Abram comigo no Evangelho de Marcos, no capítulo 13 — o capítulo 13 do Evangelho de Marcos. Vou ler a partir de Marcos 13:3.
E, estando Jesus assentado no monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, Tiago, João e André perguntaram-Lhe em particular: “Dize-nos: quando serão essas coisas? E que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir?”
E Jesus começou a dizer-lhes: “Acautelai-vos, para que ninguém vos engane. Muitos virão em Meu nome, dizendo: ‘Eu sou’; e enganarão a muitos. E, quando ouvirdes falar de guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis: é necessário que essas coisas aconteçam; mas ainda não é o fim.
“Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino; haverá terremotos em diversos lugares; haverá fomes. Essas coisas são o princípio das dores de parto.
“Mas olhai por vós mesmos: porque vos entregarão aos tribunais; sereis açoitados nas sinagogas; e comparecereis perante governadores e reis por Minha causa, para lhes servir de testemunho. E é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.
“E, quando vos levarem a julgamento e vos entregarem, não vos preocupeis antecipadamente com o que haveis de dizer: mas o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai, o filho; e os filhos se levantarão contra os pais e os farão morrer. E sereis odiados por todos por causa do Meu nome: mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.”
“Mas, quando virdes a abominação da desolação posta onde não deve estar — quem lê, entenda —, então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; e o que estiver sobre o terraço não desça, nem entre para tirar coisa alguma de sua casa; e o que estiver no campo não volte atrás para buscar sua capa.
“Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! E orai para que isso não aconteça no inverno. Porque aqueles dias serão de tribulação, tal como nunca houve desde o princípio da criação que Deus criou até agora, nem jamais haverá. E, se o Senhor não tivesse abreviado aqueles dias, nenhuma carne teria sido salva: mas, por causa dos eleitos, a quem Ele escolheu, abreviou os dias.
“E então, se alguém vos disser: ‘Eis aqui o Cristo’; ou: ‘Ei-Lo ali’; não acrediteis: porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganar, se possível, os eleitos. Mas acautelai-vos: eis que de antemão vos tenho dito todas as coisas.”
“Mas, naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz; e as estrelas cairão do céu, e os poderes que estão nos céus serão abalados. E então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens, com grande poder e glória. E então Ele enviará os anjos e reunirá os Seus eleitos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.
“Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: quando o seu ramo já se torna tenro e brotam as folhas, sabeis que o verão está próximo; assim também vós, quando virdes essas coisas acontecerem, sabei que Ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que esta geração não passará até que todas essas coisas se cumpram. O céu e a terra passarão: mas as Minhas palavras não passarão.”
“Mas daquele dia ou daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Acautelai-vos, vigiai e orai: porque não sabeis quando será o tempo.
“É como um homem que, ausentando-se do país, deixou a sua casa e deu autoridade aos seus servos, a cada um a sua tarefa, e ordenou também ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto: porque não sabeis quando vem o senhor da casa, se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo. E o que vos digo, digo a todos: Vigiai.”
Agora, abram no livro de Apocalipse — no capítulo 19 de Apocalipse, a partir de Apocalipse 19:6.
E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como a voz de muitas águas, e como a voz de poderosos trovões, dizendo: “Aleluia: porque reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso. Alegremo-nos, exultemos e demos-Lhe a glória: porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e Sua esposa já se preparou.”
E foi-lhe concedido que se vestisse de linho fino, resplandecente e puro: porque o linho fino são os atos de justiça dos santos.
E ele me disse: “Escreve: Bem-aventurados aqueles que são convidados à ceia das bodas do Cordeiro.” E disse-me: “Estas são verdadeiras palavras de Deus.”
E prostrei-me aos seus pés para adorá-lo. E ele me disse: “Não faças isso: sou conservo teu e de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.”
Vamos orar juntos? Vamos todos nos apegar de verdade ao Senhor, juntos, para este momento.
Pai celestial, queremos nos reunir para Te agradecer por Tua presença em nosso meio. Queremos Te agradecer por estes dias que passamos juntos, Senhor, e por toda a Tua graciosa visitação entre nós.
Mas, Senhor, agora, para este momento específico desta noite, queremos juntos nos apropriar de tudo o que Tu nos preparaste. Senhor, não podemos ficar entregues aos nossos próprios recursos. Precisamos de Ti, Senhor.
E precisamos daquela capacitação divina que Tu, por meio da obra consumada do Senhor Jesus, disponibilizaste a mim para falar e a todos nós para ouvir. Ajuda-nos, Senhor, neste momento, nós Te pedimos.
Pedimos, Senhor: livra este momento de toda futilidade; livra-o de toda vaidade; livra-o de todo peso, de toda cegueira ou de qualquer coisa que possa frustrar o Teu propósito para estes dias.
Ó Pai celestial, Tu sabes que Te amamos. Com todas as nossas fraquezas e falhas, nós Te amamos. É por isso que estamos aqui, Senhor.
E queremos, Senhor, estar entre aqueles que seguem no cortejo do Teu triunfo nos dias que estão à nossa frente. Queremos participar, Senhor, daquilo que o Teu Espírito Santo está procurando fazer nestas últimas fases da história humana.
Ó Pai celestial, envolve-nos ainda nesta noite pelo Teu Espírito — em visão, em entendimento e em um avivamento e uma renovação de nossos corações diante de Ti. E Te daremos todo o louvor e toda a glória. Pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Nesta noite, quero avançar mais uma etapa neste assunto do desenvolvimento da obra de restauração de Deus na igreja.
Agora já é tarde demais para retomar tudo o que dissemos, a não ser para lembrar que chegamos ao século XX. E, ao chegarmos ao século XX, precisamos fazer uma pergunta a nós mesmos: Quanto ainda falta percorrer?
Podemos dizer honestamente que entramos nos últimos dias, ou no tempo do fim desta era? Eu considero isso de extrema importância e significado, especialmente para vocês, os mais jovens.
Se fosse possível dizer que entramos nos tempos do fim — por mais que esses tempos possam durar —, então entramos na última fase da história mundial. Para mim, isso daria uma profundidade adicional de significado e de direção estratégica a todos os últimos quatrocentos anos de restauração.
Isso também significaria que vocês e eu seríamos desafiados da maneira como precisamos ser desafiados: a não dormir, como tantos dormem; a não ficar quase cegos, como tantos estão; a não ficar mais do que meio mortos, como tantos estão.
E, se podemos dizer que estamos nos últimos dias, quanto realmente ainda falta percorrer? O que mais o Senhor quer fazer em toda essa questão da restauração?
Uma das coisas interessantes nessa questão da restauração é, como tenho dito repetidamente, que existe continuidade nela. Para mim, é muito interessante que nem uma única coisa que foi restaurada tenha se perdido.
Hoje, falamos de coisas pelas quais outros entregaram a própria vida como mártires para que fossem restauradas. Hoje, tratamos delas quase como coisas corriqueiras. Elas fazem parte integrante de nossa experiência cristã e de nosso vocabulário cristão, mesmo quando não estão em nosso coração.
Lembro-me de quando ouvi Theodore Austin-Sparks pela primeira vez, há apenas trinta anos. Ele usava expressões que causavam uma tempestade nos círculos cristãos da Grã-Bretanha. Ora, os britânicos — especialmente os ingleses — são terrivelmente conservadores e muito, muito cautelosos.
Ele usava expressões como “vida do corpo” e “ministério do corpo”. Escreveram-se panfletos sobre essas coisas, acusando-as de ser doutrina inventada, uma novidade. Lembro-me de uma mensagem inteira que ele deu sobre o relacionamento — a necessidade de estarmos relacionados uns com os outros. Naquela época, isso era revolucionário.
Hoje, infelizmente em alguns aspectos, “vida do corpo” e “ministério do corpo” são expressões usadas no mundo inteiro. Não importa aonde você vá; todo mundo as usa.
Às vezes conto a vocês que me lembro de alguém que veio falar comigo alguns anos atrás e disse: “Nós temos um corpo em Chicago”. Eu não tinha muita certeza do que a pessoa queria dizer.
Especialmente porque, quando eu era menino, Chicago era só gângsteres. Fiquei pensando, sabe, no que realmente estavam dizendo: “Nós temos um corpo em Chicago”. Não é exatamente uma maneira neotestamentária de falar da igreja.
Mas é interessante que expressões que, trinta anos atrás, eram absolutamente radicais e revolucionárias sejam hoje aceitas pela grande maioria dos crentes, mesmo em comunidades denominacionais institucionalizadas.
O relacionamento foi levado muito além do que o senhor Sparks havia imaginado, em toda a questão do discipulado e também em outras áreas. Como é extraordinária toda essa questão da restauração, mesmo com seus excessos e extremos!
Ainda é extraordinário ver como o Espírito Santo restaurou aspectos preciosos da verdade — verdade viva — e, pelo que posso perceber, eles nunca mais se perderão.
Nosso problema é ter revelação. Você pode conhecer isso aqui fora, mas será que conhecemos isso aqui dentro?
Agora, a pergunta que fiz é se entramos nos últimos dias, porque me parece que, se o Senhor demonstrou tanto cuidado e tanta determinação nestes últimos quatrocentos anos, Ele não vai desistir simplesmente porque estamos na era nuclear, ou simplesmente porque conseguimos levar alguém à Lua.
Na minha avaliação, o Senhor obviamente vai prosseguir até o cumprimento e a conclusão dessa obra. E isso deve nos dar um tremendo encorajamento e muita esperança.
Se nosso Senhor foi tão cuidadoso ao tomar a iniciativa, pelo Espírito Santo, de restaurar uma questão após outra, Ele vai prosseguir até o fim.
Há outro ponto que quero destacar para nossa proteção: nada do que é restaurado deixa de ser antigo. Isso é muito importante.
Não sei o que acontece com alguns de nossos irmãos: eles querem algo que os coloque na história, para se tornarem um monumento. Querem restaurar algo que, na verdade, nunca esteve no Novo Testamento — alguma experiência nova, alguma ideia nova.
Isso não é restauração. Restauração é a recuperação daquilo que estava lá no princípio. Isso ficou claro?
E isso nos preservará de muitos extremos, de muito desequilíbrio, de muitos erros e de muitas obras falsificadas. É importante entendermos isso.
Agora, minha pergunta é esta: podemos dizer que entramos nos últimos dias? Preciso ter muito cuidado nessa questão. Não quero passar horas falando sobre isso e tentando provar isso a vocês. Mas quero dizer que há duas coisas que, para mim, deixam absolutamente claro que entramos, de maneira irreversível e, na minha avaliação, incontestável, no último período da história mundial — por mais que ele dure.
Jesus fez um importante discurso sobre Sua segunda vinda. Ele está registrado nos capítulos 24 de Mateus, 13 de Marcos e 21 de Lucas. Nesse discurso, Ele apresentou uma série de sinais.
Agora, na minha avaliação, a ênfase principal de nosso Senhor Jesus não estava propriamente na sequência dos acontecimentos. Sua ênfase principal era:
“Acautelai-vos. Olhai por vós mesmos. Acautelai-vos. Estai vós também preparados. Vigiai e orai. O que vos digo, digo a todos: Vigiai.”
Essa era a Sua ênfase. Infelizmente, ela tem sido ignorada repetidas vezes em toda essa grande parafernália de interpretação profética. Começamos a discutir e debater, confrontando uns aos outros com detalhes — o que vai acontecer, onde vai acontecer e tudo o mais — e perdemos de vista a verdadeira ênfase do Senhor Jesus: vocês podem ser pegos desprevenidos.
Sempre lembro a mim mesmo que o Senhor não deu esse importante discurso aos não salvos, como muitos cristãos imaginam; nem à grande companhia dos discípulos; nem mesmo aos doze apóstolos. Foi aos quatro que representavam o círculo mais íntimo dentro do círculo íntimo: André, Pedro, Tiago e João.
Eles foram até Ele em particular, dizendo:
“Quando serão essas coisas, e qual será o sinal da Tua vinda e do fim desta era?”
A esses quatro, a quem Ele levou consigo repetidas vezes — à transfiguração e à ressurreição da filha de Jairo —, Ele disse:
“Acautelai-vos. Olhai por vós mesmos. Estai vós também preparados. Porque o Filho do Homem vem numa hora em que não pensais. E o que vos digo, digo a todos: Vigiai.”
Então digo a mim mesmo: se André, Pedro, Tiago e João precisavam olhar por si mesmos, quanto mais eu? Se eles precisavam estar preparados, quanto mais eu? Se eles precisavam vigiar e orar, quanto mais eu?
Quando o Senhor Jesus fez esse discurso, Ele apresentou sinais gerais. Falou de guerras e rumores de guerras, de nação se levantando contra nação e de reino contra reino. Falou de terremotos em muitos lugares. Falou de fomes; e, em um dos Evangelhos, está registrado que também falou de pestes. Falou de uma perseguição de caráter mundial.
Todas essas coisas, Ele disse, não são propriamente o fim do fim, mas o princípio do fim.
Ora, desde que fui salvo, tenho ouvido falar disso — e fui criado como pagão. Nunca fui a uma capela, sinagoga ou igreja de espécie alguma. Eu era dispensado de toda instrução religiosa na escola. Aos doze anos, nunca tinha ouvido o Pai-Nosso e nunca tinha lido a Bíblia.
Quando encontrei o Senhor aos doze anos, encontrei a Bíblia — que ninguém se deu ao trabalho de me dar. Eu só tinha um Evangelho de João, então o li. Minha irmã veio ao Senhor um mês depois de mim, e nós lemos aquele Evangelho de João até ele se desmanchar. Até hoje, o Evangelho de João está escrito em meu coração.
Depois encontramos uma Bíblia velha e a escondemos de nossa mãe, que tentava tirá-la de nós porque achava que havíamos nos tornado fanáticos religiosos. Nós estudávamos a Bíblia. Sabe, para nós a Bíblia era tão empolgante, tão emocionante!
Desde aquele dia, lembro-me de ouvir que os sinais dos últimos dias eram guerras e rumores de guerras, terremotos, pestes e perseguição.
Eu entendia que, quando o Senhor Jesus resumiu tudo, dizendo:
“Aprendei, pois, da figueira a sua lição”,
Ele estava se referindo simplesmente ao fato de a figueira fazer brotar suas folhas. Quando a figueira faz brotar suas folhas, você sabe que o verão está chegando.
Na verdade, a figueira é a última das árvores em Israel a fazer brotar suas folhas. Quando isso acontece, perto do fim da primavera, a estação seca do verão está a apenas algumas semanas de distância.
O verdadeiro prenúncio, por assim dizer, de um intervalo mais longo é a amendoeira. Ora, se o Senhor tivesse dito: “Aprendei a parábola da amendoeira”, então sentiríamos que ainda tínhamos algum tempo. Mas, se Ele realmente quis dizer: “Quando essas coisas acontecerem”, então vocês não têm muito tempo.
Vocês conseguem me dizer alguma época, nos últimos mil e novecentos anos da história deste mundo e das nações, em que não tenha havido guerras e rumores de guerras, nação se levantando contra nação e reino contra reino? Conseguem me dizer alguma época, nos últimos mil e novecentos anos, em que não tenha havido grandes terremotos, às vezes um após outro? Conseguem me dizer alguma época em que não tenha havido fomes, epidemias ou perseguição?
Se olharmos para a história dos últimos mil e novecentos anos, não houve um único período em que o mundo estivesse livre de guerras, rumores de guerras, nação se levantando contra nação e reino contra reino.
Agora, alguém dirá imediatamente: “Não, não, não — você entendeu errado. Nosso Senhor nunca quis dizer isso. Nosso Senhor quis dizer guerras mundiais e rumores de guerras mundiais”. Isso pode ser verdade. Mas como qualquer geração poderia saber que as guerras em que estava envolvida não eram as piores que já haviam acontecido?
Nós temos toda a sabedoria que vem de olhar para o passado. Podemos ver que a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial superaram tudo o que havia acontecido antes. Mas como qualquer geração, ao longo dos últimos mil e novecentos anos, poderia saber que as guerras, os terremotos, as pestes e a perseguição que estava enfrentando não eram os piores que já haviam acontecido?
Por exemplo, suponham que vocês tivessem vivido durante a Guerra dos Cem Anos, que devastou uma parte tão grande da Europa. Não teriam pensado: “Talvez o Senhor esteja vindo”?
Suponham que vocês tivessem vivido durante a grande peste, a peste bubônica, a Peste Negra, que eliminou oitenta e seis por cento da população das Ilhas Britânicas, da Escandinávia e da Europa. Na Noruega, vales inteiros ficaram sem um único habitante.
Corporações de ofício desapareceram. Alguns dos segredos dessas corporações, como os processos de coloração do vidro dos vitrais, se perderam, porque nunca lhes era permitido escrever a fórmula. Tinham de transmiti-la de pai para filho. Mas, quando o pai estava morrendo, ele a contava ao filho mais velho, e o filho morria duas horas depois.
Vocês não teriam pensado que o Senhor estava vindo? Guerra, depois peste, e depois ninguém para semear os campos ou trabalhar neles.
Lucas, por ser médico, muitas vezes registrava pequenos detalhes que os outros escritores dos Evangelhos Sinóticos não mencionam. Em Lucas 21:29-30, ele apresenta a questão desta maneira:
E disse-lhes uma parábola: “Olhai para a figueira e para todas as árvores: quando já começam a brotar, vós o vedes e sabeis por vós mesmos que o verão já está próximo.”
Alguém me disse certa vez — ou melhor, ouvi isso em um sermão — que essas palavras de Lucas tinham o propósito de garantir que ninguém entendesse que aquilo tinha alguma relação com o povo judeu. A pessoa dizia: “Veja, são todas as árvores. Não há nada de especial na figueira”.
Então por que Lucas não disse: “Olhai para todas as árvores”? Ele não usa a expressão “abominação da desolação”. Ele diz:
“Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos”,
o que foi muito interessante.
Isso salvou toda a igreja em Jerusalém, porque, quando viram os exércitos romanos sitiando Jerusalém no ano 66 d.C., não esperaram que a abominação da desolação fosse estabelecida no ano 70 d.C. Saíram da cidade enquanto podiam, e todos foram preservados e livrados.
Por que Lucas não disse simplesmente: “Olhai para todas as árvores”? Assim saberíamos que aquilo não tinha absolutamente nada a ver com uma nação ou um povo específico nesta terra. Mas ele disse, com seu cuidado característico:
“Olhai para a figueira e para todas as árvores.”
É como se o doutor Lucas estivesse simplesmente nos dizendo: há um duplo significado. Algo que acontece com a figueira é o mesmo que acontece com todas as árvores — esse é o aspecto geral: guerras e rumores de guerras, nação se levantando contra nação, reino contra reino, terremotos em muitos lugares, fomes, epidemias mundiais e perseguição.
Mas esses sinais não são válidos até que algo aconteça a uma árvore específica entre as árvores do bosque. E essa árvore específica representa o povo judeu.
Quando algo acontece com esse povo e essa nação e, ao mesmo tempo, há guerras, rumores de guerras, nação se levantando contra nação, reino contra reino, terremotos, fomes, perseguição e pestes, então vocês sabem que entraram no tempo final. Ele está próximo, às portas.
Agora, meu querido amigo, é um fato histórico e um fato registrado no Evangelho que, no dia anterior àquele em que Jesus disse:
“Aprendei da figueira a sua parábola”,
Ele passou por uma figueira no monte das Oliveiras, a caminho de Jerusalém.
Ele se aproximou para procurar fruto e não encontrou nenhum. Os discípulos observaram isso e depois O ouviram pronunciar juízo sobre aquela pequena figueira. Então Ele desceu a Jerusalém. O escritor diz especificamente:
“Não era tempo de figos.”
Ora, já ouvi algumas interpretações extraordinárias sobre isso. Disseram-me que Jesus era um homem como qualquer um de nós, e que, quando alguém fica com fome, fica irritado; e que, em um acesso de irritação, ao procurar alimento na figueira, Ele a amaldiçoou e ela morreu — o que teria sido uma atitude muito cruel.
Acho isso bastante espantoso, porque Jesus estava sempre falando das aves do céu, das estações, de semear e colher, e de tudo o mais. Devo entender que Ele não sabia que, em março, as figueiras de Jerusalém, a novecentos metros acima do nível do mar, não dão fruto? Isso é ridículo. Será que Ele era tão distraído, ou tão meramente humano? Claro que não.
Ele só podia estar encenando uma parábola. O fato de ter entrado no templo, tomado um chicote de cordas, expulsado os cambistas, virado as mesas dos que vendiam pombas e bois e dito:
“A casa de Meu Pai será chamada casa de oração para todas as nações, mas vós a transformastes em covil de salteadores e ladrões”,
certamente tinha alguma relação com aquela pequena figueira.
Na manhã seguinte, passando novamente por ali bem cedo — justamente a manhã daquele dia em cuja tarde Jesus disse: “Aprendei da figueira a sua parábola” —, Pedro disse: “Olha, olha, olha, olha para a figueira. Ela morreu”. E fez uma observação muito interessante: “Ela morreu desde a raiz”.
Ela não havia sido atingida de fora para dentro por mofo ou alguma praga. Morreu desde a raiz. E então Jesus falou sobre ter fé.
Obviamente, Ele não quis dizer que você precisa de fé para matar figueiras, porque a madeira da figueira é a mais macia de todas, e a coisa mais fácil é simplesmente serrá-la. Quero dizer, é mesmo. Até eu conseguiria fazer isso.
O que Jesus quis dizer quando disse:
“Tende fé”?
Ele quis dizer isto: onde há fé viva, há vida; onde há vida, há fruto; onde há fruto, ali está a bênção de Deus. Onde há morte, há esterilidade; e onde há esterilidade, há juízo.
Então, naquela tarde do dia em que Pedro — um daqueles quatro — havia dito a Jesus: “Olha, Senhor, a figueira que Tu amaldiçoaste morreu desde as raízes”, naquele mesmo dia Jesus disse:
“Aprendei da figueira a sua lição.”
Mesmo que aquela figueira não estivesse na mente deles — e tenho certeza de que estava —, o Espírito Santo os teria feito lembrar dela mais tarde, quando foram escrever o registro daquilo que Jesus havia dito.
Agora, meus queridos amigos, este é o meu ponto. Nos últimos mil e novecentos anos, aquela figueira foi arrancada da terra. Morreu desde as raízes. Deixou de ser uma nação. Perdeu sua capital, seu território nacional e suas instituições nacionais. Foi dispersa até os confins da terra.
Era muito fácil para cristãos, teólogos e estudiosos da Bíblia dizerem: “A ira de Deus está agora para sempre sobre o povo judeu. Eles acabaram. Agora só existe a igreja”.
Mas o que aconteceu é bastante interessante. No século XX, aconteceu um milagre. Qualquer que seja nossa opinião sobre os aspectos políticos, sobre o que há de certo ou errado nisso, o fato é que o povo está de volta à terra, e Jerusalém é a capital de um Estado judeu renascido.
Ora, se é assim, esse é um marco profético pelo qual a igreja de Deus, em sua restauração, passou em nossos dias e em nossa geração.
Não é como se houvesse muitas outras possibilidades nos últimos mil e novecentos anos, porque não houve uma única possibilidade que chegasse perto do cumprimento dessa palavra. Mas isso aconteceu em 14 de maio de 1948.
Não vou me demorar nisso. Só quero destacar um ponto, porque há uma segunda coisa igualmente notável. Em Lucas 21:23-24, Jesus disse que haveria grande aflição na terra, ira sobre o povo, e que eles cairiam ao fio da espada, seriam levados cativos para todas as nações, e Jerusalém seria pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios se cumprissem.
Nos últimos mil e novecentos anos, exceto por alguns meses nos anos 135 e 136 d.C., no tempo de Adriano e da revolta de Bar Kokhba, Jerusalém nunca esteve, em momento algum, sob governo e controle soberanos judaicos. Mas, nos dias 6 e 7 de junho de 1967, isso aconteceu.
Agora, meus queridos amigos, sei que alguns acharão muito difícil aceitar isso. Para mim, essa é uma evidência incontestável de que a igreja entrou na última fase da história mundial.
Isso significa que cada um de nós precisa despertar. Deus não nos dá marcos proféticos para que sejamos carregados em macas ao passar por eles — meio adormecidos, absorvidos por nossa própria rotina, sem absolutamente nenhuma consciência de que passamos por algo que marca uma nova época.
Mas entramos em uma época final da história mundial, por mais que ela dure.
Uma tia muito piedosa me disse isso — ela não era minha tia de verdade, mas adotou minha irmã e a mim, e devemos muitíssimo a ela. Era sueca, e sempre serei grato aos suecos por causa do que ela nos ensinou naqueles primeiros dias de nossa experiência cristã.
Ela costumava nos dizer — e isso foi em 1943 e 1944 —: “Guardem bem o que estou dizendo: quando o povo judeu voltar a ser uma nação, então vocês saberão que entraram na última etapa da história mundial. O Senhor virá”.
Na verdade, ela dizia: “O Senhor virá naquela geração”. Minha irmã e eu ficávamos muito empolgados com essa possibilidade. Achávamos que isso poderia estar a cem ou duzentos anos de distância. Não tínhamos ideia de que aconteceria poucos anos depois de nossa conversão.
No entanto, desde então, tenho me preocupado com essa interpretação. Era muito fácil para Grattan Guinness, em 1860, em seu livro Life for the Last Days — Vida para os últimos dias —, dizer: “Quando o povo judeu voltar a constituir um Estado, essa será a última geração da história”.
Era perfeitamente aceitável, em 1920, dizer: “Quando o povo judeu voltar a constituir um Estado, essa será a última geração”. Era até aceitável, em 1948, dizer: “Agora estamos na última geração”, porque uma geração corresponde, aproximadamente, a quarenta anos — com uma margem de cinco ou seis anos para mais ou para menos.
Mas o que aconteceu foi isto: se dissermos que essa é a interpretação de:
“Esta geração não passará até que todas essas coisas se cumpram”,
então 1988 deveria ser o ano.
Além disso, podemos acrescentar outros cinco anos. Mas, a cada mês que passasse, poderíamos determinar com mais precisão a data da vinda do Senhor. E isso é exatamente o que o Senhor Jesus, na mesma passagem, disse que não poderíamos fazer.
Ele disse:
“Ninguém sabe o dia ou a hora — nem os anjos, nem mesmo o Filho, somente o Pai.”
Alguém me disse certa vez: “Ah, veja, o Senhor disse que vocês não sabem o dia nem a hora. Ele nunca disse que não saberiam o ano”.
Mas Marcos prossegue dizendo que não sabemos o tempo em que o Filho do Homem vem. Entenderam? “Tempo” é uma palavra muito abrangente. Ela engloba tudo.
Tenho refletido muito sobre “esta geração não passará”, e sinto que devemos dedicar um momento a isso por causa de vocês, os jovens. Muitas vezes tenho sentido que algumas interpretações, e alguns livros escritos com base nelas, estão dizendo: “Esta é a última geração”.
Isso é muito empolgante e emocionante. Mas, quando vocês, jovens, passarem de 1988 e entrarem na década de 1990, e nada acontecer, e chegarem ao fim deste século e ainda nada acontecer, ficarão muito desiludidos com toda a palavra profética de Deus.
É claro que os liberais dizem que Jesus era um homem como você e eu, e que Ele realmente quis dizer “esta geração não passará”, porque acreditava que voltaria durante a vida daqueles que O ouviam. Não posso aceitar isso.
Se Jesus estava tão errado em uma questão tão significativa e importante como Sua segunda vinda, em que mais poderia estar errado? Não posso aceitar isso. Não, esse não é o Senhor Jesus que conheço.
Então, é claro, temos evangélicos e carismáticos que se apressam em defender a Palavra de Deus. Eles dizem: “Ah, não, não, não. Ele nunca quis dizer esta geração. Quis dizer aquela geração — a geração que vê a figueira florescer”.
Mas, se Jesus quisesse dizer “aquela geração”, por que não disse “aquela geração”? Em grego, Ele poderia ter dito com toda clareza: “Aquela geração não passará até que todas essas coisas se cumpram”. Mas não disse. Ele disse: “Esta geração”.
Certa vez, procurei um dos principais estudiosos de grego de Cambridge, que estava em comunhão conosco em Halford House, em Richmond. Sempre que eu tinha uma dificuldade, costumava perguntar se ele poderia dedicar algum tempo a investigá-la.
Apresentei-lhe essa palavra. Eu disse: “Escute, o que você acha de ‘esta geração’?”. Ele respondeu: “Acho que, se me lembro bem, é uma palavra bastante interessante. É uma palavra ligada à origem genética”. E disse: “Deixe isso comigo por alguns dias, e depois volto a falar com você”.
Ele voltou e disse: “Essa palavra é muito interessante. Vem de uma raiz grega que significa gerar. Pode significar uma tribo — todos os que nasceram dos mesmos antepassados, dos mesmos patriarcas. Pode significar uma raça — todos os que nasceram dos mesmos antepassados. Pode significar uma família — aqueles que nasceram dos mesmos pais. Pode significar parentesco — aqueles que vêm da mesma linhagem. Pode significar uma geração — aqueles que nasceram na mesma época da história”.
Por alguma razão, os tradutores da versão King James entenderam que era “geração”, e todos seguiram essa escolha desde então. Mas ele disse: “Você poderia dizer: ‘Esta família, esta linhagem, esta tribo, esta raça’”.
Imediatamente pensei: tenho certeza de que foi isso que Jesus realmente quis dizer. Ele disse:
“Esta raça, esta família, não passará até que todas essas coisas se cumpram.”
Agora observo que, na New American Standard Bible e na New International Version, pela primeira vez, há uma tradução alternativa na margem: “Esta raça não passará”.
Ora, na minha avaliação, o significado é este: quando vemos a figueira de volta ao seu território, fazendo brotar suas folhas e se preparando para florescer e dar fruto; quando vemos Jerusalém novamente sob controle soberano judaico; sabemos que saímos dos tempos dos gentios e entramos na última era da história humana, por mais que ela dure.
Ela pode durar um século. Pode durar dois séculos. Pode até durar três séculos. Eu ficaria surpreso se durasse tanto. A própria palavra diz:
“Ele está próximo, às portas.”
Mas o que nosso Senhor quer dizer com:
“Venho sem demora”,
e o que nós queremos dizer são duas coisas diferentes.
Portanto, não sabemos quanto tempo será — e acho isso muito empolgante. Relativamente falando, não pode ser tão longo.
Espero que isso desperte cada um de vocês, especialmente aqueles entre nós que são um pouco mais jovens. O que isso realmente significa é o seguinte: vocês e eu saímos de um tremendo período da história, descrito como os tempos dos gentios, e entramos em outra era no programa de Deus para as nações.
Essa era tem diferentes fases, mas é a última era da história mundial tal como a conhecemos.
Sempre gosto de descrever este período em que estamos pelo título rabínico: o limiar do Messias. Para mim, essa expressão parece tão abrangente.
Aplicando isso à nossa situação aqui em Richmond, Ele não está apenas nos arredores de Richmond. Não está sequer na entrada do campus. Na verdade, está no saguão. Está bem no limiar.
Ora, para mim, isso é empolgante.
E quanto a estes últimos dias? O que podemos dizer sobre os últimos dias em que estamos entrando? Isso tem uma relação muito direta com a restauração — com qualquer restauração adicional que venhamos a ver.
Há aspectos sombrios nesta era, e há aspectos gloriosos. Não vou me demorar muito neles, mas aqui estão primeiro os aspectos sombrios. Vamos seguir a maneira judaica de apresentar as coisas: tarde e manhã.
Os gentios sempre falam de manhã e tarde. Nós falaremos de tarde e manhã. É uma maneira um pouco mais otimista de olhar para isso.
O primeiro aspecto sombrio dos últimos dias é que o anticristo tem de vir. Eu não ficaria nem um pouco surpreso se, dentro de não muitos anos, ele aparecesse.
É evidente que o humanismo materialista se espalhou pelo mundo inteiro, particularmente entre os intelectuais do mundo.
Acho muito interessante que esse anticristo seja chamado de “o homem do pecado”, o que, penso eu, indica algo sobre sua filosofia. Também acho muito interessante o capítulo 13 de Apocalipse. Temos ali o número misterioso, a respeito do qual, creio, algumas pessoas têm sido muito fantasiosas: 666.
Mas seis é o número do homem. Seis-seis-seis: humanismo materialista — um sistema que abrangerá o mundo e unirá tanto o mundo capitalista quanto o comunista em sua filosofia, como já está fazendo.
O aborto; por fim, a eutanásia; até mesmo a destruição de classes — essas coisas se baseiam em toda essa ideia do humanismo materialista.
Quer isso ainda esteja distante, quer comecemos em breve a ver essa situação ganhar força, esse é um dos aspectos da última era da história humana. Já vemos nossos sistemas educacional, científico e médico sendo dominados por essa filosofia.
Um segundo aspecto é uma igreja apóstata — uma fé mundial. Não creio que será a igreja cristã.
Essa fé mundial terá a cristandade e o chamado cristianismo como seu fundamento e sua base, mas incluirá o hinduísmo, o islamismo, o confucionismo, o taoismo, o xintoísmo, o espiritismo, o ocultismo e o animismo.
Achei muito interessante que, recentemente, o papa realizou uma celebração extraordinária na igreja de São Francisco de Assis, em Assis, na Itália. Naquele edifício, todas as diversas religiões realizaram suas próprias práticas em cantos diferentes.
Houve uma grande reunião de oração. Os budistas ficaram em um canto; os hindus, em outro; os muçulmanos estavam aqui; um rabino reformista, lamentavelmente, estava ali; havia muitos clérigos liberais em outro lugar; e havia um indígena dos Estados Unidos com todas as suas penas, fumando um cachimbo e realizando seu ritual para algum grande espírito do vento.
Alguém de alguma parte da Polinésia derramou sangue no chão. O arcebispo de Cantuária e o papa percorreram o local juntos para observar cada um dos grupos e visitá-los.
Meus queridos amigos, penso que isso é um indício daquela prostituta de que temos falado no livro de Apocalipse, que cavalga a besta. A besta, é claro, tem o número 666.
A prostituta que a cavalga está revestida de ouro, pedras preciosas e pérolas. Exteriormente, ela é uma réplica exata da cidade de Deus, da noiva.
Exteriormente, parece ser feita de ouro de dentro para fora, como se houvesse pedras preciosas verdadeiras bem em seu interior, como se a pérola estivesse nela. Mas isso é apenas superficial.
Uma igreja apóstata. Lemos sobre um falso profeta. Esse falso profeta tem uma descrição extraordinária: dizem-nos que ele se parece com um cordeiro, mas fala como um dragão.
Ele tem os chifres de um carneiro, de modo que se parece com o Cordeiro de Deus. Mas, quando fala, é o dragão.
Agora, meus queridos amigos, vocês começam a entender, talvez, por que Deus nos levou, nesta conferência específica, a considerar toda essa questão da restauração? Uma vez que você entra no caminho das concessões, faz uma concessão, e outra, e outra.
Anos atrás, lembro-me de vigários anglicanos me dizendo que sairiam da Igreja da Inglaterra quando acontecesse isto, aquilo ou aquilo outro. Quando isto aconteceu, aquilo aconteceu e aquilo outro aconteceu, eles continuaram lá.
As concessões sempre nos levam, no fim, à mesma coisa. É por isso que a Palavra de Deus diz em Apocalipse:
“Saí do meio dela, e separai-vos, diz o Senhor.”
O terceiro aspecto sombrio dos últimos dias é o juízo das nações. Embora muitos de nós, se não todos, creiamos em um arrebatamento, permanece o fato de que não sabemos quando seremos levados.
Algumas pessoas dizem que não veremos o juízo das nações. Dizem: “Ah, não, não, não. A igreja já terá ido embora. Não verá nada disso”.
Mas, meus queridos amigos, pensem por um momento. Em 2 Tessalonicenses 2:3, somos informados de que a vinda do Senhor não acontecerá antes que o homem do pecado apareça. Portanto, pelo menos temos de estar aqui até ele vir, o que significa que teremos de atravessar parte desse período de tribulação e aflição.
A segunda coisa é esta: nunca consegui entender a mentalidade anglo-saxônica. É uma espécie de sentimento inerente de superioridade.
Evidentemente, os chineses podem sofrer de maneira incrível na última geração, mas isso é porque são chineses. Os crentes russos podem sofrer terrivelmente, mas isso é porque são russos. Os europeus orientais podem sofrer de maneira abominável e horrível nas mãos desses poderes contrários a Cristo e a Deus, mas isso é porque são europeus orientais.
Mas Deus não permitirá que a igreja na Grã-Bretanha ou a igreja nos Estados Unidos veja nada disso. Ele é bondoso demais.
Qual é a diferença entre os crentes chineses, os crentes russos e os crentes europeus que estão sofrendo terrivelmente neste momento? Qual é a diferença entre nós e essas pessoas? Por que achamos que seremos preservados disso, e eles não?
É perfeitamente verdade que Deus promete arrebatar a igreja, mas em lugar algum Ele nos diz até onde teremos de ir no sofrimento e na tribulação. Portanto, precisamos estar preparados e prontos.
Agora quero falar sobre os aspectos gloriosos. O primeiro é muito simples: nesta era, a igreja será completada e preparada como noiva para o seu Senhor.
Os últimos detalhes de seu vestido, os últimos adornos que precisam ser colocados em seu traje nupcial, serão colocados nesta última era.
Infelizmente, não creio que todos os crentes participarão disso. Gostaria de poder crer. Gostaria que cada crente nascido de novo em todo o mundo estivesse envolvido na preparação para a vinda do Senhor, na formação da noiva e na conclusão da igreja.
Mas, meus queridos amigos, se estou compreendendo corretamente a Palavra de Deus, entendo que isso acontecerá apenas em um remanescente. Esse remanescente não será elitista nem exclusivista, mas inclusivo e cheio do amor de Deus por todos os demais crentes do mundo, qualquer que seja seu nome ou o grupo em que se encontrem.
Essa igreja chegará à sua plenitude. Vocês acreditam que Deus teve todo o trabalho de virar o mundo medieval de cabeça para baixo e do avesso, e de tomar aquele monge, Martinho Lutero, e alguns daqueles outros, para restaurar a grande verdade acerca da Palavra de Deus, da justificação pela fé e da obra consumada do Cordeiro?
Vocês acham que o Senhor teve todo aquele trabalho para restaurar a verdade do batismo, de modo que milhares e milhares entregaram a própria vida pela verdade do batismo? Vocês acham que o Senhor restaurou toda a verdade de nossa grande comissão de levar o evangelho a todas as nações como testemunho, antes que venha o fim?
Vocês realmente acham que o Senhor restaurou todas essas coisas — restaurou a unidade dos crentes, restaurou a verdade de Sua segunda vinda, restaurou algo sobre a cruz e a vida espiritual, algo sobre a natureza do corpo de Cristo — para deixar tudo desaparecer no final?
Claro que não.
Jesus disse em Mateus 16:18:
“Sobre esta pedra edificarei a Minha igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
Ah, meus queridos amigos, é uma questão de para onde vocês estão olhando. Se olharem para os aspectos sombrios, ficarão assustados. Passarão uma noite sem dormir.
“Ah”, vocês dizem, “que maneira terrível de encerrar a conferência — falando de coisas assim. Isso é terrível, especialmente para nós, bons cristãos dos Estados Unidos. Nosso trabalho é orar pelos chineses e pelos russos no conforto de nossas belas casas.”
Deus está fazendo algo neles, e Ele precisa fazer isso.
Se Deus perceber que a igreja nos Estados Unidos, na Europa e no chamado mundo livre não está chegando aonde deveria chegar, Ele trará tribulação, perseguição, aflição e desastre econômico sobre uma nação após outra.
Então os crentes nos Estados Unidos, no Canadá, na Grã-Bretanha e na Comunidade Econômica Europeia começarão a descobrir onde realmente está o seu tesouro. Então começarão a descobrir a verdadeira realidade da obra de restauração de Deus: é mais importante participar daquilo que Deus está fazendo do que qualquer outra coisa no mundo inteiro.
Entendo, a partir daquela palavra maravilhosa de Apocalipse 10:7:
“Então se consumará o mistério de Deus, segundo as boas-novas que Ele anunciou aos Seus servos, os profetas”,
que a igreja será completada bem no meio de todos esses dragões, bestas, falsos profetas e prostitutas.
Há uma segunda coisa gloriosa que quero destacar, queridos amigos, que tem muito a ver com a restauração: o evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, como testemunho a todas as nações, antes que venha o fim.
Entendo que isso significa que a declaração, feita com autoridade, de que Jesus é tanto Senhor quanto Salvador será proclamada por crentes ungidos por Deus em todo o mundo, como testemunho a cada nação, antes que venha o fim.
Não vamos jogar a toalha. Cada movimento de restauração nos últimos quatrocentos anos resultou em centenas de milhares, talvez até milhões, de pessoas que vieram a conhecer o Senhor Jesus.
Na última fase da história mundial, haverá multidões e multidões e multidões e multidões vindo a conhecer o Senhor.
Mas isso significa algo muito simples: vocês e eu devemos apoiar todo esforço genuíno de levar o evangelho aos perdidos. Devemos apoiar cada meio empregado — sem desvalorizá-lo, sem ridicularizá-lo, sem menosprezá-lo.
Ao mesmo tempo que entendemos o que Deus está fazendo na igreja, nosso coração deve se voltar para o mundo ao nosso redor, que se encontra em necessidade tão desesperadora.
Quando você percebe — não sei como é nos Estados Unidos —, mas quando percebe que, no terceiro mundo, mais de dois terços da população têm menos de dezesseis anos, isso faz você parar para pensar.
Você vai a alguns desses países quando as escolas abrem suas portas, e é como se uma maré humana saísse delas. As ruas, as vielas, tudo fica cheio de jovens.
Cada um deles é alguém por quem nosso Senhor Jesus morreu.
O terceiro aspecto glorioso — e não vou me demorar nele — é que Israel será redimido.
Está escrito em Romanos 11:28-29:
Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós: mas, quanto à eleição, são amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.
Nesse mesmo capítulo maravilhoso, fala-se de vocês como ramos de oliveira brava, enxertados na boa oliveira, enquanto eles, por causa da incredulidade, foram postos de lado. E diz:
“Quanto mais os ramos naturais serão enxertados de volta em sua própria oliveira?”
Meus queridos amigos, não creio que Deus tenha mantido o povo judeu vivo por mais de quatro mil anos de história registrada para condená-lo.
Também não creio que o sofrimento colossal pelo qual nosso povo passou, que não tem paralelo na história humana a não ser o sofrimento da verdadeira igreja, seja porque Deus os julgou.
É verdade que houve participação judaica na crucificação de Jesus. É verdade que terríveis aflições vieram sobre nós. Mas Deus sempre foi justo até a terceira e a quarta geração, e agora estamos na quinquagésima.
Não creio que os milhões que morreram no Holocausto tenham sido simplesmente mortos. Foram os poderes das trevas que, de alguma forma, entenderam que os milagres finais de Deus na história humana serão realizados dentro dos limites da terra prometida e em conexão com o povo judeu.
Afinal, Jesus volta para Jerusalém. Seria bastante extraordinário se Ele voltasse para a capital de um acidente político. Por que Ele não vem a Washington, Londres, Roma, Moscou ou Pequim — a capital da nação mais populosa da terra?
Mas Jesus volta para Jerusalém. Por quê? Ele é um amante de antiguidades? Quer simplesmente voltar às lembranças de Sua infância? Claro que não.
Por que o Senhor Jesus volta para Jerusalém, a menos que algo vá acontecer com esse povo?
Além disso, a maneira como esse povo será salvo é a mesma maneira como vocês foram salvos. Não há diferença. Da mesma maneira como vocês foram salvos, eles serão salvos.
“Derramarei sobre eles um espírito de graça e de súplicas; e olharão para Mim, a Quem traspassaram; e prantearão por Ele, como quem pranteia por um filho único; e estarão em amargura por Ele, como quem está em amargura por um primogênito. Naquele dia haverá uma fonte aberta para o pecado e para a impureza.”
Meus queridos amigos, não vou me demorar nisso, a não ser para dizer que aqui está outro aspecto glorioso. Toda a história de Deus com o povo judeu tem sido uma história de amor, e estamos no último capítulo, quase no último parágrafo.
Quando finalmente essa reconciliação acontecer, então se cumprirão as palavras do apóstolo Paulo em Romanos 11:12, 15:
Se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua perda, a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude? Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, que será a sua aceitação, senão vida dentre os mortos?
Esse é um aspecto glorioso. Embora não devamos dar importância demais à nossa ascendência ou às nossas origens, creio que hoje estamos muito perto do cumprimento dessa antiga profecia.
Como aqueles patriarcas, profetas, reis e apóstolos judeus devem estar esperando pelo cumprimento desse dia!
Se tudo isso é verdade, então quero simplesmente dizer: estamos do lado da vitória.
Seja o que for que aconteça nesta última era, e por mais que ela dure, permanece o fato: Deus vai realizar isso. O Senhor está nos preparando para a última etapa.
Agora, gosto muito desta pequena expressão, e vou encerrar aqui, que Jesus usa para falar de Si mesmo na última parte de Apocalipse, em Apocalipse 22:16:
“Eu, Jesus, enviei o Meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a raiz e a descendência de Davi, a resplandecente estrela da manhã.”
A resplandecente estrela da manhã. Já vi essa estrela da manhã tantas vezes.
Tive o privilégio de subir o monte Sinai quinze vezes. Uma das coisas mais empolgantes que conheço ao subir o monte de Moisés, o monte Horebe ou o monte Sinai é que você precisa começar de madrugada, por volta das três e meia.
Mas, por volta das quatro horas, acima de uma crista da montanha, de repente você vê uma única estrela enorme e luminosa. É a estrela da manhã.
Lembro-me de anos atrás, quando estava no Egito, cumprindo uma tarefa à noite em determinada região, acompanhado de um egípcio. Vi uma claridade no leste e lhe disse: “Ah, olhe, o amanhecer está chegando”.
“Não”, ele disse, “não é o amanhecer.”
“Bem”, eu disse, “o que é, então?” Não havia luzes ali — luzes de cidade, sabe, nada desse tipo. Então ele disse, tentando se fazer entender da melhor maneira possível: “Falso amanhecer. Falso amanhecer”.
Mais tarde, entendi que era uma falsa aurora. Não entendo o fenômeno, mas, evidentemente, existe algo assim nas regiões desérticas. “Espere”, ele disse.
Pouco depois, vimos aquela única estrela na parte mais escura da noite. Então ele disse: “Agora vem o verdadeiro amanhecer”. E assim aconteceu.
Foi isso que Jesus quis dizer quando disse:
“Eu sou a resplandecente estrela da manhã.”
Cuidado com a falsa aurora. Cuidado com o falso amanhecer.
Ele é Aquele que brilhará com maior intensidade na parte mais escura da última era. Então saberemos que o amanhecer de um novo dia está chegando.
Esse novo dia, essa nova criação, essa nova ordem, esse novo homem, esse novo céu e essa nova terra em que habita a justiça — Jesus é a estrela da manhã que anuncia uma nova era em que todas as coisas serão feitas novas.
Esse é o testemunho de Jesus.
Meus queridos amigos, se isso é verdade, precisamos reconhecer duas coisas. Satanás está preparando este mundo para sua tentativa final de assumir o controle. Vemos isso, como já disse, no sistema educacional, no sistema político e nas teorias científicas e médicas.
Ele está preparando o mundo. É o dragão, trabalhando insidiosamente por toda parte.
Mas o Espírito Santo está preparando o triunfo final do Senhor Jesus. Querido povo de Deus, precisamos despertar.
Quero fazer uma pergunta a vocês ao encerrar esta noite. Temos ouvido tanto, nestes últimos dias, sobre restauração e sobre a obra de restauração de Deus na igreja.
Há uma pequena expressão muito interessante em 2 Pedro 1:19:
E temos ainda mais firme a palavra profética; à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da manhã nasça em vossos corações.
Ora, isso é muito estranho, não é? Por que ele disse “em vossos corações”? Por que não disse: “Até que o dia amanheça e a estrela da manhã nasça”? Ou, melhor ainda: “Até que a estrela da manhã nasça e venha o amanhecer”?
Mas ele disse: “Até que a estrela da manhã nasça em vossos corações”. Agora quero fazer uma pergunta a vocês: A estrela da manhã já nasceu em seu coração?
Deixem-me perguntar outra vez. Escutem-me com atenção: a estrela da manhã já nasceu em seu coração?
Em outras palavras, a verdade plena de que estamos nos últimos dias e de que Jesus está trazendo uma nova era, um novo dia, uma nova criação, um novo homem, uma nova ordem, um novo céu e uma nova terra — essa verdade já raiou em vocês?
As consequências já ficaram claras para vocês? As implicações já ficaram claras? As conclusões que decorrem disso já ficaram claras?
Porque, se ficaram, meu amigo, você não terá medo de sair para fora do arraial e suportar o Seu opróbrio. Não se importará de pertencer a esses pequenos grupos estranhos que se reúnem em lares e casas, tão desprezados e desvalorizados. Não se importará de pertencer à igreja peregrina.
Você não se importará com o que o mundo diz, porque Deus está preparando um povo que poderá entrar em cavernas e esconderijos, em catacumbas, e sobreviver nos dias que estão à frente, até que Ele venha nos buscar.
Deus não vai operar uma espécie de serviço de ambulâncias, com anjos e macas, para nos carregar para fora.
Olhai por vós mesmos. Estai vós também preparados. Porque o Filho do Homem vem numa hora em que não pensais. Vigiai e orai.
Se Jesus nos disse isso, precisamos prestar atenção. Precisamos nos preparar. Não devemos apenas fazer orações rotineiras. Precisamos vigiar e orar, para que nossa oração nasça de nossa vigilância.
A estrela da manhã já nasceu em seu coração?
Parece-me que há um desafio inerente a tudo isso de que temos falado nestes dias, e certamente devemos tê-lo sentido nesta manhã. É um desafio que somente o Espírito Santo pode fazer a todos nós.
O que você vai fazer? O que eu vou fazer?
Vou amar o Senhor de todo o meu coração? Vou abrir mão de tudo por Ele — abrir mão de ser proprietário e tornar-me um mordomo? Vou obedecer a Ele e segui-Lo aonde quer que Ele vá?
Vou ser fiel, por Sua graça e por Seu poder? Vou me comprometer com Sua obra de restauração?
Querido povo de Deus, a estrela da manhã não pode nascer em nosso coração a menos que possamos dizer: “Senhor, apesar de toda a minha fraqueza e de todas as minhas falhas, pela Tua graça, sim”.
Senhor, somente Tu podes nos desafiar. Somente Tu podes produzir em nós o tipo de resposta, Senhor, que é necessário nestes dias que estão à frente.
Tu precisas de uma nova geração que entre, de maneira viva, em tudo o que tens feito nesta era.
Ó Pai, desafia-nos nesta noite quanto a estarmos despertos, quanto a estarmos vivos, quanto a estarmos, Senhor, prontos para Te seguir e caminhar contigo.
Não permitas que isso passe sem efeito em nós, Senhor, nós Te pedimos — que não seja apenas mais uma conferência, mas algo que se torne quase uma espécie de catalisador em nossa vida.
Pedimos isso em nome de nosso Senhor.