Por favor, abram em 1 Coríntios 16:1-2. Apenas os dois primeiros versículos:
Ora, quanto à coleta para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia.
No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade; para que se não façam as coletas quando eu chegar.
Agora, por favor, abram em 2 Coríntios 8:9:
Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre; para que, pela Sua pobreza, enriquecêsseis.
Vou repetir:
Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre; para que, pela Sua pobreza, enriquecêsseis.
E, então, 2 Coríntios 9:7:
Cada um contribua segundo propôs no seu coração: não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.
Vamos fazer uma oração.
De fato, amado Senhor, estamos em solo santo. Aqui está a Tua presença, e, pela Tua graça, estamos na Tua presença.
Ensina-nos a nos aproximarmos de Ti com humildade, mas também com fé. Pedimos que a luz do Teu rosto resplandeça sobre cada um de nós.
Sonda-nos, ó Senhor, e ensina-nos a andar no caminho que agrada ao Teu coração. Queremos honrar-Te; queremos glorificar-Te; e queremos que sejas glorificado em nós.
Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Há bastante tempo, temos considerado juntos 1 Coríntios. Mencionamos que a igreja de Corinto tinha muitos problemas. A razão é que, embora aqueles irmãos tivessem sido salvos pela graça do Senhor Jesus, continuavam a viver na própria carne.
A carnalidade deles era o maior problema. Por que a carnalidade é o maior problema? Porque é exatamente o oposto do nosso chamamento.
Assim, 1 Coríntios começa com um chamamento maravilhoso, glorioso. Deus é fiel. Ele nos chamou à comunhão de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.
Em outras palavras, aquilo que Deus Pai e Deus Filho compartilham igualmente, juntos, sem egoísmo, de maneira plena e completa, um com o Outro, no Espírito, desde a eternidade — essa comunhão agora foi estendida a nós, os que cremos.
Estamos sendo incluídos na riqueza e na plenitude da comunhão do Pai e do Filho. Agora, pensem nisso. Que chamamento!
E a carnalidade é a principal razão pela qual essa comunhão não é plena.
Assim, encontramos em 1 Coríntios que, embora essa igreja estivesse cheia de problemas, o apóstolo Paulo adotou uma abordagem positiva. Em outras palavras, ele procura nos mostrar o que é essa comunhão, para que sejamos libertos de tudo o que é tão baixo, tão contraditório, tão impuro e tão desagradável a Deus.
Como já dissemos, quando chegamos ao final do capítulo 14, sempre tenho a impressão de que ali termina a carta, porque Paulo disse que tudo deveria ser feito com decência e ordem.
Se tudo entre o povo de Deus puder ser feito com decência, beleza, harmonia e paz, em concordância, com um só espírito e uma só mente — até mesmo no falar —, e houver uma ordem divina entre eles, o que mais se pode dizer?
Mas, então, descobrimos que ainda há mais dois capítulos. Um deles, que mencionamos da última vez, trata dessa questão da ressurreição.
Entre os crentes de Corinto, havia alguns que não acreditavam na ressurreição. E, se alguém não acreditava na ressurreição, isso era um ataque direto ao próprio significado do evangelho de Jesus Cristo.
Então, Paulo reafirmou o que é o evangelho: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; Ele foi sepultado; e ressuscitou dentre os mortos, segundo as Escrituras. Ele apareceu a várias pessoas para mostrar que está vivo.
E, porque Ele vive, nós também vivemos. Isso é muito importante.
A partir daí, tivemos comunhão sobre essa questão dos falsos ensinamentos. Ao longo da história da igreja, vemos que o falso ensino sempre está presente. Como já dissemos, onde há verdade, há falsidade; ou podemos até dizer de outra maneira: quando há falsidade, deve haver verdade em algum lugar.
É muito, muito importante que o povo de Deus, especialmente nestes últimos dias, seja vigilante e atento; que sejamos fiéis à Palavra de Deus e fiéis ao Espírito de Deus, que nos explicará a Sua Palavra.
Além disso, precisamos da proteção do corpo de Cristo. Isso é comunhão — a bênção da comunhão.
Agora, depois do capítulo 15, vocês poderiam pensar que 1 Coríntios deveria terminar. Mas, curiosamente, encontramos Paulo mencionando outra coisa: a questão da coleta.
Eu, pessoalmente, não acredito que a igreja de Corinto tenha perguntado a Paulo sobre essa questão, embora a Bíblia diga: “Ora, quanto à coleta”. Não era algo sobre o qual a igreja de Corinto havia perguntado a Paulo.
Por quê? Porque vemos que, devido à carnalidade deles, embora tenham respondido quando Paulo mencionou isso entre eles no início, não cumpriram o que prometeram. Assim, Paulo procurou mencionar novamente essa questão da coleta.
Sabemos que isso era algo que sempre estava no coração de Paulo. Paulo sempre tinha os pobres em seu coração, porque esse é o Espírito de Cristo.
Vocês se lembram do que é dito a respeito do nosso Senhor Jesus em Isaías 61:1:
O Espírito do Senhor está sobre Mim;
Porque Me ungiu para pregar boas-novas aos mansos.
O cumprimento disso se encontra em Lucas 4. No início do ministério do nosso Senhor na Galileia, Ele entrou na sinagoga em Nazaré. Deram-Lhe o livro de Isaías, e Ele encontrou a passagem — isto é, Isaías 61 — e a leu.
Ele disse:
O Espírito do Senhor está sobre Mim,
Porque Me ungiu para anunciar boas-novas aos pobres.
Em outras palavras, vemos que esse é o próprio Espírito de Cristo: Ele sempre Se lembra dos pobres. E Paulo, um servo do Senhor, tinha esse mesmo encargo em seu coração.
Vocês se lembram de Atos 15: depois daquele concílio em Jerusalém, as três colunas da igreja em Jerusalém — Tiago, Pedro e João — estenderam a destra de comunhão a Barnabé e Paulo.
Disseram a Barnabé e Paulo: “Nós vamos à nação judaica, e vocês vão aos incircuncisos, às nações; mas lembrem-se sempre dos pobres”.
Paulo disse que isso era algo que ele sempre procurava fazer com diligência. Isso está em Gálatas 2. Assim, vemos que os pobres sempre estavam no coração de Paulo — ele se lembrava deles.
Se vocês lerem o livro de Atos, no início da história da igreja, verão em Atos 11 que um profeta desceu de Jerusalém até a igreja em Antioquia. Seu nome era Ágabo.
Ele profetizou que haveria uma grande fome em todo o mundo habitado, e isso aconteceu no tempo de Cláudio.
E sabem o que a igreja em Antioquia fez? Reuniu ajuda e a enviou a Jerusalém pelas mãos de Barnabé e Paulo.
Assim, vemos que, mais tarde, aonde quer que Paulo fosse em suas viagens missionárias, ele sempre procurava ajudar o povo de Deus, especialmente os gentios, a pensar nos pobres de Jerusalém e da Judeia.
Ele fez isso na Galácia, na Acaia e na Macedônia. Por isso, aqui ele menciona essa questão da coleta.
Naquele tempo, os crentes em Jerusalém e na região da Judeia pareciam estar em pobreza, enquanto as igrejas no mundo gentio pareciam ser mais prósperas.
Paulo sempre lembrava aos crentes em toda parte: “Lembrem-se dos pobres”, e recolhia contribuições.
Evidentemente, quando esteve em Corinto pela primeira vez, ele mencionou essa questão aos crentes. Em seu primeiro amor e em seu zelo, eles prometeram que fariam isso.
Mas, infelizmente, por continuarem a viver na própria carne, logo se esqueceram. Essa é a razão pela qual, perto do fim de 1 Coríntios, Paulo precisou lembrá-los dessa questão da coleta.
Ele até lhes sugeriu uma maneira sistemática de contribuir. Isso serviria para ajudar as pessoas que não tinham o hábito de fazê-lo, ou que pretendiam fazê-lo, mas tendiam a se esquecer.
“No primeiro dia de cada semana” — esse é o dia em que o povo de Deus se reúne —, “separem em casa uma parte daquilo com que o Senhor os fez prosperar, para que, quando eu chegar, não precise fazer a coleta”.
É isso que encontramos em 1 Coríntios 16.
Agora, os crentes de Corinto responderam? De modo algum. Mesmo depois de Paulo lembrá-los da coleta que haviam prometido, eles não a fizeram.
Não apenas deixaram de fazê-la, mas, quando lemos 2 Coríntios 11, encontramos alguns falsos apóstolos, obreiros perversos, transformando-se em apóstolos de Jesus Cristo.
Eles seduziram os crentes de Corinto, afastando-os de Paulo e de Cristo e atraindo-os para si mesmos. Em outras palavras, eles não apenas deixaram de ouvir Paulo, mas muitos entre eles começaram a desprezá-lo e rejeitá-lo.
Vocês se lembram de como Paulo lhes escreveu uma carta severa. Depois, enviou Tito a eles e, por meio do ministério de Tito, graças a Deus, eles se arrependeram. Arrependeram-se segundo Deus.
Por fim, vemos em 2 Coríntios que ele pôde compartilhar com eles essa questão da contribuição cristã.
Portanto, irmãos e irmãs, o que faremos nesta manhã, em vez de falar sobre coletas especiais para necessidades especiais, será considerar o próprio fundamento da contribuição cristã.
A contribuição cristã é muito, muito importante — não apenas para nossa vida pessoal, mas também para nossa vida de comunhão.
Gostaria de apresentar isso da maneira mais simples que puder. Gostaria de fazer quatro perguntas:
Primeiro: por que contribuir? Qual é a razão pela qual os cristãos devem ter o hábito de contribuir?
Sabem, no que diz respeito à natureza humana, dar não é natural. Sim, nós dizemos: “Dê, dê”, mas queremos dizer: “Dê para mim”.
Estamos pensando em receber. Essa é a natureza humana. Dar aos outros, abrir mão de algo — bem, isso representa uma perda para mim. Não gostamos disso.
Mas, irmãos e irmãs, é justamente por isso que precisamos saber por que devemos contribuir.
De maneira muito simples, contribuímos porque Deus é o maior Doador. Esse é o Seu caráter.
Vocês se lembram de Tiago 1:17:
Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, com Quem não há mudança, nem sombra de variação.
Toda boa dádiva, todo dom perfeito, vêm do alto, do Deus das luzes, com Quem não há mudança. Isso quer dizer que Ele está constantemente, sempre, dando, e não há sombra de variação — nenhuma recusa em dar. Esse é o nosso Deus.
Queridos irmãos e irmãs, creio que há um texto que nos diz tudo sobre dar, e esse texto é João 3:16:
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
É assim que Deus dá. Ele dá porque ama dar, e dá tudo. Ele dá até mesmo o Seu Filho unigênito.
Aquele que não poupou o Seu Filho unigênito haveria de nos negar alguma coisa? Esse é o nosso Deus, e esse é o próprio Espírito do nosso Senhor Jesus.
Assim, encontramos em 2 Coríntios 8:9:
Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós Se fez pobre; para que, pela Sua pobreza, enriquecêsseis.
Quando vocês pensam na graça do nosso Senhor Jesus, como a descrevem? Não é algo vago. É algo muito real, muito vivo.
Paulo disse:
Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo.
Agora, o que é a graça do nosso Senhor Jesus Cristo? Por amor de vocês — por amor de nós —, Ele, sendo rico, tornou-Se pobre.
Como descrever as riquezas de Cristo? Toda a plenitude da divindade habita corporalmente Nele. Não é possível descrevê-la. É infinita.
Toda a glória, a honra, o poder, tudo — amor, justiça, santidade, separação, plenitude —, as insondáveis riquezas de Cristo. Foi assim que Paulo se expressou.
E, por amor de nós, Ele Se tornou pobre. Dispôs-Se a abrir mão de todas as Suas riquezas para ser aquele pobre carpinteiro de Nazaré.
Dispôs-Se até mesmo a entregar a própria vida, a ser crucificado na cruz do Calvário. Ele deu tudo o que tinha.
Aquele que é a Pessoa mais rica de todo o universo voluntariamente Se tornou a pessoa mais pobre do mundo: nasceu numa manjedoura, morreu no lugar de um desconhecido, foi sepultado no túmulo de um desconhecido — não tinha nada.
Por quê? Para que, pela Sua pobreza, fôssemos enriquecidos.
Se o nosso Senhor Jesus tivesse conservado as Suas riquezas, estaríamos em pobreza para sempre. Mas Ele Se dispôs a tornar-Se pobre para nos enriquecer. Isso é dar. Esse é o espírito de dar.
Irmãos e irmãs, mesmo que não houvesse outra razão para os cristãos terem o espírito e o hábito de contribuir, creio que uma razão seria suficiente: o nosso Deus, o nosso Cristo, a Sua própria natureza, o Seu próprio caráter e aquilo que Ele fez por nós.
E nós, que recebemos Dele tamanhas riquezas, tamanha misericórdia e tamanha graça, não deveríamos responder com o pouco que somos capazes de dar, para expressar nossa gratidão e, ao mesmo tempo, reconhecer que tudo pertence a Ele?
Tudo vem Dele. Somos gratos. Por isso, queremos expressar nosso reconhecimento de que tudo vem Dele. Sem Ele, não teríamos nada.
Agora, o que é a contribuição cristã? No Antigo Testamento, em Gênesis 14, depois que Abraão libertou Ló dos quatro reis, conquistou uma grande vitória e recebeu muitos despojos, Melquisedeque veio ao seu encontro.
Melquisedeque, rei de Salém, rei de justiça, sumo sacerdote de Deus, veio ao seu encontro com pão e vinho, lembrando Abraão de que fora Deus quem lhe dera aquela vitória.
E sabem o que Abraão fez? Tomou a décima parte de todos os despojos e a deu a Melquisedeque. Em outras palavras, reconheceu que sua vitória vinha de Deus, não de si mesmo.
Tudo lhe fora dado por Deus, e ele deu a décima parte para expressar sua gratidão.
Vejam Gênesis 28. Jacó — aquele suplantador — estava fugindo de casa. Estava tão cansado! No deserto, apoiou a cabeça numa pedra e dormiu, e Deus lhe apareceu.
Deus disse: “Eu sou o Deus de teu pai. Vou abençoar-te. Vou multiplicar a tua descendência, e até mesmo a tua descendência abençoará todas as nações. Eu te darei a terra”.
Vocês se lembram de como Jacó acordou e ficou amedrontado. Ele disse:
Certamente o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.
Aquilo era aterrador para ele, considerando quem ele era.
Então fez um voto, ainda negociando com Deus. Ele nem sequer conseguia imaginar a imensidão do amor e da graça de Deus. Estava tão limitado pelo seu próprio pequeno eu.
Ele disse: “Se Tu me guardares por todo o caminho, me deres roupas para vestir e comida para comer, e permitires que eu volte em segurança, então serás o meu Deus, e eu Te darei a décima parte”.
Ora, até mesmo nesse Jacó havia alguma gratidão, pelo menos — mas sob condição, é claro.
Mas, quando chegamos a Levítico, ao final de Levítico 27, do versículo 30 em diante, o que vemos? Vemos que Deus os colocou sob a lei.
Sob a lei de Deus, eles tinham de dar a décima parte de sua terra, a décima parte da produção da terra, a décima parte de todos os frutos das árvores e a décima parte de todos os seus animais domésticos — a décima parte, sem escolha.
Sob a lei, exigia-se que dessem a décima parte para mostrar duas coisas:
Mas os filhos de Israel se rebelaram contra Deus, e uma das coisas que fizeram foi se esquecer de seus dízimos.
Assim, quando chegamos ao último livro do Antigo Testamento, em Malaquias 3:8, encontramos Deus dizendo:
Roubará o homem a Deus? Todavia, vós Me roubais.
E dizeis: Em que Te roubamos?
Nos dízimos e nas ofertas.
Em outras palavras, se vocês lerem o Antigo Testamento, verão que, se um israelita era fiel ao Senhor e amava a Deus de todo o coração, dava pelo menos a décima parte; e, além disso, apresentava ofertas alçadas, ofertas de amor e todos os outros tipos de ofertas.
E Deus disse:
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa, e depois fazei prova de Mim nisto, diz o Senhor dos Exércitos: se Eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.
Ora, isso é o Antigo Testamento. Quando chegamos ao Novo Testamento, graças a Deus, não há a exigência de dar a décima parte. Vocês ficam felizes com isso?
Vocês não encontram em nenhum lugar do Novo Testamento Deus exigindo a décima parte. Então podem ficar com tudo, certo? De modo algum — é exatamente o contrário.
Porque não estamos sob a lei; agora estamos sob a graça. Vocês acham que, por não estarem sob a lei, podem viver sem lei?
Sob a graça, Deus requer tudo o que vocês são e têm. Sob a lei, exige-se que vocês deem apenas a décima parte; mas, sob a graça, é tudo.
Romanos 12:1 nos diz aquilo que todos conhecemos bem:
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
Apresentem os seus corpos — não apenas um membro. Apresentem o seu corpo, o corpo inteiro. Ele representa todo o seu ser: o que vocês são, o que têm, o que serão — tudo.
Apresentem o seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Esse é o seu culto espiritual, o seu serviço racional.
Irmãos e irmãs, sob a lei há a exigência de dar a décima parte. Mas, sob a graça, o que importa é o espírito de dar.
Deus não exige que vocês deem a décima parte. Deus diz: “Onde está o Meu Espírito em vocês? Vocês têm o mesmo Espírito que Eu?”
“Eu lhes dei a Minha vida, e essa vida tem uma natureza. É uma natureza de dar, não de reter.”
Assim, Deus diz: “Agora, não é uma questão de um décimo. É uma questão de dez décimos. Apresentem os seus corpos em sacrifício vivo”.
Todo o seu ser é devolvido a Deus como expressão do reconhecimento de que Deus lhes dá tudo. É a sua resposta e a sua gratidão a Ele.
Não é uma exigência. Não é uma imposição da lei. É um apelo, uma súplica da parte de Deus.
Deus suplica a vocês: se são tocados pelo Seu amor e constrangidos pelas Suas misericórdias, o que mais podem fazer? Vocês pertencem inteiramente a Ele.
Esse é o espírito de dar. Vocês estão dispostos a se tornar pobres para que outros sejam enriquecidos? Essa é a razão de contribuir.
A segunda pergunta: o que é contribuir? Receio que todo o nosso conceito de contribuição esteja errado.
Se vocês lerem 2 Coríntios 8 e 9, verão que, quando o apóstolo Paulo menciona a contribuição, usa algumas palavras especiais que nunca imaginaríamos estar relacionadas a ela.
A primeira palavra é esta: contribuir é graça.
Leiam 2 Coríntios 8:4:
Pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunhão no serviço em favor dos santos.
E 2 Coríntios 8:6:
De maneira que exortamos a Tito que, assim como antes tinha começado, assim também completasse esta graça entre vós.
Ao longo deste capítulo e do seguinte, vemos que a contribuição cristã, em sua interpretação e significado corretos, é graça. Contribuir é graça.
Agora, por que isso? Essa palavra, “graça”, segundo o grego, traz três sentidos:
Graça é algo tão gracioso, tão belo, que desperta em vocês alegria e uma sensação agradável. Isso é graça.
Por isso, Deus é graça. Cristo é cheio de graça. Quando olhamos para Ele, Ele é tão belo, tão gracioso, tão atraente, que desperta em nós admiração, amor e adoração por Ele.
Isso é graça.
E a graça também é uma expressão, porque, quando algo é feito livremente, abertamente, sem condições, de boa vontade, com alegria, para todos — é assim que Deus dá. É assim que a graça se expressa.
Depois, há a resposta à graça. Aqueles que receberam graça devem ser graciosos.
Vocês se lembram da parábola que o nosso Senhor Jesus contou: um servo devia ao seu senhor uma quantia tremenda, imensa, que jamais poderia pagar. Contudo, depois que o senhor o perdoou, ele saiu e encontrou outro conservo.
Agarrou-o pelo pescoço e disse: “Pague!” Era apenas uma pequena quantia, e ele o colocou na prisão.
E o senhor disse: “Se você não demonstra graça, muito bem — a graça será retirada. Você irá para a prisão”.
Irmãos e irmãs, isso é graça. Pensem em Deus: Ele é graça. É belo contemplá-Lo.
Ele dá livremente, sem condições e a todos. Sua graça deve tocar nosso coração e nos transformar, para que também sejamos graciosos.
Portanto, contribuir é graça. Quanto a nós, recebemos tamanha graça de Deus. Como não haveríamos de demonstrar graça também?
E como expressamos essa disposição graciosa? Dando — não retendo, não tomando, mas dando.
Assim, em primeiro lugar, contribuir é graça: a graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Aquele que era rico tornou-Se pobre por nós, para que, pela Sua pobreza, fôssemos enriquecidos.
Em segundo lugar, a contribuição é descrita nas Escrituras como bênção.
Vocês pensariam que receber é uma bênção. Quem pensaria que dar é uma bênção? Mas Deus vê isso de maneira muito diferente.
Mais bem-aventurado é dar do que receber, porque Deus é Aquele que sempre abençoa, que sempre dá. Assim, para Ele, dar é bênção.
Ele nos abençoa dando-nos o Seu único Filho. É uma bênção.
Sabem, quando damos, pensamos: “Ora, se eu der, vou perder alguma coisa. Vou ficar com menos”.
Porque, para mim, bênção é aumento, mas agora há diminuição. Como isso pode ser uma bênção?
Então, vemos aqui na Palavra de Deus que Ele usa uma parábola. Diz que contribuir é como semear — semear sementes.
Quando o agricultor está semeando, aparentemente está perdendo. Está perdendo.
Mas, se não semear, não poderá colher. E, se semear pouco, colherá pouco. Se semear com abundância, colherá com abundância.
Assim, a Bíblia diz que contribuir é como semear e, por isso, é uma bênção.
Se um agricultor, especialmente durante uma fome, guardar todo o seu cereal e disser: “Eu preciso dele. Preciso comê-lo”, e se recusar a semear, o que acontecerá? Ele morrerá mais depressa.
Quando semeia, seu coração pode ficar partido, porque ele não consegue ver a colheita. Mas esperem até que venha a colheita.
Assim, a Palavra diz:
O que semeia pouco, pouco também ceifará;
E o que semeia em abundância, em abundância também ceifará.
É uma bênção.
Se vocês retiverem, quanto mais retiverem, menos terão. Isso será tudo o que têm. Mas, se derem, Deus lhes dará mais, porque Ele diz que vocês são dignos de confiança. Então poderão dar mais.
É uma bênção.
Em terceiro lugar: o que é contribuir? É comunhão.
Em 2 Coríntios 8, vemos que é graça e comunhão. É comunhão; é compartilhar.
Deus não quer que sejamos individualistas, pensando apenas em nós mesmos. Ele nos colocou no corpo de Cristo. Quer que compartilhemos aquilo com que Ele nos abençoou.
Quanto mais vocês compartilharem, mais Ele poderá supri-los, para que compartilhem ainda mais. Quanto mais retiverem, menos terão.
Isso não se aplica apenas às coisas materiais; nas coisas espirituais é igual. Vocês serão como o mar Morto — recebendo, recebendo o tempo todo, sem nunca dar. É um mar morto; nada vivo haverá ali.
Vocês precisam ser como o Jordão. Tudo o que recebem, passam adiante. Tudo o que recebem, passam adiante. Ele é vivo; suas águas correm.
Irmãos e irmãs, isso é comunhão.
E qual é a bênção da comunhão? A bênção da comunhão é que vocês não apenas são libertos, mas outros são enriquecidos.
Porque vocês estão dispostos a dar, Deus pode lhes confiar mais. E, porque dão, aqueles que receberam bendirão a Deus por vocês.
Ora, isso não é uma bênção maravilhosa para todos? Que comunhão deve ser essa!
Irmãos e irmãs, todo o nosso conceito de contribuição é tão limitado pela nossa fraqueza humana. Que Deus abra nosso entendimento para vermos que contribuir é graça, é bênção e é comunhão.
Então, a terceira pergunta: como contribuímos?
Em 2 Coríntios 8 e 9 — espero que vocês leiam esses capítulos quando chegarem em casa —, vemos, antes de tudo, que primeiro precisamos nos dar ao Senhor.
Como os macedônios, sabem, que estavam em profunda pobreza. Contudo, em meio à sua profunda pobreza, tinham de tal maneira o Espírito de Cristo que desejavam participar da ajuda aos seus irmãos necessitados em Jerusalém.
Pediram que lhes fosse permitido participar. Mas primeiro deram a si mesmos ao Senhor, e depois deram a nós.
Portanto, irmãos e irmãs, como contribuímos? Se vocês não se derem primeiro ao Senhor, mesmo que contribuam, Deus não Se agradará disso.
Porque isso não procede Dele; procede de vocês mesmos. Algumas pessoas podem ser naturalmente mais generosas, mas isso não significa que Deus Se agradará quando elas contribuírem.
Isso precisa proceder da Sua vida. Portanto, antes de tudo, deem a si mesmos ao Senhor.
A qualquer pessoa que não se dá ao Senhor, o Senhor diz: “Você não precisa contribuir. Pode guardar isso para si”.
Assim, o primeiro ponto: como contribuir? Deem a si mesmos ao Senhor.
O segundo ponto: contribuam em secreto.
Em Mateus 6, nosso Senhor Jesus disse: “Não deem como os hipócritas”. Quando eles dão, tocam a trombeta junto ao tesouro e também na rua: “Vejam, estou dando”.
É assim que o mundo dá. Dão para ganhar um nome. O Senhor diz que eles já receberam sua recompensa.
Mas, quando vocês derem, não deixem que a mão esquerda saiba o que a direita está fazendo. Agora, vocês dizem que isso é impossível. Como minha mão esquerda pode não saber o que minha mão direita está fazendo, ou minha mão direita não saber o que minha mão esquerda está fazendo? Sou eu.
É uma metáfora. Significa que vocês devem dar em secreto, como ao Senhor.
Vocês não dão ao homem. Não dão por uma causa. Dão a Deus.
Portanto, não estão pedindo nada em troca. Não querem seu nome no jornal. Não. Dão como ao Senhor.
Às vezes, sei que é impossível ser um doador anônimo, mas procurem ser anônimos tanto quanto puderem.
Mesmo quando sua identidade for conhecida, não tomem isso como mérito próprio, porque tudo o que vocês dão vem do Senhor, não de vocês. Esse é o espírito de contribuir em secreto.
O terceiro ponto: contribuam com alegria.
Porque Deus ama quem dá com alegria — não de má vontade, não como algo arrancado de vocês, não como algo que são obrigados a fazer, nem com pesar.
Façam isso de boa vontade, com alegria. Deus ama quem dá com alegria.
Vocês podem dar a ponto de chorar, mas, em seu coração, há alegria.
E o quarto ponto: Deus diz que vocês devem dar o que têm, não o que não têm. Não precisam tomar emprestado para contribuir.
Aquilo que Ele lhes deu, deem com alegria. Não há obrigação.
Hoje, Deus não exige que vocês deem a décima parte. Mas podemos dar menos do que a lei exige?
Não há lei, nada a ser imposto. Tudo depende do relacionamento de vocês com o Senhor.
Receio, irmãos e irmãs, que muitos de nós, se realmente entendermos o que é contribuir, talvez precisemos mudar nosso estilo de vida.
Dizemos: “Não temos nada para dar. Minha família — tudo —, preciso de cada centavo. Não posso dar nada”.
Muito bem. Se vocês não podem dar nada, Deus diz que não precisam dar. Está bem. Vocês não estão sob a lei; estão sob a graça. Mas olhem para o seu estilo de vida.
A maneira como vivemos precisa mudar. Que Deus tenha misericórdia de nós.
Muitas vezes, são os pobres que dão. Os ricos não dão.
E, então, para ajudar aqueles que talvez sejam fracos, contribuam de maneira sistemática. Daquilo com que o Senhor os fez prosperar, separem uma parte, para ajudar a cultivar o hábito de contribuir.
Assim é que vocês devem contribuir.
E, por fim: para onde contribuímos?
Contribuir é um exercício espiritual. Por ser um exercício espiritual, é mais do que simplesmente dar. Ao contribuir, vocês aprendem muito diante de Deus.
É algo que exige que vocês vão ao Senhor e Lhe perguntem: “Para onde deve ir a minha contribuição?”
Não é apenas uma questão de seguir as necessidades, porque há necessidades por toda parte. Como saber para onde deve ir o pouco que lhes foi confiado?
É um exercício espiritual. É algo sério. Se vocês realmente exercitarem isso diante de Deus, suponham que Deus me dê um dólar. Isso não significa que, se eu simplesmente o jogar fora, resolvi o problema e cumpri meu dever.
Essa não é a maneira de contribuir. Aquilo que Deus lhes deu foi confiado a vocês. Vocês são mordomos.
Precisam conhecer a vontade do Senhor quanto ao uso desse dinheiro. Portanto, não se trata de distribuí-lo de qualquer maneira, sem cuidado.
Vocês precisam se exercitar diante do Senhor. Ninguém vai lhes dizer para onde contribuir. Precisam buscar o Senhor a esse respeito, para saber para onde devem contribuir.
Orem sobre isso. Busquem o Senhor sobre isso. Não é que, sempre que ouvirem: “Ah, aqui há uma necessidade”, vocês devam dizer: “Muito bem, está certo”.
Pode haver uma necessidade real em algum lugar que seja responsabilidade de vocês, e vocês não a estão atendendo. Precisam orar. É um exercício espiritual.
Mas há certas coisas das quais devemos nos lembrar. Nos tempos do Antigo Testamento, encontramos o Senhor dizendo:
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa.
Transponham isso para os termos do Novo Testamento. Agora estamos juntos na congregação e, por estarmos juntos na congregação, há uma responsabilidade.
Precisamos contribuir para a congregação, porque a contribuição é mais do que algo individual. Ela tem um caráter coletivo.
Quando contribuímos para a igreja, por assim dizer — para o Senhor por meio da igreja —, então a igreja, como um corpo, buscará o Senhor quanto ao destino desses recursos. É algo coletivo.
Portanto, não devemos nos esquecer da casa de Deus.
Muitas vezes, podemos contribuir para iniciativas individuais, decidindo para onde o dinheiro irá, e deixar a casa de Deus desolada. Mas vocês usam as instalações, desfrutam de todos os benefícios e nunca assumem nenhuma responsabilidade.
Isso é errado. Isso é injusto.
Portanto, é algo que precisamos entender. Há uma casa de Deus para a qual precisamos contribuir.
E, é claro, mesmo a contribuição para a casa de Deus não se destina apenas à manutenção. Também contribuímos para a obra do Senhor, para os pobres e para todas as necessidades do evangelho.
Há muitas necessidades por toda parte. A demanda é grande.
Com todas as técnicas modernas que procuram tirar algum dinheiro do bolso de vocês, nós, como crentes, precisamos nos exercitar cuidadosamente diante do Senhor, para que sejamos mordomos de Deus dignos de confiança.
Assim, queridos irmãos e irmãs, isso é tudo o que posso compartilhar com vocês nesta manhã.
Olhem para o Senhor e, pela Sua graça, que tenhamos o espírito de dar, assim como Cristo. Minha oração é que, pela Sua graça, esse Espírito venha sobre nós.
Vamos orar.
Senhor, perdoa-nos por nosso descuido, por nossa infidelidade. Tem misericórdia de nós. Dá-nos o Teu Espírito.