Por favor, abram em 1 Coríntios 12:31.
Mas desejai ardentemente os dons maiores. E ainda vos mostro um caminho sobremodo excelente.
Vamos orar.
Querido Senhor, enquanto permanecemos em Tua presença, nossos corações se inclinam diante de Ti, agradecendo por Teu maravilhoso amor por nós. Tu nos amas, e nos amas até o fim. Nada nos tens negado.
Senhor, como podemos reter alguma coisa de Ti? Queremos ouvir Tua voz. Queremos que Tua palavra sonde nossos corações. Queremos que Tu nos livres de tudo aquilo que é contrário ao Teu caminho. E queremos que Tu ocupes o lugar que Te pertence em nossa vida.
Senhor, Tu nos redimiste por um preço. Somos inteiramente Teus e queremos que Tu nos possuas plenamente. Abre nosso entendimento e nosso coração, para que Tua palavra caia em boa terra e produza fruto para Ti, para o louvor do Teu nome. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Vamos continuar em 1 Coríntios. Todos nós fomos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. E realmente espero que cada um de nós perceba que honra, que glória e que amor imensurável há por trás disso: que Deus e nosso Senhor Jesus abram Sua comunhão a nós, para que possamos participar dessa mesma comunhão com nosso Senhor Jesus e com nosso Pai celestial, nosso Deus.
Ninguém pode medir as riquezas dessa comunhão. E, porque essa comunhão é tão preciosa, tudo aquilo que a contradiz precisa ser tratado. E é disso que trata 1 Coríntios.
Os crentes de Corinto pertencem ao Senhor; são salvos. No entanto, infelizmente, ainda queriam continuar vivendo sua própria vida. Era uma contradição. Assim, pela graça de Deus, Ele quer nos libertar de tal situação.
Como mencionamos na última vez, os seis últimos capítulos de 1 Coríntios tratam dessa questão da vida da igreja. A vida da igreja é uma vida de comunhão. A vida da igreja é uma vida de corpo.
E, nessa vida de comunhão, nessa vida de corpo, há várias coisas absolutamente essenciais.
Em Atos 2:42, somos informados de que aqueles que creem no Senhor Jesus — quer vocês creiam no Senhor há muitos anos, quer tenham acabado de crer —, todos os que creem no Senhor Jesus perseveram no ensino e na comunhão dos apóstolos.
O ensino e a comunhão dos apóstolos nada mais são do que o ensino e a comunhão de Cristo. E as duas coisas que expressam obediência à comunhão e ao ensino de nosso Senhor são o partir do pão e as orações.
Na última vez, falamos sobre o partir do pão. Vocês sabem, o partir do pão é algo coletivo. Não se pode partir o pão e lembrar do Senhor sozinho. São necessárias pelo menos duas pessoas. Portanto, é uma expressão coletiva.
E o mesmo acontece com a oração. Podemos ter nossa oração particular, pessoal, e devemos tê-la. Devemos ter uma vida de oração. Mas, além disso, devemos nos reunir e orar juntos: oração coletiva.
Essas são as duas maneiras mais essenciais e práticas de expressar nossa vida de corpo, nossa vida de comunhão e nossa vida de igreja.
Há várias coisas nesses seis capítulos que podemos compartilhar. Mas os crentes de Corinto escreveram ao apóstolo Paulo sobre certos assuntos, e um deles dizia respeito às coisas espirituais.
Em 1 Coríntios 12, vocês encontrarão a expressão inicial:
Quanto às coisas espirituais.
É assim que está no original. E as coisas espirituais aqui são explicadas como manifestações espirituais ou dons espirituais.
No primeiro capítulo, Paulo disse aos crentes de Corinto que eles eram ricos em palavra e conhecimento. Eram muito ricos em doutrinas, em ensinamentos. Eram muito ricos em conhecimento — não apenas no conhecimento do mundo, mas até mesmo no conhecimento da palavra de Deus.
E não apenas isso; Paulo disse:
Nenhum dom vos falta.
A igreja de Corinto tinha muitos dons. Corinto era naturalmente famosa por sua eloquência, e aqui vemos que, mesmo na igreja, eles eram ricos em palavra e conhecimento, e nenhum dom lhes faltava. Era uma assembleia com muitos dons.
Ora, vocês poderiam pensar que, se uma assembleia é rica em palavra e conhecimento e não lhe falta nenhum dom, ela seria uma assembleia extraordinária, maravilhosa. Mas, pelo contrário, apesar de tudo o que haviam recebido, vemos que sua vida era corrompida e que eles faziam mau uso dos dons que Deus lhes havia dado.
Então, a igreja de Corinto escreveu a Paulo, perguntando sobre os dons espirituais. Não estavam perguntando se tinham dons ou não. Por causa de seus muitos dons, muita confusão havia surgido entre eles. Portanto, a questão não era se tinham dons ou não; a questão era como exercer seus dons.
Os dons são dados para a edificação da igreja, do corpo de Cristo. Assim, sempre que os dons são separados do corpo — em outras palavras, quando os dons se tornam algo pessoal, em vez de algo coletivo —, inevitavelmente surgem problemas.
Não se pode separar os dons do corpo, porque os dons espirituais são dados para a edificação do corpo de Cristo.
Creio que, ainda hoje, há muita confusão entre o povo de Deus a respeito dessa questão dos dons espirituais. Por isso, penso que é muito oportuno examinarmos esses capítulos, de 1 Coríntios 12 a 14, e adquirirmos uma compreensão básica que nos ajude a evitar a confusão e a exercer nossos dons de acordo com o propósito que Deus estabeleceu para eles.
Primeiro, o que são dons espirituais? Creio que, para entendermos isso, precisamos voltar ao momento em que Deus criou o homem. Deus deu dons ao homem.
Quando nascemos, Deus já nos dotou de talentos naturais. Caso contrário, como poderíamos viver? Como poderíamos viver em sociedade? O propósito de Deus é que vivamos juntos; sem essas capacidades naturais, se uma pessoa nascesse sem nenhuma habilidade que lhe fosse dada, sem nenhum talento natural, ela não conseguiria viver. Não conseguiria se conduzir nem cumprir sua responsabilidade na sociedade.
Em outras palavras, todos os que nascem neste mundo receberam de Deus talentos naturais. Nossos talentos naturais são todos diferentes, porque Deus ama a variedade. E, quando todas essas variedades são reunidas, temos a plenitude.
Isso diz respeito à vida natural. Mas, depois que nascemos do alto — quando nascemos de novo —, nascemos na casa de Deus, na família de Deus.
Então Deus nos dá dons espirituais, para que possamos viver entre o povo de Deus, nos conduzir e edificar uns aos outros. Portanto, há uma diferença entre talento natural e dom espiritual. Os dons espirituais não são talentos naturais.
Às vezes, vocês podem perceber que os talentos naturais e os dons espirituais parecem coincidir. Mas, em outras ocasiões, um dom espiritual pode ser exatamente o contrário de seus talentos naturais.
Mas, quer estejam juntos ou não, uma coisa é certa: se vocês lerem a palavra de Deus, descobrirão que os talentos naturais são para nossa vida no mundo, e os dons espirituais são dados para que vivamos no mundo espiritual — isto é, na igreja, na assembleia, na comunhão, no corpo de Cristo. São duas coisas diferentes, que atuam em duas esferas diferentes.
O problema surge entre o povo de Deus quando se confundem talento natural e dom espiritual. Vocês sabem, isso é muito comum no cristianismo.
Suponhamos que você tenha uma capacidade natural para administrar. Por possuir esse talento, no mundo você pode ser um executivo. Depois de ser salvo, você encontrará pessoas no cristianismo de hoje que dizem: “Você tem talento natural. É um executivo. Venha ser presbítero na igreja, para poder usar seu talento a serviço de Deus”.
Talvez você tenha um talento natural para a música. Então, depois que você é salvo, dizem: “Use seu talento para servir a Deus”. Essa é a exortação que encontramos no cristianismo. Mas, se vocês lerem a palavra de Deus, descobrirão que isso é inteiramente contrário à palavra de Deus.
Moisés, por exemplo, era dotado de talentos naturais. Além disso, Deus parecia ter preparado para ele um ambiente que desenvolveria seus talentos naturais. Ele era poderoso em palavras e obras.
Ele tinha um coração voltado para Deus. Sabia que Deus tinha um propósito para sua vida, por isso queria usar seus talentos naturais para cumprir o propósito de Deus. Tentou salvar seu povo, sendo poderoso em palavras e poderoso em obras.
Vocês se lembram de como ele matou um egípcio para salvar um hebreu. Lembram-se de como usou sua eloquência para tentar resolver a contenda entre dois irmãos hebreus. Mas Deus permitiu que ele fracassasse completamente.
O que teria acontecido se ele tivesse sido bem-sucedido? Então os filhos de Israel nunca teriam saído do Egito. Provavelmente teriam tomado o controle do Egito.
Por isso, Deus permitiu que ele fracassasse completamente. Ele precisou passar quarenta anos no deserto para desaprender tudo o que antes havia aprendido naturalmente, até já não conseguir falar. E isso é verdade: depois de falar com algumas ovelhas durante quarenta anos, você perde a eloquência.
Ele disse:
Quem sou eu para ir a Faraó?
Ou seja, ao rei. “Eu não sou nada.” Ele tinha oitenta anos, e ele mesmo escreveu no Salmo 90 que a vida de um homem neste mundo costuma durar setenta anos; se houver vigor, pode chegar a oitenta anos. Ele tinha oitenta anos naquela ocasião. Estava no fim de sua vida natural.
E então Deus lhe apareceu. Deus disse: “Eu estou contigo. Eu serei tua eloquência. Eu serei tua capacidade”. O Espírito de Deus veio sobre ele, e ele pôde realizar a obra de Deus.
Portanto, irmãos e irmãs, isso não significa que Deus descartará completamente seu talento natural. Se vocês lerem a história de Moisés, verão que conduzir um milhão de pessoas durante quarenta anos no deserto exige certa capacidade.
Deus pode usá-la, mas ela precisa passar pela morte e ser ressuscitada. Em outras palavras, ela já não deve estar em suas mãos; deve estar nas mãos de Deus.
Assim, irmãos e irmãs, lembremos uma coisa: há uma diferença tremenda, uma diferença como a que há entre o céu e a terra, entre talento natural e dom espiritual. Às vezes, Deus pode fazer exatamente o contrário.
Mas, quando eles parecem atuar juntos, vocês podem ler a história e constatar que sempre precisam passar pela morte e pela ressurreição. Todos os seus talentos naturais precisam passar pela morte, e Deus os retomará e os usará.
Creio, portanto, que esta é a primeira coisa que precisamos compreender: os dons espirituais são dados para que possamos viver e exercer nossa função no corpo de Cristo. Os dons espirituais nunca são dados por razões pessoais.
Vocês sabem, os crentes de Corinto cometeram um grande erro. Consideraram os dons espirituais como dons pessoais, para seus próprios objetivos. E, por essa razão, o dom que buscavam era o de falar em línguas, porque falar em línguas é algo miraculoso. Facilmente pode se tornar uma maneira de exibir a si mesmo.
Assim, eles tinham uma compreensão equivocada. É por isso que, em 1 Coríntios 12, Paulo diz:
Quanto às coisas espirituais.
Por quê? Porque estavam perguntando a Paulo: “Como podemos ser espirituais? Como podemos provar que somos espirituais?”.
“Se conseguirmos falar em línguas, isso é ser espiritual, porque não é algo natural.” Assim, confundiram o falar em línguas com o sinal de ser espiritual. E, ainda hoje, o mesmo erro existe entre o povo de Deus.
Por isso, Paulo precisou lembrá-los: “Antes de crerem no Senhor, vocês adoravam ídolos; adoravam demônios. E tinham suas chamadas experiências espirituais. Agora é inteiramente diferente. Agora vocês estão no Espírito Santo, não em um espírito maligno”.
Há uma diferença tremenda. Se vocês estiverem no Espírito Santo, dirão: “Jesus é Senhor”. Se não conseguirem dizer, no espírito, “Jesus é Senhor”, trata-se de um espírito maligno. E essa é uma maneira de provar o espírito.
Constatamos que, sempre que se prova o espírito dessa maneira, isso funciona. Porque, se houver possessão demoníaca ou maligna, o espírito nunca reconhecerá Jesus como Senhor. Mas lembrem-se: é preciso se dirigir ao espírito, e não à pessoa, porque a pessoa pode ser um crente. Nesse caso, ela dirá: “Jesus é Senhor”. Mas, se vocês confrontarem o espírito, ele se recusará a dizer: “Jesus é Senhor”.
Portanto, isso não significa que, por conseguir falar em línguas, você se torna espiritual instantaneamente. De modo algum.
Os dons espirituais são dados porque estamos no corpo de Cristo. Assim, ao ler 1 Coríntios 12, vocês perceberão que, quando Paulo menciona os dons espirituais, imediatamente os relaciona ao corpo.
O corpo é um, mas há muitos membros. Muitos membros, mas um só corpo. Assim também é o Cristo — isto é, o corpo de Cristo.
Portanto, irmãos e irmãs, outra coisa que precisamos lembrar é que, sempre que falamos de dons espirituais, eles precisam estar relacionados ao corpo. Sim, são dados a indivíduos, mas por quê? Porque esses indivíduos são membros do corpo de Cristo.
Eles são dados porque vocês são membros, porque estão no corpo. E, estando no corpo, vocês têm uma função a cumprir. Como podem cumprir sua parte como membros do corpo de Cristo? Vocês a cumprem por meio do dom espiritual que receberam. É assim que conseguem exercer sua função.
Em nosso corpo natural, temos diferentes membros que o compõem. Temos mãos, pés, órgãos internos, órgãos externos e muitos outros membros. Nenhum membro de seu corpo físico vive para si mesmo. Todos os membros de seu corpo físico vivem para o corpo.
O olho não pode dizer ao ouvido: “Não preciso de ti”. Nem o ouvido pode dizer ao olho: “Porque não sou olho, não pertenço ao corpo”. Todos os membros do corpo são diferentes. Deus assim os dispôs.
Foi Deus Quem nos deu esse corpo, e é Sua vontade constituí-lo com todos esses diferentes membros. Ele nos colocou ali. E, espiritualmente, no corpo de Cristo, acontece a mesma coisa.
No corpo de Cristo há muitos membros, muito mais do que neste corpo físico. Mas nem todos os membros são iguais. Alguns podem ser como mãos; outros, como pés. Alguns podem ser como uma boca; outros, como um ouvido. Porque, se tudo fosse um único membro, onde estaria o corpo?
Portanto, irmãos e irmãs, lembrem-se disto: somos membros do único corpo de Cristo. Não apenas membros, mas membros diferentes — cada um em particular. E isso não é nossa escolha. É a disposição de Deus.
Deus nos colocou no corpo de Cristo, e o lugar em que Ele coloca você é o melhor lugar. Não fique admirando os outros. Seja fiel naquilo que Deus lhe deu.
Assim, vocês podem perceber que o propósito do dom espiritual é semelhante ao propósito do talento natural. O propósito do talento natural é servir ao seu corpo, para que você possa viver, funcionar adequadamente e crescer. O propósito do dom espiritual é exatamente o mesmo, mas em uma esfera diferente: o corpo espiritual de Cristo. Todos somos membros uns dos outros.
Quando recebemos os dons espirituais? Hoje, isso se tornou uma questão muito confusa entre o povo de Deus. Alguns dizem que você recebe um dom espiritual quando recebe o batismo no Espírito Santo.
Outros dizem que você recebe dons espirituais quando alguém impõe as mãos sobre você. E outros ainda dizem que você recebe dons espirituais quando nasce de novo.
Então dizem: “Como você sabe que tem dons espirituais, a menos que fale em línguas? Porque falar em línguas é o dom, o sinal do batismo no Espírito Santo”. Assim, existem todo tipo de ideias confusas.
Vocês sabem por quê? A palavra de Deus é sempre muito simples. Nós podemos complicar tudo. Se vocês apenas se lembrarem de como Deus lhes dá o talento natural, isso resolverá toda a questão.
Vocês sabem, quando um bebê nasce, Deus dispõe tudo de tal maneira que o bebê tem olhos, nariz, boca, ouvidos, mãos, pés e órgãos — tudo. Cada membro de seu corpo natural lhe foi dado.
Quando você nasce, cada órgão de seu corpo, cada membro de seu corpo, já foi dotado por Deus de uma capacidade natural. Ele lhe dá um olho. Será que Deus pode lhe dar um olho sem lhe dar o dom de enxergar? Então, para que serviria o olho?
Ele lhe dá um ouvido. Você consegue acreditar que Ele lhe dê um ouvido sem, ao mesmo tempo, lhe dar o dom de ouvir? Então, de que serviria o ouvido?
Portanto, irmãos e irmãs, quando saímos do ventre de nossa mãe, todos os órgãos estão presentes, e todos os dons estão presentes. Mas o bebê ainda é muito pequeno. Tem olhos, mas não consegue enxergar. Tem mãos, mas não consegue manusear as coisas. Tem pés, mas não consegue andar.
Mas, enquanto houver vida ali, todas essas coisas se desenvolverão à medida que ele crescer. Em poucos dias, começa a enxergar.
No início, ele não consegue andar e acha que precisa andar sobre quatro apoios, então engatinha. Mas, aos poucos, descobre que, se não usar as mãos para ajudar, pode andar melhor. Então, por que continuar de quatro?
Ele tem uma boca. Não consegue comer alimentos duros, apenas tomar o leite da mãe. Mas, gradualmente, por meio do exercício, consegue comer alimento sólido. Não consegue falar, mas, aos poucos, finalmente consegue emitir sons e, depois, palavras.
Irmãos e irmãs, posso fazer uma pergunta? Será que o dom de enxergar é dado somente quando vocês começam a enxergar? Não. Todos esses dons foram dados quando vocês nasceram, mas estavam adormecidos.
Estavam adormecidos. A vida precisa atuar e crescer, e então todos esses dons se manifestarão. E, quanto mais você exercitar seu dom, melhor ele se tornará. Pensem nos olhos: algumas pessoas conseguem exercitá-los a tal ponto que enxergam coisas na escuridão. Por quê? Por meio do exercício.
Agora, irmãos e irmãs, isso não é simples? Quando se trata do corpo de Cristo, o princípio é o mesmo.
Em outras palavras, quando vocês recebem o batismo com o Espírito Santo? Vocês recebem o batismo com o Espírito Santo quando nascem de novo.
Pensem em seu novo nascimento. Quando vocês nascem na família de Deus, o que acontece? A Bíblia nos diz que nascemos do Espírito.
O que é nascido do Espírito é espírito.
Esse é seu nascimento. Assim, vemos que o Espírito Santo nos gera, e nascemos do Espírito Santo. Nosso espírito morto, o espírito que está morto em pecados e transgressões, é vivificado — um novo espírito.
E, com esse novo espírito, clamamos a Deus: “Aba, Pai”. Além disso, vocês não apenas nascem do alto; nascem na família de Deus. Quando nascem na família de Deus? No novo nascimento.
Portanto, sempre que vocês nascem de novo, imediatamente nascem na família de Deus. E isso pode ser facilmente comprovado, porque, quando vocês encontram outro irmão ou irmã e percebem que ele ou ela também é um irmão ou uma irmã no Senhor, imediatamente há um vínculo entre vocês.
E esse vínculo é mais forte do que o vínculo natural com seus irmãos e irmãs de sangue.
Portanto, esse é o batismo no Espírito Santo. Qual é o significado do batismo no Espírito Santo? Não é algo que se vê. Não é um som. É nascer na família de Deus.
Assim, em 1 Coríntios 12:13:
Pois em um só Espírito fomos todos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
Esse é o significado do batismo com o Espírito Santo. Vocês são batizados em um só Espírito, em um só corpo. Portanto, nós, que nascemos de novo, somos batizados no corpo de Cristo.
O Espírito Santo não apenas nos gera. Depois de nos gerar com um novo espírito, Ele vem e habita em nosso novo espírito e Se torna nosso Consolador, nosso Paráclito — estando conosco, nunca nos deixando, ensinando-nos, dirigindo-nos, transformando-nos e conformando-nos a Cristo Jesus.
Irmãos e irmãs, ao mesmo tempo, Ele nos colocou na família de Deus. É isso que acontece quando vocês nascem de novo.
Será possível nascer de novo e não receber os dons espirituais correspondentes? Caso contrário, a obra de Deus estaria incompleta. Como Ele poderia me colocar no corpo de Cristo como um membro e não me dar nenhum dom para cumprir minha função? Inconcebível.
Portanto, de acordo com a palavra de Deus, nossos dons espirituais já nos foram dados quando nascemos de novo, quando nascemos no corpo de Cristo. Eles já estão presentes.
Deus nunca deixa uma obra pela metade. Sempre que Ele trabalha, Ele a completa plenamente.
Então, lembrem-se, irmãos e irmãs: hoje, muitos irmãos e irmãs estão confusos. Perguntam: “Qual é meu dom espiritual? Você pode me dizer qual é meu dom espiritual?”. Vocês precisam que alguém lhes diga qual é seu dom espiritual? Vocês deveriam saber.
Por que vocês não sabem? Há uma razão: vocês não crescem. Se sua vida não crescer, seu dom espiritual não se manifestará. Permanecerá adormecido para sempre.
Portanto, temos uma responsabilidade, irmãos e irmãs. Não precisamos perguntar: “Qual é meu dom espiritual?”. Precisamos perguntar a nós mesmos: “Estamos crescendo no Senhor?”.
Se, depois de ser salvo, você realmente seguir a direção do Espírito Santo em seu interior, de alguma maneira, à medida que crescer, o Senhor colocará algo em seu coração. Ou, dizendo de outra forma, Ele lhe dará um encargo por algo relacionado aos seus irmãos e irmãs, à casa de Deus.
Outras pessoas talvez não percebam isso, mas você percebe. E esse é seu chamado. Deus está chamando você para cumprir sua função nessa área.
Vocês sabem, irmãos e irmãs, os dons espirituais são dados para o serviço. Não nascemos na família de Deus apenas para ser um peso para nossos irmãos e irmãs, para a família. Nascemos na família de Deus para contribuir.
Cada membro deve exercer sua função, contribuir com alguma coisa para o bem do corpo, para a edificação do corpo de Cristo. Em outras palavras, não nascemos de novo por uma razão egoísta. Nascemos de novo para Deus e para a casa de Deus. Caso contrário, por que deveríamos nascer de novo?
Nascemos para servir.
Deixa ir o Meu povo, para que Me sirva.
Já não devemos servir aos nossos próprios objetivos. Devemos servir ao propósito de Deus, e o propósito de Deus é a edificação de Sua casa, o crescimento contínuo do corpo de Cristo. Esse é o propósito de Deus. É por isso que os dons espirituais são dados.
Se realmente tivermos um coração voltado para Deus, quando estivermos entre o povo de Deus, de maneira sobrenatural e natural, Ele nos dará um encargo por alguma coisa. Essa é a direção em que Ele está nos guiando. Faça isso para o Senhor.
E, quando você começar a fazê-lo, perceberá que a bênção de Deus o acompanha — não apenas em você, mas também sobre seus irmãos e irmãs. Quando a bênção de Deus acompanhar você, prossiga. É assim que seus dons são desenvolvidos, e é assim que seus dons funcionam.
Infelizmente, hoje, algumas pessoas do povo de Deus são salvas apenas para si mesmas, não para Deus, não para a casa de Deus. Por isso, seus dons ficam enterrados. É assim que se enterram os dons.
Todo servo de Deus recebe talentos: alguns, cinco talentos; outros, dois talentos; outros, um talento — mas pelo menos um talento. A questão é: você negocia com ele ou o enterra? Seja fiel.
Vocês sabem por que precisam de uma chamada experiência de batismo no Espírito Santo para que esse dom seja liberado? Por quê? Porque, no dia a dia, vocês não vivem uma vida consagrada. Não vivem uma vida para o Senhor.
Por isso, precisam de um período especial de avivamento para que aquilo que estava adormecido possa ser liberado. De tempos em tempos, precisam de um avivamento. E, quando o avivamento vem, parece que seu dom se manifesta.
Então, quando sua vida diante do Senhor esfria, esse dom é enterrado novamente, e vocês precisam de outro avivamento para despertá-los. Irmãos e irmãs, não deveria ser assim.
Se vocês lerem Romanos 12, verão que isso é muito verdadeiro: a consagração está relacionada ao exercício da função. Porque, depois que alguém se consagra —
Apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo.
—, percebe que está no corpo e começa a exercer sua função. É disso que trata Romanos 12.
Portanto, irmãos e irmãs, a razão pela qual a maioria dos crentes não está exercendo sua função no corpo de Cristo é que não está crescendo no Senhor. Busquem o Senhor. Entreguem-se ao Senhor. Permitam que Ele aja; permitam que o Espírito trabalhe em vocês, para que os dons adormecidos se manifestem. E nunca os isolem do corpo de Cristo.
Bem, como nossos dons espirituais devem ser exercidos? Vocês sabem, os crentes de Corinto tinham muitos dons. Não lhes faltavam dons. Mas, por haver tantos dons, ao contrário do que se poderia esperar, o corpo não estava sendo edificado; estava sendo destruído. Por quê?
Então, o apóstolo Paulo disse: “Muito bem, vocês têm dons. Mas sabem como exercê-los? Vou lhes mostrar um caminho de excelência ainda mais sublime”.
O apóstolo Paulo precisou usar essa ênfase dupla e tripla. Diríamos que “excelente” deveria bastar — um caminho excelente. Não. Ele diz: “Um caminho de excelência ainda mais sublime”. Então, deve ser realmente excelente.
E qual é esse caminho excelente? Quando vocês leem 1 Coríntios, veem que o capítulo 12 trata do corpo e dos dons nos membros do corpo. O capítulo 14 trata do exercício dos dons no corpo. Mas o capítulo 13 apresenta o caminho mais excelente.
Qual é o caminho mais excelente? É o amor. É o amor — não o amor que costumamos chamar de amor, mas o amor de Deus, o amor de Cristo, ágape, o amor que só vem de Deus, o amor que acompanha a vida que Ele nos dá.
Em outras palavras, se vocês quiserem fazer a distinção: a graça é para a vida; o dom é para o serviço. O dom é poder. Mas esse poder precisa ser manejado com cuidado, pela vida adequada.
Se você der uma faca a uma criança pequena, sua vida ainda não será madura o suficiente para manejar essa faca. Ela poderá ferir outras pessoas e ferir a si mesma. Mas uma faca nas mãos de um adulto é muito útil.
Portanto, Deus quer que nos lembremos disto: toda a confusão que encontramos no cristianismo hoje acontece porque a ênfase está no dom, e as pessoas se esquecem da vida.
Deus nos deu vida. Isso é graça. E Deus quer que essa vida maneje esse dom. Se a vida for imatura, quanto maior o dom, mais desastroso ele se tornará. E vocês encontram isso em toda parte, porque não há uma vida correspondente para usar o dom.
Há um erro tremendo entre o povo de Deus, e esse erro consiste em pensar que não se pode provar o espírito.
A Bíblia nos diz que há uma grande diferença entre a Pessoa do Espírito Santo e as manifestações do Espírito Santo. A Pessoa do Espírito Santo é divina. Ele é Deus. As manifestações do Espírito Santo nos dons são impessoais.
À Pessoa do Espírito Santo, precisamos obedecer. Em Atos 5:32, Deus deu o Espírito Santo àqueles que Lhe obedecem. Precisamos obedecer ao Espírito Santo.
O Espírito Santo, Que habita em nós, é Deus, é divino, é uma Pessoa. Precisamos honrá-Lo. Precisamos obedecer-Lhe. Não devemos entristecê-Lo. Não devemos apagá-Lo. Devemos obedecer-Lhe.
Mas o dom é Sua manifestação, não Sua Pessoa. E, no que diz respeito aos dons, o dom precisa ser manejado por aquele que o possui.
Assim, encontramos em 1 Coríntios 14:32:
E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.
Em outras palavras, vocês que receberam dons devem manejá-los, e não ser manejados por eles.
Portanto, quando as pessoas pensam que estão tendo esse batismo, não ousam provar o espírito, porque provar o espírito parece desonrar o Espírito Santo. Não é assim. O dom precisa ser manejado por você.
O espírito dos profetas está sujeito aos profetas. Você pode controlá-lo. Às vezes, quando as pessoas falam em línguas, não ousam parar. Estão falando em uma situação inadequada.
Como a Bíblia diz, em uma reunião, se você falar em línguas e não houver intérprete, a palavra determina que, não havendo intérprete, fale consigo mesmo; fique em silêncio.
Mas, em nossa experiência, as pessoas pensam que, por estarem no espírito, precisam deixar o espírito continuar, sem nenhum controle. Isso está absolutamente errado. Passamos por essas coisas e sofremos por causa delas.
Irmãos e irmãs, as manifestações são impessoais. Portanto, aqueles que receberam dons precisam manejá-los, controlá-los e usá-los com sabedoria, decência e ordem.
Se conseguirmos perceber essa diferença, creio que isso nos ajudará a evitar todo tipo de confusão.
Mas alguém perguntará: não está escrito em 1 Coríntios 12:31:
Desejai ardentemente os dons maiores.
E, em 1 Coríntios 14:1:
Segui o amor; contudo, desejai ardentemente os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.
Ora, se os dons espirituais são dados pelo Espírito Santo, como encontramos em 1 Coríntios 12:11:
Mas todas essas coisas opera um só e o mesmo Espírito, distribuindo a cada um individualmente conforme Ele quer.
É do agrado do Espírito Santo dar a esta pessoa uma palavra de conhecimento, àquele membro uma palavra de sabedoria, a um a profecia, a outro línguas e a outro a interpretação. É de acordo com a vontade do Espírito Santo. Você não pode escolher.
Então, por que Ele diz:
Desejai ardentemente os dons maiores.
E:
Desejai ardentemente os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis.
Como se pudéssemos fazer isso? Há uma contradição? De modo algum.
Por quê? Porque os dons espirituais podem aumentar. Vocês sabem, aquele que tinha cinco talentos ganhou mais cinco. O que tinha dois talentos ganhou mais dois. Mas, se aquele único talento não for usado para negociar, se for enterrado, continuará sendo apenas um talento.
Essa é a questão. Se você realmente for fiel àquilo que o Espírito de Deus lhe concedeu, seus dons espirituais aumentarão.
E a razão é que você já não é uma criança. Uma criança só procura se exibir. Mas, quando você cresce, quando sua mente se desenvolve, você pensa nos outros. Pensa no corpo de Cristo. Pensa em como ajudar e em como contribuir.
E, porque sua mente foi transformada e você está crescendo no Senhor, Deus lhe dará dons maiores para que você possa servir.
Não é curioso? Nas pessoas cujos olhos não enxergam — as pessoas cegas —, os outros sentidos parecem se tornar mais aguçados e assumir parte da função dos olhos. Isso não é maravilhoso?
Recentemente, ouvi falar de uma pessoa cega que conseguia ver cores. Quando as pessoas descreviam uma cor para ela, de alguma maneira, conseguia vê-la.
Portanto, irmãos e irmãs, os dons espirituais podem ser desenvolvidos e aumentados dessa maneira para a glória de Deus. Mas lembrem-se: não para seu próprio benefício. Todos os dons são para a edificação do corpo de Cristo — não para a edificação de si mesmo, mas para a edificação do corpo de Cristo.
Assim, não há contradição. As pessoas podem falar em línguas, mas, na assembleia, é muito melhor falar cinco palavras com entendimento do que dez mil palavras em línguas. Por quê? Para a edificação do corpo de Cristo.
Queridos irmãos e irmãs, precisamos ser libertos de tratar os dons como algo pessoal. Os dons não são para nós mesmos; são para a edificação do corpo de Cristo.
E todos os dons precisam ser exercidos pela vida de Cristo em nós. Se a vida de Cristo estiver no controle, tudo será feito com decência e ordem.
Portanto, queridos irmãos e irmãs, essas são questões muito básicas. Espero que possamos ter uma compreensão correta a respeito dos dons espirituais.
Vamos orar.
Querido Senhor, entregamos estas poucas palavras em Tuas mãos. Se são Tuas, usa-as para edificar Tua igreja.
Ó Senhor, perdoa-nos. Livra-nos de estar sempre centrados em nós mesmos. Oramos para que sejamos centrados em Cristo e tenhamos em mente o corpo. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.