onde você nasceu?” Ele disse: “Em Dublin e em Liverpool.”
O entrevistador disse: “Dublin e Liverpool? Como você pode ter nascido em dois lugares?” Ele respondeu: “Nasci de minha mãe em Dublin, mas nasci do Espírito de Deus em Liverpool.”
Você nasceu de novo? É daqueles que nasceram duas vezes?
“Nasce uma vez, morre duas vezes” é a expressão que as pessoas costumam usar — não apenas uma morte natural, mas uma morte espiritual depois. “Nasce duas vezes, morre uma vez.”
Se você nasceu de sua mãe e nasceu do Espírito de Deus, pode morrer nesta vida, ou talvez não. Essa é a boa notícia. Ele pode voltar, e então você talvez nunca morra.
Mas você nunca morrerá novamente. Esse é o novo nascimento. Essa é a natureza do novo nascimento.
Bem, preciso avançar. Parece que sempre fico com pouco tempo. Agora vamos concluir. Vamos àquela palavra que causa dificuldade: o nexo do novo nascimento.
Vocês entendem, eu lhes dei a explicação. É uma palavra inteiramente nova para vocês. É a ligação. Como vou de lá para cá? Como entro no novo nascimento?
O que é necessário para me levar dessa natureza anterior para essa nova natureza? Quais são os passos que preciso dar? São alguns, e usaremos esses pensamentos para concluir.
Em João 3:11-15, há esta palavra a respeito do Senhor Jesus. Ele diz:
E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado.
Creio que todos estamos familiarizados com essa história, mas talvez não conheçamos a história do Antigo Testamento. Quando vocês abrem em Números 21:4-9, encontram a história à qual o Senhor Se refere.
Os filhos de Israel estavam viajando pela terra. Enquanto viajavam, pecaram. O texto diz que pecaram contra Deus e pecaram contra Moisés. É possível fazer isso, sabem? Pecaram contra Deus e contra o homem.
O texto diz que Deus enviou serpentes ardentes para o acampamento, e muitos dos filhos de Israel morreram. Agora, vocês podem entender isso de maneira invertida e pensar: “Deus mau.”
Mas o pecado sempre resulta em morte. Ele enviou serpentes ardentes, e então as pessoas — algumas foram atingidas; sua consciência foi despertada — vieram a Moisés e disseram: “Ore por nós. Ore a Deus para que Ele nos livre. Ore por nós.”
Moisés buscou o Senhor, e o Senhor disse a Moisés: “Faça uma serpente de bronze, uma serpente ardente, e coloque-a sobre uma haste. Todos os que olharem para essa serpente viverão. Não morrerão.”
O texto chega a dizer que isso valia para aqueles que haviam sido picados. Você foi picado pelo pecado? Todos nós fomos picados pelo pecado. Mas viverão se olharem para ela.
Agora, irmãos e irmãs, esse é o primeiro caminho de entrada. O Senhor Jesus foi pregado na cruz. É algo incrível.
Pensem um pouco mais profundamente por um momento. A serpente fala do próprio Satanás. Se vocês lerem Gênesis 3, verão que ele foi o primeiro a ser amaldiçoado.
Vocês se lembram das palavras:
Porquanto fizeste isto, maldita és entre todos os animais domésticos e entre todos os animais do campo.
Você rastejará sobre o ventre; vocês conhecem a história.
Mas aqui está o que me impressionou tão profundamente: nosso Senhor Jesus assumiu a posição daquele que foi amaldiçoado.
Incrível. Extraordinário. Ele não foi apenas colocado sobre uma haste; foi cravado em uma cruz.
O relato nos mostra que todos os que olharem para Ele receberão vida. Esse é o caminho.
Gálatas 3:13 diz:
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-Se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro.
Ah, irmãos e irmãs, isso é quase glorioso demais para ser verdade. Ele Se tornaria maldição por você e por mim.
Não há mais maldição para nós. A maldição se foi porque Ele a levou. Ele Se tornou a serpente de bronze do julgamento. Assumiu essa posição, e por isso somos livres para sempre.
O segundo ponto é João 3:16. Creio que todos vocês conhecem isso. Não apenas o julgamento de Deus é plenamente satisfeito — e esse é o caminho pelo qual entramos —, mas o amor de Deus é plenamente expresso.
João 3:16 é o versículo mais extraordinário de todas as Escrituras. Ele fala da intensidade do Seu amor:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito.
Em algum momento, façam um estudo nos idiomas originais. Não fiquem presos a isso. Nunca me tornarei um estudioso do grego, mas estudem um pouco as palavras, e isso os ajudará.
Quando vocês examinam “unigênito”, veem que é uma palavra distinta usada para o nosso Senhor Jesus. Se procurarem seu significado no grego, Ele é o Único. Ele é singular. Ele é o único de Sua espécie. Não há ninguém como Ele.
Ainda assim, Deus, em Seu infinito amor, disse: “Entregarei este Único.” Vocês conseguem imaginar? Conseguem imaginar aquele dia? Podemos especular sobre como deve ter sido aquela conversa.
O Senhor Jesus pronuncia essas palavras, “Filho unigênito”, somente aqui em João 3. Outros as pronunciam. Deus Pai as pronuncia. O apóstolo as pronuncia. Mas o Senhor Jesus nunca mais as pronuncia.
É sagrado demais. É maravilhoso demais. Cantamos aquele hino: “Amor sublime, como pode ser?” Mas enxergamos sua profundidade? Para mim, isso é o que há de mais grandioso.
Então toda essa passagem termina com a repetição de uma palavra: crer. Vocês a veem repetidas vezes. Cinco vezes ela aparece no encerramento desta passagem: crer.
Todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Queridos, pensem nisso: Deus fez tanto e pediu tão pouco de vocês?
Ele toma a iniciativa do seu novo nascimento. Ele paga a pena do julgamento para que você possa nascer de novo. Ele envia Seu Filho unigênito para que possa ter outros filhos gerados por Ele. Incrível.
E Ele diz apenas isto: “Creia em Mim.”
Creio que esse é um conjunto maravilhoso de versículos. Se vocês lerem até o final daquela passagem e virem o amor de Deus, perceberão que Ele não veio para julgar o mundo. Não veio para condenar o mundo. Veio para salvar o mundo.
Tudo o que Ele pede é simplesmente: Creia.
Agora, eu me pergunto: muitas vezes diminuímos essa palavra. Ela significa mais do que vocês pensam. Já mencionei isto antes: uma irmã costumava ler para nós a Bíblia Amplificada, e essa versão evidencia, em João 3, o sentido dessa palavra.
Significa confiar em, crer em. Literalmente, tem o sentido de crer entrando no Senhor Jesus. Apegar-se a Ele.
Se vocês lerem aquela história em Números 21, na Bíblia Amplificada, ela fala de um olhar fixo. Muitos de nós apenas Lhe lançamos um olhar passageiro.
Você creu Nele? Isso é tudo o que o Pai pede.
Aí está o nexo. Nesse ato simples e profundo está o caminho para o novo nascimento: somente creia.
Tenho esta placa em meu escritório. Ela veio de um irmão. Fica sobre o meu computador. Muitas vezes fico olhando para ela, porque aquele computador me deixa pensando.
Ela diz: “Somente.” É uma expressão maravilhosa nas Escrituras. Procurem quando chegarem em casa.
Queridos santos, esse é o novo nascimento. Precisamos enxergar a necessidade — a necessidade absoluta. Precisamos compreender a natureza — é uma natureza inteiramente nova.
Precisamos compreender a ligação. Como chegamos lá? Louvado seja Deus, Ele nos deu João 3 para nos mostrar o caminho. Que o Senhor nos ajude a responder.
Senhor, devolvemos a Ti a Tua Palavra e dizemos: “Senhor, sopra sobre ela e torna-a viva e real para nós.”
Senhor, queremos que a Tua Palavra signifique algo para nós. Queremos que ela se apodere de nós. Queremos que ela nos interrompa, assim como Tu interrompeste Nicodemos.
E queremos que encontres em nós essa resposta simples: crer no Senhor Jesus. Pois pedimos isso em Teu precioso nome. Amém.