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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    Fulness In The Bride © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Fulness In The Bride
    Fulness In The Bride
    Lambert, Lance

    O Objetivo da Salvação de Deus

    Se vocês abrirem comigo, mais uma vez, o Novo Testamento, vou ler na carta aos Efésios, no capítulo 3, aqueles versículos que temos lido todas as noites: Efésios 3:14-21.

    Por esta causa, dobro os meus joelhos perante o Pai, de Quem toda família nos céus e na terra recebe o nome;
    para que, segundo as riquezas da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito, no homem interior;
    para que Cristo habite em vossos corações pela fé;
    a fim de que, estando arraigados e alicerçados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade;
    e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.
    Ora, Àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós,
    a Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

    E depois, na carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, Filipenses 3:3-17.

    Porque nós somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne;
    embora eu mesmo pudesse confiar também na carne. Se algum outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais:
    circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu;
    quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.
    Mas as coisas que para mim eram lucro, essas considerei perda por causa de Cristo.
    Sim, na verdade, considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por Quem sofri a perda de todas as coisas e as considero como refugo, para que eu ganhe a Cristo;
    e seja achado Nele, não tendo justiça própria, que procede da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, pela fé;
    para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte;
    para ver se, de algum modo, posso alcançar a ressurreição dentre os mortos.
    Não que eu já tenha alcançado, ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo, para ver se posso tomar posse daquilo para o que também fui tomado por Cristo Jesus.
    Irmãos, não considero que eu mesmo já tenha tomado posse; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão adiante,
    prossigo para o alvo, para o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.
    Portanto, todos quantos somos perfeitos, tenhamos este modo de pensar; e, se em alguma coisa pensais de modo diferente, também isso Deus vos revelará;
    somente, naquilo a que já chegamos, andemos segundo a mesma regra.
    Irmãos, sede juntamente meus imitadores e observai os que andam segundo o exemplo que tendes em nós.

    E, voltando à carta aos Efésios, um versículo: Efésios 4:13.

    Até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

    Então, vamos nos curvar juntos em oração.

    Oração Inicial

    Pai celestial, nós Te agradecemos porque, ao chegarmos agora à ministração da Tua Palavra, podemos depender de Ti e confiar em Ti, pois Tu, Senhor, fizeste uma provisão específica para este tempo de ministração.

    Nós Te agradecemos, Senhor, porque, entregues aos nossos próprios recursos, podemos usar muitas palavras, expor muitas verdades e até apresentar doutrina sã; mas, Senhor, tudo isso não terá nenhum valor eterno. Guarda-nos, Senhor, de apenas acrescentar ao nosso conhecimento acadêmico coisas a Teu respeito.

    Pedimos, Senhor, que nesta noite Tu toques os olhos do nosso coração. Dá-nos visão, Senhor, como temos orado e cantado, para nos dar coragem para a luta. Senhor, abre os nossos olhos para vermos algo das profundezas insondáveis que há em nosso Senhor Jesus, algo de um horizonte mais amplo, algo do alvo que Tu colocaste diante de nós. Senhor, somente Tu podes fazer isso.

    E, Senhor, eu sou inteiramente incapaz. Sou grato, Senhor, porque o Teu Espírito Santo está aqui e porque Ele é capaz de tomar este instrumento frágil e usá-lo, Senhor, para comunicar aquilo que pesa no Teu coração. Faze isso, ó Senhor.

    Pela fé, nós todos, quem fala e quem ouve, nos colocamos juntos sob essa unção, para conhecermos esse Teu toque sobre o meu falar e sobre o nosso ouvir, de modo que o Teu propósito neste tempo seja gloriosamente cumprido.

    Obrigado, Senhor, por estares conosco em todos os momentos que tivemos. Obrigado por estes jovens e estas crianças. Nós Te agradecemos por eles, Senhor, e pelo amor dedicado a toda a preparação dos momentos que eles tiveram.

    Obrigado, Senhor, porque, ao nos aproximarmos do encerramento desta conferência, hoje à noite e amanhã, Tu estarás conosco de modo especial. Nós Te agradecemos e Te louvamos, em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O Alvo Estabelecido para o Cristão

    Quero, conforme o Senhor me ajudar nesta noite, falar sobre o alvo que Deus colocou diante de nós.

    Há uma ênfase tremenda nisso no Novo Testamento. Creio que ela é, em grande parte, negligenciada nos meios cristãos.

    Nós tendemos a pensar que a conversão, o novo nascimento, a nossa salvação, é o fim de toda a questão. Isso é tudo o que importa: ser salvo.

    Bem, é bastante óbvio que nascer de novo é fundamental e essencial. Se não nascermos de novo, não podemos começar a corrida; não podemos entrar na família de Deus; não podemos pertencer à família da fé; não podemos participar da comunidade de Israel.

    Mas isso é apenas o começo. E fazer do começo o fim é uma catástrofe.

    Algumas pessoas vão além e acham que o que se exige é uma experiência com o Espírito Santo. Quer a chamemos de unção do Espírito Santo, batismo no Espírito Santo ou capacitação pelo Espírito Santo — seja qual for o nome que queiramos dar —, achamos que isso é o fim de toda a questão.

    Depois que você teve essa experiência com o Espírito Santo, você chegou lá. Não há mais nada a receber. Agora você chegou ao fim do propósito de Deus. O propósito Dele não é apenas salvar você, mas ungi-lo e capacitá-lo com o Espírito Santo.

    Há outros que acham necessário ter uma experiência da cruz: não basta ser salvo, mas precisamos saber o que significa ser crucificado com Cristo. E isso é o fim da questão.

    Depois que entregamos a nossa vida ao Senhor, chegamos lá. Agora entramos em uma nova dimensão, e isso é o fim de toda a questão. Não há mais nada. É isso.

    Algumas pessoas têm a ideia de que a verdade acerca da igreja é o fim de toda a questão: depois que enxergamos a igreja, depois que enxergamos a verdadeira natureza da igreja, tudo o que precisamos fazer é colocá-la em prática, e isso é o fim de toda a questão. Isso é tudo o que se exige. Esse é o fim da salvação; esse é o fim da questão.

    Mas todas essas coisas, todas essas experiências, são apenas começos.

    Cada uma dessas coisas — obviamente, nascer de novo é o primeiro começo —, mas todas essas outras coisas são apenas meios para um fim. Até mesmo a nossa comunhão uns com os outros, até mesmo sermos edificados juntos, até mesmo preservarmos a unidade do Espírito: tudo isso é um meio para um fim.

    O Chamado para Prosseguir

    Precisamos constatar, com tristeza muito real, o nível trágico de superficialidade que há entre nós, que conhecemos e amamos o Senhor.

    Há tanta superficialidade. Há um tipo de vida cristã tão sem caráter — anêmica, sem cor, sem firmeza.

    Suponho que a prosperidade da sociedade ocidental tenha contribuído muito para isso. Ela produziu uma espécie de mornidão que se satisfaz com as coisas exteriores e se contenta, basicamente, com um conhecimento superficial.

    Mas isso não é o Novo Testamento. Não é todo o conselho de Deus. Não é nem mesmo o evangelho do nosso Senhor Jesus.

    Pois, quando começamos a examinar a Palavra de Deus, especialmente estas cartas que me foram confiadas para estas noites, a respeito da plenitude de Cristo e de prosseguirmos rumo a essa plenitude, descobrimos que há advertência após advertência, após advertência, após advertência:

    Não volte atrás. Não desista. Não abandone a sua confiança. Não se acomode. Continue. Prossiga. Avance. Entre. Tome posse.

    Você encontrará isso por toda parte.

    Nas cartas que temos considerado, não existe algo como uma passividade quietista — uma atitude do tipo: “Já temos tudo. Não precisamos fazer nada. Ficamos simplesmente parados. Sabemos tudo. Temos tudo”.

    Vamos dar uma olhada. Considerem, em primeiro lugar, as expressões “alvo”, “prêmio” ou “recompensa”. Há bastante coisa sobre isso. Não temos como examinar tudo, mas vamos ver algumas passagens das Escrituras.

    O Prêmio e a Corrida

    Tomem, por exemplo, 1 Coríntios 9:24-27. A primeira carta aos Coríntios, capítulo 9, a partir do versículo 24. Ouçam com atenção.

    Não sabeis que os que correm no estádio, todos correm, mas um só recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
    E todo aquele que compete nos jogos exerce domínio próprio em todas as coisas. Eles o fazem para receber uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.
    Assim corro, não sem direção; assim luto, não como quem golpeia o ar;
    mas esmurro o meu corpo e o reduzo à servidão: para que, tendo pregado a outros, eu mesmo não venha a ser reprovado.

    Ora, essas são palavras bastante severas. Há um prêmio. Há uma corrida a ser disputada. Há uma disciplina a ser exercida. E há a possibilidade de ser reprovado — não no que diz respeito à salvação, mas no que diz respeito ao fim de toda a questão, à herança, se preferirem, ao alvo de toda a questão.

    Agora, abram em Colossenses 2:18. Apenas uma pequena frase:

    Ninguém vos prive do vosso prêmio.

    Que ninguém prive vocês do seu prêmio.

    Vejam Filipenses 3:14, na passagem que lemos juntos:

    Prossigo para o alvo, para o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Portanto, há um prêmio. Há uma corrida a ser disputada, e, aparentemente, nem todos alcançam o prêmio.

    Vejam também 2 Timóteo, a segunda carta do apóstolo Paulo a Timóteo, em 2 Timóteo 4:7-8.

    Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé;
    desde agora, está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, o justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amaram a Sua vinda.

    Ele combateu o combate. Terminou a carreira e guardou a fé. Portanto, há uma corrida a ser disputada, uma carreira a ser concluída.

    O Prosseguimento Rumo à Maturidade

    Depois, encontramos este chamado para continuar, prosseguir, entrar ou tomar posse. Vejam Hebreus 6:1. Espero que vocês não se incomodem com este estudo bíblico, mas, depois que passarmos por algumas dessas passagens, poderemos dizer bastante coisa sobre elas.

    Portanto, deixando a doutrina dos princípios elementares de Cristo, prossigamos para a perfeição.

    Ou para o pleno desenvolvimento, para a completude, para a plenitude. Prossigamos para o pleno desenvolvimento.

    Ou, ainda, Hebreus 4:1:

    Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no Seu descanso, algum de vós pareça ter ficado aquém dela.

    E Hebreus 4:11:

    Esforcemo-nos, portanto, por entrar naquele descanso, para que ninguém caia segundo o mesmo exemplo de desobediência.

    Essa é a carta aos Hebreus. Voltem agora a 1 Timóteo 6:12:

    Combate o bom combate da fé, toma posse da vida eterna, para a qual foste chamado.

    Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna. Ela pode ser sua, mas faz parte da sua experiência? Tome posse dela.

    Ou, ainda, voltem a Filipenses 3:12:

    Não que eu já tenha alcançado, ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo, para ver se posso tomar posse daquilo para o que também fui tomado por Cristo Jesus.

    E Filipenses 3:14:

    Prossigo para o alvo, para o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Não é interessante que o apóstolo diga em Filipenses 3:15:

    Portanto, todos quantos somos plenamente desenvolvidos, tenhamos este modo de pensar.

    E, novamente, em Filipenses 3:17:

    Irmãos, sede meus imitadores.

    Imitadores de que maneira? Imitadores nesse prosseguir, nesse tomar posse daquilo para o que ele também foi tomado por Cristo Jesus.

    O Perigo da Negligência

    E, por último, em relação a isso, voltemos à carta aos Hebreus: uma pequena frase muito interessante, logo no começo, em Hebreus 2:3:

    Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?

    Isso, é claro, foi escrito a cristãos. Como escaparemos? Isto é, como escaparemos de perder a recompensa, de perder o prêmio, de perder a nossa herança? Como escaparemos de tamanha perda, se negligenciarmos tão grande salvação?

    Uma coisa é ser salvo; uma coisa é conhecer a salvação de Deus. Mas será que a estamos negligenciando? Estamos nos apropriando de tudo o que nos foi dado nessa tão grande salvação?

    Em outras palavras, a advertência da Palavra de Deus, especialmente nestas cartas, é esta: se não prosseguirmos, se não entrarmos naquilo que o Senhor já conquistou para nós, se não tomarmos posse daquilo que Ele nos deu gratuitamente, corremos o risco de perder muitíssimo.

    O Testemunho de Paulo em Filipenses 3

    Agora, gostaria de levar todos vocês um passo adiante, se ainda estão comigo e não dormiram profundamente. Quero que olhem para esta passagem que lemos juntos no terceiro capítulo da carta aos Filipenses.

    É o testemunho mais extraordinário da Bíblia. Digo isso sem achar que haja possibilidade de contestação. Creio que seja o testemunho mais extraordinário de toda a Bíblia, certamente do Novo Testamento.

    Aqui, o véu é puxado para o lado, e enxergamos o coração do apóstolo Paulo. Compreendemos algo do seu caráter espiritual, algo da visão, da visão celestial, que lhe foi dada e que, em certo sentido, o dominou por completo.

    Desde o momento em que Deus lhe deu aquela visão do alvo, do prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus, ele não pôde mais ser o mesmo. Nada menos que isso poderia satisfazê-lo; nada que não fosse o mais elevado e o máximo de Deus.

    É o testemunho mais extraordinário. Será que vocês poderiam considerá-lo por alguns momentos? Fico pensando quantos de vocês leem isso e, como se diz no inglês da Irlanda, deixam que escorra sem efeito, como água nas costas de um pato.

    O que Paulo quer dizer? Ouçam esta frase de Filipenses 3:8:

    Para que eu ganhe a Cristo.

    Ele diz:

    Considero todas as coisas como perda, para que eu ganhe a Cristo.

    Essa é a linguagem menos evangélica que já ouvi. Do que ele está falando?

    Você não ganha a Cristo fazendo coisas. Cristo é a dádiva indescritível de Deus para nós. Recebemos o Senhor Jesus pela fé. Ele é a dádiva de Deus para nós. É graça, não obras.

    Então, por que Paulo está dizendo:

    Sofro a perda de todas as coisas, para que eu ganhe a Cristo.

    Ou:

    Para que eu conquiste a Cristo.

    Do que ele pode estar falando? Será que quer dizer que não tem Cristo? Será que quer dizer que Cristo não vive nele? Será que quer dizer que ele não está em Cristo agora? Eu não entendo.

    Esta carta foi escrita — deixem-me acrescentar uma pequena nota histórica — depois que esse apóstolo já havia escrito a carta aos Romanos, a primeira carta aos Coríntios, a segunda carta aos Coríntios, a carta aos Gálatas, a primeira carta aos Tessalonicenses, a segunda carta aos Tessalonicenses e a carta a Filemom.

    Ora, se vocês lessem a carta aos Romanos, a primeira e a segunda cartas aos Coríntios, a carta aos Gálatas, a primeira e a segunda cartas aos Tessalonicenses e a carta a Filemom, não diriam: “Este homem definitivamente conhece o Senhor”?

    Não há a menor sombra de dúvida: este homem conhece o Senhor. Ele está em Cristo; está unido a Cristo; e Cristo habita nele. Não há dúvida alguma.

    Já disse muitas vezes a alguns de vocês — mas me perdoem por dizer novamente — que, se eu tivesse sido usado pelo Senhor para escrever apenas 1 Coríntios 12, ficaria muito empolgado. Ou apenas Romanos 8: isso já me satisfaria. Eu diria a vocês por toda a eternidade: “Vocês já leram o capítulo que eu escrevi?”.

    Eu ficaria tão emocionado por ter sido usado pelo Senhor para escrever apenas uma pequena parte dessas cartas. Mas esse homem escreveu toda a carta aos Romanos — do capítulo 1 ao capítulo 16. Incrível!

    Eu ficaria feliz se tivesse escrito 1 Coríntios 13, mas ele escreveu tudo. Eu ficaria muito feliz se tivesse escrito apenas 1 Coríntios 3 e 1 Coríntios 4, mas ele escreveu a carta inteira.

    E Gálatas, e 1 Tessalonicenses, e 2 Tessalonicenses, e Filemom — tudo isso antes de escrever neste testemunho:

    Considero todas as coisas como perda, para que eu ganhe a Cristo.

    Do que ele está falando? Do que ele está falando? Se ele ainda não conquistou a Cristo, ou ganhou a Cristo, depois de tudo o que escreveu em suas cartas, em que situação eu fico?

    Você tem um conhecimento do Senhor como o dele? Eu devo estar nas regiões mais distantes das trevas.

    Para que eu ganhe a Cristo.

    E então penso em outra pequena frase que temos aqui. Ele diz em Filipenses 3:12:

    Não que eu já tenha alcançado, ou já esteja plenamente desenvolvido.

    Bem, deixando de lado por um momento o “plenamente desenvolvido”, o que ele quer dizer com:

    Não que eu já tenha alcançado.

    Esse homem, em 2 Coríntios 12, nos conta que foi arrebatado ao terceiro céu e ouviu coisas que nem sequer é permitido ao homem expressar. Ora, eu diria que isso representa algum tipo de conquista.

    Quero dizer, hoje, especialmente nos meios carismáticos, se você foi arrebatado apenas ao primeiro céu, já percorre os palcos do mundo inteiro contando a todos o que aprendeu no primeiro céu, o que lhe foi revelado.

    Mas aqui está alguém que foi arrebatado ao terceiro céu e ouviu coisas sobre as quais, segundo ele, estava proibido de falar, proibido de compartilhar. E ele diz:

    Não que eu já tenha alcançado, ou já tenha sido aperfeiçoado, ou esteja plenamente desenvolvido.

    O que ele pode querer dizer? Em que situação isso deixa você e eu?

    Ou penso novamente em Filipenses 3:13:

    Não considero que eu mesmo já tenha tomado posse.

    Bem, agora isso está me deixando tão confuso. Eu sempre entendi que, quando você é salvo e nasce de novo, recebeu o Senhor Jesus.

    Agora, neste testemunho do apóstolo Paulo — escrito não nos primeiros momentos vacilantes da sua conversão, não apenas um ou dois meses depois de encontrar o Senhor, mas bastante tempo depois, quando já tinha experiência real e havia sido usado por Deus de muitas, muitas maneiras maravilhosas —, nós o encontramos falando assim.

    O que ele quer dizer?

    E então penso em outra pequena frase extraordinária. Não vou me deter nela; talvez o irmão Stephen o faça, embora esteja tratando do livro de Apocalipse.

    Mas Filipenses 3:11 diz:

    Para que eu alcance a ressurreição dentre os mortos.

    Ora, isso é muito interessante. Todos serão ressuscitados dentre os mortos, não serão?

    Há uma ressurreição geral, diz o livro de Apocalipse, dos bons e dos maus. Todos serão ressuscitados.

    Bem, aqui há algo muito interessante. No grego, diz literalmente:

    Para que eu alcance a ressurreição para fora dentre os mortos.

    Portanto, aparentemente, esta é uma ressurreição especial.

    Agora, se isso não confundiu vocês, não sei o que os confundirá, porque não vou explicar nada disso. Estou simplesmente dizendo que aqui, dentro deste testemunho do apóstolo, há uma declaração extraordinária.

    Ele diz:

    Considero todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.
    Considero essas coisas como refugo, para que eu ganhe a Cristo e seja achado Nele, não tendo justiça própria.

    E então continua:

    Para que eu O conheça, e o poder da Sua ressurreição, e a comunhão dos Seus sofrimentos, sendo conformado à Sua morte, para que eu alcance esta ressurreição especial.

    Aparentemente, isso não diz respeito à salvação. É algo além da salvação. É o alvo da salvação. É o fim de toda a questão, não o começo — o fim de toda a questão.

    A Elevada Vocação de Deus em Cristo Jesus

    Encontramos isso neste versículo maravilhoso, Filipenses 3:14:

    Prossigo para o alvo, para o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Ora, essa frase diz muita coisa, então vamos parar por um momento.

    Em primeiro lugar, temos a elevada vocação de Deus. A elevada vocação de Deus.

    Sabemos que fomos chamados com um chamado tremendo. Quando ministrei na primeira noite sobre estas cartas, falei a respeito da grandeza do chamado e do destino do filho de Deus. Fomos chamados com um chamado tremendo, uma elevada vocação.

    Portanto, aqui está a primeira coisa: a elevada vocação de Deus. Todo aquele que nasceu de Deus, todo aquele que foi salvo pela graça de Deus, todo aquele que foi maravilhosamente libertado dos poderes das trevas e transferido para o reino do Filho amado de Deus foi chamado com uma elevada vocação.

    A elevada vocação de Deus — essa é a primeira coisa.

    Agora, por favor, observem a segunda coisa. É a elevada vocação de Deus em Cristo Jesus. Não a elevada vocação de Deus relacionada ao Senhor Jesus, nem a elevada vocação de Deus a respeito do Senhor Jesus. É a elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    É como se Deus estivesse nos chamando para algo em Seu Filho, algo relacionado à posição de Seu Filho, algo relacionado ao futuro de Seu Filho, algo relacionado ao destino do Messias. Ele está nos chamando para um envolvimento, para uma parceria, para uma participação — algo relacionado ao Seu Filho, o Senhor Jesus.

    A elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Então, aqui está a terceira coisa. Ouçam com atenção: o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Portanto, há um prêmio a ser conquistado. Há uma corrida a ser disputada. Há um combate a ser travado. Há uma carreira a ser concluída. Há uma fé a ser guardada. Há um ministério a ser cumprido. Trata-se de um prêmio: o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Agora, estão prontos para a quarta coisa? “Para o alvo.” Para o alvo, para o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Portanto, o alvo é o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Ó, queridos filhos de Deus, se ao menos isso tivesse sido compreendido pelo povo de Deus ao longo das gerações, que diferença teria feito em nossa vida cristã, em nossas reuniões, em toda a nossa mentalidade, em toda a nossa maneira de entender as coisas.

    Nossos horizontes são tão pequenos.

    Não teria sido extraordinário se tivéssemos compreendido isso? Agora começamos a entender. Aparentemente, esse ganhar a Cristo não tem nada a ver com ser salvo, ser convertido ou nascer de novo.

    Tem a ver com algo que Deus estabeleceu como finalidade da nossa salvação — algo para o qual você e eu fomos salvos, algo para o qual Deus nos fez nascer de novo.

    Depois que somos salvos, depois que nascemos de Deus, depois que pertencemos ao Senhor, temos esse prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus. Ele é nosso, e precisamos prosseguir.

    Agora, vocês começam a entender? Se não considerarmos as coisas como perda, se não nos esquecermos das coisas que ficaram para trás, se não avançarmos para as que estão adiante, se não tomarmos posse daquilo para o que também fomos tomados por Cristo Jesus, se não prosseguirmos, perderemos o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus.

    Cristo como Noivo

    Agora, é claro, precisamos nos perguntar: o que é isso?

    Pessoalmente, não tenho muita dificuldade com este ponto — com a afirmação que vou fazer agora —, e é o seguinte: isso tem algo a ver com sermos cheios de toda a plenitude de Deus.

    Tem algo a ver com a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e com conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento.

    Em outras palavras, ouçam agora com muita atenção. Alguns de vocês talvez já tenham me ouvido dizer isso, ou certamente tenham ouvido Stephen dizer. Mas ouçam com muita atenção, porque talvez o Espírito Santo faça isso chegar ao seu coração de uma maneira nova nesta noite.

    Trata-se de ganhar — não Cristo como Salvador, mas Cristo como Noivo.

    Vocês ouviram isso?

    Não se trata de ganhar Cristo, o Salvador. Você não conquista Cristo, o Salvador. Ele lhe é dado gratuitamente como Salvador, pela graça de Deus.

    Da mesma forma, Cristo lhe é dado como Noivo, mas você precisa continuar. Precisa crescer. Precisa prosseguir. Precisa entrar. Precisa tomar posse daquilo para o que também foi tomado.

    Por que você acha que o Senhor Jesus o salvou? Por que acha que Ele o deteve? Por que acha que Ele o fez nascer de novo? Por que acha que Ele mudou todo o rumo da sua vida?

    Ele tomou você para Si. Cristo Jesus se apoderou de você. Ele o deteve. Ele o alcançou. Ele tomou você para Si. Mas, meu querido amigo, para quê?

    Para que você pudesse ser a noiva Dele.

    A largura, o comprimento, a altura e a profundidade — conhecer o amor do Messias, que excede todo entendimento. Esse é o alvo. Esse é o fim de toda a questão.

    É por isso que a Bíblia termina com um casamento. É por isso que, nos últimos capítulos da Bíblia, de repente você encontra o Pai reunindo o Filho, o Cordeiro, e a esposa do Cordeiro em uma ceia de casamento, em uma união eterna.

    No momento, somos apenas prometidos em casamento; no momento, estamos apenas noivos. Ainda não somos casados.

    E, como todos sabemos, noivados podem ser rompidos.

    Esse alvo, esse prêmio, é algo mais do que conversão ou novo nascimento. Deixem-me dizer novamente: algo mais do que uma experiência com o Espírito Santo, por mais profunda e plena que seja; algo mais do que até mesmo uma experiência da cruz, por mais radical e revolucionária que seja.

    Esse alvo é a finalidade de tudo isso.

    A Maturidade Espiritual e a Noiva de Cristo

    Agora, estão prontos para algo mais? Voltem a Efésios 4:13. Vocês acham que isso explica alguma coisa?

    Até que todos cheguemos à unidade da fé,
    e do pleno conhecimento do Filho de Deus,
    ao homem plenamente desenvolvido,
    à medida da estatura da plenitude de Cristo.

    Nunca consegui entender, nos meios cristãos — e minha formação e criação não foram cristãs —, essa ideia de que, de algum modo, podemos viver de maneira descuidada como cristãos.

    Embora salvos, embora nascidos de novo, podemos viver de maneira descuidada; e, quando morrermos, de algum modo Deus vai passar uma espécie de varinha sobre nós e, de repente, nos tornaremos santos plenamente desenvolvidos.

    Podemos ter sido uma verdadeira dor de cabeça para todo mundo durante toda a nossa vidinha miserável, mas, aparentemente, quando morrermos, se formos salvos, Deus vai passar uma varinha sobre nós e nos tornaremos santos perfeitos, plenamente maduros. É incrível.

    Até mesmo o Senhor Jesus, que era sem pecado, foi aperfeiçoado pelas coisas que sofreu — tornou-Se maduro, chegou à completude, chegou ao pleno desenvolvimento pelas coisas que sofreu. Quanto mais você e eu.

    Agora, o que estou tentando dizer é o seguinte; ouçam com atenção. A noiva que o Senhor Jesus está buscando — Ele não quer uma estrela de cinema do tipo Hollywood, bonita de se olhar, mas sem nada entre as orelhas e sem nada por trás dos olhos.

    Mas existe uma espécie de ideia de que é exatamente isso que o Senhor quer. Ele quer uma espécie de bela fachada. Ela não deve pensar, porque Ele vai pensar por ela. Ela não deve trabalhar, porque Ele vai fazer todo o trabalho. Ela não deve ser coisa alguma. É apenas um manequim. Fica sentada ao lado Dele, bonita, no trono, magnificamente vestida.

    Vocês conhecem esse tipo de ideia. Não é isso que o Senhor está procurando.

    Ele quer pessoas que tenham seguido os mesmos passos do Senhor Jesus, que sigam o Cordeiro por onde quer que Ele vá.

    Pessoas que, por meio de todas as vicissitudes da vida — das circunstâncias e situações —, tenham se tornado semelhantes ao Cordeiro, tenham sido conformadas à Sua imagem, tenham passado por pressões até que, de algum modo, chegassem à maturidade. Elas cresceram. Tornaram-se plenamente desenvolvidas.

    Creio que devo dizer, por causa de todas as mulheres aqui presentes, que, em Efésios 4:13, quando se diz “homem plenamente desenvolvido”, isso não significa um indivíduo do sexo masculino plenamente desenvolvido. Significa uma pessoa plenamente desenvolvida.

    Ora, nós mesmos sabemos que é impossível casar uma criança com um adulto plenamente desenvolvido. Que tipo de casamento seria esse? Que tipo de vida conjugal seria? Que tipo de família poderiam formar? Que tipo de lar poderiam estabelecer?

    No entanto, de algum modo, nos meios cristãos, pensamos que aquela grande multidão de bebês de jardim de infância entre o povo do reino de Deus vai se casar com o Senhor Jesus para sempre. Que tipo de noiva seria essa? É impossível.

    A menos que você e eu estejamos dispostos a aceitar as disciplinas do Espírito Santo, a menos que estejamos dispostos a frequentar a escola do Espírito Santo, a menos que estejamos dispostos a ser conduzidos por caminhos profundos e, às vezes, muito difíceis, a menos que estejamos dispostos a ter nossa capacidade para o Senhor ampliada e aprofundada, a menos que estejamos dispostos a chegar a lugares em que aprendamos a vencer como Ele venceu, pelo mesmo Espírito, pela mesma entrega da nossa vida, jamais poderemos chegar ao alvo.

    Deus está procurando, se posso colocar assim, uma rainha para o Rei — alguém que tenha a mesma natureza e a mesma vida, tenha chegado ao mesmo pleno desenvolvimento e tenha a mesma maturidade.

    Ela pode ser Sua auxiliadora idônea. Pode ser Sua parceira. Pode ser Seu complemento. Pode compartilhar com Ele pelos séculos dos séculos que virão.

    Pelo que entendo, é a isso que Efésios 4:13 realmente se refere: até que todos cheguemos à unidade da fé, ao pleno conhecimento do Filho de Deus, à maturidade plena, a uma pessoa plenamente desenvolvida, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

    A Visão Celestial

    Agora começo a entender o que conquistou aquele extraordinário apóstolo judeu. Ele viu algo.

    O Espírito Santo tocou os olhos do coração dele. Ele não é um teólogo. Não é um pregador de sermões. Não é um mero professor de estudos bíblicos.

    Esse homem captou uma visão dos horizontes de Deus. Captou uma visão do fim de toda a questão. De repente, viu que toda esta criação e todo este universo — e, além dele, talvez outros universos — dependem de o Filho encontrar uma parceira.

    Para que, juntos, pelas eras vindouras, possam seguir adiante para cumprir a vontade de Deus e realizar as obras de Deus.

    Sei que isso é muito comum nos meios cristãos, porque todos ficamos tão desgastados aqui embaixo e tão cansados aqui embaixo — mais do que nunca nesta última parte do século XX —: nós nos alegramos com aqueles hinos que dizem que vamos nos deitar em leitos de descanso entre flores para todo o sempre.

    Aparentemente, agora precisamos caminhar, trabalhar e guerrear, mas depois, como diz um antigo hino, “então descansar para sempre”. Ficamos com a ideia de que vamos nos deitar nesses leitos encantadores, e os anjos virão nos servir chá, se formos britânicos; café, se formos americanos; e chá chinês, se formos chineses.

    Quero dizer, todas essas coisas. Você acaba imaginando um descanso sem fim, sem fim, sem fim, sem fim — nada a fazer, exceto cantar.

    Ora, não tenho nada contra cantar, nem contra verdadeiramente louvar o Senhor. Acho isso a coisa mais maravilhosa. É claro que, em certo sentido, devemos ao Senhor louvá-Lo e adorá-Lo por toda a eternidade.

    Mas Deus simplesmente não é assim. Ele quer ser louvado e quer ser adorado, e o céu será cheio, nas eras vindouras, do cântico dos remidos. Mas, meus queridos, Deus quer dar continuidade ao trabalho.

    Eu nem sequer sei qual é o trabalho. Mas, quando Ele criou este universo e toda esta criação no princípio, ainda que em seu estado atual ela esteja sujeita à corrupção, podemos ver algo do projeto original de Deus.

    Como este mundo é maravilhoso. Como sua ecologia é maravilhosa. Como seu equilíbrio é extraordinário. Há um universo em uma gota d’água, e há universos além deste universo. De uma forma ou de outra, tudo isso foi criado por Deus. Qual é o propósito Dele?

    Vocês acham que o Senhor esgotou a Si mesmo? Acham que Ele disse: “Bem, não posso fazer mais nada. Já fiz tudo. Quando eles caíram, estragaram tudo, mas a única coisa que posso fazer é restaurar. Não posso fazer mais nada. Já esgotei todo o meu repertório. Não há mais nada”?

    Ó, meu querido amigo, não seja tolo. Simplesmente não seja tolo.

    Deus é infinitamente criativo.

    E, em certo sentido, Ele tem Se contido, porque toda esta criação, que destinou à Sua glória, ficou aquém disso por causa do homem.

    Um dia, quando, de uma forma ou de outra, Ele reunir a noiva e o Cordeiro, então dará continuidade ao pensamento original.

    É por isso que os profetas falam em termos que — bem, eles só podem usar imagens humanas. Falam de árvores batendo palmas. Vocês já viram árvores batendo palmas? Vales cantando de alegria e campos irrompendo em cânticos? Nunca ouvi algo assim.

    Nunca vimos um boi e um leão deitados juntos — não apenas comendo, um ali e outro acolá, mas realmente dormindo, com a cabeça apoiada um no outro, deitados juntos. Crianças brincando com uma víbora. É isso que está escrito no Livro.

    Quando a Escritura diz:

    O conhecimento da glória de Deus cobrirá a terra, como as águas cobrem o mar.

    Mesmo que isso se refira ao milênio, ainda há as eras que virão depois dele — esse milênio é apenas a mais tênue imagem de um novo céu e de uma nova terra, nos quais habita a justiça.

    Agora, o coração de tudo isso, o ponto central, o ponto focal, o ponto estratégico nisso, é a obtenção da noiva.

    É por isso que, quando chegamos à última parte da Bíblia, vemos, nos últimos versículos:

    O Espírito e a noiva dizem: Vem.

    É uma imagem quase maravilhosa, como se o Espírito Santo finalmente tivesse produzido a noiva e dissesse a toda a criação: “Venha”.

    O Perigo de Perder o Próprio Lugar

    Agora, querido filho de Deus, deixe-me fazer uma pergunta. Mas você só pode respondê-la no silêncio do seu próprio coração.

    Você não acha que seria uma tragédia se Deus o salvasse, o fizesse nascer de novo, e você desperdiçasse, por negligência, o seu lugar nessa noiva?

    Mas é isso que muitos de nós, até mesmo aqui, corremos o risco de fazer: desperdiçar o nosso lugar, a nossa parte na noiva.

    Estamos negligenciando a nossa tão grande salvação. Não estamos tomando posse da vida eterna. Não estamos combatendo o bom combate da fé. Não estamos prosseguindo para o alvo. Não estamos entrando pela fé.

    Ó, meu querido amigo, quando penso em tudo isso, creio que estou falando comigo mesmo.

    Penso comigo: como seria se, por fim, eu fosse estar com o Senhor, me encontrasse no reino e descobrisse que não estou no centro daquilo que Ele está fazendo?

    Foi isso que conquistou o apóstolo Paulo. É por isso que, depois que viu o alvo, depois que viu o prêmio da elevada vocação de Deus em Cristo Jesus, ele nunca mais foi o mesmo homem.

    Ele foi conquistado por algo tão tremendo que deixou de se satisfazer com qualquer coisa secundária, qualquer coisa inferior, qualquer coisa pobre.

    Ele chamou isso de visão celestial. E, em outro testemunho, disse:

    Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.

    A Posse da Terra Prometida pela Fé

    Queridos, precisamos encerrar. Mas, a respeito de alcançar esse alvo, gostaria de dar uma última ilustração.

    Ela está na carta aos Hebreus, curiosamente, porque a carta aos Hebreus foi escrita a judeus. E essa carta aos Hebreus tinha muito a ver com a terra. Ela fala bastante da terra prometida.

    Essa terra é uma figura dessa plenitude de Deus. Essa terra, em certo sentido, é uma figura do alvo de Deus.

    O alvo de Deus era que os filhos de Deus não apenas saíssem do Egito, mas também atravessassem o deserto e entrassem na terra.

    Deus delimitou essa terra. Para aqueles que quiserem conferir, vejam Josué 1:4 — há muitas outras passagens. Ele disse exatamente o que ela era, sua extensão, tudo a respeito dela.

    Ele também lhes disse que o Anjo da Sua presença iria adiante deles. Vejam isso em Josué 1:5. Vocês encontrarão isso em Êxodo 23:20, Êxodo 23:23 e Êxodo 23:27-28.

    Ali se fala de vespões expulsando os inimigos, do Anjo da Sua presença aterrorizando-os, de modo que todos os inimigos do Seu povo fugiriam diante deles. Parece maravilhoso. Parece maravilhoso.

    Deus deu toda essa grande terra. Ele a delimitou para o Seu povo. Depois disse: “Não se preocupem, Meu Anjo irá adiante de vocês como um vespão e expulsará todos eles da frente de vocês. Não precisam temer”.

    Podemos quase ficar com a impressão de que tudo o que precisamos fazer é ficar sentados e cantar um hino. Não precisamos tomar posse de nada, não precisamos entrar, não precisamos prosseguir, não precisamos combater o bom combate, não precisamos tomar posse da vida eterna.

    Não, não, não. Deus vai fazer tudo. Ele delimitou toda a terra de ponta a ponta, de cima a baixo, largura, comprimento, altura, profundidade — tudo. Está tudo ali. O Anjo da Sua presença irá adiante de nós e expulsará todos os nossos inimigos. Quando chegarmos lá, eles nem sequer estarão mais lá. Todos terão ido embora.

    E então Ele contradiz tudo isso, dizendo:

    Todo lugar que a planta do vosso pé pisar, Eu vos tenho dado.

    Em outras palavras, você só tem e só experimenta aquilo de que toma posse pela fé.

    Sabem, é interessante quando pensamos nisso. Essas pessoas queridas haviam saído do Egito — estavam salvas. Eram conduzidas pelo Senhor no deserto: uma coluna de fogo à noite e uma coluna de nuvem durante o dia. Eram alimentadas com maná e codornizes. Tinham água que saía da rocha.

    Todas essas coisas estavam no deserto, todas essas experiências maravilhosas com o Senhor. Mas eles nunca deveriam permanecer no deserto.

    Não há plenitude de vida no deserto. Não há como ser cheio de toda a plenitude de Deus no deserto. Não há como chegar à ceia das bodas do Cordeiro no deserto.

    Você precisa atravessar para a terra e tomar posse da sua herança. Precisa combater o bom combate da fé. Precisa tomar posse da vida eterna. Precisa entrar pela fé, firmar a planta dos seus pés no chão e dizer: “Isto é meu pela obra consumada do Senhor Jesus”.

    Então o Anjo do Senhor vai adiante de você. No momento em que você firma os pés no chão, o Anjo do Senhor está ali para expulsar os inimigos. Então o vespão do Senhor vai adiante de você — mas somente quando você firma os pés no chão e diz: “Isto é meu em nome do Senhor”.

    Acho essa ilustração tremenda. Acho muito interessante o que diz o escritor da carta aos Hebreus, tendo-nos sido dada uma promessa:

    Que nenhum de nós deixe de entrar.

    Que nenhum de nós deixe de entrar. Precisamos de fé.

    E precisamos daquele outro espírito.

    Porque, quando aqueles espias foram enviados à terra, todos os doze, todos viram a mesma coisa. Viram uma terra maravilhosa, uma terra de abundância. Todos viram cidades fortificadas e grandes fortalezas, e disseram que as muralhas chegavam até o céu, e que havia gigantes na terra.

    Dez deles disseram: “É impossível entrarmos. As dificuldades são grandes demais. A oposição é enorme demais. Os obstáculos são muitos demais. Não podemos fazer isso”.

    E dois deles disseram: “O Senhor nos fará entrar, e o Senhor nos dará esta terra”. Eles tinham outro espírito.

    Muitos de nós sabemos tudo sobre a visão celestial. Sabemos tudo sobre o que Deus quer de nós, mas dizemos: “Não, não, não, não, não. Desculpe, desculpe. Há dificuldades demais na minha vida”.

    “Meu casamento é muito difícil. Meu lar é muito difícil. Meus pais são muito difíceis. Meus filhos são muito difíceis. Há tantos obstáculos na minha vida. Se você soubesse os obstáculos que enfrento, não falaria assim.”

    “É claro que sei que há uma plenitude de Deus. Sei que há uma plenitude de Cristo. Sei que devemos ser cheios do Espírito Santo. Sei que devemos tomar posse. Mas não posso na minha situação. Tenho um cônjuge extremamente complicado, problemas nos negócios, problemas de personalidade, problemas culturais, problemas ligados à minha criação, problemas herdados, problemas familiares.”

    “As muralhas chegam até o céu. É demais, demais. Tudo bem para as pessoas da elite, como Josué, Stephen, Bernie, Calebe e sua turma. Mas eu? Difícil demais.”

    Não é como se Calebe tivesse dito: “Tudo bem. Deixem comigo. Vou derrubar todos eles”. Não, é aí que entendemos errado.

    Achamos que alguns cristãos são realmente fortes. São como o Super-Homem — músculos enormes — e vão simplesmente derrubar todos eles, como o Batman, por toda parte.

    Então ficamos com a ideia: “Ah, existem alguns cristãos que são super-homens e supermulheres; na verdade, nasceram assim. Quem dera eu fosse como eles, nascido assim. Eles só precisam olhar, apontar o dedo, e o problema desaparece”.

    “Mas eu não sou esse tipo de pessoa. Sou um pobre coitado e tenho tantas dificuldades. É impossível para mim.”

    Não, meu querido amigo, isso não é verdade. Aqueles outros dois, Josué e Calebe, disseram: “Sim, há obstáculos de sobra. Há dificuldades. Há inimigos. Há fortalezas. Há cidades com muralhas que chegam até o céu”.

    “Mas Deus disse: ‘Esta terra é nossa’, e podemos entrar em Seu nome e tomá-la.”

    Eles sabiam que tudo o que precisavam fazer era colocar a planta dos pés naquela terra prometida, e o Anjo do Senhor entraria imediatamente em ação.

    O nosso problema é que estamos esperando o Anjo do Senhor entrar em ação antes de fazermos qualquer coisa. Queremos ficar sentados numa poltrona, cantando um hino e, por assim dizer, esperando.

    “Quando eu vir o Anjo do Senhor entrar e expulsar todos esses inimigos — quando tiverem saído completamente do caminho, quando eu não puder nem sentir o cheiro deles, quando tiverem desaparecido por completo —, então entrarei.”

    Mas isso não é fé. Isso não é combater o bom combate da fé. Isso não é tomar posse daquilo para o que Cristo Jesus também tomou você.

    A Aplicação da Fé às Dificuldades Presentes

    Qual é a sua dificuldade? Você tem uma dificuldade no casamento? Por que você e sua esposa não se reúnem, pela primeira vez, e dizem juntos: “Em nome do Senhor, firmamos os nossos pés sobre esta questão, juntos”?

    “Tomamos posse disto em nome do Senhor. Isto não é demais para o Senhor. É demais para nós; nós não somos demais para Ele.”

    Vocês têm problemas com os filhos? Por que não falam juntos, por assim dizer, oram juntos, agem e tomam posse disso em nome do Senhor?

    Vocês têm problemas nos negócios? Por que não se pronunciam? Por que não tomam posse daquilo para o que Jesus Cristo tomou vocês? Entendem o que estou tentando dizer?

    Não estou pedindo que sejam presunçosos. Estou pedindo que coloquem a planta dos pés sobre a sua herança.

    O Senhor quer que você seja um testemunho. O Senhor quer que eu seja um testemunho. Ele quer que você seja uma evidência do Seu poder para salvar. Ele quer que você e eu sejamos testemunhas da Sua graça, da Sua libertação, do Seu amor, da Sua provisão.

    Muitas vezes temos problemas tão enormes na comunhão uns com os outros que muitas comunidades acabam se desfazendo.

    Não seria maravilhoso se nós, como líderes, começássemos a encarar de frente alguns desses problemas e disséssemos: “Firmamos os nossos pés sobre esta questão em nome do Senhor. Tomamos posse dela”?

    Agora, meus queridos amigos, vocês entendem? Fé. Outro espírito. Vocês precisam do Espírito do Senhor, não precisam? Eu também. Ação.

    A Fé e a Paciência na Herança das Promessas

    Uma última coisa. Lembrem-se de Hebreus 6:12:

    Para que não sejais indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.

    Algumas promessas podem ser herdadas num instante. Você simplesmente firma os pés no chão, e imediatamente aquilo se torna seu.

    Foi isso que aconteceu quando chegaram ao Jordão, que estava transbordando na época da colheita. Os sacerdotes colocaram a planta dos pés através da água, sobre o leito do rio, e, instantaneamente, ele secou.

    Poderíamos quase dizer: “Agora, é assim que precisa acontecer todas as vezes”.

    Mas, quando chegaram a Jericó, tiveram de dar uma volta ao redor da cidade durante seis dias e sete voltas no sétimo dia. Isso exigiu bastante uso da planta dos pés. Ali, precisaram de um pouco mais de paciência.

    Algumas pessoas poderiam ter dito: “Bem, não sei. Acho que falta fé a Josué. Por que não pudemos derrubar essas muralhas imediatamente? Vimos isso acontecer ao atravessar o rio Jordão. Não precisávamos passar todo esse calor, andando ao redor desta maldita cidade uma vez por dia durante seis dias e sete vezes no sétimo dia. Isso me parece inacreditável”.

    Mas ele foi paciente.

    Houve outras coisas, como Jerusalém, que levaram quatrocentos anos até que tomassem posse delas. Pensem nisso.

    Portanto, há coisas que acontecem instantaneamente, coisas que acontecem ao longo de dias, coisas que acontecem ao longo de semanas, coisas que acontecem ao longo de meses, coisas que acontecem ao longo de anos, coisas que acontecem ao longo de gerações e coisas que acontecem ao longo de milênios.

    Mas, louvado seja Deus, se Ele delimitou a terra e tomarmos posse dela, ela será nossa. Portanto, pela fé e pela paciência, herdemos as promessas.

    Bem, oro para que Deus ajude você e eu a prosseguir. Que salvação você e eu temos!

    Você sabe que, para fazer parte da noiva de Cristo, não há uma única coisa que precise acrescentar à graça de Deus já disponível, nem uma única coisa que tenha de acrescentar ao poder que Deus colocou à sua disposição?

    Tudo é seu, se você e eu apenas tomarmos posse.

    Você quer fazer parte da noiva? Quer ser cheio de toda a plenitude de Deus? Quer chegar a ser uma pessoa plenamente desenvolvida, um homem plenamente desenvolvido, à medida da estatura da plenitude de Cristo?

    O seu Senhor quer você lá. É isso que Ele quer para você, e é isso que Ele quer para mim.

    Que o Espírito Santo venha sobre nós com novo entendimento, nova visão, nova clareza e nova fé, para que possamos entrar.

    Oração Final

    Vamos orar?

    Um momento de silêncio.

    Senhor, não sabemos em que dias estamos entrando, a não ser que, em nosso espírito, todos sentimos que as coisas estão ficando mais tensas, mais sombrias e mais difíceis.

    E, Senhor, estamos aqui, um grupo de filhos Teus. Queremos continuar. Queremos, Senhor, esquecer as coisas que ficaram para trás. Queremos avançar para as que estão adiante.

    Queremos prosseguir para o alvo, para o prêmio da Tua elevada vocação em nosso Senhor Jesus.

    Pai, abre os nossos olhos nesta noite de uma maneira nova. Renova-nos na fé, Senhor.

    Cada um de nós tem sua dificuldade particular, sua situação particular, seus obstáculos particulares, que nos derrotam, Senhor, todas as vezes. Eles parecem tão impossíveis.

    Mas não há montanha que Tu não possas remover, montanha que Tu não possas transformar em planície diante de nós, montanha através da qual Tu não possas abrir um caminho para o cumprimento do Teu propósito.

    Ó, Senhor, ajuda-nos nesta noite. Ajuda-nos, de uma maneira nova e plena, a seguir-Te, a nos levantar e a prosseguir Contigo.

    Ouve-nos, ó Senhor. Pedimos isso em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.