Porque um menino nos nasceu,
Um Filho se nos deu;
E o governo estará sobre o Seu ombro:
E o Seu nome será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento do Seu governo e da paz não haverá fim,
Sobre o trono de Davi e sobre o Seu reino,
Para o estabelecer e o sustentar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre.
O zelo do Senhor dos Exércitos fará isso.
E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós
(e vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai),
Cheio de graça e de verdade.
Sacrifício e oferta não desejaste;
Os meus ouvidos abriste:
Holocausto e oferta pelo pecado não requereste.
Então disse Eu: Eis que venho;
No rolo do livro está escrito a Meu respeito:
Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Meu Deus;
Sim, a Tua lei está dentro do Meu coração.
O Qual, subsistindo na forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus algo de que devesse Se apoderar,
Mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-Se semelhante aos homens;
E, sendo encontrado em aparência como homem, humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, sim, à morte de cruz.
Amado Senhor, queremos agradecer-Te mais uma vez pelo privilégio de nos reunirmos em Teu nome. Como Te louvamos e Te agradecemos! É por causa do Teu precioso sangue derramado por nós, do novo e vivo caminho que nos abriste e consagraste para nós, e por termos a Ti como nosso grande Sumo Sacerdote, intercedendo incessantemente por nós, que temos o privilégio de entrar na Tua própria presença e ouvir a Tua palavra.
Ó Senhor, cria em nós um profundo anseio pela Tua palavra. Remove de dentro de nós tudo o que nos impede de compreender. Queremos conhecer-Te. Queremos ganhar a Ti, Senhor.
Tu és o Único que desejamos. Não há ninguém no céu além de Ti, e na terra não desejamos ninguém senão a Ti. Enche-nos de Ti mesmo, para que sejas glorificado. Entregamos este tempo às Tuas mãos amorosas, confiando que o Teu Espírito Santo realizará esta obra impossível. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Cada vez que temos o privilégio de nos reunir em Seu nome, isso realmente faz brotar de nosso coração uma profunda gratidão.
Neste mundo, quantos hoje têm o privilégio que nós temos de nos reunir tranquilamente e passar nosso tempo, por assim dizer, com Ele? É um privilégio tão grande!
O tema deste ano é o testemunho do apóstolo Paulo. Ele disse:
Rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
É aí que estamos. Esperamos que, pela graça de Deus, cada um de nós que tem o privilégio de vir a esta conferência possa, pela graça de Deus, dizer a mesma coisa: “Não somos desobedientes à visão celestial”.
Mas, como mencionamos logo no início, se não sabemos o que é a visão celestial, como podemos ser obedientes?
Queridos irmãos e irmãs, o que é a visão celestial? Para colocar da maneira mais simples, a visão celestial que encontramos na palavra de Deus diz respeito ao propósito eterno de Deus.
Deus tem um propósito eterno, que estabeleceu em Si mesmo antes da fundação do mundo. É esse propósito que governa toda a Sua obra ao longo das eras.
Esse propósito é muito simples, porque Seu coração está centrado em uma única Pessoa: Seu único Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Então, o que é a visão celestial? Não é algo misterioso, abstrato, quase intocável. É algo muito simples, muito claro, muito definido.
O propósito eterno não é outro senão Cristo Jesus. No propósito eterno de Deus, o que Deus pensa a respeito de Seu Filho amado? O que Deus deseja que Seu Filho seja? Quem é esse Filho aos olhos do Pai?
Ele é Aquele em Quem habita toda a plenitude da Divindade. Ele é o Criador de todas as coisas. Ele é o Herdeiro de todas as coisas. Ele é o Senhor, o Soberano sobre tudo.
Deus Lhe deu todas as coisas, especialmente os seres humanos — homens e mulheres como nós. Somos a dádiva de Deus ao Seu Filho, a maior dádiva de Deus ao Seu Filho. Devemos assumir Seu caráter e ser transformados e conformados à Sua imagem, para que sejamos Sua auxiliadora, Sua companheira de vida, e para que Ele fique satisfeito.
Essa é a visão celestial. E, graças a Deus, essa visão celestial nos inclui.
Assim, a ênfase deste ano está mais nesta questão: como essa visão celestial pode se tornar nossa porção, nossa possessão, de modo que a visão celestial esteja em nós e nós estejamos na visão celestial? O segredo é sermos obedientes àquilo que Deus nos revelou de Seu Filho.
Minha responsabilidade desta vez é ilustrar a obediência à visão celestial com a vida do próprio Cristo. Sabemos que nosso Senhor Jesus Cristo não é apenas a visão celestial, mas também o Autor dessa visão. Ele é Aquele que torna essa visão uma realidade. Ele é Aquele que lança o fundamento dessa visão.
Não só isso: Ele é Aquele que a completa, que opera em nós, que nos introduz nessa visão. Nesse processo, descobrimos que Ele é o exemplo perfeito de obediência à visão celestial. É sobre isso que vamos compartilhar nas três primeiras manhãs.
Ontem de manhã, mencionamos que a história de nosso Senhor Jesus começa na eternidade passada. Nunca seremos capazes de compreendê-Lo se O conhecermos apenas durante aqueles trinta e três anos e meio em que esteve na terra.
É por isso que muitas pessoas não O compreendem. Dizem que Ele é um grande homem, um grande profeta, um santo, uma pessoa maravilhosa. Mas, irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus é mais do que isso. Precisamos conhecê-Lo antes mesmo de existir o tempo, na eternidade passada.
No princípio era o Verbo.
O Logos, a fala, a expressão, a imagem de Deus.
E o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Em outras palavras, irmãos e irmãs, no princípio havia Deus: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Três em Um é um mistério que não compreendemos, mas sabemos que é um fato.
Na eternidade passada, o Pai e o Filho mantinham, no Espírito, uma comunhão doce, harmoniosa, maravilhosa e gloriosa entre Si. Em Sua conversa, por assim dizer, em Sua comunhão, o Pai disse ao Filho: “Como Eu Te amo! Quero expressar Meu amor por Ti. Quero dar-Te todas as coisas. Quero criar os céus e a terra e tudo o que neles há. Quero criar o homem para que seja Teu companheiro de vida”.
Mas Deus, sendo onisciente, conhece o fim desde o princípio. Por isso, Ele sabia que haveria problemas — um problema impossível que se colocaria no caminho. Ele podia prever que haveria rebelião no universo.
“Então, o que devo fazer?”, disse o Pai.
E o Filho, em pleno acordo com o Pai, ofereceu-Se voluntariamente. Ele disse: “Pai, se esta é a Tua vontade, vai em frente. Estou disposto a oferecer-Me como o Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Eu serei Aquele que resolverá esse problema impossível, para que o Teu propósito se cumpra”.
Assim, queridos irmãos e irmãs, nosso Senhor Jesus já era o Cordeiro antes mesmo da fundação do mundo. Ele era o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo. Ao oferecer-Se dessa maneira, Ele o fez em obediência ao Pai.
A obediência de Cristo à visão celestial começou na eternidade passada.
Isso é muito importante para nós, porque é a base de nossa eleição em Cristo antes da fundação do mundo. Graças a Deus, somos escolhidos. Mas lembrem-se: nossa eleição remonta à eternidade passada e está totalmente baseada na obediência de Cristo ao Seu Pai — em Sua oferta de Si mesmo como o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
Por isso, irmãos e irmãs, sempre que pensamos nisso, dobramos os joelhos. Adoramos. É algo maravilhoso demais para nós, mas Ele o fez.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de continuar com a vida de Cristo nos dias de Sua carne: como Ele foi obediente à visão celestial e como veio lançar o fundamento dessa visão.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, depois que o ser humano pecou, o homem e a mulher se esconderam entre as árvores. Tinham medo de encarar Deus. Mas Deus veio até eles. Não é verdade? Tentamos fugir de Deus, mas Deus, em Seu grande amor, vem nos buscar.
Deus veio ao jardim e disse: “Adão, onde estás? Por que te escondes entre as árvores?” Adão confessou que estava nu, porque o pecado havia tirado a glória que lhe servia de cobertura.
Então Deus começou a pronunciar Seu juízo. Pronunciou juízo sobre Adão, depois sobre Eva e depois sobre a serpente que havia tentado Eva.
Enquanto pronunciava Seus juízos, em Gênesis 3:15, Ele deu ao ser humano e ao mundo uma grande promessa:
E porei inimizade entre ti e a mulher,
E entre a tua descendência e a sua Descendência:
Ele te ferirá a cabeça,
E tu Lhe ferirás o calcanhar.
Em outras palavras, irmãos e irmãs, Deus sempre reage de maneira positiva. Apesar do pecado do ser humano, apesar do juízo anunciado, Deus sempre reage de uma maneira muito superior àquilo que poderíamos imaginar. Seus pensamentos são sempre mais altos que os nossos pensamentos; Seus caminhos são sempre mais altos que os nossos caminhos.
Graças a Deus que, naquela situação, Ele nos deu uma grande promessa. Um dia, o Descendente da mulher viria e, quando viesse, esmagaria a cabeça da serpente. Em outras palavras, Ele daria fim a Satanás, o eliminaria. Mas Ele também sofreria.
Deus, de muitas maneiras ao longo dos anos, reiterou Sua promessa até chegarmos a Isaías. Isaías viveu cerca de oitocentos anos antes de Cristo; portanto, mais de três mil anos haviam se passado. Deus nunca Se esqueceu e, por meio do profeta Isaías, profetizou:
Um menino nos nasceu.
Um dia, um menino nasceria para nós. Esse menino nasceu para nós, para todos nós — não apenas para uma família. Quando uma criança nasce em uma família, há alegria naquela família. Mas este Menino nasceu para nós, neste mundo, em nosso favor.
E Quem é esse Menino?
Um Filho se nos deu.
Esse mesmo Menino, esse pequeno Bebê, é o Filho de Deus.
Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito.
O governo estará sobre o Seu ombro.
Seu nome será chamado Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Ele Se assentará sobre o trono de Davi, e Seu governo não terá fim.
O zelo do Senhor fará isso.
Ó irmãos e irmãs, aqui vocês encontram essa promessa do Descendente da mulher claramente reafirmada nessa profecia de Isaías.
Então, na plenitude do tempo, como encontramos em Gálatas, Cristo nasceu de uma mulher, uma virgem, sob a lei, para que fôssemos redimidos da maldição da lei e recebêssemos a filiação.
É isso que encontramos em João 1:14:
O Verbo Se fez carne.
No princípio era o Verbo, mas agora o Verbo Se fez carne. O Verbo tomou sobre Si a carne de um homem e habitou entre nós. Ele armou Seu tabernáculo, por assim dizer, entre nós, cheio de graça e de verdade.
João colocou entre parênteses:
E vimos a Sua glória, glória como do Unigênito do Pai.
Na eternidade passada, nosso Senhor Jesus Cristo ofereceu-Se como o Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Houve uma oferta, e agora vocês veem que essa oferta se tornou efetiva. O Verbo Se fez carne. O Descendente da mulher havia chegado. Isso é a encarnação.
Agora, é claro, encontramos em Salmos 40:6-8 uma profecia referente a Cristo. Aqui Ele diz:
Sacrifício e oferta não desejas.
Deus não está buscando sacrifício ou oferta; eles são apenas figuras.
Oferta pelo pecado e holocausto não queres.
Mas Tu Me preparaste um corpo.
Agora, em Salmos 40, Ele diz:
Tu Me preparaste ouvidos.
Um ouvido perfurado. Mas, quando vocês leem Hebreus, trata-se de um corpo. Portanto, em outras palavras, vemos aqui que o Verbo Se ofereceu para vir em carne, para tomar sobre Si a carne de um homem.
Isso é segundo a Tua palavra, e a Tua lei está escrita no Meu coração.
Venho para fazer a Tua vontade.
Assim, queridos irmãos e irmãs, aqui vocês encontram, no início da vida de nosso Senhor Jesus na terra, que Ele veio em carne, cheio de graça e de verdade.
Em outras palavras, nunca soubemos o que eram a graça e a verdade até que Cristo veio a este mundo e trouxe a graça e a verdade, porque a graça e a verdade subsistem Nele.
Essa questão da encarnação é tão maravilhosa aos nossos olhos. Se quisermos conhecer o mistério da encarnação, precisamos ir a Filipenses 2. Ali está escrito:
Cristo Jesus, subsistindo na forma de Deus.
Agora, o que isso significa? A palavra forma ali, no grego, é morphē, e significa principalmente natureza ou essência. Não é algo abstrato. Fala da própria natureza, essência e caráter daquele indivíduo — daquilo que o constitui espiritual e moralmente. Enquanto esse indivíduo vive, essa forma permanece com ele.
Então, aqui encontramos o Verbo — no princípio era o Verbo. Qual é a forma desse Verbo? É a forma de Deus. Tudo o que Deus é — a natureza de Deus, o caráter de Deus — está no Verbo, porque Ele é Deus.
Ele subsiste na forma de Deus. Estar na forma de Deus não é algo em que Ele veio a Se tornar; é algo que Ele é. É o que Ele realmente é. Portanto, na eternidade passada, o Verbo subsistia na forma de Deus. Tudo o que Deus é, Ele é, porque Ele é um com Deus.
Ali está escrito que Ele:
Não considerou o ser igual a Deus algo de que devesse Se apoderar.
Ele é igual a Deus, e isso não é algo de que precise Se apoderar ou que precise buscar.
Agora, vocês sabem que há um contexto por trás disso. Lembramos que, no primeiro mundo da criação de Deus, os mais elevados eram os anjos. Havia um anjo chamado Lúcifer. Ele era dotado de dons. Foi colocado na posição mais elevada que um anjo poderia ocupar.
No entanto, ele quis se apoderar de algo que não lhe pertencia. Não havia sido criado para isso. Mas tornou-se tão cheio de ambição própria! Queria estar acima de tudo, ser igual a Deus. Queria se apoderar dessa posição.
Mas, no que diz respeito ao nosso Senhor Jesus, esse era Seu direito desde o princípio. Ele não precisava Se apoderar disso nem tentar obtê-lo, porque era Seu para sempre. Essa era Sua posição antes de vir a este mundo.
E então, quando o Verbo Se fez carne, não foi algo simples. Como poderia o Verbo, tendo a forma de Deus — e Deus é eterno, Deus é Espírito, Deus é todo-poderoso —, vir a Se tornar um homem?
Só havia uma maneira de fazer isso: esvaziar-Se a Si mesmo.
Agora, irmãos e irmãs, essa questão de esvaziar-Se a Si mesmo, ou de Se tornar sem reputação, não significa que Ele Se esvaziou de Sua divindade. Já mencionamos que a forma de Deus subsiste Nele, e isso é eterno. Ele não pode Se esvaziar de Sua divindade, porque, enquanto vive, isso é o que Ele é: Ele é Deus para sempre.
Mas esse esvaziamento de Si mesmo significa deixar de lado temporariamente, pôr de lado — como quem tira uma veste — Sua glória, honra, posição e direitos. Ele deixou tudo isso de lado para poder assumir a forma de um servo escravo.
Mais uma vez, vocês veem que essa palavra forma não se refere à aparência exterior. Essa palavra forma se refere ao caráter interior. Ele subsiste na forma de Deus e, agora, ao esvaziar-Se a Si mesmo, tomou sobre Si outra forma. Essa forma é a forma de um servo escravo.
Mais uma vez, isso não se refere a uma figura exterior. Refere-se ao seguinte: quando Ele veio para Se tornar carne, qual era Seu sentimento interior? Qual era Sua disposição? Ele tinha a disposição de um servo escravo.
Que contraste! Pensem em Deus, que é todo-poderoso, o Soberano, que pode fazer tudo o que deseja. No entanto, aqui encontramos um servo escravo. Um servo escravo está abaixo de um servo comum. É alguém que abriu mão de todos os seus direitos. Não tem direito algum, nenhuma posse, nenhuma posição, nenhum direito nem mesmo à própria vida.
Isso é o que nosso Senhor Jesus era quando veio em carne. Esse era Seu sentimento interior. Que esvaziamento!
Essa forma, esse sentimento interior, esteve sempre com Ele durante toda a Sua vida na terra.
Tornando-Se semelhante aos homens;
E sendo encontrado em aparência como homem.
Agora, a palavra aparência aqui é schēma. Refere-se à aparência exterior. É aquilo que Ele aparentava ser diante dos homens.
Assim, quando alguém olhava para Ele enquanto estava em carne, Ele parecia exatamente um homem, como vocês e eu. Essa era Sua aparência, Seu aspecto exterior. Mas, dentro daquela figura, daquela aparência exterior de um homem, havia Nele uma forma interior, e essa forma interior era a forma de um servo escravo.
Agora, espero que vocês compreendam isso, porque, irmãos e irmãs, vocês se lembram de que, quando Deus criou o homem, criou-o à Sua própria imagem, conforme a Sua semelhança, e lhe deu domínio para governar.
Mas o homem que Deus criou tem a forma, a figura, de um homem e deve fazer a vontade de Deus. Portanto, seu sentimento interior deve ser o de um servo escravo. O homem não foi criado para si mesmo. O homem foi criado para fazer a vontade de Deus. O homem foi criado para ser um servo escravo de Deus.
É isso que vocês encontram quando nosso Senhor Jesus disse:
Saulo, Saulo, por que Me persegues?
Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Agora, vocês sabem que há um contexto por trás disso.
Saulo pensava que era seu próprio senhor. Sendo homem, pensava que era seu próprio senhor. Fazia aquilo que achava que deveria ser feito e pensava que a única maneira de servir a Deus era perseguir os seguidores de Jesus Cristo.
Mas então o Senhor disse:
Saulo, Saulo, dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões.
Em outras palavras, você não é livre. Você não nasceu livre. Quando foi criado, foi criado para ser um servo escravo de Deus. Você tem um Senhor. Deve fazer a vontade Dele.
Você é como um boi debaixo de um jugo — Meu jugo, a vontade de Deus. Mas você se rebela contra isso, assim como um boi teimoso. Pensa que é livre e quer seguir seu próprio caminho, fazer o que bem entende. Mas lembre-se: você tem um Senhor.
Ele usará o aguilhão — um instrumento pontiagudo na mão do lavrador. Sempre que o boi se desvia enquanto ara a terra, o lavrador usa esse aguilhão, esse instrumento pontiagudo, apenas para tocar na perna do animal e fazê-lo lembrar. Mas o boi é tão teimoso que dá um coice para trás e, quando faz isso, se machuca. Depois de se machucar várias vezes, o boi começa a obedecer.
Assim, irmãos e irmãs, Deus estava dizendo a Saulo: “Você foi criado como homem, com a disposição interior de um servo escravo, para servir ao propósito de Deus. Foi para isso que você foi criado. Mas você recalcitra contra os aguilhões. Tenho feito você se lembrar repetidas vezes. Lembre-se: se continuar assim, será para seu próprio sofrimento”.
Creio que, quando Estêvão estava morrendo, Saulo, o jovem, guardava as roupas daqueles que atiravam pedras em Estêvão. O rosto de Estêvão era como o rosto de um anjo, e ele disse:
Os céus estão abertos.
Vejo o Filho do Homem ali em pé, recebendo-me.
Quando morreu, disse:
Senhor, não lhes imputes este pecado.
Assim como seu Senhor.
Creio que a consciência de Saulo foi tocada. Esse era o aguilhão. Deus estava tentando fazê-lo lembrar. Quando Saulo tirava homens e mulheres de suas casas ou das sinagogas, espancando-os e lançando-os na prisão, sendo ele um homem de formação, será que seu coração não era tocado?
Repetidas vezes Deus o fazia lembrar, mas ele se rebelava ainda mais. A Bíblia diz que ele perseguia com ainda mais fúria para silenciar sua consciência. Mas, por fim, Deus o levou ao fim de si mesmo.
Assim, irmãos e irmãs, lembrem-se: nós, como seres humanos, temos a forma, a figura, a aparência de um homem. Mas, por dentro, nossa disposição deve ser a de um servo escravo. Foi para isso que o homem foi criado. Infelizmente, porém, o homem se rebelou.
Aqui vocês veem que Deus encontrou Seu Homem em Cristo Jesus. Cristo Jesus é um Homem perfeito. Ele tem a aparência de um homem e é um homem. No entanto, Ele é o Homem segundo o coração de Deus. Dentro Dele há uma disposição, há uma forma, de servo escravo. Ele entregou todos os Seus direitos ao Pai.
Assim, irmãos e irmãs, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, havia algo que O caracterizava durante toda a Sua vida: o princípio que governava Sua vida era a vontade do Pai.
Eis que venho para fazer a Tua vontade.
Quando vocês leem o Evangelho segundo João, especialmente de João 5 a João 8, encontram várias passagens em que nosso Senhor Jesus disse:
Não posso fazer coisa alguma de Mim mesmo.
Faço porque vi Meu Pai fazer.
Não posso dizer coisa alguma de Mim mesmo.
Digo porque ouço Meu Pai dizer.
Meu tempo não é Meu.
Meu juízo não é Meu.
Ele não tinha nada de Si mesmo, senão a vontade do Pai. Durante toda a Sua vida, vocês veem que Ele viveu a vida de um servo escravo, obediente ao Pai celestial.
Repetidas vezes, vocês veem que o inimigo, Satanás, tentou tirá-Lo de Sua posição como homem, de Sua posição como servo escravo. Tentou lembrá-Lo repetidamente: “Tu és o Filho de Deus”.
Vocês se lembram da tentação no deserto? Depois de quarenta dias e quarenta noites de jejum, nosso Senhor Jesus, sendo humano, sentiu fome. Satanás veio e disse: “Ora, se Tu és o Filho de Deus, podes resolver facilmente esse problema. Podes transformar as pedras em pães, e então não precisarás mais sentir fome”.
Ele é o Filho de Deus, assim como é o Filho do Homem. Mas, durante Seus dias na terra, viveu como o Filho do Homem, não como o Filho de Deus. Por isso, o Senhor disse:
Nem só de pão viverá o homem,
Mas de toda palavra que procede da boca de Deus.
Essa é a atitude de um servo escravo.
Durante toda a Sua vida, Satanás tentou afastá-Lo dessa posição de servo escravo. Mas nosso Senhor Jesus nunca, nem por um instante, nem por um segundo, abandonou essa posição. Assim, Ele foi obediente.
Sendo encontrado em aparência como homem, Ele humilhou-Se a Si mesmo. Humilhou-Se a Si mesmo. Não foi algo que Lhe foi imposto. Ele assumiu voluntariamente uma posição inferior diante de Seu Pai.
E, irmãos e irmãs, por qual motivo? Por causa da visão celestial. Se Ele não assumisse essa posição de servo escravo, se não viesse como um Cordeiro para ser morto, não poderia concretizar a visão celestial.
Humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte,
Sim, à morte de cruz.
Durante toda a Sua vida, vemos como Ele foi obediente.
Não pensem que isso foi fácil para Ele porque também é Deus. Lembrem-se de que nosso Senhor Jesus é um Homem perfeito. Nós somos homens e mulheres imperfeitos; fomos contaminados pelo pecado. Mas nosso Senhor Jesus era um Homem perfeito, como se tivesse acabado de sair das mãos do Criador.
Vocês veem que Ele tinha Sua própria alma, assim como nós. Tinha Seus próprios sentimentos, Sua própria mente, Sua própria vontade. Seus sentimentos eram, não sei quantas vezes, mais aguçados que os nossos, porque Ele era perfeito. Sua mente era tantas vezes mais clara que a nossa. Até Sua vontade era muito mais elevada que a nossa — tão perfeita.
No entanto, durante toda a Sua vida, Ele negou a Si mesmo. Mesmo que agisse a partir de Si mesmo, não pecaria.
Por isso, Ele pôde orar:
Pai, afasta de Mim este cálice, se for possível.
Mas não se faça a Minha vontade, e sim a Tua.
Mesmo que o cálice tivesse sido afastado Dele, Ele não teria pecado. Ainda seria o Homem perfeito, porque não Lhe cabia beber aquele cálice. Nós é que deveríamos beber aquele cálice.
Mas nosso Senhor Jesus, sendo o Cordeiro morto desde a fundação do mundo, negou a Si mesmo. Foi obediente ao Pai até à morte.
Irmãos e irmãs, a morte de nosso Senhor Jesus é totalmente diferente da nossa morte.
Vocês se lembram de que, em João 10, o Senhor Jesus disse:
Meu Pai Me ama porque dou a Minha vida, para tornar a tomá-la.
Ninguém tira a Minha vida.
Eu a dou voluntariamente e posso tornar a tomá-la.
Nosso Senhor Jesus ofereceu-Se voluntariamente para morrer, e foi a morte de cruz.
Não podemos compreender plenamente o significado de Sua morte, a morte de cruz. Não foi a morte de um pecador, como a dos dois ladrões crucificados com Ele. Não foi a morte de um homem bom, nem foi a morte de um mártir.
Enquanto morria, Ele clamou:
Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste?
Esse não foi o clamor de um mártir. Foi a morte de um Redentor, de um Salvador. Ele morreu para que nós pudéssemos viver.
O sofrimento da cruz está muito além do que podemos compreender. E não apenas na cruz: quando Ele estava no jardim do Getsêmani, a Bíblia diz que estava profundamente oprimido em Seu espírito. Todos os poderes das trevas se concentravam contra Ele. Estava triste até à morte.
Mas ali vocês veem que Ele orou:
Se for possível, afasta este cálice.
Mas não se faça a Minha vontade; faça-se a Tua.
A Bíblia diz que Ele suou grandes gotas de sangue. Que luta!
Ele sempre Se compadecia das pessoas. Mas, quando entrou no jardim, disse aos Seus três escolhidos: “Permaneçam Comigo. Compadeçam-se de Mim”. Mas eles adormeceram. Ele estava sozinho.
Irmãos e irmãs, por quê? Por que Ele deveria morrer? Porque foi para isso que veio.
Se Ele descesse da cruz, o que poderia fazer se quisesse, então a visão celestial estaria perdida. Foi na cruz que Ele lançou o fundamento da visão celestial. Ele tornou essa visão celestial possível e pode oferecê-la a nós.
Assim, queridos irmãos e irmãs, é aí que está a glória da cruz. Se vocês olharem para a cruz exteriormente, não há glória, apenas vergonha, porque a cruz é uma vergonha. Somente os criminosos mais vis eram crucificados pelos romanos. Era uma maldição aos olhos de Deus. Por isso, todos os que eram crucificados tinham de ser retirados antes do sábado, porque era uma maldição.
No entanto, irmãos e irmãs, isso é glória. Onde está a glória?
Vocês se lembram de que, antes mesmo de nosso Senhor chegar ao Calvário, quando alguns gregos queriam vê-Lo, aquele era, humanamente falando, Seu momento de glória. Ele entrou em Jerusalém de maneira gloriosa, e O receberam como o Rei, o Messias que havia de vir.
Agora, até alguns gregos queriam vê-Lo. Para os discípulos, aquele era o momento de glória, o momento em que nosso Senhor Jesus deveria ser entronizado. Não é de admirar que os dois filhos de Zebedeu quisessem se sentar à Sua direita e à Sua esquerda.
Quando nosso Senhor Jesus soube disso, disse:
É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.
Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só;
Mas, se morrer, dá muito fruto.
Ele falou de Sua morte. Em outras palavras, para nosso Senhor Jesus, Sua morte era Sua glória. Sua morte era o momento de Sua glorificação. O Pai O estava glorificando. Por quê? Porque Ele foi obediente até à morte, sim, à morte de cruz, para o cumprimento da visão celestial.
Irmãos e irmãs, se esse foi o caminho que nosso Senhor Jesus percorreu, Ele disse:
Vinde, segui-Me.
Onde Eu estou, ali também estareis.
Então sereis Meus discípulos, e Meu Pai será glorificado.
Assim, que o Senhor atraia nosso coração ao nosso Senhor Jesus. Como Ele disse:
Tomai sobre vós o Meu jugo,
Porque sou manso e humilde de coração.
Aprendei de Mim,
E encontrareis descanso para as vossas almas.
Que o Senhor tenha misericórdia de nós.
Amado Senhor, oramos para que, por Teu Espírito, nos reveles a Tua glória na cruz. Atrai nosso coração a Ti, para que possamos desprezar todas as coisas e seguir-Te.
Ó Pai, glorifica Teu Filho entre o Teu povo. Estamos unidos. Amém.