No espírito desse cântico, vamos abrir em Apocalipse 11. Há aqui um testemunho maravilhoso que nos dá grande esperança e segurança nos dias em que vivemos, enquanto testemunhamos Dele como Senhor do céu e da terra.
Apocalipse 11:15 diz:
E o sétimo anjo tocou a trombeta;
e houve no céu grandes vozes, que diziam:
O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do Seu Cristo;
e Ele reinará para todo o sempre.
Um dia, o reino do mundo se tornará o reino de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará para todo o sempre.
Vamos orar.
Senhor, nós Te agradecemos porque, como os remidos do Senhor, podemos voltar a Ti hoje. Senhor, somos gratos porque, como nos lembraste, Tu nos tiraste do poço de lama. Fomos colocados sobre essa rocha firme e, Senhor, fomos introduzidos em tão grande salvação.
Senhor, um aspecto dessa salvação é sermos salvos de alguma coisa, mas somos gratos porque também somos salvos para Ti. Somos salvos para Aquele que tem um propósito. Somos salvos para esse tão grande chamamento que Tu tens. Senhor, somos salvos para o nosso Senhor Jesus Cristo.
Nós Te agradecemos porque, ao olharmos para o futuro, Senhor, sabemos que um dia todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor. Um dia, o Teu reino virá e será manifestado. Senhor, queremos ser aqueles que aprendem, nesta hora, a cooperar Contigo, a ser treinados por Ti, para governar e reinar Contigo naquele tempo.
Nós Te bendizemos, Senhor, pelo encorajamento que nos deste em Tua Palavra. Agradecemos pelas lições que podemos encontrar em Tua Palavra. Agradecemos por Tua vida e nos entregamos a Ti hoje, Senhor, reconhecendo-Te como o Mestre e olhando para Ti, para que nos fales, abrindo nossos corações para receber tudo o que tens para nós. Em Teu precioso nome, amém.
Como King mencionou, hoje continuaremos a compartilhar sobre os valentes de Davi. Faz pouco mais de dois meses que compartilhei a primeira parte, então talvez precisemos fazer uma pequena revisão.
Ontem, pedi aos irmãos do grupo que orassem por mim, porque vocês já perceberam que, quando alguém faz uma revisão, faltando cinco minutos para o meio-dia, diz: “Bem, agora chega de revisar o que vimos da última vez”? Então, que o Senhor nos ajude a captar a essência e o fundamento do que compartilhamos antes, sem nos distrair daquilo que Ele tem a dizer hoje.
Por que estamos olhando para os valentes de Davi? O que dissemos foi que o Senhor nos introduziu em tão grande salvação. Mas a salvação na qual fomos introduzidos não apenas nos salva de alguma coisa; ela nos chama com um propósito.
Ele deseja que Seu reino seja manifestado — sim, no futuro —, mas também deseja que esse reino seja manifestado entre Seu povo nesta hora. Ele está aproveitando estes dias para nos treinar. Esse treinamento é a obra, como dizem as Escrituras, de nos transformar à imagem de Seu Filho amado e nos conformar a essa imagem.
Estamos usando a figura de Davi e seus valentes para nos encorajar, porque ela nos mostra o começo, o processo pelo qual passaram e o fim.
Voltem a 1 Samuel 22. É ali que vemos, pela primeira vez, Davi e essas pessoas se reunindo a ele. Acho que muitos de nós podem se identificar com aqueles que se uniram a Davi para estabelecer seu reino.
1 Samuel 22:1-2 diz:
Então Davi se retirou dali e escapou para a caverna de Adulão;
e, quando seus irmãos e toda a casa de seu pai o ouviram, desceram ali para ele.
E ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto,
e todo homem endividado,
e todo homem de espírito desgostoso;
e ele se fez chefe deles;
e eram com ele cerca de quatrocentos homens.
Vemos Davi acolhendo aquilo que chamaríamos de um bando de desajustados. De muitas maneiras, chamar aquilo de “bando de desajustados” é até um elogio, porque eles eram piores do que isso. A questão é que, quando olhamos para essas pessoas que vieram a Davi, a quem ele treinou e depois usou para estabelecer seu reino, precisamos nos lembrar: esses somos nós.
Aqueles homens estavam naquele poço de lama, e nós também estávamos no poço de lama. Por causa disso, estávamos em grande aflição, com grandes dívidas e grande descontentamento. Mas o Senhor, em Seu grande amor, revelou-Se a nós e nos trouxe para Si.
Vemos aqui como Davi acolhe essas pessoas e as treina para aprenderem mais do caráter de Deus. Mais tarde, elas vêm e estabelecem o reino. O Senhor está fazendo a mesma coisa conosco.
Vemos em 1 Coríntios 1 que Ele toma os fracos, os loucos desta terra, os desprezados deste mundo, e o Senhor os chama e os traz para Si. Muitas vezes, podemos cair na armadilha de pensar: “Não sou bom o suficiente para ser salvo. Quando eu colocar minha vida em ordem, quando deixar algumas coisas para trás, então poderei ter algum valor para Jesus”.
Não. O que vemos de precioso na vida de Davi é que todos eles vieram em suas condições de descontentamento e aflição, e nenhum foi rejeitado. Ele aceitou cada um deles exatamente como era. Irmãos e irmãs, Ele aceitou cada um de nós exatamente como éramos.
Às vezes, hesitamos. Tentamos melhorar a nós mesmos, mas Ele nos aceitou. Louvado seja Deus, Ele não nos deixa assim. Ele começa uma obra de transformação, mas nos aceita como éramos.
Assim como Davi treinou esse grupo, o Senhor também está realizando uma obra de treinamento: tomando um grupo de indivíduos e formando um só povo. É uma expressão coletiva daqueles que estão sob a autoridade do Rei. Ali estão eles, governando com ele. Quando o rei vai por um caminho, eles seguem pelo mesmo caminho.
É isso que o Senhor deseja de nós. Ele salva cada um de nós, e cada um responde individualmente. Mas então, por meio de nossa salvação individual, Ele nos revela que fomos introduzidos como parte de um corpo — parte do grande chamamento para sermos essa expressão coletiva de Sua vida nesta terra.
É uma salvação tão grande. Acho que passaremos toda a nossa vida nesta terra descobrindo a grandeza dessa salvação. Quem dera pudéssemos conhecer mais e mais dela a cada dia.
Ao olharmos para Davi e seus valentes, vemos como começaram. Compartilhamos, da última vez, como foram usados para estabelecer o reino. Mas, depois que o reino foi estabelecido, vamos observar rapidamente como foram usados dentro dele, porque serviram durante toda a vida.
Mantenham o dedo em 1 Samuel e abram em 1 Crônicas 27. Davi já tem seu reino estabelecido e agora está organizando a administração de todo o seu reino: os comandantes do exército e aqueles que ficariam responsáveis pelas diversas funções dentro do reino.
Diferentes traduções dão títulos diferentes a 1 Crônicas 27. A minha traz: “Comandantes do exército, principais oficiais e diversos supervisores”. Mas, se vocês dedicarem tempo a examinar esse capítulo, descobrirão que os nomes mencionados ali são, muitas vezes, os nomes dos valentes de Davi. Ele os usou e os colocou à frente de diversas funções na administração de seu reino.
Se vocês passarem para o capítulo seguinte, 1 Crônicas 28, Davi revela o que estava em seu coração acerca da construção de um templo. O Senhor havia revelado Seu plano, e Davi reuniu aquelas pessoas. Em 1 Crônicas 28:1, ele reúne todos os líderes de Israel e, perto do fim desse versículo, seus valentes estão entre os que foram incluídos.
Ele lhes revela seu coração — o coração do Senhor — acerca de um lugar, uma habitação, entre o povo de Deus. Então, em 1 Crônicas 29, o texto fala do templo, das ofertas e de como Salomão é constituído rei.
Em 1 Crônicas 29:24, entre todos aqueles que estão jurando fidelidade a Salomão, estão os valentes, jurando fidelidade ao rei Salomão.
Observamos, da última vez, que uma das provas daqueles que Davi havia treinado era conhecerem o coração de seu rei. Eles sabiam qual era a intenção dele. Mesmo quando Davi já estava velho e o novo rei estava para assumir, Adonias tentou usurpar o trono.
Alguns foram para Adonias. Joabe e alguns outros que haviam convivido com Davi foram para ele. Mas aqueles que conheciam o coração do rei foram para Salomão. Esses eram os valentes e os outros fiéis. Eles não se deixaram distrair.
Isso me faz lembrar de como se diz que, nos últimos dias, muitos virão em Seu nome: “Este é o Cristo. Este é o Cristo”. Como saberemos?
Alguns dos que haviam estado com Davi não conheciam o coração do rei. Tinham até servido com Davi, mas não conheciam o coração do rei. Podemos estar com Ele; podemos estar envolvidos com as coisas do Senhor. Mas estamos tocando Seu coração? Sabemos Quem Ele é e o que deseja realizar?
Esses valentes haviam entrado no coração de seu senhor, de modo que, quando o verdadeiro rei foi manifestado, eles o escolheram. Muitas vezes, se olharmos ao redor hoje, veremos muitas coisas sendo feitas em nome de nosso Rei. Há muitas coisas sendo feitas no cristianismo. Como sabemos quais vêm de Seu coração e quais não vêm?
É por isso que é tão essencial que, a cada dia, quando o Senhor nos proporciona um campo de treinamento, assim como proporcionou um campo de treinamento para os valentes de Davi, abramos nossos corações e aprendamos as lições que Ele está procurando nos ensinar.
O que Ele está procurando nos ensinar, de modo geral? Na verdade, Ele está procurando nos ensinar e mostrar qual é o grande desejo de Seu coração. É por isso que Davi disse:
Uma coisa pedi ao Senhor, e a buscarei.
Ouvimos isso recentemente: há uma coisa para a qual o Senhor nos está chamando. Podemos nos distrair com muitas coisas, mas há uma coisa para a qual o Senhor nos está chamando. Será que essa única coisa também move nosso coração, assim como moveu o coração de Davi e como ele conseguiu incuti-la no coração de seus valentes?
Dissemos, da última vez, que Davi é uma figura de Cristo. Na verdade, não vamos tratar muito de Davi, porque isso daria todo um outro volume de assuntos. Mas quem são esses valentes? Se vamos aprender lições com eles, quem são eles?
Esses valentes são simplesmente pessoas que responderam ao amor de seu senhor. Quando viram o coração de seu senhor, quando viram seu amor pelo Senhor e seu amor por eles, responderam.
Muitos de nós conseguem ver o amor do Senhor, mas estamos respondendo? Essas pessoas responderam. Em Apocalipse, dá-se este testemunho a respeito delas:
Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá.
Aonde quer que Davi fosse, esses valentes o seguiam — nos bons momentos, nas bênçãos e nos sofrimentos. Não importava o que o caminho lhes reservasse, eles o seguiam aonde quer que fosse.
Também podemos dizer que esses valentes são simplesmente cristãos normais vivendo em tempos anormais. É isso que o Senhor realmente busca em nossa vida.
Às vezes, pensamos que o Senhor quer cristãos extraordinários, mas, na verdade, tudo o que o Senhor procura é que vivamos uma vida cristã normal. O problema é que o padrão hoje é tão baixo que, muitas vezes, acabamos vivendo uma vida abaixo do normal. Mas Ele simplesmente quer que vivamos uma vida cristã normal nestes tempos anormais.
Quando vivemos essa vida cristã normal nestes tempos anormais, vocês sabem o que isso faz de nós? Somos simplesmente servos do Senhor por amor.
O que é um servo por amor? Um servo por amor é alguém que ama seu senhor. Um servo por amor é alguém que tem no coração os interesses de seu senhor. Ele sabe o que seu senhor deseja.
Quando conhece o desejo do coração de seu senhor, o servo por amor, como vimos no Antigo Testamento, é alguém que escolheu livremente entregar-se por completo ao seu senhor — sem se ocupar consigo mesmo, sem buscar suas próprias coisas, mas totalmente rendido, conquistado pelo amor de seu senhor e respondendo a ele.
Creio que, nos dias em que vivemos, o desafio para todos nós é: seremos servos do Senhor por amor? A quem estamos servindo? A quem estamos servindo?
Essas pessoas escolheram servir a Davi. Nisso, aprenderam a conhecer o coração de Davi. Aprenderam a visão que Davi tinha e o seguiram aonde quer que fosse.
Somos muito gratos por essa figura. Gosto das figuras do Antigo Testamento porque, muitas vezes, no Novo Testamento, podemos ter um ensino; mas, no Antigo Testamento, vemos uma figura. Vemos pessoas que caem, cometem erros, se levantam, aprendem e continuam seguindo em frente.
Eu estava pensando que poderia aplicar uma prova sobre a última mensagem. Foram sete pontos que compartilhei da última vez, mas, por amor aos irmãos, não farei isso, já que se passaram mais de dois meses.
Ao examinarmos 1 Samuel 22 e 23, vimos sete pontos. Vou apenas mencioná-los rapidamente:
Reconhecer nossa condição. Reconhecemos que não somos nada e estamos falidos, mas vemos Quem Ele é. Isso é simplesmente nossa salvação: ver Quem Ele é e, em Sua luz, ver quem somos.
Separar-nos do passado. Eles se separaram do passado e foram segui-lo. Separaram-se das coisas com as quais estavam ocupados e vieram a ele. Esse é o testemunho do batismo.
Consagração. Eles se entregaram e disseram: “Davi é nosso senhor. Ele é rei”. Na consagração, resolvemos a questão de quem é o Senhor de nossa vida.
Permanecer com ele. Em meio aos bons e aos maus momentos, aprenderam a permanecer com Davi.
Comunhão com o rei. No início de 1 Samuel 23, aprenderam que haviam sido chamados à comunhão com Davi. Podiam compartilhar seu coração com Davi, e Davi podia compartilhar seu coração com eles. Há um relacionamento aberto e sincero para o qual fomos chamados na comunhão do Senhor.
Servir ao Deus vivo. Aprenderam a Quem realmente estavam servindo. Serviram a certas pessoas e foram traídos, mas, por meio da lição de serem desapontados, decepcionados e não valorizados, aprenderam que estavam servindo ao Deus vivo, não ao homem. Muito de nosso serviço se expressa para com os irmãos e irmãs, mas, em última análise, nosso serviço é para Deus.
Reconhecer o verdadeiro inimigo. O inimigo não eram seus irmãos. Aprenderam que o inimigo era a carne e as coisas do próprio inimigo.
Foi interessante nessa figura: Davi foi e lutou contra os filisteus, mas Saul não queria lutar contra os filisteus; queria lutar contra Davi. Muitos crentes hoje estão assumindo esse espírito de lutar uns contra os outros, em vez de realmente se posicionar e lutar contra as coisas do inimigo. Será que aprenderemos quem realmente é o inimigo?
Gostaria que continuássemos hoje. Há uma pergunta geral que queremos fazer: Onde e como terminaremos?
O objetivo era governar no reino. Qual é a nossa condição? Onde e como terminaremos? Muitas vezes, podemos começar bem. Podemos estar correndo bem. Mas a questão é: como estamos terminando?
Graças ao Senhor, enquanto corremos ao longo desta vida, podemos estar correndo muito bem em certos momentos, mas então alguma coisa pode nos distrair. Muitas vezes, podemos estar correndo muito mal. Podemos cair. Podemos abandonar completamente o Senhor e seguir nosso próprio caminho. Mas, em Sua misericórdia, Ele nos atrai de volta e, quando terminamos, terminamos onde Ele quer que estejamos.
A questão, irmãos e irmãs, é onde terminamos. Sim, é importante onde começamos. Se não começarmos em Cristo, nunca terminaremos Nele. Mas, depois de termos começado, depois de termos sido chamados a Ele, onde terminamos?
Podemos aprender com as próximas duas pessoas mencionadas aqui em 1 Samuel. Elas nos apresentam um grande contraste quanto ao lugar onde alguém termina. Vocês podem perguntar por que vou compartilhar sobre essas duas pessoas, já que não estão listadas entre os valentes. Mas acho que nelas veremos qual é o verdadeiro coração de um valente — o espírito e o coração que distinguem os valentes daqueles que não o são.
Queremos observar um contraste entre Jônatas e Abigail, mantendo em mente esta pergunta: Onde eles terminaram?
Ao olharmos para Jônatas, abram em 1 Samuel 23 e considerem 1 Samuel 23:16-18. Sabemos que Jônatas era filho de Saul. Era um grande amigo de Davi. Em algumas ocasiões, ajudou Davi e falou em sua defesa. Este é, de fato, o último encontro entre Jônatas e Davi.
Davi está no deserto, e Jônatas vai até ele.
1 Samuel 23:16-18 diz:
Então se levantou Jônatas, filho de Saul, e foi para Davi no bosque, e fortaleceu a sua mão em Deus.
E disse-lhe: Não temas;
que não te achará a mão de Saul, meu pai;
porém tu reinarás sobre Israel,
e eu serei contigo o segundo;
o que também Saul, meu pai, bem sabe.
E ambos fizeram aliança perante o Senhor;
Davi ficou no bosque, e Jônatas voltou para a sua casa.
Sabemos que Jônatas tem uma boa reputação, mas gostaria que considerássemos outro aspecto dele, porque acho que isso é crucial para nós nos dias em que vivemos.
Jônatas e Davi tinham um bom relacionamento. Jônatas era amigo de Davi. Embora não fossem irmãos de sangue, estavam praticamente unidos como irmãos pelo amor. Mas a questão é: onde eles terminam? Onde Jônatas termina?
Em Jônatas, vemos alguém que reconhecia que Davi era rei. Ele falou em sua defesa. Mas chegou um momento na vida de Jônatas em que ele precisou tomar uma decisão: “Vou prosseguir com Davi ou vou voltar para Saul?”.
Vemos que Jônatas escolheu voltar e ficar com seu pai, Saul. Mais tarde, no final do livro, Jônatas é morto com Saul. Ele escolheu voltar para aquele que representa o homem da carne. Não quis se separar. Voltou, permaneceu com seu pai e acabou morrendo com ele, morto pelos filisteus, sem jamais chegar a governar com Davi no reino.
É um pensamento que nos faz refletir seriamente. Se vocês olharem para 1 Samuel 23:17, há muito sendo dito ali:
Tu reinarás sobre Israel, e eu serei contigo o segundo.
Jônatas estava disposto a governar ao lado de Davi, mas nunca esteve disposto a ser governado por Davi. Não estava disposto a se colocar sob a autoridade de Davi. Não assumiu o espírito do servo por amor.
Jônatas nunca se separou de seus antigos caminhos, do antigo sistema nem de seus próprios interesses. Queria governar com Davi, mas não estava disposto a sofrer com Davi.
Paulo exortou Timóteo dizendo que aqueles que sofrem e perseveram com Ele reinarão com Ele. Irmãos e irmãs, o caminho para o trono — o caminho para governar e reinar com Ele no reino — é o caminho da cruz.
É separar-se das coisas do passado. É resolver as questões do passado. Estamos dispostos a deixar para trás todas as riquezas e tudo o que temos?
Jônatas não estava. Antes, ele era o segundo no reino de Saul. Então disse: “Está bem, vou governar com Davi no reino dele”. Mas estava disposto a abandonar tudo?
Jônatas é uma figura triste. É uma bela figura de alguém que amava o Senhor e servia ao Senhor, mas chegou um momento em que ele não quis abandonar seus próprios interesses e colocar os interesses de seu senhor acima dos seus.
Jônatas não quis partir e abandonar as riquezas do mundo. Tinha uma posição, uma grande posição naquele antigo sistema, e não estava disposto a deixá-la. Tinha prestígio na família como primogênito. Ele deixaria isso?
A reputação entre os amigos é uma das coisas mais difíceis de perder. Estamos dispostos a ter nossa reputação arruinada porque estamos seguindo o Senhor? “O que fulano vai pensar de mim? O que fulano vai pensar de mim se eu fizer isso?”
Este é o desafio que temos: estamos dispostos a abandonar nossos próprios interesses e realmente nos ocupar dos assuntos de nosso Senhor neste tempo?
A diferença entre Jônatas e Abigail, como veremos, é que Abigail tinha o espírito de um servo por amor. Jônatas nunca teve.
Infelizmente, quando olhamos para o cristianismo hoje, vemos tanto cristianismo sem cruz. Podemos desfrutar de todos os benefícios. Ouvimos falar de um reino e queremos todos os benefícios do reino. Queremos toda a alegria, todas as riquezas, as riquezas incomparáveis de Cristo.
Mas como Paulo entrou nessas riquezas incomparáveis? Ele disse:
Cada dia morro.
Irmãos e irmãs, o caminho da cruz se perdeu hoje. O Senhor está procurando nos chamar de volta a ele.
Se realmente desejamos entrar no desfrute daquilo que nosso Senhor tem para nós, seguir o Cordeiro aonde quer que Ele vá, isso pode soar tão bonito. Dizemos: “Eles seguem o Cordeiro aonde quer que Ele vá, e estão ali em Apocalipse, diante do trono”. Mas o que é seguir o Cordeiro aonde quer que Ele vá?
É experimentar a humilhação de nascer num cocho em Belém. É experimentar a rejeição daqueles a quem você veio servir. É experimentar a agonia do Getsêmani. É experimentar a morte de cruz. Esse é o caminho pelo qual o Cordeiro vai.
Esse é o caminho pelo qual o Senhor está chamando aqueles que governam com Ele a seguir. Não é uma grande propaganda de vendas. Se vocês estivessem fazendo um comercial sobre o desejo de governar com Cristo, esse teria de passar às três da manhã, porque ninguém assistiria. Não seria muito popular.
Mas o Senhor não está interessado em popularidade. Está interessado na verdade. Está interessado em ter um povo que, ao vê-Lo e contemplá-Lo, esteja disposto a abandonar tudo.
Vemos, nesses homens de 1 Samuel 22 e 23, que eles deixaram tudo. Viram algo de Davi. A pergunta que precisamos fazer, quando nos encontramos atraídos pelas coisas do mundo e por tantas outras coisas que nos puxam, é: será que realmente vimos o Senhor?
Gostei muito de um dos pequenos versos dos cânticos que as crianças cantaram hoje. Embora não o tenham escrito corretamente, ele falava do tamanho do Deus delas. Na verdade, gostei do “Z” duplo ali, porque fez Deus parecer maior. A pergunta é: quão grande é o nosso Deus?
O problema que temos — e eu sei disso em minha própria vida — é o temor do homem, em vez do temor de Deus. Em certos momentos de minha vida, os homens são maiores do que Deus. Por Sua graça, Ele está me treinando para colocar Deus no lugar que Lhe é devido.
Quando somos confrontados com alguma coisa, quão grande é o nosso Deus? Nós O vemos como plenamente suficiente, plenamente capaz de nos conduzir à vitória? Ou nos encontramos como Jônatas? Queremos todos os benefícios. Queremos toda a glória. “Vou governar ao Teu lado em Teu reino.” Queremos toda a glória disso.
Mas estamos dispostos a seguir o caminho pelo qual nosso Senhor passou — a ser treinados, a abandonar tudo e a entrar no desfrute daquilo que nosso Senhor tem para nós?
Louvado seja Deus, há aqueles que responderam dessa maneira. Temos Jônatas nesta lição. Ele ainda fazia parte da nação de Israel, mas não chegou a governar com o rei. Temos uma escolha: seremos aqueles que governam com Ele, não apenas agora, mas também nos dias que virão?
Temos aqui uma bela figura e um contraste. Jônatas e Abigail tinham muito em comum. Ambos amavam Davi, e Davi amava os dois. Davi derramou seu amor sobre Jônatas.
Contudo, quando Davi foi para o deserto, Jônatas voltou para sua própria casa. Não ouvimos mais falar de Jônatas até sua morte. O silêncio na Bíblia significa que não há nada a registrar quanto ao valor de sua vida.
Até aquele ponto, vemos Jônatas seguindo adiante. Mas chegou um momento — e, irmãos e irmãs, todos sabemos disso, porque já enfrentamos diferentes momentos em nossa vida — em que precisamos fazer uma escolha: a quem vamos servir?
Será impossível fazermos essa escolha por nós mesmos. Mas, graças ao Senhor, ela é possível pela graça que Ele nos deu, à medida que respondemos a Seu amor e à Sua graça.
Se vocês olharem em 1 Samuel 25, veremos Abigail. Vemos aqui uma bela figura. Davi e seus homens estavam servindo.
Não teremos oportunidade de ler todo o capítulo de 1 Samuel 25, mas vou resumi-lo. Uma das razões pelas quais quis usar Abigail foi mostrar que alguns dos valentes são mulheres.
Se vocês olharem para aqueles que realmente ajudaram Davi em seu reino, Abigail foi uma grande ajuda. Bate-Seba foi uma grande ajuda. Ela sabia quem deveria ser o rei. O Senhor está chamando irmãos e irmãs. Portanto, embora estejamos usando a expressão “valentes”, ela inclui irmãos e irmãs que escolheram governar e reinar com Ele.
No início de 1 Samuel 25, Samuel morreu. Em 1 Samuel 25:2-13, vemos um homem rico chamado Nabal. Ele era um homem bastante mau e duro. Seu nome até significa insensato. Como vocês gostariam de ter um nome que significasse insensato? A gente fica pensando no pai e na mãe dele. Você escolhe um nome para seu filho e dá à criança o nome de “Insensato”. Talvez eles soubessem de alguma coisa, mas esse era o nome dele.
Ele era muito rico e próspero e tinha todas aquelas ovelhas. Davi e seus homens haviam ido para a região sul e estavam cuidando da segurança das ovelhas e de tudo mais. Mais tarde, os homens testemunharam que, enquanto os homens de Davi estiveram ali, eram como muros ao redor deles, protegendo-os e guardando-os do inimigo. Não faltou nenhuma ovelha. Eles não os maltrataram de modo algum.
Depois, Davi, segundo a tradição do Antigo Testamento, enviou alguns mensageiros a Nabal e perguntou: “Você poderia nos ceder algumas ovelhas, um pouco de pão e alguma comida, para que tivéssemos provisões?”.
Nabal respondeu como seria de esperar. Disse: “Quem é esse tal de Davi?”. Não reconheceu quem Davi era e, na verdade, zombou dele. “Quem é esse sujeito que quer o meu pão?”
É interessante, se vocês examinarem 1 Samuel 25:11, quantas vezes Nabal usa a palavra meu:
O meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores.
Meu, meu, meu.
Isso se parece muito conosco, muitas vezes, não é? Eu, eu, eu. “Por que devo fazer alguma coisa? Tudo é para mim.” Esse é o modo de pensar moderno. Mas Nabal disse: “Não, não, não, eles não podem ter nada”.
Vemos que esses homens já estavam sendo treinados por Davi. Esses jovens, em vez de defender seu senhor, atacar Nabal, destruí-lo e acabar com aquele insensato, ficaram de boca fechada, voltaram e contaram a Davi. O Senhor pode defender a Si mesmo, irmãos e irmãs.
Eles voltaram e contaram a Davi. Dissemos antes que Davi era uma figura de Cristo. Bem, esta é uma das ocasiões em que ele não é. Não existem figuras perfeitas, porque Davi reagiu na carne. Ele também precisava ser treinado.
A reação carnal de Davi foi: “Está bem, todos vocês, coloquem suas espadas”. Ele reuniu quatrocentos de seus homens e disse: “Vocês duzentos fiquem aqui com a bagagem. Quatrocentos de nós vamos descer, e vamos acabar com Nabal. Não vai sobrar um só homem em sua casa. Vamos destruir todos eles”.
Vocês têm esse grupo de quatrocentos valentes descendo para destruir Nabal e sua casa. Louvado seja Deus, um dos servos de Nabal foi até Abigail. Ele disse: “Abigail, Davi e seus homens vieram aqui, e esse insensato do Nabal não os recebeu. Ele os voltou contra nós, e eles estão vindo nos destruir”. Ele testemunhou de como os homens de Davi os haviam tratado maravilhosamente, mas seu senhor não reconheceu isso.
Em 1 Samuel 25:18, vemos a resposta de Abigail:
Então Abigail se apressou,
e tomou duzentos pães,
e dois odres de vinho,
e cinco ovelhas preparadas,
e cinco medidas de trigo tostado,
e cem cachos de passas,
e duzentas pastas de figos,
e os pôs sobre jumentos.
Abigail respondeu imediatamente e começou a ir ao encontro de Davi. Quando ela chegou a Davi, vemos o verdadeiro coração dessa serva.
Davi vinha por um caminho com a intenção de acabar com todos, mas em quem Abigail estava pensando? Veremos em quem estava realmente seu interesse. Ela não estava tentando salvar sua própria vida.
Em 1 Samuel 25:23, vemos uma bela figura de colocar o senhor em seu lugar e assumir o nosso lugar.
1 Samuel 25:23-25 diz:
Vendo, pois, Abigail a Davi,
apressou-se, e desceu do jumento,
e prostrou-se sobre o seu rosto diante de Davi,
e se inclinou à terra.
E lançou-se a seus pés, e disse:
Ah, senhor meu, minha seja esta transgressão;
deixa, pois, falar a tua serva aos teus ouvidos,
e ouve as palavras da tua serva.
Meu senhor, agora não faças caso deste homem de Belial, a saber, de Nabal.
Vemos Abigail colocando os interesses de Davi e do Senhor acima de sua própria vida. Isso, sim, é não amar a própria vida até a morte. Davi tinha uma única intenção, que era destruir tudo. Abigail saiu e se colocou bem à frente dele. Prostrou-se com o rosto em terra, numa posição de adoração, devoção, reverência e humildade diante dele, para fazê-lo voltar à razão.
Ela sabia que o que Davi estava fazendo era errado. Abigail não estava concentrada em seus próprios interesses; estava concentrada nos interesses do Senhor.
Ao continuar falando diante de Davi, ela o advertiu a não fazer justiça com as próprias mãos, derramando sangue. Então, em 1 Samuel 25:28, vemos este precioso testemunho e apelo de Abigail:
Perdoa, pois, à tua serva esta transgressão;
porque certamente fará o Senhor casa firme a meu senhor,
porque meu senhor guerreia as guerras do Senhor;
e não se tem achado mal em ti por todos os teus dias.
Como Abigail sabia que Deus iria dar a Davi uma casa duradoura? Essa é uma revelação extraordinária que ela tinha. Ela disse: “Veja, Davi, lembre-se: Deus vai lhe dar essa casa duradoura”.
Em 1 Samuel 25:30-31, ela continua:
E há de ser que, quando o Senhor tiver feito a meu senhor conforme todo o bem que já tem falado de ti,
e te houver estabelecido príncipe sobre Israel,
então, meu senhor, não te será por tropeço, nem por pesar no coração,
o sangue que sem causa derramaste,
nem tampouco o haver-se vingado meu senhor a si mesmo;
e, quando o Senhor fizer bem a meu senhor,
lembra-te da tua serva.
Vemos em Abigail essa palavra profética. Ela reconheceu quem Davi era. Nabal não reconheceu quem Davi era. Abigail reconheceu: “Este é um homem de Deus”.
Como Abigail sabia disso? Ela havia ido a uma conferência? Samuel viajava bastante. Não sabemos o que Samuel compartilhou. Realmente não sabemos como Abigail sabia.
Mas, enquanto eu pensava nisso, o que me veio foi o seguinte: quando olhamos para Abigail, vemos alguém que tinha uma vida oculta com o Senhor. Quando temos uma vida oculta com o Senhor, o Senhor nos revela Seu coração.
Enquanto estava ali servindo, enquanto estava ali cuidando das coisas naquela casa, ela tinha uma vida oculta com o Senhor. Também havia ouvido que Davi tivera uma oportunidade de matar Saul, mas não o fizera. Havia esse chamamento sobre a vida de Davi, e ela meditava e refletia sobre isso.
Irmãos e irmãs, mais uma vez, uma das coisas que se perderam no cristianismo moderno é a vida oculta. Abigail tinha essa vida e conhecia o coração do Senhor.
É interessante, ao longo das Escrituras: se vocês observarem diferentes pessoas que tinham uma vida oculta com o Senhor — e isso inclui praticamente todo servo por amor, porque essa é uma de suas características —, há coisas que o Senhor lhes revelou que nos fazem dizer: “Como eles sabiam disso?”.
Por exemplo, lembram-se de quando José havia sido vendido como escravo e estava na casa de Potifar? A mulher de Potifar tentou seduzi-lo, e José disse à mulher de Potifar: “Não posso fazer isso. Seria um pecado contra Deus”.
Como ele sabia disso? Os Dez Mandamentos ainda não haviam sido dados. Como José sabia que tomar a mulher de seu senhor seria um pecado contra Deus? Porque ele tinha um relacionamento com seu Senhor. Tinha um relacionamento com o Senhor e sabia o que era certo e o que era errado.
O mesmo acontece com Abigail. Vemos como o Senhor lhe vinha mostrando que Ele estava realizando essa grande obra — como Samuel estava sendo usado pelo Senhor para realizar essa transição do tempo dos juízes para o tempo dos reis, e como Saul não era realmente o escolhido de Deus, mas Davi era o homem segundo o coração de Deus para estabelecer o reino. Abigail reconheceu isso.
A resposta de Davi a ela é maravilhosa. Ele voltou à razão. Em 1 Samuel 25:32-33, ele diz:
Bendito o Senhor, Deus de Israel,
que hoje te enviou ao meu encontro.
E bendito o teu conselho,
e bendita tu,
que hoje me impediste de derramar sangue
e de vingar-me pela minha própria mão.
Se ela não tivesse vindo depressa, Davi teria cometido um grande pecado. Mas, graças ao Senhor, ela respondeu.
Uma das características que vemos em Abigail é sua resposta rápida. Em 1 Samuel 25:18, Abigail respondeu rapidamente; ela se apressou. Em 1 Samuel 25:23, ela se apressou novamente.
Uma das coisas que vemos nos servos do Senhor é que há uma resposta rápida. Quando o Senhor fala, eles fazem. O amor não para para calcular. O amor responde.
Nossa mente para para calcular e tentar entender as coisas. Se Abigail tivesse parado e calculado como sair e se aproximar de Davi, teria sido tarde demais. Ela saiu.
Mais adiante nesses versículos, Nabal morre. Ele morre de medo. Fica literalmente apavorado até a morte, porque descobre o que aconteceu. Fica sóbrio e morre.
Então acontece algo tão precioso: Davi chama Abigail para ser sua esposa. Como Abigail responde? Será que diz: “Ah, agora vou ser esposa de Davi. Tenho sofrido sob esse tal de Nabal. Agora vou ser a esposa do rei. Puxa, isso vai ser maravilhoso”?
É assim que ela responde? Vejam sua resposta. Davi a chama em 1 Samuel 25:40, e ela responde em 1 Samuel 25:41:
Então ela se levantou, e se inclinou com o rosto em terra, e disse:
Eis aqui a tua serva, para servir de criada que lave os pés dos servos de meu senhor.
“Eis aqui a tua serva.” Isso me lembrou Lucas 1, quando o anjo havia falado com Maria. Maria disse:
Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra.
Abigail compreendeu que era uma serva por amor. Ela era essa serva de Davi. Não estava presumindo os privilégios que poderiam acompanhar a condição de esposa dele, porque sabia que ele era o homem de Deus; ele era o rei.
Embora pudesse estar ao lado dele, a atitude de seu coração era a de uma serva por amor. O que revela ainda mais o coração de Abigail é isto: muitos de nós lavaríamos os pés do rei, mas lavaríamos os pés dos servos do rei?
É fácil lavar os pés do rei. Todos gostaríamos de fazer isso. Mas ela disse: “Lavarei os pés dos servos de meu senhor”. Ela reconhecia o valor dos servos do Senhor. Nesse espírito de humildade, reconhecia que era simplesmente uma companheira de serviço de todos os servos do Senhor.
Ela se separou de toda a sua riqueza. Podemos ver que tinha muito. Se seu marido possuía tudo aquilo, ela teria herdado. Tinha todo tipo de riqueza. Deixou tudo para trás e foi servir a Davi.
Outro aspecto de Abigail que é tão encorajador — alguém que tem o espírito de um valente, o espírito de um servo por amor — é que ela nos fala de serviço em meio ao sofrimento.
Por muitos anos, Abigail havia sofrido em seu casamento com Nabal. Ao longo desses muitos anos, quando estamos num lugar de sofrimento e serviço, podemos dizer que esse tempo é desperdiçado. Não.
Podemos ver que Abigail estava servindo, porque, quando essa necessidade surgiu, já havia comida preparada.
Isso me lembrou muito as parábolas de Mateus 24 e 25, as parábolas que falam da vinda de nosso Senhor. Quando nosso Senhor voltar, seremos aqueles que estão preparados ou precisaremos começar a tentar nos preparar naquele momento?
A abundância que Abigail tinha para levar ao rei, quando ele estava vindo, testemunha que ela já havia se preparado. Em seu tempo de sofrimento, em seu tempo de serviço a alguém que era um insensato, ela continuava se preparando.
Ela não sabia quando aquilo seria usado. Não sabia como seria usado. Mas, naquele momento, estava pronta para ser usada.
Temos um coração disposto a passar pelo serviço em meio ao sofrimento? Talvez seja um serviço em meio ao sofrimento dentro de um casamento, como no caso dela. Será que dizemos: “Vou esperar até que tudo melhore, então servirei”?
Pode ser um serviço em meio ao sofrimento numa situação de trabalho, numa assembleia ou entre irmãos e irmãs. Há serviço em meio ao sofrimento em muitos lugares.
Mas o Senhor está nos chamando, nesta hora, como vemos em Abigail, a fazer essa preparação. Não sabemos a hora nem o momento em que Ele virá.
Abigail não tinha ideia de como todas as coisas que estava preparando seriam usadas. Mas o Senhor tinha um momento. Naquele instante, ela estava pronta — naquele piscar de olhos.
Somos chamados, neste tempo, a remir o tempo que temos, a realmente entrar em tudo o que nosso Senhor tem para nós.
Abigail termina em Jerusalém com Davi. Está governando e reinando. Está ali com Davi porque fez uma escolha.
Também é interessante, quando olhamos para Abigail e Jônatas: ambos eram ricos. Tinham tudo. Tinham privilégios. Um fez uma escolha; a outra fez uma escolha diferente. Uma terminou governando com o rei. O outro terminou morto com o homem da carne.
Ao vermos o espírito de Abigail, vemos o espírito de um servo por amor. Vemos alguém que diz: “Amo meu senhor. Amo o que o Senhor tem. Abandonarei tudo para segui-lo e entrar no desfrute daquilo que ele tem”.
Irmãos e irmãs, nos dias em que vivemos, esse é o chamado do Senhor. Está escrito no Antigo Testamento:
Escolhei hoje a quem sirvais.
Abigail estava disposta e era capaz de seguir esse caminho porque já havia vivido essa vida de maneira oculta. Ela pôde fazer essa escolha naquele dia em que Davi veio porque já havia feito uma escolha em seu coração antes disso.
Enquanto o Senhor trabalhava nela, ela tinha esse relacionamento oculto com o Senhor. Vemos até sua reputação como alguém de discernimento. Ela tinha uma boa reputação. Todos podiam ver o contraste.
Deve ter sido um testemunho tremendo para os servos daquela casa ver a fidelidade de Abigail em meio àquela situação.
Muitas vezes, quando estamos num tempo de sofrimento e não somos valorizados — podemos sofrer maus-tratos de muitas maneiras ou ser tratados como se nossa presença e nosso serviço não tivessem valor —, queremos fazer as malas e ir embora.
Mas Abigail permaneceu firme. Ela recebeu o chamado de seu rei: “Venha estar comigo”. Terminou com ele em Jerusalém.
Isso não significou que seus sofrimentos terminaram. Como vemos depois, em 1 Samuel 30, ela foi levada cativa. Ela havia feito a escolha de deixar sua casa, partir e seguir Davi; então, em 1 Samuel 30, os amalequitas vieram e a levaram cativa. Davi precisou ir e recuperar tudo. Veremos isso da próxima vez.
Mas vemos esse contraste, e ele é tão importante para nós nos dias em que vivemos. Precisamos resolver essa questão em nosso coração. Há uma pergunta que o Senhor faz: onde vamos terminar?
Onde vamos terminar? Seu desejo é que sejamos aqueles que, como essas pessoas, estabeleçam o reino de Deus no dia e no tempo em que vivemos — que sejamos um testemunho para Ele neste dia e neste tempo.
Exteriormente, o amor de Jônatas por Davi e o amor de Abigail por Davi pareciam muito semelhantes. Mas chegou um momento em que precisaram tomar uma decisão: onde terminariam? A quem se renderiam completamente como seu senhor?
Jônatas não conseguiu fazer isso. Mas Abigail estava disposta a ser essa oferta de libação derramada, totalmente conquistada pelo amor de seu Senhor, para ser usada por Deus a fim de estabelecer o reino que Ele desejava.
Ela pôde fazer isso por meio da vida oculta, do serviço em meio ao sofrimento e de permitir que o Senhor a usasse para fazer uma preparação abundante.
Que o Senhor fale conosco nesta hora. Sei que, quando falamos sobre o contraste entre Jônatas e Abigail, especialmente nestes dias, não é uma mensagem que costumamos ouvir.
Talvez, para alguns que estejam pensando em Jônatas, seja a primeira vez que consideramos isso dessa perspectiva. Mas tudo o que podemos fazer é entregar isso de volta ao Senhor e permitir que Ele nos sonde, nos ensine e nos mostre Seu caminho.
Que Ele nos permita ser aqueles que estão preparados para a volta de nosso Senhor. Quando nosso Rei vier, que estejamos prontos. Que sejamos aqueles que respondem. Que sejamos aqueles que podem ouvir a voz de nosso Senhor quando Ele nos chama.
Não sabemos a hora, mas agradecemos a Ele porque temos o hoje. Enquanto temos o hoje, entregamo-nos a Ele para nos prepararmos e permitirmos que a obra da cruz continue se tornando real em nós, por amor de Seu nome.
Vamos orar.
Senhor, nós nos achegamos a Ti com corações cheios de adoração. Senhor, agradecemos porque nos chamaste para Ti mesmo.
Senhor, agradecemos por toda a alegria, pelas riquezas e pela bênção desta vida para a qual nos chamaste. Senhor, há também um aspecto de perseverança paciente, de sofrimento, do caminho da cruz, de realmente entrar na alegria de nosso Senhor.
Senhor, queremos que Tu verdadeiramente sondes nossos corações nesta hora. Quando essas escolhas estiverem diante de nós, Senhor, a quem vamos servir? Os interesses de quem vamos colocar em primeiro lugar?
Senhor, desejamos colocar Teus interesses em primeiro lugar, mas sabemos que há grande resistência dentro de nós. Senhor, mostra-nos mais do Teu amor. Atrai-nos, Senhor, de maneira maior e mais plena.
Oh, que sejamos aqueles que correm após Ti, para que, quando esse momento e essa escolha chegarem, sigamos verdadeiramente o Cordeiro aonde quer que Ele vá.
Porque sabemos que, no fim, há esse glorioso reino preparado. Nós Te bendizemos, Senhor, em nome de Jesus. Amém.