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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Conformed To The Image Of His Son #2 © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Conformed To The Image Of His Son #2
    Conformed To The Image Of His Son #2
    Kaung, Stephen

    Cristo como a Imagem do Deus Invisível

    Leituras Bíblicas

    João 1:1-3

    No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
    Ele estava no princípio com Deus.
    Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele; e, sem Ele, nada do que foi feito se fez.

    João 1:14

    E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós (e contemplamos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai), cheio de graça e de verdade.

    João 1:17-18

    Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
    Ninguém jamais viu a Deus; o Filho unigênito, Que está no seio do Pai, é Quem O revelou.

    Colossenses 1:15-17

    Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;
    pois Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; todas as coisas foram criadas por intermédio Dele e para Ele.
    E Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem.

    Hebreus 1:1-3

    Havendo Deus, outrora, falado aos pais pelos profetas, em diversas porções e de diversas maneiras,
    nestes últimos dias nos falou pelo Seu Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por intermédio de Quem também fez os mundos;
    o Qual, sendo o resplendor da Sua glória e a imagem exata da Sua substância, e sustentando todas as coisas pela palavra do Seu poder.

    Oração

    Amado Senhor, ao nos reunirmos aqui nesta manhã, queremos agradecer-Te pelo que fizeste durante os últimos dias. Agradecemos-Te por falares conosco, e cremos que o Teu Espírito está trabalhando em nós. Agradecemos-Te pela Tua presença entre nós.

    Senhor, queremos dar-Te glória desde o início desta reunião. Nós Te louvamos e Te agradecemos porque Tu és o mesmo ontem, hoje e para sempre. Cremos que estarás conosco, assim como estiveste conosco durante os últimos dias.

    Senhor, nada nos é mais precioso do que a Tua própria presença. Pedimos que removas qualquer véu que possa estar sobre o nosso coração. Pedimos que o nosso coração se volte para Ti, com o rosto descoberto, para que a glória do Senhor na face de Jesus Cristo seja vista.

    Reconhecemos que, se a Tua glória não nos aparecer, estaremos completamente sem esperança e sem auxílio. A oração do nosso coração é que nos mostres a Tua glória — mostra-nos a Tua glória na face de Jesus Cristo.

    Ó Senhor, cremos que, se manifestares a Tua glória, tudo procederá de Ti. Que a glória do Senhor encha este lugar. Conduze-nos à Tua presença para contemplarmos a Tua beleza e ouvirmos a Tua voz.

    Ó Senhor, pedimos que nos leves, em nosso espírito, até o céu, e que realizes aquilo que homem algum pode fazer. É para o Teu propósito; é para a Tua glória. Oramos em Teu precioso nome. Amém.

    O Propósito da Conferência

    Para aqueles que talvez tenham chegado somente nesta manhã, quero lembrar o tema desta conferência. Graças a Deus, não nos reunimos sem uma direção. Cremos que o Senhor colocou algo em nosso coração — algo que é muito precioso ao Seu coração e que Ele deseja para nós.

    O tema desta conferência é “Conformados à Imagem do Filho de Deus”.

    Esta é a vontade eterna de Deus. Encontramos na Palavra de Deus que, mesmo antes da fundação do mundo, Deus estabeleceu um propósito em Seu coração, segundo o Seu beneplácito. É isso que Lhe agrada.

    Esse propósito diz respeito ao Seu Filho amado: que todas as coisas, tanto as que estão no céu como as que estão sobre a terra, sejam reunidas — recapituladas — em Cristo Jesus.

    Deus também propôs, em Seu Filho amado, que esse Filho tivesse uma noiva, Sua contraparte, Sua semelhança. Essa é a igreja, o corpo de Cristo.

    Vemos que, no propósito de Deus, Cristo Jesus é o centro da Sua vontade. Contudo, também é propósito de Deus que haja algo em união e unidade com Cristo. Trata-se do homem — daqueles que são redimidos pelo Senhor.

    Nós, que somos escolhidos, fomos escolhidos antes mesmo da fundação do mundo. Fomos escolhidos em Cristo Jesus. Aos que Ele escolheu, chamou; aos que chamou, justificou; e aos que justificou, glorificou.

    Ser glorificado significa simplesmente ser conformado à imagem do Seu Filho amado. Que propósito glorioso Deus estabeleceu em Cristo para nós!

    A Orientação pelo Propósito em Vez das Necessidades

    Muitas vezes sinto que, entre o povo de Deus, somos muito orientados pelas necessidades. Por exemplo, viemos a esta conferência. Qual é o propósito da nossa vinda? Viemos para receber alguma coisa. Viemos para que os nossos problemas sejam resolvidos.

    Ora, se esse é o propósito da nossa vinda, então somos orientados pelas necessidades. E, se todos somos orientados pelas necessidades, então todos somos centrados em nós mesmos. Mas essa não é a vontade perfeita de Deus.

    Deus quer que sejamos orientados pelo Seu propósito. Ser orientados pelo propósito nos liberta de sermos centrados em nós mesmos. Queremos que o propósito de Deus seja cumprido. Até mesmo ser conformados à imagem do Filho de Deus é por causa Dele. Então seremos centrados em Deus; seremos centrados em Cristo.

    Queridos irmãos e irmãs, desde o início precisamos ter clareza: não estamos aqui por nós mesmos. Estamos aqui pelo nosso Deus, pelo nosso amado Cristo. Queremos ser conformados à imagem do Filho de Deus porque é isso que Ele quer, e queremos que Ele tenha aquilo que deseja.

    O Significado da Imagem Divina

    Durante os últimos dias, temos compartilhado sobre este assunto. Minha responsabilidade é muito simples. Na verdade, durante os últimos dias, já se falou sobre todo esse pensamento de sermos conformados à imagem do Filho de Deus.

    Mas, como o tema sob minha responsabilidade é “a imagem do Deus invisível”, preciso voltar ao princípio. Aqueles que estiveram conosco durante os últimos dias terão de me desculpar, porque estou levando vocês de volta ao princípio.

    Para sermos conformados à imagem do Filho de Deus, primeiro precisamos ter uma ideia clara do que é imagem. Se não sabemos o que imagem significa, como podemos ser conformados a essa imagem?

    Infelizmente, entre o povo de Deus, não há uma compreensão clara do que imagem significa na Palavra de Deus. Quando vemos uma estátua, dizemos que é uma imagem. Quando vemos um retrato ou uma fotografia, dizemos que é uma imagem.

    Mas, queridos irmãos e irmãs, seja uma estátua, seja uma fotografia, segundo a Palavra de Deus, são sombras. Elas podem transmitir alguma ideia do original, mas não há vida nelas.

    Imagem, na Palavra de Deus, é semelhança derivada. Não é apenas uma semelhança, mas uma semelhança que deriva do original. Portanto, é algo vivo. Não é simplesmente algo que, exteriormente, tem a mesma aparência.

    Um fotógrafo habilidoso pode fotografar uma pessoa e revelar não apenas os traços exteriores dela, mas até mesmo algo do seu caráter. Uma fotografia assim é muito expressiva. Contudo, embora seja expressiva, não tem vida. Portanto, não pode ser considerada uma imagem segundo o sentido estrito das Escrituras.

    Uma imagem é uma semelhança derivada. Ela precisa nascer; não é algo fabricado.

    Irmãos e irmãs, quando consideramos ser conformados à imagem do Filho de Deus, precisamos nos lembrar novamente de que não se trata de algo meramente exterior. É algo profundamente interior. É algo que precisa ser trabalhado em nós. Temos de ser conformados a essa imagem, antes de tudo, pela fé.

    Com isso em mente, podemos descobrir o que significa ser conformados à imagem do Filho de Deus.

    O Deus Que Se Revela

    Na primeira sessão, compartilhamos sobre como o Deus invisível Se torna conhecido. Deus é invisível porque Ele é Espírito. Mas, embora seja invisível, não é impossível conhecê-Lo.

    Desde o início da história humana, vemos que Deus tem usado todos os tipos de meios para Se revelar. Se Deus não Se revelasse, jamais poderíamos conhecê-Lo. Ele seria o maior mistério de todo o universo. Não poderíamos penetrar em Seu ser; Ele está muito, muito além de nós.

    Mas, graças a Deus, Ele é o Deus Que Se revela. Tudo o que sabemos a respeito de Deus vem da revelação. Se você sabe alguma coisa sobre Deus que não veio por revelação, talvez saiba a respeito de Deus, mas não conhece o próprio Deus.

    Isso é muito simples. Antes de sermos salvos, antes de o Senhor nos encontrar, essa era a nossa condição. Talvez tenhamos sido criados em uma família cristã. Eu fui criado em uma família cristã, e realmente agradeço a Deus por isso.

    Originalmente, nossa família não era cristã de modo algum. Mas, pela graça de Deus, quando meu pai era jovem, meu avô o enviou a uma escola missionária. Meu avô era construtor e queria fazer negócios com ocidentais. Meu pai, por ser o primogênito, foi enviado a uma escola missionária para aprender inglês, a fim de poder ajudá-lo em seus negócios.

    Mas, graças a Deus, enquanto meu pai estava naquela escola missionária, foi salvo. Naquela época, na China, quem cresse no chamado cristianismo era chamado de “cristão de arroz”, porque somente os pobres que precisavam de ajuda procuravam os missionários e diziam: “Eu creio em Jesus”.

    Por isso, as pessoas desprezavam esses chamados cristãos. Quando meu pai foi salvo, meu avô ficou tão envergonhado que o impediu de continuar frequentando a escola. Ele pensou que, se meu pai fosse afastado dos estrangeiros, ficaria bem.

    Mas, graças a Deus, a fé do meu pai era verdadeira. Por causa disso, dentre toda a nossa grande família, quando nasci, nasci em um lar cristão. Meu pai amava o Senhor.

    Em nossa família, todas as noites, antes do jantar, orávamos juntos. Meu pai reunia toda a família, e havia uma Bíblia grande. Ele lia a Palavra de Deus, e então todos nos ajoelhávamos enquanto ele nos conduzia em oração.

    Desde a infância, eu sabia a respeito de Deus. Nunca duvidei de Deus. Nunca duvidei de que Jesus fosse o Salvador. Eu conhecia as histórias da Bíblia. Na verdade, antes de ser salvo, eu pregava e dirigia reuniões de oração.

    Mas eu não O conhecia. Pensava que Ele estava muito, muito distante. Sabia que Ele existia, e sabia que Jesus era o Salvador do mundo. Mas achava que eu estava bem. Pensava: “Jesus salva pecadores, mas eu realmente não preciso Dele”. Essa era a minha situação.

    Irmãos e irmãs, se não houver revelação do alto, você não apenas não conhece a Deus, como também não conhece a si mesmo. Essa era a minha situação. Mas, graças a Deus, aprouve a Ele revelar Seu Filho em mim. Esse foi o início da minha vida cristã.

    Não se esqueçam da nossa primeira lição, porque essa primeira lição nos guia por toda a vida. Como conhecemos a Deus? Por revelação. Se Deus não revelar Seu Filho em nós, não O conhecemos de verdade.

    Podemos saber muito a respeito Dele, mas não há relacionamento. Como não há relacionamento, não há vida. E, como não há vida, não há conformidade à imagem do Filho de Deus.

    Ao longo de toda a Bíblia, mesmo antes da vinda do nosso Senhor Jesus a esta terra, vemos que Deus procurou Se revelar de muitas maneiras diferentes. Ele procurou fazer com que as pessoas soubessem a respeito Dele.

    O Deus invisível Se torna conhecido pelas coisas visíveis — por aquilo que Ele criou. Por meio da criação, começamos a compreender o Seu poder eterno.

    Mesmo na história humana, vemos que Deus está por trás dela. Ele espalhou as pessoas por todo o mundo. Determinou as nações e suas fronteiras. Quando realmente refletimos sobre a história humana, não podemos deixar de dizer que ela é a história Dele, porque Ele está no controle. Ele verdadeiramente é Deus.

    Também vemos como Ele procurou falar às pessoas. No Antigo Testamento, Ele apareceu às pessoas, às vezes como um anjo e às vezes em forma humana. Sempre que vocês encontram na Bíblia a expressão “o Anjo do Senhor”, ela se refere à segunda Pessoa do Deus Triúno.

    Deus estava sempre procurando Se mostrar ao homem. Deus não apenas criou o homem; Ele queria ter um relacionamento com o homem.

    Deus deu a lei à nação de Israel. Pela lei, revelou algo do Seu caráter interior. Porque Ele é santo, quer que sejamos santos. Ele é justo; portanto, precisamos ser justos.

    Por meio dos profetas, em muitas porções e de muitas maneiras, Ele falou conosco. Usou todos os tipos de figuras e símbolos para revelar o Seu coração. Até mesmo por meio daqueles santos homens de Deus, revelou algo do Seu caráter.

    Mas, apesar de todas essas coisas, Deus ainda não era plenamente conhecido, porque não havia nada que pudesse ser Sua própria imagem, por meio da qual Ele pudesse ser plenamente conhecido.

    No fim dos tempos, na plenitude do tempo, Ele enviou Seu Filho unigênito a este mundo. Ninguém jamais viu a Deus, mas Aquele Que está no seio do Pai O revelou.

    Cristo como a Imagem Exata de Deus

    Irmãos e irmãs, chegamos agora ao que vamos compartilhar nesta manhã: Cristo, a imagem exata do Deus invisível.

    Em Colossenses 1:15, vemos que Ele, o Filho do amor de Deus, é a imagem exata do Deus invisível.

    Para compreender isso, precisamos voltar ao princípio. É por isso que encontramos no Evangelho segundo João:

    No princípio era o Verbo.

    Esse princípio é anterior ao de Gênesis 1:1. Gênesis 1:1 é o princípio da criação, quando Deus começou a criar. Mas o princípio no Evangelho de João é o princípio de todos os princípios.

    Deus é o princípio. Fora Dele, não há nada. No princípio, havia Deus — o Ser supremo, o Triúno “EU SOU O QUE SOU”, Aquele Que existe por Si mesmo.

    Mas João começa dizendo:

    No princípio era o Verbo.

    Nós diríamos: “No princípio era Deus”, mas João diz:

    No princípio era o Verbo.

    A palavra Logos significa simplesmente fala, expressão, enunciação. No princípio era a expressão. No princípio era a fala.

    Isso não nos diz alguma coisa? Desde o princípio, Deus, Que é invisível, tem uma fala. Ele tem o Verbo.

    Como conhecemos as pessoas? Se uma pessoa permanece em silêncio, não sabemos o que há dentro dela. Mas, assim que ela abre a boca, começamos a ver o que há em seu interior, porque a boca fala do que está cheio o coração.

    Se Deus permanecesse em silêncio, se nunca dissesse uma palavra, quem O conheceria? Mas, graças a Deus, Ele é assim: Ele é o Verbo. Desde o princípio, Deus queria dizer alguma coisa. Há uma expressão que revela o que Ele é.

    Em nossa experiência humana, nossa palavra está ligada à nossa pessoa. A palavra e a pessoa são uma só coisa, porque sou eu quem fala, e minha fala revela o que sou.

    Mas o maravilhoso é isto:

    No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus.

    O Verbo é outra Pessoa. O Verbo estava com Deus.

    Contudo, embora o Verbo seja outra Pessoa:

    O Verbo era Deus.

    Ele é um com Deus. Esse é o mistério da Divindade.

    O que precisamos ver é que, desde o princípio, embora Deus seja Espírito e invisível, Ele deseja Se revelar. Isso está dentro Dele.

    O Filho é o Verbo. O Filho do amor de Deus é Sua fala, Sua representação e Sua manifestação. Porque Eles são um, tudo o que Deus é, o Verbo também é. Não há nada a mais nem nada a menos.

    Não pensem que Deus não pode ser conhecido. Segundo a mente humana, até mesmo a melhor mente humana pensa que, se existe um Deus, Ele é um Deus desconhecido.

    Os atenienses eram famosos por sua filosofia. Criam que deveria haver Alguém além deles, mas não podiam penetrar em Seu ser. Por isso, tinham um altar “a um deus desconhecido”.

    Como entendemos Deus de maneira completamente equivocada! Nosso Deus é um Deus Que Se revela, e a maneira pela qual Ele Se revela é por meio do Seu Verbo. Isso existe desde o princípio. Essa é a própria natureza de Deus.

    Se não O conhecemos, não é porque Deus não queira que O conheçamos; é porque não O buscamos.

    A representação está lá; a manifestação está lá. Mas está no céu, transcendente. Contudo, graças a Deus, um dia o Verbo Se fez carne e tabernaculou entre os homens, cheio de graça e de verdade.

    Em outras palavras, quando o Verbo Se fez carne, o que era transcendente tornou-se imanente. O que permanecia no céu agora apareceu na terra.

    A Encarnação e a Forma de Servo

    Irmãos e irmãs, para que o Filho de Deus fizesse isso, Ele, Que originalmente estava na forma de Deus, esvaziou-Se.

    Se vocês lerem Filipenses 2:5-6, verão que nosso Senhor Jesus Cristo subsistia na forma de Deus.

    Tende em vós este sentimento, que houve também em Cristo Jesus:
    o Qual, existindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que devesse Se apegar.

    A forma aqui não é algo exterior. No original, forma significa algo interior. Significa a essência, a substância.

    Nosso Senhor Jesus, como Filho de Deus, estava na forma de Deus. Ele possuía toda a essência e a substância de Deus. Como a Bíblia diz, toda a plenitude da Divindade estava Nele. Tudo o que Deus é, o Filho é. Não há nada a mais nem nada a menos.

    Hebreus diz que Ele é o resplendor da glória. Não podemos olhar diretamente para o sol; se fizermos isso, ficaremos cegos. Mas vemos o resplendor do sol e, ao vermos a luz, conhecemos o sol.

    Nosso Senhor Jesus estava na forma de Deus. Toda a essência de Deus estava Nele. Porque Ele é Deus, toda a glória, todo o poder e toda a autoridade são Seus. Ser igual a Deus não era algo a que precisasse Se apegar, porque isso era o que Ele era.

    Para vir a este mundo, Ele teve de deixar de lado, por assim dizer, essa forma por algum tempo. A Bíblia nos diz que Ele esvaziou-Se.

    Ele não Se esvaziou da Sua divindade, porque isso é o que Ele é. Mas pôde Se esvaziar de toda a honra e glória associadas a Deus. Pôde deixar de lado Seus direitos como Deus por algum tempo, a fim de assumir a forma de servo.

    Na encarnação, precisamos enxergar esse esvaziamento. Ele subsistia na forma de Deus, mas deixou de lado, ou ocultou, essa forma por algum tempo, para poder assumir outra forma.

    Essa forma, a forma de servo, não era uma aparência exterior. Era uma realidade interior.

    Quando Cristo veio a este mundo, estando na forma de Deus, assumiu a forma de servo. Quanto à Sua disposição interior, assumiu a disposição de um servo.

    Ele era Deus. Ele era a autoridade. Era soberano, todo-poderoso, a vontade suprema. Ninguém podia Lhe dizer o que fazer, porque Ele era Quem comandava. Contudo, deixou de lado essa forma, ocultou-a e assumiu outra disposição interior: a disposição de um servo.

    Um servo, nessa condição de escravo, não tem direito algum. Não tem direito nem mesmo à própria vida, porque é propriedade de alguém. Sua responsabilidade é obedecer aos comandos e às ordens.

    Pensem nisso: quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, como Ele Se esvaziou! Em Seu coração, interiormente, havia a forma de um escravo. Exteriormente, assumiu a condição humana. Você olhava para Ele, e Ele era um homem; mas, interiormente, era um servo. Essa era a Sua disposição. Esse foi o Seu esvaziamento.

    Quando Deus criou o homem, o homem deveria ser um servo de Deus. O homem não foi criado para ser senhor de si mesmo.

    Quando o Senhor apareceu a Saulo, disse:

    Saulo, Saulo, por que Me persegues?
    Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.

    Por que o Senhor disse isso? Porque Saulo pensava que era senhor de si mesmo. Mas o Senhor o lembrou de que ele fora criado para ser um servo. Como um boi sob o jugo, se não obedece ao seu senhor, este o adverte com o aguilhão. Se ele dá coices contra os aguilhões, apenas machuca a si mesmo.

    O homem foi criado para estar acima de tudo, mas debaixo de Um. Ao homem foi dado domínio sobre todas as coisas, mas ele não era o proprietário. Deveria obedecer ao seu Criador.

    Esse é o verdadeiro homem. Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, Ele era o homem segundo o coração de Deus. Era o homem que Deus, desde o princípio, criou o homem para ser: exteriormente um homem, interiormente um servo. Portanto, podia representar e manifestar Deus plenamente.

    A Graça e a Verdade em Cristo

    O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, cheio de graça e de verdade. Aqui vemos que, como homem, Ele era cheio de graça e de verdade.

    O que é graça? O que é verdade? Se vocês lerem todo o Evangelho segundo João, verão que Sua vida nesta terra manifestou essas duas coisas. Ele manifestou o que é graça e manifestou o que é verdade.

    A lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade subsistem por meio de Jesus Cristo. Sabemos que Deus é graça e que Ele é verdade. Mas a graça e a verdade estavam no céu. Com a vinda do nosso Senhor Jesus a este mundo, Ele trouxe a graça e a verdade para este mundo.

    Ele nos mostrou o que é graça e nos mostrou o que é verdade. Muitas vezes pensamos que, se há graça, não há verdade; e, se há verdade, não há graça. Essas duas coisas parecem ser opostas uma à outra.

    Se vou agir com graça, como posso ser verdadeiro? Se quero ser verdadeiro, como posso agir com graça? Tudo precisa estar exatamente certo, e tudo o que não está certo precisa ser julgado.

    Mas, irmãos e irmãs, a Palavra nos diz que a graça e a verdade subsistem em Cristo Jesus. Ele é tanto graça como verdade. Todas as Suas obras são graça; todas as Suas palavras são verdade. A graça e a verdade trabalham juntas Nele.

    É assim que o Evangelho segundo João está escrito. Vemos como nosso Senhor Jesus Cristo viveu na terra: Ele fazia algo cheio de graça e, em seguida, dizia algo cheio de verdade. A graça e a verdade subsistem em Cristo Jesus.

    Pela primeira vez no mundo, vemos verdadeiramente o que é graça e o que é verdade.

    Segundo o significado original, a graça inclui três coisas:

    1. A graça é um objeto ou uma pessoa tão bela que, ao contemplá-los, sentimos prazer.
    2. A graça é algo dado gratuitamente e de maneira universal.
    3. Aqueles que recebem graça assumem o caráter e a natureza da graça, passando a agir com graça para com outras pessoas.

    Foi isso que nosso Senhor trouxe a este mundo. Vemos que Ele é tão belo que verdadeiramente atrai o nosso coração. Vemos que Ele é tão cheio de graça que dá de maneira universal e gratuita. E Ele nos faz agir com graça.

    Também no Evangelho segundo João, Ele diz:

    Em verdade, em verdade vos digo.

    Ele é o Amém e o Amém. Tudo o que Ele diz é verdadeiro e eternamente verdadeiro.

    É isso que percebemos em Sua vida. Quando você olha para Sua vida na terra — cheia de graça e de verdade —, qual é a sua reação? Se não tiver preconceitos, ao ver uma pessoa cheia de graça e de verdade, você dirá: “Ele é um grande homem. Ele é Elias, ou Jeremias, ou um dos profetas”.

    Talvez você até diga: “Confúcio voltou à vida. Ele é o maior homem do mundo”. Esse é o veredito do mundo.

    Mas, irmãos e irmãs, em João 1:14 há uma frase entre parênteses:

    E contemplamos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai.

    Sem revelação, ao olhar para a vida de Jesus, você verá que Ele é um grande homem. Esse é o veredito do mundo.

    Um dia, nosso Senhor Jesus perguntou aos Seus discípulos:

    Quem dizem os homens que Eu sou?

    Os discípulos, para agradar ao seu Mestre, não Lhe disseram nada de ruim. Trouxeram apenas os melhores comentários.

    O povo judeu dizia: “Quem é maior profeta do que Elias?” Como nosso Senhor Jesus chorava, diziam que Ele devia ser Jeremias. Ou talvez fosse o profeta de quem Moisés falou — o profeta que Deus enviaria dentre seus irmãos.

    Diziam: “Ele deve ser aquele profeta”, porque Ele falava com autoridade. Mas o mundo não sabe.

    Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam.

    Mas, graças a Deus, se realmente recebermos revelação e O contemplarmos, veremos que Ele é mais do que simplesmente um homem.

    Por trás de uma vida cheia de graça e de verdade, você vê uma glória. Essa glória é a glória do Filho unigênito junto ao Pai. Você pode ver a glória de Deus.

    As pessoas podem receber Seus atos de graça, ou até mesmo ouvir Suas palavras de verdade, e ainda assim não ver a glória. A glória estava, em certo sentido, oculta.

    Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, veio incógnito. Às vezes, um rei quer conhecer a verdadeira situação do seu povo, então muda de roupa e finge ser outra pessoa. Assim, pode conhecer a condição real do seu povo.

    Quando nosso Senhor Jesus veio a este mundo, deixou temporariamente de lado a forma de Deus e tomou sobre Si a forma de servo. Veio na condição de homem. Veio incógnito.

    As pessoas O viam apenas como um homem — o homem perfeito. Eram incapazes de ver Sua glória divina. Mas, se você realmente O contemplar, verá uma glória, e essa glória é a glória do Filho unigênito junto ao Pai.

    Graças a Deus, nós vemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Mas isso significa que precisamos meditar diante Dele.

    O que vimos e ouvimos precisa ser guardado em nosso coração, assim como Maria, a mãe de Jesus, meditava nessas coisas em seu coração. Não devemos simplesmente ver ou ouvir e depois esquecer.

    Ao contemplarmos a vida do nosso Senhor Jesus na terra, precisamos meditar. Se, depois de ouvir, simplesmente esquecermos e, depois de ver, esquecermos, então veremos apenas que Ele é um homem cheio de graça e de verdade. Não veremos a glória de Deus.

    Na verdade, é a glória de Deus na face de Jesus Cristo. Ele é a plena representação e manifestação do Deus invisível.

    A Glória de Deus Revelada na Cruz

    Não apenas em Sua vida, mas também em Sua morte, Ele é a plena representação e manifestação do Deus invisível. Nosso irmão mencionou isso ontem à noite, e eu vou apenas mencioná-lo brevemente.

    Na cruz do nosso Senhor Jesus, o que vemos? O que vemos em Sua morte? Vemos apenas Seus sofrimentos? Mesmo quando vemos Seus sofrimentos, vemos apenas Seu sofrimento físico?

    A verdade é que Seu sofrimento na cruz foi mais do que físico. O maior de Seus sofrimentos foi quando clamou:

    Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?

    Por trás de todos os sofrimentos de Cristo, está a glória de Deus. A cruz é um símbolo de vergonha, mas, para nós, a cruz é glória. Por causa dessa cruz, vemos a glória de Deus na face de Jesus Cristo.

    Na cruz, Ele manifestou o amor de Deus em sua plenitude. Ao mesmo tempo, manifestou a retidão e a justiça de Deus em sua plenitude.

    Embora Ele seja o Filho de Deus, o Filho unigênito, quando tomou sobre Si o pecado do mundo, o Pai não O poupou. Quando Deus O esmagou na cruz, Deus desviou o Seu rosto.

    Isso mostra a perfeita justiça de Deus — amor perfeito e justiça perfeita. É a plena representação e a plena manifestação do Deus invisível.

    A Contemplação do Pai no Filho

    Queridos irmãos e irmãs, precisamos ser conformados à imagem do Filho amado de Deus porque Ele é a imagem exata de Deus. Deus Se revelou a nós em Seu Filho.

    Naquela última noite antes da Sua crucificação, enquanto celebrava a Páscoa com Seus discípulos, Filipe Lhe fez este pedido:

    Mostra-nos o Pai, e isso nos basta.

    Como o coração do nosso Senhor ficou ferido! “Há tanto tempo estou com vocês, e você ainda pede: ‘Mostra-nos o Pai’?”

    Não sabes que o Pai está em Mim, e Eu estou Nele?

    Quem Me vê a Mim vê o Pai.

    Não há nada a menos nem nada a mais.

    Queridos irmãos e irmãs, temos visto a glória de Deus? Não podemos olhar diretamente para Sua glória, mas temos visto Sua glória na face de Jesus Cristo.

    Sua glória é a glória do Pai. Que a glória do Senhor nos apareça. Ela já apareceu em Cristo Jesus, e que possamos ver essa glória hoje.

    Muitas vezes sinto que, se tão somente virmos a glória de Deus, nada mais terá importância. Que o Senhor nos conceda essa visão.