Por favor, abram em 1 Coríntios 14:40.
1 Coríntios 14:40:
Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.
Faça-se tudo decentemente […] e com ordem.
Ou, como dizem algumas versões: de maneira apropriada, conveniente, harmoniosa.
Vamos orar?
Amado Senhor, enquanto permanecemos em Tua presença, nós nos prostramos diante de Ti, abrindo nosso coração, todo o nosso ser, para Ti e para a Tua Palavra. Que a Tua Palavra penetre nas profundezas do nosso ser, realizando essa obra de nos transformar e nos conformar à Tua própria imagem.
Senhor, confiamos em Teu Espírito Santo para realizar essa obra que somente Ele pode fazer. Pedimos em Teu precioso nome. Amém.
Temos considerado juntos esta primeira carta aos coríntios. Basicamente, esta carta se concentra em uma coisa: somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
É nessa comunhão que estamos hoje. Todos nós fomos chamados pela graça de Deus, por meio da obra consumada de Cristo. Fomos chamados àquela comunhão que nosso Senhor Jesus tinha com Seu Pai, e essa comunhão foi estendida a nós, para que hoje possamos desfrutá-la — compartilhando com Deus, compartilhando com Cristo e compartilhando uns com os outros. Que privilégio!
Quando vocês leem 1 Coríntios, descobrem que aquela igreja estava cheia de problemas. Basicamente, todos esses problemas se deviam ao fato de que eles não sabiam realmente o que era a comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. Ou, dizendo de outra maneira, todos esses eram problemas relacionados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo.
Já mencionamos alguns deles: divisão, corrupção moral e uma conduta social que não estava de acordo com Deus. Embora esses crentes de Corinto tivessem sido salvos — como diz a Bíblia, santificados e justificados —, vemos que, de alguma forma, eles não viviam à altura dessa comunhão.
Muitas vezes, vemos que eles voltavam aos seus antigos caminhos, vivendo por sua própria vida natural. Por causa disso, todos esses problemas surgiram. Eles haviam deixado de desfrutar a comunhão.
Agora, nesta manhã, gostaríamos de começar pelos capítulos 11 a 16 de 1 Coríntios, porque nesses capítulos encontramos um assunto em comum: a vida da igreja, a vida da assembleia, a vida do corpo.
Somos chamados à comunhão do Filho de Deus, Jesus Cristo. O que é isso? Vocês se lembram de que, quando nosso Senhor Jesus estava na terra, tendo em vista o Calvário, Ele disse aos Seus discípulos:
Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
Agora, sabemos que a palavra igreja, no grego original, é ekklesia, e ekklesia significa aqueles que foram chamados para fora e reunidos. Assim, vocês percebem que a vida da igreja é uma vida de pessoas reunidas.
Em Hebreus 10:25, somos exortados a não deixar de nos reunir, especialmente ao vermos que o Dia se aproxima.
Portanto, vemos que, em nosso chamado, a vida da igreja, a vida da assembleia e a vida do corpo ocupam uma parte muito importante.
Já mencionamos que a vida é multidimensional. Em outras palavras, vivemos em muitas áreas diferentes. Há a vida pessoal que vivemos. Há a vida familiar que vivemos. Há a vida social que vivemos. E nós, como crentes, temos uma vida de igreja, uma vida de assembleia, uma vida como corpo de Cristo para viver.
Na verdade, essa é a área mais importante. Por quê? Porque, quando vocês olham para o propósito eterno de Deus, o que Ele busca? Ele busca um corpo. Ele busca um corpo coletivo, corporativo. Ele busca uma noiva. Trata-se de uma realidade coletiva.
Assim, vocês veem que os crentes de Corinto, depois de crerem no Senhor Jesus, realmente se reuniam. Mas o problema era que, ao se reunirem, surgiam muitas dificuldades.
Se vocês lerem esses últimos seis capítulos, verão que, em sua carta, eles fizeram algumas perguntas ao apóstolo Paulo. Por exemplo, em 1 Coríntios 12:1, perguntaram a Paulo sobre as coisas espirituais — como ser verdadeiramente espirituais e como exercer seus dons espirituais. Depois, em 1 Coríntios 16, perguntaram a Paulo sobre a questão da coleta: como os crentes devem contribuir?
Essas são questões relacionadas à vida da igreja, à vida da assembleia e à vida do corpo. Paulo reconhecia a importância da vida da igreja. Por isso, em vez de apenas responder às duas perguntas, ele ampliou sua resposta e incluiu questões que eles não haviam levantado. Para Paulo, essas eram questões muito importantes — coisas que precisavam ser ajustadas.
Portanto, de modo geral, vocês veem que os últimos seis capítulos de 1 Coríntios são dedicados a essa área da vida da igreja, da vida da assembleia e da vida do corpo.
Antes de entrarmos nesse assunto, podemos encontrar algum princípio orientador, algum princípio que governe essa questão da vida da igreja?
Creio que aquilo que lemos no início deste encontro provavelmente seja esse princípio: que tudo seja feito decentemente e com ordem.
Em outras palavras, a vida da igreja é a expressão da vida de Cristo. Podemos expressar a vida de Cristo pessoalmente. Devemos expressar a vida de Cristo em nossa vida familiar. Devemos permitir que a vida de Cristo governe nossa vida social. E, acima de tudo, a vida da igreja nada mais é do que a expressão coletiva da vida de Cristo.
Ou, dizendo de outra maneira, é a vida de Cristo expressa e manifestada entre aqueles que são Seus. A vida da igreja é a vida de Cristo em sua expressão coletiva.
Quando vocês olham para a vida de Cristo, qual é o princípio que a governa? Vocês se lembram de João 1:14:
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós […] cheio de graça e de verdade.
Em outras palavras, Sua vida é cheia de graça e de verdade. Sua vida é tão cheia de graça, tão bela, tão harmoniosa, tão maravilhosa. Sua vida era tão verdadeira, tão ordenada. Não há confusão. Não há mistura. É pura. É limpa. É celestial. É espiritual.
Essa é a vida de Cristo que vemos vivida em Sua pessoa. E agora, a mesma vida que está em vocês e em mim, em nós juntos, deve ser vivida da mesma maneira.
Portanto, o princípio que governa a vida da igreja é a decência e a ordem, com plenitude de graça e de verdade. É a expressão do próprio Cristo. Deus não é um Deus de desordem; Ele é um Deus de ordem. Nosso Deus é um Deus de beleza. Tudo é tão harmonioso — nada misturado, nada confuso. É assim que deve ser a vida da igreja.
Paulo, reconhecendo a importância da vida da igreja, utilizou seis capítulos para instruir os crentes de Corinto.
Se vocês começarem por 1 Coríntios 11, verão que a primeira questão é a cobertura da cabeça. Há uma ordem divina: Deus é o cabeça de Cristo, Cristo é o cabeça de todo homem, e o homem é o cabeça da mulher. Há uma ordem divina.
Depois, ao continuarem a leitura, encontrarão a questão do partir do pão. Em seguida, chegarão à questão dos dons espirituais e, depois, à maneira como os dons espirituais devem ser exercidos em uma reunião. Então, vem a questão da coleta: como os crentes devem contribuir? Depois disso, temos a questão da obediência e da submissão.
Todas essas questões estão relacionadas à vida da igreja. Nesta manhã, gostaríamos de compartilhar juntos sobre essa questão do partir do pão.
Agora, vocês sabem, o partir do pão é uma expressão muito importante da vida coletiva. Quando vocês leem o livro de Atos, o Espírito Santo descreve a vida da igreja que aquelas pessoas começaram a viver.
No início, havia 120 crentes. Depois, no dia de Pentecostes, 3.000 se juntaram a eles. Mais tarde, vocês veem que houve crescimento, crescimento e mais crescimento. Como eles viviam juntos? Que tipo de vida de igreja tinham? Como se reuniam? Como o corpo de Cristo exercia suas funções?
Se vocês quiserem encontrar isso em uma frase simples, está em Atos 2:42:
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Isso abrange toda a sua vida de comunhão. Eles continuavam; perseveravam na doutrina e na comunhão dos apóstolos.
Agora, todos sabemos que os apóstolos não tinham seus próprios ensinamentos. O ensino dos apóstolos é um só: é o ensino de Cristo. Eles nunca ensinaram nada que não tivessem recebido do Senhor. O que viram, ouviram e aprenderam do Senhor, transmitiram a nós.
Paulo não tinha seu próprio ensino. Pedro não tinha seu próprio ensino. Tiago não tinha seu próprio ensino. É verdade que, quando ensinavam, pareciam dar ênfases diferentes, abordando áreas diferentes. Mas tudo o que ensinavam era o que haviam recebido do Senhor. É o ensino do Senhor Jesus.
Depois, há a comunhão dos apóstolos. Os apóstolos não tinham suas próprias comunhões. Quando os crentes de Corinto tentaram criar uma comunhão paulina, Paulo disse: “Quem sou eu?”
Fui eu crucificado por vós?
Fostes batizados em meu nome?
Não existe uma comunhão paulina, não existe uma comunhão petrina, não existe uma comunhão de Apolo. Embora houvesse muitos apóstolos, havia uma só comunhão.
Como encontramos em 1 João 1:3, o apóstolo João disse:
A nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo.
E ele transmitiu essa comunhão a outros, para que também tivessem comunhão com eles. Em outras palavras, há somente uma comunhão: a comunhão no Senhor Jesus Cristo.
Como eles expressavam sua perseverança na doutrina e na comunhão dos apóstolos? Especialmente em duas coisas: no partir do pão e na oração.
Portanto, irmãos e irmãs, vocês veem como o partir do pão é importante. Vocês veem como a oração é importante. Não se trata de oração particular ou pessoal; trata-se de oração coletiva. A igreja se reúne para partir o pão. A igreja se reúne para orar.
Você não pode partir o pão sozinho. É preciso haver pelo menos duas pessoas, porque se trata de algo coletivo.
Na igreja primitiva, como eles enfatizavam essa questão do partir do pão! Na verdade, vocês encontram em Atos 2 que eles partiam o pão todos os dias, de casa em casa.
Por quê? Porque essa é a expressão mais nobre e mais plena da vida da igreja. Ao longo da história da igreja, essa prática continuou. Embora mais tarde tenha se tornado uma tradição e perdido seu verdadeiro significado, ainda assim é algo que permanece até hoje.
Isso porque, na noite em que foi traído, antes de Sua crucificação, nosso Senhor Jesus reuniu Seus discípulos naquele cenáculo.
Eles comeram a refeição da Páscoa. Durante aquela ceia, nosso Senhor Jesus tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e o deu aos Seus discípulos, dizendo:
Isto é o Meu corpo.
Fazei isto em memória de Mim.
Depois da ceia, Ele tomou o cálice, abençoou-o e o deu aos Seus discípulos, dizendo:
Este cálice é a nova aliança no Meu sangue.
Fazei isto em memória de Mim.
Desde aquela noite, a igreja, em vez de celebrar a Páscoa, tem celebrado o partir do pão.
Não é um ritual. Não é uma tradição. É algo real, vivo, espiritual, celestial.
Agora, os crentes de Corinto realmente se reuniam para partir o pão. Mas o que Paulo disse?
Nisto não vos louvo.
Por quê? Porque, quando se reuniam, não era para melhor, mas para pior.
Vocês podem se reunir para pior, em vez de para melhor? Por quê? Porque Paulo disse:
Ouço que há divisões entre vós.
Há facções entre vós.
Facções significam simplesmente diferentes correntes de opinião.
Em outras palavras, o partir do pão é um símbolo de unidade. Mas eles se reuniam com divisões, com opiniões diferentes, com corações diferentes. Não eram verdadeiramente um. Assim, quando se reuniam, não era para melhor; era para pior.
O partir do pão aconteceu na Última Ceia. Nos primeiros tempos, a igreja combinava essas duas coisas: a refeição e o partir do pão. Em Atos 2, eles partiam o pão em cada refeição, e, mais tarde, vocês veem que essa prática era observada no Dia do Senhor. Ainda assim, mantinham essas duas coisas juntas.
Os crentes de Corinto, por causa de suas divisões e de suas opiniões diferentes, não eram um em espírito. Isso se expressava até mesmo na maneira como comiam. Os ricos tinham uma refeição farta diante dos irmãos e irmãs, enquanto os pobres não tinham nada para comer e passavam fome. Alguns estavam embriagados, enquanto outros estavam famintos.
Paulo disse:
Vos reunis não para melhor, e sim para pior.
Mais tarde, essas duas coisas foram separadas. A festa de amor e o partir do pão se tornaram duas coisas distintas, em vez de serem observadas juntas.
Os crentes de Corinto ainda mantinham a tradição, mas a mantinham de maneira errada. Isso é sério. Por quê? Porque Paulo disse que havia muitos fracos, e até alguns que haviam morrido. Em outras palavras, de alguma forma, o juízo de Deus estava sobre eles.
Portanto, irmãos e irmãs, o importante é que precisamos saber o que o partir do pão realmente é, para que não o tratemos levianamente e comamos e bebamos juízo para nós mesmos. Por outro lado, precisamos saber o que fazer quando nos reunimos para partir o pão.
Ao lerem 1 Coríntios 11:17-33, vocês perceberão que Paulo estava tentando lhes dizer que haviam tornado o partir do pão mais elaborado do que ele realmente é.
Nós, seres humanos, temos a tendência de complicar as coisas simples. A verdade de Deus é muito simples. Há a simplicidade que está em Cristo, e o inimigo tenta nos seduzir para que nos afastemos dela.
Se vocês olharem para o chamado partir do pão hoje — quer o chamem de missa, sacramento ou Santa Comunhão —, verão que se tornou algo muito elaborado, com muitos rituais e muitas regras, em vez de ser a expressão da vida de Cristo: livre, mas ordenada e bela.
Paulo está tentando lhes dizer o que o partir do pão realmente é. É muito simples. Tudo o que nos foi ordenado ter é um pão e um cálice. Precisamos saber o que o pão representa e o que o cálice representa. Precisamos saber o que estamos fazendo.
Nosso Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou aquele pão, abençoou-o, partiu-o, entregou-o a nós e disse:
Isto é o Meu corpo, partido por vós.
Fazei isto em memória de Mim.
Ao longo da história da igreja, houve muitas teorias a respeito desse pão. Alguns consideram esse pão o corpo literal de Cristo. Dizem que, depois que o sacerdote o abençoa, esse pão feito de farinha se torna o corpo literal de Cristo, e sacrificam o corpo de Cristo mais uma vez, crucificando-O repetidas vezes.
Outros o consideram meramente um símbolo. É um pão, nada mais que um pão. Apenas representa o corpo de Cristo, não é o corpo real de Cristo. Assim, quando você toma um pedaço, não precisa levar isso tão a sério. É apenas um pão; só isso.
Irmãos e irmãs, o que é isso? O que é realmente? O Senhor disse:
Isto é o Meu corpo.
Vocês entendem isso literalmente ou simbolicamente? Como vocês entendem?
Lembrem-se: esse partir do pão é algo espiritual. Por ser espiritual, vocês não podem olhar para ele nem de maneira literal nem de maneira simbólica. Precisam olhar para ele espiritualmente.
Em outras palavras, o pão continua sendo pão, mas, em nosso espírito, nós nos lembramos Dele — de Seu corpo partido por nós. Precisamos recebê-lo espiritualmente.
Quando vocês olham para esse pão e se lembram de como esse corpo santo de nosso Senhor Jesus viveu trinta e três anos e meio em tamanha santidade — santificado, separado, inteiramente para Deus —, sem jamais ter pecado, sem sequer conhecer o pecado, agradando ao Seu Pai naquele corpo; e então aquele corpo puro foi partido por nós — que amor está por trás disso!
Vocês conseguem tomar esse pão sem que o coração se derreta diante de Seu amor? Recebam-no espiritualmente. Ele significa muito, muito mais do que apenas um pedaço de pão.
Não se trata apenas de uma lembrança. Vocês se lembram daquilo que viram, ouviram e experimentaram no passado. Não podem se lembrar de algo que nunca experimentaram.
É por isso que somente aqueles que são verdadeiramente remidos pelo Senhor podem participar desse pão e desse cálice, porque se trata de uma lembrança. Se você não tem a experiência de como Cristo morreu por você, pelos seus pecados, e de ter sido salvo e remido — se não O conhece como seu Salvador e Senhor —, como pode se lembrar? Você não tem nada de que se lembrar.
Portanto, para se lembrar, você precisa realmente conhecê-Lo e saber que Seu corpo foi partido por você.
E não é só isso. Em 1 Coríntios 11:26, lemos:
Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.
Lembrar é olhar para trás. Vocês têm algo de que se lembrar. Olham para o momento em que o Senhor abriu seus olhos e vocês viram como Ele, o Justo, morreu pelos seus pecados. Vocês se lembram.
Mas não apenas nos lembramos. Quando nos reunimos para partir o pão e beber o cálice, proclamamos a morte de Cristo. Tornamos visível a morte do Senhor.
Quando vocês olham para a mesa, veem o pão de um lado e o cálice do outro. O que isso significa? Significa que, quando o sangue é separado do corpo, há morte.
Assim, vocês apresentam, diante do mundo e até diante do mundo invisível, a morte do Senhor. Esse é o nosso testemunho. Estamos aqui hoje por causa da morte do Senhor. Proclamamos o que a morte do Senhor realizou.
Esse é o nosso testemunho ao mundo, e até ao mundo invisível — aos anjos e até aos demônios. Toda vez que nos reunimos para nos lembrar do Senhor, proclamamos. Esse é o nosso testemunho.
Somos o que somos hoje, e nos reunimos hoje, por causa daquilo que a morte do Senhor realizou por nós. Não temos vergonha de declarar isso. Que o mundo inteiro saiba que nosso Senhor Jesus morreu por nós.
Além disso, Ele disse:
Até que Ele venha.
Isso é olhar para o futuro.
Estamos aqui, partindo este pão e bebendo este cálice, para nos lembrar do que o Senhor fez por nós e para proclamar Sua obra consumada ao mundo inteiro. Além disso, estamos aqui para partir o pão até o dia em que Ele vier.
Nosso Senhor Jesus disse aos Seus discípulos naquela noite:
Não beberei mais deste fruto da videira, até o reino.
Portanto, irmãos e irmãs, há algo que aguardamos com expectativa. Aguardamos a Sua volta.
Ele ressuscitou. Ele ascendeu. Ele está à direita de Seu Pai e voltará para nos receber. Teremos esta Ceia do Senhor até que Ele venha, e então teremos a ceia das bodas do Cordeiro. Pensem nisso. É isso que a Ceia do Senhor realmente significa.
E, além disso, se vocês voltarem a 1 Coríntios 10:16-22, encontrarão ali algo diferente.
Em 1 Coríntios 11, o partir do pão é chamado de Ceia do Senhor, porque a ceia é o momento em que toda a família se reúne. Mas, quando vocês vão a 1 Coríntios 10, veem que ele é chamado de mesa do Senhor.
O que uma mesa representa? Toda vez que a Bíblia fala de uma mesa, isso significa comunhão — compartilhar juntos. Isso é a mesa. Por isso, ela diz: “a mesa do Senhor”.
Vocês verão que até a ordem é diferente. Em 1 Coríntios 11, nosso Senhor Jesus é Quem abençoou o pão e abençoou o cálice. Mas, quando vocês chegam a 1 Coríntios 10, nós abençoamos o cálice e nós abençoamos o pão.
Em 1 Coríntios 11, o pão vem primeiro, e o cálice vem depois. Em 1 Coríntios 10, o cálice vem primeiro, e o pão vem depois. Vocês percebem a distinção? Fala-se da mesma coisa, mas de um ângulo diferente.
Em 1 Coríntios 11, é o Senhor Quem nos dá isso. Em 1 Coríntios 10, somos nós que respondemos a Ele. Quanto à nossa experiência, o sangue vem antes do pão. Quanto ao propósito de Deus, o pão vem antes do sangue, porque, se não há corpo, onde está o sangue?
Em nossa experiência, experimentamos primeiro Seu sangue — a obra de redenção, de expiação —, e depois experimentamos Sua vida. É por isso que, em 1 Coríntios 10, vocês encontram a expressão “mesa do Senhor”.
O cálice da bênção que abençoamos […]
Ele é a comunhão do sangue de Cristo. Comunhão significa participação, compartilhar juntos. A ênfase aqui está na comunhão: compartilhar juntos, experimentar.
Irmãos e irmãs, toda vez que vocês bebem o cálice, participam dessa comunhão com Cristo. É como se experimentassem mais uma vez a maravilhosa purificação e o perdão dos seus pecados. Isso os renova, os revigora e os capacita a prosseguir em sua peregrinação.
Toda vez que vocês vêm à mesa do Senhor, ela os fortalece. É real. É viva.
E, quando vocês tomam aquele pão, experimentam mais uma vez o suprimento, o abundante suprimento de Sua vida. A partir daí, podem viver por Sua vida. Têm força para prosseguir em sua peregrinação.
Irmãos e irmãs, há uma experiência espiritual acontecendo. Não é um ritual. Não é algo que vocês possam tratar levianamente. Algo real, espiritual e vivo está acontecendo. Vocês realmente recebem esse benefício?
Ah, irmãos e irmãs, se ao menos pudermos partir o pão como Deus ordenou, que diferença isso fará para nós!
Agora, por causa disso, somos exortados a não vir de maneira indigna.
Dizemos que o Senhor é digno. O que isso significa? Se vocês dizem que o Senhor é digno, vêm a Ele de maneira digna — condizente com Sua dignidade?
Se o presidente dos Estados Unidos convidasse você para jantar, como você iria? Você se prepararia para essa ocasião? Tomaria banho, vestiria suas melhores roupas e se comportaria da melhor maneira possível?
Por quê? Porque ele é o presidente. É um homem digno, e você só pode se apresentar diante dele de maneira digna. Não pode ir inadequadamente vestido. Não pode ir nu.
Essa é uma comparação um tanto caricata, não é? Os coríntios iam à mesa do Senhor de maneira indigna — indigna do Senhor, totalmente indigna.
Ah, é melhor levarmos isso a sério, irmãos e irmãs. Isso é muito real. Quando pensamos na maneira como nos aproximamos da mesa do Senhor, vemos como isso entristece o coração de nosso Senhor.
Em alguns lugares, sempre que celebram a Ceia, há um momento especial para as pessoas se reunirem e se prepararem. Agora, não estou defendendo isso, porque deveríamos estar prontos a cada momento, a qualquer momento. Mas, irmãos e irmãs, nós nos aproximamos preparados?
Se o presidente dos Estados Unidos convidasse você para jantar às oito horas, você chegaria às nove? Isso seria uma maneira digna de se apresentar?
Em certo sentido, nunca somos dignos. Somos como Mefibosete, o inimigo de Davi. Davi, no amor de Deus e por causa de sua aliança com Jônatas, recebeu Mefibosete, seu inimigo, como seu próprio filho.
Quando Mefibosete estava à mesa de Davi, debaixo da mesa estavam suas pernas aleijadas. É isso que somos.
Quando nos aproximamos da mesa do Senhor, graças a Deus, somos tratados como filhos e filhas. Estamos participando de uma festa de amor com o próprio Senhor Jesus. Ele nos convida a beber Dele e a comer Dele. Mas, debaixo da mesa, continuam estando as pernas aleijadas.
Somos pecadores salvos pela graça. Irmãos e irmãs, nunca somos dignos, mas, graças a Deus, Ele nos torna dignos. Tudo é graça. Mas não devemos, por causa disso, abusar dessa graça. Ainda precisamos nos aproximar de maneira digna.
Aqui, em 1 Coríntios 11:27-29, vocês encontram o que significa uma maneira digna:
Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor de maneira indigna será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice.
Pois quem come e bebe, sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.
Em primeiro lugar, aproximar-se de maneira digna é discernir o corpo. Em outras palavras, você sabe o que está fazendo. Sabe o que esse corpo representa.
Você não está simplesmente vindo a uma refeição comum. Está vindo à mesa do Senhor. Está vindo à Ceia do Senhor. Ele o convida a vir. A primeira coisa que você precisa fazer é discernir o corpo.
O que isso significa? Já dissemos que esse pão representa o corpo de duas maneiras.
Antes de ser partido, ele representa o corpo pessoal de Cristo — aquele corpo que Ele assumiu em Sua encarnação. O Verbo se fez carne. Naquele corpo, Ele viveu trinta e três anos e meio.
Sempre que você vier à mesa do Senhor, discirna o corpo. Este é o corpo de Cristo. Não é algo comum. Espiritualmente, você precisa discernir isso.
Isso lhe dará um senso de seriedade. Você não pode vir levianamente quando pensa que ele representa o corpo de Cristo.
Em segundo lugar: depois que o pão é partido, você toma um pedaço e eu tomo um pedaço. Então, vocês percebem que o pão que estava sobre a mesa já não está ali. Ele desapareceu.
Mas ele não desapareceu. Reapareceu entre todos aqueles que tomaram um pedaço. Em outras palavras, esse corpo representa a igreja.
Assim, em 1 Coríntios 10:17, está escrito:
Nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo.
Quando Deus olha do céu, Ele vê esse único corpo em nós, esse único pão em nós. Somos muitos, mas somos um. Esse é o corpo.
É por isso que, sempre que vocês partem o pão, precisam se lembrar disto: esse pão representa o corpo de Cristo, pessoal e coletivamente.
Esse pão não representa apenas o corpo de Cristo pessoalmente, mas também coletivamente. Não representa somente os poucos de nós que estão aqui. Sempre que partimos o pão, não estamos apenas em comunhão com Cristo, porque é Seu corpo; também estamos em comunhão com todos os crentes do mundo.
Eles podem não estar aqui, mas nossa comunhão os inclui. Esse pão nunca é exclusivo. Ele inclui todos. Isso amplia nosso coração.
Em segundo lugar: examine a si mesmo. O que isso significa? Significa examinar-se, sondar-se, colocar-se à luz da Palavra de Deus.
Quando você vem tomar o pão e o cálice, há alguma coisa, alguma pendência, entre você e o Senhor que ainda não foi resolvida? Você sabe se há.
Há algum ódio, alguma inimizade, entre você e algum irmão ou irmã? Antes de vir à mesa do Senhor, todas essas coisas precisam ser resolvidas, antes que você tome o pão e o cálice.
Examine a si mesmo. É por isso que precisamos vir preparados, e não de qualquer maneira.
Lembro-me de uma história — uma história verdadeira. Um homem matou o pai de outro homem, e esse filho decidiu que vingaria seu pai.
Depois de alguns anos, esse homem foi salvo. Ele viajou para um lugar onde havia uma reunião dos santos. Assim, no Dia do Senhor, foi até lá para participar da mesa do Senhor.
Ele entrou, sentou-se, olhou ao redor e viu seu inimigo sentado ali — aquele que havia decidido matar.
Ele travou uma luta interior. Encontrara seu inimigo. Ainda queria matá-lo. Então, levantou-se e saiu. Não sabia o que fazer.
Agora, esse homem era um irmão no Senhor. “Ainda quero matá-lo. Esse é o meu voto. O que devo fazer? Não posso partir o pão com ele.” Então, saiu.
Ele orou ao Senhor: “O que devo fazer?” Não podia voltar com um espírito que se recusava a perdoar e partir o pão com seu inimigo.
Então, lembrou-se de como havia sido inimigo de Deus, e Deus o havia perdoado. Assim, em seu coração, perdoou aquele homem. Voltou, sentou-se e partiu o pão com aquele irmão.
Irmãos e irmãs, é isso. Como vocês podem partir o pão se ainda têm um espírito que se recusa a perdoar seu irmão ou sua irmã? Como podem partir o pão se há algo não resolvido entre vocês e o Senhor? Não podem vir com uma consciência má.
Examinem a si mesmos. Então, seu partir do pão será realmente significativo, poderoso, renovador e edificante.
E então, em terceiro lugar, em Deuteronômio 16:16, os filhos de Israel receberam a ordem de ir a Jerusalém para as festas três vezes por ano: a Páscoa, o Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos.
Deus disse que, sempre que fossem a uma festa, não deveriam ir de mãos vazias.
Se vocês abrirem em Deuteronômio 26, verão que ali se ordena trazer os primeiros frutos da produção, colocá-los em um cesto e levá-los ao Senhor. Deviam colocar aquele cesto junto ao altar.
Em outras palavras, quando nos aproximamos da mesa do Senhor, podemos vir de mãos vazias? Não. Devemos vir com nosso cesto cheio.
Mas, se não cultivarmos a terra durante esse período, não teremos nada para oferecer. Isso retrata nossa vida diária — como precisamos cultivar nossa vida com o Senhor.
Em nossa vida diária, experimentamos Sua misericórdia. Experimentamos Seu perdão. Experimentamos Seu amor. Experimentamos Sua longanimidade. Experimentamos Sua fidelidade. Experimentamos Seu suprimento, Sua proteção e Seu cuidado.
Irmãos e irmãs, se vivermos com Ele ao longo da semana, nosso cesto estará cheio. Não podemos vir de mãos vazias. Precisamos oferecer a Ele o sacrifício de louvor.
Isso não é uma lei, uma regra ou legalismo. Mas, irmãos e irmãs, talvez vocês tenham participado da mesa do Senhor por anos e nunca tenham aberto a boca para dizer: “Obrigado, Senhor”. Vocês podem agir assim? Essa é uma maneira digna de participar?
Por que vocês se retraem? É porque não têm nada para oferecer? Ou é porque não conseguem orar de maneira tão bela ou tão lógica quanto alguns irmãos e irmãs?
O que agrada ao Senhor é o coração — basta uma palavra. Não se escondam atrás de hinos e cânticos para substituir sua própria expressão de gratidão. Tenham sua oferta pessoal ao Senhor.
O partir do pão deve ser um momento em que o Senhor seja tão honrado, tão adorado e tão louvado que, ao olhar para nós, como diz Isaías, Seu coração fique satisfeito.
Irmãos e irmãs, pergunto-me quão satisfeito está o coração de nosso Senhor à Sua mesa. Estamos nos reunindo para pior? Ou estamos nos reunindo para melhor?
Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Falo a mim mesmo e quero compartilhar isso com vocês, irmãos e irmãs.
O partir do pão é o momento mais santo da vida da igreja.
Nunca deixem de participar. É tão importante. É a nossa própria vida.
Quanto mais vocês o conhecem, mais percebem o quanto ele significa — não apenas para vocês, mas para o seu Senhor.
Que Deus nos abençoe.
Amado Senhor, fala ao nosso coração. Atrai-nos, para que corramos após Ti, porque Tu és digno. Amém.