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    The Struggle Of Two Cities © 2026 Christian Testimony Ministry
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    The Struggle Of Two Cities
    The Struggle Of Two Cities
    Lambert, Lance

    O Deus da Glória e a Visão Celestial

    Vocês poderiam abrir comigo em Atos 7? Vamos ler novamente aqueles versículos que lemos ontem à noite, começando em Atos 7:2.

    E Estêvão disse: Varões irmãos e pais, ouvi.
    O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando ele na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã,
    e lhe disse: Sai da tua terra e da tua parentela e vem para a terra que Eu te mostrarei.
    Então saiu da terra dos caldeus e habitou em Harã; e dali, depois que seu pai morreu, Deus o fez passar para esta terra em que agora habitais.
    E não lhe deu nela herança, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a posse dela, e à sua descendência depois dele, quando ele ainda não tinha filho.

    Depois, na carta aos Hebreus, em Hebreus 11:8-10:

    Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.
    Pela fé, peregrinou na terra da promessa, como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa;
    porque aguardava a cidade que tem os fundamentos, da qual o arquiteto e construtor é Deus.

    Depois, em Gênesis 12:1-3:

    Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que Eu te mostrarei;
    e farei de ti uma grande nação, e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome; e sê tu uma bênção;
    e abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei aquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

    Agora quero que vocês abram em Salmos 2:1-9:

    Por que se amotinam as nações,
    e os povos imaginam coisas vãs?
    Os reis da terra se levantam,
    e os governantes consultam juntamente,
    contra o Senhor e contra o Seu Ungido, dizendo:
    Rompamos as Suas ataduras
    e sacudamos de nós as Suas cordas.
    Aquele que habita nos céus se rirá;
    o Senhor zombará deles.
    Então lhes falará na Sua ira
    e os perturbará no Seu furor:
    Eu, porém, constituí o Meu Rei
    sobre o Meu santo monte de Sião.
    Proclamarei o decreto:
    o Senhor Me disse: Tu és Meu Filho;
    Eu hoje Te gerei.
    Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança
    e os confins da terra por Tua possessão.
    Tu os quebrarás com uma vara de ferro;
    Tu os despedaçarás como um vaso de oleiro.

    Por fim, Romanos 11:24-29:

    Porque, se tu foste cortado da oliveira brava por natureza e, contra a natureza, enxertado numa boa oliveira, quanto mais esses, que são os ramos naturais, serão enxertados na sua própria oliveira?
    Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério, para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos: que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que haja entrado a plenitude dos gentios;
    e assim todo o Israel será salvo, como está escrito:
    De Sião virá o Libertador;
    Ele afastará de Jacó as impiedades.
    E esta é a Minha aliança com eles,
    quando Eu tirar os seus pecados.
    Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, são amados por causa dos pais.
    Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.

    Oração

    Vamos inclinar a cabeça por um momento de oração?

    Amado Senhor, estamos tão felizes por estarmos reunidos aqui em Tua presença. Estamos felizes por termos podido Te adorar.

    E agora, ao chegarmos ao ministério da Tua Palavra, queremos confessar e reconhecer diante de Ti que, sem aquela unção, graça e poder que conquistaste para nós a tão alto preço no Calvário, tudo isso não resultará em nada: muitas palavras, muitas verdades, ensino bíblico, mas não resultará em nada.

    Mas, Senhor, somos tão gratos porque, quando há unção tanto sobre o falar quanto sobre o ouvir, os olhos do nosso coração são iluminados, e passamos a conhecer qual é a esperança da nossa vocação.

    Querido Senhor, oramos nesta noite para que concedas essa unção em plena medida sobre a exposição da Tua Palavra, sobre a tradução e sobre o ouvir. Pela fé, nos firmamos nessa provisão, e teremos o cuidado de Te dar o louvor e a adoração do nosso coração por responderes a esta nossa oração.

    Nós Te pedimos isso em nome do nosso Messias, o Senhor Jesus. Amém.

    O Tema da Conferência

    Bem, acho que todos vocês sabem qual é o tema desta conferência:

    Pelo que não fui desobediente à visão celestial.

    Temos considerado isso de três maneiras: na vida de Abraão, na pessoa do nosso Senhor Jesus e na vida do apóstolo Paulo. Minha responsabilidade tem sido Abraão.

    Sempre fico admirado com a simplicidade da Palavra de Deus quando se trata de assuntos realmente grandiosos. Vejam a simplicidade desta declaração de Estêvão, pouco antes de ser martirizado:

    O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão.

    Essa é a minha responsabilidade: falar sobre a visão celestial em relação a Abraão. Pensem por um momento: o Deus da glória.

    Havia muitas outras maneiras pelas quais Estêvão, pelo Espírito Santo, poderia ter falado daquela visão que Abraão teve. Mas ele disse que foi o Deus da glória Quem apareceu a nosso pai Abraão.

    A Humanidade Criada para a Glória de Deus

    O ser humano foi feito para a glória de Deus. Ele é constituído de tal maneira que, sem a glória de Deus, permanece incompleto.

    Deus nunca pretendeu que fôssemos apenas carne e sangue. Ele nos destinou a herdar a incorruptibilidade e a glória.

    O apóstolo Paulo expressa isso de maneira muito simples, novamente pelo Espírito Santo, em Romanos 3:23:

    Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.

    Nessa única frase, vocês têm toda a história da humanidade: a queda do homem. Todos nós pecamos e, portanto, ficamos aquém da glória de Deus, daquilo para o qual fomos criados, daquilo para o qual fomos destinados.

    Mas do quê? Da Sua glória.

    A Graça e a Glória como Realidades Reveladas

    Há certas palavras que não podem ser adequadamente expressas pela linguagem. Elas precisam ser reveladas a vocês. Por exemplo, a palavra graça. As pessoas gastam páginas e páginas explicando o que é a graça.

    Mas o filho de Deus mais simples, com menos instrução, uma vez que o Espírito Santo lhe revela o que é a graça, vive nela. Ela se torna a sua vida. Como explicar a graça? “Favor imerecido”: isso não me toca.

    Já ouvi milhares de explicações sobre a graça. Eu mesmo mal consigo explicá-la. Tudo o que sei é que experimento a Sua graça todos os dias.

    Sei exatamente o que ela é, mesmo que não consiga expressá-la em uma palavra. É misericórdia, sim, e mais. É amor, sim, e mais. Amor constante, persistente, fiel: sim, e mais. É amor de aliança. Sim, é isso. É extraordinária essa palavra, graça.

    Agora, glória é outra dessas palavras. Acho lamentável quando algumas das novas versões a traduzem como “esplendor”. Fomos feitos para o esplendor? Isso desvaloriza a palavra glória.

    O que é glória? Glória é a presença manifesta de Deus. É quando Deus está tão satisfeito — se posso falar assim do Senhor —, tão encantado com o que vê, que a Sua própria Pessoa Se manifesta. Isso é glória.

    Quando a glória do Senhor encheu o templo, ninguém conseguiu permanecer de pé ali. Todos se prostraram com o rosto em terra diante do Senhor. Isso aconteceu repetidas vezes.

    João diz:

    Vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai.

    Ele era a presença manifesta de Deus: o coração e a mente de Deus expressos, revelados, articulados.

    Ele era o Verbo que estava no princípio, o Verbo que estava com Deus e o Verbo que era Deus. Uma palavra é um pensamento que você não consegue compreender na mente de alguém até que seja articulado. Prefiro “articulado”. Sei que não deveria dizer isso no dia 4 de julho, mas é uma boa questão de inglês britânico. Se colocarmos em bom inglês americano: verbalizado.

    Aqui está, no dia 4 de julho: verbalizado. A mente de Deus verbalizada, articulada, posta em expressão, expressa em palavras.

    Não é de admirar que Jesus tenha dito que Ele era o Alfa e o Ômega. Esse é todo o alfabeto de Deus, a linguagem de Deus, o meio pelo qual podemos compreender o coração e a mente de Deus da maneira mais prática e pertinente.

    A Glória de Deus no Interior do Ser Humano

    Glória. Você percebeu que, pecador como é — e eu percebo, pecador como sou —, fomos criados para a glória de Deus? Não apenas para glorificar a Deus, mas para que a própria glória de Deus estivesse em nós.

    Quando o Senhor Jesus foi transfigurado em glória, há uma ideia comum entre os cristãos de que uma espécie de holofote veio do céu — uma luz branca gloriosa, inacreditável —, iluminou o Senhor Jesus como um refletor, e Ele resplandeceu sob aquela luz. Não foi isso que aconteceu.

    O que aconteceu foi que a luz se acendeu dentro Dele, e essa glória brilhou através de Seus cabelos, de Sua pele, de Seu corpo, de Suas roupas. Você percebeu que foi feito para essa glória? Foi somente por causa do pecado que ficamos aquém dela.

    A Aparição do Deus da Glória a Abraão

    Quando ocorreu esse grande ponto de virada na história divina, o Deus da glória apareceu a um homem que era pecador e levava uma vida vazia, embora tivesse um negócio bem-sucedido.

    Foi ali que o Senhor Se revelou a Abraão: o Deus da glória. Não creio que Abraão tivesse ouvido falar da glória como tal, mas, quando o Deus da glória lhe apareceu, ele nunca mais foi o mesmo.

    Deus o tocou, o transformou, lhe deu uma nova direção; e Abraão iniciou a peregrinação que o levaria à cidade de Deus.

    O apóstolo Pedro expressou tudo isso de maneira muito simples em sua primeira carta, em 1 Pedro 5:10:

    O Deus de toda a graça…

    Aqui está essa palavra novamente.

    …que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo Jesus.

    Vocês quase poderiam dizer que isso é um comentário sobre o que aconteceu com Abraão. O Deus da glória apareceu a Abraão e o chamou à Sua eterna glória em Cristo Jesus.

    Ou penso nas maravilhosas palavras de Hebreus 2:10:

    Porque convinha que Aquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem todas as coisas existem, trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.

    Trazendo muitos filhos à glória.

    Penso em outra passagem, em Romanos 9:23-24:

    E para que desse a conhecer as riquezas da Sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,
    os quais somos nós, a quem também chamou, não somente dentre os judeus, mas também dentre os gentios.

    Não é uma palavra maravilhosa? Vasos de misericórdia, preparados de antemão para a glória. Pense nisso. Você é um vaso de misericórdia? Percebe como toda a sua posição diante de Deus está relacionada à Sua misericórdia, à Sua graça?

    Você já percebeu que Deus, desde o momento em que você nasceu, estava preparando você para a glória? Antes mesmo de você chegar ao conhecimento salvador Dele, Ele já estava preparando você para a glória.

    Vasos de misericórdia, preparados de antemão para a glória: não apenas os judeus, por meio dos quais e entre os quais Deus começou a agir, mas também os gentios. Que quadro maravilhoso temos aqui.

    A Transformação de Glória em Glória

    Por toda parte na Palavra de Deus, vocês encontrarão essa questão da glória. O problema é que, por ser uma palavra um tanto estranha, ela parece passar por nós sem nos atingir. Não tem sobre nós o impacto que deveria ter.

    Penso em uma passagem muito conhecida, 2 Coríntios 3:18:

    Mas todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, como pelo Senhor, o Espírito.

    É isso que acontece quando você é filho de Deus e permite que o Espírito Santo realmente trate com você. Quando você se rende ao Senhor, então tem o rosto descoberto. Caso contrário, há um véu: você não vê.

    Mas, uma vez que você O reconhece como Senhor e permite que Ele faça com você o que deseja fazer, então o rosto está descoberto. Assim, é o ministério do bendito Espírito Santo de Deus que supervisiona a nossa transformação de glória em glória.

    Na verdade, em nossa experiência, parece mais uma transformação de tribulação em tribulação, de aflição em aflição. Mas trata-se de passar de uma capacidade para a glória a uma capacidade maior para a glória.

    Então, vejam, uma peregrinação maravilhosa começa para cada filho de Deus quando ele obedece à lei do Espírito da vida em Cristo Jesus.

    Se você está vivendo em contradição com essa lei, a do Espírito da vida em Cristo Jesus, não apenas tem o rosto coberto por um véu; há uma guerra civil entre você e o Senhor. Mas, uma vez encerrada essa guerra civil, quando você se rende ao Senhor, entrega a Ele as chaves de toda a sua vida e permite que o Espírito Santo realmente a supervisione e conduza você pelo caminho em que Ele deseja conduzi-lo, então você está avançando de glória em glória.

    Ouçam novamente, na mesma carta, 2 Coríntios 4:17-18:

    Porque a nossa leve e momentânea aflição produz para nós, cada vez mais abundantemente, um eterno peso de glória;
    não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem;
    porque as coisas que se veem são temporais, mas as que se não veem são eternas.

    Não é uma palavra maravilhosa, maravilhosa? Nossa leve aflição por um momento. Às vezes, quase questiono isso: será apenas um momento? É uma questão de com o que você a compara.

    Se você a comparar com o eterno peso de glória que está sendo produzido em você, então ela é um momento: uma leve aflição por um momento.

    Alguns de nós temos enfrentado muitos, muitos problemas, espinhos na carne, dificuldades com as quais temos convivido. Temos suplicado ao Senhor que os retire, e Ele não os tem retirado, mas, em vez disso, tem dito:

    A Minha graça te basta.

    Quando um dia chegarmos à presença do Senhor, nos prostraremos diante Dele em plena adoração, porque aquelas coisas que pareciam tão longas, tão pesadas, tão contínuas, na verdade produziram para nós um eterno peso de glória.

    Se olharmos para o cenário, para aquilo que se vê, para o visível, não parece ser assim. Mas, se olharmos além disso, para aquilo que não pode ser visto, e contemplarmos o Senhor Jesus, então é um eterno peso de glória.

    A Peregrinação de Abraão à Cidade de Deus

    Foi esse Deus da glória Quem apareceu a Abraão. Ele transformou a vida daquele que era adorador de ídolos, fabricante de ídolos, vendedor de ídolos. Abraão tornou-se um peregrino em uma jornada que o levaria à glória. Foi o Deus da glória.

    Conheci duas pessoas na minha vida em quem, antes de morrerem, realmente vi a glória de Deus. Agora, sei que isso parece muito estranho, porque a glorificação delas ainda estava por vir.

    Mas uma delas foi Maria Monsen. Nunca me esqueci da minha última visita a Maria Monsen, aquela grande missionária no nordeste da China. Ela estava tão fraca que não conseguia levar uma xícara aos lábios.

    Mas nunca me esqueci da aura de luz ao redor dela: em seu corpo, realmente nela. Pela primeira vez — não disse isso a ela —, pela primeira vez entendi por que representam os santos com aquele círculo de luz ao redor deles.

    Eu costumava pensar: por quê? Em nossa tradição judaica, colocamos uma chama de fogo sobre todos os que são considerados santos. Mas, na tradição cristã, é um círculo dourado ao redor deles. Eu o vi nela.

    A outra foi alguém que, creio, ninguém aqui conheceria: Dal Mersfeld. Ela era a enfermeira-chefe de um dos maiores hospitais de Copenhague. Quando fui visitá-la pouco antes de sua morte, ela desceu apoiada no braço de uma oficial do Exército de Salvação. Estava em uma casa para pessoas com doenças terminais.

    Era como se a luz brilhasse através de todo o seu corpo e até de seus cabelos. Nunca me esqueci disso.

    A glória não é algo que pertence a um conto de fadas. É real. É algo tão real que a própria luz de Deus, a presença do Senhor Jesus em um ser humano, pode brilhar através dele em sua fraqueza e em seus últimos momentos.

    Se isso pode acontecer enquanto estamos aqui embaixo, vocês conseguem imaginar como será quando eu e vocês formos transfigurados em glória? Isso, então, é tremendo.

    Foi o Deus da glória Quem apareceu a Abraão, e ele nunca mais foi o mesmo.

    O Desejo de Contemplar a Glória de Deus

    Penso que Abraão provavelmente tinha no coração o mesmo desejo que havia no coração de Moisés, quando o Senhor falava com ele, o usava, Se encontrava com ele e fazia tantas coisas por meio dele.

    Quando o Senhor disse: “Dize-Me o que hei de fazer”, Moisés respondeu:

    Mostra-me a Tua glória.

    É como o apóstolo Paulo. Quanto mais ele via do Senhor, mais sabia que não conhecia. Entendem? Quanto mais experimentava do Senhor, mais sabia que ainda havia por experimentar do Senhor.

    Isso se tornou uma obsessão para ele. Tornou-se algo que, por assim dizer, ocupava toda a sua vida, sua mente, seu coração:

    Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Visão. Fico tão triste quando os cristãos não têm visão celestial, porque o seu direito de nascimento como filho de Deus é ver: não com estes olhos, mas com os olhos do coração. Esse é o seu direito de nascimento.

    O Senhor Jesus morreu por você para que pudesse viver e pudesse ver. Fico tão triste quando as pessoas vivem numa camisa de força apertada, em um tipo de cristianismo que, de alguma maneira, não é prático.

    Mostra-me a Tua glória.

    Não temos registro de que Abraão tenha dito isso; apenas Moisés. Mas não duvido de que, quando o Deus da glória lhe apareceu, Abraão de repente viu tudo o que era temporal, transitório, brilho falso, disparate, vaidade, perder o valor.

    É claro que falarei algo sobre isso amanhã à noite. O problema ainda estava lá. O Senhor precisou tratar de muitas coisas com Abraão.

    Mas, naquele momento em que o Deus da glória lhe apareceu, penso que foi como se tudo o que ele considerava vida se tornasse morte. Tudo o que julgava tão importante e de tanto peso de repente se revelou como nada: vaidade, inutilidade.

    Portanto, querido filho de Deus, eu e você fomos criados para a glória de Deus. Se fomos salvos pela graça de Deus, se nascemos do Espírito de Deus, então estas palavras maravilhosas entram em nosso espírito:

    O Deus de toda a graça, que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo.

    Depois de vocês terem sofrido por um pouco de tempo, Ele mesmo os firmará e fortalecerá. Sim, acho isso tremendo, mas preciso prosseguir. Não quero passar a noite inteira nisso.

    A Cidade que Tem os Fundamentos

    No Deus da glória, Abraão viu a cidade que tem os fundamentos.

    Preciso dizer que, na minha avaliação, Abraão viu mais do que muitos cristãos. Diz que ele saiu de Ur dos caldeus, uma cidade nada insignificante, parte do complexo de cidades de Babel, da civilização antiga.

    Mas, no momento em que o Deus da glória lhe apareceu, Ur dos caldeus o perdeu. Esse sofisticado morador da cidade tornou-se criador de ovelhas, cabras e camelos.

    Como costumo dizer quando falo de Moisés, esses são os animais mais malcheirosos. Se você já criou cabras, sabe que elas podem cheirar mal. Se já criou ovelhas, elas são um pouco melhores. Mas, se já criou camelos, que cheiro!

    Esse homem extraordinário tornou-se criador de rebanhos, pastor de ovelhas e de cabras. Ele viajava e não sabia realmente para onde estava indo.

    Até onde sabemos, ele nunca chegou a ver a cidade de Jerusalém, nunca entrou nela. Mas o autor da carta aos Hebreus diz que ele buscava a cidade que tem os fundamentos.

    Vocês poderiam imaginar que o complexo de cidades de Babel constituísse cidades, uma civilização com fundamentos: magnífica. Ainda hoje, nas escavações arqueológicas, temos descoberto postos de correio, salões femininos de cabeleireiro, cosméticos, joias.

    Em uma famosa exposição de joias modernas, algum tempo atrás, havia várias peças inspiradas em Ur dos caldeus. Não era uma cidade insignificante.

    Mas a Palavra de Deus diz que Abraão deixou tudo aquilo porque havia sido conquistado por outra cidade, uma cidade que tem os fundamentos.

    Apocalipse 21:10-11 nos fala da Nova Jerusalém descendo do céu, tendo a glória de Deus. Aqui está: o Deus da glória apareceu a Abraão, e agora ele buscava a cidade que, no final, possuirá a glória de Deus.

    Babel e Jerusalém

    Penso que, ao ver essa cidade na visão do Deus da glória, Abraão compreendeu o propósito, o propósito eterno de Deus.

    Sabem, já disse isso antes, mas vou dizer novamente: um dos grandes temas da Bíblia são duas cidades, a história de duas cidades. Uma é Babel; a outra é Jerusalém.

    Em hebraico, Bavel, Babel, é o termo usado na Bíblia hebraica e na tradução hebraica do Novo Testamento para Babilônia. Babilônia é a palavra grega para Babel.

    Isso proporciona uma continuidade extraordinária. Pensem por um momento. Em Gênesis 11, vocês têm toda a história de Babel. Em Gênesis 12, têm o Deus da glória aparecendo a nosso pai Abraão; naquele momento, ele se tornou peregrino, estrangeiro na terra que haveria de herdar e alguém que buscava Jerusalém.

    Em outras palavras, a partir de Gênesis 11 e 12, vocês têm, em Gênesis 11, o início da Babilônia. Percorrem toda a Bíblia, os sessenta e seis livros, até chegar a Apocalipse 17, Apocalipse 18 e à primeira parte de Apocalipse 19; ali está o fim de Babel, o fim da Babilônia.

    A partir de Gênesis 12, percorrendo toda a Bíblia, vocês têm Jerusalém.

    Jerusalém como o Lugar do Nome de Deus

    É claro que Jerusalém era uma cidade física. Deus a escolheu, e ninguém mais a teria escolhido.

    Uma das coisas mais extraordinárias, quando refletimos sobre esse assunto, é que Deus escolheu uma cidade que não tinha um abastecimento adequado de água. Na época de Davi, a fonte de água ficava fora da muralha da cidade. Foi Ezequias quem a trouxe para dentro das muralhas, mas, mesmo assim, o abastecimento era precário.

    Vocês conseguem imaginar alguém escolhendo como capital uma cidade que não tivesse um abastecimento de água adequado e seguro para sustentar a população em tempos de guerra, em tempos de cerco? É extraordinário.

    Jerusalém não tem porto. Não tem grandes canais. Não tem grandes rios navegáveis. Não fica em nenhum grande entroncamento de rotas. A única razão pela qual Jerusalém se tornou um nome conhecido no mundo inteiro é que Deus a escolheu.

    Deus disse repetidas vezes:

    Não oferecereis as vossas ofertas em qualquer lugar que escolherdes, mas no lugar em que farei habitar o Meu nome.

    Essa é uma expressão extraordinária:

    O lugar em que farei habitar o Meu nome.

    Pensem nisso. As pessoas que leem a Bíblia muitas vezes não pensam sobre isso. Você já ouviu falar de uma cidade onde se faz habitar o nome de alguém? Afinal, o que isso significa?

    Na Palavra de Deus, os nomes têm significado. Abrão: pai exaltado. Abraão: pai de uma multidão, o pai de todos os que creem. Jacó: aquele que torce. Israel: príncipe com Deus. José: acréscimo, multiplicação, expansão. Isaque: riso.

    São extraordinários esses nomes. Moisés, Moshe: tirado para fora. Ele certamente foi tirado para fora. Deveria ter sido devorado por um crocodilo, mas foi retirado por ninguém menos que a filha do faraó. É extraordinário. Seu ministério foi tirar um povo do Egito.

    Por toda parte, os nomes significam alguma coisa. Os nomes expressam o caráter, a personalidade e, em certo sentido, o destino profético daquela pessoa.

    Agora, quando Deus diz: “Não oferecereis os vossos sacrifícios ou as vossas ofertas em qualquer lugar que escolherdes, mas no lugar em que farei habitar o Meu nome”, o que Ele queria dizer era isto: esta cidade deve ser a expressão do Meu caráter.

    Ela deve representar o Meu coração e a Minha mente. Deve representar a verdade. Deve representar o governo de Deus. Deve representar o reino de Deus. Deve representar o Messias de Deus. Deve representar a salvação de Deus.

    Por isso, Jerusalém nunca desaparecerá, apesar do seu pecado, apesar da sua prostituição, apesar da sua desobediência.

    Babilônia desapareceu. Tebas desapareceu. Ramessés desapareceu. Todas essas grandes cidades da antiguidade — Susã, e tantas outras — desapareceram. Mas Jerusalém, não. Jerusalém precisa sobreviver a todas elas.

    Por quê? O livro do Apocalipse diz:

    Sodoma, onde também o seu Senhor foi crucificado.

    É assim que o livro do Apocalipse descreve a Jerusalém aqui de baixo.

    Mas ela nunca desapareceu porque representa a mente de Deus, enquanto Babel — aliás, não sabemos como esse nome veio a ser escolhido, pois significa confusão em hebraico — é o epitáfio perfeito da engenhosidade e do gênio do homem caído: confusão.

    Liga das Nações, Nações Unidas: tudo desunido. Quero dizer, é uma loucura, realmente: confusão.

    Toda vez que tentam trazer o céu à terra e levar a terra ao céu, unir o céu, trazer uma grande era dourada de prosperidade, fraternidade e igualdade, o que acontece? Aquilo se torna uma prisão.

    O marxismo tornou-se uma prisão. O nazismo tornou-se uma prisão. O maoísmo tornou-se uma prisão. Grandes filosofias, grandes ideais, mas é confusão.

    Por quê? Porque não tem fundamentos. Não está edificado sobre fundamentos eternos. Não é o Deus da glória. Não é aquela cidade que, no final, possuirá a glória de Deus.

    O Movimento Bíblico do Jardim à Cidade

    Agora, não sei se o que estou dizendo está chegando a vocês, porque mal consigo vê-los daqui. Eu poderia estar falando para o vazio, sem ninguém presente.

    Mas, se olho para a minha Bíblia, para o começo e o final dela — Gênesis 1 a 3 e Apocalipse 20 a 21 —, encontro uma correspondência extraordinária.

    No começo há um jardim; no final há uma cidade. No começo há a árvore da vida; no final há a árvore da vida. No começo há um rio da vida; no final há um rio da vida.

    É extraordinário. Há árvores no começo: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal, na qual Adão e Eva foram instruídos a não tocar. No final, vocês têm aquelas árvores dando fruto, com folhas para a cura das nações.

    O mais extraordinário de tudo é que parece que toda esta Bíblia que Deus nos deu diz respeito à cidade.

    Foi isso que Abraão viu. Ele viu que toda a história deste mundo é basicamente explicada pela cidade de Deus, a Nova Jerusalém.

    Quando esta Jerusalém terrena desaparecer, ela só desaparecerá ao ser absorvida pela glória daquela Nova Jerusalém, a Jerusalém eterna. Até então, está aqui como símbolo do próprio Deus.

    As Bodas do Cordeiro e a Cidade de Deus

    Gostaria de conseguir tornar isso mais claro, mas, sabem, quando vocês chegam àquela cidade no final da Bíblia, encontram algo extraordinário. Nos primeiros três capítulos, têm o casamento de Adão e Eva. Nos últimos três capítulos, têm as bodas do Cordeiro e da esposa do Cordeiro.

    Isso chega ao coração da Bíblia. Abram-na aproximadamente no meio, e o que vocês encontram? Cântico dos Cânticos: uma história de relacionamento de amor entre Deus e os redimidos.

    Ele não os deixa ir. Mesmo quando se tornam mornos e indiferentes, quando ficam satisfeitos consigo mesmos e se acomodam, por assim dizer, Ele não os deixa ir.

    Ele prossegue, etapa por etapa. Conduziu aquela bela noiva, a quem tanto ama, ao ponto em que ela diz:

    Eu sou do meu Amado.

    No começo, era:

    O meu Amado é meu, e eu sou Dele.

    Já vi isso várias vezes: “O meu Amado é meu, e eu estou aqui”.

    Se vocês não ouviram, foi proposital: “Eu estou aqui”.

    Depois, após um pouco de tratamento, ela diz: “Eu sou Dele”. Coloca de outra maneira:

    Eu sou do meu Amado, e Ele é meu.

    Ah, muito bem. Mas houve mais alguns tratamentos, e então ela diz: “Eu sou Dele”. Aqui está o extraordinário: pela primeira vez, ela pensa nos outros.

    “E a minha irmãzinha?”, pergunta ela. “Ela não amadureceu. Não se desenvolveu. O que podemos fazer por ela?”

    Isso é a Bíblia. Vocês realmente acreditam que Abraão viu algo assim antes mesmo de algumas dessas coisas serem escritas?

    Creio que é inteiramente possível um ser humano compreender o propósito de Deus se o Espírito Santo estiver presente. Ele pode não ter habitado no interior da pessoa, mas ainda assim ministrava.

    Ah, pensem novamente. Já lhes ocorreu que, quando o Senhor Jesus iniciou Seu ministério messiânico, o primeiro milagre aconteceu em um casamento? João dá muita importância a isso: esse foi o Seu primeiro milagre. Começou em um casamento, onde Ele transformou água em vinho.

    As Duas Cidades e o Propósito da Redenção

    Bem, ao longo da história, no que diz respeito à Bíblia, há apenas duas cidades, e todos os seres humanos pertencem a uma ou à outra.

    Ou você pertence à Babilônia, ou pertence a Jerusalém. É por isso que Salmos 87 diz que, quando o Senhor registra os povos, Ele declara:

    Este nasceu ali.

    Embora seu nascimento original tenha sido na Babilônia, na Filístia, em Tiro ou em outros lugares, agora nasceram de novo; estão registrados em Jerusalém, a Jerusalém que é de cima, que é a mãe de todos nós.

    Mas é mais do que isso. O propósito de Deus não é apenas redimir seres humanos, mas conduzi-los a um relacionamento tão profundo com Ele que cresçam até a maturidade, quando serão capazes de reinar com Ele.

    Aquela cidade no final da Bíblia, com a qual termina essa extraordinária revelação do coração e da mente de Deus nesses sessenta e seis livros, é ao mesmo tempo uma capital e uma esposa: duas ideias extraordinariamente diferentes.

    Uma cidade: uma capital, o centro da administração, o centro do serviço público, o centro onde as políticas de um reino ou império são estabelecidas, ordenadas, determinadas.

    E uma esposa: o relacionamento mais íntimo conhecido pela humanidade, marido e mulher.

    Se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados.

    Não é interessante que o Senhor estivesse disposto a tirar do seu lugar o candelabro daquela maravilhosa igreja em Éfeso por uma única razão? Eles haviam abandonado o primeiro amor.

    Portanto, quando vocês chegam à cidade de Deus, trata-se de primeiro amor. Trata-se de estar apaixonado pelo Senhor.

    Amarás o Senhor teu Deus de toda a tua alma, de todo o teu coração, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento.

    E Jesus disse:

    O segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

    Assim é a cidade de Deus: reinar com Ele e amá-Lo profundamente.

    Como tenho dito muitas vezes, o Senhor não está interessado em um serviço público eterno, uma burocracia que saiba exatamente o que deve ser feito, saiba como fazê-lo e o faça com o mínimo de complicação e o máximo de eficiência — o que nem sempre é verdade no caso da burocracia.

    Mas isso nunca satisfará o Senhor. Ele só Se satisfará com um companheirismo que tenha brotado da devoção e do amor. Esse é o significado e a importância dessa cidade.

    Bem, vocês podem ver como todo esse assunto é tremendo. Gostaria, realmente, que pudéssemos dedicar ainda mais tempo a ele, mas vocês podem perceber imediatamente que o Deus da glória tornou Abraão incapaz de se satisfazer com qualquer coisa menor do que a cidade que tem os fundamentos. Essa é a visão celestial.

    A Igreja Gloriosa

    A carta do apóstolo Paulo aos Efésios diz, em Efésios 5, que o Senhor Jesus amou a igreja e Se entregou por ela, para apresentá-la a Si mesmo como igreja gloriosa, uma igreja de glória, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante.

    Portanto, se ao menos compreendermos algo aqui que, a meu ver, é tremendo, começaremos a entender alguma coisa sobre Abraão.

    O Abalo das Nações

    Estamos agora em meio — e, se me permitem dizer isso, depois passarei ao último ponto que quero abordar —, estamos agora em meio a uma tremenda tentativa de Satanás de retomar o mundo inteiro.

    É a tentativa final de babilonizar o mundo inteiro. Temos a globalização; é simplesmente Babel. Cada vez mais, o mundo inteiro está se tornando uma aldeia global. Falamos praticamente uma só língua. Inacreditável.

    É incrível o que está acontecendo, e acontecendo tão depressa que quase podemos ser ultrapassados pelos acontecimentos sem despertar para o que está ocorrendo. Estamos chegando aos capítulos de Apocalipse 13 a 19.

    Sempre foi assim. Se vocês observarem a profecia de Daniel, verão que aqueles quatro grandes impérios saíram de um mar agitado por um tufão, revolvido pela tempestade. Dele vieram um após o outro.

    Quando vocês olham para Apocalipse 13, não nos é dito que o mar está agitado por um tufão, mas é o mesmo mar. Dele sai uma fusão dos quatro impérios. É o último grande império, o último grande mundo do Anticristo.

    É a última grande tentativa de Satanás de dominar o mundo. Satanás é incrível. Preciso tomar cuidado com o que digo, mas Satanás é uma pessoa incrível.

    Porque, em certo sentido, ele estuda a Bíblia. Comparece a uma reunião de oração. Às vezes, escuta nas conferências, se as considera importantes o suficiente. Absorve todas as coisas que Deus nos mostrou pelo Seu Espírito e, ainda assim, acredita que pode vencer.

    Isso é incrível para mim. Ele foi derrotado todas as vezes em que tentou frustrar o propósito de Deus. O Senhor virou o jogo e o derrotou; disso resultaram bênçãos e salvação extraordinárias.

    Por que ele continua, a menos que esteja consumido pelo orgulho e acredite que ainda pode frustrar o propósito de Deus e a vinda do Rei, o Senhor Jesus?

    Por que vocês acham que o Senhor está abalando tudo? Esse abalo começou, na minha avaliação, com a Primeira Guerra Mundial, prosseguiu na Segunda Guerra Mundial e tem aumentado desde então.

    Agora chegamos ao ponto em que tudo está sendo abalado: tumulto no mundo inteiro. Não importa para onde vocês olhem; há tumulto. Temos Chávez na América do Sul; temos Ahmadinejad no Irã. Não importa para onde olhem. Temos Putin na Rússia. As coisas mais extraordinárias estão acontecendo por toda parte.

    O que está acontecendo? Temos também o terrorismo islâmico. O islã tem uma agenda para dominar o mundo inteiro. Fracassará, pela graça de Deus.

    Por quê? Porque o Anticristo não é esse tipo de pessoa. Ele não é como Nero, Hitler, Mao ou Stalin. Esse Anticristo, se posso dizer sem ofender ninguém, é mais ao estilo de Clinton: afável, alguém a quem as pessoas perdoam, atraente, mesmo quando peca.

    Essa é a figura final que virá.

    Queridos amigos, é de admirar que Deus esteja abalando tudo? Vocês sabem por que Ele está abalando tudo? Basicamente, para sacudir todos os que puderem ser sacudidos, tirando-os do que é transitório e temporal e conduzindo-os ao que é eterno e permanente.

    A maravilhosa profecia de Joel fala da etapa final desta era e diz:

    E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

    Graças a Deus pelo abalo, porque ele vai abalar negócios até despedaçá-los, abalar famílias até despedaçá-las, abalar todo tipo de rotina religiosa até despedaçá-la e levar as pessoas ao ponto em que busquem e procurem aquilo que é inabalável.

    Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, tenhamos graça, pela qual ofereçamos a Deus um serviço que Lhe seja agradável.

    Digo que isso é tremendo. Algumas pessoas têm muito medo do abalo. Eu não tenho. Sei Quem está abalando. Vocês sabem: o Senhor. É Ele Quem está abalando.

    Não tenho o menor medo. Que Ele continue abalando. Quero ver tudo isso chegar rapidamente ao fim. Já tive o bastante de tudo isso: de todo esse tumulto, de todas essas deturpações que vemos. Quanto mais cedo tudo terminar, melhor, com a vinda do Senhor.

    Não tenho medo do abalo. Imagino que muitos de vocês também não tenham. Graças a Deus, se o Senhor quer sacudir de nós aquilo que pode ser abalado, que Ele o faça.

    No final, só teremos motivos para louvá-Lo por nos ter levado ao ponto em que aquilo que podia ser abalado foi removido de nós, e passamos a nos concentrar no que é inabalável.

    A Visão de Abraão sobre o Messias

    Agora, queridos amigos, eu disse que havia mais uma coisa que queria dizer, e ela é bastante importante. Quando o Deus da glória apareceu a Abraão, ele viu a cidade que tem os fundamentos. Compreendeu que todo o propósito de Deus estava centrado, em certo sentido, naquela cidade vindoura.

    Mas muito mais importante do que isso é o meu último ponto: ele viu todo o propósito de Deus centrado no Senhor Jesus.

    Em João 8:56, o Senhor Jesus diz de maneira muito simples:

    Abraão viu o Meu dia e se alegrou.

    Ele viu e se alegrou.

    O que Abraão viu? Não é extraordinário que, quase dois mil anos antes de o Senhor Jesus aparecer nesta terra, Abraão já tivesse visto o Seu dia e se alegrado?

    Não foi algum tipo de aparição indistinta que surgiu diante dele, deixando-o a pensar: “Bem, o que será que tudo isso significa?”. Ele se alegrou.

    Ele viu que todo o propósito de Deus estava centrado, focalizado, no Senhor Jesus, no Messias. Ele traria a salvação. Ele traria o evangelho, as boas-novas. Ele edificaria a igreja. Ele salvaria Israel.

    Digo que isso é extraordinário. Ouçam as palavras do Senhor quando apareceu a Abraão:

    E farei de ti uma grande nação,
    e te abençoarei,
    e sê tu uma bênção.
    E abençoarei os que te abençoarem;
    e amaldiçoarei aquele que te desprezar.
    E em ti, na tua descendência, serão benditas todas as famílias da terra.

    Naquela extraordinária revelação do Deus da glória e nas palavras do Senhor, vocês tinham toda a história da humanidade, desde Abraão até os nossos dias.

    Israel e a Fidelidade de Deus

    Uma grande nação: sim, não tenho receio de dizer isso. Ele estava falando de Israel.

    Números 23:9 diz que esse povo habitará só e não será contado entre as nações. Em outras palavras, há uma singularidade nessa nação que saiu das entranhas de Abraão e que perdurou ao longo de toda a história até hoje.

    Vocês poderiam acreditar que, depois de todos esses anos, quase quatro mil anos mais tarde, o mundo inteiro estaria em tumulto por causa de uma pequena porção de território não maior do que o estado de Nova Jersey? Pensem nisso: tão pequena quanto a Hungria ou Portugal na Europa, como a Ilha Norte da Nova Zelândia, do tamanho da Tasmânia na Austrália.

    Vocês poderiam acreditar que o mundo inteiro, quatro mil anos depois, estaria em tumulto por causa desse pequeno Estado? Isso significa que eles sobreviveram a tudo até hoje. Eu chamo isso de uma grande nação.

    Isso não revela a engenhosidade do povo judeu ou a inteligência do povo judeu — eles as têm —, mas não é isso que revela. O que revela é a absoluta fidelidade de Deus.

    Ele diz muito claramente em Sua Palavra:

    Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, à vontade e ao propósito predestinadores de Deus, são amados por causa dos pais.
    Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.

    Deixem isso penetrar: os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. Isso explica por que Israel existe hoje, reconstituído. Isso explica por que todas as tentativas de exterminá-los fracassaram.

    Explica essa coisa extraordinária que está acontecendo em Israel, onde israelenses estão conhecendo o Senhor Jesus. É apenas um pequeno fluxo, mas é o início de uma tremenda obra do Espírito Santo que será a conclusão da história da redenção.

    O Mistério de Israel e das Nações

    Querido filho de Deus, poderíamos dedicar muito tempo a esse assunto, mas não vou fazê-lo. Tudo o que vou dizer é isto: a deturpação da imagem de Israel, o crescente ódio a Israel, o crescente antissemitismo agora visto no anti-israelismo significam simplesmente que Satanás sabe que seu fim está próximo.

    Ele sempre entendeu que, quando a salvação da casa de Israel se aproximar, seu tempo terá acabado. Por isso levantará pessoas como Ahmadinejad e outros que juram exterminá-la.

    Algumas pessoas acreditam que nunca haverá outro Holocausto. Pensam que o Holocausto nazista foi o último de todos. Eu não penso assim. Vocês querem me dizer que Satanás está morto? Ele não está morto.

    Como ele não está morto, fará isso novamente. Essa é a gravidade da situação no Oriente Médio e, ao mesmo tempo, dessa deturpação pela mídia, pela mídia mundial, que basicamente colocou Israel sob uma luz tão terrível que muitas pessoas pensam, como pensavam na Alemanha nazista, que talvez fosse melhor se fossem exterminados.

    Mas eles não serão exterminados. Vocês leram aquelas palavras em Salmos 2?

    Pede-Me, e Eu Te darei as nações por Tua herança
    e os confins da terra por Tua possessão.

    Essas são as palavras do Pai ao Filho, referentes ao Senhor Jesus. Quanto ao povo judeu, Ele diz:

    Eu constituí o Meu Rei sobre o Meu santo monte de Sião.

    Mas vocês também perceberam isto?

    Por que os povos imaginam coisas vãs?

    Por que estão em tumulto? Por que os governantes e reis dizem: “Vamos lançar fora essas ataduras, esses grilhões”?

    É exatamente o que está acontecendo agora: todo esse grande movimento para lançar fora a lei de Deus, aquilo que Deus disse sobre o aborto, aquilo que Deus disse sobre o casamento homossexual, aquilo que Deus disse sobre a eutanásia, sobre qualquer outra coisa.

    “Joguem isso fora. Não queremos. Isso não pertence à cultura moderna.”

    Li aquelas palavras em Romanos por uma razão. Temos o mistério da igreja e temos o mistério de Israel.

    Esse grande apóstolo, por meio de quem veio tanta revelação a respeito do corpo do nosso Senhor Jesus, a igreja, é também aquele que disse:

    Não quero, irmãos, que ignoreis este mistério…

    O mistério de Israel.

    …para que não sejais sábios aos vossos próprios olhos.

    Um endurecimento veio em parte sobre Israel até que entre a plenitude, o número completo, dos gentios. Isso não significa até que o último gentio seja salvo. Significa que, quando essa grande obra do evangelho tiver trazido homens e mulheres de toda língua, família e raça, então Deus Se voltará novamente para o povo judeu, os ramos naturais, desfará o endurecimento e devolverá a visão e a salvação.

    E assim está escrito:

    E assim todo o Israel será salvo.

    Isso não significa apenas judeus segundo a carne; “todo o Israel” significa todos aqueles que são salvos pela graça de Deus, gentios e judeus. E assim todo o Israel, o povo eleito de Deus, será salvo para não mais pecar.

    Então vem esta palavra maravilhosa. Ouçam:

    Como está escrito:
    De Sião virá o Libertador;
    Ele afastará de Jacó as impiedades.
    E esta é a Minha aliança com eles,
    quando Eu tirar os seus pecados.

    Agora, isso é extraordinário. De onde ele tira essa citação? É bastante notável, porque o hebraico de Isaías 59:20 diz muito claramente:

    E virá um Redentor a Sião,
    e aos que se desviarem da transgressão em Jacó.

    Foi exatamente o que aconteceu. O Senhor Jesus veio a Sião e salvou aqueles que se desviaram da impiedade em Jacó. Ele realmente fez isso. É maravilhoso. Aquela foi a igreja primitiva. Foi absolutamente maravilhoso.

    Mas agora temos esta variação. Creio que é o Espírito de Deus:

    De Sião virá o Libertador,
    e afastará de Jacó as impiedades.

    Creio que estamos muito próximos desse dia. Ah, querido filho de Deus, ouça isto. É simplesmente extraordinário.

    É de admirar que o mundo esteja em tumulto? É de admirar que essa tremenda força antissemita esteja se desenvolvendo por toda parte? Certamente não se trata de carne e sangue. Trata-se de Satanás e dos poderes do mal e das trevas.

    Mas ouçam isto:

    Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra.

    Isso diz respeito a toda a grande obra do evangelho no mundo inteiro.

    Gálatas 3:8 diz que o evangelho foi anunciado a Abraão por meio deste versículo:

    E em ti serão benditas todas as famílias da terra.

    Não sei quantos judeus chegaram a imaginar que, no final, isso iria até os confins da terra e que haveria pessoas que entrariam na salvação de Deus, na plenitude de Deus, no propósito de Deus, no reino de Deus, por meio do Senhor Jesus.

    Um Chamado à Renovação da Visão

    Digo que isso é tremendo. Onde estamos? Não estamos no começo. Estamos no final. As coisas agora estão avançando tão depressa que mal conseguimos acompanhá-las.

    Mas, querido filho de Deus, à luz de tudo isso, eu e você precisamos permitir que o Senhor trate conosco. Se nossa visão ficou obscurecida, se de alguma maneira nossa compreensão foi comprometida, precisamos que o Espírito de Deus nos toque.

    Assim como Abraão estava em um grande ponto de virada na história divina, nós estamos em outro ponto de virada: a conclusão da obra do evangelho e a salvação da casa de Israel.

    Vocês conseguem imaginar a alegria no céu quando isso estiver concluído? Mas muitos filhos de Deus estão dormindo. Simplesmente não fazem a menor ideia.

    O Anticristo está vindo. Foi por isso que disse o que disse sobre os Estados Unidos ontem à noite. Não creio que os Estados Unidos escaparão disso.

    O Anticristo está vindo. Quem dera esta fosse a terra de segurança e refúgio. Não creio que seja.

    Satanás deseja esta nação mais do que deseja muitas outras. Quando entrar, procurará destruir todo vestígio que puder da fé e da compreensão bíblicas.

    Mas, querido filho de Deus, também há um arrebatamento. Ele pode acontecer a qualquer momento. O Anticristo ainda não apareceu. Segundo a minha compreensão das Escrituras, teremos de avançar um pouco nesse período em que ele aparecerá, mas, graças a Deus, há um arrebatamento.

    E, em terceiro lugar, o Senhor Jesus está vindo. E, quando Ele vier, a guerra terá terminado.

    Querido filho de Deus, eu e você temos um privilégio tremendo. Fomos chamados com uma soberana vocação. Foi-nos concedida, como direito de nascimento, a revelação.

    Como o Senhor Jesus disse a Pedro:

    Não foi carne e sangue que to revelou, mas Meu Pai, que está nos céus.

    Assim deve ser com você e comigo.

    Se você perdeu a visão, por que não se ajoelha e diz ao Senhor: “Creio que fui cegado”? Por que não pede ao Senhor que toque o seu coração e os olhos do seu coração, para que possa ver com mais clareza do que jamais viu?

    Esse Deus da glória: que Ele nos dê graça para não sermos desobedientes.