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    Being Made Full In Him © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Being Made Full In Him
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    Lambert, Lance

    Plenificados em Cristo

    Abram comigo o Novo Testamento. Gostaria de ler em Colossenses, a carta do apóstolo Paulo aos colossenses, a partir de Colossenses 2:8.

    Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua por meio de sua filosofia e de vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo: Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, E Nele sois plenificados, o Qual é a cabeça de todo principado e potestade: No Qual também fostes circuncidados com uma circuncisão não feita por mãos, no despojamento do corpo da carne, na circuncisão de Cristo; Tendo sido sepultados com Ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados com Ele mediante a fé na operação de Deus, Que O ressuscitou dentre os mortos.

    Agora, na carta aos efésios — a carta do apóstolo Paulo aos efésios —, a partir de Efésios 3:14.

    Por esta causa, dobro os meus joelhos perante o Pai, Do Qual toda família nos céus e na terra recebe o nome, Para que Ele vos conceda, segundo as riquezas da Sua glória, que sejais fortalecidos com poder por meio do Seu Espírito no homem interior; Para que Cristo habite em vossos corações pela fé; a fim de que, estando arraigados e fundamentados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para que sejais cheios até toda a plenitude de Deus. Ora, Àquele Que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós, A Ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

    Por fim, na segunda carta do apóstolo Paulo aos coríntios, a partir de 2 Coríntios 4:7.

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a extraordinária grandeza do poder seja de Deus, e não de nós mesmos; Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que a morte opera em nós, mas a vida, em vós.

    Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se desgaste, o nosso homem interior se renova dia após dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós, cada vez mais abundantemente, um eterno peso de glória; Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que não se veem: porque as coisas que se veem são temporais; mas as que não se veem são eternas.

    Vamos nos inclinar juntos para uma palavra de oração.

    Oração inicial

    Ó Pai, queremos abrir nossos corações a Ti ao nos achegarmos ao ministério da Tua Palavra. Precisamos de Ti, Senhor. Queremos reconhecer, tanto quem fala quanto quem ouve, que, se não nos deres nesta noite uma experiência daquela unção que providenciaste mediante a obra consumada do nosso Senhor Jesus e tornaste disponível a nós na Pessoa do Espírito Santo, este tempo será inútil.

    Guarda este momento, Senhor, de ser apenas um sermão. Guarda-o, Senhor, de ser apenas um esboço da verdade. Guarda-o até mesmo, Senhor, de ser meramente ensino, por mais que precisemos de ensino profundo. Senhor, faze dele um encontro Contigo, nós Te pedimos.

    Desafia-nos pelo Teu Espírito, Senhor. Confronta-nos com aquilo que requeres de nós, Senhor. Leva-nos a uma nova posição. Faze deste tempo algo que transforme nossas vidas, Senhor. Faze dele um encontro do qual nos lembraremos para sempre, simplesmente porque nos encontramos Contigo; um encontro em que o pregador, o lugar e as pessoas se apaguem na distância, e nos reste apenas a Tua presença.

    Que saibamos que Tu Te encontraste conosco e trataste conosco. Senhor, pedimos que faças deste momento, desta noite, algo assim. E daremos a Ti todo o louvor e toda a glória. Em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.

    O chamado à plenitude de Deus

    Como vocês sabem, o tema deste nosso encontro é prosseguir rumo à plenitude — à plenitude de Cristo, à plenitude de Deus —, avançando para dentro dessa plenitude. Minha responsabilidade tem sido tratar das epístolas, isto é, de Romanos a Judas. Essa é uma parte bastante considerável do Novo Testamento.

    Como disse ontem à noite, é importante entendermos o que essas cartas nos dizem, o que o Senhor nos está dizendo por meio delas, porque nelas encontramos ensino fundamental.

    Ontem à noite, falei sobre a grandeza do chamado e do destino do filho de Deus. Que você e eu sejamos cheios até toda a plenitude de Deus é um chamado extraordinário, um destino extraordinário.

    Se a própria Bíblia não dissesse isso com todas as letras, de maneira direta e simples, seria quase blasfemo afirmarmos que podemos ser cheios até toda a plenitude de Deus. Mesmo que reuníssemos todos os santos, todos os crentes que já viveram ao longo de todas as eras, ainda assim não poderíamos conter a plenitude do próprio Deus.

    No entanto, somos informados de que o objetivo de toda a obra do Senhor em nossas vidas é que sejamos cheios até toda a plenitude de Deus; que cheguemos, ou alcancemos, a medida da estatura da plenitude de Cristo.

    Portanto, ontem à noite falamos com certa profundidade sobre a grandeza do chamado e do destino do filho de Deus.

    Plenificados em Cristo

    Agora, nesta noite, quero prosseguir e destacar uma pequena expressão que lemos em nossa primeira leitura, em Colossenses 2:9-10:

    Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, E Nele sois plenificados.

    “Nele sois plenificados.” Essa é a expressão que quero destacar nesta noite. “Nele sois plenificados.” Creio que essa seja a tradução exata, mais literal até do que “completos”. É perfeitamente correto dizer que somos completos Nele, mas “plenificados”, de algum modo, remete a essa plenitude — toda essa plenitude da Divindade que habita no Senhor Jesus. E Nele somos plenificados.

    É absolutamente maravilhoso. O que quero procurar comunicar nesta noite é isto: como você e eu podemos entrar nessa plenitude? Uma coisa é cantar sobre ela, uma coisa é estudá-la, uma coisa é ouvir sua pregação; outra coisa é estar entrando nela.

    Mas o propósito da Palavra de Deus é justamente nos conduzir, de algum modo, a uma experiência mais profunda e progressiva de sermos plenificados Nele.

    A plenitude de Deus encontra-se em Cristo

    Agora, quero apenas destacar uma ou duas coisas, retomando um pouco do que dissemos ontem à noite no último ponto que apresentei. A plenitude de Deus está em Cristo.

    Para o crente, não há plenitude de Deus fora de Cristo ou à parte de Cristo. Toda a plenitude de Deus encontra-se no Senhor Jesus. Deus colocou toda a Sua plenitude no Senhor Jesus.

    Se vocês entendem o que quero dizer, sem reduzir isso a algo banal, Deus definiu exatamente onde a plenitude de Deus pode ser encontrada. Não é algum mistério lá nos céus. Não é algum tipo de segredo que você precisa fazer parte de uma elite para descobrir. Você não precisa passar por um seminário teológico para entender onde está essa plenitude.

    Deus colocou toda a Sua plenitude na Pessoa do Senhor Jesus. Ele definiu os limites, por assim dizer, dessa plenitude. Definiu o lugar, a localização dessa plenitude. Ela está no Senhor Jesus.

    E Nele somos plenificados.

    A plenitude não se encontra no conhecimento

    Essa plenitude não se encontra no conhecimento. O conhecimento é algo maravilhoso, mas nunca temos uma experiência da plenitude de Deus por meio do mero conhecimento. Tudo o que conseguimos é ficar com a cabeça grande, representando nossa compreensão mental, acadêmica, da Palavra de Deus. Mas não temos uma experiência.

    É isso que está acontecendo nos círculos cristãos. Muitas pessoas leem livros, vão a conferências, anotam tudo em seus cadernos, mas não têm experiência de serem plenificadas. Aqui em cima, sabem tudo; aqui embaixo, experimentam muito pouco.

    Não é no conhecimento que somos plenificados — nem mesmo no conhecimento a respeito do Senhor Jesus, nem mesmo no conhecimento a respeito da Palavra de Deus, nem mesmo no conhecimento a respeito do propósito de Deus, nem mesmo no conhecimento da verdade acerca da igreja de Deus.

    É no Senhor Jesus que somos plenificados, não no conhecimento a respeito Dele. É em conhecê-Lo que somos plenificados, não em saber coisas a respeito Dele.

    A plenitude não se encontra na mera prática

    Não é na prática que somos plenificados. Podemos procurar tomar essas coisas e colocá-las em ação, e isso é perfeitamente correto. O Senhor Jesus disse que não devemos ser apenas ouvintes da Palavra, mas praticantes da Palavra.

    Mas cometemos um grande erro se pensamos que podemos nos tornar uma espécie de santo de imitação, procurando de algum modo aparentar santidade, copiar alguma coisa, produzir algo de segunda mão em vez de uma experiência direta. Então pensamos que temos plenitude, quando é perfeitamente claro para o mundo invisível que estamos vazios.

    A plenitude não se encontra no zelo ou na emoção

    Também não encontramos plenitude no zelo. Graças a Deus pelo zelo. Nossas reuniões são tão incrivelmente entediantes — não estas aqui, mas em geral — porque há tão poucas pessoas que demonstram algum zelo.

    Ah, é maravilhoso ouvir alguém se expressar com um pouco de fervor na voz. Sabe, a pessoa realmente parece estar sentindo alguma coisa. Pode haver zelo nela.

    Eu costumava frequentar reuniões de oração em que era muito comum orar num tom bastante uniforme e compassado. De certa forma, era maravilhoso, mas, depois de algum tempo, a gente ficava um pouco entediado com tudo aquilo. Tinha-se a impressão de que, de algum modo, mesmo que um anjo aparecesse, eles não mudariam — “dum, dum” —, tudo muito, muito compassado, porque isso é terrivelmente britânico, não muito americano.

    Mas é maravilhoso quando algum jovem é salvo e, de repente, começa a louvar ou a dar seu testemunho, com zelo e fervor. É quase como se todos nós fôssemos renovados apenas por ouvi-lo. Ele não usa os velhos clichês. Não usa a linguagem de Canaã à qual todos nos acostumamos. De algum modo, simplesmente rompe a barreira do som, e tudo é tão real.

    Mas a plenitude não se encontra no zelo ou na emoção. Podemos ser muito zelosos e, ainda assim, de algum modo, não ter experiência de sermos plenificados. Não é nisso que somos plenificados.

    Tampouco é na emoção. Em alguns círculos, vamos ao extremo oposto. Sentimos que, de alguma maneira, muitas reuniões evangélicas parecem um cemitério. Então decidimos que a melhor ideia é ter emoção, e quanto mais emoção, melhor. Quando temos emoção, temos plenitude — é assim que o raciocínio funciona.

    Vamos estimular tudo ao máximo. Assim, passamos de algo tranquilo para um crescendo e, de algum modo, enganamos a nós mesmos, pensando que, nesse grande crescendo de emoção e sentimento, temos plenitude. Mas não alcançamos plenitude na emoção.

    É bom ter emoção. Fomos criados com emoções. Ainda assim, pensar que temos plenitude apenas por sermos emotivos é um erro.

    Eu estava no Egito pouco depois de ser salvo, e até hoje me lembro muito bem de duas missionárias que costumavam visitar outras duas missionárias. Essas outras duas eram verdadeiras Bíblias ambulantes. Elas me conduziram a um conhecimento do Senhor pelo qual serei eternamente grato.

    Mas nunca me esqueci daquelas duas missionárias que as visitavam. Pareciam perfeitamente normais até começarem a orar. E, quando oravam, começavam a fazer “óóó”, e era a coisa mais extraordinária. Durante toda a oração, tinham aquele tremor na voz, aquele lamento, aquela espécie de som meloso, do começo ao fim. Então, assim que diziam “amém”, tudo aquilo era desligado, e voltavam a ser pessoas perfeitamente normais.

    Bem, eu era um rapaz bastante ímpio antes de ser salvo, por isso fiquei de olhos abertos, observando aquelas duas. Eu me perguntava o que havia de errado com elas. Assim que foram embora, virei-me para as outras e disse: “Titia, diga-me: o que havia de errado com elas?”

    Elas procuraram ser leais às duas, mas, por fim, uma delas me disse com um brilho nos olhos — era estoniana e bastante serena emocionalmente, mas aquele brilho nos olhos me dizia exatamente o que ela queria dizer: “Bem, sabe, elas acreditam que, se você não semear com lágrimas, não colherá com alegria”.

    Então, aparentemente, o Senhor seria de algum modo levado a pensar, por causa de todos aqueles fungados e tremores na voz, que elas estavam semeando com lágrimas. Vocês conhecem a ideia: de um jeito ou de outro, podemos conseguir que alguma coisa aconteça. Não era real.

    É maravilhoso quando a emoção é real, quando há lágrimas verdadeiras, quando vem do coração. Quando estamos em oração, podemos ser movidos às lágrimas. Mas, meus queridos amigos, não é possível simplesmente ligar isso.

    Às vezes penso que, em algumas de nossas reuniões cristãs, chegamos a um ponto em que a emoção é aberta como uma torneira. Não há como encontrar plenitude ali.

    A plenitude encontra-se somente em Cristo

    Nem mesmo encontramos plenitude em meras experiências. Graças a Deus por cada experiência. É maravilhoso experimentar o Senhor. É maravilhoso o Senhor nos tocar. É maravilhoso quando entramos em um relacionamento profundo e real em que o Senhor trata conosco.

    Mas essa plenitude não se encontra nas experiências em si. Ela só se encontra Naquele a Quem estamos experimentando. Vocês entendem?

    Se é o Senhor Jesus a Quem estamos experimentando, então entraremos na plenitude. Mas, se pensamos que seremos plenificados apenas por termos experiências em si, ficaremos decepcionados.

    Essa plenitude também não se encontra nas reuniões. Graças a Deus pelas reuniões dos santos, e somos exortados a não deixar de nos congregar, tanto mais quanto vemos aquele Dia se aproximando. Mas ser plenificado com o Senhor Jesus não é algo que encontramos nas reuniões.

    Tampouco se encontra em sistemas ou modelos de igreja, como se, estabelecendo um modelo de igreja ou algum sistema eclesiástico fundamentado na verdade — ainda que seja correto —, conhecêssemos automaticamente a plenitude. É Nele, e somente Nele, que somos plenificados, ou tornados completos.

    A plenitude disponível em Cristo

    Deus colocou essa plenitude em Seu Filho. Ele definiu o único lugar onde você e eu podemos experimentar a plenitude de Deus, onde podemos ser cheios até toda a plenitude de Deus. É a medida da estatura da plenitude de Cristo.

    Considerem, por alguns instantes, outras passagens das Escrituras que não examinamos ontem à noite, a respeito de toda a plenitude que Deus colocou no Senhor Jesus.

    Todas as bênçãos espirituais

    Penso em Efésios 1:3. Tenho certeza de que muitos de vocês conhecem muito bem essa passagem:

    Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Que nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo.

    Agora, por favor, observem: toda bênção espiritual. Ele nos abençoou com toda bênção espiritual. Onde? Em Cristo. Fora de Cristo, nenhuma bênção; em Cristo, toda bênção.

    Não diz que Ele nos abençoou com muitas bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo. Tampouco diz que Ele nos abençoou com bênçãos espirituais muito especiais em Cristo. Diz: “Toda bênção espiritual”.

    Não se trata apenas de uma segunda bênção; nem sequer de uma terceira bênção. Não é sequer uma centésima bênção, ou uma milésima, ou uma milionésima, ou uma bilionésima. Toda bênção que Deus tem para Seu filho, para Sua igreja — cada uma delas — é nossa no Senhor Jesus.

    Deus já deu todas elas. Graças a Deus, não as recebemos todas de uma vez. Vocês conseguem imaginar como seria se tivéssemos todas as experiências e cada uma dessas bênçãos de uma só vez? Todos acabaríamos em hospitais psiquiátricos. Isso simplesmente faria nossa cabeça explodir. Não conseguiríamos conter tudo.

    Já é maravilhoso ser verdadeiramente salvo, não é? Que bênção! Como é maravilhoso quando você e eu entramos numa nova experiência do Senhor Jesus. Ficamos nas nuvens por alguns dias. Como é maravilhoso quando recebemos um toque do Espírito Santo, quando somos ungidos ou batizados no Espírito Santo, quando algo acontece entre nós e o Espírito Santo. Ficamos nas nuvens por semanas a fio.

    Vocês conseguem imaginar o que aconteceria se tivéssemos cada uma dessas bênçãos? No entanto, todas elas são nossas. Não é como se Deus tivesse dito: “Não, não vou lhe dar esta, nem vou lhe dar aquela”. Ele já reservou todas para nós. É apenas uma questão de quando entramos nelas.

    Ele planeja nossa entrada nessas bênçãos para que possamos assimilá-las, apreciá-las, compreendê-las e nos apropriar delas. Tudo é nosso. Onde? Em Cristo. Cada uma delas. Pensem nisso.

    Todas as necessidades supridas

    Vejam Filipenses 4:19:

    E o meu Deus suprirá cada uma de vossas necessidades segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus.

    Agora, não diz: “O meu Deus suprirá cada uma de vossas necessidades espirituais”. Não diz: “O meu Deus suprirá cada uma de vossas necessidades indispensáveis”. Diz: “Cada uma de vossas necessidades” — físicas, mentais, espirituais, materiais.

    O meu Deus suprirá cada uma de suas necessidades segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus. Onde Ele supre cada necessidade? Em Cristo. Ele não supre nenhuma necessidade fora de Cristo, mas, em Cristo, toda necessidade é suprida.

    Isto é plenitude: toda bênção espiritual, toda necessidade suprida no Senhor Jesus, segundo as Suas riquezas em glória em Cristo Jesus.

    Agora, pensem nisso: “Segundo as Suas riquezas em glória”. Isso significa que, quando Deus supre suas necessidades, Ele as supre magnificamente; Ele as supre com munificência. Espero que vocês entendam essas palavras maravilhosas do inglês. Ele as supre de maneira grandiosa, porque as supre segundo as Suas riquezas em glória.

    Se eu tentasse suprir suas necessidades segundo as minhas riquezas, vocês passariam muito aperto. Mas, se eu fosse um desses grandes multimilionários e dissesse: “Venham falar comigo depois, e suprirei sua necessidade material segundo as minhas riquezas no banco”, vocês se dariam muito bem.

    Deus diz que suprirá cada uma de suas necessidades segundo as Suas riquezas em Cristo Jesus.

    Os tesouros da sabedoria e do conhecimento

    Também penso em Colossenses 2:3:

    Em Quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

    Todo tesouro de sabedoria e de conhecimento está no Senhor Jesus. Quando você precisa daquela palavra de conhecimento, quando precisa daquela palavra de sabedoria — às vezes, quando precisa conhecer os fatos a respeito da sua situação ou do que está enfrentando —, Deus, pelo Seu Espírito, traz à luz aquilo que está em Cristo. Tudo está ali, em Cristo.

    Quando você precisa saber o que fazer com os fatos, isso é sabedoria: saber como aplicar os fatos. Então pode ser dada uma palavra de sabedoria. Tudo está no Senhor Jesus.

    Não sei se isso lhes diz alguma coisa sobre sermos plenificados Nele, mas toda a plenitude que é sua e minha está no Senhor Jesus. Contudo, vivemos como miseráveis.

    A maioria de nós vive como se nada nos pertencesse, como se fôssemos salvos por um triz, e mal por isso; como se tivéssemos conseguido, por muito pouco, pela graça de Deus, entrar no reino.

    Mas somos os menores entre todos, por isso jamais devemos presumir que teremos alguma bênção além da conversão; que alguma necessidade nossa será suprida. “Eu, não — talvez outros, mas eu, não. Acabei de entrar no reino, sabe? Entrei por um triz. Ah, não posso ser presunçoso.”

    Mas todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento são seus em Cristo, cada uma de suas necessidades pode ser suprida em Cristo, e toda bênção espiritual é sua em Cristo.

    A vida eterna no Filho

    Também penso em 1 João 5:11-12:

    E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

    É surpreendente, quando consideramos todos os livros escritos sobre o assunto, todos os sermões pregados a respeito dele e todos os seminários realizados nos círculos cristãos sobre isso, que a expressão “vida cristã” não apareça uma única vez em toda a Bíblia.

    Isso significa que não existe vida cristã? Por que a Bíblia não fala da vida cristã? Estamos sempre ouvindo falar da vida cristã — isto é vida cristã, aquilo é vida cristã, como você pode experimentar a vida cristã. Há livros aos montes, panfletos, folhetos, sermões, mensagens, seminários, conferências — e a expressão nunca aparece uma única vez em todo o Novo Testamento.

    Mas aquilo que chamamos de vida cristã, Deus chama de vida eterna. É simples assim.

    E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna. Posso tomar a liberdade de dizer isso de outra maneira? O testemunho é este: Deus nos deu a vida cristã. E esta vida, esta vida cristã, está em Seu Filho.

    Quem tem o Filho tem a vida cristã, e quem não tem o Filho de Deus não tem a vida cristã. Você pode ir à igreja, participar da ceia, tornar-se membro, receber aspersão de água ou ser imerso nela; mas, se não tem o Filho de Deus, não é filho de Deus. É simples assim. Você está enganando a si mesmo.

    É como amarrar maçãs num bordo e dizer que ele é uma macieira. Um bordo não pode produzir maçãs, porque é um bordo. Mas há muitos cristãos que passam toda a sua vida cristã e gastam todas as suas energias amarrando maçãs cristãs naquilo que é um bordo.

    É claro que acontece o seguinte: as maçãs murcham. Elas não vêm da vida interior da árvore. Mas esta vida que Deus nos deu — esta vida eterna — está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida, e quem não tem o Filho de Deus não tem esta vida.

    A paz de Deus em Cristo

    Penso em outra passagem. Vamos tomar apenas esta última e depois prosseguiremos. Filipenses 4:7:

    E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.

    A paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará, ou protegerá como uma guarnição, seus corações e seus pensamentos — seus corações e seus pensamentos — em Cristo Jesus. Então, onde experimentamos essa paz de Deus que excede todo entendimento? No Senhor Jesus.

    Isso faz você e eu percebermos como tudo isso é maravilhoso:

    Porque Nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade, E Nele sois plenificados.

    Vocês são tornados completos. Isso deve ser nossa experiência presente e crescente.

    Toda experiência do Espírito Santo tem como único propósito nos conduzir a uma descoberta mais profunda da plenitude do Senhor Jesus, nos levar a uma apropriação mais profunda daquilo que é nosso Nele, conquistado para nós a um preço tão alto.

    O significado de ser plenificado

    Mas então preciso fazer a pergunta: o que significa ser plenificado Nele?

    Sabe, existe entre alguns cristãos a ideia de que não é possível ver isso, e de que nem se deve esperar vê-lo. Você aceita pela fé. Se uma pessoa está cheia do Senhor, você simplesmente precisa aceitar isso pela fé. Ela precisa aceitar pela fé, e você também precisa aceitar pela fé.

    Ora, é perfeitamente verdade que às vezes precisamos aceitar isso pela fé, mas todas as outras pessoas deveriam percebê-lo.

    A morte opera em nós, mas a vida, em vós.

    A marca infalível de um homem ou de uma mulher cheio do Senhor Jesus, ou cheio do Espírito Santo, é que todos os outros crentes tocam o Senhor naquela vida. De que outra maneira a igreja primitiva poderia ter escolhido pessoas cheias do Espírito, se não houvesse como identificar isso?

    Deve ter havido algo na vida delas: um transbordar do Senhor, um amor do Senhor, uma alegria do Senhor, uma paz do Senhor, um caráter do Senhor. Deve ter havido alguma coisa que as pessoas tocavam ao entrar em contato com a vida delas e que as distinguia das demais.

    A ilustração dos vasos

    Agora, não quero insultar a inteligência ou a sofisticação de vocês — especialmente aqui nos Estados Unidos —, mas, aonde quer que eu vá, sobretudo entre pessoas que não são tão sofisticadas quanto vocês, e quando preciso de tradução, muitas vezes passo por uma agonia, pensando em como comunicar a verdade e, de algum modo, atravessar a barreira do meu intérprete.

    Em diferentes ocasiões, o Senhor me deu algumas ilustrações muito simples que tenho usado. Por isso, nesta noite, vou ilustrar isso.

    Agora, este aqui é você. Está bem? O que significa ser plenificado?

    Primeiro, se você está cheio de terra, não é possível encher o vaso. Posso tentar despejar água nele, mas como fazer isso quando ele já está cheio de terra? Não há como.

    A única maneira de enchê-lo é esvaziá-lo daquilo que é terreno. Então posso enchê-lo com a água da vida. Vocês entendem?

    Muitos de nós aqui somos exatamente como este vaso — salvos pela graça de Deus, mas cheios deste mundo. Estamos cheios daquilo que é terreno.

    Isso não significa que você não deva ter, em certo sentido, uma vida normal, natural, conforme o Senhor o dirige e liberta. Mas esse é um tipo de crente.

    Aqui está outro tipo de crente: cheio de feijões, cheio de energia.

    Este é outro vaso cheio de feijões. Agora, esses feijões não são tão ruins quanto a terra, porque, se eu despejar água, muitos deles vão sair por cima. Mas é evidente que não posso enchê-lo de água da mesma maneira se os feijões estiverem ali.

    Muitos de nós estamos cheios de feijões — feijões emocionais e muitos outros tipos de feijões. Não é o Senhor. O vaso não pode ser cheio.

    Agora, aqui preciso ter muito cuidado. Alguns de nós, como cristãos, parecemos muito bonitos por fora — polidos, nobres. Amamos a decoração.

    Muitos cristãos, muitos de vocês, são exatamente assim. Vêm a uma conferência como esta, recebem um enchimento, e ele vaza poucas semanas depois de irem embora. Vocês parecem muito bonitos, altos, elegantes, muito agradáveis, muito apresentáveis, verdadeiros bons cristãos. Foram salvos, mas estão rachados.

    Espero que esta lição esteja chegando ao coração de todos vocês. Alguns estão cheios de terra, alguns estão cheios de feijões, e alguns têm um vaso que vaza — o que significa que estão sempre vindo, sempre aprendendo, mas nunca chegando.

    Depois há outros crentes, e o Senhor os enche só um pouco — alguns outros, um pouco mais, e outros ainda, mais um pouco. Mas, na verdade, essa não é realmente a maneira como o Senhor deseja fazer isso.

    Vejam, Ele não disse: “E Ele os plenificará”. Ele disse isto:

    Nele sois plenificados.

    Agora, o que isso significa? Se eu pegar você — e esta bacia, se vocês conseguem vê-la, cheia de água, representa o Senhor Jesus — e eu representar o Espírito de Deus, pegar você e colocá-lo no Senhor Jesus, o que acontece?

    Agora você não está apenas cheio. Mas vou derramar água se o levantar. Estão vendo? Bem, não somos episcopais aqui. Se você tivesse chegado mais cedo, eu poderia tê-lo batizado.

    Agora você está em Cristo; você foi plenificado. Está cheio até toda a plenitude de Deus. Não se trata apenas de ter metade de um vaso cheio, dois terços de um vaso cheio ou um vaso cheio. Você está imerso Nele.

    Agora a plenitude o envolve. Está dentro de você, ao seu redor, sobre você. Você está Nele. Nele, você é plenificado. Entendem? Vocês entendem?

    Esse pode ser eu, e aqui está você. Então colocamos os dois aqui dentro — os dois. Amanhã falaremos sobre isso.

    Agora fazemos a pergunta: o que significa ser plenificado? Significa que Deus colocou você em Cristo, e Nele você é plenificado.

    Por que você e eu não estamos sempre cheios do Senhor? Porque há outras coisas no vaso, e não estamos dispostos a permitir que o Espírito de Deus trate dessas outras coisas.

    Por isso, embora cantemos hinos e venhamos a conferências como esta, temos uma discussão com o Senhor. É preciso tratar dessas coisas.

    Quando Deus pode, pelo Seu Espírito, nos esvaziar e tratar das coisas que estão ocupando o lugar que deveria ser Dele, então Ele pode nos encher.

    Nossos vasos podem vazar. Não importa quantas experiências tenhamos; tudo escoa. Não estamos dispostos a receber a disciplina do Senhor. Não estamos dispostos a permitir a obra do Senhor que nos tornaria vasos capazes de ser cheios até transbordar.

    O Espírito Santo e a plenitude de Cristo

    Isso me leva a outro assunto de importância vital em toda essa questão. Quero falar sobre o Espírito Santo e a plenitude de Cristo.

    A única maneira de experimentar a plenitude de Cristo, de ser cheio até toda a plenitude de Deus, é pelo Espírito Santo. Não existe outra maneira. Permitam-me destacar isso: não existe outra maneira.

    Às vezes, as pessoas vêm até mim e dizem: “Toda essa conversa sobre o Espírito Santo — não preciso disso. Tudo de que preciso é o Senhor Jesus”. Do que estão falando?

    Afinal, qual é o significado de Pentecostes, se não o de que o Espírito Santo veio unir você ao Senhor Jesus e tomar as coisas do Senhor Jesus e torná-las reais em você? Se não o de tomar você e imergi-lo, por assim dizer, na plenitude Dele, conduzindo-o a uma experiência cada vez maior Dele?

    O Espírito Santo é o único guardião da plenitude de Deus. Não existe outro.

    O enchimento do Espírito

    Se examinarmos novamente essas epístolas, encontraremos isso por toda parte. Encontramos, por exemplo, em Efésios 5:18-21:

    E não vos embriagueis com vinho, no qual há devassidão, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e salmodiando de coração ao Senhor; Dando sempre graças por tudo a Deus, o Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

    “Continuem sendo cheios do Espírito Santo.” O que significa ser cheio do Espírito Santo? Significa que você está sendo cheio, em alguma medida, até a plenitude de Deus. Significa que você está sendo cheio da plenitude de Cristo segundo a sua medida atual. É isso que significa ser cheio do Espírito Santo.

    Tomemos outra passagem, 1 Coríntios 2:12:

    Mas nós não recebemos o espírito do mundo, e sim o Espírito que procede de Deus; para que conheçamos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus.

    Não há como você e eu conhecermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus, a não ser por meio do Espírito Santo.

    A oração de Efésios 3

    Ou, novamente, levo vocês à passagem que lemos juntos em Efésios 3. Quero que observem com muito cuidado onde o apóstolo, por inspiração do Espírito Santo, começa, em Efésios 3:16-17. Esta é sua oração por esses queridos irmãos:

    Para que Ele vos conceda, segundo as riquezas da Sua glória, que sejais fortalecidos com poder por meio do Seu Espírito no homem interior; Para que Cristo habite em vossos corações pela fé.

    É aí que ele começa: que vocês sejam fortalecidos com poder por meio do Seu Espírito no homem interior, para que Cristo habite em seus corações pela fé.

    Não há como Cristo habitar em meu coração pela fé, a não ser por meio do Espírito Santo. Não há como o Senhor Jesus habitar em você, manifestar-Se em você, enchê-lo até transbordar, a não ser por meio do Espírito Santo.

    Então ele prossegue dizendo:

    Para que Cristo habite em vossos corações pela fé; a fim de que, estando arraigados e fundamentados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo conhecimento, para que sejais cheios até toda a plenitude de Deus.

    Agora, ouçam:

    Ora, Àquele Que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, segundo o poder que opera em nós.

    Segundo o poder que opera em nós. Portanto, se o Espírito Santo está limitado em minha vida, como Deus poderá fazer infinitamente mais do que tudo quanto peço ou penso?

    Somente quando o Espírito Santo tem livre caminho em minha vida, quando estou cheio do Espírito Santo, é que o Senhor pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto peço ou até mesmo penso, segundo o poder livre, sem impedimentos, que opera em nós.

    O conhecimento de Cristo por meio do Espírito Santo

    Queridos irmãos e irmãs, quando começamos a enxergar essa questão, ela revoluciona todo o nosso pensamento, nossos conceitos, nosso comportamento.

    Falamos de comer Cristo, beber Cristo, viver Cristo, respirar Cristo. Meu querido amigo, o Senhor Jesus está à direita de Deus Pai. Ele está em um lugar definido. Voltará exatamente da mesma maneira como subiu.

    Agora, não estou dizendo que o Senhor Jesus não seja Deus Filho e, portanto, esteja em toda parte ao mesmo tempo, ou que Ele não saiba todas as coisas. Mas o que estou dizendo é isto: a segunda Pessoa da Divindade está em um lugar definido. Ele está à direita de Deus Pai.

    A única maneira de você e eu O conhecermos é por meio da Pessoa do Espírito Santo. Não podemos nascer de novo a não ser por meio da Pessoa do Espírito Santo. Não podemos conhecer o arrependimento e a tristeza segundo Deus a não ser por meio do Espírito Santo. Não podemos ser convencidos do pecado, da justiça e do juízo a não ser por meio do Espírito Santo.

    Não podemos conhecer as coisas de Cristo tornadas reais para nós e em nós a não ser por meio da Pessoa do Espírito Santo. Não podemos ser cheios de Cristo a não ser por meio do Espírito Santo. Não há como você e eu comermos Cristo, a menos que seja pelo Espírito Santo. Não há como você e eu bebermos Cristo, a não ser por meio do Espírito Santo. Não há como você e eu respirarmos Cristo, a não ser por meio do Espírito Santo. Não há como você e eu vivermos Cristo, a não ser por meio do Espírito Santo.

    Vejam, às vezes todos nós desprezamos a teologia. Mas, no fim, precisamos voltar à verdadeira teologia. É verdade que a triunidade é um mistério.

    Lembro-me de um homem, anos atrás, a respeito de quem a senhorita Fischar me contou que os irmãos de certa comunhão na Grã-Bretanha diziam ser como um verme. Depois da visita de determinado irmão, ele me disse como estava contente com aquela visita, como ela o havia ajudado e abençoado. Mas acrescentou: “Sabe, querido irmão, tenho uma pergunta muito séria a respeito do ministério do nosso irmão”.

    “Qual é?”, perguntei — sem concordar de modo algum com ele naquele momento.

    Ele disse: “Quando você fala de comer Cristo, beber Cristo, respirar Cristo e viver Cristo, como pode adorá-Lo?”

    Ele e você se tornaram um de tal maneira — porque falávamos muito sobre a mescla —, como você pode adorá-Lo? O outro aspecto da verdade é que Ele está à direita de Deus, assentado de maneira objetiva. Ele está ali. Então eu O adoro.

    Ah, eu não concordei de modo algum com ele naquele momento, porque sabia que ele era um homem tão espiritual. Guardei tudo aquilo em meu coração e, depois de todos esses anos, concordo inteiramente com isso.

    Isso acontece porque, às vezes, não entendemos realmente a verdadeira teologia. Portanto, a única maneira de eu conhecer o Senhor Jesus é por meio da Pessoa do Espírito Santo.

    O Espírito Santo não é uma “coisa”. Ele não é apenas um agente. Não é algum poder, algum poder impessoal, algum instrumento impessoal. Ele é a Pessoa do Espírito Santo. Ele é Deus Espírito Santo, e o Espírito Santo é Aquele Que veio nos conduzir a uma experiência da plenitude de Cristo.

    O Espírito Santo de Gênesis a Apocalipse

    É por isso que encontramos o Espírito Santo nos últimos versículos da Bíblia, assim como nos primeiros versículos da Bíblia.

    Em Gênesis 1:2, lemos:

    E o Espírito de Deus Se movia sobre a face das águas.

    No hebraico, usa-se aquele termo maravilhoso da águia procurando seu ninho. Ela não encontrava nada, por isso pairava, procurando, como faz uma águia — quase imóvel —, olhando, olhando, buscando, buscando um lar, e não conseguia encontrar um lar.

    Quando chegamos quase aos últimos versículos do último capítulo da Bíblia, em Apocalipse 22:17, lemos:

    E o Espírito e a noiva dizem: Vem.

    O Espírito Santo produziu a noiva.

    Portanto, meus queridos amigos, quando considero toda essa questão, percebo como a Pessoa e a obra do Espírito Santo são de importância vital, como são estratégicas. É essencial compreender a Pessoa e a obra do Espírito Santo se você e eu havemos de ser cheios até a plenitude de Deus.

    Quando os crentes têm medo do Espírito Santo, sem perceber se afastam, se separam do único Que é capaz de conduzi-los à plenitude de Deus.

    A entrada naquilo que já foi concedido

    Meus queridos amigos, espero sinceramente que isso chegue ao coração de vocês. Isso me leva a fazer uma pergunta: existe uma segunda experiência? Alguns a chamam de batismo do Espírito. Eu simplesmente a chamo de unção do Espírito. Existe uma segunda experiência do Espírito Santo?

    Creio que tudo lhe é dado quando você é salvo, mas você precisa entrar naquilo que recebeu. Se não entrar, não será seu.

    Agora, há uma exceção, e é a unção para o serviço. A unção para o serviço é uma segunda experiência, assim como o Senhor Jesus nasceu do Espírito Santo e, quando tinha trinta anos, foi ungido com o Espírito Santo.

    Assim acontece no serviço de Deus: em algum momento posterior, quando Deus tratou conosco e nos levou a determinado ponto, temos uma experiência da unção do Espírito Santo para o serviço.

    Quando o Senhor Jesus subiu à direita de Deus e recebeu a promessa do Pai, vocês se lembram, e derramou o Espírito Santo naquele dia de Pentecostes, isso aconteceu, em certo sentido, uma vez por todas.

    Houve muitos Pentecostes ao longo da história da igreja. Cada grande mover do Espírito Santo foi, em certo sentido, um pequeno Pentecostes. Mas precisamos ter cuidado, porque houve apenas um Pentecostes.

    Naquele momento, o Espírito Santo veio. Ele foi dado porque o Senhor Jesus conquistou o dom, a promessa do Pai, por meio da Sua obra consumada. E foi o Senhor Jesus — vocês entendem o que estou dizendo? —, foi o Senhor Jesus Quem tomou a Pessoa do Espírito Santo e O derramou sobre os cento e vinte.

    Daquele dia em diante, a obra do Espírito Santo, a Pessoa do Espírito Santo, é nossa. Se você é filho de Deus, então o próprio Deus lhe deu esta nova aliança. Ele lhe deu o Espírito Santo e colocou a lei em seu coração.

    Mas agora, tendo dito isso, essa é a teologia. Permitam-me dizer apenas isto: pessoalmente, às vezes gosto desse tipo de demonstração, desse tipo de ilustração, porque ajuda algumas pessoas a compreender. Nem sempre ajuda. Acho que os gregos gostam de tudo aqui em cima, mas nós gostamos desse tipo de coisa porque nos ajuda a entender.

    Agora, meus queridos amigos, não discutam sobre teologia. Se vocês não estão experimentando a plenitude de Deus, há alguma limitação na atuação do Espírito Santo em sua vida.

    Não adianta simplesmente dizer: “Bem, recebi tudo quando me converti. Recebi tudo”. Você precisa que os olhos do seu coração sejam abertos para enxergar o que é seu, para poder entrar, para poder tomar posse.

    O Espírito Santo foi derramado com base na obra consumada do Senhor Jesus. Mas você já entrou naquilo que recebeu?

    A terra prometida como ilustração da tomada de posse

    A melhor maneira de enxergar isso, para mim, é naquela maravilhosa figura da terra prometida no Antigo Testamento.

    Deus disse aos filhos de Israel: “Esta terra é de vocês”, e definiu seus limites. Disse que ela se estendia do Mediterrâneo ao rio Eufrates, e dos montes do Líbano até o rio do Egito. “Tudo isto dou a vocês, cada parte.”

    Então fez esta declaração maravilhosa:

    O Meu Anjo irá adiante de ti e expulsará todos os habitantes.

    Em outro lugar, Ele diz:

    Enviarei vespas adiante de vós.

    Novamente, é o Anjo do Senhor Quem expulsará todos esses povos de diante de vocês.

    Mas havia outras duas questões vitais. Suponham que todo o povo dissesse: “Ah, louvado seja Deus, a terra prometida é nossa. Agora vamos fazer uma conferência”. Assim, quando chegaram à margem oriental do rio Jordão, todos se sentaram e fizeram uma conferência maravilhosa.

    Teriam cantado sobre a terra prometida que é nossa, do Líbano ao rio do Egito, do rio Eufrates ao grande mar — toda nossa. O Senhor enviará o Anjo da Sua presença adiante de nós e expulsará todos os inimigos. Teriam continuado sentados ali até todos morrerem.

    Porque havia outras duas questões vitais. Uma delas era o Príncipe do exército do Senhor.

    O Príncipe do exército do Senhor

    Que encontro extraordinário Josué teve com o Senhor fora das muralhas de Jericó! Josué era um homem de guerra e saiu numa missão de reconhecimento. Foi caminhar ao redor das muralhas e observar tudo com atenção.

    De repente, viu Alguém diante dele, e a primeira coisa que pensou foi: “Quem é este?” Então perguntou: “Quem és Tu? És por nós ou pelos nossos adversários?”

    Aquele respondeu:

    Não; mas como Príncipe do exército do Senhor agora vim. Tira as sandálias dos teus pés.

    Ora, nenhum militar jamais tiraria as sandálias. Isso seria uma coisa muito imprudente de se fazer. Mas o que esse Príncipe do exército do Senhor estava dizendo? Queria dizer que era a favor dos cananeus e não dos filhos de Israel? Ou queria dizer que era a favor dos filhos de Israel e não dos cananeus?

    Não. Ele estava dizendo isto: “Não cabe a você Me colocar sob sua direção. Você está sob a Minha direção”.

    Portanto, não há como tomar posse daquilo que nos pertence a não ser sob a direção do Príncipe do exército do Senhor. Vocês entendem?

    A tomada de posse pela fé obediente

    E aqui está a segunda coisa:

    Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado.

    Agora, não parece que o Senhor contradisse a Si mesmo? Primeiro, Ele nos diz que toda essa terra prometida — dos montes do Líbano ao rio do Egito, do rio Eufrates ao grande mar, o Mediterrâneo — é nossa. O Anjo do Senhor irá adiante de nós e expulsará todos esses inimigos.

    Então, logo depois, Ele diz: “Todo lugar em que vocês colocarem a planta dos pés, esse lhes darei”. Parece contradizer a Si mesmo — mas não contradiz de maneira alguma.

    O que o Senhor está dizendo é isto: toda a terra é de vocês, toda a sua plenitude, tudo o que nela há é de vocês. Eu a dou a vocês com base no sangue do Cordeiro. Ela é de vocês, mas vocês precisam entrar, firmar os pés e dizer: “Isto é meu em nome do Senhor”.

    Se não fizerem isso sob a direção do Príncipe do exército do Senhor, ela não será de vocês. Assim, o Senhor lhes disse: “Muito bem, vocês irão a Jericó. Marcharão ao redor dela uma vez por dia durante seis dias e, no sétimo dia, darão sete voltas”.

    Por que o Senhor fez isso, eu não sei. Isso não fez as muralhas caírem mais depressa. Será que o Senhor precisava que eles passassem uma semana inteira marchando ao redor das muralhas para, de algum modo, acumular poder e derrubar as muralhas de Jericó? Não. Ele poderia ter derrubado as muralhas de Jericó com uma só palavra.

    Mais interessante ainda, Ele disse: “Silêncio”. Silêncio absoluto. Conhecendo o povo do Senhor, eu entendo. Mas, ainda assim, Ele disse: “Silêncio absoluto”. Vocês darão uma volta ao redor das muralhas por dia, em silêncio, durante seis dias, e, no sétimo dia, darão seis voltas em silêncio. Na sétima volta, a determinado sinal, tocarão a trombeta, todos gritarão, e Eu lhes darei a cidade.

    Você pode dizer: “Bem, por que tudo isso? Eles não tinham fé suficiente?” Não, era a direção do Senhor. Você precisa ouvir as instruções do Senhor e obedecer a elas à risca.

    Você não pode simplesmente ser legalista e dizer: “Bem, agora, quando sairmos daqui, já descobrimos a técnica. Podemos publicar alguns livros sobre isso: Como tomar cidades para o Senhor. Durante seis dias, damos uma volta em silêncio; no sétimo dia, damos seis voltas em silêncio; na sétima volta, gritamos e tocamos a trombeta. Podemos fazer isso em qualquer cidade”.

    Não, não podem. Vejam, vocês precisam andar com o Senhor. Precisam do Príncipe do exército do Senhor. Precisam ouvi-Lo. Precisam estar perto o bastante Dele para receber direção. Então tomarão posse de tudo o que lhes pertence.

    A cruz e a remoção dos impedimentos

    Como você é plenificado em Cristo? Toda a plenitude de Deus lhe foi dada: toda bênção, o suprimento de toda necessidade, todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, uma paz que excede o entendimento, a vida de Deus. Tudo isso é seu.

    Todo o suprimento — plenitude de alegria, plenitude de paz, plenitude de poder, plenitude de graça, plenitude de sabedoria —, tudo é seu no Senhor Jesus. Ele conquistou isso para você por meio da Sua obra consumada.

    Mas, meus queridos amigos, a menos que vocês se coloquem sob a direção do Espírito de Deus, a menos que aprendam a ser verdadeira e genuinamente guiados pelo Espírito do Senhor, jamais tomarão posse daquilo que lhes pertence.

    Vocês estarão sempre do lado errado do Jordão. Terão sempre uma experiência do Senhor no deserto. Por mais maravilhosa que a imaginem: uma coluna de nuvem durante o dia e uma coluna de fogo à noite, água saindo da rocha, maná em seis de cada sete dias, sandálias que nunca se gastam, roupas que nunca ficam furadas — todas essas coisas maravilhosas.

    Em certo sentido, vocês não poderiam pedir mais e, no entanto, isso não é a terra prometida. É apenas o deserto. A maioria dos cristãos passa toda a sua vida cristã, nesse período de tempo que lhes é concedido aqui na terra, dando voltas, e voltas, e voltas.

    Portanto, meus queridos amigos, precisamos do Espírito Santo. Isso é seu. Você precisa entrar. Somente Deus pode tocar os olhos do seu coração para que você veja que isso é seu.

    Somente você pode se colocar sob a direção do Príncipe do exército do Senhor e começar a usar a planta dos pés para se firmar naquilo que Deus lhe deu.

    Mas isso me leva, finalmente, a dizer o seguinte: o problema não é apenas que, às vezes, ignoramos a Pessoa e a obra do Espírito Santo. O problema é a terra que está dentro. Às vezes, o problema são os feijões que estão dentro.

    Como o Espírito Santo trata disso? Por meio da cruz, e de nenhuma outra maneira.

    Se você não está disposto a aceitar a obra da cruz em sua vida, então, mais cedo ou mais tarde, a vida do seu ego — o “eu” em você — interromperá toda a obra de Deus em sua vida. Você crescerá em conhecimento. Pode parecer um cristão muito bom, mas sua experiência do Senhor ficará estagnada. Você nunca entrará em nada mais do Senhor.

    Às vezes temos “eus” maus, e pelo menos, quando temos um “eu” mau, clamamos a Deus por libertação. Mas muitos crentes têm “eus” bons, e esse é todo o problema. Vestem esses “eus” de cristãos, colocam linguagem cristã na boca deles, fazem com que pareçam bons, e eles se tornam a pedra de tropeço. Não conseguem entrar.

    Como é impressionante aquela passagem que lemos juntos em 2 Coríntios 4:7:

    Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a extraordinária grandeza do poder seja de Deus, e não de nós mesmos.

    Então ele apresenta uma lista de coisas que muitas pessoas dificilmente considerariam compatíveis com a vida de um filho de Deus: perseguidos, abatidos, perplexos.

    Depois, diz:

    Levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste.

    O Espírito Santo é o único Que pode capacitá-lo a fazer morrer os feitos do corpo. Qualquer outra coisa acaba em religião. Mas o Espírito Santo pode capacitá-lo a fazer morrer os feitos do corpo.

    Somente o Espírito Santo pode revelar a você que, quando Cristo morreu, você morreu; quando Cristo foi sepultado, você foi sepultado; e, quando Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, você foi ressuscitado dentre os mortos.

    Isso talvez não signifique muito para você agora, enquanto digo essas coisas, mas somente o Espírito Santo pode lhe mostrar essa verdade. Quando Ele o fizer, sua vida será revolucionada.

    Exortação final

    Por que não experimentamos essa plenitude de Deus, essa plenitude de Cristo? Porque, muitas vezes, temos medo de qualquer obra real do Espírito Santo.

    Porque, muitas vezes, não queremos que o Senhor toque o “eu” essencial. Queremos que Ele nos torne felizes, tranquilos, alegres, cheios de vida, capazes, poderosos, sábios, sem tocar a vida essencial do ego. Mas isso é impossível.

    Que Deus ajude cada um de nós nesta noite, para que sejamos cheios do Espírito Santo, para que comecemos a conhecer o que é ser cheio até toda a plenitude de Deus, para que comecemos a conhecer o que é, Nele, em Cristo, ser plenificado.

    Vamos orar?

    Oração final

    Senhor, somente Tu conheces a condição de cada um de nós neste lugar, nesta noite. Tu sabes, Senhor, onde há tanto deste mundo, tanto daquilo que é terreno, que nos impede de conhecer qualquer coisa do que significa ser plenificado ou completo no Senhor Jesus.

    Tu sabes, Senhor, onde há questões e discussões Contigo em nossas vidas. Não queremos ser disciplinados. Não queremos nos render. Não queremos realmente que Tu sejas Senhor de cada parte de nossas vidas.

    Mas, ó Senhor, Tu, Que conheces a condição de cada um de nós, para Quem cada vida é um livro aberto, tem misericórdia de nós, ó Senhor. Nesta noite, faze-nos compreender profundamente a nossa condição.

    Senhor, leva-nos a experiências mais profundas Contigo. Onde houver necessidade de um avanço decisivo na obra do Espírito Santo em nossas vidas, leva-nos, Senhor, àquele lugar em que somos cheios do Espírito Santo.

    Senhor, onde houver alguma questão relacionada à vida do nosso ego, e nunca tivermos visto que fomos crucificados com Cristo, ó Senhor, abre nossos olhos para enxergar essa verdade.

    Pelo Teu Espírito, Senhor, de algum modo revela essa verdade e capacita-nos, a partir daquele momento, a entregar nossas vidas por Ti, a abrir mão de nossas vidas, a negar a nós mesmos, a tomar nossa cruz e seguir-Te.

    Ó Senhor, não há nada como estar cheio de Ti. É tão maravilhoso, tão extraordinário. Mesmo em todas as nossas aflições, tensões, pressões e dificuldades, podemos estar cheios de alegria indizível e cheia de glória.

    Ó Senhor, nós nos rendemos a Ti nesta noite, para que não apenas falemos sobre ser plenificados em Ti, mas para que, a partir desta noite, comecemos a experimentar o que isso significa.

    Espírito Santo, vem e realiza a Tua obra especial e específica de tomar as coisas do Senhor Jesus e torná-las reais para nós; de nos tomar e nos conduzir a uma experiência da plenitude Dele.

    Realiza esta obra. Pedimos em nome do nosso Senhor Jesus. Amém.