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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Conformed To The Image Of His Son #3 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Conformed To The Image Of His Son #3
    Conformed To The Image Of His Son #3
    Lambert, Lance

    Conformados à Imagem do Filho de Deus

    Vocês poderiam abrir comigo em algumas passagens das Escrituras?

    Primeiro, na Carta aos Romanos, capítulo 8. Nesta noite, vamos ler apenas um versículo: Romanos 8:29.

    Porque aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

    Agora, na Segunda Carta aos Coríntios, em 2 Coríntios 4:6.

    Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para dar a luz do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.

    Agora, 2 Coríntios 3:18.

    Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.

    E, se vocês puderem abrir no Antigo Testamento, em Gênesis 32:24, vamos ler a partir desse versículo.

    E Jacó ficou só; e um homem lutou com ele até o romper do dia.
    E, vendo Ele que não prevalecia contra Jacó, tocou-lhe a articulação da coxa; e a articulação da coxa de Jacó se deslocou enquanto lutava com Ele.
    E Ele disse: Deixa-Me ir, porque já rompe o dia.
    E Jacó disse: Não Te deixarei ir, a menos que Tu me abençoes.

    E Ele lhe disse: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó.
    E Ele disse: O teu nome não será mais Jacó, mas Israel: porque lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste.
    E Jacó Lhe perguntou, dizendo: Dize-me, peço-Te, o Teu nome. E Ele disse: Por que perguntas pelo Meu nome? E ali o abençoou.
    E Jacó chamou àquele lugar Peniel: pois, disse ele, vi Deus face a face, e a minha vida foi preservada.
    E o sol nasceu sobre ele quando passou por Penuel, e ele mancava por causa da coxa.

    E um último versículo no Novo Testamento, na Carta aos Hebreus, em Hebreus 11:21.

    Pela fé, Jacó, quando estava para morrer, abençoou cada um dos filhos de José e adorou, apoiado sobre a extremidade de seu bordão.

    Vamos fazer uma oração.

    Senhor, nós Te agradecemos mais uma vez. Já oramos, Senhor, pela proclamação da Tua Palavra, pela tradução e pelo ouvir. Queremos apenas reconhecer, Senhor, que, sem a unção, tudo isso não resultará em nada. Mas Tu providenciaste essa unção, e o Espírito Santo torna tudo isso uma realidade viva.

    Assim, com base na Tua obra consumada, permanecemos nessa unção para falar, para traduzir e para ouvir.

    Toca-nos como tocaste Jacó, para que nunca mais sejamos os mesmos. Toca-nos de tal maneira, Senhor, que carreguemos as marcas em nosso ser. Ouve a nossa oração, Senhor. Estamos vivendo em dias tão sombrios. Tem misericórdia de nós, Senhor.

    Teremos o cuidado de Te dar todo o louvor e toda a adoração do nosso coração por responderes a esta nossa oração. E pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.

    O Propósito Predestinado da Transformação

    Bem, não consigo imaginar que, nesta última noite da conferência, vocês ainda não saibam qual é o tema. É, naturalmente, sermos conformados à imagem do Filho de Deus. A parte que me coube foi: Seremos semelhantes a Ele.

    É o propósito predestinado de Deus que cada filho de Deus seja transformado à semelhança do Senhor Jesus.

    O problema é muito simples: é uma questão do senhorio do Senhor Jesus. Onde Ele é Senhor, há transformação. Onde Ele não é Senhor, há paralisia. Você não é transformado. A beleza do Senhor não está sobre você.

    É uma questão de quem manda. Em termos práticos, quem manda: você ou Ele? É o senhorio do Espírito? Ele tem as chaves da sua vida — da sua vida pessoal, da sua vida familiar, da sua vida profissional, da vida da igreja e do serviço a Deus?

    Quando guardamos as chaves para nós, podemos estar mergulhados em atividades — trabalho, trabalho e mais trabalho. Podemos ter mil rotinas. Podemos ter metodologias, técnicas, passos para isto e passos para aquilo. Mas é a nossa obra; não é a obra do Senhor.

    Somente quando somos cooperadores de Deus, quando estamos sob o Seu senhorio, é que temos toda a provisão de que precisamos.

    Não consigo pensar em nenhum assunto mais importante do que este: sermos transformados à imagem do Filho de Deus. Você não levará nada para a eternidade, a não ser aquilo que Deus fizer na sua vida.

    Você veio nu a este mundo e sairá nu deste mundo. Todo o seu dinheiro ficará para outros. Você não pode levar consigo um único dólar — nem um só. Não pode levar nem mesmo as roupas que está usando, nem as joias, nem os títulos antes do seu nome, nem os diplomas depois do seu nome, nem as propriedades que possui.

    Você não pode levar nada, a não ser aquilo que Deus fizer em você. É isso que quero dizer com encarar a realidade. Gastamos tanto do nosso tempo e da nossa energia naquilo que não podemos levar conosco. Somente o caráter espiritual é o que você leva para a eternidade.

    Em 1 Coríntios 10:11, lemos estas palavras extraordinárias:

    Ora, estas coisas lhes aconteceram como exemplo; e foram escritas para nossa advertência, a nós sobre quem os fins dos séculos têm chegado.

    Jacó como Exemplo de Transformação

    Quero falar sobre um dos exemplos mais notáveis em todos os sessenta e seis livros da Bíblia. É a história de Jacó.

    Aqui está um exemplo de alguém sendo transformado à semelhança do Messias. Isso exigiu todo o poder de Deus, toda a graça de Deus e toda a paciência de Deus. Nenhum personagem da Palavra de Deus foi mais difícil do que Jacó. Ele deu tanto trabalho ao Senhor.

    É impressionante para mim: Deus nunca chamou o Seu povo de Abraão. Nunca o chamou de Isaque. Nunca o chamou de José. Nunca o chamou nem mesmo de Moisés. Ele o chamou de Jacó — Jacó, Jacó, Jacó — e de Israel: dois nomes de um só homem.

    Acho que nesse ato de Deus estão a sua história e a minha história. O Senhor tomou o mais baixo denominador, salvou-o, redimiu-o e transformou-o. Aqui está a verdadeira predestinação.

    Por que o Senhor fez isso? Por que temos aquela declaração extraordinária com a qual o Antigo Testamento termina?

    Amei a Jacó.

    Por que Deus amou Jacó? Por que Ele o amou tanto?

    Não me perguntem. Só sei que Deus me ama, e acho isso extraordinário. Dou tanto trabalho a Ele. Discuto com Ele. Reclamo. Sempre demoro a obedecer-Lhe. Penso comigo mesmo: “Por que o Senhor me ama?”

    Mas escutem: desse incrível amor de Deus por Jacó vêm o poder e a graça predestinadores de Deus. Ele não deixa Jacó escapar. Ele o acompanha. Ele vela por ele. Organiza todas as suas circunstâncias e os seus relacionamentos, passo a passo. Leva-o ao lugar onde, pela primeira vez, ele enxerga a si mesmo.

    Não estamos falando de uma pessoa não convertida. Esse homem, sob a antiga aliança, é um filho de Deus. Ele carrega no corpo a marca da circuncisão. É um dos integrantes do povo da aliança de Deus — um daqueles com quem Deus estabeleceu uma aliança, comprometendo-Se a ser fiel.

    Ele nunca o abandona, até que finalmente o transforma.

    A história de Jacó é extraordinária. É a sua história e é a minha história. Talvez você não consiga enxergar isso muito bem. Talvez você seja respeitável demais, meigo demais, puro demais, sem pecado demais. Mas você precisa ser capaz de enxergar a si mesmo como Deus o enxerga.

    O extraordinário é que Deus pode tomar um homem como Jacó e revelar-Se a ele.

    Vi Deus face a face, e vivi.

    Ele nunca mais foi o mesmo. Agora carregava outra marca em seu corpo pelo resto da vida.

    Há um antigo ditado: Deus só pode confiar em um homem que manca — somente quando Deus nos faz mancar, somente quando Deus nos enfraquece, somente quando Deus nos quebranta.

    A Vida do Eu em Jacó

    O próprio nome Jacó é interessante. Vocês se lembram da história em Gênesis 25. Rebeca percebeu que algo estava acontecendo dentro dela. Aqueles dois bebês estavam brigando dentro dela — o que não é tão estranho, porque passaram o resto da vida brigando um com o outro, e continuam até hoje.

    Ela consultou o Senhor, e o Senhor disse:

    Há duas nações no teu ventre; e o mais velho servirá ao mais novo.

    Quando chegou a hora de nascerem, Esaú foi o primogênito por um ou dois minutos. Depois veio Jacó, com a mão enroscada no calcanhar do irmão. Por isso, seus pais o chamaram de Yaakov.

    Yaakov é um jogo de palavras entre calcanhar e torcer. A maneira mais fácil de entender isso, recorrendo à gíria inglesa, é “trapaceiro”. Seu nome era Trapaceiro, e ele fez jus ao nome. Era profético.

    Agora, antes que você comece a pensar: “Ah, bem, eu não sou assim; sou diferente”, deixe-me ler um versículo de Jeremias 17:9:

    Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e é extremamente corrupto: quem o pode conhecer?

    No hebraico, descobrimos que o coração é Jacó. É a palavra da qual vem o nome Yaakov. É muito interessante: o seu coração é Jacó.

    Você tem dentro de si o mesmo problema. Talvez ainda não tenha passado pelas circunstâncias que o façam aparecer. Talvez não tenha a inteligência necessária para tirar proveito dele. Mas está tudo ali.

    Não é de admirar que o Senhor tenha dito na oração-modelo:

    Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do maligno.

    A primeira coisa que quero salientar é essa vida do eu impossível de controlar, aparentemente incurável.

    Algumas pessoas retratam Jacó como se ele fosse claramente um gângster de uma tríade. Outras o retratam como alguém sem vigor, anêmico, sem fibra — um decorador de interiores, um tipo de homem afeminado. Mas todas essas imagens estão absolutamente erradas. Elas se baseiam em interpretações equivocadas do relato.

    Jacó era um homem incrivelmente atraente. Sua mãe o amava, e Raquel também, desde o momento em que ele a beijou. Ela teve de esperar sete anos. E, só para contar a história direito, Lia também o amava. O que elas viam nesse homem anêmico, sem fibra e sem vigor?

    Quando Jacó fugiu de casa e chegou à região onde seu tio morava, viu os pastores. Ele perguntou: “Por que vocês não estão dando água ao rebanho?” Eles disseram: “Precisamos esperar até que todos estejam aqui. A pedra sobre o poço é tão grande que é preciso mais de um homem para movê-la.”

    Mas, quando Raquel apareceu, Jacó removeu a pedra sozinho. Lá se vai essa ideia de que ele era um decorador de interiores sem atrativos, sem fibra e fraco.

    O problema de Jacó não era fazer deliberadamente coisas erradas. O problema de Jacó era uma vida do eu irreprimível. Ele não conseguia se conter.

    Ele tinha um tino comercial extraordinário. Não podia enxergar uma possibilidade de lucro sem fechar o negócio imediatamente. Não podia enxergar uma possibilidade de ganhar dinheiro sem partir para ela.

    Quando seu irmão chegou, aquele caçador grandalhão, um homem acostumado à vida ao ar livre — aparentemente, Jacó também era um bom cozinheiro. Seu irmão chegou faminto e viu uma sopa de lentilhas. Nem sequer perguntou o que era. Apenas disse: “Deixe-me tomar um pouco dessa sopa.”

    E Jacó disse: “Só depois que você assinar na linha pontilhada, bem aqui. Você me dá o seu direito de primogenitura e jura diante de Deus; então poderá tomar toda a sopa que quiser.”

    Por um prato de guisado, como diz a versão antiga — uma sopa de lentilhas —, Esaú desprezou seu direito de primogenitura.

    Como se isso não fosse ruim o bastante, Jacó roubou a bênção de seu pai idoso.

    Rebeca era uma mulher extraordinária. Preciso ter cuidado com o que digo, mas tenho de dizer: as mulheres judias governariam o mundo — e as chinesas também. Na minha opinião, elas compartilham essa ancestralidade comum. Rebeca era uma mulher notável.

    Ela ouviu Esaú conversando com Isaque, que estava cego. “Escute”, disse ela a Jacó, “não discuta. Faça exatamente o que eu disser. Vá buscar dois cabritos, e vou preparar o tipo de caldo de que seu pai gosta.”

    Jacó disse: “Mas e se ele me apalpar?”

    “Não se preocupe”, disse Rebeca. “Já tenho o plano. Vou pegar a parte mais macia da pele dos cabritos, fazer luvas para você e colocá-la também na parte de trás do seu pescoço. Vou vestir você com as roupas de Esaú, porque ele as guarda aqui comigo, e seu pai não vai perceber.”

    O pior de tudo foi que, por duas vezes, Jacó mentiu para Isaque, cego e idoso. “Você é Esaú?”, perguntou ele. “Sou”, disse Jacó. “Estranho”, disse Isaque, “é a voz de Jacó e o cheiro de Esaú.”

    “Será que não virá uma maldição sobre mim?”, perguntou Jacó à mãe antes de fazerem isso.

    “Não se preocupe com isso”, disse ela. “A maldição cairá sobre mim.”

    E caiu. Ela nunca mais viu seu filho amado. Ele fugiu para salvar a vida.

    Jacó tinha uma vida do eu que não conseguia disciplinar. Era tão poderosa, tão cheia de energia.

    A Organização Divina das Circunstâncias e dos Relacionamentos

    Vocês sabem que o Senhor apareceu a esse homem? Não acham isso extraordinário? Ele roubou o direito de primogenitura. Havia roubado a bênção do primogênito. Enganou seu pai idoso. E agora o Senhor lhe dá uma das revelações mais extraordinárias da Bíblia.

    Ele viu uma escada que ia da terra ao céu, e nela havia anjos subindo e descendo.

    Jacó entendeu. Entendeu que aquilo era a morte da sua vida do eu, o que é mais do que muitos cristãos entendem. Ele disse:

    Esta não é outra coisa senão a casa de Deus. Este é um lugar temível.

    Mas a vida do eu de Jacó era tão incurável que, depois dessa visão extraordinária, ele começou a negociar com o Senhor.

    “Agora, escuta”, disse ele. “Se Tu cuidares de mim, me alimentares, me vestires, assumires toda a responsabilidade por mim nesta viagem e me trouxeres de volta aqui, a este mesmo lugar, esta pedra que ergui será a casa de Deus. Vou construir uma casa para Ti exatamente neste lugar.”

    Ele negociou com o Senhor. Se alguma coisa revela como era esse homem, é isto. Ele não foi quebrantado por aquela visão extraordinária da casa de Deus, daquela comunicação entre o céu e a terra, daquele relacionamento com o Senhor.

    Você teria pensado que aquilo quebrantaria Jacó. De modo algum. “Se Tu fizeres isso por mim, eu Te darei a décima parte.” Não é impressionante?

    Você teria pensado que o Senhor diria: “Já basta. Chegamos ao limite.” Seria de esperar que o poder de Deus o fulminasse. Não. O amor de Deus é tão extraordinário.

    Jacó era um negociador. Assim que chegou à casa do tio, começou a negociar — curiosamente, por Raquel. Ele disse: “Sete anos; esse é o meu salário.” Mais tarde, negociou pelas ovelhas e pelos cabritos.

    Ele disse ao tio: “Olhe, continuarei trabalhando para você. Ficarei apenas com todos os cabritos e as ovelhas malhados e listrados.” Seu tio achou que era um ótimo negócio: “Separe-os e leve-os.”

    Então Jacó pegou aqueles ramos de álamo, descascou-os e os colocou diante das ovelhas quando elas bebiam. E vejam só: todas tiveram crias listradas e salpicadas.

    Tanto zoólogos quanto cientistas têm se debruçado sobre isso. O que foi que Jacó fez? Há um pequeno artigo muito interessante sobre isso na Encyclopaedia Judaica. Cientistas em Israel descobriram que Jacó realmente havia percebido alguma coisa. Preciso que outra pessoa explique isso, mas funcionou.

    Em pouco tempo, Jacó tinha rebanhos enormes, e Labão tinha rebanhos cada vez menores. Não importa por onde se olhe: esse homem era incurável.

    A segunda coisa é a organização divinamente predestinada.

    Sabem, o Senhor nunca manteve Jacó numa coleira curta. Ele tinha uma daquelas guias para cães: eles podem ir lá longe, bem longe, e depois você os puxa de volta.

    Todas essas circunstâncias e esses relacionamentos foram predestinados por Deus — cada detalhe. Na verdade, o Senhor pretendia dar a Jacó o direito de primogenitura. Queria que ele tivesse a bênção. Foi a vida carnal de Jacó, sua vida do eu, que criou todos os problemas.

    Ele não conseguia deixar isso com Deus. Tinha de fazer por si mesmo. O Senhor disse: “Está bem. Faça por si mesmo, e você sofrerá as consequências.”

    Então o Senhor organizou tudo. O outro grande trapaceiro do Oriente Médio era Labão. Jacó caiu nos braços do outro grande trapaceiro do Oriente Médio, e aqueles dois enganaram um ao outro durante vinte e um anos, de todas as maneiras possíveis.

    Curiosamente, Jacó não tinha a menor consciência de si mesmo. Ele falou de Labão a Raquel: “Seu pai mudou o meu salário dez vezes.” Nunca achava que houvesse algo de errado com ele próprio.

    O pior foi trabalhar sete anos por Raquel. A Bíblia diz que lhe pareceram apenas alguns dias, pelo amor que tinha por ela.

    Então veio o casamento — o casamento judaico: todos presentes, música, luzes, muito vinho. E o pobre Jacó acordou na manhã seguinte e descobriu que era Lia.

    Agora ele estava furioso. “Como pôde fazer isso comigo? Meu tio, irmão da minha mãe — você me enganou! Trabalhei sete anos por Raquel e agora acabei com Lia!”

    Labão não se perturbou nem um pouco. Disse: “Está tudo bem. Dedique uma semana às celebrações do casamento e, na semana que vem, faremos o casamento de Raquel. Depois você trabalha mais sete anos.”

    Quando Deus vai nos mudar, transformar-nos à imagem de Seu Filho amado, Ele organiza as nossas circunstâncias e os nossos relacionamentos.

    É um relacionamento de Labão com Jacó. Agora você começa a enxergar a si mesmo.

    Nem uma vez passou pela cabeça de Jacó: “Meu irmão gêmeo — eu o enganei. Meu irmão gêmeo — tirei vantagem dele. Eu o trapaceei. Meu pai idoso — menti para ele. Eu o enganei.” De alguma forma, isso nunca passou pela mente de Jacó.

    Mas, ao fim de vinte e um anos, ele havia começado a enxergar a si mesmo em Labão, e enxergou a si mesmo em Lia — a doce Lia. Ela era evidentemente tão trapaceira quanto Jacó. Labão deve ter lhe dito: “Agora, minha filha, mantenha essa sua boca bem fechada. Vamos cobrir você com um véu até o chão. Ande como sua irmã. Não abra a boca, e estará tudo feito.”

    Ela participou daquilo. Jacó começou a despertar.

    Ele nunca imaginou que um pensamento mau tivesse entrado na mente de Raquel. Mas, quando fugiu do tio Labão, o tio Labão foi atrás dele com um grupo de homens.

    “O que você fez?”, perguntou ele. “Você saiu de casa às escondidas. Não me deixou ver minhas filhas, meus netos. E roubou os deuses domésticos.”

    Jacó disse: “Não seja ridículo. Eu não tocaria nos seus deuses domésticos.”

    Ora, esses ídolos domésticos eram verdadeiros títulos de propriedade. Jacó disse: “Revise tudo.” E o tio Labão, que conhecia seu sobrinho, disse: “Sim, vou revisar.”

    Ele procurou por toda parte. O hebraico diz que tocou em tudo. Você precisa ser judeu para entender isso. Ele não apenas olhou ao redor; vasculhou tudo.

    Quando chegou a Raquel, ela disse: “Papai, não toque em mim. Não estou me sentindo muito bem.” Ela estava sentada na sela do camelo, e debaixo da sela estavam todos os deuses domésticos.

    Ela era tão trapaceira quanto seu pai e seu marido.

    Pela primeira vez na vida, Jacó conheceu a si mesmo. Viu a si mesmo em Labão. Viu a si mesmo em Lia. Viu a si mesmo em sua amada Raquel. Então ficou enojado — enojado de si mesmo.

    Então caiu em si quanto ao que havia feito com seu irmão gêmeo, com seu pai idoso e com seu tio.

    O Encontro Divino de Jacó em Jaboque

    Todo o propósito do tratamento de Deus com Jacó estava concentrado num pequeno lugar chamado Jaboque. É interessante, mais uma vez, que, no hebraico, Jaboque significa uma travessia. Jacó foi levado a uma travessia.

    Agora, Jacó — escutem —, nas palavras que lemos anteriormente:

    E Jacó ficou só.

    Essa é uma solidão à qual todo filho de Deus precisa chegar. Sua esposa não pode ajudá-lo. Seu marido não pode ajudá-la. Seus pais não podem ajudá-lo. Seus filhos não podem ajudá-lo. Seus amigos não podem ajudá-lo. Aqueles que mais significam para você espiritualmente não podem ajudá-lo. Você precisa estar sozinho.

    Você tem Labão atrás de você, Esaú à sua frente e ninguém ao seu lado. Agora você conhece a si mesmo.

    Todo filho de Deus precisa, mais cedo ou mais tarde, chegar ao seu Jaboque. É um encontro marcado por Deus.

    É extraordinário o que aconteceu com Jacó. Vocês ainda estão acordados? Estão assimilando o que estou dizendo? É extraordinário.

    E um homem lutou com Jacó.

    Quem era esse homem? Em Oseias, Ele é chamado de Anjo do Senhor. Quando encontramos essa expressão, normalmente se trata do Senhor Jesus.

    Quem era esse homem que provocou Jacó, que lutou com ele? Jacó lutou com esse homem a noite inteira. E esse homem disse:

    Deixa-Me ir.

    Jacó disse:

    Não Te deixarei ir até que me abençoes.

    Essa bênção não era simplesmente: “Seja abençoado, seja abençoado.” Era transformação.

    Não Te deixarei ir até que me abençoes.

    O Senhor tocou na coxa dele. Quem era esse homem? Era o Senhor Jesus.

    Aqui vocês têm uma representação do Calvário: Aquele que Se fez tão fraco que pôde ser pregado numa cruz, a fim de transformar você e torná-lo semelhante a Ele.

    O Senhor Jesus, em Cuja face brilha a luz do conhecimento da glória de Deus — era Jesus.

    Temos isso em 2 Coríntios 4:6:

    Das trevas resplandecerá a luz.

    Lembrem-se de como diz:

    O Deus que disse: Das trevas resplandecerá a luz, é Quem resplandeceu em nossos corações, para dar a iluminação, ou a luz, do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo.

    Aquele Homem celestial, o Messias Jesus, fez-Se fraco para que Jacó pudesse prevalecer, para que Ele pudesse transformá-lo de Jacó em Israel.

    Por que vocês acham que Deus chama a Si mesmo de Poderoso de Jacó? O Poderoso de Jacó — e, no entanto, Jacó prevalece contra Ele. Somente Alguém tão poderoso quanto Deus permite a Si mesmo tornar-Se fraco para transformar.

    O Senhor disse:

    Qual é o teu nome?

    “Jacó”, disse Jacó. Ele poderia ter dito: “Sou neto de Abraão. Sou filho de Isaque.” Mas disse: “Meu nome é Trapaceiro.”

    Isso é encarar a realidade nua e crua.

    Agora o Senhor disse: “Você não será mais chamado de Trapaceiro. Será chamado de Israel.”

    O Significado de Israel

    Esse nome extraordinário, Israel, tem deliberadamente vários significados possíveis: “Deus prevalece”, “Deus governa”, “Deus persiste”.

    Outra maneira de entendê-lo é como um trocadilho — um jogo de palavras. Aqui, mais uma vez, escutem: “Príncipe com Deus.”

    Não é extraordinário?

    A Transformação de Jacó em Adorador e Canal de Bênção

    Agora preciso terminar. Jacó nunca mais foi o mesmo.

    Vi a face de Deus, e vivi.

    Pelo resto da vida, ele mancou, e Deus confiou nele.

    O velho manipulador foi quebrantado e se tornou um príncipe com Deus — um homem que tem poder com Deus.

    Jacó nunca sentira necessidade de coisa alguma; tinha tudo dentro da sua vida do eu. Agora, pelo resto da vida, teve de usar um bordão. Era um homem transformado.

    A última imagem que temos de Jacó é esta:

    Pela fé, quando estava para morrer, abençoou os filhos de José e adorou, apoiado sobre o seu bordão.

    Quem vive para adquirir nunca pode ser um adorador. Quem está sempre adquirindo dificilmente é alguém que dá. Quem rouba bênçãos nunca é um canal de bênção.

    Mas agora Jacó havia sido tão quebrantado em sua vida do eu que precisava ser pela fé que abençoava, e pela fé que adorava. Deus havia realizado uma obra tão profunda nesse ser humano.

    Vocês sabem que, quando ele desceu ao Egito, o faraó quis conhecê-lo — o maior soberano da superpotência daquela época? Quando encontrou Jacó, o faraó soube intuitivamente que havia encontrado alguém muito maior do que ele próprio.

    Ele pediu a Jacó — o trapaceiro, o negociador, o acumulador, o ladrão de bênçãos — que o abençoasse. É uma imagem extraordinária: o idoso Jacó colocando as mãos sobre o faraó e abençoando-o.

    O impacto foi tão grande que, quando Jacó morreu, deram-lhe um funeral de Estado.

    O que significa ser conformado à imagem do Filho de Deus? Significa a glória de Deus. É simples assim.

    Jacó era pó. Você teria dito: “Lixo — não serve para o reino dos céus.” No entanto, ele terminou em glória.

    Isso me lembra as palavras do apóstolo Pedro:

    O Deus de toda a graça, que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo Jesus.

    Quem manda? É muito interessante o caso de Jacó. O Senhor Jesus disse:

    Bem-aventurados os puros de coração: porque eles verão a Deus.

    De certo ponto de vista, Jacó era tudo, menos puro de coração.

    A diferença entre ele e Esaú era esta: mais profundo do que sua vida do eu, mais profundo do que todo o seu tino comercial, mais profundo do que sua mentalidade de lucro, mais profundo do que a energia que havia nele, mais profundo do que o poder natural de sua carne, havia um desejo por Deus.

    É por isso que ele queria o direito de primogenitura. Ele o via como algo eterno. É por isso que queria a bênção. Era algo eterno.

    Aqui está, então, querido filho de Deus, um motivo de enorme consolo para nós. Deus ama você, e Ele o predestinou para ser conformado à imagem de Seu Filho.

    A chave é o senhorio — o senhorio do Senhor Jesus. Ele é Senhor? Se for, Ele transformará você. Ele o tornará semelhante a Ele.

    Ele usará cada circunstância, por mais sombria que seja; cada problema; cada tribulação. Ele usará cada relacionamento para tornar você semelhante a Ele.

    Louvado seja o Senhor.

    Senhor, todos nós somos Jacós. Alguns de nós talvez não nos vejamos dessa maneira, mas Tu nos vês como Jacós. Tu disseste:

    Amei a Jacó.

    Segura-nos, Senhor. Leva-nos ao lugar onde estejamos dispostos a que Tu sejas Senhor. Leva-nos ao lugar, custe o que custar, onde estejamos sozinhos, onde não tenhamos outra esperança além de Ti.

    Leva-nos ao lugar onde brilhe a luz do conhecimento da Tua glória na face do nosso Senhor Jesus. Faze isso, Senhor, para a Tua glória. Pedimos em nome do Senhor Jesus.