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THAT THE WORD OF THE LORD MAY RUN AND BE GLORIFIED
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    I Will Build My Church, Glorious & Living Stones © 2026 Christian Testimony Ministry
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    I Will Build My Church, Glorious & Living Stones
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    Lambert, Lance

    A Natureza Gloriosa da Igreja

    Abram comigo, nesta noite, no Evangelho de Mateus, em Mateus 16:13. Vamos ler a partir desse versículo.

    E, chegando Jesus às regiões de Cesareia de Filipe, perguntou aos Seus discípulos, dizendo: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” E eles disseram: “Uns, João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou algum dos profetas.” Disse-lhes Ele: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” E Simão Pedro, respondendo, disse: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” E Jesus, respondendo, disse-lhe: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas: porque não foi carne e sangue que te revelou isso, mas Meu Pai, que está nos céus. Também Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”

    Agora, abram na carta aos Efésios, em Efésios 2:19. Vamos ler a partir desse versículo.

    Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular; no Qual cada edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor; no Qual também vós sois juntamente edificados para habitação de Deus no Espírito.

    E, por último, na primeira carta de Pedro, a partir de 1 Pedro 2:1.

    Despojando-vos, portanto, de toda maldade, de todo engano, de hipocrisias, de invejas e de toda maledicência; como crianças recém-nascidas, desejai o leite espiritual sem engano, para que, por ele, cresçais para a salvação; se é que já provastes que o Senhor é bondoso. Chegando-vos a Ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para Deus, eleita e preciosa; também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual, para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo. Pois está contido na Escritura: “Eis que ponho em Sião uma principal pedra angular, eleita e preciosa: e quem Nela crê não será envergonhado.” Para vós, portanto, que credes, é a preciosidade.

    Vamos nos inclinar juntos para uma palavra de oração.

    Pai celestial, ao nos aproximarmos da Tua Palavra nesta noite, queremos, de maneira muito simples, reconhecer mais uma vez que sem Ti nada podemos fazer. Podemos dizer palavras, definir verdades, explicar doutrinas; mas, Senhor, se Tu não fores o poder e a vida, o princípio e o fim deste ministério, então, Senhor, ele não terá proveito algum do ponto de vista da eternidade.

    Amado Senhor, nós Te pedimos: resgata este tempo de toda irrelevância. Resgata-o, Senhor, de toda inutilidade. Resgata-o de toda vaidade. Resgata-o, Senhor, de ser apenas palavras. Pedimos, ó Senhor, que estejas de tal maneira presente entre nós que nos encontremos Contigo e reconheçamos o Teu Espírito trabalhando profundamente em nossos corações.

    Senhor, para esse fim, tomamos pela fé aquela unção que nos pertence por meio da obra consumada de nosso Senhor Jesus, tornada uma realidade tão gloriosa na Pessoa do Espírito Santo. Tanto para falar como para ouvir, tomamos essa unção, para que, Senhor, o Teu propósito para este tempo se cumpra inteiramente. E daremos a Ti todo o louvor e toda a glória, em nome de nosso Senhor Jesus. Amém.

    A Igreja como Vaso da Glória de Deus

    A passagem que lemos juntos no Evangelho de Mateus contém aquelas palavras que imagino serem conhecidas de todos aqui nesta noite. Estão em Mateus 16:18:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Esse acontecimento registrado aqui, ocorrido em Cesareia de Filipe, tem um significado profundo. Foi a primeira vez que houve uma revelação clara, dogmática e categórica da Pessoa do Senhor Jesus. Antes disso, havia indícios, algumas deduções, algumas tentativas quase trêmulas e hesitantes de compreender se Ele era o Messias, se realmente era Aquele que Deus havia prometido.

    Mas aqui, pela primeira vez entre os discípulos, houve uma revelação dada em termos absolutamente categóricos e dogmáticos:

    Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

    E imediatamente Jesus revelou o alvo, a finalidade, o propósito de Sua vinda e de Sua obra:

    Tu és Pedro.

    Uma pequena rocha, por assim dizer, um fragmento da rocha, uma pedra.

    Sobre esta rocha […] edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Essa rocha é o maciço rochoso.

    Tu és. Eu edificarei.

    É maravilhoso quando vocês enxergam dessa maneira.

    Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo. Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja; e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.

    Ontem à noite, consideramos o propósito imutável do Senhor Jesus:

    Edificarei a Minha igreja.

    Não vou retomar nada daquilo. Tudo o que quero fazer nesta noite é avançar para outra consideração: a natureza gloriosa da igreja que Ele está edificando.

    Tu és Pedro. Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Deus está trabalhando em direção a um único fim, e somente a um, e esse fim é a glória.

    O Significado da Glória

    Agora, a glória é provavelmente o assunto mais difícil de interpretar ou explicar. Cada um tem sua própria ideia do que significa glória. É uma palavra um tanto antiquada. Para aqueles de nós que vêm do Velho Mundo, a glória pertence essencialmente àquele mundo. Pensamos em grandes corais e bandas reunidos, em monarcas ou imperadores reinantes, em recompensas sendo concedidas, em medalhas sendo presas ao peito, ou em coisas assim.

    Pensamos na glória dessa maneira: algum espetáculo maravilhoso de autoridade, poder e majestade. De uma forma ou de outra, acho que isso deve ter chegado até aqui, até mesmo nas comemorações do Quatro de Julho. De algum modo, isso também chegou a estas terras.

    Não sei o que vocês entendem por glória, mas é uma palavra, um termo, uma ideia extremamente difícil de definir. É especialmente importante que a compreendamos porque, do princípio ao fim, a Bíblia fala de glória.

    Talvez não esteja inteiramente claro para muitos de nós o quanto a Bíblia fala de glória, mas ela está em cada página da Palavra revelada de Deus.

    Sabem, perdemos a glória por causa do pecado. Todos conhecemos essas palavras. Elas praticamente fazem parte dos fundamentos daquilo que chamamos de evangelho simples:

    Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus.

    Mas parece que ninguém pensa nisso.

    Pelo pecado, pela Queda, perdemos a glória de Deus. Em outras palavras, nessa simples declaração de fato está implícita esta verdade: você e eu fomos criados para a glória.

    Algo entrou em cena bem no início da história humana e nos fez perder aquilo para o qual fomos criados. Em outras palavras, no fim das contas, os seres humanos não são verdadeiramente realizados enquanto não caminham em direção à glória.

    Somos apenas sombras de uma ideia. Somos apenas os reflexos mais pálidos daquilo que Deus realmente pretendia. Deus não pretendia que fôssemos pequenas criaturas miseráveis, assoladas por doenças, carregadas de infecções, arrastando-nos em luto e tristeza, em dor e sofrimento, cercadas pela morte, limitadas pela corrupção.

    Foi isso que Deus pretendeu para a humanidade? Foi para isso que Ele nos criou? Não. Quando Deus criou os primeiros seres humanos, tinha em vista a Sua própria glória.

    Ele constituiu o ser humano de tal maneira que pudesse ser glorificado da cabeça aos pés. Do alto da cabeça à planta dos pés, Ele nos criou e nos constituiu de tal maneira que, ao final, pudéssemos entrar na glória de Deus; que a glória de Deus pudesse entrar em nós; e que pudéssemos ser transfigurados pela glória de Deus.

    Não se trata de uma espécie de holofote da glória de Deus brilhando sobre nós, de modo que, ao sairmos de seu alcance, voltássemos imediatamente ao nosso estado natural, enquanto, debaixo da luz, reluzíssemos com algum tipo de brilho. Essa glória para a qual Deus nos destinou era algo que viria de dentro e resplandeceria numa luz radiante que simplesmente transfiguraria a carne, as roupas ou qualquer outra coisa.

    Essa era a intenção de Deus para nós. Mas ainda não respondemos à pergunta: o que é a glória?

    Se fomos criados para a glória, se perdemos a glória de Deus por causa do pecado, e se o Senhor Jesus veio — e foi dito a respeito Dele:

    O Verbo Se fez carne e habitou entre nós; e contemplamos a Sua glória, glória como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

    Se Ele veio para revelar, manifestar e expressar a glória de Deus, e se, ao final, por meio de Sua obra consumada na cruz, levará muitos filhos à glória, então o que é a glória?

    É claro que a glória deve ter alguma relação com recompensas. Deve ter alguma relação com realização. Deve ter alguma relação com posição — com coroas, tronos, medalhas e homenagens. Mas essa é a menor parte da glória. Isso é apenas o sintoma da glória, se quiserem. Ainda não tocamos na questão central. O que é a glória?

    Austin-Sparks disse há muitos anos, e eu me lembro: “A glória é a presença manifesta de Deus.” Não apenas a presença de Deus, mas a presença manifesta de Deus.

    Em outras palavras, Deus nos criou para Si mesmo, para que, ao final, nos tornássemos vasos de glória. Para que nos tornássemos vasos nos quais Ele pudesse manifestar Sua Pessoa, por meio dos quais pudesse mostrar-Se, revelar-Se, expressar-Se.

    A Glória ao Longo das Escrituras

    Agora, queridos amigos, quando realmente examinamos essa questão da glória, nós a encontramos em toda parte no registro bíblico. Foi o Deus da glória que apareceu ao nosso pai Abraão quando ele estava na Mesopotâmia, em Ur dos caldeus — o Deus da glória.

    Tendemos a pensar nisso como uma simples expressão: o Deus glorioso apareceu a Abraão. Mas, vejam, quando o Deus da glória apareceu a Abraão, tornou-o incapaz de se satisfazer com qualquer coisa que não fosse a glória de Deus.

    Foi como se ele tivesse tido um vislumbre do significado de ser humano, do chamado de Deus; como se tivesse visto algo do destino original de Deus para o homem; como se, de algum modo, ao contemplar o Deus da glória, tivesse visto a cidade de Deus.

    Embora nunca tenha vivido numa cidade — depois de deixar Ur dos caldeus, ele nunca viveu em Jerusalém, que estava aqui nesta terra —, peregrinou de um lugar para outro numa tenda. Ainda assim, tornou-se cidadão de uma cidade. Saiu à procura da cidade que tem fundamentos, cujo Construtor e Arquiteto é Deus.

    O que aconteceu? Ele não leu um livro. Mas, quando viu o Deus da glória, viu a glória de Deus. Viu que a glória de Deus estava, de alguma maneira, essencial e substancialmente ligada a um povo. Estava ligada a uma cidade. Não era algo isolado.

    É muito interessante que a primeira vez em que ouvimos falar da glória de Deus tocando a terra, conforme o registro das Escrituras, seja quando o tabernáculo foi erguido na terra.

    Quando o tabernáculo finalmente foi erguido exatamente segundo o modelo dado a Moisés, a glória do Senhor encheu o tabernáculo como uma fumaça, de modo que ninguém podia entrar. Foi a primeira vez, desde a Queda, que a glória de Deus realmente tocou a terra.

    Isso não é significativo? Era como se Deus estivesse dizendo: “Isto representa a mesma coisa que Abraão viu. Isto, de outra maneira, é a cidade. Esta é a casa da Minha glória. Este é o vaso da Minha glória.”

    É interessante que, mais tarde, quando o templo foi construído, novamente de acordo com o plano que Deus havia dado a Moisés, só que de forma mais concreta — Salomão o construiu —, vocês se lembrarão de que, na dedicação, quando os sacerdotes estavam prestes a entrar no templo, a glória do Senhor encheu todo o templo, e os sacerdotes não conseguiam sequer permanecer de pé para ministrar.

    Tudo o que podiam fazer era prostrar-se, com a testa tocando o chão, na presença da glória de Deus. Pela segunda vez, a glória de Deus tocou a terra, como se Deus estivesse enfatizando novamente uma verdade tremenda: essa Sua glória não é apenas uma questão individual; ela tem a ver com pessoas redimidas, edificadas juntas para serem habitação de Deus no Espírito.

    Amigos, para onde quer que olhemos, encontramos essa realidade tremenda. Foi, como João disse, a glória de Deus que eles contemplaram no Senhor Jesus. Foi para a glória que fomos salvos e chamados.

    Deixem-me citar algumas passagens das Escrituras. Talvez vocês queiram anotá-las e depois refletir sobre elas. Não consigo pensar numa maneira melhor de aproveitar este tempo.

    1 Pedro 5:10:

    E o Deus de toda graça, que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo Jesus, depois de haverdes sofrido por um pouco, Ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará e fortalecerá. A Ele seja o domínio para todo o sempre. Amém.

    Que palavras maravilhosas. Ouçam novamente:

    O Deus de toda graça, que vos chamou à Sua eterna glória em Cristo Jesus.

    Aqui temos uma pista. Onde está essa glória eterna? Está em Cristo Jesus. E para que Deus está nos chamando? Ele está nos chamando para nos tornarmos participantes dessa glória eterna, para compartilharmos dessa glória eterna na Pessoa de nosso Senhor Jesus.

    Ah, que chamado! Que chamado!

    Ou vejamos outra passagem: Efésios 5:27. São expressões que muitos de nós já lemos inúmeras vezes, mas talvez nunca tenhamos percebido plenamente seu significado:

    Para apresentar a Si mesmo a igreja gloriosa.

    Uma igreja de glória.

    Sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante; mas santa e irrepreensível.

    Ou, como já citei, Hebreus 2:10:

    Porque convinha Àquele, para Quem são todas as coisas e por meio de Quem são todas as coisas, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoar, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.

    Conduzir muitos filhos à glória. Filhos que passaram pela disciplina do Senhor, levados à maturidade — muitos filhos à glória.

    Ou penso num versículo ainda mais maravilhoso, em Romanos 9:23. Ah, como considero esse versículo extraordinário. Sei que ele trará dificuldades para alguns.

    E que direis se Deus, querendo mostrar a Sua ira e dar a conhecer o Seu poder, suportou com muita longanimidade vasos de ira preparados para a destruição; para que desse a conhecer as riquezas da Sua glória sobre vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória?

    Glória, misericórdia, glória. Ah, que coisa maravilhosa. Sei que alguns de vocês terão dificuldades com o lado negativo dessa passagem, mas deixem isso de lado por um momento e passem ao lado positivo.

    Esqueçam os vasos de ira preparados para a destruição. Se você é filho de Deus, salvo pela graça de Deus, pense nisto: você é um vaso de misericórdia, de antemão preparado para a glória. Por quê? Para que Ele manifeste as riquezas de Sua glória em você, um vaso de misericórdia.

    Ah, queridos filhos de Deus, que chamado é o nosso. Já seria maravilhoso estar na presença de Deus por toda a eternidade, em todas as eras vindouras — estar na presença de Deus, desfrutando de Sua graça, de Seu amor, de Suas obras, desfrutando simplesmente Dele. Isso já seria suficiente.

    Mas pensar que Ele nos chamou para sermos participantes de Sua glória, para que, com o Senhor Jesus e no Senhor Jesus, compartilhemos de Sua glória eterna — eu digo que isso é tremendo.

    Se algum de nós já experimentou aquele maravilhoso arrebatamento causado pelo Espírito Santo, quando, num momento de revelação, numa nova experiência da misericórdia e da graça de Deus, ficamos completamente fora de nós por algum tempo e andamos, por assim dizer, nas nuvens — e ainda não fomos glorificados —, o que será, então, quando formos glorificados?

    Até os traços mais feios se tornarão belos quando formos glorificados. Será algo tão tremendo.

    Não sei se algum de vocês já conheceu aquela sensação de satisfação ao realizar algo que está no seu ser e na sua personalidade — algo que talvez lhe tenha sido dado — e, depois de muitos anos, finalmente conseguir fazê-lo. Há uma sensação tão grande de que aquilo é o certo, uma satisfação tão grande, um sentimento tão profundo de realização.

    Como vocês acham que será, um dia, quando estivermos cheios da glória de Deus, quando formos glorificados, quando finalmente se cumprir aquilo para o qual Deus originalmente nos criou e pelo qual nosso Senhor Jesus veio e morreu por nós?

    Meus queridos amigos, não poderia haver nada mais maravilhoso em todo o mundo.

    A Aflição à Luz da Glória

    As pessoas olham para nós, cristãos, e acham que somos um grupo tão patético. Bem, normalmente somos mesmo. Quero dizer, somos. Estamos sempre nos arrastando na lama, revirando o lixo infestado ao nosso redor: “Senhor, tem misericórdia de nós. Tem misericórdia de nós. Tem misericórdia de nós.”

    Vocês sabem como é: temos de ficar o tempo todo nos rastejando por aqui, quando somos filhos e filhas do Rei, destinados à glória.

    Ah, é absolutamente verdade que não somos dignos. É absolutamente verdade que somos pecadores. É absolutamente verdade que precisamos da misericórdia de Deus. Mas somos vasos de misericórdia, de antemão preparados para a glória.

    Ah, meus queridos amigos, eu sinto pena do mundo. As pessoas dizem: “Ah, você não sabe como é ser cristão: tantas aflições, tantas tribulações, tantos problemas.” E daí?

    E daí? Suponham que vocês tivessem todas as tribulações, todas as aflições e todos os problemas, e ainda por cima nenhuma glória — nenhum destino de glória. Pensem nisso.

    Porque a nossa leve aflição, que é momentânea, produz para nós, cada vez mais abundantemente, um eterno peso de glória.

    É claro que, se não enxergamos a glória para a qual fomos chamados, tudo o que podemos fazer é dar uma importância enorme às nossas leves aflições. Elas deixam de ser leves; tornam-se pesos excessivos e eternos.

    Somos perseguidos o tempo todo pelo inimigo e, além disso, temos de suportar nossos irmãos e irmãs. A comunhão é uma chatice. É uma longa sequência de dificuldades, incessante e interminável. Por que deveríamos suportá-la? Qual é o sentido disso — ficar presos com todas essas mentes pequenas e corações pequenos, com todos os seus probleminhas?

    É claro, são sempre os outros que têm probleminhas.

    Meus queridos amigos, se enxergarmos a glória para a qual fomos chamados, tudo isso perde sua importância. Se Deus, por Sua graça, está realizando uma obra na sua personalidade e na minha, em nossa vida juntos, em nossos relacionamentos uns com os outros, preparando-nos para a glória, então acolheríamos cada aflição.

    Acolheríamos essas coisas como amigas, como auxílio, como ajuda. Veríamos que é a própria graça de Deus que toma esse pequeno ponto no tempo em que você e eu vivemos, essa vida tão curta, e concentra nela tanta disciplina, tanto treinamento, a fim de nos conduzir à glória.

    Ah, a natureza gloriosa da igreja que Jesus está edificando. É o privilégio mais tremendo do mundo pertencer à igreja, fazer parte da família da fé, ser concidadão dos santos. É o maior privilégio concedido a qualquer ser humano.

    Amigos, ah, como essas coisas são maravilhosas quando as consideramos. Penso naquelas palavras que aparecem quase no final da Bíblia, em Apocalipse 21:11, onde se fala da nova Jerusalém, a cidade de Deus, descendo do céu:

    Tendo a glória de Deus.

    Aconteceu. Finalmente, aconteceu. A cidade de Deus, formada ao longo de todos os longos milênios, por meio de todo o agir misericordioso de Deus pelo Seu Espírito em seres humanos redimidos pela obra consumada do Senhor Jesus — finalmente, está pronta.

    A obra está completa. Todos os andaimes foram retirados. Todo o entulho foi removido. E finalmente aparece a noiva: a cidade de Deus, completa, perfeita, tendo a glória de Deus.

    Está escrito:

    A cidade não necessita do sol nem da lua para a iluminar; porque a glória de Deus a iluminou. E as nações andarão à sua luz.

    Queridos amigos, não consigo pensar em nada mais maravilhoso no mundo do que ser chamado à glória eterna em Cristo Jesus.

    Cristo como Fundamento da Igreja

    Agora, voltando ao nosso assunto:

    Tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Tudo o que Cristo edifica — deixem-me dizer de outra maneira. Eu não poderia fazer isso na Grã-Bretanha, mas, como nos Estados Unidos vocês falam outro tipo de inglês, vou tentar. Todos os materiais que Cristo usa na edificação têm de ser glorificáveis.

    Agora, deste lado do oceano, posso me permitir usar essa palavra.

    Ouçam. Isso nos coloca diante de algumas questões sérias. Significa que há uma grande quantidade de material excluído: madeira, feno e palha. Pode ser muito bonito, mas está excluído.

    Isso representa toda a engenhosidade do homem, toda a genialidade do homem, toda a energia de seus talentos e de sua natureza caída, mas está excluído. Por mais glorioso que pareça do ponto de vista humano, por mais hábil que o homem seja em organizar, por mais hábil que seja em falar, por mais hábil que seja em produzir impérios, sistemas ou qualquer outra coisa, tudo isso está excluído dessa edificação eterna que o Senhor Jesus está construindo.

    Cada porção de material que Ele usa tem de possuir, dentro de si, a capacidade para a glória. Ele não incluirá nada — nada, eu repito, nada — que não possa ser glorificado.

    Portanto, queridos amigos, você e eu precisamos levar muito a sério esta questão:

    Tu és Pedro. Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    A Rocha e as Pedras Vivas

    Considerem, por alguns momentos, a própria rocha. Antes de prosseguir, talvez seja bom dizer algumas coisas sobre construção. Não que eu seja construtor, mas venho daquela parte do mundo em que este Livro foi escrito, e tenho visto bastante, em minha própria experiência, das coisas de que este Livro fala.

    Em Israel, por exemplo, quase todas as construções no passado eram feitas de pedra — praticamente nunca de madeira. Em Jerusalém, ainda hoje, todos os edifícios são construídos com pedra de Jerusalém. Há uma lei municipal segundo a qual nenhum edifício, seja um prédio alto ou uma pequena construção térrea, pode ser construído sem usar pedra de Jerusalém.

    Agora, a pedra de Jerusalém, com a qual o templo foi originalmente construído — não precisamos de pedra americana. Circulam algumas histórias sobre pedras sendo preparadas no estado de Indiana, como se nós, que somos tão intensamente patrióticos e nacionalistas, fôssemos aceitar pedra americana para o templo de Deus em Jerusalém, quando temos pedras tão bonitas aqui mesmo.

    Mas em Jerusalém existem quatro tipos daquilo que chamamos de pedra de Jerusalém. Há a pedra branca de Jerusalém, que é bonita, um tanto sem cor, mas muito macia. Há a pedra amarela de Jerusalém, que é mais dura e mais interessante, mas ainda não tão resistente. Há a pedra cinza de Jerusalém, que é resistente, mas muito sem graça. E há a mais bonita de todas as pedras de Jerusalém, a pedra vermelha, que os árabes chamam de “dureza judaica”. Esse é o nome que dão a ela.

    Essa é a mais procurada e a mais valorizada entre as pedras usadas nas construções de Jerusalém.

    Antigamente, quando se construía uma casa, não se fazia como nos Estados Unidos, onde você procura um empreiteiro, e ele vai a outro lugar buscar os materiais e traz tudo numa van ou num caminhão — ou seja lá como vocês chamam isso no inglês americano. Normalmente, construíam a casa sobre a rocha.

    A rocha sobre a qual a casa era construída, se houvesse quantidade suficiente, também se tornava a pedreira que fornecia as pedras para a casa edificada sobre ela. Assim, construía-se a casa, por assim dizer, com pedras retiradas do próprio terreno ou de algum lugar próximo.

    O proprietário percorria seu terreno com o canteiro, e este examinava a pedra. Dizia: “Esta pedra é de boa qualidade. Se nivelarmos esta área aqui, podemos usar uma boa parte da pedra na construção e fazer daqui o fundamento da própria casa.”

    Vocês precisam compreender isso para entender toda essa linguagem das Escrituras sobre edificação:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Jesus não quis dizer: “Agora temos a rocha aqui, mas vamos importar as pedras de alguns quilômetros de distância.”

    O que Ele realmente estava dizendo era: “Aqui está a rocha. Vamos extrair pedras vivas desta rocha. Esta rocha não será apenas o fundamento da casa; vamos de fato retirar dela as pedras para a construção e edificá-las sobre a rocha.” Entenderam?

    Lições de um Canteiro

    É claro que hoje é um pouco diferente. Naturalmente, as pedras são compradas. Lembro-me de quando comprei minha casa em Jerusalém. Ela estava apenas parcialmente de pé quando a comprei. Na Guerra da Independência de 1948, alguns projéteis de artilharia atingiram a casa e fizeram partes dela em pedaços; outros a atingiram em 1967 e fizeram um serviço ainda melhor. Portanto, quando a adquiri, ela precisava ser reconstruída.

    Lembro-me do dia em que chegou o caminhão com uma quantidade enorme de pedras, que foram despejadas diante do lugar onde, ao final, ficaria a porta de entrada. Havia aquela enorme pilha de pedras, com o dobro da minha altura, que depois foram levadas pelos trabalhadores para dentro da casa. Eu mal podia acreditar.

    Então chegou um senhor idoso, baixinho, que, como descobri mais tarde, tinha mais de setenta anos, e começou a examinar as pedras. Começou a separá-las em determinadas pilhas — algumas aqui, e outras ele jogava ali.

    Ora, algumas das que ele descartava me pareciam muito bonitas. A cor era bonita. Havia nelas um veio muito bonito. Eu conseguia enxergar isso até na pedra bruta. Então fui até lá, remexi a pilha e retirei uma ou duas delas.

    Como me considerava alguém de temperamento um tanto artístico, pensei: “Bem, não vou deixar que ele jogue essas coisas fora. Eu paguei por isso.” Desconfiando dele, pensei comigo: “Imagino que ele vá construir alguma coisa para si mesmo. Vai levar essas pedras à noite, num burro, e construir uma pequena casa de verão em algum lugar.”

    Tirei algumas dali e levei até ele. Ele não falava inglês nem hebraico, o que era um pequeno problema. Então, de algum modo, eu lhe disse: “Muito boa, muito boa.”

    “Não”, disse ele. Entendi com bastante clareza que não prestava.

    Então notei uma coisa muito interessante. Ele pegou a pedra e a arremessou com força no chão, e ela se partiu em duas. Depois fez um gesto para mim: “Venha.”

    Fui com ele e então percebi algo extraordinário. Já havia notado uma espécie de pequeno ritual. Quem não entendesse poderia pensar que era algo ocultista, mas não tinha nada de ocultismo. Ele se sentava de pernas cruzadas, pegava uma pedra e a encostava no rosto.

    Depois, ou a jogava para lá, ou a colocava aqui. De alguma maneira extraordinária, aquele velho canteiro sabia se havia uma falha na pedra, e não ia perder todo o seu tempo cortando e moldando uma pedra que tivesse uma falha.

    Então o trabalho começou. Muitos e muitos meses. O dia inteiro — até hoje, às vezes, ainda ouço aquilo nos ouvidos —: tec, tec, tinc, tinc, tinc, tinc, tinc, tinc, tinc.

    O dia inteiro, das sete da manhã às quatro da tarde, todos os dias, seis dias por semana: tinc, tinc, tinc, tinc, tinc, tinc. Ele continuava até que, lentamente, aqueles extraordinários blocos disformes de rocha se tornassem quadrados.

    Quando já havia certa quantidade dessas pedras, começava o trabalho de colocá-las no lugar. Depois eram ajustadas. Quando finalmente uma parede inteira tomava forma, perto do fim de todo o processo, havia outro tipo de tinc, tinc, tinc. Dessa vez, era o acabamento de toda a superfície.

    Um vizinho do outro lado também tem uma casa muito bonita, mas um dos principais arquitetos da cidade me disse, enquanto fazíamos a obra: “Ah, fico muito contente que você esteja trabalhando a pedra dessa maneira, à moda antiga.”

    “Por quê?”, perguntei.

    “Bem, está vendo a casa do seu vizinho?”

    “Sim”, respondi. “É uma bela casa.”

    “Sim, mas”, disse ele, “você já reparou na pedra?”

    “Não. Simplesmente presumi que fosse pedra amarela de Jerusalém.”

    “Não”, disse ele. “Aquela pedra foi serrada. E, por ter sido serrada, nunca mais terá vida.”

    “A sua pedra conserva dentro de si toda a qualidade viva da pedra viva. Não importa”, disse ele, “se esta casa permanecer aqui por setecentos ou oitocentos anos. A qualidade viva dessa pedra virá à tona. O vento, a chuva e o sol apenas revelarão o que está na pedra. Mas, quando a pedra é serrada, você nunca mais recupera sua qualidade viva. Ela é destruída.”

    Assim, aprendi várias lições ali.

    A Identidade da Rocha

    Agora, depois de lhes contar tudo isso, vamos voltar mais uma vez ao assunto:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    O que é a rocha?

    Algumas pessoas dizem que a rocha é a declaração de Pedro:

    Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.

    Isso é parcialmente verdadeiro, mas não é toda a verdade. A própria Bíblia nos diz Quem é a rocha.

    Se olharem em Deuteronômio 32:15, lemos, na última parte do versículo:

    E desprezou a Rocha da sua salvação.

    Ou abram em Isaías 26:4:

    Confiai no Senhor perpetuamente; porque no Senhor, sim, no Senhor, está uma rocha eterna.

    Portanto, entendo que o próprio Deus é a Rocha. Quando Jesus disse:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Creio que Ele estava realmente dizendo: “Sobre Deus em Mim.” Se vocês entendem, era Deus Quem estava em Cristo. Esse é o fundamento dessa obra eterna de edificação do Senhor Jesus.

    É por isso que não é errado dizer que a declaração de Pedro é a rocha:

    Tu és o Cristo.

    “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo. Deus está em Ti. Tu és Deus Filho. Tu és a Rocha.”

    A segunda coisa que quero que examinem é essa questão do fundamento. Aqui temos algo muito interessante. É, naturalmente, a Rocha, como está expresso em 1 Coríntios 3:11:

    Porque ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, o Qual é Jesus Cristo.

    Isso parece bastante claro, creio eu. Ou, novamente, vejam Efésios 2:20:

    Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular.

    Ou vejam 1 Pedro 2:4:

    Chegando-vos a Ele, pedra viva, rejeitada, na verdade, pelos homens, mas, para Deus, eleita e preciosa.

    Aqui vocês têm três coisas: Jesus é chamado de fundamento, de principal pedra angular e de pedra viva. Isso não é interessante?

    Se voltarmos à passagem das Escrituras de onde tudo isso veio, Isaías 28:16, encontraremos a chave para compreender:

    Portanto, assim diz o Senhor Deus: “Eis que ponho em Sião, como fundamento, uma pedra; uma pedra provada, uma preciosa pedra angular de fundamento firme: aquele que crer não se apressará.”

    Aqui temos tudo reunido. Jesus é esse fundamento, a principal pedra angular, o fundamento do qual toda a edificação recebe seu caráter.

    Espero que isso esteja claro. Mais uma coisa sobre essa rocha: primeiro, a Rocha é realmente Deus. Segundo, é Deus em Cristo. Cristo é o fundamento firme. Cristo é o único fundamento. Ele é a principal pedra angular, a pedra viva.

    Agora encontramos algo muito maravilhoso em 1 Pedro 2:5:

    Também vós, como pedras vivas.

    Isso não é interessante? É exatamente a mesma palavra usada para o Senhor Jesus:

    Chegando-vos a Ele, pedra viva.

    Também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual.

    Ora, o que tudo isso significa, se não isto: que Deus fez algo tão maravilhoso no Senhor Jesus, por meio da obra consumada do Senhor Jesus, na Pessoa do Senhor Jesus, que Ele pode comunicar a nós Sua própria vida eterna?

    Ele pode nos dar vida eterna. Pode nos gerar de novo para uma viva esperança. Pode nos trazer, por assim dizer, a uma união Consigo mesmo no Senhor Jesus, de modo que Ele é a Rocha, Jesus é o fundamento, e nós nos tornamos as pedras vivas extraídas da Rocha, que Jesus, por assim dizer, edifica como uma habitação eterna de Deus no Espírito.

    E todo o projeto visa à glória.

    A Importância Estratégica do Fundamento

    Queridos irmãos e irmãs, considero isso simplesmente maravilhoso. Não sei quanto a vocês. Talvez estejam morrendo de tédio, mas considero isso realmente extraordinário:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Vivemos num mundo em que tudo está mudando, em que até coisas que parecem ter durado séculos e séculos estão desaparecendo; um mundo em que não temos nenhuma sensação de segurança, nenhuma sensação de continuidade, nenhuma sensação de estabilidade duradoura.

    Mas, irmãos e irmãs, se conhecemos o Senhor Jesus, se pertencemos a Ele, então estamos recebendo um reino que não pode ser abalado. O próprio Rei é inabalável e, portanto, o reino é inabalável.

    Queridos irmãos e irmãs, estamos envolvidos na obra de edificação do Senhor Jesus sobre essa Rocha eterna, inabalável e invencível. Jesus está edificando Sua igreja.

    Agora vamos dar mais um passo.

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Gostaria de destacar o caráter estratégico e a importância do fundamento.

    Está escrito em Efésios 2:20:

    Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular.

    A primeira questão dessa edificação é o relacionamento com o Senhor Jesus.

    Antes de podermos ter um relacionamento uns com os outros, precisamos ter um relacionamento com o Senhor Jesus. Isso significa que precisamos ser edificados sobre um fundamento.

    Quem é um verdadeiro apóstolo, senão alguém que é um canal obediente para o Senhor? Todos os outros são falsos apóstolos. Quem é um verdadeiro profeta, senão um instrumento, um veículo pelo qual o Senhor fala? Todos os outros profetas são falsos.

    Somos edificados sobre o fundamento de apóstolos e profetas, mas é o próprio Senhor Jesus Quem é a principal pedra angular. O relacionamento com o próprio Senhor Jesus é o elemento estratégico e essencial da edificação.

    Muitas vezes tentamos estabelecer um relacionamento uns com os outros antes de termos clareza sobre nosso relacionamento com o Senhor Jesus. Por isso, nosso relacionamento uns com os outros não consegue suportar a pressão.

    Meu querido amigo, quando nos conhecemos, todos parecemos tão doces, puros, amorosos e compassivos. Deem-nos alguns anos juntos, e estaremos quase desistindo uns dos outros.

    Já sabemos tudo o que há para saber. Sabemos que fulano vai abrir a boca e vamos ouvir as mesmas velhas frases outra vez. “Ah, não, começou de novo.” Ou alguém vai repetir aquela mesma ladainha de sempre. Ou a ideia fixa de fulano vai aparecer durante um momento de comunhão, ou seja lá o que for. Estamos fartos uns dos outros.

    Se não tivermos um relacionamento forte com o Senhor Jesus, jamais teremos um relacionamento forte uns com os outros. Se não nos apegarmos firmemente à Cabeça, jamais encontraremos o Corpo.

    Mas, muito mais importante do que isso, o Corpo jamais funcionará se não nos apegarmos firmemente à Cabeça. Quando todos nos apegamos firmemente ao Corpo, podemos todos sair dos trilhos, como aconteceu com tantos movimentos do Espírito de Deus ao longo da história da igreja.

    Todos permanecem unidos de tal maneira que se afastam, quase sem ninguém perceber, do fundamento, do caminho, da vontade de Deus, cada vez mais, mais e mais, até que o inimigo e os demônios se apossam daquilo e o transformam numa seita.

    Ninguém percebeu. A única garantia de proteção e segurança é um relacionamento forte com o Senhor Jesus.

    Portanto, a primeira coisa é ser edificado sobre o fundamento — não ser edificado como casa espiritual, mas ser edificado sobre o fundamento. A primeira direção é para baixo, se vocês entendem o que quero dizer. A primeira direção não é para fora; é para baixo. A primeira coisa não é horizontal, por assim dizer, em nosso relacionamento uns com os outros.

    Nossa primeira prioridade é nosso relacionamento com o Senhor.

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Esse vaso de glória é edificado tendo somente Cristo como fundamento, e nada mais.

    Somente Cristo como Fundamento

    Se dissermos “Cristo mais isto”, ou “Cristo mais aquilo”, esse não é o fundamento. Acrescentamos algo ao fundamento, e toda a obra de edificação de Deus para.

    Agora, deixem-me ser bem claro a esse respeito. Não quero ser mal compreendido. Existe um núcleo doutrinário mínimo. Existe a triunidade de Deus. Existe a Pessoa do Pai, a Pessoa do Filho e a Pessoa do Espírito Santo. Quanto a isso, não podemos fazer concessões.

    Existe a Pessoa do Senhor Jesus e Sua obra salvadora, a Pessoa do Espírito Santo e Sua obra. Existe a Palavra de Deus — sua autoridade, sua inspiração, sua exatidão. Quanto a isso, não podemos ceder.

    Mas, dito isso, essa é a verdade mínima em Cristo sobre a qual permanecemos firmes, assim Deus nos ajude. Não vamos acrescentar a isso alguma interpretação das Escrituras, alguma visão sobre a vinda do Senhor, alguma linha teológica específica que possa ser questionada, e fazer disso a porta de entrada para a comunhão.

    “Com todos os outros não teremos comunhão — só teremos se você enxergar exatamente como eu enxergo.” Se fizermos isso, Deus ainda nos abençoará. Deus ainda nos usará. Deus ainda salvará pessoas entre nós. Deus nos visitará de muitas e muitas maneiras. Mas, no que diz respeito à edificação, não haverá edificação.

    Pois o Senhor jamais Se comprometerá a edificar qualquer coisa sobre outro fundamento que não seja somente Jesus Cristo.

    Posso, é claro, dizer: “Bem, esta igreja será edificada sobre Jesus Cristo mais a cor da pele. Se você é negro, está dentro. Se é branco, está fora. Se é branco, está dentro; se é negro, está fora. Se é amarelo, está dentro; se é branco, está fora. Se é pardo, está fora; se é branco, está dentro.”

    Ah, meus amigos, há milhares de igrejas pelo mundo inteiro divididas por causa da cor, divididas por causa da raça, divididas por causa da nacionalidade, divididas por causa da classe social. Esse não é o fundamento.

    Há somente um fundamento, e esse fundamento é o Senhor Jesus Cristo.

    Às vezes fazemos disso uma questão de experiência. Agora, é claro, existe uma experiência fundamental e essencial, que é nascer de novo. Não posso trazer para a igreja alguém que não nasceu de novo. Fazer isso seria trazer um cavalo de Troia para dentro da igreja. Seria ridículo. É como cometer suicídio.

    Mas, além disso, existem mil e uma experiências. Algumas pessoas creem numa segunda bênção. Sou inteiramente favorável a elas. Quanto mais segundas bênçãos houver, conhecendo o povo do Senhor como conheço, ah, como eu gostaria que todos recebessem uma segunda bênção. Eles precisam ser transformados.

    Mas algumas pessoas não creem em segundas bênçãos. Dizem que acham que tudo o que se exige é a conversão. Bem, não posso expulsá-las só porque creem apenas na conversão. Sinto muito.

    São como pigmeus espirituais, anões espirituais. Converteram-se, e foi aí que permaneceram para sempre — como a mulher de Ló, transformada numa estátua de sal. Tiveram um beijo, e aquilo foi todo o casamento.

    Uma experiência com o Senhor, e nenhuma outra. Qualquer coisa além disso é emocionalismo.

    Mas, meus queridos amigos, existem milhares de bênçãos. Creio numa segunda bênção. Creio numa terceira bênção, numa quarta bênção, numa quinta bênção e numa sexta bênção. Existem tantas bênçãos.

    Algumas pessoas dizem que se deve receber um batismo no Espírito. Sou inteiramente favorável. Gostaria de ver cada crente imerso na Pessoa do Espírito Santo. Afinal, as pessoas devem estar cansadas de me ver. Não seria maravilhoso se eu estivesse imerso no Espírito Santo? Vocês não me veriam — apenas a glória de Deus, apenas o poder de Deus, apenas a vida de Deus.

    Suponham que vocês estivessem imersos Nele e tudo o que eu pudesse ver fosse a beleza do Senhor. Não seria maravilhoso? Certamente ajudaria em nossos relacionamentos.

    Talvez vocês digam: “Sim, sim, sim. Vou aceitar todos os que receberam um batismo no Espírito acompanhado de línguas.” Não; eu creio em línguas. Não tenho nenhum problema com línguas.

    As pessoas me dizem que as línguas cessaram com o fechamento do cânon das Escrituras. Não. Bem, não vou dizer mais nada sobre essa questão das línguas, mas, se elas cessaram com o fechamento do cânon das Escrituras, eu como o meu chapéu. É tudo o que posso dizer.

    É algo extraordinário. Quando olho para a história da igreja, como vocês explicam seu reaparecimento entre os anabatistas, entre os primeiros menonitas, entre os primeiros huguenotes, entre os primeiros metodistas? Como explicam isso?

    As pessoas dizem que tudo começou na Rua Azusa, em 1906. Não sei de onde tiraram essa história.

    Mas algumas pessoas dizem que você não pode ter comunhão, não pode entrar, a menos que tenha sido batizado no Espírito e tenha a evidência. Então vou excluir todo tipo de pessoa do fundamento. O que devo fazer?

    Pessoalmente, gostaria que todos falassem em línguas. Acho que isso os tornaria pessoas muito mais agradáveis. Agora, nem todos concordam comigo nisso. Acham que é justamente isso que os torna pessoas não tão agradáveis.

    Mas o fato é que, se você foi trazido para dentro pelo Senhor Jesus, eu não posso colocá-lo para fora.

    O Acolhimento Daqueles que Deus Acolheu

    Mas, se eu encontrar uma grande autoridade eclesiástica que não nasceu de novo, o que devo fazer? Devo ser educado e dizer: “Sim, ele está dentro”, quando é perfeitamente claro que ele não está?

    Há pessoas de denominações respeitáveis, aos olhos de alguns de nós, que definitivamente não estão na família de Deus. Há outras pessoas que não vêm de denominações respeitáveis aos nossos olhos, mas que estão dentro.

    Acho que vamos encontrar alguns papas no reino, para grande espanto de alguns dos meus irmãos protestantes. Não sei se o Senhor vai separá-los lá em cima de algum modo, manter todos afastados uns dos outros para preservar a paz, ou se a velha discussão vai começar outra vez lá em cima. Não sei.

    Mas meu ponto é este. Mais recentemente, na Grã-Bretanha, certo bispo foi ordenado em certa catedral, e ele não crê no nascimento virginal, nem na ressurreição do Senhor Jesus, nem na morte expiatória do Senhor Jesus.

    Ele falou no rádio, e todo tipo de pessoa noticiou isso. Eu mesmo o ouvi, com meus próprios ouvidos, descrevendo no rádio a ressurreição do Senhor Jesus como um truque barato de ilusionismo com ossos.

    Depois disso, um raio atingiu a catedral onde ele havia tomado posse e causou danos no valor de dois milhões de libras.

    Um jornalista israelense — só nós, judeus, poderíamos ser tão carnais — perguntou ao arcebispo de Canterbury: “Algumas pessoas dizem que isso foi um ato divino. O que o senhor acha, Vossa Excelência?”

    E ele disse: “Não creio em intervenção divina.”

    Depois disso, houve uma tempestade sobre York que deixou cerca de sessenta centímetros de água na mesma catedral, de modo que a BBC teve de pedir às pessoas que viessem retirar a água da catedral, já danificada pelo raio.

    Alguns crentes em Liverpool pediram a Deus que sacudisse a Inglaterra, e tivemos um terremoto. Vocês já ouviram falar de algo assim? A Inglaterra nunca tem terremotos. Mas, depois de orarem e receberem uma promessa de Deus — “Eu sacudirei” —, em duas horas todo o norte da Inglaterra foi sacudido, inclusive aquela catedral.

    Bem, não sei por que estou lhes contando tudo isso. Mas, vejam, é perfeitamente claro para mim que existem alguns senhores que ocupam altos cargos eclesiásticos dentro da chamada igreja, mas não fazem parte da família da fé. Não deveriam estar ali.

    Como judeu, simplesmente não consigo entender isso. Não consigo imaginar alguém vendendo carros e dizendo: “Estes carros que vendemos não funcionam. Se você pegar um dos carros que temos no salão de vendas e der a volta na esquina, as rodas vão cair, porque ele simplesmente não funciona.”

    Tem uma aparência, mas há outra ideia por trás de tudo aquilo. Não consigo entender por que alguém venderia carros se eles não funcionam. Como judeu, não consigo entender como alguém entra na igreja e não consegue vender o evangelho. Dizem-nos que ele não funciona. É a coisa mais extraordinária de que já ouvi falar.

    Portanto, meu ponto é este: acho que podemos encontrar alguns papas dentro da família da fé e alguns bispos de origem protestante fora dela.

    O fato é que esse fundamento é somente Jesus Cristo, e somente Deus conhece plenamente aqueles que nasceram de Deus. Não posso excluir um desses santos, a não ser por motivo de heresia, de apostasia ou de imoralidade. Não tenho o direito de barrar um único filho de Deus.

    Se Deus acolheu alguém, como posso rejeitá-lo?

    Então, de repente, descubro que esse fundamento impõe uma grande disciplina, porque há todo tipo de pessoa que Deus acolheu e que eu talvez não queira acolher. Não, estou sendo muito honesto.

    Há todo tipo de pessoa que Deus salva, e às vezes penso: “Meu Deus, quanta dor de cabeça.” Mas Deus, em Seu grande amor e misericórdia, fez dessa mesma pessoa um vaso de misericórdia, de antemão preparado para a glória. Agora, o que faço?

    Queridos irmãos e irmãs, toda essa questão do fundamento é muito importante. Deus não Se comprometerá a edificar fora desse fundamento. Se você e eu não tivermos clareza quanto ao fundamento de nossa comunhão e ao fundamento de nossa edificação conjunta, então certamente, com o tempo, o inimigo nos abalará e nos tirará dali.

    Precisamos ter absoluta clareza quanto a essa questão do fundamento. Precisamos entender que esse fundamento não é nada físico. É o fundamento de nosso Senhor Jesus Cristo:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Se há de existir alguma possibilidade de glória, precisamos estar sobre esse fundamento. Não só precisamos ser encontrados sobre esse fundamento, mas precisamos permanecer sobre ele.

    Se você e eu vamos nos tornar aquela casa para a glória de Deus, aquela casa, aquele lar eterno de Deus no Espírito, que finalmente manifestará Sua presença, Sua glória, então precisamos permanecer sobre esse fundamento.

    A Formação das Pedras Vivas

    Agora há ainda outra coisa que gostaria de lhes transmitir, e é esta: não se trata apenas de uma questão de fundamento. Jesus disse:

    Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    Lemos em 1 Pedro 2:5:

    Também vós, como pedras vivas, sois edificados como casa espiritual.

    Portanto, não se trata apenas de ser edificado sobre o fundamento, mas de ser edificado como pedras vivas — uma casa espiritual.

    Agora chegamos à maravilhosa palavra do Senhor Jesus. Foi isso que quis dizer ontem, quando lhes falei que os católicos dão uma importância enorme a estas palavras:

    Tu és Pedro. Sobre esta rocha edificarei a Minha igreja.

    E os protestantes reagem fortemente a isso e dizem: “Não, não, não, isso não está certo. Não tem nada a ver com Pedro como o primeiro papa.”

    Na verdade, a verdade está entre essas duas posições. Quando Jesus disse:

    Tu és Pedro.

    Ele usou a palavra grega Petros, que significa pedra, ou uma porção da rocha. Quando disse:

    Sobre esta rocha edificarei.

    Usou a palavra petra, que designa o maciço rochoso.

    Quero dizer, esse maciço poderia ter o tamanho deste auditório inteiro, e esse Petros poderia ter o tamanho desta tribuna, deste pequeno púlpito.

    Às vezes pensamos assim — não sei por quê; é a formação protestante de muitos de nós —: pensamos que, quando Jesus diz “sobre esta rocha”, está falando deste auditório, e, quando diz “tu és Pedro”, está falando de uma pedrinha que mal se consegue enxergar, o que, na prática, elimina qualquer ideia de Pedro ser uma pedra viva na edificação.

    Entenderam? O que Jesus realmente estava dizendo era: “Tu és uma pedra viva. Sobre o maciço da Rocha, esse fundamento que sou Eu mesmo, edificarei a ti e a outros como a igreja.”

    Considero isso uma fonte tremenda de encorajamento, quase a ponto de me fazer chorar: pensar que Deus disse isso a Pedro. Se tivesse dito a João, eu poderia entender. João tinha um caráter tão diferente — tão fiel, tão dedicado, tão inteiramente comprometido.

    Mas Pedro — ele era verdadeiramente um vaso de misericórdia. Negaria seu Senhor três vezes. A esse Pedro, Jesus dirigiu essas maravilhosas palavras de graça, sabendo que ele O negaria três vezes.

    Ele sabia: “Um dia você se lembrará disto. Apesar de toda a instabilidade do seu caráter, apesar do fato de que terá seus altos e baixos, vou produzir, por meio de um novo nascimento pelo Espírito Santo, uma pedra viva. Vou fazer de você um vaso de misericórdia, de antemão preparado para a glória.”

    “Vou edificar você com outras pedras vivas nesta casa. Vou lhe dar as chaves do reino dos céus. Você terá autoridade, com os outros santos, para que Meu propósito seja realizado e cumprido nesta terra.”

    Isso dá uma perspectiva inteiramente nova a essa declaração de nosso Senhor Jesus, a essa revelação do alvo e do propósito de Sua vinda e de Sua obra. Significa que até os piores entre nós podem se tornar pedras vivas. Significa que, mesmo no temperamento mais impossível por natureza, Deus pode realizar um milagre tão grande que nos tornamos um vaso de misericórdia.

    Um vaso de misericórdia, para que Ele manifeste e expresse as riquezas de Sua glória.

    Pedro como Vaso de Misericórdia

    Pedro — o primeiro a abrir a porta aos três mil no dia de Pentecostes; o primeiro a abrir a porta aos samaritanos; o primeiro a abrir a porta aos gentios em Cesareia. Pedro.

    Pedro, que tantas vezes avançava e depois recuava, e recuava; que, repetidas vezes, de algum modo percebia a verdade e a dizia de repente, e a dizia de coração, de todo o coração, mas não tinha em si mesmo a capacidade de levá-la até o fim.

    Esse Pedro era um vaso de misericórdia que Deus transformou numa pedra viva — eterna, invencível, inabalável —, de modo que, no final, foi martirizado. Quando vieram crucificá-lo, ele disse: “Virem-me de cabeça para baixo. Não morrerei da mesma maneira que o meu Senhor.”

    Esse Pedro, esse vaso de misericórdia, finalmente incorporou ao próprio ser a qualidade de pedra viva que Jesus disse que ele teria. Isso não é um encorajamento para todos nós?

    Não é que Pedro não tivesse seus problemas. Tinha muitos problemas. Quando voltou de Cesareia, teve uma recepção muito hostil na igreja de Jerusalém. Minha nossa, aposto que algumas palavras bem diretas foram ditas ali. Eu adoraria ter sido uma mosquinha na parede.

    Conheço o nosso povo. Consigo imaginar algumas das coisas que foram ditas de um lado e do outro.

    Lembro-me de outra ocasião em que o querido Pedro havia decidido que se podia comer de tudo, desde que se desse graças. Então alguns dos outros o pressionaram, e ele ficou tão confuso com tudo aquilo que se perguntou: “Bem, o que vamos fazer?”

    Ele se afastou, e Paulo ficou tão indignado com isso que se levantou e o repreendeu publicamente. Agora, vocês conseguem imaginar? Temos aqui um belo confronto. Conseguem imaginar? Estamos na igreja, e dois dos líderes discutem um com o outro em público. O mínimo que Paulo poderia ter feito seria tratar disso em particular.

    Depois temos o querido Pedro escrevendo sua carta alguns anos mais tarde e dizendo:

    Nosso amado irmão Paulo […] escreveu cartas […] difíceis de entender.

    Mas ele ainda era seu amado irmão Paulo.

    Evidentemente, ainda tinha suas dificuldades com Paulo.

    Meus queridos amigos, tudo isso tem a ver com edificação. Temos essa ideia de que tudo precisa ser bonito, tudo precisa ser harmonia, tudo precisa ser paz. Fluímos juntos. É uma espécie de Organização das Nações Unidas gloriosa e divina. De algum modo, fazemos tudo juntos, uns com os outros, em concordância, em paz, com uma só mente, com uma só palavra.

    Não é nada disso. Nunca foi. Até que o Senhor venha, não acho que será.

    Acho que tudo isso faz parte do trabalho de moldar, cortar e de todo o restante.

    Bem, meus queridos amigos, vejam, o ponto central é este: essas pedras vivas são aquilo que o Senhor está usando para edificar essa igreja. Pedras vivas. Não se trata de madeira, feno e palha de nossas próprias naturezas. Trata-se da qualidade de pedra viva.

    Em outras palavras, é o novo homem; é a nova criação, nascida de Deus. É isso que o Senhor Jesus está usando em toda essa questão.

    A Disciplina da Obra de Edificação de Deus

    Agora, quando Deus começa a nos cortar — sabem, quando somos salvos, somos apenas uma pedra bruta. Somos novos homens, sim, somos uma nova criação, sim, mas tendemos a pensar que somos um produto acabado. Não somos.

    Nascemos de Deus, mas há muita disciplina. O próprio Jesus foi aperfeiçoado por meio das coisas que sofreu, embora fosse sem pecado. Assim também é conosco. Você e eu precisamos conhecer o trabalho de corte do Senhor.

    Ser moldado como pedra exige muito trabalho. Eu vi isso: o tinc, tinc, tinc, e o tec, tec, tec. O Espírito Santo trabalha nisso o tempo todo. E o que vocês acham que Ele usa como cinzel?

    Bem, muitas vezes nossos irmãos e irmãs são os cinzéis que o Espírito Santo usa — com o tinc, tinc, tinc e o tec, tec, tec. Não gostamos muito disso.

    Às vezes são os empregadores ou os empregados que o Senhor Deus usa no trabalho. Às vezes são os maridos, às vezes as esposas, às vezes os pais, às vezes os filhos. Mas é sempre a mesma coisa: o cinzel, e o tinc, tinc, tinc, e o tec, tec, tec.

    Nunca para — dia após dia, semana após semana. Às vezes, depois de algum tempo, dizemos: “Vou sair disso. Estou saindo. Vou aos confins da terra ser missionário — qualquer coisa para escapar desse tinc, tinc, tinc e desse tec, tec, tec.”

    Mas é isso que Deus faz: corta, corta, corta, corta. Há muito trabalho a ser feito.

    Então, depois de cortar a pedra, Deus precisa lhe dar forma. As pedras têm formas diferentes. Se vocês fossem à minha casa, eu mostraria todas elas. Algumas têm este formato, outras têm aquele; algumas são pequenas, outras recebem uma forma própria para entrar num arco. Todas têm formas diferentes.

    Às vezes discutimos com o Senhor: “O que Tu pensas que estás fazendo comigo? Vi o que fizeste com o irmão Stephen e com o irmão Yohanan. É esse o formato que quero ter.”

    Mas o Espírito Santo diz: “Não, não, não, não, não. Você vai para outro lugar. Preciso aqui de uma pedra comprida e muito estreita. Sinto muito.”

    Ou, às vezes, você está num arco, e o Senhor diz: “Não adianta você ser uma pedra retangular. Preciso lhe dar este formato. Caso contrário, não posso construir o arco.”

    Ah, essa casa será uma casa de glória, tão bonita. Mas, vejam, nem sempre entendemos o que o Senhor está fazendo conosco — moldando e cortando.

    A nossa leve aflição, que é momentânea, produz para nós um eterno e abundante peso de glória.

    Irmãos e irmãs, essa é a obra que o Senhor está realizando em nós com tanta graça.

    Isso acontece em nossos lares, em nossas famílias, em nossos locais de trabalho, mas, acima de tudo, em nossos relacionamentos uns com os outros na igreja. É tão fácil dizer adeus uns aos outros e partir para outra comunidade, a fim de encontrar uma comunhão mais agradável.

    Mas, fazendo isso, vocês podem escapar de todo o trabalho disciplinador de Deus ao cortá-los e moldá-los.

    O Ajustamento Conjunto das Pedras

    Queridos irmãos e irmãs, não se trata apenas de cortar e moldar. Vocês precisam ser bem ajustados uns aos outros. Antigamente, não havia argamassa. Eu poderia levá-los a algumas construções perto de mim em que vocês não conseguiriam sequer enfiar uma faca entre as pedras. Elas estão tão maravilhosamente ajustadas umas às outras, sem argamassa alguma, sem cimento algum. Esse é o antigo tipo de construção.

    Sabem, isso exige habilidade e paciência. Eu observava o velho colocando a pedra e pensava: “Ah, finalmente está no lugar. Ele está trabalhando nela há dois ou três dias.” Então ele balançava a cabeça, ia até lá, examinava, voltava e a retirava cuidadosamente.

    Levava a pedra de volta e fazia mais um pouco de tinc, tinc, tinc e tec, tec, tec, porque ela ainda não estava exatamente certa. Depois ela voltava ao lugar, bem ajustada às outras.

    Irmãos e irmãs, que trabalho é ficar bem ajustados uns aos outros. Não se pode construir uma casa sem que as pedras encontrem uma relação entre si — uma pedra com outra, com outra, com outra, com outra. Lentamente, as paredes se erguem, e os pisos, depois o piso seguinte, o andar seguinte, até chegar ao telhado. Isso exige bastante trabalho.

    A Igreja como Canteiro de Obras

    Então, irmãos e irmãs, precisamos encerrar. Um canteiro de obras normalmente é um lugar bagunçado. Raramente estive num canteiro de obras que fosse como um jardim — tudo bonito, onde se pudesse sentar, com os pássaros cantando e as borboletas voando, tomar uma xícara de chá e realmente relaxar.

    Nunca estive num canteiro de obras assim. Havia poças d’água aqui, montes de cal ali e areia acolá.

    Se minha casa serve de exemplo, nós a compramos em 1977, e ela ficou pronta três anos depois. Quando vocês pensam em todas as pedras que precisaram ser lascadas, cortadas e colocadas no lugar, é claro que isso levou três anos.

    Sabem que, durante cerca de dois anos e nove meses, aquele lugar foi uma grande bagunça? Havia poças d’água, montes de cal, montes de argamassa aqui, montes de areia ali, madeira empilhada acolá, enormes montes de pedras sendo trabalhadas, lascas de pedra por aqui, que, de vez em quando, eram levadas para fora por um burro.

    E assim continuava. Eu entrava e pensava: “Será que este lugar algum dia ficará pronto?” Eu me sentava no que hoje é a sala de estar e pensava: “Será que algum dia, algum dia mesmo, conseguiremos nos sentar aqui e tomar uma xícara de chá? Quero dizer, isto está absolutamente horrível.”

    Os cheiros de tudo aquilo, e ainda havia aquele maldito burro velho entrando e saindo, deixando sua marca registrada por onde passava. Quero dizer, era um lugar bagunçado.

    Se alguém tivesse me dito: “Esta é uma casa de glória. Vai ser algo belo”, eu teria pensado: “Para alguém, não sei. Será que algum dia ficará pronta?”

    Depois, quando já haviam feito a maior parte, ainda não havia janelas nos vãos, nem portas. Quando colocamos as janelas e as portas, não tínhamos água. Quando finalmente conseguimos água fria, não tínhamos água quente.

    Sabem, locais de construção, canteiros de obras, são lugares bagunçados.

    Agora, o que afinal estamos esperando nessa questão da edificação da igreja? Parece que achamos que Deus vai agitar uma varinha sobre todos nós e, de repente, lá estará a casa, com todas as suas lindas telhas. Cremos tanto que Ele pode fazer isso que até as roseiras terão crescido ao redor da porta durante a noite. Tudo estará perfeito.

    Receio que isso só acontecerá quando chegarmos à glória. Aqui embaixo, esse canteiro de obras é uma atividade bem bagunçada.

    Toda a obra de Deus, as lascas, todos os sinais de atividade, todos os sinais da disciplina, todos os sinais do trabalho de moldar, cortar e ajustar as pedras umas às outras — irmãos e irmãs, Cristo está edificando Sua igreja tendo em vista a eternidade, a glória eterna.

    Ele a edifica sobre a Rocha e a partir da Rocha. O que Ele faz é para sempre.

    Não desistam. Não saiam. Não vão simplesmente embora. Vocês são vasos de misericórdia, de antemão preparados para a glória.

    Entreguem-se novamente a Deus, para que Ele realize essa obra em vocês, custe o que custar. Porque o que o Senhor está fazendo é para sempre, e a aflição é leve e passageira.

    Que Deus nos ajude. Vamos orar?