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    Spiritual Service, Trained To Minister The Word © 2026 Christian Testimony Ministry
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    Spiritual Service, Trained To Minister The Word
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    Lambert, Lance

    Formação para o Ministério da Palavra de Deus

    Se vocês puderem abrir comigo a Bíblia na segunda carta do apóstolo Paulo a Timóteo, gostaria de ler alguns versículos: 2 Timóteo 3:14.

    Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem as aprendeste; e que, desde a infância, conheces as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda Escritura inspirada por Deus é também proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir na justiça: para que o homem de Deus seja completo, plenamente preparado para toda boa obra.

    Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus, Que há de julgar os vivos e os mortos, pela Sua manifestação e pelo Seu reino: prega a palavra; insta a tempo e fora de tempo; repreende, censura, exorta, com toda longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, acumularão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se para as fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.

    E, na mesma carta, em 2 Timóteo 2:14:

    Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não contendam acerca de palavras, o que para nada aproveita, senão para a ruína dos ouvintes. Procura apresentar-te aprovado a Deus, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.

    O Chamado para o Ministério da Palavra de Deus

    Nesta tarde, vamos considerar a formação para o ministério da Palavra de Deus. Não há honra maior do que ser porta-voz de Deus.

    É bom entendermos isso desde o início: o ministério da Palavra não consiste simplesmente em pronunciar verdades ou expor doutrinas. Consiste em interpretar e comunicar aquilo que pesa sobre o coração do Senhor. Isso, eu digo, é um privilégio tremendo.

    Antes de considerarmos a questão da formação para o ministério da Palavra de Deus, devemos ao menos reconhecer quão elevado é esse chamado. Quero fazer duas coisas. Primeiro, gostaria de destacar um ou dois princípios que, a meu ver, são muito importantes. Depois, gostaria de dizer algo sobre o lado prático da formação para o ministério da Palavra de Deus.

    O que tenho a dizer diz respeito, basicamente, àqueles que são realmente chamados para um ministério específico da Palavra de Deus. Mas os princípios também se aplicam àqueles que, num momento aberto à participação, compartilham algo da Palavra de Deus — talvez uma breve palavra de encorajamento, exortação, correção ou consolo.

    Os princípios são os mesmos, quer você seja chamado para ser mestre, para exercer um ministério profético ou para ser evangelista. Quer você seja chamado e dado pelo Senhor à igreja numa dessas áreas do ministério da Palavra de Deus, quer esteja simplesmente compartilhando uma palavra num momento de comunhão, de adoração aberta à participação ou de louvor, os princípios são os mesmos.

    A Obra Essencial do Espírito Santo

    A primeira coisa que gostaria de destacar é esta: somente o Espírito Santo pode conceder dons, educar, treinar e habilitar aquele que ministra a Palavra de Deus.

    Isso parece tão óbvio; no entanto, não é tão óbvio assim quando olhamos para a obra cristã hoje. Temos de dizer que uma quantidade enorme do ministério da Palavra de Deus, de algum modo, não tem unção. Não tem vida; é algo envelhecido, empoeirado, morto.

    A razão é que caímos na armadilha de pensar que qualquer pessoa que tenha boa lábia pode simplesmente ministrar a Palavra de Deus. Se alguém é um bom vendedor, pensamos: “Bem, ele é vendedor no seu trabalho habitual; vamos colocá-lo para pregar a Palavra”. Se um homem tem uma mente acadêmica, por que não torná-lo mestre na igreja?

    Simplesmente aproveitamos aquilo que consideramos um dom natural e dizemos: “Bem, esse homem vai fazer isso na igreja”. Mas somente o Espírito Santo pode conceder dons a um homem ou a uma mulher dessa maneira. Somente o Espírito Santo pode educar, treinar e habilitar uma pessoa. É atribuição exclusiva do Espírito de Deus conceder à igreja esses ministérios e educar, treinar e habilitar aqueles que os exercem.

    Isso não é obra do homem. Nem mesmo o servo de Deus mais espiritual pode produzir um ministério em outra pessoa. Eu poderia pegar dez de vocês, irmãos, e destruir a igreja com vocês, levando-os a entender que posso torná-los ministros da Palavra de Deus — ensinando-os a falar como eu falo, a estudar a Palavra, a acertar a doutrina e, depois, como num gravador, apertar um botão e despejar tudo sobre o pobre e desprevenido rebanho de Deus.

    Mas nem mesmo o servo de Deus mais espiritual pode produzir ministros da Palavra de Deus. Somente o Espírito Santo pode fazer essa obra. Tampouco um seminário teológico pode fabricar ministros da Palavra de Deus, como a maioria de vocês provavelmente já percebeu.

    Tendemos a pensar que podemos pegar a matéria-prima, colocá-la numa espécie de máquina teológica de moer carne, ligar a máquina, deixá-la funcionando por determinado tempo, e então sairá o produto acabado. Já vi homens entrarem no seminário teológico realmente ardendo pelo Senhor e saírem do outro lado completamente sem cor.

    Eles têm a teologia; têm a doutrina. Mas, em algum ponto do caminho, perdeu-se a natureza viva do ministério da Palavra de Deus. Seja um seminário teológico, um seminário teológico conservador ou até mesmo uma escola bíblica cheia de vida, nenhuma dessas instituições pode fazer, de fato, a obra do Espírito Santo.

    Daqui a pouco, direi mais alguma coisa para colocar isso em perspectiva, mas a primeira coisa que quero transmitir a vocês é que somente o Espírito Santo pode fazer essa obra. O restante pode ser valioso quando o Espírito está realizando a Sua obra.

    Por exemplo, quando o Espírito Santo está concedendo a alguém um dom nessa área do ministério da Palavra de Deus, certa medida de treinamento pode ser de valor inestimável. Certa medida de educação por parte de outros servos de Deus também pode ser de valor inestimável.

    Mas isso é um pouco como colocar numa escola de música alguém que não tem dom musical. Quando essa pessoa sair e tocar piano, sua execução sempre será mecânica, não importa quem a tenha ensinado. Nunca terá aquela centelha original de vida que você reconhece imediatamente como algo que está dentro da pessoa.

    Se uma pessoa não consegue cantar afinado, você pode colocá-la numa escola de canto, mas o que a escola poderá fazer? Você não pode pegar alguém que não tem graça alguma nos movimentos, colocá-lo numa escola de balé e fazer sair dali uma bailarina.

    Da mesma forma, você não pode colocar alguém numa escola de arte e fazer sair dali um pintor — embora algumas das coisas que aparecem hoje me façam perguntar se não é justamente isso que estão tentando fazer.

    Venho de uma cidade onde, infelizmente, todos os nossos parques foram agraciados com presentes de vários escultores. Nunca vi coisas tão horríveis como as que agora temos em alguns de nossos parques: blocos de ferro, vigas retorcidas e uma coisa parecida com uma aranha no alto da montanha. Toda vez que chegam visitantes, eles me perguntam: “O que é aquela coisa lá em cima?”

    Bem, eu não sei o que é aquela coisa lá em cima. Tenho de vê-la repetidamente, dia após dia. Suspeito que alguém tenha entrado numa escola de arte, em algum lugar, sem ter muita arte de verdade dentro de si. Porque, para fazer esse tipo de coisa, como dizemos no inglês da Inglaterra, é preciso ter muita cara de pau.

    Lembro-me de que, há algum tempo, fiquei absolutamente espantado com um jovem americano que pintou uma cena para uma universidade japonesa e a chamou de A Batalha Épica, referente a algum acontecimento do Japão do século XV ou XVI.

    A maneira como ele produziu essa cena épica foi despejar baldes de tinta sobre uma tela enorme, correr por cima dela usando raquetes de neve e, depois, pegar uma bicicleta e andar em círculos, para a frente e para trás, sobre a tela. Ele a vendeu por vinte e dois mil dólares.

    Na época, todos na Grã-Bretanha ficaram horrorizados. Mas eu disse que qualquer homem que tenha tamanha cara de pau, que consiga cobrar vinte e dois mil dólares e recebê-los, merece recebê-los.

    Algumas das coisas que vejo sendo vendidas como pinturas hoje, eu poderia fazer — mas teria vergonha de fazer. Você olha para esse tipo de coisa, que poderia fazer quase quando criança, e simplesmente sente vergonha.

    Da mesma forma, tendemos a pensar que, se pegarmos a matéria-prima, colocarmos alguém numa escola bíblica ou num seminário teológico, ou o deixarmos aos cuidados de algum grande servo de Deus, essa pessoa automaticamente sairá dali como ministro da Palavra de Deus. Terá um ministério da Palavra de Deus. Isso não decorre automaticamente dessas coisas.

    Somente o Espírito Santo pode fazer nascer num homem ou numa mulher um ministério real, genuíno e original da Palavra de Deus. Somente o Espírito Santo pode treinar aquilo que Ele fez nascer. Somente o Espírito Santo pode habilitar essa pessoa quando ela estiver pronta para começar a cumprir esse ministério.

    Caráter e Experiência Espiritual

    Isso me leva ao segundo ponto: o ministério da Palavra de Deus deve proceder do caráter e da experiência espiritual de uma pessoa.

    Em outras palavras, o ministério da Palavra de Deus não procede apenas da cabeça. Não se trata de fechar-se num escritório, estudar várias doutrinas ou certa quantidade de teologia e, depois, em determinado momento, despejar tudo sobre a igreja.

    O ministério vivo da Palavra de Deus está relacionado ao caráter e à experiência espiritual de um homem ou de uma mulher. Se a pessoa tem pouco caráter espiritual, seu ministério da Palavra terá muito pouca profundidade. Se tem pouca experiência, o ministério da Palavra por meio dela terá muito pouco impacto.

    Essa questão do ministério da Palavra de Deus está ligada ao caráter espiritual e à experiência espiritual. Quando examinamos a Palavra de Deus, vemos isso do começo ao fim, de forma simbólica. Deus diz a certos profetas:

    Toma o rolo e come-o.

    Vocês se lembrarão de que, em alguns casos, eles disseram que era doce ao paladar e amargo no estômago. Até João teve essa experiência no livro de Apocalipse. O que o Senhor estava dizendo era isto: não adianta ficar ali pensando que, como um gravador divino, você pode despejar mensagens para Ele.

    A mensagem precisa entrar em você e tornar-se parte de você. Quer você transmita a mensagem e depois Deus faça com que venha a conhecê-la em sua própria experiência, quer você tenha a experiência e depois a mensagem proceda dela, o princípio permanece: sua experiência e seu caráter estão intimamente relacionados ao ministério da Palavra de Deus.

    É por isso que aqueles que são servos muito especiais de Deus, no que diz respeito ao ministério da Palavra de Deus, passam por experiências assim. Muitas vezes, Deus faz esses irmãos passarem por experiências estranhas e os conduz por caminhos incomuns, para que descubram o Senhor por si mesmos. Dessa descoberta do Senhor procede o ministério deles da Palavra de Deus.

    O Valor da Formação Humana

    A terceira coisa que gostaria de dizer é que a formação humana é valiosa quando esses dois elementos essenciais estão presentes. Quando é o Espírito Santo que está fazendo nascer esse ministério numa pessoa, e quando ele está relacionado ao caráter e à experiência dela, então a formação humana é valiosa.

    Agora quero passar às questões práticas. Qual é o lugar do estudo em tudo isso? Bem, é muito simples. Você pode ouvir o que estou dizendo e concluir que isso parece muito bom: não precisamos de seminários teológicos, de escolas bíblicas nem de todo aquele estudo que tanto cansa a mente. Tudo o que precisamos fazer é ter algumas experiências com o Senhor, e o ministério fluirá de nós.

    Não é assim. É absolutamente verdade que o ministério fluirá daquilo que o Senhor faz em você. Mas, ao mesmo tempo, o Senhor nunca usará alguém que é preguiçoso.

    Se você não se dedicar ao estudo — ao estudo intensivo — e não passar a conhecer intimamente as Escrituras, memorizando-as, além de estudá-las, o Espírito Santo nunca terá em você o tipo de material do qual poderá se servir.

    Por um lado, evite a ideia de que basta estudar a Palavra e estudar doutrina, e então você será ministro da Palavra de Deus. Esse é um perigo.

    O outro perigo é depender apenas de experiências com o Senhor. “Vou voar de experiência em experiência como uma borboleta, e o ministério simplesmente fluirá de mim, e todos serão abençoados.” O lugar do estudo é muito importante.

    Há uma coisa muito curiosa na maneira como o Senhor age — eu não deveria me expressar assim, mas estou apenas conversando com vocês nesta tarde. Você pode estudar, estudar e estudar, e então, quando o Senhor lhe dá uma palavra, ela pode não ter nada a ver com aquilo que você estudou.

    No entanto, o curioso é isto: se você não tivesse estudado, duvido muito que o Senhor lhe tivesse dado aquela palavra. Essa é a minha experiência. Você pode estudar um assunto inteiro em profundidade, e então o Senhor o leva numa direção completamente diferente quando de fato lhe dá algo para ministrar. Ainda assim, o lugar do estudo é de enorme importância.

    A Disciplina no Estudo

    Gostaria de dizer algo aos ocidentais — aos anglo-saxões e aos latinos, deixando de lado os orientais. Muitas vezes, existe no Ocidente um tipo de mentalidade que não quer realmente se dedicar ao estudo, porque todo estudo envolve disciplina.

    Você não pode estudar sem disciplina. Não pode estudar a menos que reserve deliberadamente tempo para isso. O Oriente sempre entendeu, até certo ponto, que o estudo é uma disciplina, e tem tendido a se dedicar a essa disciplina — quase ao ponto de ser necessário conter as pessoas, porque elas se tornam tão intensas nessa questão.

    Mas precisamos entender que o estudo exige disciplina. Você não entra no estudo simplesmente levado pela brisa. Não vai flutuando até ele. Não pode fazer uma pequena oração de manhã e dizer: “Senhor, agora arranja um tempo para eu estudar”, porque não é assim que se estuda.

    Você precisa assumir o controle de si mesmo nessa questão.

    O Conhecimento das Escrituras

    A segunda coisa que quero dizer sobre essa questão da formação humana é esta: conhecer a sua Bíblia é absolutamente fundamental para qualquer ministério da Palavra de Deus.

    Quando digo conhecer a sua Bíblia, quero dizer conhecê-la de todas as maneiras. Você precisa começar a ler a Bíblia de Gênesis a Apocalipse numa versão moderna, como quem lê um jornal.

    Sei que isso vai horrorizar alguns de vocês, mas eu pegaria uma versão moderna, como A Bíblia Viva, e leria um livro inteiro de uma só vez. Você consegue fazer isso. Não pense que não consegue. Você consegue ler jornais, assistir à televisão e fazer outras coisas.

    Se você ler algumas dessas cartas ou desses livros em A Bíblia Viva, vai achá-los muito empolgantes. Você não tem ideia de como são empolgantes até lê-los numa versão moderna. Você precisa conhecer a sua Bíblia.

    Muitos cristãos conhecem apenas certas passagens ou certas cartas. Basta olhar a Bíblia de algumas pessoas e ver como está marcada. Você consegue identificar Efésios, Romanos e os Evangelhos. Mas, quando chega ao Antigo Testamento, encontra áreas inteiras em que as páginas ainda estão grudadas, oito anos depois de a pessoa ter adquirido a Bíblia.

    Essa não é uma maneira de conhecer a sua Bíblia. Se você pretende ministrar a Palavra de Deus, há toda uma área de cegueira, toda uma área fechada para o Espírito Santo. Como Ele poderá falar com você a partir de Obadias, se você nem sequer sabe onde fica Obadias? Como poderá tirar alguma lição de Naum, se você mal ouviu falar de Naum?

    Você precisa conhecer a sua Bíblia. Há diferentes maneiras de fazer isso. A primeira é lê-la inteira sem transformar a leitura num fardo pesado demais. Pegue a versão mais fácil e leia uma carta inteira.

    Você descobrirá, por exemplo, que um pequeno livro como Cântico dos Cânticos pode ser lido literalmente em menos de uma hora. Eclesiastes pode ser lido rapidamente numa versão moderna. Você não conseguirá ler todos os Salmos de uma só vez, portanto não tente; isso é algo que você precisa fazer aos poucos.

    Mas as cartas, os livros históricos e os profetas podem ser lidos inteiros numa versão moderna, e o mesmo vale para o Novo Testamento.

    Sou muito grato pelo fato de que, quando fui salvo, eu não tinha uma Bíblia. Naqueles dias, todos achavam que todo mundo na Grã-Bretanha tinha uma Bíblia, então ninguém se preocupou em me dar uma — nem a mim, nem à minha irmã. Deram-nos apenas um pequeno Evangelho de João.

    Nós lemos aquele Evangelho de João repetidamente, durante um ano e meio, antes que alguém percebesse que não tínhamos uma Bíblia e nos desse uma. Até hoje, o Evangelho de João está escrito no meu ser. Sei onde estão todas as partes do Evangelho de João porque o li, e o li, e o li novamente.

    Nunca poderei enfatizar o suficiente que, se você quer conhecer a sua Bíblia, terá de lê-la do começo ao fim. Muitas vezes, as pessoas começam grandes planos de leitura integral da Bíblia na versão King James ou em outra versão difícil. Conseguem passar por Gênesis, têm dificuldades em Êxodo e, quando chegam a Levítico, começam a tropeçar de verdade.

    Quando finalmente chegam às genealogias de Crônicas, acabam de vez. Afundam para nunca mais reaparecer, e esse é o fim da leitura integral da Bíblia para a maioria das pessoas.

    Você precisa de uma boa versão moderna. Não se escandalize com ela. Alguns de vocês talvez não gostem de A Bíblia Viva, mas eu, pessoalmente, adoro quando ela diz que, quando Isaque nasceu, Abraão deu uma festa. A versão mais antiga diz:

    Fez um grande banquete.

    Mas gosto de “deu uma festa”. Penso: “Bem, na verdade, eles eram como nós”.

    Quando Davi estava causando problemas ao rei Saul, A Bíblia Viva diz que o rei Saul foi ao banheiro. É claro que não é exatamente assim que o original diz. A bela versão King James diz que ele “se retirou em particular”. Quem entende isso? Mas todo mundo entende “foi ao banheiro”. Enquanto ele estava no banheiro, Davi cortou a ponta de seu manto. Tudo faz sentido.

    Depois, você pensa em Elias como um homem muito austero. Quando estava zombando dos profetas de Baal, ele disse:

    Continuem, gritem mais alto. Talvez ele seja surdo. Ou talvez tenha partido em viagem.

    Na verdade, ele chegou a sugerir que talvez Baal estivesse sentado no vaso sanitário. É exatamente isso que ele disse em hebraico.

    Talvez você pense que estamos nos desviando do assunto. Não, na verdade, não. Estou tentando transmitir a vocês o fato de que precisam ler a Bíblia. Não a leiam apenas na versão antiga. A versão mais antiga tem seu lugar no estudo aprofundado, mas, para ler um livro ou uma carta inteira e obter uma visão geral do que o Senhor está dizendo ali, vocês precisam de uma versão moderna que não exija tanto esforço da mente.

    Você está lendo a Palavra de Deus inteira para não deixar nada de fora. Está conhecendo a Palavra em sua abrangência maior.

    Versões e Traduções para o Estudo

    A segunda coisa que eu diria é esta: escolha uma versão realmente boa e precisa para o estudo. A versão King James é tão boa quanto qualquer outra em muitos aspectos, mas sua linguagem é antiga e difícil.

    A American Standard Version, de 1901, que eu uso, é uma das versões mais precisas já produzidas. Pessoalmente, não tenho a Revised Standard Version em grande conta, e certamente também não tenho a New English Bible em grande conta.

    A New American Standard Bible é difícil de ler em público — é meticulosa demais —, mas é uma versão muito boa para o estudo, especialmente no Antigo Testamento. Mesmo no Novo Testamento, procura lidar com algumas construções difíceis, como:

    Tudo o que desligares na terra terá sido desligado no céu.

    Eu diria: adquira essa, ou até mesmo a Nova Versão Internacional, que é uma versão muito, muito boa quando se trata de estudar. Você precisa de uma versão assim como sua Bíblia de estudo.

    Lembre-se sempre de que as Sagradas Escrituras nos foram dadas originalmente em hebraico e grego. Sei que algumas pessoas acham que a versão King James nunca deveria ser alterada. Entendo o que sentem, particularmente por causa da beleza e do ritmo da versão King James.

    É uma versão maravilhosa para a memorização, porque Deus deu àqueles tradutores um ritmo que tem ajudado as pessoas a memorizar trechos inteiros. Mas não concordo com a ideia de que ela seja a única versão aceitável.

    Vocês já ouviram muitas vezes a história da senhora idosa que se aproximou de um pregador que havia usado a Revised Version e disse: “Por que o senhor não usou a versão King James? Se era boa o bastante para São Paulo, é boa o bastante para mim”.

    A questão é que todas as versões são traduções, e traduções são sempre traduções. Escolha a versão que você considera mais útil, mais precisa e mais fácil de estudar, e continue com ela.

    O Estudo Bíblico Temático e Analítico

    Há duas coisas que gostaria de dizer sobre o estudo da Palavra de Deus. Uma delas é o estudo temático. Escolha temas — muitos temas diferentes.

    Escolha, por exemplo, o tema do Senhor Jesus. Percorra todas as Escrituras e veja se consegue encontrar o Senhor Jesus. O Senhor Jesus abriu o entendimento de Seus discípulos na Lei, nos Profetas e nos Escritos. Ao percorrê-los, você consegue encontrar o Senhor Jesus?

    Escolha outro tema: há manifestações reais do Senhor Jesus antes de Seu nascimento? Ou escolha a salvação. Percorra todas as Escrituras e descubra onde a promessa de salvação aparece pela primeira vez. Acompanhe a palavra “salvação” por toda a Escritura. Acrescente outra palavra: redenção.

    Há tantos temas. Escolha a casa de Deus. Escolha a glória de Deus. Que coisa tremenda é descobrir que a primeira vez em que a expressão “a glória do Senhor” efetivamente toca a terra é quando o tabernáculo é erguido. Isso certamente deve ter um significado tremendo.

    Quando você faz estudos temáticos, começando pela primeira menção de um assunto e acompanhando-o até o fim, começa a entender as coisas. Mas resista à tentação de correr para a próxima reunião e transmitir tudo o que descobriu.

    Isso não é ministério da Palavra de Deus. O que o Senhor está fazendo é revelar coisas a você. Tudo o que você está descobrindo e começando a enxergar está se assentando dentro do seu próprio ser e do seu coração. É material para o Espírito Santo usar nos dias que virão.

    Depois, há outro tipo de estudo: o estudo analítico. Trata-se de escolher certas palavras e investigá-las de verdade. O que significam? O que significavam no original?

    Às vezes, você pode estudar um personagem. Considere a vida de Abraão: o que posso aprender com a vida de Abraão? Considere a vida de Jacó: o que posso aprender com a vida de Jacó? O que há no Antigo Testamento? O que há no Novo Testamento? O que aprendo com essa vida? Esses são estudos analíticos. Você está conhecendo a Bíblia.

    As Línguas Originais e a Formação Específica

    Talvez o estudo das línguas originais se aplique apenas a um ou dois de vocês. Há lugar para aprender as línguas originais, especialmente se você tem aptidão para isso.

    Às vezes, alguns jovens vêm me perguntar: “Devo aprender hebraico?” Sempre digo: “Com certeza, já que essa é a língua que você vai falar no céu de qualquer maneira, é melhor aprendê-la aqui embaixo”.

    Se perguntam: “Eu poderia aprender grego?”, digo: “Sim, é claro, se você tem aptidão para isso”. Mas, se isso significa que toda a sua vida será consumida durante quatro ou cinco anos de imersão no grego e você sairá de lá meio sem vida, então eu diria para não entrar nisso.

    Há valor em compreender algo das línguas originais, especialmente se Deus lhe dá um ministério mais específico.

    Há lugar para uma formação específica numa escola bíblica? Acho que vocês podem perceber, pelo que eu disse, que, na vida ocupada que a maioria de nós leva, não é fácil reservar tempo para estudar de verdade.

    Quanto maior for sua família e quanto mais novos forem seus filhos, mais dificuldades você terá nessa questão. Especialmente se, como Dana observou nesta manhã, você acaba de receber um cargo melhor na empresa em que trabalha e esperam que trabalhe ainda mais.

    Em alguns aspectos, às vezes penso que há lugar para uma formação específica, na qual a pessoa poderia se afastar por algum tempo da rotina normal e dedicar-se a um período de treinamento.

    O que considero triste é que, tantas vezes, a chamada escola bíblica aparentemente não cumpre seu objetivo. Conheci tantas pessoas que passaram pelo seminário teológico e me disseram: “Sabe, não sei o que aprendi lá”.

    Lembro-me de que, quando tínhamos estudantes em nossa casa na Grã-Bretanha, um ou dois que haviam passado pelo seminário me disseram: “Aprendi mais em meio ano aqui do que em três anos no seminário”. Mas não devemos pensar que a formação específica seja absolutamente errada.

    Recursos Práticos para o Estudo Bíblico

    Gostaria de dizer algo sobre os recursos de estudo. Para mim, estes são os essenciais.

    Concordâncias

    Primeiro, uma concordância. A maioria dos crentes se divide entre a Concordância de Strong e a Concordância de Young. Ambos enlouqueceram. É um fato espantoso que os dois tenham perdido o juízo como resultado da produção de suas concordâncias. Não os culpo.

    É um pouco como o monge que dividiu as Escrituras em capítulos e versículos no século XV. Ele também perdeu o juízo. No entanto, precisamos ser muito gratos a Young e a Strong, e pelo trabalho que realizaram.

    A Concordância de Strong oferece uma maneira mais complexa de pesquisar uma palavra, mas, no fim das contas, geralmente é considerada a melhor. Quando digo concordância, refiro-me a uma que apresente a língua original — não simplesmente uma concordância que diga onde aparece uma palavra em inglês.

    Você precisa de uma concordância que relacione as diversas palavras hebraicas e gregas traduzidas por determinada palavra em inglês. A maioria das concordâncias se baseia na versão King James. A Revised Version britânica, de 1881, e a versão americana de 1901 não se afastam tanto da King James a ponto de serem inúteis nesse aspecto.

    Mas uma concordância é muito, muito importante se você realmente pretende estudar a Bíblia em profundidade.

    Referências Cruzadas

    Segundo, você precisa aprender a usar referências cruzadas. Por favor, não venham todos me procurar, porque eu não daria conta; e tenho certeza de que Stephen nunca mais me convidaria se eu dissesse a todos vocês que fossem procurá-lo.

    Ninguém conseguirá estudar a Bíblia adequadamente sem saber usar referências cruzadas. Elas lançam uma luz tremenda sobre uma passagem quando você consegue seguir uma referência cruzada de um texto bíblico a outro e ver se essa outra referência esclarece a passagem que está estudando.

    Enciclopédias Bíblicas

    Terceiro, um recurso bíblico muito importante é uma enciclopédia bíblica. Não adquira uma daquelas coleções enormes, de muitos volumes. Adquira uma enciclopédia bíblica de volume único realmente boa.

    Vocês terão de perguntar a Stephen sobre isso, porque não sei o que publicam deste lado do Atlântico. Sei que o Dicionário Bíblico de Fausset ainda é publicado, creio eu. Fausset era um senhor bastante notável e, evidentemente, conhecia de fato o Senhor.

    Não é uma obra atualizada, mas você não sairia perdendo se tivesse a Enciclopédia Bíblica de Fausset e também uma das obras mais recentes, com as últimas descobertas arqueológicas e outras coisas que pudessem ajudar.

    Uma boa enciclopédia bíblica é importante. Quando você lê “denário”, o que é um denário? Nenhuma referência cruzada vai ajudá-lo, nem sua concordância. Quando lê “siclo”, alguns de vocês talvez se perguntem o que é um siclo. Ou, quando leem sobre o imposto do templo, o que é o imposto do templo? Você precisa de uma enciclopédia bíblica para essas coisas.

    Comentários

    Em quarto lugar, há os comentários. Quero fazer uma advertência a respeito deles. Ao longo dos anos, aconselhei todos os que me procuraram a respeito de comentários a terem muito cuidado, porque os comentários são como continuar dando comida na boca de alguém muito depois de essa pessoa já dever estar se alimentando sozinha.

    Você pode chegar a um estado de preguiça mental tão grande que olha para o comentário e pergunta: “O que Brown diz?” ou “O que Matthew Henry diz?” Se, Deus nos livre, Matthew Henry cometeu um erro em determinado ponto, então todos os que o seguem automaticamente cometem o mesmo erro.

    Gosto do tipo de comentário que informa a estrutura do livro, algo sobre sua origem, sua data, os problemas de sua datação e sua autoria. Estou falando de erudição conservadora, não de erudição modernista.

    A IVF costumava publicar um comentário muito bom, de volume único, para toda a Bíblia. Ele me fornecia, pelo menos, aquilo que eu queria saber, e então eu podia ler o texto e pesquisar outras coisas em outros lugares.

    Acho que isso é muito melhor. Você precisa fazer o seu próprio trabalho. Precisa entender o que o Senhor está dizendo numa carta, e não apenas descobrir o que outra pessoa disse a respeito dela.

    Quando tiver idade e maturidade suficientes no Senhor, poderá ler qualquer comentário. Poderá ler mil comentários quando estiver maduro o bastante no Senhor para discernir com perspicácia o que é bom e o que não é. Mas, quando ainda é muito novo no Senhor, você pode engolir tudo, e danos podem ser causados logo no começo.

    Outros Livros Úteis

    Em quinto lugar, gostaria de dizer algo sobre outros livros. Há alguns livros maravilhosos que podem ajudá-lo.

    Não conheço tão bem o cenário americano no que diz respeito aos livros, mas há certos clássicos que alcançam os dois lados do Atlântico — clássicos de língua inglesa que podem ajudar você a conhecer a Bíblia.

    Penso em Personagens da Bíblia, de F. B. Meyer. Creio que os personagens bíblicos talvez nunca tenham sido tratados de maneira melhor. É uma obra muito simples; você poderia ler um capítulo antes de dormir. Ainda assim, como introdução aos personagens bíblicos, considero-a tremenda.

    Penso em alguns livros de Campbell Morgan, especialmente em sua sinopse da Bíblia, que é bastante útil em muitos aspectos. Há, naturalmente, muitos outros. Estou apenas dando alguns exemplos.

    Há livros que podem ser uma ajuda muito real. Se você vai ministrar a Palavra, não tenha receio do ministério de outros.

    Sou muito grato por T. Austin-Sparks. Seu estilo é muito difícil, mas o valor daquilo que ele transmite e apresenta não se extingue. Penso também em Watchman Nee. Seu estilo é muito mais fácil.

    Nunca poderíamos enfatizar demais o valor que existe nesse tipo de ministério. Depois, penso nos livros do Dr. Tozer. Não consigo imaginar que alguém possa ler qualquer livro do Dr. Tozer sem ser desafiado e estimulado a aprofundar-se no Senhor.

    Há tantos outros que seria tolice tentar nomear todos. Quase hesito em mencionar nomes, por causa de todos os que deixamos de fora. Mas tudo o que estou tentando transmitir a vocês é isto: aqui estão recursos para o seu estudo.

    O principal é estudar a Palavra, assim como o objetivo principal do ministério da Palavra é pregar a Palavra. Quando as pessoas pregam suas teorias sobre a Palavra, isso é sempre perigoso. Quando pregam apenas sua própria experiência, isso pode ser perigoso. Somos instruídos a pregar a Palavra.

    Modalidades do Ministério da Palavra

    Na questão do ministério da Palavra de Deus, precisamos reconhecer o fato simples de que, embora o Espírito Santo seja Aquele Que faz nascer esse tipo de ministério, o treina e o habilita — e embora ele esteja essencialmente relacionado ao caráter e à experiência espiritual de uma pessoa —, ainda assim, a formação humana é valiosa quando esses elementos estão presentes.

    Agora, gostaria de dizer algo sobre os diferentes tipos de ministério da Palavra. A meu ver, há três tipos principais de ministério, juntamente com aquelas palavras mais breves que podemos compartilhar em comunhão ao redor da mesa do Senhor ou num momento de comunhão.

    Os três tipos principais de ministério são:

    1. Ensino.
    2. Ministério profético.
    3. Ministério evangelístico.

    Há também palavras de exortação, encorajamento, consolo e correção.

    O Ministério de Ensino

    No ensino, você pode dizer a mesma coisa mil vezes, em mil lugares diferentes, e ela pode continuar viva, cheia de vida, desde que o servo de Deus esteja andando com o Senhor, sensível ao Espírito de Deus e permanecendo sob a unção.

    Um servo de Deus pode dizer a mesma coisa mil vezes, e ela pode ser tão viva na milésima vez quanto foi no começo. Isso é ensino, porque ensinar é, até certo ponto, repetir.

    Não quero dizer necessariamente repetição dentro de uma única mensagem, embora isso também aconteça com frequência. Quero dizer que o ministério de ensino é a exposição de princípios, verdades e coisas dessa natureza.

    O Ministério Profético

    O ministério profético difere muito do ensino. Você pode transmitir profeticamente uma mensagem que Deus ungiu para um tempo específico e um povo específico. Depois, tenta transmiti-la novamente em outro lugar; se o Senhor não lhe disse que fizesse isso e não a fez nascer de novo em seu coração, ela está completamente morta.

    Algumas pessoas foram usadas por Deus de maneira viva e poderosa para transmitir uma palavra profética, e então pensam: “Vou transmitir essa palavra em tal lugar”, apenas para descobrir que ela morreu em suas mãos. Você não pode fazer isso.

    A própria natureza do ministério profético é que ele seja dirigido pelo Senhor a uma situação específica e às pessoas específicas que se encontram naquela situação.

    Isso não significa que um encargo profético que Deus lhe deu não será comunicado repetidamente. Mas minha experiência é que ele precisa nascer de novo a cada vez. Quer você o transmita dez, doze ou vinte vezes, ele precisa nascer de novo em seu coração.

    Você precisa experimentar a unção se acendendo sobre esse assunto. Precisa saber em seu coração: “É isso que o Senhor quer dizer”. Isso é ministério profético.

    O ministério profético é, a meu ver, o que exige o maior preço entre os ministérios.

    O Ministério Evangelístico

    Depois, há o ministério evangelístico. Não sei por que aqueles que têm um ministério evangelístico parecem sempre ter esse desejo no coração de entrar no ensino.

    Considero isso uma das maiores tragédias entre o povo do Senhor hoje: homens com um verdadeiro dom evangelístico, que têm vivido nesse ministério evangelístico, entram no ensino e sempre acabam em dificuldades.

    Eles têm unção para um ministério evangelístico da Palavra de Deus, mas talvez não tenham unção para um ministério de ensino da Palavra de Deus.

    O ministério evangelístico é simples, direto, contemporâneo e ilustrado. É maravilhoso quando uma pessoa tem esse dom. Gostaria que cada comunidade representada aqui tivesse esse dom — um dom original.

    Vocês conseguem imaginar a multiplicação que poderia acontecer em tantas áreas se houvesse esse dom?

    Exortação, Encorajamento, Consolo e Correção

    Depois, há outro tipo de ministério, que eu colocaria sob as categorias de exortação, encorajamento, consolo e, às vezes, correção — não necessariamente de maneira pesada. Pode ser simplesmente um realinhamento.

    Às vezes, o Senhor dá uma palavra a um irmão, e ele compartilha uma breve palavra num momento de comunhão — talvez sobre a centralidade do Senhor. Toda a assembleia, a comunidade ou o grupo de filhos de Deus naquele lugar é realinhado.

    A palavra é tão viva e está tão debaixo da unção que é quase como se o Senhor tivesse realinhado toda a comunidade, que havia saído um pouco do rumo, e a tivesse colocado novamente na direção certa.

    Não precisamos de exortação? Precisamos desse ministério maravilhoso pelo qual somos encorajados a prosseguir com o Senhor, encorajados a servir ao Senhor, encorajados a perseverar e encorajados de tantas outras maneiras. Precisamos disso nestes dias.

    O Nascimento e o Desenvolvimento de uma Mensagem

    Por fim, permitam-me apresentar mais alguns pontos práticos sobre o próprio ministério. Falamos sobre o estudo, que está por trás dele, e sobre os tipos de ministério.

    Uma mensagem precisa nascer. O Espírito Santo precisa fazer uma mensagem nascer; Ele precisa concebê-la no ventre do espírito de uma pessoa.

    Se você não está andando com o Senhor, sensível ao Senhor e em união com o Senhor, como o Espírito Santo poderá conceber essa mensagem? Isso é muito, muito importante.

    Às vezes, as pessoas perguntam: “Como nasce uma mensagem assim?” Há mil maneiras pelas quais uma mensagem pode nascer.

    Já tive mensagens que nasceram em meu coração quando eu estava a trinta e cinco mil pés de altitude, num avião, recebendo uma refeição. De repente, percebi algo nascendo em meu espírito, e quase engasguei com a comida enquanto pensava: “Meu Deus, Senhor, como isso é maravilhoso”.

    Aprendi, pela experiência, a sempre anotar muito rapidamente aquilo que o Senhor dá nesse momento. Pego um guardanapo, uma folha velha de papel timbrado ou qualquer coisa, e escrevo imediatamente.

    Às vezes, isso aconteceu quando eu estava na banheira. Vocês conseguem imaginar? O Senhor não é maravilhoso? De repente, na banheira, Ele lhe dá uma palavra. Às vezes, aconteceu enquanto eu fazia compras ou passeava com o cachorro. De repente, algo é concebido em meu coração.

    Às vezes, isso acontece enquanto estou ouvindo outra pessoa. Não se trata de roubar algo dela. Mas, quando é um ministério vivo, sempre constatei que ministério vivo gera ministério vivo. Lembro-me de o Sr. Sparks ter dito isso, anos atrás.

    Enquanto você ouve, algo nasce em seu coração — talvez numa direção diferente, mas nasce em seu coração.

    Algumas pessoas pensam que a única maneira adequada de uma mensagem ser concebida num servo de Deus é quando ele fica fechado, afastado de tudo, durante horas e horas em oração. Não tenho nada contra horas e horas de oração.

    Mas preciso dizer a vocês que nossa alma muitas vezes pode se intrometer nisso. Quando eu era mais novo no Senhor, se tivesse sido convidado para falar e precisasse receber uma mensagem, ficava muito agitado. Eu me isolava, suplicava ao Senhor e me tornava cada vez mais intenso.

    Descobri uma coisa muito interessante: quanto mais intenso eu me tornava, e quanto mais me desgastava apelando ao Senhor, menos a mensagem vinha.

    Entendo que, quando se trata de dar à luz, os melhores partos sempre acontecem quando se está relaxado.

    Descobri que a melhor coisa a fazer era simplesmente deitar. Isso pode parecer terrivelmente pouco espiritual para vocês. Não estou dizendo que o Senhor faria isso com você, porque talvez você não seja tão intenso quanto eu nessa questão.

    Mas, hoje em dia, digo ao Senhor: “Está bem, Senhor, esse compromisso está chegando. Tu queres que eu transmita essa palavra. Vou simplesmente deitar. Estou aqui. Tu podes trazê-la a mim. Sabes muito bem que estou pronto para orar, pronto para estudar e pronto para fazer todas as outras coisas. Mas não vou chegar a um estado em que minha alma se intrometa e impeça que Tu me alcances com a Tua Palavra”.

    Há tantas maneiras pelas quais o Senhor pode fazer uma mensagem nascer no coração de uma pessoa — em qualquer lugar e a qualquer hora. Apenas ande com o Senhor. Essa é a chave. Ande com o Senhor, seja sensível ao Senhor e tenha uma experiência viva no Senhor. Ele fará a mensagem nascer.

    E quanto ao desenvolvimento da mensagem? Aqui está uma coisa maravilhosa: às vezes, o Senhor faz uma mensagem nascer em seu coração e, por algum tempo, ela fica como que encoberta por uma nuvem. Não se desenvolve. Às vezes, Ele a desenvolve quase imediatamente.

    Já houve ocasiões em que esperei no Senhor durante horas, tendo alguma conferência em mente, e o Senhor não me deu nada. Então, de repente, em poucos minutos, Ele me deu as cinco reuniões de uma só vez. Não estou dizendo que Ele faria isso com todos; é assim que faz comigo.

    Vem tão depressa que parece um ditado. Não consigo anotar com rapidez suficiente. Penso: “Senhor, espera um pouco, para que eu consiga anotar tudo”.

    Você sabe qual é o perigo no desenvolvimento? Acrescentar aquilo que o Senhor não disse.

    Esse é um perigo terrível no ministério da Palavra de Deus, e é por isso que tantos ministérios morrem. Depois de receberem algo do Senhor, as pessoas começam a explorar tudo na enciclopédia bíblica e no comentário. Vão empilhando mais e mais coisas sobre aquilo que o Senhor disse, até que, no fim, as pobres almas que as ouvem não sabem o que o Senhor disse originalmente.

    Elas apresentam o Sermão do Monte inteiro, do começo ao fim, com toda a estrutura e muitos pontos aqui, ali e por toda parte, enquanto aquilo que o Senhor disse talvez tenha sido simplesmente:

    Quando orares, entra no teu aposento interior e, tendo fechado a tua porta, ora a teu Pai, Que está em secreto.

    Mas, depois que você apresentou o sermão inteiro — como surgiu, onde o Senhor estava, tudo a respeito dele, do começo ao fim, e todos os diversos assuntos —, a mensagem que Deus lhe deu originalmente ficou enterrada. Ninguém recebeu a mensagem. Acrescentamos tanta coisa que a matamos.

    A Fé no Exercício do Ministério

    A última coisa que quero dizer a esse respeito é que você precisa de fé. Nunca haverá unção sobre a palavra que você transmite a menos que, por fim, ela seja transmitida em fé.

    Percebo que a maneira como o Senhor lida comigo provavelmente é diferente da maneira como Ele lida com você, porque seu temperamento e sua personalidade podem ser diferentes. Mas isto é o que o Senhor frequentemente faz comigo.

    Agora já me acostumei, então isso não me incomoda mais. Anos atrás, fazia-me suar frio. O Senhor trazia uma neblina sobre mim — literalmente uma neblina espiritual — pouco antes de eu ministrar.

    Eu perdia toda a clareza que tinha e então começava a me preocupar. “Tenho de enfrentar as pessoas. Agora não consigo pensar. O que era mesmo que eu tinha?” Pegava minhas anotações, mas, quando olhava para elas, pareciam tão mortas. Pensava: “Ah, estão tão mortas”.

    Já passei por isso mil vezes; não estou exagerando. Fui tentado a pensar: “Esqueça. O Senhor não está nisso. Você vai se levantar ali e servir carne morta a eles”.

    Então penso: “Foi o Senhor Que fez isso nascer em mim, e é o Senhor Que o desenvolveu. Vou seguir em frente pela fé”.

    É por isso que, antes de falar, sempre digo: “Senhor, Tu tens uma unção para mim e para estes ouvintes. Eu a recebo pela fé, em nome do Senhor Jesus”. Então sigo em frente.

    Descubro que o Senhor está sempre presente, de maneira viva, quando é realmente Ele mesmo que está nisso. Descobri que esse é o mecanismo de segurança do Senhor para uma pessoa como eu, porque tenho uma imaginação e uma mente muito férteis.

    Se eu tivesse clareza no último momento, acrescentaria um monte de coisas à mensagem, e o Senhor diria: “Para que você disse tudo aquilo?” Então, a maneira como Ele faz é me colocar numa espécie de geladeira pouco antes da mensagem. Isso efetivamente me impede de acrescentar qualquer coisa a ela.

    No último momento, só posso transmitir aquilo que Ele me deu.

    A Autenticidade no Ministério

    Duas outras coisas: seja você mesmo. Não tente ser eu. Não tente ser Stephen. Não tente ser qualquer outra pessoa.

    Imite nossa fé. Imite nosso compromisso. Mas não imite nossas excentricidades. Não acho que Stephen tenha muitas excentricidades, mas eu tenho muitas. Por favor, não imite as minhas.

    Há algumas excentricidades espantosas entre os pregadores. Já as vi ao longo da vida. Sempre fui muito observador.

    Lembro-me de um pregador de quando eu era menino. Ele nunca olhava para a congregação. Ficava sempre com a cabeça erguida, olhando para cima. A gente se perguntava se eram os anjos que ele estava ensinando. Era sempre difícil ouvi-lo, porque mantinha a cabeça fixa naquela posição.

    Alguns seminários teológicos nos dizem: “Se você tem medo da congregação, pregue olhando um pouco acima dela”. Então aparecem pessoas sempre pregando para alguma congregação imaginária lá em cima. Acho muito desconcertante quando um pregador nunca olha para você.

    Gosto que o pregador olhe para a gente de vez em quando. Já vi pessoas desmaiarem e serem carregadas para fora sem que o pregador sequer percebesse, porque estava com o rosto fixo lá em cima. A congregação inteira poderia ter morrido de peste, e ele não teria percebido.

    Tenham muito cuidado com algumas dessas coisas. Lembro-me de outro pregador que havia sido ensinado a pregar com o corpo. Isso era algo muito importante no começo do século: você deveria pregar com todo o seu ser.

    Infelizmente, ele tinha as mãos mais enormes que já vi num homem. Pareciam travessas de servir peru. Quando chegava a um ponto muito importante da mensagem, agitava aquelas mãos imensas. Nós olhávamos para as mãos dele e perdíamos toda a mensagem.

    Há tantas coisas estranhas. Às vezes, nos dizem para variar o tom de voz. Quando fui salvo, havia um pregador na igreja conhecido como o pregador da dor de cabeça.

    Tinham lhe ensinado a modular o tom para que as pessoas não dormissem. E certamente elas não dormiam. Quando ele chegava ao ponto mais importante, baixava a voz de repente, e toda a congregação se inclinava para a frente, tentando captar o que ele estava dizendo.

    Meu querido amigo, seja você mesmo.

    Se Deus lhe deu uma voz monótona, tenho a suspeita de que você não esteja destinado ao ministério da Palavra de Deus. Tenho certeza de que o Senhor nunca desejaria fazer a igreja inteira dormir.

    Mas varie o tom; seja você mesmo. Lembre-se: Deus não pode ser Ele mesmo em você até que você seja você mesmo Nele.

    Conclusão

    Assim, encerro este breve tempo sobre o ministério da Palavra de Deus. Creio que ser chamado para o ministério da Palavra de Deus é algo tremendo.

    É uma vida inteira de educação e treinamento. Não acho que cheguemos ao fim de nosso treinamento e de nossa educação, mesmo quando já temos muitos anos no Senhor e muitos anos de ministério da Palavra de Deus.

    Estamos sempre aprendendo, aprendendo e aprendendo, sendo educados e treinados. Mas penso que seria algo tremendo se Deus pudesse aproveitar este nosso tempo juntos, especialmente com alguns de vocês, jovens, colocar um novo encargo em seu coração e introduzi-los em alguma disciplina viva da parte Dele no que diz respeito ao ministério da Palavra de Deus.

    Vamos orar?

    Oração

    Querido Senhor, nós simplesmente nos entregamos a Ti. Oramos, Senhor, para que levantes ministros da Tua Palavra — um verdadeiro ministério da Tua Palavra, não apenas algo formal ou institucional, mas algo, Senhor, que seja resultado da Tua obra em nossa vida.

    Senhor, apelamos a Ti. Tu disseste que, se vemos os campos já brancos para a colheita, devemos pedir ao Senhor da seara que Ele envie trabalhadores para o campo.

    Apelamos a Ti, Senhor, para que, nestes dias em que há tamanha fome da Palavra de Deus, envies ao campo trabalhadores que sejam capazes, Senhor, por assim dizer, de cumprir o ministério que Tu lhes deste.

    Senhor, ouve-nos, nós Te pedimos, enquanto nos entregamos a Ti. Tu és tão fiel; Tu és tão maravilhoso. Uma vez que concedes esse ministério, Senhor, também concedes a graça para que ele seja cumprido.

    E é por isso que Te damos louvor e graças nesta tarde, em nome de nosso Senhor Jesus.